Elaborado por: André Luiz Mesquita de Lima
ATRITO FAMILIAR RESULTA EM MORTE.
A família é uma das partes indispensáveis que compõe a sociedade, por isso é
necessário a existência da família para que o homem construa sua história. A família é
um grupo de pessoas ligadas por descendência a partir de um ancestral comum,
matrimônio ou adoção. Em toda a família independente da sociedade, cada membro ocupa
determinada posição ou tem determinado estatuto, como por exemplo, marido, mulher,
filhos ou irmão, sendo orientado por papeis. Esses papeis são apenas expectativas de
comportamento, de obrigação e de direitos que estão associados a uma dada posição na
família. A família como um dos pilares da sociedade tem como papel fundamental exercer
proteção, tendo, sobretudo, potencialidades para dar apoio emocional para resolução dos
problemas e conflitos, podendo formar uma barreira defensiva contra agressões externas.
Levando em consideração as afirmações acima percebemos que, a família que está
retratada no livro “Álbum de Família”, de Nelson Rodrigues, foge totalmente dos
padrões, pois o que vemos na história é que há enormes conflitos envolvendo todos os
membros da família. Começando por Jonas e Dona Senhorinha que mesmo casados não
eram felizes, pois ele era apaixonado por Glória; Em contrapartida, Dona Senhorinha era
apaixonada pelo filho Nono; Guilherme também mantinha uma paixão por sua irmã
Glória que, por sua vez amava seu pai; Edmundo também amava Dona Senhorinha; e por
último a Tia Rute, irmão de Senhorinha amava Jonas, pois ele fora o único homem que
tivera relação sexual com ela e a mesma nunca havia esquecido-o. Essa família é marcada
pelo incesto, ou seja, o amor erótico entre parentes. Devido ao amor que alguns membros
da família tinham por outros membros, é comum conflitos entre eles, principalmente entre
Jonas e Dona Senhorinha, isso porque ela o traíra com o próprio filho, Nonô. Como forma
de castigar Senhorinha, Jonas transa com meninas-moças na faixa etária de 15 e 16 anos
como forma de fuga do sentimento que tinha pela própria filha. Edmundo que era casado
com Heloísa deixa-a com o objetivo de ficar com sua mãe. Guilherme que estava no
seminário, regressa à casa de seu pai, para proteger Gloria de Jonas, e também com intuito
de fugir com ela. Como conseqüência dessas atitudes, primeiramente Edmundo comete o
suicídio ao descobrir que Dona Senhorinha mantinha um caso com Nonô; Guilherme
assassina Glória ao vê-la confessar seu amor por seu pai; a matriarca também assassina o
próprio marido no velório de Edmundo para ficar com Nonô. Vemos em o “Álbum de
Família”, a autodestruição de uma família causada pela existência do incesto.
Elaborado por: André Luiz Mesquita de Lima
Já em o “Pagador de Promessas”, de Dias Gomes, a família de Zé-do-Burro, é
marcada pela tragédia devido à falta de tolerância por parte das autoridades da cidade.
Zé-do-Burro era um homem do interior que vai para a cidade no propósito de cumprir um
voto feito à Santa Bárbara em favor de Nicolau, seu estimado burro que sofrera um
acidente e quase morrera, mas que diante da devoção e da promessa feita por Zé, Nicolau
sobreviveu. Após andar sete léguas com uma cruz na costa, Zé e sua esposa Rosa chegam
a cidade, mas eram ainda quatro horas da manha. Eles então resolvem esperar a igreja
abrir. Os dois adormecem na escadaria da igreja. Ao amanhecer eles conhecem Bonitão
e Marli. Ela prostituta; ele Tremendo Gigolô. Bonitão aproveitando-se da ingenuidade de
Zé-do-Burro oferece-se para ajudá-los. Zé então inocentemente manda que Rosa vá com
Bonitão para o hotel e á ela o trai com o Gigolô. Durante esse tempo Zé permanece na
frente da igreja. A multidão curiosa aglomera-se na praça. Aparece o Padre e o Sacristão;
Zé explica a promessa ao Padre que escandaliza-se ao ouvir Zé dizer que fez uma
promessa a Iansã, num terreiro de candomblé, e por isso o padre impede que Zé entre na
igreja para cumprir seu voto, pois Iansã na visão do clero era tão somente um demônio.
Forma-se o conflito. Nesse momento Rosa volta do hotel; Zé-do-Burro percebe o
nervosismo da mulher. Diante de tanta insistência por parte de Zé, e da resistência por
parte do Padre Olavo, Zé resolve ir embora à noite. O dia já está findando-se, o secreto
que fora chamado por Bonitão avisa que a policia irá prender Zé-do-Burro. Saem da igreja
as autoridades, Zé inutilmente tenta ainda explicar algo ao Padre, mas eles o cercam. Ao
perceberem que Zé tem em mãos uma faca, as autoridades reagem. Os capoeiristas
também. Ouvi-se um tiro. Zé-do-Burro é mortalmente ferido. Os capoeiristas ignorando
Padre e os policias entram na igreja levando Zé sobre a cruz.
Ao lermos os livro “Álbum de Família”, de Nelson Rodrigues, e o “Pagador de
Promessas”, de Dias Gomes, percebemos claramente a falta de cumplicidade, respeito e
proteção por parte dos membros das famílias de ambas as obras. A primeira marcada pelo
incesto, onde pais e filhos não tratam-se como tais, exatamente pelo fato de amarem-se
eroticamente. A segunda é marcada pela intolerância das autoridades e pela falta de
companheirismo da esposa de Zé. Em ambas as obras ocorrem mortes, causadas pela falta
de compreensão e respeito mútuo dos familiares.

Prof. André: Análise Literaria

  • 1.
    Elaborado por: AndréLuiz Mesquita de Lima ATRITO FAMILIAR RESULTA EM MORTE. A família é uma das partes indispensáveis que compõe a sociedade, por isso é necessário a existência da família para que o homem construa sua história. A família é um grupo de pessoas ligadas por descendência a partir de um ancestral comum, matrimônio ou adoção. Em toda a família independente da sociedade, cada membro ocupa determinada posição ou tem determinado estatuto, como por exemplo, marido, mulher, filhos ou irmão, sendo orientado por papeis. Esses papeis são apenas expectativas de comportamento, de obrigação e de direitos que estão associados a uma dada posição na família. A família como um dos pilares da sociedade tem como papel fundamental exercer proteção, tendo, sobretudo, potencialidades para dar apoio emocional para resolução dos problemas e conflitos, podendo formar uma barreira defensiva contra agressões externas. Levando em consideração as afirmações acima percebemos que, a família que está retratada no livro “Álbum de Família”, de Nelson Rodrigues, foge totalmente dos padrões, pois o que vemos na história é que há enormes conflitos envolvendo todos os membros da família. Começando por Jonas e Dona Senhorinha que mesmo casados não eram felizes, pois ele era apaixonado por Glória; Em contrapartida, Dona Senhorinha era apaixonada pelo filho Nono; Guilherme também mantinha uma paixão por sua irmã Glória que, por sua vez amava seu pai; Edmundo também amava Dona Senhorinha; e por último a Tia Rute, irmão de Senhorinha amava Jonas, pois ele fora o único homem que tivera relação sexual com ela e a mesma nunca havia esquecido-o. Essa família é marcada pelo incesto, ou seja, o amor erótico entre parentes. Devido ao amor que alguns membros da família tinham por outros membros, é comum conflitos entre eles, principalmente entre Jonas e Dona Senhorinha, isso porque ela o traíra com o próprio filho, Nonô. Como forma de castigar Senhorinha, Jonas transa com meninas-moças na faixa etária de 15 e 16 anos como forma de fuga do sentimento que tinha pela própria filha. Edmundo que era casado com Heloísa deixa-a com o objetivo de ficar com sua mãe. Guilherme que estava no seminário, regressa à casa de seu pai, para proteger Gloria de Jonas, e também com intuito de fugir com ela. Como conseqüência dessas atitudes, primeiramente Edmundo comete o suicídio ao descobrir que Dona Senhorinha mantinha um caso com Nonô; Guilherme assassina Glória ao vê-la confessar seu amor por seu pai; a matriarca também assassina o próprio marido no velório de Edmundo para ficar com Nonô. Vemos em o “Álbum de Família”, a autodestruição de uma família causada pela existência do incesto.
  • 2.
    Elaborado por: AndréLuiz Mesquita de Lima Já em o “Pagador de Promessas”, de Dias Gomes, a família de Zé-do-Burro, é marcada pela tragédia devido à falta de tolerância por parte das autoridades da cidade. Zé-do-Burro era um homem do interior que vai para a cidade no propósito de cumprir um voto feito à Santa Bárbara em favor de Nicolau, seu estimado burro que sofrera um acidente e quase morrera, mas que diante da devoção e da promessa feita por Zé, Nicolau sobreviveu. Após andar sete léguas com uma cruz na costa, Zé e sua esposa Rosa chegam a cidade, mas eram ainda quatro horas da manha. Eles então resolvem esperar a igreja abrir. Os dois adormecem na escadaria da igreja. Ao amanhecer eles conhecem Bonitão e Marli. Ela prostituta; ele Tremendo Gigolô. Bonitão aproveitando-se da ingenuidade de Zé-do-Burro oferece-se para ajudá-los. Zé então inocentemente manda que Rosa vá com Bonitão para o hotel e á ela o trai com o Gigolô. Durante esse tempo Zé permanece na frente da igreja. A multidão curiosa aglomera-se na praça. Aparece o Padre e o Sacristão; Zé explica a promessa ao Padre que escandaliza-se ao ouvir Zé dizer que fez uma promessa a Iansã, num terreiro de candomblé, e por isso o padre impede que Zé entre na igreja para cumprir seu voto, pois Iansã na visão do clero era tão somente um demônio. Forma-se o conflito. Nesse momento Rosa volta do hotel; Zé-do-Burro percebe o nervosismo da mulher. Diante de tanta insistência por parte de Zé, e da resistência por parte do Padre Olavo, Zé resolve ir embora à noite. O dia já está findando-se, o secreto que fora chamado por Bonitão avisa que a policia irá prender Zé-do-Burro. Saem da igreja as autoridades, Zé inutilmente tenta ainda explicar algo ao Padre, mas eles o cercam. Ao perceberem que Zé tem em mãos uma faca, as autoridades reagem. Os capoeiristas também. Ouvi-se um tiro. Zé-do-Burro é mortalmente ferido. Os capoeiristas ignorando Padre e os policias entram na igreja levando Zé sobre a cruz. Ao lermos os livro “Álbum de Família”, de Nelson Rodrigues, e o “Pagador de Promessas”, de Dias Gomes, percebemos claramente a falta de cumplicidade, respeito e proteção por parte dos membros das famílias de ambas as obras. A primeira marcada pelo incesto, onde pais e filhos não tratam-se como tais, exatamente pelo fato de amarem-se eroticamente. A segunda é marcada pela intolerância das autoridades e pela falta de companheirismo da esposa de Zé. Em ambas as obras ocorrem mortes, causadas pela falta de compreensão e respeito mútuo dos familiares.