3Boa Vista, 23 de dezembro de 2014
Ministério Público arrocha
Cidade
DESRESPEITO
Com o advento de saté-
lites, invenção de computa-
dores pessoais até chegar às
minúsculas geringonças que
trazem o mundo à palma da
mão de qualquer um foi curto
o espaço de tempo.
Pena que, no Brasil, as
comunicações não sejam efi-
cientes. Em Roraima, comu-
nicar-se como fazem milhões
de pessoas no Planeta Terra
é sacrifício. Quando não im-
possível. “Sem serviço”, “Sis-
tema fora do ar”, “Serviço
indisponível” são frases que
roraimenses ouvem ou leem
muitas vezes ao dia.
Maria Helena Veronese,
deputada eleita em outubro,
comentou sobre mensagem
recebida horas depois de en-
viada. Maura Gomes, assesso-
ra parlamentar, afirma ter que
deslocar-se de casa, no bairro
Paraviana, em busca de sinal
para seu smartphone. José
Vasconcelos, representante
comercial, conta que perdeu
negócios importantes por
causa da inoperância da inter-
net em Roraima.
É tudo igual - E não im-
porta a operadora. Elas são
todas farinha do mesmo saco.
Reclamar? Experimente. Falar
com as centrais de atendimen-
to é verdadeiro suplício. E,
quando atendido, o consumi-
dor ouve a repetida frase de
que estão “trabalhando para
resolver o problema”.
A grita é geral. Paga-se
caro por serviço meia sola.
Movimentos para exigir
serviços compatíveis com o
que se paga pipocam por to-
dos os lados. Recentemente,
a Seccional Roraima da Or-
dem dos Advogados do Brasil
(OAB) conseguiu milhares de
adesões em abaixo assinado
para provocar o Ministério
Público a fazer que operado-
ras de telefonia respeitem os
consumidores entregando-
lhes o que foi contratado.
Algo se conseguiu. Ao
ver que nesse angu tem caro-
ço, no dia 13 de novembro,
o Judiciário pronunciou-se
exigindo que a Vivo reduzis-
se valores de serviços em 50%
e proibindo vendas de novas
linhas. No dia 11 deste mês,
determinação judicial, colo-
cou as outras três operadoras
no mesmo saco e impôs-lhes
as mesmas determinações.
O não cumprimento da or-
dem leva o desobediente a
pagar pesada multa.
Filme triste
Muita gente já viu esse
filme. Com cofres abarro-
tados de dinheiro tomado
de inocentes consumidores,
pode ser que essas empre-
sas acionem seus advogados,
convençam juízes de que “es-
tão trabalhando para resol-
ver problemas” e tudo volte a
ser como antes no quartel de
Abrantes; ou seja, que rorai-
menses continuem sofrendo
com o desrespeito que pode-
rosos lhes impõem.
Obrigadas a não vender novas linhas e reduzir preços de tarifas,
pode ser que Claro, Oi, Tim e Vivo passem a respeitar consumidores
FOTO E MONTAGEM: AROLDO PINHEIRO

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    3Boa Vista, 23de dezembro de 2014 Ministério Público arrocha Cidade DESRESPEITO Com o advento de saté- lites, invenção de computa- dores pessoais até chegar às minúsculas geringonças que trazem o mundo à palma da mão de qualquer um foi curto o espaço de tempo. Pena que, no Brasil, as comunicações não sejam efi- cientes. Em Roraima, comu- nicar-se como fazem milhões de pessoas no Planeta Terra é sacrifício. Quando não im- possível. “Sem serviço”, “Sis- tema fora do ar”, “Serviço indisponível” são frases que roraimenses ouvem ou leem muitas vezes ao dia. Maria Helena Veronese, deputada eleita em outubro, comentou sobre mensagem recebida horas depois de en- viada. Maura Gomes, assesso- ra parlamentar, afirma ter que deslocar-se de casa, no bairro Paraviana, em busca de sinal para seu smartphone. José Vasconcelos, representante comercial, conta que perdeu negócios importantes por causa da inoperância da inter- net em Roraima. É tudo igual - E não im- porta a operadora. Elas são todas farinha do mesmo saco. Reclamar? Experimente. Falar com as centrais de atendimen- to é verdadeiro suplício. E, quando atendido, o consumi- dor ouve a repetida frase de que estão “trabalhando para resolver o problema”. A grita é geral. Paga-se caro por serviço meia sola. Movimentos para exigir serviços compatíveis com o que se paga pipocam por to- dos os lados. Recentemente, a Seccional Roraima da Or- dem dos Advogados do Brasil (OAB) conseguiu milhares de adesões em abaixo assinado para provocar o Ministério Público a fazer que operado- ras de telefonia respeitem os consumidores entregando- lhes o que foi contratado. Algo se conseguiu. Ao ver que nesse angu tem caro- ço, no dia 13 de novembro, o Judiciário pronunciou-se exigindo que a Vivo reduzis- se valores de serviços em 50% e proibindo vendas de novas linhas. No dia 11 deste mês, determinação judicial, colo- cou as outras três operadoras no mesmo saco e impôs-lhes as mesmas determinações. O não cumprimento da or- dem leva o desobediente a pagar pesada multa. Filme triste Muita gente já viu esse filme. Com cofres abarro- tados de dinheiro tomado de inocentes consumidores, pode ser que essas empre- sas acionem seus advogados, convençam juízes de que “es- tão trabalhando para resol- ver problemas” e tudo volte a ser como antes no quartel de Abrantes; ou seja, que rorai- menses continuem sofrendo com o desrespeito que pode- rosos lhes impõem. Obrigadas a não vender novas linhas e reduzir preços de tarifas, pode ser que Claro, Oi, Tim e Vivo passem a respeitar consumidores FOTO E MONTAGEM: AROLDO PINHEIRO