O NEGRO NO CINEMA
• Atualmente, o preconceito racial ainda
se encontra nos meios midiáticos,
principalmente no cinema. Podemos
observar grandes melhorias em relação
a anos atrás, mas ainda existem muitas
barreiras que precisam ser
ultrapassadas.
• No cinema, por exemplo, cada vez
mais atores afrodescendentes estão
sendo escalados para papéis
importantes e isso é uma grande
mudança, como por exemplo, o ator
John Boyega, que interpretou Finn, em
Star Wars: o despertar da força (2015).
Mas, para ele, o preconceito ainda é muito forte. Em uma
entrevista ao ComicBook, ele disse: “Eu sou sempre a única
pessoa a falar sobre a minha pele nas entrevistas. Quando
Daisy faz alguma entrevista, isso nunca é um tema, por que
comigo sempre é? Não importa em que posição você está,
quando você é negro, você é negro, e esses idiotas sempre vão
ter algo a falar sobre isso”.
O NEGRO NO CINEMA
Outro ator famoso que já viveu o racismo em
sua trajetória e que ainda sente que sofre
preconceito é Will Smith. Em entrevista à
Stephen Colbert, ele fala sobre o racismo
muito presente, mesmo em Hollywood.
“O racismo claramente não é pior do que nos
anos 60, você sabe, e, consequentemente, não
tão ruim quanto em 1860. Nós estamos
discutindo sobre raça nesse país mais
abertamente e claramente do que nunca foi
feito anteriormente na história desse país (…)
O racismo não está piorando, está sendo
filmado”, disse ele do seu ponto de vista
como astro internacional.
“Todo mundo é preconceituoso. Cada pessoa tem experiências
de vida que o levam a preferir uma coisa em detrimento de
outra – é o que faz alguns preferirem uma mulher loira a uma
morena, por exemplo. Mas se você vê alguém com pele escura
andando pela rua e tem uma reação diferente do que você teria
se a pessoa fosse branca, aí há uma conotação de racismo de
superioridade”, afirmou.
RAÇA E GÊNERO NO CINEMA BRASILEIRO
POR QUE OS ATORES NEGROS NÃO CRESCEM TANTO NESSE MEIO?
• Estereótipo do "galã"
• Afirmam que o filme não vende se o ator
principal for negro
• Apego dos fãs à aparência de um personagem
• Falta de recursos e financiamento
• Preconceito histórico
Com o desenvolvimento da linguagem cinematográfica, o negro foi
posto no centro da cena, não obstante, sua marginalização foi
potencializada através dos estereótipos raciais associados a sua imagem.
Na origem da linguagem cinematográfica está o blackface, que consiste
no uso de atores brancos pintados de preto para interpretar personagens
negros, o que revela a essência do preconceito racial. O blackface se
estende por toda a história do cinema brasileiro até o momento em que
os próprios negros reivindicaram sua auto representação.
CINEMA NOVO BRASILEIRO
Foi um projeto criado na década de 50, que foi estruturado
por Nelson Pereira dos Santos. Mas, o nome principal
desse projeto é do cineasta baiano Glauber Rocha. O
objetivo era inovar no cinema brasileiro, que envolveu
diretores, críticos e teóricos, para contrapor novas ideias
aos valores estéticos de uma cultura cinematográfica
dominada por interesses industriais.
Observando os filmes e alguns depoimentos, verificamos
que o que era entendido por povo se reduz a uns poucos
tipos: o camponês, o trabalhador, o favelado, o migrante, o
nordestino, o sambista e o favelado. Dirigidos por Nelson
Pereira dos Santos, Rio 40 graus (1955) e Rio zona norte
(1957), foram, seguramente, os filmes que melhor
representaram o pensamento cinematográfico da esquerda
nacionalista dos anos 1950.
Ambos tiveram o negro em papel principal, sendo filmes que
traduziram o pensamento da esquerda nacionalista da época e
que foram influenciados pelo neorrealismo italiano, pretendendo
retratar o que acreditavam ser as condições de vida do povo.
Barravento
OBRAS DE ARTE E PRECONCEITOSCom ou sem razão, já foram colocadas em xeque obras de
nomes como Monteiro Lobato, Charles Dickens, Mark Twain,
H.P. Lovecraft, Harper Lee e Hergé. O filme "...E o vento
levou" (1939), sucesso absoluto do cinema americano, com
oito Oscars na bagagem, recebe críticas do movimento negro
desde seu lançamento, por romantizar a escravidão.
Nas artes brasileiras, Monteiro Lobato é quem mais recebe
críticas por sua representação de personagens negros. De
tempos em tempos, chegam à Justiça pedidos para retirar, por
exemplo, seu livro "Caçadas de Pedrinho" (1933) da lista das
obras recomendadas pelo Ministério da Educação. O caso
chegou até ao Supremo Tribunal Federal (STF), que em 2014
rejeitou uma solicitação para que se acrescentasse adendos à
obra. Entre os trechos polêmicos de "Caçadas de Pedrinho",
está: "Tia Anastácia (...) trepou, que nem uma macaca de
carvão, (...) com tal agilidade que parecia nunca ter feito outra
coisa na vida senão trepar em mastros."
ARTISTAS NEGROS BRASILEIROS
Em uma entrevista à Folha de São Paulo, o artista Jaime
Lauriano fala sobre os artistas negros na arte contemporânea.
Qual é a situação dos negros no cenário da arte
contemporânea do país?
“Ser um artista negro é complicado porque não se toca nesse
assunto. O artista negro que se destaca na arte brasileira não é
visto como um artista negro. O discurso de miscigenação é
tão disseminado, que é como se isso não fosse uma questão.
Ser um artista negro já é um ato político, mesmo que seu
trabalho não fale da questão racial. Ser um artista negro no
Brasil já é uma puta batalha e poucos conseguem se destacar.
Eu não vejo um preconceito racial ou racismo, porque se
dissesse isso seria leviano, mas é um racismo mais velado. É
não lidar com essa questão. É como se a cor dele fosse
nenhuma. Isso não é trazido à tona. As pessoas esquecem de
dizer isso, mas está havendo uma retomada agora. É o negro
querendo tomar o protagonismo de sua história.”
Você se identifica como um artista
negro?
“Eu não entendia o que era ser negro,
mas me assumi como negro e isso virou
um tema muito grande na minha
pesquisa e no meu trabalho. Hoje eu
posso afirmar que me identifico como
artista negro e isso tem um impacto na
minha maneira de trabalhar, na minha
visão do Brasil e da arte. Meus trabalhos
pensam sobre a construção do Estado
que passa pela inibição do corpo de um
oprimido. É a formação do Brasil a
partir da violência e da dominação do
corpo de outra pessoa. Tem a
escravidão, a ditadura e o genocídio das
classes mais pobres. É um estudo sobre
o corpo brasileiro, não um corpo
individual, um corpo coletivo, dócil.
Essas investigações giram em torno da
dominação e da subjetivação do corpo.”
ARTISTAS NEGROS BRASILEIROS
O Ator Evandro Nunes, que já tem 25 anos de
carreira artística, ressalta a diferença ainda existente
entre atores brancos e negros:
“Quando se lê ‘precisa-se de um ator de 30 anos’,
esse papel será de um branco. Do contrário, dizem
‘ator negro’”.
Evandro sublinha que ser ator está acima de
pertencer a uma raça. “Posso desempenhar qualquer
papel. Essa é a minha função, mas não veem isso.
Se você pensar nos filmes brasileiros lançados nos
últimos anos, há poucos protagonistas negros. Na
própria Campanha, há pouquíssimos negros. Até
outro dia, ainda faziam blackface, dizendo que era
uma homenagem”, lamenta o ator.
PRECONCEITO HISTÓRICO
Para o diretor de dublagem Alexandre Silva, os
atores negros são mais aceitos fora do Brasil, como
nos Estados Unidos. Isso é devido um preconceito
historicamente declarado.
“Isso pode soar como um coisa ruim, mas o pior
para mim é o que acontece no Brasil, em que há um
preconceito velado. Ele existe, porém fazem de tudo
para provar que não existe”, registra Alexandre.
Embora enxergue uma maior conscientização da
comunidade negra sobre seus valores, lamenta que
ela não esteja presente na cultura como um todo.
“As conquistas vão muito pelo esforço do próprio
negro”.
Na área de dublagem, ele garante que os negros têm seu espaço,
“mil vezes mais democrático”. A explicação para isso é simples: o
que importa é a voz, não sendo possível ver o rosto de quem
dubla.
CINCO DIRETORES NEGROS
No Brasil, de acordo com o IBGE, os diretores identificados
como negros foram apenas cinco: Jeferson De (“Bróder”,
2010), Fábio Barreto (“A paixão de Jacobina”, 2002, e
“Lula, o filho do Brasil”, 2009), Estevão Ciavatta (“Made in
China”, 2014), Enrique Fernández (“O banheiro do Papa”,
2007) e Joel Zito Araújo (“Filhas do vento”, 2004).
Joel Zito, que também é ativista do movimento negro, vê no
passado colonial a origem da falta de diversidade no cinema
nacional.
É um problema da cultura latino-americana, não só brasileira.
O projeto de colonização tem como base o branqueamento da
população. Essa mentalidade se refletiu em romances, na TV
e até em livros didáticos, nos quais o menino negro apareceu
muitas vezes com os pés no chão, como um morador de rua.
No fundo de uma igreja, os santos são louros e de olhos azuis.
É uma segregação que atinge todos os segmentos, inclusive, é
claro, o audiovisual.
O último longa-metragem de ficção de Joel Zito foi justamente “Filhas do
vento”, estrelado por nomes como Taís Araújo, Thalma de Freitas, Rocco
Pitanga e Milton Gonçalves. Desde então, dirigiu apenas documentários.
Ele diz que incluir artistas negros no elenco principal traz dificuldades
para conseguir financiamento.
“Vivi isso durante toda a minha história. Só este ano devo conseguir voltar
à ficção. Tenho três roteiros prontos, mas ainda tento captar (recursos).”
afirmou o diretor.
EM BUSCA DO OSCAR
A primeira negra a levar uma estatueta para casa
foi Hattie McDaniel, em 1940, por seu papel de
atriz coadjuvante no sucesso “...E o vento levou”.
Ela ganhou não só o reconhecimento da crítica,
mas também o do público. O filme estreou em 15
de dezembro de 1939, em Atlanta, e lançado
diversas vezes no Brasil.
Em 1964, Sidney Poitier, aos 37 anos, se tornou o
primeiro negro a ganhar um Oscar Honorário de
melhor ator, pelo filme “Uma voz nas sombras”,
dirigido por Ralph Nelson.
INDICAÇÃO DE FILMES
No sul dos Estados Unidos, anos antes da Guerra
Civil, um ex-escravo Django faz uma aliança
inesperada com o caçador de recompensas
Schultz para caçar os criminosos mais procurados
do país e resgatar sua esposa de um fazendeiro
que força seus escravos a participarem de
competições mortais.
Moradores desesperados de uma cidadezinha contratam sete
mercenários para combater um inescrupuloso empresário e seus
capangas, no Velho Oeste norte-americano.
INDICAÇÃO DE FILMES
O ex-agente secreto Robert McCall acredita que
seu passado ficou para trás e tenta viver uma nova
vida. Porém, quando ele conhece Teri, uma jovem
que está em poder de uma quadrilha russa, ele
simplesmente não pode ignorá-la. Munido de suas
extraordinárias habilidades, ele ressurge como um
anjo vingador. O filme é baseado na série de
televisão "The Equalizer", dos anos 1980.
A história da luta de Martin Luther King Jr. para garantir o direito
de voto dos afrodescendentes - uma campanha perigosa e
aterrorizante que culminou na marcha épica de Selma a
Montgomery, Alabama, e que estimulou a opinião pública norte-
americana e convenceu o presidente Johnson a implementar a Lei
dos Direitos de Voto em 1965. Em 2015 é comemorado o 50º.
aniversário deste momento crucial no Movimento dos Direitos
Civis.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS• https://www.geledes.org.br/tag/racismo-no-cinema/
• https://www.geledes.org.br/racismo-na-arte-contemporanea/
• https://oglobo.globo.com/cultura/obras-de-arte-sao-colocadas-em-xeque-por-
preconceitos-ha-mais-de-um-seculo-20944016
• http://hojeemdia.com.br/almanaque/artistas-negros-buscam-espa%c3%a7o-em-
um-meio-que-ainda-exclui-afrodescendentes-1.443552
• https://www.geledes.org.br/john-boyega-fala-sobre-sua-decepcao-com-casos-
de-racismo-na-franquia-de-star-wars/
• https://analisesmomentaneas.blogspot.com.br/2016/07/artigo-o-negro-no-
cinema-um-breve-texto.html
• http://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/historia-dos-negros-no-cinema-
esta-marcada-por-conquistas-retrocessos-15071304
• https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/pesquisa-escancara-ausencia-de-
artistas-negros-no-cinema-brasileiro-18815033
• http://negromidiaeducacao.xpg.uol.com.br/negro_e_o_cinema.htm
• https://www.geledes.org.br/will-smith-racismo-nao-esta-piorando-esta-sendo-
filmado/
• http://claudia.abril.com.br/noticias/will-smith-fala-sobre-racismo-em-
hollywood-convivo-com-o-preconceito-constantemente/
GRUPO
• Alexia Cristina Carvalho nº02
• Henrique Bosco nº11
• João Lucas Guimarães nº14
• Thais Rodrigues nº29

O preconceito racial

  • 2.
    O NEGRO NOCINEMA • Atualmente, o preconceito racial ainda se encontra nos meios midiáticos, principalmente no cinema. Podemos observar grandes melhorias em relação a anos atrás, mas ainda existem muitas barreiras que precisam ser ultrapassadas. • No cinema, por exemplo, cada vez mais atores afrodescendentes estão sendo escalados para papéis importantes e isso é uma grande mudança, como por exemplo, o ator John Boyega, que interpretou Finn, em Star Wars: o despertar da força (2015). Mas, para ele, o preconceito ainda é muito forte. Em uma entrevista ao ComicBook, ele disse: “Eu sou sempre a única pessoa a falar sobre a minha pele nas entrevistas. Quando Daisy faz alguma entrevista, isso nunca é um tema, por que comigo sempre é? Não importa em que posição você está, quando você é negro, você é negro, e esses idiotas sempre vão ter algo a falar sobre isso”.
  • 3.
    O NEGRO NOCINEMA Outro ator famoso que já viveu o racismo em sua trajetória e que ainda sente que sofre preconceito é Will Smith. Em entrevista à Stephen Colbert, ele fala sobre o racismo muito presente, mesmo em Hollywood. “O racismo claramente não é pior do que nos anos 60, você sabe, e, consequentemente, não tão ruim quanto em 1860. Nós estamos discutindo sobre raça nesse país mais abertamente e claramente do que nunca foi feito anteriormente na história desse país (…) O racismo não está piorando, está sendo filmado”, disse ele do seu ponto de vista como astro internacional. “Todo mundo é preconceituoso. Cada pessoa tem experiências de vida que o levam a preferir uma coisa em detrimento de outra – é o que faz alguns preferirem uma mulher loira a uma morena, por exemplo. Mas se você vê alguém com pele escura andando pela rua e tem uma reação diferente do que você teria se a pessoa fosse branca, aí há uma conotação de racismo de superioridade”, afirmou.
  • 4.
    RAÇA E GÊNERONO CINEMA BRASILEIRO
  • 5.
    POR QUE OSATORES NEGROS NÃO CRESCEM TANTO NESSE MEIO? • Estereótipo do "galã" • Afirmam que o filme não vende se o ator principal for negro • Apego dos fãs à aparência de um personagem • Falta de recursos e financiamento • Preconceito histórico Com o desenvolvimento da linguagem cinematográfica, o negro foi posto no centro da cena, não obstante, sua marginalização foi potencializada através dos estereótipos raciais associados a sua imagem. Na origem da linguagem cinematográfica está o blackface, que consiste no uso de atores brancos pintados de preto para interpretar personagens negros, o que revela a essência do preconceito racial. O blackface se estende por toda a história do cinema brasileiro até o momento em que os próprios negros reivindicaram sua auto representação.
  • 6.
    CINEMA NOVO BRASILEIRO Foium projeto criado na década de 50, que foi estruturado por Nelson Pereira dos Santos. Mas, o nome principal desse projeto é do cineasta baiano Glauber Rocha. O objetivo era inovar no cinema brasileiro, que envolveu diretores, críticos e teóricos, para contrapor novas ideias aos valores estéticos de uma cultura cinematográfica dominada por interesses industriais. Observando os filmes e alguns depoimentos, verificamos que o que era entendido por povo se reduz a uns poucos tipos: o camponês, o trabalhador, o favelado, o migrante, o nordestino, o sambista e o favelado. Dirigidos por Nelson Pereira dos Santos, Rio 40 graus (1955) e Rio zona norte (1957), foram, seguramente, os filmes que melhor representaram o pensamento cinematográfico da esquerda nacionalista dos anos 1950. Ambos tiveram o negro em papel principal, sendo filmes que traduziram o pensamento da esquerda nacionalista da época e que foram influenciados pelo neorrealismo italiano, pretendendo retratar o que acreditavam ser as condições de vida do povo. Barravento
  • 7.
    OBRAS DE ARTEE PRECONCEITOSCom ou sem razão, já foram colocadas em xeque obras de nomes como Monteiro Lobato, Charles Dickens, Mark Twain, H.P. Lovecraft, Harper Lee e Hergé. O filme "...E o vento levou" (1939), sucesso absoluto do cinema americano, com oito Oscars na bagagem, recebe críticas do movimento negro desde seu lançamento, por romantizar a escravidão. Nas artes brasileiras, Monteiro Lobato é quem mais recebe críticas por sua representação de personagens negros. De tempos em tempos, chegam à Justiça pedidos para retirar, por exemplo, seu livro "Caçadas de Pedrinho" (1933) da lista das obras recomendadas pelo Ministério da Educação. O caso chegou até ao Supremo Tribunal Federal (STF), que em 2014 rejeitou uma solicitação para que se acrescentasse adendos à obra. Entre os trechos polêmicos de "Caçadas de Pedrinho", está: "Tia Anastácia (...) trepou, que nem uma macaca de carvão, (...) com tal agilidade que parecia nunca ter feito outra coisa na vida senão trepar em mastros."
  • 8.
    ARTISTAS NEGROS BRASILEIROS Emuma entrevista à Folha de São Paulo, o artista Jaime Lauriano fala sobre os artistas negros na arte contemporânea. Qual é a situação dos negros no cenário da arte contemporânea do país? “Ser um artista negro é complicado porque não se toca nesse assunto. O artista negro que se destaca na arte brasileira não é visto como um artista negro. O discurso de miscigenação é tão disseminado, que é como se isso não fosse uma questão. Ser um artista negro já é um ato político, mesmo que seu trabalho não fale da questão racial. Ser um artista negro no Brasil já é uma puta batalha e poucos conseguem se destacar. Eu não vejo um preconceito racial ou racismo, porque se dissesse isso seria leviano, mas é um racismo mais velado. É não lidar com essa questão. É como se a cor dele fosse nenhuma. Isso não é trazido à tona. As pessoas esquecem de dizer isso, mas está havendo uma retomada agora. É o negro querendo tomar o protagonismo de sua história.” Você se identifica como um artista negro? “Eu não entendia o que era ser negro, mas me assumi como negro e isso virou um tema muito grande na minha pesquisa e no meu trabalho. Hoje eu posso afirmar que me identifico como artista negro e isso tem um impacto na minha maneira de trabalhar, na minha visão do Brasil e da arte. Meus trabalhos pensam sobre a construção do Estado que passa pela inibição do corpo de um oprimido. É a formação do Brasil a partir da violência e da dominação do corpo de outra pessoa. Tem a escravidão, a ditadura e o genocídio das classes mais pobres. É um estudo sobre o corpo brasileiro, não um corpo individual, um corpo coletivo, dócil. Essas investigações giram em torno da dominação e da subjetivação do corpo.”
  • 9.
    ARTISTAS NEGROS BRASILEIROS OAtor Evandro Nunes, que já tem 25 anos de carreira artística, ressalta a diferença ainda existente entre atores brancos e negros: “Quando se lê ‘precisa-se de um ator de 30 anos’, esse papel será de um branco. Do contrário, dizem ‘ator negro’”. Evandro sublinha que ser ator está acima de pertencer a uma raça. “Posso desempenhar qualquer papel. Essa é a minha função, mas não veem isso. Se você pensar nos filmes brasileiros lançados nos últimos anos, há poucos protagonistas negros. Na própria Campanha, há pouquíssimos negros. Até outro dia, ainda faziam blackface, dizendo que era uma homenagem”, lamenta o ator.
  • 10.
    PRECONCEITO HISTÓRICO Para odiretor de dublagem Alexandre Silva, os atores negros são mais aceitos fora do Brasil, como nos Estados Unidos. Isso é devido um preconceito historicamente declarado. “Isso pode soar como um coisa ruim, mas o pior para mim é o que acontece no Brasil, em que há um preconceito velado. Ele existe, porém fazem de tudo para provar que não existe”, registra Alexandre. Embora enxergue uma maior conscientização da comunidade negra sobre seus valores, lamenta que ela não esteja presente na cultura como um todo. “As conquistas vão muito pelo esforço do próprio negro”. Na área de dublagem, ele garante que os negros têm seu espaço, “mil vezes mais democrático”. A explicação para isso é simples: o que importa é a voz, não sendo possível ver o rosto de quem dubla.
  • 11.
    CINCO DIRETORES NEGROS NoBrasil, de acordo com o IBGE, os diretores identificados como negros foram apenas cinco: Jeferson De (“Bróder”, 2010), Fábio Barreto (“A paixão de Jacobina”, 2002, e “Lula, o filho do Brasil”, 2009), Estevão Ciavatta (“Made in China”, 2014), Enrique Fernández (“O banheiro do Papa”, 2007) e Joel Zito Araújo (“Filhas do vento”, 2004). Joel Zito, que também é ativista do movimento negro, vê no passado colonial a origem da falta de diversidade no cinema nacional. É um problema da cultura latino-americana, não só brasileira. O projeto de colonização tem como base o branqueamento da população. Essa mentalidade se refletiu em romances, na TV e até em livros didáticos, nos quais o menino negro apareceu muitas vezes com os pés no chão, como um morador de rua. No fundo de uma igreja, os santos são louros e de olhos azuis. É uma segregação que atinge todos os segmentos, inclusive, é claro, o audiovisual. O último longa-metragem de ficção de Joel Zito foi justamente “Filhas do vento”, estrelado por nomes como Taís Araújo, Thalma de Freitas, Rocco Pitanga e Milton Gonçalves. Desde então, dirigiu apenas documentários. Ele diz que incluir artistas negros no elenco principal traz dificuldades para conseguir financiamento. “Vivi isso durante toda a minha história. Só este ano devo conseguir voltar à ficção. Tenho três roteiros prontos, mas ainda tento captar (recursos).” afirmou o diretor.
  • 12.
    EM BUSCA DOOSCAR A primeira negra a levar uma estatueta para casa foi Hattie McDaniel, em 1940, por seu papel de atriz coadjuvante no sucesso “...E o vento levou”. Ela ganhou não só o reconhecimento da crítica, mas também o do público. O filme estreou em 15 de dezembro de 1939, em Atlanta, e lançado diversas vezes no Brasil. Em 1964, Sidney Poitier, aos 37 anos, se tornou o primeiro negro a ganhar um Oscar Honorário de melhor ator, pelo filme “Uma voz nas sombras”, dirigido por Ralph Nelson.
  • 14.
    INDICAÇÃO DE FILMES Nosul dos Estados Unidos, anos antes da Guerra Civil, um ex-escravo Django faz uma aliança inesperada com o caçador de recompensas Schultz para caçar os criminosos mais procurados do país e resgatar sua esposa de um fazendeiro que força seus escravos a participarem de competições mortais. Moradores desesperados de uma cidadezinha contratam sete mercenários para combater um inescrupuloso empresário e seus capangas, no Velho Oeste norte-americano.
  • 15.
    INDICAÇÃO DE FILMES Oex-agente secreto Robert McCall acredita que seu passado ficou para trás e tenta viver uma nova vida. Porém, quando ele conhece Teri, uma jovem que está em poder de uma quadrilha russa, ele simplesmente não pode ignorá-la. Munido de suas extraordinárias habilidades, ele ressurge como um anjo vingador. O filme é baseado na série de televisão "The Equalizer", dos anos 1980. A história da luta de Martin Luther King Jr. para garantir o direito de voto dos afrodescendentes - uma campanha perigosa e aterrorizante que culminou na marcha épica de Selma a Montgomery, Alabama, e que estimulou a opinião pública norte- americana e convenceu o presidente Johnson a implementar a Lei dos Direitos de Voto em 1965. Em 2015 é comemorado o 50º. aniversário deste momento crucial no Movimento dos Direitos Civis.
  • 16.
    REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS• https://www.geledes.org.br/tag/racismo-no-cinema/ •https://www.geledes.org.br/racismo-na-arte-contemporanea/ • https://oglobo.globo.com/cultura/obras-de-arte-sao-colocadas-em-xeque-por- preconceitos-ha-mais-de-um-seculo-20944016 • http://hojeemdia.com.br/almanaque/artistas-negros-buscam-espa%c3%a7o-em- um-meio-que-ainda-exclui-afrodescendentes-1.443552 • https://www.geledes.org.br/john-boyega-fala-sobre-sua-decepcao-com-casos- de-racismo-na-franquia-de-star-wars/ • https://analisesmomentaneas.blogspot.com.br/2016/07/artigo-o-negro-no- cinema-um-breve-texto.html • http://acervo.oglobo.globo.com/fatos-historicos/historia-dos-negros-no-cinema- esta-marcada-por-conquistas-retrocessos-15071304 • https://oglobo.globo.com/cultura/filmes/pesquisa-escancara-ausencia-de- artistas-negros-no-cinema-brasileiro-18815033 • http://negromidiaeducacao.xpg.uol.com.br/negro_e_o_cinema.htm • https://www.geledes.org.br/will-smith-racismo-nao-esta-piorando-esta-sendo- filmado/ • http://claudia.abril.com.br/noticias/will-smith-fala-sobre-racismo-em- hollywood-convivo-com-o-preconceito-constantemente/
  • 17.
    GRUPO • Alexia CristinaCarvalho nº02 • Henrique Bosco nº11 • João Lucas Guimarães nº14 • Thais Rodrigues nº29