MESTRADO PROFISSIONAL
EM COMUNICAÇÃO DIGITAL
E CULTURA DE DADOS
TEORIAS DAS MÍDIAS DIGITAIS
LEONARDO FOLETTO
LEONARDO FOLETTO,
PRAZER
CHECK IN
_ Nome, graduação, temas de pesquisa;
_ Como vocês chegam hoje para a aula?
_ O que vocês esperam dessa disciplina?
_ Primeiro acesso à internet? primeiro nick online? onde e por que?
TEORIA DAS MÍDIAS
DIGITAIS EMENTA
● História e evolução das mídias digitais.
Conceitos-chaves para uma teoria das mídias digitais.
● A perspectiva cibernética.
Interação humano-máquina;
● Tecnopolítica das mídias digitais:
Teoria laboral da máquina; plataformização, racismo algorítmico
● A comunicação das coisas
Teoria Ator-Rede, Cartografia das Controvérsias, Affordances;
● Internet das coisas: conceitos, aparatos;
Cosmotécnicas e neomateralidades; Extrativismo digital; Tecnoceno;
● Linguagem das mídias digitais
Estética algorítmica e Inteligência Artificial.
TEORIA DAS MÍDIAS
DIGITAIS OBJETIVOS
● Ampliar a compreensão sobre conceitos, princípios e funções das
tecnologias, meios e recursos de comunicação digital enquanto
mediadores dos processos comunicacionais, sociais e políticos;
● Entender os principais modelos teórico-metodológicos atuais na
discussão em que as mídias digitais ganham destaque
DIA 2: 4/12
A perspectiva cibernética.
Interação Humano-máquina
Tecnopolítica das mídias digitais
Teoria Laboral da Máquina;
Capitalismo de Vigilância,
racismo algorítmico e outros
conceitos chaves
PERCURSO
EMENTAS E AULAS
DIA 1: 3/12
Apresentação. Ementa.
Bibliografia. Trabalhos.
Combinados.
Breve história das mídias digitais
Conceitos iniciais
DIA 4: 6/12
Linguagem e estética algorítmica;
IA, arte e criatividade digital
Encerramento.
Apresentação e debate da 1º
parte dos trabalhos finais
PERCURSO
EMENTAS E AULAS
DIA 3: 5/12
A comunicação das coisas:
Teoria Ator-Rede, Cartografia das
Controvérsias, Affordances;
Internet das coisas e outros
conceitos;
Cosmotécnicas e
neomateralidades; Extrativismo
digital; Tecnoceno;
TRABALHOS
1: Resumo
● Produção de um resumo de um ensaio ou artigo acadêmico, a ser entregue e
apresentado no último dia de aula (6/12/24);
● Texto precisa articular alguns dos conceitos, perspectivas e teorias vista em aula
com algum objeto/fenômeno (teórico ou empírico);
● Pode ser realizado e apresentado em duplas ou trios;
● 250 a 500 palavras; qualquer fonte e espaçamento; título + palavras-chave;
● Enviado resumo e tema/título/tags até 10h do dia 6/12 (para organizar apresentações);
via Digital Class;
● Apresentação: até 10 min + 5 para debate, com ou sem PPT; sexta, 6/12, 14h;
TRABALHOS
2: Artigo ou ensaio
● Produção de um artigo ou artigo acadêmico, a ser enviado até 9/2/2025;
● Texto precisa articular alguns dos conceitos, perspectivas e teorias vista em aula
com algum objeto/fenômeno (teórico ou empírico);
● Pode ser realizado individual, em duplas ou trios;
● 2000 a 5000 palavras; qualquer fonte e espaçamento;
título + resumo + palavras-chave;
● A ser enviado via Digital Class até 9/2/2025;
TRABALHOS
Critérios de Avaliação e Notas
CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO:
● Articulação de referências teórica-metodológicas para o aprofundamento da
análise de um objeto/fenômeno de interesse;
● Criatividade e inovação na abordagem prática ou teórica do objeto/fenômeno;
● Clareza na apresentação do problema de pesquisa e no desenvolvimento do
texto; em caso de ensaio, a argumentação deve manter uma coerência
argumentativa entre si;
NOTA FINAL: RESUMO (20%), PARTICIPAÇÃO EM AULA (20%),
ARTIGO/ENSAIO (60%).
BIBLIOGRAFIA
BÁSICA
● MARTINO, Luiz Mauro Sá. Teoria das mídias digitais: linguagens, ambientes e
redes. Editora Vozes Limitada, 2014.
● D’ANDRÉA, Carlos. Pesquisando plataformas online: conceitos e métodos.
Salvador: Edufba, 2020. Disponível em
http://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/32043
BIBLIOGRAFIA
COMPLEMENTAR
● BENKLER, Yochai. The Wealth of Networks: How Social Production Transforms Markets
and Freedom. New Haven: Yale University Press, 2006. Disponível em:
https://benkler.org/Benkler_Wealth_Of_Networks.pdf
● CESARINO, Letícia. O Mundo do Avesso: Verdade e Política na Era Digital. São Paulo; Ubu
Editora, 2022.
● FAUSTINO, Deivison; LIPPOLD, Walter. Colonialismo digital: por uma crítica
hacker-fanoniana. São Paulo; Boitempo, 2023
● FOLETTO, Leonardo. A cultura é livre: uma história da resistência antipropriedede. São
Paulo; Autonomia Literária e Fundação Rosa Luxemburgo, 2021. Disponível em:
https://baixacultura.org/livro/
● GROHMANN, Rafael (org.). Os laboratórios do trabalho digital. São Paulo; Boitempo, 2019.
● HUI, Yuk. Tecnodiversidade. São Paulo; Ubu Editora, 2021.
● JENKINS, Henry; FORD, Sam; GREEN, Joshua. Cultura da conexão: criando valor e
significado por meio da mídia propagável. Aleph, 2015.
BIBLIOGRAFIAS
COMPLEMENTAR
● LATOUR, Bruno. Reagregando o Social: uma introdução à teoria do Ator-Rede. Trad.
Gilson César Cardoso de Sousa. Salvador/Bauru; Edufba/Edusc, 2012.
● LEMOS, André. A comunicação das coisas: Teoria Ator-Rede e Cibercultura. São Paulo:
Annablume, 2013.
● LEMOS, A. Dataficação da vida. Civitas-Revista de Ciências Sociais, v. 21, p. 193-202, 2021.
● LEMOS, André. BITTENCOURT, Elias; BASTOS DOS SANTOS, João Guilherme. Fake news
as fake politics: the digital materialities of YouTube misinformation videos about
Brazilian oil spill catastrophe. Media, Culture & Society, 43(5), 886-905. 2021
● LEVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo; Editora 34, 1999
● MANOVICH, Lev. Software takes command: Extending the language of new media. Nova
Iorque: Bloomsbury Publishing Plc, 2013. 31 v. .9781623568177. Disponível em:
https://archive.org/details/softwaretakescom0000mano
● MOROZOV, Evgeny. Big Tech: A Ascensão dos Dados e A Morte da Política. São Paulo:
Ubu Editora, 2018.
BIBLIOGRAFIA
COMPLEMENTAR
● PASQUINELLI, Matteo. The Eye of the Master- A Social History of Artificial Intelligence.
Londres; Verso Books, 2023.
● POELL, Thomas; NIEBORG, David; VAN DIJCK, José. Plataformização (Platformisation, 2019
– tradução: Rafael Grohmann). Revista Fronteiras – estudos midiáticos 22(1):2-10
janeiro/abril 2020.
● SILVA, Tarcízio. Racismo Algorítmico: Inteligência Artificial e redes digitais. São Paulo;
Sesc Edições, 2022.
● VENTURINI, Tommaso. MUNK, Anders Kristian. Controversy Mapping: A Field Guide.
Cambridge; Medford: 2021.
● WARK, Mckenzie. Um Manifesto Hacker. São Paulo; Editora Funilaria, 2023.
● ZUBOFF, Shoshana. Big Other: capitalismo de vigilância e perspectivas para uma
civilização da informação. IN: BRUNO, Fernanda [ET AL]. Tecnopolíticas de vigilância:
perspectivas da margem. São Paulo; Boitempo, 2018.
Parte 2: Breve história das tecnologias
digitais & conceitos iniciais
● Breve (brevíssima) História e evolução do computador e das redes (digitais);
● Alguns conceitos chave para teorias das mídias digitais;
● Cibercultura, Cultura da Convergência, Inteligência Coletiva
● Os anos 90 e 2000: cultura Colaborativa, p2p, torrents, blogs, memes, remix;
● Commons digitais, Software & Cultura Livre, Pirataria;
● Sociedade em Rede, Ideologia Californiana, Esfera Pública Conectada
ALGORITMO E…
Deriva da latinização do nome do acadêmico persa “Al-Khwarizmi”, autor de “Sobre o
Cálculo com Numeração Hindu”, livro escrito em Bagdad no século IX que foi responsável
pela introdução da numeração hindu no Ocidente, bem como das novas técnicas de
cálculo que surgiram, chamadas ALGORITMOS
A palavra medieval latina algorismus/algoritmi referia-se aos procedimentos e atalhos
usados para resolver as quatro operações matemáticas fundamentais — adição, subtração,
multiplicação e divisão – com numerais hindus. Mais tarde, o termo ALGORITMO viria a
significar qualquer procedimento lógico feito passo a passo. Centro da LÓGICA
COMPUTACIONAL.
… ALGARISMOS
1 1010010111110000001101010101101011010101011010101101 1
X XX XXX IV V X XXX L LLL C CCC D M
1080 = MVXXX
Sistema posicional indo-arábico X Sistema aditivo romano
“Os números binários foram adotados [fim da Idade Média - > Revolução Industrial)
porque podem ser aplicados em circuitos elétricos e microchips e, desse modo,
acelerar o cálculo a velocidades sobre-humanas” (PASQUINELLI, 2021, p.102)
Impulso do capitalismo industrial em direção à automatização do trabalho manual e mental
COMPUTADOR E …
Eniac, 1947 Mainframe, 1960-70
Apple I, 1977 IBM PC, 1980
Itautec, anos 1980-90
…REDES (DIGITAIS)
Advanced research projects agency network
(Arpanet, EUA, 1969)
E se…
Cybersin, Chile (1971-73)
Teorias das Mídias Digitais: conceitos
chaves e perspectivas históricas
_ “Novas Mídias”, “Nova Mídia”, “novas tecnologias”, “mídias digitais”,
etc;
_ DIGITAL = digitalis (latim): relacionado aos dedos. George Stibitz,
da Bell Telephone Laboratories, usou a palavra digital em referência aos
rápidos pulsos elétricos emitidos por um dispositivo projetado para mirar
e disparar canhões antiaéreos em 1942.
SÃO dados transformados em sequências numéricas (dígitos 0 e 1)
MAS TAMBÉM desenvolvimento dos dedos por bifurcações emergentes,
orientadas por princípios formais embutidos no próprio “design” do
organismo (Cesarino, 2022);
Conceito-chave: INFORMAÇÃO
DADO NOVO QUE APARECE NO SISTEMA
GERA FEEDBACK
TRANSFORMA PROBABILIDADES EM CERTEZA
BITS = BINÁRIO = SIM OU NÃO
INPUT/OUTPUT
CIBERCULTURA
Fruto de um relatório encomendado pelo Conselho
Europeu (1997).
CIBERCULTURA: “Conjunto de técnicas (materiais e
intelectuais), de práticas, de atitudes, modos de
pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente
com o crescimento do ciberespaço” (LEVY, 1999, p.17).
Conjunto de práticas levadas a cabo por pessoas
conectadas a uma rede de computadores.
O que a difere de “cultura” é a estrutura técnica
CIBERCULTURA (brasileira)
_ Cibercultura: Tecnologia e vida social na cultura
contemporânea, 2002 (fruto de uma tese de doutorado em
sociologia na França de 1995);
_ A cibercultura altera a comunicação de massa ao permitir a
produção descentralizada de conteúdo por qualquer usuário;
LIBERAÇÃO DO PÓLO EMISSOR DA INFORMAÇÃO;
_ Blogs, fóruns, Comunidades virtuais (hoje redes sociais,
organizadas por algoritmos de recomendação);
_ Interatividade, hipertexualidade; cyberpunk, cypherpunks,
phreakers, crackers, hackers;
_ Fase “especulativa” - anos 1990; fase “social” - anos 2000;
fase “neomaterialista” - anos 2010;
CIBERESPAÇO
Neuromancer (1984), Willian Gibson. Case.
CIBERESPAÇO: “novo” meio de comunicação que surge
da interconexão mundial dos computadores (LEVY, 1999.
17). Espaço que existe “entre” os computadores, na
conexão que existe aos usuários trocarem dados.
Arquitetura aberta, crescimento indefinido;
_ Memórias compartilhadas pelas pessoas conectadas;
_ Programas de computador;
_ Interfaces, que permitem interação e acesso;
_ Codificação Digital (tudo é bit, dado, 0 e 1);
VIRTUAL / INTELIGÊNCIA COLETIVA
VIRTUAL: o que pode ser, saber em potência; parte
integrante do real;
Oposto a físico (e não ao real); comunidade virtual/
INTELIGÊNCIA COLETIVA: Vínculo/soma de competências,
ideias e conhecimentos, articulado no “virtual” entre pessoas
no “ciberespaço”. Ética da reciprocidade. Valor do
conhecimento depende do contexto.
Sociedade em rede, Manuel Castells (1996)
Globalização, nova ordem multipolar, nascimento da internet comercial,
nova divisão do trabalho (Toyotismo): otimismo.
“Redes constituem a nova morfologia social de nossas sociedades e a
difusão da lógica de redes modifica de forma substancial a operação e
os resultados dos processos produtivos e de experiência, poder e
cultura. Embora a forma de organização social em redes tenha existido
em outros tempos e espaços, o novo paradigma da tecnologia da
informação fornece a base material para sua expansão penetrante em
toda a estrutura social” (p.565)
“Novas mídias”: integração das tecnologias de telecomunicações; mídia
interativa; código digital. Tecnologia moldada pela sociedade.
A Galáxia da Internet
Manuel Castells (2002)
Quatro correntes culturais/camadas da internet:
_ tecno-meritocrática: instituto de pesquisas (acadêmicos,
militares, corporativos);
_ comunitária virtual: primeiros usuários, entusiastas;
_ empresarial: telecomunicações, empresas .com
_ hackers: “fuçadores”, programadores, underground;
Hacker?
Década de 1950, Boston, MIT (EUA), depois na
Califórnia (Vale do Silício), 1970/1980
Grande habilidade técnica em informática,
aprendiam fazendo, autodidatas, excelentes
programadores e desenvolvedores de sistemas,
mas péssimos alunos;
To hack: fissurar, cortar, modificar, decifrar;
Ética hacker; hackerspaces/hacklabs; software
livre; hackativismo; pads, wikis;
The Wealth of Networks, Yochai Benkler
(2006)
_ Como a internet e as redes digitais transformam a economia, a
produção de informação e a liberdade social. O paradigma da produção
colaborativa não apenas redefine os mercados, mas também cria novas
possibilidades para a democracia e a igualdade;
_ Commons-based production; indivíduos colaboram de forma
descentralizada, utilizando plataformas digitais: Wikipedia, software livre,
código aberto; desafia as economias tradicionais, mostrando que
indivíduos podem produzir valor significativo fora das estruturas
corporativas;
_ Bens não-rivais; ao serem consumidos ou usados por uma pessoa,
não se tornam indisponíveis para ser consumidos ou usados por outras;
cooperação e colaboração em rede
CULTURA DA CONVERGÊNCIA
CONVERGÊNCIA: “Refiro-me ao fluxo de conteúdos através
de múltiplas plataformas de mídia, à cooperação entre
múltiplos mercados midiáticos e ao comportamento
migratório dos públicos dos meios de comunicação, que vão
a quase qualquer parte em busca das experiências de
entretenimento que desejam” (JENKINS, 2010, p.24)
Não é novidade, mas é potencializada pelo digital.
Receptores tornam-se criadores; (Re) elaboram suas próprias
mensagens. Emulam a cultura dos meios de massa. Não é
novidade que o consumo É CRIATIVO; receptor nunca foi
PASSIVO. Mas agora é mais fácil ser “criativo”.
CULTURA DA CONVERGÊNCIA: REMIX
MEME / VIRAL
Memes
Auto-comunicação de massas
“Uma nova forma de comunicação interativa, caracterizada
pela capacidade de enviar mensagens de muitos para
muitos, em tempo real ou no tempo escolhido” (CASTELLS,
2013, p. 101).
Criam novas formas de manifestação e de intervenção nos
sistemas políticos. Nascem nas redes sociais, tomam os
espaços urbanos e passam a existir além das “nuvens”.
Desenvolvimento da autocomunicação de massas e da
importância do crescimento de novas formas de
contrapoder.
Redes de indignação e esperança: movimentos sociais na
era da internet (2013)
Ideologia Californiana,
Richard Barbrook e Andy Cameron (1995)
Uma improvável mescla das atitudes boêmias e
antiautoritárias da contracultura da costa oeste dos EUA
com o utopismo tecnológico e o liberalismo econômico.
Dessa mistura hippie com yuppie nasceria o espírito das
empresas .com do Vale do Silício, que passaram a alimentar
a ideia de que todos podem ser “hip and rich” – para isso
basta acreditar em seu trabalho e ter fé que as novas
tecnologias de informação vão emancipar o ser humano
ampliando a liberdade de cada um e reduzir o poder do
estado burocrático.
Ideologia Californiana,
Richard Barbrook e Andy Cameron (1995)
As estruturas sociais, políticas e legais serão substituídas
por interações autônomas entre pessoas e os softwares:
TECNOSOLUCIONISMO.
Nesta democracia jeffersoniana de alta tecnologia, a relação
entre senhores e escravos resiste sob uma nova forma.
Apesar destas fantasias, os brancos da Califórnia continuam
dependentes de seus colegas humanos de pele mais escura
para trabalhar em suas fábricas, colher seus cereais, cuidar
de suas crianças e cultivar seus jardins:
COLONIALISMO DIGITAL.
+
BIBLIOGRAFIA
AULA 1
● BARBROOK, Richard; CAMERON, Andy. A ideologia californiana: uma crítica ao livre
mercado nascido no Vale do Silício. Trad. Marcelo Träsel. Porto Alegre; União da
● Vitória: BaixaCultura; Monstro dos Mares, 2018.
● BENKLER, Yochai. The Wealth of Networks: How Social Production Transforms Markets
and Freedom. New Haven: Yale University Press, 2006. Disponível em:
https://benkler.org/Benkler_Wealth_Of_Networks.pdf
● CASTELLS, Manuel. A Galáxia da Internet: Reflexões sobre a Internet, os Negócios e a
Sociedade. Rio de Janeiro: Zahar, 2003.
● CASTELLS, Manuel. Redes de indignação e esperança: movimentos sociais na era da
internet. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.
● CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede. 6. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2013. (A Era da
Informação: Economia, sociedade e cultura, v. 1).
BIBLIOGRAFIA
AULA 1
● JENKINS, Henry. A Cultura da Convergência. 2. ed. São Paulo: Aleph, 2009.
● JENKINS, Henry; FORD, Sam; GREEN, Joshua. Cultura da conexão: criando valor e
significado por meio da mídia propagável. Aleph, 2015.
● FOLETTO, Leonardo. A cultura é livre: uma história da resistência antipropriedede. São
Paulo; Autonomia Literária e Fundação Rosa Luxemburgo, 2021. Disponível em:
https://baixacultura.org/livro/
● LEMOS, André. Cibercultura: Tecnologia e Vida Social na Cultura Contemporânea. Porto
Alegre: Sulina, 2002.
● LÉVY, Pierre. Cibercultura. 2. ed. São Paulo: Editora 34, 1999.
● LÉVY, Pierre. O Que É o Virtual?. São Paulo: Editora 34, 1996.
● MARTINO, Luiz Mauro Sá. Teoria das mídias digitais: linguagens, ambientes e redes.
Editora Vozes Limitada, 2014.
● PASQUINELLI, Matteo. The Eye of the Master- A Social History of Artificial Intelligence.
Londres; Verso Books, 2023.
GRACIAS!
leonardo.foletto@fgv.br
Redes: @leofoletto / Site: leofoletto.info
MESTRADO PROFISSIONAL
EM COMUNICAÇÃO DIGITAL
E CULTURA DE DADOS
TEORIAS DAS MÍDIAS DIGITAIS
LEONARDO FOLETTO
DIA 2: 4/12
A perspectiva cibernética.
Interação Humano-máquina
Tecnopolítica das mídias digitais
Plataformização; Capitalismo de
Vigilância, racismo algorítmico e
outros conceitos chaves
PERCURSO
EMENTAS E AULAS
DIA 1: 3/12
Apresentação. Ementa.
Bibliografia. Trabalhos.
Combinados.
Breve história das mídias digitais
Conceitos iniciais
DIA 4: 6/12
Estudos de Software
Linguagem e estética algorítmica;
IA, arte e criatividade digital
Encerramento.
Apresentação e debate da 1º
parte dos trabalhos finais
PERCURSO
EMENTAS E AULAS
DIA 3: 5/12
A comunicação das coisas; Teoria
Ator-Rede e Cartografia das
Controvérsias.
Cosmotécnica e Tecnodiversidade.
Neomaterialismo e cultura digital
Corpo e humanidades digitais:
avatar, wearable, metaverso;
RECAPITULANDO...
“Esta aula fornece uma visão histórica da mídia digital, traçando sua evolução desde
o telégrafo e telefone até a internet e plataformas de mídia social. Examina
conceitos-chave como o projeto Calculating Empires, o desenvolvimento da internet
e o impacto das grandes empresas de tecnologia. Também explora a influência de
fatores políticos e econômicos nos avanços tecnológicos e discute questões éticas
em torno da privacidade de dados e do viés algorítmico. Finalmente, aborda a
emergência de novas formas de comunicação como os memes e as complexidades
das culturas colaborativas online”.
Resumo: https://notebooklm.google.com
https://docs.google.com/document/d/1pK03R9s72QJMvya_i8AMcdVo8oZNAki9lMik
WEPckpg/edit?tab=t.0
CIBERNÉTICA
(é IA)
O que vamos ver
● Origem, principais nomes, contexto;
● sistema, ambiente, feedback, input/output;
● Interação humano-máquina & IA; machine learning, deep learning, redes neurais;
● IA simbólica X IA conexionista;
● Redes sociais como máquinas cibernéticas;
● IA como divisão social do trabalho;
● Comunicação e trabalho;
● Plataformização;
● Capitalismo de Vigilância; Racismo Algorítmico; Colonialismo digital;
CIBERNÉTICA?
ORIGEM DA PALAVRA: do grego Κυβερνήτης (kubernetes, “timoneiro” na Grécia Antiga.
Governor (regulador) é oriunda da palavra grega. “Desejávamos também referir ao fato de que
os engenhos de pilotagem de um navio são na verdade uma das primeiras e mais bem
desenvolvidas formas de mecanismo de feedback)” (WIENER, 1948, p.34)
CONCEITO: “Super ciência” cujo objetivo é buscar “os elementos comuns no funcionamento de
máquinas automáticas e no sistema nervoso humano e desenvolver uma teoria capaz de cobrir
todo o campo da comunicação e controle em máquinas e organismos vivos” (WIENER,
1948,p.14)
Capacidade de um sistema técnico, social e natural (vivo) de controlar a si mesmo via troca de
informação com o ambiente
SISTEMAS, SISTEMAS, SISTEMAS
O Mundo do Avesso, Letícia Cesarino (2021)
“Mas onde estão estão esses sistemas? Você falou tanto deles
aqui, mas não consigo vê-los” (p.27)
_ SISTEMAS: Dinâmica ou modo de funcionamento comum;
conjunto delimitado de elementos em interação;
_ Não são apreensíveis a partir de um ponto de vista externo e
neutro; só pode ser acionada de forma situada;
_ Ou seja: também o observador interfere, é um sistema;
ONDE? QUANDO? QUEM?
Conferências Macy,
1946-1953, NY
Willian Ross Ashby
Norbert Wiener
Gregoy Bateson
Margaret Mead
John Von Neumann
Walter Pitts
Arturo Rosenblueth
Kurt Lewin
COMO? POR QUÊ? PARA QUÊ?
PRECEDENTES - > máquinas industriais (Revolução Industrial, séc. XVIII e XIX), primeiros
dispositivos a operarem em circuito fechado; Claude Shannon: A Mathematical Theory of
Communication (1948-49), magna carta da era da informação;
CONTEXTO - > pós-guerra e guerra fria;
OBJETIVO - > construção de um saber transversal ao divisor humano-máquina - especialistas
das ciências duras (medicina, engenharia, matemática, teoria da informação), mas também de
humanas;
COMUNICAÇÃO como um processo que pode ocorrer TAMBÉM, e apenas, entre máquinas
Ponto de virada de um modelo transmissivo de comunicação para um que a RECEPÇÃO
também passa a influenciar a produção;
CONCEITOS (1)
_ O conjunto embarcação + piloto é um SISTEMA, o mar é o AMBIENTE - formado por
outros sistemas (atmosféricos, orgânicos, etc);
_ O piloto quer que a embarcação siga numa certa direção. Para isso, ele deve perceber
corretamente as perturbações no ambiente, e com base nessas informações - INPUT- responder
corretamente - OUTPUT- de modo a manter a linearidade do trajeto;
_ Esse ajuste se dá via FEEDBACKS LOOPS (“alças de retroalimentação”):
_ Num circuito cibernético, OUTPUTS retornam ao sistema como INPUTS e o
aprendizado gerado passa a um plano pré-consciente - “automático”;
_ Ao automatizar, fechamos essa “CAIXA-PRETA” e podemos assim “abrir” nossa atenção em
outras frentes, como conversar com alguém, tomar uma cerveja, etc;
_ Essa ação foi para o plano do pré-consciente a partir de APRENDIZADO. É uma técnica, houve
treinamento e incorporação (EMBODIMENT);
_ CAUSALIDADES CIRCULARES que medeiam a relação entre o sistema e seu entorno garantem
o funcionamento processando a informação de modo contínuo e inconsciente;
CONCEITOS (2)
_ RUNAWAY: feedback positivos incessantes; observados nos primeiros computadores;
_ ENTROPIA (desordem): informação pode ser usada para reduzir a entropia em sistemas;
_MODELAGEM DE SISTEMAS: A importância de criar modelos matemáticos e teóricos
para entender e prever o comportamento de sistemas complexos;
Um sistema cibernético é um conjunto organizado de elementos que interagem entre si. Tem
como característica é sua capacidade de processar informações, permitindo que ele se ajuste
e se adapte em tempo real com base nas respostas do ambiente.
Todos os sistemas vivos são assim; TAMBÉM AS MÁQUINAS?
CONCEITOS (3)
REDES NEURAIS: Warren McCulloch (psicólogo) e Walter Pitts (matemático), 1943;
APRENDIZADO DE MÁQUINA: Arthur Samuel, 1959 (IBM), Donald Hebb, 1949;
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: John McCarhty, Conferência de Dartmouth, 1956
DEEP LEARNING: aprendizado de máquina “escalável”; 1986
É o atual paradigma da IA, automação do trabalho de percepção.
Emerge de técnicas de reconhecimento de padrões - hoje texto, áudio, vídeo e dados
de comportamento de diversas origens.
REDES NEURAIS
_ Cérebro como uma rede nervosa que performa/opera
operações lógicas. Computar poderia imitar a razão
humana reduzindo a lógica humana a lógica booleana
e suas operações AND, OR and NOT.
_ Neurônios biológicos exibem comportamento
“tudo ou nada” - binário;
_ Criação de “neurônios artificiais”(função matemática);
redes neurais passaram a ser um tipo de arquitetura de
computação
Warren McCulloch (neuropsicólogo) e Walter Pitts (matemático), 1943;
REDES NEURAIS
APRENDIZADO DE MÁQUINA/
DEEP LEARNING
_ Ajustando o comportamento dos nós (“neurônios”), as máquinas poderiam aprender
como cérebros, guardar informação complexa através de sua auto-organização;
_ APRENDIZADO DE MÁQUINA: alguém (humanos) determinam um conjunto de recursos
(INPUT) para que as máquinas (“algoritmos”) possam aprender e retornar algo (OUTPUT);
_ DEEP LEARNING: aprendizado de máquina “escalável”; maior número de camadas de
nos (neurônios) - mais do que 3, o básico das redes neurais;
_ As redes neurais básicas e as de deep learning aceleraram o avanço em
processamento de linguagem natural e reconhecimento de fala - RECONHECIMENTO
DE PADRÕES
AI CONEXIONISTA - AI SIMBÓLICA
AI SIMBÓLICA x AI CONEXIONISTA
1956, John McCarthty;
Teoria lógica: regras claras e transparantes (automação simples de tarefas);
resolvedores de problema geral; sistemas “especialistas”;
método dedutivo: deduzo a partir de regras explícitas (lógicas); knowing what;
representação do mundo; “somos inteligentes porque temos conhecimento”
EXs: FAQ, sistemas médicos, jurídicos;
X
1957, Frank Rosemblatt;
redes neurais; regras iniciais, depois aprendem com dados; “caixa-preta”;
método indutivo; dados induzem o sistema; knowing how;
Machine Learning, Deep Learning; “somos inteligentes porque podemos aprender”;
EXs: algoritmos de recomendação, tradução, ChatGPTs, busca de imagens, etc;
PAUSA!
Voltando a Cibernética: pós 1970
1) Uma linha (ligada à Teoria da Informação) seguiu para a tecnologia, apoiada por
financiamento governamental e industrial durante as guerras (mundiais, depois Guerra Fria).
Chegou no computador analógico e depois à tecnologia digital - BIG TECHS;
2) Outra linha seguiu com o interesse pelo “padrão que conecta todos os organismos vivos”;
Autopoiese (Humberto Maturana e Francisco Varela, 1970): produzir a si próprio; Niklas
Luhmann, Teoria dos Sistemas (1980);
Teoria (Hipótese) de Gaia, James Lovelock (1972), Lynn Margulis: A terra está viva; sistema
complexo que se autorregula; ecologia;
Se aproxima também de epistemologias não-científicas e não ocidentais, contracultura,
metafísica budista, “holístico”;
Mídias digitais são máquinas cibernéticas
Prompt: Ilustração de redes
sociais como máquinas
cibernéticas no estilo dos
desenhos animados japoneses
produzidos pelo estúdio Gibli.
Deve conter pessoas em uma
cidade. Stable Diffusion
Redes Sociais são máquinas cibernéticas
Mídias digitais são máquinas cibernéticas
“Um complexo aparato cibernético que vem crescendo
silenciosamente, tanto em extensão (ocupando cada vez mais
espaços) como em capilaridade (na relação com os usuários).
Esse complexo vai, pouco a pouco, se emaranhando com
nossas próprias infraestruturas cognitivas (...)
“É nesse plano que as atuais máquinas cibernéticas foram
feitas para nos interpelar - um processo que ganhou fôlego
renovado com a crise de 2008 e a plataformização da web e
do capitalismo” (CESARINO, 2022, p.17)
Rees cibernéticas e crises
“Por sua própria natureza cibernética, os algoritmos não controlam
os usuários de forma linear com que costumamos pensar relações de
causa e efeito. Seus efeitos sociais, além de complexos e paradoxais,
só podem ser visualizados de forma indireta. Consistem, sobretudo,
na desestabilização das estruturas que organizavam o ambiente
político, científico, legal, midiático durante boa parte do século XX.
É nesse sentido que as crises de confiança na democracia, na ciência
e na mídia profissional podem ser encaradas como sendo a mesma
crise. Seus contornos são similares em regiões muito diferentes do
globo - um forte indicativo da relevância da dimensão técnica,
relativamente independente das conjunturas sociais particulares.
(CESARINO, 2022, p.18)
O mundo do avesso (1)
Mídias digitais favorecem uma dinâmica sistêmica antiestrutural porque aceleram os fluxos
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A antiestrutura é a antinorma: aquelas camadas marginais, latentes e heterodoxas do sistema
numa dada configuração.
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Quando o centro organizador dessa configuração entra em crise, a antiestrutura é o que
emerge para a superfície, tensionando o sistema como um todo na direção de seus limites
estruturais
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Como resultado, o sistema vai se dobrando sobre si mesmo, fazendo os extremos que o
delimitavam se tocarem e se recombinar, invertendo suas hierarquias: o que era marginal vai
para o centro, o que estava embaixo vai pra cima, etc.
O mundo do avesso (2): exemplos
Quem é agente e quem é paciente, ação e reação? Tal enunciado é fato ou ficção, original ou
cópia? Comportamento é espontâneo ou manipulado?
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As mídias digitais acirram a desconfiança dos usuários com relação à estruturas que
organizavam o ambiente político, científico, legal, midiático: desconfiança com a
“grande mídia”, com os intelectuais e acadêmicos, com as instituições da democracia
representativa, com especialistas da medicina, da ciência, etc;
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Surgem “novos peritos” – mídias alternativas, médicos influenciadores, ciências alternetivas,
pacientes experts, políticos outsiders
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Perplexidades emergem porque categorias fundamentais estão sendo desestabilizadas e
reorganizadas de novas formas pela intrusão crescente das máquinas cibernéticas e de sua lógica
em nossa vida pessoal e coletiva
O mundo do avesso (3): hipóteses
A coprodução cada vez mais intensiva e extensiva entre cognição maquínica e humana pode
estar levando a um alinhamento no sentido de uma “redução” da cognição humana
(mais complexa que a maquínica)
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Um sistema em crise, ou longe do equilíbrio como o nosso, se não chega a um ponto definitivo de
bifurcação ou ruptura definitivo, tem sua crise prolongada
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Há o colapso das diferenças que organizavam o sistema anterior, sem que uma nova síntese tenha
emergido. Alternativas ficam “trancadas”, o sistema oscila de forma caótica entre os extremos
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A hierarquia dos sistemas se desestabiliza e os polos vão se organizando em novas combinações.
Resolução passa por conter o colapso (“instituições”) ou ver quem vai assumir a vanguarda da
mudança (“novos movimentos”). Mundo do avesso
O mundo do avesso (4): união dos opostos
_ Ferradura: a união de extremos opostos;
conspiracionismos políticos e espiritualidades new age;
culto à autenticidade e a falar livremente o que se
pensa coexistindo com hipersensibilidade aos
enunciados alheios; distribuição livre de conteúdo
pornográfico, com um acirramento do conservadorismo
moral; positivação de estéticas corporais naturais e não
normativas convivendo com obsessão por body
building e intervenções estéticas altamente
padronizadas etc;
_ As mídias digitais parecem “esticar” o sistema,
afastando trajetórias na direção de extremos
(CESARINO, 2022, p.73)
Feedbacks positivos incessantes
_ Instabilidade sistêmicas assim já foram observadas
nos computadores por John von Neumann
(cibernética, Projeto Manhattan, arquitetura dos
computadores);
_ Quando a máquina encontrava um paradoxo, ela
ficava instável, começava a oscilar e entrava em
processo de runaway, feedback positivo
descontrolado; sem a contraposição de um feedback
negativo, o mesmo comportamento era
continuamente reforçado;
NÃO
Rompimento definitivo entre os extremos já foi observado, mas não resultou no
temido apocalipse nuclear durante a Guerra Fria; os blocos soviético e capitalistas
entraram numa relação de cismogênse (diferenciação) controlada, em que a guerra
total foi “pulverizada” numa rivalidade de ordem industrial e simbólica, e em guerras
proxy no sul global, como a do Vietnã. (CESARINO, 2022, p.71).
_ Polarização política hoje, acirrada pela lógica de funcionamento das máquinas
cibernéticas plataformizadas, podem estar gerando não uma cisão sistêmica completa,
mas uma nova acomodação - talvez uma outra cismogênse controlada;
_ Nas mídias digitais, pode ocorrer uma “normalização” dos extremos, que inscrevem
uma outra realidade sociotécnica e outros comportamentos;
Para seguir essa hipótese:
DIA 2: 4/12
A perspectiva cibernética.
Interação Humano-máquina
Tecnopolítica das mídias digitais
Plataformização; Capitalismo de
Vigilância, racismo algorítmico e
outros conceitos chaves
PERCURSO
EMENTAS E AULAS
DIA 1: 3/12
Apresentação. Ementa.
Bibliografia. Trabalhos.
Combinados.
Breve história das mídias digitais
Conceitos iniciais
DIA 4: 6/12
Estudos de Software
Linguagem e estética algorítmica;
IA, arte e criatividade digital
Encerramento.
Apresentação e debate da 1º
parte dos trabalhos finais
PERCURSO
EMENTAS E AULAS
DIA 3: 5/12
A comunicação das coisas; Teoria
Ator-Rede e Cartografia das
Controvérsias.
Cosmotécnica e Tecnodiversidade.
Neomaterialismo e cultura digital
Corpo e humanidades digitais:
avatar, wearable, metaverso;
MÁQUINAS ALGORÍTMICAS
The Eye of the Master, A social History of Artificial Intelligence,
Matteo Pasquinelli, 2023
_ Máquinas industriais (séc. XIX) surgem pela captura dos
comportamentos da mão e das ferramentas humanas, da
subjetividade criativa do “saber fazer” dos trabalhadores, e pela
transformação disso em artefatos mecânicos;
_ Divisão do trabalho como princípio para o design de máquinas e
para computar os custos de produção;
_ Fazer máquinas parecerem inteligentes foi necessário para que
os recursos do seu poder, a força de trabalho que a cercava e
dirigia, fosse tornada INVISÍVEL;
DIVISÃO SOCIAL DO TRABALHO
_ Hegel (sec. XIX): “trabalho abstrato” como o trabalho que dá “forma”
à maquinaria;
_ Charles Babbage (séc. XIX): cálculo do trabalho: divisão do trabalho
também permite o cálculo exato dos custos do trabalho;
_ Marx (séc. XIX): as “relações sociais de produção” (a divisão do
trabalho no sistema salarial) impulsionam o desenvolvimento dos
“meios de produção” (máquinas-ferramentas, motores a vapor,
computadores) - e não o contrário;
_ No interior da fábrica a gestão do trabalho podia ser esboçada num
fluxograma e medida por um relógio, mas visualizar e quantificar “a
divisão do trabalho social“ ficava cada vez mais difícil;
_ A inteligência do patrão da fábrica dá lugar às infra-estruturas de
comunicação, que passam a desempenhar também esse papel de
supervisão e quantificação;
DIVISÃO SOCIAL DO TRABALHO (2)
A infraestrutura de comunicação (como redes digitais, algoritmos e
sistemas de monitoramento) assume o papel de organizar e controlar
o trabalho, reproduzindo e intensificando as relações de exploração
ao transformar o próprio processo de supervisão em uma atividade
descentralizada e automatizada;
Isso reflete uma tendência na evolução dos meios de produção:
enquanto antes o controle dependia da presença física e decisões
individuais, ele agora se realiza por meio de sistemas técnicos que
vigiam, registram e analisam o trabalho, alinhando-o às exigências do
capital de maneira ainda mais eficiente. Essa transição exemplifica
como o capitalismo adapta a tecnologia às suas necessidades,
transformando as relações sociais de produção e tornando a
supervisão do trabalho mais abstrata e automatizada.
COMPLEXIDADE E ALIENAÇÃO
_ Complexidade das relações sociais no séc XX foram produzindo
formas de se (auto) organizar cada vez mais complexas;
_ Mudança de escala afetou lógica da automatização e paradigmas
científicos;
DEDUÇÃO (se/então) —---------> INDUÇÃO
_ Na virada do século XIX, quanto mais a divisão do trabalho se
estendia a um mundo globalizado, mais problemática se tornava a sua
gestão, exigindo novas técnicas de comunicação, controle e
“inteligência” - IA, algoritmos, etc;
_ Quanto mais complexa as técnicas de organização, mais camadas de
divisão do trabalho - e mais alienação, especialmente da técnica; não
saber como funciona
CAPTURA E ALIENAÇÃO
Afirmar que o trabalho é uma atividade lógica não é uma forma de
abdicar da mentalidade das máquinas industriais e dos algoritmos
empresariais, mas antes reconhecer que a práxis humana exprime a
sua própria lógica (uma anti-lógica, poderia se dizer) – um poder de
especulação e invenção, antes de a tecnociência o capturar e alienar;
EX: IA. Técnicas como aprendizado de máquina começaram com a
especulação humana sobre como imitar o raciocínio, mas são
transformadas em sistemas empresariais que alienam e exploram a
lógica criativa original, tornando-a funcional para o capital, como em
sistemas de vigilância ou publicidade programática;
ECONOMIA POLÍTICA DA
COMUNICAÇÃO (E DA CULTURA)
_ Campo interdisciplinar que analisa como os processos econômicos, as estruturas de
poder e as políticas influenciam a produção, distribuição e consumo de bens e
serviços comunicacionais.
_ Enfatiza a relação entre mídia e capital, explorando como o controle sobre os meios
de produção e a propriedade de veículos de comunicação moldam ideologias, acesso
à informação e dinâmicas culturais;
_ Concentração de propriedade: comercialização da comunicação; Trabalho e
exploração: Impactos tecnológicos: reflete sobre como plataformas digitais ampliam
ou desafiam o poder corporativo no setor.
ECONOMIA POLÍTICA DA
COMUNICAÇÃO (E DA CULTURA)
COMUNICAÇÃO E TRABALHO
A comunicação é uma atividade
humana, tal qual a atividade de trabalho,
na invenção do indivíduo e da
subjetividade. Relações de comunicação
compõem o local de trabalho concreto,
atravessam e fazem parte de sua
historicidade. O mundo do trabalho é,
nesta perspectiva, mais do que local
geográfico; abrange a produção de
significados, as lógicas socioculturais,
históricas e políticas. (FIGARO, 2018)
DISCUSSÕES: Page Rank
_ Algoritmo criado pelo Google (1998) que determina
que o valor de cada página na rede é feito pelo número
e pela qualidade dos links que procuram cada página;
_ Ao mensurar o valor da rede de forma numérica, o
PageRank planifica a rede e a torna simétrica; “Se infiltra
em páginas na Internet, como um parasita sutil,
engenhoso e monodimensional, extraindo lucro sem
produzir qualquer conteúdo a partir da atenção
dedicada pelo usuário a estas páginas”
(PASQUINELLI, 2012, p.61);
PLATAFORMIZAÇÃO
Plataformas: “uma plataforma é alimentada com dados, automatizada e organizada
por meio de algoritmos e interfaces, formalizada por meio de relações de propriedade
orientadas por modelos de negócios e regidas por acordos de usuários”
(POELL, VAN DYICK e NIERBORG, 2019)
PLATAFORMIZAÇÃO:
“A penetração de infraestruturas, processos econômicos e estruturas governamentais de
plataformas em diferentes setores econômicos e esferas da vida” (POELL, VAN DYICK e
NIERBORG, 2019)
PLATAFORMIZAÇÃO DE TUDO
_ Quando começa a “plataformização da web”?
A partir do ano de 2007 com o lançamento da
Facebook Platform, braço da empresa
voltada para desenvolvedores/as de aplicativos com
o objetivo de que pudessem ter
acesso a perfis e dados de usuários/as armazenados
na rede social (HELMOND, 2015, p. 3);
_ Articulações entre modelos de negócio,
infraestruturas, bases de dados, algoritmos e
regras de governança. Redes não mais “sites de
relacionamentos”;
DISCUSSÕES: Trabalho por plataformas
Trabalhos por Plataformas Digitais, Rafael Grohmann e Julice
Salvagni, 2023
_ Intensifica a precarização, com jornadas longas, remuneração
instável, alta vigilância algorítmica. Datificação, financeirização, design;
_ Plataformas de trabalho E COMUNICAÇÃO; os meios de
comunicação “não são apenas formas, mas meios de produção, uma
vez que a comunicação e seus meios materiais são intrínsecos a todas
as formas distintamente humanas de trabalho e de organização social”
(WILLIANS, 2011, p.69).
_ Exemplos: motoristas de aplicativos, entregadores, criadores de
conteúdo microtarefas digitais, fazenda de cliques E…
DISCUSSÕES: “Ghost workers” da IA
_ Quem trabalha treinando as IAs?
_ É necessário trabalho humano para fazer o que a
inteligência artificial não consegue fazer (bem), como
classificação de certos dados e moderação de conteúdo.
_ Terceirizados, desprotegidos legalmente, informalidade;
_ Plataformas como Appen, Tellus e Oneforma; alguém aqui
já trabalhou nessas plataformas?
DISCUSSÕES: “O Capital está morto”
O capital está morto, Mckenzie Wark, 2022
_ Classes dominantes controlavam algum tipo de bem escasso (a
propriedade, os meios de produção, etc), mas agora essa classe
necessita controlar algo que é abundante: a informação.
_ Esta contradição sem resolução leva a um novo meio de produção
em que o domínio se daria na posse e no controle da INFORMAÇÃO
constante aperfeiçoamento da coleta, do processamento, da
visualização e da distribuição (ultra) personalizada dessa informação
no mundo digital;
_ Amazon, Google, Meta, Wallmart, Nike; abordagem orientada por
dados, modelo preditivo de consumo;
DISCUSSÕES: apropriação do
“intelecto geral” / inteligência geral
“A tática de liberar informações da forma de propriedade fortaleceu a produção
autônoma de conhecimento, deu prosseguimento a uma tradição pré ou proto-capitalista
de construção e manutenção dos commons, criou movimentos que potencializam o
acesso ao conhecimento - como ciência aberta, recursos educacionais abertos e o Open
Glam (Gallery, Library, Archive, Museum) - e da busca de “um espaço de liberdade
não-mercantilizada em mídias emergentes e formas técnicas” (WARK, 2023).
“A proliferação dos sistemas de inteligências artificiais generativas a partir de 2023
potencializou o processo de apropriação da informação livre na rede, já que estes
sistemas foram (e em grande parte ainda estão sendo) alimentados por uma série de
bases de dados, sites e plataformas na internet, inclusive no “vasto tesouro de
informações livres” (WARK, 2023).”
DISCUSSÕES: apropriação do
“intelecto geral” / inteligência geral
“A existência de um “devir-rentismo” que suga “mais-valor” não diretamente, mas de uma
forma furtiva da cooperação livre: “Se produzimos livremente e de graça na frente de
nossos computadores, com certeza alguém tem as mãos em nossa carteira. O rentismo é
o outro lado do comum − uma vez esteve sobre a terra comum e, hoje em dia, sobre o
comum da rede” (VERCELLONE e NEGRI, 2007);
“Abrir a forma-mercadoria da informação em favor de uma espécie de economia da
dádiva abstrata (WARK, 2023) propiciou também que as big techs capturassem esse
excedente de informação para explorar ainda mais as desigualdades sociais e
econômicas no planeta, a partir de um extrativismo de dados (COULDRY e MEJÍAS, 2019)
e de um fetichismo da técnica que aproveita da ilusão da neutralidade tecnológica”
(AMADEU, 2023).
ALTERNATIVAS: COOPERATIVISMO DE
PLATAFORMA
ALTERNATIVAS: ECONOMIA DIGITAL
SOLIDÁRIA
PAUSA!
Caso de Ensino
AI, ain’t I a woman?
1. O que é problemático para a pesquisadora?
2. Como ela se sente em relação a isso?
3. O que ela conclui?
Vocês já se sentiram desconfortáveis com
mecanismos de reconhecimento facial?
Caso de Ensino
DIAGNÓSTICO:
_ grupos de 3 a 5;
_ Que aspectos tornaram possível uma dada
tecnologia reproduzir preconceitos? fazer
invisíveis - ou alvos - determinados grupos?
_ Por que um software de reconhecimento
facial é mais assertivo em rostos de homens
brancos? Por que apresenta dificuldades em
nomear cabelos de mulheres negras?
Caso de Ensino
PROGNÓSTICO:
_ De que maneira os efeitos dos vieses de
codificação - ou o racismo algorítmico - ferem
garantias constitucionais e direitos
fundamentais em uma democracia?
_ Que aspectos além dos técnicos precisam
ser levados em conta para uma codificação
mais inclusiva?
“Racismo algorítmico: o modo pelo qual a disposição de tecnologias e
imaginários sociotécnicos em um mundo moldado pela supremacia branca
realiza a ordenação algorítmica racializada de classificação social, recursos
e violência em detrimento de grupos minorizados. Tal ordenação pode ser
vista como uma camada adicional do racismo estrutural, que, além do
mais, molda o futuro e os horizontes de relações de poder, adicionando
mais opacidade sobre a exploração e a opressão global que já ocorriam
desde o projeto colonial do século XVI” (SILVA, 2022, p.69)
Racismo Algorítmico
Colonialismo digital (de dados)
+
OBRIGADO!
leonardo.foletto@fgv.br
Redes: @leofoletto / Site: leofoletto.info
MESTRADO PROFISSIONAL
EM COMUNICAÇÃO DIGITAL
E CULTURA DE DADOS
TEORIAS DAS MÍDIAS DIGITAIS
LEONARDO FOLETTO
RECAPITULANDO...pt.1
“Aplicação da cibernética à compreensão dos sistemas digitais contemporâneos,
particularmente das plataformas de mídia social. A aula fala do desenvolvimento histórico
da cibernética, enfatizando suas origens interdisciplinares em meados do século 20 e seu
foco no controle e na comunicação tanto em máquinas quanto em organismos vivos.
Contrasta a IA simbólica e a conexionista, argumentando que esta última, exemplificada por
sistemas de aprendizagem profunda como o ChatGPT, é dominante hoje. Por último, analisa
as plataformas de redes sociais como sistemas cibernéticos complexos, destacando como
os seus ciclos de feedback e fluxos de informação inerentes podem gerar dinâmicas
antiestruturais, levando à normalização de pontos de vista extremos e a uma crise de
confiança nas instituições tradicionais. O professor utiliza o conceito de ciclos de feedback
e o exemplo da navegação de barco para ilustrar os princípios da cibernética e sua
aplicação às redes sociais.”
Resumo: https://notebooklm.google.com
RECAPITULANDO...pt.2
“Discute a natureza precária do trabalho digital dentro do capitalismo de plataforma.
Analisa a exploração inerente ao trabalho gig, destacando questões como o controle
algorítmico, salários instáveis e falta de direitos trabalhistas. Exploram ainda as implicações
éticas da formação em IA, enfatizando o trabalho humano invisível por detrás de processos
aparentemente automatizados e a apropriação de informações publicamente disponíveis
por grandes empresas tecnológicas. Por último, propõe modelos alternativos, como
cooperativas de trabalhadores e plataformas de código aberto, como soluções potenciais
para resolver o desequilíbrio de poder e a precariedade na economia digital, utilizando
exemplos específicos de iniciativas bem-sucedidas”.
Resumo: https://notebooklm.google.com
ESTUDOS DE PLATAFORMA (1)
_ Virada crítica dos estudos de internet e cibercultura, anos 2010;
_ As plataformas se apropriam das lógicas de conexão e as potencializam como
parte de uma estratégia – comercial sobretudo – que visa incentivar usuários a
deixar rastros de suas relações, preferências etc.
_ Entender o modo como algoritmos, recursos tecnogramaticais – curtir,
compartilhar –, políticas de governança – como os termos de uso –
moldam as práticas e as percepções dos usuários;
_ As apropriações criativas, táticas e coletivas que recriam, cotidianamente, as
plataformas;
ESTUDOS DE PLATAFORMA (2)
“Uma plataforma é alimentada com dados, automatizada e organizada por meio
de algoritmos e interfaces, formalizada por meio de relações de propriedade
orientadas por modelos de negócios e regidas por acordos de usuários” (Van Dijck,
Poell e Wall, 2018)
O termo plataformização é usado atualmente para explicar as relações de
crescente dependência de diferentes setores da produção cultural. Música, filmes,
games, turismo etc. são alguns dos setores cujos mercados foram profundamente
transformados pela lógica do Spotify, do Amazon Prime, do Twitch, do Airbnb e de
tantas outras plataformas;
ESTUDOS DE PLATAFORMA (3)
_ Progamam e reprogramam: descentralizam a produção de dados e centralizam seu
conjunto de dados - as bases pertencem às plataformas;
_ Tudo é social, mas para quem? plataformas como epicentro das atividades na web: Jardim
murado e a “morte do Flanêur digital”;
_ Botões se configuram como canais de dados com dupla função: exercem uma espécie de
atribuição social, permitindo a conexão entre usuários/as, ao mesmo tempo que conectam
essas performances sociais com os seus bancos de dados, enviando as informações sobre a
ação executada para as plataformas;
_ Pegadas digitais capturadas por scripts de rastreamento (cookies), que possibilitam a
classificação dos usuários e orientam sua navegação com base em indicações;
_ Algoritmos no centro de tudo: não apenas como rotinas de programação que processam
dados, mas principalmente como instâncias que viabilizam “uma leitura interessada de uma
realidade empírica e ‘datificada’”;
DIA 2: 4/12
A perspectiva cibernética.
Interação Humano-máquina
Tecnopolítica das mídias digitais
Teoria Laboral da Máquina;
Plataformização; Capitalismo de
Vigilância, racismo algorítmico e
outros conceitos chaves
PERCURSO
EMENTAS E AULAS
DIA 1: 3/12
Apresentação. Ementa.
Bibliografia. Trabalhos.
Combinados.
Breve história das mídias digitais
Conceitos iniciais
DIA 4: 6/12
Linguagem e estética algorítmica;
IA, arte e criatividade digital
Encerramento.
Apresentação e debate da 1º
parte dos trabalhos finais
PERCURSO
EMENTAS E AULAS
DIA 3: 5/12
A comunicação das coisas; Teoria
Ator-Rede e Cartografia das
Controvérsias.
Cosmotécnica e Tecnodiversidade.
Soberania Digital
AULA 5: A comunicação das coisas
● A comunicação das coisas;
Teoria ator-rede;
Mediação
Cartografia das controvérsias
● Affordances;
● Tecnodiversidade/ Cosmotécnica;
● Soberania Digital
A comunicação das coisas
A Comunicação das coisas. Teoria Ator-Rede e cibercultura.
André Lemos, 2013
_ Humanos comunicam; as coisas também. E nos comunicamos
com as coisas e elas nos fazem fazer coisas, queiramos ou não;
_ Mediadores não-humanos (computadores, smartphones,
sensores, TVs, etc) nos mudam, assim como nós mudamos eles;
_ Com os objetos digitais cada vez mais conectados a nós em
rede, a comunicação entre as coisas e nós SÓ AUMENTA;
Separação sujeito X objeto
Jamais fomos modernos, Bruno Latour, 1991
_ A mediação com não-humanos é constituinte do humano, mas a
“Constituição” da modernidade tentou nos fazer esquecer disso, com
a separação em sujeitos e objetos;
_ Na prática, humanos e não-humanos (como tecnologias, objetos e
fenômenos naturais) estão sempre misturados;
_ Inovações tecnológicas, mudanças climáticas e descobertas
científicas não podem ser classificadas exclusivamente como
naturais ou sociais;
_ É necessário uma visão mais integrada e menos dicotômica da
realidade, onde os híbridos são reconhecidos e estudados em suas
interações;
“ A visão ameríndia trata, por
exemplo,os objetos como
registros menos passivos das
capacidades de um sujeito do
que as objetificações
personificadas dessas relações.
De modo que a criação se dá
distribuída na relação entre os
múltiplos objetos e pessoas,
sem esta separação entre
sujeito e objeto, intelecto e
matéria, que estamos
acostumados a fazer no
Ocidente. A subjetividade
também existe nos objetos e
forma uma animada paisagem
composta de diferentes tipos de
níveis de ações humanas”
(COELHO DE SOUZA, 2016)
As coisas sempre estiveram comunicando
_ MAS não é o que nos ensinam as teorias clássicas da comunicação; sujeito de um
lado, objeto do outro; emissor, meio e mensagem; binário; só humanos comunicam;
visão antropocêntrica da comunicação;
_ O modelo padrão de comunicação tem sido o de pessoas que trocam informações
entre si através de uma tecnologia que medeia a interação humana;
_ A MEDIAÇÃO? É NEUTRA? ela só “transmite” sem modificar?
_ NÃO. Objetos carregam políticas. Como pensar os humanos sem a mediação
técnica, ou achando que essa mediação só medeia sem modificar?
Teoria Ator-rede (TAR)
Nasce no âmbito dos estudos de ciência e tecnologia (STS Studies), produzidos principalmente
por pesquisadores como Bruno Latour, Michel Callon, John Law, Madeleine Akrich, entre outros.
É estabelecida a partir dos anos 1980.
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O movimento dos pesquisadores da TAR é o de levar a indistinção prévia - OBJETOS -
HUMANOS, SOCIAL - NATURA, para o estudo dos fenômenos sociais
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Estes deveriam ser compreendidos somente a partir do fluxo, das redes efêmeras que se
constituem na produção de determinado fato, com atores dos mais variados, sejam eles humanos
ou objetos, lugares, documentos, espaços físicos.
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"O social não seria o que explica, de fora, as associações, mas aquilo que emerge das mais
diversas mediações entre humanos e não humanos" (LEMOS, 2015, p.39).
"O social é antes o nome de um movimento, um deslocamento, uma transformação, uma
translação, um registro" (LATOUR, 2012, p.99)
Teoria Ator-rede (TAR)
As ações são incertas e plurais, bem como os atores
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Não sabemos de antemão quem age, com quem age, como age
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Os atores se encontram em ação - sem ação, não há ator
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As ações são alocais - distribuídas em rede (método descritivo) produz relatos de
risco
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O social e a sociedade não existem, não estão dados - são feitos em ação
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A ação que interessa é a ação que faz fazer (mediação)
CONCEITO DE MEDIAÇÃO
Guns kill people
or
People kill people, not guns?
MEDIAÇÃO (1)
Latour ilustra uma ideia de mediação na TAR que se diferencia das correntes
HUMANISTAS, cujas visões teóricas preveem a superioridade da ação humana
perante o objeto técnico; e das MATERIALISTAS, que sustentam ser os objetos os
determinantes a ação;
O primeiro slogan - GUNS KILL PEOPLE - seria, a grosso modo, materialista, pois
considera que as armas de fogo (objetos) matam pessoas, enquanto o segundo -
PEOPLE KILL PEOPLE, NOT GUNS - seria humanista, ao dizer que pessoas – e
não armas – matam pessoas, considerando a arma como neutra, apenas um meio
para um fim
MEDIAÇÃO (2)
Latour diz que: nem arma nem a pessoa são responsáveis pelo ato de matar: a
responsabilidade é dividida entre os vários atores envolvidos na ação.
“Você é diferente com uma arma na mão; a arma é diferente com você
segurando-a. Você é um outro sujeito porque segurou a arma; a arma é
outro objeto porque ela entrou em uma relação com você ”.
(LATOUR, 1994, p.33)
A perspectiva de mediação como algo EM MOVIMENTO ENTRE O SER HUMANO E
UM OBJETO TÉCNICO tem ganho força para explicar a agência de uma dada
tecnologia na ação humana.
MEDIAÇÃO (2)
Latour diz que: nem arma nem a pessoa são responsáveis pelo ato de matar: a
responsabilidade é dividida entre os vários atores envolvidos na ação.
“Você é diferente com uma arma na mão; a arma é diferente com você
segurando-a. Você é um outro sujeito porque segurou a arma; a arma é
outro objeto porque ela entrou em uma relação com você ”.
(LATOUR, 1994, p.33)
Mediação como tradução de uma coisa em outra, criação de diferença, circulação e
movimento;
SIMETRIA - Ontologia plana
_ Dar a mesma importância a sujeitos e objetos, diferenciados entre si apenas pelo papel
que exercem na rede em questão.
_ O que está agindo? É O QUE IMPORTA, seja humanos ou não-humanos;
_ “Não se pode compreender a ação humana, e não se pode compreender a constituição
de coletivos, sem levar em conta a materialidade, as tecnologias e os não-humanos”
(CALLON, 2008, p.207-208).
Na ação: mediador ou intermediário?
Age transformando, cria diferença: mediador. Não transforma, não cria: intermediário.
“Ser mediador ou intermediário não são características essenciais dos elementos das
redes, mas papéis assumidos na associação. O jornalista pode divulgar comunicados
oficiais, como se fosse um mero porta-voz, ou ainda escrever editoriais com os quais não
concorda em nome do veículo para o qual trabalha, constituindo-se como mero
intermediário entre os autores do discurso e o público. Mas ele pode também questionar
e levantar contradições capazes de derrubar versões autorizadas dos acontecimentos,
assumindo plenamente sua condição de mediador” (LEMOS,2013, p.80).
ESSÊNCIA É EXISTÊNCIA E EXISTÊNCIA É AÇÃO (LATOUR, 1994).
REDES, CAIXAS-PRETAS
REDE: Movimento associativo que forma o social. Circulação.
Não necessariamente rede física, redes sociais: não é por onde as coisas passam, mas
aquilo que se forma na relação.
CAIXA PRETA: estabilização e a resolução de um problema. Estabilização. Um
computador quando está funcionando é uma caixa-preta: tudo parece uno, compacto.
Quando quebra, vemos os diversos mediadores que o compõe: peças, regras de
garantia, problemas de engenharia, etc.
Na ação: mediador ou intermediário?
Age transformando; mediador. Não transforma: intermediário.
“Ser mediador ou intermediário não são características essenciais dos elementos das
redes, mas papéis assumidos na associação. O jornalista pode divulgar comunicados
oficiais, como se fosse um mero porta-voz, ou ainda escrever editoriais com os quais não
concorda em nome do veículo para o qual trabalha, constituindo-se como mero
intermediário entre os autores do discurso e o público. Mas ele pode também questionar
e levantar contradições capazes de derrubar versões autorizadas dos acontecimentos,
assumindo plenamente sua condição de mediador” (LEMOS,2013, p.80).
Exemplos na comunicação
Into the Newsroom, Emma Hemmingway, 2007
Abordagem etnográfica para explorar o processo de
produção de notícias, enfocando as dinâmicas
organizacionais, tecnológicas e sociais que moldam o
trabalho jornalístico
_ Jornalistas não apenas transmitem informações,
mas também negociam significados e reconfiguram
elementos culturais e tecnológicos;
_ Ferramentas como computadores, sistemas de
gerenciamento de conteúdo e tecnologias de
comunicação moldam a produção jornalística;
Exemplos na comunicação
Into the Newsroom, Emma Hemmingway, 2007
Alguns achados:
_ A produção de notícias é um processo coletivo e
heterogêneo, dependente de redes dinâmicas.
_ Os artefatos técnicos (softwares, agendas, dispositivos)
são tão importantes quanto os atores humanos na
definição dos produtos jornalísticos.
_ A redação é um espaço híbrido onde interagem fatores
sociais, políticos e técnicos, criando fluxos e tensões que
determinam o resultado final das notícias.
Exemplos na comunicação
"Traduzindo o jornalismo para tablets com a Teoria Ator-Rede", André Holanda (2014)
_ Tradução como negociação entre atores:
A adaptação do jornalismo para tablets envolve negociações entre diferentes interesses.
Jornalistas, designers, programadores e as próprias plataformas tecnológicas (como
iPads e sistemas operacionais) desempenham papéis como mediadores, traduzindo as
práticas jornalísticas para formatos interativos e visuais exigidos por esses dispositivos;
_ Agência dos artefatos tecnológicos:
Tablets não são meros receptores passivos de conteúdo; eles podem agir como
mediadores. EX: a necessidade de layouts responsivos ou interatividade redefine o
formato das reportagens, ilustrando o papel ativo dos dispositivos nas redes
sociotécnicas.
Exemplos na comunicação
1) Evitar a purificação dos fatos;
2) Oferecer um método capaz de ultrapassar delimitações entre natureza, sociedade e
discurso;
3) Reposicionar o entendimento sobre mediação;
4) Apresentar o discurso midiático como rede de proposições;
5) Destacar a necessidade de não se abandonar o empírico em favor de estruturas;
6) Mostrar que o papel do analista é mapear redes de actantes mobilizados em
determinadas ações;
7) Flagrar a constituição interna das caixas-pretas; (LEMOS, 2013, p.67)
Pontos da TAR para comunicação (digital)
PAUSA!
Affordances;
“Affordance” foi cunhado a partir dos anos 1960 por James Gibson (2015) para, na
perspectiva da psicologia ecológica, discutir as possibilidades de ação dos animais em
diferentes ambientes físicos.
O modo como as ações podem ser datificadas ou modularizadas. Interfaces performam.
Fazem fazer coisas.
Pesquisa: compreender como as práticas se dão a partir dos usos possíveis, planejados
ou não, das interfaces e de suas funcionalidades. As ações nas plataformas são moldadas
por funcionalidades padronizadas como curtir ou compartilhar
affordances;
“Affordance” foi cunhado a partir dos anos 1960 por James Gibson (2015) para, na
perspectiva da psicologia ecológica, discutir as possibilidades de ação dos animais em
diferentes ambientes físicos.
O modo com as ações podem ser datificadas ou modularizadas. Interfaces performam.
Fazem fazer coisas.
Pesquisa: compreender como as práticas se dão a partir dos usos possíveis, planejados
ou não, das interfaces e de suas funcionalidades.
as ações nas plataformas são moldadas por funcionalidades
padronizadas como curtir ou compartilhar
Cartografia das controvérsias
Controversy Mapping: A Field Guide. Tommaso Venturini e
Anders Kristian Munk, 2021
_ Método proposto por Latour e descrito por Venturini
(2010, 2012) e Venturini e Munk (2021) como um exercício
EMPÍRICO para observar e descrever o debate social em
torno de uma temática;
_ Seguir os atores e mapear as redes de associações entre
os atores mobilizados em uma determinada ação.
Percorrer os caminhos, deixar que os atores falem por si
próprios, pressupõe descrever, descrever, descrever;
Cartografia das controvérsias: origens
Ciência em ação: como seguir cientistas e engenheiros
sociedade afora, Bruno Latour, 2000
"Essa é a primeira decisão que temos de tomar: nossa
entrada no mundo da ciência e da tecnologia é pela porta
de trás, a da ciência em construção, e não pela entrada
mais grandiosa da ciência acabada."
(LATOUR, 2000)
Cartografia das controvérsias
PORTA DE ENTRADA
_ Escolha do momento certo
(mais acalorado, mais quente)
_ O fenômeno ainda é desconhecido ou incerto
_ Não se sabe com certeza
_ Muitas coisas permanecem em aberto
_ ABERTURA DAS CAIXAS-PRETAS;
Controvérsias
“Situações onde atores discordam (ou melhor, concordam sobre sua discordância)”
(Venturini e Munk, 2021)
Fenômenos complexos a serem observados na vida coletiva, especialmente situações
onde algo não está estabilizado, fechado, encaixapretado (LATOUR, 2012).
Quem concorda? Quem discorda? Como os argumentos de um e de outro são
apresentados em documentos, relatórios, material didático, reuniões, comitês,
assembleias, eventos, postagens, comentários, vídeos, lives, stories, reels?
Exemplo
Cartografia das controvérsias. Ex:
1. Como o incremento e a popularização de algoritmos que redigem notícias
desencadeiam reações e debates em torno do futuro do jornalismo? Que redes
sociotécnicas são mobilizadas nesse processo não só para viabilizar a
implementação dos softwares desenvolvidos por startups, mas também para ampliar
seu reconhecimento público e mercadológico?
ENTRADA: Processos de desenvolvimento e de implementação de softwares que
redigem notícias; Narrative Science.
Cartografia das controvérsias. Ex:
2. Como editores humanos e algorítmicos podem ou devem se associar no
esforço de seleção – personalizada – de notícias mais “relevantes” em
uma plataforma como o Facebook? O que a repercussão de uma suposta
‘manipulação’ dos resultados exibidos na lista de links selecionados
sinaliza sobre a percepção pública da agência dos algoritmos, dos jorna
listas e da empresa liderada por Mark Zuckerberg?
ENTRADA: Controvérsia “Trending”, que se desencadeou em maio de 2016 a partir da
publicação de uma reportagem nmo site Gizmodo sobre interferência de humanos na
seleção dos destaques exibidos a usuários do Facebook na ferramenta “Trending”;
Controvérsias
_ QUAIS SÃO BOAS CONTROVÉRSIAS DE PESQUISA HOJE?
_ DIVIDIR EM 4 GRUPOS E IDENTIFICAR:
_ Uma controvérsia de pesquisa “quente”;
_ Qual a pergunta? o que queremos saber?
_ Qual o ponto de entrada?
_ Que dados vamos coletar? Como?
_ 1 hipótese;
cartografia das controvérsias &
métodos digitais
MÉTODOS DIGITAIS:
_ Formas de pesquisa que se baseiam em dados e
ferramentas digitais para estudar fenômenos sociais
e culturais diversos;
_ Interdisciplinares: quali-quanti que combinam
técnicas como análise de redes, mineração de
dados, visualização de dados, etnografia digital, etc;
_ Elementos nativos digitais (links, tags, etc) ou
transportados para o digital
Controvérsias: caminhos
1. Dos enunciados à literatura - comentários e respostas, réplicas - identificar a extensão da
controvérsia;
2. Da literatura aos atores - rede de relações ao redor dos enunciados (objetos, organismos,
materialidades, imagens, documentos, vídeos, sons…, enfim, os atores que tecem a rede e
fazem diferença - os mediadores);
3. Dos atores às redes - não há ator isolado, mas atores-redes - um é uma multidão (Deleuze)
- um são muitos (Latour) - associações e dissociações, conexões e desconexões;
4. Das redes aos cosmos - "Ideologies are not meant to be description of the world as it is, but
visions of the world as it should be." - pontos de vista - não universos (ordenados e
harmônicos), mas cosmos (complexos, plurais);
5. Dos cosmos às cosmopolíticas - as ideologias e controvérsias derivam da imperfeição do
intelecto humano - privilégio de uma visão de mundo (cosmo) sobre outro (um compromisso
resistente, mas não um acordo, um consenso) - mas uma visão que prevalece ou que é
momentaneamente aceita sobre outra;
cartografia das controvérsias: ex
Controvérsias
O objetivo principal é descrever a rede de atores e agenciamentos mobilizados na
produção dessas ilustrações e no debate público que emergiu a partir do ocorrido.
Focamos em três momentos específicos:
1) o anúncio da indicação do livro como um dos semifinalistas na categoria “Melhor
Ilustração” da 65º edição Prêmio Jabuti, feito em 9 de novembro de 2023;
2) a comunicado da desclassificação do livro por parte da Câmara Brasileira do Livro
(CBL), responsável pelo prêmio, no dia seguinte (10 de novembro de 2023);
3) os debates que se seguiram entre editores, artistas, designers e pesquisadores após
a desclassificação, além de outras consequências diretas à decisão, como o veto da
inscrição de obras desenvolvidas com o auxílio de inteligência artificial a partir de 2024,
pelo Prêmio Jabuti;
Neomaterialismo
_ Abordagem que reconhece as propriedades materiais e tecnológicas dos meios
digitais como participantes ativas na construção de práticas sociais, políticas e
culturais;
_ Foco nas agências das infraestruturas digitais, algoritmos e plataformas,
destacando como elas influenciam e estruturam a circulação de conteúdos, incluindo
desinformação;
_ “Fake news as fake politics: the digital materialities of YouTube
misinformation videos about Brazilian oil spill catastrophe”, de André Lemos e
Elias Bittencourt. Calculam a produção de carbono associado ao compartilhamento
de fake news no YouTube, com uma análise de vídeos extraídos a partir das
hashtags ‘oleononordeste’, ‘vazamentopetroleo’, and ‘greenpixe”. Sugerem, a partir
daí, que a desinformação aumenta a poluição e a pegada de carbono.
Vocês sabiam que se gasta até uma garrafa de água para o ChatGPT escrever um
e-mail de 100 palavras a partir de um prompt?
Neomaterialismo
A Microsoft anunciou em 20 de setembro que reabrirá sua usina nuclear Three Mile, na
Pensilvânia, nos EUA, e que investirá em uma nova tecnologia de reatores. No início de
Outubro, o Google avisou que fez um acordo para usar energia produzida por pequenos
reatores de uma empresa chamada Kairos Power. Dois dias depois, a Amazon comunicou
um investimento de US$ 500 milhões no desenvolvimento de pequenos reatores
nucleares em uma empresa chamada X-energy e na agência pública Energy Northwest,
em Washington. Estes pequenos reatores, chamados SMRs (pequenos reatores
modulares, em inglês) podem ser construídos em menos tempo e com custo inferior ao
das usinas nucleares tradicionais, além de serem livres de carbono, portanto mais
“limpas”
Cosmotécnica/tecnodiversidade
Tecnodiversidade, Yuk Hui, 2022.
_ Cosmotécnica: tecnologias desenvolvidas em contextos
locais e particulares que poderiam conter saídas para a
atual crise ecológica, política e social do planeta;
_ Tecnodiversidade: diferentes culturas possuem modos
únicos de entender, criar e utilizar tecnologias;
Descolonização da tecnologia: crítica a predominância da
visão ocidental de tecnologia como única ou superior;
Pluralismo técnico e cosmológico:
Resistência à uniformização digital:
Cosmotécnica/tecnodiversidade
Tecnodiversidade, Yuk Hui, 2022.
_ Tecnologias indígenas e manejo sustentável:
_ Plataformas digitais locais: A plataforma WeChat
incorpora uma lógica tecnológica que integra funções
sociais, comerciais e administrativas de uma forma distinta
do Facebook ou WhatsApp, refletindo a organização social
e política chinesa.
_ Redes descentralizadas:
Representam formas de apropriação tecnológica que se
alinham às necessidades locais, criando infraestrutura de
baixo custo e autônoma.
Soberania digital
_ Controle sobre dados:
_ Infraestruturas locais:
_ Políticas públicas e regulamentação;
_ Desenvolvimento tecnológico local;
_ Autonomia Tecnológica;
_ Proteção Cibernética;
_https://www.ucl.ac.uk/bartlett/public-purpose/publications/2024/dec/re
claiming-digital-sovereignty
DIA 2: 4/12
A perspectiva cibernética.
Interação Humano-máquina
Tecnopolítica das mídias digitais
Teoria Laboral da Máquina;
Capitalismo de Vigilância,
racismo algorítmico e outros
conceitos chaves
PERCURSO
EMENTAS E AULAS
DIA 1: 3/12
Apresentação. Ementa.
Bibliografia. Trabalhos.
Combinados.
Breve história das mídias digitais
Conceitos iniciais
OBRIGADO!
leonardo.foletto@fgv.br
Redes: @leofoletto / Site: leofoletto.info
MESTRADO PROFISSIONAL
EM COMUNICAÇÃO DIGITAL
E CULTURA DE DADOS
TEORIAS DAS MÍDIAS DIGITAIS
LEONARDO FOLETTO
DIA 2: 4/12
A perspectiva cibernética.
Interação Humano-máquina
Tecnopolítica das mídias digitais
Teoria Laboral da Máquina;
Capitalismo de Vigilância,
racismo algorítmico e outros
conceitos chaves
PERCURSO
EMENTAS E AULAS
DIA 1: 3/12
Apresentação. Ementa.
Bibliografia. Trabalhos.
Combinados.
Breve história das mídias digitais
Conceitos iniciais
DIA 4: 6/12
Linguagem das novas mídias
IA, arte e criatividade digital
Encerramento.
Apresentação e debate da 1º
parte dos trabalhos finais
PERCURSO
EMENTAS E AULAS
DIA 3: 5/12
A comunicação das coisas; Teoria
Ator-Rede e Cartografia das
Controvérsias.
Cosmotécnica e Tecnodiversidade.
Neomaterialismo e cultura digital
Corpo e humanidades digitais:
avatar, wearable, metaverso;
RECAPITULANDO…
“Aula sobre estudos de plataformas, com foco nas estruturas teóricas da teoria
ator-rede (TAR) e da cibernética. Um tema chave é o conceito de
“plataformização”, analisando como vários setores, particularmente a cultura e os
serviços governamentais, dependem cada vez mais de plataformas digitais,
impactando o consumo e as práticas laborais. A aula introduz ainda a TAR como
metodologia para estudar a complexa interação entre atores humanos e não
humanos nas redes digitais, destacando sua aplicação na análise de
controvérsias e seu uso para desvendar a natureza da "caixa preta" dos sistemas
tecnológicos. O objetivo geral é dotar os alunos de ferramentas teóricas e
metodológicas para analisar criticamente o impacto social das plataformas digitais
e dos avanços tecnológicos”.
RECAPITULANDO...
TAR: fatos sociais deveriam ser compreendidos somente a partir do fluxo, das redes efêmeras
que se constituem na produção de determinado fato, com atores dos mais variados, sejam eles
humanos ou objetos, lugares, documentos, espaços físicos;
As ações são incertas e plurais, bem como os atores
Não sabemos de antemão quem age, com quem age, como age
Os atores se encontram em ação - sem ação, não há ator
Age transformando, cria diferença: mediador. Não transforma, não cria: intermediário;
Affordances;
“Affordance” foi cunhado a partir dos anos 1960 por James Gibson (2015) para, na
perspectiva da psicologia ecológica, discutir as possibilidades de ação dos animais em
diferentes ambientes físicos.
O modo como as ações podem ser datificadas ou modularizadas. Interfaces performam.
Fazem fazer coisas.
Pesquisa: compreender como as práticas se dão a partir dos usos possíveis, planejados
ou não, das interfaces e de suas funcionalidades. As ações nas plataformas são moldadas
por funcionalidades padronizadas como curtir ou compartilhar
affordances;
“Affordance” foi cunhado a partir dos anos 1960 por James Gibson (2015) para, na
perspectiva da psicologia ecológica, discutir as possibilidades de ação dos animais em
diferentes ambientes físicos.
O modo com as ações podem ser datificadas ou modularizadas. Interfaces performam.
Fazem fazer coisas.
Pesquisa: compreender como as práticas se dão a partir dos usos possíveis, planejados
ou não, das interfaces e de suas funcionalidades.
as ações nas plataformas são moldadas por funcionalidades
padronizadas como curtir ou compartilhar
RECAPITULANDO...
Hipótese 1: A coprodução cada vez mais intensiva e
extensiva entre cognição maquínica e humana pode estar
levando a um alinhamento no sentido de uma “redução” da
cognição humana (mais complexa que a maquínica).
RECAPITULANDO...
Hipótese 2: Um sistema em crise, ou longe do equilíbrio como o nosso, se
não chega a um ponto definitivo de bifurcação ou ruptura definitivo, o
estado de liminaridade (quando os participantes não mantêm mais seu
status pré-ritual, mas ainda não começaram a transição para o status que
terão quando o ritual estiver completo) se prolonga. Nessa situação de
crise permanente, há o colapso das diferenciações que organizavam o
sistema anterior, sem que uma nova síntese tenha emergido. A alternância
fica “trancada” em inversões de fluxo;o sistema parece oscilar de forma
caótica entre os extremos que o delimitam. Sem estruturas para mediar a
relação de oposição entre esses extremos, a situação de crise assume
uma forma-limite onde um polo aparece como a identidade invertida do
outro - mímese inversa. A hierarquia se desestabiliza e os polos vão se
organizando em novas combinações
“NOVA” mídia?
The Language of New media, Lev Manovich, 2002
_ Intersecção entre os antigos meios de
comunicação (escrita, TV, imprensa, fotografia, rádio, cinema) e
máquinas de calcular capazes de lidar com bilhares de variáveis
= computador;
_ “Computadorização da cultura” cria novas formas culturais -
cibercultura, games, realidade virtual - e redefine as já
existentes;
_ Potencializa a recriação, a criação a partir de outras obras; o
remix;
Princípios (1): representação numérica
Tudo é bit, é dado, e pode ser representado por números e por funções matemáticas; quando uma
fotografia ou uma música é digitalizada, todos os seus elementos (sonoros, imagéticos) são convertidos
em um código numérico (0 e 1). A mídia se torna manipulável - e programável
Princípios (2): modularidade
Todos os elementos se integram, porém sem perder sua individualidade, podendo ser
acessados de forma independente dos outros elementos. Cada elemento tem um código
binário que o identifica
Princípios (3): automação
Parte da ação humana pode ser substituída por processos automatizados através de rotinas
desempenhadas pelo computador. Antecipação, personalização;
Princípios (4): Variabilidade
Um mesmo elemento pode existir de várias formas; nada está fixo ou acabado; criar infinitas
versões de si mesmo. Fluxo, não permanência; personalização
Princípios (5): Transcodificação
Como tudo é bit, tudo pode ser transformado e convertido em outro formato. Transformação
das mensagens da mídia em dados de computador. Os objetos produzidos nesta “nova” mídia
podem sofrer contínuas alterações em sua estrutura.
software como meio cultural
Software Takes Command, Lev Manovich, 2013
_ Software como cultura: força definidora na cultura
contemporânea. Molda nossa comunicação, criatividade e
compreensão do mundo. Meio;
_ Metameio: capaz de simular e integrar uma vasta gama de
formas de mídia existentes, bem como gerar formas inteiramente
novas. Permite a combinação de diferentes formas de mídia,
como texto, imagens, vídeo e som, levando a formas híbridas de
expressão;
_ Mídia se tornou software; por ex, Photoshop, Final Cut definem
uma estética.
software como meio cultural
_ “remixabilidade profunda”: facilitar a mistura e recombinação
não apenas de conteúdo de mídia, mas também de técnicas e
processos de diferentes formas de mídia;
_ Alteração de fluxos de trabalho: estética híbrida e à indefinição
das fronteiras entre as diferentes disciplinas de design;
_ Hibridização X multimídia;
IA generativa: separar e remontar
MANOVICH, Lev. Separar e remontar: IA
generativa através das lentes das histórias da arte
e da mídia. 2024
_ IA generativa como continuação das tendências
da mídia digital: parte de uma trajetória histórica
mais ampla na mídia digital; linhagem até os
primeiros algoritmos de computação gráfica 3D e
software de edição de mídia; representações
visuais criadas usando computação gráfica são
distintas e modulares, em vez de contínuas;
mídia generativa / imagem generativa
Processo de sintetizar objetos de mídia com redes
neurais artificiais. Exemplos: texto, voz, música,
modelos 3D, conjuntos de dados e código de
computador.
Imagem generativa, imagem de IA ou IA visual
referem-se a objetos visuais especialmente
sintetizados. Esses objetos podem ser imagens
estáticas que imitam a aparência e a estrutura de
todos os tipos de mídia visual, de fotografias a
desenhos, e também imagens em movimento que
imitam as aparências de animação e vídeo.
IA generativa: separar e remontar
_ Separação e recombinação como lógica
definidora: desconstrução dos meios de
comunicação nos seus elementos constituintes e a
subsequente remontagem desses elementos de
formas novas e inovadoras;
_ IA generativa e análise da cultura visual:
Capacidade de extrair e manipular padrões visuais
como continuação do projeto de análise histórica
da arte por nomes Aby Warburg, que buscavam
identificar motivos e símbolos visuais recorrentes;
IA generativa historicizada
1. Mudança da organização categórica,
hierárquica e estruturada das informações
(exemplificada pelos catálogos de bibliotecas
e pelos primeiros diretórios da Web) para os
mecanismos de busca no final da década de
1990. Havia tanto conteúdo que organizá-lo de
maneiras convencionais não era mais prático,
e a busca se tornou o novo padrão. Uma
previsão do que será mais relevante para o
usuário, não uma resposta definitiva;
IA generativa historicizada
2. Popularidade da visualização de dados durante
os anos 2000.“visualização artística de dados” se
desenvolve na mesma década, juntamente com
outros novos campos culturais: arte de dados e
design de dados;
3. ciência de dados” como a disciplina principal da
nova era do Big Data no final dos anos 2000;
4. O próximo, mas certamente não o último, efeito
do crescimento do conteúdo digital visual online é
a IA generativa;
IA generativa: questões
_ A CAIXA-PRETA: não temos uma compreensão
clara dos padrões específicos, dos processos de
tomada de decisão e dos dados que a alimentam;
_ Futuro das práticas criativas: ascensão dos
motores de busca, da visualização de dados e da
ciência de dados como respostas ao crescimento
massivo do conteúdo online;
Materialidades da comunicação
Examina a comunicação a partir de sua base material, destacando como os meios
técnicos (livros, mídias digitais, máquinas) moldam os processos de produção,
transmissão e recepção de informações. Essa abordagem critica visões idealistas ou
desmaterializadas da comunicação, enfatizando o papel das tecnologias, suportes e
infraestruturas na constituição do sentido.
Materialidades da comunicação
Kittler, Gramophone, Film, Typewriter (1986)
_ Kittler argumenta que os meios técnicos determinam o que
pode ser dito, pensado e percebido em uma época.
_ "Dispositivos de armazenamento" para mostrar como a
gramática das tecnologias (do gramofone ao computador) molda a
experiência cultural;
_ As tecnologias de comunicação são condições de possibilidade
para o pensamento e a cultura. A mídia opera como sistemas de
poder que organizam o conhecimento e o comportamento
humano.
+
OBRIGADO!
leonardo.foletto@fgv.br
Redes: @leofoletto / Site: leofoletto.info

Mestrado FGV Comunicação 2024: Teoria das Mídias Digitais

  • 1.
    MESTRADO PROFISSIONAL EM COMUNICAÇÃODIGITAL E CULTURA DE DADOS TEORIAS DAS MÍDIAS DIGITAIS LEONARDO FOLETTO
  • 2.
  • 3.
    CHECK IN _ Nome,graduação, temas de pesquisa; _ Como vocês chegam hoje para a aula? _ O que vocês esperam dessa disciplina? _ Primeiro acesso à internet? primeiro nick online? onde e por que?
  • 4.
    TEORIA DAS MÍDIAS DIGITAISEMENTA ● História e evolução das mídias digitais. Conceitos-chaves para uma teoria das mídias digitais. ● A perspectiva cibernética. Interação humano-máquina; ● Tecnopolítica das mídias digitais: Teoria laboral da máquina; plataformização, racismo algorítmico ● A comunicação das coisas Teoria Ator-Rede, Cartografia das Controvérsias, Affordances; ● Internet das coisas: conceitos, aparatos; Cosmotécnicas e neomateralidades; Extrativismo digital; Tecnoceno; ● Linguagem das mídias digitais Estética algorítmica e Inteligência Artificial.
  • 5.
    TEORIA DAS MÍDIAS DIGITAISOBJETIVOS ● Ampliar a compreensão sobre conceitos, princípios e funções das tecnologias, meios e recursos de comunicação digital enquanto mediadores dos processos comunicacionais, sociais e políticos; ● Entender os principais modelos teórico-metodológicos atuais na discussão em que as mídias digitais ganham destaque
  • 6.
    DIA 2: 4/12 Aperspectiva cibernética. Interação Humano-máquina Tecnopolítica das mídias digitais Teoria Laboral da Máquina; Capitalismo de Vigilância, racismo algorítmico e outros conceitos chaves PERCURSO EMENTAS E AULAS DIA 1: 3/12 Apresentação. Ementa. Bibliografia. Trabalhos. Combinados. Breve história das mídias digitais Conceitos iniciais
  • 7.
    DIA 4: 6/12 Linguageme estética algorítmica; IA, arte e criatividade digital Encerramento. Apresentação e debate da 1º parte dos trabalhos finais PERCURSO EMENTAS E AULAS DIA 3: 5/12 A comunicação das coisas: Teoria Ator-Rede, Cartografia das Controvérsias, Affordances; Internet das coisas e outros conceitos; Cosmotécnicas e neomateralidades; Extrativismo digital; Tecnoceno;
  • 8.
    TRABALHOS 1: Resumo ● Produçãode um resumo de um ensaio ou artigo acadêmico, a ser entregue e apresentado no último dia de aula (6/12/24); ● Texto precisa articular alguns dos conceitos, perspectivas e teorias vista em aula com algum objeto/fenômeno (teórico ou empírico); ● Pode ser realizado e apresentado em duplas ou trios; ● 250 a 500 palavras; qualquer fonte e espaçamento; título + palavras-chave; ● Enviado resumo e tema/título/tags até 10h do dia 6/12 (para organizar apresentações); via Digital Class; ● Apresentação: até 10 min + 5 para debate, com ou sem PPT; sexta, 6/12, 14h;
  • 9.
    TRABALHOS 2: Artigo ouensaio ● Produção de um artigo ou artigo acadêmico, a ser enviado até 9/2/2025; ● Texto precisa articular alguns dos conceitos, perspectivas e teorias vista em aula com algum objeto/fenômeno (teórico ou empírico); ● Pode ser realizado individual, em duplas ou trios; ● 2000 a 5000 palavras; qualquer fonte e espaçamento; título + resumo + palavras-chave; ● A ser enviado via Digital Class até 9/2/2025;
  • 10.
    TRABALHOS Critérios de Avaliaçãoe Notas CRITÉRIOS DE AVALIAÇÃO: ● Articulação de referências teórica-metodológicas para o aprofundamento da análise de um objeto/fenômeno de interesse; ● Criatividade e inovação na abordagem prática ou teórica do objeto/fenômeno; ● Clareza na apresentação do problema de pesquisa e no desenvolvimento do texto; em caso de ensaio, a argumentação deve manter uma coerência argumentativa entre si; NOTA FINAL: RESUMO (20%), PARTICIPAÇÃO EM AULA (20%), ARTIGO/ENSAIO (60%).
  • 11.
    BIBLIOGRAFIA BÁSICA ● MARTINO, LuizMauro Sá. Teoria das mídias digitais: linguagens, ambientes e redes. Editora Vozes Limitada, 2014. ● D’ANDRÉA, Carlos. Pesquisando plataformas online: conceitos e métodos. Salvador: Edufba, 2020. Disponível em http://repositorio.ufba.br/ri/handle/ri/32043
  • 12.
    BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR ● BENKLER, Yochai.The Wealth of Networks: How Social Production Transforms Markets and Freedom. New Haven: Yale University Press, 2006. Disponível em: https://benkler.org/Benkler_Wealth_Of_Networks.pdf ● CESARINO, Letícia. O Mundo do Avesso: Verdade e Política na Era Digital. São Paulo; Ubu Editora, 2022. ● FAUSTINO, Deivison; LIPPOLD, Walter. Colonialismo digital: por uma crítica hacker-fanoniana. São Paulo; Boitempo, 2023 ● FOLETTO, Leonardo. A cultura é livre: uma história da resistência antipropriedede. São Paulo; Autonomia Literária e Fundação Rosa Luxemburgo, 2021. Disponível em: https://baixacultura.org/livro/ ● GROHMANN, Rafael (org.). Os laboratórios do trabalho digital. São Paulo; Boitempo, 2019. ● HUI, Yuk. Tecnodiversidade. São Paulo; Ubu Editora, 2021. ● JENKINS, Henry; FORD, Sam; GREEN, Joshua. Cultura da conexão: criando valor e significado por meio da mídia propagável. Aleph, 2015.
  • 13.
    BIBLIOGRAFIAS COMPLEMENTAR ● LATOUR, Bruno.Reagregando o Social: uma introdução à teoria do Ator-Rede. Trad. Gilson César Cardoso de Sousa. Salvador/Bauru; Edufba/Edusc, 2012. ● LEMOS, André. A comunicação das coisas: Teoria Ator-Rede e Cibercultura. São Paulo: Annablume, 2013. ● LEMOS, A. Dataficação da vida. Civitas-Revista de Ciências Sociais, v. 21, p. 193-202, 2021. ● LEMOS, André. BITTENCOURT, Elias; BASTOS DOS SANTOS, João Guilherme. Fake news as fake politics: the digital materialities of YouTube misinformation videos about Brazilian oil spill catastrophe. Media, Culture & Society, 43(5), 886-905. 2021 ● LEVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo; Editora 34, 1999 ● MANOVICH, Lev. Software takes command: Extending the language of new media. Nova Iorque: Bloomsbury Publishing Plc, 2013. 31 v. .9781623568177. Disponível em: https://archive.org/details/softwaretakescom0000mano ● MOROZOV, Evgeny. Big Tech: A Ascensão dos Dados e A Morte da Política. São Paulo: Ubu Editora, 2018.
  • 14.
    BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR ● PASQUINELLI, Matteo.The Eye of the Master- A Social History of Artificial Intelligence. Londres; Verso Books, 2023. ● POELL, Thomas; NIEBORG, David; VAN DIJCK, José. Plataformização (Platformisation, 2019 – tradução: Rafael Grohmann). Revista Fronteiras – estudos midiáticos 22(1):2-10 janeiro/abril 2020. ● SILVA, Tarcízio. Racismo Algorítmico: Inteligência Artificial e redes digitais. São Paulo; Sesc Edições, 2022. ● VENTURINI, Tommaso. MUNK, Anders Kristian. Controversy Mapping: A Field Guide. Cambridge; Medford: 2021. ● WARK, Mckenzie. Um Manifesto Hacker. São Paulo; Editora Funilaria, 2023. ● ZUBOFF, Shoshana. Big Other: capitalismo de vigilância e perspectivas para uma civilização da informação. IN: BRUNO, Fernanda [ET AL]. Tecnopolíticas de vigilância: perspectivas da margem. São Paulo; Boitempo, 2018.
  • 15.
    Parte 2: Brevehistória das tecnologias digitais & conceitos iniciais ● Breve (brevíssima) História e evolução do computador e das redes (digitais); ● Alguns conceitos chave para teorias das mídias digitais; ● Cibercultura, Cultura da Convergência, Inteligência Coletiva ● Os anos 90 e 2000: cultura Colaborativa, p2p, torrents, blogs, memes, remix; ● Commons digitais, Software & Cultura Livre, Pirataria; ● Sociedade em Rede, Ideologia Californiana, Esfera Pública Conectada
  • 17.
    ALGORITMO E… Deriva dalatinização do nome do acadêmico persa “Al-Khwarizmi”, autor de “Sobre o Cálculo com Numeração Hindu”, livro escrito em Bagdad no século IX que foi responsável pela introdução da numeração hindu no Ocidente, bem como das novas técnicas de cálculo que surgiram, chamadas ALGORITMOS A palavra medieval latina algorismus/algoritmi referia-se aos procedimentos e atalhos usados para resolver as quatro operações matemáticas fundamentais — adição, subtração, multiplicação e divisão – com numerais hindus. Mais tarde, o termo ALGORITMO viria a significar qualquer procedimento lógico feito passo a passo. Centro da LÓGICA COMPUTACIONAL.
  • 18.
    … ALGARISMOS 1 10100101111100000011010101011010110101010110101011011 X XX XXX IV V X XXX L LLL C CCC D M 1080 = MVXXX Sistema posicional indo-arábico X Sistema aditivo romano “Os números binários foram adotados [fim da Idade Média - > Revolução Industrial) porque podem ser aplicados em circuitos elétricos e microchips e, desse modo, acelerar o cálculo a velocidades sobre-humanas” (PASQUINELLI, 2021, p.102) Impulso do capitalismo industrial em direção à automatização do trabalho manual e mental
  • 19.
    COMPUTADOR E … Eniac,1947 Mainframe, 1960-70 Apple I, 1977 IBM PC, 1980 Itautec, anos 1980-90
  • 20.
  • 21.
    Advanced research projectsagency network (Arpanet, EUA, 1969)
  • 22.
  • 23.
    Teorias das MídiasDigitais: conceitos chaves e perspectivas históricas _ “Novas Mídias”, “Nova Mídia”, “novas tecnologias”, “mídias digitais”, etc; _ DIGITAL = digitalis (latim): relacionado aos dedos. George Stibitz, da Bell Telephone Laboratories, usou a palavra digital em referência aos rápidos pulsos elétricos emitidos por um dispositivo projetado para mirar e disparar canhões antiaéreos em 1942. SÃO dados transformados em sequências numéricas (dígitos 0 e 1) MAS TAMBÉM desenvolvimento dos dedos por bifurcações emergentes, orientadas por princípios formais embutidos no próprio “design” do organismo (Cesarino, 2022);
  • 24.
    Conceito-chave: INFORMAÇÃO DADO NOVOQUE APARECE NO SISTEMA GERA FEEDBACK TRANSFORMA PROBABILIDADES EM CERTEZA BITS = BINÁRIO = SIM OU NÃO INPUT/OUTPUT
  • 26.
    CIBERCULTURA Fruto de umrelatório encomendado pelo Conselho Europeu (1997). CIBERCULTURA: “Conjunto de técnicas (materiais e intelectuais), de práticas, de atitudes, modos de pensamento e de valores que se desenvolvem juntamente com o crescimento do ciberespaço” (LEVY, 1999, p.17). Conjunto de práticas levadas a cabo por pessoas conectadas a uma rede de computadores. O que a difere de “cultura” é a estrutura técnica
  • 27.
    CIBERCULTURA (brasileira) _ Cibercultura:Tecnologia e vida social na cultura contemporânea, 2002 (fruto de uma tese de doutorado em sociologia na França de 1995); _ A cibercultura altera a comunicação de massa ao permitir a produção descentralizada de conteúdo por qualquer usuário; LIBERAÇÃO DO PÓLO EMISSOR DA INFORMAÇÃO; _ Blogs, fóruns, Comunidades virtuais (hoje redes sociais, organizadas por algoritmos de recomendação); _ Interatividade, hipertexualidade; cyberpunk, cypherpunks, phreakers, crackers, hackers; _ Fase “especulativa” - anos 1990; fase “social” - anos 2000; fase “neomaterialista” - anos 2010;
  • 28.
    CIBERESPAÇO Neuromancer (1984), WillianGibson. Case. CIBERESPAÇO: “novo” meio de comunicação que surge da interconexão mundial dos computadores (LEVY, 1999. 17). Espaço que existe “entre” os computadores, na conexão que existe aos usuários trocarem dados. Arquitetura aberta, crescimento indefinido; _ Memórias compartilhadas pelas pessoas conectadas; _ Programas de computador; _ Interfaces, que permitem interação e acesso; _ Codificação Digital (tudo é bit, dado, 0 e 1);
  • 29.
    VIRTUAL / INTELIGÊNCIACOLETIVA VIRTUAL: o que pode ser, saber em potência; parte integrante do real; Oposto a físico (e não ao real); comunidade virtual/ INTELIGÊNCIA COLETIVA: Vínculo/soma de competências, ideias e conhecimentos, articulado no “virtual” entre pessoas no “ciberespaço”. Ética da reciprocidade. Valor do conhecimento depende do contexto.
  • 30.
    Sociedade em rede,Manuel Castells (1996) Globalização, nova ordem multipolar, nascimento da internet comercial, nova divisão do trabalho (Toyotismo): otimismo. “Redes constituem a nova morfologia social de nossas sociedades e a difusão da lógica de redes modifica de forma substancial a operação e os resultados dos processos produtivos e de experiência, poder e cultura. Embora a forma de organização social em redes tenha existido em outros tempos e espaços, o novo paradigma da tecnologia da informação fornece a base material para sua expansão penetrante em toda a estrutura social” (p.565) “Novas mídias”: integração das tecnologias de telecomunicações; mídia interativa; código digital. Tecnologia moldada pela sociedade.
  • 31.
    A Galáxia daInternet Manuel Castells (2002) Quatro correntes culturais/camadas da internet: _ tecno-meritocrática: instituto de pesquisas (acadêmicos, militares, corporativos); _ comunitária virtual: primeiros usuários, entusiastas; _ empresarial: telecomunicações, empresas .com _ hackers: “fuçadores”, programadores, underground;
  • 32.
    Hacker? Década de 1950,Boston, MIT (EUA), depois na Califórnia (Vale do Silício), 1970/1980 Grande habilidade técnica em informática, aprendiam fazendo, autodidatas, excelentes programadores e desenvolvedores de sistemas, mas péssimos alunos; To hack: fissurar, cortar, modificar, decifrar; Ética hacker; hackerspaces/hacklabs; software livre; hackativismo; pads, wikis;
  • 34.
    The Wealth ofNetworks, Yochai Benkler (2006) _ Como a internet e as redes digitais transformam a economia, a produção de informação e a liberdade social. O paradigma da produção colaborativa não apenas redefine os mercados, mas também cria novas possibilidades para a democracia e a igualdade; _ Commons-based production; indivíduos colaboram de forma descentralizada, utilizando plataformas digitais: Wikipedia, software livre, código aberto; desafia as economias tradicionais, mostrando que indivíduos podem produzir valor significativo fora das estruturas corporativas; _ Bens não-rivais; ao serem consumidos ou usados por uma pessoa, não se tornam indisponíveis para ser consumidos ou usados por outras;
  • 35.
  • 36.
    CULTURA DA CONVERGÊNCIA CONVERGÊNCIA:“Refiro-me ao fluxo de conteúdos através de múltiplas plataformas de mídia, à cooperação entre múltiplos mercados midiáticos e ao comportamento migratório dos públicos dos meios de comunicação, que vão a quase qualquer parte em busca das experiências de entretenimento que desejam” (JENKINS, 2010, p.24) Não é novidade, mas é potencializada pelo digital. Receptores tornam-se criadores; (Re) elaboram suas próprias mensagens. Emulam a cultura dos meios de massa. Não é novidade que o consumo É CRIATIVO; receptor nunca foi PASSIVO. Mas agora é mais fácil ser “criativo”.
  • 37.
  • 38.
  • 39.
  • 40.
    Auto-comunicação de massas “Umanova forma de comunicação interativa, caracterizada pela capacidade de enviar mensagens de muitos para muitos, em tempo real ou no tempo escolhido” (CASTELLS, 2013, p. 101). Criam novas formas de manifestação e de intervenção nos sistemas políticos. Nascem nas redes sociais, tomam os espaços urbanos e passam a existir além das “nuvens”. Desenvolvimento da autocomunicação de massas e da importância do crescimento de novas formas de contrapoder. Redes de indignação e esperança: movimentos sociais na era da internet (2013)
  • 41.
    Ideologia Californiana, Richard Barbrooke Andy Cameron (1995) Uma improvável mescla das atitudes boêmias e antiautoritárias da contracultura da costa oeste dos EUA com o utopismo tecnológico e o liberalismo econômico. Dessa mistura hippie com yuppie nasceria o espírito das empresas .com do Vale do Silício, que passaram a alimentar a ideia de que todos podem ser “hip and rich” – para isso basta acreditar em seu trabalho e ter fé que as novas tecnologias de informação vão emancipar o ser humano ampliando a liberdade de cada um e reduzir o poder do estado burocrático.
  • 42.
    Ideologia Californiana, Richard Barbrooke Andy Cameron (1995) As estruturas sociais, políticas e legais serão substituídas por interações autônomas entre pessoas e os softwares: TECNOSOLUCIONISMO. Nesta democracia jeffersoniana de alta tecnologia, a relação entre senhores e escravos resiste sob uma nova forma. Apesar destas fantasias, os brancos da Califórnia continuam dependentes de seus colegas humanos de pele mais escura para trabalhar em suas fábricas, colher seus cereais, cuidar de suas crianças e cultivar seus jardins: COLONIALISMO DIGITAL.
  • 43.
  • 44.
    BIBLIOGRAFIA AULA 1 ● BARBROOK,Richard; CAMERON, Andy. A ideologia californiana: uma crítica ao livre mercado nascido no Vale do Silício. Trad. Marcelo Träsel. Porto Alegre; União da ● Vitória: BaixaCultura; Monstro dos Mares, 2018. ● BENKLER, Yochai. The Wealth of Networks: How Social Production Transforms Markets and Freedom. New Haven: Yale University Press, 2006. Disponível em: https://benkler.org/Benkler_Wealth_Of_Networks.pdf ● CASTELLS, Manuel. A Galáxia da Internet: Reflexões sobre a Internet, os Negócios e a Sociedade. Rio de Janeiro: Zahar, 2003. ● CASTELLS, Manuel. Redes de indignação e esperança: movimentos sociais na era da internet. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Zahar, 2013. ● CASTELLS, Manuel. A Sociedade em Rede. 6. ed. São Paulo: Paz e Terra, 2013. (A Era da Informação: Economia, sociedade e cultura, v. 1).
  • 45.
    BIBLIOGRAFIA AULA 1 ● JENKINS,Henry. A Cultura da Convergência. 2. ed. São Paulo: Aleph, 2009. ● JENKINS, Henry; FORD, Sam; GREEN, Joshua. Cultura da conexão: criando valor e significado por meio da mídia propagável. Aleph, 2015. ● FOLETTO, Leonardo. A cultura é livre: uma história da resistência antipropriedede. São Paulo; Autonomia Literária e Fundação Rosa Luxemburgo, 2021. Disponível em: https://baixacultura.org/livro/ ● LEMOS, André. Cibercultura: Tecnologia e Vida Social na Cultura Contemporânea. Porto Alegre: Sulina, 2002. ● LÉVY, Pierre. Cibercultura. 2. ed. São Paulo: Editora 34, 1999. ● LÉVY, Pierre. O Que É o Virtual?. São Paulo: Editora 34, 1996. ● MARTINO, Luiz Mauro Sá. Teoria das mídias digitais: linguagens, ambientes e redes. Editora Vozes Limitada, 2014. ● PASQUINELLI, Matteo. The Eye of the Master- A Social History of Artificial Intelligence. Londres; Verso Books, 2023.
  • 46.
  • 47.
    MESTRADO PROFISSIONAL EM COMUNICAÇÃODIGITAL E CULTURA DE DADOS TEORIAS DAS MÍDIAS DIGITAIS LEONARDO FOLETTO
  • 48.
    DIA 2: 4/12 Aperspectiva cibernética. Interação Humano-máquina Tecnopolítica das mídias digitais Plataformização; Capitalismo de Vigilância, racismo algorítmico e outros conceitos chaves PERCURSO EMENTAS E AULAS DIA 1: 3/12 Apresentação. Ementa. Bibliografia. Trabalhos. Combinados. Breve história das mídias digitais Conceitos iniciais
  • 49.
    DIA 4: 6/12 Estudosde Software Linguagem e estética algorítmica; IA, arte e criatividade digital Encerramento. Apresentação e debate da 1º parte dos trabalhos finais PERCURSO EMENTAS E AULAS DIA 3: 5/12 A comunicação das coisas; Teoria Ator-Rede e Cartografia das Controvérsias. Cosmotécnica e Tecnodiversidade. Neomaterialismo e cultura digital Corpo e humanidades digitais: avatar, wearable, metaverso;
  • 50.
    RECAPITULANDO... “Esta aula forneceuma visão histórica da mídia digital, traçando sua evolução desde o telégrafo e telefone até a internet e plataformas de mídia social. Examina conceitos-chave como o projeto Calculating Empires, o desenvolvimento da internet e o impacto das grandes empresas de tecnologia. Também explora a influência de fatores políticos e econômicos nos avanços tecnológicos e discute questões éticas em torno da privacidade de dados e do viés algorítmico. Finalmente, aborda a emergência de novas formas de comunicação como os memes e as complexidades das culturas colaborativas online”. Resumo: https://notebooklm.google.com https://docs.google.com/document/d/1pK03R9s72QJMvya_i8AMcdVo8oZNAki9lMik WEPckpg/edit?tab=t.0
  • 51.
  • 52.
    O que vamosver ● Origem, principais nomes, contexto; ● sistema, ambiente, feedback, input/output; ● Interação humano-máquina & IA; machine learning, deep learning, redes neurais; ● IA simbólica X IA conexionista; ● Redes sociais como máquinas cibernéticas; ● IA como divisão social do trabalho; ● Comunicação e trabalho; ● Plataformização; ● Capitalismo de Vigilância; Racismo Algorítmico; Colonialismo digital;
  • 53.
    CIBERNÉTICA? ORIGEM DA PALAVRA:do grego Κυβερνήτης (kubernetes, “timoneiro” na Grécia Antiga. Governor (regulador) é oriunda da palavra grega. “Desejávamos também referir ao fato de que os engenhos de pilotagem de um navio são na verdade uma das primeiras e mais bem desenvolvidas formas de mecanismo de feedback)” (WIENER, 1948, p.34) CONCEITO: “Super ciência” cujo objetivo é buscar “os elementos comuns no funcionamento de máquinas automáticas e no sistema nervoso humano e desenvolver uma teoria capaz de cobrir todo o campo da comunicação e controle em máquinas e organismos vivos” (WIENER, 1948,p.14) Capacidade de um sistema técnico, social e natural (vivo) de controlar a si mesmo via troca de informação com o ambiente
  • 54.
    SISTEMAS, SISTEMAS, SISTEMAS OMundo do Avesso, Letícia Cesarino (2021) “Mas onde estão estão esses sistemas? Você falou tanto deles aqui, mas não consigo vê-los” (p.27) _ SISTEMAS: Dinâmica ou modo de funcionamento comum; conjunto delimitado de elementos em interação; _ Não são apreensíveis a partir de um ponto de vista externo e neutro; só pode ser acionada de forma situada; _ Ou seja: também o observador interfere, é um sistema;
  • 55.
    ONDE? QUANDO? QUEM? ConferênciasMacy, 1946-1953, NY Willian Ross Ashby Norbert Wiener Gregoy Bateson Margaret Mead John Von Neumann Walter Pitts Arturo Rosenblueth Kurt Lewin
  • 56.
    COMO? POR QUÊ?PARA QUÊ? PRECEDENTES - > máquinas industriais (Revolução Industrial, séc. XVIII e XIX), primeiros dispositivos a operarem em circuito fechado; Claude Shannon: A Mathematical Theory of Communication (1948-49), magna carta da era da informação; CONTEXTO - > pós-guerra e guerra fria; OBJETIVO - > construção de um saber transversal ao divisor humano-máquina - especialistas das ciências duras (medicina, engenharia, matemática, teoria da informação), mas também de humanas; COMUNICAÇÃO como um processo que pode ocorrer TAMBÉM, e apenas, entre máquinas Ponto de virada de um modelo transmissivo de comunicação para um que a RECEPÇÃO também passa a influenciar a produção;
  • 58.
    CONCEITOS (1) _ Oconjunto embarcação + piloto é um SISTEMA, o mar é o AMBIENTE - formado por outros sistemas (atmosféricos, orgânicos, etc); _ O piloto quer que a embarcação siga numa certa direção. Para isso, ele deve perceber corretamente as perturbações no ambiente, e com base nessas informações - INPUT- responder corretamente - OUTPUT- de modo a manter a linearidade do trajeto; _ Esse ajuste se dá via FEEDBACKS LOOPS (“alças de retroalimentação”): _ Num circuito cibernético, OUTPUTS retornam ao sistema como INPUTS e o aprendizado gerado passa a um plano pré-consciente - “automático”; _ Ao automatizar, fechamos essa “CAIXA-PRETA” e podemos assim “abrir” nossa atenção em outras frentes, como conversar com alguém, tomar uma cerveja, etc; _ Essa ação foi para o plano do pré-consciente a partir de APRENDIZADO. É uma técnica, houve treinamento e incorporação (EMBODIMENT); _ CAUSALIDADES CIRCULARES que medeiam a relação entre o sistema e seu entorno garantem o funcionamento processando a informação de modo contínuo e inconsciente;
  • 59.
    CONCEITOS (2) _ RUNAWAY:feedback positivos incessantes; observados nos primeiros computadores; _ ENTROPIA (desordem): informação pode ser usada para reduzir a entropia em sistemas; _MODELAGEM DE SISTEMAS: A importância de criar modelos matemáticos e teóricos para entender e prever o comportamento de sistemas complexos; Um sistema cibernético é um conjunto organizado de elementos que interagem entre si. Tem como característica é sua capacidade de processar informações, permitindo que ele se ajuste e se adapte em tempo real com base nas respostas do ambiente. Todos os sistemas vivos são assim; TAMBÉM AS MÁQUINAS?
  • 61.
    CONCEITOS (3) REDES NEURAIS:Warren McCulloch (psicólogo) e Walter Pitts (matemático), 1943; APRENDIZADO DE MÁQUINA: Arthur Samuel, 1959 (IBM), Donald Hebb, 1949; INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL: John McCarhty, Conferência de Dartmouth, 1956 DEEP LEARNING: aprendizado de máquina “escalável”; 1986 É o atual paradigma da IA, automação do trabalho de percepção. Emerge de técnicas de reconhecimento de padrões - hoje texto, áudio, vídeo e dados de comportamento de diversas origens.
  • 62.
    REDES NEURAIS _ Cérebrocomo uma rede nervosa que performa/opera operações lógicas. Computar poderia imitar a razão humana reduzindo a lógica humana a lógica booleana e suas operações AND, OR and NOT. _ Neurônios biológicos exibem comportamento “tudo ou nada” - binário; _ Criação de “neurônios artificiais”(função matemática); redes neurais passaram a ser um tipo de arquitetura de computação Warren McCulloch (neuropsicólogo) e Walter Pitts (matemático), 1943;
  • 63.
  • 64.
    APRENDIZADO DE MÁQUINA/ DEEPLEARNING _ Ajustando o comportamento dos nós (“neurônios”), as máquinas poderiam aprender como cérebros, guardar informação complexa através de sua auto-organização; _ APRENDIZADO DE MÁQUINA: alguém (humanos) determinam um conjunto de recursos (INPUT) para que as máquinas (“algoritmos”) possam aprender e retornar algo (OUTPUT); _ DEEP LEARNING: aprendizado de máquina “escalável”; maior número de camadas de nos (neurônios) - mais do que 3, o básico das redes neurais; _ As redes neurais básicas e as de deep learning aceleraram o avanço em processamento de linguagem natural e reconhecimento de fala - RECONHECIMENTO DE PADRÕES
  • 65.
    AI CONEXIONISTA -AI SIMBÓLICA
  • 66.
    AI SIMBÓLICA xAI CONEXIONISTA 1956, John McCarthty; Teoria lógica: regras claras e transparantes (automação simples de tarefas); resolvedores de problema geral; sistemas “especialistas”; método dedutivo: deduzo a partir de regras explícitas (lógicas); knowing what; representação do mundo; “somos inteligentes porque temos conhecimento” EXs: FAQ, sistemas médicos, jurídicos; X 1957, Frank Rosemblatt; redes neurais; regras iniciais, depois aprendem com dados; “caixa-preta”; método indutivo; dados induzem o sistema; knowing how; Machine Learning, Deep Learning; “somos inteligentes porque podemos aprender”; EXs: algoritmos de recomendação, tradução, ChatGPTs, busca de imagens, etc;
  • 67.
  • 68.
    Voltando a Cibernética:pós 1970 1) Uma linha (ligada à Teoria da Informação) seguiu para a tecnologia, apoiada por financiamento governamental e industrial durante as guerras (mundiais, depois Guerra Fria). Chegou no computador analógico e depois à tecnologia digital - BIG TECHS; 2) Outra linha seguiu com o interesse pelo “padrão que conecta todos os organismos vivos”; Autopoiese (Humberto Maturana e Francisco Varela, 1970): produzir a si próprio; Niklas Luhmann, Teoria dos Sistemas (1980); Teoria (Hipótese) de Gaia, James Lovelock (1972), Lynn Margulis: A terra está viva; sistema complexo que se autorregula; ecologia; Se aproxima também de epistemologias não-científicas e não ocidentais, contracultura, metafísica budista, “holístico”;
  • 69.
    Mídias digitais sãomáquinas cibernéticas Prompt: Ilustração de redes sociais como máquinas cibernéticas no estilo dos desenhos animados japoneses produzidos pelo estúdio Gibli. Deve conter pessoas em uma cidade. Stable Diffusion
  • 70.
    Redes Sociais sãomáquinas cibernéticas
  • 71.
    Mídias digitais sãomáquinas cibernéticas “Um complexo aparato cibernético que vem crescendo silenciosamente, tanto em extensão (ocupando cada vez mais espaços) como em capilaridade (na relação com os usuários). Esse complexo vai, pouco a pouco, se emaranhando com nossas próprias infraestruturas cognitivas (...) “É nesse plano que as atuais máquinas cibernéticas foram feitas para nos interpelar - um processo que ganhou fôlego renovado com a crise de 2008 e a plataformização da web e do capitalismo” (CESARINO, 2022, p.17)
  • 72.
    Rees cibernéticas ecrises “Por sua própria natureza cibernética, os algoritmos não controlam os usuários de forma linear com que costumamos pensar relações de causa e efeito. Seus efeitos sociais, além de complexos e paradoxais, só podem ser visualizados de forma indireta. Consistem, sobretudo, na desestabilização das estruturas que organizavam o ambiente político, científico, legal, midiático durante boa parte do século XX. É nesse sentido que as crises de confiança na democracia, na ciência e na mídia profissional podem ser encaradas como sendo a mesma crise. Seus contornos são similares em regiões muito diferentes do globo - um forte indicativo da relevância da dimensão técnica, relativamente independente das conjunturas sociais particulares. (CESARINO, 2022, p.18)
  • 73.
    O mundo doavesso (1) Mídias digitais favorecem uma dinâmica sistêmica antiestrutural porque aceleram os fluxos —-----------------------------------------------<>---------------------------------------------------------- A antiestrutura é a antinorma: aquelas camadas marginais, latentes e heterodoxas do sistema numa dada configuração. —-----------------------------------------------<>---------------------------------------------------------- Quando o centro organizador dessa configuração entra em crise, a antiestrutura é o que emerge para a superfície, tensionando o sistema como um todo na direção de seus limites estruturais —-----------------------------------------------<>---------------------------------------------------------- Como resultado, o sistema vai se dobrando sobre si mesmo, fazendo os extremos que o delimitavam se tocarem e se recombinar, invertendo suas hierarquias: o que era marginal vai para o centro, o que estava embaixo vai pra cima, etc.
  • 74.
    O mundo doavesso (2): exemplos Quem é agente e quem é paciente, ação e reação? Tal enunciado é fato ou ficção, original ou cópia? Comportamento é espontâneo ou manipulado? —-----------------------------------------------<>---------------------------------------------------------- As mídias digitais acirram a desconfiança dos usuários com relação à estruturas que organizavam o ambiente político, científico, legal, midiático: desconfiança com a “grande mídia”, com os intelectuais e acadêmicos, com as instituições da democracia representativa, com especialistas da medicina, da ciência, etc; —-----------------------------------------------<>---------------------------------------------------------- Surgem “novos peritos” – mídias alternativas, médicos influenciadores, ciências alternetivas, pacientes experts, políticos outsiders —-----------------------------------------------<>---------------------------------------------------------- Perplexidades emergem porque categorias fundamentais estão sendo desestabilizadas e reorganizadas de novas formas pela intrusão crescente das máquinas cibernéticas e de sua lógica em nossa vida pessoal e coletiva
  • 75.
    O mundo doavesso (3): hipóteses A coprodução cada vez mais intensiva e extensiva entre cognição maquínica e humana pode estar levando a um alinhamento no sentido de uma “redução” da cognição humana (mais complexa que a maquínica) —-----------------------------------------------<>---------------------------------------------------------- Um sistema em crise, ou longe do equilíbrio como o nosso, se não chega a um ponto definitivo de bifurcação ou ruptura definitivo, tem sua crise prolongada —-----------------------------------------------<>---------------------------------------------------------- Há o colapso das diferenças que organizavam o sistema anterior, sem que uma nova síntese tenha emergido. Alternativas ficam “trancadas”, o sistema oscila de forma caótica entre os extremos —-----------------------------------------------<>---------------------------------------------------------- A hierarquia dos sistemas se desestabiliza e os polos vão se organizando em novas combinações. Resolução passa por conter o colapso (“instituições”) ou ver quem vai assumir a vanguarda da mudança (“novos movimentos”). Mundo do avesso
  • 76.
    O mundo doavesso (4): união dos opostos _ Ferradura: a união de extremos opostos; conspiracionismos políticos e espiritualidades new age; culto à autenticidade e a falar livremente o que se pensa coexistindo com hipersensibilidade aos enunciados alheios; distribuição livre de conteúdo pornográfico, com um acirramento do conservadorismo moral; positivação de estéticas corporais naturais e não normativas convivendo com obsessão por body building e intervenções estéticas altamente padronizadas etc; _ As mídias digitais parecem “esticar” o sistema, afastando trajetórias na direção de extremos (CESARINO, 2022, p.73)
  • 77.
    Feedbacks positivos incessantes _Instabilidade sistêmicas assim já foram observadas nos computadores por John von Neumann (cibernética, Projeto Manhattan, arquitetura dos computadores); _ Quando a máquina encontrava um paradoxo, ela ficava instável, começava a oscilar e entrava em processo de runaway, feedback positivo descontrolado; sem a contraposição de um feedback negativo, o mesmo comportamento era continuamente reforçado;
  • 79.
    NÃO Rompimento definitivo entreos extremos já foi observado, mas não resultou no temido apocalipse nuclear durante a Guerra Fria; os blocos soviético e capitalistas entraram numa relação de cismogênse (diferenciação) controlada, em que a guerra total foi “pulverizada” numa rivalidade de ordem industrial e simbólica, e em guerras proxy no sul global, como a do Vietnã. (CESARINO, 2022, p.71). _ Polarização política hoje, acirrada pela lógica de funcionamento das máquinas cibernéticas plataformizadas, podem estar gerando não uma cisão sistêmica completa, mas uma nova acomodação - talvez uma outra cismogênse controlada; _ Nas mídias digitais, pode ocorrer uma “normalização” dos extremos, que inscrevem uma outra realidade sociotécnica e outros comportamentos;
  • 80.
    Para seguir essahipótese:
  • 81.
    DIA 2: 4/12 Aperspectiva cibernética. Interação Humano-máquina Tecnopolítica das mídias digitais Plataformização; Capitalismo de Vigilância, racismo algorítmico e outros conceitos chaves PERCURSO EMENTAS E AULAS DIA 1: 3/12 Apresentação. Ementa. Bibliografia. Trabalhos. Combinados. Breve história das mídias digitais Conceitos iniciais
  • 82.
    DIA 4: 6/12 Estudosde Software Linguagem e estética algorítmica; IA, arte e criatividade digital Encerramento. Apresentação e debate da 1º parte dos trabalhos finais PERCURSO EMENTAS E AULAS DIA 3: 5/12 A comunicação das coisas; Teoria Ator-Rede e Cartografia das Controvérsias. Cosmotécnica e Tecnodiversidade. Neomaterialismo e cultura digital Corpo e humanidades digitais: avatar, wearable, metaverso;
  • 83.
    MÁQUINAS ALGORÍTMICAS The Eyeof the Master, A social History of Artificial Intelligence, Matteo Pasquinelli, 2023 _ Máquinas industriais (séc. XIX) surgem pela captura dos comportamentos da mão e das ferramentas humanas, da subjetividade criativa do “saber fazer” dos trabalhadores, e pela transformação disso em artefatos mecânicos; _ Divisão do trabalho como princípio para o design de máquinas e para computar os custos de produção; _ Fazer máquinas parecerem inteligentes foi necessário para que os recursos do seu poder, a força de trabalho que a cercava e dirigia, fosse tornada INVISÍVEL;
  • 84.
    DIVISÃO SOCIAL DOTRABALHO _ Hegel (sec. XIX): “trabalho abstrato” como o trabalho que dá “forma” à maquinaria; _ Charles Babbage (séc. XIX): cálculo do trabalho: divisão do trabalho também permite o cálculo exato dos custos do trabalho; _ Marx (séc. XIX): as “relações sociais de produção” (a divisão do trabalho no sistema salarial) impulsionam o desenvolvimento dos “meios de produção” (máquinas-ferramentas, motores a vapor, computadores) - e não o contrário; _ No interior da fábrica a gestão do trabalho podia ser esboçada num fluxograma e medida por um relógio, mas visualizar e quantificar “a divisão do trabalho social“ ficava cada vez mais difícil; _ A inteligência do patrão da fábrica dá lugar às infra-estruturas de comunicação, que passam a desempenhar também esse papel de supervisão e quantificação;
  • 85.
    DIVISÃO SOCIAL DOTRABALHO (2) A infraestrutura de comunicação (como redes digitais, algoritmos e sistemas de monitoramento) assume o papel de organizar e controlar o trabalho, reproduzindo e intensificando as relações de exploração ao transformar o próprio processo de supervisão em uma atividade descentralizada e automatizada; Isso reflete uma tendência na evolução dos meios de produção: enquanto antes o controle dependia da presença física e decisões individuais, ele agora se realiza por meio de sistemas técnicos que vigiam, registram e analisam o trabalho, alinhando-o às exigências do capital de maneira ainda mais eficiente. Essa transição exemplifica como o capitalismo adapta a tecnologia às suas necessidades, transformando as relações sociais de produção e tornando a supervisão do trabalho mais abstrata e automatizada.
  • 86.
    COMPLEXIDADE E ALIENAÇÃO _Complexidade das relações sociais no séc XX foram produzindo formas de se (auto) organizar cada vez mais complexas; _ Mudança de escala afetou lógica da automatização e paradigmas científicos; DEDUÇÃO (se/então) —---------> INDUÇÃO _ Na virada do século XIX, quanto mais a divisão do trabalho se estendia a um mundo globalizado, mais problemática se tornava a sua gestão, exigindo novas técnicas de comunicação, controle e “inteligência” - IA, algoritmos, etc; _ Quanto mais complexa as técnicas de organização, mais camadas de divisão do trabalho - e mais alienação, especialmente da técnica; não saber como funciona
  • 87.
    CAPTURA E ALIENAÇÃO Afirmarque o trabalho é uma atividade lógica não é uma forma de abdicar da mentalidade das máquinas industriais e dos algoritmos empresariais, mas antes reconhecer que a práxis humana exprime a sua própria lógica (uma anti-lógica, poderia se dizer) – um poder de especulação e invenção, antes de a tecnociência o capturar e alienar; EX: IA. Técnicas como aprendizado de máquina começaram com a especulação humana sobre como imitar o raciocínio, mas são transformadas em sistemas empresariais que alienam e exploram a lógica criativa original, tornando-a funcional para o capital, como em sistemas de vigilância ou publicidade programática;
  • 88.
    ECONOMIA POLÍTICA DA COMUNICAÇÃO(E DA CULTURA) _ Campo interdisciplinar que analisa como os processos econômicos, as estruturas de poder e as políticas influenciam a produção, distribuição e consumo de bens e serviços comunicacionais. _ Enfatiza a relação entre mídia e capital, explorando como o controle sobre os meios de produção e a propriedade de veículos de comunicação moldam ideologias, acesso à informação e dinâmicas culturais; _ Concentração de propriedade: comercialização da comunicação; Trabalho e exploração: Impactos tecnológicos: reflete sobre como plataformas digitais ampliam ou desafiam o poder corporativo no setor.
  • 89.
  • 90.
    COMUNICAÇÃO E TRABALHO Acomunicação é uma atividade humana, tal qual a atividade de trabalho, na invenção do indivíduo e da subjetividade. Relações de comunicação compõem o local de trabalho concreto, atravessam e fazem parte de sua historicidade. O mundo do trabalho é, nesta perspectiva, mais do que local geográfico; abrange a produção de significados, as lógicas socioculturais, históricas e políticas. (FIGARO, 2018)
  • 91.
    DISCUSSÕES: Page Rank _Algoritmo criado pelo Google (1998) que determina que o valor de cada página na rede é feito pelo número e pela qualidade dos links que procuram cada página; _ Ao mensurar o valor da rede de forma numérica, o PageRank planifica a rede e a torna simétrica; “Se infiltra em páginas na Internet, como um parasita sutil, engenhoso e monodimensional, extraindo lucro sem produzir qualquer conteúdo a partir da atenção dedicada pelo usuário a estas páginas” (PASQUINELLI, 2012, p.61);
  • 92.
    PLATAFORMIZAÇÃO Plataformas: “uma plataformaé alimentada com dados, automatizada e organizada por meio de algoritmos e interfaces, formalizada por meio de relações de propriedade orientadas por modelos de negócios e regidas por acordos de usuários” (POELL, VAN DYICK e NIERBORG, 2019) PLATAFORMIZAÇÃO: “A penetração de infraestruturas, processos econômicos e estruturas governamentais de plataformas em diferentes setores econômicos e esferas da vida” (POELL, VAN DYICK e NIERBORG, 2019)
  • 93.
    PLATAFORMIZAÇÃO DE TUDO _Quando começa a “plataformização da web”? A partir do ano de 2007 com o lançamento da Facebook Platform, braço da empresa voltada para desenvolvedores/as de aplicativos com o objetivo de que pudessem ter acesso a perfis e dados de usuários/as armazenados na rede social (HELMOND, 2015, p. 3); _ Articulações entre modelos de negócio, infraestruturas, bases de dados, algoritmos e regras de governança. Redes não mais “sites de relacionamentos”;
  • 94.
    DISCUSSÕES: Trabalho porplataformas Trabalhos por Plataformas Digitais, Rafael Grohmann e Julice Salvagni, 2023 _ Intensifica a precarização, com jornadas longas, remuneração instável, alta vigilância algorítmica. Datificação, financeirização, design; _ Plataformas de trabalho E COMUNICAÇÃO; os meios de comunicação “não são apenas formas, mas meios de produção, uma vez que a comunicação e seus meios materiais são intrínsecos a todas as formas distintamente humanas de trabalho e de organização social” (WILLIANS, 2011, p.69). _ Exemplos: motoristas de aplicativos, entregadores, criadores de conteúdo microtarefas digitais, fazenda de cliques E…
  • 95.
    DISCUSSÕES: “Ghost workers”da IA _ Quem trabalha treinando as IAs? _ É necessário trabalho humano para fazer o que a inteligência artificial não consegue fazer (bem), como classificação de certos dados e moderação de conteúdo. _ Terceirizados, desprotegidos legalmente, informalidade; _ Plataformas como Appen, Tellus e Oneforma; alguém aqui já trabalhou nessas plataformas?
  • 96.
    DISCUSSÕES: “O Capitalestá morto” O capital está morto, Mckenzie Wark, 2022 _ Classes dominantes controlavam algum tipo de bem escasso (a propriedade, os meios de produção, etc), mas agora essa classe necessita controlar algo que é abundante: a informação. _ Esta contradição sem resolução leva a um novo meio de produção em que o domínio se daria na posse e no controle da INFORMAÇÃO constante aperfeiçoamento da coleta, do processamento, da visualização e da distribuição (ultra) personalizada dessa informação no mundo digital; _ Amazon, Google, Meta, Wallmart, Nike; abordagem orientada por dados, modelo preditivo de consumo;
  • 97.
    DISCUSSÕES: apropriação do “intelectogeral” / inteligência geral “A tática de liberar informações da forma de propriedade fortaleceu a produção autônoma de conhecimento, deu prosseguimento a uma tradição pré ou proto-capitalista de construção e manutenção dos commons, criou movimentos que potencializam o acesso ao conhecimento - como ciência aberta, recursos educacionais abertos e o Open Glam (Gallery, Library, Archive, Museum) - e da busca de “um espaço de liberdade não-mercantilizada em mídias emergentes e formas técnicas” (WARK, 2023). “A proliferação dos sistemas de inteligências artificiais generativas a partir de 2023 potencializou o processo de apropriação da informação livre na rede, já que estes sistemas foram (e em grande parte ainda estão sendo) alimentados por uma série de bases de dados, sites e plataformas na internet, inclusive no “vasto tesouro de informações livres” (WARK, 2023).”
  • 98.
    DISCUSSÕES: apropriação do “intelectogeral” / inteligência geral “A existência de um “devir-rentismo” que suga “mais-valor” não diretamente, mas de uma forma furtiva da cooperação livre: “Se produzimos livremente e de graça na frente de nossos computadores, com certeza alguém tem as mãos em nossa carteira. O rentismo é o outro lado do comum − uma vez esteve sobre a terra comum e, hoje em dia, sobre o comum da rede” (VERCELLONE e NEGRI, 2007); “Abrir a forma-mercadoria da informação em favor de uma espécie de economia da dádiva abstrata (WARK, 2023) propiciou também que as big techs capturassem esse excedente de informação para explorar ainda mais as desigualdades sociais e econômicas no planeta, a partir de um extrativismo de dados (COULDRY e MEJÍAS, 2019) e de um fetichismo da técnica que aproveita da ilusão da neutralidade tecnológica” (AMADEU, 2023).
  • 99.
  • 100.
  • 101.
  • 102.
    Caso de Ensino AI,ain’t I a woman? 1. O que é problemático para a pesquisadora? 2. Como ela se sente em relação a isso? 3. O que ela conclui? Vocês já se sentiram desconfortáveis com mecanismos de reconhecimento facial?
  • 103.
    Caso de Ensino DIAGNÓSTICO: _grupos de 3 a 5; _ Que aspectos tornaram possível uma dada tecnologia reproduzir preconceitos? fazer invisíveis - ou alvos - determinados grupos? _ Por que um software de reconhecimento facial é mais assertivo em rostos de homens brancos? Por que apresenta dificuldades em nomear cabelos de mulheres negras?
  • 104.
    Caso de Ensino PROGNÓSTICO: _De que maneira os efeitos dos vieses de codificação - ou o racismo algorítmico - ferem garantias constitucionais e direitos fundamentais em uma democracia? _ Que aspectos além dos técnicos precisam ser levados em conta para uma codificação mais inclusiva?
  • 105.
    “Racismo algorítmico: omodo pelo qual a disposição de tecnologias e imaginários sociotécnicos em um mundo moldado pela supremacia branca realiza a ordenação algorítmica racializada de classificação social, recursos e violência em detrimento de grupos minorizados. Tal ordenação pode ser vista como uma camada adicional do racismo estrutural, que, além do mais, molda o futuro e os horizontes de relações de poder, adicionando mais opacidade sobre a exploração e a opressão global que já ocorriam desde o projeto colonial do século XVI” (SILVA, 2022, p.69)
  • 106.
  • 107.
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  • 110.
    MESTRADO PROFISSIONAL EM COMUNICAÇÃODIGITAL E CULTURA DE DADOS TEORIAS DAS MÍDIAS DIGITAIS LEONARDO FOLETTO
  • 111.
    RECAPITULANDO...pt.1 “Aplicação da cibernéticaà compreensão dos sistemas digitais contemporâneos, particularmente das plataformas de mídia social. A aula fala do desenvolvimento histórico da cibernética, enfatizando suas origens interdisciplinares em meados do século 20 e seu foco no controle e na comunicação tanto em máquinas quanto em organismos vivos. Contrasta a IA simbólica e a conexionista, argumentando que esta última, exemplificada por sistemas de aprendizagem profunda como o ChatGPT, é dominante hoje. Por último, analisa as plataformas de redes sociais como sistemas cibernéticos complexos, destacando como os seus ciclos de feedback e fluxos de informação inerentes podem gerar dinâmicas antiestruturais, levando à normalização de pontos de vista extremos e a uma crise de confiança nas instituições tradicionais. O professor utiliza o conceito de ciclos de feedback e o exemplo da navegação de barco para ilustrar os princípios da cibernética e sua aplicação às redes sociais.” Resumo: https://notebooklm.google.com
  • 112.
    RECAPITULANDO...pt.2 “Discute a naturezaprecária do trabalho digital dentro do capitalismo de plataforma. Analisa a exploração inerente ao trabalho gig, destacando questões como o controle algorítmico, salários instáveis e falta de direitos trabalhistas. Exploram ainda as implicações éticas da formação em IA, enfatizando o trabalho humano invisível por detrás de processos aparentemente automatizados e a apropriação de informações publicamente disponíveis por grandes empresas tecnológicas. Por último, propõe modelos alternativos, como cooperativas de trabalhadores e plataformas de código aberto, como soluções potenciais para resolver o desequilíbrio de poder e a precariedade na economia digital, utilizando exemplos específicos de iniciativas bem-sucedidas”. Resumo: https://notebooklm.google.com
  • 113.
    ESTUDOS DE PLATAFORMA(1) _ Virada crítica dos estudos de internet e cibercultura, anos 2010; _ As plataformas se apropriam das lógicas de conexão e as potencializam como parte de uma estratégia – comercial sobretudo – que visa incentivar usuários a deixar rastros de suas relações, preferências etc. _ Entender o modo como algoritmos, recursos tecnogramaticais – curtir, compartilhar –, políticas de governança – como os termos de uso – moldam as práticas e as percepções dos usuários; _ As apropriações criativas, táticas e coletivas que recriam, cotidianamente, as plataformas;
  • 114.
    ESTUDOS DE PLATAFORMA(2) “Uma plataforma é alimentada com dados, automatizada e organizada por meio de algoritmos e interfaces, formalizada por meio de relações de propriedade orientadas por modelos de negócios e regidas por acordos de usuários” (Van Dijck, Poell e Wall, 2018) O termo plataformização é usado atualmente para explicar as relações de crescente dependência de diferentes setores da produção cultural. Música, filmes, games, turismo etc. são alguns dos setores cujos mercados foram profundamente transformados pela lógica do Spotify, do Amazon Prime, do Twitch, do Airbnb e de tantas outras plataformas;
  • 115.
    ESTUDOS DE PLATAFORMA(3) _ Progamam e reprogramam: descentralizam a produção de dados e centralizam seu conjunto de dados - as bases pertencem às plataformas; _ Tudo é social, mas para quem? plataformas como epicentro das atividades na web: Jardim murado e a “morte do Flanêur digital”; _ Botões se configuram como canais de dados com dupla função: exercem uma espécie de atribuição social, permitindo a conexão entre usuários/as, ao mesmo tempo que conectam essas performances sociais com os seus bancos de dados, enviando as informações sobre a ação executada para as plataformas; _ Pegadas digitais capturadas por scripts de rastreamento (cookies), que possibilitam a classificação dos usuários e orientam sua navegação com base em indicações; _ Algoritmos no centro de tudo: não apenas como rotinas de programação que processam dados, mas principalmente como instâncias que viabilizam “uma leitura interessada de uma realidade empírica e ‘datificada’”;
  • 116.
    DIA 2: 4/12 Aperspectiva cibernética. Interação Humano-máquina Tecnopolítica das mídias digitais Teoria Laboral da Máquina; Plataformização; Capitalismo de Vigilância, racismo algorítmico e outros conceitos chaves PERCURSO EMENTAS E AULAS DIA 1: 3/12 Apresentação. Ementa. Bibliografia. Trabalhos. Combinados. Breve história das mídias digitais Conceitos iniciais
  • 117.
    DIA 4: 6/12 Linguageme estética algorítmica; IA, arte e criatividade digital Encerramento. Apresentação e debate da 1º parte dos trabalhos finais PERCURSO EMENTAS E AULAS DIA 3: 5/12 A comunicação das coisas; Teoria Ator-Rede e Cartografia das Controvérsias. Cosmotécnica e Tecnodiversidade. Soberania Digital
  • 118.
    AULA 5: Acomunicação das coisas ● A comunicação das coisas; Teoria ator-rede; Mediação Cartografia das controvérsias ● Affordances; ● Tecnodiversidade/ Cosmotécnica; ● Soberania Digital
  • 119.
    A comunicação dascoisas A Comunicação das coisas. Teoria Ator-Rede e cibercultura. André Lemos, 2013 _ Humanos comunicam; as coisas também. E nos comunicamos com as coisas e elas nos fazem fazer coisas, queiramos ou não; _ Mediadores não-humanos (computadores, smartphones, sensores, TVs, etc) nos mudam, assim como nós mudamos eles; _ Com os objetos digitais cada vez mais conectados a nós em rede, a comunicação entre as coisas e nós SÓ AUMENTA;
  • 120.
    Separação sujeito Xobjeto Jamais fomos modernos, Bruno Latour, 1991 _ A mediação com não-humanos é constituinte do humano, mas a “Constituição” da modernidade tentou nos fazer esquecer disso, com a separação em sujeitos e objetos; _ Na prática, humanos e não-humanos (como tecnologias, objetos e fenômenos naturais) estão sempre misturados; _ Inovações tecnológicas, mudanças climáticas e descobertas científicas não podem ser classificadas exclusivamente como naturais ou sociais; _ É necessário uma visão mais integrada e menos dicotômica da realidade, onde os híbridos são reconhecidos e estudados em suas interações;
  • 121.
    “ A visãoameríndia trata, por exemplo,os objetos como registros menos passivos das capacidades de um sujeito do que as objetificações personificadas dessas relações. De modo que a criação se dá distribuída na relação entre os múltiplos objetos e pessoas, sem esta separação entre sujeito e objeto, intelecto e matéria, que estamos acostumados a fazer no Ocidente. A subjetividade também existe nos objetos e forma uma animada paisagem composta de diferentes tipos de níveis de ações humanas” (COELHO DE SOUZA, 2016)
  • 122.
    As coisas sempreestiveram comunicando _ MAS não é o que nos ensinam as teorias clássicas da comunicação; sujeito de um lado, objeto do outro; emissor, meio e mensagem; binário; só humanos comunicam; visão antropocêntrica da comunicação; _ O modelo padrão de comunicação tem sido o de pessoas que trocam informações entre si através de uma tecnologia que medeia a interação humana; _ A MEDIAÇÃO? É NEUTRA? ela só “transmite” sem modificar? _ NÃO. Objetos carregam políticas. Como pensar os humanos sem a mediação técnica, ou achando que essa mediação só medeia sem modificar?
  • 123.
    Teoria Ator-rede (TAR) Nasceno âmbito dos estudos de ciência e tecnologia (STS Studies), produzidos principalmente por pesquisadores como Bruno Latour, Michel Callon, John Law, Madeleine Akrich, entre outros. É estabelecida a partir dos anos 1980. —-----------------------------------------------<>--------------------------------------------------------- O movimento dos pesquisadores da TAR é o de levar a indistinção prévia - OBJETOS - HUMANOS, SOCIAL - NATURA, para o estudo dos fenômenos sociais —-----------------------------------------------<>---------------------------------------------------------- Estes deveriam ser compreendidos somente a partir do fluxo, das redes efêmeras que se constituem na produção de determinado fato, com atores dos mais variados, sejam eles humanos ou objetos, lugares, documentos, espaços físicos. —-----------------------------------------------<>---------------------------------------------------------- "O social não seria o que explica, de fora, as associações, mas aquilo que emerge das mais diversas mediações entre humanos e não humanos" (LEMOS, 2015, p.39). "O social é antes o nome de um movimento, um deslocamento, uma transformação, uma translação, um registro" (LATOUR, 2012, p.99)
  • 124.
    Teoria Ator-rede (TAR) Asações são incertas e plurais, bem como os atores -----------------------------------------------<>--------------------------------------------------------- Não sabemos de antemão quem age, com quem age, como age -----------------------------------------------<>--------------------------------------------------------- Os atores se encontram em ação - sem ação, não há ator -----------------------------------------------<>--------------------------------------------------------- As ações são alocais - distribuídas em rede (método descritivo) produz relatos de risco -----------------------------------------------<>--------------------------------------------------------- O social e a sociedade não existem, não estão dados - são feitos em ação -----------------------------------------------<>--------------------------------------------------------- A ação que interessa é a ação que faz fazer (mediação)
  • 125.
    CONCEITO DE MEDIAÇÃO Gunskill people or People kill people, not guns?
  • 126.
    MEDIAÇÃO (1) Latour ilustrauma ideia de mediação na TAR que se diferencia das correntes HUMANISTAS, cujas visões teóricas preveem a superioridade da ação humana perante o objeto técnico; e das MATERIALISTAS, que sustentam ser os objetos os determinantes a ação; O primeiro slogan - GUNS KILL PEOPLE - seria, a grosso modo, materialista, pois considera que as armas de fogo (objetos) matam pessoas, enquanto o segundo - PEOPLE KILL PEOPLE, NOT GUNS - seria humanista, ao dizer que pessoas – e não armas – matam pessoas, considerando a arma como neutra, apenas um meio para um fim
  • 127.
    MEDIAÇÃO (2) Latour dizque: nem arma nem a pessoa são responsáveis pelo ato de matar: a responsabilidade é dividida entre os vários atores envolvidos na ação. “Você é diferente com uma arma na mão; a arma é diferente com você segurando-a. Você é um outro sujeito porque segurou a arma; a arma é outro objeto porque ela entrou em uma relação com você ”. (LATOUR, 1994, p.33) A perspectiva de mediação como algo EM MOVIMENTO ENTRE O SER HUMANO E UM OBJETO TÉCNICO tem ganho força para explicar a agência de uma dada tecnologia na ação humana.
  • 128.
    MEDIAÇÃO (2) Latour dizque: nem arma nem a pessoa são responsáveis pelo ato de matar: a responsabilidade é dividida entre os vários atores envolvidos na ação. “Você é diferente com uma arma na mão; a arma é diferente com você segurando-a. Você é um outro sujeito porque segurou a arma; a arma é outro objeto porque ela entrou em uma relação com você ”. (LATOUR, 1994, p.33) Mediação como tradução de uma coisa em outra, criação de diferença, circulação e movimento;
  • 129.
    SIMETRIA - Ontologiaplana _ Dar a mesma importância a sujeitos e objetos, diferenciados entre si apenas pelo papel que exercem na rede em questão. _ O que está agindo? É O QUE IMPORTA, seja humanos ou não-humanos; _ “Não se pode compreender a ação humana, e não se pode compreender a constituição de coletivos, sem levar em conta a materialidade, as tecnologias e os não-humanos” (CALLON, 2008, p.207-208).
  • 130.
    Na ação: mediadorou intermediário? Age transformando, cria diferença: mediador. Não transforma, não cria: intermediário. “Ser mediador ou intermediário não são características essenciais dos elementos das redes, mas papéis assumidos na associação. O jornalista pode divulgar comunicados oficiais, como se fosse um mero porta-voz, ou ainda escrever editoriais com os quais não concorda em nome do veículo para o qual trabalha, constituindo-se como mero intermediário entre os autores do discurso e o público. Mas ele pode também questionar e levantar contradições capazes de derrubar versões autorizadas dos acontecimentos, assumindo plenamente sua condição de mediador” (LEMOS,2013, p.80). ESSÊNCIA É EXISTÊNCIA E EXISTÊNCIA É AÇÃO (LATOUR, 1994).
  • 131.
    REDES, CAIXAS-PRETAS REDE: Movimentoassociativo que forma o social. Circulação. Não necessariamente rede física, redes sociais: não é por onde as coisas passam, mas aquilo que se forma na relação. CAIXA PRETA: estabilização e a resolução de um problema. Estabilização. Um computador quando está funcionando é uma caixa-preta: tudo parece uno, compacto. Quando quebra, vemos os diversos mediadores que o compõe: peças, regras de garantia, problemas de engenharia, etc.
  • 132.
    Na ação: mediadorou intermediário? Age transformando; mediador. Não transforma: intermediário. “Ser mediador ou intermediário não são características essenciais dos elementos das redes, mas papéis assumidos na associação. O jornalista pode divulgar comunicados oficiais, como se fosse um mero porta-voz, ou ainda escrever editoriais com os quais não concorda em nome do veículo para o qual trabalha, constituindo-se como mero intermediário entre os autores do discurso e o público. Mas ele pode também questionar e levantar contradições capazes de derrubar versões autorizadas dos acontecimentos, assumindo plenamente sua condição de mediador” (LEMOS,2013, p.80).
  • 133.
    Exemplos na comunicação Intothe Newsroom, Emma Hemmingway, 2007 Abordagem etnográfica para explorar o processo de produção de notícias, enfocando as dinâmicas organizacionais, tecnológicas e sociais que moldam o trabalho jornalístico _ Jornalistas não apenas transmitem informações, mas também negociam significados e reconfiguram elementos culturais e tecnológicos; _ Ferramentas como computadores, sistemas de gerenciamento de conteúdo e tecnologias de comunicação moldam a produção jornalística;
  • 134.
    Exemplos na comunicação Intothe Newsroom, Emma Hemmingway, 2007 Alguns achados: _ A produção de notícias é um processo coletivo e heterogêneo, dependente de redes dinâmicas. _ Os artefatos técnicos (softwares, agendas, dispositivos) são tão importantes quanto os atores humanos na definição dos produtos jornalísticos. _ A redação é um espaço híbrido onde interagem fatores sociais, políticos e técnicos, criando fluxos e tensões que determinam o resultado final das notícias.
  • 135.
    Exemplos na comunicação "Traduzindoo jornalismo para tablets com a Teoria Ator-Rede", André Holanda (2014) _ Tradução como negociação entre atores: A adaptação do jornalismo para tablets envolve negociações entre diferentes interesses. Jornalistas, designers, programadores e as próprias plataformas tecnológicas (como iPads e sistemas operacionais) desempenham papéis como mediadores, traduzindo as práticas jornalísticas para formatos interativos e visuais exigidos por esses dispositivos; _ Agência dos artefatos tecnológicos: Tablets não são meros receptores passivos de conteúdo; eles podem agir como mediadores. EX: a necessidade de layouts responsivos ou interatividade redefine o formato das reportagens, ilustrando o papel ativo dos dispositivos nas redes sociotécnicas.
  • 136.
  • 137.
    1) Evitar apurificação dos fatos; 2) Oferecer um método capaz de ultrapassar delimitações entre natureza, sociedade e discurso; 3) Reposicionar o entendimento sobre mediação; 4) Apresentar o discurso midiático como rede de proposições; 5) Destacar a necessidade de não se abandonar o empírico em favor de estruturas; 6) Mostrar que o papel do analista é mapear redes de actantes mobilizados em determinadas ações; 7) Flagrar a constituição interna das caixas-pretas; (LEMOS, 2013, p.67) Pontos da TAR para comunicação (digital)
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  • 139.
    Affordances; “Affordance” foi cunhadoa partir dos anos 1960 por James Gibson (2015) para, na perspectiva da psicologia ecológica, discutir as possibilidades de ação dos animais em diferentes ambientes físicos. O modo como as ações podem ser datificadas ou modularizadas. Interfaces performam. Fazem fazer coisas. Pesquisa: compreender como as práticas se dão a partir dos usos possíveis, planejados ou não, das interfaces e de suas funcionalidades. As ações nas plataformas são moldadas por funcionalidades padronizadas como curtir ou compartilhar
  • 140.
    affordances; “Affordance” foi cunhadoa partir dos anos 1960 por James Gibson (2015) para, na perspectiva da psicologia ecológica, discutir as possibilidades de ação dos animais em diferentes ambientes físicos. O modo com as ações podem ser datificadas ou modularizadas. Interfaces performam. Fazem fazer coisas. Pesquisa: compreender como as práticas se dão a partir dos usos possíveis, planejados ou não, das interfaces e de suas funcionalidades. as ações nas plataformas são moldadas por funcionalidades padronizadas como curtir ou compartilhar
  • 141.
    Cartografia das controvérsias ControversyMapping: A Field Guide. Tommaso Venturini e Anders Kristian Munk, 2021 _ Método proposto por Latour e descrito por Venturini (2010, 2012) e Venturini e Munk (2021) como um exercício EMPÍRICO para observar e descrever o debate social em torno de uma temática; _ Seguir os atores e mapear as redes de associações entre os atores mobilizados em uma determinada ação. Percorrer os caminhos, deixar que os atores falem por si próprios, pressupõe descrever, descrever, descrever;
  • 142.
    Cartografia das controvérsias:origens Ciência em ação: como seguir cientistas e engenheiros sociedade afora, Bruno Latour, 2000 "Essa é a primeira decisão que temos de tomar: nossa entrada no mundo da ciência e da tecnologia é pela porta de trás, a da ciência em construção, e não pela entrada mais grandiosa da ciência acabada." (LATOUR, 2000)
  • 143.
    Cartografia das controvérsias PORTADE ENTRADA _ Escolha do momento certo (mais acalorado, mais quente) _ O fenômeno ainda é desconhecido ou incerto _ Não se sabe com certeza _ Muitas coisas permanecem em aberto _ ABERTURA DAS CAIXAS-PRETAS;
  • 144.
    Controvérsias “Situações onde atoresdiscordam (ou melhor, concordam sobre sua discordância)” (Venturini e Munk, 2021) Fenômenos complexos a serem observados na vida coletiva, especialmente situações onde algo não está estabilizado, fechado, encaixapretado (LATOUR, 2012). Quem concorda? Quem discorda? Como os argumentos de um e de outro são apresentados em documentos, relatórios, material didático, reuniões, comitês, assembleias, eventos, postagens, comentários, vídeos, lives, stories, reels?
  • 145.
  • 146.
    Cartografia das controvérsias.Ex: 1. Como o incremento e a popularização de algoritmos que redigem notícias desencadeiam reações e debates em torno do futuro do jornalismo? Que redes sociotécnicas são mobilizadas nesse processo não só para viabilizar a implementação dos softwares desenvolvidos por startups, mas também para ampliar seu reconhecimento público e mercadológico? ENTRADA: Processos de desenvolvimento e de implementação de softwares que redigem notícias; Narrative Science.
  • 147.
    Cartografia das controvérsias.Ex: 2. Como editores humanos e algorítmicos podem ou devem se associar no esforço de seleção – personalizada – de notícias mais “relevantes” em uma plataforma como o Facebook? O que a repercussão de uma suposta ‘manipulação’ dos resultados exibidos na lista de links selecionados sinaliza sobre a percepção pública da agência dos algoritmos, dos jorna listas e da empresa liderada por Mark Zuckerberg? ENTRADA: Controvérsia “Trending”, que se desencadeou em maio de 2016 a partir da publicação de uma reportagem nmo site Gizmodo sobre interferência de humanos na seleção dos destaques exibidos a usuários do Facebook na ferramenta “Trending”;
  • 148.
    Controvérsias _ QUAIS SÃOBOAS CONTROVÉRSIAS DE PESQUISA HOJE? _ DIVIDIR EM 4 GRUPOS E IDENTIFICAR: _ Uma controvérsia de pesquisa “quente”; _ Qual a pergunta? o que queremos saber? _ Qual o ponto de entrada? _ Que dados vamos coletar? Como? _ 1 hipótese;
  • 149.
    cartografia das controvérsias& métodos digitais MÉTODOS DIGITAIS: _ Formas de pesquisa que se baseiam em dados e ferramentas digitais para estudar fenômenos sociais e culturais diversos; _ Interdisciplinares: quali-quanti que combinam técnicas como análise de redes, mineração de dados, visualização de dados, etnografia digital, etc; _ Elementos nativos digitais (links, tags, etc) ou transportados para o digital
  • 150.
    Controvérsias: caminhos 1. Dosenunciados à literatura - comentários e respostas, réplicas - identificar a extensão da controvérsia; 2. Da literatura aos atores - rede de relações ao redor dos enunciados (objetos, organismos, materialidades, imagens, documentos, vídeos, sons…, enfim, os atores que tecem a rede e fazem diferença - os mediadores); 3. Dos atores às redes - não há ator isolado, mas atores-redes - um é uma multidão (Deleuze) - um são muitos (Latour) - associações e dissociações, conexões e desconexões; 4. Das redes aos cosmos - "Ideologies are not meant to be description of the world as it is, but visions of the world as it should be." - pontos de vista - não universos (ordenados e harmônicos), mas cosmos (complexos, plurais); 5. Dos cosmos às cosmopolíticas - as ideologias e controvérsias derivam da imperfeição do intelecto humano - privilégio de uma visão de mundo (cosmo) sobre outro (um compromisso resistente, mas não um acordo, um consenso) - mas uma visão que prevalece ou que é momentaneamente aceita sobre outra;
  • 151.
  • 152.
    Controvérsias O objetivo principalé descrever a rede de atores e agenciamentos mobilizados na produção dessas ilustrações e no debate público que emergiu a partir do ocorrido. Focamos em três momentos específicos: 1) o anúncio da indicação do livro como um dos semifinalistas na categoria “Melhor Ilustração” da 65º edição Prêmio Jabuti, feito em 9 de novembro de 2023; 2) a comunicado da desclassificação do livro por parte da Câmara Brasileira do Livro (CBL), responsável pelo prêmio, no dia seguinte (10 de novembro de 2023); 3) os debates que se seguiram entre editores, artistas, designers e pesquisadores após a desclassificação, além de outras consequências diretas à decisão, como o veto da inscrição de obras desenvolvidas com o auxílio de inteligência artificial a partir de 2024, pelo Prêmio Jabuti;
  • 153.
    Neomaterialismo _ Abordagem quereconhece as propriedades materiais e tecnológicas dos meios digitais como participantes ativas na construção de práticas sociais, políticas e culturais; _ Foco nas agências das infraestruturas digitais, algoritmos e plataformas, destacando como elas influenciam e estruturam a circulação de conteúdos, incluindo desinformação; _ “Fake news as fake politics: the digital materialities of YouTube misinformation videos about Brazilian oil spill catastrophe”, de André Lemos e Elias Bittencourt. Calculam a produção de carbono associado ao compartilhamento de fake news no YouTube, com uma análise de vídeos extraídos a partir das hashtags ‘oleononordeste’, ‘vazamentopetroleo’, and ‘greenpixe”. Sugerem, a partir daí, que a desinformação aumenta a poluição e a pegada de carbono. Vocês sabiam que se gasta até uma garrafa de água para o ChatGPT escrever um e-mail de 100 palavras a partir de um prompt?
  • 154.
    Neomaterialismo A Microsoft anunciouem 20 de setembro que reabrirá sua usina nuclear Three Mile, na Pensilvânia, nos EUA, e que investirá em uma nova tecnologia de reatores. No início de Outubro, o Google avisou que fez um acordo para usar energia produzida por pequenos reatores de uma empresa chamada Kairos Power. Dois dias depois, a Amazon comunicou um investimento de US$ 500 milhões no desenvolvimento de pequenos reatores nucleares em uma empresa chamada X-energy e na agência pública Energy Northwest, em Washington. Estes pequenos reatores, chamados SMRs (pequenos reatores modulares, em inglês) podem ser construídos em menos tempo e com custo inferior ao das usinas nucleares tradicionais, além de serem livres de carbono, portanto mais “limpas”
  • 155.
    Cosmotécnica/tecnodiversidade Tecnodiversidade, Yuk Hui,2022. _ Cosmotécnica: tecnologias desenvolvidas em contextos locais e particulares que poderiam conter saídas para a atual crise ecológica, política e social do planeta; _ Tecnodiversidade: diferentes culturas possuem modos únicos de entender, criar e utilizar tecnologias; Descolonização da tecnologia: crítica a predominância da visão ocidental de tecnologia como única ou superior; Pluralismo técnico e cosmológico: Resistência à uniformização digital:
  • 156.
    Cosmotécnica/tecnodiversidade Tecnodiversidade, Yuk Hui,2022. _ Tecnologias indígenas e manejo sustentável: _ Plataformas digitais locais: A plataforma WeChat incorpora uma lógica tecnológica que integra funções sociais, comerciais e administrativas de uma forma distinta do Facebook ou WhatsApp, refletindo a organização social e política chinesa. _ Redes descentralizadas: Representam formas de apropriação tecnológica que se alinham às necessidades locais, criando infraestrutura de baixo custo e autônoma.
  • 157.
    Soberania digital _ Controlesobre dados: _ Infraestruturas locais: _ Políticas públicas e regulamentação; _ Desenvolvimento tecnológico local; _ Autonomia Tecnológica; _ Proteção Cibernética; _https://www.ucl.ac.uk/bartlett/public-purpose/publications/2024/dec/re claiming-digital-sovereignty
  • 159.
    DIA 2: 4/12 Aperspectiva cibernética. Interação Humano-máquina Tecnopolítica das mídias digitais Teoria Laboral da Máquina; Capitalismo de Vigilância, racismo algorítmico e outros conceitos chaves PERCURSO EMENTAS E AULAS DIA 1: 3/12 Apresentação. Ementa. Bibliografia. Trabalhos. Combinados. Breve história das mídias digitais Conceitos iniciais
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  • 161.
    MESTRADO PROFISSIONAL EM COMUNICAÇÃODIGITAL E CULTURA DE DADOS TEORIAS DAS MÍDIAS DIGITAIS LEONARDO FOLETTO
  • 162.
    DIA 2: 4/12 Aperspectiva cibernética. Interação Humano-máquina Tecnopolítica das mídias digitais Teoria Laboral da Máquina; Capitalismo de Vigilância, racismo algorítmico e outros conceitos chaves PERCURSO EMENTAS E AULAS DIA 1: 3/12 Apresentação. Ementa. Bibliografia. Trabalhos. Combinados. Breve história das mídias digitais Conceitos iniciais
  • 163.
    DIA 4: 6/12 Linguagemdas novas mídias IA, arte e criatividade digital Encerramento. Apresentação e debate da 1º parte dos trabalhos finais PERCURSO EMENTAS E AULAS DIA 3: 5/12 A comunicação das coisas; Teoria Ator-Rede e Cartografia das Controvérsias. Cosmotécnica e Tecnodiversidade. Neomaterialismo e cultura digital Corpo e humanidades digitais: avatar, wearable, metaverso;
  • 164.
    RECAPITULANDO… “Aula sobre estudosde plataformas, com foco nas estruturas teóricas da teoria ator-rede (TAR) e da cibernética. Um tema chave é o conceito de “plataformização”, analisando como vários setores, particularmente a cultura e os serviços governamentais, dependem cada vez mais de plataformas digitais, impactando o consumo e as práticas laborais. A aula introduz ainda a TAR como metodologia para estudar a complexa interação entre atores humanos e não humanos nas redes digitais, destacando sua aplicação na análise de controvérsias e seu uso para desvendar a natureza da "caixa preta" dos sistemas tecnológicos. O objetivo geral é dotar os alunos de ferramentas teóricas e metodológicas para analisar criticamente o impacto social das plataformas digitais e dos avanços tecnológicos”.
  • 165.
    RECAPITULANDO... TAR: fatos sociaisdeveriam ser compreendidos somente a partir do fluxo, das redes efêmeras que se constituem na produção de determinado fato, com atores dos mais variados, sejam eles humanos ou objetos, lugares, documentos, espaços físicos; As ações são incertas e plurais, bem como os atores Não sabemos de antemão quem age, com quem age, como age Os atores se encontram em ação - sem ação, não há ator Age transformando, cria diferença: mediador. Não transforma, não cria: intermediário;
  • 166.
    Affordances; “Affordance” foi cunhadoa partir dos anos 1960 por James Gibson (2015) para, na perspectiva da psicologia ecológica, discutir as possibilidades de ação dos animais em diferentes ambientes físicos. O modo como as ações podem ser datificadas ou modularizadas. Interfaces performam. Fazem fazer coisas. Pesquisa: compreender como as práticas se dão a partir dos usos possíveis, planejados ou não, das interfaces e de suas funcionalidades. As ações nas plataformas são moldadas por funcionalidades padronizadas como curtir ou compartilhar
  • 167.
    affordances; “Affordance” foi cunhadoa partir dos anos 1960 por James Gibson (2015) para, na perspectiva da psicologia ecológica, discutir as possibilidades de ação dos animais em diferentes ambientes físicos. O modo com as ações podem ser datificadas ou modularizadas. Interfaces performam. Fazem fazer coisas. Pesquisa: compreender como as práticas se dão a partir dos usos possíveis, planejados ou não, das interfaces e de suas funcionalidades. as ações nas plataformas são moldadas por funcionalidades padronizadas como curtir ou compartilhar
  • 168.
    RECAPITULANDO... Hipótese 1: Acoprodução cada vez mais intensiva e extensiva entre cognição maquínica e humana pode estar levando a um alinhamento no sentido de uma “redução” da cognição humana (mais complexa que a maquínica).
  • 169.
    RECAPITULANDO... Hipótese 2: Umsistema em crise, ou longe do equilíbrio como o nosso, se não chega a um ponto definitivo de bifurcação ou ruptura definitivo, o estado de liminaridade (quando os participantes não mantêm mais seu status pré-ritual, mas ainda não começaram a transição para o status que terão quando o ritual estiver completo) se prolonga. Nessa situação de crise permanente, há o colapso das diferenciações que organizavam o sistema anterior, sem que uma nova síntese tenha emergido. A alternância fica “trancada” em inversões de fluxo;o sistema parece oscilar de forma caótica entre os extremos que o delimitam. Sem estruturas para mediar a relação de oposição entre esses extremos, a situação de crise assume uma forma-limite onde um polo aparece como a identidade invertida do outro - mímese inversa. A hierarquia se desestabiliza e os polos vão se organizando em novas combinações
  • 170.
    “NOVA” mídia? The Languageof New media, Lev Manovich, 2002 _ Intersecção entre os antigos meios de comunicação (escrita, TV, imprensa, fotografia, rádio, cinema) e máquinas de calcular capazes de lidar com bilhares de variáveis = computador; _ “Computadorização da cultura” cria novas formas culturais - cibercultura, games, realidade virtual - e redefine as já existentes; _ Potencializa a recriação, a criação a partir de outras obras; o remix;
  • 171.
    Princípios (1): representaçãonumérica Tudo é bit, é dado, e pode ser representado por números e por funções matemáticas; quando uma fotografia ou uma música é digitalizada, todos os seus elementos (sonoros, imagéticos) são convertidos em um código numérico (0 e 1). A mídia se torna manipulável - e programável
  • 172.
    Princípios (2): modularidade Todosos elementos se integram, porém sem perder sua individualidade, podendo ser acessados de forma independente dos outros elementos. Cada elemento tem um código binário que o identifica
  • 173.
    Princípios (3): automação Parteda ação humana pode ser substituída por processos automatizados através de rotinas desempenhadas pelo computador. Antecipação, personalização;
  • 174.
    Princípios (4): Variabilidade Ummesmo elemento pode existir de várias formas; nada está fixo ou acabado; criar infinitas versões de si mesmo. Fluxo, não permanência; personalização
  • 175.
    Princípios (5): Transcodificação Comotudo é bit, tudo pode ser transformado e convertido em outro formato. Transformação das mensagens da mídia em dados de computador. Os objetos produzidos nesta “nova” mídia podem sofrer contínuas alterações em sua estrutura.
  • 177.
    software como meiocultural Software Takes Command, Lev Manovich, 2013 _ Software como cultura: força definidora na cultura contemporânea. Molda nossa comunicação, criatividade e compreensão do mundo. Meio; _ Metameio: capaz de simular e integrar uma vasta gama de formas de mídia existentes, bem como gerar formas inteiramente novas. Permite a combinação de diferentes formas de mídia, como texto, imagens, vídeo e som, levando a formas híbridas de expressão; _ Mídia se tornou software; por ex, Photoshop, Final Cut definem uma estética.
  • 178.
    software como meiocultural _ “remixabilidade profunda”: facilitar a mistura e recombinação não apenas de conteúdo de mídia, mas também de técnicas e processos de diferentes formas de mídia; _ Alteração de fluxos de trabalho: estética híbrida e à indefinição das fronteiras entre as diferentes disciplinas de design; _ Hibridização X multimídia;
  • 179.
    IA generativa: separare remontar MANOVICH, Lev. Separar e remontar: IA generativa através das lentes das histórias da arte e da mídia. 2024 _ IA generativa como continuação das tendências da mídia digital: parte de uma trajetória histórica mais ampla na mídia digital; linhagem até os primeiros algoritmos de computação gráfica 3D e software de edição de mídia; representações visuais criadas usando computação gráfica são distintas e modulares, em vez de contínuas;
  • 180.
    mídia generativa /imagem generativa Processo de sintetizar objetos de mídia com redes neurais artificiais. Exemplos: texto, voz, música, modelos 3D, conjuntos de dados e código de computador. Imagem generativa, imagem de IA ou IA visual referem-se a objetos visuais especialmente sintetizados. Esses objetos podem ser imagens estáticas que imitam a aparência e a estrutura de todos os tipos de mídia visual, de fotografias a desenhos, e também imagens em movimento que imitam as aparências de animação e vídeo.
  • 181.
    IA generativa: separare remontar _ Separação e recombinação como lógica definidora: desconstrução dos meios de comunicação nos seus elementos constituintes e a subsequente remontagem desses elementos de formas novas e inovadoras; _ IA generativa e análise da cultura visual: Capacidade de extrair e manipular padrões visuais como continuação do projeto de análise histórica da arte por nomes Aby Warburg, que buscavam identificar motivos e símbolos visuais recorrentes;
  • 183.
    IA generativa historicizada 1.Mudança da organização categórica, hierárquica e estruturada das informações (exemplificada pelos catálogos de bibliotecas e pelos primeiros diretórios da Web) para os mecanismos de busca no final da década de 1990. Havia tanto conteúdo que organizá-lo de maneiras convencionais não era mais prático, e a busca se tornou o novo padrão. Uma previsão do que será mais relevante para o usuário, não uma resposta definitiva;
  • 184.
    IA generativa historicizada 2.Popularidade da visualização de dados durante os anos 2000.“visualização artística de dados” se desenvolve na mesma década, juntamente com outros novos campos culturais: arte de dados e design de dados; 3. ciência de dados” como a disciplina principal da nova era do Big Data no final dos anos 2000; 4. O próximo, mas certamente não o último, efeito do crescimento do conteúdo digital visual online é a IA generativa;
  • 185.
    IA generativa: questões _A CAIXA-PRETA: não temos uma compreensão clara dos padrões específicos, dos processos de tomada de decisão e dos dados que a alimentam; _ Futuro das práticas criativas: ascensão dos motores de busca, da visualização de dados e da ciência de dados como respostas ao crescimento massivo do conteúdo online;
  • 186.
    Materialidades da comunicação Examinaa comunicação a partir de sua base material, destacando como os meios técnicos (livros, mídias digitais, máquinas) moldam os processos de produção, transmissão e recepção de informações. Essa abordagem critica visões idealistas ou desmaterializadas da comunicação, enfatizando o papel das tecnologias, suportes e infraestruturas na constituição do sentido.
  • 187.
    Materialidades da comunicação Kittler,Gramophone, Film, Typewriter (1986) _ Kittler argumenta que os meios técnicos determinam o que pode ser dito, pensado e percebido em uma época. _ "Dispositivos de armazenamento" para mostrar como a gramática das tecnologias (do gramofone ao computador) molda a experiência cultural; _ As tecnologias de comunicação são condições de possibilidade para o pensamento e a cultura. A mídia opera como sistemas de poder que organizam o conhecimento e o comportamento humano.
  • 188.
  • 189.