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          14                     O ESTADO DE S. PAULO
                                 11 A 17 DE MARÇO DE 2012   casa

                                                                                 Fábrica
                                                                                 de peças
                                                                                 únicas
                                                                                 Gustavo Dias busca no campo a inspiração
                                                                                 para seus móveis e acessórios de madeira



                                                                                 Ana Paula Garrido / REPORTAGEM

                                                                                                stimulado a usar a habilidade ma-




                                                                                 E
                                                                                                nual em casa, seja para consertar
                                                                                                um liquidificador, seja para fazer
                                                                                                uma rampa de skate, Gustavo
                                                                                                Dias até percorreu outros cami-
                                                                                                nhos em sua vida. Tentou virar
                                                                                                tenista profissional nos Estados
                                                                                 Unidos, trabalhou como modelo e se formou
                                                                                 em teatro e publicidade. No entanto, o contato
                                                                                 com a madeira sempre o perseguiu. “Desde mo-
                                                                                 leque, lixava alguma coisa, mas sem pretensão
                                                                                 nenhuma”, conta. Na época, era apenas um
                                                                                 hobby, herdado do pai.
                                                                                   Depois, aos 16 anos, foi aos Estados Unidos
                                                                                 para um intercâmbio e morou na casa de outro
                                                                                 marceneiro nas horas vagas. Lá, na escola, tam-
                                                                                 bém teve aulas de introdução à escultura. Che-
                                                              b                  gou a fazer outros cursos nessa linha, já de volta
                                                              O designer         ao Brasil, mas, não se sabe por que cargas d’água,
                                                              com a              como ele mesmo diz, foi estudar publicidade.
                                                              luminária          Durante a faculdade, trabalhou como modelo,
                                                              Polvo, feita       usando o dinheiro que ganhava para comprar
                                                              com galhos         máquinas – alojadas na casa de sua mãe até
                                                              de aroeira e       2006.Só então,no últimoano da faculdade,deci-
                                                              hastes flexíveis   diu levar a brincadeira a sério e começou a criar
                                                              para apoiar        peças de madeira em um barracão em São Paulo.
                                                              as lâmpadas,         Até 2009, dividiu seu trabalho entre produ-
                                                              parte de           tos industriais e seriados, feitos com madeira
                                                              seu acervo         comercial, e criações mais artísticas, de peças
                                                              pessoal.           únicas e elaboradas, desenvolvidas na oficina
                                                              Acima, a           que montou na fazenda de uma tia em Agudos,
                                                              fruteira Cactus,   distante 311 km a oeste de São Paulo. Quando
                                                              com bastões        resolveu mudar para lá de vez, definiu uma no-
                                                              de peroba de       va linha para sua produção: uma mistura de
                                                              demolição          peças orgânicas, geralmente feitas com peda-
                                                              torneados que      ços de madeira bruta, combinadas a partes in-
                                                              podem ser          dustrializadas; característica bem visível na lu-
                                                              pintados de        minária Polvo, do acervo pessoal de Dias, feita
                                                              várias cores       com aroeira reaproveitada, hastes de aço flexí-
                                                              (R$ 260, sob       vel e globos de alumínio.
                                                              encomenda)           “Gosto dessa peça, que de dia é uma escultu-

Materia estadao a 2012

  • 1.
    %HermesFileInfo:M-14:20120311: 14 O ESTADO DE S. PAULO 11 A 17 DE MARÇO DE 2012 casa Fábrica de peças únicas Gustavo Dias busca no campo a inspiração para seus móveis e acessórios de madeira Ana Paula Garrido / REPORTAGEM stimulado a usar a habilidade ma- E nual em casa, seja para consertar um liquidificador, seja para fazer uma rampa de skate, Gustavo Dias até percorreu outros cami- nhos em sua vida. Tentou virar tenista profissional nos Estados Unidos, trabalhou como modelo e se formou em teatro e publicidade. No entanto, o contato com a madeira sempre o perseguiu. “Desde mo- leque, lixava alguma coisa, mas sem pretensão nenhuma”, conta. Na época, era apenas um hobby, herdado do pai. Depois, aos 16 anos, foi aos Estados Unidos para um intercâmbio e morou na casa de outro marceneiro nas horas vagas. Lá, na escola, tam- bém teve aulas de introdução à escultura. Che- b gou a fazer outros cursos nessa linha, já de volta O designer ao Brasil, mas, não se sabe por que cargas d’água, com a como ele mesmo diz, foi estudar publicidade. luminária Durante a faculdade, trabalhou como modelo, Polvo, feita usando o dinheiro que ganhava para comprar com galhos máquinas – alojadas na casa de sua mãe até de aroeira e 2006.Só então,no últimoano da faculdade,deci- hastes flexíveis diu levar a brincadeira a sério e começou a criar para apoiar peças de madeira em um barracão em São Paulo. as lâmpadas, Até 2009, dividiu seu trabalho entre produ- parte de tos industriais e seriados, feitos com madeira seu acervo comercial, e criações mais artísticas, de peças pessoal. únicas e elaboradas, desenvolvidas na oficina Acima, a que montou na fazenda de uma tia em Agudos, fruteira Cactus, distante 311 km a oeste de São Paulo. Quando com bastões resolveu mudar para lá de vez, definiu uma no- de peroba de va linha para sua produção: uma mistura de demolição peças orgânicas, geralmente feitas com peda- torneados que ços de madeira bruta, combinadas a partes in- podem ser dustrializadas; característica bem visível na lu- pintados de minária Polvo, do acervo pessoal de Dias, feita várias cores com aroeira reaproveitada, hastes de aço flexí- (R$ 260, sob vel e globos de alumínio. encomenda) “Gosto dessa peça, que de dia é uma escultu-