USO MEDICINAL DA MACONHA
• Estatísticas da Organização Mundial de Saúde (OMS):
 Em todo o mundo, mais de 50% de todos os medicamentos
receitados são dispensáveis ou são vendidos de forma inadequada.
 Cerca de 1/3 da população mundial tem carência no acesso a
medicamentos essenciais.
 Em todo mundo, 50% dos pacientes tomam medicamentos de
forma incorreta.
 Dr. Google.
• Informação e preconceito;
• Controle do Estado;
• A comunidade científica começou a estudar a maconha
a sério em 1964. Nesse ano, o pesquisador Raphael
Mechoulan, da Universidade de Tel Aviv, em Israel,
extraiu da erva natural uma substância chamada delta-
9-tetraidrocanabinol. Era o THC, o principal
responsável pelos efeitos da Cannabis sativa (nome
científico da planta de maconha). Como também
aprendeu a sintetizar o THC, Mechoulan viabilizou,
pela primeira vez, o estudo sistemático de suas ações
no corpo humano.
• Após a descoberta de Mechoulen, a indústria voltou a
se empenhar e, logo no início dos anos 70, surgiram os
primeiros remédios à base de THC sintético, cujo uso é
autorizado, em casos especiais, na Europa e nos
Estados Unidos. Dois deles são fabricados atualmente:
o canadense Nabilone e o americano Marinol. Em
forma de cápsulas, eles ocuparam um mercado em
crescimento: o dos pacientes de câncer e de Aids. É
verdade que o THC também é benéfico em outros
casos. Mas foi a gravidade dessas duas doenças que
justificou a atenção dada à maconha como recurso
terapêutico.
• A canabis não cura o câncer ou a Aids. O que ela faz
com eficiência é aliviar o sofrimento decorrente dessas
doenças. A partir de 1975, os médicos perceberam que
o THC ajudava a superar crises de náusea e vômitos
provocadas pela quimioterapia, tratamento que busca
controlar os tumores cancerígenos. O mal-estar que
decorre da quimioterapia pode se tornar intolerável se
não for controlado e há pacientes que não conseguem
dar continuidade ao tratamento.
• No caso da Aids, o efeito mais importante é o de
estimular o apetite. Pacientes de Aids perdem em
média 4 quilos por mês e podem morrer de
desnutrição. O desejo de comer vem com a ajuda do
THC. Alguns recorrem às cápsulas e outros aos
cigarros, que continuam proibidos na maioria dos
países.
• Claro, isso não significa que ela seja indispensável.
Mesmo porque há outros medicamentos disponíveis.
Um exemplo, no caso do câncer, é a substância
odonsetron, muito receitada. Em comparação, o
Marinol tem eficiência apenas moderada, diz o
oncologista brasileiro Sérgio Simon. Outro problema é
que nem todos toleram os efeitos não medicinais do
THC. São comuns os acessos de riso, moleza no corpo
ou boca seca.
• Uruguai, Chile, Canadá, Israel, 24 estados dos EUA,
Áustria, Bélgica, Finlândia, República Tcheca,
Espanha, Holanda e Suíça são alguns exemplos de
lugares do mundo onde já é possível comprar com
relativa facilidade medicamentos feitos à base de
cannabis, extratos da planta ou a erva in natura.
• No Brasil, desde 2006 a legislação brasileira já afirma a
possibilidade do uso medicinal legal através de
autorização especial emitida pela Agência Nacional de
Vigilância Sanitária.
• No início de 2015 a Anvisa iniciou a regulamentação da
importação de produtos contendo CBD, um dos
fitocannabinoides mais conhecidos. No entanto,
existem milhões de brasileiros que poderiam se
beneficiar do uso de fármacos contendo esse e outros
princípios ativos da planta.
• Essas pessoas não são informadas a esse respeito,
nem sequer têm garantidos seus direitos de acesso ao
medicamento. Além disso, os poucos que têm
conseguido autorização da Anvisa têm sido obrigados
a importar o medicamento a custos altíssimos, já que
não há produtores no Brasil autorizados a cultivar e
comercializar os produtos.
• O Brasil, por adotar uma política proibicionista severa,
está obstruindo não apenas os usos medicinais
legítimos. Está também negando aos pacientes acesso
ao tratamento e impedindo o desenvolvimento do
conhecimento científico nacional a respeito da
maconha medicinal.
• Desde o início da colonização até o início do século 20,
muitos brasileiros cultivaram legalmente maconha em
diversas regiões do país, inclusive o próprio governo,
por meio da Real Feitoria do Linho-Cânhamo.
• As produções tinham como objetivo principal a
extração das fibras das plantas. À época, principal
cultivo têxtil no mundo. Mas o cultivo era tão difundido
culturalmente que também havia muitos usos para fins
medicinais, e suas sementes eram usadas como
alimento humano e matéria-prima do óleo combustível
para lamparinas, dentre outros usos registrados em
documentos.
Não durma no ponto...
Intervenções possíveis:
• Governo: maior disponibilidade de remédio à base de THC e
canabidiol, mas com controle, como os feitos com os remédios de tarja
preta; bem como a regulamentação e a divulgação de hortas para
plantação de maconha com fins medicinais;
• Insumos públicos para importação e barateamento desses remédios;
• ONGs: campanhas midiáticas de esclarecimento e desmistificação à
população do uso medicinal da maconha;
• Projetos de extensão universitária das faculdades de Ciências
Biológicas e Farmácia de ciclos de palestras abertas à comunidade
sobre os efeitos de drogas psicotrópicas e o uso consciente da
medicina medicinal.
Professor Jason Lima

Isolado over 2016 tema 1 - maconha medicinal

  • 1.
  • 2.
    • Estatísticas daOrganização Mundial de Saúde (OMS):  Em todo o mundo, mais de 50% de todos os medicamentos receitados são dispensáveis ou são vendidos de forma inadequada.  Cerca de 1/3 da população mundial tem carência no acesso a medicamentos essenciais.  Em todo mundo, 50% dos pacientes tomam medicamentos de forma incorreta.  Dr. Google.
  • 3.
    • Informação epreconceito; • Controle do Estado;
  • 4.
    • A comunidadecientífica começou a estudar a maconha a sério em 1964. Nesse ano, o pesquisador Raphael Mechoulan, da Universidade de Tel Aviv, em Israel, extraiu da erva natural uma substância chamada delta- 9-tetraidrocanabinol. Era o THC, o principal responsável pelos efeitos da Cannabis sativa (nome científico da planta de maconha). Como também aprendeu a sintetizar o THC, Mechoulan viabilizou, pela primeira vez, o estudo sistemático de suas ações no corpo humano.
  • 5.
    • Após adescoberta de Mechoulen, a indústria voltou a se empenhar e, logo no início dos anos 70, surgiram os primeiros remédios à base de THC sintético, cujo uso é autorizado, em casos especiais, na Europa e nos Estados Unidos. Dois deles são fabricados atualmente: o canadense Nabilone e o americano Marinol. Em forma de cápsulas, eles ocuparam um mercado em crescimento: o dos pacientes de câncer e de Aids. É verdade que o THC também é benéfico em outros casos. Mas foi a gravidade dessas duas doenças que justificou a atenção dada à maconha como recurso terapêutico.
  • 7.
    • A canabisnão cura o câncer ou a Aids. O que ela faz com eficiência é aliviar o sofrimento decorrente dessas doenças. A partir de 1975, os médicos perceberam que o THC ajudava a superar crises de náusea e vômitos provocadas pela quimioterapia, tratamento que busca controlar os tumores cancerígenos. O mal-estar que decorre da quimioterapia pode se tornar intolerável se não for controlado e há pacientes que não conseguem dar continuidade ao tratamento.
  • 8.
    • No casoda Aids, o efeito mais importante é o de estimular o apetite. Pacientes de Aids perdem em média 4 quilos por mês e podem morrer de desnutrição. O desejo de comer vem com a ajuda do THC. Alguns recorrem às cápsulas e outros aos cigarros, que continuam proibidos na maioria dos países.
  • 10.
    • Claro, issonão significa que ela seja indispensável. Mesmo porque há outros medicamentos disponíveis. Um exemplo, no caso do câncer, é a substância odonsetron, muito receitada. Em comparação, o Marinol tem eficiência apenas moderada, diz o oncologista brasileiro Sérgio Simon. Outro problema é que nem todos toleram os efeitos não medicinais do THC. São comuns os acessos de riso, moleza no corpo ou boca seca.
  • 13.
    • Uruguai, Chile,Canadá, Israel, 24 estados dos EUA, Áustria, Bélgica, Finlândia, República Tcheca, Espanha, Holanda e Suíça são alguns exemplos de lugares do mundo onde já é possível comprar com relativa facilidade medicamentos feitos à base de cannabis, extratos da planta ou a erva in natura.
  • 14.
    • No Brasil,desde 2006 a legislação brasileira já afirma a possibilidade do uso medicinal legal através de autorização especial emitida pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária. • No início de 2015 a Anvisa iniciou a regulamentação da importação de produtos contendo CBD, um dos fitocannabinoides mais conhecidos. No entanto, existem milhões de brasileiros que poderiam se beneficiar do uso de fármacos contendo esse e outros princípios ativos da planta.
  • 15.
    • Essas pessoasnão são informadas a esse respeito, nem sequer têm garantidos seus direitos de acesso ao medicamento. Além disso, os poucos que têm conseguido autorização da Anvisa têm sido obrigados a importar o medicamento a custos altíssimos, já que não há produtores no Brasil autorizados a cultivar e comercializar os produtos.
  • 17.
    • O Brasil,por adotar uma política proibicionista severa, está obstruindo não apenas os usos medicinais legítimos. Está também negando aos pacientes acesso ao tratamento e impedindo o desenvolvimento do conhecimento científico nacional a respeito da maconha medicinal.
  • 18.
    • Desde oinício da colonização até o início do século 20, muitos brasileiros cultivaram legalmente maconha em diversas regiões do país, inclusive o próprio governo, por meio da Real Feitoria do Linho-Cânhamo. • As produções tinham como objetivo principal a extração das fibras das plantas. À época, principal cultivo têxtil no mundo. Mas o cultivo era tão difundido culturalmente que também havia muitos usos para fins medicinais, e suas sementes eram usadas como alimento humano e matéria-prima do óleo combustível para lamparinas, dentre outros usos registrados em documentos.
  • 19.
    Não durma noponto...
  • 20.
    Intervenções possíveis: • Governo:maior disponibilidade de remédio à base de THC e canabidiol, mas com controle, como os feitos com os remédios de tarja preta; bem como a regulamentação e a divulgação de hortas para plantação de maconha com fins medicinais; • Insumos públicos para importação e barateamento desses remédios; • ONGs: campanhas midiáticas de esclarecimento e desmistificação à população do uso medicinal da maconha; • Projetos de extensão universitária das faculdades de Ciências Biológicas e Farmácia de ciclos de palestras abertas à comunidade sobre os efeitos de drogas psicotrópicas e o uso consciente da medicina medicinal.
  • 21.