Prof.ª Louise Leite
Literatur
a
O que é gênero literário?
São formas textuais que se agrupam por
similaridade e que, partindo de um núcleo comum,
sofrem alterações, ao longo do tempo, em
atendimento às necessidades de expressão dos
escritores de diferentes gerações.
Vamos verificar como se desenvolveu a história dos
gêneros literários.
Na Antiguidade Clássica os textos literários
dividiam em três gêneros:
GÊNERO LÍRICO
GÊNERO DRAMÁTICO
GÊNERO ÉPICO
Gênero Lírico
Segundo Aristóteles é a
palavra cantada
•Seu nome vem de lira, instrumento musical que acompanhava os
cantos dos gregos;
•Textos de caráter emocional, centrados na subjetividade dos
sentimentos da alma. Tem a presença do “eu-lírico”, a voz que fala
no poema;
•Na contemporaneidade, o gênero lírico continua sendo um tipo
de texto que trabalha as emoções, sensações, impressões, contudo
a lira deixou de ser necessária;
•Essa separação entre poesia e música começou no séc. XV, depois
da invenção da imprensa, quando a cultura letrada passou a ter
mais destaque e importância social do que a cultura oral;
•Segundo Hegel, seu conteúdo "é a maneira como a alma, com
seus juízos subjetivos, alegrias e admirações, dores e sensações,
toma consciência de si mesma no âmago deste conteúdo“;
•Predominam as palavras e pontuações de 1ª pessoa.
Poema composto por 14 versos, que são
tradicionalmente organizados em duas estrofes
de quatro versos (quartetos) e duas estrofes de
três versos (tercetos). Sua origem é italiana, e
seus primeiros e principais representantes
foram Petrarca e Dante Alighieri. No Brasil,
Vinicius de Moraes (1913-1980) foi grande
adepto dessa forma, bem como Paulo
Henriques Britto (1951-), grande poeta e
tradutor contemporâneo, que conferiu nova
roupagem ao soneto. A seguir, no poema de
Olavo Bilac (1865-1918), pode-se verificar as
SONETO
Existem várias classificações
de textos líricos. Veja as que
mais se destacam:
Via Láctea
“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto...
E conversamos toda a noite, enquanto
A Via Láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.
Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”
E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”
BILAC, Olavo; LAJOLO, Marisa.
Os melhores poemas de Olavo Bilac. São Paulo:
Embora os sonetos sejam
tradicionalmente organizados em
dois quartetos e dois tercetos, é
importante destacar que essa
disposição não é a única possível.
Os sonetos podem apresentar
várias outras formas de
distribuição dos 14 versos. William
Shakespeare, por exemplo, optou
também por sonetos
monostróficos, ou seja, que
apresentam uma única estrofe:
Soneto 116
Não deixe que eu levante obstáculos contra um casamento
De mentes sinceras, pois amor não é amor
Se muda diante das mudanças
Ou se se permite remover quando alguém tenta removê-lo:
Ah, não! Trata-se de um marco eterno
Que encara as tempestades sem se balançar;
É a estrela-guia de toda embarcação errante;
Cujo valor é desconhecido, ainda que sua altura possa ser medida.
O amor não está à mercê do tempo, ainda que lábios e bochechas róseos
Sucumbam ao balançar de sua foice.
O amor não se altera com o passar de breves horas e semanas,
Mas se sustenta até o fim dos tempos.
Se eu estiver enganado, e isso se provar,
Então nunca escrevi, e nenhum homem jamais amou.
SHAKESPEARE, William.
Poema surgido na Grécia Antiga, que aborda
acontecimentos tristes e, frequentemente, era
associado a cantos fúnebres. Em geral, possui um
tom macabro, melancólico e pessimista, além de
conter aforismos, regras morais e sentenças
máximas para acentuar ou amenizar o desalento do
eu lírico. Essa descrença presente nas elegias pode
aparecer associada a decepções amorosas,
familiares, sociais ou políticas. Tente perceber, por
exemplo, o tom triste e elegíaco nos versos do poeta
austríaco Rainer Maria Rilke (1875-1926). Em
“Primeira Elegia”, da obra Elegias de Duíno, que é
considerada uma obra-prima da Literatura, o poeta,
ao retratar a angústia dos anjos, esses seres que, na
mitologia grega, transitam entre o céu e a Terra e
carregam as mensagens de deuses, relembra a
própria angústia humana, especialmente relacionada
à morte.
ELEGIA
Primeira Elegia
Quem, se eu gritasse, entre as legiões dos
Anjos
me ouviria? E mesmo que um deles me
tomasse
inesperadamente em seu coração, aniquilar-
me-ia sua existência demasiado forte. Pois que
é o Belo senão o grau do Terrível que ainda
suportamos e que admiramos porque,
impassível, desdenha destruir-nos? Todo Anjo
é terrível.
E eu me contenho, pois, e reprimo o apelo
do meu soluço obscuro. Ai, quem nos poderia
valer? Nem Anjos, nem homens
e o intuitivo animal logo adverte
que para nós não há amparo
neste mundo definido.
Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Primeira
Elegia.Trad.: Dora Ferreira da Silva
Poema também originado na Grécia Antiga que possui o
objetivo de exaltar ou mesmo louvar pessoas, episódios,
sentimentos, etc. Por isso, é comum encontrar nas odes
uma linguagem exaltatória e entusiasta. Na ode a seguir,
Álvaro de Campos – heterônimo de Fernando Pessoa –
enaltece o progresso tecnológico do início do século XX.
Perceba no fragmento a linguagem eloquente e pomposa
empregada pelo poeta.
ODE
Forma poética de origem oriental
caracterizada pela brevidade. Apresenta
tradicionalmente três versos: o primeiro
com cinco sílabas poéticas, o segundo com
sete e o terceiro com cinco. Normalmente,
os haicais retratam cenas da natureza e
episódios relacionados às estações do ano,
conforme pode ser visto no seguinte
exemplo, um haicai do poeta japonês
Matsuo Bashô:
Noite de primavera
As cerejeiras! Para elas
A aurora despontou
MOISÉS, Massaud. Dicionário de termos
literários. São Paulo: Cultrix, 1974.
Na literatura brasileira, muitos poetas
modernistas criaram haicais. Dentre eles, merece
destaque o escritor paulista Guilherme de
Almeida, que difundiu, no início do século XX,
essa forma de composição poética, conforme
pode ser visto nos versos a seguir:
Pescaria
Cochilo. Na linha
eu ponho a isca de um sonho.
Pesco uma estrelinha.
ALMEIDA, Guilherme de. Melhores poemas de
Guilherme de Almeida. São Paulo: Global Editora,
2015.
HAICAI
• O que é “épico”?
A palavra “épico” indica algo heróico, elevado, e tem relação
com obras famosas do passado que contavam, em versos,
feitos heróicos de um povo.
Exemplo: As epopeias — poemas longos que narram as
grandes façanhas de heróis e deuses, como a Ilíada e a
Odisséia.
•Na estrutura do gênero narrativo temos: o narrador, o qual
conta a história praticada por outros no passado; o enredo, a
sucessão de acontecimentos; as personagens, em torno das
quais giram os fatos; o tempo, o qual geralmente se
apresenta no passado e o espaço, local onde se dá a ação
das personagens.
•Entre os textos que compõem esse gênero, merecem
destaque a fábula, o romance, o conto, a crônica e a
Gênero Épico ou Narrativo
Segundo Aristóteles é a
palavra narrada
Poema narrativo extenso com caráter
heroico e grandioso.
Protagonizada por deuses e heróis que
defendem seus povos.
Estrutura tradicional em 5 partes:
1.Proposição – apresentação do tema;
2.Invocação – pedido de inspiração às
divindades;
3.Dedicatória – agradecimento aos
patrocinadores;
4.Narração – descrição das façanhas dos
heróis;
5.Epílogo – conclusão da história.
Epopeia Entre as epopeias mais famosas, destacam-se:
• Ilíada e Odisseia, poemas épicos gregos
atribuídos a Homero.
Ilíada
Narra a guerra de Troia, especialmente a fúria
de Aquiles, herói grego. Mostra o conflito
entre gregos e troianos, com participação dos
deuses.
Odisseia
Relata o retorno de Ulisses (Odisseu) para
casa após a guerra de Troia, enfrentando
monstros, deuses e desafios durante 10 anos.
• Os Lusíadas, de Luís de Camões,
Conta as aventuras de Vasco da Gama na
descoberta do caminho marítimo para as
Índias, exaltando os feitos heroicos do povo
português.
Narrativa de caráter didático e pedagógico,
cujas personagens são animais que
possuem características de seres humanos,
tais como a capacidade de falar, refletir,
criticar, etc. Nas fábulas, os enredos
buscam transmitir um ensinamento, que
normalmente torna-se evidente no fim das
histórias, trecho em que o autor se
preocupa em deixar uma lição de moral.
No Brasil, um grande escritor que se
destacou na produção de fábulas foi
Monteiro Lobato. Outro importante
escritor que se dedicou a essas narrativas
foi o carioca Millor Fernandes.
Fábula A LEBRE E A TARTARUGA
A lebre, orgulhosa da sua
velocidade, desafiou a tartaruga
para uma corrida. A lebre, confiante,
parou para descansar durante a
corrida, enquanto a tartaruga, lenta
mas constante, avançava. Quando a
lebre acordou, já era tarde: a
tartaruga havia chegado à meta.
Moral: Mais vale a perseverança do
que a velocidade.
Tipo de narração tradicionalmente
breve, conciso. Por isso, o enredo
possui apenas um núcleo narrativo
e enfoca apenas o que é essencial,
deixando de lado muitos detalhes
acerca dos episódios retratados.
Além disso, apresenta um número
reduzido de personagens,
diferenciando-se, nesse aspecto,
dos romances. Na literatura
brasileira, muitos autores
consagraram-se como grandes
contistas, tais como Machado de
Assis, Guimarães Rosa, Clarice
Lispector e Murilo Rubião.
Conto
Conto de Fadas para Mulheres Modernas
Luis Fernando Verissimo
Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda
princesa, independente e cheia de autoestima que,
enquanto contemplava a natureza e pensava em como o
maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as
conformidades ecológicas, se deparou com uma rã.
Então, a rã pulou para o seu colo e disse:
— Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Mas
uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me
nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me
transformar de novo num belo príncipe, e poderemos casar
e constituir um lar feliz no teu lindo castelo. Minha mãe
poderá vir morar conosco, e tu poderás preparar o meu
jantar, lavar as minhas roupas, criar os nossos filhos e
viveremos felizes para sempre...
E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã
(sauté), acompanhadas de um cremoso molho acebolado e
de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava:
— Eu, hein? Nem morta!
A crônica é um gênero híbrido que transita entre
a literatura e o jornalismo, combinando traços da
notícia e do artigo de opinião. Originalmente
publicada em jornais, foi por muito tempo
considerada um gênero menor pela crítica
literária devido ao seu caráter passageiro e
cotidiano. No entanto, a partir do final do século
XX, ganhou prestígio ao ser publicada em livros e
analisada com mais profundidade pelos
estudiosos. Caracteriza-se por sua linguagem
flexível, tom reflexivo e uso de recursos
metalinguísticos. No Brasil, cronistas como
Clarice Lispector, Carlos Heitor Cony, Fernando
Sabino e Rubem Braga se destacaram nesse
gênero. Carlos Heitor Cony, inclusive, observa a
evolução histórica da crônica, abordando-a de
forma diacrônica, ou seja, analisando suas
transformações ao longo do tempo.
Crônica
OUTRO DE ELEVADOR / LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO
"Ascende" dizia o ascensorista. Depois: "Eleva-se". "Para
cima". "Para o alto". "Escalando". Quando perguntavam
"Sobe ou desce?" respondia "A primeira alternativa".
Depois dizia "Descende", "Ruma para baixo", "Cai
controladamente", "A segunda alternativa"... "Gosto de
improvisar", justificava-se. Mas como toda arte tende
para o excesso, chegou ao preciosismo. Quando
perguntavam "Sobe?" respondia "É o que veremos..."
ou então "Como a Virgem Maria". Desce? "Dei" Nem
todo o mundo compreendia, mas alguns o instigavam.
Quando comentavam que devia ser uma chatice
trabalhar em elevador ele não respondia "tem seus
altos e baixos", como esperavam, respondia,
criticamente, que era melhor do que trabalhar em
escada, ou que não se importava embora o seu sonho
fosse, um dia, comandar alguma coisa que andasse
para os lados... E quando ele perdeu o emprego porque
substituíram o elevador antigo do prédio por um
moderno, automático, daqueles que têm música
ambiental, disse: "Era só me pedirem ― eu também
canto!"
É uma narrativa de menor extensão
do que o romance e possui, em sua
estrutura, apenas um núcleo
narrativo. Diferencia-se dos contos
por apresentar um maior
desenvolvimento de enredo e um
maior número de personagens. No
Brasil, merecem destaque as
novelas A hora da estrela, de Clarice
Lispector, e um copo de cólera, de
Raduan Nassar. É importante que
não se confunda novela com
telenovela, a qual se enquadra no
gênero dramático.
Novela
1. “A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água” – Jorge
Amado
Resumo: Quincas, um funcionário público aposentado,
abandona a vida convencional e passa a viver entre
vagabundos e boêmios. Após sua morte, amigos decidem
“reviver” o corpo numa última noite de farra.
Características da novela: narrativa linear, poucos personagens
centrais, trama concentrada num curto espaço de tempo, com
final surpreendente.
2. “A Terceira Margem do Rio” – Guimarães Rosa
Resumo: Um pai, de forma enigmática, decide viver para
sempre num barco no meio do rio, gerando forte impacto
emocional no filho que narra a história.
Características: curta, intensa, centrada num núcleo familiar,
cheia de simbolismos e linguagem poética.
3. “O Alienista” – Machado de Assis
Resumo: Simão Bacamarte funda um hospício para estudar a
loucura, mas sua definição de sanidade se torna cada vez mais
questionável.
Características: estrutura enxuta, crítica social e científica,
humor irônico e final inesperado.
Drama, do grego drama, significa “ação”.
Nesse gênero, a ação predomina sobre a
narração.
Em vez de ser contada por um narrador, a
história é representada no palco por
atores que encenam as personagens.
O texto dramático se constrói por meio de
diálogos, seguindo uma sequência
rigorosa de cenas.
Exemplo:
Veja a seguir um fragmento da peça de
José de Alencar, que mostra como a
história se desenvolve no gênero
dramático.
Gênero Dramático
Segundo Aristóteles é a
palavra representada.
AZEVEDO – ... Não há arte em nosso país.
ALFREDO – A arte existe, Sr. Azevedo, o que não existe é o
amor dela.
AZEVEDO – Sim, faltam os artistas.
ALFREDO – Faltam os homens que os compreendam; e
sobram aqueles que só acreditam e estimam o que vem do
estrangeiro (...)
ALENCAR, José de. O demônio familiar. Campinas; São Paulo:
Pontes, 2003. p. 63.
Em nosso dia a dia, consumimos diversas
manifestações do gênero dramático:
telenovelas, filmes, séries, minisséries e até
reality shows.
Essas produções são formas modernas de
representação da ação humana por meio de
personagens, conflitos e emoções, assim
como ocorre no teatro clássico.
Para ampliarmos nosso entendimento, veja a
seguir algumas vertentes do gênero
dramático
Gênero Dramático no Cotidiano
Tragédia
Encena episódios que despertam
horror e compaixão. Os
personagens enfrentam forças
opostas e, movidos pela emoção,
fazem sacrifícios pessoais em
nome do bem coletivo. Ao
renunciar ao egoísmo e agir em
favor da sociedade, tornam-se
heróis trágicos. O público
vivencia sentimentos intensos,
como piedade e temor, e
experimenta a catarse — uma
espécie de purificação
emocional.
Trecho da tragédia Medeia – Eurípides (431
a.C.)
(Cena em que Medeia, traída por seu
marido Jasão, expressa sua dor e revolta)
MEDEIA – Ó Zeus! Porque me destes essa
alma sensível e tão profunda?
Se ao menos fosse mais dura, se ao menos
fosse menos mãe!
Agora... resta-me apenas a dor, e um
coração partido por confiar no homem
errado.
Reflexão: Perceba como o sofrimento de
Medeia é movido por um impulso
passional e extremo, revelando a essência
trágica da personagem: o conflito entre
amor, traição e vingança.
Comédia
Diferentemente da tragédia, as
comédias abordam cenas leves e
humorísticas, geralmente
protagonizadas por personagens
caricatos e exagerados — como os
bufões, clowns ou tipos picarescos.
Esses personagens revelam o que há de
ridículo, patético ou contraditório nas
pessoas e na sociedade.
No Brasil, as comédias começaram a se
popularizar no século XIX, e um dos
principais nomes desse movimento foi o
escritor romântico Martins Pena, que
satirizava os costumes da elite por meio
de situações cotidianas engraçadas.
No fragmento da peça Os dous ou o
inglês maquinista, Martins Pena ironiza
os hábitos afrancesados das elites
Cena XI [...]
CLEMÊNCIA - As mestras da Júlia estão muito contentes com ela. Está
muito adiantada. Fala francês e daqui a dois dias não sabe mais falar
português.
FELÍCIO - Belo adiantamento.
CLEMÊNCIA - É muito bom colégio. Júlia, cumprimenta aqui o senhor em
francês. JÚLIA - Ora, mamã.
CLEMÊNCIA - Faça-se de tola!
JÚLIA - Bon jour, Monsieur, comment vous portez- vous? Je suis votre
serviteur.
JOÃO - Oui. Está muito adiantada. EUFRÁSIA – É verdade. -
CLEMÊNCIA - Como é mesa em francês?
JÚLIA - Table.
CLEMÊNCIA - Pescoço?
JÚLIA - Cou.
CLEMÊNCIA - Menina!
JÚLIA - É cou mesmo, mamã; não é primo? Não é cou que significa?
CLEMÊNCIA - Está bom, basta.
EUFRÁSIA - Estes franceses são tão porcos. Ora veja, chamar o pescoço,
que está ao pé da cara, com este nome tão feio.
PENA, Martins. Disponível em: <http://www.bdteatro.ufu.br> Acesso em:
22 set. 2020.
Peça curta, cujas cenas abordam temas religiosos. Muito
comum na Idade Média, esse tipo de drama esteve inicialmente
ligado às igrejas, que o utilizavam para difundir a fé e corrigir
comportamentos dos fiéis.
No Brasil, no século XVI, o padre José de Anchieta escreveu
autos com o objetivo de catequizar os indígenas, utilizando a
dramaturgia como ferramenta de ensino religioso.
Um dos autos mais conhecidos da Idade Média é o Auto da
Paixão de Cristo, que dramatiza os últimos momentos da vida
de Jesus, enfatizando sua crucificação e ressurreição para
reforçar ensinamentos cristãos.
Estrutura dos autos:
Os autos geralmente são peças curtas, divididas em cenas ou
episódios, com linguagem simples e direta. Utilizam
personagens simbólicos e cenas de fácil compreensão para
transmitir mensagens religiosas ao público leigo.
Auto
Obrigada!

Gênero Lirico, Épico e Dramático- O estudo dos gêneros literários

  • 1.
  • 2.
    O que égênero literário? São formas textuais que se agrupam por similaridade e que, partindo de um núcleo comum, sofrem alterações, ao longo do tempo, em atendimento às necessidades de expressão dos escritores de diferentes gerações. Vamos verificar como se desenvolveu a história dos gêneros literários. Na Antiguidade Clássica os textos literários dividiam em três gêneros: GÊNERO LÍRICO GÊNERO DRAMÁTICO GÊNERO ÉPICO
  • 3.
    Gênero Lírico Segundo Aristótelesé a palavra cantada •Seu nome vem de lira, instrumento musical que acompanhava os cantos dos gregos; •Textos de caráter emocional, centrados na subjetividade dos sentimentos da alma. Tem a presença do “eu-lírico”, a voz que fala no poema; •Na contemporaneidade, o gênero lírico continua sendo um tipo de texto que trabalha as emoções, sensações, impressões, contudo a lira deixou de ser necessária; •Essa separação entre poesia e música começou no séc. XV, depois da invenção da imprensa, quando a cultura letrada passou a ter mais destaque e importância social do que a cultura oral; •Segundo Hegel, seu conteúdo "é a maneira como a alma, com seus juízos subjetivos, alegrias e admirações, dores e sensações, toma consciência de si mesma no âmago deste conteúdo“; •Predominam as palavras e pontuações de 1ª pessoa.
  • 4.
    Poema composto por14 versos, que são tradicionalmente organizados em duas estrofes de quatro versos (quartetos) e duas estrofes de três versos (tercetos). Sua origem é italiana, e seus primeiros e principais representantes foram Petrarca e Dante Alighieri. No Brasil, Vinicius de Moraes (1913-1980) foi grande adepto dessa forma, bem como Paulo Henriques Britto (1951-), grande poeta e tradutor contemporâneo, que conferiu nova roupagem ao soneto. A seguir, no poema de Olavo Bilac (1865-1918), pode-se verificar as SONETO Existem várias classificações de textos líricos. Veja as que mais se destacam: Via Láctea “Ora (direis) ouvir estrelas! Certo Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto, Que, para ouvi-las, muita vez desperto E abro as janelas, pálido de espanto... E conversamos toda a noite, enquanto A Via Láctea, como um pálio aberto, Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto, Inda as procuro pelo céu deserto. Direis agora: “Tresloucado amigo! Que conversas com elas? Que sentido Tem o que dizem, quando estão contigo?” E eu vos direi: “Amai para entendê-las! Pois só quem ama pode ter ouvido Capaz de ouvir e de entender estrelas.” BILAC, Olavo; LAJOLO, Marisa. Os melhores poemas de Olavo Bilac. São Paulo:
  • 5.
    Embora os sonetossejam tradicionalmente organizados em dois quartetos e dois tercetos, é importante destacar que essa disposição não é a única possível. Os sonetos podem apresentar várias outras formas de distribuição dos 14 versos. William Shakespeare, por exemplo, optou também por sonetos monostróficos, ou seja, que apresentam uma única estrofe: Soneto 116 Não deixe que eu levante obstáculos contra um casamento De mentes sinceras, pois amor não é amor Se muda diante das mudanças Ou se se permite remover quando alguém tenta removê-lo: Ah, não! Trata-se de um marco eterno Que encara as tempestades sem se balançar; É a estrela-guia de toda embarcação errante; Cujo valor é desconhecido, ainda que sua altura possa ser medida. O amor não está à mercê do tempo, ainda que lábios e bochechas róseos Sucumbam ao balançar de sua foice. O amor não se altera com o passar de breves horas e semanas, Mas se sustenta até o fim dos tempos. Se eu estiver enganado, e isso se provar, Então nunca escrevi, e nenhum homem jamais amou. SHAKESPEARE, William.
  • 6.
    Poema surgido naGrécia Antiga, que aborda acontecimentos tristes e, frequentemente, era associado a cantos fúnebres. Em geral, possui um tom macabro, melancólico e pessimista, além de conter aforismos, regras morais e sentenças máximas para acentuar ou amenizar o desalento do eu lírico. Essa descrença presente nas elegias pode aparecer associada a decepções amorosas, familiares, sociais ou políticas. Tente perceber, por exemplo, o tom triste e elegíaco nos versos do poeta austríaco Rainer Maria Rilke (1875-1926). Em “Primeira Elegia”, da obra Elegias de Duíno, que é considerada uma obra-prima da Literatura, o poeta, ao retratar a angústia dos anjos, esses seres que, na mitologia grega, transitam entre o céu e a Terra e carregam as mensagens de deuses, relembra a própria angústia humana, especialmente relacionada à morte. ELEGIA Primeira Elegia Quem, se eu gritasse, entre as legiões dos Anjos me ouviria? E mesmo que um deles me tomasse inesperadamente em seu coração, aniquilar- me-ia sua existência demasiado forte. Pois que é o Belo senão o grau do Terrível que ainda suportamos e que admiramos porque, impassível, desdenha destruir-nos? Todo Anjo é terrível. E eu me contenho, pois, e reprimo o apelo do meu soluço obscuro. Ai, quem nos poderia valer? Nem Anjos, nem homens e o intuitivo animal logo adverte que para nós não há amparo neste mundo definido. Rainer Maria Rilke – Elegias de Duíno – Primeira Elegia.Trad.: Dora Ferreira da Silva
  • 7.
    Poema também originadona Grécia Antiga que possui o objetivo de exaltar ou mesmo louvar pessoas, episódios, sentimentos, etc. Por isso, é comum encontrar nas odes uma linguagem exaltatória e entusiasta. Na ode a seguir, Álvaro de Campos – heterônimo de Fernando Pessoa – enaltece o progresso tecnológico do início do século XX. Perceba no fragmento a linguagem eloquente e pomposa empregada pelo poeta. ODE
  • 8.
    Forma poética deorigem oriental caracterizada pela brevidade. Apresenta tradicionalmente três versos: o primeiro com cinco sílabas poéticas, o segundo com sete e o terceiro com cinco. Normalmente, os haicais retratam cenas da natureza e episódios relacionados às estações do ano, conforme pode ser visto no seguinte exemplo, um haicai do poeta japonês Matsuo Bashô: Noite de primavera As cerejeiras! Para elas A aurora despontou MOISÉS, Massaud. Dicionário de termos literários. São Paulo: Cultrix, 1974. Na literatura brasileira, muitos poetas modernistas criaram haicais. Dentre eles, merece destaque o escritor paulista Guilherme de Almeida, que difundiu, no início do século XX, essa forma de composição poética, conforme pode ser visto nos versos a seguir: Pescaria Cochilo. Na linha eu ponho a isca de um sonho. Pesco uma estrelinha. ALMEIDA, Guilherme de. Melhores poemas de Guilherme de Almeida. São Paulo: Global Editora, 2015. HAICAI
  • 9.
    • O queé “épico”? A palavra “épico” indica algo heróico, elevado, e tem relação com obras famosas do passado que contavam, em versos, feitos heróicos de um povo. Exemplo: As epopeias — poemas longos que narram as grandes façanhas de heróis e deuses, como a Ilíada e a Odisséia. •Na estrutura do gênero narrativo temos: o narrador, o qual conta a história praticada por outros no passado; o enredo, a sucessão de acontecimentos; as personagens, em torno das quais giram os fatos; o tempo, o qual geralmente se apresenta no passado e o espaço, local onde se dá a ação das personagens. •Entre os textos que compõem esse gênero, merecem destaque a fábula, o romance, o conto, a crônica e a Gênero Épico ou Narrativo Segundo Aristóteles é a palavra narrada
  • 10.
    Poema narrativo extensocom caráter heroico e grandioso. Protagonizada por deuses e heróis que defendem seus povos. Estrutura tradicional em 5 partes: 1.Proposição – apresentação do tema; 2.Invocação – pedido de inspiração às divindades; 3.Dedicatória – agradecimento aos patrocinadores; 4.Narração – descrição das façanhas dos heróis; 5.Epílogo – conclusão da história. Epopeia Entre as epopeias mais famosas, destacam-se: • Ilíada e Odisseia, poemas épicos gregos atribuídos a Homero. Ilíada Narra a guerra de Troia, especialmente a fúria de Aquiles, herói grego. Mostra o conflito entre gregos e troianos, com participação dos deuses. Odisseia Relata o retorno de Ulisses (Odisseu) para casa após a guerra de Troia, enfrentando monstros, deuses e desafios durante 10 anos. • Os Lusíadas, de Luís de Camões, Conta as aventuras de Vasco da Gama na descoberta do caminho marítimo para as Índias, exaltando os feitos heroicos do povo português.
  • 11.
    Narrativa de caráterdidático e pedagógico, cujas personagens são animais que possuem características de seres humanos, tais como a capacidade de falar, refletir, criticar, etc. Nas fábulas, os enredos buscam transmitir um ensinamento, que normalmente torna-se evidente no fim das histórias, trecho em que o autor se preocupa em deixar uma lição de moral. No Brasil, um grande escritor que se destacou na produção de fábulas foi Monteiro Lobato. Outro importante escritor que se dedicou a essas narrativas foi o carioca Millor Fernandes. Fábula A LEBRE E A TARTARUGA A lebre, orgulhosa da sua velocidade, desafiou a tartaruga para uma corrida. A lebre, confiante, parou para descansar durante a corrida, enquanto a tartaruga, lenta mas constante, avançava. Quando a lebre acordou, já era tarde: a tartaruga havia chegado à meta. Moral: Mais vale a perseverança do que a velocidade.
  • 12.
    Tipo de narraçãotradicionalmente breve, conciso. Por isso, o enredo possui apenas um núcleo narrativo e enfoca apenas o que é essencial, deixando de lado muitos detalhes acerca dos episódios retratados. Além disso, apresenta um número reduzido de personagens, diferenciando-se, nesse aspecto, dos romances. Na literatura brasileira, muitos autores consagraram-se como grandes contistas, tais como Machado de Assis, Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Murilo Rubião. Conto Conto de Fadas para Mulheres Modernas Luis Fernando Verissimo Era uma vez, numa terra muito distante, uma linda princesa, independente e cheia de autoestima que, enquanto contemplava a natureza e pensava em como o maravilhoso lago do seu castelo estava de acordo com as conformidades ecológicas, se deparou com uma rã. Então, a rã pulou para o seu colo e disse: — Linda princesa, eu já fui um príncipe muito bonito. Mas uma bruxa má lançou-me um encanto e eu transformei-me nesta rã asquerosa. Um beijo teu, no entanto, há de me transformar de novo num belo príncipe, e poderemos casar e constituir um lar feliz no teu lindo castelo. Minha mãe poderá vir morar conosco, e tu poderás preparar o meu jantar, lavar as minhas roupas, criar os nossos filhos e viveremos felizes para sempre... E então, naquela noite, enquanto saboreava pernas de rã (sauté), acompanhadas de um cremoso molho acebolado e de um finíssimo vinho branco, a princesa sorria e pensava: — Eu, hein? Nem morta!
  • 13.
    A crônica éum gênero híbrido que transita entre a literatura e o jornalismo, combinando traços da notícia e do artigo de opinião. Originalmente publicada em jornais, foi por muito tempo considerada um gênero menor pela crítica literária devido ao seu caráter passageiro e cotidiano. No entanto, a partir do final do século XX, ganhou prestígio ao ser publicada em livros e analisada com mais profundidade pelos estudiosos. Caracteriza-se por sua linguagem flexível, tom reflexivo e uso de recursos metalinguísticos. No Brasil, cronistas como Clarice Lispector, Carlos Heitor Cony, Fernando Sabino e Rubem Braga se destacaram nesse gênero. Carlos Heitor Cony, inclusive, observa a evolução histórica da crônica, abordando-a de forma diacrônica, ou seja, analisando suas transformações ao longo do tempo. Crônica OUTRO DE ELEVADOR / LUÍS FERNANDO VERÍSSIMO "Ascende" dizia o ascensorista. Depois: "Eleva-se". "Para cima". "Para o alto". "Escalando". Quando perguntavam "Sobe ou desce?" respondia "A primeira alternativa". Depois dizia "Descende", "Ruma para baixo", "Cai controladamente", "A segunda alternativa"... "Gosto de improvisar", justificava-se. Mas como toda arte tende para o excesso, chegou ao preciosismo. Quando perguntavam "Sobe?" respondia "É o que veremos..." ou então "Como a Virgem Maria". Desce? "Dei" Nem todo o mundo compreendia, mas alguns o instigavam. Quando comentavam que devia ser uma chatice trabalhar em elevador ele não respondia "tem seus altos e baixos", como esperavam, respondia, criticamente, que era melhor do que trabalhar em escada, ou que não se importava embora o seu sonho fosse, um dia, comandar alguma coisa que andasse para os lados... E quando ele perdeu o emprego porque substituíram o elevador antigo do prédio por um moderno, automático, daqueles que têm música ambiental, disse: "Era só me pedirem ― eu também canto!"
  • 14.
    É uma narrativade menor extensão do que o romance e possui, em sua estrutura, apenas um núcleo narrativo. Diferencia-se dos contos por apresentar um maior desenvolvimento de enredo e um maior número de personagens. No Brasil, merecem destaque as novelas A hora da estrela, de Clarice Lispector, e um copo de cólera, de Raduan Nassar. É importante que não se confunda novela com telenovela, a qual se enquadra no gênero dramático. Novela 1. “A Morte e a Morte de Quincas Berro D’Água” – Jorge Amado Resumo: Quincas, um funcionário público aposentado, abandona a vida convencional e passa a viver entre vagabundos e boêmios. Após sua morte, amigos decidem “reviver” o corpo numa última noite de farra. Características da novela: narrativa linear, poucos personagens centrais, trama concentrada num curto espaço de tempo, com final surpreendente. 2. “A Terceira Margem do Rio” – Guimarães Rosa Resumo: Um pai, de forma enigmática, decide viver para sempre num barco no meio do rio, gerando forte impacto emocional no filho que narra a história. Características: curta, intensa, centrada num núcleo familiar, cheia de simbolismos e linguagem poética. 3. “O Alienista” – Machado de Assis Resumo: Simão Bacamarte funda um hospício para estudar a loucura, mas sua definição de sanidade se torna cada vez mais questionável. Características: estrutura enxuta, crítica social e científica, humor irônico e final inesperado.
  • 15.
    Drama, do gregodrama, significa “ação”. Nesse gênero, a ação predomina sobre a narração. Em vez de ser contada por um narrador, a história é representada no palco por atores que encenam as personagens. O texto dramático se constrói por meio de diálogos, seguindo uma sequência rigorosa de cenas. Exemplo: Veja a seguir um fragmento da peça de José de Alencar, que mostra como a história se desenvolve no gênero dramático. Gênero Dramático Segundo Aristóteles é a palavra representada. AZEVEDO – ... Não há arte em nosso país. ALFREDO – A arte existe, Sr. Azevedo, o que não existe é o amor dela. AZEVEDO – Sim, faltam os artistas. ALFREDO – Faltam os homens que os compreendam; e sobram aqueles que só acreditam e estimam o que vem do estrangeiro (...) ALENCAR, José de. O demônio familiar. Campinas; São Paulo: Pontes, 2003. p. 63.
  • 16.
    Em nosso diaa dia, consumimos diversas manifestações do gênero dramático: telenovelas, filmes, séries, minisséries e até reality shows. Essas produções são formas modernas de representação da ação humana por meio de personagens, conflitos e emoções, assim como ocorre no teatro clássico. Para ampliarmos nosso entendimento, veja a seguir algumas vertentes do gênero dramático Gênero Dramático no Cotidiano
  • 17.
    Tragédia Encena episódios quedespertam horror e compaixão. Os personagens enfrentam forças opostas e, movidos pela emoção, fazem sacrifícios pessoais em nome do bem coletivo. Ao renunciar ao egoísmo e agir em favor da sociedade, tornam-se heróis trágicos. O público vivencia sentimentos intensos, como piedade e temor, e experimenta a catarse — uma espécie de purificação emocional. Trecho da tragédia Medeia – Eurípides (431 a.C.) (Cena em que Medeia, traída por seu marido Jasão, expressa sua dor e revolta) MEDEIA – Ó Zeus! Porque me destes essa alma sensível e tão profunda? Se ao menos fosse mais dura, se ao menos fosse menos mãe! Agora... resta-me apenas a dor, e um coração partido por confiar no homem errado. Reflexão: Perceba como o sofrimento de Medeia é movido por um impulso passional e extremo, revelando a essência trágica da personagem: o conflito entre amor, traição e vingança.
  • 18.
    Comédia Diferentemente da tragédia,as comédias abordam cenas leves e humorísticas, geralmente protagonizadas por personagens caricatos e exagerados — como os bufões, clowns ou tipos picarescos. Esses personagens revelam o que há de ridículo, patético ou contraditório nas pessoas e na sociedade. No Brasil, as comédias começaram a se popularizar no século XIX, e um dos principais nomes desse movimento foi o escritor romântico Martins Pena, que satirizava os costumes da elite por meio de situações cotidianas engraçadas. No fragmento da peça Os dous ou o inglês maquinista, Martins Pena ironiza os hábitos afrancesados das elites Cena XI [...] CLEMÊNCIA - As mestras da Júlia estão muito contentes com ela. Está muito adiantada. Fala francês e daqui a dois dias não sabe mais falar português. FELÍCIO - Belo adiantamento. CLEMÊNCIA - É muito bom colégio. Júlia, cumprimenta aqui o senhor em francês. JÚLIA - Ora, mamã. CLEMÊNCIA - Faça-se de tola! JÚLIA - Bon jour, Monsieur, comment vous portez- vous? Je suis votre serviteur. JOÃO - Oui. Está muito adiantada. EUFRÁSIA – É verdade. - CLEMÊNCIA - Como é mesa em francês? JÚLIA - Table. CLEMÊNCIA - Pescoço? JÚLIA - Cou. CLEMÊNCIA - Menina! JÚLIA - É cou mesmo, mamã; não é primo? Não é cou que significa? CLEMÊNCIA - Está bom, basta. EUFRÁSIA - Estes franceses são tão porcos. Ora veja, chamar o pescoço, que está ao pé da cara, com este nome tão feio. PENA, Martins. Disponível em: <http://www.bdteatro.ufu.br> Acesso em: 22 set. 2020.
  • 19.
    Peça curta, cujascenas abordam temas religiosos. Muito comum na Idade Média, esse tipo de drama esteve inicialmente ligado às igrejas, que o utilizavam para difundir a fé e corrigir comportamentos dos fiéis. No Brasil, no século XVI, o padre José de Anchieta escreveu autos com o objetivo de catequizar os indígenas, utilizando a dramaturgia como ferramenta de ensino religioso. Um dos autos mais conhecidos da Idade Média é o Auto da Paixão de Cristo, que dramatiza os últimos momentos da vida de Jesus, enfatizando sua crucificação e ressurreição para reforçar ensinamentos cristãos. Estrutura dos autos: Os autos geralmente são peças curtas, divididas em cenas ou episódios, com linguagem simples e direta. Utilizam personagens simbólicos e cenas de fácil compreensão para transmitir mensagens religiosas ao público leigo. Auto
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