O artigo discute diferentes formas de censura na imprensa brasileira após o fim da ditadura militar. A censura nem sempre é óbvia e se esconde por trás de acordos financeiros e políticos que influenciam o conteúdo jornalístico.
BOLETIM EXPRESSO
ANO I- NÚMERO 5 Artigo Volta Redonda, de 12 a 19 de Novembro de 2010
CENSURA CAMUFLADA
Edison Júnior
Passado o período sombrio da IMAGEM DE INTERNET Bom seria se esse tipo de censura,
ditadura, a imprensa não demorou a óbvio e bem definido, fosse o único a
comemorar o fim da tão temida censura. denegrir o jornalismo. Nesse caso, a
Era o fim da figura do censor, do “filtro” sociedade protestaria, os jornalistas se
criado pelo regime militar e de um dos indignariam (como no caso da Band
maiores impedimentos à execução do Tocantins) e a luta do bem contra o mal teria
jornalismo: a impossibilidade de se papéis bem definidos outra vez. Mas
publicar livremente os fatos. Mas eis que, acontece que esses casos mais polêmicos
de repente, enquanto todos ainda e públicos não são o problema maior. Hoje,
comemoravam a vitória do bem contra o a censura não é assim tão agressiva. Muito
mal, o país se reorganiza socialmente, pelo contrário. A não ser, claro, em alguns
instaura a democracia, e, adivinhe só... lá casos específicos, como aqueles citados. O
está a censura esperando por nós outra Escondida: Censura nem sempre é aparente que acontece, na maior parte das vezes, é
vez. Mas, perguntariam alguns, não um acordo financeiro, um trato de
matamos a censura quando derrubamos a numa publicação.” Censura? Simples mudança interesses, uma “perda de vontade” do
ditadura? Infelizmente não. Enquanto os no jornal? Nesse caso, dificilmente saberemos a veiculo de denegrir a imagem de alguém,
meios de comunicação se comportarem resposta exata. ou de alguma instituição, que possa lhe ser
como empresas privadas que atendem a Em contrapartida, existem situações em que a útil de alguma forma. Grandes empresas
interesses específicos, e enquanto nosso censura não faz o menor esforço para disfarçar que veiculam suas publicidades nos
poder judiciário insistir em, vez e outra, seus interesses. Que o digam os jornalistas da jornais, políticos que apoiam ou são donos
calar a boca dos jornalistas, continuaremos emissora de TV Band Tocantins, que foram de veículos de comunicação e, até mesmo,
sendo obrigados a dar de cara com proibidos pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) laços sociais que envolvem empresários,
problemas de censura. do estado de citar o governador Carlos Gaguim políticos e meios de comunicação. Esses
Há algumas semanas, a colunista (PMDB) em sua programação. Como forma de são os censores modernos. E, na maior
Maria Rita Kehl foi demitida do jornal protesto, já que não poderiam falar sobre as parte das vezes, é esse tipo de censura,
Estadão porque criticou o voto dos peripécias do governador - envolvido em um que talvez seja o mais perigoso de todos –
eleitores de baixa renda e elogiou o caso de investigação do Ministério Público de porque geralmente não gera conflito e, por
programa Bolsa-Família, do governo São Paulo (MP-SP) sobre uma organização isso, acontece na surdina – que ameaça a
federal. Segundo ela, o jornal a demitiu criminosa que cometia fraudes em licitações credibilidade da imprensa brasileira.
porque considerou seu texto um delito de públicas - eles decidiram passar uma receita de É evidente que não se pode dizer, ao certo,
opinião. “Como é que um jornal que bolo durante o programa Notícias da Redação. quando a censura pura e simples é imposta
anuncia estar sob censura, pode demitir “Este passado opressor deve ser lembrado e quando tudo não passa de uma posição
alguém só porque a opinião da pessoa é diante desta censura imposta aos veículos de do veiculo. Exemplos das duas situações
diferente da sua?”, questionou Kehl. “A comunicação. Infelizmente, resgataram o gene não faltam por aí. De qualquer forma, o
imprensa, que tem seus interesses do AI-5 no Tocantins”, afirmou o diretor de mais importante, antes de julgar casos
econômicos, partidários, demite alguém, programação e jornalismo da emissora, isolados em busca de um “Cristo” para
demite a mim, pelo que considera um Fernando Hessel, comparando a censura sofrida pagar os pecados, seria tomar consciência
‘delito de opinião’”, indignou-se. O diretor pela emissora com aquela dos tempos da de que a censura está, sim, sendo imposta
de conteúdo do Estadão, Ricardo ditadura. Além da Band Tocantins, que ganhou aos jornalistas. E sempre esteve. O que
Gandour, retrucou: “O projeto original é ter destaque na mídia pela forma irônica e muda, hoje, é sua apresentação. Aquela
aos sábados um espaço para a surpreendente com que tratou o episódio, outros censura negra e deliberada tem pouca
psicanálise, mas não era o enfoque que se 83 veículos de comunicação também sofreram força. Hoje, o que presenciamos é a
vinha praticando. Assim, iniciou-se com a com a proibição. Além desses casos, atuação de sua irmã mais bela. Uma
autora uma discussão em torno de novos poderíamos discutir inúmeros outros. Mas, ainda censura acordada, com empresas, governo
rumos para a coluna, inclusive com a assim, parece que alguma coisa insistiria em e interesseiros, que utiliza, ao invés da
substituição da colunista, o que é normal parecer estranha, fora do l u g a r. força bruta, o dinheiro e o lobby desonesto.
2.
UNIFOA DEBATE JORNALISMOE MEMÓRIA
Clareana Assunção
O terceiro dia da II Semana da mas não tem uma noção básica de história”.
De modo geral, ao fazer uma entrevista, o
Comunicação contou com a palestrante jornalista vai buscar do entrevistado Outra questão abordada na palestra foi se o
Joüelle Rouchou, bacharel em Comunicação declarações sobre fatos já passados, para jornalista poderia ser confundido com um
Social pela PUC/RJ. Ela contou um pouco que sejam assim utilizados durante a historiador. Para ela, “o jornalista não deve
sobre a sua carreira profissional, sobre seu elaboração da matéria jornalística. Para ser confundido com um historiador. A história
dia a dia na revista Veja e sobre o Joüelle, a entrevista está diretamente é fundamental para o jornalista, é a base para
envolvimento do Jornalismo com a memória e envolvida com a nossa memória, pois é tudo, pois o jornalista precisa saber um pouco
a história. através dela que a matéria acontece. de tudo.”
Em sua palestra, Joüelle explicou que a No decorrer da palestra, Joüelle Finalizando a palestra, a jornalista e
memória trata do passado, é uma lembrança Rouchou comentou sobre a relação do pesquisadora contou um pouco sobre sua
que alguém deixa de si. Para a jornalista Jornalismo com a História. Segundo ela, a passagem pela revista Veja, e disse que a
existem dois tipos, sendo elas, a memória história seria fundadora do Jornalismo, mas o revista é tendenciosa: “ela sempre foi uma
individual e a coletiva, seria aquela que que realmente é importante é a história de revista peculiar, pois você faz a matéria,
envolve lembranças individuais e do grupo, cada pessoa para fazer uma boa matéria. A apura, mas ela é toda refeita por redatores de
onde cada pessoa oferece um pouco de si. jornalista citou algo dito por William Bonner, São Paulo, podendo os repórteres da revista
Ela ainda diz que memória não funciona onde o jornalista da Rede Globo diz que elaborar somente um relatório se for de sua
somente no futuro, mas também no presente. “novos jornalistas vão para as redações, preferência”, conclui.
ALUNOS MOSTRAM SEUS POTENCIAIS
Priscilla Vieira
Além das palestras e debates realizados
por profissionais atuantes no mercado, os
alunos de graduação fizeram no primeiro
dia uma exposição dos trabalhos
elaborados por eles com coordenação dos
professores. As exposições acadêmicas
abordaram diversos temas, como Mídias
Táticas, apresentado pela turma do 7º
período de Publicidade e Propaganda: “A
ideia é usar as ferramentas da mídia para
fazer uma crítica à mídia também, propondo
uma reflexão”', afirma Sarah Nery,
professora da disciplina de Cultura das
Mídias. A turma do 3º período de
Publicidade e Propaganda utilizou a
disciplina de Marketing, com coordenação
da professora Débora Martins, para
elaborarem o trabalho que teve como
Ex aluno compartilhou experiência de trabalho com demais alunos.
produto final a venda de cookies e
primeiro dia. Na terça feira houve um jogral curta é uma ficção falando um pouco do dia a
minipizzas. “Nosso trabalho é sobre PVD –
Pontos de Vendas – que é a trajetória de sobre literatura de cordel com os alunos do 2º dia da profissão”.
venda de um produto. Essa trajetória período da professora Maria Amália e na sexta Expediente:
engloba a escolha dos produtos, feira a turma do 1º período apresentou um Coordenação do Curso de Comunicação Social:
Rita Carvalho
propaganda, layout, merchandising, até vídeo sobre o cotidiano publicitário sob a
ACI - Agência de Comunicação Integrada
chegar no consumidor”, explica o aluno coordenação do professor Douglas. Os alunos
Professora Responsável: Angélica Arieira MtB
Vitor de Souza, que nos informou também puderam mostrar seus trabalhos também nas 28658/RJ; Rogério Martins de Souza
Disciplina: Redação jornalística II, Logística de
que a renda arrecadada nas vendas será aberturas das palestras, como o 8º período de cobertura em mídia.
destinada para a formatura da turma. Jornalismo, que apresentou o curta-metragem Acadêmicos (as): Caio Rodrigues, Clareana
Assunção,Edison Junior, Pedro Maia, Priscilla
A II Semana de Comunicação não Pirâmide Invertida, coordenado pelo professor Vieira (repórteres).
ficou limitada só com as exposições no Heitor Luz. Segundo o aluno Jader Moraes, “o 5º e 6ºPeríodo de Jornalismo