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Moderadora : samarastral@uol.com.br

Obs* Todas as mensagens abaixo forma enviadas para o grupo magia
do tarô, caso queira pegar mensagens antigas que não constam aqui,
basta entrar no site do grupo e clicar no link “ ler mensagens”.



O BÁSICO SOBRE O TARÔ



O Tarô é um baralho com 78 cartas `as quais chamamos de Arcanos ,
que se subdividem em 2 grupos : Arcanos Maiores e Arcanos Menores.
Nos Arcanos Maiores temos 22 cartas e nos Arcanos Menores,
naturalmente , 56 cartas . Existem hoje uma infinidade de Tarôs, o que
significa que muitos estudiosos, magistas e desenhistas criaram
variedades de figuras, cores e formas baseadas em um único tipo de
Tarô (O Tarô Clássico) fato esse que nos possibilita uma opção maior na
hora de escolher o Tarô que queremos jogar. Vale lembrar que dentro
dessas novas opções existem baralhos com alteração no número de
cartas, não sendo portanto o Tarô tradicional que advém do original mas
sim cartas com um sistema próprio, pois `aquele que chamamos Tarô
necessariamente deve ter 78 cartas- nem uma a mais nem menos. Afora
isso, a diversidade de nomes e ilustrações fica por conta da preferência
do tarólogo. Por isso, para quem se interessa por aprender vale dizer
que quando aprendemos a jogar um Tarô podemos utilizar qualquer
outro. Algumas pessoas preferem trabalhar e ensinar apenas um tipo de
Tarô mas certamente sabem jogar os outros. Usam um em especial por
uma questão de escolha própria.
Sua origem, quem o criou e de que forma o fez é um mistério. Muitos
pesquisadores buscaram a exatidão desses dados mas sem muito
sucesso, pois tudo o que temos são datas aproximadas.O primeiro
registro data do século XIII .Temos a Europa como o lugar mais provável
de ter sido visto pela primeira vez. A partir dessa época, foi disseminado
como jogo e ensinamento pelo mundo todo, sendo reconhecido por
estudiosos como um Livro Sagrado, cujas páginas vêm soltas, para
busca de aprofundamento e conhecimento.

Apesar de ser chamado de Oráculo, o Tarô é um jogo. Não se trata de
uma conexão direta com Deus ou um instrumento dos Deuses
manipulado por seres humanos , e sim de um baralho que possui os
quatro naipes (ouros, copas, espadas e paus) e mais 22 lâminas, citadas
anteriormente. Foi criado pelo homem ( e para o homem). Sua função é ,
entre tantas coisas, transmitir informações e conhecimentos através de
suas imagens. Qual a diferença entre um baralho comum e o Tarô? A
princípio podemos dizer que o baralho comum possui todos os naipes e
a corte ( rei, rainha e valete); o Tarô possui os naipes, a corte- com
acréscimo de mais uma carta, a princesa ou pagem- acrescentadas aos
Arcanos Maiores. Ou seja, temos 26 cartas a mais nos Arcanos
Menores, contando-se que temos nelas desenhos, imagens, figuras e
formas variadas( na maioria dos Tarôs), com diversas cores e
informações para auxiliar a interpretação dos símbolos, a intuição e a
imaginação criativa. É uma verdadeira ?chave? para a
visualização.Cada carta tem uma filosofia, uma mensagem e a
combinação delas a cada jogo é rica e diferente.

As formas e tipos de jogos também são numerosos , podemos ter uma
leitura a partir de uma carta até figuras geométricas interpretadas por
inteiro.O fato de termos muitas cartas num jogo, ou seja, abrirmos uma
série de cartas para serem interpretadas de uma só vez não significa
que tenhamos um jogo melhor ou mais completo que os outros. Existem
tarólogos que com apenas uma carta passam informações suficientes
para muito tempo de reflexão! Sendo assim o importante é aprender com
dedicação e fazer o melhor possível em seu jogo a fim de esclarecer
dúvidas ou abrir caminhos para quem os busca ( mesmo que esse
alguém seja você mesmo!!!).

Dessa forma, temos em cada lâmina um novo aprendizado, vindo
através das formas, dos números, do nome, da posição...e de muitas
outras fontes de informação.Com responsabilidade, seriedade, respeito
ao livre-arbítrio (nosso ou do consulente) e ética podemos ter no Tarô a
chave de muitas ? portas? , a saída para diversos caminhos e a busca
pelo auto-conhecimento. Tendo em mãos os elementos necessários
para um bom jogo ou leitura das cartas certamente encontraremos o que
buscamos para nós ou nosso semelhante.

REFLEXÃO COM O TARÔ




Parte 01



. . . . . .Desde os tempos mais remotos até os dias de hoje o Tarô tem
uma possibilidade vasta de uso: de um jogo divinatório até a terapia.
Muitas pessoas trabalham com as 78 cartas voltadas para o auto-
conhecimento e o aprofundamento em torno de si mesmo, expandindo
seus jogos para uma reflexão maior dos Arcanos e seus símbolos. Para
isso é necessário estudar o tarô e desejar esse processo de re-
descobrimento. A partir daí, todos os dias e a cada carta, aprendemos
mais sobre nossos comportamentos e praticamos uma nova forma de
reflexão.



Cada profissional utiliza as lâminas `a sua manei!ra, o que não altera o
resultado, uma vez que se o destino é o interior do indivíduo o caminho a
ser percorrido é da escolha de quem o fará e também de quem o guiará
ou o acompanhará nessa jornada.
Abaixo segue uma das formas simples e eficientes de se trabalhar com o
Tarô enfatizando seu uso terapêutico e individual. Serão propostos
exercícios de reflexão em 6 etapas, utilizando no máximo 5 cartas a
cada vez. Lembre-se que o ideal é realizar essa tarefa de forma sutil, ou
seja, não se obtém resultados de uma só vez. Procure fazer 1 carta por
dia, e assim, dar-se tempo de sentir a vibração própria que cada carta
proporciona. Separando os Arcanos Maiores, teremos 22 cartas. Cada
uma delas trará `a tona aspectos ligados `a nossa personalidade e `as
nossas características, ou seja, em cada carta analisada devemos
levantar seus aspectos favoráveis e desfavoráveis, ver como cada um
deles está dentro e fora de nós ( pois nem sempre aparentamos o que
realmente sentimos ou gostaríamos de aparentar) e a partir daí
buscarmos na visualização da lâmina a postura ideal para
harmonizarmos externo com interno, desejo com realidade, anseios com
receios e assim por diante. Nota: Procure fazer essa análise usando um
Tarô, pois a visualização final é importante para harmonizar os aspectos
encontrados e avaliados.



Carta I - O MAGO - Aquele que inicia tudo, que promete buscar, tem em
si o talento e as possibilidades, lidera, ousa e almeja. Trata-se de um
espírito jovem, um indivíduo que projeta e planeja, promete crescer e
realizar!!! Por outro lado, necessita de esforço e persistência para que
seu impulso se torne realidade constante... * A partir daí podemos fazer
uma re-avaliação: Como andam seus projetos, seus anseios, de que
forma os tem trabalhado e respeitado? Será que o plano mental tem
dado vazão ao plano sentimental ? Como não viver apenas num mundo
ilusório e partir para a realização e concretização das idéias???Você tem
acreditado em si mesmo??? Reflita sobre esses aspectos e tantos
outros que esse comportamento provoca...



Carta II - A SACERDOTISA - Uma mulher serena, introspectiva,
indicando postura reflexiva . Ela compreende a sabedoria que carrega
dentro de si e também o que deve estar sempre aprendendo. É a
polaridade complementar, a parceria, a concessão, o entendimento. *
Nesse contexto vale analisar como se encontra a sua reflexão, a sua
sabedoria. Você tem ouvido `a si mesmo? Tem feito sua parte no que diz
respeito `a complementar outras pessoas, fazer parceria, sem
necessidade de retorno? Sua introspecção traz bons frutos ou se torna ,
muitas vezes, divagação? Nesses momentos, nada como o silêncio para
nos ensinar a convivência com a própria sabedoria e poder assim dar
sem precisar do retorno alheio...



Carta III - A IMPERATRIZ - Uma mulher novamente serena, mais leve
em suas vestes e já atuante, mesmo sentada! Traz a noção de iniciativa
e criatividade, aquele que sabe criar e crescer, desenvolver suas idéias
com sua iniciativa. A produção - fonte inacabável que o ser humano tem
dentro de si...seus conhecimentos! * Nesses parâmetros, analise como
anda seu Universo criativo, seu Mundo das Idéias ( Não dos sonhos!) e
sua produção interna. Lembre-se da sensação que tem todas as vezes
que resolve um problema, que gera um pensamento novo diante de uma
fato antigo, da cadeia fantástica que carrega seu cérebro quando
surgem novas saídas... como anda esse Universo?



Carta IV - O IMPERADOR - Um homem que sabe sobre o controle e o
domínio. Faz seu trabalho com o coração e com precisão. Busca a
harmonia coletiva em sua rigidez e seu senso de ordem, segurando e
prendendo o que precisa ser preso para assim poder governar em paz. *
Quantas vezes fazemos o mesmo com nossos sentimentos? Ao
contrário disso, pense quantas vezes não tenta prender o seu lado
emocional e solta apenas o mental...e se fizesse o oposto? Tente
prender e segurar o processo mental que muitas vezes destrói o mesmo
sentimento que o criou! Vale a pena governar a si mesmo com o coração
solto, e a mente controlada...



CARTA V - O SACERDOTE - Um homem que atingiu o topo de sua
religiosidade ensinando aos seus discípulos o que sabe. Lida com
dogmas e princípios de forma bondosa e caridosa, sabendo o peso que
as regras limitadoras têm sobre seus instruídos. Sua fé o ensina e
motiva. * Partindo dessas palavras vale notar de que forma tem instruído
as pessoas `a sua volta... todos somos instrutores, pois temos nossa
experiência pessoal e sobre ela o conhecimento é total. Quando
ensinamos essa experiência temos importância fundamental na vida das
outras pessoas. Analise de que forma tem feito isso e se as regras estão
direcionando Através dessas 5 primeiras cartas temos o início de uma
auto-análise muito interessante. Os aspectos extraídos das lâminas são
apenas alguns, visto que a cada dia podemos encontrar novos detalhes,
novas posturas e processos. O importante aqui é iniciar uma jornada
pessoal e a partir dela buscarmos sempre novos conhecimentos dentro
de nós mesmos. O Tarô fará um papel primordial: reavivar o que sempre
soubemos e por vezes nos esquecemos que carregamos : nosso
Caminho, nossa sabedoria e o Conhecimento.

                      REFLEXÃO COM O TARÔ

Parte 02

. Nessa segunda parte faremos um trabalho diferente do texto
passado, analisaremos apenas uma carta. Por um motivo simples:
seu aspecto é por demais profundo e requer um estudo mais
detalhado.

Naturalmente não há Arcano mais importante, nem a carta somente
positiva ou negativa. Todas as cartas carregam em si o positivo e
negativo- as polaridades- sendo completas e perfeitas,
naturalmente. O fato é que algumas delas contém ensinamentos
que para nós se tornam mais delicados ! Sendo assim, existe a
necessidade de as pesquisarmos separadamente. Se separarmos
as cartas em grupos , como ensina Nei Naiff, teremos Caminhos
distintos: Da carta 1 `a 5 -Caminho da Vontade; Carta 6 - Caminho
do Livre-Arbítrio; Da carta 7 `a 11 - Caminho do Prazer ; Da carta 12
`a 16 - Caminho da Dor; Carta 17- Caminho da Esperança; da Carta
18 ao Arcano Sem Numero - Caminho da Evolução. A partir dessa
divisão, obteremos nossas reflexões. Os detalhes sobre esses
Caminhos cabem aos interessados buscarem com o próprio Nei
Naiff em seu site , estudando sob sua ótica os passos do Homem.

`A nós, compete aqui dar continuidade aos exercícios com os
Arcanos utilizando uma divisão criada pelo estudioso e
pesquisador descrito acima.
O Arcano 6, Os Enamorados ou Os Amantes, traz em sua filosofia
de base a amorosidade e a opção. Mas qual a melhor forma de unir
as duas coisas?

Muito bem, a partir de uma noção muito anterior aos conceitos e
princípios da civilização: o livre-arbítrio. Nessa palavra
encontramos tantos caminhos que muitas vezes desejamos não
lembramos dela a fim de não experimentarmos a insegurança
natural que ela traz. Revivendo a idéia de que estamos nessa vida
para construirmos nosso próprio destino e que todos os nossos
semelhantes também o estão, perdemos um ponto de referência
muito utilizado e conhecido- o de que o destino já está traçado. Se
temos autonomia para fazermos nossa vida, mudarmos tudo o que
não nos agrada e, enfim, podermos caminhar em direção `a nossa
Vontade, passamos a nos responsabilizar pela nossa própria
felicidade. Portanto, vivenciamos o fato de que a nossa vida é
responsabilidade nossa e tudo o que se trata disso é nossa opção.
Opção essa feita com o coração! As decisões fazem parte do nosso
cotidiano, o tempo todo. Ir ou não ir, fazer ou não fazer, querer ou
não querer e assim por diante.

Quando nos deparamos com um caso mais sério a ser resolvido,
muitas vezes estagnamos perante o mesmo alegando que há uma
decisão a ser tomada e ocasionalmente, não conseguimos fazê-la!
Basta pensar que opções são feitas todos os dias, o tempo todo e
que essa, em especial, não é uma situação inédita. O ato já é bem
conhecido. O que varia é a responsabilidade que dele surge, o peso
de optarmos com o coração, usarmos nosso livre-arbítrio e dessa
atitude podermos encarar a responsabilidade da decisão, sem
culpas ou medos do pecado, mas sim, aceitando arcar com nossa
escolha de peito aberto e cabeça erguida! Nesse contexto,
absorvemos profundamente o valor que existe no livre-arbítrio e no
poder de optar com o próprio coração. Basta uma escolha e um
novo Caminho mostra-se `a nossa frente... e dele a vida ( em
parceria conosco, sempre!) tece sua teia, podendo ou não mudar o
rumo de toda uma existência...Por isso, nesse Arcanos
encontramos a necessidade do trabalho isolado.

A carta, em si, não se faz mais importante. Sua filosofia é que pode vir a
exigir mais atenção... Optar com o coração, com o mais profundo amor,
em tudo o que se faz é , antes de mais nada, um ato de liberdade. Em
decorrência disso, se decidimos legitimamente, encaramos nossa
responsabilidade com dignidade e retidão. Assim exercemos o livre-
arbítrio e aprendemos a respeitar o Caminho de todos os nossos
semelhantes. Reflexão: Num local tranquilo posicione-se de forma
confortável e relaxada.Caso queira, coloque uma música suave e um
aroma agradável. Feche os olhos e deixe passarem por sua mente todas
as suas opções, passadas e presentes. Reveja também todas as vezes
que não optou. Reflita sobre a importância desse ato em sua vida.
Quando terminar a prática, escreva em um papel sobre a experiência e
guarde-o por alguns dias. Quando se sentir pronto, leia o que escreveu e
novamente faça o exercício, mas finalizando-o com a visualização do
Arcano 6 - um Homem entre duas mulheres em posição de dúvida, e
acima de suas cabeças um cupido, apontando para apenas uma delas-
trazendo para seu cotidiano essa energia: Quando feita com o coração,
sua opção será sempre abençoada!!!



                           Refletindo com os
                           Arcanos Maiores

Analisando os Arcanos Maiores certamente veremos muito mais que
belas ilustrações, elementos conhecidos ou mesmo uma resposta para o
que desejamos saber. Por trás de cada Arcano Maior existe uma
oportunidade e uma chance (mais uma, quem sabe!) de nos depararmos
com uma parte nossa, um fragmento, uma característica. Não é `a toa
que a palavra Arcano significa segredo, mistério... em cada carta existe
um conto secreto ao qual podemos nos reconhecer !

Quando assistimos a um filme e percebemos que a história relatada é
parecida com a nossa, normalmente nos pegamos vivenciando o filme
como se fôssemos o próprio personagem ou mesmo contando para
alguém como se fôssemos nós que tivéssemos vivido aquele momento
na tela. O mesmo ocorre quando nos identificamos com uma música,
uma foto...e assim também podemos nos sentir ao analisarmos e
interpretarmos uma carta do Tarô! Naquele exato momento podemos ver
uma parte nossa ali ilustrada e quando nos encontramos em
dificuldades, nessa mesma lâmina pode haver uma proposta de solução,
ou algumas sugestões para mudarmos o que está nos incomodando...
Faça um teste, experimente olhar as semelhanças... Busque numa carta
que você tire aleatoriamente do seu Tarô um reflexo para o momento de
vida
atual. Tente ver naquele desenho o seu próprio retrato, entender esse
momento para que assim você possa analisar imparcialmente o que se
apresenta como a melhor solução. Seja seu consultor, experimente sair
do caminho da dor e do sofrimento e através dessa compreensão
encontrar as suas próprias respostas, podendo obter esse auxílio nas
cartas do Tarô.

Isso não é propaganda,é apenas uma sugestão. A questão aqui é
expandir o entendimento a fim de que não mantenhamos postura de
apenas ajudarmos aos outros e nossos problemas pessoais ficarem `a
deriva. Através de um boa reflexão feita com um Arcano Maior
certamente nos sentiremos mais ricos e fortalecidos , utilizando a força,
a energia e as informações que brotam desse instrumento...o resto
quem faz somos nós! Todos temos imaginação criativa, um
decodificador natural de símbolos que nos auxilia a "entender" uma carta
mesmo sem nunca a termos visto anteriormente. Basta confiar no que vê
, no que sente e interpretar uma lâmina com o coração. Não existem
erros quando se atua com o coração!

Analise apenas um símbolo que primeiramente lhe chame a atenção na
carta e não se preocupe em "formular perguntas"...deixe que esse
símbolo traga `a tona uma parte sua e fale sobre ela, mostre-lhe uma
forma de lidar com ela ou como a mesma se encontra. Assim, quem
sabe, esses "mergulhos" possam virar um hábito e a busca pelo
conhecimento tenha seu papel mais importante desempenhado sem
pudores, medos ou fugas - caminhar de encontro ao conhecer a si
mesmo, para poder evoluir como matéria , mente e espírito.

           O AUTO-CONHECIMENTO ATRAVÉS DO TARÔ



Hoje em dia são tantas as propostas e maneiras de auto-conhecimento
que o termo já se tornou quase um velho conhecido...e é isso que ele é!
O único detalhe é que a busca real por ele ainda não é tão grande. Mas
não importa, como diria um grande compositor: "qualquer maneira de
amor vale a pena..." e nesse assunto eu diria que qualquer maneira de
busca vale a pena, desde que seja feita com a alma e com o coração!
Toda Arte ou Ciência, Religião ou Crença que nos leve ao crescimento
interior e `a evolução deve ser respeitada, simplesmente pelo fato de
fazer o bem sem olhar prá quem ou mesmo por mostrar uma porta a
quem procura...



É justamente por isso que essas palavras não estão aqui para
impressionar e mostrar que o Tarô é o melhor método entre tantos
outros. Não quero aqui menosprezar nenhum Caminho, muito menos
falar do meu como a grande solução. Quero lembrar-lhe que no meio de
muitos conhecimentos e inúmeras ofertas a fé é a maior arma que um
Homem carrega consigo . Ele mesmo pode fazer tudo isso por si
próprio...o método que escolherá para fazê-lo é uma questão totalmente
pessoal , intransferível.



Por isso quero sempre acreditar que todos os veículos e profissionais
que se predispõem a trabalhar na " totalidade" das pessoas respeitem e
esperem a mesma postura uns dos outros. É a partir daí que podemos
analisar as orientações que absorvemos de forma ampla , olhando para
o Tarô e vendo-o também como um Caminho, uma Filosofia de Vida e
não apenas como cartas que nos responderão o futuro, deixando nossas
Vidas `a mercê do destino ! Procuremos, nesses casos, trabalhar o
preconceito e a idéia antiga de jogos de azar e olhar além , ver o que
uma Arte- seja ela qual for - poderá nos oferecer...



O Tarô é estudo, é busca, é conhecimento, não está fora de nosso
alcance e não foi feito apenas para os "que nasceram com o dom" ou
os" escolhidos". É antiga tradição, trabalhada pelo Homem e lapidada
através dos séculos para orientar quem busque esse tipo de
direcionamento. É um Livro Sagrado e mágico que oferece através de
suas ilustrações uma forma sutil e bela de se desvendar os próprios
mistérios. Por isso, como qualquer outra forma de fé ele se faz
importante e respeitado.
Afinal, o ideal é começar por nós mesmos, para assim existir a
possibilidade de conhecer e transformar o que está `a nossa volta... se é
que depois de estarmos a sós conosco sentiremos ainda a vontade de
mudar os outros, ao invés de aprendermos a amá-los como são! "O
auto-conhecimento é a chave para o desfrute interno e externo da paz,
harmonia e equilíbrio, para uma vida saudável, fluindo do coração aberto
que busca a Evolução".



Kelma Mazziero

AS       POLARIDADES           DAS        CARTAS         DE       TARÔ

..O Tarô carrega em cada carta uma mensagem,uma filosofia , um
sentido. Não existe significado para cada uma delas, não há como
decorarmos uma lâmina para assim aprendermos a jogar. Sua função é
mais complexa e mais profunda, o que gera muitas vezes, um mistério
em torno desse baralho e que possibilita- infelizmente- o excesso de
misticismo. Na realidade ele busca a Verdade de cada indivíduo
e ,sendo assim, usar apenas um significado decorativo limita e
empobrece o uso dessa Arte que é o Jogo de Tarô.

....Em função dos métodos atuais de jogo, muito simplificados,
aprendemos que uma carta significa algo , dando-nos sempre a idéia de
que algumas cartas são boas e outras não, algumas são positivas e
outras negativas. Esse contexto gera um engano, pois não há como
trabalharmos uma lâmina em sua superficialidade e periferia. Se todos
nós temos o equilíbrio e tudo no Universo existe dessa forma:
claro/escuro, negativo/positivo, feminino/masculino, etc., naturalmente
encontraremos o mesmo em cada carta. Essa idéia elimina a hipótese
de uma carta ser boa ou má, tira o preconceito e o medo que existe em
torno de um jogo de Tarô.

.....Na maioria das vezes uma pessoa , quando atendida por um
tarólogo, fica muito assustada ao ver em seu jogo a carta do Diabo, da
Morte ou da Torre. Dizem que são cartas ruins e que terão azar no
futuro. Isso é fruto da informação enganosa que ocorre com o
esoterismo no Brasil. Além de termos um limite para previsões num Jogo
de Tarô - não há como ditar um futuro se trabalhamos com o livre-
arbítrio do consulente- as cartas tem duas polaridades e dessa forma,
muitas vezes, podem dizer o contrário do que nossa Lenda prega.
Depende, portanto, de sua posição e do caso a ser tratado no momento!

.....Dessa forma vale enfatizar que uma carta considerada boa, num
dado momento pode ser desfavorável ou vice-versa.Tudo que é bom
demais, em excesso torna-se ruim! Isso significa que algo favorável
pode vir a ser desfavorável ou o contrário. A Morte traz um medo natural
no consulente, e muitas vezes pode indicar uma transformação
extremamente necessária para o momento que ele está vivendo! Assim
como a Torre pode significar a reestruturação tão esperada por alguém...
e o Enforcado dar a mensagem espiritual perfeita para o
momento...Numa fase onde a segurança é o mais importante, a
Imperatriz pode não ser a melhor saída - pois a fertilidade e o
crescimento podem desequilibrar a tentativa de disciplina e ordem...

.....Por isso é muito importante estarmos informados, não termos
preguiça de conhecer sempre melhor o que escolheremos como método
de orientação. No caso do Tarô é imprescindível que o consulente saiba
buscar auxílio para o momento presente, lembrando que seu futuro ele
mesmo construirá com as próprias mãos...as cartas não farão nada para
ele! E ainda mais importante é estar aberto `as orientações, sem
preconceitos ou receios imediatos, pois seu jogo estará sendo feito para
buscar soluções e não criar ainda mais problemas! Portanto, lembre-se:
quando sair para você uma carta?ruim?, respire fundo e ouça a
mensagem que ela traz... em seu momento presente, aquela mesma
carta pode ser a saída que procura.E , como tudo na Vida, essa mesma
carta tem o outro lado e trará sempre, uma segunda opção.


                            Sobre o Tarô :

O Tarô é um baralho com 78 cartas `as quais chamamos de Arcanos ,
que se subdividem em 2 grupos : Arcanos Maiores e Arcanos Menores.
Nos Arcanos Maiores temos 22 cartas e nos Arcanos Menores,
naturalmente , 56 cartas . Existem hoje uma infinidade de Tarôs, o que
significa que muitos estudiosos, magistas e desenhistas criaram
variedades de figuras, cores e formas baseadas em um único tipo de
Tarô, O Tarô Clássico) fato esse que nos possibilita uma opção maior na
hora de escolher o Tarô que queremos jogar.
Vale lembrar que dentro dessas novas opções existem baralhos com
alteração no número de cartas, não sendo portanto o Tarô tradicional
que advém do original mas sim cartas com um sistema próprio, pois
`aquele que chamamos Tarô necessariamente deve ter 78 cartas- nem
uma a mais nem menos. Afora isso, a diversidade de nomes e
ilustrações fica por conta da preferência do tarólogo. Por isso, para
quem se interessa por aprender vale dizer que quando aprendemos a
jogar um Tarô podemos utilizar qualquer outro.

Algumas pessoas preferem trabalhar e ensinar apenas um tipo de Tarô
mas certamente sabem jogar os outros. Usam um em especial por uma
questão de escolha própria. Sua origem, quem o criou e de que forma o
fez é um mistério. Muitos pesquisadores buscaram a exatidão desses
dados mas sem muito sucesso, pois tudo o que temos são datas
aproximadas.O primeiro registro data do século XIII .Temos a Europa
como o lugar mais provável de ter sido visto pela primeira vez. A partir
dessa época, foi disseminado como jogo e ensinamento pelo mundo
todo, sendo reconhecido por estudiosos como um Livro Sagrado, cujas
páginas vêm soltas, para busca de aprofundamento e conhecimento.


Apesar de ser chamado de Oráculo, o Tarô é um jogo. Não se trata de
uma conexão direta com Deus ou um instrumento dos Deuses
manipulado por seres humanos , e sim de um baralho que possui os
quatro naipes (ouros, copas, espadas e paus) e mais 22 lâminas, citadas
anteriormente. Foi criado pelo homem ( e para o homem). Sua função é,
entre tantas coisas, transmitir informações e conhecimentos através de
suas imagens. Qual a diferença entre um baralho comum e o Tarô? A
princípio podemos dizer que o baralho comum possui todos os naipes e
a corte ( rei, rainha e valete); o Tarô possui os naipes, a corte- com
acréscimo de mais uma carta, a princesa ou pagem- acrescentadas aos
Arcanos Maiores. Ou seja, temos 26 cartas a mais nos Arcanos
Menores, contando-se que temos nelas desenhos, imagens, figuras e
formas variadas( na maioria dos Tarôs), com diversas cores e
informações para auxiliar a interpretação dos símbolos, a intuição e a
imaginação criativa. É uma verdadeira "chave" para a visualização.

Cada carta tem uma filosofia, uma mensagem e a combinação delas a
cada jogo é rica e diferente. As formas e tipos de jogos também são
numerosos, podemos ter uma leitura a partir de uma carta até figuras
geométricas interpretadas por inteiro.O fato de termos muitas cartas num
jogo, ou seja, abrirmos uma série de cartas para serem interpretadas de
uma só vez não significa que tenhamos um jogo melhor ou mais
completo que os outros. Existem tarólogos que com apenas uma carta
passam informações suficientes para muito tempo de reflexão! Sendo
assim o importante é aprender com dedicação e fazer o melhor possível
em seu jogo a fim de esclarecer dúvidas ou abrir caminhos para quem
os busca ( mesmo que esse alguém seja você mesmo!!!).


Dessa forma, temos em cada lâmina um novo aprendizado, vindo
através das formas, dos números, do nome, da posição...e de muitas
outras fontes de informação.Com responsabilidade, seriedade, respeito
ao
livre-arbítrio (nosso ou do consulente) e ética podemos ter no Tarô a
chave de muitas " portas" , a saída para diversos caminhos e a busca
pelo auto-conhecimento. Tendo em mãos os elementos necessários
para um bom jogo ou leitura das cartas certamente encontraremos o que
buscamos para nós ou nosso semelhante.



O NOME TAROT

O Tarô é uma poderosa ferramenta nas mãos do homem que deseja
libertar-se do medo e da ignorância. Desde seu uso junto às artes
divinatórias até o uso pessoal voltado para o auto-conhecimento, seu
estudo, levado com seriedade e honestidade de propósitos, vem abrindo
a mente humana e reaproximando o homem de sua Divina Fonte.

O nome Tarô ou Tarot, como também é bastante usado, pode ser
analisado de várias formas :

TAROT escrito de trás para frente é igual a TORAT, que em hebraico é o
nome da Bíblia Sagrada do povo hebreu.

Ao ser considerada a origem egípcia temos:

TAR = caminho, Rho = rei ou real

Portanto: TARÔ = “ O Caminho Real” ou “Caminho da Vida”
E , por fim:

TARÔ, escrito de trás para frente tranforma-se em ROTA



Desta forma, o Tarô pode ser entendido como a rota ou roteiro de uma
longa jornada em que o ser humano se depara com uma série de
situações representadas por cada um dos vinte e dois Arcanos Maiores,
que juntos, somam todas as experiências possíveis à existência humana
- o Caminho Real. Este roteiro, irá sendo revelado arcano por arcano,
apresentando-se como portais que se abrem para o mundo do
inconsciente individual e coletivo, fazendo o indivíduo entrar em contato
com as muitas lições que cada um deles representa. À medida em que
uma etapa (Arcano Maior) é concluída, passa-se ao arcano seguinte. Ao
somarem-se os vinte e dois arcanos , um ciclo se completa. Durante
esse percurso , o indivíduo viveu, amou, odiou, sofreu, gozou, ganhou,
perdeu, cresceu e aprendeu, com todo o tipo de experiências
representadas pelos Arcanos Maiores. Agora, ele está pronto, não para
estacionar e dar por encerrada a sua caminhada, e sim para iniciar outra
longa jornada em busca de si mesmo. Partirá novamente do ponto zero
– O Louco do Tarô – porém, já em um estágio de entendimento superior
ao vivido anteriormente. Desta forma, partindo do zero e a ele
retornando, sempre em movimento ascendente , seu caminho vai
descrevendo uma espiral rumo ao infinito.




                         COMO JOGAR TARÔ

Para jogar-se tarô é necessário uma dose de intuição e habilidade,
assim você poderá até prever o futuro. Para isso, você precisará das
cartas que são vendidas em livrarias ou lojas esotéricas.
O baralho de tarô contém 78 lâminas, 56 delas são chamadas de
ARCANOS (mistérios) MENORES, semelhantes às cartas de baralho
comum, ou seja, divididos em 4 naipes: ouro, paus, espadas e copas. As
outras 22, são os ARCANOS MAIORES, trazem estampas cheias de
simbolismos.
Os arcanos maiores tratam de questões humanas (personalidade e
relacionamento), enquanto os arcanos menores "falam" do cotidiano,
das coisas práticas.

O tarô possui várias leituras. O ideal é que cada um desenvolva sua
própria técnica de deitar as lâminas. O primeiro passo é analisar as
cartas, observar os desenhos, símbolos e textos, os detalhes das
estampas são metafóricos e representativos.

 Pontos, círculos e triângulos referem-se ao espírito (alma), a cruz e o
quadrado representam o sofrimento físico (dor), a Ornada de fitas (forma
de chapéu do Mago e da Forca) corresponde aos fatos que ocorrem na
vida do indivíduo sem interferência da vontade (destino).
A predominância das cores também ajuda na interpretação da lâmina, o
vermelho significa agressividade e a atividade, o amarelo, atividade
intelectual, o verde geralmente expresso na vegetação, leva a pensar
em renovação, o branco mostra pureza, alma infinita, crescimento
interior.
Uma das cartas que melhor caracterizam o equilíbrio entre as cores azul
e vermelha é a VIII da Justiça.

Jogando

  •   Após embaralhar as cartas, abra-as em forma de leque e retire três
      delas
  •   Disponha as lâminas seguindo a ilustração abaixo




  •   Vire a primeira carta (a da esquerda) e terá simbolizado os
      elementos favoráveis à realização do seu objetivo
  •   segundo arcano (disposto à direita) vai lhe indicar o que a impede
      de atingir seu desejo
  •   Revelando a terceira carta (do centro), você terá o conselho que o
      tarô oferece para a resolução do problema

Método de Leitura
Este é um método simplificado de leitura em que são utilizados apenas
os 22 arcanos maiores
1. Você pode ler o tarô para outra pessoa mas deve deixá-la embaralhar,
separar e " deitar" as laminas
2. Embaralhe os arcanos pensando firmemente na sua pergunta
3. Abra-os em forma de leque
4. Com a mão esquerda, retire três deles
5. Disponha como mostrado na ilustração acima
6. Formule a pergunta
7. Primeira carta: Representa o que está favorecendo o jogador
8. Segunda carta: Representa a dificuldade do jogador
9. Terceira carta: Representa a sugestão do tarô ao jogador

O significado dos arcanos

I - O Mago

Criatividade, início, esforço incansável, dedicação aos ideais e busca do
conhecimento.
Representa a habilidade. Ele tem várias coisas sobre a mesa e parece
saber manuseá-las muito bem. O Mago sabe aproveitar as
oportunidades da vida. Tem os pés no chão mas o seu chapéu lembra o
símbolo do infinito(um oito ao contrario). Isso quer dizer que ele não
perde a noção da realidade, ao mesmo tempo em que sabe ter como
meta o infinito. Recomenda que usemos as armas que estão ao nosso
alcance.

II - A Grã-Sacerdotisa

Poder, sabedoria, bom senso, discernimento, moralismo e segurança.
É a grande mãe, dona do conhecimento. Repare que seu chapéu
ultrapassa os limites da carta, o que significa mente poderosa. A sua
figura serena recomenda calma e o melhor aproveitamento possível das
nossas experiências. Tem a seriedade de quem trata de assuntos
importantes com harmonia, sabendo conciliar os opostos.

III - A Imperatriz

Progresso feminino, talento natural, fertilidade, intuição, poder de
decisão e ação.
Representa os valores materiais da mulher, sua fecundidade e beleza.
Dona de muito poder, ela tem o cetro na mão esquerda , que por sinal
está aberta. Isso significa um poder receptativo e não autoritário.

IV - O Imperador

Poder, honestidade, organização, segurança, realização e apoio.
É o grande homem. Tem força e poder. Com o cetro na mão direita
fechada, ele olha com firmeza, representando a força por meio do
sucesso material. Sua coroa é vermelha e amarela, mostrando força e
inteligência.

V - O Sumo Sacerdote

Autoridade, equilíbrio, inteligência, justiça, poder espiritual e dever moral.
É o grande pai da espiritualidade. Repare que ele parece estar
orientando as duas figuras que estão na parte inferior da carta. Sua
coroa, além do vermelho e do amarelo, também tem o verde.

VI - O Namorado

Momento de escolha, liberdade, amor, união, beleza e perfeição,
confiança, cautela e otimismo. Aparece dividido entre duas mulheres.
Não se sabe se elas são sua mãe e namorada ou uma mulher mais
jovem e outra mais velha. O seu corpo está voltado para a direita, mas
sua cabeça para a esquerda. Ele representa um momento de indecisão
entre o novo e o velho ou entre o arriscado e o seguro. Recomenda
reflexão.

VII - O Carro

Equilíbrio, segurança, domínio, sucesso, triunfo, aproximação amorosa e
realização.
É o símbolo do sucesso. Aparece como o senhor que controla os
cavalos e sabe dar a direção que quiser à sua vida. O Carro mostra que
é necessário tomar as rédeas e controlar as forças psíquicas para
conduzir a vida ao caminho que nós escolhemos.

VIII - A Justiça
Austeridade, imparcialidade, integridade, disciplina, decisão e prontidão.
Significa o equilíbrio tanto na vida prática quanto na espiritual. Ela alerta
para o senso de justiça que todos devemos ter. O broto verde que
aparece no canto esquerdo simboliza a esperança de que a justiça seja
feita.

IX - O Ermitão

Informação, sabedoria, paciência, discrição, conhecimento, estudo e
prudência.
É a essência da sabedoria. Aquela que só se alcança com a experiência
de vida. Seu manto azul mostra que ele está recoberto de fé no seu
conhecimento. A lamparina que traz na mão significa a luz da verdade.
O Eremita é bom e nos remete a busca do que há de mais sincero
dentro de nós.

X - A Roda da Fortuna

Destino, mudança, ascensão, iniciativa e êxito. Quer dizer que o mundo
gira e as coisas mudam. O que hoje parece ser uma coisa, amanhã
pode ser outra. Representa mudanças ou, muitas vezes, aponta para o
sucesso inesperado.

XI - A Forca

Inteligência, sucesso, magnetismo sexual, poder invencível, maturidade,
domínio do "eu" e harmonia. A mulher com expressão tranqüila
consegue controlar o animal. Ela mostra que precisamos dominar o lado
instintivo, os impulsos, para que atuemos com mais suavidade e beleza
interior diante dos problemas.

XII - O Enforcado

Idealismo exagerado, abnegação, perfeição moral, hesitação, falta de
vontade,               traição              e              abandono.
Repare que ele não está pendurado pela mão e sim pelo pé, e não
parece estar sufocado. Pelo contrário, tem uma expressão serena com
as mãos nos bolsos, como se estivesse observando. Isso quer dizer que,
às vezes, temos que olhar as coisas por um outro ângulo para que
posamos compreendê-las. É necessário dar uma parada para ver se não
estamos esquecendo de levar algo em consideração.
XIII - A Morte

Transformação, renascimento, libertação dolorosa, mudança de país,
cidade ou casa, lucidez mental, insegurança financeira.

Como o nome não está no pé da carta e sim em cima, esse arcano não
representa a morte, mas a superação e a transformação para algo novo.
Como é predominantemente bege, aponta para mudanças no campo
material. E, como as folhas caídas no chão do desenho, nós também
temos que derrubar algo de nossas vidas para dar espaço ao novo,
assim fazem as árvores no outono.

XIV - A Temperança

Equilíbrio, autocontrole, serenidade, harmonia, paciência e estabilidade.
É a virtude universal, que derrama a água do seu jarro azul ( o espírito)
para o jarro vermelho( a força) . Mostra a importância do equilíbrio
interior, da moderação.

XV - O Diabo

Força misteriosa, egoísmo, sedução sem escrúpulos, sucesso por meios
ilícitos e punição. Rege as grandes forças instintivas, a sexualidade, o
vigor físico e o poder de atração. Ele também é o senhor do medo. Para
se viver bem é preciso superar esse medo, conseguindo, então, dominar
nossos instintos.

XVI - A Casa de Deus

Destruição, dificuldade, presunção, orgulho, fracasso, vaidade, timidez e
malogro.
Nesta carta, um raio aparece destruindo uma torre e fazendo com que
as pessoas caiam. E é isso que ele representa: a destruição de algo
estabelecido. Mas, se você olhar com atenção, vai notar que a queda
não é mortal. E ela é a busca de algo novo. Após a destruição, o novo
aparece.

XVII - A Estrela

Esperança,       inspiração   criadora,   otimismo,   autocontrole,   energia,
satisfação.
Aponta para a realização dos ideais. São sete estrelas e uma grande no
centro, representando a concretização de algo que se deseja muito. Os
jarros de água sendo derramada significam que uma nova vida começa
quando conseguimos realizar nossos ideais.

XVIII - A Lua

Obscuridade, advertência, forças ocultas, desilusão, entorpecimento e
superficialidade.
É o nosso inconsciente, sempre apontando para as sensações mais
profundas que, muitas vezes, não conseguimos explicar e preferimos
não ver. É preciso olhar para dentro e descobrir o que nos faz sentir de
determinada maneira ou o que nos mantém presos a uma certa
situação.

XIX - O Sol

Realização,      felicidade,   entusiasmo,      sinceridade,   prazer.
É a claridade que nos permite ver as coisas e perceber bem a realidade
que estamos vivendo. Ele traz segurança. Mas preste atenção nas
crianças; elas mostram que quando estamos transparentes, sem
mistério, ficamos com a pureza infantil.

XX - O Julgamento

Renascimento, libertação, iluminação do caminho, sentimento de justiça,
gênio inventivo, revelação de desígnios ocultos e saúde física.
Remete ao apocalipse, onde os puros de alma se levantam ao som das
trombetas. Repare que os corpos são beges, mas seus cabelos são
azuis, ou seja, suas mentes estão plenas de fé e emoção. O Julgamento
diz que temos que ir em busca do que há de mais puro em nós mesmos.
Encontrando o que restou de bom, podemos superar nossos problemas.

XXI - O Mundo

Sorte, recompensa, realização, finalização de obras, integridade e
totalidade, encontro de amor, lucidez, liberdade e felicidade.
É a realização plena e total. A carta mostra uma figura envolta numa
guirlanda que começa azul, passa pelo vermelho e chega ao amarelo.
Isso quer dizer que, usando nossas emoções e nossa força física,
conseguimos alcançar a inteligência e a sabedoria. As quatro figuras que
aparecem nos cantos representam os quatro elementos da natureza que
conferem equilíbrio ao mundo. Representa a síntese de tudo que
conhecemos.

O Louco

Isolamento, precipitação, loucura, confusão. É o único que não tem
número. Por isso, mesmo significa liberdade. Ele olha para o infinito e,
com isso, mostra que a vida é muito mais do que vemos e a felicidade
pode estar além das aparências da vida cotidiana. Tem apenas uma
trouxinha com o essencial e, no entanto, tem uma expressão tranqüila.
Isso quer dizer que muitas vezes nos preocupamos com coisas
superficiais e não percebemos o que é realmente importante.

Método de leitura:

Como tirar as cartas para si mesmo

Naturalmente, também se pode deitar as cartas para si mesmo. A maior
dificuldade neste caso está no próprio embaraço de fazer com que a
apresentaçãodos próprios desejos corresponda à pergunta ou excitação
criada pela própria pergunta. Para anular tanto quanto possível estes
fatores de perturbação, há alguns métodos auxiliares que,claro, são
muito úteis quando se deita as cartas também para outras pessoas.
Se você estiver tenso, nervoso ou desesperado, e quiser saber
exatamente agora como continuará a situação que o colocou neste
estado, talvez seja melhor pedir parav um amigo deitar as cartas para
você. Se isso não for possível, pratique primeiro alguns exercícios de
relaxamento, ou tente a meditação, que podem deixa-lo menos tenso.
Se puder fazer sua pergunta com toda a despreocupação e sem ater-se
a esperanças profundamente arraigadas, tire das cartas dispostas em
leque as necessárias para o método que escolheu e coloque-as primeiro
com a face voltada para baixo em seusd lugares. Só quando todas as
cartas estiverem deitadas, vire um apor uma e observe cada uma delas
a fim de abstrair a quintessência ( enviarei em breve explicação) .
Restrinja-se estritamente ao significado das cartas e dos lugares no
sistema que escolheu, sem tenter obrigar que tenham determinado
sentido. Justamente em situações cáoticas as cartas muitas vezes
"recusam" a dar uma resposta clara sobre o curso dos acontecimentos.
Nesses casos, é melhor tentar de novo depois de um intervalo mais
prolongado.

A quintessência - A soma das cartas

Em cada jogada ainda há a possibilidade de completá-la com uma
observação adicional através do resultado da quintessência. Para tanto,
tire de todos os números da carta a soma transversal, até obter um
número de um só digito como no exemplo abaixo :

O Eremita = 9
A Papisa = 2
A Roda da Fortuna = 10

Somando = 9+2+10= 21 = 2+1= 3

Este será o seu resultado final.

A soma final, é, então a quintessência o que significa a carta
correspondente dos trunfos principais de 1 a 9 que mostra o modo que
você pode lidar imediatamente com este tema.

Resultados :

I- O caminho da influência e da força

Você dispõe da força para dominar ativamente o tema e tem grandes
possibilidades de influênciar o curso dos acontecimentos. Use sua
influência e evite intrigas.

II- O caminho do amor, da paciência, da esperança, da prontidão e
do conhecimento intuitivo.

Espere até as coisas estarem maduras. Seja paciente e fique de
prontidão; sua intuição lhe mostrará o momento certo para agir. Mas
não se perca em devaneios e também não se atormente pela dúvida.

III- O caminho do nascimento do novo e do crescimento.
Traga tudo que for novo à luz e deixe que cresça, crie novas situações,
mude o visual, cuide de si mesmo e observe a vida. Seja criativo e não
se disperse . Aceite as mudanças.

IV- O caminho da ordem, da clareza e da realidade.

Comtemple a situação de modo realista. Faça uma arrumação. Crie
relacionamentos francos; concretize suas idéias e realiza-se. mas não se
torne perfeccionista e evite a estagnação.

V- O caminho do conhecimento espiritual.

Procure pelo significado profundo da situação. Procure a comunhão das
coisas, que só superficialmente parecem não poder ser unidas, Fique
aberto para conselhos dado com boa intenção. Tenha confiança : O
grande sacerdote é a sua carta de proteção, e influenciará positivamente
no curso dos acontecimentos. Evite hipocrisias e beatices.

VI- O caminho do amor e da decisão

Reconheça sem preconceito seu parceiro, a sua tarefa, o seu caminho.
Deixe cair todos os preconceitos e aceite o outro ou a situação tal como
se apresentam. Não se deixe orientar pelo ciúme, mas também evite
desistir do parceiro .

VII- O caminho da partida com toda a tranqüilidade.

Caminhe certo da vitória rumo à solução da sua missão. Comece
imediatamente. Você tem a força e a habilidade para dominar a
situação , e a capacidade para vencer as contradições e os conflitos.
Mas evite o orgulho e a mania de grandeza.

VIII- O caminho da justiça e da objetividade.

Crie uma imagem tanto quanto possível imparcial da situação; então
avalie-a com calma e pense no que tem que fazer. Seja honesto, preste
atenção para que todos os envolvidos conquistem os seus direitos. Evite
prejulgamentos, unilateralidades e fazer justiça com as próprias mãos.

IX- O caminho da reflexão e do ascentismo.
Recolha-se, introverta-se. Dê tempo a si mesmo, o tempo de que
precisar para descritalizar tudo o que for importante para você. Não se
deixe influenciar pelas aparências exteriores, nem se distraia.
Concentre-se no seu objetivo. Evite rancor, amargura e medo do novo.
Pense : O que quero afinal ?




TARÔ:
Saiba mais sobre o uso terapêutico desta tradição milenar


Usar o Tarô com uma finalidade terapêutica significa:
esclarecer e ajudar a resolver os medos, bloqueios e padrões de
comportamento que limitam, quando não impedem totalmente, a
expressão espontânea do Ser e a realização pessoal.

Para poder trabalhar assim algumas questões precisam ficar bem
claras:

1.A questão do destino. Somos os cozinheiros de nosso destino e
em todo momento podemos mudá-lo, pois este é a resposta ou
reação do universo à nossos atos, omissões e pensamentos. O
Tarô é uma ferramenta para mudar o destino e não um
intermediário entre o Todo-Poderoso destino e o ser humano
reduzido, assim a um expectador de sua própria vida. E justamente
mudar o destino para melhor, mudar nossas vidas é o objetivo do
Tarô Terapêutico.

2. A questão da responsabilidade. Somos absolutamente
responsáveis pela vida que temos e esta compreensão, isto é, parar
de jogar a responsabilidade (ou a culpa) de nossa situação nos
outros, no companheiro/a, nos pais, no chefe, no governo, etc. É o
primeiro passo para mudar. A felicidade e a fortuna são questões
de escolha e não de sorte.

3. A questão do bem e o mal. O bem e o mal não são realidades
absolutas. O que é bom para uma pessoa hoje pode não ser
amanhã. O que é ruim para mim pode ser bom para você. No
entanto, na visão do Tarô Terapêutico, a essência do ser humano é
imaculada e a programação involutiva.

4.Considerar o Tarô formado pelos:

Arcanos Maiores que são idéias ou arquétipos universais. A nível
humano são estados de consciência. As Figuras do corte são tipos
de personalidade e também fenômenos da Natureza.

Os Arcanos Menores ou expressões de nossa quaternidade: Os de
Paus ou de Fogo representam nossa expressão energética. Os de
Copas ou de Água, nossa expressão emocional. Os de Espadas ou
de Ar, nossa expressão mental. Os de Discos (Pentáculos) ou de
Terra, nossa condição física e nossa abordagem material.

Assim estabelecemos um paralelismo entre a estrutura do Tarô e a
do ser humano. Não é qualquer sistema de leitura que nos vai
permitir usar o Tarô com uma proposta terapêutica. Sugerimos a
leitura terapêutica, do mago ou astrológica.

*Veet Pramad é tarólogo




TARÔ:
Princípios básicos para quem quer saber o futuro nas cartas



Uma das grandes utilizações do Tarô, é o uso de suas lâminas
como fonte de inspiração para meditação, seja como Yantras
(mantras visuais) ou Mandalas pessoais, de forma que cada lâmina
inspire mergulhos interiores cada vez mais ricos.

Quanto ao baralho, ele diz que podemos usar diversos, sendo que
grandes desenvolvimentos são propostos pelo uso do Tarô de
Crowley (ou Livro de Thot) e o Tarô de Mme. Cada uma de suas
lâminas ou Yantras (mantras visuais) apresenta um grupo de
símbolos que, vistos como conjunto, representam um sistema de
energias que a humanidade está presente como um todo, com seu
eterno registro de idéias e pensamentos.

Tradicionalmente, esses baralhos dividem-se em Arcanos Maiores e
Menores, apresentados de forma separada ou como síntese. Há
também no Tarô, assim como nos baralhos modernos, a divisão em
quatro naipes: espadas, paus, copas e ouros. Cada naipe
representa um dos quatro elementos da natureza: ar, fogo, água e
terra, respectivamente.

Na 1ª meditação, importante é que o praticante entenda que não há
uma maneira certa de usar as lâminas, sendo que o melhor dos
métodos é aquele que emerge de si como numa inspiração.
Inicialmente, o praticante deve misturar as cartas e olhar
lentamente o baralho, lâmina por lâmina, separando em um monte
aquelas pelas quais experimenta forte atração ou aquelas que
provoquem alguma sensação desagradável.

Em seguida, deve olhar novamente as cartas que o atraem, e
guardar mentalmente seus nomes, pois essas serão as cartas que
irão ajudá-lo em suas meditações iniciais.

Com o passar do tempo, a prática continuada, vai fazer com que a
sua sensibilidade se aprofunde e mude sua reação ao simbolismo
de certas lâminas.

A relação com o Tarô deve ser de amor e amizade. O local não deve
ser confuso nem ruidoso, e sim calmo, transmitindo paz e sossego.
Se necessário, o praticante pode usar música relaxante e incenso.
As roupas devem ser livres e arejadas.

Tomadas essas providências iniciais, poderá começar a prática. É
recomendado, também, manter as seguintes regras de postura:
costas eretas, o rosto e o restante do corpo descontraídos.

Após encontrar a posição correta, deve o praticante olhar a carta ou
a(s)cartas eleita(s). Também não deve pensar nas imagens. Deve
deixar que seu Eu interior, seu mentor ou guia espiritual interno
trabalhe a imagem enquanto descansa.
Dependendo de cada pessoa e do poder de concentração, a mente
se enche de pensamentos, sendo alguns diretamente ligados com
símbolos do Tarô. Outros, podem não fazer sentido. Isso é normal.
São obstáculos que serão vencidos com a prática, bem como sons
ambientes. Vencer isso é um passo para atingir a clarividência e a
consciência cósmica.



O Tarô foi, durante muito tempo, identificado como uma superstição;
mas estudiosos como C.G.Jung descobriram nas lâminas do Tarô
alguns arquétipos fundamentais da humanidade. Experimentamos, em
nosso dia-a-dia, os arquétipos do Tarô, como: o orgulho do Imperador; a
intuição da Papisa; a organização da Imperatriz; a sabedoria do Eremita;
o amor dos Enamorados; a desorientação do Louco; o equilíbrio do
Papa; a fé e esperança da Estrela; enfim todas as nossas dúvidas,
certezas, afetos e experiências estão relacionados com esses símbolos
contidos no Tarô. Assim estudar, trabalhar e consultar com o Tarô é se
aprofundar na psique humana, conhecer nossa natureza mais íntima. E
conhecendo nossa natureza, damos o primeiro passo para aprimorar
nossas qualidades, corrigir nossos defeitos e psicologicamente termos
domínio de nós mesmos. Com o Tarô, conseguimos nos libertar dos
medos e inseguranças que nos afligem, nos amarram e que nos
impedem de usar o melhor de nossas potencialidades. O Tarô é,
portanto, um instrumento psicológico, que nos guia para o
autoconhecimento.



TARÔ E PSICOLOGIA

Observando por um ângulo mais audacioso, podemos perceber que as
cartas do tarô estão ligadas também a alguns tópicos da psicologia, uma
vez que podem subsidiar aconselhamentos e avaliações neste âmbito,
não desprezando a questão das verdades espirituais. Seu simbolismo
tanto pode servir a um ponto de vista quanto a outro. Carl Jung
reconheceu abertamente que o tarô tem suas origens nas imagens dos
arquétipos do inconsciente coletivo, e elaborou um estudo sobre isto.
Ainda, segundo o depoimento do Dr. Liz Greene " as cartas do tarô
refletem a direção e as motivações mais profundas do inconsciente.
ORIGENS DO TARÔ

As origens do tarô são ainda obscuras, as cartas mais remotas parecem
ter origem no século XIV, na Europa. Os desenhos das cartas
fascinavam os artistas, historiadores da arte e investigadores do
ocultismo, além de intrigá-los com o poder de suas imagens
simbológicas. No entanto, não se deve desconsiderar a influência do
"Livro Thot" do Egito, em relação à simbologia.

O TARÔ DE MARSEILLE

O tarô de Marseille, assim como muitos outros tarôs (cigano, boêmio,
egípcio, astrológico, etc.) é composto de 22 cartas, ricas em símbolos
alegóricos, as quais chamamos "arcanos maiores". Essas diferentes
lâminas são ordenadas num esquema evolutivo que ilustra as variadas
etapas emocionais e materiais que o homem pode experimentar em sua
vida. Este caminho começa com a carta n.º 1 , o Mago, que representa a
iniciativa, e termina com a carta n.º 21, o Mundo, que representa a
plenitude. A 22a. carta, o Louco, é uma nova viagem que tem a ver com
uma outra dimensão. O tarô de Marseille é tido como o jogo mais
tradicional ao longo dos tempos.

Todos os homens, qualquer que seja sua cultura ou civilização,
compartilham das mesmas emoções comuns, passam pelas mesmas
provações e conhecem as mesmas contradições. Todos eles se
autoquestionam, todos procuram saber de que será feito o amanhã. E,
naturalmente, cada civilizaçao oferece meios divinatórios peculiares,
com mais ou menos êxito, de aliviar essas dúvidas. O I Ching e o tarô de
Marseille são, sem dúvida, os dois meios com maior comprovação de
sucesso e também os mais praticados.

O futuro é o resultado de nossa ação presente, a conseqüência dos atos
que se desenvolvem na situação atual. A dificuldade reside no fato de
perceber e compreender os signos do presente, que permitirão uma
determinada previsão do que está por vir. Tais signos são captados e
memorizados pelo subconsciente. Tudo está escrito aguardando ser
decifrado. Por essa razão, faz-se necessário o uso de uma linguagem
que permita a tradução desses signos, a compreensão da natureza das
informações contidas no presente.
O tarô de Marseille é uma linguagem suficientemente rica para
          responder aos imperativos da vida e servir de método prognóstico, mas
          não adivinhatório. Como toda linguagem, também possui seus limites e
          por vezes precisa de práticas suplementares para sua elucidação, como
          o I Ching e estudos astrológicos, por exemplo. Assim como um espelho
          que reflete a imagem que o olha, o tarô exprime o estado de nossas
          fontes internas e do nosso potencial diante das situações de impasse.
          Ele permite melhor compreender os elementos do presente e, por
          conseguinte, prevenir o porvir.

O louco            O Mago              Sacerdotisa      Imperatriz        Imperado

Começos            Ação                Contemplação     Materialismo      Paternalismo

Espontaneidade     Consciência         Intuição         Abundância        Estrutura

Fé                 Concentração        Potencial        Sofisticação      Autoridade

Loucura Aparente Poder                 Mistério         Natureza          Austeridade
Hierofante       Enamorados            Carro            Força             Eremita

Educação           Relacionamento      Vitória          Força             Introspecção

Crença             Sexualidade         Força de         Paciência         Procura
Sistematica                            Vontade
                   Convicções                           Compaixão         Orientação
Conformidade       Pessoais            Determinação
                                                        Controle          Solidão
Identidade grupal Escolha de Valores Auto-controle
Roda da Fortuna Justiça              Enforcado          Morte             Temperanç

Destino            Justiça             Lassidão         Fim               Temperança

Mudanças           Responsabilidade    Regressão        Transição         Equilíbrio

Movimento          Decisão             Pendências       Eliminação        Saúde

Visão Pessoal      Causa e Efeito      Sacrifício       Forças            Conciliação
                                                        Inexoráveis
Diabo              Torre               Estrela          Lua               Sol
Extremos de       Mudança Súbita      Esperança        Medo              Luz
paixão
                  Libertação          Inspiração       Ilusão            Grandeza
Materialismo
                  Quedas              Generosidade     Imaginação        Vitalidade
Ignorância
                  Revelação           Serenidade       Deslumbramento Segurança
Desilusão
Julgamento        Mundo

Julgamento        Integração

Renascimento      Cumplicidade

Avaliação         Envolvimento

Perfeição         Realização



        O Tarô, um mapa de desenvolvimento cognitivo III
        A Psicologia Analítica e Estrutura Simbólica

         Com sua origem misteriosa e seus diversos enfoques, o Tarô é um
        múltiplo quebra-cabeça de referências, seja na sua técnica ou na sua
        história. Estudá-lo é, sobretudo, estudar-se. Os livros, apesar de
        importantes, são absolutamente secundários. O principal é entrar em
        contato direto com os arquétipos, é utilizá-los mentalmente como
        conceitos e sentir sua força viva na realidade quotidiana. Porém, para
        iniciar seus estudos teóricos é aconselhável começar a ler os trabalhos
        de psicólogos e pensadores acadêmicos, que recentemente passaram a
        se interessar pelos arquétipos das cartas, ao invés de enfrentar os
        complicados clássicos do ocultismo.

         Neste sentido, ‘Jung e o Tarô’, da já citada Sallie Nichols, e ‘A
        meditação dos Guias Interiores’ são obras bastantes proveitosas (8). O
        enfoque de Nichols é particularmente recomendável pois escapa do
        emaranhado teórico das intermináveis discussões sobre a associação
        das cartas com outros sistemas simbólicos em que os ocultistas se
perderam e apresenta uma série de referências culturais e literárias para
caracterizar cada arquétipo. Em contrapartida, sua principal
desvantagem é que ela acaba caindo involuntariamente em um dos
sistemas de correspondência, quando diviniza O Louco e vê O Mago
como um ‘embusteiro mercuriano’ e não como o arquétipo do Pai e da
Unidade Primordial. Associando o Tarô à técnica da imaginação criativa
e ao psicodrama, a meditação dos Guias Interiores é um método simples
e fascinante de transformação dos diferentes aspectos arquetípicos da
personalidade, deduzidos a partir das quadraturas e oposições
astrológicas do mapa natal. Infelizmente Steinbrecher também apresenta
a mesma deficiência de Nichols, pois utiliza as correspondências
crowleyianas em detrimento de outras possibilidades.

 Distantes da discussão esotérica travada entre os ocultistas continentais
e anglo-saxões sobre se a unidade primordial da força uraniana deve ser
representado pelo número um ou pelo zero, muitas outras contribuições
vêm enriquecendo o estudo do Tarô no campo da psicologia analítica,
algumas bem práticas (9), outras ‘amplificando’ o enfoque junguiano com
as diferentes associações ocultistas, como é o caso do excelente livro da
Dra. Irene Gad (10) - lançado há pouco tempo no Brasil.
 Talvez a principal contribuição indireta da Psicologia Analítica ao estudo
simbólico do Tarô seja do próprio Jung, principalmente na sua
Interpretação psicológica do dogma da Trindade, onde se tetêm sobre o
papel desempenhado pela Virgem Maria em relação à simbologia cristã.
Neste trabalho, Jung apresenta pela primeira vez a noção de que a
estrutura quaternária é universal e funciona como um símbolo
estruturante da psiquê e do inconscinete coletivo. No Brasil, destaca-se
também o trabalho desenvolvido pelo psicólogo Carlos Byington (11),
que durante muitos anos problematizou a questão do quaternário como
símbolo estruturante, aplicando-o `a história e à psicoterapia .

 Como vimos Eliphas Levi e Aleister Crowley, encabeçando os dois
maiores movimentos ocultistas modernos, propuseram diferentes
associações entre as linguagens simbólicas do Tarô, da Cabala e da
Astrologia. Porém, ambos sistemas de associações se basearam na
semelhança genérico de seus elementos ou nas mesmas
correspondências estruturais:

 1 - A equivalência dos 22 Arcanos Maiores às letras hebraicas e aos
caminhos da Árvore da Vida. Segundo os ocultistas estes arquétipos
surgiram devido à “queda” da Humanidade, entendendo por ‘queda’, não
apenas a expulsão de Adão e Eva do Éden ou o fim catastrófico das
civilização de Atlântida e Lemúria, mas sobretudo “uma deterioração de
um estado superior de convivência entre homens dotados de poderes
psíquicos para as sociedades mais instintivas e para a percepção
meramente sensorial da realidade”. Assim, o sonho de uma Utopia
Social, uma forma de organização social perfeita, sem os conflitos, os
desejos e as desigualdades caracterizados pelos arquétipos dos
Arcanos Maiores, é um retorno a este estado de consciência coletivo da
Humanidade, ao ‘nirvana coletivo’ primordial. Este sentimento de
unidade que ultrapassa a simples harmonização das relações sociais e o
equilíbrio político entre os diversos grupos que formam uma sociedade
para introjetar psicologicamente em cada indivíduo como uma
necessidade de comunhão universal, como um desafio de reconquista
do paraíso perdido, como um Desejo de União.

 2 - A identidade das l6 cartas de figura às relações do quaternário
elevado ao quadrado, ao Tetragrama Sagrado, o ‘IHVH’, símbolo
estrutural do universo. Aqui o Desejo de União ultrapassa os problemas
do mundo para se consolidar como um casamento de pólos simbólicos
opostos e como uma busca de uma identidade mais profunda, de um
nível de autoconhecimento que permita o reencontro com à Alma
Gêmea. Na tradição judaico cristã, este reencontro aparece no Cântico
dos cânticos, onde a noiva (Israel) espera pelo noivo, o Messias; nas
Epístolas Paulíneas, a noiva é a Igreja e o noivo, o Cristo; já na poesia
mística de San Juan de La Cruz, o noivo é o espírito e a noiva, a alma e
o corpo. Para os ocultistas, as dezesseis cartas de figura representam
as relações entre os quatro mundos cabalísticos (Ouros, Espadas,
Copas e Paus) e os quatro corpos do Eu Inferior (Rei, Dama, Cavaleiro e
Valete). Para os cartomantes, as cartas de figura representam relações
interpessoais nos quatro níveis de atividade: material, mental, emocional
e espiritual.

 3 - A Associação das 40 cartas numeradas aos quatro mundos
cabalísticos e a estrutura decimal da Árvore da Vida. Já as quarenta
cartas numeradas representam as relações transpessoais, aquelas que
dizem respeito à compreensão que se tem do Universo e do seu
desenvolvimento nos quatro planos de atividade. O número quarenta
representa a totalidade da existência e da experiência humana. Os
períodos medidos por este número são freqüentes na tradição judaico-
cristã: os 40 dias do dilúvio de Noé, os 40 anos durante os quais os
israelitas erraram pelo deserto, os 40 dias que Moisés passou no Sinai,
os 40 dias do jejum de Cristo, entre outros. Todas essas experiências
têm o mesmo significado: um período de reflexão sobre a totalidade da
existência, a consciência exilada acima e além da manifestação. O
Desejo de União neste nível não se refere a realização da Utopia Social
ou da felicidade, mas sim à reintegração mística com Deus às viagens
empreendidas por Dante, Enoch e pelos místicos sufis através dos
palácios celestiais que antecedem o Trono do Altíssimo onde Criador e
Criatura se encontrarão frente a frente.

Podemos, portanto, dizer que o Tarô esboça uma cartografia completa
da psique humana, subdividindo suas cartas em 3 grupos distintos,
representando 3 ‘profundidades’ do Inconsciente:

          22 Arcanos Maiores          Relações Pessoais
          16 Cartas de Figura        Relações Interpessoais
         40 Cartas Numeradas        Relações Transpessoais

No livro-jogo A Estrada Iluminada desenvolvi e aprofundei a discussão
sobre o significado destes três níveis do inconsciente, bem como do
conteúdo simbólico de cada uma das 78 cartas do baralho tradicional. O
leitor interessado em conhecer mais sobre o assunto encontrará nele um
subsídio precioso para aprofundar seu domínio sobre a linguagem
arquetípica (12).

 Neste breve artigo, em que resumimos as idéias do primeiro trabalho, A
Estrada Iluminada, gostaríamos ainda de ressaltar a importância do
número quatro no sistema simbólico do Tarô de uma outra forma e, ao
mesmo tempo, expor uma maneira fácil de colocar as cartas ou de
manipular mentalmente os arquétipos. Trata-se da colocação
quaternária, também conhecida como Quadrilho, que consiste em
manter fixos os primeiros quatro Arcanos Maiores (O Mago, A Papisa, A
Imperatriz e O Imperador) como um modelo estrutural das relações e
considerar todas as cartas restantes em função do significado destes
quatro arquétipos fundamentais. Estes quatro arquétipos fundamentais
constituem cerca de 75% da atividade psíquica, representando os
principais padrões de troca afetiva da maioria das pessoas. Esses
arquétipos podem estar involuntariamente projetados em diversos
objetos e pessoas: o Pai, por exemplo, costuma ser projetado no Estado;
a Mãe, na escola, na igreja ou na instituição de onde se tira o sustento;
não é raro projetar a Imperatriz na própria casa e o Imperador é
freqüentemente associado às atividades empresariais e a seus
protagonistas. A este fenômeno, os psicólogos chamam ‘transferência’.

O MAGO nos mostra como nos
                                    A PAPISA encarna o Arquétipo da
relacionamos com o Arquétipo do
                                    Mãe. Sua associação astrológica é a
Pai, seja no nível biológico, no
                                    Lua e seu poder também se estende
psíquico ou no espiritual. No nível
                                    pelos níveis biológico, psíquico e
biológico, ele representa não
                                    espiritual de forma semelhante ao
apenas a relação de cada um com
                                    Arquétipo do Pai. O ‘Eu-Mãe’, no
seu progenitor genético, mas
                                    entanto, funciona como um superego
também a relação de cada um com
                                    feminino que se preocupa
seus filhos e enteados. No nível
                                    prioritariamente com a nutrição e com
psicológico, este ‘Eu-Pai’ funciona
                                    a reprodução, enquanto o ‘Eu-Pai’
como um superego, estabelecendo
                                    prioriza a produção e a criatividade.
regras e princípios - sem o uso de
                                    Ao observar o lado materno de
métodos coercitivos ou tirânicos
                                    alguém, devemos procurar imaginar
como propôs Freud - mas sim com
                                    as relações desta pessoa com sua
um ‘duplo’ do Ego, um reflexo
                                    ‘mãe-inteior’ a partir de sua
idealizado do Eu Superior. O ‘Pai
                                    educação: a forma de comer, de se
tirânico’ do superego edipiano da
                                    vestir, de se comportar em grupo,
psicanálise é apenas uma distorção
                                    etc., Esta características das funções
de nossa civilização falocrata de
                                    de manutenção leva o arquétipo a,
um ‘Pai normativo’. A prova maior
                                    muitas vezes, ser involuntariamente
desta afirmação é o fato deste
                                    projetado em instituições escolares
arquétipo, em seu nível espiritual,
                                    ou que provenham o sustento e a
ser associado universalmente ao
                                    vida, seja uma fábrica ou a própria
Céu e a energia uraniana, em
                                    Natureza.
diferentes culturas.
A IMPERATRIZ também evoca O IMPERADOR corresponde ao ‘ego-
nosso aspecto feminino, embora masculino’ e representa as idéia de
sem as características maternas. autoridade, hierarquia e obediência
Aqui trata-se da esposa, da filha, que caracterizam a identidade dos
da mulher propriamente dita. É a homens e, sob o prisma feminino,
‘alma gêmea’, a ‘anima’, a representa ‘a alma gêmea’, o ‘animus’
‘companheira ideal’ que polariza os ou a ‘cara-metade’. Muitas vezes
imaginários masculinos e é, assume a forma do Arquétipo do
também, a identidade venusiana
                                   Herói. Mas, o fundamental deste
das mulheres, sua ‘natureza’. Pode
                                   arcano se encerra na idéia de
freqüentemente      representar  a
                                   administração, da capacidade de
esfera da vida doméstica ou
                                   tomar decisões e de realizá-las. Por
estética desenvolvida pela imagem
                                   ser este ‘gerente da personalidade’, o
de cada um - pois ambos os
                                   Imperador       é     constantemente
sentidos     são     projeções  do
                                   associado à vida profissional e ao
feminino. Podemos dizer que a
                                   poder político.
Imperatriz é o ‘ego-feminino’.

   Ao localizar a existência dessas projeções ou transferências em
relação aos arquétipos do Pai, da Mãe, do Outro-sexo e do Ego, a
pessoa estará dando um importante passo em direção ao
autoconhecimento, pois entenderá como funcionam os principais
padrões de troca afetiva de seus relacionamentos. Aliás, para os
iniciantes interessados em manipular o baralho do Tarô, o melhor
modelo de colocação de cartas talvez seja justamente esse: manter fixos
os quatro primeiros arcanos maiores, sorteando dentre o resto das
cartas, quatro lâminas, uma para cada arquétipo fundamental. Este
modelo tanto pode ser utilizado com os dezoito Arcanos Maiores
restantes como também com os cinqüenta e seis Arcanos Menores .

A Cabala e o Ocultismo

 Enquanto Gebelin e Etteilla procuravam zelosamente provar a origem
egípcia das cartas do Tarô, Eliphas Levi acreditava que elas fossem um
alfabeto sagrado e universal, presente nas culturas grega, egípcia e
hebraica. Eliphas Levi, pseudônimo do padre Alfonsé Louis Constant,
interessou-se pelo Tarô em l856 e associou os Arcanos Maiores às 22
letras do alfabeto hebraico. Além disso, Levi associou também os quatro
naipes aos quatro mundos cabalísticos, relacionando as suas dezesseis
cartas de figura ao Tetragrama Sagrado - o ‘IHVH’- e as suas 40 cartas
numeradas às 10 Sephiroth de Deus, expressos na Árvore da Vida.

 As dez Sephiroth - plural de Sephirah - são esferas de energia em que a
manifestação se desenvolve. Cada Sephirath está contida na anterior e
contém, em si, a possibilidade da próxima Sephirath. Assim, todo
universo repousa em latência em Kether, e dentro dele emana outro
círculo, Chokmah, que apesar de contido no primeiro, se opõe a ele,
gerando um terceiro, Binah, que está contido nos dois anteriores.
Temos, portanto, uma série de círculos concêntricos, uns dentro dos
outros, mantendo uma relação de polaridade em função à esfera anterior
que o engloba e em função à que contém em seguida.



                              A Árvore da Vida
Kether - A Coroa, onde o Incognicível se manifesta como uma luz
extática e apolar, a chama eterna da vida, o centro de todos os círculos. O
ponto.
Chokmah - A Sabedoria, corresponde à luz que entra em movimento e se
torna uma força cinética. É representado geometricamente pela reta ou
pelo círculo.
Binah - A Inteligência, onde a força encontra resistência ao seu
movimento e gera a forma, representada pelo triângulo ou pelo prisma.
Cheseed - A Bondade, esfera onde, equilibrando as restrições impostas
pela forma, a manifestação se realiza através da misericórdia divina. Essa
esfera é simbolizada pelos deuses jupiterianos, como Zeus e Xangô.
Geburah - A Severidade, esfera onde a força, seja física ou moral, se
manifesta com energia e impetuosidade. É simbolizado pela Espada e
pelos deuses guerreiros, como Ares e Ogum.
Tiphareh - A Beleza, esfera que harmoniza a contradição ética entre a
severidade e a clemência. Ela é geralmente representada pelos deuses
solares e redentores, que se sacrificam em benefício ao Todo.
Netzach - A Eternidade, esfera que representa os sentimentos e os
instintos, o fogo sexual, a segunda luz, o planeta Vênus e,
microcosmicamente, o corpo astral, reflexo do mundo da criação.
Hod - A Reverberação, esfera que representa o pensamento consciente e
a mente concreta, o planeta mercúrio, e é um reflexo microcósmico do
mundo da formação.
Yesod - O Fundamento, esfera que representa a Lua e a essência da
vida orgânica, o duplo-etéreo, o reflexo do mundo arquetípico.
Malkuth - O Reino, esfera que representa a essência inorgânica da
materialidade, a imagem sensorial da realidade, o planeta Terra, o corpo
físico concebido dentro do mundo material.

Enquanto as três primeiras Sephiroth - Kether, Chokmah e Binah -
formam um conjunto denominado macroprosopos, formada pelas Três
Causas Primárias; as outras sete Sephiroth, por sua vez, formam o
microprosopos e expressam as Sete Causas Secundárias. Imaginemos
que desejamos fazer um bolo. Este motivo, quando vem à mente,
eqüivale à primeira tríade, onde Kether representa o desejo, Chokmah, à
idéia, e Binah, a sua imagem formal. Porém, o bolo só sairá da
imaginação para a realidade se cruzar o abismo, chegando ao sétimo
nível de materialização: Cheseed corresponderá à escolha dos
ingredientes; Geburah, ao esforço necessário à preparação da massa;
Tiphareh, ao equilíbrio entre a quantidade dos ingredientes e sua correta
preparação; Netzach, ao toque artístico necessário e à intuição; Hod, às
instruções técnicas da receita; Yesod, ao cozimento no forno; e,
finalmente, Malkuth, à forma final do bolo, à sua materialidade. Os
cabalistas analisavam todos os fenômenos à luz destes critérios,
reduzindo-os sempre aos mesmos elementos, as esferas da
manifestação.

 Além destes processos descendentes e materializantes que baixam da
luz ketheriana para concretude de Malkuth, a que se chama criativos;
existem os processos evolutivos, que partem da matéria em busca de
uma realidade mais sutil. A serpente kundalínica da Árvore da Vida
representa este duplo circuito dos processos criativos e evolutivos. As
Sephiroth ou esferas de manifestação funcionam como ‘transistores’
deste circuito, unidades que recebem e emitem energia transformando
suas características. Outras versões associam a Árvore à imagem do
Adão Kadmo, onde cada Sephiroth corresponde a uma parte do corpo,
estabelecendo uma relação entre o micro e o macrocosmo. A tríade
formada por Kether, Chokmah e Binah, por exemplo, corresponde à
cabeça. Em seguida, formando um triângulo invertido, Geburah,
Cheseed e Tiphareh representam os dois braços e o plexo solar. As
pernas, o sexo e o centro de gravidade, por sua vez, são associados as
Sephiroth Netzach, Hod, Yesod e Malkuth.

 A Árvore da Vida é um diagrama da estrutura do universo, um eixo
sobre o qual se organizam os diversos níveis da manifestação. A árvore,
no entanto, não forma um sistema fechado; ela é um método ou uma
chave analógica para decifrar outros sistemas simbólicos. Suas
correspondências, no entanto, além de infinitas, muitas vezes são
contraditórias, uma vez que permite diferentes associações e analogias
incompatíveis entre si, mas ‘verdadeiras’ do ponto de vista psicológico.
O principal benefício da proposta do padre-ocultista foi a instituição da
árvore como um ‘centro’, um eixo vertical de associações de todos os
arquétipos. Segundo esta lógica, as cartas-letras correspondem aos 22
caminhos que interligam as dez esferas de manifestação da Árvore,
representando todas as experiências subjetivas possíveis. Além disso,
Levi discutiu exaustivamente o símbolo quaternário e sua relação com a
estrutura decimal. Para ele, as quarenta cartas numeradas representam
a involução do Universo como um processo de quatro fases e dez
agentes. O Universo está se desenvolvendo em quatro ‘níveis de
densidade’ da manifestação, em quatro estágios progressivos de
materialização do sutil no denso. Em cada nível, há dez ‘degraus’ ou
agentes. Assim, além da árvore principal dos 22 caminhos, Levi propôs a
existência de mais quatro: a árvore das dez emanações arquetípicas, a
árvore dos dez arcanjos, a árvore das dez falanges angélicas e a árvore
dos dez astros do sistema solar.

                      O pensamento ocultista

 No entanto, cabe observar que, embora desde Levi os ocultistas nunca
mais tenham deixado de admitir a interdependência entre o Tarô e a
Cabala, a verdade é que, além de um não se encaixar perfeitamente ao
outro, não existem quaisquer provas históricas desta ligação. O fato é
que não existe um consenso sobre a correspondência entre as duas
linguagens simbólicas e que, adicionando-se as associações com a
astrologia, a discussão dos ocultistas se transformou em uma verdadeira
babel de imagens sem que nenhum autor tenha conseguido o ‘feito’ de
estabelecer um sistema de analogia perfeito. Pode-se distinguir duas
grandes correntes do ocultismo que defendem associações diferentes
entre o Tarô, a Cabala e a Astrologia: os seguidores de Eliphas Levi,
também conhecidos como ocultistas continentais, e os adeptos do
sistema desenvolvido pela ordem Golden Dawn e aperfeiçoado por
Aleister Crowley, também chamados de ocultistas anglo-saxãos.

 O primeiro grupo - que conta com os nomes de Oswald Wirth, Stanislau
Guaita, Gerald Encausse (Papus) e G. O. Mebes - se caracteriza pela
associação da carta do Louco à letra hebraica Shin e ao trigésimo
primeiro caminho da Árvore da Vida. O pensamento deste grupo foi
hegemônico até o final do século passado. Neste século, no entanto, o
Tarô se desenvolveu e popularizou bastante devido ao surgimento da
ordem ocultista Golden Dawn, fundada por McGregor Master e W. Wynn
Westcott. A principal característica deste grupo é a associação do
Arcano do Louco à letra Aleph e ao décimo primeiro caminho da árvore.
Seguindo este princípio, Sir Charles Waite e Aleister Crowley, os dois
maiores expoentes da ordem, foram responsáveis por belos tarôs e por
uma vasta obra teórica (5).

Crowley, talvez o mais polêmico ocultista de todos os tempos, ampliou
bastante as correspondências simbólicas do Tarô e da Cabala com
outros sistemas como a Astrologia, o I Ching, perfumes, cores, objetos
mágicos, lançando as bases da feitiçaria moderna. Mesmo discordando
de seus rituais e do seu comportamento excêntrico e macabro, a maioria
dos pensadores que sucederam Crowley adotaram seus sistema de
correspondência, expressas no seu livro ‘777’. Este grupo de autores é
predominante atualmente e conta com nomes como os Dion Fortune,
Allan Watts, Gareth Knigth, Israel Regardie e Robert Wang, entre outros.
Além desses dois grandes grupos de ocultistas, também existem autores
independentes que defendem seus próprios sistemas de associação,
como Paul Foster Case e o misterioso ‘Zain’ do Templo da Luz, que
adota o critério cromático em seu sistema.

 As hipóteses sobre a origem da Cabala adotadas pelos ocultistas não
são menos delirantes que as do Tarô. Para uns, ela foi ensinada pelos
anjos aos homens para que eles conseguissem voltar ao Paraíso
Primordial. Para outros, ela foi recebida por Set, o terceiro filho de Eva,
ou Enoch, Abraaão e Melkisedk. Há também versões de que ela
diretamente ditada por Jeová a Moisés, durante sua permanência, por
quarenta dias, no monte Sinai.

Do ponto de vista historiográfico, no entanto, sabemos que a Cabala,
como tradição oral do misticismo hebraico, data da época do segundo
cativeiro babilônico, sendo uma espécie de adaptação do simbolismo
astrológico dos caldeus ao monoteísmo judaico. Podemos inclusive
desconfiar de que a Árvore da Vida é uma interpretação axial do símbolo
do Eneagrama mesopotânico. Por muitos séculos, a Cabala foi
transmitida oralmente como um tipo de exegese mística do Torah até
que, por volta do ano 100 d.C., surgiram o Sepher Yetzirah e o Zohar.
Desde então, a Cabala teve vários ciclos distintos dentro da tradição
judaica, com características bastantes diferentes (o ciclo mágico da
Floresta Negra, o ciclo filosófico-especulativo da Espanha no Século XII,
o ciclo monástico de Safed dirigido por Isaac Luria), mas só se
popularizou quando foi apropriada e deformada pelo pensamento
ocultista.
Diante desta popularização distorcida promovida pelos movimentos
ocultistas, nada mais normal do que os estudiosos da Cabala ligados ao
judaísmo protestassem com veemência. Para a maior autoridade
historiagráfica da Cabala Hebraica neste século, Gershom Scholem, por
exemplo:

(...) “as atividades dos ocultistas franceses e ingleses foram inúteis e
serviram apenas para gerar uma grande confusão entre os
ensinamentos da Cabala e suas próprias invenções, tais como a suposta
origem cabalística das cartas do Tarô”. (6)

Tentando salvaguardar a associação das duas linguagens simbólicas,
Robert Wang tentou responder às objeções de Scholem, afirmando que
há uma Cabala Hebraic

TARÔ (TAROT)
    Uma das grandes utilizações do Tarô, muito usada em antigas
civilizações, bem como no mundo atual por aquelas que mantém suas
tradições vivas, como alguns povos orientais e os indianos, é o uso de
suas lâminas como fonte de inspiração para meditação, seja como
Yantras (mantras visuais) ou Mandalas pessoais, de forma que cada
lâmina tome-se uma valiosa peça, inspirando mergulhos interiores cada
vez mais ricos. Também pode ser usado, segundo o tarólogo e astrólogo,
Antonio Zanon Melo, todo o baralho em cada seção, um baralho diferente
de cada vez ou uma mistura de baralhos, essa última em estágios mais
adiantados.

   De qualquer forma o mergulho na alma é cada vez mais intenso -
afirma ele. Com a evolução nessa meditação, símbolos que passaram
desapercebidos passam a compor um novo sentido.

    Quanto ao baralho, ele diz que podemos usar diversos, sendo que
grandes desenvolvimentos são propostos pelo uso do Tarô de Crowley
(ou Livro de Thot) com sua infinidade de símbolos mágicos e do Tarô de
Mme. Indira, que traz em si a herança da antiga ciência do
"Mahabbarata", ciência que presenteia ao dono desse Tarô, pelo simples
fato de manipulá-lo e usá-lo sempre junto a si, paz interior e serenidade,
sendo ainda excelente para o desenvolvimento da clarividência e da
mediunidade latentes.
Essa meditação - acrescenta - permite ao seu praticante sair de seu
universo limitado pelos cinco sentidos e ver o futuro com lucidez e
clareza. Importante é que cada uma de suas lâminas ou Yantras (mantras
visuais) apresenta um grupo de símbolos que, vistos como conjunto,
representam um sistema de energias em que a humanidade está
presente como um todo, com seu eterno registro de idéias e pensamentos
(Akashico), assim como Hecate com todo o mal do mundo.

    Zanon diz que, tradicionalmente, esses baralhos dividem-se em
Arcanos Maiores e Menores, apresentados de forma separada ou como
síntese. Há também no Tarô, assim como nos baralhos modernos a
divisão em quatro naipes: espadas, paus, copas e ouros. Esses naipes
representam os quatro elementos, respectivamente: ar, fogo, água e terra.

   Na 1ª meditação - explica - importante é que o praticante entenda que,
para essa finalidade, não há uma maneira certa de usar as lâminas,
sendo que o melhor dos métodos é aquele que emerge de si como numa
inspiração (Escola Interna, o aprendizado com com o mentor ou guia
espiritual Interno). Então, inicialmente, deve o praticante misturar as
cartas e olhar lentamente o baralho, lâmina por lâmina, separando em um
monte aquelas pelas pelas quais experimenta forte atração, bem como
em outro, aquelas que provocam urna sensação desagradável. Deve,
então, novamente olhar as cartas que o atraem e guardar mentalmente
seus nomes, pois essas serão as cartas que irão ajudá-lo em suas
meditações iniciais. Também devem ser registradas as lâminas que não o
agradaram nessa vista.

   Segundo Zanon, com o passar do tempo, prosseguindo na prática
continuada com as lâminas, sua sensibilidade irá mudar sua reação ao
simbolismo de certas lâminas. Dai, sua relação com o Tarô deve ser de
amor e amizade. Quanto ao local de meditação, ou intimismo com o Tarô,
esse não deve ser confuso nem ruidoso, e sim calmo, transmitindo paz e
sossego. Se necessário. pode o praticante usar música relaxante externa
(ou interna, dependendo de seu grau de desenvolvimento) e incenso,
cultivando cada vez mais sua intimidade com o Tarô. Suas vestes devem
ser livres e arejadas.

   Tomadas essas providências iniciais, poderá começar a prática -
recomenda. Primeiro, com a respiração, que deve inicialmente ser
profunda. Posteriormente, devemos acrescentar-lhe ritmo, observando a
regra: quando o ar entra, a barriga sai; quando o ar sai, a barriga entra.

   Ele recomenda também que devem ser observadas as seguintes
regras de postura: as costas devem estar eretas, o rosto e o restante do
corpo descontraídos, os olhos. vendo sem forçamento, sendo que a
respiração deve ser exclusivamente via nasal e silenciosa. Então, após a
inspiração profunda deve o praticante reter o ar por expirando, visualizar e
sentir suas tensões corporais deixando seu corpo. Assim deve continuar
por algum tempo, por mais três ou quatro vezes. Esse exercício de
respiração é apenas um início do preparo para a meditação, limpando o
corpo, desimpedindo os canais para a abertura do espírito.

    Após os respiratórios - diz Zanon, deve o praticante olhar (sem se
concentrar, apenas olhar) a carta ou cartas eleita(s). Também não deve
pensar nas imagens. Deve deixar que seu Eu interior, seu mentor ou guia
espiritual interno trabalhe a imagem enquanto descansa. Nesse momento,
pode o praticante sentir sua mente cheia de pensamentos, sendo alguns
diretamente ligados com símbolos do Tarô. Outros que não fazem sentido
no momento. Isso é normal cm meditação. São obstáculos que serão
vencidos com a prática, bem como sons ambientes. Vencer isso é um
passo para atingir a clarividência e a consciência cósmica.

    Mas, segundo o tarólogo, a grande barreira é o pensamento "medito
certo?". Então, não existe uma forma correta de meditar, apenas
inicialmente deve haver menos preocupação com a técnica e mais com o
relaxamento. Isso irá acelerar o caminhar do praticante para o contato
com seu mentor. E recomendável que, quando o praticante sentir os
pensamentos derivados chegarem à mente, aumente o relaxamento e,
também, aumente vagarosamente sua atenção ao Tarô. Deve
suavemente olhar a(s) lâmina(s), seu simbolismo, sem estudá-los, apenas
olhar. Deixar que os símbolos o conduzam ao seu interior, sabendo que o
pensamento inspirado pela lâmina não é importante, e sim a inspiração,o
inspirar (respirar) a lâmina e deixar que essa atue internamente.

   Zanon Melo diz que esse é o caminho do Tarô para a criatividade, o
seu centro interior, o encontro com seu mentor e sua exaltação. Ao
completar essa viagem interior. as cartas terão um novo significado,
assim como tudo a sua volta, pois estará repleto de uma imensa paz
interior.

    Quanto aos períodos de meditação, o tarólogo lembra que esses
variam e devem ser prolongados de forma natural, de acordo com a
evolução de cada praticante. Diferentes escolas recomendam tempos
diferentes. E recomendável que seja regular e sempre no mesmo
ambiente. Swami Sivananda, recomenda uma vez ao dia entre 4 e 6 da
manhã, pois nesse horário a mente está calma e fresca, bem como a
atmosfera. A Linha Transcendental recomenda duas vezes ao dia. Sem
embargo, a meditação nas lâminas é parte essencial à tirada das cartas
com vidência e inspiração, garantindo previsões cada vez mais acertadas,
assim como insights inusitados para o praticante.




Alberto Lyra " Qabalah - A doutrina secreta dos judeus numa
perspectiva ocidental" - Editora Ibrasa

A Qabalah é geralmente considerada uma doutrina mística da religião
judaica. Na realidade, ela é mais do que isso: seu pensamento,
extremamente rico, não se enquadra num sistema filosófico ou religioso,
não tem nada de dogmático.

De acordo com a tradição judaica, historicamente a Qabalah teria
surgido da seguinte forma: "Moisés recebeu (Kibel:deste termo deriva
kabala ou Qabalah) a Tora (o Ensinamento, a Lei) sobre o Monte Sinai;
ele transmitiu( ou-messara) a Josué, que por sua vez a remeteu aos
profetas e estes últimos a transmitiram aos membros da Grande
Sinagoga.

A Qabalah, entretanto, segundo os estudiosos, entre estes Alexandre
Safran (La Cabale - Ed. Payothéque), ultrapassa, em antiguidade, a
Revelação Judaica. Ela remonta aos tempos pré-históricos. Moisés a
teria introduzido na história de Israel. A Qabalah transpôs os limites de
uma mística religiosa, para ser mais bem compreendida como uma
tradição esotérica.
...O mundo contemporâneo assiste a uma explosão de seitas e
doutrinas; gurus aparecem por toda parte oferecendo algo novo que na
maioria das vezes não é mais que uma mistura de fragmentos de
doutrinas reunidos em visões pessoaos, nas quais os aspectos práticos
do misticismo (exercícios, meditações etc,) são afastados de seu
contexto de origem, criando assim graves perigos para quem os pratica
e dos quais, portanto, esses mesmos gurus não se fazem responsáveis.
Esta explosão não é casual. É a resposta que o homem moderno
encontrou para enfrentar a grave crise espiritual que sofre. Defende-se,
diríamos, buscando misticismo, ocultismo ou religião. O homem vive em
um mundo mecanizado, cheio de técnicas, preso por uma razão que não
o envolve totalmente e, ao mesmo tempo, desamparado em sua
angústia existencial.

Frente a esse inúmeros "messias" de ocasião existem outros homens,
pouco comuns, que renunciam inventar "sua" própria doutrina para
dedicar-se paciente e laboriosamente a resgatar as verdades que a
sabedoria dos antigos mestres nos deixou e que o passar do tempo
relegou a livros guardados em museus ou a grupos iniciáticos,
hermeticamente fechados, que guardam essas mensagens até que
chegue uma hora propícia."

O que é Cabalá?

Cabalá é uma palavra em hebraico que significa "Recebimento". Mas
receber o quê? Receber respostas.


Os conhecimentos da Cabalá são estas respostas. A humanidade
sempre sentiu a necessidade de definir o seu papel dentro do infinito
mistério do universo.

Como chegamos aqui? Por que existimos? Por que coisas negativas
acontecem com pessoas boas? Quais são os caminhos para uma
realização plena e constante?

Infelizmente as respostas são poucas e muito distantes. A Cabalá
fornece essas respostas.

Em geral vivemos em constante oscilação e caos. Mas nós podemos
mudar tudo isso através de um poder tão misterioso que chega a
desafiar até as mentes dos grandes cientistas, embora uma simples
criança o use com freqüência sem mesmo pensar a respeito.
Este poder é chamado Cabalá, e com ele nós podemos refazer nossas
vidas. Nós podemos mudar o nosso destino e a nós mesmos num
extraordinário reino que existe por trás de nossos cinco sentidos
limitados.
Este outro reino consiste em infinita plenitude, realização e ordem. É o
mundo dos milagres constantes.

É o lugar onde o prazer, a alegria, a cura e a felicidade se originam.
E embora não possamos tocar fisicamente e ver essa realidade neste
momento, você deve saber que ela é tão incontestável quanto a
gravidade e tão verdadeira quanto os átomos no ar.

Embora esse reino exista por toda a eternidade, somente agora ele está
emergindo num mundo em que as pessoas estão prontas e capazes de
compreendê-lo à luz da tecnologia e das maravilhas do século 20. E ele
chega bem a tempo! Os cabalistas sabem como fazer as coisas boas
acontecerem, por saber em primeiro lugar porque as coisas ruins
acontecem.
A estrutura do Tarô: 78 ARCANOS

     O tarô é constituído de 78 cartas que denominamos de arcanos
(mistério, oculto, o que precisa ser desvelado) e estão divididos em dois
grupos:

 22 arcanos maiores, um conjunto de símbolos estruturados com
 atributos evolutivos e sintomáticos, caracterizando-se pela
 complexidade ornamental.
 56 arcanos menores, um conjunto de símbolos estruturados com
 atributos sinalizadores e secionados em quatro níveis, caracterizando-
 se pela simplicidade.

      Os arcanos maiores se reportam à mente abstrata, ao mundo
subjetivo, aos poderes da criação, diretos e árbitros, que a consciência
manipula para seu universo; os arcanos menores se lançam à mente
racional, ao mundo do objeto, aos poderes da concretização,
independente da vontade e ação dos primeiros --- Os arcanos maiores
é a energia de uma situação e os arcanos menores a forma dessa
energia ---.

 Um se relaciona com a formação da VIDA e o outro com a
 manifestação da FORMA. Ambos os caminhos explicam a trajetória do
 homem, de seu nascimento à morte; ou a criação do próprio universo,
 de seu despertar ao seu adormecer; ou ainda as vias percorridas em
 alguma situação específica, seu avanço ou retrocesso, seu declínio ou
 progresso.

                         22 arcanos maiores
Os arcanos maiores são estruturados com 21 arcanos numerados e
01 arcano sem número totalizando 22 arcanos; todos contêm nome e
simbologia extremamente diferentes um do outro. Eles formam uma
cadeia simbólica, individual e evolutiva, sempre com o arcano
numericamente sucessor: o arcano 01, O Mago (livre-arbítrio, início),
evolui simbólica e sintomaticamente para o Arcano 02, A Sacerdotisa
(reflexão, passividade). Por sua vez o Arcano 02, A Sacerdotisa, evolui
para o Arcano 03, A Imperatriz (dedução, desenvolvimento), este para o
Arcano 04, O Imperador (controle, autoridade), e assim, sucessivamente
até o último arcano numerado - o arcano 21, O Mundo (conclusão,
realização). Complementando o circuito evolucional surge o arcano Sem
Número, O Louco (nada, vácuo), revelando-se um elo de ligação entre o
arcano 21 e o arcano 01 para a formação de uma nova fase de ação
e/ou desejo; este processo simboliza uma ponte entre o fim e o começo,
o passado e o futuro, a continuidade da vida. Todos os arcanos maiores
se reportam ao eterno ciclo natural da existência: começo-meio-fim...
nascimento... começo-meio-fim... nascimento... e assim eternamente na
vida humana e cósmica.

                         56 arcanos menores




      Os arcanos menores são estruturados em quatro séries de 14
arcanos (4 x 14), que denominados de naipes de Ouros, Espadas,
Copas e Paus, totalizando 56 cartas. Cada série contém quatro arcanos
denominados de "Corte": Pajem, Cavaleiro, Rainha e Rei, e mais dez
arcanos numerados de 01 (Ás) ao 10. As quatro séries — Ouros (plano
material), Espadas (plano mental), Copas (plano sentimental) e Paus
(plano transcendental), formam cadeias simbólicas sinalizadoras e
lineares do Pagem ao Rei, seguida do Às ao 10. Ao contrário dos
arcanos maiores, não têm função cíclica, delimitam a trajetória de um
determinado plano: material, mental, sentimental ou espiritual. Embora a
corte e os numerados tenham evolução entre si, cada qual representa
um aspecto individual e particular de manifestação da série
correspondente; a corte também pode simbolizar personalidades ou
pessoas, contudo, dão uma visão mais ampla da situação.

  Um fator interessante nos arcanos menores é que temos dois
 conjuntos distintos e autônomos: dezesseis arcanos da corte e
 quarenta arcanos numerados; porém, se retirarmos o simbolismo dos
 quatro elementos (terra, ar, água, fogo) contidos nas cartas dos naipes
 de Ouros, Espadas, Copas e Paus, restarão somente 4 figuras
 distintas: Pajem, Cavaleiro, Rainha e o Rei, e mais dez cartas
 numeradas de 1 (Ás) a 10. Na realidade temos somente três fatores
 simbólicos para serem analisados: as figuras da corte, a seqüência
 numérica, e ambas tendo como pano de fundo os quatro elementos:
 terra (Ouros), ar (Espadas), água (Copas) e fogo (Paus).

                         Interação Oracular

    Resumindo: A intenção da psique ou do destino (arcanos maiores)
numa relação direta com seus objetivos (arcanos menores/naipe) se
manifesta numa personalidade ou situação (arcanos menores/corte),
para realizar um plano de ação ou uma trajetória natural (arcanos
menores/numerados).

 Por Exemplo: penso e tenho (ou não) condições de comprar um carro
 - representado pelos atributos dos arcanos maiores; adquiro (ou não) o
 veículo - representado pelos atributos dos arcanos menores; contudo o
 carro por si só não se transforma, dependerá de minha ação no plano
 mental (atributos dos arcanos maiores), para reformá-lo, vendê-lo, ou
 outra coisa qualquer no plano real (atributos dos arcanos menores).
 Outro exemplo: estou desejando (posso conseguir ou não) me casar
 (arcanos maiores), consigo (ou não) namorar e casar (arcanos
 menores), todavia dependerá de minhas atitudes e comportamentos
 (arcanos maiores) a manutenção do namoro ou do casamento
 (arcanos menores), somente o compromisso verbal ou a certidão de
 casamento não garantirá a felicidade.

    Assim poderemos observar que na estrutura do arcanos
menores haverá sempre uma direção determinada pela força dos
arcanos maiores.
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  • 1. Curso de Tarot on-line gratuito Magia do Tarô Grupo Magia do Tarô – www.grupos.com.br/magia-do-tarot Site : www.tarotastral.hpg.com.br Dúvidas : magia-do-tarot@grupos.com.br Moderadora : samarastral@uol.com.br Obs* Todas as mensagens abaixo forma enviadas para o grupo magia do tarô, caso queira pegar mensagens antigas que não constam aqui, basta entrar no site do grupo e clicar no link “ ler mensagens”. O BÁSICO SOBRE O TARÔ O Tarô é um baralho com 78 cartas `as quais chamamos de Arcanos , que se subdividem em 2 grupos : Arcanos Maiores e Arcanos Menores. Nos Arcanos Maiores temos 22 cartas e nos Arcanos Menores, naturalmente , 56 cartas . Existem hoje uma infinidade de Tarôs, o que significa que muitos estudiosos, magistas e desenhistas criaram variedades de figuras, cores e formas baseadas em um único tipo de Tarô (O Tarô Clássico) fato esse que nos possibilita uma opção maior na hora de escolher o Tarô que queremos jogar. Vale lembrar que dentro dessas novas opções existem baralhos com alteração no número de cartas, não sendo portanto o Tarô tradicional que advém do original mas sim cartas com um sistema próprio, pois `aquele que chamamos Tarô necessariamente deve ter 78 cartas- nem uma a mais nem menos. Afora isso, a diversidade de nomes e ilustrações fica por conta da preferência do tarólogo. Por isso, para quem se interessa por aprender vale dizer que quando aprendemos a jogar um Tarô podemos utilizar qualquer outro. Algumas pessoas preferem trabalhar e ensinar apenas um tipo de Tarô mas certamente sabem jogar os outros. Usam um em especial por uma questão de escolha própria.
  • 2. Sua origem, quem o criou e de que forma o fez é um mistério. Muitos pesquisadores buscaram a exatidão desses dados mas sem muito sucesso, pois tudo o que temos são datas aproximadas.O primeiro registro data do século XIII .Temos a Europa como o lugar mais provável de ter sido visto pela primeira vez. A partir dessa época, foi disseminado como jogo e ensinamento pelo mundo todo, sendo reconhecido por estudiosos como um Livro Sagrado, cujas páginas vêm soltas, para busca de aprofundamento e conhecimento. Apesar de ser chamado de Oráculo, o Tarô é um jogo. Não se trata de uma conexão direta com Deus ou um instrumento dos Deuses manipulado por seres humanos , e sim de um baralho que possui os quatro naipes (ouros, copas, espadas e paus) e mais 22 lâminas, citadas anteriormente. Foi criado pelo homem ( e para o homem). Sua função é , entre tantas coisas, transmitir informações e conhecimentos através de suas imagens. Qual a diferença entre um baralho comum e o Tarô? A princípio podemos dizer que o baralho comum possui todos os naipes e a corte ( rei, rainha e valete); o Tarô possui os naipes, a corte- com acréscimo de mais uma carta, a princesa ou pagem- acrescentadas aos Arcanos Maiores. Ou seja, temos 26 cartas a mais nos Arcanos Menores, contando-se que temos nelas desenhos, imagens, figuras e formas variadas( na maioria dos Tarôs), com diversas cores e informações para auxiliar a interpretação dos símbolos, a intuição e a imaginação criativa. É uma verdadeira ?chave? para a visualização.Cada carta tem uma filosofia, uma mensagem e a combinação delas a cada jogo é rica e diferente. As formas e tipos de jogos também são numerosos , podemos ter uma leitura a partir de uma carta até figuras geométricas interpretadas por inteiro.O fato de termos muitas cartas num jogo, ou seja, abrirmos uma série de cartas para serem interpretadas de uma só vez não significa que tenhamos um jogo melhor ou mais completo que os outros. Existem tarólogos que com apenas uma carta passam informações suficientes para muito tempo de reflexão! Sendo assim o importante é aprender com dedicação e fazer o melhor possível em seu jogo a fim de esclarecer dúvidas ou abrir caminhos para quem os busca ( mesmo que esse alguém seja você mesmo!!!). Dessa forma, temos em cada lâmina um novo aprendizado, vindo através das formas, dos números, do nome, da posição...e de muitas
  • 3. outras fontes de informação.Com responsabilidade, seriedade, respeito ao livre-arbítrio (nosso ou do consulente) e ética podemos ter no Tarô a chave de muitas ? portas? , a saída para diversos caminhos e a busca pelo auto-conhecimento. Tendo em mãos os elementos necessários para um bom jogo ou leitura das cartas certamente encontraremos o que buscamos para nós ou nosso semelhante. REFLEXÃO COM O TARÔ Parte 01 . . . . . .Desde os tempos mais remotos até os dias de hoje o Tarô tem uma possibilidade vasta de uso: de um jogo divinatório até a terapia. Muitas pessoas trabalham com as 78 cartas voltadas para o auto- conhecimento e o aprofundamento em torno de si mesmo, expandindo seus jogos para uma reflexão maior dos Arcanos e seus símbolos. Para isso é necessário estudar o tarô e desejar esse processo de re- descobrimento. A partir daí, todos os dias e a cada carta, aprendemos mais sobre nossos comportamentos e praticamos uma nova forma de reflexão. Cada profissional utiliza as lâminas `a sua manei!ra, o que não altera o resultado, uma vez que se o destino é o interior do indivíduo o caminho a ser percorrido é da escolha de quem o fará e também de quem o guiará ou o acompanhará nessa jornada.
  • 4. Abaixo segue uma das formas simples e eficientes de se trabalhar com o Tarô enfatizando seu uso terapêutico e individual. Serão propostos exercícios de reflexão em 6 etapas, utilizando no máximo 5 cartas a cada vez. Lembre-se que o ideal é realizar essa tarefa de forma sutil, ou seja, não se obtém resultados de uma só vez. Procure fazer 1 carta por dia, e assim, dar-se tempo de sentir a vibração própria que cada carta proporciona. Separando os Arcanos Maiores, teremos 22 cartas. Cada uma delas trará `a tona aspectos ligados `a nossa personalidade e `as nossas características, ou seja, em cada carta analisada devemos levantar seus aspectos favoráveis e desfavoráveis, ver como cada um deles está dentro e fora de nós ( pois nem sempre aparentamos o que realmente sentimos ou gostaríamos de aparentar) e a partir daí buscarmos na visualização da lâmina a postura ideal para harmonizarmos externo com interno, desejo com realidade, anseios com receios e assim por diante. Nota: Procure fazer essa análise usando um Tarô, pois a visualização final é importante para harmonizar os aspectos encontrados e avaliados. Carta I - O MAGO - Aquele que inicia tudo, que promete buscar, tem em si o talento e as possibilidades, lidera, ousa e almeja. Trata-se de um espírito jovem, um indivíduo que projeta e planeja, promete crescer e realizar!!! Por outro lado, necessita de esforço e persistência para que seu impulso se torne realidade constante... * A partir daí podemos fazer uma re-avaliação: Como andam seus projetos, seus anseios, de que forma os tem trabalhado e respeitado? Será que o plano mental tem dado vazão ao plano sentimental ? Como não viver apenas num mundo ilusório e partir para a realização e concretização das idéias???Você tem acreditado em si mesmo??? Reflita sobre esses aspectos e tantos outros que esse comportamento provoca... Carta II - A SACERDOTISA - Uma mulher serena, introspectiva, indicando postura reflexiva . Ela compreende a sabedoria que carrega dentro de si e também o que deve estar sempre aprendendo. É a polaridade complementar, a parceria, a concessão, o entendimento. * Nesse contexto vale analisar como se encontra a sua reflexão, a sua sabedoria. Você tem ouvido `a si mesmo? Tem feito sua parte no que diz
  • 5. respeito `a complementar outras pessoas, fazer parceria, sem necessidade de retorno? Sua introspecção traz bons frutos ou se torna , muitas vezes, divagação? Nesses momentos, nada como o silêncio para nos ensinar a convivência com a própria sabedoria e poder assim dar sem precisar do retorno alheio... Carta III - A IMPERATRIZ - Uma mulher novamente serena, mais leve em suas vestes e já atuante, mesmo sentada! Traz a noção de iniciativa e criatividade, aquele que sabe criar e crescer, desenvolver suas idéias com sua iniciativa. A produção - fonte inacabável que o ser humano tem dentro de si...seus conhecimentos! * Nesses parâmetros, analise como anda seu Universo criativo, seu Mundo das Idéias ( Não dos sonhos!) e sua produção interna. Lembre-se da sensação que tem todas as vezes que resolve um problema, que gera um pensamento novo diante de uma fato antigo, da cadeia fantástica que carrega seu cérebro quando surgem novas saídas... como anda esse Universo? Carta IV - O IMPERADOR - Um homem que sabe sobre o controle e o domínio. Faz seu trabalho com o coração e com precisão. Busca a harmonia coletiva em sua rigidez e seu senso de ordem, segurando e prendendo o que precisa ser preso para assim poder governar em paz. * Quantas vezes fazemos o mesmo com nossos sentimentos? Ao contrário disso, pense quantas vezes não tenta prender o seu lado emocional e solta apenas o mental...e se fizesse o oposto? Tente prender e segurar o processo mental que muitas vezes destrói o mesmo sentimento que o criou! Vale a pena governar a si mesmo com o coração solto, e a mente controlada... CARTA V - O SACERDOTE - Um homem que atingiu o topo de sua religiosidade ensinando aos seus discípulos o que sabe. Lida com dogmas e princípios de forma bondosa e caridosa, sabendo o peso que as regras limitadoras têm sobre seus instruídos. Sua fé o ensina e motiva. * Partindo dessas palavras vale notar de que forma tem instruído as pessoas `a sua volta... todos somos instrutores, pois temos nossa experiência pessoal e sobre ela o conhecimento é total. Quando
  • 6. ensinamos essa experiência temos importância fundamental na vida das outras pessoas. Analise de que forma tem feito isso e se as regras estão direcionando Através dessas 5 primeiras cartas temos o início de uma auto-análise muito interessante. Os aspectos extraídos das lâminas são apenas alguns, visto que a cada dia podemos encontrar novos detalhes, novas posturas e processos. O importante aqui é iniciar uma jornada pessoal e a partir dela buscarmos sempre novos conhecimentos dentro de nós mesmos. O Tarô fará um papel primordial: reavivar o que sempre soubemos e por vezes nos esquecemos que carregamos : nosso Caminho, nossa sabedoria e o Conhecimento. REFLEXÃO COM O TARÔ Parte 02 . Nessa segunda parte faremos um trabalho diferente do texto passado, analisaremos apenas uma carta. Por um motivo simples: seu aspecto é por demais profundo e requer um estudo mais detalhado. Naturalmente não há Arcano mais importante, nem a carta somente positiva ou negativa. Todas as cartas carregam em si o positivo e negativo- as polaridades- sendo completas e perfeitas, naturalmente. O fato é que algumas delas contém ensinamentos que para nós se tornam mais delicados ! Sendo assim, existe a necessidade de as pesquisarmos separadamente. Se separarmos as cartas em grupos , como ensina Nei Naiff, teremos Caminhos distintos: Da carta 1 `a 5 -Caminho da Vontade; Carta 6 - Caminho do Livre-Arbítrio; Da carta 7 `a 11 - Caminho do Prazer ; Da carta 12 `a 16 - Caminho da Dor; Carta 17- Caminho da Esperança; da Carta 18 ao Arcano Sem Numero - Caminho da Evolução. A partir dessa divisão, obteremos nossas reflexões. Os detalhes sobre esses Caminhos cabem aos interessados buscarem com o próprio Nei Naiff em seu site , estudando sob sua ótica os passos do Homem. `A nós, compete aqui dar continuidade aos exercícios com os Arcanos utilizando uma divisão criada pelo estudioso e pesquisador descrito acima.
  • 7. O Arcano 6, Os Enamorados ou Os Amantes, traz em sua filosofia de base a amorosidade e a opção. Mas qual a melhor forma de unir as duas coisas? Muito bem, a partir de uma noção muito anterior aos conceitos e princípios da civilização: o livre-arbítrio. Nessa palavra encontramos tantos caminhos que muitas vezes desejamos não lembramos dela a fim de não experimentarmos a insegurança natural que ela traz. Revivendo a idéia de que estamos nessa vida para construirmos nosso próprio destino e que todos os nossos semelhantes também o estão, perdemos um ponto de referência muito utilizado e conhecido- o de que o destino já está traçado. Se temos autonomia para fazermos nossa vida, mudarmos tudo o que não nos agrada e, enfim, podermos caminhar em direção `a nossa Vontade, passamos a nos responsabilizar pela nossa própria felicidade. Portanto, vivenciamos o fato de que a nossa vida é responsabilidade nossa e tudo o que se trata disso é nossa opção. Opção essa feita com o coração! As decisões fazem parte do nosso cotidiano, o tempo todo. Ir ou não ir, fazer ou não fazer, querer ou não querer e assim por diante. Quando nos deparamos com um caso mais sério a ser resolvido, muitas vezes estagnamos perante o mesmo alegando que há uma decisão a ser tomada e ocasionalmente, não conseguimos fazê-la! Basta pensar que opções são feitas todos os dias, o tempo todo e que essa, em especial, não é uma situação inédita. O ato já é bem conhecido. O que varia é a responsabilidade que dele surge, o peso de optarmos com o coração, usarmos nosso livre-arbítrio e dessa atitude podermos encarar a responsabilidade da decisão, sem culpas ou medos do pecado, mas sim, aceitando arcar com nossa escolha de peito aberto e cabeça erguida! Nesse contexto, absorvemos profundamente o valor que existe no livre-arbítrio e no poder de optar com o próprio coração. Basta uma escolha e um novo Caminho mostra-se `a nossa frente... e dele a vida ( em parceria conosco, sempre!) tece sua teia, podendo ou não mudar o rumo de toda uma existência...Por isso, nesse Arcanos encontramos a necessidade do trabalho isolado. A carta, em si, não se faz mais importante. Sua filosofia é que pode vir a exigir mais atenção... Optar com o coração, com o mais profundo amor,
  • 8. em tudo o que se faz é , antes de mais nada, um ato de liberdade. Em decorrência disso, se decidimos legitimamente, encaramos nossa responsabilidade com dignidade e retidão. Assim exercemos o livre- arbítrio e aprendemos a respeitar o Caminho de todos os nossos semelhantes. Reflexão: Num local tranquilo posicione-se de forma confortável e relaxada.Caso queira, coloque uma música suave e um aroma agradável. Feche os olhos e deixe passarem por sua mente todas as suas opções, passadas e presentes. Reveja também todas as vezes que não optou. Reflita sobre a importância desse ato em sua vida. Quando terminar a prática, escreva em um papel sobre a experiência e guarde-o por alguns dias. Quando se sentir pronto, leia o que escreveu e novamente faça o exercício, mas finalizando-o com a visualização do Arcano 6 - um Homem entre duas mulheres em posição de dúvida, e acima de suas cabeças um cupido, apontando para apenas uma delas- trazendo para seu cotidiano essa energia: Quando feita com o coração, sua opção será sempre abençoada!!! Refletindo com os Arcanos Maiores Analisando os Arcanos Maiores certamente veremos muito mais que belas ilustrações, elementos conhecidos ou mesmo uma resposta para o que desejamos saber. Por trás de cada Arcano Maior existe uma oportunidade e uma chance (mais uma, quem sabe!) de nos depararmos com uma parte nossa, um fragmento, uma característica. Não é `a toa que a palavra Arcano significa segredo, mistério... em cada carta existe um conto secreto ao qual podemos nos reconhecer ! Quando assistimos a um filme e percebemos que a história relatada é parecida com a nossa, normalmente nos pegamos vivenciando o filme como se fôssemos o próprio personagem ou mesmo contando para alguém como se fôssemos nós que tivéssemos vivido aquele momento na tela. O mesmo ocorre quando nos identificamos com uma música, uma foto...e assim também podemos nos sentir ao analisarmos e interpretarmos uma carta do Tarô! Naquele exato momento podemos ver uma parte nossa ali ilustrada e quando nos encontramos em dificuldades, nessa mesma lâmina pode haver uma proposta de solução, ou algumas sugestões para mudarmos o que está nos incomodando...
  • 9. Faça um teste, experimente olhar as semelhanças... Busque numa carta que você tire aleatoriamente do seu Tarô um reflexo para o momento de vida atual. Tente ver naquele desenho o seu próprio retrato, entender esse momento para que assim você possa analisar imparcialmente o que se apresenta como a melhor solução. Seja seu consultor, experimente sair do caminho da dor e do sofrimento e através dessa compreensão encontrar as suas próprias respostas, podendo obter esse auxílio nas cartas do Tarô. Isso não é propaganda,é apenas uma sugestão. A questão aqui é expandir o entendimento a fim de que não mantenhamos postura de apenas ajudarmos aos outros e nossos problemas pessoais ficarem `a deriva. Através de um boa reflexão feita com um Arcano Maior certamente nos sentiremos mais ricos e fortalecidos , utilizando a força, a energia e as informações que brotam desse instrumento...o resto quem faz somos nós! Todos temos imaginação criativa, um decodificador natural de símbolos que nos auxilia a "entender" uma carta mesmo sem nunca a termos visto anteriormente. Basta confiar no que vê , no que sente e interpretar uma lâmina com o coração. Não existem erros quando se atua com o coração! Analise apenas um símbolo que primeiramente lhe chame a atenção na carta e não se preocupe em "formular perguntas"...deixe que esse símbolo traga `a tona uma parte sua e fale sobre ela, mostre-lhe uma forma de lidar com ela ou como a mesma se encontra. Assim, quem sabe, esses "mergulhos" possam virar um hábito e a busca pelo conhecimento tenha seu papel mais importante desempenhado sem pudores, medos ou fugas - caminhar de encontro ao conhecer a si mesmo, para poder evoluir como matéria , mente e espírito. O AUTO-CONHECIMENTO ATRAVÉS DO TARÔ Hoje em dia são tantas as propostas e maneiras de auto-conhecimento que o termo já se tornou quase um velho conhecido...e é isso que ele é! O único detalhe é que a busca real por ele ainda não é tão grande. Mas não importa, como diria um grande compositor: "qualquer maneira de amor vale a pena..." e nesse assunto eu diria que qualquer maneira de busca vale a pena, desde que seja feita com a alma e com o coração!
  • 10. Toda Arte ou Ciência, Religião ou Crença que nos leve ao crescimento interior e `a evolução deve ser respeitada, simplesmente pelo fato de fazer o bem sem olhar prá quem ou mesmo por mostrar uma porta a quem procura... É justamente por isso que essas palavras não estão aqui para impressionar e mostrar que o Tarô é o melhor método entre tantos outros. Não quero aqui menosprezar nenhum Caminho, muito menos falar do meu como a grande solução. Quero lembrar-lhe que no meio de muitos conhecimentos e inúmeras ofertas a fé é a maior arma que um Homem carrega consigo . Ele mesmo pode fazer tudo isso por si próprio...o método que escolherá para fazê-lo é uma questão totalmente pessoal , intransferível. Por isso quero sempre acreditar que todos os veículos e profissionais que se predispõem a trabalhar na " totalidade" das pessoas respeitem e esperem a mesma postura uns dos outros. É a partir daí que podemos analisar as orientações que absorvemos de forma ampla , olhando para o Tarô e vendo-o também como um Caminho, uma Filosofia de Vida e não apenas como cartas que nos responderão o futuro, deixando nossas Vidas `a mercê do destino ! Procuremos, nesses casos, trabalhar o preconceito e a idéia antiga de jogos de azar e olhar além , ver o que uma Arte- seja ela qual for - poderá nos oferecer... O Tarô é estudo, é busca, é conhecimento, não está fora de nosso alcance e não foi feito apenas para os "que nasceram com o dom" ou os" escolhidos". É antiga tradição, trabalhada pelo Homem e lapidada através dos séculos para orientar quem busque esse tipo de direcionamento. É um Livro Sagrado e mágico que oferece através de suas ilustrações uma forma sutil e bela de se desvendar os próprios mistérios. Por isso, como qualquer outra forma de fé ele se faz importante e respeitado.
  • 11. Afinal, o ideal é começar por nós mesmos, para assim existir a possibilidade de conhecer e transformar o que está `a nossa volta... se é que depois de estarmos a sós conosco sentiremos ainda a vontade de mudar os outros, ao invés de aprendermos a amá-los como são! "O auto-conhecimento é a chave para o desfrute interno e externo da paz, harmonia e equilíbrio, para uma vida saudável, fluindo do coração aberto que busca a Evolução". Kelma Mazziero AS POLARIDADES DAS CARTAS DE TARÔ ..O Tarô carrega em cada carta uma mensagem,uma filosofia , um sentido. Não existe significado para cada uma delas, não há como decorarmos uma lâmina para assim aprendermos a jogar. Sua função é mais complexa e mais profunda, o que gera muitas vezes, um mistério em torno desse baralho e que possibilita- infelizmente- o excesso de misticismo. Na realidade ele busca a Verdade de cada indivíduo e ,sendo assim, usar apenas um significado decorativo limita e empobrece o uso dessa Arte que é o Jogo de Tarô. ....Em função dos métodos atuais de jogo, muito simplificados, aprendemos que uma carta significa algo , dando-nos sempre a idéia de que algumas cartas são boas e outras não, algumas são positivas e outras negativas. Esse contexto gera um engano, pois não há como trabalharmos uma lâmina em sua superficialidade e periferia. Se todos nós temos o equilíbrio e tudo no Universo existe dessa forma: claro/escuro, negativo/positivo, feminino/masculino, etc., naturalmente encontraremos o mesmo em cada carta. Essa idéia elimina a hipótese de uma carta ser boa ou má, tira o preconceito e o medo que existe em torno de um jogo de Tarô. .....Na maioria das vezes uma pessoa , quando atendida por um tarólogo, fica muito assustada ao ver em seu jogo a carta do Diabo, da Morte ou da Torre. Dizem que são cartas ruins e que terão azar no futuro. Isso é fruto da informação enganosa que ocorre com o esoterismo no Brasil. Além de termos um limite para previsões num Jogo de Tarô - não há como ditar um futuro se trabalhamos com o livre-
  • 12. arbítrio do consulente- as cartas tem duas polaridades e dessa forma, muitas vezes, podem dizer o contrário do que nossa Lenda prega. Depende, portanto, de sua posição e do caso a ser tratado no momento! .....Dessa forma vale enfatizar que uma carta considerada boa, num dado momento pode ser desfavorável ou vice-versa.Tudo que é bom demais, em excesso torna-se ruim! Isso significa que algo favorável pode vir a ser desfavorável ou o contrário. A Morte traz um medo natural no consulente, e muitas vezes pode indicar uma transformação extremamente necessária para o momento que ele está vivendo! Assim como a Torre pode significar a reestruturação tão esperada por alguém... e o Enforcado dar a mensagem espiritual perfeita para o momento...Numa fase onde a segurança é o mais importante, a Imperatriz pode não ser a melhor saída - pois a fertilidade e o crescimento podem desequilibrar a tentativa de disciplina e ordem... .....Por isso é muito importante estarmos informados, não termos preguiça de conhecer sempre melhor o que escolheremos como método de orientação. No caso do Tarô é imprescindível que o consulente saiba buscar auxílio para o momento presente, lembrando que seu futuro ele mesmo construirá com as próprias mãos...as cartas não farão nada para ele! E ainda mais importante é estar aberto `as orientações, sem preconceitos ou receios imediatos, pois seu jogo estará sendo feito para buscar soluções e não criar ainda mais problemas! Portanto, lembre-se: quando sair para você uma carta?ruim?, respire fundo e ouça a mensagem que ela traz... em seu momento presente, aquela mesma carta pode ser a saída que procura.E , como tudo na Vida, essa mesma carta tem o outro lado e trará sempre, uma segunda opção. Sobre o Tarô : O Tarô é um baralho com 78 cartas `as quais chamamos de Arcanos , que se subdividem em 2 grupos : Arcanos Maiores e Arcanos Menores. Nos Arcanos Maiores temos 22 cartas e nos Arcanos Menores, naturalmente , 56 cartas . Existem hoje uma infinidade de Tarôs, o que significa que muitos estudiosos, magistas e desenhistas criaram variedades de figuras, cores e formas baseadas em um único tipo de Tarô, O Tarô Clássico) fato esse que nos possibilita uma opção maior na hora de escolher o Tarô que queremos jogar.
  • 13. Vale lembrar que dentro dessas novas opções existem baralhos com alteração no número de cartas, não sendo portanto o Tarô tradicional que advém do original mas sim cartas com um sistema próprio, pois `aquele que chamamos Tarô necessariamente deve ter 78 cartas- nem uma a mais nem menos. Afora isso, a diversidade de nomes e ilustrações fica por conta da preferência do tarólogo. Por isso, para quem se interessa por aprender vale dizer que quando aprendemos a jogar um Tarô podemos utilizar qualquer outro. Algumas pessoas preferem trabalhar e ensinar apenas um tipo de Tarô mas certamente sabem jogar os outros. Usam um em especial por uma questão de escolha própria. Sua origem, quem o criou e de que forma o fez é um mistério. Muitos pesquisadores buscaram a exatidão desses dados mas sem muito sucesso, pois tudo o que temos são datas aproximadas.O primeiro registro data do século XIII .Temos a Europa como o lugar mais provável de ter sido visto pela primeira vez. A partir dessa época, foi disseminado como jogo e ensinamento pelo mundo todo, sendo reconhecido por estudiosos como um Livro Sagrado, cujas páginas vêm soltas, para busca de aprofundamento e conhecimento. Apesar de ser chamado de Oráculo, o Tarô é um jogo. Não se trata de uma conexão direta com Deus ou um instrumento dos Deuses manipulado por seres humanos , e sim de um baralho que possui os quatro naipes (ouros, copas, espadas e paus) e mais 22 lâminas, citadas anteriormente. Foi criado pelo homem ( e para o homem). Sua função é, entre tantas coisas, transmitir informações e conhecimentos através de suas imagens. Qual a diferença entre um baralho comum e o Tarô? A princípio podemos dizer que o baralho comum possui todos os naipes e a corte ( rei, rainha e valete); o Tarô possui os naipes, a corte- com acréscimo de mais uma carta, a princesa ou pagem- acrescentadas aos Arcanos Maiores. Ou seja, temos 26 cartas a mais nos Arcanos Menores, contando-se que temos nelas desenhos, imagens, figuras e formas variadas( na maioria dos Tarôs), com diversas cores e informações para auxiliar a interpretação dos símbolos, a intuição e a imaginação criativa. É uma verdadeira "chave" para a visualização. Cada carta tem uma filosofia, uma mensagem e a combinação delas a cada jogo é rica e diferente. As formas e tipos de jogos também são numerosos, podemos ter uma leitura a partir de uma carta até figuras
  • 14. geométricas interpretadas por inteiro.O fato de termos muitas cartas num jogo, ou seja, abrirmos uma série de cartas para serem interpretadas de uma só vez não significa que tenhamos um jogo melhor ou mais completo que os outros. Existem tarólogos que com apenas uma carta passam informações suficientes para muito tempo de reflexão! Sendo assim o importante é aprender com dedicação e fazer o melhor possível em seu jogo a fim de esclarecer dúvidas ou abrir caminhos para quem os busca ( mesmo que esse alguém seja você mesmo!!!). Dessa forma, temos em cada lâmina um novo aprendizado, vindo através das formas, dos números, do nome, da posição...e de muitas outras fontes de informação.Com responsabilidade, seriedade, respeito ao livre-arbítrio (nosso ou do consulente) e ética podemos ter no Tarô a chave de muitas " portas" , a saída para diversos caminhos e a busca pelo auto-conhecimento. Tendo em mãos os elementos necessários para um bom jogo ou leitura das cartas certamente encontraremos o que buscamos para nós ou nosso semelhante. O NOME TAROT O Tarô é uma poderosa ferramenta nas mãos do homem que deseja libertar-se do medo e da ignorância. Desde seu uso junto às artes divinatórias até o uso pessoal voltado para o auto-conhecimento, seu estudo, levado com seriedade e honestidade de propósitos, vem abrindo a mente humana e reaproximando o homem de sua Divina Fonte. O nome Tarô ou Tarot, como também é bastante usado, pode ser analisado de várias formas : TAROT escrito de trás para frente é igual a TORAT, que em hebraico é o nome da Bíblia Sagrada do povo hebreu. Ao ser considerada a origem egípcia temos: TAR = caminho, Rho = rei ou real Portanto: TARÔ = “ O Caminho Real” ou “Caminho da Vida”
  • 15. E , por fim: TARÔ, escrito de trás para frente tranforma-se em ROTA Desta forma, o Tarô pode ser entendido como a rota ou roteiro de uma longa jornada em que o ser humano se depara com uma série de situações representadas por cada um dos vinte e dois Arcanos Maiores, que juntos, somam todas as experiências possíveis à existência humana - o Caminho Real. Este roteiro, irá sendo revelado arcano por arcano, apresentando-se como portais que se abrem para o mundo do inconsciente individual e coletivo, fazendo o indivíduo entrar em contato com as muitas lições que cada um deles representa. À medida em que uma etapa (Arcano Maior) é concluída, passa-se ao arcano seguinte. Ao somarem-se os vinte e dois arcanos , um ciclo se completa. Durante esse percurso , o indivíduo viveu, amou, odiou, sofreu, gozou, ganhou, perdeu, cresceu e aprendeu, com todo o tipo de experiências representadas pelos Arcanos Maiores. Agora, ele está pronto, não para estacionar e dar por encerrada a sua caminhada, e sim para iniciar outra longa jornada em busca de si mesmo. Partirá novamente do ponto zero – O Louco do Tarô – porém, já em um estágio de entendimento superior ao vivido anteriormente. Desta forma, partindo do zero e a ele retornando, sempre em movimento ascendente , seu caminho vai descrevendo uma espiral rumo ao infinito. COMO JOGAR TARÔ Para jogar-se tarô é necessário uma dose de intuição e habilidade, assim você poderá até prever o futuro. Para isso, você precisará das cartas que são vendidas em livrarias ou lojas esotéricas. O baralho de tarô contém 78 lâminas, 56 delas são chamadas de ARCANOS (mistérios) MENORES, semelhantes às cartas de baralho comum, ou seja, divididos em 4 naipes: ouro, paus, espadas e copas. As outras 22, são os ARCANOS MAIORES, trazem estampas cheias de simbolismos.
  • 16. Os arcanos maiores tratam de questões humanas (personalidade e relacionamento), enquanto os arcanos menores "falam" do cotidiano, das coisas práticas. O tarô possui várias leituras. O ideal é que cada um desenvolva sua própria técnica de deitar as lâminas. O primeiro passo é analisar as cartas, observar os desenhos, símbolos e textos, os detalhes das estampas são metafóricos e representativos. Pontos, círculos e triângulos referem-se ao espírito (alma), a cruz e o quadrado representam o sofrimento físico (dor), a Ornada de fitas (forma de chapéu do Mago e da Forca) corresponde aos fatos que ocorrem na vida do indivíduo sem interferência da vontade (destino). A predominância das cores também ajuda na interpretação da lâmina, o vermelho significa agressividade e a atividade, o amarelo, atividade intelectual, o verde geralmente expresso na vegetação, leva a pensar em renovação, o branco mostra pureza, alma infinita, crescimento interior. Uma das cartas que melhor caracterizam o equilíbrio entre as cores azul e vermelha é a VIII da Justiça. Jogando • Após embaralhar as cartas, abra-as em forma de leque e retire três delas • Disponha as lâminas seguindo a ilustração abaixo • Vire a primeira carta (a da esquerda) e terá simbolizado os elementos favoráveis à realização do seu objetivo • segundo arcano (disposto à direita) vai lhe indicar o que a impede de atingir seu desejo • Revelando a terceira carta (do centro), você terá o conselho que o tarô oferece para a resolução do problema Método de Leitura
  • 17. Este é um método simplificado de leitura em que são utilizados apenas os 22 arcanos maiores 1. Você pode ler o tarô para outra pessoa mas deve deixá-la embaralhar, separar e " deitar" as laminas 2. Embaralhe os arcanos pensando firmemente na sua pergunta 3. Abra-os em forma de leque 4. Com a mão esquerda, retire três deles 5. Disponha como mostrado na ilustração acima 6. Formule a pergunta 7. Primeira carta: Representa o que está favorecendo o jogador 8. Segunda carta: Representa a dificuldade do jogador 9. Terceira carta: Representa a sugestão do tarô ao jogador O significado dos arcanos I - O Mago Criatividade, início, esforço incansável, dedicação aos ideais e busca do conhecimento. Representa a habilidade. Ele tem várias coisas sobre a mesa e parece saber manuseá-las muito bem. O Mago sabe aproveitar as oportunidades da vida. Tem os pés no chão mas o seu chapéu lembra o símbolo do infinito(um oito ao contrario). Isso quer dizer que ele não perde a noção da realidade, ao mesmo tempo em que sabe ter como meta o infinito. Recomenda que usemos as armas que estão ao nosso alcance. II - A Grã-Sacerdotisa Poder, sabedoria, bom senso, discernimento, moralismo e segurança. É a grande mãe, dona do conhecimento. Repare que seu chapéu ultrapassa os limites da carta, o que significa mente poderosa. A sua figura serena recomenda calma e o melhor aproveitamento possível das nossas experiências. Tem a seriedade de quem trata de assuntos importantes com harmonia, sabendo conciliar os opostos. III - A Imperatriz Progresso feminino, talento natural, fertilidade, intuição, poder de decisão e ação.
  • 18. Representa os valores materiais da mulher, sua fecundidade e beleza. Dona de muito poder, ela tem o cetro na mão esquerda , que por sinal está aberta. Isso significa um poder receptativo e não autoritário. IV - O Imperador Poder, honestidade, organização, segurança, realização e apoio. É o grande homem. Tem força e poder. Com o cetro na mão direita fechada, ele olha com firmeza, representando a força por meio do sucesso material. Sua coroa é vermelha e amarela, mostrando força e inteligência. V - O Sumo Sacerdote Autoridade, equilíbrio, inteligência, justiça, poder espiritual e dever moral. É o grande pai da espiritualidade. Repare que ele parece estar orientando as duas figuras que estão na parte inferior da carta. Sua coroa, além do vermelho e do amarelo, também tem o verde. VI - O Namorado Momento de escolha, liberdade, amor, união, beleza e perfeição, confiança, cautela e otimismo. Aparece dividido entre duas mulheres. Não se sabe se elas são sua mãe e namorada ou uma mulher mais jovem e outra mais velha. O seu corpo está voltado para a direita, mas sua cabeça para a esquerda. Ele representa um momento de indecisão entre o novo e o velho ou entre o arriscado e o seguro. Recomenda reflexão. VII - O Carro Equilíbrio, segurança, domínio, sucesso, triunfo, aproximação amorosa e realização. É o símbolo do sucesso. Aparece como o senhor que controla os cavalos e sabe dar a direção que quiser à sua vida. O Carro mostra que é necessário tomar as rédeas e controlar as forças psíquicas para conduzir a vida ao caminho que nós escolhemos. VIII - A Justiça
  • 19. Austeridade, imparcialidade, integridade, disciplina, decisão e prontidão. Significa o equilíbrio tanto na vida prática quanto na espiritual. Ela alerta para o senso de justiça que todos devemos ter. O broto verde que aparece no canto esquerdo simboliza a esperança de que a justiça seja feita. IX - O Ermitão Informação, sabedoria, paciência, discrição, conhecimento, estudo e prudência. É a essência da sabedoria. Aquela que só se alcança com a experiência de vida. Seu manto azul mostra que ele está recoberto de fé no seu conhecimento. A lamparina que traz na mão significa a luz da verdade. O Eremita é bom e nos remete a busca do que há de mais sincero dentro de nós. X - A Roda da Fortuna Destino, mudança, ascensão, iniciativa e êxito. Quer dizer que o mundo gira e as coisas mudam. O que hoje parece ser uma coisa, amanhã pode ser outra. Representa mudanças ou, muitas vezes, aponta para o sucesso inesperado. XI - A Forca Inteligência, sucesso, magnetismo sexual, poder invencível, maturidade, domínio do "eu" e harmonia. A mulher com expressão tranqüila consegue controlar o animal. Ela mostra que precisamos dominar o lado instintivo, os impulsos, para que atuemos com mais suavidade e beleza interior diante dos problemas. XII - O Enforcado Idealismo exagerado, abnegação, perfeição moral, hesitação, falta de vontade, traição e abandono. Repare que ele não está pendurado pela mão e sim pelo pé, e não parece estar sufocado. Pelo contrário, tem uma expressão serena com as mãos nos bolsos, como se estivesse observando. Isso quer dizer que, às vezes, temos que olhar as coisas por um outro ângulo para que posamos compreendê-las. É necessário dar uma parada para ver se não estamos esquecendo de levar algo em consideração.
  • 20. XIII - A Morte Transformação, renascimento, libertação dolorosa, mudança de país, cidade ou casa, lucidez mental, insegurança financeira. Como o nome não está no pé da carta e sim em cima, esse arcano não representa a morte, mas a superação e a transformação para algo novo. Como é predominantemente bege, aponta para mudanças no campo material. E, como as folhas caídas no chão do desenho, nós também temos que derrubar algo de nossas vidas para dar espaço ao novo, assim fazem as árvores no outono. XIV - A Temperança Equilíbrio, autocontrole, serenidade, harmonia, paciência e estabilidade. É a virtude universal, que derrama a água do seu jarro azul ( o espírito) para o jarro vermelho( a força) . Mostra a importância do equilíbrio interior, da moderação. XV - O Diabo Força misteriosa, egoísmo, sedução sem escrúpulos, sucesso por meios ilícitos e punição. Rege as grandes forças instintivas, a sexualidade, o vigor físico e o poder de atração. Ele também é o senhor do medo. Para se viver bem é preciso superar esse medo, conseguindo, então, dominar nossos instintos. XVI - A Casa de Deus Destruição, dificuldade, presunção, orgulho, fracasso, vaidade, timidez e malogro. Nesta carta, um raio aparece destruindo uma torre e fazendo com que as pessoas caiam. E é isso que ele representa: a destruição de algo estabelecido. Mas, se você olhar com atenção, vai notar que a queda não é mortal. E ela é a busca de algo novo. Após a destruição, o novo aparece. XVII - A Estrela Esperança, inspiração criadora, otimismo, autocontrole, energia, satisfação.
  • 21. Aponta para a realização dos ideais. São sete estrelas e uma grande no centro, representando a concretização de algo que se deseja muito. Os jarros de água sendo derramada significam que uma nova vida começa quando conseguimos realizar nossos ideais. XVIII - A Lua Obscuridade, advertência, forças ocultas, desilusão, entorpecimento e superficialidade. É o nosso inconsciente, sempre apontando para as sensações mais profundas que, muitas vezes, não conseguimos explicar e preferimos não ver. É preciso olhar para dentro e descobrir o que nos faz sentir de determinada maneira ou o que nos mantém presos a uma certa situação. XIX - O Sol Realização, felicidade, entusiasmo, sinceridade, prazer. É a claridade que nos permite ver as coisas e perceber bem a realidade que estamos vivendo. Ele traz segurança. Mas preste atenção nas crianças; elas mostram que quando estamos transparentes, sem mistério, ficamos com a pureza infantil. XX - O Julgamento Renascimento, libertação, iluminação do caminho, sentimento de justiça, gênio inventivo, revelação de desígnios ocultos e saúde física. Remete ao apocalipse, onde os puros de alma se levantam ao som das trombetas. Repare que os corpos são beges, mas seus cabelos são azuis, ou seja, suas mentes estão plenas de fé e emoção. O Julgamento diz que temos que ir em busca do que há de mais puro em nós mesmos. Encontrando o que restou de bom, podemos superar nossos problemas. XXI - O Mundo Sorte, recompensa, realização, finalização de obras, integridade e totalidade, encontro de amor, lucidez, liberdade e felicidade. É a realização plena e total. A carta mostra uma figura envolta numa guirlanda que começa azul, passa pelo vermelho e chega ao amarelo. Isso quer dizer que, usando nossas emoções e nossa força física, conseguimos alcançar a inteligência e a sabedoria. As quatro figuras que
  • 22. aparecem nos cantos representam os quatro elementos da natureza que conferem equilíbrio ao mundo. Representa a síntese de tudo que conhecemos. O Louco Isolamento, precipitação, loucura, confusão. É o único que não tem número. Por isso, mesmo significa liberdade. Ele olha para o infinito e, com isso, mostra que a vida é muito mais do que vemos e a felicidade pode estar além das aparências da vida cotidiana. Tem apenas uma trouxinha com o essencial e, no entanto, tem uma expressão tranqüila. Isso quer dizer que muitas vezes nos preocupamos com coisas superficiais e não percebemos o que é realmente importante. Método de leitura: Como tirar as cartas para si mesmo Naturalmente, também se pode deitar as cartas para si mesmo. A maior dificuldade neste caso está no próprio embaraço de fazer com que a apresentaçãodos próprios desejos corresponda à pergunta ou excitação criada pela própria pergunta. Para anular tanto quanto possível estes fatores de perturbação, há alguns métodos auxiliares que,claro, são muito úteis quando se deita as cartas também para outras pessoas. Se você estiver tenso, nervoso ou desesperado, e quiser saber exatamente agora como continuará a situação que o colocou neste estado, talvez seja melhor pedir parav um amigo deitar as cartas para você. Se isso não for possível, pratique primeiro alguns exercícios de relaxamento, ou tente a meditação, que podem deixa-lo menos tenso. Se puder fazer sua pergunta com toda a despreocupação e sem ater-se a esperanças profundamente arraigadas, tire das cartas dispostas em leque as necessárias para o método que escolheu e coloque-as primeiro com a face voltada para baixo em seusd lugares. Só quando todas as cartas estiverem deitadas, vire um apor uma e observe cada uma delas a fim de abstrair a quintessência ( enviarei em breve explicação) . Restrinja-se estritamente ao significado das cartas e dos lugares no sistema que escolheu, sem tenter obrigar que tenham determinado sentido. Justamente em situações cáoticas as cartas muitas vezes "recusam" a dar uma resposta clara sobre o curso dos acontecimentos.
  • 23. Nesses casos, é melhor tentar de novo depois de um intervalo mais prolongado. A quintessência - A soma das cartas Em cada jogada ainda há a possibilidade de completá-la com uma observação adicional através do resultado da quintessência. Para tanto, tire de todos os números da carta a soma transversal, até obter um número de um só digito como no exemplo abaixo : O Eremita = 9 A Papisa = 2 A Roda da Fortuna = 10 Somando = 9+2+10= 21 = 2+1= 3 Este será o seu resultado final. A soma final, é, então a quintessência o que significa a carta correspondente dos trunfos principais de 1 a 9 que mostra o modo que você pode lidar imediatamente com este tema. Resultados : I- O caminho da influência e da força Você dispõe da força para dominar ativamente o tema e tem grandes possibilidades de influênciar o curso dos acontecimentos. Use sua influência e evite intrigas. II- O caminho do amor, da paciência, da esperança, da prontidão e do conhecimento intuitivo. Espere até as coisas estarem maduras. Seja paciente e fique de prontidão; sua intuição lhe mostrará o momento certo para agir. Mas não se perca em devaneios e também não se atormente pela dúvida. III- O caminho do nascimento do novo e do crescimento.
  • 24. Traga tudo que for novo à luz e deixe que cresça, crie novas situações, mude o visual, cuide de si mesmo e observe a vida. Seja criativo e não se disperse . Aceite as mudanças. IV- O caminho da ordem, da clareza e da realidade. Comtemple a situação de modo realista. Faça uma arrumação. Crie relacionamentos francos; concretize suas idéias e realiza-se. mas não se torne perfeccionista e evite a estagnação. V- O caminho do conhecimento espiritual. Procure pelo significado profundo da situação. Procure a comunhão das coisas, que só superficialmente parecem não poder ser unidas, Fique aberto para conselhos dado com boa intenção. Tenha confiança : O grande sacerdote é a sua carta de proteção, e influenciará positivamente no curso dos acontecimentos. Evite hipocrisias e beatices. VI- O caminho do amor e da decisão Reconheça sem preconceito seu parceiro, a sua tarefa, o seu caminho. Deixe cair todos os preconceitos e aceite o outro ou a situação tal como se apresentam. Não se deixe orientar pelo ciúme, mas também evite desistir do parceiro . VII- O caminho da partida com toda a tranqüilidade. Caminhe certo da vitória rumo à solução da sua missão. Comece imediatamente. Você tem a força e a habilidade para dominar a situação , e a capacidade para vencer as contradições e os conflitos. Mas evite o orgulho e a mania de grandeza. VIII- O caminho da justiça e da objetividade. Crie uma imagem tanto quanto possível imparcial da situação; então avalie-a com calma e pense no que tem que fazer. Seja honesto, preste atenção para que todos os envolvidos conquistem os seus direitos. Evite prejulgamentos, unilateralidades e fazer justiça com as próprias mãos. IX- O caminho da reflexão e do ascentismo.
  • 25. Recolha-se, introverta-se. Dê tempo a si mesmo, o tempo de que precisar para descritalizar tudo o que for importante para você. Não se deixe influenciar pelas aparências exteriores, nem se distraia. Concentre-se no seu objetivo. Evite rancor, amargura e medo do novo. Pense : O que quero afinal ? TARÔ: Saiba mais sobre o uso terapêutico desta tradição milenar Usar o Tarô com uma finalidade terapêutica significa: esclarecer e ajudar a resolver os medos, bloqueios e padrões de comportamento que limitam, quando não impedem totalmente, a expressão espontânea do Ser e a realização pessoal. Para poder trabalhar assim algumas questões precisam ficar bem claras: 1.A questão do destino. Somos os cozinheiros de nosso destino e em todo momento podemos mudá-lo, pois este é a resposta ou reação do universo à nossos atos, omissões e pensamentos. O Tarô é uma ferramenta para mudar o destino e não um intermediário entre o Todo-Poderoso destino e o ser humano reduzido, assim a um expectador de sua própria vida. E justamente mudar o destino para melhor, mudar nossas vidas é o objetivo do Tarô Terapêutico. 2. A questão da responsabilidade. Somos absolutamente responsáveis pela vida que temos e esta compreensão, isto é, parar de jogar a responsabilidade (ou a culpa) de nossa situação nos outros, no companheiro/a, nos pais, no chefe, no governo, etc. É o primeiro passo para mudar. A felicidade e a fortuna são questões de escolha e não de sorte. 3. A questão do bem e o mal. O bem e o mal não são realidades absolutas. O que é bom para uma pessoa hoje pode não ser amanhã. O que é ruim para mim pode ser bom para você. No
  • 26. entanto, na visão do Tarô Terapêutico, a essência do ser humano é imaculada e a programação involutiva. 4.Considerar o Tarô formado pelos: Arcanos Maiores que são idéias ou arquétipos universais. A nível humano são estados de consciência. As Figuras do corte são tipos de personalidade e também fenômenos da Natureza. Os Arcanos Menores ou expressões de nossa quaternidade: Os de Paus ou de Fogo representam nossa expressão energética. Os de Copas ou de Água, nossa expressão emocional. Os de Espadas ou de Ar, nossa expressão mental. Os de Discos (Pentáculos) ou de Terra, nossa condição física e nossa abordagem material. Assim estabelecemos um paralelismo entre a estrutura do Tarô e a do ser humano. Não é qualquer sistema de leitura que nos vai permitir usar o Tarô com uma proposta terapêutica. Sugerimos a leitura terapêutica, do mago ou astrológica. *Veet Pramad é tarólogo TARÔ: Princípios básicos para quem quer saber o futuro nas cartas Uma das grandes utilizações do Tarô, é o uso de suas lâminas como fonte de inspiração para meditação, seja como Yantras (mantras visuais) ou Mandalas pessoais, de forma que cada lâmina inspire mergulhos interiores cada vez mais ricos. Quanto ao baralho, ele diz que podemos usar diversos, sendo que grandes desenvolvimentos são propostos pelo uso do Tarô de Crowley (ou Livro de Thot) e o Tarô de Mme. Cada uma de suas lâminas ou Yantras (mantras visuais) apresenta um grupo de símbolos que, vistos como conjunto, representam um sistema de
  • 27. energias que a humanidade está presente como um todo, com seu eterno registro de idéias e pensamentos. Tradicionalmente, esses baralhos dividem-se em Arcanos Maiores e Menores, apresentados de forma separada ou como síntese. Há também no Tarô, assim como nos baralhos modernos, a divisão em quatro naipes: espadas, paus, copas e ouros. Cada naipe representa um dos quatro elementos da natureza: ar, fogo, água e terra, respectivamente. Na 1ª meditação, importante é que o praticante entenda que não há uma maneira certa de usar as lâminas, sendo que o melhor dos métodos é aquele que emerge de si como numa inspiração. Inicialmente, o praticante deve misturar as cartas e olhar lentamente o baralho, lâmina por lâmina, separando em um monte aquelas pelas quais experimenta forte atração ou aquelas que provoquem alguma sensação desagradável. Em seguida, deve olhar novamente as cartas que o atraem, e guardar mentalmente seus nomes, pois essas serão as cartas que irão ajudá-lo em suas meditações iniciais. Com o passar do tempo, a prática continuada, vai fazer com que a sua sensibilidade se aprofunde e mude sua reação ao simbolismo de certas lâminas. A relação com o Tarô deve ser de amor e amizade. O local não deve ser confuso nem ruidoso, e sim calmo, transmitindo paz e sossego. Se necessário, o praticante pode usar música relaxante e incenso. As roupas devem ser livres e arejadas. Tomadas essas providências iniciais, poderá começar a prática. É recomendado, também, manter as seguintes regras de postura: costas eretas, o rosto e o restante do corpo descontraídos. Após encontrar a posição correta, deve o praticante olhar a carta ou a(s)cartas eleita(s). Também não deve pensar nas imagens. Deve deixar que seu Eu interior, seu mentor ou guia espiritual interno trabalhe a imagem enquanto descansa.
  • 28. Dependendo de cada pessoa e do poder de concentração, a mente se enche de pensamentos, sendo alguns diretamente ligados com símbolos do Tarô. Outros, podem não fazer sentido. Isso é normal. São obstáculos que serão vencidos com a prática, bem como sons ambientes. Vencer isso é um passo para atingir a clarividência e a consciência cósmica. O Tarô foi, durante muito tempo, identificado como uma superstição; mas estudiosos como C.G.Jung descobriram nas lâminas do Tarô alguns arquétipos fundamentais da humanidade. Experimentamos, em nosso dia-a-dia, os arquétipos do Tarô, como: o orgulho do Imperador; a intuição da Papisa; a organização da Imperatriz; a sabedoria do Eremita; o amor dos Enamorados; a desorientação do Louco; o equilíbrio do Papa; a fé e esperança da Estrela; enfim todas as nossas dúvidas, certezas, afetos e experiências estão relacionados com esses símbolos contidos no Tarô. Assim estudar, trabalhar e consultar com o Tarô é se aprofundar na psique humana, conhecer nossa natureza mais íntima. E conhecendo nossa natureza, damos o primeiro passo para aprimorar nossas qualidades, corrigir nossos defeitos e psicologicamente termos domínio de nós mesmos. Com o Tarô, conseguimos nos libertar dos medos e inseguranças que nos afligem, nos amarram e que nos impedem de usar o melhor de nossas potencialidades. O Tarô é, portanto, um instrumento psicológico, que nos guia para o autoconhecimento. TARÔ E PSICOLOGIA Observando por um ângulo mais audacioso, podemos perceber que as cartas do tarô estão ligadas também a alguns tópicos da psicologia, uma vez que podem subsidiar aconselhamentos e avaliações neste âmbito, não desprezando a questão das verdades espirituais. Seu simbolismo tanto pode servir a um ponto de vista quanto a outro. Carl Jung reconheceu abertamente que o tarô tem suas origens nas imagens dos arquétipos do inconsciente coletivo, e elaborou um estudo sobre isto. Ainda, segundo o depoimento do Dr. Liz Greene " as cartas do tarô refletem a direção e as motivações mais profundas do inconsciente.
  • 29. ORIGENS DO TARÔ As origens do tarô são ainda obscuras, as cartas mais remotas parecem ter origem no século XIV, na Europa. Os desenhos das cartas fascinavam os artistas, historiadores da arte e investigadores do ocultismo, além de intrigá-los com o poder de suas imagens simbológicas. No entanto, não se deve desconsiderar a influência do "Livro Thot" do Egito, em relação à simbologia. O TARÔ DE MARSEILLE O tarô de Marseille, assim como muitos outros tarôs (cigano, boêmio, egípcio, astrológico, etc.) é composto de 22 cartas, ricas em símbolos alegóricos, as quais chamamos "arcanos maiores". Essas diferentes lâminas são ordenadas num esquema evolutivo que ilustra as variadas etapas emocionais e materiais que o homem pode experimentar em sua vida. Este caminho começa com a carta n.º 1 , o Mago, que representa a iniciativa, e termina com a carta n.º 21, o Mundo, que representa a plenitude. A 22a. carta, o Louco, é uma nova viagem que tem a ver com uma outra dimensão. O tarô de Marseille é tido como o jogo mais tradicional ao longo dos tempos. Todos os homens, qualquer que seja sua cultura ou civilização, compartilham das mesmas emoções comuns, passam pelas mesmas provações e conhecem as mesmas contradições. Todos eles se autoquestionam, todos procuram saber de que será feito o amanhã. E, naturalmente, cada civilizaçao oferece meios divinatórios peculiares, com mais ou menos êxito, de aliviar essas dúvidas. O I Ching e o tarô de Marseille são, sem dúvida, os dois meios com maior comprovação de sucesso e também os mais praticados. O futuro é o resultado de nossa ação presente, a conseqüência dos atos que se desenvolvem na situação atual. A dificuldade reside no fato de perceber e compreender os signos do presente, que permitirão uma determinada previsão do que está por vir. Tais signos são captados e memorizados pelo subconsciente. Tudo está escrito aguardando ser decifrado. Por essa razão, faz-se necessário o uso de uma linguagem que permita a tradução desses signos, a compreensão da natureza das informações contidas no presente.
  • 30. O tarô de Marseille é uma linguagem suficientemente rica para responder aos imperativos da vida e servir de método prognóstico, mas não adivinhatório. Como toda linguagem, também possui seus limites e por vezes precisa de práticas suplementares para sua elucidação, como o I Ching e estudos astrológicos, por exemplo. Assim como um espelho que reflete a imagem que o olha, o tarô exprime o estado de nossas fontes internas e do nosso potencial diante das situações de impasse. Ele permite melhor compreender os elementos do presente e, por conseguinte, prevenir o porvir. O louco O Mago Sacerdotisa Imperatriz Imperado Começos Ação Contemplação Materialismo Paternalismo Espontaneidade Consciência Intuição Abundância Estrutura Fé Concentração Potencial Sofisticação Autoridade Loucura Aparente Poder Mistério Natureza Austeridade Hierofante Enamorados Carro Força Eremita Educação Relacionamento Vitória Força Introspecção Crença Sexualidade Força de Paciência Procura Sistematica Vontade Convicções Compaixão Orientação Conformidade Pessoais Determinação Controle Solidão Identidade grupal Escolha de Valores Auto-controle Roda da Fortuna Justiça Enforcado Morte Temperanç Destino Justiça Lassidão Fim Temperança Mudanças Responsabilidade Regressão Transição Equilíbrio Movimento Decisão Pendências Eliminação Saúde Visão Pessoal Causa e Efeito Sacrifício Forças Conciliação Inexoráveis Diabo Torre Estrela Lua Sol
  • 31. Extremos de Mudança Súbita Esperança Medo Luz paixão Libertação Inspiração Ilusão Grandeza Materialismo Quedas Generosidade Imaginação Vitalidade Ignorância Revelação Serenidade Deslumbramento Segurança Desilusão Julgamento Mundo Julgamento Integração Renascimento Cumplicidade Avaliação Envolvimento Perfeição Realização O Tarô, um mapa de desenvolvimento cognitivo III A Psicologia Analítica e Estrutura Simbólica Com sua origem misteriosa e seus diversos enfoques, o Tarô é um múltiplo quebra-cabeça de referências, seja na sua técnica ou na sua história. Estudá-lo é, sobretudo, estudar-se. Os livros, apesar de importantes, são absolutamente secundários. O principal é entrar em contato direto com os arquétipos, é utilizá-los mentalmente como conceitos e sentir sua força viva na realidade quotidiana. Porém, para iniciar seus estudos teóricos é aconselhável começar a ler os trabalhos de psicólogos e pensadores acadêmicos, que recentemente passaram a se interessar pelos arquétipos das cartas, ao invés de enfrentar os complicados clássicos do ocultismo. Neste sentido, ‘Jung e o Tarô’, da já citada Sallie Nichols, e ‘A meditação dos Guias Interiores’ são obras bastantes proveitosas (8). O enfoque de Nichols é particularmente recomendável pois escapa do emaranhado teórico das intermináveis discussões sobre a associação das cartas com outros sistemas simbólicos em que os ocultistas se
  • 32. perderam e apresenta uma série de referências culturais e literárias para caracterizar cada arquétipo. Em contrapartida, sua principal desvantagem é que ela acaba caindo involuntariamente em um dos sistemas de correspondência, quando diviniza O Louco e vê O Mago como um ‘embusteiro mercuriano’ e não como o arquétipo do Pai e da Unidade Primordial. Associando o Tarô à técnica da imaginação criativa e ao psicodrama, a meditação dos Guias Interiores é um método simples e fascinante de transformação dos diferentes aspectos arquetípicos da personalidade, deduzidos a partir das quadraturas e oposições astrológicas do mapa natal. Infelizmente Steinbrecher também apresenta a mesma deficiência de Nichols, pois utiliza as correspondências crowleyianas em detrimento de outras possibilidades. Distantes da discussão esotérica travada entre os ocultistas continentais e anglo-saxões sobre se a unidade primordial da força uraniana deve ser representado pelo número um ou pelo zero, muitas outras contribuições vêm enriquecendo o estudo do Tarô no campo da psicologia analítica, algumas bem práticas (9), outras ‘amplificando’ o enfoque junguiano com as diferentes associações ocultistas, como é o caso do excelente livro da Dra. Irene Gad (10) - lançado há pouco tempo no Brasil. Talvez a principal contribuição indireta da Psicologia Analítica ao estudo simbólico do Tarô seja do próprio Jung, principalmente na sua Interpretação psicológica do dogma da Trindade, onde se tetêm sobre o papel desempenhado pela Virgem Maria em relação à simbologia cristã. Neste trabalho, Jung apresenta pela primeira vez a noção de que a estrutura quaternária é universal e funciona como um símbolo estruturante da psiquê e do inconscinete coletivo. No Brasil, destaca-se também o trabalho desenvolvido pelo psicólogo Carlos Byington (11), que durante muitos anos problematizou a questão do quaternário como símbolo estruturante, aplicando-o `a história e à psicoterapia . Como vimos Eliphas Levi e Aleister Crowley, encabeçando os dois maiores movimentos ocultistas modernos, propuseram diferentes associações entre as linguagens simbólicas do Tarô, da Cabala e da Astrologia. Porém, ambos sistemas de associações se basearam na semelhança genérico de seus elementos ou nas mesmas correspondências estruturais: 1 - A equivalência dos 22 Arcanos Maiores às letras hebraicas e aos caminhos da Árvore da Vida. Segundo os ocultistas estes arquétipos
  • 33. surgiram devido à “queda” da Humanidade, entendendo por ‘queda’, não apenas a expulsão de Adão e Eva do Éden ou o fim catastrófico das civilização de Atlântida e Lemúria, mas sobretudo “uma deterioração de um estado superior de convivência entre homens dotados de poderes psíquicos para as sociedades mais instintivas e para a percepção meramente sensorial da realidade”. Assim, o sonho de uma Utopia Social, uma forma de organização social perfeita, sem os conflitos, os desejos e as desigualdades caracterizados pelos arquétipos dos Arcanos Maiores, é um retorno a este estado de consciência coletivo da Humanidade, ao ‘nirvana coletivo’ primordial. Este sentimento de unidade que ultrapassa a simples harmonização das relações sociais e o equilíbrio político entre os diversos grupos que formam uma sociedade para introjetar psicologicamente em cada indivíduo como uma necessidade de comunhão universal, como um desafio de reconquista do paraíso perdido, como um Desejo de União. 2 - A identidade das l6 cartas de figura às relações do quaternário elevado ao quadrado, ao Tetragrama Sagrado, o ‘IHVH’, símbolo estrutural do universo. Aqui o Desejo de União ultrapassa os problemas do mundo para se consolidar como um casamento de pólos simbólicos opostos e como uma busca de uma identidade mais profunda, de um nível de autoconhecimento que permita o reencontro com à Alma Gêmea. Na tradição judaico cristã, este reencontro aparece no Cântico dos cânticos, onde a noiva (Israel) espera pelo noivo, o Messias; nas Epístolas Paulíneas, a noiva é a Igreja e o noivo, o Cristo; já na poesia mística de San Juan de La Cruz, o noivo é o espírito e a noiva, a alma e o corpo. Para os ocultistas, as dezesseis cartas de figura representam as relações entre os quatro mundos cabalísticos (Ouros, Espadas, Copas e Paus) e os quatro corpos do Eu Inferior (Rei, Dama, Cavaleiro e Valete). Para os cartomantes, as cartas de figura representam relações interpessoais nos quatro níveis de atividade: material, mental, emocional e espiritual. 3 - A Associação das 40 cartas numeradas aos quatro mundos cabalísticos e a estrutura decimal da Árvore da Vida. Já as quarenta cartas numeradas representam as relações transpessoais, aquelas que dizem respeito à compreensão que se tem do Universo e do seu desenvolvimento nos quatro planos de atividade. O número quarenta representa a totalidade da existência e da experiência humana. Os períodos medidos por este número são freqüentes na tradição judaico-
  • 34. cristã: os 40 dias do dilúvio de Noé, os 40 anos durante os quais os israelitas erraram pelo deserto, os 40 dias que Moisés passou no Sinai, os 40 dias do jejum de Cristo, entre outros. Todas essas experiências têm o mesmo significado: um período de reflexão sobre a totalidade da existência, a consciência exilada acima e além da manifestação. O Desejo de União neste nível não se refere a realização da Utopia Social ou da felicidade, mas sim à reintegração mística com Deus às viagens empreendidas por Dante, Enoch e pelos místicos sufis através dos palácios celestiais que antecedem o Trono do Altíssimo onde Criador e Criatura se encontrarão frente a frente. Podemos, portanto, dizer que o Tarô esboça uma cartografia completa da psique humana, subdividindo suas cartas em 3 grupos distintos, representando 3 ‘profundidades’ do Inconsciente: 22 Arcanos Maiores Relações Pessoais 16 Cartas de Figura Relações Interpessoais 40 Cartas Numeradas Relações Transpessoais No livro-jogo A Estrada Iluminada desenvolvi e aprofundei a discussão sobre o significado destes três níveis do inconsciente, bem como do conteúdo simbólico de cada uma das 78 cartas do baralho tradicional. O leitor interessado em conhecer mais sobre o assunto encontrará nele um subsídio precioso para aprofundar seu domínio sobre a linguagem arquetípica (12). Neste breve artigo, em que resumimos as idéias do primeiro trabalho, A Estrada Iluminada, gostaríamos ainda de ressaltar a importância do número quatro no sistema simbólico do Tarô de uma outra forma e, ao mesmo tempo, expor uma maneira fácil de colocar as cartas ou de manipular mentalmente os arquétipos. Trata-se da colocação quaternária, também conhecida como Quadrilho, que consiste em manter fixos os primeiros quatro Arcanos Maiores (O Mago, A Papisa, A Imperatriz e O Imperador) como um modelo estrutural das relações e considerar todas as cartas restantes em função do significado destes quatro arquétipos fundamentais. Estes quatro arquétipos fundamentais constituem cerca de 75% da atividade psíquica, representando os principais padrões de troca afetiva da maioria das pessoas. Esses arquétipos podem estar involuntariamente projetados em diversos
  • 35. objetos e pessoas: o Pai, por exemplo, costuma ser projetado no Estado; a Mãe, na escola, na igreja ou na instituição de onde se tira o sustento; não é raro projetar a Imperatriz na própria casa e o Imperador é freqüentemente associado às atividades empresariais e a seus protagonistas. A este fenômeno, os psicólogos chamam ‘transferência’. O MAGO nos mostra como nos A PAPISA encarna o Arquétipo da relacionamos com o Arquétipo do Mãe. Sua associação astrológica é a Pai, seja no nível biológico, no Lua e seu poder também se estende psíquico ou no espiritual. No nível pelos níveis biológico, psíquico e biológico, ele representa não espiritual de forma semelhante ao apenas a relação de cada um com Arquétipo do Pai. O ‘Eu-Mãe’, no seu progenitor genético, mas entanto, funciona como um superego também a relação de cada um com feminino que se preocupa seus filhos e enteados. No nível prioritariamente com a nutrição e com psicológico, este ‘Eu-Pai’ funciona a reprodução, enquanto o ‘Eu-Pai’ como um superego, estabelecendo prioriza a produção e a criatividade. regras e princípios - sem o uso de Ao observar o lado materno de métodos coercitivos ou tirânicos alguém, devemos procurar imaginar como propôs Freud - mas sim com as relações desta pessoa com sua um ‘duplo’ do Ego, um reflexo ‘mãe-inteior’ a partir de sua idealizado do Eu Superior. O ‘Pai educação: a forma de comer, de se tirânico’ do superego edipiano da vestir, de se comportar em grupo, psicanálise é apenas uma distorção etc., Esta características das funções de nossa civilização falocrata de de manutenção leva o arquétipo a, um ‘Pai normativo’. A prova maior muitas vezes, ser involuntariamente desta afirmação é o fato deste projetado em instituições escolares arquétipo, em seu nível espiritual, ou que provenham o sustento e a ser associado universalmente ao vida, seja uma fábrica ou a própria Céu e a energia uraniana, em Natureza. diferentes culturas. A IMPERATRIZ também evoca O IMPERADOR corresponde ao ‘ego- nosso aspecto feminino, embora masculino’ e representa as idéia de sem as características maternas. autoridade, hierarquia e obediência Aqui trata-se da esposa, da filha, que caracterizam a identidade dos da mulher propriamente dita. É a homens e, sob o prisma feminino, ‘alma gêmea’, a ‘anima’, a representa ‘a alma gêmea’, o ‘animus’ ‘companheira ideal’ que polariza os ou a ‘cara-metade’. Muitas vezes imaginários masculinos e é, assume a forma do Arquétipo do
  • 36. também, a identidade venusiana Herói. Mas, o fundamental deste das mulheres, sua ‘natureza’. Pode arcano se encerra na idéia de freqüentemente representar a administração, da capacidade de esfera da vida doméstica ou tomar decisões e de realizá-las. Por estética desenvolvida pela imagem ser este ‘gerente da personalidade’, o de cada um - pois ambos os Imperador é constantemente sentidos são projeções do associado à vida profissional e ao feminino. Podemos dizer que a poder político. Imperatriz é o ‘ego-feminino’. Ao localizar a existência dessas projeções ou transferências em relação aos arquétipos do Pai, da Mãe, do Outro-sexo e do Ego, a pessoa estará dando um importante passo em direção ao autoconhecimento, pois entenderá como funcionam os principais padrões de troca afetiva de seus relacionamentos. Aliás, para os iniciantes interessados em manipular o baralho do Tarô, o melhor modelo de colocação de cartas talvez seja justamente esse: manter fixos os quatro primeiros arcanos maiores, sorteando dentre o resto das cartas, quatro lâminas, uma para cada arquétipo fundamental. Este modelo tanto pode ser utilizado com os dezoito Arcanos Maiores restantes como também com os cinqüenta e seis Arcanos Menores . A Cabala e o Ocultismo Enquanto Gebelin e Etteilla procuravam zelosamente provar a origem egípcia das cartas do Tarô, Eliphas Levi acreditava que elas fossem um alfabeto sagrado e universal, presente nas culturas grega, egípcia e hebraica. Eliphas Levi, pseudônimo do padre Alfonsé Louis Constant, interessou-se pelo Tarô em l856 e associou os Arcanos Maiores às 22 letras do alfabeto hebraico. Além disso, Levi associou também os quatro naipes aos quatro mundos cabalísticos, relacionando as suas dezesseis cartas de figura ao Tetragrama Sagrado - o ‘IHVH’- e as suas 40 cartas numeradas às 10 Sephiroth de Deus, expressos na Árvore da Vida. As dez Sephiroth - plural de Sephirah - são esferas de energia em que a manifestação se desenvolve. Cada Sephirath está contida na anterior e contém, em si, a possibilidade da próxima Sephirath. Assim, todo universo repousa em latência em Kether, e dentro dele emana outro círculo, Chokmah, que apesar de contido no primeiro, se opõe a ele, gerando um terceiro, Binah, que está contido nos dois anteriores.
  • 37. Temos, portanto, uma série de círculos concêntricos, uns dentro dos outros, mantendo uma relação de polaridade em função à esfera anterior que o engloba e em função à que contém em seguida. A Árvore da Vida Kether - A Coroa, onde o Incognicível se manifesta como uma luz extática e apolar, a chama eterna da vida, o centro de todos os círculos. O ponto. Chokmah - A Sabedoria, corresponde à luz que entra em movimento e se torna uma força cinética. É representado geometricamente pela reta ou pelo círculo. Binah - A Inteligência, onde a força encontra resistência ao seu movimento e gera a forma, representada pelo triângulo ou pelo prisma. Cheseed - A Bondade, esfera onde, equilibrando as restrições impostas pela forma, a manifestação se realiza através da misericórdia divina. Essa esfera é simbolizada pelos deuses jupiterianos, como Zeus e Xangô. Geburah - A Severidade, esfera onde a força, seja física ou moral, se manifesta com energia e impetuosidade. É simbolizado pela Espada e pelos deuses guerreiros, como Ares e Ogum. Tiphareh - A Beleza, esfera que harmoniza a contradição ética entre a severidade e a clemência. Ela é geralmente representada pelos deuses solares e redentores, que se sacrificam em benefício ao Todo. Netzach - A Eternidade, esfera que representa os sentimentos e os instintos, o fogo sexual, a segunda luz, o planeta Vênus e, microcosmicamente, o corpo astral, reflexo do mundo da criação. Hod - A Reverberação, esfera que representa o pensamento consciente e a mente concreta, o planeta mercúrio, e é um reflexo microcósmico do mundo da formação. Yesod - O Fundamento, esfera que representa a Lua e a essência da vida orgânica, o duplo-etéreo, o reflexo do mundo arquetípico. Malkuth - O Reino, esfera que representa a essência inorgânica da materialidade, a imagem sensorial da realidade, o planeta Terra, o corpo físico concebido dentro do mundo material. Enquanto as três primeiras Sephiroth - Kether, Chokmah e Binah - formam um conjunto denominado macroprosopos, formada pelas Três Causas Primárias; as outras sete Sephiroth, por sua vez, formam o microprosopos e expressam as Sete Causas Secundárias. Imaginemos
  • 38. que desejamos fazer um bolo. Este motivo, quando vem à mente, eqüivale à primeira tríade, onde Kether representa o desejo, Chokmah, à idéia, e Binah, a sua imagem formal. Porém, o bolo só sairá da imaginação para a realidade se cruzar o abismo, chegando ao sétimo nível de materialização: Cheseed corresponderá à escolha dos ingredientes; Geburah, ao esforço necessário à preparação da massa; Tiphareh, ao equilíbrio entre a quantidade dos ingredientes e sua correta preparação; Netzach, ao toque artístico necessário e à intuição; Hod, às instruções técnicas da receita; Yesod, ao cozimento no forno; e, finalmente, Malkuth, à forma final do bolo, à sua materialidade. Os cabalistas analisavam todos os fenômenos à luz destes critérios, reduzindo-os sempre aos mesmos elementos, as esferas da manifestação. Além destes processos descendentes e materializantes que baixam da luz ketheriana para concretude de Malkuth, a que se chama criativos; existem os processos evolutivos, que partem da matéria em busca de uma realidade mais sutil. A serpente kundalínica da Árvore da Vida representa este duplo circuito dos processos criativos e evolutivos. As Sephiroth ou esferas de manifestação funcionam como ‘transistores’ deste circuito, unidades que recebem e emitem energia transformando suas características. Outras versões associam a Árvore à imagem do Adão Kadmo, onde cada Sephiroth corresponde a uma parte do corpo, estabelecendo uma relação entre o micro e o macrocosmo. A tríade formada por Kether, Chokmah e Binah, por exemplo, corresponde à cabeça. Em seguida, formando um triângulo invertido, Geburah, Cheseed e Tiphareh representam os dois braços e o plexo solar. As pernas, o sexo e o centro de gravidade, por sua vez, são associados as Sephiroth Netzach, Hod, Yesod e Malkuth. A Árvore da Vida é um diagrama da estrutura do universo, um eixo sobre o qual se organizam os diversos níveis da manifestação. A árvore, no entanto, não forma um sistema fechado; ela é um método ou uma chave analógica para decifrar outros sistemas simbólicos. Suas correspondências, no entanto, além de infinitas, muitas vezes são contraditórias, uma vez que permite diferentes associações e analogias incompatíveis entre si, mas ‘verdadeiras’ do ponto de vista psicológico. O principal benefício da proposta do padre-ocultista foi a instituição da árvore como um ‘centro’, um eixo vertical de associações de todos os arquétipos. Segundo esta lógica, as cartas-letras correspondem aos 22
  • 39. caminhos que interligam as dez esferas de manifestação da Árvore, representando todas as experiências subjetivas possíveis. Além disso, Levi discutiu exaustivamente o símbolo quaternário e sua relação com a estrutura decimal. Para ele, as quarenta cartas numeradas representam a involução do Universo como um processo de quatro fases e dez agentes. O Universo está se desenvolvendo em quatro ‘níveis de densidade’ da manifestação, em quatro estágios progressivos de materialização do sutil no denso. Em cada nível, há dez ‘degraus’ ou agentes. Assim, além da árvore principal dos 22 caminhos, Levi propôs a existência de mais quatro: a árvore das dez emanações arquetípicas, a árvore dos dez arcanjos, a árvore das dez falanges angélicas e a árvore dos dez astros do sistema solar. O pensamento ocultista No entanto, cabe observar que, embora desde Levi os ocultistas nunca mais tenham deixado de admitir a interdependência entre o Tarô e a Cabala, a verdade é que, além de um não se encaixar perfeitamente ao outro, não existem quaisquer provas históricas desta ligação. O fato é que não existe um consenso sobre a correspondência entre as duas linguagens simbólicas e que, adicionando-se as associações com a astrologia, a discussão dos ocultistas se transformou em uma verdadeira babel de imagens sem que nenhum autor tenha conseguido o ‘feito’ de estabelecer um sistema de analogia perfeito. Pode-se distinguir duas grandes correntes do ocultismo que defendem associações diferentes entre o Tarô, a Cabala e a Astrologia: os seguidores de Eliphas Levi, também conhecidos como ocultistas continentais, e os adeptos do sistema desenvolvido pela ordem Golden Dawn e aperfeiçoado por Aleister Crowley, também chamados de ocultistas anglo-saxãos. O primeiro grupo - que conta com os nomes de Oswald Wirth, Stanislau Guaita, Gerald Encausse (Papus) e G. O. Mebes - se caracteriza pela associação da carta do Louco à letra hebraica Shin e ao trigésimo primeiro caminho da Árvore da Vida. O pensamento deste grupo foi hegemônico até o final do século passado. Neste século, no entanto, o Tarô se desenvolveu e popularizou bastante devido ao surgimento da ordem ocultista Golden Dawn, fundada por McGregor Master e W. Wynn Westcott. A principal característica deste grupo é a associação do Arcano do Louco à letra Aleph e ao décimo primeiro caminho da árvore. Seguindo este princípio, Sir Charles Waite e Aleister Crowley, os dois
  • 40. maiores expoentes da ordem, foram responsáveis por belos tarôs e por uma vasta obra teórica (5). Crowley, talvez o mais polêmico ocultista de todos os tempos, ampliou bastante as correspondências simbólicas do Tarô e da Cabala com outros sistemas como a Astrologia, o I Ching, perfumes, cores, objetos mágicos, lançando as bases da feitiçaria moderna. Mesmo discordando de seus rituais e do seu comportamento excêntrico e macabro, a maioria dos pensadores que sucederam Crowley adotaram seus sistema de correspondência, expressas no seu livro ‘777’. Este grupo de autores é predominante atualmente e conta com nomes como os Dion Fortune, Allan Watts, Gareth Knigth, Israel Regardie e Robert Wang, entre outros. Além desses dois grandes grupos de ocultistas, também existem autores independentes que defendem seus próprios sistemas de associação, como Paul Foster Case e o misterioso ‘Zain’ do Templo da Luz, que adota o critério cromático em seu sistema. As hipóteses sobre a origem da Cabala adotadas pelos ocultistas não são menos delirantes que as do Tarô. Para uns, ela foi ensinada pelos anjos aos homens para que eles conseguissem voltar ao Paraíso Primordial. Para outros, ela foi recebida por Set, o terceiro filho de Eva, ou Enoch, Abraaão e Melkisedk. Há também versões de que ela diretamente ditada por Jeová a Moisés, durante sua permanência, por quarenta dias, no monte Sinai. Do ponto de vista historiográfico, no entanto, sabemos que a Cabala, como tradição oral do misticismo hebraico, data da época do segundo cativeiro babilônico, sendo uma espécie de adaptação do simbolismo astrológico dos caldeus ao monoteísmo judaico. Podemos inclusive desconfiar de que a Árvore da Vida é uma interpretação axial do símbolo do Eneagrama mesopotânico. Por muitos séculos, a Cabala foi transmitida oralmente como um tipo de exegese mística do Torah até que, por volta do ano 100 d.C., surgiram o Sepher Yetzirah e o Zohar. Desde então, a Cabala teve vários ciclos distintos dentro da tradição judaica, com características bastantes diferentes (o ciclo mágico da Floresta Negra, o ciclo filosófico-especulativo da Espanha no Século XII, o ciclo monástico de Safed dirigido por Isaac Luria), mas só se popularizou quando foi apropriada e deformada pelo pensamento ocultista.
  • 41. Diante desta popularização distorcida promovida pelos movimentos ocultistas, nada mais normal do que os estudiosos da Cabala ligados ao judaísmo protestassem com veemência. Para a maior autoridade historiagráfica da Cabala Hebraica neste século, Gershom Scholem, por exemplo: (...) “as atividades dos ocultistas franceses e ingleses foram inúteis e serviram apenas para gerar uma grande confusão entre os ensinamentos da Cabala e suas próprias invenções, tais como a suposta origem cabalística das cartas do Tarô”. (6) Tentando salvaguardar a associação das duas linguagens simbólicas, Robert Wang tentou responder às objeções de Scholem, afirmando que há uma Cabala Hebraic TARÔ (TAROT) Uma das grandes utilizações do Tarô, muito usada em antigas civilizações, bem como no mundo atual por aquelas que mantém suas tradições vivas, como alguns povos orientais e os indianos, é o uso de suas lâminas como fonte de inspiração para meditação, seja como Yantras (mantras visuais) ou Mandalas pessoais, de forma que cada lâmina tome-se uma valiosa peça, inspirando mergulhos interiores cada vez mais ricos. Também pode ser usado, segundo o tarólogo e astrólogo, Antonio Zanon Melo, todo o baralho em cada seção, um baralho diferente de cada vez ou uma mistura de baralhos, essa última em estágios mais adiantados. De qualquer forma o mergulho na alma é cada vez mais intenso - afirma ele. Com a evolução nessa meditação, símbolos que passaram desapercebidos passam a compor um novo sentido. Quanto ao baralho, ele diz que podemos usar diversos, sendo que grandes desenvolvimentos são propostos pelo uso do Tarô de Crowley (ou Livro de Thot) com sua infinidade de símbolos mágicos e do Tarô de Mme. Indira, que traz em si a herança da antiga ciência do "Mahabbarata", ciência que presenteia ao dono desse Tarô, pelo simples fato de manipulá-lo e usá-lo sempre junto a si, paz interior e serenidade, sendo ainda excelente para o desenvolvimento da clarividência e da mediunidade latentes.
  • 42. Essa meditação - acrescenta - permite ao seu praticante sair de seu universo limitado pelos cinco sentidos e ver o futuro com lucidez e clareza. Importante é que cada uma de suas lâminas ou Yantras (mantras visuais) apresenta um grupo de símbolos que, vistos como conjunto, representam um sistema de energias em que a humanidade está presente como um todo, com seu eterno registro de idéias e pensamentos (Akashico), assim como Hecate com todo o mal do mundo. Zanon diz que, tradicionalmente, esses baralhos dividem-se em Arcanos Maiores e Menores, apresentados de forma separada ou como síntese. Há também no Tarô, assim como nos baralhos modernos a divisão em quatro naipes: espadas, paus, copas e ouros. Esses naipes representam os quatro elementos, respectivamente: ar, fogo, água e terra. Na 1ª meditação - explica - importante é que o praticante entenda que, para essa finalidade, não há uma maneira certa de usar as lâminas, sendo que o melhor dos métodos é aquele que emerge de si como numa inspiração (Escola Interna, o aprendizado com com o mentor ou guia espiritual Interno). Então, inicialmente, deve o praticante misturar as cartas e olhar lentamente o baralho, lâmina por lâmina, separando em um monte aquelas pelas pelas quais experimenta forte atração, bem como em outro, aquelas que provocam urna sensação desagradável. Deve, então, novamente olhar as cartas que o atraem e guardar mentalmente seus nomes, pois essas serão as cartas que irão ajudá-lo em suas meditações iniciais. Também devem ser registradas as lâminas que não o agradaram nessa vista. Segundo Zanon, com o passar do tempo, prosseguindo na prática continuada com as lâminas, sua sensibilidade irá mudar sua reação ao simbolismo de certas lâminas. Dai, sua relação com o Tarô deve ser de amor e amizade. Quanto ao local de meditação, ou intimismo com o Tarô, esse não deve ser confuso nem ruidoso, e sim calmo, transmitindo paz e sossego. Se necessário. pode o praticante usar música relaxante externa (ou interna, dependendo de seu grau de desenvolvimento) e incenso, cultivando cada vez mais sua intimidade com o Tarô. Suas vestes devem ser livres e arejadas. Tomadas essas providências iniciais, poderá começar a prática - recomenda. Primeiro, com a respiração, que deve inicialmente ser
  • 43. profunda. Posteriormente, devemos acrescentar-lhe ritmo, observando a regra: quando o ar entra, a barriga sai; quando o ar sai, a barriga entra. Ele recomenda também que devem ser observadas as seguintes regras de postura: as costas devem estar eretas, o rosto e o restante do corpo descontraídos, os olhos. vendo sem forçamento, sendo que a respiração deve ser exclusivamente via nasal e silenciosa. Então, após a inspiração profunda deve o praticante reter o ar por expirando, visualizar e sentir suas tensões corporais deixando seu corpo. Assim deve continuar por algum tempo, por mais três ou quatro vezes. Esse exercício de respiração é apenas um início do preparo para a meditação, limpando o corpo, desimpedindo os canais para a abertura do espírito. Após os respiratórios - diz Zanon, deve o praticante olhar (sem se concentrar, apenas olhar) a carta ou cartas eleita(s). Também não deve pensar nas imagens. Deve deixar que seu Eu interior, seu mentor ou guia espiritual interno trabalhe a imagem enquanto descansa. Nesse momento, pode o praticante sentir sua mente cheia de pensamentos, sendo alguns diretamente ligados com símbolos do Tarô. Outros que não fazem sentido no momento. Isso é normal cm meditação. São obstáculos que serão vencidos com a prática, bem como sons ambientes. Vencer isso é um passo para atingir a clarividência e a consciência cósmica. Mas, segundo o tarólogo, a grande barreira é o pensamento "medito certo?". Então, não existe uma forma correta de meditar, apenas inicialmente deve haver menos preocupação com a técnica e mais com o relaxamento. Isso irá acelerar o caminhar do praticante para o contato com seu mentor. E recomendável que, quando o praticante sentir os pensamentos derivados chegarem à mente, aumente o relaxamento e, também, aumente vagarosamente sua atenção ao Tarô. Deve suavemente olhar a(s) lâmina(s), seu simbolismo, sem estudá-los, apenas olhar. Deixar que os símbolos o conduzam ao seu interior, sabendo que o pensamento inspirado pela lâmina não é importante, e sim a inspiração,o inspirar (respirar) a lâmina e deixar que essa atue internamente. Zanon Melo diz que esse é o caminho do Tarô para a criatividade, o seu centro interior, o encontro com seu mentor e sua exaltação. Ao completar essa viagem interior. as cartas terão um novo significado, assim como tudo a sua volta, pois estará repleto de uma imensa paz
  • 44. interior. Quanto aos períodos de meditação, o tarólogo lembra que esses variam e devem ser prolongados de forma natural, de acordo com a evolução de cada praticante. Diferentes escolas recomendam tempos diferentes. E recomendável que seja regular e sempre no mesmo ambiente. Swami Sivananda, recomenda uma vez ao dia entre 4 e 6 da manhã, pois nesse horário a mente está calma e fresca, bem como a atmosfera. A Linha Transcendental recomenda duas vezes ao dia. Sem embargo, a meditação nas lâminas é parte essencial à tirada das cartas com vidência e inspiração, garantindo previsões cada vez mais acertadas, assim como insights inusitados para o praticante. Alberto Lyra " Qabalah - A doutrina secreta dos judeus numa perspectiva ocidental" - Editora Ibrasa A Qabalah é geralmente considerada uma doutrina mística da religião judaica. Na realidade, ela é mais do que isso: seu pensamento, extremamente rico, não se enquadra num sistema filosófico ou religioso, não tem nada de dogmático. De acordo com a tradição judaica, historicamente a Qabalah teria surgido da seguinte forma: "Moisés recebeu (Kibel:deste termo deriva kabala ou Qabalah) a Tora (o Ensinamento, a Lei) sobre o Monte Sinai; ele transmitiu( ou-messara) a Josué, que por sua vez a remeteu aos profetas e estes últimos a transmitiram aos membros da Grande Sinagoga. A Qabalah, entretanto, segundo os estudiosos, entre estes Alexandre Safran (La Cabale - Ed. Payothéque), ultrapassa, em antiguidade, a Revelação Judaica. Ela remonta aos tempos pré-históricos. Moisés a teria introduzido na história de Israel. A Qabalah transpôs os limites de uma mística religiosa, para ser mais bem compreendida como uma tradição esotérica.
  • 45. ...O mundo contemporâneo assiste a uma explosão de seitas e doutrinas; gurus aparecem por toda parte oferecendo algo novo que na maioria das vezes não é mais que uma mistura de fragmentos de doutrinas reunidos em visões pessoaos, nas quais os aspectos práticos do misticismo (exercícios, meditações etc,) são afastados de seu contexto de origem, criando assim graves perigos para quem os pratica e dos quais, portanto, esses mesmos gurus não se fazem responsáveis. Esta explosão não é casual. É a resposta que o homem moderno encontrou para enfrentar a grave crise espiritual que sofre. Defende-se, diríamos, buscando misticismo, ocultismo ou religião. O homem vive em um mundo mecanizado, cheio de técnicas, preso por uma razão que não o envolve totalmente e, ao mesmo tempo, desamparado em sua angústia existencial. Frente a esse inúmeros "messias" de ocasião existem outros homens, pouco comuns, que renunciam inventar "sua" própria doutrina para dedicar-se paciente e laboriosamente a resgatar as verdades que a sabedoria dos antigos mestres nos deixou e que o passar do tempo relegou a livros guardados em museus ou a grupos iniciáticos, hermeticamente fechados, que guardam essas mensagens até que chegue uma hora propícia." O que é Cabalá? Cabalá é uma palavra em hebraico que significa "Recebimento". Mas receber o quê? Receber respostas. Os conhecimentos da Cabalá são estas respostas. A humanidade sempre sentiu a necessidade de definir o seu papel dentro do infinito mistério do universo. Como chegamos aqui? Por que existimos? Por que coisas negativas acontecem com pessoas boas? Quais são os caminhos para uma realização plena e constante? Infelizmente as respostas são poucas e muito distantes. A Cabalá fornece essas respostas. Em geral vivemos em constante oscilação e caos. Mas nós podemos mudar tudo isso através de um poder tão misterioso que chega a
  • 46. desafiar até as mentes dos grandes cientistas, embora uma simples criança o use com freqüência sem mesmo pensar a respeito. Este poder é chamado Cabalá, e com ele nós podemos refazer nossas vidas. Nós podemos mudar o nosso destino e a nós mesmos num extraordinário reino que existe por trás de nossos cinco sentidos limitados. Este outro reino consiste em infinita plenitude, realização e ordem. É o mundo dos milagres constantes. É o lugar onde o prazer, a alegria, a cura e a felicidade se originam. E embora não possamos tocar fisicamente e ver essa realidade neste momento, você deve saber que ela é tão incontestável quanto a gravidade e tão verdadeira quanto os átomos no ar. Embora esse reino exista por toda a eternidade, somente agora ele está emergindo num mundo em que as pessoas estão prontas e capazes de compreendê-lo à luz da tecnologia e das maravilhas do século 20. E ele chega bem a tempo! Os cabalistas sabem como fazer as coisas boas acontecerem, por saber em primeiro lugar porque as coisas ruins acontecem.
  • 47. A estrutura do Tarô: 78 ARCANOS O tarô é constituído de 78 cartas que denominamos de arcanos (mistério, oculto, o que precisa ser desvelado) e estão divididos em dois grupos: 22 arcanos maiores, um conjunto de símbolos estruturados com atributos evolutivos e sintomáticos, caracterizando-se pela complexidade ornamental. 56 arcanos menores, um conjunto de símbolos estruturados com atributos sinalizadores e secionados em quatro níveis, caracterizando- se pela simplicidade. Os arcanos maiores se reportam à mente abstrata, ao mundo subjetivo, aos poderes da criação, diretos e árbitros, que a consciência manipula para seu universo; os arcanos menores se lançam à mente racional, ao mundo do objeto, aos poderes da concretização, independente da vontade e ação dos primeiros --- Os arcanos maiores é a energia de uma situação e os arcanos menores a forma dessa energia ---. Um se relaciona com a formação da VIDA e o outro com a manifestação da FORMA. Ambos os caminhos explicam a trajetória do homem, de seu nascimento à morte; ou a criação do próprio universo, de seu despertar ao seu adormecer; ou ainda as vias percorridas em alguma situação específica, seu avanço ou retrocesso, seu declínio ou progresso. 22 arcanos maiores
  • 48. Os arcanos maiores são estruturados com 21 arcanos numerados e 01 arcano sem número totalizando 22 arcanos; todos contêm nome e simbologia extremamente diferentes um do outro. Eles formam uma cadeia simbólica, individual e evolutiva, sempre com o arcano numericamente sucessor: o arcano 01, O Mago (livre-arbítrio, início), evolui simbólica e sintomaticamente para o Arcano 02, A Sacerdotisa (reflexão, passividade). Por sua vez o Arcano 02, A Sacerdotisa, evolui para o Arcano 03, A Imperatriz (dedução, desenvolvimento), este para o Arcano 04, O Imperador (controle, autoridade), e assim, sucessivamente até o último arcano numerado - o arcano 21, O Mundo (conclusão, realização). Complementando o circuito evolucional surge o arcano Sem Número, O Louco (nada, vácuo), revelando-se um elo de ligação entre o arcano 21 e o arcano 01 para a formação de uma nova fase de ação e/ou desejo; este processo simboliza uma ponte entre o fim e o começo, o passado e o futuro, a continuidade da vida. Todos os arcanos maiores se reportam ao eterno ciclo natural da existência: começo-meio-fim... nascimento... começo-meio-fim... nascimento... e assim eternamente na vida humana e cósmica. 56 arcanos menores Os arcanos menores são estruturados em quatro séries de 14 arcanos (4 x 14), que denominados de naipes de Ouros, Espadas, Copas e Paus, totalizando 56 cartas. Cada série contém quatro arcanos denominados de "Corte": Pajem, Cavaleiro, Rainha e Rei, e mais dez arcanos numerados de 01 (Ás) ao 10. As quatro séries — Ouros (plano material), Espadas (plano mental), Copas (plano sentimental) e Paus (plano transcendental), formam cadeias simbólicas sinalizadoras e lineares do Pagem ao Rei, seguida do Às ao 10. Ao contrário dos arcanos maiores, não têm função cíclica, delimitam a trajetória de um determinado plano: material, mental, sentimental ou espiritual. Embora a corte e os numerados tenham evolução entre si, cada qual representa um aspecto individual e particular de manifestação da série
  • 49. correspondente; a corte também pode simbolizar personalidades ou pessoas, contudo, dão uma visão mais ampla da situação. Um fator interessante nos arcanos menores é que temos dois conjuntos distintos e autônomos: dezesseis arcanos da corte e quarenta arcanos numerados; porém, se retirarmos o simbolismo dos quatro elementos (terra, ar, água, fogo) contidos nas cartas dos naipes de Ouros, Espadas, Copas e Paus, restarão somente 4 figuras distintas: Pajem, Cavaleiro, Rainha e o Rei, e mais dez cartas numeradas de 1 (Ás) a 10. Na realidade temos somente três fatores simbólicos para serem analisados: as figuras da corte, a seqüência numérica, e ambas tendo como pano de fundo os quatro elementos: terra (Ouros), ar (Espadas), água (Copas) e fogo (Paus). Interação Oracular Resumindo: A intenção da psique ou do destino (arcanos maiores) numa relação direta com seus objetivos (arcanos menores/naipe) se manifesta numa personalidade ou situação (arcanos menores/corte), para realizar um plano de ação ou uma trajetória natural (arcanos menores/numerados). Por Exemplo: penso e tenho (ou não) condições de comprar um carro - representado pelos atributos dos arcanos maiores; adquiro (ou não) o veículo - representado pelos atributos dos arcanos menores; contudo o carro por si só não se transforma, dependerá de minha ação no plano mental (atributos dos arcanos maiores), para reformá-lo, vendê-lo, ou outra coisa qualquer no plano real (atributos dos arcanos menores). Outro exemplo: estou desejando (posso conseguir ou não) me casar (arcanos maiores), consigo (ou não) namorar e casar (arcanos menores), todavia dependerá de minhas atitudes e comportamentos (arcanos maiores) a manutenção do namoro ou do casamento (arcanos menores), somente o compromisso verbal ou a certidão de casamento não garantirá a felicidade. Assim poderemos observar que na estrutura do arcanos menores haverá sempre uma direção determinada pela força dos arcanos maiores.