Crises do séculoXIV
Entre os séculos XI e XIII,
vários eventos marcaram a sociedade europeia:
• o crescimento demográfico;
• o desenvolvimento de técnicas e ferramentas para aumentar a
produção agrícola;
• a revitalização do comércio;
• o destaque econômico e social das cidades medievais;
• a organização das Cruzadas;
• o aumento da circulação de produtos, pessoas e informações entre
Ocidente e Oriente.
No século XIV, uma série de crises atingiu a Europa, levando o
continente à queda demográfica e a transformações nas relações
sociais e na economia.
2.
Fome
Na década de1310, alterações climáticas resultaram em longos períodos de
seca e intervalos com chuvas muito intensas.
Essa instabilidade afetou diretamente a produtividade agrícola.
A queda na produção de alimentos provocou o desabastecimento do mercado,
resultando no aumento dos preços.
Com isso, a maior parte da população europeia, especialmente dos burgos, não
conseguia comprar quantidade suficiente de alimentos. Nesse contexto, a fome
passou a fazer parte do cotidiano europeu, levando à morte de milhares de
pessoas.
Outra consequência econômica do encarecimento dos preços dos alimentos foi
a retração no consumo de produtos artesanais ou comercializados pelos
mercadores. Além da comida, as pessoas não tinham dinheiro suficiente para
comprar tecidos, tapetes, sapatos, etc.
Dessa forma, o comércio e o artesanato também sentiram os efeitos da crise
agrícola no século XIV.
3.
A peste naEuropa
A partir de 1348, a Europa e a Ásia foram atingidas pela peste, uma
doença causada pela bactéria Yersinia pestis.
Essa doença pode se manifestar no sistema linfático (peste
bubônica), no sistema respiratório (peste pneumônica) ou na circulação
sanguínea (peste septicêmica).
A primeira forma de transmissão é a peste bubônica, que recebe
esse nome porque provoca o aparecimento de bubões – inchaço nos
gânglios linfáticos, localizados nas axilas, na virilha e no pescoço.
A doença também ficou conhecida como “peste negra” porque deixava os
dedos das mãos e dos pés escurecidos pela falta de
circulação sanguínea.
A bactéria é transmitida para os seres humanos por meio de pulgas
contaminadas, muitas vezes presentes em ratos.
4.
A peste naEuropa
Os primeiros focos da doença ocorreram nos portos do mar Mediterrâneo. Acredita-
se que o comércio marítimo e terrestre tenha sido o principal responsável por
transportar ratos com pulgas contaminadas do Oriente para o Ocidente.
Em meio a uma população desnutrida, a doença se espalhou rapidamente nos
centros urbanos, que tinham condições precárias, ideais para a reprodução dos
ratos, e concentravam aglomerações humanas.
Entre as consequências da epidemia de peste na Europa estão a drástica redução
demográfica em razão da elevada taxa de mortalidade – cerca de um terço da
população europeia morreu durante duas décadas – e o declínio econômico.
As pessoas temiam sair de suas casas e passaram a se isolar ou buscar refúgio no
campo. O alto índice de mortalidade resultou na falta de trabalhadores, acentuando
a queda da produtividade no campo e o aumento do preço dos alimentos. Além
disso, o comércio e o artesanato foram afetados com a queda no consumo.
5.
A peste naEuropa
Na época, era comum acreditar que as doenças se proliferavam por meio dos mias-
mas, ou seja, pelo cheiro vindo de restos animais ou vegetais em estado de
decomposição.
Apesar das crenças, derrubadas com o avanço da ciência ao longo do tempo, uma
das medidas que se mostrou eficaz no combate à peste foi evitar o acúmulo de lixo,
o que diminuía a presença de ratos.
Entretanto, surtos da doença continuaram ocorrendo até o século XIX, em
diferentes lugares do mundo.
6.
Revoltas dos camponeses
Umdos resultados da diminuição de trabalhadores, provocada pela
fome e pela peste, foi a intensificação da exploração dos servos.
No campo, os senhores feudais procuravam retomar práticas da
servidão que já tinham sido abandonadas no século XII.
Nesse contexto, os camponeses se mobilizaram contra o aumento de
impostos e taxas e a opressão senhorial.
Muitos revoltosos também criticavam a fome e a miséria,
reivindicando melhores condições de vida e de trabalho.
Na França, os camponeses eram chamados pejorativamente de
jacques, portanto suas revoltadas ganharam o nome de jacquerie.
7.
Revoltas dos camponeses
Emmuitas cidades, revoltas ou batalhas foram travadas para
garantir a autonomia dos centros urbanos em relação aos senhores
feudais.
A população urbana também reivindicava maior participação política.
Apesar de terem sido amplamente reprimidos e acabarem com a
derrota dos camponeses, os feitos desses eventos foram
importantes para o sistema feudal, demonstrando grande
insatisfação com o sistema de servidão e tomada de participação
política por parte dos camponeses.
Ainda assim, esses eventos não conseguiram acabar com a servidão
e tampouco com a exploração.
8.
Guerra dos CemAnos (1337-1453)
Desde o século XI, nobres franceses e ingleses estabeleciam relações de
parentesco por meio de casamentos ou relações de vassalagem.
A partir desses acordos, as terras de reinos da Inglaterra e da França eram
compartilhadas por nobres de ambos os reinos.
Em 1328, após a morte do rei Carlos IV, o trono francês ficou vago, pois não
havia herdeiros.
Em uma estratégia para controlar a região de Flandres, uma das mais
importantes para o comércio europeu, o rei inglês Eduardo III tentou tomar
posse do trono francês, utilizando como argumento o fato de ter parentesco
com o monarca falecido.
Porém, a nobreza francesa alegou que descendentes pela linhagem materna,
como era o caso do rei inglês, não teriam direito ao trono. Essa situação elevou
as tensões entre os dois reinos.
9.
Guerra dos CemAnos (1337-1453)
Em 1337, teve início a guerra entre França e Inglaterra. Ao longo de mais de cem
anos, foram travadas diversas batalhas entre os reinos em razão da disputa pelo
trono e pelos territórios franceses, em especial a região de Flandres. Famílias
nobres francesas também disputavam o trono da França, alternando períodos
de guerra civil e de confrontos com os ingleses.
Durante a maior parte do tempo, os ingleses conseguiram avançar sobre o
território francês. Entretanto, a partir de 1422, a atuação de uma camponesa
modificou os rumos da guerra: Joana d’Arc. A jovem passou a liderar um
regimento do exército francês e conseguiu derrotar as tropas inglesas,
garantindo as fronteiras da França. Em 1453, os franceses conquistaram o
domínio sobre seu território, vencendo a guerra. Os ingleses se envolveram em
disputas internas de poder, deixando o conflito com a França em segundo plano.
10.
Guerra dos CemAnos (1337-1453)
Essa guerra mostrou as instabilidades políticas no século XIV e os
impactos dos conflitos militares para a população e a economia da
Europa.
Além disso, a atuação dos reis na liderança da nobreza durante as
batalhas indicava um gradual fortalecimento político da figura do
monarca.
Diante de revoltas camponesas e urbanas, da fome, das epidemias e das
guerras, a centralização do poder na figura do rei poderia facilitar a
proteção dos territórios e a adoção de medidas para incentivar a
economia, como estabelecer uma única moeda e um sistema de pesos e
medidas.
Essa centralização política também foi acompanhada pelo sentimento de
pertencimento a uma nação, dando origem, na Idade Moderna, às