A ONÇA E O
GAMBÁ
A onça andava louca de raiva com
o gambá que lhe havia pregado uma
peça e saiu à procura dele disposta
a tirar uma desforra.
Ia indo pelo mato, quando ouviu
um barulho esquisito. Espiou através
das folhagens: era gambá que tirava
cipó. Sorriu, satisfeita. Agora ele não
lhe escaparia!
Aproximou-se e o gambá,
quando a viu, pensou lá consigo:
“Estou perdido!”. Mas logo inventou
um plano; fez cara muito feia e
disse, tremendo:
– Bom aparecer alguém! Ajude-
me a tirar cipó, depressa. Quero me
amarrar a uma árvore que vem aí
um tufão e pode me carregar.
A onça compreendeu o perigo e
ajudou a tirar cipó. Quando tinham
uma boa quantidade, ela exigiu,
ameaçadora:
– Amarre-me primeira a essa
árvore grossa. Eu sou maior que
você e o vento me pegará com
mais força.
O gambá ainda fez um luxinho,
quem o amarraria depois? Mas a
onça não quis saber de nada.
Abraçou-se à árvore e o gambá
amarrou-a solidamente. Feito o
serviço, ele se pôs a dançar e a
cantar:
– Não há vento nenhum! Fique aí,
diaba. Eu vou dando o fora!
Sem indicação de autoria. “A
onça e o gambá”. O Dia. Rio de
Janeiro, 30/31 de dezembro de
1962

A onça e o gambá

  • 1.
    A ONÇA EO GAMBÁ
  • 2.
    A onça andavalouca de raiva com o gambá que lhe havia pregado uma peça e saiu à procura dele disposta a tirar uma desforra.
  • 3.
    Ia indo pelomato, quando ouviu um barulho esquisito. Espiou através das folhagens: era gambá que tirava cipó. Sorriu, satisfeita. Agora ele não lhe escaparia!
  • 4.
    Aproximou-se e ogambá, quando a viu, pensou lá consigo: “Estou perdido!”. Mas logo inventou um plano; fez cara muito feia e disse, tremendo:
  • 5.
    – Bom apareceralguém! Ajude- me a tirar cipó, depressa. Quero me amarrar a uma árvore que vem aí um tufão e pode me carregar.
  • 6.
    A onça compreendeuo perigo e ajudou a tirar cipó. Quando tinham uma boa quantidade, ela exigiu, ameaçadora:
  • 7.
    – Amarre-me primeiraa essa árvore grossa. Eu sou maior que você e o vento me pegará com mais força.
  • 8.
    O gambá aindafez um luxinho, quem o amarraria depois? Mas a onça não quis saber de nada. Abraçou-se à árvore e o gambá amarrou-a solidamente. Feito o serviço, ele se pôs a dançar e a cantar:
  • 9.
    – Não hávento nenhum! Fique aí, diaba. Eu vou dando o fora!
  • 10.
    Sem indicação deautoria. “A onça e o gambá”. O Dia. Rio de Janeiro, 30/31 de dezembro de 1962