A EXISTÊNCIA DE DEUS
Como sabemos que Deus existe?
■ A ÍNTIMA INTUIÇÃO HUMANA DE DEUS .
■ Todas as pessoas de qualquer lugar têm uma profunda intuição íntima de
que Deus existe, de que são criaturas de Deus e de que ele é seu Criador.
■ Paulo diz que mesmo os gentios descrentes tinham “conhecimento de
Deus”, mas não o honravam como Deus nem lhe eram gratos (Rm 1.21).
■ Diz ele que os descrentes ímpios “mudaram a verdade de Deus em mentira”
(Rm 1.25), dando a entender que ativa ou obstinadamente rejeitaram
alguma verdade sobre a existência e o caráter de Deus que já conheciam.
■ Paulo diz que “o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles” e
acrescenta que isso acontece “porque Deus lhes manifestou” (Rm 1.19).
■ Todavia as Escrituras também reconhecem que algumas pessoas negam
essa intuição íntima de Deus e chegam mesmo a negar a existência de
Deus.
■ É o “insensato” que diz no seu coração: “Não há Deus” (SI 14.1; 53.1).
■ É o perverso que primeiro “maldiz o Senhor e blasfema contra ele” e
depois, com orgulho, repetidamente pondera “que não há Deus” (SI 10.3-4).
Crendo nas evidências das Escrituras e da natureza
■ Além da consciência íntima de Deus, que dá claro testemunho do fato de que ele
existe, encontramos claras evidências da sua existência nas Escrituras e na natureza.
■ As provas de que Deus existe se encontram, logicamente, disseminadas por toda a
Bíblia.
■ De fato, a Bíblia sempre pressupõe que Deus existe.
■ O primeiro versículo não apresenta provas da existência de Deus, mas passa
imediatamente a nos narrar o que ele fez: “No princípio, criou Deus os céus e a terra”.
■ Se nos convencemos de que a Bíblia é verdadeira, então sabemos com base nela não
só que Deus existe, mas também muita coisa sobre sua natureza e seus atos.
■ Essa ampla variedade de testemunhos da existência de Deus oriundos de partes
diversas do mundo criado indica-nos que em certo sentido tudo o que existe dá provas
da existência de Deus.
■ Para aqueles que têm olhos para ver e avaliam corretam ente as evidências, cada folha
de cada árvore, cada folha da relva, cada estrela do céu e cada outro elemento
qualquer da criação - tudo brada continuamente: “Deus me criou! Deus me criou!
Deus me criou!”.
Só Deus pode superar nosso pecado e possibilitar que nos convençamos da
sua existência
■ Finalmente, é preciso lembrar que neste mundo pecador Deus precisa
possibilitar que nos convençamos, senão jamais creríamos nele.
■ Lemos que “o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que
lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo” (2Co 4.4).
■ Além do mais, Paulo diz que “visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não
o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem
pela loucura da pregação” (ICo 1.21).
■ Neste mundo de pecado, a sabedoria humana é deficiente para que
venhamos a conhecer a Deus.
■ Assim, a pregação de Paulo veio “em demonstração do Espírito e de poder,
para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de
Deus (I Co 2.4-5).
■ Dependemos de Deus para remover a cegueira e a irracionalidade provocada
pelo pecado, possibilitando assim que avaliemos corretamente as evidências,
creiamos no que dizem as Escrituras e venhamos a ter fé salvadora em Cristo.
A Cognoscibilidade de Deus
Será que podemos realmente conhecer a
Deus?
Quanto de Deus podemos conhecer?
A NECESSIDADE DE DEUS SE REVELAR A NÓS
■ Se pretendemos conhecer a Deus, antes é necessário que ele se revele a nós.
■ Mesmo discutindo a revelação de Deus que vem da natureza, Paulo diz que o que
podemos conhecer sobre Deus está claro às pessoas “porque Deus lhes
manifestou” (Rm 1.19).
■ A criação natural revela Deus porque ele mesmo decide revelar-se assim.
■ Quando falamos do conhecimento pessoal de Deus, que vem pela salvação, essa
ideia fica ainda mais explícita.
■ Disse Jesus: “Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai,
senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar (Mt 11.27).
■ Esse tipo de conhecimento de Deus não se encontra por sabedoria ou esforço
humanos: “... Na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria
sabedoria” (ICo 1.21; cf. ICo 2.14;2Co 4.3-4;Jo 1.18).
■ Portanto, precisamos das Escrituras para interpretar corretamente a revelação
natural. Centenas de falsas religiões pelo mundo afora são provas de que os
pecadores, sem orientação das Escrituras, sempre compreendem erradamente e
distorcem a revelação de Deus encontrada na natureza.
Jamais poderemos compreender plenamente a Deus
■ Como Deus é infinito, e nós, finitos e limitados, jamais poderemos compreender plenamente a
Deus.
■ Nesse sentido, podemos dizer que Deus é incompreensível, ou seja, “que não pode ser plenamente
compreendido”.
■ Esse sentido precisa ser claramente distinguido do significado mais comum, “que não pode ser
compreendido”.
■ Não é verdade dizer que Deus não pode ser compreendido, mas, sim, dizer que ele não pode ser
compreendido plena ou exaustivamente.
■ Diz o salmo 145: “Grande é o Senhor e mui digno de ser louvado; a sua grandeza, é insondável (SI
145.3).
■ A grandeza de Deus está além do sondável ou do decifrável: é tão enorme que não pode ser
plenamente conhecida.
■ Com respeito ao entendimento de Deus, diz o salmo 147: “Grande é o Senhor nosso e mui
poderoso; o seu entendimento não se pode medida (SI 147.5).
■ Essa doutrina da incompreensibilidade de Deus tem muita aplicação positiva para nossa vida.
Significa que jamais seremos capazes de conhecer “demais” sobre Deus, pois jamais nos faltarão
coisas para aprender sobre ele, e assim nunca nos cansaremos de nos deleitar com a descoberta
de mais e mais coisas da sua excelência e da grandeza das suas obras.
■ Mesmo na era futura, quando nos veremos livres da presença do
pecado, jamais seremos capazes de, plenamente, conhecer a
Deus nem coisa alguma sobre ele.
■ Isso se depreende do fato de que as passagens citadas acima
atribuem a incompreensibilidade de Deus não à nossa condição
pecadora, mas à infinita grandeza divina.
■ Porque somos finitos e Deus, infinito, jamais poderemos
compreendê-lo plenamente.
■ Por toda a eternidade poderemos aumentar o nosso
conhecimento de Deus, deleitando-nos cada vez mais nele,
dizendo com Davi à medida que formos conhecendo mais e mais
os próprios pensamentos de Deus: “Que preciosos para mim, ó
Deus, são os teus pensamentos! E como é grande a soma deles!
Se os contasse, excedem os grãos de areia” (Sl 139.17-18).
■ Se desejássemos um dia nos igualar a Deus em conhecimento, ou se
desejássemos encontrar prazer no pecado do orgulho intelectual, o fato de que
jamais cessaremos de crescer no conhecimento de Deus seria para nós fator
desencorajador — poderíamos sentirmos frustrados pelo fato de Deus se revelar
um objeto de estudo que jamais poderemos dominar!
■ Mas se nos deleitamos no fato de que só Deus é Deus, de que ele é sempre
infinitamente maior do que nós, de que somos criaturas dele, que lhe devemos
culto e adoração, então essa nos será uma ideia bastante encorajadora.
■ Ainda que todos os dias da nossa vida dediquemos algum tempo ao estudo
bíblico e à comunhão com Deus, sempre haverá mais por aprender sobre Deus e
sobre suas relações conosco e com o mundo e sempre mais motivos para
agradecer e para louvá-lo.
■ Se percebemos isso, a perspectiva de um hábito regular e duradouro de estudo
bíblico, e mesmo a perspectiva de toda uma vida de estudo teológico (se é
teologia solidamente arraigada na Palavra de Deus), torna-se algo bastante
empolgante.
■ Estudar e ensinar a Palavra de Deus tanto formal como informalmente será
sempre um grande privilégio e uma grande alegria.
Podemos, porém , conhecer a Deus de modo verdadeiro
■ Embora não possamos conhecer exaustivamente a Deus, podemos conhecer
coisas verdadeiras sobre ele.
■ De fato, tudo o que as Escrituras nos falam sobre Deus é verdadeiro.
■ É verdade dizer que Deus é amor (I Jo 4.8), que Deus é luz (I Jo 1.5), que Deus é
espírito (Jo 4.24), que Deus é justo ou reto (Rm 3.26) e assim por diante.
■ Dizer isso não implica nem exige que saibamos tudo sobre Deus, ou sobre seu
amor, ou sobre sua justiça ou sobre qualquer outro atributo.
■ Quando digo que tenho três filhos, essa afirmação é integralmente verdadeira,
ainda que eu não saiba tudo sobre os meus filhos, nem sequer sobre mim
mesmo.
■ Assim também é o nosso conhecimento de Deus: temos conhecimento
verdadeiro dele com base nas Escrituras, ainda que não tenhamos
conhecimento exaustivo.
■ Podemos conhecer alguns pensamentos de Deus — até muitos deles - com
base na Bíblia, e quando os conhecemos, como Davi, os consideramos
“preciosos” (Sl 139.17).
■ Ora, algumas pessoas dizem que não podemos conhecer o próprio Deus, mas somente
fatos sobre ele ou o que ele faz. Outros dizem que não podemos conhecer a Deus como ele
é em si, mas somente na sua relação conosco (e aqui está implícito que essas duas coisas
são de algum modo diferentes).
■ Mas as Escrituras não afirmam isso. Várias passagens falam que podemos conhecer 0
próprio Deus. Lemos as seguintes palavras de Deus em Jeremias:
– Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas
riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o
Senhor e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado,
diz o Senhor (Jr 9.23-24).
■ Aqui Deus diz que a fonte da nossa alegria e da nossa noção de importância deve vir não
das nossas capacidades ou posses, mas do fato de conhecê-lo.
■ Igualmente, ao orar ao Pai, Jesus pôde dizer: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti,
o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3).
■ A promessa da nova aliança é que todos conheçam a Deus, “desde o menor deles até ao
maior” (Hb 8.11), e a primeira epístola de João nos diz que o Filho de Deus veio e nos deu
entendimento “para reconhecermos 0 verdadeiro” (I Jo 5.20; ver também G1 4.9; Fp 3.10; I
Jo 2.3; 4.8).
■ João pode dizer: "... eu vos escrevo, porque conheceis aquele que existe desde 0princípio” (I
Jo 2.13).
■ O fato de conhecermos o próprio Deus é demonstrado ainda
pela percepção de que a riqueza da vida cristã envolve um
relacionamento pessoal com Deus.
■ Como sugerem essas passagens, temos privilégio bem maior
do que o mero conhecimento de fatos acerca de Deus.
■ Falamos com Deus em oração, e ele fala conosco pela sua
Palavra.
■ Temos comunhão com ele na sua presença, entoam os seus
louvores e temos consciência de que ele pessoalmente
habita no meio de nós e dentro de nós para nos abençoar (Jo
14.23).
■ De fato, pode-se dizer que esse relacionamento pessoal com
Deus Pai, com Deus Filho e com Deus Espírito Santo é a
maior de todas as bênçãos da vida cristã.
0 Caráter de Deus: Atributos 'incomunicáveis"
■ Em que aspectos Deus é diferente de nós?
■ Quando falamos sobre o caráter de Deus, percebemos que não podemos dizer ao
mesmo tempo tudo o que a Bíblia nos ensina sobre o caráter dele.
■ Precisamos de algum modo decidir que aspecto do caráter de Deus discutiremos
primeiro, que aspecto discutiremos em segundo lugar e assim por diante.
■ Em outras palavras, precisamos de alguma forma classificar os atributos de Deus.
■ A questão não é insignificante como talvez pareça. Existe a possibilidade de
adotarmos uma ordem desencaminhadora de atributos, ou de enfatizarmos
tanto alguns atributos que chegaríamos ao ponto de não apresentar
apropriadamente os outros.
■ Empregam-se vários métodos diferentes de classificação dos atributos de Deus.
■ Adotaremos a classificação provavelmente mais usada: os atributos
incomunicáveis de Deus (ou seja, aqueles atributos que Deus não partilha conosco
ou não nos “comunica”) e os seus atributos comunicáveis (aqueles que Deus
partilha conosco ou nos “comunica”).
■ Exemplos dos atributos incomunicáveis seriam:
– a eternidade de Deus (Deus existe desde a eternidade, mas nós não),
– sua imutabilidade (Deus não muda, mas nós sim) e
– sua onipresença (Deus está presente em todos os lugares, mas nós só nos
fazemos presentes num lugar por vez).
■ Exemplos dos atributos comunicáveis seriam:
– o amor (Deus é amor, e nós também somos capazes de amar),
– o conhecimento (Deus tem conhecimento, e nós também somos capazes de
alcançar conhecimento),
– a misericórdia (Deus é misericordioso, e nós também somos capazes de
demonstrar misericórdia) e
– a justiça (Deus é justo, e nós também podemos ser justos).
■ Essa classificação dos atributos de Deus em duas categorias principais é útil, e a
maioria das pessoas tem uma noção de quais atributos devem ser ditos
incomunicáveis e dos que devem ser ditos comunicáveis.
■ Assim faz sentido dizer que o amor de Deus é comunicável, mas não a sua
onipresença.
■ Porém, ponderando mais sobre o assunto percebemos que essa distinção, embora útil,
não é perfeita.
■ Isso porque não há atributo de Deus que seja completamente comunicável, nem
atributo divino completamente incomunicável! Isso fica evidente quando refletimos por
um momento sobre algumas coisas que já conhecemos a respeito de Deus.
■ Por exemplo, a sabedoria de Deus geralmente seria classificada como atributo
comunicável, pois também nós podemos ser sábios. Mas jamais seremos infinitamente
sábios como Deus é sábio.
■ Sua sabedoria é até certo ponto partilhada conosco, mas nunca plenamente.
■ Do mesmo modo, podemos participar parcialmente do conhecimento de Deus, mas
nunca participaremos plenamente dele, pois os pensamentos de Deus são mais
elevados que os nossos, “assim como os céus são mais altos do que a terra” (Is 55.9).
■ Podemos imitar o amor de Deus e participar desse atributo até certo ponto, mas jamais
seremos infinitamente amorosos como Deus.
■ Assim acontece com todos os atributos que normalmente denominamos
“comunicáveis”: Deus de fato os partilha conosco até certo ponto, mas nenhum desses
atributos é plenamente comunicável.
■ Melhor é dizer que esses atributos que chamamos “comunicáveis” são os mais
partilhados conosco.
■ Os atributos chamados “incomunicáveis” têm sua melhor
definição quando dizemos que são os atributos divinos de que
menos participamos.
■ Nenhum dos atributos incomunicáveis de Deus deixa de ter
alguma semelhança no caráter dos seres humanos. Deus, por
exemplo, é imutável, mas nós mudamos.
■ Só que não mudamos completamente, pois alguns aspectos do
nosso caráter permanecem em larga medida inalterados:
■ nossa identidade individual;
■ muitas das nossas características pessoais e alguns dos nossos
propósitos de longo prazo se conservam substancialmente
inalterados por muitos anos (e se manterão em larga medida
inalterados quando nos virmos livres do pecado e começarmos
a viver para sempre na presença de Deus).
■ Igualmente, Deus é eterno, mas nós estamos sujeitos às limitações do tempo.
■ Porém, percebemos alguns reflexos da eternidade de Deus:
– no fato de que viveremos com ele para sempre,
– desfrutando da vida eterna,
– e também no fato de possuirmos a capacidade de nos lembrar do passado
– e ter uma forte consciência do futuro (diferentemente de boa parte da
criação de Deus; cf. Ec 3.11).
■ Os atributos divinos da independência e da onipresença são talvez os mais
difíceis de ver refletidos na nossa natureza, mas mesmo desses podemos
perceber em nós tênues reflexos quando nos comparamos com boa parte do
resto da criação divina:
– ao alcançar a maturidade, atingimos certo grau de independência dos
outros para nossa existência;
– e, embora não possamos estar em mais de um lugar ao mesmo tempo,
temos a capacidade de agir de modos que afetem muitos locais diferentes
ao mesmo tempo (isso, igualmente, nos destaca da maior parte da criação).
Os nomes de Deus nas Escritura
■ Na Bíblia o nome de uma pessoa é uma descrição do seu caráter. Da
mesma forma, os nomes bíblicos de Deus são diversas descrições do seu
caráter.
■ Num sentido mais amplo, então, o “nome” de Deus se iguala a tudo aquilo
que a Bíblia e a criação nos dizem a respeito dele.
■ Quando oramos: “Santificado seja o teu nome”, como parte da Oração
Dominical (Mt 6.9), oramos para que as pessoas falem sobre Deus de um
modo que lhe seja honroso e que reflita com precisão o seu caráter.
■ Esse honrar o nome de Deus pode ser realizado por meio de ações como
também de palavras, pois nossas ações refletem o caráter do criador a
quem servimos (Mt 5.16). Honrar o nome de Deus, portanto, é honrar a
Deus.
■ O mandamento “Não tomarás o nome do Senhor , teu Deus, em vão” (Êx
20.7) ordena que não desonremos a reputação de Deus, nem por palavras
que digamos sobre ele de maneira insensata ou deturpadora, nem por
ações que não reflitam o seu verdadeiro caráter.
■ Ora, a Bíblia de fato dá muitos nomes de Deus, e todos eles refletem algum aspecto
verdadeiro do seu caráter.
■ Muitos desses nomes que descrevem partes do caráter divino são tirados da
experiência ou das emoções humanas, enquanto muitos outros são tirados do resto da
criação natural.
■ Em certo sentido, todas essas expressões do caráter de Deus em termos de coisas
encontráveis no universo são “nomes” de Deus, pois nos dizem algo verdadeiro sobre
ele.
■ Herman Bavinck dá uma longa lista dessas descrições de Deus tiradas da criação:
• Deus é comparado a um leão (Is
31.4),
• a uma águia (Dt 32.11),
• a um cordeiro (Is 53.7),
• a uma galinha (Mt 23.37),
• ao sol (SI 84.11),
• à estrela da manhã (Ap 22.16),
• à luz (SI 27.1),
• a uma lâmpada (Ap 21.23),
• ao fogo (Hb 12.29),
• a um manancial (SI 36.9),
• a uma rocha (Dt 32.4),
• a um refúgio (SI 119.114),
• a uma torre (Pv 18.10),
• a uma sombra (SI 91.1),
• a um escudo (SI 84.11),
• a um santuário (Ap 21.22).
■ Derivadas da experiência humana, Bavinck acha uma lista
ainda mais extensa de descrições, que aqui reproduzo apenas
em parte:
– Deus é chamado noivo (Is 61.10),
– marido (Is 54.5),
– pai (Dt 32.6),
– juiz e rei (Is 33.22),
– homem de guerra (Êx 15.3),
– arquiteto e edificador (Hb 11.10),
– pastor (SI 23.1),
– médico (Êx 15.26) .
■ Além disso, Deus é descrito em termos de ações humanas:
– como saber (Gn 18.21),
– lembrar (Gn 8.1; Êx 2.24),
– ver (Gn 1.10), ouvir (Êx 2.24),
– aspirar o cheiro (Gn 8.21),
– pôr à prova (SI 11.5),
– permanecer (SI 9.7),
– levantar-se (SI 68.1),
– andar (Lv 26.12),
– enxugar as lágrimas (Is 25.8) e por aí afora.
■ Também se atribuem a Deus emoções humanas:
– como alegria (Is 62.5),
– pesar (SI 78.40; Is 63.10),
– ira (Jr 7.18-19; SI 2.5),
– amor (Jo 3.16),
– ódio (Dt 16.22).
■ O propósito de reunir todas essas passagens é mostrar,
primeiro, que num sentido ou noutro toda a criação nos
revela algo sobre Deus, e que quanto mais elevada a
criação, especialmente o homem que é feito à imagem
de Deus, mais plenamente o revela.
■ A segunda razão para a menção dessa longa lista é
mostrar que tudo o que sabemos sobre Deus segundo
as Escrituras nos vem em termos que compreendem os,
pois descrevem eventos ou coisas comuns à experiência
humana. Usando um termo mais técnico, podemos
dizer que em tudo o que as Escrituras dizem a respeito
de Deus usa-se linguagem antropomórfica - ou seja,
linguagem que fala de Deus em termos humanos.
■ Às vezes as pessoas se perturbam diante do fato de haver linguagem antropomórfica nas
Escrituras.
■ Mas isso não nos deve perturbar, pois, se Deus pretende nos ensinar coisas que não
conhecemos por experiência direta (como os seus atributos), tem de nos ensinar por
meio daquilo que de fato conhecemos.
■ E por isso que tudo o que a Bíblia diz sobre Deus é “antropomórfico” num sentido amplo
(falando de Deus ou em termos humanos ou em termos da criação que conhecemos).
■ Isso não significa que as Escrituras nos deem ideias erradas ou deturpadoras sobre Deus,
pois essa é a forma que Deus escolheu para se revelar a nós, e para revelar-se de modo
verdadeiro e preciso.
■ Ainda assim, é necessário que tenhamos o cuidado de não tomar nenhuma dessas
descrições isoladamente, separando-a do contexto em que está inserida ou do resto
daquilo que as Escrituras dizem sobre Deus.
■ Se o fizéssemos, correríamos o risco de compreender erroneamente a Deus ou de
imaginar um retrato desequilibrado ou inadequado de quem ele é.
■ Cada descrição de cada um dos atributos divinos deve ser compreendida à luz de tudo o
mais que as Escrituras nos dizem sobre Deus.
■ Se não nos lembrarmos disso, inevitavelmente compreenderemos erradamente o caráter
de Deus.
■ Existe ainda uma terceira razão para destacar a grande diversidade de descrições
de Deus tiradas da experiência humana e do mundo natural.
■ Essa linguagem deve-nos lembrar de que Deus criou o universo para que este
revelasse a excelência do caráter divino, ou seja, para que revelasse a glória divina.
Deus é digno de glória porque criou todas as coisas (Ap 4.11); portanto, todas as
coisas devem honrá-lo.
■ O salmo 148 é um exemplo em que toda a criação é convocada a louvar a Deus:
■ Louvai-o, sol e lua;
louvai-o, todas as estrelas luzentes [...]
Louvai ao Senhor da terra,
monstros marinhos e abismos todos;
fogo e saraiva, neve e vapor
e ventos procelosos que lhe executam a palavra;
montes e todos os outeiros,
árvores frutíferas e todos os cedros; [...]
reis da terra e todos os povos [...]
Louvem o nome do Senhor,
porque só o seu nome é excelso;
a sua majestade é acima da terra e do céu (Sl 148.3, 7-11, 13).
■ A compreensão do caráter divino segundo as Escrituras deve abrir nossos
olhos e nos permitir interpretar corretamente a criação.
■ Assim, seremos capazes de ver reflexos da excelência do caráter de Deus
em toda a criação: “... toda a terra está cheia da sua glória” (Is 6.3).
■ E preciso lembrar que, embora tudo o que as Escrituras nos dizem sobre
Deus seja verdadeiro, não é exaustivo. A Bíblia não nos diz tudo sobre o
caráter de Deus.
■ Assim, jamais conhecerem os o “nome” completo ou pleno de Deus, no
sentido de que jamais compreenderemos exaustivamente o caráter divino.
■ Nunca conheceremos tudo o que há para conhecer sobre Deus.
■ Por essa razão, os teólogos dizem às vezes: “Deus tem muitos nomes, mas
não tem nome nenhum”.
■ Deus tem muitos nomes porque conhecemos muitas descrições
verdadeiras do seu caráter com base nas Escrituras; mas Deus não tem
nome nenhum, pois jamais poderemos descrever ou compreender a
plenitude do seu caráter.
Definições equilibradas dos atributos incomunicáveis de Deus
■ Os atributos incomunicáveis de Deus são talvez os mais fáceis de
compreender equivocadamente, talvez porque representam aspectos do
caráter divino menos familiares à nossa experiência.
■ Neste capítulo, portanto, cada um dos atributos incomunicáveis de Deus é
definido com uma proposição de duas partes.
■ A primeira parte define o atributo em discussão, e a segunda procura evitar a
compreensão equivocada do atributo, expondo um aspecto de equilíbrio ou
contrário associado a esse atributo.
■ A imutabilidade de Deus, por exemplo, é definida assim: “Deus é imutável no
seu ser, nas suas perfeições, nos seus propósitos e nas suas promessas;
porém, Deus age, e age de modos diversos diante de situações diferentes”.
■ A segunda metade da definição procura evitar a idéia de que imutabilidade
significa incapacidade total de ação.
■ Alguns de fato entendem assim a imutabilidade, mas tal com preensão é
incompatível com a apresentação bíblica da imutabilidade de Deus.
OS ATRIBUTOS INCOMUNICÁVEIS DE DEUS
■ Independência.
■ A independência de Deus é definida assim: Deus não precisa de nós nem do restante
da criação para nada; porém, tanto nós quanto o restante da criação podemos
glorificá-lo e dar-lhe alegria.
■ Esse atributo de Deus é às vezes chamado existência autônoma ou aseidade (das
palavras latinas a se, que significam “de si mesmo”).
■ As Escrituras, em várias passagens, ensinam que Deus não precisa de parte nenhuma
da criação para existir ou para qualquer outra coisa. Deus é absolutamente
independente e auto-suficiente.
■ Paulo proclama aos homens de Atenas: “O Deus que fez o mundo e tudo o que nele
existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos
humanas.
■ Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse, pois ele
mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais” (At 17.24-25).
■ A implicação é que Deus não precisa de nada da humanidade.
■ As pessoas às vezes pensam que Deus criou os seres humanos
porque se sentia só e precisava da companhia de outras
pessoas. Se isso fosse verdade, certamente significaria que Deus
não é completamente independente da criação. Significaria que
Deus necessitaria criar pessoas para ser completamente feliz ou
plenamente realizado na sua existência individual.
■ Entretanto, algumas indicações das palavras de Jesus mostram
que essa ideia é incorreta. Em João 17.5, Jesus ora: E, agora,
glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive
junto de ti, antes que houvesse mundo”. Eis aqui uma indicação
de que havia um compartilhamento de glória entre o Pai e o
Filho antes da criação. Depois, em João 17.24, Jesus fala ao Pai
da “minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da
fundação do mundo”. Havia amor e comunicação entre o Pai e o
Filho antes da criação.
■ Essas passagens sugerem explicitamente o que podemos aprender
em outros trechos com base na doutrina da Trindade, a saber, que
entre as pessoas da Trindade houve, há e sempre haverá amor,
comunhão e comunicação perfeitos por toda a eternidade.
■ O fato de Deus ser três pessoas, mas um só Deus, significa que não
havia solidão nem falta de comunhão pessoal da parte de Deus
antes da criação.
■ De fato, esse amor, essa comunhão interpessoal e esse partilhar de
amor sempre foram e sempre serão muito mais perfeitos do que
qualquer comunhão que nós, seres humanos finitos, podemos ter
com Deus.
■ E, como o segundo versículo citado acima fala da glória dada pelo
Pai ao Filho, devemos perceber também que os membros da
Trindade dão-se glória uns aos outros, glória essa que excede em
muito qualquer glória que Deus jamais receberia de toda a criação.
■ O ser divino é também algo totalmente único. Não só Deus não precisa da
criação para nada, mas não poderia precisar da criação para nada.
■ A diferença entre a criatura e o Criador é imensa, pois Deus existe numa
ordem fundamentalmente diferente de existência. Não apenas nós
existimos enquanto Deus sempre existiu; também Deus necessariamente
existe de maneira infinitamente melhor, mais forte e mais excelente.
■ A diferença entre o ser de Deus e o nosso é maior do que a diferença
entre o sol e uma vela, maior do que a diferença entre o oceano e uma
gota d’água, maior do que a diferença entre a calota polar ártica e um
floco de neve, maior do que a diferença entre o universo e o recinto em
que nos encontram os agora: o ser divino é qualitativamente diferente.
■ Nenhuma limitação ou imperfeição da criação deve ser projetada na
nossa ideia de Deus.
■ Ele é o Criador; tudo o mais são criaturas. Tudo o mais pode morrer num
instante; ele necessariamente existe para sempre.
■ Imutabilidade.
■ Podemos definir a imutabilidade de Deus assim: Deus é imutável no seu
ser, nas suas perfeições, nos seus propósitos e nas suas promessas;
porém, Deus age e sente emoções, e age e sente de modos diversos
diante de situações diferentes.5 Esse atributo de Deus é também
chamado inalterabilidade.
■ Evidências nas Escrituras: no salmo 102, encontramos um contraste
entre coisas que podemos julgar permanentes, como a terra ou os céus,
de um lado, e Deus, do outro. Diz o salmista:
■ Em tempos remotos, lançaste os fundamentos da terra;
e os céus são obra das tuas mãos.
Eles perecerão, mas tu permaneces;
todos eles envelhecerão como uma veste,
como roupa os mudarás, e serão mudados.
Tu, porém, és sempre o mesmo, e os teus anos jamais terão fim.
(SI 102.25-27)
■ Referindo-se às suas próprias virtudes da paciência, da longanimidade e da
misericórdia, diz Deus: “Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso, vós, ó filhos
de Jacó, não sois consumidos” (Ml 3.6). Aqui Deus usa um a afirmação genérica
da sua imutabilidade para se referir a alguns aspectos específicos nos quais ele
não muda.
■ Tiago lembra aos seus leitores que todos os dons excelentes provêm, em última
análise, de Deus, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança”
(Tg 1.17). Seu argumento é que, como os dons excelentes sempre vieram de
Deus, podem os estar seguros de que somente dons excelentes virão dele no
futuro, pois o seu caráter jamais muda, nem sequer em grau mínimo.
■ A definição dada acima especifica que Deus é imutável — não de todos os
modos que possamos imaginar, mas somente nos aspectos que as próprias
Escrituras o afirmam.
■ As passagens bíblicas já citadas referem-se ou ao próprio ser divino ou a algum
atributo do seu caráter.
■ Disso podemos concluir que Deus é imutável, pelo menos com respeito ao seu
“ser e com respeito às suas “perfeições (ou seja, os seus atributos ou os vários
aspectos do seu caráter)
■ O grande teólogo holandês Herman Bavinck observa que o fato de Deus
ser imutável no seu ser é de máxima importância para a manutenção da
distinção Criador/criatura e para nossa adoração de Deus:
– A doutrina da imutabilidade de Deus é da mais alta importância para a
religião. O contraste entre ser e vir a ser assinala a diferença entre o
Criador e a criatura. Toda criatura está continuamente vindo a ser. E
mutável, vive em constante dor, busca repouso e satisfação, e encontra
repouso em Deus, e só nele, pois só ele é puro ser e não vir a ser. Daí
nas Escrituras Deus ser muitas vezes chamado a Rocha...
■ A definição dada acima também afirma a imutabilidade ou inalterabilidade
de Deus com respeito aos seus propósitos.
■ “O conselho do Senhor dura para sempre; os desígnios do seu coração,
por todas as gerações” (SI 33.11).
■ Essa afirmação genérica acerca do conselho de Deus é sustentada por
vários versículos que falam sobre planos ou propósitos divinos específicos
para toda a eternidade (Mt 13.35; 25.34; Ef 1.4, 11; 3.9, 11; 2Tm 2.19;
lPe 1.20; Ap 13.8).
Será que Deus às vezes muda de ideia?
■ Se, porém, falamos que Deus é imutável nos seus propósitos, surpreendemo-nos
intrigados diante de passagens bíblicas em que Deus diz que julgaria o seu povo,
mas depois, por causa de orações ou do arrependimento do povo (ou ambas as
coisas), acaba-se apiedando e não condena como dissera que o faria.
– Entre os exemplos de recuo depois de ameaça de juízo estão a bem-sucedida
intervenção de Moisés com oração para evitar a destruição do povo de Israel (Êx
32.9-14),
– o acréscimo de quinze anos à vida de Ezequias (Is 38.1-6)
– e o fato de Deus ter voltado atrás na decisão de julgar Nínive, diante do
arrependimento do povo (Jn 3.4, 10).
– Não serão casos em que os propósitos de Deus de fato mudaram?
■ E há também outras passagens nas quais se diz que Deus está arrependido de ter
feito alguma coisa.
– Basta pensar no arrependimento de Deus de ter feito o homem na terra (Gn 6.6),
– ou no arrependimento de ter ungido Saul rei (ISm 15.10).
– Os propósitos de Deus afinal não mudaram nesses casos?
■ Esses exemplos devem todos ser entendidos como expressões verdadeiras da
atitude ou intenção presente de Deus diante da situação que existe naquele
momento.
■ Se a situação muda, então é claro que a atitude ou expressão de intenção
divina irá também mudar.
■ Isso quer dizer somente que Deus reage de modos diversos a situações
diferentes.
■ O exemplo da pregação de Jonas aos habitantes de Nínive nos é útil aqui.
■ Deus vê a iniquidade de Nínive e envia Jonas para proclamar: “Ainda quarenta
dias, e Nínive será subvertida” (Jn 3.4).
■ A possibilidade de que Deus sustasse o juízo se o povo se arrependesse não é
explicitamente mencionada na proclamação de Jonas registrada nas Escrituras,
mas está logicamente implícita na advertência: o propósito da proclamação da
advertência é provocar o arrependimento.
■ Uma vez havendo o povo se arrependido, a situação era diferente, e Deus
reagiu de modo diverso a essa nova situação: “ Viu Deus o que fizeram, como
se converteram do seu mau caminho; e Deus se arrependeu do mal que tinha
dito lhes faria e não o fez” (Jn 3.10).
■ Os casos de Ezequias e da intercessão de Moisés são semelhantes: Deus dissera que
enviaria o juízo, e era uma declaração verdadeira, desde que a situação permanecesse a
mesma.
■ Mas a situação mudou: alguém começou a orar sinceramente (Moisés num caso e
Ezequias no outro).
■ Aqui a própria oração fazia parte da nova situação e de fato foi o que mudou a situação.
Deus reagiu a essa nova situação atendendo a oração e sustando o juízo.
■ Os casos do arrependimento de Deus diante da criação do homem e do fato de ter feito
Saul rei também podem ser entendidos como expressões do descontentamento
presente de Deus diante da pecaminosidade do homem.
■ Em nenhum desses casos a linguagem é forte o bastante para nos fazer pensar que se
Deus pudesse começar de novo e agir de modo diferente, de fato não criaria o homem
nem faria Saul rei.
■ Pode, em vez disso, subentender que a ação divina anterior conduziu a acontecimentos
que, a curto prazo, lhe trouxeram pesar, mas que assim mesmo, a longo prazo,
acabariam realizando os seus bons propósitos.
■ Isso é em certo sentido comparável à conduta do pai hum ano que permite que seu
filho tome um caminho que ele sabe que trará muito pesar, tanto ao pai quanto ao filho,
mas assim mesmo o permite, pois sabe que um bem maior e duradouro advirá disso.
■ Deus é ao mesmo tempo infinito e pessoal.
■ Nossa discussão da teologia do processo ilustra uma diferença comum entre o cristianismo
bíblico e todos os outros sistemas teológicos.
■ No ensinamento da Bíblia, Deus é ao mesmo tempo infinito e pessoal: ele é infinito porque
não está sujeito a nenhuma das limitações da humanidade, ou da criação em geral.
■ E bem maior do que qualquer coisa que tenha feito, bem maior do que qualquer coisa que
exista.
■ Mas é também pessoal: relaciona-se conosco como uma pessoa, e podemos nos relacionar
com ele como pessoas. Podemos orar a ele, adorá-lo, obedecer-lhe e amá-lo, e ele pode falar
conosco, alegrar-se conosco e nos amar.
■ Fora da verdadeira religião encontrada na Bíblia, nenhum sistema religioso admite um Deus
ao mesmo tempo infinito e pessoal.
■ Por exemplo, os deuses das antigas mitologias grega e romana eram pessoais
(relacionavam-se com as pessoas), mas não infinitos: tinham fraquezas e frequentes falhas
morais e até rivalidades mesquinhas.
■ Por outro lado, o deísmo retrata um Deus infinito mas excessivamente afastado do mundo
para envolver-se pessoalmente nele.
■ Da mesma forma, o panteísmo sustenta que Deus é infinito (pois considera-se que todo o
universo é Deus), mas tal Deus certamente não pode ser pessoal nem se relacionar com as
pessoas.
■ O erro da teologia do processo enquadra-se nessa categoria geral. Seus
defensores estão convencidos de que um Deus imutável no seu ser é tão
diferente do resto da criação - tão infinito, tão ilimitado pela mudança que
caracteriza toda a nossa existência - que não pode ser pessoal a ponto de
fazermos alguma diferença para ele.
■ Portanto, a fim de conseguir um Deus pessoal, acham que precisam trocar
um Deus infinito por outro que vive em contínuo processo de mudança.
■ Essa espécie de raciocínio é típica de muitas objeções (talvez de todas elas)
ao tipo de Deus apresentado na Bíblia.
■ Dizem as pessoas que se Deus é infinito, não pode ser pessoal; ou então
que se Deus é pessoal, não pode ser infinito.
■ A Bíblia ensina que Deus é ao mesmo tempo infinito e pessoal.
■ Devemos afirmar ao mesmo tempo que Deus é infinito (ou ilimitado) com
respeito à mudança que ocorre no universo (nada mudará o ser, as
perfeições, os propósitos ou as promessas de Deus), que Deus é também
pessoal e que se relaciona conosco pessoalmente, considerando-nos
preciosos.

A Existência de deu e sua e Deus aula 4.pptx

  • 1.
    A EXISTÊNCIA DEDEUS Como sabemos que Deus existe?
  • 2.
    ■ A ÍNTIMAINTUIÇÃO HUMANA DE DEUS . ■ Todas as pessoas de qualquer lugar têm uma profunda intuição íntima de que Deus existe, de que são criaturas de Deus e de que ele é seu Criador. ■ Paulo diz que mesmo os gentios descrentes tinham “conhecimento de Deus”, mas não o honravam como Deus nem lhe eram gratos (Rm 1.21). ■ Diz ele que os descrentes ímpios “mudaram a verdade de Deus em mentira” (Rm 1.25), dando a entender que ativa ou obstinadamente rejeitaram alguma verdade sobre a existência e o caráter de Deus que já conheciam. ■ Paulo diz que “o que de Deus se pode conhecer é manifesto entre eles” e acrescenta que isso acontece “porque Deus lhes manifestou” (Rm 1.19). ■ Todavia as Escrituras também reconhecem que algumas pessoas negam essa intuição íntima de Deus e chegam mesmo a negar a existência de Deus. ■ É o “insensato” que diz no seu coração: “Não há Deus” (SI 14.1; 53.1). ■ É o perverso que primeiro “maldiz o Senhor e blasfema contra ele” e depois, com orgulho, repetidamente pondera “que não há Deus” (SI 10.3-4).
  • 3.
    Crendo nas evidênciasdas Escrituras e da natureza ■ Além da consciência íntima de Deus, que dá claro testemunho do fato de que ele existe, encontramos claras evidências da sua existência nas Escrituras e na natureza. ■ As provas de que Deus existe se encontram, logicamente, disseminadas por toda a Bíblia. ■ De fato, a Bíblia sempre pressupõe que Deus existe. ■ O primeiro versículo não apresenta provas da existência de Deus, mas passa imediatamente a nos narrar o que ele fez: “No princípio, criou Deus os céus e a terra”. ■ Se nos convencemos de que a Bíblia é verdadeira, então sabemos com base nela não só que Deus existe, mas também muita coisa sobre sua natureza e seus atos. ■ Essa ampla variedade de testemunhos da existência de Deus oriundos de partes diversas do mundo criado indica-nos que em certo sentido tudo o que existe dá provas da existência de Deus. ■ Para aqueles que têm olhos para ver e avaliam corretam ente as evidências, cada folha de cada árvore, cada folha da relva, cada estrela do céu e cada outro elemento qualquer da criação - tudo brada continuamente: “Deus me criou! Deus me criou! Deus me criou!”.
  • 4.
    Só Deus podesuperar nosso pecado e possibilitar que nos convençamos da sua existência ■ Finalmente, é preciso lembrar que neste mundo pecador Deus precisa possibilitar que nos convençamos, senão jamais creríamos nele. ■ Lemos que “o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo” (2Co 4.4). ■ Além do mais, Paulo diz que “visto como, na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que crêem pela loucura da pregação” (ICo 1.21). ■ Neste mundo de pecado, a sabedoria humana é deficiente para que venhamos a conhecer a Deus. ■ Assim, a pregação de Paulo veio “em demonstração do Espírito e de poder, para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria humana, e sim no poder de Deus (I Co 2.4-5). ■ Dependemos de Deus para remover a cegueira e a irracionalidade provocada pelo pecado, possibilitando assim que avaliemos corretamente as evidências, creiamos no que dizem as Escrituras e venhamos a ter fé salvadora em Cristo.
  • 5.
    A Cognoscibilidade deDeus Será que podemos realmente conhecer a Deus? Quanto de Deus podemos conhecer?
  • 6.
    A NECESSIDADE DEDEUS SE REVELAR A NÓS ■ Se pretendemos conhecer a Deus, antes é necessário que ele se revele a nós. ■ Mesmo discutindo a revelação de Deus que vem da natureza, Paulo diz que o que podemos conhecer sobre Deus está claro às pessoas “porque Deus lhes manifestou” (Rm 1.19). ■ A criação natural revela Deus porque ele mesmo decide revelar-se assim. ■ Quando falamos do conhecimento pessoal de Deus, que vem pela salvação, essa ideia fica ainda mais explícita. ■ Disse Jesus: “Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar (Mt 11.27). ■ Esse tipo de conhecimento de Deus não se encontra por sabedoria ou esforço humanos: “... Na sabedoria de Deus, o mundo não o conheceu por sua própria sabedoria” (ICo 1.21; cf. ICo 2.14;2Co 4.3-4;Jo 1.18). ■ Portanto, precisamos das Escrituras para interpretar corretamente a revelação natural. Centenas de falsas religiões pelo mundo afora são provas de que os pecadores, sem orientação das Escrituras, sempre compreendem erradamente e distorcem a revelação de Deus encontrada na natureza.
  • 7.
    Jamais poderemos compreenderplenamente a Deus ■ Como Deus é infinito, e nós, finitos e limitados, jamais poderemos compreender plenamente a Deus. ■ Nesse sentido, podemos dizer que Deus é incompreensível, ou seja, “que não pode ser plenamente compreendido”. ■ Esse sentido precisa ser claramente distinguido do significado mais comum, “que não pode ser compreendido”. ■ Não é verdade dizer que Deus não pode ser compreendido, mas, sim, dizer que ele não pode ser compreendido plena ou exaustivamente. ■ Diz o salmo 145: “Grande é o Senhor e mui digno de ser louvado; a sua grandeza, é insondável (SI 145.3). ■ A grandeza de Deus está além do sondável ou do decifrável: é tão enorme que não pode ser plenamente conhecida. ■ Com respeito ao entendimento de Deus, diz o salmo 147: “Grande é o Senhor nosso e mui poderoso; o seu entendimento não se pode medida (SI 147.5). ■ Essa doutrina da incompreensibilidade de Deus tem muita aplicação positiva para nossa vida. Significa que jamais seremos capazes de conhecer “demais” sobre Deus, pois jamais nos faltarão coisas para aprender sobre ele, e assim nunca nos cansaremos de nos deleitar com a descoberta de mais e mais coisas da sua excelência e da grandeza das suas obras.
  • 8.
    ■ Mesmo naera futura, quando nos veremos livres da presença do pecado, jamais seremos capazes de, plenamente, conhecer a Deus nem coisa alguma sobre ele. ■ Isso se depreende do fato de que as passagens citadas acima atribuem a incompreensibilidade de Deus não à nossa condição pecadora, mas à infinita grandeza divina. ■ Porque somos finitos e Deus, infinito, jamais poderemos compreendê-lo plenamente. ■ Por toda a eternidade poderemos aumentar o nosso conhecimento de Deus, deleitando-nos cada vez mais nele, dizendo com Davi à medida que formos conhecendo mais e mais os próprios pensamentos de Deus: “Que preciosos para mim, ó Deus, são os teus pensamentos! E como é grande a soma deles! Se os contasse, excedem os grãos de areia” (Sl 139.17-18).
  • 9.
    ■ Se desejássemosum dia nos igualar a Deus em conhecimento, ou se desejássemos encontrar prazer no pecado do orgulho intelectual, o fato de que jamais cessaremos de crescer no conhecimento de Deus seria para nós fator desencorajador — poderíamos sentirmos frustrados pelo fato de Deus se revelar um objeto de estudo que jamais poderemos dominar! ■ Mas se nos deleitamos no fato de que só Deus é Deus, de que ele é sempre infinitamente maior do que nós, de que somos criaturas dele, que lhe devemos culto e adoração, então essa nos será uma ideia bastante encorajadora. ■ Ainda que todos os dias da nossa vida dediquemos algum tempo ao estudo bíblico e à comunhão com Deus, sempre haverá mais por aprender sobre Deus e sobre suas relações conosco e com o mundo e sempre mais motivos para agradecer e para louvá-lo. ■ Se percebemos isso, a perspectiva de um hábito regular e duradouro de estudo bíblico, e mesmo a perspectiva de toda uma vida de estudo teológico (se é teologia solidamente arraigada na Palavra de Deus), torna-se algo bastante empolgante. ■ Estudar e ensinar a Palavra de Deus tanto formal como informalmente será sempre um grande privilégio e uma grande alegria.
  • 10.
    Podemos, porém ,conhecer a Deus de modo verdadeiro ■ Embora não possamos conhecer exaustivamente a Deus, podemos conhecer coisas verdadeiras sobre ele. ■ De fato, tudo o que as Escrituras nos falam sobre Deus é verdadeiro. ■ É verdade dizer que Deus é amor (I Jo 4.8), que Deus é luz (I Jo 1.5), que Deus é espírito (Jo 4.24), que Deus é justo ou reto (Rm 3.26) e assim por diante. ■ Dizer isso não implica nem exige que saibamos tudo sobre Deus, ou sobre seu amor, ou sobre sua justiça ou sobre qualquer outro atributo. ■ Quando digo que tenho três filhos, essa afirmação é integralmente verdadeira, ainda que eu não saiba tudo sobre os meus filhos, nem sequer sobre mim mesmo. ■ Assim também é o nosso conhecimento de Deus: temos conhecimento verdadeiro dele com base nas Escrituras, ainda que não tenhamos conhecimento exaustivo. ■ Podemos conhecer alguns pensamentos de Deus — até muitos deles - com base na Bíblia, e quando os conhecemos, como Davi, os consideramos “preciosos” (Sl 139.17).
  • 11.
    ■ Ora, algumaspessoas dizem que não podemos conhecer o próprio Deus, mas somente fatos sobre ele ou o que ele faz. Outros dizem que não podemos conhecer a Deus como ele é em si, mas somente na sua relação conosco (e aqui está implícito que essas duas coisas são de algum modo diferentes). ■ Mas as Escrituras não afirmam isso. Várias passagens falam que podemos conhecer 0 próprio Deus. Lemos as seguintes palavras de Deus em Jeremias: – Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem o forte, na sua força, nem o rico, nas suas riquezas; mas o que se gloriar, glorie-se nisto: em me conhecer e saber que eu sou o Senhor e faço misericórdia, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o Senhor (Jr 9.23-24). ■ Aqui Deus diz que a fonte da nossa alegria e da nossa noção de importância deve vir não das nossas capacidades ou posses, mas do fato de conhecê-lo. ■ Igualmente, ao orar ao Pai, Jesus pôde dizer: “E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3). ■ A promessa da nova aliança é que todos conheçam a Deus, “desde o menor deles até ao maior” (Hb 8.11), e a primeira epístola de João nos diz que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento “para reconhecermos 0 verdadeiro” (I Jo 5.20; ver também G1 4.9; Fp 3.10; I Jo 2.3; 4.8). ■ João pode dizer: "... eu vos escrevo, porque conheceis aquele que existe desde 0princípio” (I Jo 2.13).
  • 12.
    ■ O fatode conhecermos o próprio Deus é demonstrado ainda pela percepção de que a riqueza da vida cristã envolve um relacionamento pessoal com Deus. ■ Como sugerem essas passagens, temos privilégio bem maior do que o mero conhecimento de fatos acerca de Deus. ■ Falamos com Deus em oração, e ele fala conosco pela sua Palavra. ■ Temos comunhão com ele na sua presença, entoam os seus louvores e temos consciência de que ele pessoalmente habita no meio de nós e dentro de nós para nos abençoar (Jo 14.23). ■ De fato, pode-se dizer que esse relacionamento pessoal com Deus Pai, com Deus Filho e com Deus Espírito Santo é a maior de todas as bênçãos da vida cristã.
  • 13.
    0 Caráter deDeus: Atributos 'incomunicáveis" ■ Em que aspectos Deus é diferente de nós? ■ Quando falamos sobre o caráter de Deus, percebemos que não podemos dizer ao mesmo tempo tudo o que a Bíblia nos ensina sobre o caráter dele. ■ Precisamos de algum modo decidir que aspecto do caráter de Deus discutiremos primeiro, que aspecto discutiremos em segundo lugar e assim por diante. ■ Em outras palavras, precisamos de alguma forma classificar os atributos de Deus. ■ A questão não é insignificante como talvez pareça. Existe a possibilidade de adotarmos uma ordem desencaminhadora de atributos, ou de enfatizarmos tanto alguns atributos que chegaríamos ao ponto de não apresentar apropriadamente os outros. ■ Empregam-se vários métodos diferentes de classificação dos atributos de Deus. ■ Adotaremos a classificação provavelmente mais usada: os atributos incomunicáveis de Deus (ou seja, aqueles atributos que Deus não partilha conosco ou não nos “comunica”) e os seus atributos comunicáveis (aqueles que Deus partilha conosco ou nos “comunica”).
  • 14.
    ■ Exemplos dosatributos incomunicáveis seriam: – a eternidade de Deus (Deus existe desde a eternidade, mas nós não), – sua imutabilidade (Deus não muda, mas nós sim) e – sua onipresença (Deus está presente em todos os lugares, mas nós só nos fazemos presentes num lugar por vez). ■ Exemplos dos atributos comunicáveis seriam: – o amor (Deus é amor, e nós também somos capazes de amar), – o conhecimento (Deus tem conhecimento, e nós também somos capazes de alcançar conhecimento), – a misericórdia (Deus é misericordioso, e nós também somos capazes de demonstrar misericórdia) e – a justiça (Deus é justo, e nós também podemos ser justos). ■ Essa classificação dos atributos de Deus em duas categorias principais é útil, e a maioria das pessoas tem uma noção de quais atributos devem ser ditos incomunicáveis e dos que devem ser ditos comunicáveis. ■ Assim faz sentido dizer que o amor de Deus é comunicável, mas não a sua onipresença.
  • 15.
    ■ Porém, ponderandomais sobre o assunto percebemos que essa distinção, embora útil, não é perfeita. ■ Isso porque não há atributo de Deus que seja completamente comunicável, nem atributo divino completamente incomunicável! Isso fica evidente quando refletimos por um momento sobre algumas coisas que já conhecemos a respeito de Deus. ■ Por exemplo, a sabedoria de Deus geralmente seria classificada como atributo comunicável, pois também nós podemos ser sábios. Mas jamais seremos infinitamente sábios como Deus é sábio. ■ Sua sabedoria é até certo ponto partilhada conosco, mas nunca plenamente. ■ Do mesmo modo, podemos participar parcialmente do conhecimento de Deus, mas nunca participaremos plenamente dele, pois os pensamentos de Deus são mais elevados que os nossos, “assim como os céus são mais altos do que a terra” (Is 55.9). ■ Podemos imitar o amor de Deus e participar desse atributo até certo ponto, mas jamais seremos infinitamente amorosos como Deus. ■ Assim acontece com todos os atributos que normalmente denominamos “comunicáveis”: Deus de fato os partilha conosco até certo ponto, mas nenhum desses atributos é plenamente comunicável. ■ Melhor é dizer que esses atributos que chamamos “comunicáveis” são os mais partilhados conosco.
  • 16.
    ■ Os atributoschamados “incomunicáveis” têm sua melhor definição quando dizemos que são os atributos divinos de que menos participamos. ■ Nenhum dos atributos incomunicáveis de Deus deixa de ter alguma semelhança no caráter dos seres humanos. Deus, por exemplo, é imutável, mas nós mudamos. ■ Só que não mudamos completamente, pois alguns aspectos do nosso caráter permanecem em larga medida inalterados: ■ nossa identidade individual; ■ muitas das nossas características pessoais e alguns dos nossos propósitos de longo prazo se conservam substancialmente inalterados por muitos anos (e se manterão em larga medida inalterados quando nos virmos livres do pecado e começarmos a viver para sempre na presença de Deus).
  • 17.
    ■ Igualmente, Deusé eterno, mas nós estamos sujeitos às limitações do tempo. ■ Porém, percebemos alguns reflexos da eternidade de Deus: – no fato de que viveremos com ele para sempre, – desfrutando da vida eterna, – e também no fato de possuirmos a capacidade de nos lembrar do passado – e ter uma forte consciência do futuro (diferentemente de boa parte da criação de Deus; cf. Ec 3.11). ■ Os atributos divinos da independência e da onipresença são talvez os mais difíceis de ver refletidos na nossa natureza, mas mesmo desses podemos perceber em nós tênues reflexos quando nos comparamos com boa parte do resto da criação divina: – ao alcançar a maturidade, atingimos certo grau de independência dos outros para nossa existência; – e, embora não possamos estar em mais de um lugar ao mesmo tempo, temos a capacidade de agir de modos que afetem muitos locais diferentes ao mesmo tempo (isso, igualmente, nos destaca da maior parte da criação).
  • 18.
    Os nomes deDeus nas Escritura ■ Na Bíblia o nome de uma pessoa é uma descrição do seu caráter. Da mesma forma, os nomes bíblicos de Deus são diversas descrições do seu caráter. ■ Num sentido mais amplo, então, o “nome” de Deus se iguala a tudo aquilo que a Bíblia e a criação nos dizem a respeito dele. ■ Quando oramos: “Santificado seja o teu nome”, como parte da Oração Dominical (Mt 6.9), oramos para que as pessoas falem sobre Deus de um modo que lhe seja honroso e que reflita com precisão o seu caráter. ■ Esse honrar o nome de Deus pode ser realizado por meio de ações como também de palavras, pois nossas ações refletem o caráter do criador a quem servimos (Mt 5.16). Honrar o nome de Deus, portanto, é honrar a Deus. ■ O mandamento “Não tomarás o nome do Senhor , teu Deus, em vão” (Êx 20.7) ordena que não desonremos a reputação de Deus, nem por palavras que digamos sobre ele de maneira insensata ou deturpadora, nem por ações que não reflitam o seu verdadeiro caráter.
  • 19.
    ■ Ora, aBíblia de fato dá muitos nomes de Deus, e todos eles refletem algum aspecto verdadeiro do seu caráter. ■ Muitos desses nomes que descrevem partes do caráter divino são tirados da experiência ou das emoções humanas, enquanto muitos outros são tirados do resto da criação natural. ■ Em certo sentido, todas essas expressões do caráter de Deus em termos de coisas encontráveis no universo são “nomes” de Deus, pois nos dizem algo verdadeiro sobre ele. ■ Herman Bavinck dá uma longa lista dessas descrições de Deus tiradas da criação: • Deus é comparado a um leão (Is 31.4), • a uma águia (Dt 32.11), • a um cordeiro (Is 53.7), • a uma galinha (Mt 23.37), • ao sol (SI 84.11), • à estrela da manhã (Ap 22.16), • à luz (SI 27.1), • a uma lâmpada (Ap 21.23), • ao fogo (Hb 12.29), • a um manancial (SI 36.9), • a uma rocha (Dt 32.4), • a um refúgio (SI 119.114), • a uma torre (Pv 18.10), • a uma sombra (SI 91.1), • a um escudo (SI 84.11), • a um santuário (Ap 21.22).
  • 20.
    ■ Derivadas daexperiência humana, Bavinck acha uma lista ainda mais extensa de descrições, que aqui reproduzo apenas em parte: – Deus é chamado noivo (Is 61.10), – marido (Is 54.5), – pai (Dt 32.6), – juiz e rei (Is 33.22), – homem de guerra (Êx 15.3), – arquiteto e edificador (Hb 11.10), – pastor (SI 23.1), – médico (Êx 15.26) .
  • 21.
    ■ Além disso,Deus é descrito em termos de ações humanas: – como saber (Gn 18.21), – lembrar (Gn 8.1; Êx 2.24), – ver (Gn 1.10), ouvir (Êx 2.24), – aspirar o cheiro (Gn 8.21), – pôr à prova (SI 11.5), – permanecer (SI 9.7), – levantar-se (SI 68.1), – andar (Lv 26.12), – enxugar as lágrimas (Is 25.8) e por aí afora. ■ Também se atribuem a Deus emoções humanas: – como alegria (Is 62.5), – pesar (SI 78.40; Is 63.10), – ira (Jr 7.18-19; SI 2.5), – amor (Jo 3.16), – ódio (Dt 16.22).
  • 22.
    ■ O propósitode reunir todas essas passagens é mostrar, primeiro, que num sentido ou noutro toda a criação nos revela algo sobre Deus, e que quanto mais elevada a criação, especialmente o homem que é feito à imagem de Deus, mais plenamente o revela. ■ A segunda razão para a menção dessa longa lista é mostrar que tudo o que sabemos sobre Deus segundo as Escrituras nos vem em termos que compreendem os, pois descrevem eventos ou coisas comuns à experiência humana. Usando um termo mais técnico, podemos dizer que em tudo o que as Escrituras dizem a respeito de Deus usa-se linguagem antropomórfica - ou seja, linguagem que fala de Deus em termos humanos.
  • 23.
    ■ Às vezesas pessoas se perturbam diante do fato de haver linguagem antropomórfica nas Escrituras. ■ Mas isso não nos deve perturbar, pois, se Deus pretende nos ensinar coisas que não conhecemos por experiência direta (como os seus atributos), tem de nos ensinar por meio daquilo que de fato conhecemos. ■ E por isso que tudo o que a Bíblia diz sobre Deus é “antropomórfico” num sentido amplo (falando de Deus ou em termos humanos ou em termos da criação que conhecemos). ■ Isso não significa que as Escrituras nos deem ideias erradas ou deturpadoras sobre Deus, pois essa é a forma que Deus escolheu para se revelar a nós, e para revelar-se de modo verdadeiro e preciso. ■ Ainda assim, é necessário que tenhamos o cuidado de não tomar nenhuma dessas descrições isoladamente, separando-a do contexto em que está inserida ou do resto daquilo que as Escrituras dizem sobre Deus. ■ Se o fizéssemos, correríamos o risco de compreender erroneamente a Deus ou de imaginar um retrato desequilibrado ou inadequado de quem ele é. ■ Cada descrição de cada um dos atributos divinos deve ser compreendida à luz de tudo o mais que as Escrituras nos dizem sobre Deus. ■ Se não nos lembrarmos disso, inevitavelmente compreenderemos erradamente o caráter de Deus.
  • 24.
    ■ Existe aindauma terceira razão para destacar a grande diversidade de descrições de Deus tiradas da experiência humana e do mundo natural. ■ Essa linguagem deve-nos lembrar de que Deus criou o universo para que este revelasse a excelência do caráter divino, ou seja, para que revelasse a glória divina. Deus é digno de glória porque criou todas as coisas (Ap 4.11); portanto, todas as coisas devem honrá-lo. ■ O salmo 148 é um exemplo em que toda a criação é convocada a louvar a Deus: ■ Louvai-o, sol e lua; louvai-o, todas as estrelas luzentes [...] Louvai ao Senhor da terra, monstros marinhos e abismos todos; fogo e saraiva, neve e vapor e ventos procelosos que lhe executam a palavra; montes e todos os outeiros, árvores frutíferas e todos os cedros; [...] reis da terra e todos os povos [...] Louvem o nome do Senhor, porque só o seu nome é excelso; a sua majestade é acima da terra e do céu (Sl 148.3, 7-11, 13).
  • 25.
    ■ A compreensãodo caráter divino segundo as Escrituras deve abrir nossos olhos e nos permitir interpretar corretamente a criação. ■ Assim, seremos capazes de ver reflexos da excelência do caráter de Deus em toda a criação: “... toda a terra está cheia da sua glória” (Is 6.3). ■ E preciso lembrar que, embora tudo o que as Escrituras nos dizem sobre Deus seja verdadeiro, não é exaustivo. A Bíblia não nos diz tudo sobre o caráter de Deus. ■ Assim, jamais conhecerem os o “nome” completo ou pleno de Deus, no sentido de que jamais compreenderemos exaustivamente o caráter divino. ■ Nunca conheceremos tudo o que há para conhecer sobre Deus. ■ Por essa razão, os teólogos dizem às vezes: “Deus tem muitos nomes, mas não tem nome nenhum”. ■ Deus tem muitos nomes porque conhecemos muitas descrições verdadeiras do seu caráter com base nas Escrituras; mas Deus não tem nome nenhum, pois jamais poderemos descrever ou compreender a plenitude do seu caráter.
  • 26.
    Definições equilibradas dosatributos incomunicáveis de Deus ■ Os atributos incomunicáveis de Deus são talvez os mais fáceis de compreender equivocadamente, talvez porque representam aspectos do caráter divino menos familiares à nossa experiência. ■ Neste capítulo, portanto, cada um dos atributos incomunicáveis de Deus é definido com uma proposição de duas partes. ■ A primeira parte define o atributo em discussão, e a segunda procura evitar a compreensão equivocada do atributo, expondo um aspecto de equilíbrio ou contrário associado a esse atributo. ■ A imutabilidade de Deus, por exemplo, é definida assim: “Deus é imutável no seu ser, nas suas perfeições, nos seus propósitos e nas suas promessas; porém, Deus age, e age de modos diversos diante de situações diferentes”. ■ A segunda metade da definição procura evitar a idéia de que imutabilidade significa incapacidade total de ação. ■ Alguns de fato entendem assim a imutabilidade, mas tal com preensão é incompatível com a apresentação bíblica da imutabilidade de Deus.
  • 27.
    OS ATRIBUTOS INCOMUNICÁVEISDE DEUS ■ Independência. ■ A independência de Deus é definida assim: Deus não precisa de nós nem do restante da criação para nada; porém, tanto nós quanto o restante da criação podemos glorificá-lo e dar-lhe alegria. ■ Esse atributo de Deus é às vezes chamado existência autônoma ou aseidade (das palavras latinas a se, que significam “de si mesmo”). ■ As Escrituras, em várias passagens, ensinam que Deus não precisa de parte nenhuma da criação para existir ou para qualquer outra coisa. Deus é absolutamente independente e auto-suficiente. ■ Paulo proclama aos homens de Atenas: “O Deus que fez o mundo e tudo o que nele existe, sendo ele Senhor do céu e da terra, não habita em santuários feitos por mãos humanas. ■ Nem é servido por mãos humanas, como se de alguma coisa precisasse, pois ele mesmo é quem a todos dá vida, respiração e tudo mais” (At 17.24-25). ■ A implicação é que Deus não precisa de nada da humanidade.
  • 28.
    ■ As pessoasàs vezes pensam que Deus criou os seres humanos porque se sentia só e precisava da companhia de outras pessoas. Se isso fosse verdade, certamente significaria que Deus não é completamente independente da criação. Significaria que Deus necessitaria criar pessoas para ser completamente feliz ou plenamente realizado na sua existência individual. ■ Entretanto, algumas indicações das palavras de Jesus mostram que essa ideia é incorreta. Em João 17.5, Jesus ora: E, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo”. Eis aqui uma indicação de que havia um compartilhamento de glória entre o Pai e o Filho antes da criação. Depois, em João 17.24, Jesus fala ao Pai da “minha glória que me conferiste, porque me amaste antes da fundação do mundo”. Havia amor e comunicação entre o Pai e o Filho antes da criação.
  • 29.
    ■ Essas passagenssugerem explicitamente o que podemos aprender em outros trechos com base na doutrina da Trindade, a saber, que entre as pessoas da Trindade houve, há e sempre haverá amor, comunhão e comunicação perfeitos por toda a eternidade. ■ O fato de Deus ser três pessoas, mas um só Deus, significa que não havia solidão nem falta de comunhão pessoal da parte de Deus antes da criação. ■ De fato, esse amor, essa comunhão interpessoal e esse partilhar de amor sempre foram e sempre serão muito mais perfeitos do que qualquer comunhão que nós, seres humanos finitos, podemos ter com Deus. ■ E, como o segundo versículo citado acima fala da glória dada pelo Pai ao Filho, devemos perceber também que os membros da Trindade dão-se glória uns aos outros, glória essa que excede em muito qualquer glória que Deus jamais receberia de toda a criação.
  • 30.
    ■ O serdivino é também algo totalmente único. Não só Deus não precisa da criação para nada, mas não poderia precisar da criação para nada. ■ A diferença entre a criatura e o Criador é imensa, pois Deus existe numa ordem fundamentalmente diferente de existência. Não apenas nós existimos enquanto Deus sempre existiu; também Deus necessariamente existe de maneira infinitamente melhor, mais forte e mais excelente. ■ A diferença entre o ser de Deus e o nosso é maior do que a diferença entre o sol e uma vela, maior do que a diferença entre o oceano e uma gota d’água, maior do que a diferença entre a calota polar ártica e um floco de neve, maior do que a diferença entre o universo e o recinto em que nos encontram os agora: o ser divino é qualitativamente diferente. ■ Nenhuma limitação ou imperfeição da criação deve ser projetada na nossa ideia de Deus. ■ Ele é o Criador; tudo o mais são criaturas. Tudo o mais pode morrer num instante; ele necessariamente existe para sempre.
  • 31.
    ■ Imutabilidade. ■ Podemosdefinir a imutabilidade de Deus assim: Deus é imutável no seu ser, nas suas perfeições, nos seus propósitos e nas suas promessas; porém, Deus age e sente emoções, e age e sente de modos diversos diante de situações diferentes.5 Esse atributo de Deus é também chamado inalterabilidade. ■ Evidências nas Escrituras: no salmo 102, encontramos um contraste entre coisas que podemos julgar permanentes, como a terra ou os céus, de um lado, e Deus, do outro. Diz o salmista: ■ Em tempos remotos, lançaste os fundamentos da terra; e os céus são obra das tuas mãos. Eles perecerão, mas tu permaneces; todos eles envelhecerão como uma veste, como roupa os mudarás, e serão mudados. Tu, porém, és sempre o mesmo, e os teus anos jamais terão fim. (SI 102.25-27)
  • 32.
    ■ Referindo-se àssuas próprias virtudes da paciência, da longanimidade e da misericórdia, diz Deus: “Porque eu, o Senhor, não mudo; por isso, vós, ó filhos de Jacó, não sois consumidos” (Ml 3.6). Aqui Deus usa um a afirmação genérica da sua imutabilidade para se referir a alguns aspectos específicos nos quais ele não muda. ■ Tiago lembra aos seus leitores que todos os dons excelentes provêm, em última análise, de Deus, em quem não pode existir variação ou sombra de mudança” (Tg 1.17). Seu argumento é que, como os dons excelentes sempre vieram de Deus, podem os estar seguros de que somente dons excelentes virão dele no futuro, pois o seu caráter jamais muda, nem sequer em grau mínimo. ■ A definição dada acima especifica que Deus é imutável — não de todos os modos que possamos imaginar, mas somente nos aspectos que as próprias Escrituras o afirmam. ■ As passagens bíblicas já citadas referem-se ou ao próprio ser divino ou a algum atributo do seu caráter. ■ Disso podemos concluir que Deus é imutável, pelo menos com respeito ao seu “ser e com respeito às suas “perfeições (ou seja, os seus atributos ou os vários aspectos do seu caráter)
  • 33.
    ■ O grandeteólogo holandês Herman Bavinck observa que o fato de Deus ser imutável no seu ser é de máxima importância para a manutenção da distinção Criador/criatura e para nossa adoração de Deus: – A doutrina da imutabilidade de Deus é da mais alta importância para a religião. O contraste entre ser e vir a ser assinala a diferença entre o Criador e a criatura. Toda criatura está continuamente vindo a ser. E mutável, vive em constante dor, busca repouso e satisfação, e encontra repouso em Deus, e só nele, pois só ele é puro ser e não vir a ser. Daí nas Escrituras Deus ser muitas vezes chamado a Rocha... ■ A definição dada acima também afirma a imutabilidade ou inalterabilidade de Deus com respeito aos seus propósitos. ■ “O conselho do Senhor dura para sempre; os desígnios do seu coração, por todas as gerações” (SI 33.11). ■ Essa afirmação genérica acerca do conselho de Deus é sustentada por vários versículos que falam sobre planos ou propósitos divinos específicos para toda a eternidade (Mt 13.35; 25.34; Ef 1.4, 11; 3.9, 11; 2Tm 2.19; lPe 1.20; Ap 13.8).
  • 34.
    Será que Deusàs vezes muda de ideia? ■ Se, porém, falamos que Deus é imutável nos seus propósitos, surpreendemo-nos intrigados diante de passagens bíblicas em que Deus diz que julgaria o seu povo, mas depois, por causa de orações ou do arrependimento do povo (ou ambas as coisas), acaba-se apiedando e não condena como dissera que o faria. – Entre os exemplos de recuo depois de ameaça de juízo estão a bem-sucedida intervenção de Moisés com oração para evitar a destruição do povo de Israel (Êx 32.9-14), – o acréscimo de quinze anos à vida de Ezequias (Is 38.1-6) – e o fato de Deus ter voltado atrás na decisão de julgar Nínive, diante do arrependimento do povo (Jn 3.4, 10). – Não serão casos em que os propósitos de Deus de fato mudaram? ■ E há também outras passagens nas quais se diz que Deus está arrependido de ter feito alguma coisa. – Basta pensar no arrependimento de Deus de ter feito o homem na terra (Gn 6.6), – ou no arrependimento de ter ungido Saul rei (ISm 15.10). – Os propósitos de Deus afinal não mudaram nesses casos?
  • 35.
    ■ Esses exemplosdevem todos ser entendidos como expressões verdadeiras da atitude ou intenção presente de Deus diante da situação que existe naquele momento. ■ Se a situação muda, então é claro que a atitude ou expressão de intenção divina irá também mudar. ■ Isso quer dizer somente que Deus reage de modos diversos a situações diferentes. ■ O exemplo da pregação de Jonas aos habitantes de Nínive nos é útil aqui. ■ Deus vê a iniquidade de Nínive e envia Jonas para proclamar: “Ainda quarenta dias, e Nínive será subvertida” (Jn 3.4). ■ A possibilidade de que Deus sustasse o juízo se o povo se arrependesse não é explicitamente mencionada na proclamação de Jonas registrada nas Escrituras, mas está logicamente implícita na advertência: o propósito da proclamação da advertência é provocar o arrependimento. ■ Uma vez havendo o povo se arrependido, a situação era diferente, e Deus reagiu de modo diverso a essa nova situação: “ Viu Deus o que fizeram, como se converteram do seu mau caminho; e Deus se arrependeu do mal que tinha dito lhes faria e não o fez” (Jn 3.10).
  • 36.
    ■ Os casosde Ezequias e da intercessão de Moisés são semelhantes: Deus dissera que enviaria o juízo, e era uma declaração verdadeira, desde que a situação permanecesse a mesma. ■ Mas a situação mudou: alguém começou a orar sinceramente (Moisés num caso e Ezequias no outro). ■ Aqui a própria oração fazia parte da nova situação e de fato foi o que mudou a situação. Deus reagiu a essa nova situação atendendo a oração e sustando o juízo. ■ Os casos do arrependimento de Deus diante da criação do homem e do fato de ter feito Saul rei também podem ser entendidos como expressões do descontentamento presente de Deus diante da pecaminosidade do homem. ■ Em nenhum desses casos a linguagem é forte o bastante para nos fazer pensar que se Deus pudesse começar de novo e agir de modo diferente, de fato não criaria o homem nem faria Saul rei. ■ Pode, em vez disso, subentender que a ação divina anterior conduziu a acontecimentos que, a curto prazo, lhe trouxeram pesar, mas que assim mesmo, a longo prazo, acabariam realizando os seus bons propósitos. ■ Isso é em certo sentido comparável à conduta do pai hum ano que permite que seu filho tome um caminho que ele sabe que trará muito pesar, tanto ao pai quanto ao filho, mas assim mesmo o permite, pois sabe que um bem maior e duradouro advirá disso.
  • 37.
    ■ Deus éao mesmo tempo infinito e pessoal. ■ Nossa discussão da teologia do processo ilustra uma diferença comum entre o cristianismo bíblico e todos os outros sistemas teológicos. ■ No ensinamento da Bíblia, Deus é ao mesmo tempo infinito e pessoal: ele é infinito porque não está sujeito a nenhuma das limitações da humanidade, ou da criação em geral. ■ E bem maior do que qualquer coisa que tenha feito, bem maior do que qualquer coisa que exista. ■ Mas é também pessoal: relaciona-se conosco como uma pessoa, e podemos nos relacionar com ele como pessoas. Podemos orar a ele, adorá-lo, obedecer-lhe e amá-lo, e ele pode falar conosco, alegrar-se conosco e nos amar. ■ Fora da verdadeira religião encontrada na Bíblia, nenhum sistema religioso admite um Deus ao mesmo tempo infinito e pessoal. ■ Por exemplo, os deuses das antigas mitologias grega e romana eram pessoais (relacionavam-se com as pessoas), mas não infinitos: tinham fraquezas e frequentes falhas morais e até rivalidades mesquinhas. ■ Por outro lado, o deísmo retrata um Deus infinito mas excessivamente afastado do mundo para envolver-se pessoalmente nele. ■ Da mesma forma, o panteísmo sustenta que Deus é infinito (pois considera-se que todo o universo é Deus), mas tal Deus certamente não pode ser pessoal nem se relacionar com as pessoas.
  • 38.
    ■ O erroda teologia do processo enquadra-se nessa categoria geral. Seus defensores estão convencidos de que um Deus imutável no seu ser é tão diferente do resto da criação - tão infinito, tão ilimitado pela mudança que caracteriza toda a nossa existência - que não pode ser pessoal a ponto de fazermos alguma diferença para ele. ■ Portanto, a fim de conseguir um Deus pessoal, acham que precisam trocar um Deus infinito por outro que vive em contínuo processo de mudança. ■ Essa espécie de raciocínio é típica de muitas objeções (talvez de todas elas) ao tipo de Deus apresentado na Bíblia. ■ Dizem as pessoas que se Deus é infinito, não pode ser pessoal; ou então que se Deus é pessoal, não pode ser infinito. ■ A Bíblia ensina que Deus é ao mesmo tempo infinito e pessoal. ■ Devemos afirmar ao mesmo tempo que Deus é infinito (ou ilimitado) com respeito à mudança que ocorre no universo (nada mudará o ser, as perfeições, os propósitos ou as promessas de Deus), que Deus é também pessoal e que se relaciona conosco pessoalmente, considerando-nos preciosos.