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Lições que o Ministério Ensina _

Capa de:  Nilda

INDICE

     
 
 
 

Dedicatória .  . .  . .  . .  . .  . .  . .  . .  ...
DEDICATÓRIA

À minha esposa,  Nivea Minas News Batista dos Santos,  companheira e gran-
de ajudadora neste bendito ministé...
APRESENTAÇÃO

Pediu-me o Rev.  Isaías Batista dos Santos que escrevesse algumas pa-
lavras à guisa de apresentação do livr...
Quando isa/ as Batista dos Santos chegou a Recife para estudar no'

Seminário Teológico Batista do Norte do Brasi'l em 1.9...
0 Pastor Isaias tem,  sobretudo,  duas grandes preocupações e dois
grandes amores:  o ministério que recebeu do Senhor e s...
0 Pastor Isaias Batista do¡ Santos vã os campos:  sHo no rio Javaé.  bravo diraito do Rio Are-
guaie,  am Barreira do Ptqu...
ministério de um evangelista naquela vasta região.  isto aconteceu nos anos
de 1953 a 1.955 e as igrejas associadas foram ...
Ribeiro Martins,  promotor de justiça de Abadiania-Goiás,  e catedrático
nas Faculdades de Direito e Filosofia na cidade d...
EU CREIO EM MIIAGRE

Ali pelos idos de 1905 a 1910, ainda nos primórdios do evangelismo
pátrio,  houve um despertamento es...
Foi neste ambiente de pregação e testemunho,  com evidência de po-
der de Deus,  sob a égide do Espirito Santo,  que meus ...
e com justas razões,  pois vão se meter em problemas de difícil solução, 
exibindo poderes que não possuem.  Nós,  os cren...
DADOS BIOGRÁFICOS

Nasci na fazenda Riacho Branoo,  de propriedade de meus pais,  no
municipio de Jaguaquara,  ao sudeste ...
' éd- outra 'copa que me magoava sobremaneira era a disciplina rigo-
m icos. 

.  . - ssa no zelo crucificavam 0
rosa,  ap...
mos momentos.  E a hora esperada chegou.  Ao anoitecer,  ouvi alguém di-
zer:  A irmã está morrendo.  Correm todos para o ...
LIGEIRA FRUSTAÇÁO

.  Na expectativa de , iniciar os estudos naquele categorizado Colégio
Taylor Egídio,  com vistas ao pr...
. .  J r
rituais marcantes e com testemunho de vida cristã muito acentuado.  C_o-
meça ai um novo capitulo em minha vida, ...
. CAMINHOS Dl FICEIS

"Não to mande¡ eu?  Esforça-te,  e tem bom ânimo;  não te atemorizes, 
porque o Senhor teu Deus esta...
Nova lbiá,  lugar para mim 'totalmente desconhecido.  Ali passe¡ à noite mais
triste de minha trida:  sem assistência,  se...
BUSCAS E INDAGAÇÓES

Depois daquela parada forçada em Nova Ibiá,  despedindo-me daquela
maravilhosa familia que Deus pôs n...
mu't f o ' q .  . ,  _

nois oram atirados nas chamas,  e por serem objetos imprestaveis,  de

? um ; papelr de Papelão,  ...
com CRISTO e ceu

Cumprindo o programa traçado e o tempo que devia passar na casa
do meu tio José,  em Banco Central,  par...
dores e excelentes professores da Escola Biblica Dominical.  Destacamos
alguns,  que jamais saíram de nossa memória:  Mano...
do Norte do Brasil,  Recife onde adquiri o preparo indispendável para o
exercicio do Ministério da PaIavra. _No dia_ 3 de ...
Licoes que ministerio ensina
Licoes que ministerio ensina
Licoes que ministerio ensina
Licoes que ministerio ensina
Licoes que ministerio ensina
Licoes que ministerio ensina
Licoes que ministerio ensina
Licoes que ministerio ensina
Licoes que ministerio ensina
Licoes que ministerio ensina
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Licoes que ministerio ensina

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Livro de Isaias Batista dos Santos - 1981

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Licoes que ministerio ensina

  1. 1. érlo ensina O e U d. a O m! ' Minis nàannnquü . n09 JUWÉU¡ 05.00.
  2. 2. *tratam : hmm 6km *ami-ix Lipíttafàiêí . Q1115. . m muviw<iaizirc~ ; Êi›'it1I›'i: “;
  3. 3. Lições que o Ministério Ensina _ Capa de: Nilda INDICE Dedicatória . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . _ . . . . . . . . . . . . . . 7 . Apresentação . . 9 Prefácio . . . . . . . 15 Eu Creio em Milagre . . . 21 Dados Biográficos . . . 27 Revisão Literária de: Pr. João Alves Feitoza “ LW* F'“""§5°- 33 Caminhos Difíceis . . . 37 Buscas e indagações . . . . . . . . . . . . . . . 41 Com Cristo É Céu . , . 45 Férias Memotáveis . . _ 4g * Sementeira Aumentada . 53 Meu Batismo de Fogo . 57 _ Doce Primavera . . . . . . . 63 Reminiscências . . . . . . . . . . eg Queda e Saída da Fossa . . . 73 _ Ação Surpreendente . . . . . . . . . . . 7g Noivadoecasamento . . . . . . . . . . _ 35 Mudança de Pastorado . . . . . . . . . . . . . g9 No Vale da Decisão . . . . . . . . . . , , _ . , , . , , . , . . . , , , _ , , , . g3 Visão Panorâmica . . . . . . , . . . . . . . . . . . , , . g7 Sustento Integral . . . . . , . . . . . . 101 Rio Novo do Sul . . . . . 105 Endemço do autor¡ Ardendo em Febre . . . . . . . . . . . . . 111 caixa Posta¡ 235o Na Deusa dos Õereais . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 115 46800 _ Ruy Barbosa _ BA _ Não Olhes Para Tiras . . . . . . . . . . . ... . . . . .. . 11g ~ A "Fama" Para Custo . . . . . ' . . . . 123 No Executivo Goiano . . 129 Provado Até os Ossos . . . 133 Levantai e Andaí . . . . 139 Na Manchester Goiana . . . . Batalha Decisíva . . . . 153 Retrospecto . . . . 159 Cidadão Anapolina . . . . . . . . . . . . 163 ¡mprmo na¡ encha; da JUERP Ruy Barbosa ao. . . . . . . . . ... .. . . . . . . . . . . . ' _ 167
  4. 4. DEDICATÓRIA À minha esposa, Nivea Minas News Batista dos Santos, companheira e gran- de ajudadora neste bendito ministério, e aos nossos filhos: E/ enaide Santos Martins Elsnaura Batista dos Santas Isanias Batista dos Santos Mirtes Santos de Macedo E vandro' Batista . dos Santos Nívea Batism das sintas Ferreira de Souza . lasenias Batista dos Santos Lu/ za Batista Lopes Santos Valquiria Batista César Santos Isa/ as Minas Novas Batista Rosa/ i Batista dos Santos Stela Batista dos santos Halcima Batista das Santos Como demonstração de grande estima, dedico este livra. O AUTOR
  5. 5. APRESENTAÇÃO Pediu-me o Rev. Isaías Batista dos Santos que escrevesse algumas pa- lavras à guisa de apresentação do livro - Lições que o Ministério Ensina - em que ele relata com fidelidade as lições que o ministério do evangelho lhe ensinou. Objetamos. Não sendo eu escritor, nem pessoa conhecida no mundo das letras, não teria sentido uma apresentação feita por mim. Não conse- gui, todavia, convencer o Pr. Isa/ ias de que a outro deveria ser conferida a tarefa de escrever a apresentação. Alegou que, sendo eu o obreiro de mais longo relacionamento com ele, cerca de 50 anos, fazia questão que sobre mim ficasse a incumbência, sobremodo honrosa para mim, de apresentar o livro. Fiquei sem argumento. Efetivamente, meu relacionamento com o Pastor Isaías rementa aos idos de 1.931,'quando iniciei estudos no Colégio Taylor Egídio, de Jagua- quara, Bahia, Isaias, bem jovem, atuava no campo da Associação Batista Jaguaquarense, la' para os lados de Ingazeira, lpíúna, Baixão do Ouro, e outros lugares dos arredores. Eu, como aspirante ao Ministerio da Palavra, ia pregar naqueles lugares, começando assim meu conhecimento e camara- dagem com o jovem e intrépido evangelista que se tornaria, depois dos es- tudos em Jaguaquara e em seguida em Recife, o hoje conhecido e estima- do homem de Deus; autor deste livro. O Pastor Isa/ as é um tanto mais jovem do que eu. Ele se converteu mais cedo e logo se revelou espirito combativo e interessado na evangeli« zação. Embora não pudesse de logo transferir-se para Jaguaquara, a fim de preparar-se para o Ministério da Palavra, de vez que seu genitor a isso se opôs, conseguiu realizar esse desejo mais tarde, naquela cidade, transferindo-se depois para Recife. O jovem crente fervoroso e dinâmico não ficou parado. Tomou-se evangelista, e com todo oentusiasmo de sua juventude, pregou o evangelho , e ganhou almas, para só dez anos depois ser ordenado ao Ministério da Palavra.
  6. 6. Quando isa/ as Batista dos Santos chegou a Recife para estudar no' Seminário Teológico Batista do Norte do Brasi'l em 1.936 ja' me encgnygu / r _ como veterano nessa instituição. Isaías, embora tivesse chegado da Taca da 01703 (Jayuaquaral, não chegou "onça" como os seminaristas mais ve lho ' . ' s da casa costumavam chamar os novatos. Ele soube logo re/ acionar-se com a t ' deste molgángoiçãraljyear a estima _des_ colegas e professores, _renovando-se o re acionamento, iniciado nos sertões da Bahia. vmda/ laazettagdau queT/ saias se tornasse pregador solicitado pelas igrejas, nar awti iar no pastorado da Igreja Batista de Água Fria, onde grangeou um largo circulo de estima que, segundo creio, até hoje continua' apesar de tantos anos decorridos. - ' #sta gãlúílaêííãmíl/ Iaaftgahem 5938, para assumir o pastorado da igreja Ban tou também e 3,85” ¡ua ia. oisaanos depois, o . Pastor Isaias Batista vol- ma assomàçâço de I_ : m0 Pastora o da_ Igreja Batista de Serrinha, da mes- Campo assocíac/ _ang/ jiasacgue pertencia a de Juazeiro. Atuamos juntos no de vanferênc¡ , _IIVe/ ICOES, em _organizaçoes de igrejas, em séries_ _ _ as, e em muitas outras atividades da causa. Depois pastoreei É ¡glçe/ a Batista de Castro Alves, e Isaias pastoreou a Igreja Batista de Ruy 835173:: Zílâze-; s/: clíagegifío dotEstadol. Preguei nas igrejas de Serrinha e Ruy do_ de Sama que sem P35 Or, e_e e pregou nas igrejas sob meu pastora- , pre estavamos irmanados na seara bendita. de ¡ágsfâãoíiásígfsírfllféxgu o camgo da Bahia e transferiu-se para _Goias , d P _ an o, on e realizou um grande ministério, por um pãf/ O o de quase cinco anos, voltando depois para Goiás, tendo uma rãg"'¡7_. aínzt'áaâaifá "a/ (luéflf fia/ gp? , como pastor das igrejas de Ipameri, Ce- ¡ po is. oi e iciente secretario-executivo do campo batista goianã. Enquanto ele estava nesse campo, eu, que pastoreava a Igreja 5a. t ' ~ - . . Eggpoetj/ ;ãgíggãezeltí . Sõa/ Igdor, fui con vidado_ para fazer uma visita a esse d en ra. oi talvez la_ experiencia mais agradavel a aben- çoa a que aconteceu no meu ministerio. Isaias Batista foi o meu hospedei- ro ' ' - - - - - - . . ~ l e °'?9'°"9- PNEUS¡ em varias igrejas. Assisti a Convençaa estadual em pameri, tendo falado varias vezes aos convencionais, e trave¡ conhecimen. to com um excelente grupo de ojmyms_ à_ Julgava o ! foston/ saias Batista colado no campo Goiano, tala Vincu/ a. C o que ja' fazia muitos anos mantinha com a gente goiana, quando fu¡ fgrgméfagííádg ÊÊTm-írZOTIC/ ã, parã mim muito auspiciosa, de que ele_ volta- R o pastora o, pela segunda vez, da Igreja Batista de UV Barbosa, que ele encontrou muito fraca e, com a graça de Deus er- 9ueu de novo o trabalho ao seu primeiro esplendor, unificanda a familia : ft/ Sta e desen volvendo o patrimônio da igreja e o seu crescimento espiritu- _ãnãontrei-me_ com o_ Pastor Isaias Batistapor ocasião da Convenção na ci a e de Jequié, em julho de 7.9, e convidei-o a fazer uma serie de con- 10 ferências na igreja da Reconciliação, em Salvador. Ele prontamente aceitou o convite e tivemo-lo por uma semana em nosso lar, acompanhado de duas de suas filhas, as quais colaboraram na evangelização, com excelentes re sultados naquela semana abençoada. Em julho de 7980, no meu regresso de Toronto, onde fui participar do Congresso da Aliança Batista Mundial, tive a oportunidade de pregar na ' Igreja Batista de Ruy Barbosa, em festiva reunião, em que foram comemo- rados 40 anos de consagração ao ministério do Pastor lsai'as e simultanea- mente 50 anos de atividades evangeliísticas deste obreiro. Por ai' se vê que o companheirismo en tre mim e o Pastor Isaias Batista vem de longe, e à proporção que os anos correm, cada vez mais se conso- lida e robustece. E não fica sá nisso. Ha' certas coincidências entre minha vida e ministério e a vida e ministério do Pastor Isaías. Ele teve uma infân- cia e adolescência marcadas pelo sofrimento; eu as tive nas mesmas propor- ções, agravadas pela circunstância da enfermidade. O Pastor Isaias foi es- tudante pobre, e por longos anos de vida não conheceu abastanca; eu fui paupérrimo, e com os mais ingentes sacrifícios consegui dar os primeiros passos nos estudos e emergir da situação de quase penúria em que vivia. 0 Pastor / saias é chefe de numerosa fami'lia, e tem seus filhos todos crentes e já encaminhados na vida; minha familia também e' numerosa, meus filhos são crentes, quase todos formados e outros já em via de conclusão de cursos e com suas situações de vida definidas. Muitas outras coisas poderiam ser mencionadas, não fosse o inconveniente de tornar muito extensa esta apresentação. Dados os esclarecimentos acima, ressalte-se que não é de mim que proponho falar e sim, do Pastor isa/ as; as referências ai' a situações pes- soais minhas, prendem-se a circunstância de meu relacionamento já vetusto com este obreiro do Senhor. A vida do Pastor Isaias constitui-se verdadeiro milagre do poder de Deus e das bênçãos do evangelho. Sua infância foi dificil e sofrida. Sua adolescência e juventude foram marcadas por profundas provas e por ve- zes, amargas experiências. Ao longo do seu ministério, tem enfrentado di- ficuldades e perseguições. Foi severamente acidentado em atividades evan- geli'sticas em Goiás. Seus recursos materiais nunca foram abundantes. Che- fe de numerosa familia, mudando muitas vezes de campo e de pastorada. Mesmo assim, o Pastor isa/ as veio a tornar-se um dos mais conspicuos obreiros de nossa denominação, conhecido e admirado como pregador e como lider; assentando-se nos altos ci'rculos da liderança batista nacional e atuando e presidindo nos centros universitários, ,como aconteceu em Anápolis, Goiás. Nessa cidade, a-lgreja Presbiteriana Independente reali- zou' um importante concurso no "Mês do Lar", em 1977, para indicar a familia-modelo entre os evangélicos de Anápolis, tenda sido a familia do Pastor Isaias a escolhida e homenageada. 11
  7. 7. 0 Pastor Isaias tem, sobretudo, duas grandes preocupações e dois grandes amores: o ministério que recebeu do Senhor e sua familia. Não conheço nenhuma outra familia em que se cumpra mais literalmente a bem-aventurança mencionada no Salmo 1284-4. Também -não conheço ninguém que tenha sido mais abençoado no ministério. Nas lições relatadas neste livro, está o que foi o pastorado de Isaias Batista em Serrinha e por toda parte onde ele tem servido. Sempre suas igrejas crescem, desenvolvem ~ se, integram-se na vida denominacional. Tem sido assim na Bahia, no Es- pirito Santo e em Goiás. Este livro relata experiências vividas e vividas por um homem de Deus no exercicio do Ministério da PalavrajA narrativa alega o fato; da' o depoi- mento de quem viveu a situação descrita, sem floreiosnem coloridos; às vezes, em gritante crueza, como e' o caso de sua pobre e sofrida infância e adolescência. Mas, quanta beleza há nesse depoimento franco, espontâneo e realista do que tem sido a experiência do escritor na militância do pastora- do. r ' Ouem se propuser ler o livro Lições que o Ministério Ensina, vai ate' o fim, e se sentirá altamente compensado. Se não puder ler em um fôlego, fa-lo-á por etapas. Mas ha' de ler com atenção, e estou certo que em deter- minados momentos, o leitor sensível ha' de emocionar-se até ás lágrimas, com o- testemunho de quanto Deus pode fazer por um homem que nele -confia inteiramente e se dedica à sua bendita obra. O Pastor Isaias tem vivi- do só da ministério. Experiências como as que o Pastor Isaias relata; depoimentos como ele presta; testemunhos que ele dá, tudo se encontra neste livro, de maneira tão encantadoramente franca que servem de inspiração para quem leia e sinta a mão divina sobre a fragilidade de um homem. Aquela criança doente, desprezada e infeliz, que desejava morrer, foi transformada pelo poder do evangelho, num homem forte, lutador de mui- tas pugnas da fe'. Aquele adolescente que chegou a sentir um trava de frus- tração quando lhe foi negado o direito de estudar, Deus transformou num homem inteligente, ati/ ado, de espirito penetrante, capaz de embrear-se com prihcipes do ministério evangélico. Aquele tabaréu de Ingazeira e da Toca da Onça se fez, por graça de Deus, um homem ilustre, com entrada franca não só nos meios evangélicos, mas também no meio secular. Lider autêntico, orador festejado, presença solicitada nos congressos da mocida- de e noutros ambientes sociais. Aquele jovem pobre que se casou sem recursos, sem eira nem beira, sem seguros nem garantias, criou numerosa familia, educou os filhos, conseguiu adquirir um regular patrimônio e che- gar a uma situação econômica estável; sem dividas, conservando seu nome honrado; querido e respeitado. Seus filhos estão formados e bem encami- nhados na vida, um deles lhe segue os passos nos caminhos do ministério. an Não é tudo isso maravilhoso? Agora ja' se adentra na velhice, com o pão garantido e sem preocupações pelo dia de amanhã'. Se essa vitória nao e m¡- lagre, eu não sei mais o que o seja! Homens do esta/ ão de Isaias Batista dos Santos devem narrar suas ex- periências, porque servem de estimula e incentivo aos que têm de palmilhar ou talvez ja' estejam palmi/ hando os mesmos caminhos por que este admirá vel homem de Deus tem andado, para que cumpra o que vem recomendado em Hebreus 3:7'- "Lembrai-vos dos vossos guias, os quais vos falaram a pa- lavra de Deus, _ e, atentando para o êxito da sua carreira, imitai-lhes a fé". Salvador, setembro de 1.980 Belmiro &mmío Pastor 13
  8. 8. 0 Pastor Isaias Batista do¡ Santos vã os campos: sHo no rio Javaé. bravo diraito do Rio Are- guaie, am Barreira do Ptqui, Ilha do Bananal, 1970. 1 , Í i a à s PREFÁCIO "Tu, porém, sê sóbrio em tudo, sofre as aflições, faze a obra de um evangelista, cumpre bem o teu ministério" (II Tim. 4:5). Neste ano de 1980, quando pela graça de Deus comemora 50 anos de trabalho evangelistico e 40 de ministério propriamente dito, atendendo sugestões de colegas e filhos na fé, resolvi escrever algumas experiências pastorais com o intuito de ajudar as novas gerações, estimulando-as a pros- seguirem na defesa da 'fé entregue aos santos e_ particularmente aos voca- cionados para o Ministério da Palavra. Almejo de todo o coração inculcar na mente dos leitores as preciosas lições que esse ministério ensina, de um modo prático através da peregrinação que realizei e das bênçãos que alcan- ce¡ num modesto ministério de lutas, sofrimentos e glórias. Obreiros ha' que optaram por pastorados de longa metragem numa mesma igreja, saindo dali condecorados e laureados com títulos e medalhas de honra ao mérito. Deus, porém, colocou no meu coração o desejo de realizar pastorados curtos, entre cinco a dez anos _em cada igreja, 'dando mais preferência ao interior que às capitais, abrindo novos trabalhos e pas- toreando igrejas de médio porte, sempre avançando em busca de ho vas me- tas. Nesta esquemático tenho pastoreado igrejas por um período de 12 anos no Estado da Bahia, 4 anos no Estado do Espírito Santo, e 24 anos no Estado de Goiás, sempre fazendo “a obra de um evangelista". Nos anos de 7962 a 7971, trabalhei como obreiro da Junta Executiva da Convenção Batista Goiana, quatro anos como evangelista da cidade de Goiânia e adjacências, e cinco anos como secretário-executivo e tesoureiro daquele campo. Fora disto, sempre trabalhei por _conta própria, contando apenas com a cobertura das igrejas que pastoreava. Apresento como abono desta 'minha assertiva o exemplo de quatro igrejas no sul do Estado do Espírito Santo, que sem interferência de Junta ou Convenção, associaram- se e me mantiveram como seu pastor evangelista, conseguimos um carro com a devida manutenção, e tivemos plena e total liberdade para fazer o 15
  9. 9. ministério de um evangelista naquela vasta região. isto aconteceu nos anos de 1953 a 1.955 e as igrejas associadas foram as de Alegre, Celina Parada Cristal e Papagaio. E Deus coroou de êxito aquela obra, fazendo-nos ver mais de mil decisões ao lado de Cristo e centenas de batismos naquelas agên- cias do reino de Deus, contando ainda com a abertura de várias congre- gações e a organização da igreja Batista de Anutiba. Com genuf/ exão ren - demos graças a Deus por nos haver proporcionado os meios de realizar aquele trabalho para gloriñcação de Jesus Cristo. Quando jovem, desejei muito trabalhar com a Junta de Missões Na- cionais, no Estado de Goiás, chegando a entrar em contato com o seu en- tão secretário-executiva, mas nada deu certo naquela época, porque Deus tinha outra tarefa algo importante para eu realizar na região nordestina da Bahia, tendo como sede a cidade de Serrinha. Chegando a tempo de Deus, ~ tudo se encaixou nos devidos lugares, e uma porta grande e eficaz se nos abriu através de um convite da Junta Executiva do Campo Batista Goiano, e quando ali chegamos outras portas se escancararam, ensejando-nos magni'- ficas oportunidades de fazer a obra de', um evangelista naqueles lugares dantes sonhados, e isto com maislargueza, visto que as franquias foram maiores. E assim consegui per/ ustrar as mesmos caminhos dos missionários. Andei de teco-teco, a pé e a cavalo, de jeep e voadeira, visitei aldeias de indios, dormi em redes em casas de pau-a-pique, alimente¡-me com produ~ tos extraídos do babaca, atravesse¡ várias vezes os rios Tocantins, Parana', Araguaia, Javaé, Rio do Sono e o lVanuel Alves Pequeno. Adentrei-me na llha do Bananal, a maior ilha fluvial do mundo, e ali preguei também o evangelho e ganhei almas para Cristo. Visite¡ em ltacaja' o túmulo de Bea- triz Colares, a heroína de Craonópolis, bem 'como os de Mary Ruth e Valdi- ce Oueiroz. Conheci os postos da FUNAI, que operam entre os indios xerentes, em Tocantinia, com os javaés, na margem esquerda do rio Javae', e com os cara/ ás, â margem direita do riovAragua/ a, sendo os dois últimos postos na llha do Bananal. Tive o privilégio de tomar parte em congressos -e convenções no Alto e no Médio Tocantins, ao lado dos venerandos mis- sionários: Francisco Colares, de saudosa memória; Alexandre Silva, Marco- / ina Magalhães, Sara Cavalcante e J. J. de Oliveira Filha. Conhecer e admi» rar, pela sua dinâmica e consagração, a Beatriz Silva, Margarida Gonça/ ves, Guenther Carlos e D. Vanda, e mais de uma dezena dos eficientes e denoda' dos obreiros que atuam no famoso vale do Tocantins, foi-'me gratificante. 0 Estado de Goiás, se compõe de 222 municípios, e Deus me conce- deu a graça de percorrer 150 deles, levando a preciosa semente do evan- gelho, não medindo distâncias nem fazendo conta da aspereza dos cami- nhos. Assim avançamos ate' o Estado de Mato Grosso, em vários pontos; tendo visitado as cidades de Alto Araguaia, Barra do Garças, São Félix e Santa Tereza. Relatando-se um trabalho desta monta, através de três Estados im- portantes, como sejam - Bahia, Goiás e Espirito Santo - com recursos pre~ cãrios e longas caminhadas, alguém podera' pensar e até arrazoar: Este obreiro deve ter tido a seu favor, tempo de sobra e pouca responsabilidade 16 de familia. Muito pelo contrário. _O nosso tempo fo¡ sempre medidlole pe' sado, e os nossos dias contados e dimensionados. Até as nossas ferias 'fo- ram usadas para jornadas especiais, realizando campanhas evangelisticas em igrejas de outros Estados. Mesmo assim, minha esposa deu a luz 14 fi« lhos, e nunca estive ausente ao nascimento de um deles, e com os parcos recursos de que dispúnhamos, cumprimos sempre o nosso dever de esposo e de pai. Com muita gratidão proclama: Deus operou maravilhosamente em nossa vida e em nosso -lar, e continua operando na nossa familia e no nosso ministério. Tem garantido de modo surpreendente a nossa subsistência e multiplicado o nosso pão. A ele, toda honra e todo louvor, "porque a sua benignidade dura para sempre". ' Em julho de 1967, quando da celebração do Jubileu d_e ? rara da Or- dem dos Ministros Batistas do Estado de São Paulo, fui distinguido com a subida honra de ser escolhido como um dos pre/ atores, encarregado de apresentar uma tese sob o significativo tema: O Obreiro e Suas Finanças. Quando a Dr. Rubens Lopes, seu ilustre presidente, fez _a nossa apre- sentação, argumentou da, seguinte maneira: "Vamos ouvir agora a Pas- tor lsaias Batista dos Santos, secretário-executivo e tesoureiro da Can- venção Batista Goiana, obreiro que eu conhecia através de congressos e convenções, e depois passe¡ a conhecê-Io melhor durante a Primeira Cam- panha Nacional de Evangelização, como homem de liderancaquetrabalha e confia nos resultados das campanhas de evangelização. E patriarca de numerosa familia, tem 12 filhos, todos crentes e todos são estudantes. Este pastor vive exclusivamente do ministério e para o ministerio. Quan- do o convidei como um dos nossos pre/ atores, o fiz na expectativa de proporcionar aos nobres colegas o privilégio de ouvir uma palavra catego- rizada em materia de finanças de obreiros, bastando para tanto que ele nos fale sobre o milagre da manutenção condigna de sua familia, exercendo ele ministério de tempo integral, como Deus tem multiplicado as suas for- ças e o seu pão. " Confesso aos queridos leitores que essa apresentação do Dr. Rubens Lopes me comoveu sobremaneira, levando-me ate' às lágrimas, porque na realidade têm sido tantos os milagres e as providências de Deus atraves do meu ministério e na provisão e orientação da minha familia, que sá posso responder satisfatoriamente dizendo: "Metade nunca se contou. . . " lCan~ tor Cristão, 383). Queremos inserir nesta introdução um quadro representativo com os nomes dos nossos filhos, lugar e data de nascimento de cada um, cursos que já fizeram ou estão fazendo, função que estão exercendo, bem como os nomes e profissão dos genros e noras, e os nomes dos netos ganhos, até o presente momento: 1. E/ enaide dos SantosÀMartins, natura/ de _Ruy Barbosa-Bahia', nascida a 15 de fevereiro de 1946, bacharel em musicasacra pelo Semina- rio Teo/ ágico Batista do Norte do Brasil, com licenciatura plena em filosofia pela Universidade Católica de Recife. Casada com Dr. Mario 17
  10. 10. Ribeiro Martins, promotor de justiça de Abadiania-Goiás, e catedrático nas Faculdades de Direito e Filosofia na cidade de Anápolis. Têm duas filhas, Nívez Zênia e Ni'vea Keila. 2. Elenauro Batista dos Santos, natural de Ruy Barbosa-Bahia, nascido a 20 de junho de 1947, bacharel em ciências juri'dicas pela Unl- versidade Católica de Goiânia-Goiás. Promotor de justiça em São Miguel do Araguaia-Goiás. Catedrático em_direito penal na Faculdade de Direito de Anápolis. Casado com Susy Roriz dos Santos, estudante. Têm uma filha de nome Luci/ ia Roriz dos Santos. 3. lsanias Batista dos-Santos, natural de Ruy Barbosa-Bahia, nas- . cido a 26 de julho de 1948, bacharel em teologia pelo Seminário Teológi- co Batista do Sul do Brasil, pastor, Casado com Lúcia Maria dos Santos, acadêmica do curso de pedagogia. 4. Mirtes Santos de Macedo, natural de Serrinha-Bahia, nascida a 9 de julho de 1949, fez o curso secundário pela Escola Normal Professor Faustino, em Anápolis-Goiás, casada com Hélio Nascimento de Macedo, bacharel pela Faculdade de Ciências Econômicas de Anápolis-Goiás, e fun- cionário do Banco Central em Brasilia, DF. Têm três filhos, Julya Helena¡ Newton Henrique e Adryane. 5. Evandro Batista dos Santos, natural de Serrinha-Bahia, nascido a 12 de dezembro de 1950, bacharel em direito pela Faculdade de Direi- to de Anápolis, casado com Marilene Bernardes dos Santos, acadêmica. Têm um filho por nome Ricardo. 6. Ni'vea Batista dos Santos Ferreira de Souza, natural de Ipameri- Goia's, nascida a 19 de setembro de 1952, com licenciatura plena em letras modernas pela Faculdade Bernardo Sayão, em Anápolis-Goiás, ca- sada com Josemar Ferreira de Souza, sargento da Aeronautica e concluin- te do curso de administração de empresas. Têm um filho, o Josemar Júnior, moram em Natal, e ela e' funcionária da Caixa Econômica Federal. 7. Josenias Batista dos Santos, natural de Alegre-Espirito Santo, nascido a 24 de setembro de 1953, acadêmico de administração de em- presas, funcionário de firma comercial em São Paulo, casado com Marly Rios Batista dos Santos. ~ 8. Lui'za Batista Lopes Santos, natural de Alegre-Espirito Santo, nascida a 2 de novembro de 1954, com licenciatura plena em pedagogia pela Faculdade de Filosofia Bernardo Sayão, em Anápolis-Goias, casada com Gesser Lopes Santos, funcionário da Cia. Atlantic de Petróleo em Sal- vador, acadêmico em ciências econômicas. › 9. Valqui'ria Batista César Santos, natural de Rio Novo do Sul, Espirito Santo, nascida a 10 de setembro de 1956, concluinte do curso de odontologia pela Faculdade de Odontologia João Prudente, de Anápolis- Goiás, e funcionária do INAMPS, casada com Leonardo César Santos, que . cursa o penúltimo ano de odontologia na Faculdade João Prudente, de Anápolis-Goiás. 1B 10. Isaias Minas Novas Batista, natural de Ceres-Goiás, nascido a 26' de fevereiro de 1958, cursa o terceiro ano de administração de empresas e e funcionário da Caixa Econômica Federal em Brasilia. 71. Rosa/ i Batista dos Santos, natural de Ceres-Goiás, nascida a 8 de novembro de 1959, faz curso depedagogia pela Faculdade de Filo- sofia Bernardo Sayão, em Anápolis-GO. 12. Stela Batista dos Santos, natural de Ceres-GO, nascida a 27 de abril de 1961, ja' tendo concluido o curso secundário, faz cursinho para inscrever-se no vestibular. 13. Halcima Batista dos Santos, natural de Goiânia-Goiás, nascida a 2 de dezembro de 1967, concluinte da 8? serie do primeiro ciclo, no Colégio Estadual da cidade de Ruy Barbosa-Bahia. No quadro acima apresentado está faltando o nome de uma filha que muito propositadamente deixei para registrar em separado. Trata-se de Valquiria primeira, que cronologicamente seria o número nove; nasceu a 5 de outubro de 1955 e faleceu no dia 19 de abril de 1956, tendo vivido pouco mais do que seis meses. Foi vitima de desidratação oriunda de um surto epidêmico que grassou no Sul do Espirito Santo naquele ano, e Rio Novo do Sul foi o ponto mais atingido. 0 vi'rus da doença era tão violen- to que as crianças por ela atacadas agonizavam e morriam dentro de pou- co tempo, não dando sequer tempo aos médicos para concluírem o seu diagnóstico. No caso da nossa filha mobilizamos todos os recursos ao nosso alcance para salva-la, não lhe faltando pediatra dos melhores da região, com os medicamentos ao seu alcance, mas a doença, como sá¡ acontecer, zombou de todos nos, e faltando quinze minutos para meia-noite daquele dia terri'vel, a morte com a sua ação inexorável arrebatou dos nossos bra- ços paternais a inesquecível Valquiria, Cremos que Deus assim o quis e a predestinou para ser a primeira e a única até o presente momento quando escreva esta nota, dentre os seus irmãos, a oferecer este supremo sacrifi- cio. Aqui registramos a nossa palavra de saudade, com o suave trescalar do aromático amor materno e paternal, dizendo: "O SENHOR deu, e o SENHOR tirou; bendito seja o nome ; do SENHOR" (Jó 1:21).
  11. 11. EU CREIO EM MIIAGRE Ali pelos idos de 1905 a 1910, ainda nos primórdios do evangelismo pátrio, houve um despertamento espiritual caracterizado por um avanço da obra, muito _acentuado na região sudeste da Bahía, particularmente em Olhos d'Água e Arroz Novo, onde floresceram duas igrejas batistas, sob a direção do Pastor Alexandre Freitas, dinâmico e esforçado obreiro, sus- tentado pela Sociedade Missionária da Bahia. Logo no ano de 1906,. esse obreiro batizou 88 pessoas convertidas e organizou as duas igrejas acima citadas, a primeira com 16 membros e a segunda com 42, ficando ele mesmo como pastor de ambas. A partir da- quela data, a Igreja Batista de Arroz Novo foi sacudida por um avivamento extraordinário, havendo muitas decisões e batismos freqüentemente. Os crentes foram alvo de muita perseguição, mas Deus estava sempre com eles, a ponto de muitos dos perseguidores se converteram, passando de perse- guidores a perseguidos por amor a Jesus Cristo. Oravam e evangelizavam, e Deus os revestia de poder. Houve ali, naqueles dias, uma campanha de evangelização, tendo oorno pregador o missionário Salomão Luiz Ginsburg, que abalou as colunas do inferno. Muitas almas foram ganhas para Jesus Cristo, e a igreja foi edi› ficada em amor. Os crentes, embalados por aquela onda de poder, redobra- ram o seu entusiasmo em testemunhar, visitaram lares, fazendas, povoados, dífundindo a Palavra de Deus eom muita ousadiae coragem. Cada crente se considerava um evangelista, a em cada lar se fazia um ponto de pregação. , Os novos convertidos encontravam clima bastante cálido para o seu cres- cimento espiritual, crendo e confiando no poder do evangelho. Muitos doentes eram curados pelo poder da fé, e muitos possessos de espiritos imundos eram libertados das algemas de Satanás, pela ação dinamizado- ra da Palavra de Deus e pelas férvidas orações dos crentes, sem que precisassem de gritarias, exageros carismáticos ou chantagem emocio- nal.
  12. 12. Foi neste ambiente de pregação e testemunho, com evidência de po- der de Deus, sob a égide do Espirito Santo, que meus pais foram alcan- çados e envolvidos pela graça do perdão e da eterna salvação que há em Cristo Jesus. De outra maneira, tornar-se-ía impossivel a conversão deles, pois o estado espiritual em que viviam era sem Iuz. Só mesmo um impacto dessa natureza conseguiu que eles encontrassem a razão de viver. Meu pai' era oriundo de familia católica, mas, sem qualquer compro- misso com Deus, comprazia-se nas obras ¡nfrutuosas das trevas: bebia, fu- mava, jogava, animava bailes e serestas e farreava. Bom tocador de sanfona, procurado e aplaudido, sempre era contratado para cantar e tocar nos bailes de casamentos e batizados, festas dos padroeiros das cidades, em campa- nhas politicas e em clubes sociais. Minha mãe, muito jovem ainda, enquan- to meu, pai praticava a boemia, foi atraída e envolvida pelo baixo espiri- tismo, que grassava naquela região, causando-lhe grande dano. . . ficou pos- sessa de um espírito maligno que arruinou a sua vida. Os espíritos argüi- ram que se tratava de uma entidade muito importante que encontrou ne- la um vaso precioso para fundamento e difusão de suas doutrinas e opera- ção de suas maravilhas¡ por ser ela portadora de excelente dom de me- diunidade. E lamentável registrar-se que, entre determinados grupos hu- manos, um diabo vagabundo como aquele que se apoderou da minha po- bre mãe e tanto a fez sofrer, seja considerado e tratado como espirito de luz e entidade categorizadal Fizeram os espiritas, todo 0 empenho e envi- daram todos os esforços para que ela permanecesse sob aquele jugo mise- rável e despótico, com promessas solenes e vantajosas, - insinuando que se ela prosseguisse naquele caminho viria a ser elemento exponencial no meio espi rita, operando como chefe de centro e presidente de seções. Acontece, porem, que o Diabo tem poder, mas não é o Todo-Poderoso. Vai a toda parte, mas não é onipresente. Sabe muita coisa, mas não é onis- ciente. Vê muito longe, mas não é onividente. E diante disto, enganou-se quanto à minha mãe. Ela já era vocacionada para a salvação. No auge da aflição e torturas, sob a possessão daquele satanás, foi visitada pelos cren- tes da Igreja Batista de Arroz Novo, que se moveram de intima compaixão por ela e passaram a visita-la freqüentemente, induzindo-a a crer em Jesus, aceitando-o como seu único e suficiente Salvador, pois só Jesus Cristo pode- ria Iibertá-Ia do jugo de Satanás, tirando-a daquela situação desesperadora em que vivia, sem paz e sem salvação. Com bastante demonstração de amor, e muita sutileza. conseguiram levá-Ia à igreja, onde ouviu pela primeira vez a mensagem da salvação, pregada pelo missionário Salomão Ginsburg, e o Espirito Santo tocoulhe o coração, como Iabaredas de fogo, e por pouco não fez asua decisão, mas dali saiu profundamente abalada. Este foi o primeiro e grande passo para sua felicidade. Outras oportunidades lhe se- riam ensejadas em tempo próprio. ' Voltando para casa, minha mãe foi acometida de uma súbita posses- são. O espirito maligno arrebatou-a furiosamente, levando-a para as carn- pinas e lugares áridos, com uma criança ainda amamentando, e a deteve por lá vários dias, dormindo ao relento; comendo frutas apenas, ferindo-se em pedras e espinhos. Quando alguétrjn tãntava folrçar a sua volta para casa, ameaçava estrangu ar a criança. en o e comp eição franzina e pequena (estatura, revesátia-se de uma força hercúlea É diabólica que a fazia capaz e en rentar uas ou três pessoas ortes. m ados momentos, o de- mônio falava por intermédio dela: "Luizinha me pertence. Vocês querem arrancá-la das minhas mãos e Ievá-la para um rebanho inimigo, mas eu farei tudo para não perde-la. " Enquanto esta luta era travada nas campinas e as duas vidas corriam perigo, por estarem como joguete nas garras do diabo, os crentes estavam unidos e reunidos, velando e intercedendo por elas, com férvidas orações, travando-se assim a luta aberta contra Satanás. Depois de muito sofrimen- to e apreãnsâào, lholálvtêl ur: peràodfo d: trégu; e a Luiãinha voltou ao lar, num esta o ep or ve , c eia e erí as, ca elos em esalinho, roupa ras- gada, e num estado de depressão que causava dó, a criança, pelas mise- ricórdiaí de Deufs, voltou íncólume. O diabo não lhe fez dano algum, e o seu a imento oi só o leite materno. A igreja deu atenção especial ao problema, assistindo com muito amor o desenrolar dos acontecimentos, evangelizando meu pai e o confortando de um modo especial. Passadas aquelas horas de sufoco, os bondosos irmãos voltaram a orar com minha mãe e lhe falar diretamente sobre o poder do sangue de Jesus Cristo, até que a induziram a fazer uma decisão, pois o meio mais eficaz de expulsar demônios é convencer os seus instrumentos a se entregarem ao senhorio de Cristo. Se alguém é usado pelos demônios e aceita pacificamente o seu estado de possessão, não se arroja nos braços ge_ gesus Cristo, pedindo socorro e proteção, passa a ser propriedade do ia o. O exorcismo é desaconselhável, e mesmo condenado, à luz da Pala- vra de Deus, pois os corifeus deste movimento nefando se arveram de poder sobre osd deàmônigs, poder este que é inerente exclusivamente a Cristo e transcen e os c us. O endemoninhado é sempre a pessoa que, rejeitando o plano de sal- vação estabelecido por Jesus Cristo, dá lugar ao Diabo. E se o individuo que é livre para' fazer a sua escolha entre a vida e a morte, o bem e o mal, -a bênção e a maldição, preferir ficar com Satã, o problema é dele. O Diabo pode se enganar, mas em regra geral sabe o terreno onde está pisando, e se o individuo é dele porque a ele se entregou, nem Jesus Cristo o expul- sa, porque respeita o livre arbitrio do homem. g Se você quer libertar as almas do poderio de Satanás, pregue-lhes a mensagem do Cristo crucificado, convença-as a aceitarem o senhorio de Cristo. E o pecador que tem de deixar o partido de Satanás e passar para o rebanho do Bom Pastor. Não adianta alguém ficar rouco de gritar - "Sai dele, espirito imundo! Sai dele, Satanasl" A resposta será sempre: "Daqui não saio, dáqui ninguém me tira. " Veja-se o que aconteceu com os exorcistas, os sete filhos de Ceva, consoante Atos l9:13-16, que depois de uma luta inglória fugiram nus e feridos. Muitos crentes neófitos e arro- gantes têm fracassado diante de espiritos imundos, que os leva ao vitupérío, 9!
  13. 13. e com justas razões, pois vão se meter em problemas de difícil solução, exibindo poderes que não possuem. Nós, os crentes em Jesus Cristo, temos que crer na eficácia da pregação do evangelho e envidar todos os meios ao nosso alcance para que os pecadores perdidos, inclusive os endemoni- nhados, aceitem Jesus Cristo como seu Salvador, pois no exato momento em que Cristo entra no coração do pecador arrependido e contrito, o Diabo sai furioso, para não mais voltar. Vai armar a sua tenda noutro inferno. A batalha travada pelos crentes da Igreja de Arroz Novo foi válida, porque visaram não apenas expulsar o demônio zombeteiro e mau, visa - ram sim, entronizar Jesus Cristo no coração de minha mãe e do meu pai, certos deque isto feito, eles estariam salvos e felizes, esua causa seria vi- toriosa. , Numa das noites em que os irmãos estavam reunidos, dando assis- tência a meus pais, algo inusitado aconteceu. 0 espirito baixou com grande ímpeto, e a mamãe ficou possessa. Voltou àquela situação aflitiva e agres- siva de sempre. Ai travou-se uma forte discussão entre o grupo de crentes e o espirito que falava por intermédio dela. Os crentes liam a Biblia e ora- vam e cantavam. Ele zomhava, pulava, gritava e escarnecia dos crentes e de suas palavras. Em dado momento, o grupo passou a cantar o hino 323 do Cantor Cristão - "Castelo forte é nosso Deus. . . " Chegando aos últi- mos versos da terceira estrofe, onde se canta: "O grande acusador/ Dos ser- vos do Senhor/ Já condenado está; /Vencido cairá/ Por uma só palavra" ele deu um grito meio rouco e caiu espumando e rilhando os dentes. Meu pai exclamou: "Ela vai morrer! " Incontinente, um irmão respondeu; "Pelo contrário. Agora é que ela vai viver! Pois o espirito imundo saiu dela". Satanás 'perdeu a batalha e fugiu, cumprindo-se o que esta' escrito: "Sujeitai-vos pois a Deus; mas resisti ao Diabo, e ele fugirá de vós" (Tiago 4:7). Os irmãos tomaram minha mãe nos seus braços amáveis, levando- a para_a cama, onde logo adormeceu. Lá pela madrugada, acordou sentin- do fome, e meu pai deu-lhe um copo de leite. De manhã, levantou-se muito abatida. Mesmo assim, retornou às suas atividades domésticas, passando a cuidar da filhinha de peito. No dia seguinte, os crentes voltaram à casa de meus pais, e minha mãe fez declaração de fé, aceitando Jesus como o seu único e suficiente Salvador. Sabia, disse ela, que dali por diante iria sofrer muito, pois Sata- nás havia feito juras que ia persegui-la, mas estava pronta e disposta a pa- gar qualquer preço para provar a sua fé e/ o seu amor àquele que a resga- tara do poder das trevas e do império de Satanás. E nunca mais minha mãe se esqueceu o que Cristo lhe fez, com o seu imenso poder e profun- do amor. Desde aquele dia alegre e memorável de sua libertação até o dia 8 de maio de 1953, quando o seu espírito se desprendeu da matéria e partiu para estar com o Senhor, e o seu corpo, que era pó e veio do pó, voltou para o pó, deu sempre um brilhante testemunho, e em plena paz e radiante de felicidade aguarda o soar e ressoar da última trombeta, .. "Porque a trombeta soará, e os mortos serão ressuscitados incorruptiveis, e nós seremos transformados" (l Oor. 15:52). -m A conversão de minha mamãe foi muito importante e impressionan- te, sobre a qual se poderia escrever um livro com muita páginas, especial- mente se fôssemos descrever o alto preço que ela pagou por haver fugido das hostes de Satanás, desprezando assim o seu antigo chefe. Este não a quis perder de vistas por muito tempo. Não podendo mais se apoderar dela, porque o Espirito Santo a possuia, ficou ao redor dela, criandolhe os maio- res problemas, o que não se constitu ia em surpresa, pois numa das suas últimas possessões ele havia declarado: "A Luizinha vai mesmo me despre- zar e passar para esse rebanho. Mas vocês vão ver o que eu vou fazer com ela! Ela vai sofrerl" Certa feita, num domingo pela manhã, ainda muito cedinho, minha mãe e' meu pa¡ se_preparavam para irem a uma festa, na Igreja de Arroz Novo. A mamãe foi providenciar um lanche para levar e fritar uns . ovos para o café. Aconteceu o inevitável¡ O Diabo fez explodir uma frigideira de gordura com tamanha violência que ela, não resistindo ao impacto, veio a cair, e os pedaços da frigideira, com a gordura quente, caíram sobre suas mãos, seu rosto e seus braços, causando queimaduras de segundo grau. Ai foi aquele Deus nos acuda. Viagem interrompida. Festa para eles aca- bada. A mamãe ficou acamada, inspirando cuidados. Passou na cama alguns meses. Quando tudo parecia melhorar, já estando cicatrizados os ferimen- tos do rosto, dos ombros, restando apenas as feridas do antebraço e da mão direita, que foram mais profundas, acontece outro imprevisto. De ma- drugada, o Diabo foi atormenta-la, enquanto dormia com enorme pesade- lo. Ao acordar, naquela luta tremenda, bateu em cheio o braço contra a parede, e as feridas se partiram, e o sangue saiu. Este acidente fez que os seus tormentos aumentassem e o tratamento se prolongasse, e ainda mais, aquela mão ficou defeituosa, com cicatrizes tão profundas, que acompa- nharam minha mãe o resto da vida. _ _ Lembro-me ainda, com viva emoção, quando, muitos anos depois, mi- nha mãe nos contava das suas lutas e dos seus sofrimentos, e nos mostrava aqueles sinais nas suas mãos e nos seus braços, acrescentanto que Jesus lhe havia arrancado, com muito amor, das garras do Diabo e das entranhas do inferno. A conversão de minha mãe foi o marco inicial da salvação de toda a familia. Um a um, foram alcançados pela graça de Deus. O primeiro depois dela fo¡ o seu esposo, irmão Marcelino, de saudosa memória. Depois vêm 'as tias Mariana e Madalena, irmãs dele, depois o tio Pedro, esposo da Ma- dalena, a seguir a nossa avó materna, Rosa Maria, mais tarde filhos, netos e bisnetos. As bênçãos do Senhor já atingiram a quarta geração, começan- do com ela. Hoje dois' dos seus filhos são pastores, dois netos também o são, e um bisneto estuda para o Ministério da Palavra. Vemos assim que as misericórdias do Senhor são infalíveis e eternas. Eis o milagre da salvação. Louva¡ ao Senhor¡ ' ? E
  14. 14. DADOS BIOGRÁFICOS Nasci na fazenda Riacho Branoo, de propriedade de meus pais, no municipio de Jaguaquara, ao sudeste do Estado da Bahia. Sou filho de Marcelino Batista dos Santos e Luiza Batista dos Santos. Ele filho de José ' Batista dos «Santos e Maria Teodoro Batista, brasileiros de Amargosa e Santo Antônio de Jesus, respectivamente. Ela, filha de Manoel Nasci- to Cantarela, natural de Nápolis - Itália, e Rosa Maria do Nascimento, natural de Lisboa-Portugal. Vieram para o Brasil no fim do século 19, co- mo chefes de uma companhia de teatros e comédias. . Meu nascimento 'ocorreu na madru ada do dia 19 de marco de 1912, ali pelas quatro a cinco horas da manhg, em circunstâncias difíceis, pois o papai saiu bem cedo para buscar a parteira e amamãe . ficou sozinha, to- mando conta da casa e das crianças, num lugar deserto, e ja entrando em trabalho ~de parto. Pera complicar mais o problema, nasci enforcado com o cordão umbilical. Pouco depois, chegando a parteira, lutou bastante pa- ra salvar a criança e a parturiente. Como Deus tinha um plano traçado para minha vida, sal vencedor nesta primeira e decisiva luta, prevalecendo o meu direito de nascer, mesmo em circunstâncias adversas. Os meus primeiros dez anos transcorreram num ambiente de pouca Iuz e pouca inspiração. Meus pais, não sei por que, foram formar fazenda no sudoeste, em terreno do Estado, num lugar bem distante de ser alcan- çado pela civilização, longe de cidades, escolas e igrejas. Eram crentes novos ainda, não batizados e pouco doutrinados. Quando moravam nas cercanias de Arroz Novo, eram animados, mas agora são dois tições se- parados da fogueira, quando as chamas vão se apagando e o carvão e as cinzas vão aparecendo. Só não se apagaram de tudo, por serem eleitos de Deus. Assim, as muitas águas não puderam apagar o primeiro amor. Ooer- to é que mais de uma década se passou até que viessem aparecer igre- jas naqueles rincões. Outro fator que tomava a nossa vida insulsa e apáti- ca era o nosso estado de saúde. Eu mesmo fui atacado de terrivel vermi- nose e vivia sempre cheio de feridas. Ainda posso me lembrar da angús- tia que nos assaltou quando da morte de um dos nossos irmãos, sem recursos Il
  15. 15. ' éd- outra 'copa que me magoava sobremaneira era a disciplina rigo- m icos. . . - ssa no zelo crucificavam 0 rosa, aplicada por meus pais que, pelo exece , amor. Minha Primeira Experiência com Deus l -' - lGREJA BATlSTA Eaigaaxwatsisnztiplêíã; *. *:; :i2:: ::: ;°anao ue DE 'N ' "° ' O f dadores da- _ . - ' da nossa fazenda. s un Diogo, distante uns oito quilômetros _ _ f_ um üpo de re_ quele trabalho, antes txãêoynggxãfêegeeyefiigaespáiligglos pelos lugares cenceamento. Para Ve ' ' N afã alcan- . - _ bros da novel igreja. esse - adjacentes, alistando os como mem , t arem pane nas ' ^ ' daram meus Pals Pa” °"" . çaram a nossa residencia e convi A bras também_ Eu mma tudq' Wienlqídíiifénsãieiiliiâiifemêêãrgapãmq: : rgeiignvite não era Para mi": 9°” mas na _ _, , ~ - l senso para ar re- eu em mem"? ecaiiãrâlmimlíqüãsriàãâ 'ÀÍÀÊTJÍÍ vaezmamãe iria com um cado e execu ar _ _ - _ Então a mamãe msm logo que dos filhos e o papai ficaria com os outros. eu_ iria com ela. _ ~ . os és na es. ' Quando amanheceu aquele : :alga gãisesâággllíísm, dezaúdê era "aizaaluiingiaci-ÀÊÊ : iemanliiêinsíâs tveaiildo freqüentes crises de falta de ar_; gas- PW r . ' ' ercurso que em circunstancias tamos cerca de tres horas para cobrir um P de ln alem ao sub" uma normais fariamos em menos de duas. Já pel") . g - -' L de as . . - ão morri de asfixia. 090_ P ladeira fiquei sufocado, e P0' P°“°° . " - ¡ | des¡ nado ' Ovidio do Nascimento, 003 9 chegamos à casa do irmão Paulo l ¡ o que me ' dora da festa. Ai aconteceu ag . _ Para "'65 pe” °°""53ã° organua ' ' al uma havia de- tocou profundamente ao coração. : :quibe : :gleêsofxaiqugi de mannio, monstrado amor e atencãü P373 ° 9 v l mandado disciplinado e até maltratado, mas amado- °"¡dad° ° P'°'°9¡' era r do, nunca! . - b ' mim uma M** s: :. “°%i: ';z°. .:L'-:1:°, ;°: J§, ai: :stars": 993503 cale" e e i à uis'a de merenda, mandou-me des- gum medicamento' trouxe-nie ago g d amor de Cristo numa lingua cansar numa cama e a seguir falou-me o s [vação m_ ' . Apresentou-me 0 Piam e a ' 9'"" acessivel a qualquer crlanya ' fazer-me feliz. Esperava Que eu zendo que Jesus me amava muito e queria t “mr do seu amor_ Dmse_ me decidisse, pois Precisava -de "um para esdlier ara me curar da enfer- me ainda que Jesus_ Cristo tinha bastante : :abmgade um evangemo se_ midãdesqãgellligrcsgsfl-'Élutrifeãgàilome' ceia? :om os dizeres: "Deus quer QUE 9"" °' ' n ' 2-4) Na hora do almo0°› assenwu' todos os homens se salvem (l Tim. . . I. to fez menção do meu se ao meu lado e. 3° da! 973935 P°'° “me” . ' t ara o uma¡ das nome perante Deus. Depois do_alni0ç°- _i°m°5 lime: : P *reuniões e os trabalhos tiveram inicio, na hora mar a. Eram 13 horas do dia 21 de novembro 'de 1922. Um grande grupo de crentes e simpatizantes do evangelho se encontra dividido em duas alas, frente ao salão onde seria, dentro de poucos minutos, organizada mais uma agência do reino de Deus. Esperava-se os missionários M. G. White e W. F. Taylor, que estavam para'chegar, em companhia do Pastor Ro- sentino Ferreira, em plena primavera, estação das flores. Havia' naquele lo- cal muitas Iimeiras e laranjeiras em flores e botões. Logo lançamos mão de bastante flores e, chegando os obreiros acima citados, foram saudados com o cântico do hino cívico ~ "Salve, lindo pendão da esperança" - e cobertos com uma verdadeira cortina de flores perfumosas. Logo a se- guir entramos juntos no templo, onde teve inicio a programação daquele dia. O Dr. W. F. Taylor pregou o sermão da tarde, seguido de profissão de fé e batismo. À noite foi organizada a igreja, com a ordem de praxe, pre- gando na ocasião o Dr. M. G. White. Encerra-se a solenidade, dando-se a mão fraternal aos novos batizados. História de uma Conversão Um dos professandos daquela tarde memorável relatou o seguinte: ."Eu era um católico, apostólico, romano, dos mais fanáticos que possam existir. Adorava imagens, confessava-me e cornungava regularmente, 'como a igreja ordena. Rezava e praticava tudo, conforme os padres ensinavam. Não perdia as festas da igreja, com as suas novenas e trezenas. Certa feita, ouvi o vigário avisar que na freguesia estavam aparecendo alguns protes- tantes, e que os católicos deviam se armar e se preparar para combate- los, pois eram representantes do Diabo, inimigos da Virgem Maria, dos padres e dos santos; que eram maus e perigosos, a ponto de ter parte com o Diabo; quando se reuniam para orar, aparecia um gato preto, enquanto estavam com os olhos fechados, e quando morriam o Diabo carregava os corpos, e os crentes, para dissimular, colocavam um tronco de bananeira no caixão, para sepultar no lugar do defunto. Disse ainda que perseguir e até matar os crentes seria obra de misericórdia e um beneficio que se fazia 'à sociedade. Ouvindo isto, fiquei cheio de raiva e jurei perante o altar de Nossa Senhora que ia fazer tudo para var um protestante morrer, e se fosse assim como o vigário dizia, eu ia acabar com e raça deles. Dai por diante, o meu maior desejo era ver um crente morrer, para confirmar as minhas suspeitas. Adoecia um protestante, e eu corria para à sua casa, naquela expec- tativa. Outro adoecia, e lá ia eu. Viajava às vezes muitas léguas nesse afã. Que coisa dificil era morrer um protestante! Assim passou muito tempo. Chegou porém um dia quando circulou outra noticia: Daqui a poucas lé- guas há uma crente bem velhinha em estado grave. Não vai ao fim da se- mana para-. morrer. Selei meu cavalo e parti para o local. Chegando ali, fui à casa da enferma, e constatei' que o seu estado era grave. Fiz- me amigo dos parentes, para poder acompanhar de perto os seus últi-
  16. 16. mos momentos. E a hora esperada chegou. Ao anoitecer, ouvi alguém di- zer: A irmã está morrendo. Correm todos para o quarto da doente. Eu en- trei também 'com eles, e me aproxime¡ o mais que pude, e o que vi foi coisa bem diferente de tudo que eu podia pensar. Os crentes começaram a cantar: "Dormindo no Senhor, bendita é nossa irmã". . . Eu procurava fitar o resto daquela serva do Senhor e não podia, pois uma luz mais bri- lhante do que o sol do meio-dia raiou diante dos meus olhos, e as lágrimas banharam o meu rosto. Assentei-me num tamborete e encostei-me na pa- rede, até que o culto terminasse. Depois velei com eles o resto da noite. Vi colocarem a defunta no caixão. Acompanhei o féretro até o cemitério. O mais importante de tudo é que aquela luz que eu vislumbrei na hora da morte daquela irmã, só foi vista por mim. Para os crentes que estiveram presentes, tudo foi normal. Essa experiência foi o meu encontro com Cristo. Sai do enterro convertido, certo de que o evangelho é o poder de Deus, para salvação dos que crêem. Procurei logo a companhia dos crentes, fiz a minha pública decisão, sentindo que Deus já tinha perdoado as minhas transgressões, e o sangue de Jesus Cristo purificou-me dos meus pecados. Sentia-me salvoe feliz, e queria dar o testemunho da minha fé pelo batismd'. A profissão de fé daquele novo crente emocionou toda a igreja, e particularmente a mim. Ouvidos os demais candidatos, houve aceitação plenária, e logo a seguir foram todos batizados numa aguada próxima. A noite, voltamos ao templo, estuantes de satisfação por tudo que vimos e na tarde que findara. Os trabalhos transcorreram num crescente de entu- siasmo. A igreja foi organizada. Em cada alma resplandecia a beleza de Cristo, que foi a nota predominante da programação. Festa acabada, os crentes retornam aos lares, cantando e sorrindo de alegria. Minha-mãe e eu fomos pernoitar na casa do irmão Paulo Ovídio, meu preceptor espiri- tual, e no dia seguinte, mesmo antes do nascer do sol, estávamos voltan- do para a nossa casa, ràdiantes de felicidade, pela evidência da presença de Deus e da comunhão com ele e com os irmãos, através dos trabalhos do dia anterior, com um mundo de experiências marcantes para as nossas vidas. w Aquele foi, sem qualquer sombra de dúvidas, o dia da minha conver- são. Ao sair de casa pela manhã, eu era um menino triste e doente, que oscilava entre a vida e a morte. , Sem fé, nem esperança, sem amor. . naquele dia alegre, encontrei tudo m Cristo. Abriram-se para mim as com- portas da vida e da felicidade. Nao fiz uma pública decisão, porque não houve apelo naquele dia, rnas daiisai salvo, batizado com o Espirito San- to, e com o meu nome escrito por Jesus no livro da vida. Com a operação do Espirito na minha vida, evidenciada através do novo nascimento, o meu coração se encheu de paz, o meu corpo se foi tornando saudável a cada : lia que passava, e passei a falar de Cristo, sem- pre contando o que ele fez por mim. Sentindo o desejo de ser batizado, para me tornar membro duma igreja, falei com os meus pais, e estes se opuseram, dizendo que eu ainda era muito criança, e o meu entusiasmo podia ser passageiro Convém dizer que os batistas naquela época eram contra batismo de adolescentes, e perderam muito com isso, pois muitos filhos de crentes, até mesmo filhos depastores, viram passar a fase áurea de fazerem a sua decisão e depois optaram por uma vida fora da igreja. Mesmo que eu demonstrasse mudança de vida, testemunho através da leitura da Biblia, aprendizagem de hinos, enmsiamo de ir à igreja e falar de Cristo com desembaraço, mesmo assim meu pai continuou contrário ao meu batismo pelo fato de me considerar menino, era o tal problema de ponto de vista. Assim mesmo continuei mirando o alvo. Quando Deus plan- ta a semente do evangelho no coração do homem, seja ele velho, jovemou criança, ninguém arranca. A sementinha lançada por Deus no meu cora- ç'a'o de menino carente do seu amor, pronto para ouvir sua palavra e atender os seus desafios, germinou e dali surgiu uma tenra plantinhaque, fecundada pela graça de Jesus e vitalizadalpelo Espirito Santo, cresceu e se firmou, como "árvore plantada junto a ribeiros de águas". Ouatro anos depois, já aos 14 anos de idade, não mais na Igreja Ba- tista de Ingazeira, mas em JagJaquara, na tarde de 05 de dezembro de 1926, fui batizado pelo Pastor Francisco Ferreira, que com muito esforço conseguiu convencer meu pai que eu não era tão criança como ele. pensa- va. Dal por diante começou o meu crescimento no conceito dos membros da igreja, dos seus lideres, do professor dos intermediários, o irmão Aveli- no Santana, de saudosa memória, que sempre vi como modelo de virtude. Foram tantas as evidências da atuação de Deus na minha vida naquele pe- riodo que carrearam a simpatia do meu pastor e dodiretor do Colégio Tay- lor Egidio, a ponto de me procurarem e abrirem as portas daquela ins- Itituição para mim, para que eu estudasse com vistas ao Ministério daPa avra.
  17. 17. LIGEIRA FRUSTAÇÁO . Na expectativa de , iniciar os estudos naquele categorizado Colégio Taylor Egídio, com vistas ao preparo que devia adquirir para o desem- ponho de uma terefa que Deus já havia segredado ao meu coração, vibrei de entusiasmo. Contei a meu pa¡ a proposta feita pelo meu pastor e pelo diretor do colégio, crendo que ele ia achar boa a idéia e colaborar para sua execução. Isto porem não aconteceu. O papai arrazoou que era pobre, não podendo sustentar filho em colégio de ricos. Procurei o diretor e lhe fiz ver a reação de meu pai. Então uma proposta lhe foi enviada nestes termos: "O senhor nos entrega o rapaz e nós nos respobsabilizaremos por todas as despesas dos seus estudos. Temos uma verba que nos vem como bolsa de estudos e podemos aplicar para o seu internamento e demais despesas. " O papai, recebendo a proposta, pediu tempo para pensar, e depois respondeu, outra vez negativamente, dizendo: "Tratando-se do único filho que me ajuda nos trabalhos da fazenda, eu não posso dispensar os seus serviços, internando-o num colégio. " Vi então desmoronar-se o castelo dos meus sonhos e se esboroarem minhas esperanças e justas pretensões. 'Senti-me esmagado e arruinado, e passei a ver meu pai como um tirano. Sendo de menoridade, e submisso, nada mais se podia fazer por mim. Meus benfeitores ficaram tristes e decepcionados, e eu revoltado e frustrado. Na primeira oportunidade, fugi de casa. Sem nem comple- tar 15 anos. A princípio, procurei arranjar-me na fazenda de uma família crente, às margens do rio Andaraí, mas logo chegou-me a noticia que o meu pa¡ havia descoberto o meu paradeiro e ia buscar-me, com ameaças de cas- tigo. Então, ajudado por aqueles bons irmãos, que tomaram conhecimento dos meus desencantos, fui para a região ganduense, por estradas por ele des- conhecidas. 'Por lá vivi, sofri doenças e privações, "experimentei apertos e tristezas", mas Deus sempre esteve ao meu lado, nunca me desprezou, livrou-me dos meus temores, e "o seu poder se aperfeiçoou na minha fraqueza". Quando completei 18 anos de idade, fui ao encontro dos meus pais, agora em circunstâncias bem diferentes, com experiências morais e espi- 33
  18. 18. . . J r rituais marcantes e com testemunho de vida cristã muito acentuado. C_o- meça ai um novo capitulo em minha vida, que passo a relatar com mui- ta saudade, muito amor e profunda gratidão ao meu Deus. Voltando das_ minhas primeiras aventuras pelas terras ganduenses, encontrei meu pai sofrendo de enfermidade cardíaca, e mesmo assim movimentando uma casa -comercial de secos, molhados e tecidos, num lugar denominado Malhada, às margens do Rio Preto do Andarai, em sociedade_ com um crente chamado Rosalino Silva. Dado o seu estado de saude, f_ui convidado por ambos para tomar conta daquele estabelecimen~ to. Aceite¡ o desafio e assumi a direção da, casa comercial, para que meu pai pudesse voltar para sua fazenda e tratar da sua saúde, bastante com prometida. Com isso, volto então a cooperar com a lgrejaBatista de ln- gazeira, cenário de minha conversão, oito anos antes, agora como mem- bro atuante, pois se tratava da igreja mais próximo do lugar onde eu estava residindo. _ É muito importante analisar os caminhos e o propósito de Deus. Foi do seu agrado revelar-me que devia começar o meu ministério como pregador leigo, precisamente na igreja e no lugar onde mantive com ele o meu primeiro encontro, aos 10 anos de idade. No ano de 1930, aos meus 18 anos de idade, aquela igreja me ele- geu evangelista, entregando-me a Congregação de Malhada, e esta me ele~ geu superintendente da Escola Biblica Dominical. Comecei assim a fun- cionar como obreiro do Senhor, eleito por uma igreja. Quantas experiên- cias emocionantes e maravilhosas! Dirigir, pregar, ensinar, visitar. Ali pre- guei os meus primeiros sermões, ensinei lições da Escola Biblica Domí » nical, dirigi hinos congregacionais, fiz apelos e obtive decisões pela primeira vez. Construi' o primeiro templo para o meu Deus. Foi ali que aprendi a amar o povo de Deus e tive as primeiras visões dum ministério atuante. Malhada passou a figurar na minha agenda como um acidente geográfico muito elevado e importante, de onde pude contemplar horizontes infindcs e ouvir os desafios do Senhor. O itinerário do meu ministério comecou ali. Def por diante, tudo é seqüência. Depois aquela congregação foi trans- ferida para Baixão do Ouro, e eu continuei como seu diretor. Em Baixão do Ouro, distrito pertencente ao municipio de Jaguaqua» ra, tivemos o privilégio de ser pioneiro do trabalho batista, que teve ini- cio no ano- de 1932, com a cooperação eficiente de Rosalino Silva, -Lucia~ no Souza e familia, Antônio Damásio, os irmãos Fileto, Urias, Natanael, Abner e Abigail, filhos de Andre Avelino de Melo, alguns elementos da fa- milia de Maria Ricarda, um rapaz por nome Ignácio e outros cujos nomes fogem à minha memória, mas estão registrados no livro da vida. Mais tar« de, por conveniência de local, transferiu-se para Baixão do Ouro a Igreja de Ipiúna, que encampou a congregação, emdata que não podemos precisar. Nos anos de 32 e 33, essa congregação, ainda, desempenhou um grande papel como sentinela avançada, prestando socorro a multidões de necessitados que percorriam aqueles dificeis caminhos, acossados pelo terrivel flagelo da Grande Seca do Nordeste. ›AIi encontram eles não 34 somente o pão material como especialmente n pão da vida, através de Jesus Cristo. - _ _ , , A seca havia devastado todo i, nordeste brasileiro; Ceara, Pafalba, Piaui' os sertões de Pernambuco, Alagoas, 'fáergiizie 6 0 nordeste da Bahla- l . ' __ . .. - ~ Baixão do Ouro, estando situado u? ,giao suãloeste dlaoBâiiiêilz, f: : foi castigado pela seca. Pelo contrario, !terça 00H IÇOB? P P IP socorrer muita gente; terra fértil para o cultivo de cereais, 'frutas e egu- _ _ _N . . . _ _ ue . . mes. Tinha muita fartura de iguala, batatas, aipim. farlflhar c? ? df a? er: tantas outras coisas. A regiao cortada P0" mulws "m5 e r', “mas p nes. Porta aberta para o sul da Bahia, pelos caminhos no meio das flores- ' tas, atravessando as terras pouco exploradas de Itiúba, Penedo. OUVO FW”- ugares de futuro, -terra boa, rios pis- », outras vantagens. ›lz i Lsahia havia dois caminhos. um para aqueles que viajavam de Zn, pela Estrada de Ferro de Nazaré, descendo em Jequié. Dai' partiam, a , ..e oii cavalo, margeandQ 0 flo cm' tas, até Piraúna, onde atravessavam o io i- ziclentravam nas ferteis terras do sul de Ilhéus, onde se cultiva o melhor cacau do mundo. _O outro gd- ¡ninhg seria passando por Baixas cio Ouro. itiuba, Ouro Fino, Pene Ibiá, Tesouras, indo encontrar a ouira esiraçiaem Barra_ do Rocha, asmáiir gens do Contas. Os flagelados, na sua maioria, preferiam este camin o, encontrando facilidade na aquis' "o de allmí IOS. fírabâlme Pequeil-'is Qle” bas, onde constru iam suas prop tam. assim que, poucos dos que escolheram este caminho chegaram a de llheqs, D__0|5 ãdqlufrlrêm terras' construíram fazendas, e se firmaram _na terra. Hoje sao familias Impüftali: tes, ricas, estimadas e admiradas, pois chegando aquelas paragensmesms em condições adversas, levaram o progresso. arudando a construir estra das, escolas, vilas e cidades. Toda essa gente que buscava as nlag g ~ , _V Baixão do Ouro, ouvia a Palavra de D recebia as atençoes e auxilio material da congregação batista. Muii itédialfl ali sua decisao de âCEIÍrJl Cristo como seu Salvador pessoal, outros levaram a preciosa semente coração. Hoje, dezenas de igrejas povoam siqrieleñvales. Quantos daque e; que receberam a mensagem e o soou o 'il i ixao do Ouro se constituiv ram em verdadeiros baluartes, na forma rlaciuelas frentes avançãdaà CIUF: agora são igrejas, Nós, os arautosrlçi ülillilfll', lançamos a semente. ueni a 'faz germinar, crescer e frutificar e o ciono da seara, como esta escrito "Porque, assim como a chuva e a neve descem dos ceus e paradla nao tor- nam, mas regam a terra -e a fazem ixroduzir ; ifirotar, Para que g9 semenÊe ao semeador, e pão ao que come, assim »Fri ü plalaVr-'i que 53"' da nha boca: ela não voitará para rnimi a, ;mtos iara o que m9 apfãzw 9 Dm** oerará naquilo para que a enviei” (I . Ii. Três-Capas, Tabocas, Ibiá eüundii, cosos, caças cultivo de arr0z, _lavoLirr Para aqueles que se dirigiain a in sul da Bahia, passando pci. 3
  19. 19. . CAMINHOS Dl FICEIS "Não to mande¡ eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não te atemorizes, porque o Senhor teu Deus esta' contigo, por onde quer que andares" (Jos. 1:9). No ano de 1933, enoerreí as minhas atividades em Baixão do Ouro, e resolvi partir, também, para o sul da Bahia, em busca de novas metas e melhores condições de vida. Convém que eu confesse que apesar de estar engajado no serviço do Senhor, como diretor de congregaçoes, pregador, professor de classe na Escola Biblica Dominical; etc, mesmo assim ainda me sentia frustrado, pois o meu propósito era preparar-me para o Ministé- rio da Palavra em definitivo. Não podia nem devia contentar-me com meios termos, e não estava encontrando portas abertas. Vivia como os apóstolos logo depois da morte de Jesus, pescando no Mar da, Galiléia e consertando redes esburacadas, até 'que o mesmo Jesus lhes aparecesse no- vamente, traçando-lhes rumos certos e tarefas definidas. Despedindo~me de minha igreja e da congregação que tanto amava, por haverem se constituido numa santa inspiraçãoe saudável motivo de equilibrio em minha vida espiritual naqueles días de ansiedade e incerte- zas, programei viagem. Em visita a uma fazenda de elementos pertencen- tes à congregação, ocorreu um fato muito importante, que por merecer destaque o inseriremos em outro capftulo, passando por enquanto a rela- tar as ocorrências desta difícil caminhada. Reuníndo os meus pertences, parti pelos mesmos caminhos dantes percorridos. Ajuntei no meu alforje, um pouco de dinheiro, minha Bfblia, meu Cantor Cristão, uma revista da Escola Biblica Dominical e pequenos objetos de uso pessoal. A viagem foi iniciada em circunstâncias não muito recomendáveis, pois no dia anterior havia extraido um dente meio infec- cionado. Viajando a pé, sob um sol abrasador, as coisas se complicaram. No primeiro dia, andei pouco menos de 30 quilômetros, e no segun- do dia pouca coisa consegui, porque o meu estado ficou desesperador: o rosto muito inchado, febre alta e, dores Iancinantes. Parei para pemoitar numa rancharia, à beira da estrada, num lugar denominado Tabuleiro, hoje
  20. 20. Nova lbiá, lugar para mim 'totalmente desconhecido. Ali passe¡ à noite mais triste de minha trida: sem assistência, sem remédio, sem alimento, sem alívio e sem esperança de sobrevivência. Já não podia abrir os olhos nem mastigar qualquer alimento, devido ao estado de inchação do rosto e da cabeça, que era em demasia. Cheguei a pensar que_havia chegado ao fim de minha carreira, itaquele início de jornada. A noite foi muito fria, e o dia seguinte amanheceu coberto de neblina. Na minha angústia ore¡ a Deus assim: "Meu Deus, olha para mim, e tenha compaixü de miml Não posso fazer mais nada para sobreviver a esta crise tremenda em que me encontro, não tenho ninguém que me assista e possa cuidar de mim, só tu podes me socorrer e me curar. Não quero morrer antes de realizar alguma coisa par. . g ; ria do teu nome, e assim me entrego em tuas san» tas mãos, Senhor, lida de mim. "Finda a oração, passei por uma mador- na, vindo a despe ar pela presença de um senhor quepvindo daquelas cercanias, parou esluriç-fato, vendo-me naquela situação, deitado numa ru» de cama da rancha a, incapacitaclo de me reerguer sozinhohPrimeiro tocou-me, depois de, me a mão e me fez assentar. Procurou conversar comigo, fazendo-me várias perguntas. Mal pude responder algumas. Como- vido, retira-se aquele personagem, para mim totalmente desconhecido. Já era o começo da providência de Deus, que sempre age através de cam¡- nhos altamente diferentes dos nossos caminhos. A Biblia diz que "a oração da fé salvará o doente" , Tiago 5:15), e. eu havia orado com muita fé e pas- sei a depender exclusivamente de Deus, conforme sua palavra: "Entrega o teu caminho ao Seenhor; confia nele, e ele agirá" (Sal. 37:5). Aquele se- nhorque me apareceu ao amanhecer do dia, voltou, com muitaresolução e amabilidade, disposto a me levar para sua casa, sem que eu nada lhe houvesse pedido. Toma-une pelamão, monta-me no seu animal e o saí pu- xando a pé; passa por uma grande pastagem, atravessa um rio, sobe uma ladeira e chega à sua casa. Naquela situação, eu pude ver aimagem perfei- ta do "bom samaritano" a pé, puxando aquele cavalo, conduzindo uma vitima indefesa. A dona da mais rudimenta vontade, preparou seu estranho hósped . u tomar um banho ' medicamento e phllãi por cima do lenço' até que o suor se pouco não morri. seguinte, já se resp foram desapare ^ graças a Deus por rita família. A c mes dos hospede e até a religião orientada c iluminada por Deus, usando os recursos ieclicina caseira, mas, cheia de amor e muito boa v que (estava ao seu alcance, para receber e cuidar do chegar, eles tiraram-me do animal, levando-me água luastante quente; deram-me uma boa dose de . . me numa cama; sobre mim puseram um lençol, e 'n cobertor, outro cobertor, e mais outro cobertor, endesse por todos os poros. Trernendo suador. Por : :este sufoco passei o resto do dia e à noite. No dia um ambiente melhor. A febre baixou e os edemas le tairwnta. Comecei a falar, a alimentar-me e render di; em meu caminho tão nobre e benemé- altura do. acontecimentos já eram conhecidos os no ' tio ltospede, bem como a profissão, o estado civil fassavaiti. O chefe da familia era o senhor Vitor Araújo, sua esposa, dona Maria Bandeira Araújo, tinham três filhos, sendo duas meninas e um menino. A menina mais velha chamava-se Onilha e tal- vez contasse 13 anos de idade. Familia de tradições católicas, sendo dona Maria sobrinha do çonhecidissimo Padre Badarol. Houve uma nota muito importante e providencial que teve lugar no começo desta ocorrência. O senhor Vitor e dona Maria, depois de me haverem aplicado o banho acima referido, abriram meu alforje de viagem, para pegar roupa, vestir-me, eti- veram a indizfvel surpresa de encontrar a Bíblia e o Cantor Cristão. Eles sempre haviam ouvido falar na Biblia, mas nunca a tinham visto, e quando resolveram receber-me em sua casa e cuidar de mim, não sabiam que eu era crente. Dai' a curiosidade de toda a familia e o desejo que nutria pelo meu restabelecimento, para o inicio de conversações, o que não demorou "acontecer. No segundo dia, na hora do almoço, eles, com muita amabili- dade, procuraram saber pormenorizadamente da minha procedência, como se chamavam meus pais, qual o meu destino, qual a minha profissão e qual a religião que eu professava. Quando lhes disse que era crente, mem- bro de uma igreja batista, ainda mais atenção demonstraram para comigo. Disseram-me que eram católicos romanos mas, independentes de qualquer hostilidade, e muito se alegraram em ter-me em sua casa. E passaram a inquirir-me sobre 'os livros que encontraram na minha bagagem, particular- mente sobre a Biblia. Nesse interim, senti um impacto maravilhoso. Vi ensejar-me a oportunidade de começar a pagar o que eles fizeram por mim no plano temporal e material, com aquelas moedas de ouro, quais libras esterlinas, que a Palavra de Deus nos proporciona. A cada pergunta que os familiares me faziam, eu respondia com muito afeto e carinho. Em reuniões prolongadas e sucessivas falamos sobre o que era a Biblia, quem a escreveu, quem a inspirou, quando e como foi escri- ta, como chegou até nós, o que ela significa para o crente, como e por que a amamos e procuramos divulgá-la, pelo fato de ela testificar de Jesus, o nosso amado Salvador. " . _ Dal por diante, passou a ser a Biblia o tema fundamental das nossas conversações. Líamos a Biblia juntos, orávamos e cantávamos hinos e co› rinhos. Depois de restabelecida, faltou-me coragem de despedir-me logo de tão generosas e amáveis pessoas, continuando a viagem interrompida pela doença; fiquei com eles uns 4 meses, como demonstração de amore prova de gratidão pelos benefícios que me fizeram. Não sendo possivel pagar com dinheiro, porque dinheiro não paga favores, resolvi retribuir com outros gestos semelhantes, dispensando-lhes favores através do meu trabalho, meu tempo, meu amor e minha palavra de orientação espiritual. Só sai dali depois de vê-Ios eyangelízados, decididos e ambientados no meio evangélico.
  21. 21. BUSCAS E INDAGAÇÓES Depois daquela parada forçada em Nova Ibiá, despedindo-me daquela maravilhosa familia que Deus pôs no meu caminho, rümei para o sul, via Tesouras e Boa União, onde encontrei um colega de infância e escola pri- mária, Manoel Santana, vulgo Neco, que me foi sempre útil, tanto ele oo- mo seus pais, Vicente e _Joana Santana, e seus irmãos, muito queridos ao meu coração. Passando com eles umas duas ou três semanas, prossegui viagem, e o Neco me fez companhia. Chegando a Barra do Rocha, desce- mos pela margem esquerda do río de Contas, até a Cachoeira do Funil, onde tomamos uma canoa e navegamos a Piraúna. Ar atravessamos o rio e entramos no sul de Ilhéus, ou mesmo sul da Bahia, onde grandes e im- portantes experiências nos aguardavam. ' _Na altura do Banco Central, sentindo que dispúnhamos de pouco di- nheiro para prosseguir viagem, ainda mais por sentir desejo de conhecer melhor aquela região, paramos e fizemos uma empreita de roçar uma área plantada de cacau na fazenda de um senhor por nome Romualdo. AI¡ nos detivemos por mais de duas semanas. Num daqueles domingos, saimos pra conhecer um comércio denomi- nado Feirinha, e tomar informações sobre uma pessoa que procurávamos naquelas cercanias do Banco Central. Tratava-se de um irmão de meu pai, portanto, meu tio, que há uns 25 anos atrás, com a morte dos meus avós paternos, abandonou os demais familiares na região da Estrada de Ferro de Nazaré e debandcu para aquelas plagas sulinas, em busca de aventuras. Quando seu pai estava para morrer, fez-lhe doação de uma imagem de São José, por coincidência era José o nome do pai e do filho. Quando partiu para o sul, não podendo levar aquela imagem, deixou-a na casa de sua irmã Madalena e do seu cunhado, Pedro Francisco dos Santos. Depois da partida desse tio, houve aquela revolução espiritual que culminou com a conversão. de toda a família (irmãos e cunhados), que de uma hora para outra abandonaram a igreja Católica Romana. com a açh dinâmica do Espírito Santo naquelas vidas, os idolos foram desfeitos, pois não restou lugar para eles. Uns foram quebrados, outros lançados fora,
  22. 22. mu't f o ' q . . , _ nois oram atirados nas chamas, e por serem objetos imprestaveis, de ? um ; papelr de Papelão, pareceram, provando que não valiam nada O : É 'à d° me" U0: Pelo fato de pertencer a um innão ausente, foi pou- p _ o as chamas e enclausurado no fundo de um baú. Logo depois meu; Dans mudaram-se para o' interior do municipio de Jaguaquara e meus tios para Jequié. Veio a famosa enchente de 1914, e Jequié 'foi submersa pe- naass aággtfã; gaâãñtàlézs: 'ig meudtio 'foi arrastado com o baú e desapareceu Era uma vez um Sã, J sérílês ° "'° C°f| t3$. para nunca mais ser achado. saber que os seus it: g empos depois daquela catastrofe, o tio veio a haviam sido destruidrofos e cunhadas tomaram* crentes' que os 'dom do nas águas olulda ã qu? o seu adorado 55° José degpamfera' 31h93' tismo religios: vom: g ng Contas. impulsionado pela ignorancia, fana- “a pelo resto áa vida a an ono e desprezo total a todos de. sua fami- viar mórrido Essa noélecomo represalia, fez espalhar uma _notícia que ha- carente de provas Se ma naoponvenc? " . a t°d°5 95 seus ". "“°3' 9°' 5°' reddo na su' da Éahjnbre ouvi meu pai dizer que tinha um irmão desapa- “do não se devia ma? que 50953' de muitos pçnsarem que ele havia mor- rA razão da mãfáaegngiêeãgãrança ge um dia ser encontrado. . e e as uscas u ' . guei ao sul da Bahia em 1933, fundamenta-se gastaiãmçããggêsqàjapggcâhã. São de meu pai. Meu desejo era encontrar o tio José conhecê-Io E falar-lhe slfafzgglíaescglsm- ? Wii que ? U nao soubesse do seu grau de catolicidade, , o ódio que nutria pelos seus irmãos e cunhados me' Pgprãeclllaãafãosiesaãhiãx dmICUltFVam a descoberta era o problema do no- de José Baüsta dos Sanz; 3799 m? Batista_ dos Santos, eu estava à procura era José Teodoro Batista l : lamas podem descobrl-'o' pas o-Seu mma seu Zé Teodoro Pela ló " e o os naquelaredonqeza e wnhecmm como muitas vezes até-o im 0533:¡ MOSS: aventura estaria fracassada. Il/ las como guhnento' P acqn ece, é o que vamos ver no próximo se_ Ainda muito cedo do dia saimos eu e o N - am, - d . _r _ _Beth embusca das pistas mBrÊlaaBaSCOECÊÊÊaVTrLWfiO lugar denominado Feirinha. visitamos casas co- , os com pessoas de vasto conhecimento naquela região almo - - . , . _ _ r e se *flws "Umã Pensão de muito movimento, depois deixamos Feirinha 9 imos em direção de Cerqueira do EspinhoeÀ ua-Pret (u . Pelas fazendas por onde passávamos pedindo informagões tlnillia ruçuca). Lespcgsta: "Nunca ouvimos falar que morasse por aqui algum JoÉÊWiaÊÍÊÊ os a t . " A ' * ' . _ ¡a dENPHÃEdO_ 59m' "a° V'5'“mb'áV3m°5 esperanca, e enquanto isso o dia A" Pelas quatro e meia da tarde mais fazend d . r °U mems. Dassâvamos por uma coIina. aA ÍsÍÍÍÊÃLpIÂÊQ/ Àug: : multa aprazível' sede 'OEPhZaVa-se “uma elevado de secar e beneficiar re a cas)a residencial e urna barçaça" (lugar rão. Viajando-se a cavalo o cacau ' Um pouco abalm' coma um ribei' savam por uma pinguem- Pãsâava-se por dentro dágua, e_ os pedestres pas. um senhor que vmha a l "'35 ¡Prpximarmos do ribeirão, avistamos 3V¡ °r em dire-Ç” °P0sta à nossa, muito bem na trajado, com roupa engomada, calçava botas pretas e bem Iustrosas, mon- tava um cavalo gordoe bem ajaezado, com equipamento de primeira cate- goria, vestia umi terno de linho cor de cinza, levemente Iistradoe camisa 'com destaque, sem gravata, e usava um vistoso chapéu "Stetson Manguei- ra", muito em moda naquela época, na região. Quando começamos a pas- sar a pinguela, ele começou a passar o ribeirão. Olhamos para ele, e ele olhou para nós. Saudamo-nos, com um cordial boa-tarde. Fitei-o com bas- ' tante atenção e o meu coração pulsou de um modo diferente. Vi nele o retrato de meu pai. Senti uma vibração extranha e uma sensação de alegria dificil de descrever. Parei para vê-Io subir a colina e notei que deu rédea ao animal em direção da sede da fazenda. O Neco, virando-se para mim com alguma surpresa, interroga-me: "O que é que você está pensando, ra- paz, que parou assim depois que aquele senhor passou por nós? " Aquele senhor é o meu tio que estamos à procura, disse-lhe eu. Vamos à casa on- de ele parou, pois eu sinto que é ele mesmo. Partimos para lá e o encon- tramos acabando de tirar os arreios do animal e raspar-lhe olombo. Aproximei-me do senhor com outro boa-tarde, pedindo-lhe com mu¡- ta cordialidade que me concedesse uma palavra à parte. Procurei saber do seu nome e algo de sua terra natal, ao que me respondeu chamar-se José Teodoro Batista e ser da região da Estrada de Ferro de Nazaré, eque há muitos anos havia se separado dos demais parentes, sem nada saber do pa- radeiro dos seus irmãos. Perguntei-lhe se por acaso lembravase de ter um irmão chamado Marcelino, apelidado de Done, ao que respondeu favora- velmente, acrescentando: "Mas ele já deve ter morrido, pois muito tempo já se passou depois que parti. " Então lhe respondi: "Aqui está um filho dele. Chamo-me lsalas Batista dos Santos. Logo, o senhor é o meu tio, que eu tanto desejava conhecer e com diligência o procurava. " Então chegou-se para mim e me abraçou com espanto e temura. Autorizou-me a entrar em casa, com o meu companheiro, apresentou-me como sobrinho là sua esposa e aos filhos, mandou servir o jantar, e a seguir, ainda assen- tamos à mesa, passamos a conversar sobre as ocorrências da familia, atra- ves dos anos. Terminadas as informações, ele assim se expressou: "Eu te 'recebo em minha casa com muita alegria, porém a meus irmãos e cunha- dos eu não desejo encontrar, nem os quero ver, porque são uns excomun- gados. Deixaram a igreja Católica, quebraram e queimaram os santos, até o meu querido São José, que herdei de meu pai, foi jogado no rio de Con- tas. Para mim, eles todos morreram. " Informe¡-lhe que eu e meus irmãos éramos crentes também, ao que me respondeu dizendo que eu sendo fí- Iho de Done nada tinha a ver com briga de familia, e que eu não havia renegado a minha Igreja, ou a religião de meus pais, como fez o seu irmão, e diante disso se eu quisesse ficar morando com ele as portas estavam aber- tas e que me ajudaria a montar uma casa de negócio ou adquirir uma pe- quena fazenda, contanto que eu me comprometesse a não me misturar com os crentes daquela região nem implicar com os seus santos. Dispensei todas as franquias, pois não estava nas nossas cogitações permanecer ali mais do que três meses. ' às
  23. 23. com CRISTO e ceu Cumprindo o programa traçado e o tempo que devia passar na casa do meu tio José, em Banco Central, parti para a próspera cidade de Ita- buna, onde experiências novas e diferentes me aguardavam, e Deus ia fa- lar ao meu coração. Chegando ali fui diretamente ao encontro de um cren- te por nome Conrado Matos, empreiteiro de obras públicas, em calçamen- to de paralelepipedos na cidade, e de pedras irregulares nas estradas mu- nicipais. Com ele passei a trabalhar. Logo me adaptei com a nova profis- são, e aprendi a fazer tudo naquele setor: cavoucar, quebrar pedras com o uso de dinamite, cortar pedras, assentar pedras, reajustar pedras, etc. Tu- do ía maravilhosamente bem para mim, tanto na vida material como na espiritual. Encontrei na Primeira Igreja Batista de Itabuna um clima pro- picio para o cultivo da vida cristã. Todas as organizações da igreja fun- cionavam na dinâmica do amor. O Pastor Antônio Deraldo da Silva, que modelo de pastor! Operoso, solicito, amigo da juventude, visitador e con- selheiro, era um verdadeiro técnico no preparo da igreja e dos jovens para 'o serviço do Senhor. Tinha ele um excelente coadjutor na pessoa do Pr. Alberto Sales do Nascimento, que exercendo função secular naquela cidade, não dependia de sustento da igreja. Obreíro de vasta cultura, gran- de pregador, magnifíco professor, líder inconteste. O ambiente eclesiásti- co era de tanto entusiasmo, harmonia e gozo espiritual que num curto pe- riodo muitos jovens sentiram-se vocacionados e aceitaram o desafio, dei- xando tudo de lado e partindo para os colégios e seminários, em busca de preparo para o desempenho do santo ministério. Podemos citar vários obreiros, fruto daquele maravilhoso trabalho, ho- je espalhados poi' diversos Estados do Brasil, realizando grandes e impor- tantes tarefasgManoel Batista, Enoque Medrado, Natanael Medrado, Isaias Batista dos Santos, Davi Malta do Nascimento, Jaime Pereira da Sivla e Antônio Abilio de Carvalho, todos bem entrosados na obra denominacional. Lembro-me com saudade dos leigos de atuação importante na vida e no progresso da igreja; crentes que falavam de Cristo com todo ardor e davam testemunho de sua fé com exuberância de argumento, bons prega- 45
  24. 24. dores e excelentes professores da Escola Biblica Dominical. Destacamos alguns, que jamais saíram de nossa memória: Manoel Cândido, Jeremias Ce- lestino, Argemiro Borne Marinho, Daniel Silva, Conrado Matos, Sinfrônio Souza, Leonidio Assis, José Bittencourt e dona Edite Sales do Nascimen- to. Com estes ilustres servos de Deus eu aprendi a expressão - "Vai tudo às mil maravilhas" ~ que intercalei na minha linguagem. . Estava eu vivendo, até então, os meus melhores dias, huma das cida- des des mais prósperas da Bahia, começando a ganhar relativamente bem, cultivando com amor e ardor os preceitos da vida cristã, crescendo no conceito da liderança da igreja, desempenhando cargos nas organizações, cantando no conjunto coral, tomando parte em encenações, já pensando em casamento, pois cheguei a noivar com uma bonita garota, membro da igreja. Aconteceu, porém, que de um momento para outro eu vi tudo isso que me havia custado tanto, desmoronar-se, como num conto de fada. Fui acometido de uma doença infecto-contagiosa, epidêmica, a febre tifóide. Como não havia naquele tempo e lugar hospital apropriado para o tratamento especifico das vitimas dessa doença, permaneci na casa do ir- mão Conrado, meu companheiro de oficio e meu patrão. Sua esposa, do- na Pércides Silva, com a nobreza de coração que lhe era peculiar, e com imensurável amor cristão, cuidou de mim, como cuidaria de um filho que- rido, não deixando me. fa| tar nada que estivesse ao seu alcance. Meu médi- co, abaixo de Deus, foi o Dr. Caetano, e os meus enfermeiros solícitos fo ram os irmãos Conrado Matos e dona Pércides, sua esposa. Estive às portas da morte. Cheguei a agonizar, fora dos meus senti-f dos, por vários dias. Esses irmãos, porém, movidos pelo amor de Cristo epe Io espirito de solidariedade humana, tomavam-me pela mão, davam-me os banhos requeridos, apIicavam-me os medicamentos e as injeções nasho- ras certas, providenciavam os alimentos necessários e velavam ao meu lado nas horas Iúgubres. Não me desprezaram nem me repeliram quando estive mal-cheiroso, insolente, grosseiro até, nos momentos da maior intensidade da febre que me levava ao delirio. Antes se compadeceram de mim, toIerando-me, confortando-me e me ajudando, até que eu chegasse ao completo restabelecimento, o que não aconteceu antes de três meses. Naqueles dias de sofrimentos e provações, Jesus Cristo me assistiu e me confortou maravilhosamente. Nunca deixou de falar ao meu jovem co- ração. Ali encontrei tempo para pensar e refletir sobre o seu insondável amor, e assim procurei entender aquela linguagem com que me estava fa- lando, mesmo transido de dor. às vezes chorando, sentiago calor da sua presença. Cheguei a ouvir a sua doce e terna voz dizendo-me: "Não temas, porque eu estou contigo. Não te assuste, porque eu sou o teu Deus. " No periodo de convalecência e recuperação, fui levado para a fazenda de uns crentes, e nas horas de calor procurava uma árvore frondosa, às margens de um ribeirão, com o corpo esquelético e torturado, com uma furunculo~ se inpertinente; lia a minha Biblia, orava, sentia o toque de Jesus, às vezes, cantava algumas estrofes dos hinos prediletos, quase sempre parava de cantar, dominado por viva emoção, que me levava às lágrimas. Um dos hiv 46 nos que tocavam meu coração, fazendo-me verter lágrimas, era o de núme- ro 490 do Cantor Cristão. Com Cristo é Céu. Depois que Cristo me Salvou, Em céu o mundo se tornou; ' Até no meio do sofrer E céu a Cristo Conhecer , ' Pra mim mu¡ longe estava o céu, [Mas, quando Cristo me valeu, Feliz, senti meu coração Entrar no céu da retidão. Bem pouco importa eu ir morar Em alto monte, à beira-mar, Em casa ou gruta, boa ou ruim, . Com Cristo ai é céu pra mim. Estribilho: Oh! Aleluia! Sim, é céu Fruir perdao que concedeu! Em terra ou mar, seja onde for, , É céu andar com o Senhor. O texto bíblico que mais me ajudou a vencer aquela batalha foi pre- cisamente Josué 1:9, onde diz: "Não te atemorizes, nem te espantes; por- queo-Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares. " Terminada a tempestade, voltei ao trabalho, ainda fraco de corpo e quebrantado de espirito. Fui trabalhar para pagar as dividas contraídas durante a doença, com os médicos e as farmácias, e também para pôr a minha vida em ordem. Retorne¡ às atividades da igreja, procurando paten- tear a minha gratidão a Deus e aos queridos irmãos, que tanto fizeram por mim nos dias tormentosos. Fo¡ nesta nova'fase de minha peregrinação, dentro desta luta quando novamente começava a preparar-me para enfrentar o casamento, que ouvi a penetrante e inconfundível voz do meu Senhor: "A quem enviarei, e quem irá por nós? " E eu então respondi, prontamente, como fez Isaias: "Eis-me aqui, envia-me a mim" (Is. 6:8). Para tanto, tivede renunciar em- prego e noivado, e encarando a realidade daquele momento decisivo, co- meçar tudo d e novo, sob a égide do Espirito Santo. Aquilo que meu pa¡ ignorantemente' interrompeu, e eu mesmo mais tarde tentei evitar, agora vai ser o solene-desafio, nada mais há que temer, quem me arrancou das en- tranhas da morte é quem me envia, e o seu querer é a lei. Comecei os meus estudos no Colégio Taylor Egidio, em Jaguaquara, oito anos depois que perdi a primeira e grande oportunidade. Agora tudo havia mudado, e o sacrifício vai ser maior. No entanto, as experiências são também maiores, e a chamada mais definida e provada-Depois fui para o Colégio Americano Batista, a seguir para o Seminário Teológico Batista 47
  25. 25. do Norte do Brasil, Recife onde adquiri o preparo indispendável para o exercicio do Ministério da PaIavra. _No dia_ 3 de abril, de 1940, fui ordenado '"'"_'ST"° de JGSUS CHSÍO. na_lgreja Batista de Ponte de Parada, naquela capital, por um douto concilio, composto dos seguintes obreiros: Dr. Or- ã-Jndo Rego FaIcao, _ Coriolano Costa Duclerc, José Domingos de Figueire- o, Fernando _Benvindo da Fgnceca, José Benedito Lira, Natanael Barbo- sa Medrado, Silas Alves Falcao (orador), Oséias Dias de Souza, Antônio Felix de Oliveira, Rubens Carneiro Leão, José Ferreira Neves e Severino Cardoso. FERIAS MEMORÁVEIS Concluído o curso dado pelo Colégio Taylor Egidio, a Igreja Batista de Jaguaquara recomendou-me para o Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil e o Pr. Elias Pereira Ramalho entrou em contato com a Missão Batista para arranjar-me uma bolsa de estudos. Chega o fim do ano letivo, encerram-se as atividades colegiais, com a tradicional festa de formatura, a seguir despedem-se professores e alunos, até o inicio das aulas do próximo ano. Eu precisava ganhar alguns trocados, para fazer frente às despesas inadiáveis do dia-a-dia de quem devia preparar-se para enfrentar a ida para o seminário no ano seguinte. Resolvi tomar a minha mala e partir pa- ra Itabuna, onde tinha condição de ganhar um pouco de dinheiro durante os três meses de férias, e reoeber um resto de contas atrasadas que umas pessoas me deviam ali. Até então, nunca havia recebido remuneração, ou mesmo gratificação, por serviços prestados às igrejas e congregações, mes- mo como aspirante ao ministério. Passando pela cidade de Pirangi, hoje Itajuípe, onde pernoitaria para no dia seguinte seguir de 'trem para Itabuna, lembrei-me de visitar o Pr. Sa- turnino Pereira, 'e este, ao tomar conhecimento que eu havia concluido o curso naquele ano, mostrou-se muito satisfeito e convidou-me para pregar aquela noite na sua igreja, no culto de evangelismo de quinta-feira, 'e hospedar-me em sua casa. Aceitando o seu convite, entreguei a mensagem. Voltando do culto, enquanto dona Benvinda, sua esposa, preparava e nos servia um gostoso cafezinho, entretivemo-nos numa palestra informativa sobre as novidades do Taylor' Egidio e também sobre minha possivel ida para o seminário no ano seguinte. Lá pelas tantas, perguntou-me sobre o que eu estava disposto a fazer naquelas férias, até o começo do mês de março. Em resposta, disse-lhe que estava indo trabalhar numa firma em Itabuna, visto não haver sido convidado para trabalhar numa igreja que tivesse condição e disposição de me ajudar nos meus estudos, e particular- mente para a minha ida a Recife no próximo ano. 49

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