A sabedoria do Mendigo    Serapião era um velho mendigo que perambulava pelas ruas dacidade. Ao seu lado, o fiel escudeiro...
 Serapião não pedia dinheiro.Aceitava sempre um pão, uma banana, um pedaço de bolo ou umalmoço feito com sobras de comida ...
   Quando suas roupas estavamimprestáveis, logo era socorrido por alguma alma caridosa.Mudava a apresentação e era alvo de...
    Não bebia bebida alcoólica, estava sempre tranqüilo, mesmoquando não havia recebido nem um pouco de comida. Diziasempr...
    Tudo que ganhava, dava primeiro para o malhado, que, paciente,comia e ficava a esperar por mais um pouco.Não tinham on...
    Aquela figura me deixava sempre pensativo, pois eu não entendiaaquela vida vegetativa, sem progresso, sem esperança e ...
    Certo dia, com a desculpa de lhe oferecer umas bananas fui baterum papo com o velho Serapião.Iniciei a conversa faland...
     Nossa amizade começou com um pedaço de pão. Ele parecia estarfaminto e eu lhe ofereci um pouco do meu almoço; e eleag...
     Curioso perguntei:- Como vocês se ajudam?Ele me vigia quando estou dormindo; ninguém pode chegar pertoque ele late e ...
     Continuando a conversa, perguntei:Serapião, você tem algum desejo na vida?Sim, respondeu ele - tenho vontade de comer...
     Saí e comprei um cachorro quente para o mendigo. Voltei e lheentreguei. Ele arregalou os olhos, deu um sorriso, agrad...
     Não entendi aquele gesto do mendigo, pois imaginava ser asalsicha o melhor pedaço.Não me contive e perguntei, intriga...
    Ele com a boca cheia respondeu:Para o melhor amigo, o melhor pedaço!E continuou comendo, alegre e satisfeito.
     Despedi-me do Serapião, passei a mão na cabeça do Malhado esai pensando.Aprendi como é bom ter amigos. Pessoas em que...
Jamais esquecerei a sabedoria daquele eremita:"PARA O MELHOR AMIGO O MELHOR PEDAÇO" (Autoria: Innocêncio de Jesus Viégas)F...
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A sabedoria do mendigo (1)

  1. 1. A sabedoria do Mendigo    Serapião era um velho mendigo que perambulava pelas ruas dacidade. Ao seu lado, o fiel escudeiro, um vira-lata que atendia pelonome de Malhado.
  2. 2.  Serapião não pedia dinheiro.Aceitava sempre um pão, uma banana, um pedaço de bolo ou umalmoço feito com sobras de comida dos mais abastados.
  3. 3.    Quando suas roupas estavamimprestáveis, logo era socorrido por alguma alma caridosa.Mudava a apresentação e era alvo de brincadeiras. Serapião eraconhecido como um homem bom, que perdera a razão, a família,os amigos e até a identidade.
  4. 4.     Não bebia bebida alcoólica, estava sempre tranqüilo, mesmoquando não havia recebido nem um pouco de comida. Diziasempre que Deus lhe daria um pouco na hora certa e, sempre nahora que Deus determinava, alguém lhe estendia uma porção dealimentos.Serapião agradecia com reverência e rogava a Deus pela pessoaque o ajudava.
  5. 5.     Tudo que ganhava, dava primeiro para o malhado, que, paciente,comia e ficava a esperar por mais um pouco.Não tinham onde dormir; onde anoiteciam, lá dormiam. Quandochovia, procuravam abrigo embaixo da ponte e, ali o mendigoficava a meditar, com um olhar perdido no horizonte.
  6. 6.     Aquela figura me deixava sempre pensativo, pois eu não entendiaaquela vida vegetativa, sem progresso, sem esperança e sem umfuturo promissor.
  7. 7.     Certo dia, com a desculpa de lhe oferecer umas bananas fui baterum papo com o velho Serapião.Iniciei a conversa falando do Malhado, perguntei pela idade dele,o que Serapião, não sabia. Dizia não ter idéia, pois se encontraramum certo diaquando ambos andavam pelas ruas e falou:
  8. 8.      Nossa amizade começou com um pedaço de pão. Ele parecia estarfaminto e eu lhe ofereci um pouco do meu almoço; e eleagradeceu, abanando o rabo. Daí, não me largou mais.Ele me ajuda muito e eu retribuo essa ajuda sempre que posso.
  9. 9.      Curioso perguntei:- Como vocês se ajudam?Ele me vigia quando estou dormindo; ninguém pode chegar pertoque ele late e ataca. Também quando ele dorme, eu fico vigiandopara que outro cachorro não o incomode.
  10. 10.      Continuando a conversa, perguntei:Serapião, você tem algum desejo na vida?Sim, respondeu ele - tenho vontade de comer um cachorroquente, daqueles que a Zezé vende ali na esquina.- Só isso? Indaguei.É, no momento é só isso que eu desejo.Pois bem, vou satisfazer agora esse grande desejo.
  11. 11.      Saí e comprei um cachorro quente para o mendigo. Voltei e lheentreguei. Ele arregalou os olhos, deu um sorriso, agradeceu adádiva e em seguida tirou a salsicha, deu para o Malhado, ecomeu o pão com os temperos.
  12. 12.      Não entendi aquele gesto do mendigo, pois imaginava ser asalsicha o melhor pedaço.Não me contive e perguntei, intrigado:Por que você deu para ao Malhado, logo a salsicha?
  13. 13.     Ele com a boca cheia respondeu:Para o melhor amigo, o melhor pedaço!E continuou comendo, alegre e satisfeito.
  14. 14.      Despedi-me do Serapião, passei a mão na cabeça do Malhado esai pensando.Aprendi como é bom ter amigos. Pessoas em que possamosconfiar.Por outro lado, é bom ser amigo de alguém e ter a satisfação deser reconhecido como tal.
  15. 15. Jamais esquecerei a sabedoria daquele eremita:"PARA O MELHOR AMIGO O MELHOR PEDAÇO" (Autoria: Innocêncio de Jesus Viégas)Formatação – machadofilho@globo.com

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