Origem da humanidade

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Origem da humanidade

  1. 1. Origem da Humanidade e sua conquista do mundo Professor José Knust
  2. 2. Pré-História? Normalmente o estudo do início da trajetória humana ao longo do tempo é chamado de “Pré-História”. Mas por que Pré-História? O termo foi inventado por historiadores que acreditavam que uma verdadeira história só podia ser feita a partir de fontes escritas. Tudo que vinha antes da invenção da escrita era considerado Pré-História. Hoje sabemos que é possível estudar a história de um povo mesmo que ele não tenha escrita. O termo “Pré-História”, contudo, se manteve por causa da tradição de assim designar o campo de estudos desses povos. Estudamos em Pré-História desde o surgimento dos humanos até o desenvolvimento de grandes sociedades complexas.
  3. 3. Quem somos? O que nos faz ser seres humanos?
  4. 4. O que é ser humano? Respostas de uma reportagem da Revista LiveScience: o que nos faz humanos? Vida depois dos filhos Enquanto que, na maioria das espécies, as fêmeas se reproduzem durante toda vida até a morte, as mulheres vivem muito depois que param de gerar filhos. Alguns cientistas creditam isso à importância dos laços sociais e afetivos na educação da prole. A longa infância Humanos permanecem crianças e dependentes da guarda dos pais por muito mais tempo que os outros primatas. Para evolucionistas, isso poderia parecer uma desvantagem, mas a resposta pode ser o tempo que o nosso cérebro, por possuir um grande potencial de desenvolvimento, necessita para crescer - e aprender. Enrubescer Até onde sabemos, os humanos são os únicos a ficar vermelhos de vergonha, comportamento que Darwin já considerava "a mais peculiar e mais humana de todas as expressões". Não se sabe ainda ao certo por que enrubescemos, mas cogita-se que essa habilidade de mostrar sentimentos à revelia de nossa vontade nos ajudaria a sermos honestos e a convivermos em grupo. Fogo A habilidade de controlar o fogo deve ter dado aos nossos ancestrais a chance de iluminar a noite e, com ela, de mover-se na escuridão e ainda de afugentar predadores noturnos. Além disso, o calor das chamas - que ajuda a aguentar baixas temperaturas - nos permite cozinhar, ou seja, preparar alimentos que, aquecidos, são de mais fácil digestão. Quais características nos distinguem dos outros seres vivos e nos tornam singulares?
  5. 5. O que é ser humano? Respostas de uma reportagem da Revista LiveScience: o que nos faz humanos? A fala Nos humanos, a laringe (ou caixa vocálica) localiza-se mais abaixo que em outros primatas, configurando um dentre inúmeros fatos que possibilitaram o desenvolvimento da fala. Nossos ancestrais desenvolveram a laringe há aproximadamente 350 mil anos. Deles, também herdamos o osso hioide (em forma de ferradura, localizado abaixo de nossa língua e único por não ser ligado a outros ossos do corpo) que nos permite articular palavras quando falamos. Mãos Humanos não são os únicos animais que possuem polegares opositores (a maioria dos primatas os possuem, e, além disso, muitos macacos têm polegares opositores nos pés). Singularmente humana é, sim, a agilidade do nosso polegar para se mexer pela mão e alcançar todos os outros dedos, o que nos possibilita grande agilidade e precisão no manuseio de objetos. Pele nua Comparados aos nossos parentes primatas, parecemos impressionantemente nus. Mas, na verdade, quando medimos a presença de folículos capilares presentes por cm² em homens e macacos, descobre-se que a quantidade é praticamente a mesma. A diferença que é o pelo dos humanos é mais leve, fino, claro e curto. Quais características nos distinguem dos outros seres vivos e nos tornam singulares? A vestimenta Humanos podem ser chamados de "macacos nus", mas a grande maioria de nós, atualmente, usa roupas e outros utensílios - um fato absolutamente único no reino animal.
  6. 6. O que é ser humano? Respostas de uma reportagem da Revista LiveScience: o que nos faz humanos? A postura ereta Entre os primatas, os humanos são os únicos a andarem predominantemente com a coluna ereta, libertando nossas mãos para outras atividades. Infelizmente, as mudanças causadas em nossa pélvis pela postura ereta - ainda combinadas com o tamanho especialmente grande do crânio dos recém-nascidos - tornam o nascimento de humanos mais perigoso que o de outros animais. Há cem anos, os partos eram uma das principais causas de morte entre as mulheres. A curva lombar nas nossas costas - que nos ajuda a andar e manter equilíbrio - também nos deixa vulneráveis para dores e lesões. Cérebros extraordinários Sem dúvida, a idiossincrasia que mais nos distingue do resto do reino animal é nosso cérebro. Nós não temos nem o maior cérebro (o maior deles pertence à baleia cachalote), nem temos o maior cérebro proporcionalmente ao nosso corpo (o cérebro pesa 2,5% do nosso total, enquanto que alguns pássaros têm cérebros responsáveis por até 8% do peso da massa corporal). Mas o cérebro humano, pesando aproximadamente 1,4 kg em adultos, nos dá a capacidade de raciocinar e pensar muito além dos outros animais, gerando legados como os de Mozart, Einstein e muitos outros gênios. Quais características nos distinguem dos outros seres vivos e nos tornam singulares? Como surgiram e se desenvolveram essas características? Nossa espécie, o Homo Sapiens, foi a única a possuir todas essas características? Você concorda com essa lista?O que mais você acrescentaria como características singulares do ser humano?
  7. 7. Os primeiros seres humanos O surgimento do gênero Homo Parte 1
  8. 8. De onde viemos? Os seres humanos surgiram a partir da evolução das espécies. Todas as espécies que deram origem à nossa espécie já estão extintas hoje. Conhecemos a existência de algumas delas graças à descoberta de fósseis e podemos ter algumas boas noções de como a evolução ocorreu a partir do estudo do Gênoma (informação hereditária codificada no DNA de todos os seres vivos).
  9. 9. A marcha da evoluçãoEquívocos na imagem de senso comum das origens dos seres humanos:  Evolução não é metamorfose! Uma espécie não se transforma em outra. Pequenas mutações que se acumulam ao longo de milhões de anos geram indivíduos que se diferenciam aos poucos dos seus antecessores (quando essas modificações os tornam melhor adaptados ao ambiente permitindo que eles sobrevivam mais e melhor).  Os humanos não vieram dos macacos! Humanos e Monos (Gorilas, Chimpanzés e Orangotangos) modernos têm um distante ancestral comum e pertencem à mesma Família taxinômica. Humanos não são descendentes de macacos, mas seus primos distantes.  A evolução não é linear! A evolução das espécies que gerou os seres humanos modernos não ocorreu de uma transformação direta de uma espécie em outra até chegar no Homo Sapiens. Mais do que uma linha, temos uma grande e intrincada árvore evolutiva. Onde estão as mulheres nas representações da evolução da espécie humana?
  10. 10. Essa imagem ao menos mostra que existem homens e mulheres no gênero humano. Mas por que essa insistência em mostrar um embranquecimento ao longo da evolução? Não existem Homo Sapiens negras e negros?
  11. 11. Classificação taxonômica dos Humanos Todas as espécies possuem uma classificação taxonômica, que indica grupos com os quais elas têm antepassados em comum. O seres humanos são do reino animal, o que indica termos algum antepassado longínquo em comum com todos os animais. Um antepassado comum menos longínquo, mas também bastante remoto, unifica todas as espécies do Filo dos Cordados (que inclui todos os vertebrados). Em seguida, menos remoto, mas também distante, um antepassado comum une todas as espécies da Classe dos Mamíferos. E por aí vai... Espécie Sapiens Gênero Homo Tribo Hominini Família Hominidae Parvordem Catarrhini Infraordem Antrhopoidea Subordem Haplorrhini Ordem Primates Classe Mammalia Filo Chordata Reino Animalia
  12. 12. Evolução dos Primatas Subordem Haplorrhini Parvordem Catarrhini Família Hominidae Os seres humanos pertencem à ordem dos Primatas, que inclui também Lêmures, Társios, Macacos, Orangotangos e Chimpanzés. Dentre os primatas, fazemos parte da Família Hominidae (Hominídeos), que inclui também Orangotangos, Gorilas, Chimpanzés e Bonobos. Dentre os Hominídeos, fazemos parte da tribo Hominini (Hominíneos), junto com os Chimpanzés (que são nossos “parentes” vivos mais próximos). Tribo Hominini
  13. 13. Subtribo Hominina Dentro da tribo dos Hominíneos existe a subtribo Hominina, que agrupa diversos gêneros que fazem parte da árvore evolutiva do ser humano. Os Ardipitécos possivelmente são descendentes do Orrorin Tugensis . Alguma espécie desse gênero deu origem aos Australopitécos. Diferentes espécies de Australopitécos deram origem aos gêneros Kenyantropo, Parantropo e Homo. O gênero Homo engloba diferentes espécies de humanos, das quais apenas nós, Homo Sapiens, restamos. Gênero Ardipithecus Gênero Australopithecus Gênero Paranthropus Gênero Homo
  14. 14. Comparação entre os esqueletos de espécies da família Hominina Australopithecus Paranthropus Homo Erectus Homo Heidelberguensis Homo Neanderthalensis Homo Sapiens
  15. 15. Os Humanos e Humanas O gênero Homo
  16. 16. Nossa espécie, o Homo Sapiens, é a única espécie de seres humanos existente hoje. Contudo, não é a única que existiu: fósseis de outras espécies têm sido encontrados, mostrando, inclusive, que nós convivemos com algumas delas por milênios.
  17. 17. Coexistência entre diferentes espécies de Humanos As diferentes espécies de Humanos que existiram ao longo do tempo não se sucederam linearmente como normalmente se imagina. Diferentes espécies conviveram entre si. A existência de uma única espécie de humanos é, na verdade, uma novidade recente. O Homo Sapiens conviveu com várias espécies diferentes de Humanos em diferentes regiões do globo:  Homo Erectus na Ásia  Homo Neanderthalensis na Europa.  Homo Floresiensis na Indonésia.  Denisovanos na Ásia. Existiu por cerca de um milhão de anos Existiu por pouco menos de um milhão de anos Existiu por pouco menos de dois milhões de anos Existiu por cerca de 750 mil anos Existiu por cerca de 150 mil anos Existimos há no máximo 200 mil anos
  18. 18. Essa árvore evolutiva do Homo Sapiens se baseia no que pudemos conhecer a partir dos fósseis e dos estudos genéticos até hoje. Existem, inclusive, algumas interpretações diferentes construídas a partir dessas mesmas informações. Sabemos, contudo, que a evolução das espécies humanas trilhou um caminho complexo, com o desenvolvimento de várias espécies distintas. O Homo Sapiens surgiu nesse processo. Vamos estudar algumas desses espécies de humanos que conhecemos melhor e que tiveram um papel muito importante em nossa história.
  19. 19. Homo Habilis e a fabricação de ferramentas É a espécie mais antiga de Humano conhecida (ainda que alguns arqueo- antropólogos o classifique ainda como um Australopitéco, por sua semelhança corporal com estes). Apesar de bípedes quando estavam no solo, o Homo Habilis ainda não era um “bípede obrigatório” Foram encontradas ferramentas rudimentares de pedra em vários sítios arqueológicos com fósseis de Homo Habilis. Existe algum debate se o Homo Habilis foi o primeiro a produzir ferramentas. Sabe-se que Australopitécos usavam pedras como ferramentas, mas não se eles as fabricavam ou se usavam pedras naturalmente lascadas. É a maneira mais antiga que se conhece de produção de ferramentas de pedra. Consiste no talhamento de uma pedra base, o núcleo, que gera lascas afiadas usadas como ferramentas de corte. Cultura Olduvaiense (Modo 1) Reconstrução facial de um fóssil de Homo Habilis Esquema explicativo da fabricação de ferramentas olduvaienses. Sítios arqueológicos com fósseis de Homo Habilis e provável área de dispersão da espécie. 2.5 milhões – 1.6 milhão de anos atrás
  20. 20. Cultura Acheulense (Modo 2) Homo Erectus: domesticação do fogo e primeira dispersão pelo mundo. O Homo Erectus é o ascendente direto do Homo Sapiens mais antigo que se conhece. Não se sabe se ele se originou a partir do Homo Habilis ou de alguma outra espécie próxima de Homo, conhecida ou não. Foram os primeiros humanos a sair da África e a se espalhar pela Ásia (suas pernas maiores e braços mais curtos que seus antepassados foram fundamentais para isso). Também foram os primeiros a dominar a produção do fogo.  A possibilidade de cozinhar alimentos era uma grande vantagem adaptativa: ajudava na conservação, matava micróbios e reduzia a energia gasta na digestão.  O fogo tinha outras funções: como iluminar a noite e afastar predadores. O Homo erectus usava ferramentas olduvaienses mas também desenvolveu uma nova e mais eficiente forma de produzir ferramentas de pedra. Ela consistia em lascar a pedra base nos dois lados a fim de gerar um instrumento biface (isto é, com corte em ambos os lados). Essa técnica mostra o desenvolvimento de uma maior capacidade de planejamento. Sítios arqueológicos com fósseis de Homo Erectus e provável área de dispersão da espécie. Reconstrução facial de um fóssil de Homo Erectus Esquema explicativo da fabricação de bifaces acheulenses. 1.9 milhão – 50 mil anos atrás
  21. 21. Homo Heidelberguensis: nossa última ancestral conhecida O Homo Heidelbergensis (também conhecido como Rhodesiensis) se desenvolveu a partir do ramo africano do Homo Erectus (mencionado também como Homo Ergaster). Essa espécie também surgiu na África e se dispersou pela Europa e talvez pela Ásia. A partir de grupos africanos, essa espécie deu origem ao Homo Sapiens, enquanto grupos europeus deram origem ao Homo Neanderthalensis. Existem algumas evidência de construção de habitações e objetos decorativos, mas são ainda frágeis demais para termos certeza. As evidências mais antigas da fabricação de lanças de madeira e ferramentas compostas estão associadas ao Homo Heidelberguensis. Sítios arqueológicos com fósseis de Homo Heidelberguensis e provável área de dispersão da espécie. Reconstrução facial de um fóssil de Homo Heidelberguensis Cultura Musteriense (Modo 3) O Homo heidelberguensis utilizava tanto as técnicas olduvaiense quanto acheulense, mas parece ter desenvolvido uma terceira e mais complexa técnica de produção de ferramentas. Essa técnica permitia a produção de ferramentas de formas mais variadas. 800 mil – 200 mil anos atrás
  22. 22. Homo Neanderthalensis: interação e competição? O Homo Neanderthalensis é a espécie mais conhecida quando se fala de outras espécies humanas além da nossa. As principais adaptações morfológicas dos Neandertais eram voltadas para a vida no frio extremo da última Era do Gelo. Os Neandertais foram grandes produtores da cultura Musteriense, desenvolvendo diversos tipos de ferramentas. Estima-se que os Neandertais usassem grandes quantidades de roupas de couro para enfrentar o frio. Não deveriam ser, contudo, roupas costuradas, apenas peles usadas como roupa. De toda forma, esses couros precisavam de processamento, como serem amaciados. Abrigos construídos com ossos de mamutes já foram identificados pelos arqueólogos. Comportamento social, como grupos familiares, ação coletiva na caça e sepultamentos também já foram identificados pelos arqueólogos. Sítios arqueológicos com fósseis de Homo Neanderthalensis e provável área de dispersão da espécie. Reconstrução facial de uma mulher Neandertal Neandertais e Homo Sapiens Neandertais e Humanos modernos conviveram pelos menos por 5 mil anos na Europa. Essa coexistência foi indicada por alguns estudiosos como a causa da extinção dos Neandertais, que não teriam sido capazes de concorrer pelos mesmos recursos com os Homo Sapiens. Por outro lado, alguns estudos genéticos recentes têm mostrado que parte da população Neandertal foi absorvida pelos humanos modernos europeus. 130 mil – 25 mil anos atrás
  23. 23. As últimas descobertas de Humanos arcaicos Homo Floresiensis (12 mil anos atrás) Diversos fósseis encontrados em uma caverna na ilha de Flores, Indonésia. Eram extremamente mais baixos que as espécies mais próximas – tinham apenas cerca de 1 metro de altura. Isso pode ser explicado pelo Nanismo Insular – tendência comum na Seleção Natural de espécies de tamanho reduzido em situações de isolamento e baixa oferta de alimentos. Seriam a última espécie humana não- moderna a ser extinta. Denisovanos (cerca de 250 a 40 mil anos atrás) Foram encontrados apenas um dente e a ponta de um dedo fossilizados, mas o excelente estado de conservação permitiu estudos genéticos. A partir destes percebeu-se que se tratava de uma espécie distinta de Humano, aparentada dos Neandertais. Também se descobriu que a população atual da Melanésia, Oceania, tem certo parentesco com essa outra espécie, mostrando alguma interação entre os Denisovanos e o Homo Sapiens. Nas últimas décadas foram descobertos alguns fósseis interpretados como espécies humanas recentes. Existe algum debate se eles são Homo Sapiens ou são espécies diferentes de Homo. Ilha de Flores, Indonésia Caverna de Denisova, Rússia Reconstrução facial de um fóssil de Homo Floresienses. Dente fossilizado encontrado na caverna de Denisova
  24. 24. Homo Sapiens: o surgimento das humanas e humanos modernos. A tese mais aceita sobre o surgimento do Homo Sapiens estabelece que a espécie surgiu na África a partir de grupos de Homo Heidelberguensis e depois se dispersou pelo mundo. Acredita-se hoje que ao menos em algum nível Homo Sapiens e outras espécies humanas tiveram relações sexuais e geraram prole fértil, pois alguns grupos populacionais do presente têm carga genética significativa dessas outras espécies (Neandertais na Europa e Denisovanos na Melanésia). Dentre as características anatômicas mais distintivas da nossa espécie em relação a outras espécies humanas temos o formato da caixa craniana, grande e alta, a retração da face, e a menor robustez do corpo e dos membros (somos mais longilíneos que a maioria das outras espécies humanas). 200 mil anos atrás até hoje O estudo de fósseis e da genética das populações permite a construção de modelos sobre as rotas e as épocas em que os seres humanos modernos saíram da África e se dispersaram pelo mundo. Deixando a África (onde conviviam com os últimos Heidelberguianos) pelo Oriente Médio, alguns grupos humanos foram se espalhando pela Ásia até chegar na Indonésia – encontrando nessa caminhada Denisovanos, Floresienses e os últimos Erectos – até chegar na Austrália. Ao mesmo tempo, começavam a chegar na Europa – onde encontraram os Neandertais. A dispersão do Homo Sapiens pelo mundo. O povoamento humano da América é um tema extremamente controverso, com várias teorias concorrentes. Vamos estuda-las em outra aula.
  25. 25. Apenas a biologia nos distingue das outras espécies? Para além de aspectos genéticos e morfológicos, os humanos modernos (Homo Sapiens) diferem dos humanos arcaicos (Homo Erectus, Floresiensis, Heidelberguiensis, Neanderthalensis e mesmo dos primeiros Homo Sapiens) em outros aspectos. Especialmente no que diz respeito às formas de pensar e de se organizar socialmente.
  26. 26. Ascensão da Cultura Humana A organização social do Homo Sapiens no Paleolítico Parte 2
  27. 27. A Revolução do Paleolítico Superior Como vimos, é possível identificar algumas práticas culturais desenvolvidas entre os Neandertais e os Heidelberguianos. Contudo, nada se compara às atividades que o Homo Sapiens começa a desenvolver entre 70 e 50 mil anos atrás. Esse momento de “explosão criativa”, quando o Homo Sapiens começa a produzir uma cultura material extremamente diversificada e elaborada, é conhecido como “Revolução do Paleolítico Superior”. Alguns estudiosos acreditam que uma modificação genética ocorrida nesse período permitiu um rápido desenvolvimento da capacidade cognitiva humana (“modelo neuronal”). Outros estudiosos, percebendo que o desenvolvimento dessa capacidade cognitiva foi lento e gradativo, defendem que houve na verdade um acúmulo e uma dispersão de conhecimento possibilitada pelo adensamento demográfico das populações de Homo Sapiens. Deve-se destacar que a “Revolução do Paleolítico Superior” coincide temporalmente com a expansão dos Homo Sapiens pelo mundo. É provável que esse desenvolvimento cognitivo tenha trazido vantagens para nossa espécie que permitiu a expansão e a “vitória” no contato com outras espécies de humanos. Novas e variadas formas de lascamento das pedras. Ossos e madeira passam a ser utilizados sistematicamente. Uso do fogo para preparar utensílios (primeiros vestígios de produção de cerâmica). Exploração de recursos marinhos (que necessitam tipos específicos de instrumentos, como arpões, anzóis e redes, além de embarcações). Diversificação dos instrumentos Pontas de arpão feitas de ossosUma das novas formas de produção de instrumentos de pedra
  28. 28. A Revolução do Paleolítico Superior Como vimos, é possível identificar algumas práticas culturais desenvolvidas entre os Neandertais e os Heidelberguianos. Contudo, nada se compara às atividades que o Homo Sapiens começa a desenvolver entre 70 e 50 mil anos atrás. Esse momento de “explosão criativa”, quando o Homo Sapiens começa a produzir uma cultura material extremamente diversificada e elaborada, é conhecido como “Revolução do Paleolítico Superior”. Alguns estudiosos acreditam que uma modificação genética ocorrida nesse período permitiu um rápido desenvolvimento da capacidade cognitiva humana (“modelo neuronal”). Outros estudiosos, percebendo que o desenvolvimento dessa capacidade cognitiva foi lento e gradativo, defendem que houve na verdade um acúmulo e uma dispersão de conhecimento possibilitada pelo adensamento demográfico das populações de Homo Sapiens. Deve-se destacar que a “Revolução do Paleolítico Superior” coincide temporalmente com a expansão dos Homo Sapiens pelo mundo. É provável que esse desenvolvimento cognitivo tenha trazidos vantagens para nossa espécie que permitiu a expansão e a “vitória” no contato com outras espécies de humanos. Sepultamentos ritualísticos Outras espécies de humanos e o próprio Homo Sapiens já realizavam sepultamentos. A partir do Paleolítico Superior, contudo, esses sepultamentos se tornaram cada vez mais elaborados, mostrando o desenvolvimento de ricos rituais no processo de enterrar os mortos. Sepultamento em Sungir, Rússia: Foto da escavação e representação. Acredita-se que as milhares de contas encontradas sobre o corpo enterrado formasse parte da roupa com que a pessoa foi sepultada.
  29. 29. A Revolução do Paleolítico Superior Como vimos, é possível identificar algumas práticas culturais desenvolvidas entre os Neandertais e os Heidelberguianos. Contudo, nada se compara às atividades que o Homo Sapiens começa a desenvolver entre 70 e 50 mil anos atrás. Esse momento de “explosão criativa”, quando o Homo Sapiens começa a produzir uma cultura material extremamente diversificada e elaborada, é conhecido como “Revolução do Paleolítico Superior”. Alguns estudiosos acreditam que uma modificação genética ocorrida nesse período permitiu um rápido desenvolvimento da capacidade cognitiva humana (“modelo neuronal”). Outros estudiosos, percebendo que o desenvolvimento dessa capacidade cognitiva foi lento e gradativo, defendem que houve na verdade um acúmulo e uma dispersão de conhecimento possibilitada pelo adensamento demográfico das populações de Homo Sapiens. Deve-se destacar que a “Revolução do Paleolítico Superior” coincide temporalmente com a expansão dos Homo Sapiens pelo mundo. É provável que esse desenvolvimento cognitivo tenha trazidos vantagens para nossa espécie que permitiu a expansão e a “vitória” no contato com outras espécies de humanos. A revolução da arte O aspecto mais chamativo da Revolução do Paleolítico Superior é o grande desenvolvimento da arte. Os humanos passam a criar representações simbólicas de aspectos diversos de sua realidade (material e imaterial), como animais e figuras que acreditamos ser de alguma maneira sobrenaturais (ainda que não saibamos seus significados precisos). Pequenas estatuetas femininas, talvez representando divindades ligadas à fertilidade, parecem ter sido muito comuns na Europa Paleolítica. Homem-Leão de Hohlenstein (Alemanha): de cerca de 40 mil anos atrás, mais antiga estatueta conhecida. Bisão de La Madeleine (França): cerca de 15 mil anos atrás
  30. 30. Pinturas Rupestres A forma mais conhecida de arte paleolítica são as pinturas em paredes de cavernas, encontradas em todo o mundo, da África do sul à Europa, da América à Austrália. Por conta de cenas de caçada encontradas em algumas dessas pinturas, tradicionalmente se entendeu que elas representavam cenas cotidianas daquelas pessoas. Com o tempo, percebeu-se, porém, que muitas dessas representações provavelmente possuíam outros significados para aquelas pessoas: muitas parecem representações de rituais ou mesmo transes religiosos, por exemplo. Contornos de mão em caverna da Indonésia: 40 mil anos atrás, provavelmente a mais antiga pintura conhecida. Parte das pinturas na caverna de Lascaux (França), conhecida como a “Capela Sistina da Idade da Pedra” Um dos bisões pintados na Caverna de Altamira (Espanha). Segundo Picasso, seria impossível para a humanidade superar a beleza das pinturas dessa caverna. Cueva de las manos, Argentina
  31. 31. Pinturas Rupestres Caça ou representação de ritual religioso? Comparemos duas representações Na primeira cena percebe-se uma clara cena de caçada, com humanos atingindo presas com arco e flecha. A segunda cena já foi interpretada com uma cena de caça também. Contudo, repare que a cabeça do caçador é, na verdade, uma cabeça de pássaro. Repare também que o pássaro representado ao seu lado parece ser, na verdade, uma espécie de bastão com uma figura de pássaro em uma das pontas. A posição do corpo também é bem diferente da dos caçadores da outra imagem.
  32. 32. O pensamento simbólico e a linguagem A fala humana depende de alguns elementos naturais: desenvolvimentos genéticos específicos, laringe mais baixa e a posição do osso hióide (que permitem a articulação da fala). Depende, também, de elementos culturais, dos quais se destaca a capacidade de abstração. O que se percebe na Revolução do Paleolítico superior é um grande desenvolvimento da capacidade humana de pensar simbolicamente – isto é, de abstrair em ideias a realidade concreta que se vivencia. Esse é um passo fundamental para o desenvolvimento de uma linguagem complexa. Experimentos modernos mostram que diversos animais conseguem se comunicar com mensagens simples, mas a capacidade humana de construir uma linguagem complexa é única. Não sabemos quando o Homo Sapiens começou a se comunicar pela fala de maneira complexa, mas acredita- se que isso tenha ocorrido durante a Revolução do Paleolítico Superior.
  33. 33. Economia de caça e coleta A subsistência humana dependia da caça e da coleta. Carcaças abandonadas por outros predadores eram uma fonte de alimentos muito importante. A organização necessária para a realização dessas atividades assim como para a divisão de seus produtos estimulou a formação das relações sociais nas quais as pessoas viviam. Acredita-se que eles viviam em grupos de 25 a 50 pessoas e que uma ética de compartilhamento era fundamental para o pertencimento ao grupo. Não deviam existir posições hierárquicas rígidas e a única autoridade que despontava no grupo deveria ser a do líder espiritual. A existência de instrumentos de tipos muito variados no Paleolítico Superior pode indicar o início de uma especialização do trabalho. O senso comum imagina que caçadores e coletores vivem na linha da miséria, enfrentando com muita dificuldade o desafio de conseguir um mínimo de alimentos. Na verdade, estudos com povos caçadores e coletores do presente mostraram que o tempo gasto por eles para obter o mínimo de subsistência é menor do que em sociedades agrárias. A “dieta do paleolítico” Há alguns anos atrás surgiu uma “Dieta” miraculosa que pretendia resolver todos os nossos problemas de saúde: comermos como os nossos antepassados do paleolítico, que não sofriam dos mesmos problemas de saúde causados pela alimentação que sofremos. Essa ideia não só ignora o fato de que aquelas pessoas não viviam tanto quanto nós e que praticavam muito mais atividades físicas em média, mas também o fato de que não existe uma única dieta de caçadores e coletores. Estudos sobre alimentação de caçadores e coletores dos dias de hoje mostram a possibilidade de variadas formas de se alimentar a partir da caça e da coleta.
  34. 34. Relações de gênero Estudos recentes sobre grupos de caçadores e coletores do presente mostram, contudo, que uma relação igualitária entre os gêneros era necessária para a formação de redes sociais extra-familiares fundamentais para a sobrevivência desses grupos. Assim, grupos com igualdade de gênero tinham vantagens adaptativas frente aqueles com desigualdade. Assim, eles sobreviviam mais e melhor, sobrepondo-se sobre estes. Outro estudo interessante mostra que a maior parte dos contornos de mão pintados em cavernas são de mãos femininas, sugerindo que a maioria dos primeiros artistas pintores de cavernas foram mulheres. Nossa sociedade acredita que estamos no ponto alto da civilização, que alcançamos depois de progressivamente abandonarmos a barbárie. Nessa perspectiva, acreditamos que as sociedades do paleolítico eram mais atrasadas em tudo. Um bom exemplo é a relação entre homens e mulheres. A imagem tradicional dessa relação é a do homem das cavernas arrastando a força uma mulher.

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