TRIBUNA   METODISTA    VEÍCULO INDEPENDENTE – CIRCULAÇÃO VIA INTERNET - EDIÇÃO Nº 7 - 04-07-2011     Editor Responsável – ...
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duas alternativas ou de escolhas de nossa parte, se DE-      instituições, nomeações dos líderes para certas igrejas eVE o...
ACESSO À INFORMAÇÃO                                            Airton Campos, membro da Igreja Metodista de Vila Isabel   ...
No caso de órgãos da área regional ou ge-       Metodista. A expressão da opinião, na igreja, éral, estas senhas poderiam ...
A Remuneração e Outras Vantagens Recebidas pelos Pastores Metodistas                                                      ...
gens para os filhos menores e o valor dos quinquê-       crescimento para sua igreja.Sua avaliação vai passarnios trabalha...
PENSÃO PARA BISPOS APOSEN- TADOS É ANTICONSTITUCIONAL                                                                     ...
são empregados comuns dela, são vocacionados,           encerramento do Concílio Geral. Agora, numa de-presumindo-se chama...
INGRATA SURPRESA?                                                 Kyrie eleison!                                          ...
se constituía num grande impedimento para o cresci-foi de 20,84%, cinco vezes menos se o alvo da 1ª Regi-mento numérico do...
O baixo crescimento de algumas regiões e o de-                desaparecem no meio evangélico brasileiro. É um tal decrésci...
que não é fruto de avivamento. No primeiro caso cito o       ter servido como pastor naquela área somente até 1973),exempl...
sessões de descarrego do neopentecostalismo, e outras       ceto pela recente articulação contra a PL122). Creio queque ta...
entre nós: “É necessário nascer de novo... O Espírito                         “A menos que me provem pelas Escrituras esop...
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  1. 1. TRIBUNA METODISTA VEÍCULO INDEPENDENTE – CIRCULAÇÃO VIA INTERNET - EDIÇÃO Nº 7 - 04-07-2011 Editor Responsável – João Wesley Dornellas - Membro da Igreja Metodista desde 14.11.1944 wesley@alternex.com.br - Tel. (21) 2284-9900________________________________________________________________________________________________________________________________A Grande Esperança da IgrejaMetodista no 19º Concílio Geral O texto abaixo é o da capa da revista “Homens em Mar- cha”, uma publicação da Comissão Geral de Publicações Periódicas da Igreja Metodista do Brasil, edição de abril- maio e junho de 1965 (Vol. IX – nº 8), escrito por seu re- dator chefe da época, João Wesley Dornellas, hoje o edi- tor de TRIBUNA METODISTA. Como os leitores estão vendo, apesar dos 46 anos decorridos de sua publicação, ele parece bem atual, da mesma forma que outras matérias que estão sendo transcritas daquela edição, toda ela dedi- cada aos temas de interesse do Concílio Geral. (Na capa, fotos dos três bispos e dos três secretários gerais). “A grande esperança da Igreja Metodista do Bra- sil (e por que não dizer também que é a sua grande preocupação) está depositada no Concílio a ser re- alizado no Rio de Janeiro, de 10 a 20 de julho pró- ximo. Para os bispos que o presidirão e para os de- legados que o compõem, leigos e clérigos em igual proporção, estão voltadas as atenções e orações da comunidade de 100.000 pessoas que constitui a I- greja Metodista do Brasil. No difícil Brasil de hoje, com problemas de toda ordem, religiosos, morais, soci-ais, políticos e econômicos, é mister que os representantes da Igreja sejam sensíveis àsinquietações e desejos dos representados. A Igreja deseja, a Igreja confia, a Igreja ora, a Igreja exige que os seus delegadossejam instrumentos dóceis nas mãos de Deus para fazerem só e só a Sua vontade, semoutros interesses que não os da Causa , tomando as históricas decisões de que a Igrejaprecisa para ser realmente, como Cristo ordenou, Sal da Terra e Luz do Mundo”. 1
  2. 2. OUTRAS MATÉRIAS DAQUELA EDIÇÃO DE 1965DO EDITORIAL que entre nós, só são contrários à itinerância poucos ministros que se situaram nas capitais e aí violam os “A Igreja tem sofrido todas as consequências Cânones, entregando a trabalhos seculares sem a devidados fatos que abalaram o Brasil e o mundo nos últimos autorização do Concílio Regional ou do bispo e espezi-anos. A falta de crescimento adequado, as tentativas de nhando os seus votos de ordenação. Pergunte-se aossecularização do ministério, a falta da palavra profética ministros nomeados para paróquias do interior, talvezda Igreja nos momentos mais agudos das crises, tudo mais capazes e produtivos do que eles, se são favoráveisisto vem impedindo que a Igreja cumpra a sua verdadei- à itinerância e responderão que sim. Porque estão revol-ra missão. E os membros da Igreja sentem a necessida- tados com os privilégios dos seus companheiros “capi-de e o desejo de que a Igreja deixe de ser apenas uma talistas”. Receio, até,que se alguns dos que dão jeito deorganização, uma máquina, para ser realmente sal da lacrar-se nas capitais fossem nomeados para paróquiasterra e luz do mundo. Mas, ao mesmo tempo, se percebe do interior, pequenas, pobres, espalhadas em áreas am-que, sem alteração em seus métodos de trabalho e em plas, onde não poderiam advogar, ensinar, ter agênciasua organização, muito pouco se poderá fazer”. comercial à sorrelfa, seriam capazes de pedir imediata- “Não nos preocuparam, ao preparar esta edição, mente transferência para outra igreja, ou disponibilida-somente os detalhes técnicos da elaboração legislativa, de. A falta de itinerância em nosso ministério cria, as-muito menos aquelas alterações que visam apenas me- sim, privilégios, preferências, injustiças, etc., além dolhorar o funcionamento de uma junta ou de um concílio. mais”.São coisas importantes, é verdade, mas a grande críticaque se pode fazer aos concílios gerais passados é justa- A opinião de dois pastoresmente esta, de preocupar-se com detalhes de menorrelevância e esquecer-se de fixar claramente a posição Alípio da Silva Lavoura, que em 1971 foi eleitoda Igreja, perante ela própria e perante o mundo, quanto bispo, mostrou opinião diferente:aos problemas da época”. “A itinerância está criando pastores despersona-ITINERÂNCIA PASTORAL lizados. O pastor não é mais ele; não tem personalidade. Vai para cá e para lá, às vezes, até porque precisa “ga- “Este é um assunto que se esperava fosse discu- nhar o pão de cada dia”. Não cria nada nas igrejas portido no Concílio de 1965, já que estava havendo muita onde passa. Não constrói, não organiza. Não administradiscussão a respeito. O assunto foi discutido naquela nem as coisas mínimas. Há muitos que nem mesmoedição de Homens em Marcha. “Uma das características estudam seus sermões à luz das necessidades das igrejasdo Metodismo é a itinerância pastoral. Muitos atribuem que pastoreiam. Organizam um “sermonário” e vãoa ela grande parte do êxito e da eficiência do nosso repetindo sempre as mesmas coisas por onde passam,ministério. Outros debitam a ela tudo o que de errado não se dando ao trabalho sequer de mudar pelo menos otem existido no mesmo. Não há uniformidade de ideias, papel do esboço, por vezes, amarelado pelo tempo”.nem entre leigos nem entre clérigos”. “Como quase todos os problemas de nossa Igre- Oswaldo de Souza, pastor em São José do Rioja, este também édiscutido mais no interesse pessoal de Preto, dizia: “Se permitirmos aos pastores escolher suascada um do que pelo interesse em fixar normas admi- igrejas, quantas teriam mais de um pastor e quantasnistrativas que melhorem a eficiência do ministério, continuariam vagas!... Quantos estariam escolhendo aproporcionando melhor adequação entre pastores e igre- igreja não para servi-la, mas para satisfazer seus inte-jas e, consequentemente, melhores resultados. Por outro resses particulares: melhores cidades, igrejas maiores,lado, devido à fragilidade humana, tem havido injusti- possibilidades melhores. A itinerância pastoral temças em muitas dessas remoções, ao passo que alguns outras vantagens nobres, como a de proporcionar àspastores, não se sabe também por que injunções, têm paróquias do interior e dos Estados pioneiros melhoresconseguido ficar quase imunes ao dispositivo canôni- pastores e de dar igual oportunidade aos pastores deco”. servir à Igreja, sem privilégios pessoais e familiares de paróquias ou cidades”.A opinião do Bispo César O PAPEL DOS LEIGOS “Numa Igreja como a nossa, dividida em algu-mas centenas de paróquias, em lugares muito diferentes O assunto foi discutido diversas vezes naquelauns dos outros, elas mesmas sobremodo diferentes uma edição. José Assan Alaby, num artigo sobre “O leigo nadas outras em sua composição, a itinerância tem sido a administração eclesiástica, fez afirmativas muito con-garantia da sua unidade e do seu desenvolvimento. Noto tundentes. Para ele, “a questão aqui não consiste em 2
  3. 3. duas alternativas ou de escolhas de nossa parte, se DE- instituições, nomeações dos líderes para certas igrejas eVE ou NÃO DEVE haver maior participação dos lei- a escolha, entre os integrantes do Esquema, de candida-gos. Não se trata de uma escolha mas de aceitação ir- tos ao episcopado e outras coisas mais. A maioria foirestrita de uma realidade bíblica e teológica inegável: a obtida mas na Hora H o movimento se fragmentou eparticipação dos leigos faz parte do sentido da Igreja; apenas um dos seus candidatos ao episcopado foi vito-no “Corpo de Cristo” – Igreja – todos os membros par- rioso, justamente o seu líder. O combinado antes de queticipam da sua unidade, da sua missão, do seu sustento se elegeriam todos os seus candidatos ou os possíveise também de sua administração”. eleitos renunciariam, o que não aconteceu. Ou tudo ou nada. Felizmente, o Esquema perdeu mas, até hoje, “Convém desde já eliminar qualquer sombra de tenta-se impor à nossa Igreja. as técnicas de persuasãoideia a respeito dessa distinção na Igreja: clérigos e que ele implantou.leigos, Distinção desconhecida e inexistente na Igrejaneotestamentária , hoje, entretanto, tão nítida e acentua- Os contrasda na Igreja”. É claro que a opinião pública da Igreja não apoiou o Esquema, cujos participantes formavam umO “ESQUEMA” – PRÓS E CONTRAS grupo fechado. A Igreja estava preocupada com o Es- quema mas a reação não foi contundente já que a “mai-Os Prós oria silenciosa” não sabia usar as mesmas técnicas de aliciamento.Transcrevemos abaixo, ta como publicado em Homens em Marcha, o que foi publicado no Cate- O líder desse Movimento que tencionava mudarquase tudo na Igreja, era o Rev. Nathanael Nascimento, tense, veículo dos jovens da igreja do Catete, no Rio de Janeiro, na época em que a campanha para a escolha dena época Reitor da Faculdade de Teologia. O Movimen- delegados estava acirrada em todo o Brasil Metodista..to tinha várias reivindicações, inclusive a criação de umbispo “forte”, presidente da Igreja, que seria a maiorautoridade depois do Concílio Geral. Muitos dos objeti-vos eram discutidos apenas no grupo que aderiu e, co-mo o movimento desejava chegar ao Concílio com amaioria dos votos, muitas coisas não eram abertas aopovo. Naquela edição de Homens em Marcha, foramtranscritas suas declarações ao Expositor Cristão, dandouma idéia das pretensões do seu Movimento. Como severá no trecho abaixo, nada há que se discordar. Veja-mos: “A ocasião é oportuna para examinarmos o cor-po, as funções porventura supérfluas ou dispensáveis nopresente, a corrigir-lhe disfunções e a insuflar-lhe maisaltas expressões de vida. Em primeiro lugar, é indispen-sável reconhecermos que quem opera, corrige e vivificaa Igreja é Deus e que o agente dessas obras é o EspíritoSanto. Essa não foi, não é e jamais será obra humana”. “Em segundo lugar, é imperativo que se reco-nheça a tipicidade do organismo visado. É uma IgrejaEpiscopal, cuja autoridade administrativa é constituídade baixo para cima, mas depois opera de cima parabaixo. As modificações não devem importar na trans-formação da Igreja Metodista do Brasil de episcopal emcongregacional. Não se trata de criar anomalias e aleijões, ten-tando reunir, num só corpo eclesiástico, índoles, peçasadministrativas e procedimentos diferentes e conflitan-tes. As modificações devem estar em harmonia com anatureza da Igreja que se quer aperfeiçoar”. Na prática, no entanto, foi diferente. Por trásdas ideias acima, havia uma tentativa de mudar muito.Os métodos usados, que implantaram de vez a politica-gem de campanha para eleição de delegados, já que seobjetivava a maioria absoluta do plenário, com promes-sas de cargos, não só na estrutura religiosa como na das 3
  4. 4. ACESSO À INFORMAÇÃO Airton Campos, membro da Igreja Metodista de Vila Isabel Está tramitando no Senado uma proposta de por um grupo de representantes não se tem acessolei que libera o acesso a informação, que está sendo a informação do que foi resolvido.chamada de Lei do Acesso. Ela determina que apopulação tenha acesso a documentos públicos que Já é velho o tempo de dizer que, no futuro,circulam apenas entre alguns privilegiados. terá poder quem detiver a informação. Este futuro já chegou e a luta pelo controle – ou sua corrente A expectativa era que a lei fosse sancionada contrária – já está em curso numa escala crescente.no dia 3 de maio, Dia Mundial da Liberdade deImprensa, mas, isto não foi possível. Esta é uma lei É preciso que haja mais transparência nasimportante que complementa a transição democrá decisões e na divulgação de relatórios. Hoje todostica do Brasil. os documentos são gerados em meios virtuais e, portanto se torna fácil disponibilizá-los na internet. A lei prevê que qualquer pessoa que se i-dentifique pode solicitar o acesso a informações O Concílio Geral é uma excelente oportuni-que não sejam consideradas dade para se estabelecer ossecretas. Informações relativas procedimentos para que osà intimidade, vida privada, órgãos da Igreja promovam ohonra e imagem serão conside- acesso à informação.radas sigilosas por cem anos. Podem ser estabeleci- Independentemente de dos graus de acesso para ossolicitação, os órgãos ficam diversos tipos de documentos.obrigados a promover a divul- Até agora alguns são sigilososgação na internet de informa- só para a comunidade, é o casoções de interesse coletivo ou dos balanços das instituiçõesgeral por eles produzidas ou que obrigatoriamente são pu-custodiadas. blicados na imprensa, mas em seções que não nos chamam a atenção normalmente. Há algum tempo, O direito a informação é um direito funda- me chamou a atenção o símbolo do metodismo emmental que já é desfrutado por mais de 50 bilhões uma página do jornal Valor Econômico, era o ba-de habitantes em 90 países. lanço anual de uma de nossas instituições. Para monitorar o desempenho de dirigentes Hoje inúmeras instituições civis dão acessoos auditores são insuficientes e em virtudes dos a informações a seus associados através da internetmais diversos assuntos, sua contratação em grande por meio de senhas. Eles se cadastram e recebem anúmero seria muito cara. Assim, uma maior trans- senha que permite o acesso a informações que mui-parência é pré-requisito para um monitoramento tas vezes não se dá publicidade ampla por motivosefetivo. de segurança como, por exemplo, os dados finan- ceiros. Também a nossa Igreja Metodista pode edeve avançar em direção a uma maior transparên- As páginas da internet tanto das igrejascia. Há uma legitima demanda de uma maior aber- locais como das Regiões Eclesiásticas e Institui-tura na divulgação de informações. Não desejamos ções podem conter seções cujo acesso se façauma forma de silencio que projeta um cone de mediante senhas que serão fornecidas a todos ossombra sobre a comunidade. membros da igreja que as solicitem. Assim, da- dos como atas e especialmente os financeiros, Estamos sempre ouvindo que a Igreja Me- que possam trazer insegurança, ficariam resguar-todista é conciliar, isto é, resolve seus assuntos de dados para o conhecimento apenas dos direta-forma coletiva, mas quando um assunto é aprovado mente interessados. 4
  5. 5. No caso de órgãos da área regional ou ge- Metodista. A expressão da opinião, na igreja, éral, estas senhas poderiam ser obtidas através do para elogiar, se houver critica, o fato é distorcidopastor da igreja local, que poderia providenciá-las, por interesses pessoais.não podendo ocorrer demora na sua concessão. Os delegados ao Concilio Geral recebemEsse procedimento é tecnicamente possível, de uma procuração para serem os legítimos represen-fácil execução, dependendo apenas de vontade tantes dos metodistas de regiões eclesiásticas. Nãopolítica, que não tenha sido demonstrada. se tem notícia da relação dos delegados e a exis- tência deste grupo não pode, de jeito nenhum, ocul- Hoje qualquer cidadão pode se comunicar tar as propostas que serão levadas ao Concilio.com seus representantes no legislativo pela internet Hoje é muito difícil criar barreiras à livree nós não temos acesso sequer aos nomes dos circulação da informação e isto ocorrendo acabamembros dos conselhos e coordenações de todos criando versões diferentes para um mesmo fato.os níveis, muito menos a possibilidade de nos co- Com os novos meios de comunicação os dirigentesmunicarmos com eles. não mais poderão estar seguros de manter sem di- vulgação os seus atos. Nossos órgãos de divulgação de todos os A finalidade do jornalismo é a busca daníveis silenciam sobre todos os problemas que a- verdade e a responsabilidade de fornecer informa-tingem a Igreja e a comunidade. Na maioria das ções às pessoas para que elas sejam livres e capa-vezes servem apenas para noticiar eventos que já zes de formar suas opiniões.ocorreram. Há uma nova era que está se formando que As reflexões episcopais publicadas são faz surgir mobilizações espontâneas. Sem o impul-sempre estudos bíblicos teóricos e nunca abordam so de meios de comunicação voltados para a for-assuntos que estejam em evidencia no nosso coti- mação de opinião, capaz de fornecer informaçãodiano. Assim, também não somos informados do confiável e comentário preciso, a própria Igrejaque pensam nossos lideres sobre assuntos que di- pode ter seu poder avariado.zem respeito a nossa vida na comunidade.Existem temas que estão em debate e nós fazemos É um bom costume a nossa comunidade terde conta que eles não existem ou não nos afetam, o direito de ficar sabendo o que os nossos dirigen-tais como: casamento de pessoas de mesmo sexo, o tes fazem, dizem e pensam.kit sobre homossexualidade que seria distribuídonas escolas, a erradicação da miséria pela educa- Parece que pessoas que vivenciaram o perí-ção, cuidados com a dengue, melhoria da educação odo de restrições das liberdades no país continuampública, endividamento das famílias, acessibilida- com aversão a opiniões contrárias. Parece que a-de, lei de cotas para pessoas com capacidades es- cham que bom mesmo é que os meios de comuni-peciais, bullying, doação de sangue, etc, etc. cação só elogiem ou tratem de assuntos menos im- portantes e banais. Hoje em dia, com a internet e a proliferaçãode canais de distribuição de informações, há incon-táveis e crescentes opções à disposição dos leitores,menos nos meios de comunicação da igreja, com NOTA DO EDITORraras exceções. Airton Campos, destacado membro São inconcebíveis as restrições à livre ma- da Igreja Metodista de Vila Isabel, da qualnifestação de opiniões e o cerceamento da veicula- é membro há mais de 50 anos, já ocupoução de fatos. Para cercear a liberdade de informar e importantes funções na Igreja Local e na 1ªopinar se criam mecanismos que indicam mais do Região. É membro do Conselho de Admi-que simples controles editoriais, mas formas vela- nistração do Hospital Evangélico do Rio dedas de reprimir esta liberdade – numa palavra, cen- Janeiro.sura. No último parágrafo da coluna à es- Diversos textos meus em que opinava sobre querda ele menciona afirmativa de um ad-problemas da igreja, foram parar num processo vogado em processo que corre na Justiça dojudicial como prova de meu ódio (?) pela Igreja Estado do Rio de Janeiro. 5
  6. 6. A Remuneração e Outras Vantagens Recebidas pelos Pastores Metodistas João Wesley Dornellas Sei muito bem que este texto vai irritar mui- igrejas e mais igrejas. Não foi à toa que ele recebeu,tos pastores. Em primeiro lugar, devo dizer que sou ao aposentar-se, do seu Concílio Regional, o título defilho de pastor, de um pastor que passava muitas difi- “Semeador de Igrejas.culdades financeiras, por ganhar muito pouco e não Naquele tempo, pastor ganhava muito poucoter, a não ser a casa pastoral, quando havia, ou morar mesmo, especialmente porque os membros eramem casas alugadas de muito pouca qualidade, ne- muito pobres. Quando passaram a unificar, depois danhuma outra vantagem. Na maioria das igrejas que Autonomia, os subsídios, foi criada uma “base” depastoreou, nem uma gratificação de Natal,no máximo remuneração, muito pequena, ao qual, para se fazeruma camisa ou pares de meias. Em nossa Região, um tipo de justiça social, se somavam outras “vanta-pouco antes da aprovação da Lei do chamado 13º gens”, tais como, por exemplo, 25% da base para ossalário, fui eu que propus sua efetivação no Concílio pastores casados, outra porcentagem para cada filho,Regional, enfrentando a fúria de pastores que variava segundo a idade dos mesmos,que achavam que essa decisão aumentaria mais 5% por qüinqüênio trabalhado, até omuito os orçamentos, todos eles pastore- máximo de cinco. Qualquer porcentagemando igrejas que davam, em dezembro, sobre uma “base” pequena gerava valoresum mês de gratificação natalina. Claro igualmente pequenos, nunca suficientesque, perguntando a eles, no plenário, se para prover boas escolas para os filhos eeles a tinham recebido, o que não podiam uma vida familiar razoável.negar, por medo de serem desmascarados, Foi naquela época que se decidiua proposta passou, especialmente depois dar moradia aos pastores. Por isto, o Bis-da atitude hipócrita daqueles pastores. Minha propos- po César vivia fazendo campanhas para que as igrejasta não era para beneficiar meu pai, porque ele tinha construíssem casas pastorais. A chamada Oferta Es-filhos que lhe davam muito mais, mas para fazer jus- pecial do Dia da Autonomia era destinada a ajudar astiça aos que não tinham filhos em condições de aju- igrejas a construírem casas para seus pastores, geral-dá-los.. mente no terreno da própria igreja local, para, a mé- Em segundo lugar , quero dizer, que não dio ou longo prazo , reduzir as despesas correntes deguardei, porque nunca as tive, mágoas da vida difícil cada uma. Quando não havia casa pastoral, alugava-de nossa família. Justamente porque, na realidade, se uma, sempre humilde, desconfortável e barata.meu pai, ao nos ensinar, colocou na mente e no cora- O tempo passou. Já nos anos 60, a situaçãoção dos filhos que seu patrão não era a Igreja, nem começou a melhorar. Muitas igrejas passaram a nãobispos, mas Aquele que o chamou e o preparou para depender mais da Tesouraria Regional para pagar oso ministério pastoral. Por isto, nunca reclamou da seus pastores, se bem que eles ainda continuassem avida, nunca pediu nada a ninguém, nem permitiu que ganhar muito pouco. Se fôssemos fazer uma pesqui-os filhos fossem à Justiça da Igreja quando foi tre- sa, verificaríamos o porquê de a maioria dos filhos demendamente prejudicado em sua aposentadoria, re- pastor não continuarem na Igreja. Cansaram-se decebendo, durante os anos de aposentado, menos da uma infância cheia de necessidades e culparam ametade do que deveria ter recebido e pelo qual pagou Igreja por isto. Foram poucas certamente as exce-muito caro, ao falecido DGP. Isto é, no entanto, outra ções entre os filhos daquela geração de ouro de ver-história, que narro muito bem no livro que escrevi dadeiros príncipes da Igreja.sobre ele. Hoje em dia, mesmo ainda sendo fixada uma Vamos, pois, ao assunto. Nos anos 20 do base para os subsídios pastorais, sobre a qual incidemséculo passado e nas duas décadas seguintes, havia as citadas porcentagens, quase todos os pastores ga-uma carência muito grande de pastores. Por isto, eles nham muito mais do que ela, o que torna desnecessá-tinham de desdobrar-se responsabilizando-se por rio o pagamento daqueles adicionais à renda dos pas-muitas igrejas de uma vez. Foi assim com a maioria tores. Se bem que conheci um pastor que, depois dedaqueles obreiros do passado. Meu pai, por exemplo, negociado o seu subsídio, algumas vezes superior àquase que durante toda a vida, sempre teve mais de base, tentou receber aqueles adicionais já citados.uma paróquia, trabalho que ele aumentou a fundar exigido mais 25% por ser casado, mais a porcenta- 6
  7. 7. gens para os filhos menores e o valor dos quinquê- crescimento para sua igreja.Sua avaliação vai passarnios trabalhados. Alegava que era a Lei. Claro que também por sua capacidade de dar resposta a taisnão levou. metas”. O Concílio Geral de 2006, no seu art. 205, Corretíssima a posição do bispo. É bíblico.oficializa uma série de vantagens adicionais. Além de São palavras de Jesus aos seus discípulos (Lc 10.7):moradia, os presbíteros têm direito ao pagamento “digno é o trabalhador de seu salário”. E o Mestre vaipela igreja de água, luz, telefone, seguro de vida e um pouco além: “Não vos provereis de ouro, nem deplano de saúde. Gás residencial e até TV a cabo, ape- prata, nem de cobre nos vossos cintos (Mt 10.9)”.sar de não constarem dos Cânones, também são pa- Como também é bíblica a cobrança de resultados,gos por algumas igrejas. Além das vantagens, há ain- que decorrem certamente do “plantar” e “regar” ada o pecúlio, uma espécie de FGTS, usando a mesma planta. Quando a semente é bem plantada e há o cui-regulamentação, ou seja, 8% do salário, com depósito dado de regar a planta, lembremo-nos de Paulo eespecial feito pela igreja local na Caixa Econômica, Apolo, certamente Deus dá o crescimento.com rendimentos um pouco maiores do que daquele Eu acho que devemos eliminar dos CânonesFundo. essa obrigatoriedade de prover residência para o Essas práticas, já que não há mais nenhuma presbítero. É claro que teríamos uma transição paracarência no número de presbíteros - eles estão aí so- não prejudicar ninguém. Uma das soluções seria au-brando e mais gente quer entrar – não têm razão de mentar os subsídios de quem conta com casa pastoralser nesta altura do campeonato. No passado, como já ou mora em imóvel alugado por conta da Igreja. Nofoi dito, os pastores se responsabilizavam por muitas primeiro caso, pagariam um aluguel à Igreja, comigrejas; hoje, mesmo em igrejas bem pequenas, há contrato de locação e tudo. No segundo caso, o pastordois ou três pastores coadjutores, a maioria dos quais que fizesse com o locador o seu próprio contrato. Outentando uma nomeação de tempo integral, que dá seja, os presbíteros não seriam penalizados, ficandoacesso a todas as vantagens citadas. Os bispos se com a mesma coisa.veem em “papos-de-aranha” para contornar ou negar Normalmente, os pastores não gostam deesses pedidos. morar junto aos templos, para não serem muito in- Mesmo sem formação adequada, tem muita comodados em sua privacidade. Muitas das casasgente querendo ser pastor, infelizmente, não são jo- pastorais nessas condições, com pequenas obras, po-vens despertados para o ministério pastoral mas adul- dem ser usadas para a Missão. Na realidade, todas astos, que geralmente não obtiveram êxito nas ativida- igrejas têm carência de novos espaços para o traba-des profissionais no mercado de trabalho a que se lho. No caso de apartamentos ou casas pastorais lo-dedicam. calizados longe dos templos, o melhor seria vendê- A conta de tudo isto é muito cara. Hoje em los e colocar o dinheiro em planos realistas de Mis-dia os pastores ganham, com raras exceções, muito sões e Evangelização.bem. Em grande parte das igrejas locais, somando Restaria o problema dos pastores que já con-salário, casa, luz, gás e telefone, além de ajuda de seguiram a sua casa própria e recebem da igreja umacusto, eles ganham mais do que a maioria dos seus espécie de “aluguel” por ela, já que hoje têm direitoparoquianos. Apesar disto, suas performances “pro- canônico à residência por conta da igreja. Tenho dú-fissionais” nem sempre são boas. O bispo Paulo vidas de que seja ética essa prática. Se for, a soluçãoLockmann, da 1ª Região, dirigiu dura circular aos seria a mesma dos imóveis alugados de terceiros,seus pastores e ele fala que alguns obreiros deixam a aumentar o salário pastoral também na justa propor-desejar em suas atividades e ganham bem. Vejamos ção e cessar o aluguel.parte do texto daquela circular, tal como estampada Com as soluções aqui esboçadas, que respei-no quadro de avisos de minha igreja para qualquer tam direitos adquiridos, embora se tenha que ver al-um poder ler: gumas implicações em termos de Imposto de Renda, “Queridos, não é possível que um pastor sau- ficaríamos livres do problema para o futuro e haveriadável, inteligente, passe um ano de trabalho e não mais justiça nas relações das igrejas com seus pasto-batize alguém, ou ganhe somente 2 ou 3 pessoas. Isto res.significa contentar com muito pouco. Nosso Deus é É claro que o assunto tem que ser bem estu-grande e sua bênção excede tudo que pedimos. Você dado e não aprovado de afogadilho. Alguma coisa, noprecisa e pode se superar. Cada um de nós, pastor de entanto, precisa ser feita. Ministério pastoral nãotempo integral, recebe um bom salário se comparar pode ser uma sinecura vitalícia. Seria bom até umcom o mercado de trabalho, inclusive casa e seguro teto máximo de remuneração pastoral, como se tentasaúde. Precisamos e podemos oferecer melhor resul- fazer no Governo, embora o decidido nem sempretado para o Reino de Deus. Assim, estou retomando seja cumprido. Algumas igrejas já estão pagando aosestas metas, baseado nos números das estatísticas que pastores comissão sobre a arrecadação. Isto deve servocê enviou. É você que está recebendo a meta de proibido e tais pastores removidos imediatamente. 7
  8. 8. PENSÃO PARA BISPOS APOSEN- TADOS É ANTICONSTITUCIONAL João Wesley Dornellas Primeiramente, caros leitores, deixem-me São atos nulos de pleno direito. Isto se qui-dizer que não se trata de nenhuma proposta a ser sermos respeitar os princípios gerais do Direito.discutida no próximo Concílio Geral. Essa pensão Com a falência do DGP e a concessão, peloespecial, concedida aos bispos que se aposentam, Governo Federal, para favorecer os padres católi-já está em vigor há pelo menos 12 anos. Foi criada cos, que não tinham nenhum tipo de previdência,pelo Colégio Episcopal em decisão fechada, que da possibilidade de contribuição ao INSS para pro-nunca foi publicada pela Igreja. Uma verdadeira ver suas aposentadorias, nossa Igreja decidiu aca-“caixa preta”. Por isto que muito pouca gente tem bar de vez com a aposentadoria dos pastores porconhecimento dela. Nem se sabe quais os valores sua conta. Todos foram obrigados a contribuir paraque a Igreja já despendeu com ela em tantos anos a entidade de Seguridade Social do Governo. Pou-de vigência ilegal. cos pastores e suas viúvas ficaram livres dessa con- Podem perguntar-me como sei de tudo isto, tribuição, justamente aquelas pessoas que não ti-eu que não ocupo cargos na administração eclesiás- nham condições legais para obter o benefício. Con-tica há tanto tempo. Posso explicar. Quando essa tinuaram a receber aposentadoria da Igreja somentedecisão foi aprovada, um dos bispos, na dúvida aos que foram admitidos antes de 1º de janeiro desobre sua legalidade, enviou cópia da ata a um ad- 1975, que continuaram vinculados exclusivamentevogado metodista, que a repassou por fax a meu à previdência interna (Art. 210 dos Cânones). Comirmão procurando saber a sua opinião. Infelizmen- 36 anos decorridos daquela decisão, deve existirte, depois de anos, o fax se apagou e não se viu ainda muito pouca gente, pastores aposentados emais o texto. Em 1998, quando da realização do suas viúvas, recebendo aposentadoria da Igreja.Encontro do Perdão na Faculdade de Teologia, dei Todos hoje recebem aposentadoria do INSS, sendoos parabéns ao falecido bispo Davi Ponciano Dias pouquíssimos os pensionados que ainda recebempor ter sido contrário à pensão. A princípio ele se da Igreja.esquivou mas depois declarou claramente que tinha A Igreja deixou de pagar aposentadoria aossido contrário à ideia. seus obreiros, que as conseguem do INSS fazendo Essa decisão, em primeiro lugar, contraria a sua contribuição regular, além da contribuição dasLei. Bispos não se aposentam. Na Igreja Metodista, igrejas locais de sua parte, como qualquer empre-de acordo com a nossa Constituição, existem duas gado de qualquer empresa, por menor que seja. EOrdens, a presbiteral e a diaconal (Art. 13). Não esse é o princípio da Previdência, paga-se duranteexistem ordem episcopal. “O episcopado na Igreja dezenas de anos para conseguir uma pequena ren-Metodista é encargo de serviço especial”, absolu- da, cada vez menor porque o Governo pune os apo-tamente transitório. Apesar do parágrafo 5º do art. sentados do INSS com correções abaixo da infla-71 dos Cânones mencionar “presbítero que se apo- ção. Essa regra de ouro da Previdência, seja dosenta no exercício do episcopado”, para efeito de Governo ou privada, não foi respeitada pela deci-concessão do título de bispo benemérito, tal tipo de são do Colégio Episcopal. Recebe-se uma pensãoaposentadoria não existe isto, é contra a Constitui- especial que, além de ilegal, ninguém pagou nadação, já que episcopado não é ordem.. Ao declina- para recebê-la.rem de concorrer à re-eleição em virtude de desejo Tudo o que foi dito aqui refere-se apenas àde aposentar-se, ou, após concorrer e perder nos questão legal. Uma decisão desse tipo, desculpem-votos, fazendo idêntica comunicação, essa infor- me a franqueza, não poderia ser tomada pelos pró-mação só é válida para a concessão do título de prios possíveis beneficiados por ela. Se nossa Igre-bispo emérito. Para mais nada. A aposentadoria é ja é conciliar, como muita gente assevera, por queconcedida ao presbítero e não ao bispo, de acordo não resolver o assunto num Concílio Geral? É ocom a lei, após aprovação do Concílio Regional. lugar adequado para isto. No aspecto legal, é isto. Só mais um lembrete. Decisões anticonsti- Não podemos nos esquecer, contudo de outros as-tucionais não geram direitos nem expectativa deles. pectos. Somos uma Igreja e bispos e pastores não 8
  9. 9. são empregados comuns dela, são vocacionados, encerramento do Concílio Geral. Agora, numa de-presumindo-se chamados por Deus para o trabalho. cisão infeliz, os bispos são consagrados mais tarde, Quando Francis Asbury tornou-se o primei- na realização dos concílios regionais que sucedemro bispo do Metodismo americano, ele não aceitou ao Concílio Geral. Em 1955, ao serem eleitos, Pi-receber mais do que os seus pastores. Com o tem- nheiro e Amaral, eles foram consagrados imedia-po, os bispos acabassem recebendo um pouco mais tamente, isto é, antes do encerramento do Concíliode salários e algumas “mordomias”. que os elegeu e assumiram a posição. Idem em Quando se aposentavam, porém, mesmo 1965, com Almir, Natanael, Oswaldo e Wilbur.sendo vitalícios, os bispos passavam a ganhar igual Voltemos às pensões de aposentadoria dosaos presbíteros (“elders”). Assim era na Disciplina bispos. É claro que, sem conhecer o texto da deci-de 1922, a mesma que vigorou em nossa Igreja são, com todos os seus detalhes, não se pode discu-Metodista do Brasil nos anos de 1930 e 1934. E tir muito. Há diversas perguntas a serem feitas so-essa era uma das muitas exigências da Igreja-Mãe bre os critérios da concessão dessa pensão. O bomao conceder a nossa Autonomia. Seria bom ler as seria que a resolução do Colégio Episcopal fosseminutas (atas) daquela 21ª Conferência Geral da conhecida pela Igreja. Para que se possa discuti-laIgreja Metodista Episcopal do Sul (Methodist E- com conhecimento de causa.piscopal Church, South) realizada em Dallas, Te- Assim, sem esse conhecimento minucioso,xas, de 7 a 24 de maio de 1930. Eu recebi dos Ar- as dúvidas ficam no ar, sem nenhuma resposta.quivos Gerais da Igreja Metodista Unida uma cópia Meses atrás, foi grande a discussão, tantodelas. E me mandaram, também, um relatório do no Congresso como na mídia, sobre a aposentado-Rev. James E. Ellis, missionário americano no Bra- ria de governadores. A condenação da opinião pú-sil, antigo Secretário Geral de Educação Cristã. Ele blica foi quase unânime. Em decorrência dela e daera também o responsável pelos missionários no pressão da imprensa, muitas delas foram revoga-Brasil. Em seu relatório, datado de novembro de das, não por serem ilegais mas por ferirem a ética e1958, ele faz uma relato minucioso de nossa Auto- o bom senso. Um dos argumentos foi que não serianomia e da igreja autônoma durante os 28 anos. correto receber uma pensão sem haver contribuído Ele menciona como a Comissão Constituin- para ela. O mesmo caso dos bispos que recebem ate (15 brasileiros e 5 americanos) fez o seu trabalho pensão. E ainda mais, a possibilidade de acumulá-para implantar a nossa Autonomia. Fizeram uma las com outras pensões, como a do INSS, por e-Constituição e decidiram que, no que não fosse xemplo.previsto nela, prevaleceria, até o 2º Concílio Geral, Na Justiça de nossa Igreja, talvez não, por-a Disciplina (Cânones) de 1922 da Igreja-Mãe. que a figura dos bispos tem muita força. Mesmo no Ellis chama a atenção para algumas provi- período que não tinham tanto força - período desões relativas ao episcopado. 1. o episcopado seria 1971 a 1987 – por motivos psicológicos e até histó-um encargo não uma ordem; 2. o bispo seria um ricos, eles mantiveram essa posição.presbítero com responsabilidade especial e não de Na Justiça civil, no entanto, presbíteros a-uma ordem superior; seria consagrado e não orde- posentados sem pensão da Igreja, poderiam perfei-nado; se reeleito, não seria consagrado de novo; 3. tamente pedir isonomia e também receber umanão haveria bispos aposentados, se um presbíte- pensão adicional, paga pela Igreja. Teriam todo oro foi aposentado quando servindo como bispo, direito já que, na aposentadoria, os bispos têm, semele se aposentaria como presbítero; 4. o salário sombra de dúvida, a mesma função deles, todos sãodo bispo seria decidido pelo Concílio Geral, mas presbíteros aposentados. E certamente as viúvas edepois de sua aposentadoria receberia a a nesna os filhos de presbíteros falecidos depois da resolu-pensão dos demais presbíteros de sua Região; ção do Colégio Episcopal poderiam receber o que5.bispos são eleitos para servir até o encerramento seus pais não receberam. Indo à Justiça, a únicado Concílio Geral que os elegeu ou reelegeu. sanção da Igreja seria proibi-los de terem cargos, Na realidade, mesmo sem a clareza das exi- certamente ganharian. E a Igreja não teria comogências da Igreja-Mãe, com exceção do mandato manter esse sigilo que cerca aquela decisão.dos bispos, os Cânones refletem a mesma coisa, ou Voltemos às decisões do passado, à ética naseja, bispos não se aposentam. Quem se aposenta condução da Igreja, ao bom senso, que, quase sem-são os presbíteros, tenham sido bispos ou não. pre, houve em nossa Igreja. Ou consigam uma de- Na questão do mandato dos bispos, que cisão que não viole a Lei, o que acho difícil nestesempre começou com a consagração, o encerra- caso, ou cancelem a decisão que não tinha nenhu-mento se dava na consagração dos novos bispos, ao ma razão de ser. E peçam perdão a Deus e à Igreja. 9
  10. 10. INGRATA SURPRESA? Kyrie eleison! Paulo Ayres Mattos Bispo Emérito da Igreja Metodista Nashville, Julho de 2011 marcas eclesiais daquela Igreja. A nossa associ- Deve estar sendo uma ingrata surpresa para ação com a Igreja Católica em organismos como o Con-muitos membros da Igreja Metodista, particularmente selho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) e a Coorde-para membros da delegação clériga e leiga ao próximo nadoria Ecumênica de Serviço (CESE) se constituíaConcílio Geral da denominação, receber os dados esta- para os antiecumênicos num antitestemunho evangélicotísticos nacionais da Igreja Metodista no Brasil referen- que facilitava em nosso meio metodista, por um lado, otes ao qüinqüênio 2006-2010. Será que serão motivo proselitismo de nossas co-irmãs evangélicas que pesca-para acaloradas discussões durante a reunião máxima do vam novos membros em nossas próprias águas. Pormetodismo brasileiro que dentro de poucos dias estará outro, demonstrava uma nossa falta de identidade evan-tendo seu início em Brasília? Sei não! gélica que redundava numa complacência teológica Por que ingrata? Porque após as decisões de A- diante de práticas católicas tais como a salvação pelasracruz se esperava ver um “boom” no crescimento nu- obras, o culto às imagens, a veneração da Virgem Mariamérico da Igreja Metodista em todo o território brasilei- e a concepção petrina do papado romano, o que acaba-ro já que um dos principais argumentos usados para a va, assim se dizia, por nos imobilizar em nossa práticadesfiliação da Igreja Metodista de órgãos ecumênicos evangelística já que praticamente nada mais nos dife-nos quais a Igreja Católica Apostólica Romana partici- renciava dos católicos romanos. Afastados, pois, dapava, e ainda participa, foi que nossa associação com associação réproba com os católicos romanos agoraaquela Igreja irmã dificultava o crescimento numérico estaríamos, entre outras coisas, livres da concorrênciado metodismo brasileiro. Fora de tais organizações, o predatória das denominações irmãs mais conservadoras,metodismo brasileiro ia “arrebentar a boca do balão”. para então crescermos numericamente na mesma pro-Nas entrelinhas de Aracruz esta era uma promessa (ou porção delas, mais particularmente de nossas co-irmãsprofetada?) que acabou não se cumprindo. pentecostais. Dizia-se esperar por tal “boom” porque agora Ledo engano! Não é isto que as estatísticas ago-desvencilhados de laços tão constrangedores já não terí- ra publicadas estão a revelar. Quero, antes de tudo, dei-amos mais que andar a explicar a todo o momento nos- xar claro que não estou deslegitimando a experiência desos relacionamentos com gente apóstata e assim evitar a conversão ao Evangelho dos novos convertidos em nos-perda de membros para denominações irmãs que nos sas comunidades metodistas espalhadas por esse nossoantagonizavam por nossa associação esdrúxula com a vasto Brasil. Louvo ao nosso Deus por tais conversões.representante do Anti-Cristo na terra e, mais ainda, con- Até porque algumas dessas pessoas recém-convertidasseguir muitos novos adeptos para o metodismo brasilei- estão em minha classe de escola dominical em nossaro entre os próprios aderentes do catolicismo. O argu- Igreja em Rudge Ramos, onde atualmente me congregomento principal que subjazia à estratégia dos adversá- na companhia de minha esposa. Reconheço que Deusrios do ecumenismo institucional que incluísse os cató- continua usando muitas de nossas igrejas locais comolicos romanos era que o crescimento numérico experi- lugar de acolhimento e bênção para muitas pessoas quementado por denominações irmãs, especialmente as jaziam no vale da sombra da morte, independentementepentecostais como as Assembléias de Deus, devia-se de nossa ortodoxia ou não, pois quem salva, transformaentre outras coisas ao seu explícito e declarado anticato- e liberta é Deus por sua maravilhosa graça e não a nossalicismo. “sã” doutrina. Gente cuja vida foi radicalmente trans- formada e liberta pelo poder do Evangelho de Nosso Os defensores da proposta de rompimento de Senhor Jesus Cristo. Devemos ser gratos a Deus pelonossas relações eclesiásticas com o catolicismo romano mover do seu Espírito no ministério de muitas de nossastiveram como sua pedra angular a negação de qualquer igrejas locais onde podemos ver o testemunho vibranteeclesialidade da Igreja Católica Apostólica Romana, de tais pessoas.com delegados brandindo no plenário de Aracruz aspáginas das Notas Explicativas do Novo Testamento de Mas não é sobre isto que estou falando. É sobreWesley onde nos comentários de textos do Apocalipse coisa muito diferente.nosso pai espiritual faz referências não muito elogiosas Estou falando, sim, sobre a falácia do argumen-àquela Igreja irmã, em que pese outras referências mais to de que nossa associação com órgãos ecumênicosfraternas em sua Carta a um Católico Romano em que o onde se acha também presente a Igreja Católica Romanafundador do movimento metodista reconhece certas 10
  11. 11. se constituía num grande impedimento para o cresci-foi de 20,84%, cinco vezes menos se o alvo da 1ª Regi-mento numérico do metodismo no Brasil. É esta falácia ão fosse adotado por todas as demais regiões; se tomás-que, entre outras coisas, as estatísticas do último qüin- semos por base o alvo estabelecido anos atrás pela 1ª.qüênio acabam de revelar, pois o crescimento do meto- Região dever-se-ia ter alcançado, salvo melhor juízo,dismo brasileiro no último qüinqüênio não foi muitomais de 100% de crescimento numérico, que no final dediferente do crescimento dos tempos em que fazíamos2011 seria por baixo mais de 370.000 membros paraparte do CONIC e da CESE. Em algumas de nossas toda Igreja Metodista no Brasil. As atuais estatísticasregiões até pelo contrário. indicam que segundo tais projeções haveria uma dife- rença de cerca de 150.000 pessoas que deixaram de ser Vejamos: incorporadas à Igreja Metodista no Brasil. Mas nem mesmo a 1ª Região conseguiuQUADRO ESTATÍSTICO DO ROL DE MEMBROS DA IGREJA METODIS- manter o ritmo de alguns pou- TA cos anos atrás; o Bispo Paulo PERIODO 2006-2010* Lockmann em carta dirigida 1ª. 2ª. 3ª. 4ª. 5ª. 6ª. 7ª. 8ª. TOTAL ao seu corpo pastoral reco- Número de Membros no ano de 2006 nheceu recentemente de for- 81741 10143 17559 24014 20859 17313 3647 2412 177688 ma honesta o retrocesso no crescimento numérico da re- Número de Membros no ano de 2010 gião sob sua superintendência105632 11922 18278 26521 21463 22850 4963 3086 214715 episcopal. Diante de tais nú- meros fica mais fácil entender Crescimento no Período o por quê da manifesta insa- 23891 1779 719 2507 604 5537 1316 674 37027 tisfação da Igreja com o de- senvolver da ação missionária Crescimento em Porcentagem % dos metodistas brasileiros29,23% 17,54% 4,09% 10,44$ 2,90% 31,98% 36,08% 27,94% 20,84% conforme a avaliação publi- cada em número recente do Crescimento Populacional do Brasil 2005-2010** Expositor Cristão. 2005: 183.300.000 Ora, o surpreendente 2010: 193.250.000 é que as estatísticas agora Crescimento anual: 0,92% divulgadas deixam claro que o 5anos = 4,6% problema do baixo crescimen- to numérico da Igreja Meto- * Dados apresentados nas estatísticas nacionais da Igreja Metodista dista no Brasil neste último – 2006-2010 quinquênio se deu principal- ** Dados do IBGE – 2001-2010 mente em alguns dos bolsões metodistas onde a mensagem antiecumênica prévia ao Tomemos por régua e compasso a 1ª. Região, o Concílio de Aracruz teve maior repercussão em suascarro chefe do crescimento do metodismo brasileiro nos delegações. Foi aí nesses bolsões que se encontravam osúltimos vinte anos, que nos últimos anos vinha tendo delegados em Aracruz mais aguerridos na luta pela des-como alvo o crescimento anual de 15% (quase metade filiação nossa de alguns dos organismos ecumênicos. Edos atuais metodistas brasileiros hoje se encontra no agora vemos número ínfimos e pífios nestas mesmasEstado do Rio de Janeiro). regiões. E não venham dizer agora que é a falta de cres- Durante todo o quinquênio a 1ª. Região teve o cimento em tais regiões é consequência do “efeito me-crescimento de 29,23%, isto é, quase que somente o mória” dos nossos tempos de ecumenismo com os ir-previsto para dois anos; as 6ª, 7ª e 8ª Regiões tiveram mãos católicos1, pois a Igreja Metodista não é pilha decrescimento um pouco acima do que seria previsto para NiCd para ter “efeito memória”.dois anos, com especial destaque para a REMNE, o quevem ocorrendo desde os anos 1990; a 2ª Região um 1crescimento um pouco maior do que seria previsto para Ironicamente, “irmãos católicos” é uma expressão que está sendo usada “ad nauseam” pelos líderes evangélicos na campanha contra aum ano; as 3ª, 4ª e 5ª crescimento muito abaixo do que PL 122 em sua santa união com católicos e até espíritas! Imaginemseria previsto para um ano, com especial referência para que o antigo axioma de que os extremos se encontram num giro deas 3ª e 5ª Regiões que de fato decresceram no quinquê- 360º, finalmente se torna realidade entre os setores do conservado-nio, mais a 5ª com 2,9% (!!!!!!) do que a 3ª com 4,09%, rismo evangélico e católico. Coincidência? Não, de jeito nenhum! Convergência? Claro, pois a matriz é a mesma que se chama “inte-se tomarmos por base o crescimento da população brasi- grismo”, no catolicismo romano, e “fundamentalismo”, no protestan-leira que no quinquênio foi de 4.6%. tismo-evangélico – sem que com isso eu ande por aí pregando a fogueira para ambos, já que a liberdade de consciência é um valor No cômputo geral o crescimento oficial da Igre- que os protestantes sempre defenderam, tanto para um lado, comoja Metodista no Brasil durante o quinquênio 2006-2010 para o outro. De passagem, lembro-me que certa feita, numa conver- sa amigável com o Rev. Dino Fernandes (mola propulsora do antie- 11
  12. 12. O baixo crescimento de algumas regiões e o de- desaparecem no meio evangélico brasileiro. É um tal decréscimo de outras é resultado de outras questões que correr atrás da bênção e da unção aqui, ali e acolá quenão têm a ver principalmente com a questão ecumênica, não tem fim... Daí pular para a pretensa superioridadecuja discussão em profundidade não cabe neste artigo. espiritual sobre quem não tem a unção é, parafraseandoTalvez o próximo Geral, se não empurrar o problema Wesley, um fio de cabelo. Isso se vê já em muitas igre-para debaixo do tapete, tome decisões para determiná- jas locais, onde quem não tem a experiência tem sidolas de forma objetiva e clara. A verdade que as estatísti- excluído da liderança leiga em diversos dos ministérios,cas referentes aos últimos cinco expõem é que o meto- exclusão essa que tende alastrar-se para níveis superio-dismo brasileiro sem ecumenismo institucional, sem res da burocracia eclesiástica.participação ativa mesmo nos organismos ecumênicos Deixo claro que me considero uma das pessoasonde ainda participa, não cresceu numericamente, repe- que no meio metodista brasileiro reconhecem e afirmamtindo o mesmo fenômeno que nunca desapareceu da sem titubear a legitimidade do avivamento pentecostalvida denominacional desde 1930, a falta de crescimento começado em Azusa Street (invoco de maneira especialnumérico. Com ecumenismo ou sem ecumenismo o o testemunho de alunos e alunas, principalmente os/asmetodismo brasileiro teima em não crescer em número, pentecostais, de minhas aulas sobre história e teologianão seguindo o padrão experimentado por outras igrejas do movimento pentecostal na Fateo – do presencial e doevangélicas, até mesmo pelos presbiterianos e batistas. CTP). Entretanto, afirmo que o que acontece entre nós é Outra falácia da qual quero falar e que as esta- frequentemente nada mais nada menos do que purotísticas atuais ajudam a desmascarar é a propaganda mimetismo neopentecostal! Imitação, sim, e barata! Masinsistente que alguns setores da Igreja Metodista no voltando à falácia da propaganda do [ne-Brasil, os chamados carismáticos, fazem em favor da o]pentecostalismo entre metodistas brasileiros... a falá-pentecostalização de nossa denominação (é verdade que cia tem a ver acima de com a equivocada equaçãonão somente no Brasil, mas em outras partes do mundo “crescimento numérico = avivamento pentecostal”...também essa propaganda tem ganhado força nos anos Ainda que seja verdade, como acima reconhecido, querecentes). Creio, contudo, que ao invés de falar de pen- igrejas locais que têm experimentado grande crescimen-tecostalismo, devia eu falar de propaganda do neopente- to numérico são na maioria das vezes as que têm adota-costalismo nos meios metodistas brasileiros. Sim, neo- do o figurino pentecostal em suas práticas e ensino,pentecostalismo metodista! Basta ver o que pulula no insisto que a equação é equivocada pelos motivos ex-número enorme de sites e blogs metodistas livremente postos a seguir. E, com [neo]pentecostalização, ou sempostados e disponíveis na Internet. Porque por experiên- [neo]pentecostalização, o metodismo brasileiro teimacia pessoal e profundo estudo nos últimos dez anos, em não crescer em número, repito, não seguindo o pa-estou convicto de que muito do que está acontecendo drão experimentado por outras igrejas evangélicas, atéem certos arraiais metodistas nada tem a ver com o mo- mesmo pelos presbiterianos e batistas.vimento pentecostal! Nada, nada! Não quero e não pos- Ora qualquer estudioso sereno e rigoroso da his-so negar a experiência pentecostal de muitos metodistas. tória dos avivamentos, inclusive os das últimas cinco ouEntretanto, em diversos lugares metodistas o que vemos seis décadas no Brasil, desde o aparecimento do pente-não é a busca do poder do Espírito Santo para o serviço costalismo no Brasil em 1910, passando pelas visitas decristão no mundo, a grande aspiração dos primeiros Ridout, Orr e Jones nas décadas de 30 a 60, chegando-sepentecostais, mas simplesmente uma vulgarização da aos dias atuais, sabe que tal equação não é um axioma,experiência liminar do pentecostalismo, o falar em lín- isto é, uma verdade que se afirma por si própria nãoguas. Acontece que em muitos casos não há nos meios necessitando de maiores comprovações. Antes de maismetodistas pentecostalizados nem a doutrina nem a dis- nada, nos últimos vinte anos, a propaganda para a pen-ciplina características das Assembléias de Deus e da tecostalização da Igreja Metodista tem sido em algunsCongregação Cristã, o que de certa maneira leva à sub- casos uma arma do arsenal político-ideológico paramissão de muita gente nossa aos modismos novidadei- galgar-se prestígio e, depois, poder na estrutura eclesiás-ros mais estapafúrdios que com grande rapidez surgem e tica do metodismo brasileiro. Tal coisa não acontece nem entre os batistas da CBB nem com os presbiteria-cumenismo pré-Aracruz) disse a ele que eu tinha (e ainda tenho)muito mais razão do que ele nas divergências com o catolicismo nos da IPB, onde os conservadores-fundamentalistasromano (pois tenho convivido bem próximo de irmãos e irmãs da- mantêm a máquina burocrática denominacional sobquela Igreja que têm sido alvo da perseguição da Cúria Romana por estrito controle (vide a cúpula de ambas igrejas ondesuas opiniões em favor de uma profunda reforma em sua Igreja, carismáticos não têm vez de forma alguma... É bomcomo o teólogo Leonardo Boff, um amigo pessoal) e, por isso, mes-mo defendia (e defendo), ainda que com certas reservas, nossa parti- lembrar que a figura mais popular do presbiterianismocipação em organismos ecumênicos onde estão também nossos brasileiro, o Rev. Hernandes Dias Lopes, em seus livrosirmãos e irmãs da Igreja Católica. Porque divirjo radicalmente de deixa bem claro sua oposição às línguas estranhas comocertas doutrinas e práticas da Igreja de Roma é que sou cada vez evidência inicial do batismo do Espírito Santo).mais ecumênico, já que estou convicto que só o diálogo entre osdiferentes, e até mesmo antagônicos, ramos do cristianismo podemos Por que faço tal afirmação? Explico-me: porqueavançar no respeito mútuo e no conhecimento sincero uns dos ou- temos claras evidências históricas de que há avivamentotros, mesmo divergindo e sem jamais abrir mão daquilo que para nos que não produz crescimento, e de crescimento numéricoé a cláusula pétrea, o “princípio protestante”. 12
  13. 13. que não é fruto de avivamento. No primeiro caso cito o ter servido como pastor naquela área somente até 1973),exemplo das denominações surgidas do movimento de e do Norte do Paraná, na 6ª Região (onde somente tenhorenovação espiritual da década de 1960, sob a influência ouvido o testemunho de terceiros), tem trazido significa-de Rosalee Appleby, e dos batistas José Rego do Nas- tivo crescimento numérico para as igrejas aí localizadas,cimento (pastor da Lagoinha em BH) e de Enéas Togni- com inegáveis frutos de conversão, transformação eni (do Colégio Batista de São Paulo), que se formaram libertação na vida de pessoas novas-convertidas ao E-a partir do pressuposto de que se as denominações tradi- vangelho, é verdade também que a pentecostalizaçãocionais se pentecostalizassem, cresceriam na mesma promovida até por autoridades maiores de nossa Igrejaproporção das Assembléias de Deus e da Congregação não tem produzido os números prometidos e apregoadosCristã na década de 1950. Tal ingênuo pressuposto nun- pelos seus defensores em todas as regiões eclesiásticas –ca se concretizou historicamente falando; tais denomi- e isto é o que as estatísticas agora apresentadas eviden-nações até hoje não alcançaram o mesmo patamar de ciam de forma clara e irrefutável. No fundo tem se cons-crescimento das igrejas pentecostais tradicionais, a As- tituído em propaganda falsa: têm prometido um produtosembléia de Deus e a Congregação Cristã, e nem das que não têm sido entregue ao seu maior interessado – aigrejas pentecostais de cura divina, como as do Evange- cúpula burocrática da Igreja Metodista (sim, um produtolho Quadrangular e da “Deus é Amor”, e nem muito religioso resultante da comoditização dos bens religio-menos das neopentecostais como a Universal, a da Gra- sos na sociedade neocapitalista brasileira de FHC e deça e a Mundial. Parecem-se muito mais com as igrejas Lula – e toma consumismo inveterado – e a indústriade onde surgiram. Por outro lado, denominações que gospel vai muito bem, obrigado!).não adotaram o modelo pentecostal têm crescido a olhos As práticas neopentecostais entre nós metodis-vistos, mesmo sem fazer barulho, como é o caso da tas brasileiros são de fato cópias mal-feitas de uma ma-Adventista do Sétimo Dia, que já tem mais de um mi- triz que nada tem a ver com o metodismo da verdadeiralhão e meio de membros em todo território brasileiro santidade de coração e vida, da santidade pessoal e san-(segundo um colega meu adventista no Conselho Dire- tidade social, da santidade bíblica conforme vivida etor de Diaconia, somente no Nordeste há atualmente ensinada, entre outros, pelos irmãos Wesley, Fletcher,mais de 350.000 adventistas!). Isto sem entrar em maio- Phoebe Palmer, William e Catherine Booth, Fannyres detalhes sobre o vertiginoso crescimento dos batistas Crosby, Frances Willard, Phineas Breese, e Stanleybrasileiros. Isto me leva a recordar uma conversa que Jones, todos comprometidos em expressar sua fé medi-tive lá nos idos de 1970 com o meu amigo Rev. Antonio ante do exercício das obras de piedade e de cotidiana eElias, o velho e respeitado evangelista e avivalista pres- engajada prática das obras de misericórdia, na vivênciabiteriano, numa série de conferências evangelísticas concreta da santidade e do compromisso com os pobres.dele na Igreja Central de Niterói onde eu pastoreava,quando ele me disse: “Paulo, carroça vazia é que faz A prática da verdadeira religião vivida e prega-barulho!”. da pelo metodismo wesleyano nada tem a ver com igre- ja em células da visão, com encontros esotéricos “com Portanto, repito, a história contemporânea das Deus” (sic) que não passam de arremedo de cursilhos daigrejas evangélicas no Brasil demonstra que há movi- cristandade, ou pior, de sessões fechadas de sociedadesmentos de avivamento que não produzem grande cres- secretas, de grupos de doze, de apóstolos enrustidos, decimento e há grande crescimento sem a adoção de dou- cursos de rápida duração de como falar em línguas semtrinas e práticas pentecostais. E digo isto sem qualquer qualquer relação com o ensino e disciplina bíblica sobrepreconceito contra o pentecostalismo e contra cresci- os dons espirituais, de encontros proféticos que nadamento numérico. Digo isto mais para desconstruir o uso profetizam e só servem para desperdiçar recursos quepolítico-ideológico da propaganda pentecostal entre nós poderiam estar sendo investidos no fortalecimento da-metodistas que é difundida sob diferentes aparências de quelas experiências missionárias que estão profetica-santidade. Se fosse verdade tal equação, o avanço de mente mudando as vidas das pessoas nas fronteiras ex-práticas e ensinos [neo]pentecostais da parte de muitos tremas da vida, a exemplo do que faz a Catedral Meto-pastores e pastoras metodistas, por diversas igrejas lo- dista de São Paulo com o projeto Comunidade Metodis-cais espalhadas por todas nossas regiões, e até por al- ta do Povo de Rua ou a JOCUM no complexo do Morrogumas lideranças leigas de nossas organizações societá- do Alemão. A prática da verdadeira religião vivida erias, teria provocado um crescimento muito maior do pregada pelo metodismo wesleyano nada tem a ver comque aquele acusado pelas estatísticas recém publicadas, anacrônicas práticas judaizantes (de entronização empois o que não falta hoje em muitos lugares e encontros nossos altares de menorahs, shophars e bandeiras dode metodistas é o apregoar-se do avivamento que final- Estado Sionista de Israel (que os judeus mais conserva-mente chegou aos arraiais metodistas... . dores repudiam como ofensa à soberania de Iahweh na Se é verdade que a [neo]pentecostalização de restauração de Israel), uso de kipahs e talits nas cerimô-alguns bolsões do metodismo brasileiro, como a região nias litúrgicas metodistas, etc., etc., etc.,). A prática dade Cabo Frio e Macaé, na 1ª Região (e disso eu tenho verdadeira religião vivida e pregada pelo metodismosido testemunha ocular em mais de uma das visitas a wesleyano nada tem a ver com o mimetismo grosseiroCabo Frio onde mantenho excelentes relacionamentos de práticas umbandistas como correntes de prosperida-dentro e fora da Igreja ainda nos dias de hoje apesar de de, cultos de libertação que são verdadeiras réplicas de 13
  14. 14. sessões de descarrego do neopentecostalismo, e outras ceto pela recente articulação contra a PL122). Creio queque tais (com todo respeito pela liberdade de escolha de precisamos com urgência de uma NOVA REFORMAquem faz conscientemente opção por tal religião afro- no evangelismo brasileiro que deverá ter como seu cen-brasileira – direito esse que evangélicos brasileiros no tro a compreensão e a prática da missão como obra depassado defenderam até com o preço de suas vidas, Deus na implantação e sinalização do seu Reino entredireito esse como inalienável liberdade que nos foi dada nós e não como obra humana forjada nas regras do mer-pelo próprio Deus). A prática da verdadeira religião cado e da exacerbada competição institucional entre asvivida e pregada pelo metodismo wesleyano nada tem a igrejas para o crescimento numérico a qualquer custo ever com o clericalismo exacerbado reinante em muitas da mimetização de ensino e práticas que nada tem a verigrejas metodistas brasileiras onde a liderança leiga foi com a religião do coração aquecido, da santidade deabafada, reprimida e censurada sob o pretexto neopente- coração e vida, das obras de piedade e das obras de mi-costal de que na Igreja a divergência com certas orienta- sericórdia. Só com uma radical reforma no mundo e-ções pastorais são rebeldia e, portanto, pecado mortal de vangélico brasileiro será possível a nossas igrejas con-feitiçaria contra os “homens de Deus” que tudo podem e tribuírem para a construção de uma sociedade com altode forma alguma podem sofrer qualquer contestação em padrão espiritual e ético, segundo a maneira de ser ex-sua “autoridade”. A prática da verdadeira religião vivida posta por Jesus no Sermão do Monte (Mateus 5 a 8).e pregada pelo metodismo wesleyano nada tem a ver Creio que o tipo de [neo]pentecostalização quecom a morte da escola dominical substituída arbitraria- o metodismo brasileiro tem sofrido nas últimas duasmente pelas escolas de líderes onde o que vale é a von- décadas vai na contramão dessa necessária reforma e-tade pastoral. E tudo isto, gente, está aí para quem qui- vangélica e é em muitos casos o responsável pela falên-ser ver nas páginas dos blogs e das redes sociais da In- cia do projeto de crescimento numérico vigente no me-ternet... todismo brasileiro de nossos dias conforme os números Creio que esse tipo de religião vigente em mui- de nossas últimas estatísticas. Na imitação grosseira etos círculos do metodismo brasileiro nos tem produzido barata dos grupos neopentecostais o povo das comuni-um grave problema, pois grande parte dos membros de dades onde estão inseridas nossas igrejas locais em suanossas congregações é constituída mais por meros assis- grande maioria prefere ir para as matrizes e não para astentes passivos e/ou por clientes em busca de produtos imitações das filiais não autorizadas, um tanto quantoreligiosos do que de irmãos e irmãs na fé com forte envergonhadas, pastoreadas por nossos pastores e pasto-compromisso e prática missionárias, participantes ativos ras neopentecostalizados. Graças aos escrúpulos aindados grupos de discipulados (cujos dados estatísticos presentes entre nós a maioria de nossos neopentecostaisagora divulgados são mais do que decepcionantes, mas não chega a cruzar as fronteiras que nos separam dassim vergonhosos!), especialmente em suas atividades manifestações quase indecentes de grande parte do mer-cotidianas no mundo secular onde vivem e trabalham. cado religioso brasileiro. Mas aí ficam a meio caminhoDentro do atual quadro religioso brasileiro, creio que o essas cópias envergonhadas que nada têm a ver com onosso exacerbado clericalismo é um enorme obstáculo metodismo wesleyano e a original igreja neopentecostalpara uma compreensão e prática da obra missionária em da cidade ou do bairros ou da esquina ainda é mais atra-termos de missão integral. Sem leigos maduros, ativos, ente que a cópia metodista...participantes e comprometidos não poderá haver missão Diante de tais disparates reinantes em muitas deintegral. nossas igrejas, sob a liderança de muitos de nossos pas- É por isso que o crescimento numérico dos e- tores e pastoras, creio que o metodismo está realmentevangélicos brasileiros, apesar da extraordinária trans- numa encruzilhada histórica: ou deixa de ser metodismoformação na vida pessoal de milhares de pessoas, não e assume o ser neopentecostal para valer, ou volta a sertem causado maior impacto transformador em nossa uma alternativa não de massas, mas sim parte reservasociedade (Rio de Janeiro, o estado brasileiro com a escatológica do Resto de Israel que não se curva diantemaior população evangélica, que o diga!) Neste sentido, do deus do mercado dos bens religiosos do sucesso ano Brasil não temos visto o que o avivamento metodista qualquer custo, da prosperidade financeira do consu-na Inglaterra, sob a liderança de Wesley, e o avivamento mismo grosseiro que anima a propaganda televisiva doliderado por Finney e Phoebe Palmer nos Estados Uni- neopentecostalismo e do crescimento numérico quedos, na primeira metade do século dezenove, foram sustenta os privilégios financeiros e políticos do “sacer-capazes de provocar não somente levando multidões à dócio” e bajula o poderoso mamon de nossos dias econversão a Cristo, mas também a mudanças importan- persegue e mata os profetas de Javé (Isaias 10 e 11). Ates e significativas na vida moral, social e política em escolha certamente não dependerá de decisões da má-ambas sociedades. quina administrativa da Igreja em qualquer nível de sua organização burocrático-eclesiástica, mas sim de uma O que vemos é que mesmo o grande crescimen- profunda e nova espiritualidade evangélica que nos leveto numérico de outras denominações irmãs, em minha a uma nova forma de ser Igreja, tal como aconteceu comopinião, não tem sido acompanhado de um maior com- a reforma protestante no século dezesseis e o movimen-promisso missionário em todos os campos da vida brasi- to metodista no século dezoito. As palavras de Jesus aoleira reclamando um eficaz testemunho evangélico (ex- homem religioso de seu tempo mais uma vez ressoam 14
  15. 15. entre nós: “É necessário nascer de novo... O Espírito “A menos que me provem pelas Escrituras esopra onde quer...” Uma reforma que antes de tudo mu- claros argumentos da razão que eu estou enganado –de o nosso coração e nos leve a viver radicalmente no porque não acredito nem no papa nem nos concílios jácotidiano de nosso povo a singela mensagem do Jesus que está provado amiúde que estão errados, contradi-ressuscitado, em dedicados e comprometidos atos de zendo-se a si mesmos – não posso e não me retratarei.piedade e misericórdia, conforme Wesley nos testemu- Minha consciência é cativa à Palavra de Deus. Ir con-nhou por sua vida e ensino. tra a minha consciência não é correto nem seguro. Aqui estou e permaneço eu. Não há nada mais que eu possa Como Lutero diante da Dieta de Worms, decla- fazer. Para tanto que Deus me ajude. Amém.”ro: Maranatha!---------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------- O que eu espero do Concílio Geral•••“Embora, talvez, tardiamente resolvi expressar o que espero do 19ª Concilio Geral. Lendo aTRIBUNA METODISTA-6 e, deparando-me com mais este espaço de livre expressão de partedo povo de Deus, aqueles/as que estão congregados na Igreja Metodista,resolvi expressarque almejo que o evento não seja um desfilar de vaidades, de busca do poder a qualquerpreço, mas que seja um mover em direção ao Reino de Deus, que está em meio de nós e, cujo Senhor, almeja que frutifiquemos em frutos de justiça, de paz, de misericórdia, de uni-dade e de amor.Que o 19ª seja um renovo para igreja Metodista e que ela possa aprofundar ocaminho iniciado em 1982, e delineado em 1987, com o Plano de Vida e Missão e os Dons eMinistérios. Que a igreja toda seja de sacerdotes e ofereça continuamente sacrifício vivo esanto”. Keller Apolinário•••“Espero o CG adote um programa missio nário que perca a característica regional para verque no Brasil todo existem cidades grandes sem a presença da Igreja Metodista. Espero tam-bém que se estabeleça a forma democrática da representação igual de leigos e clérigos nosConcílios Regionais. Espero ainda que deixem Deus agir na eleição dos Bispos”. Airton Campos•••“Oro para que este 19º Concílio Geral seja um marco na caminhada da Igreja Metodista. Queo Espírito Santo faça com que desapareçam os interesses pessoais, a vaidade, a ambição depoder e tudo o mais que nos separa da vontade de nosso Pai. Que haja união entre os irmãosdelegados e todos estejam bem atentos ao que Jesus ordenou” Luiz Fernandes ••••. Estamos refazendo nossas listagens de recebedores regulares de TRIBUNA METODISTA. Alguns no- mes e endereços eletrônicos foram perdidos e, com as nossas desculpas, pedimos que aos que tomarem conhecimento desta edição e não a receberam, que nos envie nova informação sobre seus e.mails. Logo após o Concílio Geral faremos uma edição com os comentários sobre ele. E vamos fazer uma pesquisa entre os leitores sobre seus interesses de leitura e assuntos a serem publicados normalmente no futuro. 15

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