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Introdução <ul><li>O Candomblé - conceitos. </li></ul><ul><ul><li>Religião afro-brasileira construída sob uma noção de fam...
Introdução <ul><li>O Candomblé no Brasil. </li></ul><ul><ul><li>Surge como produto de [re]invenções – de adaptações e de s...
Introdução <ul><li>O Candomblé no Ceará. </li></ul><ul><ul><li>Tradição inventada? </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Por “tra...
Objetivos <ul><li>Estudar a presença do candomblé em Fortaleza-CE, </li></ul><ul><li>Precisar as tradições que o sustentam...
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Discussão <ul><li>Processo de busca de suas raízes africanas. </li></ul><ul><ul><li>(Re)africanização e reinvenção de trad...
Discussão <ul><li>Adaptações na forma de condução do ritual devido ao meio em que se insere. </li></ul><ul><ul><li>Ex: inc...
Considerações finais <ul><li>O candomblé em Fortaleza-CE é uma prática corrente e não deve ser visto como curiosidade; é u...
Considerações finais (cont.) <ul><li>O processo de transmissão musical, conhecidamente oral/aural nas religiões afro-brasi...
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Um candomblé em Fortaleza-CE

  1. 1. Um candomblé em Fortaleza-CE: O Ilê Osun Oyeye Ni Mó Dissertação de Mestrado José Alberto de Almeida Junior Orientação: Profa. Dra. Angela E. Lühning Fortaleza-CE FEVEREIRO/2002 Universidade Estadual do Ceará - Mestrado Interinstitucional (MINTER) em Música UECE/UFBA
  2. 2. Introdução <ul><li>O Candomblé - conceitos. </li></ul><ul><ul><li>Religião afro-brasileira construída sob uma noção de família, onde cada indivíduo tem a oportunidade, o livre-arbítrio, de inserir-se em um terreiro e ocupar seu lugar dentro de uma hierarquia. </li></ul></ul><ul><ul><li>Culto aos orixás : Deuses que “foram em vida seres excepcionais, que detinham um poderoso axé e não morrem simplesmente, fazendo na verdade, uma passagem da condição mortal de seres humanos para a condição imortal de orixá. </li></ul></ul><ul><ul><li>Culto aos egúngún , ou eguns: ancestrais que não transcenderam a morte como os orixás, e sim passaram por ela. Eles são os detentores de segredos da morte e do renascimento. </li></ul></ul><ul><ul><li>Transe ou possessão durante os rituais. </li></ul></ul>
  3. 3. Introdução <ul><li>O Candomblé no Brasil. </li></ul><ul><ul><li>Surge como produto de [re]invenções – de adaptações e de síntese – dos vários sistemas de crenças provenientes do continente africano durante mais de três séculos do período da escravidão. A [re]invenção de uma África mítica aparece, desde o início, como elemento fundante das diversas identidades religiosas assumidas e apregoadas como raízes ou nações que marcam as fronteiras litúrgicas de cada comunidade – terreiro, que a partir do século XIX começam a adquirir visibilidade e legitimidade social. (TEIXEIRA, 1999:133/134). </li></ul></ul><ul><ul><li>De todas as instituições africanas, entretidas na América pelos colonos negros ou transmitidos aos seus descendentes puros ou mestiços, foram as práticas religiosas do seu fetichismo as que melhor se conservaram no Brasil. (RODRIGUES, 1932: 214). </li></ul></ul>
  4. 4. Introdução <ul><li>O Candomblé no Ceará. </li></ul><ul><ul><li>Tradição inventada? </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Por “tradição inventada” entende-se um conjunto de práticas, normalmente reguladas por regras tácitas ou abertamente aceitas; (...), sempre que possível, tenta-se estabelecer continuidade com um passado histórico apropriado. (HOBSBAWM, 1984:19). </li></ul></ul></ul><ul><ul><li>1 o terreiro de nação ketu: O Ilê Ibá , fundado por Pai José Xavier em 1967. </li></ul></ul><ul><ul><li>O Ilê Osun Oyeye Ni Mó é atualmente a casa mais antiga em funcionamento com 25 anos de atividade. </li></ul></ul><ul><ul><li>Processo de africanização recente em andamento. </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Começava o que chamei de processo de africanização do candomblé, em que o retorno deliberado à tradição africana significa o reaprendizado da língua, dos ritos e mitos que foram deturpados e perdidos na adversidade da diáspora. (PRANDI, 1999c:105) </li></ul></ul></ul>
  5. 5. Objetivos <ul><li>Estudar a presença do candomblé em Fortaleza-CE, </li></ul><ul><li>Precisar as tradições que o sustentam, </li></ul><ul><li>Identificar a origem de seus seguidores, </li></ul><ul><li>Averiguar a preservação dos seus toques e cantigas, </li></ul><ul><li>Estudar as influências que o seu público tem trazido para a criação e recriação do fenômeno musical dentro do candomblé, </li></ul><ul><li>Delimitar e entender as possíveis interferências sofridas dentro do candomblé em Fortaleza-CE enquanto necessidade de recriação e reafricanização. </li></ul>
  6. 6. Materiais e métodos <ul><li>Estudo intensivo de um terreiro de candomblé de nação ketu: O Ilê Osun Oyeye Ni Mó. </li></ul><ul><ul><li>“ O estudo intensivo (...) é aquele no qual o estudante seleciona uma área limitada em particular e dá a ela a sua total atenção” (MERRIAM, 1978: 42). </li></ul></ul><ul><li>Entrevistas. </li></ul><ul><ul><li>Pais e mães de santo residentes em Fortaleza. </li></ul></ul><ul><ul><li>Integrantes do Ilê Osun Oyeye Ni Mó. </li></ul></ul><ul><ul><li>Freqüentadores do Ilê Osun Oyeye Ni Mó. </li></ul></ul><ul><li>Gravações musicais realizadas no Ilê Osun Oyeye Ni Mó, e gravações cedidas por seu alabê . </li></ul><ul><li>Transcrições realizadas a partir dos exemplos musicais coletados ou encontradas em bibliografia específica. </li></ul>
  7. 7. Resultados da pesquisa: O Ilê Osun Oyeye Ni Mó <ul><li>Histórico: </li></ul><ul><ul><li>Fundado em 1976, na cidade de Fortaleza-CE pela iyalorixá Ilza d’Oxum. Atualmente está situado no bairro Canindezinho, na periferia da cidade de Fortaleza. </li></ul></ul><ul><ul><li>Processo de “africanização” iniciado em 1991. </li></ul></ul><ul><li>Estrutura física: </li></ul>
  8. 8. Resultados da pesquisa - Estrutura física, cont.
  9. 9. Resultados da pesquisa (cont.) <ul><li>Funcionamento </li></ul><ul><ul><li>seus integrantes: </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Origens sociais e étnicas variadas, com maioria branca e alfabetizada. </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Maioria do sexo masculino. </li></ul></ul></ul><ul><ul><li>seus freqüentadores: </li></ul></ul><ul><ul><ul><li>Origens sociais e étnicas variadas, com maioria branca </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>Maioria da sexo feminino. </li></ul></ul></ul>
  10. 10. Resultados da pesquisa – funcionamento (cont.)
  11. 11. Resultados da pesquisa - A Transmissão do Conhecimento Musical <ul><li>Transmissão oral como modelo em xeque? </li></ul><ul><ul><li>A forma normal para a música ser transmitida é oral – ou aural; se aprende música ouvindo-a. Algumas sociedades operam inteiramente com a transmissão aural. (ISME, 1998:27) </li></ul></ul><ul><li>Formas alternativas de aprendizagem presentes no Ilê Osun Oyeye Ni Mó. </li></ul><ul><ul><li>Ensaios do alabê com os ogãns. </li></ul></ul><ul><ul><li>Integração de repertório oriundo de material fonográfico (fitas cassete e cd’s). </li></ul></ul><ul><ul><li>Integração de conhecimento ritual “litúrgico” com o material bibliográfico. </li></ul></ul>
  12. 12. Resultados - a música nas festas públicas <ul><li>A música como uma combinação de eventos sonoros e não sonoros. </li></ul><ul><ul><li>Complexo cantiga-toque-dança. </li></ul></ul><ul><li>A festa do xirê como exemplo. </li></ul><ul><ul><li>Festa pública onde se toca para todos os orixás. </li></ul></ul><ul><li>O conjunto instrumental. </li></ul><ul><ul><li>Rum, rumpi e lé (atabaques). </li></ul></ul><ul><ul><li>Agogô. </li></ul></ul>
  13. 13. Resultados - a música nas festas públicas (cont.) <ul><li>Repertório da festa. </li></ul><ul><ul><li>Parte de um misto de memória e de material fonográfico em poder do alabê. </li></ul></ul><ul><ul><li>Interage entre os ogãns e o orixá que se manifesta </li></ul></ul><ul><li>Transcrição do repertório. </li></ul><ul><ul><li>“ The reduction of music to notation on paper is at best imperfect, for either a type of notation must select from the acoustic phenomena those which the notator considers most essential, or it will be so complex that itself will be to difficult to perceive (NETTL, 1964:98) .” </li></ul></ul><ul><ul><li>Flutuação rítmica. </li></ul></ul><ul><ul><li>Escalas pentatônicas. </li></ul></ul><ul><ul><li>Tessitura média de uma oitava. </li></ul></ul><ul><ul><li>Semelhanças entre as fontes consultadas e o material coletado. </li></ul></ul><ul><ul><li>Repertório “standard” (re)aficanizado . </li></ul></ul>
  14. 14. Resultados - transcrição (cont.) <ul><li>Exemplos de transcrições. </li></ul>Toque para Exu Toque para Ogum
  15. 15. Resultados - transcrição (cont.) Toque para Iansã Toque para Iemanjá
  16. 16. Discussão <ul><li>Processo de busca de suas raízes africanas. </li></ul><ul><ul><li>(Re)africanização e reinvenção de tradições. </li></ul></ul><ul><ul><li>Legitimidade de culto independente da predominância étnica. </li></ul></ul><ul><ul><li>Paradigma baiano x paradigma africano. </li></ul></ul><ul><ul><li>Busca do mais “antigo”, “correto” e “autêntico”. </li></ul></ul><ul><li>Uma religião de minorias. </li></ul><ul><ul><li>“ A história das religiões afro-brasileiras pode ser dividida em três momentos: primeiro, da sincretização com o catolicismo, durante a formação das modalidades tradicionais conhecidas como candomblé, xangô, tambor de mina e batuque; segundo, do branqueamento, na formação da umbanda nos anos 1920 e 30; terceiro, da africanização, na transformação do candomblé em religião universal, isto é, aberta a todos sem barreiras de cor ou origem racial, africanização que implica negação do sincretismo, a partir dos anos 1960.” (PRANDI, 1999c:93) </li></ul></ul><ul><ul><li>A existência de uma tolerância em relação à questão sexual. “O comportamento sexual é simplesmente indiferente, ‘adiáforo’, como diria Max Weber em sua terminologia helenizada, e por conseguinte não agrada nem desagrada aos orixás, que não estão ordinariamente preocupados com essas questões.” (MOTTA, 1995: 173) </li></ul></ul>
  17. 17. Discussão <ul><li>Adaptações na forma de condução do ritual devido ao meio em que se insere. </li></ul><ul><ul><li>Ex: incorporação de um iaô ainda na primeira parte da festa do xirê. </li></ul></ul><ul><li>Inovação nos processos de transmissão musical como uma estratégia de reajuste à realidade local. </li></ul><ul><ul><li>Ensaios com os ogãns. </li></ul></ul><ul><ul><li>Uso de livros, apostilas e material fonográfico como apoio didático. </li></ul></ul><ul><ul><li>Preservação e manutenção do repertório em um misto de memória e apoio tecnológico, um não invalidando o outro. </li></ul></ul>
  18. 18. Considerações finais <ul><li>O candomblé em Fortaleza-CE é uma prática corrente e não deve ser visto como curiosidade; é uma prática legítima, atuante, inserida na periferia e que aos poucos vai ganhando mais adeptos e iniciando sua própria história. </li></ul><ul><li>O “negro genérico” foi absorvido pelo branco e mestiço cearense, tornando-se parte de sua essência através de suas práticas musicais e religiosas, </li></ul><ul><li>O processo africanizador conferiu legitimidade ao candomblé que se faz no Ilê Osun Oyeye Ni Mó, independente da falta de etnia negra, </li></ul>
  19. 19. Considerações finais (cont.) <ul><li>O processo de transmissão musical, conhecidamente oral/aural nas religiões afro-brasileiras, foi modificado. Os ogãns da casa ensaiam para as festas sob a direção do alabê , garantindo um toque de atabaque quase sempre sincronizado, </li></ul><ul><li>Os músicos, ogãns do Ilê Osun Oyeye Ni Mó, são reconhecidos como estando entre os melhores de Fortaleza, </li></ul><ul><li>Os toques e cantigas são preservados em um misto de memória e apoio tecnológico, uma coisa não invalidando ou excluindo a outra, </li></ul><ul><li>As cantigas e toques não são suficientemente diferentes do praticados nos terreiros africanizados do Rio de Janeiro ou São Paulo. </li></ul>

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