Radioterapia Paliativa

6.414 visualizações

Publicada em

Publicada em: Turismo, Tecnologia
0 comentários
2 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
6.414
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
29
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
112
Comentários
0
Gostaram
2
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Radioterapia Paliativa

  1. 1. Terapêutica Paliativa em Oncologia Papel da Radioterapia Rui P Rodrigues Unidade de Radioterapia - Hospital CUF Descobertas http://rt.no.sapo.pt
  2. 2. R t e s u m o <ul><li>Intenção terapêutica </li></ul><ul><li>Em que locais e tipos de cancro é mais eficaz. </li></ul><ul><li>Quando deve ser prescrita. </li></ul><ul><li>Como deve ser administrada. </li></ul><ul><li>Quais as suas complicações. </li></ul>
  3. 3. Enquadramento da Radioterapia <ul><li>1/4 da população da Europa e EUA têm cancro durante a sua vida. </li></ul><ul><li>Cerca de metade dos casos de cancro têm indicação para RT. </li></ul><ul><li>Os doentes submetidos a RT são habitualmente divididos em: (1) os tratados com intenção curativa e (2) os tratados para paliação. </li></ul><ul><li>A maioria dos esforços vai para o tratamento curativo. </li></ul><ul><li>Os tratamentos paliativos são metade dos casos submetidos a RT. </li></ul>
  4. 4. Radioterapia Curativa <ul><li>Implica administrar doses elevadas (60-70Gy), em pequenas fracções (1.8-2Gy) em periodos de tempo alargados (6-7 semanas). </li></ul><ul><li>Este fraccionamento permite (1) a reparação de danos nos tecidos sãos e (2) um ganho em relação ao tumor. </li></ul><ul><li>O prolongamento exagerado do tempo é contraproducente. </li></ul><ul><li>Teoricamente mais dose em menos tempo pode resultar num melhor controlo tumoral. </li></ul><ul><li>MAS fracções maiores que 2Gy aumentam o risco de complicações. </li></ul>
  5. 5. Radioterapia Paliativa - 1 <ul><li>Os objectivos são (1) o alivio de sintomas e (2) a prevenção de sintomas incipientes. </li></ul><ul><li>Para ser eficaz não requer a eliminação total da causa do sintoma. </li></ul><ul><li>Pretende-se a remissão do sintoma, não do tumor. </li></ul><ul><li>Podem usar-se doses menores (30-40Gy) e fracções maiores (3-4Gy). </li></ul>
  6. 6. Radioterapia Paliativa - 2 <ul><li>Pode ser administrada: </li></ul><ul><li>de uma forma acelerada (1-2 semanas; 20-30Gy; 3-4Gy/fx) : </li></ul><ul><ul><li>em tumores com progressão rápida </li></ul></ul><ul><ul><li>se há disseminação precoce após tratamento do tumor primitivo </li></ul></ul><ul><ul><li>quando a esperança de vida é curta (< 3 meses) </li></ul></ul><ul><li>de um modo mais convencional (3-5 semanas; 40-50Gy; 2Gy/fx) : </li></ul><ul><ul><li>na doença indolente </li></ul></ul><ul><ul><li>em doentes com bom estado geral </li></ul></ul><ul><ul><li>com esperança de vida superior a 3 meses </li></ul></ul><ul><ul><li>em metástase solitárias com controlo do tumor primário </li></ul></ul><ul><ul><li>em tumores avançados de C/P, urogenitais, ginecológicos . .. </li></ul></ul>
  7. 7. RT Paliativa - Como administrar ? <ul><li>Técnica de tratamento simples e volume limitado. </li></ul><ul><li>8Gy/ 1 fx : osso sem tensões; urgências; hemorragias; doente pré-terminal; irradiação hemicorporal. </li></ul><ul><li>20Gy/ 5 fx / 1 semana </li></ul><ul><li>30Gy/ 10 fx / 2 semana : metástases vertebrais / SNC; esperança de vida superior a 3 meses. </li></ul><ul><li>40-50Gy/ 20-25 fx / 4-5 semana : cancro avançado de recto ou C/P </li></ul>
  8. 8. Eficácia da RT vs. Tipo de tumor <ul><li>A relacção entre histologia e radiossensibilidade é secundária, no contexto da RT paliativa. </li></ul><ul><li>A RT pode induzir uma redução de volume , suficiente para obter um efeito marcado sobre os sintomas. </li></ul><ul><li>Em volumes muito grandes, essa redução pode ser insuficiente. </li></ul><ul><li>Podem ocorrer melhoria significativa dos sintomas, sem alterações visíveis do tumor. </li></ul><ul><li>Outros mecanismos que não a morte celular são responsáveis por alguns dos efeitos da RT. </li></ul>
  9. 9. Eficácia da RT vs. Localização <ul><li>Quase todas as localizações são possíveis de tratar. </li></ul><ul><li>No contexto paliativo as tradicionais são o osso e o SNC. </li></ul><ul><li>Diversas localizações de primários são susceptiveis de RT paliativa. </li></ul><ul><li>Algumas localizações são evitadas de todo (abdomen / figado). </li></ul>
  10. 10. Principios Gerais do Tratamento Paliativo <ul><li>Estar em presença de doença para além da cura. </li></ul><ul><li>Determinar que o tumor é a causa do sintoma. </li></ul><ul><li>Definir objectivos realista (deve ser feito tratamento? que tratamento?) </li></ul><ul><li>Estabelecer contactos claros entre os elementos da equipa e o doente. </li></ul><ul><li>Começar pela modalidade mais eficaz e de menor morbilidade. </li></ul><ul><li>Evitar induzir efeitos secundário piores que o sintoma tratado. Richter e Coia; Seminars in Oncology, 12(4):1985;375-382 </li></ul>
  11. 11. RT Paliativa - Quando prescrever ? <ul><li>NB: a RT é apenas uma das armas disponíveis </li></ul><ul><li>Analgésicos ou outros medicamentos sintomáticos são muitas vezes suficientes (e portáteis). </li></ul><ul><li>Na ausência de sintomas a RT paliativa não é, provavelmente , indicada. </li></ul><ul><li>Deve evitar-se prescrever a RT como placebo. </li></ul><ul><li>Avaliar sempre o custo do tratamento em termos de tempo. </li></ul><ul><li>Podem decorrer quatro ou mais semanas até o efeito ser máximo. </li></ul>
  12. 12. Indicações Gerais da RT Paliativa <ul><li>Antiálgica: metástases ósseas; dor torácica associada ao cancro de pulmão; compressão de nervos; infiltração de tecidos moles. </li></ul><ul><li>Hemostática: hemoptise; hemorragia vaginal ou rectal. </li></ul><ul><li>Tumores vegetantes ou ulcerados </li></ul><ul><li>Desobstrutiva: esófago; traqueia/brônquio </li></ul><ul><li>Redução de outros sintomas: metástases cerebrais </li></ul><ul><li>Emergências oncológicas: compressão medular; svcs Kirkbride; Journal of Palliative Care, 11(1):1995;19-26 </li></ul>
  13. 13. Complicações da Radioterapia - 1 <ul><li>Efeitos secundários agudos : ocorrem durante a RT; são previsíveis e reversíveis. </li></ul><ul><li>Complicações tardias : aparecem meses a anos após a RT; frequentemente imprevisíveis e permanentes; por vezes catastróficos. </li></ul>
  14. 14. Complicações da Radioterapia - 2 <ul><li>São sempre localizados à zona irradiada. </li></ul><ul><li>A tolerância varia para diferentes tecidos. </li></ul><ul><li>A associação de QT pode potenciar a acção em certos tecidos. </li></ul><ul><li>Cirurgias prévias ou outras patologias podem alterar a resposta local. </li></ul><ul><li>Não há correlação entre efeitos agudos e o risco de sequelas tardias. </li></ul>
  15. 15. Complicações da Radioterapia - 3 <ul><li>Mesmo prevendo uma sobrevivência curta não exceder as doses de tolerância . </li></ul><ul><li>Numa RT de curta duração, os efeitos secundários agudos podem evidenciar-se só após o fim do tratamento. </li></ul><ul><li>Há frequentemente dissociação entre as complicações agudas e tardias. </li></ul><ul><li>Efeitos secundários tardios (fibrose grave, lesão microvascular) podem surgir meses a anos após a RT. </li></ul>
  16. 16. RT Paliativa - Controvérsias <ul><li>Existe controvérsia quanto à dose e fraccionamento. </li></ul><ul><li>Grandes volumes tumorais respondem pouco e por pouco tempo. </li></ul><ul><li>Há quem aponte o dedo às doses relativamente baixas administradas. </li></ul><ul><li>MAS, mesmo com doses elevadas : </li></ul><ul><ul><ul><li>(1) a remissão completa de grandes volumes tumorais é rara e </li></ul></ul></ul><ul><ul><ul><li>(2) a esperança e qualidade de vida destes doentes não são substancialmente alterados. </li></ul></ul></ul>
  17. 17. RT Paliativa - Certezas <ul><li>O alivio da dor ocorre com frequência. </li></ul><ul><li>80-90% de respostas objectivas; 50-60% de remissões completas. </li></ul><ul><li>Dos doentes que respondem, 80% permanecem sem dor </li></ul>
  18. 18. Números <ul><li>Ano de 1996 </li></ul><ul><li> 1979 casos submetidos a RT no IPO de Lisboa (%) </li></ul><ul><li>Mama 25.9 </li></ul><ul><li>Ginecologia 22.5 </li></ul><ul><li>Cabeça e pescoço 21.2 </li></ul><ul><li>Digestivo 8.8 </li></ul><ul><li>Hematologia 7.2 </li></ul><ul><li>Pele 5.0 </li></ul><ul><li>Pulmão 2.7 </li></ul><ul><li>Urogenital 2.1 </li></ul><ul><li>SNC 2.1 </li></ul><ul><li>Outros 2.5 </li></ul>
  19. 19. Números <ul><li>Casos submetidos a RT paliativa (%) </li></ul><ul><li> (n=784)* (n=588)** </li></ul><ul><li>Pulmão 35.3 10.2 </li></ul><ul><li>Mama 26.5 26.2 </li></ul><ul><li>Próstata 11.7 5.3 </li></ul><ul><li>Hematologia 5.2 8.8 </li></ul><ul><li>Tx 5.0 -- </li></ul><ul><li>Ginecologia -- 8.0 </li></ul><ul><li>Colorectal 3.4 11.2 </li></ul><ul><li>Pele/tec.conj. 1.4 5.3 </li></ul><ul><li>VADS 0.9 18.7 </li></ul><ul><li>SNC -- 2.0 </li></ul><ul><li>Outros 10.6 4.3 </li></ul><ul><li>* Coia e col.; Int.J.Radiat.Oncol.Biol.Phys., 14:1988;1261-1269 </li></ul><ul><li>** Rt / Ipo Lisboa 1995-1996 </li></ul>
  20. 20. Números <ul><li>Ano de 1996 </li></ul><ul><li>554 casos (28% do total) submetidos a RT paliativa </li></ul><ul><li>Osso 64 % (63% axiais) </li></ul><ul><li>SNC 23 % </li></ul><ul><li>Outros* 13 % </li></ul><ul><li>Paliativo SOE 48 % </li></ul><ul><li>Antiálgico 52 % </li></ul><ul><li>* recidivas locais ou locorregionais ou tumores localmente avançados </li></ul>
  21. 21. Conclusão <ul><li>A Radioterapia está envolvida no tratamento de metade dos casos de cancro . </li></ul><ul><li>A Radioterapia é uma terapêutica eficaz no tratamento da dor. </li></ul><ul><li>A sua administração deve ser modelada ao doente e situação em causa. </li></ul><ul><li>Se a prescrição for correcta, não há que temer os seus efeitos secundários . </li></ul><ul><li>A sua eficiência melhora quando enquadrada num esquema multidisciplinar incluindo quimioterapia, cirurgia, fisioterapia, anestesiologia, suporte psicossocial, suporte nutricional, enfermagem (Richter e Coia, 1985) . </li></ul>

×