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INTEGRAMÍDIA: informática e interatividade na escola1

Charles Lourenço de Bastos
xarlleslb@gmail.com
UFG

Resumo
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1 INTRODUÇÃO
Ninguém começa a ser educador numa terça-feira às quatro da tarde. Ninguém nasce
educador ou marcado para ...
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2 JUSTIFICATIVA

O projeto “Informática como forma de interação no ambiente escolar” foi idealizado a
partir de uma pro...
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conteúdo, com vistas à contextualização no sentido de desvelar aquilo que é demanda na
sociedade.
No desenvolvimento do...
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4 REFERENCIAL TEÓRICO
Os seres humanos desenvolveram, ao longo dos séculos, inúmeras tecnologias para sua
sobrevivência...
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precisam ser atendidas para mudar o estado destes sujeitos exclusos. Nesse sentido, Silveira
(2009) afirma que:
a socie...
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apenas no acumular, mas – com a curiosidade, a criatividade, a experimentação – produzir,
sermos autores.
O aluno també...
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4.2 Informática: interatividade no ambiente escolar
A escola não tem acompanhado, com a mesma velocidade, as mudanças i...
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muitos, a educação para a vida, para a sociedade e a sociedade tem vivido o que se
chama “cultura das mídias”. (BASTOS ...
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O mundo move-se historicamente no sentido da evolução e as tecnologias fazem parte
desse processo. No entanto, a denom...
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A natureza objetal da atividade não se restringe aos processos cognoscitivos, mas
estende-se à esfera das necessidades...
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Quando o professor visualiza sua prática, é preciso um toque de criatividade. Sem a
criatividade, o professor acaba re...
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mantiveram fixos, houve algumas poucas mudanças, procurando alunos participativos e
interessados no projeto.
Os regist...
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alguns momentos: durante a semana de planejamento, em janeiro deste ano, momento de
apresentação geral; na sala dos pr...
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No dia 7 de fevereiro foram estruturados os dois ambientes – grupo fechado no Facebook e
blog no Blogger. Em seguida, ...
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Figura 4 - Oficina: Produção de Tirinhas.

Fonte: Tirinha, de Charles L. Bastos em Blog IntegraMídia.

Figura 5 - Ofic...
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Os alunos reuniram-se em momentos diferentes dos dias de encontro para auxiliar outros
alunos a organizarem atividades...
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b) Cyberbullying – aproveitando de exemplos ocorridos noutra escola e que foram
discutidos na escola, tratamos de deba...
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Excel. Foi realizada uma breve explicação e a professora retornou contentamento em
conseguir organizar suas atividades...
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aprendizagem. Acredito que para atender aos objetivos estipulados é importantíssimo a
continuidade do projeto, para qu...
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mesmas práticas. O aluno precisa ser motivado, estar compromissado e ter claros os objetivos da
atividade que será des...
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REFERÊNCIAS
ARAÚJO, Ivanildo Amaro. Formação de professores e tecnologias da informação e da
comunicação. Professor, v...
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Integramídia - informática e interatividade na escola

  1. 1. 1 INTEGRAMÍDIA: informática e interatividade na escola1 Charles Lourenço de Bastos xarlleslb@gmail.com UFG Resumo Este artigo é produto de um projeto de intervenção e trata da formação continuada e de práticas de ensino e aprendizagem com foco na discussão sobre a necessidade de apropriação das TICs no contexto escolar. No projeto estiveram envolvidos docentes e discentes da escola Polo Educacional Centro Municipal de Letramento, Uruana-GO, em que foram desenvolvidos planejamentos, aulas, oficinas, debates e discussões. Os resultados da intervenção revelam que o maior desafio continua sendo os sujeitos resistentes à mudança – presos ao passado e fechados para o presente – não a posse de objetos tecnológicos. Palavras-chave: Formação Continuada; Informática; Interação; Prática Pedagógica. Abstract This article is the product of an intervention project and deals with continuing education, practice teaching and learning with a focus on the discussion about the need for ownership of ICTs in the school context. Were involved in the project teachers and students of the school Polo Educacional Centro Municipal de Letramento, Uruana-GO, which were developed plans, lessons, workshops, debates and discussions. Intervention results reveal that the biggest challenge remains the subject resistant to change - stuck in the past and closed for the present - not the possession of technological objects. Keywords: Continuing Education; Computers; Interaction; Teaching Practice. 1 Trabalho apresentado no GT Informática, do I Seminário Mídia na Educação, Goiânia, setembro de 2013.
  2. 2. 2 1 INTRODUÇÃO Ninguém começa a ser educador numa terça-feira às quatro da tarde. Ninguém nasce educador ou marcado para ser educador. A gente se faz educador, a gente se forma, como educador, permanentemente, na prática e na reflexão sobre a prática. (FREIRE, 1991, p. 58). Nós professores, não nos formamos para isto ou para aquilo, não ficamos prontos, estamos moldando, sendo moldados e por vezes quebrando estes moldes e nos reformulando. Não estamos de todo preparados como educadores, somos desafiados diariamente. Se podamos as mudanças, crentes que o formar se finda, criamos barreiras entre os sujeitos, eliminamos possibilidades de formação e reflexão sobre nossas ações, seja como professores ou alunos. Ao não percebemos a necessidade do pensar sobre a prática, mantemo-nos na constante de uma fórmula e, assim, não contribuímos com nada novo, nem tampouco acompanhamos as mudanças. Procuramos articular, com o projeto de intervenção “Informática como forma de interação no ambiente escolar”, na escola Polo Educacional Centro Municipal de Letramento, Uruana-GO, as mídias à prática pedagógica de professores e alunos, buscando despertar os professores para a necessidade do uso da Informática no ensino e na aprendizagem, para que docentes e discentes possam interagir em sintonia com a sociedade atual. Baseando-nos em autores como Araújo, Asbahr, Bévort, Duran, Lévy, Moran, Prensky e Silveira, fundamentamos nossas reflexões teóricas sobre a postura dos professores frente às inovações midiáticas. Em relação à prática, selecionamos estratégias diferenciadas para que os inúmeros recursos disponibilizados na escola pudessem ser articulados, aos poucos, às ações do professor, não como instrumentos de reprodução, mas de renovação das metodologias de ensino por meio da articulação entre as práticas escolares e aquelas vivenciadas fora da escola. Santaella (2003, p.24) afirma que o desenvolvimento das tecnologias da informação e comunicação tem influenciado toda a sociedade; mas alerta também que “não devemos cair no equívoco de julgar que as transformações culturais são devidas apenas ao advento de novas tecnologias e novos meios de comunicação e cultura”, já que as mensagens e os processos comunicativos é que são os responsáveis por moldar o pensamento e a sensibilidade dos seres humanos, bem como pelo surgimento de novos ambientes socioculturais. De acordo com a autora, se vivemos na “Cultura das Mídias”, que está fortemente presente na comunicação, e se entendemos que comunicação é educação, faz-se necessária uma nova cultura de aprendizagem. A aprendizagem ocorre, de fato, quando aprendemos e ensinamos, ininterruptamente, acompanhando de forma ativa os movimentos da sociedade.
  3. 3. 3 2 JUSTIFICATIVA O projeto “Informática como forma de interação no ambiente escolar” foi idealizado a partir de uma proposta do curso de Especialização em Mídias na Educação. Nesse curso, não foram poucos os momentos de leituras e discussões a respeito das mídias e da prática do professor, além de outros temas. Atentando para um ambiente próximo, no qual atuamos, percebemos a necessidade de se trabalhar a prática do professor em meio às mídias, que não são tão recentes, mas que só há pouco se fazem presentes de modo efetivo na escola. A Informática raramente está presente nas práticas dos professores; raros são os momentos em que se faz uso de algum recurso midiático, e quase sempre há a reprodução da mesma prática sem a percepção de novas perspectivas metodológicas e exploração das TICs. Uma das mazelas na escola tem sido a falta de acompanhamento do professor às mudanças que o cerca. Os alunos passam e participam de transformações constantes e, no que se referem às mídias, essas se intensificaram a partir do final do século passado; algo que não ocorreu com o professor, já que a grande maioria ainda se prende às mesmas práticas com as quais aprendeu e que ensina faz anos. Como professor e conhecedor da realidade em que se dá a apropriação das mídias, especificamente na escola em questão, propusemos à comunidade escolar a temática deste projeto, isto é, a realização de oficinas para alunos e professores. A efetivação do projeto justifica-se por sua importância e necessidade do próprio contexto. Verificamos que a escola abriga um dos Polos UAB (Universidade Aberta do Brasil), de educação a distância, e uma das contrapartidas é o considerável número de recursos midiáticos (laboratórios de informática, acesso livre à web, ampliação da biblioteca, datas-shows, projetores, TVs, ambiente virtual de pesquisa, amplificadores de som, etc.) disponibilizados para uso comum às duas instituições de ensino. A potencialização de uso adequado dos espaços criados e das mídias disponibilizadas é fundamental para a prática do professor, oportunizando melhores condições de ensino e de aprendizagem aos alunos. A proposta de intervenção esteve justamente voltada para a exemplificação de práticas que podem colaborar para a aproximação do ensino e da aprendizagem da realidade dos alunos. Levando-se em consideração o momento que a sociedade atual vive, buscou-se ampliar as perspectivas metodológicas para o planejamento das práticas do professor, proporcionar ambientes que sejam geridos pelos sujeitos da educação, numa colaboração não linear, com partida planejada, mas com resultados produzidos por estes sujeitos, para além de um objetivo de
  4. 4. 4 conteúdo, com vistas à contextualização no sentido de desvelar aquilo que é demanda na sociedade. No desenvolvimento do projeto, foram criados alguns ambientes virtuais que permitiram a ampliação de discussões a respeito do que se estuda na escola e do que o aluno vivencia fora dela, além do registro destas práticas de ensino e de aprendizagem; tudo isso na busca de que as mídias fossem realmente integradas às atividades educativas realizadas na escola. Esses ambientes virtuais foram nutridos de discussões, troca de ideias, conteúdos didáticos, informações atualizadas, criações, tudo com o auxílio da informática. Na construção destes ambientes em web, foram aproveitados, por exemplo, blogs, grupos e redes sociais, além de softwares para tratamento de dados e de informação e, com isso, tornou-se possível refletir e rever a própria prática do professor. Trabalhos dessa natureza ainda não haviam sido desenvolvidos nessa escola, já que o uso das diversas mídias é destinado, basicamente, à transmissão de conteúdos, com poucas oportunidades de criação e autoria. É importante destacar que a proposta não esteve voltada para o abandono das atividades presenciais, mas de valorização da Informática e exploração do espaço virtual para o enriquecimento da prática do professor. Pela vivência, os professores não têm em sua prática a inserção da Informática, não pela falta de instrumentalização, já que há bastante oferta; mas por falta de conhecimento a respeito de sua importância, e mais, não sentem necessidade de utilizar tecnologias em sua prática pedagógica. Sem essa necessidade, ele a vê como pouco útil, um enfeite, floreio, distração ou passatempo. 3 OBJETIVOS O projeto estruturou-se em torno dos seguintes objetivos: 3.1 Objetivo geral Discutir a respeito de possíveis potencialidades do uso da Informática na escola para a ampliação de novas práticas de ensino e de aprendizagem. 3.2 Objetivos específicos Refletir quanto à relação de professores e de alunos no uso da Informática. Incluir o uso da Informática em práticas de ensino e de aprendizagem. Proporcionar momentos de discussão sobre a necessidade de integrar, no cotidiano escolar, as mídias.
  5. 5. 5 4 REFERENCIAL TEÓRICO Os seres humanos desenvolveram, ao longo dos séculos, inúmeras tecnologias para sua sobrevivência e bem-estar. A Informática, uma conquista recente na história, por estar atrelada à Segunda Guerra Mundial, não foi pensada para a educação. No entanto, atualmente os computadores pessoais e a própria Internet estão sendo cada vez mais apropriados para fins educacionais. São várias as questões que envolvem esta apropriação, mas iremos nos concentrar na reflexão sobre as relações entre escola e sociedade; já que a escola é parte da sociedade e viceversa, de modo que não se pode distanciar uma da outra. 4.1 Comunicação e Educação As últimas décadas têm sido marcadas por fatos que mudaram e têm mudado a sociedade, principalmente pela velocidade com que ocorreram. Tudo acontece a todo tempo e num tempo cada vez menor. A informação é cada vez mais presente, ela surge de toda parte, por diversas fontes e n versões. Inúmeras comunidades vão se aproximando e aos poucos conhecendo e sendo conhecidas. A comunicação entre distantes é em tempo real, não se é apenas receptor ou emissor, mas emissor e receptor. Os mercados, serviços e funções se aprimoram e ampliam; máquinas encurtam funções, reduzem e alteram a mão-de-obra. Tudo isso e mais, é fruto da Revolução Informacional que disponibiliza ao sujeito uma enormidade de informações em tempos e espaços diferentes dos anteriores. Ele continua dependente do conhecimento, que agora é novo a todo instante, e para isso há que dominar e acompanhar o avanço tecnológico. Tal avanço, ocorrendo paralelamente à globalização, é presente no desenvolvimento da comunicação e da informação e contribui para o que vivenciamos como Sociedade da Informação; uma sociedade em que: Cada nova manhã traz um mundo cheio de novidades, e o espaço e o tempo ficaram mais curtos e próximos: lidamos, na contemporaneidade, com imensa quantidade de informações novas, disponíveis em formatos e formas de acessibilidade cada vez mais rápidas, diferentes e complexas. Todo este movimento gera uma ampliação da internacionalização dos conhecimentos necessários para se tomar decisões, ser mais produtivo e competitivo no mercado, fazendo com que seja também cada vez mais necessário, o aprimoramento constante e a formação continuada. (BEAUCLAIR, 2007, p. 26). É evidente que aqueles que não têm condição de acesso à informação estão ainda distantes de serem beneficiados pelas promessas dessa sociedade. Conhecer e ser capaz de lidar com as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs) – é uma das necessidades urgentes que
  6. 6. 6 precisam ser atendidas para mudar o estado destes sujeitos exclusos. Nesse sentido, Silveira (2009) afirma que: a sociedade é cada vez mais uma sociedade da informação e os grupos sociais que não souberem processar, encontrar, organizar, armazenar, recuperar e distribuir essas informações poderão ter suas condições de vida degradadas. Além disso, a exclusão das redes digitais elevará ainda mais a exclusão social. Percebemos que existem investimentos, por meio de políticas de educação, que ampliam o número de equipamentos fornecidos às escolas. Tem-se procurado facilitar o acesso à Internet, por meio de investimentos em formação continuada, que são amparados por vários projetos de inclusão. No entanto, isso não tem sido suficiente para superar a distância que muitos sujeitos têm das tecnologias digitais; menos ainda as dificuldades de discutir e agir sobre sua produção e popularização. A esse respeito, Tas (2009, p. 236) afirma que: Depende de como as pessoas que planejam a educação vão tratar deste mundo novo (...). Hoje, se o professor achar que é proprietário do conhecimento ele está fora do mundo. A informação está totalmente disponível e nós vamos ter que encontrar esse discernimento em rede. O conhecimento vai ser produzido desse relacionamento do professor com seus alunos, que é a tarefa do professor desde tempos imemoriais: ser um produtor de insights, de fricções de mentes e corações (...). Você tem que provocar um movimento físico, emocional no interior da pessoa. O cenário digital é muito propício a isso, porque não precisamos mais carregar e decorar livros para cima e para baixo, está tudo na rede, o que sobra é o discernimento. A informação está presente em grandes momentos históricos e para cada um deles, ela esteve restrita de algum modo à grande parte da população. A informação tem sido, por séculos, entendida como meio de domínio de massa, mercadoria, propriedade. É cada vez mais presente o conhecimento como instrumento de poder. A esse respeito, Machado (1997, p. 15), sustenta que: Com a emergência das novas tecnologias informacionais, o conhecimento passou a ocupar o centro das atenções, tornando-se o principal fator de produção. Não se trata mais de aplicar o conhecimento ao trabalho, mas de uma quase total identificação entre o mundo do conhecimento e o mundo do trabalho. Na verdade, o conhecimento passa a ser aplicado ao conhecimento; aprender a aprender é o que importa (...). O professor ainda precisa ter este entendimento de maior dedicação à continuidade do aprender; há que aprender a aprender. Não é possível se definir até um ponto e pronto, devemos quebrar a condição de satisfação, ou assim deixamos de estar abertos para mais conhecimentos, para novos conhecimentos. Devemos nos permitir ao estudo, e isso não se restringe a ficarmos
  7. 7. 7 apenas no acumular, mas – com a curiosidade, a criatividade, a experimentação – produzir, sermos autores. O aluno também necessita deste entendimento, de que não se aprende apenas para a aplicabilidade, mas também para o conhecimento. Com nossas interações e na sociedade vamos aprendendo a atribuir significados e sentido aos conhecimentos construídos. O professor está além do repasse de informações, já que atua na seleção que visa à produção de novos conhecimentos. Ele aprende indefinidamente, ensina e ensina a aprender. Segundo Delors (1998, p. 89): A educação deve organizar-se em torno de quatro aprendizagens fundamentais que, ao longo de toda a vida, serão de algum modo para cada indivíduo, os pilares do conhecimento: aprender a conhecer, isto é adquirir os instrumentos da compreensão; aprender a fazer, para poder agir sobre o meio envolvente; aprender a viver juntos, a fim de participar e cooperar com os outros em todas as atividades humanas; finalmente aprender a ser, via essencial que integra as três precedentes. É mais que visível que inclusão digital não trata apenas da questão de fornecer instrumentos, pois sozinhos eles nada podem fazer. Há que ter o entendimento de como ensinar com tecnologia, e sobre o que é preciso saber a respeito dela. Estão no sujeito os entraves que isolam a escola da sociedade, quando falamos em Mídia, em Informática. Não é mais uma questão de acesso ao equipamento, mas do sujeito aprender a aprender. Não se aprende até um ponto, aprender demanda continuidade, troca de experiências, trabalho com áreas diversificadas que se unem (interdisciplinaridade), há que comunicar. É como afirma Duran, (2010, p. 20): O que choca, no entanto, não é a valorização da tecnologia ou o reconhecimento de um suposto potencial de inclusão ou de desenvolvimento, uma vez que não é preciso nenhum arrazoado mais sofisticado para convencer alguém a respeito de tal possibilidade. O problema reside, a nosso ver, na disseminação e na aceitação indiscriminada de certas perspectivas de abordagem que tratam a inclusão e o desenvolvimento como problemas tecnológicos, quanto na realidade são humanos. Comunicar em educação é desafio necessário aos indivíduos que não param, que de algum modo estão constantemente se desenvolvendo. Ao desvelar esse exercício que tem formado praticamente todos os sujeitos, percebe-se que não é a inserção dos instrumentos tecnológicos a principal dificuldade dos profissionais. Buscar a constância na formação, estar disposto e presente ao novo, experienciar, saber ouvir, instigar à fala, mediar e planejar são para o professor ações que tornam o diálogo possível e que contribuem para a qualidade na educação. Uma educação que tanto carece de outros atores, que não só o professor.
  8. 8. 8 4.2 Informática: interatividade no ambiente escolar A escola não tem acompanhado, com a mesma velocidade, as mudanças instauradas na sociedade; por vezes, até as rejeita; e assim, ela não tem preparado o aluno para os novos desafios da Sociedade da Informação. Não é questão de falta de recursos materiais, ou de apenas aprenderem a utilizá-los, por não serem “nativos digitais”; muitos professores apenas se acomodaram e vivem estacionados numa confortável rotina, ou ainda não compreenderam que é preciso agregar à sua prática a linguagem digital; que sua relação com o outro precisa ser próxima, e para isso há que integrar à sua prática aquilo que seus alunos de algum modo vivenciam em sociedade, para que sejam críticos e não submissos. A escrita era o eco, sobre um plano cognitivo, da invenção sociotécnica do tempo delimitado e do estoque. A informática, ao contrário, faz parte do trabalho de reabsorção de um espaço-tempo social viscoso, de forte inércia, em proveito de uma reorganização permanente e em tempo real dos agenciamentos sociotécnicos: flexibilidade, fluxo tensionado, estoque zero, prazo zero. (LÉVY, 1993, p. 115). Querer negar-se à mudança é fechar-se para o novo, é acomodar-se, manter-se em estado inerte, é não acompanhar o movimento da sociedade. A escola é um dos ambientes responsáveis pela formação de pessoas para a socialização, para a interação, para a movimentação. Quando nos referenciamos à mudança, não queremos indicar que estaríamos todos num mesmo trilho, pelos mesmos meios e para os mesmos fins, mas que cada um a seu modo de ser e agir não rejeite as transformações que provocamos e que nos provocam ou, do contrário, nos excluímos. Duran (2010, p. 315) discorre a respeito da flexibilidade na educação indicando que: a partir das políticas públicas, do diálogo entre professores, do estudo de novas teorias, da troca de experiências, das relações entre escolas e comunidade e de outros fatores, surgem contradições que afetam os modos pelos quais os educadores pensam a educação e, mais especificamente, concebem os projetos que envolvem o uso das TIC. Sendo assim, os professores podem mudar sua prática, escolas podem redirecionar seus objetivos e até mesmo iniciativas governamentais podem dar novos rumos à educação. Em texto anterior2, de nossa autoria, que trata de estudos a respeito de mídias na educação, evidenciamos que: A todo o momento é possível perceber a presença de algum avanço tecnológico. Não devemos considerar que é a tecnologia a causadora de mudanças em nossas vidas, mas que nós provocamos as inovações tecnológicas. Não é que nosso modo de ser e agir não esteja mudando com os avanços tecnológicos. Se a tecnologia existe e percebe-se uma mudança cultural, isso ocorre justamente por sermos os causadores. Considerando assim, não há porque não explorar os recursos tecnológicos na escola, já que é seu papel, dentre 2 “Resistência em utilizar recursos tecnológicos na escola”.
  9. 9. 9 muitos, a educação para a vida, para a sociedade e a sociedade tem vivido o que se chama “cultura das mídias”. (BASTOS et al, 2012, p. 3). No mesmo sentido, Bévort (2009, p. 1084) ressalta ainda que a: interação das TIC na escola, em todos os seus níveis, é fundamental porque estas técnicas já estão presentes na vida de todas as crianças e adolescentes e funcionam – de modo desigual, real ou virtual – como agências de socialização, concorrendo com a escola e a família. Os alunos trazem consigo, grande quantidade de informações que eles filtram, sobre leituras breves, textos ilustrados, temas que lhes são interessantes e que por vezes servem-nos para a mediação do ensino e da aprendizagem. Diariamente, alunos chegam à sala de aula, comentando a respeito de algum assunto que correu nas redes sociais ou sobre jogos em web e partilham e produzem neles e com eles. Muitos têm a sua própria máquina digital, a maioria possui celular, pendrive, perfis em redes sociais, jogos RPG, alguns têm notebook, Tablet, iPad, Iphone, etc. De fato, é cada vez mais raro encontrar algum aluno que não teve contato com algum destes aparelhos. É claro que outros meios midiáticos acabaram perdendo campo, – por exemplo: impressos, rádio, TV –, mas já lhes é próximo ou presente. Não há como negar a forte presença das mídias na sociedade. É preciso compreender como o professor tem se posicionado em sua prática frente às mudanças tecnológicas. Araújo (2010, p. 1), diz que: No contexto das velozes alterações tecnológicas no qual nos encontramos neste século XXI, algumas exigências se impõem e atingem diretamente mudanças na formação de professores. No espaço da universidade, essa formação deve se sustentar numa sólida formação teórica articulada com as capacidades de intervir de modo crítico na realidade cotidiana dos espaços formativos. A escola é um desses espaços. É fundamental que receios, medos, temores das tecnologias da informação e da comunicação possam ser dirimidos no sentido de tornar o professor um profissional capaz de avançar na construção dos conhecimentos de forma criativa, crítica e autônoma. Em uma de nossas reflexões3, nos referimos à escola como um espaço que deveria refletir o que se vive e promove em sociedade: A escola seria um lugar de constantes movimentos em acordo com o que o indivíduo tem ou poderá ter disponível para além de seus muros. Comunica-se conforme o que se vive; a educação não é algo estático, não se trata de transmissão do mesmo, mas de constantes mudanças “refazendo” o conhecimento. Isso se faz com o meio, sobre ele; há que experienciar, testar as sensações, instigar percepções, mover-se com o movimento do que o cerca. (BASTOS, 2012, p. 3). 3 “Um diálogo necessário: comunicar em educação e os instrumentos tecnológicos”.
  10. 10. 10 O mundo move-se historicamente no sentido da evolução e as tecnologias fazem parte desse processo. No entanto, a denominada evolução nem sempre é positiva, pois nem sempre mais tecnologia implica diretamente mais inclusão; já que a humanidade envolve-se em questões fundamentalmente políticas que direcionam o curso do desenvolvimento tecnológico e as respectivas possibilidades de apropriação. A evolução que ocorre quando se busca a mudança ou quando se é provocado (necessidade, motivação, influência, exemplo), comumente ocorre por seres que não se aquietam diante da situação em que vivem. Muito disso pode não ter volta, há um momento em que ou nos apropriamos, e mais, propomos novas mudanças, ou tornamos seres à margem, alienados, exclusos. Avançaremos mais se aprendermos a equilibrar planejamento e a criatividade, a organização e a adaptação a cada situação, a aceitar os imprevistos, a gerenciar o que podemos prever e a incorporar o novo, o inesperado. Planejamento aberto, que prevê, que está pronto para mudanças, para sugestões, adaptações. Criatividade, que envolve sinergia, pôr as diversas habilidades em comunhão valorizar as contribuições de cada um, estimulando o clima de confiança, de apoio. (MORAN, 2007, p. 32). A prática deve ser reflexiva, motivadora, criativa, dialogada, partilhada; não é suficiente pesquisar ideias prontas e reproduzi-las ou remontá-las. Entende-se que a resistência em utilizar a maioria das mídias, ou o uso inadequado delas, se deve à ancoragem num molde de educação que não reflete a sociedade e que pouco se modifica. Lévy (2011, p. 08), afirma que: É certo que a escola é uma instituição que há cinco mil anos se baseia no falar/ditar do mestre, na escrita manuscrita do aluno e, há quatro séculos, em um uso moderado da impressão. Uma verdadeira integração da informática (...) supõe portanto o abandono de um hábito antropológico mais que milenar, o que não pode ser feito em alguns anos. Há um apontamento de Prensky (2001, p. 2) sobre o fato de os professores utilizarem uma linguagem ultrapassada, e que estão lutando para ensinar uma população que fala uma linguagem totalmente nova. É claro que essa fala de 12 anos atrás pode não elucidar o que a educação vivencia com o teor que o autor propõe de que seja este seu único e maior problema, mas presenciamos certo distanciamento dos professores para com as mudanças midiáticas. Asbahr (2005), apoiada na Teoria Psicológica da Atividade, indica que “necessidade, objeto e motivo são componentes estruturais da atividade”, complementa que “a atividade não pode existir senão pelas ações”. E ainda, relata que:
  11. 11. 11 A natureza objetal da atividade não se restringe aos processos cognoscitivos, mas estende-se à esfera das necessidades, à esfera das emoções. (...) Somente quando um objeto corresponde à necessidade, esta pode orientar e regular a atividade. (ASBAHR, 2005) Considerando a referência de Asbahr à atividade como a prática do professor, tendo como objeto as TIC (principalmente a Informática), poderíamos dizer que a necessidade está em integrar à escola tal objeto e o motivo seria o de aproximar a vivência social do aluno e do professor ao ensino e à aprendizagem da escola. A questão de entrave está justamente na necessidade; sem ela o professor estará inerte, não haverá ações, e a mudança da prática não existirá. Mas o objeto disponibilizado à comunidade escolar, não tem correspondido à necessidade? Ou a necessidade não existe para o professor? Acredito que para muitos professores ainda não há a necessidade, já que as mídias são raramente exploradas. O conhecimento sobre a importância das mídias e a aplicabilidade desse conhecimento no ensino poderia contribuir para a construção de uma proposta capaz de ir além da instrução do aluno no sentido de discutir as transformações sociais decorrentes do avanço tecnológico que o cerca. Mais que um chamariz, poderia haver uma possível aproximação entre teoria e prática, o gosto pela aprendizagem; e ainda mais, o despertar no professor da necessidade das TICs na escola, como objeto, cujo motivo estaria em, além de acompanhar, influir no desenvolvimento da sociedade. Quem sabe então, o professor deixaria suas velhas práticas, agregando, assim, novas mídias, especialmente a Informática. Acreditamos que para isso sejam necessárias as seguintes ações: a) a discussão e reflexão das práticas do professor e a troca de informações a respeito das práticas que serão propostas; b) o incentivo por coordenadores pedagógicos, diretores e outros dirigentes da escola; c) que a escola se prontifique à imersão, discussão, que continue com o projeto e que ele seja exemplo para novos projetos; d) que o aluno se sinta atraído pela proposta e que ela não seja apenas um caminho diferente para as mesmas práticas; e) que o professor seja criativo, que não receie arriscar, explorar, partilhar suas vivências, ouvir o outro. E mais, não basta um ou outro, é preciso um conjunto de todos, de tudo isso e de acompanhar e agir no movimento externo á escola, para que a educação realmente pense e integre a mídia.
  12. 12. 12 Quando o professor visualiza sua prática, é preciso um toque de criatividade. Sem a criatividade, o professor acaba recorrendo de forma repetitiva às mesmas ações, atividades e formalidades numa prática pouco ou nada atrativa. Com a criatividade, ele torna-se autor, não deixa de pesquisar, mas inova, propõe novos desafios, e com o aluno, cria e recria. É importante entender que a criatividade não remete ao floreio, ao acréscimo de recursos e arremates que deixam uma atividade bonita ou impactante ao público, mas uma nova proposta que colabora para o alcance de objetivos e consegue relacionar as disciplinas, as pessoas, os recursos, em favor da produção do conhecimento e de efetiva atuação na nova sociedade. 5 METODOLOGIA Quando propusemos uma intervenção sobre a inserção da Informática na prática do professor, apoiamo-nos num aporte teórico que permitiu o planejamento e o desenvolvimento de ações que foram ao encontro dos objetivos descritos no projeto. Para isso, todos os autores estudados no curso de Especialização em Midas na Educação até o momento têm sido a base para pesquisa bibliográfica. O projeto foi desenvolvido em parceria com professores e alunos que se disponibilizaram a participar. A base do projeto esteve no estudo e na criação de oficinas, atividades e ações, por uma equipe responsável direta pela manutenção do projeto enquanto execução. A equipe (INTEGRAMÍDIA) foi formada por um professor e treze alunos que, em sua maioria, apresentaram perfil de maior proximidade com a Informática. A equipe propôs, acolheu e acompanhou propostas que procuraram modificar a prática do professor no sentido de integração com a Informática. O próprio desenvolvimento e apreciação das ações/atividades do projeto serviram para discussões de conteúdos didáticos e das mídias, entre alunos e professores. Os materiais produzidos estão registrados em ambientes criados especificamente para desenvolvimento do projeto; são eles: um blog (www.integramidia.blogspot.com) e um grupo numa rede social (INTEGRAMÍDIA). Toda semana, em dois dias, com duração de 1h30min, a equipe se reuniu para discussões, treinamentos, debates, oficinas e outros. Os planejamentos das temáticas dos encontros e outras organizações foram realizados por meio do grupo fechado no Facebook. Os alunos não se
  13. 13. 13 mantiveram fixos, houve algumas poucas mudanças, procurando alunos participativos e interessados no projeto. Os registros das atividades realizadas nos encontros foram disponibilizados na web por meio do blog, para toda comunidade escolar e para qualquer outro que dispor de acesso à internet. No blog, estão presentes também recomendações de sítios, oficinas, temas, bem como, a disponibilização de retorno do leitor, constituindo um ambiente de partilha de experiências da comunidade escolar. 5.1 Período da execução A intervenção iniciou-se em 8 fevereiro de 2013 e encerrou-se em 22 de maio de 2013. 5.2 Público Alvo O público-alvo do projeto foram professores e alunos da educação básica da escola Polo Educacional Centro Municipal de Letramento I em Uruana-Goiás. Entre os professores, apenas dois dos que atuam nesta escola ainda não concluiu uma graduação. A maioria dos professores possui alguma especialização. Uma considerável parcela possui um computador com acesso à web em casa, mas isso não indica que saibam utilizá-lo e aproveitá-lo em suas práticas. A escola disponibiliza um computador com acesso na sala de professores e o agendamento do uso dos laboratórios de informática, além de acesso livre à web em qualquer ponto da escola. Nas ações do projeto foram desenvolvidas atividades que envolveram alunos de 1º a 9º ano, com idade entre 06 e 15 anos. Estes alunos, em sua maioria, residem próximo à escola, com alguns morando nos distritos e fazendas do entorno da cidade. Considerando um conjunto com aproximadamente 800 alunos, são poucos os que possuem um computador ou acesso à web em casa. 5.3 Descrição do Processo de implementação do Projeto A autorização para intervenção ocorreu ainda no final do ano de 2012, reforçada e afirmada em 2013, quando a escola passou a ter a primeira equipe de gestão independente da secretaria municipal da educação. Esta equipe pediu apenas que não fossem inseridas imagens dos alunos no blog, já que ele possui visualização pública. Pude explicar a intenção do projeto em
  14. 14. 14 alguns momentos: durante a semana de planejamento, em janeiro deste ano, momento de apresentação geral; na sala dos professores, explicando e exemplificando como seria a colaboração do projeto na prática de cada professor que demonstrasse interesse em parceria; e com os alunos, em que primeiro foi verificado que alunos gostariam de participar e depois de colhidas as autorizações de seus responsáveis, convocando 13 alunos (7º ao 9º ano) dos que confirmaram autorização. O projeto de intervenção seguiu as etapas descritas no Quadro 1: Etapas Ações Descrição Encaminhamento do projeto para autorização e inserção no projeto político pedagógico da escola. 1 Autorização 2 Divulgação Divulgar para a toda a escola (professores e alunos) da proposta e de possíveis parcerias. 3 Organização e planejamento Organização da equipe de trabalho e detalhamento das próximas etapas do projeto. 4 Produção Elaboração de oficinas e de propostas de aulas. Criação do blog e do grupo de interação. 5 Execução e acompanhamento Implantação do projeto. Quadro 1 – Etapas de desenvolvimento do projeto Figura 1 - 1º Encontro da Equipe IntegraMídia - Laboratório de Informática. Fonte: Foto, de Charles L. Bastos.
  15. 15. 15 No dia 7 de fevereiro foram estruturados os dois ambientes – grupo fechado no Facebook e blog no Blogger. Em seguida, foram repassadas as primeiras informações à Equipe IntegraMídia e os alunos adicionados ao grupo. Nos dias 14 e 15 de fevereiro foram realizados os primeiros encontros e começamos a estruturar oficinas e debates, além de nutrir os ambientes virtuais, repassar informações dos debates e oficinas aos professores e aos demais alunos da escola. Figura 2 - Grupo fechado: IntegraMídia, na rede social Facebook. Fonte: Print screen, de Charles L. Bastos. Figura 3 - Blog IntegraMídia, no blogger. Fonte: Print screen, de Charles L. Bastos.
  16. 16. 16 Figura 4 - Oficina: Produção de Tirinhas. Fonte: Tirinha, de Charles L. Bastos em Blog IntegraMídia. Figura 5 - Oficina: Secção de Figuras Tridimensionais. Fonte: Imagens no Cabri 3D, de Charles L. Bastos. Figura 6 – Equipe IntegraMídia – Encontro para organização de oficinas e debates. Fonte: Foto de Gustavo Ferreira.
  17. 17. 17 Os alunos reuniram-se em momentos diferentes dos dias de encontro para auxiliar outros alunos a organizarem atividades e trabalhos propostos por outros professores; realizaram propostas de atividades aos professores em sala de aula; estes professores me procuravam para estruturar suas atividades. Em alguns momentos foram feitos retornos aos professores de como utilizar determinada ferramenta ou software; já em outros, organização de grupos (alunos da equipe IntegraMídia e de turmas encaminhadas pelos professores) para estruturarem atividades no laboratório de informática. E assim foi se desenvolvendo o projeto. 6 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS Durante o desenvolvimento do projeto tivemos que superar algumas dificuldades; a saber:  Professores se negando a participar do projeto;  Alunos que queriam apenas um momento de distração ao participar das atividades;  O impedimento de uso livre de redes sociais e de eletrônicos como celular e tablet;  Professores com atividades que apenas reproduziam conteúdos;  Professores interessados apenas no produto final, e não em aprender a fazer;  Laboratório de informática sendo utilizado como sala de reforço. Na realidade, a principal dificuldade sentida foi quanto ao “acesso ao sujeito”, a questão do professor perceber que ele precisa aprender, de que só assim ele poderá ter sua independência ao planejar suas aulas, pois será capaz da autoria, de que com sua criatividade a produção de objetos educacionais tecnológicos, ou com o uso de recursos como a informática, ele esteja no meio e não no fim de um processo. Mesmo com tais dificuldades, após um período de aproximadamente 4 meses, foi possível notar algumas mudanças quanto ao uso da Informática nas práticas de ensino e de aprendizagem. Elas são singelas, mas representativas quando pensamos em uma escola que tem certa quantidade de recursos tecnológicos, mas que tem como uso característico a reprodução de conteúdos. Nestes meses foi possível discutir algumas temáticas como: a) O que é informática? – procurando entender o que compreende informática, e o que dela podemos utilizar em nossas práticas, partindo do entendimento inicial entre alunos e professores.
  18. 18. 18 b) Cyberbullying – aproveitando de exemplos ocorridos noutra escola e que foram discutidos na escola, tratamos de debater sobre o tema entre os alunos e exemplificar ações deles, por exemplo, em redes sociais que poderiam ser evitadas. c) Vício em Internet – discussão entre os alunos da equipe IntegraMídia e que se estendeu aos demais alunos sobre problemas ocasionados com o excesso do uso da internet, com a negação do convívio social para fora daquele ambiente virtual. Pudemos colaborar também no planejamento de aulas como: a) Oficina: Tirinhas – levando modelos de Memes utilizados por muitos alunos nas redes sociais, para o contexto da língua portuguesa, na produção e reprodução de textos. Alunos da equipe IntegraMídia participaram da oficina, compreendendo como utilizar alguns recursos disponibilizados na web e posteriormente, repassaram a alunos das turmas do 7º ano. b) Oficina: Tratamento da Informação – trabalhada com alunos de 6º a 9º ano, adaptada às expectativas de aprendizagem de cada turma. A oficina foi primeiramente organizada entre a Equipe IntegraMídia e posteriormente disseminada aos demais alunos, numa parceria comigo e com outra professora. Trabalhamos com células, fórmulas, formatação, tabelas, gráficos e apresentações, utilizando softwares básicos do Office Windows e Office Linux (Excel/Calc, PowerPoint/Impress). c) Oficina: Secções em Figuras Tridimensionais – um trabalho inicialmente apenas meu, em que na falta de conteúdo nos livros didáticos que atendessem determinada expectativa, tratei de formular, com auxílio de alguns softwares (GeoGebra e Cabri Géomètre) e imagens disponíveis na web, uma apresentação com conteúdos. Posteriormente, foi realizado um ensaio com alguns alunos em sala de aula, manipulando as imagens criadas nos softwares. Foram desenvolvidas algumas atividades menores, a pedido de alguns professores: a) As turmas do 7º ano de uma professora da disciplina de história foram auxiliadas pela equipe IntegraMídia na confecção de gráficos de natalidade e mortalidade e no entendimento de escala, utilizando o Excel. b) Uma professora de uma das turmas de 2º ano pediu auxílio na organização de suas atividades, sobre questões de formatações no Word, e na criação de tabela e gráfico no
  19. 19. 19 Excel. Foi realizada uma breve explicação e a professora retornou contentamento em conseguir organizar suas atividades. c) Outros professores e, inclusive, coordenação e secretaria fizeram pedidos para auxílio na confecção de mensagens temáticas para datas comemorativas, e que os alunos da equipe IntegraMídia ficaram encarregados de auxiliar. Disponibilizamos também e temos nutrido no blog, uma aba que faz indicações de softwares e sites com temas interessantes (laboratórios virtuais, ambientes de interação e discussão, jogos, softwares, leituras, acervos bibliográficos, objetos educacionais, etc.) que podem auxiliar na prática do professor. Alguns professores fizeram retorno sobre as indicações, de que conseguiram encontrar boas atividades para trabalhar, de conteúdos e vídeos interessantes, de simuladores que ampliam o momento da explicação entre outros. Procuramos trabalhar com temáticas que pudessem envolver a vivência em sociedade associada à informática: funcionalidade de alguns softwares, auxílio de alunos a professores e a outros alunos; tem sido uma tentativa de que os sujeitos percebam a necessidade da informática no formato social em que se inserem e que conhecer sobre isso, oportuniza interferir, ser parte. O secretário municipal de educação demonstrou interesse em continuar o projeto, que em breve será cedido à escola e terá a figura de um professor instrutor responsável pelo laboratório e pelo desenvolvimento de novas propostas junto aos demais professores. A partir do desenvolvimento do projeto, assumi uma postura de não mais realizar atividades que se relacionam com a informática e que são pedidas por outros professores, a menos que eles queiram ser orientados em como utilizar determinado recurso. Temos algumas propostas ainda caminhando, como um ensaio de Pod Cast “Rádio IM”, a discussão sobre “O que é pesquisar?”, um momento agendado para apresentar as atividades já desenvolvidas a toda a comunidade escolar e discussão sobre as mídias na educação, produção e confecção de vídeos, projeto espaços (fotos e histórias da cidade), mapeamento do meio ambiente do município de Uruana (córregos, rio, vegetação, fauna, relevo, limites naturais e artificiais, lixão, esgoto, etc.) utilizando GPS, o Google Maps e Google Earth e ainda um convite para participar de um seminário a ser realizado em agosto pela coordenação do curso de graduação em Informática, ofertado em vários Polos UAB, inclusive no de Uruana. As atividades promovidas no projeto têm procurado atender aos objetivos estipulados, principalmente em se tratando da discussão do uso da Informática nas práticas de ensino e de
  20. 20. 20 aprendizagem. Acredito que para atender aos objetivos estipulados é importantíssimo a continuidade do projeto, para que não se caia em desuso e os professores voltem às mesmas práticas e para que consigamos ampliar aos poucos os adeptos ao projeto. 7 CONCLUSÕES Estivemos empenhados em demonstrar a importância da informática para as práticas do professor e de que ele precisa estar em formação continuada, procurando sempre aproximar o ensino e a aprendizagem do que é vivenciado em sociedade. Foram vários momentos e atividades que procuraram o alcance dos objetivos estipulados no projeto de intervenção. O problema indicado no desenvolvimento do projeto continua por duas razões, uma delas é que boa parte dos professores ainda não se propôs a participar do projeto e outra que o projeto precisa continuar, pois há muito ainda que colaborar na escola. Trata-se de uma questão urgente, pois a escola precisa acompanhar o que se vivencia em sociedade e interferir nessa vivência. Contudo, o processo de formação para o uso das TICs precisa basear-se numa proposta de trabalho com sujeitos e não objetos, ou seja, é preciso propor, mas não impor mudanças. Cada professor precisa perceber as demandas e necessidades formativas da sociedade contemporânea e procurar modificar suas práticas, sair da zona de conforto presa a metodologia de ensino ultrapassada. Precisamos compreender que, como diz Márcia Ferreira (2001, p.74), educar é: um processo através do qual o homem possa construir-se como pessoa, ocupando o seu potencial de sentir e de pensar. (...) Uma iniciação à crítica, à interpretação e à transformação do mundo, inovando-o para o seu bem próprio e do outro. Um ponto importante a ser considerado quando tratamos de projetos de formação continuada como este, que propõe o acompanhamento do que se desenvolve na sociedade, é que o processo de aprendizagem é constante. Faz-se necessário aprender para ensinar, não há um prazo ou limite para tal formação, já que diz respeito a um processo contínuo e indefinido. Cada vez mais é preciso aprender e continuar aprendendo. Outra questão, já que lidamos com sujeitos, no caso do professor, é que comumente ele quer o produto pronto. Em se tratando de Informática, muitos são avessos a participar de sua criação, de discutir sobre como foi concebido ou como conceber e quais os caminhos de aprendizagem podem surgir a partir disto. É preciso ser relutante, não ceder, não entregar produtos prontos, ou estaremos colaborando apenas para uma diferente forma de reproduzir as
  21. 21. 21 mesmas práticas. O aluno precisa ser motivado, estar compromissado e ter claros os objetivos da atividade que será desenvolvida, para não acreditar que se trata apenas de um passatempo, de uma aula de distração. Surge a figura do professor, procurando tratar cada tema de diferentes formas para cada público, de que não cabe supervalorizar o tecnológico, ou ter o tecnológico pelo tecnológico; seu papel é ainda mais importante quanto ao ensino e à aprendizagem. É preciso direcionar o aluno nesse mundo de informações, de modo que ele se torne produtivo socialmente, interferindo e criando e não seja mais uma peça manipulável de moldes sociais. É importante contar com a presença de um representante capaz de realizar propostas, partilhar experiências e acompanhar o desenvolvimento de atividades relacionadas à informática na escola; tal profissional pode contribuir para a permanência e ampliação dos adeptos a novas práticas pedagógicas, que buscam estarem mais próximas das constantes mudanças sociais. Os objetivos estabelecidos ao se implementar o projeto foram alcançados, uma vez que procuramos propor atividades, discussões, auxílios, e tantos outros, associados à prática do professor no ensino e na aprendizagem dos alunos e que é possível perceber mudança na postura de gestores, professores e alunos frente a informática. Há ainda quem se mostre relutante em aprender, é preciso respeitar isso, mas continuamos evidenciando a importância da informática na escola. Os que se propuseram a participar do projeto, mesmo que limitados por não terem habilidades em manusear recursos computacionais, demonstraram interesse em continuá-lo; e ele será cedido à escola, para que configure um novo formato com um professor específico para cuidar do laboratório de informática e articular novas ações juntamente com os professores que fazem parte da equipe pedagógica da escola.
  22. 22. 22 REFERÊNCIAS ARAÚJO, Ivanildo Amaro. Formação de professores e tecnologias da informação e da comunicação. Professor, você tem medo de quê? Disponível em: <http://www.ufsj.edu.br/ portal2-repositorio/File/vertentes/Vertentes_35/ivanildo_amaro.pdf>. Acesso em: 26 fev. 2012. ASBAHR, Flávia da Silva Ferreira. A pesquisa sobre a atividade pedagógica: contribuições da teoria da atividade. Revista Brasileira de Educação. Nº 29, Rio de Janeiro, May/Aug 2005. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S1413-24782005000200009&script=sci_ arttext>, acesso em 17 fev. 2013. BASTOS, Charles L. de, et al. Resistência em utilizar recursos tecnológicos na escola. Curso Mídias na Educação. Goianésia, 2012. BASTOS, Charles L. de. Um diálogo necessário: comunicar em educação e os instrumentos tecnológicos. Curso Mídias na Educação. Goianésia, 2012. BEAUCLAIR, João. Educação e psicopedagogia: aprender e ensinar nos movimentos da autoria. São José dos Campos: Editora Pulso, 2007. BÉVORT, Evelyne. BELLONI, Maria Luiza. Mídia-Educação: Conceitos, História e Perspectivas. Disponível em: <https://www2.ufmg.br/ead/ead/Home/Biblioteca-Digital/ Referencias/Midia-Educacao-Conceitos-Historia-e-perspectivas>, acesso em 26 out. 2012. DELORS, Jacques, et al. Educação: um tesouro a descobrir. Tradução: José Carlos Eufrázio. São Paulo: Cortez, 1998. DURAN, Débora. Letramento digital e desenvolvimento. Das afirmações às interrogações. São Paulo: Hucitec, 2010. FERREIRA, Márcia. Ação Psicopedagógica na sala de aula. Uma questão de inclusão. São Paulo: Paulus, 2001. FREIRE, Paulo. A Educação na Cidade. São Paulo: Cortez, 1991. LÉVY, Pierre. As Tecnologias da Inteligência – O Futuro do Pensamento na Era da Informática. Tradução de Carlos Irineu da Costa. Rio de Janeiro: Editora 34, 1993. MACHADO, Nilson José. Cidadania e Educação. 4ª edição. São Paulo: Escrituras, 1997. MORAN, José Manuel. A Educação que Desejamos: Novos desafios e como chegar lá. 2ª edição. Campinas: Papirus, 2007. PRENSKY, Marc. Nativos Digitais, Imigrantes Digitais. Versão traduzida por Roberta de Moraes Jesus de Souza. Disponível em: <http://pt.scribd.com/doc/55575941/Nativos-DigitaisImigrantes-Digitais-Prensky>, acesso em 08 jun. 2012. SANTAELLA, Lúcia. Da cultura das mídias à cibercultura: o advento do pós-humano. Revista FAMECOS, Porto Alegre, nº 22, 2003. Disponível em: <http://revistaseletronicas.pucrs. br/ojs/index.php/revistafamecos/article/viewFile/3229/2493>, acesso em 09 de mai. 2013. SILVEIRA, Sergio Amadeu da. Inclusão digital reduz exclusão social?. Disponível em: <https://www.institutoclaro.org.br/em-pauta/sociedade-em-rede-o-social-e-o-digital-por-sergioamadeu-da-silveira/>. Acesso em 16 jun. de 2012. TAS, Marcelo. Comunicação digital. In: SAVAZONI, Rodrigo; COHN, Sergio (Org.). Cultura Digital.br. Rio de Janeiro: Beco do Azougue, p. 231-241. Entrevista, 2009.

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