Aula 16 - Custeio baseado em Atividades (ABC)Objetivos• Compreender o Custeio Baseado em Atividades.• Entender a metodolog...
Materiais diretos 80.000 120.000 200.000 0,4 0,6Mão de obra direta 60.000 100.000 160.000 0,375 0,625Total 140.000 220.000...
Salários indiretos 100.000,00 150.000,00Materiais indiretos 80.000,00 120.000,00Depreciação 60.000,00 90.000,00Total 240.0...
QUADRO 1Departamentos, atividades e direcionadores de custoDepartamento Atividade DirecionadorCompras Comprar materiais Nº...
Custos por produto Camisa CalçaComprar materiais 28.000,00 42.000,00Entregar materiais 13.000,00 52.000,00Controle produçã...
ItemABC Material direto Mão-de-obra diretaCamisa Calça Camisa Calça Camisa CalçaCusto direto 140.000,00 220.000,00 140.000...
Objetivos• Rever os conceitos de Custeio Baseado em Atividades• Rever a metodologia de aplicação do ABC• Aplicar o Custeio...
Materiais indiretos 400 600 1.000 3.000 5.000Depreciação 200 400 1.000 3.000 4.000Total 1.400 2.400 3.400 7.200 10.200Sabe...
um pedido específico do cliente.Caso o produto seja comercializado antes da sua elaboração, encontraremos umasituação de p...
• 4ª etapa - devemos adicionar aos custos gastos relativos a embalagem, frete, seguro eoutros itens pós-fabricação.A FIG. ...
Ordem de produção NºData de aberturaData de entregaDescriçãoClienteMaterial direto consumidoData Descrição Referência Quan...
Tábua de mogno (5mX0,4): $60/ml;Puxadores Veneza: $20 un.O salário do marceneiro, incluindo encargos sociais e trabalhista...
em $1.200.O rateio dos custos indiretos de fabricação pode ser feito com base em diversoscritérios. Já que a empresa não p...
• Compreender os critérios para definição dos padrões.• Conhecer a metodologia de aplicação do custo-padrão.IntroduçãoCom ...
consideração todas as ineficiências passíveis de verificação pela empresa, excetoaquelas que podem ser facilmente eliminad...
kW/h, número de movimentos, etc. Esses indicadores serão de responsabilidade dosdepartamentos operacionais, como: produção...
pequena parcela é aplicada aos produtos. Sendo assim, a parcela fixa, que épreponderante na maioria dos casos, deve ser es...
FIGURA 2 - Variações no custo-padrãoFonte: BRUNI e FAMÁ, 2002, p. 165.A variação na quantidade pode ser decorrência de div...
Atividades1. Explique a diferença entre custo-padrão ideal e custo-padrão corrente.2. Dê exemplos de aplicações do custo-p...
O exemplo apresentado na TAB. 1 ilustra a situação.Tabela 1Custo total e custo unitárioNíveis de produçãoCusto total Custo...
parcela fixa, e outra diretamente proporcional ao volume utilizado, parcela variável.Cabe lembrar que custo semivariável é...
O custo variável unitário será encontrado dividindo-se a diferença de custos peladiferença no volume produzido.Para ilustr...
• são fornecidas informações para tomada de decisões gerenciais, especialmente comrelação ao preço;• permite-se identifica...
uma vez que não se pode pensar em custo fixo para uma produção infinita.Diversos itens são classificados como custos fixos...
Aula 21 - Custeio VariávelObjetivos• Entender os cálculos do custeio variável.• Perceber as diferenças entre o custeio por...
Somando tudo, o custo de produção de camisas é de $80.000 e o de calças é de$180.000. O preço de venda é idêntico, $20 a u...
Fazendo os cálculos, encontramos um lucro operacional de $140.000 ($600.000 -$260.000 – 200.000).Digamos agora que o empre...
• Somando o total de CIF com o total de custo direto, encontramos para camisas o valorde $160.000 ($80.000 + $80.000) e de...
CIF/MD Camisa CalçaDepreciação 8.000 32.000Aluguel 12.000 48.000Energia elétrica 10.000 40.000Despesasadministrativas6.000...
variável.Observe você que cada unidade de camisa custa $8 ($80.000/10.000) em termos decusto variável, e cada unidade de c...
Ademais, a análise da margem de contribuição serve para definição da política depreços e para a avaliação dos custos de ca...
administrativas.Os custos diretos de produção, separados por produtos, assim como o apontamento deunidades mensais produzi...
RespostasResultado do exercício Mourão Poste totalFaturamento bruto 60000 35000 95000Custo produção 15.000 10.000 25.000Lu...
produção baseada em custo total.Hoje iremos avançar nesses tópicos relacionados a decisões gerenciais, mas utilizando ocon...
produto sacrificar.Caso toda a demanda pudesse ser atendida, a margem de contribuição total seria de$60.620 ($13,75X2.000 ...
margem de contribuição.Podemos questionar se essa seria a melhor alternativa. Se visualizarmos os volumesrequeridos da mat...
Vamos então analisar outra possibilidade, reduzindo a fabricação de A e mantendo aprodução dos outros dois, B e C. Os dado...
fornecedor pode oferecer.Diante desse quadro, o mix de produção deve ser revisto, com a produção em menorescala de um dos ...
Nesse caso, a fábrica não opera com sua capacidade plena, e a margem de contribuiçãopode ser de grande utilidade ao se tom...
Despesa fixa 100.000Despesa variável (comissões) 50.000Despesa variável (impostos) 100.000Lucro líquido 600.000A fixação d...
Com base nessa ponderação, o diretor financeiro apresentou um novo quadro deresultados, contendo o seu raciocínio sobre o ...
Item ValorCusto variável 1.050.000Custo fixo 400.000Despesa fixa 100.000Despesa variável (comissões) 70.000Despesa variáve...
Vendas (un.) 50.000 20.000Preço unitário 40 25Receita 2.000.000 500.000 2.500.000Custo variável unitário 15 15Custo variáv...
• Rever conceitos de Margem de Contribuição• Aplicar cálculos de Margem de Contribuição• Verificar como tomar decisões ger...
mão-de-obra (fixa) 100.000 100.000 100.000lucro operacional 60.000 42.000 72.000Aula 26 - Análise Custo-Volume-LucroObjeti...
Portanto o ponto de equilíbrio pode ser definido, segundo Megliorini (2002), comosendo aquele em que a empresa não obtém n...
FIGURA 1 - Ponto de equilíbrioFonte: MEGLIORINI, 2002, p. 154.De acordo com os dados e com a representação gráfica, observ...
• Q = quantidade de venda;• F = custo operacional fixo por período;• v = custo operacional variável por unidade.Fazendo lu...
Dependendo do tipo de análise a ser feita, mais de uma situação em que se verifica oequilíbrio pode existir, conforme Mart...
Em se tratando de um único produto, ou mais de um produto com margens decontribuição idênticas, o cálculo do ponto de equi...
Produto A: 0,25 X 200 = 50;Produto B: 0,45 X 200 = 90;Produto C: 0,30 X 200 = 60.Com os dados de vendas atuais, o ponto de...
1. 12.500 horas2. 540 calças, 900 camisas e 180 casacos.Aula 27 - Margem de segurança ealavancagem operacionalObjetivos• C...
• Preço unitário de venda: $25• Custos e despesas variáveis unitários: $15• Custos e despesas fixos: $20.000• Volume de ve...
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  1. 1. Aula 16 - Custeio baseado em Atividades (ABC)Objetivos• Compreender o Custeio Baseado em Atividades.• Entender a metodologia de aplicação do ABC.• Estudar um exemplo de aplicação do Custeio ABC.IntroduçãoNa última aula, aprendemos conceitos relacionados ao Custeio Baseado em Atividades -ABC.Vimos as razões para sua aplicação, vantagens e desvantagens e também um esquemabásico de utilização, incluindo as etapas que devem compor o cálculo. Essas etapas são:1. identificação das atividades e seus respectivos custos;2. alocação do custo departamental ao custo da atividade;3. identificação dos direcionadores de custo;4. divisão do custo da atividade pelo direcionador.Na aula de hoje, usaremos um exemplo para ilustrar a aplicação do ABC.Aplicação do Custeio ABCVamos inicialmente caracterizar a nossa empresa. É uma indústria de confecção, queproduz camisas e calças para ambos os sexos. Utiliza, como insumos diretos, apenasmatéria-prima e mão-de-obra, que são consumidos em 2 departamentos produtivos,denominados Departamento de Corte e Departamento de Costura, para a fabricação dosprodutos mencionados.Os gastos indiretos são relativos a salários indiretos, nos quais já estão incluídos osencargos sociais e trabalhistas, materiais indiretos como materiais de escritório,materiais de higiene e limpeza, e ainda materiais diretos como aviamentos, masclassificados como indiretos pela dificuldade de alocação direta. Além desses, possuigastos indiretos relativos à depreciação dos equipamentos e das instalações.A empresa já está estruturada em 5 departamentos. Além dos 2 departamentosprodutivos, o de Corte e o de Costura, conta também com um Departamento deCompras, um Departamento de Almoxarifado e um Departamento de Planejamento eControle da Produção - PCP.Os custos diretos de produção, separados por produtos, estão apresentados na TAB. 1.TABELA 1Custos diretos de produçãoTipo de gasto Compras Almoxarifado PCP % camisa % calça
  2. 2. Materiais diretos 80.000 120.000 200.000 0,4 0,6Mão de obra direta 60.000 100.000 160.000 0,375 0,625Total 140.000 220.000 360.000Observamos que os custos diretos são divididos entre materiais diretos e mão-de obra-direta. Para a fabricação de camisas, são consumidos $80.000 de materiais diretos, o queequivale a 40%, e os restantes 60%, ou $120.000, são direcionados à produção decalças.Com relação à mão-de-obra direta, a produção de camisas consome $60.000 e a decalças, $100.000, com proporções de 37,5% e 62,5%, respectivamente.Os custos indiretos de fabricação estão apresentados na TAB. 2.TABELA 2Custos indiretos de fabricaçãoTipo de gasto Compras Almoxarifado PCP Corte Costura TotalSalários indiretos 30000 20000 20000 80000 100000 250000Materiaisindiretos30000 20000 30000 50000 70000 200000Depreciação 10000 25000 15000 40000 60000 150000Total 70000 65000 65000 170000 230000 600000Observamos que são 3 custos indiretos, que já foram separados por departamentos,conforme registros da empresa.Os custos dos departamentos produtivos, Corte e Costura, são responsáveis poraproximadamente 67% dos custos indiretos totais ($400.000/$600.000), restando osoutros 33% para os departamentos auxiliares.O total de custos indiretos supera o total de custos diretos – $600.000 contra $360.000,evidenciando a propriedade do Custeio Baseado em Atividades.No entanto, a título de ilustração e para posterior comparação, realizaremos primeiro aapropriação de custos indiretos por meio de rateio.Podemos nos basear em 3 critérios, a princípio: total de custos diretos, total de materiaisdiretos e total de mão-de-obra direta. Iremos proceder a 2 rateios, com base emmateriais diretos e mão-de-obra direta, os quais estão apresentados nas TAB. 3 e 4.TABELA 3CIF- materiais diretosCIF/MD Camisa Calça
  3. 3. Salários indiretos 100.000,00 150.000,00Materiais indiretos 80.000,00 120.000,00Depreciação 60.000,00 90.000,00Total 240.000,00 360.000,00O cálculo foi feito da seguinte maneira: A proporção de salários indiretos direcionada àprodução de camisas resultou da multiplicação da participação das camisas no consumode materiais diretos igual a 40%; pelo total dos salários indiretos igual a $250.000,resultando em $100.000. Repetindo os passos para os outros itens, encontramos osvalores de $80.000 e $60.000, totalizando $240.000 de custos indiretos aplicados àprodução de camisas.Para as calças, basta multiplicar a participação relativa de 60% pelos mesmos valores,para encontrarmos $150.000, $120.000 e $90.000, somando $360.000. A soma das duasalcança $600.000, valor dos custos indiretos de fabricação.Quando utilizamos a participação da mão-de-obra direta para ratear custos indiretos,encontramos os valores mostrados na TAB. 4.TABELA 4CIF, mão de obra diretaCIF/MD Camisa CalçaSalários indiretos 93.750,00 156.250,00Materiais indiretos 75.000,00 125.000,00Depreciação 56.250,00 93.750,00Total 225.000,00 375.000,00Nesse caso, as participações relativas são diferentes, de 37,5% para camisas e 62,5%para calças.Repetindo o raciocínio anterior, encontramos valores de $93.750, $75.000 e $56.250para serem aplicados na fabricação de camisas, totalizando $225.000. Para a produçãode calças, encontramos $156.250, $125.000 e $93.750, alcançando a soma de $375.000.Por esses dois critérios, já são significativas as diferenças, variando entre $225.000 e$240.000 para camisas e entre $360.000 e $375.000 para calças. Qual deles seria maisrealista e mais adequado?Vamos agora iniciar a aplicação do Custeio ABC ao nosso exemplo. O primeiro passodeve ser identificar as atividades de cada departamento e de seus respectivosdirecionadores. O QUADRO 1 ilustra essas informações.
  4. 4. QUADRO 1Departamentos, atividades e direcionadores de custoDepartamento Atividade DirecionadorCompras Comprar materiais Nº pedidosAlmoxarifado Entregar materiais Nº requisiçõesPCP Controle da produção Horas PCPCorte Corte Horas corteCostura Costura Horas costuraO Departamento de Compras executa a atividade de comprar materiais, e o seudirecionador de custos é o número de pedidos atendidos. O departamento dealmoxarifado tem a entrega de materiais como atividade, e o número de requisiçõesatendidas como direcionador.O Planejamento e Controle da Produção detém a atividade de controlar a produção e ashoras de PCP como direcionadores de custos. O Departamento de Corte executa aatividade de cortar tecidos, e o Departamento de Costura executa a costura comoatividade, sendo horas de corte e horas de costura seus direcionadores, respectivamente.Iremos agora alocar às atividades os custos dos departamentos, o que pode ser feitomediante análise dos apontamentos da empresa (essa etapa já foi realizada). Com basenesses apontamentos, encontramos os resultados mostrados na TAB. 2.O próximo passo é definir os direcionadores de custos e seus valores. Os direcionadoresapresentados e os seus valores, retirados também dos registros da empresa, sãoapresentados na TAB. 5.TABELA 5Direcionadores de custosDirecionadores Camisa Calça Total % camisa % calçaNº pedidos 60 90 150 0,40 0,60Nº requisições 10 40 50 0,20 0,80Horas PCP 40 60 100 0,40 0,60Horas corte 150 50 200 0,75 0,25Horas costura 70 30 100 0,70 0,30Podemos finalmente aplicar os custos das atividades aos produtos, resultadosapresentados na TAB. 6.TABELA 6Direcionadores de custos
  5. 5. Custos por produto Camisa CalçaComprar materiais 28.000,00 42.000,00Entregar materiais 13.000,00 52.000,00Controle produção 26.000,00 39.000,00Corte 127.500,00 42.500,00Costura 161.000,00 69.000,00Total 355.500,00 244.500,00Observamos que, de um total de 150 pedidos feitos pelo Departamento de Compras, 60foram para a confecção de camisas e 90 para a de calças, 40% e 60% respectivamente.Aplicando esses percentuais ao custo da atividade (0,4X$70.000 e 0,6X$70.000),encontramos $28.000 para camisas e $42.000 para calças.Quanto ao número de requisições, 10 foram para a produção de camisas e 40 para a decalças, respectivamente 20% e 80%.Fazendo os cálculos, teremos 0,2X$65.000 e 0,8X$65.000, alcançando $13.000 e$52.000, para camisas e calças, respectivamente.Das horas de PCP, 40 foram distribuídas para a fabricação de camisas e 60 para a decalças, o que corresponde a proporções respectivas de 40% e 60%.Aplicando os percentuais, encontramos $26.000 (0,4X$65.000) para camisas e $39.000(0,6X$65.000) para calças.A confecção de camisas consumiu 75% das horas de corte ou 150 horas, restando 25%para calças, ou 50 horas.Os cálculos indicam custos de $127.500 para camisas (0,75X$170.000) e $42.500 paracalças (0,25X$170.000)A atividade costura foi dividida entre 70 horas para a produção de camisa e 30 para a decalças, 70% e 30% respectivamente.Pelos cálculos encontramos $161.000 para camisas (0,7X$230.000) e $69.000 paracalças (0,3X$230.000).Os valores totais indicam que os custos indiretos aplicados à produção de camisasalcançam $355.500 e $244.500 para calças.Fazendo um quadro comparativo com os outros dois critérios de rateio elaborados,encontramos os dados da TAB. 7.TABELA 7Custo total - ABC, rateio por materiais diretos e por mão-de-obra direta
  6. 6. ItemABC Material direto Mão-de-obra diretaCamisa Calça Camisa Calça Camisa CalçaCusto direto 140.000,00 220.000,00 140.000 220.000 140.000,00 220.000,00Custo indireto 355.500,00 244.500,00 240.000,00 360.000,00 225.000,00 375.000,00Custo total 495.500,00 464.500,00 380.000,00 580.000,00 365.000,00 595.000,00Produção 100.000,00 200.000,00 100.000,00 200.000,00 100.000,00 200.000,00Custo unitário 4,96 2,32 3,80 2,90 3,65 2,98Os resultados são bastante divergentes. Nos dois critérios de rateio, os custos indiretostiveram maior peso na produção de calça, ao passo que no ABC a fabricação de camisasrecebeu maior volume de recursos.Dividindo o custo total pelo número de unidades produzidas (linha de produção),encontramos o custo unitário. Observamos então que o custo de fabricação de umacamisa é mais que o dobro do que o de uma calça, isso pelo método ABC.Considerando os outros métodos, a produção de camisas é sempre mais dispendiosa,porém a diferença é significativamente reduzida.Considerando que o Custeio Baseado em Atividades utiliza critérios mais racionais, namedida em que emprega direcionadores relacionados ás atividades desempenhadas,podemos imaginar que os dados deste são bem mais confiáveis que os demais.Depois de vermos a aplicação do Custeio ABC, podemos encerrar a aula de hoje. Nopróximo encontro, teremos uma atividade prática de Custeio ABC.ResumoVimos como se aplica o ABC. Primeiramente, identificamos as atividades e seusrespectivos custos. Depois identificamos os direcionadores de custos e por fimaplicamos os custos indiretos aos produtos.AtividadeComo eu já lhe disse, caro aluno, na próxima aula, desenvolveremos um exemplo daaplicação de Custeio ABC. Assim, hoje você está livre de trabalho. Pode descansar umpouco mais para enfrentar bem o desafio da aula que vem.Também não temos referências, já que trabalhamos com um exemplo prático.Até breve!Aula 17 - Custeio Baseado emAtividades (ABC)
  7. 7. Objetivos• Rever os conceitos de Custeio Baseado em Atividades• Rever a metodologia de aplicação do ABC• Aplicar o Custeio ABCIntroduçãoHoje iremos desenvolver uma atividade voltada para a aplicação do Custeio ABC.Vamos inicialmente caracterizar a nossa empresa. É uma indústria que fabrica pré-moldados em concreto, especificamente mourões e postes, o primeiro de formatoretangular e o segundo em formato tipo T. Utiliza como insumos diretos areia, brita,cimento, ferragem e mão-de-obra, os quais são consumidos em 2 departamentosprodutivos, denominados Departamento de Mistura e Departamento de Prensagem.Os gastos indiretos são relativos a salários indiretos, nos quais já estão incluídos osencargos sociais e trabalhistas, materiais indiretos, como materiais de escritório,materiais de higiene e limpeza, e ainda materiais diretos, como graxas e lubrificantes,energia elétrica, arame para armação, mas classificados como indiretos pela dificuldadede alocação direta. Além desses, há gastos indiretos relativos à depreciação dosequipamentos e das instalações.A empresa já está estruturada em 5 departamentos. Além dos 2 departamentosprodutivos, Mistura e Prensagem, conta também com um Departamento de Compras,um Departamento de Almoxarifado e um Departamento de Planejamento e Controle daProdução - PCP.Os custos diretos de produção, separados por produtos, estão apresentados na TAB. 1.TABELA 1Custos Diretos de ProduçãoTipo de gasto Mourão PosteMateriais diretos 6.000 4.000Mão de obra direta 5.000 3.000Total 11.000 7.000Os custos indiretos de fabricação estão apresentados na TAB. 2.TABELA 2Custos indiretos de fabricaçãoTipo de gasto Compras Almoxarifado PCP Mistura PrensagemSalários indiretos 800 1.400 1.400 1.200 1.200
  8. 8. Materiais indiretos 400 600 1.000 3.000 5.000Depreciação 200 400 1.000 3.000 4.000Total 1.400 2.400 3.400 7.200 10.200Sabendo que a empresa fabrica mensalmente 2.000 mourões e 1.000 postes, calcule ocusto unitário por produto, segundo o Custeio ABC e os métodos de rateio baseados namão-de-obra direta e materiais diretos.Vou lhe fornecer a resposta, mas você deve fazer todos os cálculos para se certificar deque aprendeu realmente a fazer as projeções de custos. Isso é fundamental para vocêcomo futuro profissional competente.RespostaItem ABC Material direto Mão-de-obra diretaMourão Poste Mourão Poste Mourão PosteCusto direto 11.000,00 7.000,00 11.000,00 7.000,00 11.000,00 7.000,00Custo indireto 13.430,00 11.170,00 14.760,00 9.840,00 15.375,00 9.225,00Custo total 24.430,00 18.170,00 25.760,00 16.840,00 26.375,00 16.225,00Produção 2.000,00 1.000,00 2.000,00 1.000,00 2.000,00 1.000,00Custo unitário 12,22 18,17 12,88 16,84 13,19 16,23Aula 18 - Custeio por ordem de produçãoObjetivos• Conhecer o Custeio por Ordem de Produção.• Discutir a razões que justificam a sua implantação.• Entender a metodologia de aplicação do Custeio por Ordens de ProduçãoIntroduçãoAté o momento não fizemos nenhuma consideração específica sobre o sistema deprodução. Implicitamente, estávamos considerando que a produção seria contínua e osprodutos homogêneos.Quando falamos de produção contínua, estamos nos referindo a produtos prontos para oconsumo, tais como: automóveis, eletro-eletrônicos, alimentos industrializados, entreoutros. Em todos eles, há uma linha de produção contínua, cada produto é fabricadocom o mesmo número de componentes, respeitando-se as diferenças entre classes deprodutos.Porém, em muitos casos, cada produto tem uma configuração própria, de acordo com
  9. 9. um pedido específico do cliente.Caso o produto seja comercializado antes da sua elaboração, encontraremos umasituação de produção sob encomenda. É muito comum em algumas indústrias, taiscomo: siderúrgica, petroquímica e moveleira. Então precisamos aprender outras formasde calcular custos.Custeio por Ordem de ProduçãoPara ilustrar nosso estudo, imagine a fabricação de uma mesa de jantar. O comprador,que pode ser o futuro proprietário do móvel ou um decorador, apresenta a configuraçãodo produto que deseja, por exemplo, fornecendo um desenho, e especifica algumascaracterísticas como o tipo de madeira, o design, o acabamento, entre outros.O fabricante irá orçar o produto e, caso a negociação se concretize, a produção porencomenda terá início.Na prestação de serviços, podemos encontrar mais exemplos ainda, aliás, a maioria dosserviços tem uma característica peculiar. Uma intervenção cirúrgica, um tratamentoortodôntico, uma consultoria tributária ou gerencial, todas elas têm característicaspróprias, que diferenciam uma prestação de serviço de outra.Para esses casos, a apuração do custo de produção se dará de forma individualizada, pormeio de ordem de produção (OP), ou ordem de serviço (OS).Pense na ocasião em que você leva um carro a uma oficina mecânica. Você relata oproblema ao consultor; este encaminha o veículo ao mecânico, que realiza odiagnóstico.Assim que o diagnóstico se encerra, um orçamento é preparado e, caso você o aceite, aoficina abrirá uma ordem de serviço, na qual serão anotados todos os itens substituídos,além do tempo em que os mecânicos estiverem ocupados com a reparação do seu carro.Como a negociação ocorre antes da produção, devemos nos preocupar inicialmente empreparar o orçamento do produto a ser comercializado.Etapas da Produção por OrdemConforme sugerido por Megliorini (2002), algumas etapas devem ser cumpridas paraessa finalidade:• 1ª etapa - refere-se ao desenho ou projeto. Se o cliente não o fornecer, o própriofabricante providenciará um.• 2ª etapa - lista de materiais - baseado no projeto e especificações indicadas pelocliente, devemos fazer um levantamento dos materiais necessários, bem como de seuscustos. (observar a necessidade de compra ou de produção dos materiais).• 3ª etapa - a partir do projeto, das especificações e dos materiais necessários, devemosestimar as horas de fabricação em cada departamento.
  10. 10. • 4ª etapa - devemos adicionar aos custos gastos relativos a embalagem, frete, seguro eoutros itens pós-fabricação.A FIG. 1 ilustra um orçamento de custos.Orçamento de custos NúmeroCliente CódigoProduto DesenhoMateriaisCódigo Descrição Quantidade P. liquido P. bruto Custo unit. Custo mat.Custo total dos materiaisServiços executados externamenteDescrição do serviço Fornecedor CustoCusto total dos serviços externosFabricação (mão-de-obra direta e CIF)Departamento Horas orçadas Custo/hora CustoCusto total fabricaçãoEngenhariaAtividades Horas orçadas Custo/hora CustoCusto total engenhariaDemais custosDescrição CustoCusto total orçadoDespesas de vendasPreço de vendaICMS AlíquotaIPI AlíquotaFIGURA 1 - Orçamento de custosFonte: MEGLIORINI, 2002, p. 100.Firmado o contrato, para cada produto a ser elaborado devemos abrir uma OP ou OS.Trata-se de um documento que autoriza a fabricação, e nele devem ser registradosmensalmente todos os gastos realizados para a fabricação do produto ou prestação doserviço.A FIG. 2 representa uma ordem de produção.Usina Siderúrgica ABC
  11. 11. Ordem de produção NºData de aberturaData de entregaDescriçãoClienteMaterial direto consumidoData Descrição Referência Quantidade ValorMão de obra diretaData Descrição Referência Quantidade ValorCustos indiretos aplicadosData Descrição Referência Quantidade ValorCusto total da ordemFIGURA 2 - Ordem de produçãoFonte: BRUNI e FAMÁ, 2002, p. 148.Com o recurso de uma ordem de produção, devemos anotar os gastos referentes a cadaitem consumido na produção.Para os materiais diretos, a aplicação é razoavelmente simples, pois basta levantar osvalores constantes das requisições emitidas pela Produção. Nessas requisições devemconstar os dados necessários ao preenchimento da OP, como número, cliente e materiaisrequisitados.Para a aplicação da mão-de-obra, devemos recorrer à folha de apontamentos. Com basenesses registros, podemos identificar o tempo despendido naquela OP e assim calcularquanto da mão–de-obra deve ser aplicado ao produto. Para tanto, basta multiplicar onúmero de horas pela taxa horária do custo de mão–de-obra.Com relação aos custos indiretos de fabricação, a apropriação não é tão simples comonos 2 itens anteriores. Por se tratar de materiais indiretos, mão-de-obra indireta e demaisgastos, algum critério de rateio deverá ser utilizado.Pode ser usado o rateio com base nos custos diretos, mas, nesse caso, é bastante comumlevantar os custos por departamentos, separando os produtivos dos auxiliares. Depois oscustos serão apropriados aos departamentos produtivos para depois serem aplicados aosprodutos, conforme metodologia já apresentada.Para ilustrar, consideremos a fabricação de um Buffet em mogno, conforme pedido feitopelo cliente Fulano de Tal e sua digníssima esposa, Cicrana de Tal.O proprietário da indústria Móveis Conforto Total levantou os preços dos materiaisdiretos, conforme descrito abaixo:
  12. 12. Tábua de mogno (5mX0,4): $60/ml;Puxadores Veneza: $20 un.O salário do marceneiro, incluindo encargos sociais e trabalhista é de $1.600,00mensais. Como ele trabalha 160 hora /mês, o custo da hora de mão–de-obra direta é de$10,00.Os custos indiretos são listados abaixo:Materiais indiretos (lixa, verniz, cola): $1.500Mão-de-obra indireta: $1.500Depreciação: $1.000Total $4.000De posse desses valores, pode-se abrir a OP, conforme ilustrado abaixo, na FIG. 3.Móveis Conforto TotalOrdem de produção Nº 3.167Data de abertura 05/01/2009Data de entrega 23/01/2009Descrição Buffet em mogno maciço, 2X0,9X0,6, com 3 portas, duascom uma prateleira e uma com 3 gavetas, puxadoresVeneza.Cliente Fulano de TalMaterial direto consumidoData Descrição Referência Quantidade Valor23/01 Tábua mogno NF 136.235 06 36023/01 Puxador NF 25.632 03 60Mão de obra diretaData Descrição Referência Quantidade Valor23/01 Mão de obra Apt. 228 120 1.200Custos indiretos aplicadosData Descrição Referência Quantidade Valor23/01 CIF Doc. 52.341 120h 600Custo total da ordem 2.220FIGURA 3 – Orçamento de fabricação.Fonte: elaborada pelo autor.Calcular os materiais diretos é bem simples. Basta multiplicar quantidade necessáriapelo custo de aquisição: para a madeira, seriam 6 tábuas vezes $60, igual a $360; paraos puxadores, 3 vezes $20, resultando em $60.O cálculo da mão-de-obra direta também não é complexo. A hora trabalhada domarceneiro custa $10. Como ele vai dedicar 120 horas à fabricação do móvel, resulta
  13. 13. em $1.200.O rateio dos custos indiretos de fabricação pode ser feito com base em diversoscritérios. Já que a empresa não possui departamentalização, devemos ratear com baseem custos diretos.Escolhemos o rateio baseado na mão-de-obra direta, porque esta representa o maiorpeso nos custos diretos.Os valores para rateio são assim encontrados: como a empresa possui 5 marceneiros,estima-se um total de horas trabalhadas mensais de 800. Os custos indiretos devem serentão divididos por esse total, ou seja, $4.000/800, o que resulta em $5.Portanto, a cada hora trabalhada por um marceneiro, devemos acrescentar $5 de CIF.No exemplo, os custos indiretos de fabricação serão de 5X120, o que resulta em $600.O custo total de fabricação do móvel será de $2.220 ($420 + $1.200 + $600). Esse valordeverá ser levado aos registros contábeis da empresa.Por hoje é só, vamos ficando por aqui. No próximo encontro, vamos falar do Custo-Padrão. Aguardo você, com muita disposição!ResumoComo algumas vezes as empresas realizam as vendas para depois fabricarem osprodutos, é necessária outra metodologia para apropriação de custos. Essa necessidadederiva-se da especificidade de cada item fabricado sob encomenda.Por atender a um pedido único, a apropriação dos custos diretos, especificamenteaqueles relativos a materiais diretos e mão-de-obra direta, deve ser feita levando-se emconsideração os itens efetivamente consumidos.Essa apropriação é simples e direta, mas, para os custos indiretos de fabricação, algumcritério de rateio será necessário. Os métodos tradicionais, como rateio baseado emcustos diretos ou departamentalização, atendem bem a esse propósito.AtividadesImagine a fabricação de um móvel sob encomenda e monte a ordem de produção.Repita o passo anterior, agora para a prestação de um serviço, como a pintura de umaresidência ou restauração de um objeto de decoração antigo.Aula 19 - Custo-PadrãoObjetivos• Conhecer o Custeio Padrão.• Discutir a razões que justificam a sua implantação.
  14. 14. • Compreender os critérios para definição dos padrões.• Conhecer a metodologia de aplicação do custo-padrão.IntroduçãoCom a presente aula, daremos início à terceira parte do programa de nossa disciplina,relacionada ao gerenciamento baseado em análise de custos.A apuração de custos, além de atender a exigências legais, também é muito utilizadapara fins decisoriais, servindo a diversos objetivos das empresas.Pode ser usada para se estabelecerem as políticas de preço, para a tomada de decisãosobre linhas de produtos, para a avaliação dos processos de produção, identificação deatividades relevantes, ou até mesmo para definição de padrões de custo ou desempenhoa serem alcançados.O Custo-PadrãoNeste último insere-se a apuração de custo padrão. De acordo com Dubois, Kulpa eSouza (2008, p. 143), “o custo-padrão tem como propósito prefixar um custo ‘meta’ econtrolar os custos a priori, isto é, antes que sejam incorridos em produção”.Nesse sentido, o custo-padrão não constitui uma nova metodologia para apuração decustos, mas sim uma técnica que vem a completar os outros métodos já analisados.Ele deve ser usado como meta a ser alcançada e, portanto, constitui na verdade umpoderoso subsídio à elaboração do orçamento. Depois de realizada a produção, o custoefetivo será comparado ao custo-padrão, e os possíveis desvios passarão por análise,para identificação de suas causas e consequências.A definição de custo-padrão, entretanto, está sujeita, a princípio, a 2 tipos declassificação: ideal e corrente.Conforme Martins (1998), por custo-padrão ideal devemos entender aquele estabelecidocom base em padrões ótimos de utilização de fatores de produção. Portanto o custo-padrão ideal é firmado com base em uma estimativa de utilização dos melhoresequipamentos possíveis, mão-de-obra e matéria-prima de primeira qualidade, semqualquer tipo de ocorrência estranha que venha a paralisar ou interromper o processoprodutivo.Trata-se de um custo estabelecido em condições de laboratório, que na verdadedistancia-se muito da realidade das linhas de produção.Por outro lado, temos também o custo-padrão corrente, que se refere ao custoestabelecido com base nas reais condições de produção encontradas pela empresa, istoé, leva em consideração todas as possíveis falhas humanas, paralisações de maquinário eperdas de materiais comuns em qualquer linha de produção.Em termos comparativos, enquanto o primeiro seria o custo estabelecido sem nenhumaocorrência desfavorável, como um experimento de laboratório, o segundo leva em
  15. 15. consideração todas as ineficiências passíveis de verificação pela empresa, excetoaquelas que podem ser facilmente eliminadas.As situações nas quais se aplica o custo-padrão são aquelas em que há produçãocontínua de lotes ou produtos iguais ou no mínimo semelhantes. Em se tratando deprodução por encomenda, ou por ordem, o custo-padrão obviamente não se aplica,devido às especificidades de cada item produzido.Objetivos do custo-padrãoA implantação do custo-padrão deve servir a algum propósito maior e não podesimplesmente ter um fim em si mesmo. É necessário dotá-lo de algum sentido prático,senão torna-se um investimento inútil.Podemos destacar alguns objetivos para a implantação do custo-padrão:1. fixar uma base de comparação entre o ocorrido e o que deveria ter ocorrido;2. fornecer informações para negociação de preços, em casos de entrega futura,especialmente;3. fornecer bases para acompanhamento de níveis de estoques;4. fornecer bases para monitorar operações, avaliar desempenho, identificar gargalos epontos de ineficiência;5. difundir hábitos relacionados ao registro e controle de gastos de insumos, tanto emtermos físicos quanto em termos monetários;6. criar instrumento de motivação para a equipe.Com relação ao último objetivo, 2 pontos merecem especial atenção. Caso o padrão sejaestabelecido em níveis demasiadamente elevados, como o custo ideal, podemosobservar um efeito contrário, na medida em que metas praticamente impossíveis deserem alcançadas levam à desmotivação e a um certo descaso, já que se sabe deantemão que nunca serão alcançadas.Por outro lado, caso as metas sejam estabelecidas em níveis razoáveis, baseadas nocusto-padrão corrente, acrescido de algumas melhorias, torna-se um desafio, umcomponente motivacional que tende a potencializar o desempenho operacional.Determinação dos padrõesA princípio, a determinação de padrões envolve 2 tipos de mensuração, uma de padrõesfísicos e outra de padrões monetários.Os padrões físicos serão relacionados ao consumo de materiais diretos e indiretos, mão-de-obra direta, consumo de energia, consumo de água, entre outros. As unidades demedida serão definidas de acordo com o item em questão, podendo ser: unidades demateriais, quilogramas, litros, metros lineares, m2, m3, horas-homem, horas-máquina,
  16. 16. kW/h, número de movimentos, etc. Esses indicadores serão de responsabilidade dosdepartamentos operacionais, como: produção, PCP, desenvolvimento de produtos, CQT,etc.Os padrões monetários correspondem aos custos monetários dos recursos necessários. Aresponsabilidade de sua apuração recai sobre os departamentos administrativos, como:controladoria, compras, pessoal, etc.Sendo assim, no caso de materiais, devemos definir a quantidade de matéria-primanecessária à fabricação de uma unidade do produto e avaliar o seu custo, ou seja, iremosrealizar a seguinte aferição, por exemplo: para a fabricação de uma unidade do produtoA são necessários 5 m da matéria-prima Y, com custo de $10/m, totalizando $50.Para o caso de mão-de-obra, o mesmo raciocínio deve ser aplicado. Por exemplo, para afabricação de uma unidade do produto A são necessárias 2 horas do funcionário Y, comcusto de $6/m, totalizando $12.A FIG.1 ilustra as responsabilidades funcionais para o cálculo do custo-padrão.FIGURA 1 - Responsabilidade funcional pelo cálculo do custo-padrãoFonte: BRUNI e FAMÁ, 2002, p. 164.No caso dos custos indiretos de fabricação, devemos lembrar que eles são assumidospara dotar a empresa de capacidade produtiva em sua maior parte, e somente uma
  17. 17. pequena parcela é aplicada aos produtos. Sendo assim, a parcela fixa, que épreponderante na maioria dos casos, deve ser estabelecida com base em níveis usuais deutilização da capacidade, por exemplo, horas-máquina.Para a fixação de padrões, o esforço da área técnica deve ser conjugado com o esforçoda área administrativa no sentido de definir os valores iniciais, para o que um banco dedados assume importância relevada.Após a determinação dos valores iniciais, ajustes devem ser feitos até que se consigamresultados satisfatórios, os quais precisam também ser revistos periodicamente, comoforma de adaptação às mudanças tecnológicas e à própria dinâmica operacional.Análise das variaçõesSendo o custo-padrão útil primordialmente para a realização de controle, devemossempre comparar o custo realizado com o custo estimado (custo-padrão).Para tanto, devemos medir as possíveis variações, que podem ocorrer tanto em termosde materiais e mão-de-obra quanto em termos monetários, sendo também comum aconjugação de ambas.Essas variações serão classificadas como favoráveis quando houver uma redução, oudesfavoráveis quando ocorrer uma elevação.Por exemplo, caso tenhamos estimado um gasto de 1.000 unidades de uma matéria-prima, ao custo unitário de $5, prevíamos incorrer em custo total de $5.000. Casotenhamos efetivamente consumido 1.050 unidades da matéria-prima e o custo tenhaatingido $5,10, alcançaríamos um custo total de $5.355, com variação desfavorável de$355.A FIG. 2 ilustra o caso de variações desfavoráveis.
  18. 18. FIGURA 2 - Variações no custo-padrãoFonte: BRUNI e FAMÁ, 2002, p. 165.A variação na quantidade pode ser decorrência de diversos fatores, entre os quais pode-se incluir a própria qualidade da matéria-prima, além de aspectos relacionados aoprocesso de produção.Esse tipo de variação deve ser tido como normal, pois sua ocorrência pode se repetir e omais importante é estabelecer limites de variação, dentro dos quais toda oscilação seriaaceitável.Para o caso de variação monetária, o controle é ainda mais difícil, pois está sujeita acondições externas à empresa, notadamente flutuações de mercado. Caso haja qualquerproblema de abastecimento, flutuações de preço deverão ocorrer.Por outro lado, a aquisição de grandes lotes tende a reduzir o custo da matéria-prima etambém os custos de transporte, apesar de essa atitude poder também elevar os custosfinanceiros devido ao investimento em capital de giro e aos custos de estocagem.Portanto, uma análise criteriosa das variações deve ser feita. Não se pode simplesmenteculpar os responsáveis pelas respectivas áreas; mais importante é avaliar quais fatorescausaram as variações.Esse é um dos propósitos do custo-padrão. Simplesmente estabelecer metas não acarretatodos os benefícios possíveis. Muito mais do que isso, avaliar os desvios, analisar suascausas e conseqüências e identificar as medidas corretivas é que representam os reaisbenefícios do custo-padrão.Vamos ficando por aqui. Vamos aprender a partir da próxima aula o Custeio Variável.Aguardo você.ResumoEm termos gerenciais, é muito importante comparar os custos com alguns padrões queseriam razoáveis para cada atividade.Na aula de hoje estudamos o custo-padrão. Vimos que não se trata de uma novametodologia para apuração de custos, mas sim, de uma técnica auxiliar, que estabeleceuma meta a ser perseguida.A definição dos padrões deve seguir critérios racionais, porque de nada adiantaestabelecer metas impossíveis de se alcançar. As áreas técnicas ficam responsáveis peladeterminação dos padrões em unidades físicas, e as áreas administrativas seresponsabilizam pelos padrões monetários.Vimos ainda que os padrões nem sempre são alcançados e é muito importante analisaros desvios, suas causas e consequências, como forma de implementar melhorias ecorrigir distorções.
  19. 19. Atividades1. Explique a diferença entre custo-padrão ideal e custo-padrão corrente.2. Dê exemplos de aplicações do custo-padrão.3. Como devem ser definidos os padrões e a quem cabe essa atividade?4. Explique a importância da análise das variações.Aula 20 - Custeio VariávelObjetivos• Conhecer o Custeio Variável.• Discutir a razões que justificam a sua implantação.• Compreender a metodologia de aplicação do custeio variável.IntroduçãoAté agora, aprendemos alguns métodos de custeio, os quais constituem uma categoriamais ampla denominada custeio por absorção. Em todos eles, os custos indiretos defabricação eram apropriados aos produtos por meio de um critério de rateio previamentedefinido. Ou seja, quando se fala em custeio por absorção, está se falando na atribuiçãode todos os custos, diretos e indiretos, fixos e variáveis, aos produtos elaborados.Custeio por absorçãoEste sistema apresenta três problemas principais, conforme Martins (1998):• Os custos fixos existem independentemente da fabricação ou não de algum produto.Portanto podem ser considerados como encargos para que a empresa tenha condições deproduzir, ao invés de sacrifício para a fabricação de um item específico.• Como não estão relacionados a um produto ou unidade especificamente, sãodistribuídos com base em algum tipo de rateio, que contém um grau maior ou menor dearbitrariedade. A apropriação é feita com base em algum fator, que na verdade nãovincula o custo ao produto. Ao mudarmos o critério de rateio, podemos fazer umproduto rentável tornar-se deficitário, ou vice-versa, o que nos leva a concluir que háuma debilidade no método, em termos gerenciais.• O custo fixo unitário depende do volume de produção. Caso as decisões sejamtomadas com base no custo, o volume atual de produção deve ser considerado, tendo emvista que pode diferir do volume tomado como base. Ademais, ao se alterar o volume defabricação de um produto, os outros terão seus custos alterados, ainda que não tenhamsofrido nenhuma modificação.Diante dessas considerações, temos que avaliar a problemática que os métodos decusteio por absorção podem acarretar em relação à apropriação de custos fixos.
  20. 20. O exemplo apresentado na TAB. 1 ilustra a situação.Tabela 1Custo total e custo unitárioNíveis de produçãoCusto total Custo unitárioFixo Variável Total Fixo Variável Total500 un 30.000 5.000 35.000 60 10 701.000 un 30.000 10.000 40.000 30 10 401.500 un 30.000 15.000 45.000 20 10 30Fonte: adaptado de MEGLIORINI, 2002, p. 133.Supondo um custo fixo total de $30.000 e um custo unitário variável de $10, teríamos 3custos totais unitários: $70, $40 e $30, de acordo com a quantidade produzida. Portantoa existência do custo fixo requer que seja definido a priori o volume de produção, paraque as decisões gerenciais possam ser tomadas.Caso o volume de produção efetivo seja diferente do volume previsto, equívocos podemser cometidos. Por exemplo, ao prever vendas de 1.000 unidades, o preço pode serfixado com base num custo unitário total de $40; porém, se a vendas não alcançarem ovolume previsto, situando-se em 500 unidades, o custo unitário se elevaria para $70, oque pode induzir a empresa a operar deficitariamente.Esse é apenas um dos problemas. Já vimos anteriormente que o critério de rateio induz aum problema semelhante.Tendo-se em vista as considerações anteriores, justifica-se a forma de apropriaçãoconhecida como Custeio Variável, que somente atribui aos produtos os custosvariáveis, diretos e indiretos. Os custos fixos serão lançados diretamente nos resultados.Muito embora seja de grande utilidade para fins decisoriais e gerenciais, os PrincípiosContábeis (competência e confrontação) não aceitam a elaboração de Demonstração deResultados do Exercício e Balanço Patrimonial com base no custeio variável. Isto seexplica porque as receitas devem ser apropriadas e devem-se deduzir todos ossacrifícios envolvidos para sua obtenção. Portanto, os custos do período devem serapropriados no próprio período. Como os custos fixos serão responsáveis pela produçãofutura, não é razoável lançá-los todos em um só momento.Já dissemos anteriormente que a separação entre custos fixos e variáveis constitui umatarefa muito simples em termos teóricos, mas a realidade apresenta situações um tantoquanto ambíguas.Não é incomum encontrarmos contas que possuem uma parcela fixa e outra variável,que denominamos custos semivariáveis (reveja a aula 2 para se lembrar disso). Podemservir de exemplo as contas de água e energia elétrica, que possuem um custo mínimo,
  21. 21. parcela fixa, e outra diretamente proporcional ao volume utilizado, parcela variável.Cabe lembrar que custo semivariável é diferente de custo semifixo, o qual é fixo até umdeterminado volume de produção, a partir do qual ele sofre uma variação. Ilustra asituação a capacidade instalada de uma fábrica, que possui um limite que, para sersuperado, exigiria novas instalações, por exemplo, conforme FIG. 1.FIGURA 1 Custo semivariável e semifixoFonte: MEGLIORINI, 2002, p. 15 e 16.Com relação aos custos semivariáveis, o procedimento correto é separar a parcela fixada parcela variável, atribuindo a última aos produtos, e a primeira sendo lançadadiretamente no resultado. Resta, no entanto, a grande indagação: como calcular a partefixa e a variável?Megliorini (2002) apresenta um método para tal separação, denominado método dospontos máximos e mínimos ou pontos altos e baixos.O método deve ser implementado da seguinte maneira: registra-se a produção de umdeterminado período de tempo, registrando-se simultaneamente os custoscorrespondentes.Tomamos os 2 pontos extremos de produção, encontramos os custos correspondentes e,a partir dessas observações, podemos definir o menor valor como custo fixo e adiferença em relação ao maior valor como custo variável.
  22. 22. O custo variável unitário será encontrado dividindo-se a diferença de custos peladiferença no volume produzido.Para ilustrar, vamos imaginar um alto forno de uma usina siderúrgica, que deve estarpermanentemente ligado, para manutenção da temperatura, mesmo que a produção sejasuspensa temporariamente. Dado o início das operações, o consumo de energia elétricaaumenta proporcionalmente ao volume produzido. A TAB.2 apresenta os dadosrelativos à produção e consumo.TABELA 2Produção e consumo de energia elétricaMeses Produção (t) Custo ($)Janeiro 1.000 50.000Fevereiro 1.100 56.000Março 1.200 62.000Abril 1.400 74.000Maio 1.300 68.000Junho 1.300 68.000Fonte: elaborada pelo autor.Encontramos o mínimo em janeiro, com produção de 1.000t e custo de $50.000, e omáximo em abril, produção de 1.400t e custo de $74.000.A diferença de custo será de $24.000 ($74.000-$50.000), e a de produção será igual a400t (1.400t- 1.000t). Portanto o custo variável unitário será igual a $60 ($24.000/400t).Pelo que foi exposto, podemos verificar que o custeio variável tem muitas vantagens emrelação ao custeio por absorção. Conforme dito, o método deve ser usado para finsgerenciais, pois a legislação tributária não admite a apuração de resultados com basenele.Algumas das vantagens, conforme Dubois, Kulpa e Souza (2008) e Megliorini (2002),são as seguintes:• o resultado líquido não é afetado por variações nas quantidades produzidas ecomercializadas;• há maior facilidade para calcular a contribuição de cada produto para o lucro daempresa;• identificam-se os produtos rentáveis e os não rentáveis;• são fornecidas informações realistas aos gerentes de produção, relacionadas aos custosde sua responsabilidade;
  23. 23. • são fornecidas informações para tomada de decisões gerenciais, especialmente comrelação ao preço;• permite-se identificar o nível mínimo de atividade que torna o negócio rentável.Apesar dessas vantagens, o custeio variável possui 2 aspectos frágeis, devido àdificuldade de separação entre custos fixos e variáveis e também pela impossibilidadede apuração dos resultados para fins legais.Devemos agora ressaltar que, muito embora sejam tratados, às vezes, os dois conceitoscomo sinônimos, custeio variável é uma denominação mais adequada do que custeiodireto. Vamos relembrar os conceitos:Custo diretoCusto direto é aquele que pode ser diretamente aplicado ao produto, ou seja, é possívelidentificar exatamente quanto do custo de um elemento foi aplicado na produção de umbem. Um bom exemplo é o de matérias-primas. Se para construir uma mesa umaempresa gasta uma chapa de compensado, esse custo pode ser diretamente aplicado aoproduto final.Também a mão-de-obra direta ilustra o conceito de forma clara. Para construir essamesa é necessário 1 dia de trabalho (8 horas) de um marceneiro. Portanto, o saláriodiário do funcionário constitui um custo direto, isto é, pode ser diretamente aplicado aocusto de produção da mesa.Custo indiretoCusto indireto é aquele não passível de aplicação direta ao produto, necessitando,destarte, de um critério de rateio para que seja feita a alocação de custos. Comoexemplo, podemos citar os salários da supervisão. Imagine que na fábrica de móveishaja um supervisor para dez marceneiros, cada qual produzindo um tipo de móvel.Sendo assim, o salário do supervisor não pode ser diretamente aplicado ao produto final(mesas, cadeiras, estantes, etc.), mas deve ser rateado entre esses produtos.Custo variávelÉ aquele que varia de acordo com o nível de atividade, isto é, caso o volume deprodução (ou de vendas) aumente, o custo também aumentará; caso a produçãodecresça, o custo também será reduzido.O custo da matéria-prima ilustra com clareza esse conceito. Para aumentar o volume deprodução, mais unidades de matéria-prima serão consumidas, portanto o custo iráaumentar. Também serve de exemplo a mão-de-obra direta.Custo fixoAo contrário do anterior, o custo fixo é aquele que não guarda relação com o volume deatividades, isto é, independentemente do volume de produção o custo não se altera.Obviamente, essa manutenção do custo deve respeitar um certo limite de capacidade,
  24. 24. uma vez que não se pode pensar em custo fixo para uma produção infinita.Diversos itens são classificados como custos fixos. O aluguel de uma instalação, aprestação de uma máquina, conta de telefone da fábrica, salários do pessoal daadministração, entre outros.Por custeio variável, entendemos aquele em que somente os custos variáveis sãoaplicados aos produtos, incluindo custos diretos, custos indiretos e também as despesasvariáveis.Se falarmos em custeio direto, não estamos nos referindo à aplicação apenas de custosdiretos, mas, devido ao nome, tal confusão pode surgir. Por essa razão, o nome custeiovariável é preferível ao nome custeio direto.Espero que esta aula tenha sido bem proveitosa para seus conhecimentos. Espero vocêpara nosso próximo encontro. Trarei muitas novidades.ResumoVimos, na presente aula, outro método de custeio, denominado custeio variável. Aocontrário dos métodos de absorção, o custeio variável não aplica aos produtos os custosfixos, mas tão somente os custos variáveis, diretos e indiretos.As razões que justificam essa nova abordagem recaem sobre as fragilidades do custeiopor absorção no que se refere à tomada de decisões. Equívocos podem ocorrer devido avariações no volume de produção e também ao critério utilizado para rateio dos custosfixos.O custeio direto constitui, portanto, uma alternativa para reduzir as inconsistênciasanteriores, pois vai aplicar aos produtos somente o que foi diretamente consumido nasua produção.Comentamos as principais vantagens do custeio variável, realçando seu aspectogerencial e listamos também suas principais deficiências.Fizemos posteriormente uma revisão dos conceitos de custos, muito necessária nestemomento do aprendizado. Relembramos o que é custo direto, indireto, fixo, variável,semifixo e semivariável.Atividades1. Descreva as diferenças entre custeio variável e custeio por absorção. Ilustre suaresposta com exemplos.2. Explique as razões que tornam o custeio por absorção inconsistente, em termosgerenciais.3. Explique o tratamento que se deve dar aos custos semivariáveis.
  25. 25. Aula 21 - Custeio VariávelObjetivos• Entender os cálculos do custeio variável.• Perceber as diferenças entre o custeio por absorção e o custeio variável.• Conhecer o conceito de margem de contribuição.IntroduçãoNa aula passada, vimos outra forma de cálculo de custos, denominada CusteioVariável. Sabemos que se trata de uma metodologia que não aplica os custos fixos aosprodutos, mas somente os custos variáveis.Vimos ainda que suas principais aplicações são gerenciais, até porque a legislaçãotributária não permite esse tipo de apropriação para fins de declarações legais.Hoje, iremos apresentar um exemplo de aplicação do Custeio Variável. Vamosdescrever a empresa em questão.Aplicação do Custeio VariávelVamos conhecer uma indústria de confecção que produz camisas e calças. Os dadosrelativos aos produtos são mostrados na TAB. 1TABELA 1Dados relativos aos produtosItem Camisa CalçaProdução (unid) 10.000 20.000Matéria-prima 25.000 100.000Materiais auxiliares 15.000 20.000Mão de obra direta 40.000 60.000Total 80.000 180.000Preço de Venda (unid) 20 20Como podemos perceber, a produção de camisas é de 10.000 unidades e a de calças é de20.000 unidades. O consumo de material direto na fabricação de camisas é de $25.000,ao passo que na de calças é de $100.000.Em termos de materiais auxiliares, no caso, aviamentos, gastam-se $15.000 comcamisas e $20.000 com calças. A mão-de-obra direta aplicada à produção de camisasatinge o valor de $40.000 e de $60.000 para calças.
  26. 26. Somando tudo, o custo de produção de camisas é de $80.000 e o de calças é de$180.000. O preço de venda é idêntico, $20 a unidade, preço determinado pelascondições de mercado, que a empresa espera respeitar.Os custos e despesas fixas incorridos pela empresa são mostrados na TAB. 2.TABELA 2Custos fixosCustos fixosDepreciação 40.000Aluguel 60.000Energia elétrica 50.000Despesas administrativas 30.000Despesas comerciais 20.000Total 200.000Dentre os custos fixos, apenas energia elétrica poderia ser tida como semivariável, masvamos imaginar, para simplificar nosso raciocínio, que também caracterize um custofixo.Ao fazer a apuração de resultados, o empresário vai encontrar a situação relatada naTAB. 3.TABELA 3Demonstração de Resultados do ExercícioResultado do exercício camisas calças totalFaturamento bruto 200000 400000 600000Custo produção 80.000 180.000 260.000Lucro bruto 340.000CIF 200.000Lucro operacional 140.000O faturamento e o custo de produção foram apresentados por produto para detalhar oprocedimento. Para camisas, temos 10.000 unidades X $20/un., resultando em$200.000; para calças, temos 20.000 unidades X $20, igual a $400.000, comfaturamento total de $600.000.O custo de produção, mostrado na TAB. 1, é de $80.000 para camisas e de $180.000para calças, atingindo o valor de $260.000. O custo fixo é de $200.000, conforme TAB.2.
  27. 27. Fazendo os cálculos, encontramos um lucro operacional de $140.000 ($600.000 -$260.000 – 200.000).Digamos agora que o empresário, no afã de melhorar o desempenho financeiro de seuempreendimento, procura identificar o custo de produção separado por produto.Ele vislumbra a possibilidade de alterar o seu mix de produção e com isso confeccionaro produto mais rentável, já que a alteração de preços é por demais arriscada, dada aconcorrência presente no setor.Ele então utiliza um critério de rateio para mensurar o custo de cada produto com maisprecisão, imagina ele. Considerando-se expert no assunto, ele analisa os dados sobrecusto direto e escolhe o rateio com base na mão-de-obra direta. Essa decisão baseia-sena similaridade da mão-de-obra no custo direto dos dois produtos, o que aparentementetem lógica, ou seja, já que ela é distribuída de forma mais equilibrada, o rateio nessabase será o que melhor representa a aplicação de custos fixos.Sendo assim, ele calcula o custo de produção, resultado mostrado na TAB. 4.TABELA 4Custo total - Rateio baseadona proporção de mão-de-obraCIF/MO Camisa CalçaDepreciação 16.000 24.000Aluguel 24.000 36.000Energia elétrica 20.000 30.000Despesasadministrativas12.000 18.000Despesas comerciais 8.000 12.000Total CIF 80.000 120.000Custo direto 80.000 140.000Custo total 160.000 260.000Custo unitário 16 13O cálculo foi feito da seguinte maneira:• A participação do material direto empregado na fabricação de camisas é de 40%(40.000/100.000) e de calças é de 60% (60.000/100.000).• Multiplicando 0,4 por $40.000, encontramos $16.000, que corresponde à parcela dedepreciação alocada no custo das camisas. Fazendo 0,6 por $40.000, encontramos$24.000, parcela de depreciação alocada no custo de produção da calças.• Repetindo os passos para os demais itens do custo fixo, encontramos o total de$80.000 de custos fixos para camisas e $120.000 para calças.
  28. 28. • Somando o total de CIF com o total de custo direto, encontramos para camisas o valorde $160.000 ($80.000 + $80.000) e de $260.000 para calças ($120.000 + $140.000).• Dividindo o custo total pelo número de unidades produzidas, encontramos custounitário de camisa igual a $16 ($160.000 / 10.000) e $13 para calça ($260.000 / 20.000).Diante desses valores, o empresário toma uma “sábia” decisão imediatamente: “se opreço de todos os produtos é $20, a camisa me custa $16 e a calça me custa $13, vouoptar pela fabricação de calças, apenas”.Devemos ainda supor que não existam limitações à fabricação de apenas um produto.Nesse contexto, a decisão parece realmente racional, pois com isso o resultado daempresa iria melhorar.Mas vejamos o que acontece se a produção for unicamente de calças. Os resultados sãoapresentados na TAB. 5.TABELA 5Demonstração de Resultadosdo Exercício - Fabricação de calçasProdução única CalçasFaturamento bruto 600000Custo produção 270000CIF 200000Lucro operacional 130000O faturamento bruto ainda é de $600.000 (30.000 unidades X $20/un.), o custo fixo nãose altera, permanecendo em $200.000, porém o custo variável vai se modificar.Como eram necessários $180.000 para a confecção de 20.000 calças, para a fabricaçãode 30.000 unidades serão necessários $270.000, valor que corresponde ao custo deprodução lançado na TAB. 5.Apurando o resultado, teremos lucro operacional de $130.000, valor inferior aos$140.000 conseguidos com a fabricação de camisas e calças.O que devemos pensar? Uma decisão bem pensada e tomada com base em critériostécnicos acarreta resultados ruins para a empresa. Caso optasse por ratear os custos fixoscom base no material direto, a situação seria diferente, conforme ilustrado na TAB. 6.TABELA 6Custo total - Rateio baseadona proporção de material direto
  29. 29. CIF/MD Camisa CalçaDepreciação 8.000 32.000Aluguel 12.000 48.000Energia elétrica 10.000 40.000Despesasadministrativas6.000 24.000Despesas comerciais 4.000 16.000Total CIF 40.000 160.000Custo direto 80.000 140.000Custo total 120.000 300.000Custo unitário 12 15O cálculo é semelhante ao anterior. A participação relativa no consumo de materialdireto referente à produção de camisas é de 20% (25.000/125.000) e a de calças é de80% (100.000/125.000).Multiplicando os valores referentes ao custo fixo por essas proporções, encontramos ostotais de $40.000 para camisas e de $160.000 para calças.Somando-se esses valores ao custo direto, chegamos a $120.000 e $300.000 paracamisas e calças, respectivamente.O custo unitário será de $12 para camisa ($120.000 / 10.000) e de $15 para calça($300.000 / 20.000).Esse critério levaria o empresário a tomar outra “sábia” decisão, qual seja, a de produzirapenas camisas. Caso optasse por essa linha, os resultados seriam diferentes, conformemostrado na TAB. 7.TABELA 7Demonstração de Resultados do Exercício- Fabricação de camisasProdução única camisasFaturamento bruto 600000Custo produção 240000CIF 200000Lucro operacional 160000O lucro operacional, nessas condições, alcançaria $160.000, superior aos $140.000conseguidos com a produção mista.A explanação anterior só vem reforçar os comentários acerca da fragilidade do custeiopor absorção para fins gerenciais. Por outro lado, realça a importância do custeio
  30. 30. variável.Observe você que cada unidade de camisa custa $8 ($80.000/10.000) em termos decusto variável, e cada unidade de calça custa $9 ($180.000/20.000), também de custovariável. Se cada peça é vendida por $20, cada camisa gera um “retorno” de $12 e cadacalça um retorno de $11.Se lembrarmos que os custos fixos independem do volume produzido, ou mais, que elessão encargos assumidos pela empresa para tornar possível a produção, vamos entenderque eles não são afetados pela quantidade produzida de um ou de outro produto.Portanto, o mais importante é avaliar o quanto cada um deles contribui para a coberturados custos fixos.Estamos diante do conceito de margem de contribuição. Segundo Martins (1998), é adiferença entre receita e custo variável. Para Megliorini (2002), é parte restante do preçode venda de um produto, deduzidas as despesas e custos por ele gerados.Diante disso, podemos apresentar os resultados da empresa de uma forma um poucodiferente, conforme ilustra a TAB. 8.TABELA 8Margem de ContribuiçãoResultado do exercício camisas calças totalFaturamento bruto 200000 400000 600000Custo produção 80.000 180.000 260.000Margem de contribuição 120.000 220.000 340.000Custos fixos 200.000Lucro operacional 140.000Apresentado dessa forma, o resultado mostra uma outra visão. Os custos fixos não sãorelacionados à produção, mas sim, ao funcionamento da empresa, existentesindependentemente de a empresa produzir ou não.Portanto os custos provocados pelos produtos são somente os diretos, e por essa razãoqualquer critério de rateio possui algum grau de arbitrariedade. Por conseguintedevemos avaliar o quanto cada produto contribui para o pagamento do custo fixo, ouseja, avaliar quanto sobra depois de deduzido do preço de venda o montante de custonecessário à produção.Informações desse tipo são de extrema utilidade nas decisões gerenciais. Voltemos aocaso da modificação do mix de produção. Ao utilizar o critério de rateio, o empresáriopoderia ter tomado a pior decisão possível, ainda que lhe parecesse a mais racional domundo.Caso a decisão seja tomada com base na margem de contribuição, esse tipo de erro nãoaconteceria, ou seja, o produto menos rentável não seria nunca o escolhido.
  31. 31. Ademais, a análise da margem de contribuição serve para definição da política depreços e para a avaliação dos custos de cada departamento.Espero que você tenha compreendido muito bem tudo isso que estudamos hoje. Sãoconhecimentos muito importantes para a sua formação geral.Encontramo-nos na próxima aula. Até lá!ResumoNesta aula, fizemos uma aplicação de custeio variável. Começamos estimando oresultado de uma empresa de confecção que fabrica calças e camisas.Depois de apurado o resultado, fizemos alguns exercícios relativos à apropriação decustos fixos e tomamos decisões gerenciais baseados nelas. Vimos que uma decisãoaparentemente racional poderia ter provocado a redução do lucro da empresa.Posteriormente, aprendemos o conceito de margem de contribuição, que é a diferençaentre o preço de venda e o custo variável. Ou seja, a margem de contribuição mostraexatamente com quanto cada produto contribui para o lucro da empresa.AtividadesFaremos exercícios específicos sobre esse conteúdo na próxima aula. Hoje você vaidescansar mais cedo.Aula 22 - Custeio VariávelObjetivos• Rever conceitos de Custeio Variável.• Aplicar os cálculos do Custeio Variável.IntroduçãoVamos rever os conceitos de Custeio Variável na aula de hoje, praticando através de umexercício. Iremos estimar o custo variável, a margem de contribuição de cada produto eavaliar a possibilidade de fabricar apenas um dos produtos.AtividadeVamos inicialmente caracterizar a nossa empresa. É uma indústria que fabrica pré-moldados em concreto, especificamente mourões e postes, o primeiro em formatoretangular e o segundo em formato tipo T. Utiliza como insumos diretos areia, brita,cimento, ferragem e mão-de-obra.Os gastos fixos são relativos a: depreciação dos equipamentos e das instalações, aluguelde um galpão e escritório anexo, mão-de-obra indireta, despesas comerciais e despesas
  32. 32. administrativas.Os custos diretos de produção, separados por produtos, assim como o apontamento deunidades mensais produzidas, estão apresentados na TAB. 1.TABELA 1Custos Diretos de ProduçãoItem Mourão PosteProdução (unid) 2.000 1.000Matéria-prima 7.000 3.000Materiais auxiliares 3.000 2.000Mão-de-obra direta 5.000 5.000Total 15.000 10.000Preço de Venda (unid) 30 35Os custos fixos estão apresentados na TAB. 2.TABELA 2Custos indiretos de fabricaçãoCustos fixosDepreciação 8.000Aluguel 6.000Energia elétrica 6.000Despesas administrativas 4.000Despesas comerciais 6.000Total 30.000Com base nos dados apresentados,• Calcule o resultado da empresa.• Avalie os resultados caso a empresa optasse pela produção de um único produto.• Calcule a margem de contribuição de cada produto e apure o resultado com base noCusteio Variável.Faça tudo que se pede antes de verificar as respostas que lhe forneço em seguida. Isso émuito importante para o seu aprendizado.
  33. 33. RespostasResultado do exercício Mourão Poste totalFaturamento bruto 60000 35000 95000Custo produção 15.000 10.000 25.000Lucro bruto 70.000CIF 30.000Lucro operacional 40.000Produção única Mourão PosteFaturamento bruto 90000 105000Custo produção 22500 30000CIF 30000 30000Lucro operacional 37500 45000Resultado do exercício Mourão Poste totalFaturamento bruto 60000 35000 95000Custo produção 15.000 10.000 25000Margem de contribuição 45.000 25.000 70.000Custos fixos 30.000Lucro operacional 40.000Aula 23 - Aplicação da Margem deContribuiçãoObjetivos• Relembrar os conceitos de Margem de Contribuição.• Aplicar cálculos de Margem de Contribuição.• Aprender a tomar decisões gerenciais baseadas na Margem de Contribuição.IntroduçãoNa aula 18 aprendemos como se deve calcular o custeio variável e também como secalcula a margem de contribuição. Já sabemos que ela corresponde à diferença entrepreço de venda e custo variável, isto é, representa a contribuição de cada produto aolucro ou, dito de outra forma, a contribuição para a cobertura dos custos fixos.Vimos alguns exemplos que mostraram que decisões baseadas em critérios de rateiopodem acarretar resultados negativos, como por exemplo, a mudança do mix de
  34. 34. produção baseada em custo total.Hoje iremos avançar nesses tópicos relacionados a decisões gerenciais, mas utilizando oconceito de margem de contribuição.Margem de ContribuiçãoVamos imaginar uma empresa que possua 3 produtos em sua linha de produção, A, B eC, com as especificações relacionadas na TAB.1.TABELA 1Produtos, preços, custos e despesasvariáveis e margem de contribuiçãoProdutos Preço Custo+despesa variavelMargem contribuiçãounitáriaA 25 11,25 13,75B 42 32,10 9,90C 32 23,60 8,40Podemos observar que o produto A tem a maior margem de contribuição, seguido doproduto B e depois vem o produto C. A despeito de ser comercializado pelo menorpreço, o produto A é o que mais contribui para o lucro da empresa.Visando a uma possível melhoria na lucratividade, o empresário gostaria de avaliar umamodificação no mix de produção que lhe permitisse maiores ganhos. Desde que nãohaja nenhuma limitação à capacidade produtiva, a escolha deveria ser aumentar aprodução daquele que tem a maior margem de contribuição, o produto A.Porém, no presente caso, há uma limitação externa relativa ao fornecimento de matéria-prima. Dadas as especificações técnicas exigidas, o empresário somente consegueadquirir 120.000 quilogramas, volume insuficiente para atendimento da sua demanda,conforme mostra a TAB. 2.TABELA 2Demanda e matéria-prima consumida.Produtos Demanda Consumo matéria-prima Quantidade materia-primaA 2.000 40 80.000,00B 800 20 16.000,00C 3.000 10 30.000,00Total 126.000,00Para atender a toda a demanda, seriam necessários 126.000 kg, volume superior ao quea empresa consegue adquirir. Diante dessa restrição, devemos fazer uma opção por qual
  35. 35. produto sacrificar.Caso toda a demanda pudesse ser atendida, a margem de contribuição total seria de$60.620 ($13,75X2.000 + $9,9X800 + $8,4x3.000). Contudo esse valor ultrapassa acapacidade da empresa. Não se trata de uma restrição de capacidade instalada, portantoé mais difícil, senão impossível, conseguir uma solução interna.A escolha mais óbvia recai sobre o produto C, que possui a menor margem decontribuição. Outro critério para justificar a decisão poderia se basear no volume deprodução diante da quantidade de material necessário, ou seja, ao sacrificarmos oproduto C, um número proporcionalmente menor de unidades deixaria de ser produzida.Programando a produção para atender a esse novo mix, encontraremos 2.000 unidadesdo produto A, 800 do produto B e apenas 2.400 do produto C. Isso porque, descontandoa matéria-prima dos 2 primeiros, sobrariam 24.000 kg, suficientes para produzir 2.400unidades de C.Os resultados com essa nova configuração estão na TAB. 3TABELA 3Resultados e margem de contribuição por produtoA B C TotalVendas (un.) 2.000 800 2.400Preço unitário 25 42 32Receita 50.000 33.600 76.800 160.400Custo variável unitário 10 30 22Custo variável total 20.000 24.000 52.800Despesas variáveis (5%) 2.500 1.680 3.840Total variável 22.500 25.680 56.640 104.820Margem de contribuição 27.500 7.920 20.160 55.580Custos e despesas fixas 25.000Lucro operacional 30.580De imediato observamos que a margem de contribuição se reduziu, alcançando agora$55.580 ($13,75X2.000 + $9,9x800 + $8,4x2.400), abaixo do máximo possível de$60.620. Com isso, o lucro da empresa será menor, igual a $30.580, considerando ovolume de custos fixos de $25.000.As reduções tanto na margem de contribuição quanto no lucro operacional eramesperadas, já que a empresa não consegue produzir e atender toda a demandadisponível.O resultado alcançado parece o melhor, tendo em vista que a fabricação dos produtoscom maior margem foi mantida, reduzindo-se apenas a produção daquele com menor
  36. 36. margem de contribuição.Podemos questionar se essa seria a melhor alternativa. Se visualizarmos os volumesrequeridos da matéria-prima por unidade produzida, conforme mostrado na TAB. 2,observaremos que o produto A requer 40 kg por unidade, o produto B requer 20 kg e oC, 10 kg.Diante dessa informação, devemos analisar a situação mais uma vez. Ora, vejamos! Sehá tal disparidade no consumo da matéria-prima, a manutenção de um produto na linhade produção exige um grande sacrifício de outro.Talvez, a empresa esteja perdendo margens de contribuição, pois, ao maximizar aprodução de um, ela limita a de outro.Vamos avaliar outra alternativa. Iremos basear nossa análise na margem de contribuiçãoem termos de matéria-prima consumida, conforme sugerido por Megliorini (2002). ATAB. 4 apresenta os valores.TABELA 4Margem de contribuição em matéria-primaProdutos Mg cont. Consumo matéria-primaMg contribuição/mat.primaA 13,75 40 0,3438B 9,90 20 0,4950C 8,40 10 0,8400Ao deixar de produzir uma unidade de A, a empresa pode fabricar duas unidades de Bou quatro unidades de C (40/20 ou 40/10).De acordo com os dados, constatamos que, para cada unidade de matéria-prima aplicadaao produto A, resultará uma margem de contribuição de $0,3438 ($13,75 / 40 kg). Parao produto B, temos a margem de contribuição por unidade de matéria-prima de $0,4950($ 9,90 / 20 kg ) e para o C, $0,84 ($8,40 / 10 kg)No resultado por produto, os termos de margens de contribuição seriam:Produto A: 40 kg X 0,3438 = $13,75 (1X13,75 = 13,75)Produto B: 40 kg X 0,4950 = $19,80 (2X $9,9 = $19,80)Produto C: 40 kg X 0,8400 = $33,60 (4 X $8,4 = $33,60).De acordo com os dados acima, observamos que o sacrifício de uma unidade de A, queconsome um grande volume de matéria-prima, permite a produção de 2 unidades de Bou 4 unidades de C, resultando em uma margem de contribuição de B igual a $19,80 ede C igual a $33,60.Portanto, quando houver restrições à capacidade produtiva, nem sempre a melhoralternativa irá recair sobre o produto com maior margem de contribuição.
  37. 37. Vamos então analisar outra possibilidade, reduzindo a fabricação de A e mantendo aprodução dos outros dois, B e C. Os dados apresentados na TAB. 5 ilustram a situação.TABELA 5Resultados e margem de contribuição por produtoA B C TotalVendas (un.) 1.850,00 800,00 3.000,00Preço unitário 25,00 42,00 32,00Receita 46.250,00 33.600,00 96.000,00 175.850,00Custo variável unitário 10,00 30,00 22,00Custo variável total 18.500,00 24.000,00 66.000,00Despesas variáveis (5%) 2.312,50 1.680,00 4.800,00Total variável 20.812,50 25.680,00 70.800,00 117.292,50Margem de contribuição 25.437,50 7.920,00 25.200,00 58.557,50Custos e despesas fixas 25.000,00Lucro operacional 33.557,50Como os produtos B e C serão fabricados para atender completamente a demanda, oconsumo de matéria-prima irá atingir 46.000 kg, restando 74.000 kg para a fabricaçãode A. Consequentemente, serão produzidas 1.850 unidades ou 74.000/40.Refazendo os cálculos, encontramos uma margem de contribuição total de $58.557,50($13,75X1.850 + $9,9X800 + $8,4X3.000), e o lucro operacional de $33.557,50.Esses resultados estão ainda abaixo do que seria alcançado com o atendimento pleno dademanda, mas, como a restrição é externa, a empresa pouco pode fazer, devendoadequar sua capacidade com vistas a alcançar o melhor desempenho operacional efinanceiro.Será que você entendeu tudo bem direitinho? Espero que sim. Refaça todos os cálculosse você ainda tiver alguma dúvida. Espero você para nossa próxima aula!ResumoVimos hoje como pode ser aplicado o estudo das margens de contribuição para finsdecisoriais.Partindo de uma situação hipotética, em que uma empresa pode fabricar 3 produtos,com margens de contribuição diferentes, avaliamos quais efeitos teríamos casohouvesse alguma restrição relativa à produção.Analisamos especificamente o caso em que a oferta de matéria-prima é restrita, ou seja,para atender toda a demanda, a empresa necessita de um volume maior do que o
  38. 38. fornecedor pode oferecer.Diante desse quadro, o mix de produção deve ser revisto, com a produção em menorescala de um dos 3 produtos. A escolha mais óbvia recairia sobre a redução naquantidade produzida daquele que tiver a menor margem de contribuição.Porém, essa decisão, aparentemente racional, não produz o melhor resultado. Vimosque, sob condições de restrição, o fator limitante deve conduzir a decisão.No exemplo, dado que a produção de A consumia um volume elevado de matéria-primarelativamente aos outros dois produtos, a redução daquele e o atendimento pleno dosoutros 2 geraria melhores resultados.AtividadesMais adiante,faremos exercícios sobre restrições de capacidade produtiva. Por ora,imagine uma indústria de produtos alimentícios sujeita a restrições no fornecimento dematéria-prima, como por exemplo, uma fábrica de sucos de laranja. Se ela produz sucoconcentrado e refresco, gastando 5 vezes mais unidades de matéria-prima para aprodução do primeiro e sendo a margem de contribuição do primeiro apenas o dobro,qual seria a melhor opção caso não consiga adquirir o volume de laranja suficiente paraproduzir a plena capacidade? Justifique sua resposta.Aula 24 - Aplicação da Margem deContribuiçãoObjetivos• Rever conceitos de Margem de Contribuição.• Aplicar cálculos de Margem de Contribuição.• Verificar como tomar decisões gerenciais baseadas na Margem de Contribuição.IntroduçãoVamos hoje avaliar outra situação em que o cálculo da margem de contribuição poderepresentar uma decisão vantajosa. Na última aula, fizemos algo dessa natureza, aoavaliar as possíveis combinações de produção de uma empresa sujeita à restrição nacapacidade produtiva ditada por limitação de fornecimento de matéria-prima.Somente para recordar, a decisão aparentemente mais racional – privilegiar a fabricaçãodo produto que apresenta a maior margem de contribuição – não foi a mais sensata.Tal fato deveu-se à grande utilização de matéria-prima pelo produto que tinha a maiormargem. Sendo assim, a sua produção plena sacrificava a fabricação de muitas unidadesde outros itens com margens unitárias menores que, no entanto, gerariam margem decontribuição total superior, em se considerando sua produção plena.Nesta aula, avaliaremos outra situação, relacionada à existência de capacidade ociosa.
  39. 39. Nesse caso, a fábrica não opera com sua capacidade plena, e a margem de contribuiçãopode ser de grande utilidade ao se tomar uma decisão relativa à negociação de umaencomenda, em condições especiais.Aplicação da Margem de ContribuiçãoVamos inicialmente caracterizar a nossa empresa. Trata-se de uma usina siderúrgica quefabrica um único produto, vendido primordialmente no mercado nacional, mas quepossui capacidade de exportação.Essa fábrica opera atualmente com elevada capacidade ociosa, pois produz ecomercializa apenas 50.000 toneladas, volume muito abaixo do limite máximo de70.000 toneladas.As informações relativas a preço e custos são mostradas na TAB. 1.TABELA1Preço e custo de produção.Item ValoresCusto fixo de produção 400.000Custo variável de produção 15/tDespesa fixa 100.000Despesa variável (comissões) 1/tDespesa variável (impostos) 2/tPreço de venda 40/tComo foi mostrado, o custo fixo é de $400.000 e a despesa fixa é de $100.000, ao passoque o custo variável é de $15/tonelada. A empresa incorre ainda em despesa variável de$1/tonelada relativa à comissão, e de $2/tonelada relativa aos impostos. O preço devenda é de $40, fixado como meta para alcançar o lucro estipulado pela diretoria.Os resultados da empresa são apresentados na TAB. 2.TABELA 2Demonstração de resultadosItem ValoresReceita 2.000.000Custo dos produtos vendidos 1.150.000Custo variável 750.000Custo fixo 400.000 250.000Despesas
  40. 40. Despesa fixa 100.000Despesa variável (comissões) 50.000Despesa variável (impostos) 100.000Lucro líquido 600.000A fixação do preço obedeceu ao seguinte critério: como o lucro-meta estipulado era de$600.000, seriam necessários $2.000.000 de receita, diante do total de custos e despesasda ordem de $1.400.000. Com a produção de 50.000 toneladas, o preço foi então fixadoem $40. Tal preço também condiz com a realidade de mercado.O custo variável de $750.000 resulta da multiplicação do custo variável unitário de $15pelo volume produzido, 50.000 toneladas. As despesas variáveis de comissões sãoiguais a $50.000 ($1 X 50.000), e as de impostos são iguais a $100.000 ($2 X 50.000),alcançando $150.000.Suponhamos agora que a empresa receba uma proposta para fabricar 20.000 toneladas,destinadas a um cliente de outro país. Porém a oferta do cliente externo, a princípio, nãose mostra atrativa, pois o preço sugerido é de $25/tonelada.A diretoria se reúne para avaliar a situação, e um dos membros sugere um levantamentopara avaliação do real custo de produção. Recorrendo aos dados apresentados na TAB.3, o custo é estimado.TABELA 3Custo de produçãoItem ValorCusto variável 750.000Custo fixo 400.000Despesa fixa 100.000Despesa variável (comissões) 50.000Despesa variável (impostos) 100.000Custo total 1.400.000Volume produzido 50.000Custo unitário 28Como era esperado, a negociação não se mostra atraente, pois o preço oferecido éinferior ao custo de produção – $25 e $28, respectivamente. A negativa era iminente, jáque a produção levaria a empresa a incorrer em prejuízo.Porém um dos diretores, responsável pela análise de custos, ponderou que seriamnecessárias novas avaliações. Justificou sua posição alegando que o maior volume deprodução iria reduzir o custo fixo unitário e, ademais, por ser o cliente do mercadoexterno, não haveria cobrança do imposto, devido à isenção tributária para esse tipo deoperação.
  41. 41. Com base nessa ponderação, o diretor financeiro apresentou um novo quadro deresultados, contendo o seu raciocínio sobre o assunto, conforme apresentado na TAB. 4.TABELA 4Demonstração de resultadosItem ValoresReceita 2.500.000Vendas domésticas 2.000.000Vendas externas 500.000Custo dos produtos vendidos 1.450.000Custo variável 1.050.000Custo fixo 400.000Despesas 270.000Despesa fixa 100.000Despesa variável (comissões) 70.000Despesa variável (impostos) 100.000Lucro líquido 780.000A receita atingiria $2.500.000, fruto de $2.000.000 ($40 X 50.000) relativos a vendasinternas e $500.000 de exportações ($25 X 20.000). Os custos variáveis agora seriam de$1.050.000, correspondendo à multiplicação de $15 por 70.000. Somando-se isso aocusto fixo de $400.000, atingiria o total de $1.450.000.A despesa variável de comissões agora passaria a $70.000 ($1 X 70.000), a despesa comimpostos permaneceria a mesma, $100.000 ($2 X 50.000), pois não haveria incidênciatributária nas exportações. Adicionando a despesa fixa de $100.000, alcançamos o valorde $270.000.O total de custos e despesas atinge $1.720.000, o que resulta num lucro operacional de$780.000. Esse valor é muito superior aos $600.000 da situação inicial.Portanto a análise feita puramente com o preço comparado ao custo total de produçãolevaria a empresa a deixar de obter um volume substancial de lucro. Mas foi essa análiseque permitiu a atitude competente do diretor financeiro ao apresentar uma nova formade ver a situação.Se avaliarmos o custo de produção na segunda demonstração, será que o preço propostopelo cliente externo seria razoável? Vamos conferir, conforme a TAB. 5.TABELA 5Custo de produção
  42. 42. Item ValorCusto variável 1.050.000Custo fixo 400.000Despesa fixa 100.000Despesa variável (comissões) 70.000Despesa variável (impostos) 100.000Custo total 1.720.000Volume produzido 70.000Custo unitário 24,57Repetindo o raciocínio anterior, temos um custo total de $1.720.000, o que, dividido por70.000 toneladas, resulta em $24,57/tonelada. Ainda assim, o preço mostra-se poucoatraente.O que permite avaliar a atratividade da venda externa é simplesmente a análise damargem de contribuição, de acordo com a TAB. 6.TABELA 6Margem de contribuiçãoItem ValorPreço de venda 40/tCusto variável de produção 15/tDespesa variável (comissões) 1/tDespesa variável (impostos) 2/tMargem de contribuiçãounitária18/tAo avaliarmos as margens, observamos que cada produto para o mercado domésticotem custo variável de $18, o que garante margem unitária de $22, dado o preço de $40.Quando se trata do mercado externo, a margem ainda é um pouco menor, pois atinge $8,considerando o preço de $25, devido à não incidência de impostos.Em suma, elaborando o quadro sintético apresentado na TAB. 7, podemos detalhar aaplicação das margens de contribuição para fins decisoriais.TABELA 7Margens de contribuiçãoItem Interno Externo Total
  43. 43. Vendas (un.) 50.000 20.000Preço unitário 40 25Receita 2.000.000 500.000 2.500.000Custo variável unitário 15 15Custo variável total 750.000 300.000Comissões 50.000 20.000Impostos 100.000 0Total despesas variáveis 150.000 20.000Variável total 900.000 320.000 1.220.000Margem de contribuição 1.100.000 180.000 1.280.000Custos e despesas fixas 500.000Lucro operacional 780.000Observamos que, a despeito do menor preço de venda, com custo praticamente igual aopreço de venda, como mostrado anteriormente, o produto destinado ao mercado externoainda é capaz de gerar margem de contribuição de $180.000, o mesmo valor deincremento no lucro da empresa, comparando as duas situações.Em síntese, o custo fixo já está completamente comprometido e não deve fazer partedesse tipo de análise. Não devemos desconsiderá-lo, porque ele deve ser avaliado nofinal, para sabermos se a soma das margens é suficiente para cobrir o total de custos edespesas fixas, mas a sua aplicação aos produtos muitas vezes leva a equívocos,especialmente em relação à política de preços.ResumoNesta aula, avaliamos como a capacidade ociosa deve ser levada em consideração emdeterminadas situações. Por exemplo, caso a empresa esteja negociando umaencomenda, a utilização plena da capacidade poderá fazer com que o custo unitário sereduza, levando a empresa a aceitar um preço aparentemente inferior ao custo.AtividadesHoje você está livre de mais atividades. Na próxima aula vamos analisar um exemplosobre aplicação de margem de contribuição. Reveja os conceitos e até breve.Aula 25 - Aplicação da Margem deContribuiçãoObjetivos
  44. 44. • Rever conceitos de Margem de Contribuição• Aplicar cálculos de Margem de Contribuição• Verificar como tomar decisões gerenciais baseadas na Margem de ContribuiçãoIntroduçãoOlá, meu caro aluno. Tem estudado bastante? Espero que sim, pois, como prometemosna última aula, nesta desenvolveremos uma atividade prática. Resolva o exercício quelhe proponho com bastante atenção. Ele vai ajudá-lo em sua prática profissional. Vamoslá?!AtividadeUma churrascaria rodízio atende 15.000 clientes por mês, sendo 80% no horário dealmoço e 20% no jantar, cobrando o preço unitário de $40,00. Os custos são osseguintes:• custos operacionais fixos (aluguel, energia elétrica) $200.000• despesas fixas com mão-de-obra $100.000• custos variáveis / cliente $16,00A gerência entende que a margem de lucro está baixa, porém não cogita a possibilidadede elevação do preço, fixado de acordo com as condições do mercado e preço dosconcorrentes. Sabendo que a capacidade de atendimento no horário de almoço não éplenamente utilizada, a gerência analisa duas opções para aumentar a lucratividade:• Redução no preço para $35,00, em todos os horários, com aumento previsto donúmero de clientes para 18.000, com a mesma distribuição proporcional;• Manutenção do preço no almoço e promoção especial para jantares, ao preço de$30,00, com aumento de 100% do número de clientes nesse horário e manutenção nosoutros.Qual alternativa seria mais rentável para a empresa?Vou lhe fornecer a resposta, mas você deve desenvolver todo o raciocínio e as contaspara comprovar os resultados, ok?Respostaatual preço (35) promoçãoReceita 600000 630000 660000custo variável 240000 288000 288000lucro bruto 360000 342000 372000energia eletrica 120.000 120.000 120.000aluguel 80.000 80.000 80.000
  45. 45. mão-de-obra (fixa) 100.000 100.000 100.000lucro operacional 60.000 42.000 72.000Aula 26 - Análise Custo-Volume-LucroObjetivos• Rever conceitos de Margem de Contribuição.• Entender o conceito de ponto de equilíbrio.• Avaliar os efeitos das variações de preço e quantidade no ponto de equilíbrio.IntroduçãoAté o momento vimos diversos conceitos relacionados a receitas e custos. Jáaprendemos como separar custos de despesas, como classificar custos em diretos eindiretos ou em fixos e variáveis. Estudamos ainda como podemos ratear os custosfixos, aplicando-os aos produtos. Posteriormente, vimos uma abordagem distinta, queenvolve o cálculo dos custos variáveis, ficando todos os gastos fixos para lançamentonos resultados.Nessa esteira, aprendemos também como aplicar o custeio variável para fins gerenciais,por meio do cálculo da margem de contribuição. Para tanto, estudamos possíveislimitações na capacidade produtiva e também a existência de capacidade ociosa.Hoje iremos avançar um pouco mais nesta matéria, estudando qual a relação entrecustos, receitas e lucro.A relação entre custos e receitasVamos imaginar uma empresa que opera sob determinadas condições. Nós já sabemosque ela possui custos e despesas que são fixos, isto é, independem da quantidadeproduzida. Em se tratando de empresas comerciais, deveríamos nos referir à quantidadecomercializada, porém iremos nos reportar a empresas industriais, por isso citaremosquantidade produzida, volume de produção, etc., aliás, como tem sido nas aulasanteriores.Além dos custos e despesas fixas, a empresa arca também com custos e despesasvariáveis, que são proporcionais ao volume produzido. Somando os dois tipos,encontramos o custo total.Sendo parte desse custo independente do volume de produção, a margem decontribuição de certa quantidade de produto será destinada para que essa parcela fixaseja coberta. A partir desse ponto, o restante da produção começa a contribuir para ageração de lucro para a empresa.Ponto de equilíbrio
  46. 46. Portanto o ponto de equilíbrio pode ser definido, segundo Megliorini (2002), comosendo aquele em que a empresa não obtém nem lucro nem prejuízo, ou seja, as receitasse igualam ao custo total.Baseados nas informações listadas na TAB. 1, vamos desenvolver o conceito.TABELA 1Custo e receita totaisQuantidade Custo fixoCustovariávelCusto total Rec. total saldo0 20 0 20 0 -201 20 4 24 8 -162 20 8 28 16 -123 20 12 32 24 -84 20 16 36 32 -45 20 20 40 40 06 20 24 44 48 47 20 28 48 56 88 20 32 52 64 129 20 36 56 72 1610 20 40 60 80 20Fonte: adaptado de MEGLIORINI, 2002, p. 153.Observamos que a quantidade produzida pode variar de 0 a 10, mas o custo fixo não sealtera em todo esse intervalo, permanecendo igual a $20. O custo variável é de $4 porunidade produzida e vai aumentando proporcionalmente. Somando os dois valores,encontramos o custo total.A receita cresce de acordo com as unidades comercializadas, sendo igual a $8 a receitaunitária. Fazendo a subtração receita total menos custo total, encontramos o saldo.Podemos perceber que até certo ponto, o saldo é negativo, alcança o valor 0 e depoispassa a apresentar valores positivos. O ponto de equilíbrio é encontrado exatamentequando o saldo torna-se 0, ou seja, quando as receitas são suficientes apenas paracobertura do custo total.Podemos ver a representação do ponto de equilíbrio na FIG. 1
  47. 47. FIGURA 1 - Ponto de equilíbrioFonte: MEGLIORINI, 2002, p. 154.De acordo com os dados e com a representação gráfica, observamos que, até o volumede produção de 5 unidades, o custo supera a receita. Com produção de 0, a receita é 0 eo custo é de $20. Com uma unidade de produção, a receita atinge $8, o custo total atinge$24 e o saldo é negativo em $16. Até o nível de produção igual a 4 unidades, o saldonegativo se repete.A partir do volume de produção de 5 unidades, a receita começa a superar o custo. Com6, o custo total é $44 e a receita é de $48, restando um saldo positivo de $4. Volumesmaiores de produção irão resultar em saldos positivos crescentes. Portanto o ponto deequilíbrio ocorre exatamente quando a produção atingir 5 unidades, com receita e custototais equivalentes a $40.Vamos agora definir matematicamente o ponto de equilíbrio. Já sabemos que ele seráalcançado quando receita total menos custo total for igual a 0.Podemos escrever PE = RT – CT = 0, ou seja, o ponto de equilíbrio ocorre quando olucro operacional é igual a 0, ou LAJIR = 0.Considerando:• RT = p X Q• CT = CT + (v X Q);em que• RT = receita total;• CT = custo total• p = preço unitário de venda;
  48. 48. • Q = quantidade de venda;• F = custo operacional fixo por período;• v = custo operacional variável por unidade.Fazendo lucro operacional igual a zero, teremos• LAJIR = RT – CT• LAJIR = (p * Q) – F – (v * Q)• LAJIR = Q * (p – v) – Fdesde que LAJIR = 0, temos:• Q = F / (p – v), ou;•Portanto ponto de equilíbrio é igual à razão entre custo fixo total e margem decontribuição unitária.No exemplo anterior, teríamos:Portanto o ponto de equilíbrio ocorre quando a produção atingir 5 unidades, como jáhavíamos visto na TAB. 1 e na representação gráfica. Analisando sob a ótica da análisede margem de contribuição, teríamos os resultados apresentados na TAB. 2.TABELA 2Margem de ContribuiçãoItem / Volume produção 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10Receita 0 8 16 24 32 40 48 56 64 72 80Custos e despesas variáveis 0 4 8 12 16 20 24 28 32 36 40Margem de contribuição 0 4 8 12 16 20 24 28 32 36 40Custos e despesas fixas 20 20 20 20 20 20 20 20 20 20 20Lucro operacional -20 -16 -12 -8 -4 0 4 8 12 16 20Podemos observar que o ponto de equilíbrio ocorre quando a margem de contribuiçãototal for igual ao custo fixo total. No exemplo, quando a produção atinge 5 unidades, amargem de contribuição total é igual a $20 {5 X (8-4)}, valor idêntico ao custo fixototal.Conceitos de ponto de equilíbrio
  49. 49. Dependendo do tipo de análise a ser feita, mais de uma situação em que se verifica oequilíbrio pode existir, conforme Martins (1998) e Megliorini (2002). Usualmente, 3tipos de equilíbrio são encontrados: contábil, econômico e financeiro.Ponto de equilíbrio contábil: situação em que a margem de contribuição total ésuficiente para cobrir todos os custos e despesas fixos. Corresponde ao ponto deequilíbrio estudado anteriormente.Ponto de equilíbrio econômico: nesse caso, também será considerado como custo a sercoberto pelas receitas o custo de oportunidade do capital investido, que corresponde àremuneração da melhor alternativa de investimento. Ou seja, a receita deve ser capaztambém de cobrir o rendimento do capital investido.Ponto de equilíbrio financeiro: os gastos quem não geram desembolsos não devem serincluídos no cálculo, ou seja, não levamos em consideração a depreciação embutida noscustos e despesas fixos. Porém os desembolsos não incluídos, como amortizações deempréstimos, devem ser incluídos neste cálculo.Para ilustrar os 3 conceitos, vamos considerar os dados apresentados a seguir.• Preço unitário de venda: $25• Custos e despesas variáveis unitários: $15• Custos e despesas fixos: $20.000• Depreciação (incluída no item anterior): $2.000• Patrimônio líquido: $40.000• Rendimento esperado: 10% ($4.000)• Amortização de empréstimos: $1.200Os cálculos seriam os seguintes:Ponto de equilíbrio contábil:Ponto de equilíbrio econômico:Ponto de equilíbrio financeiro:Ponto de equilíbrio para múltiplos produtos
  50. 50. Em se tratando de um único produto, ou mais de um produto com margens decontribuição idênticas, o cálculo do ponto de equilíbrio torna-se uma tarefa bastantesimples. Porém, se houver mais de um produto com margens diferentes, a determinaçãodo ponto de equilíbrio torna-se mais complexa. Nesses casos, precisamos identificar ascontribuições de cada produto, mas precisaremos também da participação dos produtosna venda, para então encontrarmos o ponto de equilíbrio.Vamos ilustrar a situação com base no seguinte exemplo, conforme apresentado naTAB. 3.TABELA 3Ponto de equilíbrio para produtos múltiplosProdutoQuantidadeVendidaPreçoUnitárioCustos edespesasvariáveisunitáriosMargem decontribuiçãounitáriaA 100 15 10 5B 180 22 15 7C 120 30 18 12Fonte: adaptado de MEGLIORINI, 2002, p. 158.Caso os custos e despesas fixos mensais sejam da ordem de $1.600, qual será o ponto deequilíbrio.O primeiro passo é calcular a participação relativa de cada produto no total de vendas,igual a 400 (100 + 180 + 120). Portanto:Produto A: 100/400 = 0,25;Produto B: 180/400 = 0,45;Produto C: 120/400 = 0,30.Após isso, devemos calcular a margem de contribuição ponderada, que representa amargem de contribuição relativa à participação de cada produto no total de vendas.Produto A: 0,25 X 5 = 1,25;Produto B: 0,45 X 7 = 3,15;Produto C: 0,30 X 12 = 3,6.A soma das margens de cada produto ponderadas pela participação nas vendas resultaem uma margem de contribuição ponderada de $8. Portanto, para atingir o ponto deequilíbrio, são necessárias vendas de duzentas unidades, ou:PE: 1.600 / 8 = 200.A participação relativa de cada produto será então de:
  51. 51. Produto A: 0,25 X 200 = 50;Produto B: 0,45 X 200 = 90;Produto C: 0,30 X 200 = 60.Com os dados de vendas atuais, o ponto de equilíbrio ocorrerá quando foremcomercializadas 50 unidades de A, 90 de B e 60 unidades do produto C. Nessascondições a margem de contribuição total seria igual a $1.600, proveniente de: (50 X$5) + (90 X $7) + (60 X $12).Devemos salientar que outras combinações de vendas gerariam outros pontos deequilíbrio. Portanto esse cálculo deve ser baseado em séries históricas confiáveis.Bem, esta aula fica aqui encerrada. Espero você para a próxima. Bons estudos!ResumoNa aula de hoje aprendemos o significado de ponto de equilíbrio, que nada mais é doque o volume de produção, ou vendas, capaz de cobrir custos e despesas fixos.Para encontrarmos o ponto de equilíbrio, devemos separar os custos e despesas fixos edividir o resultado pela margem de contribuição unitária.Caso exista mais de um produto no mix da empresa, a análise do ponto de equilíbrio éum pouco mais complexa, e devemos identificar a participação de cada um nas vendas edepois calcular a margem de contribuição ponderada. Posteriormente, devemos calcularo volume de cada produto na composição da quantidade de equilíbrio.Vimos também que existem diversas óticas para análise do ponto de equilíbrio, entreelas, a contábil, a econômica e a financeira.Atividades1. Considere um estacionamento de veículos que tem despesas mensais de:Aluguel: $35.000,Salários: $10.000,Energia Elétrica: $2.000,Prestações: $3.000Se o preço cobrado por hora é de $5, e o custo variável unitário, relativo ao seguro doveículo, é de $1, qual o ponto de equilíbrio?2. Uma loja comercializa por mês 6.000 calças, 10.000 camisas e 2.000 casacos. Ospreços e custos variáveis unitários são, respectivamente, $30 e $20; $20 e $16; $100 e$50. Sabendo que os custos e despesas fixos são da ordem de $18.000 mensais, qual omix de vendas que define o ponto de equilíbrio? Faça todos os cálculos para depoisconferir com as respostas dadas a seguir.Respostas:
  52. 52. 1. 12.500 horas2. 540 calças, 900 camisas e 180 casacos.Aula 27 - Margem de segurança ealavancagem operacionalObjetivos• Compreender o conceito de margem de segurança.• Entender o conceito de alavancagem operacional.• Aplicar os conceitos às decisões gerenciais.IntroduçãoNa aula passada, aprendemos como se calcula o ponto de equilíbrio. Vimos que se tratado volume de produção que torna iguais receita e custos totais. Portanto mostra o nívelmínimo de atividade para que uma empresa não incorra em prejuízo.Hoje iremos abordar um assunto complementar, mostrando situações em que a empresaopera em tal volume que possibilita a ela perder receitas sem incorrer em prejuízo, o quese denomina margem de segurança.Veremos também situações em que um aumento de vendas irá aumentar mais queproporcionalmente o lucro operacional, ao que se denomina alavancagem operacional.Bastante interessante, não lhe parece? Então vamos lá!!!Margem de segurançaJá sabemos que o ponto de equilíbrio determina a quantidade que iguala o lucrooperacional a 0, ou iguala receita e custo total. Portanto uma empresa que opera noponto de equilíbrio, ou próxima a ele, não se encontra em uma posição muitoconfortável.Por vezes, uma informação útil é saber até que ponto as vendas podem ser reduzidas,sem levar a empresa ao prejuízo. Esse é o conceito de margem de segurança, segundoMegliorini (2002), Martins (1998) e Dubois, Kulpa e Souza (2008).A margem de segurança operacional pode ser calculada pelas fórmulas a seguir:MSO (absoluta) = número de unidades vendidas – quantidade no ponto de equilíbrio;Para ilustrar os 2 conceitos, vamos considerar os dados apresentados a seguir.
  53. 53. • Preço unitário de venda: $25• Custos e despesas variáveis unitários: $15• Custos e despesas fixos: $20.000• Volume de vendas: 2.500 unidadesPara calcular a margem de segurança, teremos, inicialmente, que estimar o ponto deequilíbrio:PE = 20.000 / (25 – 15) >>> PE = 2.000 unidades.MSO (absoluta) = 2.500 – 2.000 = 500 unidades.MSO (relativa) = 500 / 2.500 = 0,2 = 20%.Concluímos que a empresa, ao produzir 2.500 unidades, possui margem de segurançaabsoluta de 500 unidades ou margem de segurança relativa de 20%.Com isso, podemos dizer que a empresa pode sofrer uma redução de 20% nas vendas eainda assim não incorrerá em prejuízo, ou o equivalente, pode perder 500 unidades devendas.A margem de segurança também pode ser calculada em termos de receita, o que resultanas mesmas informações, porém em valores monetários. No exemplo anterior, teríamos:MSO (absoluta) = $62.500 - $50.000 = $12.500MSO (relativa) = ($62.500 - $50.000) / $62.500 = 0,20.A margem absoluta de $12.500 corresponde à venda de 500 unidades ao preço unitáriode $25. Da mesma forma, a margem de segurança relativa é de 20%.Alavancagem OperacionalO conceito de alavancagem, segundo o Dicionário UOL Michaelis(www.michaelis.uol.com.br) é: “qualquer barra usada para levantar ou mover volumespesados”. Trata-se de uma expressão originária da Física, que mostra a capacidade de seelevar um corpo muito pesado com a utilização da referida barra, isto é, melhorar odesempenho de quem deve elevar o corpo em questão.Em termos financeiros e contábeis, alavancagem significa, segundo Gitman (1997), ouso de ativos ou recursos com custo fixo a fim de aumentar os retornos aos proprietáriosda empresa. Normalmente guarda relação direta com risco e retorno: quanto maior aalavancagem, maior será o risco e o retorno, e vice-versa.Vamos imaginar uma empresa que opere com determinado volume de custos e despesasfixos. Nós já sabemos que, se houver um aumento de produção ou de vendas, essesgastos fixos não serão afetados, isto é, eles permanecerão com os mesmos valores, ao

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