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LARSSON. C. E.: OTSUKA. M. Lúpus eritemalOSO discóide - LED: revisão e casuíslica em serviço especializado da Capital de S...
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  1. 1. ReI. educo contül. CRMV·SP / COlllillUOIM Educa/iOfl JourTllIl CRMV·SP,São Palllo. lIo/ume 3. fascículo /, p. 029 - 036, 2000. emat di cóide - LED: . m ser lÇO CID ulstlca • ~ zad da d ã Pa I Discoid lupus erythematosus: * Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia - USP General review and a series ofcases Departamento de Clínica Médica Serviço de Dermatologia Av. Prot. Dr. Orlando Marques de ofa specialized service in the cily Paiva,87 Cidade Universitária ofSão Paulo, Brazil São Paulo - SP e-mail: borges@usp.br *CarlosEduardolarsson1-CRMV-SPn° 1037 MaryOtsukal - CRMV-SP n° 8503 I Professor Titular do Departamento de Clínica Médica - FMVZ - USP 1 Médica VeterináJia do Serviço de Dermatologia do Hospital Veterinário - FMVZ - USP RESUMO Em função de sua grande ocorrência em serviço especializado de dermatologia, vinculado ao Hospital Veterinário da Universidade de São Paulo, revisam-se os principais aspectos do lúpus eritematoso discóide, no que se refere às suas etiopatogenia, epidemiologia, aos aspectos sintomáticos e lesionais (em carnívoros e herbívoros domésticos), diagnóstico e protocolo de terapia. Enfocam-se dados bra- sileiros (paulistas e cariocas) e norte-americanos, relativos à magnitude de ocorrência frente às de- mais doenças auto-imunes diagnosticadas, segundo as variáveis: definição racial, sexual e idade de carnívoros domésticos, comparando-os àqueles evidenciados em pacientes humanos. Palavras chave: LE cutâneo, LE discóide, LE fixo, "Collie nose", lúpus eritematoso. Etiopatogenia sistêmica, nos cães e, tampouco, nos eqüinos acometidos (SCOTT, 1988; SCOTT et aI., 1996). o homem, o lúpus eritematoso discóide (LED) e o Contrariamente ao que está bem caracterizado nos lúpus eritematoso sistêmico (LES) podem ser con- quadros de LES (Tabela I), que cursam com lesões cu- siderados como formas clínicas polares de uma tâneas, por vezes múltiplas, mormente em áreas expos- mesma enfermidade ou como entidades clínicas in- tas, com comprometimento visceral, com intensidade edividualizadas. A transição da forma fixa (LED) para a evolução variáveis (aguda, subaguda ou crônica) e, es-forma sistêmica não ocorre (MARTEN e BLACK- poradicamente, até fatal, o LED é dermatose relativa-BURN, 1961) ou é muito pouco freqüente, aparecendo mente benigna, principalmente por inexistirem manifes-em percentis oscilantes entre menos de 5% (SAMPAIO tações sistêmicas, o que lhe confere, habitualmente, bomet aI., 1982) à, no máximo, 6,5% de conversões (MI- prognóstico e o entendimento de que se constitua em va-LLARD e ROWELL, 1979). Em medicina veterinária riante benigna da enfermidade lúpica, tanto em medicinanão se tem evidenciado a conversão da forma fixa para a humana como na medicina veterinária. 29
  2. 2. LARSSON, C. E.; OTSUKA, M. Lúpus eritematoso discóide - LED: revisão e casuística em serviço especializado da Capilal de São Paulo! Discoitl Iuplls erytliematosl/s:general rev;ew anti a ser;es of cases of a speciolizetl serv;ce in the city of São POLllo, fim:.;I! Rev. educo contin. CRMV~SI) I Cofltiw/Ous Etlucatioll loumol CRMV~SP,São Paulo, volume 3, fascículo I, p. 029 - 036, 2000. Tabela J - Freqüências das manifestações clínicas do LES em cães e no homem. Também, na etiopatogenia do LES canino, aventou-se o papel desem- Manifestação Cão Homem penhado por retrovírus, pelos vírus Febre 100 55-86 vacinais da cinomose, da hepatite, da Poliartrite para-influenza e do parvovírus; em 90,6 89-100 Nefropatia cães e camundongos, pelos hormôni- 65.3 40-60 Dermatopatia os estrogênicos com incidência maior 60 25-70 Linfoade/esplenomegalia 49.3 20-67 em fêmeas e uma aparente proteção Anemia hemolítica 13.3 conferida pelos andrógenos e pelas 12.4 Trombocitopenia drogas antiestrogênicas utilizadas em 4 8-50 Miosites 8 - modelos experimentais com murinos, Pleuropericardite por fatores ambientais (alimentos e 8 25-56 Neuropatias 1.6 radiação actínica) e por drogas, no 40 Polineurites 1.3 homem (procainamída, hidralazina, iso- 2.5-20 niazida, penicilamina, anticonvulsivan-Fonte: CHABANNE et ai., (1999). tes e anticonceptivos) e, nos outros A etiopatogenia é, ainda, basicamente desconhe- animais, por imunógenos.cida na medicina, seja humana, seja veterinária. Difere, De todo esse mecanismo multi fatorial, descritoem termos gerais, de uma aparente etiologia multifatori- para o LES, apenas a radiação ultravioleta é consideradaai, relatada nos animais e no homem, acometidos pelo como um fator desencadeante ou perpetuante do LEDLES. em cães, em eqüinos e no próprio homem (SAMPAIO el No LES considera-se haver uma origem genética, ai., 1982; OLIVRY, 1996; SCOTT et ai., 1996). Cercapredispondo tanto pacientes humanos como caninos a de 50% de cães com LED manifestam agravamento dodesenvolver esta modalidade. De fato, existe determina- quadro frente à exposição solar cotidiana (SCOTT et ai.,do percentil de incidência da doença e de anomalias so- 1996).rológicas em ascendentes de famílias de pacientes, hu- No LE canino, a patogenia das lesões de pele é ain-manos e caninos, com LES. Segundo PROENÇA el ai., da incerta. Têm-se como características da apresentação(1989), na Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa das lesões tegumentares: a fotossensibilidade (tanto ao UVAde Misericórdia de São Paulo (FCMSCM), no período de como ao UVB), a lesão de ceratinócitos (associados a lin-1982-1988, pôde-se identificar 4% de pacientes acometi- fócitos T e a macrófagos), a infiltração linfocitária (no ho-dos por LES, que possuíam uma história familiar do qua- mem há predomínio de plasmócitos, todavia, consideram-dro clínico. Em veterinária, em linhagens de cães Berger se os linfócitos b como importantes), a produção de auto-Alemães, considera-se que a presença de haptotipos (an- anticorpos e a deposição de imunocomplexos.tígeno DLA-77) teriam um valor preditivo da enfermida- Na Figura I, dispõe-se, de forma esquemática, ode (OLIVRY, 1996). suposto mecanismo etiopatogênico responsável pelo de- -- sencadeamento dos Luz solar (UVAlB) -- -- Citotoxicidade AC - dependente quadros de LED, qual seja: a indução, pela ra- diação ultravioleta (UVA e UVB), da ex- express(io alllo-anligênica 1 pressão de auto-antíge- nos (citoplasmáticos e OUEJI..~TJ.·OClTO DA ,JEUBR.·jA~ Atratantes (lL I) nucleares), na superfície - 8.·1.5:-/ L I inroci l:írios da membrana celular dos ceratinóticos. Sub- 1 seqüentemente, há a ANA atividade linfoc. B IgM - Citotoxicidade (TNFa. [L 3.6.8)Figura 1: Esquema da etiopatogenia do LED canino - !nfi 11 r3do linfo- histiocitário produção de auto-anti- corpos que se ligam aos antígenos superficiais dos ceratinócitos, ao ní- vel da membrana basal,30
  3. 3. LARSSON, C. E.; OTSUKA, M. Lúpus eritematoso discóide - LED: revi ão e casuística em serviço especializado da Capital de São Paulo I Discoid lupus el}lhemoIOSlls:general review and a series of cases of a speciali~ed service in lhe city of São Paulo, Brazill Rev. educo contin. CRMV-SP I Cominuous Educalion }oumal CRMV-SP,São Paulo, volume 3, fascículo I, p. 029 - 036, 2000.de encadeando fenômeno citotóxicos. Tabela 2 - Dados comparativo da apresentação de LED em cães, segundo a definição racial (%), em São Paulo e ova Iorque.Os ceratinócitos lesados liberam inter-leucinas (IL I , IL3 , IL6, IL S) fatores Brasil EUAalfa de necro e tumoral, estimulado- (São Paulo) (Nova Iorque)res e ativadores de granulócitos, mo- Akita 43,7 -nócitos e macrófago . A essa altera- Pastor Alemão 18,7 18,8 (7,6)çõe se as ociam, nos ca os de LES Pinscher 12,5 -com manifestações cutâneas (50% e Collie - 37,5 (4,5)33% dos casos de LES, em cães e ga- Pastor de Shetland - 12,5 (1,0)tos respectivamente, segundo KIMM Husky Siberiano - 12,5 (1,3)e NOXON, 1985) e elevação da pro-dução de imunoglobulinas, da ativida- ( ) - % de demanda relativa à raça na população do Hospital do Newde de linfócitos b e dos níveis de anti- York State College of Veterinary Medicine (EUA).corpos anti-nucleares (ANA). No que tange ao LE, mormente Fonte: SCOTT et ai., (1987), LARSSON (1998).na variedade sistêmica, sugere-se oenvolvimento de um mecanismo de hipersensibilidade do Medicine, cerca de 0,3% de todas as dermatoses. O LES,tipo m, ou eja, deposição de imunocomplexos. por sua vez, teria um percentual de ocorrência de 0,03% (SCOTT et al., 1983a, 1987) (Tabela 2). Caracterização epidemiológica Em São Paulo, no Serviço de Dermatologia da comparada ao lED Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Uni- versidade de São Paulo (LARSSON et ai., 1998), no No LES humano, a ocorrência, em termos de período de 1986-1998, dentre os 68 casos de dermato espredisposição sexual, é na proporção de 8 mulheres: 1 auto-imunes diagno ticados, 35 eram de doença lúpicahomem, segundo SAMPAIO et al., (1982) e de 3 mu- (51,5%), sendo 31 (45,5%) da modalidade fixa (Figuralheres: 1 homem, segundo PROENÇA et al., (1989). 2). No Rio de Janeiro, por sua vez, no período de 1993- O LED acomete pacientes em média de idade 1997, no Serviço de Dermatologia da Universidade Fe-de 36,8 anos (PROENÇA et al., 1989) sendo muito deral Rural do Rio de Janeiro, diagnosticaram-se 28 ca-mais freqüente em pacientes brancos (68%) relati- sos de dermatoses auto-imunes, sendo 17 casos de LEvamente aos pardos, negros ou amarelos. Em São (60,7%). Destes, apenas dois (7%) eram de LED; osPaulo, na FCMSCM, no período de 6 anos (1982- demais 15 (53,5%), eram da forma si têmica (RAMA-1988), atendia-se um caso de LED a cada 361 novas DINHA et aI., 1993).consultas. O LED foi descrito em caninosna década de 70 (ROSEKRANTZ, LED - 31 (88,5%) 1993), nos eqüinos e em felinos (WI-LLIAMS et al., 1989; GUAGUERE eMAGNOL, 1989) na década de 80. NoBra il, a primeira citação de LED emcão data de 1985 (LARSSO et al.,1985). Inexistem relato de ocorrênci-as, no país, do LED em outros espéci-mens de animais, domésticos ou selva-gens. O LED é considerado, nos E ta-dos Unido, como a segunda dermatoseauto-imune dentre os cães, ficandoaquém apenas do casos de pênfigo fo- LES - 4 (11,5%)liáceo. A modalidade fixa do LE caninorepresenta, no Hospital Veterinário do Figura 2: Prevalência do lúpus eritemato o em caninos. Serviço de Dermatologia da FMVZINew York State College of Veterinary USP, 1986-1998 31
  4. 4. LARSSON, C. E.; OTSUKA, M. Lúpus eritematoso discóide - LED: revisão e casuística em serviço especializado da Capital de São Paulo I Discoid /upus el)thelllatosus:general revielV and a series of cases of a specialized service in lhe city of São Pau/o, Brazi/I Rev. educo contin. CRMV-SP I Contil1uous Education Jouma/ CRMV-SP,São Paulo, volume 3, fa cículo I, p. 029 - 036, 2000. sob a forma de máculas alopécicas, eritematosas, desca- mativas, crostosas, com evolução para discrornia tegumen- CRD* - 20 (570/0) tar e pilar (1eucoderrnia e leucotriquia) (SCOTT, 1988). • Felinos Também, apresentam lesões (alopecia, eritema, escamas e crostas), predominantemente, faciais e auri- culares, com igual tendência àquela dos eqüinos, para a despigmentação tegumentar nasal (KIMM e NOXON, 1985). • CaninosFigura 3: Prevalência de LED em cães, segundo a definição racial e Inicia-se o quadro pela discromia progressiva doraça. Serviço de Dermatologia da FMVZlUSP, 1986-1998 plano nasal (de negro transforma-se numa coloração acinzentada ou azul escura) com concomitante subs- tancial modificação na arquitetura desta região (de as- pecto losângico e áspero, dito em "calçamento de pe- dra", torna-se liso), aspecto este que auxilia na diferen- ciação di agnóstica com o vitiligo, uma vez que super- põem-se eritema e descamação nasal. Em fases tardi- as, surgem lesões erodo-ulcerativas e crostosas. A der- matite nasal, vista em 95,4% dos casos, com certa fre- qüência tem o aspecto típico em "asa de borboleta" ou Fêmea - em "vespertílio", tal como o evidenciado em pacientes 37% humanos. Estas lesões nasais são vistas, inicialmente, na porção dorsal, na junção muco-cutânea ou ao longoFigura 4: Prevalência de LED em cães, segundo o sexo. Serviço de das porções ventral ou mediaI, das dobras alares, ten-Dermatologia da FMVZlUSP, 1986-1998 dendo a evoluir para toda região nasal incluindo a ponte (Figuras 5 a 9). Aparentemente, nos cães acometidos pelo LED, Menos freqüentemente se têm lesões auricularesem São Paulo (Figuras 3 e 4), inexiste predisposi- (25%), perioculares (19%), labiais (12,5%), palatinasção relativa à definição racial (57,0% em animais (12,5%), distais dos membros (12,5%), sob a forma decom raça definida, sendo, todavia, mais freqüente em pododermatite generalizada (OLIVRY, 1996), e na ge-animais entre o segundo e quinto ano de vida (68%) nitália. Por vezes, há lesões estritamente nasodigitaise, curiosamente, dentre os machos (63%). SCOTT (6,2%) ou auriculares (SCOTT et ai., 1983).et aI., (1996), nos EUA, e CARLOTTI (1989), na A dor e o prurido são de intensidade variável, noFrança, afirmaram inexistir predisposição sexual ou geral de pouca importância (OLIVRY, 1996). O pruridoetária. relatado por 10,5% daqueles pacientes humanos (PRO- No que tange aos animais de raça definida (Figu- ENÇA et aI., 1989), é de intensidade variável, e igual,ra 3), aqueles mais acometidos no Brasil (São Paulo) são segundo o decurso evolutivo, nos animais acometidos.Akita (43,7%), Pastor Alemão (18,7%) e Pinscher A tendência evolutiva é a formação de cicatrizes(12,5%). Nos EUA (SCOTT et aI., 1996) são Col1ies e de leucodermia, de intensidade variável. Quando ocor-(37,5%), Pastor Alemão (18,8%), Pastor de Shetland re agravamento lesional nasal, com formação de úlce-(12,5%), Husky Siberiano (12,5%). ras atingindo arteríolas, embora raro, pode ocorrer qua- dro hemorrágico agudo. Quadros sintomáticos e lesionais Diagnóstico • Eqüinos Topograficamente, as lesões instalam-se nas re- Baseia-se, para sua elaboração, nos dados anam-giões cefálica (face e pavilhões auriculares) e cervical, nésicos, nos achados do exame físico e nos resultados da32
  5. 5. LARSSON. C. E.; OTSUKA, M. Lúpus eritematoso discóide - LED: revisão e casuística em serviço especializado da Capital de São Paulo I Disco;d Iup/ls e),hematos/ls:general rev;ew a"d a series of cases of a specialized senl;ce in ,he ciy of São Paulo. Bra:.ill Rev. educo conLin. CRMV-SI) I COI/I;WlOlIS Educm;ofl JOltma/ CRMV-SP.São Paulo. volume 3. fascfculo I. p. 029 - 036. 2000. Figura 5: Weimaraner eom LED - plano nasal discrômico, Figura 8: SRD -lesão facial, em vespertOio, alopécica, ccratóti- com pcrda do solcamento típico. Lesões, vesligiais, dccor- ca e erosada. Erosão no espel ho nasal. Mimetiza aquelas de pen- rentes da biópsia com "punch" de Keyc (CEU93). figo erilemaloso, dermatite actíniea ou demodicidose. (CEU97). Figura 6: Pastor Alcmão com LED - coxins plantarcs ccra- Figura 9: Poodle com LED - pavilhão auricular (face medi- lóticos mimetizando lesões vestigiais de cinomose ou aque- ai) com notável erilema, áreas erosadas, exsudativas e com las do pênfigo foliáceo (CEU97). deposição de malerial melicérico (CEU95). Os resultados de determinação do quadro hemáti- co, do exame de urina e da bioquímica sérica (eletrofore- se de proteínas séricas) são irrelevantes para efeito de estabelecimento do diagnóstico. A pesquisa da eventu- al presença de células LE é quase sempre negativa. Os testes sorológicos, em busca de anticorpos antinuclea- res, raramente mostram resultados positivos e, quando o são, segundo SCOTT el aI., (1983, 1983a), em seis porcento dos casos, os títulos são muito baixos. Segun- do WHITE el aI., (1992), em apenas 9,4% dos cães, Figura 7: SRD - Icsão geográfica periocular, alopécica, ce- com LED respectivamente, vê-se a presença de antí- ratótica, croslosa, erosada, com eritema dc base, mimctizan- do quadros de demodicidose, hipovitaminose H ou síndro- genos nucleares extraíveis e de antígeno protéico ribo- me úveo-dermalológico. (CEU95). nuclear. Já o exame histopatológico de pele biopsiada pro- picia elementos fundamentais para a conclusão diagnós-histopatologia da pele. Habitualmente, não se interpõem tica. Observam-se, habitualmente, dermatite de interfa-maiores dificuldades para estabelecê-lo, contrariamen- ce (dos tipos liquenóides, hidrópica ou de ambas), mar-te ao que é habitual nos casos de LES que, segundo cante degeneração hidrópica (81 %), presença (94%) deSCOTT el ai., (1996), é um dos maiores desafios ao ceratinócitos apoptóticos (células basais degeneradas,clínico, face à pletora de manifestações em distintos arredondadas, eosinofílicas, bem individualizadas - "cor-órgãos ou sistemas. pos colóides" ou de "civatte"), incontinência pigmentar 33
  6. 6. LARSSON. C. E.: OTSUKA. M. Lúpus eritemalOSO discóide - LED: revisão e casuíslica em serviço especializado da Capital de São Paulo! Discoid lI/pus et)fhematoSlls:general revielV (111(1 o series Df coses Df li specillli:ed sen1ice ill fhe cit) Df Seio POlllo. Bra:ill Rev. educo contin. CRMV-SIJ I Cmui1luolls Educmioll lOl/mal CRMV·5P.São Paulo. volume 3. fascículo I. p. 029 ~ 036, 2000.(87,5%), infiltrado de células mononucleares e de plas- Terapiamócitos (perivasculares e peri-apendiculares), depósi-to dérmico exagerado de mucopolissacarídeos (ácido Face ao curso, habitualmente, benigno do qua-hialurônico) (SCOTT et 01., 1983, 1983a, 1996; OLJ- dro de lúpus fixo, os protocolos de terapia, a escolher,VRY, 1996). não causam grandes dúvidas ao clínico. Embasam-se Na imunopatologia, através da imunofluorescên- na gravidade do quadro e na opção do proprietário.cia direta (IFD) evidenciam-se deposição de imuno- Recomenda-se, sempre, a educação e orientação dosglobulinas (IgA - 70%; IgG - 40%; IgM - 40%) e/ou proprietários, para que se evite a exposição solar, ede complemento (C 3 - 90%) ao longo da membrana que se use fotoprotetores (FP 15). Geralmente, recor-basal, de aspectos linear a granuloso, regular ou irre- re-se à corticoideterapia tópica e à vitaminoterapiagular. Há que se ter extremo cuidado ao se interpre- (vitamina E). Nos casos refratários a estas medidas,tar a positividade quanto à presença de IgM ao longo aí sim, utilizam-se dos corticosteróides sistêmicos (RO-da membrana nasal dos coxin e focinho de cães e SEKRANTZ, 1993) ou de combinações vitamino-an-gatos, já que este achado é habitual (SCOTT et 01., tibióticas, "per-os".1982, 1983, 1983a, 1996; GROSS el 01., 1992; OLl- À terapia com vitamina E (DL - acetato de alfaVRY, 1996). Deve-se colher fragmentos de pele, para tocoferol, na dose de 400-800 UI por animal, a cadaa IFD, de áreas despigmentadas, eritematosas e não doze horas, duas horas antes ou após o repasto), habi-ulceradas, recorrendo-se, quando possível, ao fixador tualmente se associa a corticoideterapia.de Michel, que preserva as deposições por longo pe- Terapia tópica, com especialidades farmacêuti-ríodo. Portanto, o chamado teste de banda lúpica é cas, à base de corticóides f1uorados, duas vezes ao diapositivo na quase totalidade dos animais com LED, (durante 10-14 dias) e, após a remissão do quadro agu-tendo sido detectado, também, na parede de vasos do, aumentando-se o intervalo posológico (para cadadérmicos (10% dos casos) tal como no homem 48 ou 72 horas) ou passando para aqueles menos po-(HALLlWELL, 1981; SCOTT et 01., 1983, 1983a; tentes (hidrocortizona a 0,5-2,5%).ROSEKRA TZ, 1993.). A associação tetraciclina e niacinamida (ni- Os resultados dos testes de imunof1uorescência cotinamida) é uma alternativa de terapia bastanteindireta (IFI) são sempre negativos. Como alternativa utilizada (WHITE, el 01., 1990) com eficácia, noà IFD, para a detecção de imunoreatores, tem-se o LED, de 14% ( bons resultados) e 65% (resultadosteste da imunoperoxidase (IP) que apresenta, como excelentes). Destarte, alguns autores como RO-vantagem, a possibilidade de empregar fragmentos de SEKRANTZ (1993) somente obtiveram respostas,tegumento fixados e já preparados. Ainda mais, não de qualquer magnitude, em apenas 25% dos casos.necessita do custoso equipamento de IF. Todavia, a A dose recomendada é de 250 mg, de cada umagrande desvantagem da IP decorre do grande número das drogas, para cães com menos de 10 quilogra-de resultados falso-positivos (MOORE el 01., 1987). mas e o dobro desta para aqueles com mais de 10 Considera-se, entretanto, que os testes imuno- quilogramas de peso, a cada 8 horas, "per-os".patológicos são desnecessários para a elaboração do Como efeitos colaterais observam-se, raramente,diagnóstico conclusivo e devem, portanto, ficar num vômitos, diarréia e anorexia. Nestes casos, deve-sesegundo plano, frente à corriqueira histopatologia, sen- retirar a niacinamida do protocolo.do, então, nada mais que uma mera complementação. Na corticoideterapia oral, emprega-se a predni- sona (I mg/kg, VO, cada 12 horas, durante cerca de 2 Diagnóstico diferencial semanas) passando, quando da melhora, para o es- quema de dias alternados. Em alguns casos somente Com dermatoses, mormente aquelas com sede no se necessitam de corticóides sistêmicos ao menos nosplano e espelho nasal: meses estivais. LES, complexo pênfigo (foliáceo ou eritematoso), Raramente se emprega a azatioprina combina-farmacodermias (eritema polimorfo), micose fungóide, da aos corticóides (usam-se 1-1,5 mg/kg a cada 24síndrome de Vogt-Koyanagi-Harada "simile", dermatite horas/VO e, com a melhora, a cada 48-72 horas).de contacto, carcinoma espinocelular, "collie-nose", der- Monitorar o número de plaquetas e hemácias, a cadamatomiosite familiar canina, demodiciose, dermatofitose, 2 semanas, durante os primeiros 3 ou 4 meses e, apiodermites, dermatoses actÍnicas, ceratose naso-digital seguir, a cada um ou dois meses. É, ainda, recomen-e vitiligo. dável a determinação, também, da função hepática.34
  7. 7. LARSSON, C. E.: OTSUKA. M. Lúpus eritematoso discóide - LED: revisão e casuística em serviço especializado da Capital de São Paulo I DiscoM Iuplls el)themalOslIs:general review alld a series of cases of o speáali:.ed senlice ill lhe city of São Paulo. Brazill Rev. educo contin. CRMV-SP I Comillllolls Educotioll lOtlmof CRMV-5P.São Paulo, volume 3, fascículo J. p. 029 - 036, 2000. SUMMARY As a result of its occurrence in the dermatology service ofthe Veterinary Hospital ofthe Universida- de de São Paulo, the main aspects related to etiopathogeny, epidemiology, symptoms and lesions (both in domestics carnivores and herbivores), diagnosis and treatment protocol of discoid lúpus erythema- tosus are reviewed in this study. Brazilian and American data are presented and discussed in relation to the occurrence of other auto-immune diseases according to variables such as race definition, sex and age of domestics carnivores, which are compared to those reported in humans. Key words: Cutaneous lupus erythematosus, Collie nose, immunemediated dermatosis of dogs. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASI - CARLOTTI, D.N. Autoimmune mediated skin diseases. J. 9 - MARTEN, R.H.; BLACKBURN, E.K. Lúpus erythemalo- Small Animal Practice, v. 30, n. 4, p. 223-7, 1989. sus: a 5-year follow-up of 77 cases. Arch, Dermatol. v. 83, p. 430-6. 196 I.2 - CHABANE, L.; FOURNEL, c.; RIGAL, O.: MONIER, J.c. Canine systemic lúpus erythemalosus. Pan 11. Comp, lO - MILLARD, L.G.: ROWELL, N.R. Abnormallaboratory tesl Cont. Ed., v. 2 I. n. 5, p. 402-21, 1999. results and their relationship to prognosis in discoid Iú- pus erythematosus. Arch. Dermatol. v. 115. n. 9. p.3 - GROSS, T.L.; IHRKE, P.J.; WALDER. E.J. Velerinary der- 1055-8. 1979. malopathology~St. Louis: Mosby. 1992. p. 22-6. 11 - MOORE, F.,M.; WHITE. S.D.: CARPENTER, J.L.: TOR-4 - GUAGUÉRE, E.; MAG OL. J.P. Lúpus érylhémateux dis- CHO , E. Localizalion of immunoglobulins and com- coide à localisation auriculaire chez Ie chien. Prato Méd. plemem by the peroxidase antiperoxidase method in Chirur. Anim. Comp" v. 24. n. 2. p. 10 I. 1989. autoimmune and noo autoimmune canine dermatopa- thies. Veto Immuno/lmmunopath., v. 14, n.I. p. 1-9.5 - HALLlWELL, R.E.W. Skin diseases associated with autoim- 1987. munity. Pan 11. The nonbullous autoimmune skin disea- ses. Comp. Conto Ed., v. 3, n. I. p. 156-62, 1981. 12 - OLlVRY, T. Les dermatoses auto-immunes: 20 ans plus tardo6 - KIMM, T.J.; NOXON, J.O. Systemic Iupus erythematosus In: JOURNÉE DE DERMATOLOGIE VÉTÉRINAIRE, in dogs and cals. lowa Stale Veterinarian, v. 45. n. 2, p. 6 eme , Bruxelles: SAVAB, 1996. Proceedings. 105-10, 1985. 13 - PROENÇA, N.G.; FRUCCHI, H.; BERNARDES, M.F. As-7 - LARSSON, C.E.; ARAUJO, v.c.; GONÇALVES, M.A.; PA- pectos epidemiológicos do Iúpus eritemalosos discóide RANHOS, A.S. Lúpus eritematoso discóide em cão, da em São Paulo - Brasil. An, bras. Dermatol., v. 64. n. 3. p. Capital São Paulo. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE 159-60, 1989. CLíNICOS VETERINÁRIOS DE PEQUENOS ANI- MAIS, 8, Pono Alegre, Rio Grande do Sul, ANCLlVE- 14 - RAMADINHA, R.R.; TORRES, L.F.; GONZÁLEZ, A.P.: PA-RS, 1985. Anais. LATORRE, O.J.M. a survey of canine autoimune skin diseases seen in lhe Small Animal Veterinary Hospital,8 - LARSSON, C.E.; OTSUKA, M.; LUCAS, R.; NAHAS. C.R.: UFRRJ, BraziI (1993-97). In: CONGRESSO MUNDI- PENTEADO. A.L.B.; GONÇALVES. M.A.: MICHA- AL DE WSAVA, 23, Buenos Aires: WSAVA-AVEACA. LANY, .S.; BALDA, A.C. Immune mediated dermato- outubro de 1993. Anais, p. 810. sis in dogs of São Paulo - Brazil - EpidemiologicaI as- pects. In: CONGRESS OF THE WORLD SMALL A 1- 15 - ROSEKRANTZ, W.S. Discoid lupus erythemalOsus. In: MAL VETERI ARY ASSOCIATION. 23. - Buenos Ai- GRIFFIN, C.E.: KWOCHKA. K.W.: MACDO ALO. res: WSAVA-AVEACA. October 1998. Proceedings, J.M. Currenl velerinary dermatology St. Louis: Mos- Tomo 11. p. 809. by, 1993. p. 149-53. 35
  8. 8. LARSSON, C. E.: OTSUKA, M. Lúpus erilemaloso discóide - LED: revisão e casuística em serviço especializado da Capiwl de São Paulo 1Discoid lupus etylhemlllOsw;:general reliew lIml li series of cases of li specialized sen1ice ill lhe cilY of São Paulo. 8ro:.i11 Rev. educo contin. CRMV-SI) 1 COlllifl/wUS Educalio" Joumal CRMV-SP,São Paulo. volume 3. fascículo I, p. 029 - 036,2000.16 - SAMPAIO, S.A.P.; CASTRO, R.M.; RIVITTI, E.A. Afec- Systemic lúpus erythematosus. J. Am. Anim. Hosp. As- ções_do tecido conectivo e do subcutâneo - Lúpus erite- soe., v. 19, n. 4, p. 461-79, 1983a. matoso. In: Dermatologia básica, 2.ed. São Paulo: Ar- tes Médicas, 1982. p. 177-9. 22 - SCOTT, D.W.; WALTO ,D.K.; SLATER, M.; SMITH, C.A.; LEWIS, R.M. Immune-mediated dermatosis in do-17 - SCOTT, D.W. Large animal dermatology., Philadelphia: mestics animais: ten years after - Pari I. Comp. Cont. Saunders, 1988. p. 314-7. Ed., v. 9, n. 4, p. 418-34,1987.18 - SCOTT, D.W.; MANNING, TO.; SMITH, C.A.; LEWIS, R.M. Linear IgA dermatoses in the dog: bullous pemphi- 23 - WHITE, S.D.; ROSYCH K. R.A.W.: SCHUR, P.H Theeffi· goid, discoid lupas erythematosus and a sub corneal pus- cacy of tetracycline and niacinamide in thc treatment of tular dermatitis. CorneU vet., v. 72, n. 4, p. 394-402. autoimmune skin disease in 20 dogs. In: A UAL 1982. MEMBERS MEETI G AAVD & ACVD, San Francis- co, 1990. Proeeedings American Academy of Veteri·19 - SCOTT, D.W.; MILLER JÚNIOR, W.H.; GRIFFIN, C.E. nary Dermatology, 1990. p. 43. Muller & Kirk dermatologia de pequenos animais. 5.ed, Rio de Janeiro: InterJivros, 1996. p. 534-43. 24 - WHITE, S.D.; ROSYCHUK, R.A.W.; SCHUR, P.H .. Inves-20 - SCOTT, D.W.; WALTON, D.K.; MANNING, TO.; SMI- tigation of antibodies to extractable nuclear antigens in TH, C.A.; LEWIS, R.M. Canine 1úpus erythematosus. 11 dogs. Am. J. Vet. Res.. v. 53. n. 6, p. 1019-21, 1992. - Diseoid lupus erythematosus. J. Am. Anim, Hosp. As- soe., v. 19, n. 4, p. 48 I-8, 1983. 25· WILLlAMS, R.E.; MACKIE, R.M.; OKEEFE, R.; THOM- SON, W. The contribution of direct immunofluorescence21 - SCOTT, D.W.; WALTON, D.K.; MANNING, TO.; SMI- to the diagnosis of lúpus erythematosus. J. Cutan. Pa- TH, C.A.; LEWIS, R.M. Canine lupus erythematous. I - tho., v. 16, n. 3, p. 122·5. 1989.36

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