Evangelização Centrada em Deus

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Texto falando sobre a evangelização tendo como motivação a glória de Deus.

Publicada em: Espiritual
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Evangelização Centrada em Deus

  1. 1. I | P á g i n a Estudo Bíblico Rápido © 2015 – TRINDADE, W.N. Evangelização Centrada em Deus  Introdução A tarefa primordial da igreja é a proclamação do evangelho de Jesus Cristo. David J. Hesselgrave afirma: “A missão primária da igreja e, portanto, das igrejas é proclamar o evangelho de Cristo e reunir os crentes em igrejas locais onde podem ser edificados na fé e tornados eficazes no serviço, e assim implantar novas congregações no mundo inteiro”. Qualquer outra instituição que não seja a igreja pode executar obras nas áreas de educação, da saúde, da assistência social e filantropia. Veja exemplos concretos como do Rotary, Lyons, Maçonaria, LBV e outras associações. Entretanto, exceto a igreja, nenhuma outra organização tem a missão de proclamar o evangelho. É como afirma o apóstolo Paulo: “Para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor...” (Ef. 3.10-11). Em Jo 20.21, Jesus declara: “Assim como o Pai me enviou, eu também vos envio”, portanto, a missão intransferível e principal da igreja é a proclamação do evangelho. Darrel W. Robinson diz: “a estratégia de evangelismo legada por Jesus é a do evangelismo total, ou seja, a penetração total do evangelho de cristo no mundo inteiro, colocando cada pessoa de cada época em face do chamado de Cristo para a sua vida (At 1.8)”. Evangelismo total implica em falar ao mundo todo e a todo mundo em sua volta, na sua comunidade, bairro ou cidade. A igreja não pode negar a sua vocação de cuidar das coisas de Deus, em especial a proclamação do seu reino sobre a terra. O apóstolo Paulo fala da sua missão, em Colossenses 1.28: “o qual anunciamos advertindo a todo homem e ensinando a todo homem em toda a sabedoria, afim de que apresentemos todo homem perfeito em Cristo”. Avançando um pouco mais, segundo a Definição de Lausanne, evangelizar é: “Difundir as boas novas de que Jesus morreu por nossos pecados e ressuscitou segundo as Escrituras, e de que como Senhor e Rei, Ele agora oferece o perdão dos pecados e o dom libertador do Espírito a todos os que se arrependem e crêm. Ao fazermos o convite do Evangelho, não temos o direito de esconder o custo do discipulado. Jesus ainda convida todos os que quiserem segui-lo a negar-se a si mesmo, tomarem a sua cruz e identificarem-se com a sua nova comunidade. O resultado da evangelização inclui a obediência a Cristo, o ingresso em sua igreja e um serviço responsável no mundo”.  A Evangelização é Ordenada Pela Graça de DEUS A graça de Deus pode ser mais bem apreciada pela expressão concreta do seu amor. O amor é incentivo, a graça é a consequência prática. Depois de descrever a condição de impotência do pecador, morto em seus delitos e pecados e totalmente dominado pelo príncipe deste mundo, Paulo acrescenta: “Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou, e estando nós
  2. 2. II | P á g i n a Estudo Bíblico Rápido © 2015 – TRINDADE, W.N. mortos em nossos delitos, nos deu vida juntamente com Cristo [...]. Porque pela graça sois salvos...” (Ef. 2.1,5). A palavra “graça” refere-se ao que Deus fez pelos pecadores por causa de seu amor e de sua misericórdia sem fim. Deus não amou mais o mundo depois do calvário, nem o amava menos antes do nascimento de Jesus. A vinda do Salvador ao mundo, porém, revela a graça de Deus em sua forma histórica e concreta (Jo 4.42). João declara: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo 1.14). A graça de Deus tomou aspecto e forma na pessoa de Jesus, a Palavra encarnada (logos) de Deus. Observe nesse versículo que o filho pré-existente e invisível de Deus vem ao mundo em forma humana visível (Fp 2.6; Jo 1.1). Ao fazê-lo, a graça de Deus se revela de modo que os homens possam “vê- la” e crer nela. Essa parece ser a maneira de João afirmar o que os anjos proclamaram no nascimento de Jesus: “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra aos homens aos quais ele concede o seu favor” (Lc 2.14 NVI). Dizer que o favor de Deus foi concedido aos homens equivale à graça que eles viram nele (Jo 1.14). Paulo torna mais claro esse ponto. O motivo por trás dos grandes atos divinos de salvação, tais como a eleição, a predestinação, a adoção, a redenção e o perdão, era obter o louvor da glória da graça de Deus (Ef 1.4-7,12,14). No grego, a expressão “para louvor da glória de sua graça” tem significado inconfundível. A evangelização, que proclama as bênçãos salvadoras de Deus, tem como principal objetivo a obtenção do louvor da sua graça. Quando espalhamos as boas novas por todo o mundo, cumprimos o desejo supremo de Deus de se tornar conhecido e, consequentemente, louvado. É especificamente como Deus de graça que Ele deseja ser conhecido. O caráter glorioso de sua graça soberana deveria evocar o louvor dos redimidos em toda parte (Ap 5.13), a exemplo do que fazem as hostes angelicais (Ap 5.13). Muitos salmos reverberam o tema da graça de Deus, a qual exige uma proclamação cheia de júbilo por todos quantos a tenham recebido. “Anunciai entre as nações a sua glória, entre todos os povos, as suas maravilhas” (Sl 96.3). “Pois quanto o céu se alteia acima da terra, assim é grande a sua misericórdia para com os que o temem. Quanto dista o Oriente do Ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões” (Sl 103.11.12). “Cantai louvores ao Senhor, porque fez cousas grandiosas; saiba-se isto em toda a terra” (Is 12.5). Finalmente, não devemos menosprezar o poder transformador da graça: “Porquanto a graça de Deus se manifestou a todos os homens” (Tt 2.11). Ela nos ensina a dizer “não” à impiedade e as paixões mundanas e a viver uma vida sensata, justa e piedosa no presente século (Tt 2.12). Quando a graça muda em 180 graus o rumo da vida de um homem, de modo que ele passa a buscar aquilo que desprezava, afastando-se do que desejava ardentemente, ficamos face a face com o propósito evangelístico de Deus. Charles Darwin, autor de A Origem das Espécies, obra de grande influência em que sustenta a teoria da evolução, observou a conversão de um bêbado imprestável. Ele reconheceu prontamente que nenhuma ciência ou tecnologia em todo o mundo poderia ter realizado a mudança que presenciou. A graça
  3. 3. III | P á g i n a Estudo Bíblico Rápido © 2015 – TRINDADE, W.N. restaura a nobreza perdida e inculca a responsabilidade. Como disse, depois de longo sofrimento, a mulher de um alcoólatra convertido: “Sei muito pouco sobre a transformação da água em vinho; mas sei muita coisa sobre a transformação do vinho em mobília e em comida!”.  Deus Exige Santidade Deus, de modo algum, isola-se de suas criaturas ou se torna indiferente à sua fraqueza. Há um desejo que move o Autor santo de toda vida moral e espiritual que consiste em ver, nos que trazem a sua imagem a marca da santidade: “Vós vos consagrareis e sereis santos, porque eu sou santo” (Lv 11.44). “Sede santos, porque eu sou santo” são palavras da lei do antigo testamento que Pedro faz soarem novamente (Lv 11.44; 1Pe 1.15,16). “Portanto, sede vós perfeitos como perfeito é o vosso Pai celeste” (Mt 5.48). Neste versículo, temos a síntese do sermão mais conhecido que se pregou. Disse Paulo: “Pois esta é vontade de Deus: a vossa santificação” (1Ts 4.3). “Segui a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor” (Hb 12.14). Esses poucos textos selecionados devem ser claros o suficiente para sustentar a premissa de que o desejo supremo de Deus em relação aos pecadores é a sua conversão à santidade. O meio que pôs à nossa disposição para isso é a evangelização. As boas novas da salvação mostram que o mal que habita dentro de nós pode ser transformado, de culpa e de vergonha, em inocência e pureza. “Vinde, pois, e arrazoemos, diz o Senhor; ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve; ainda que sejam vermelhos como o carmesim, se tornarão como a lã” (Is 1.18). “Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça” (1Jo 1.9). A santidade, contudo, é mais do que a remoção da culpa. Ela aponta para a qualidade divina do caráter totalmente além do alcance do esforço humano. Aqui, a providência divina realiza o impossível. “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nEle, fôssemos feitos justiça de Deus” (2Co 5.21; 1Co 1.30). O Senhor oferece gratuitamente aos pecadores a retidão de seu Filho, de modo que, embora sejam de fato ímpios, possam tornar-se aceitáveis a um Deus santo. Eis a razão porque os cristãos do primeiro século eram conhecidos como “santos”. Quando Deus se der a conhecer a nós como o fez a Isaías (6.1-5), nossa reação virá na forma do desejo de nos purificar “de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus” (2Co 7.1).  Conclusão A razão principal da ordem evangelizadora deve ser teocêntrica. Quando a motivação para evangelizar torna-se antropocêntrica, ela se deteriora rapidamente e se torna egocêntrica, isto é, voltada para a realização pessoal e para a satisfação de ambições vãs. Tal sentimento antibíblico pode justificar facilmente a acusação de manipulação e de “média” com o público. A ordem bíblica eleva Deus à sua justa posição de Senhor da seara (Lc 10.2). O Senhor envia os trabalhadores e segadores porque é ele quem dá o crescimento (1Co 3.6). Ele procura os frutos e tem autoridade para cortar a árvore (Lc 13.7).
  4. 4. IV | P á g i n a Estudo Bíblico Rápido © 2015 – TRINDADE, W.N. A supremacia de Deus na evangelização pode ser facilmente esquecida. Atende para as palavras de Deus conforme registradas por Isaías: “Por amor do meu nome, retardarei a minha ira e por causa da minha honra me conterei para contigo, para que te não venha a exterminar. Por amor de mim, por amor de mim, é que faço isto; porque como seria profanado o meu nome? A minha glória, não a dou a outrem” (Is 48.9,11). Acrescente-se a isso a seguinte visão particular de Davi: “Não há entre os deuses, semelhante a ti, Senhor; e nada existe que se compare às tuas obras. Todas as nações que fizeste virão, prostrar-se-ão diante de ti, Senhor, e glorificarão o teu nome. Pois tu é grande e operas maravilhas, só tu é Deus!” (Sl 86.8- 10). Assim como não se pode obter e tampouco transmitir benefício espiritual algum sem a iniciativa divina, não se pode também alcançar nenhum objetivo espiritual por conta própria. Afirmaremos a todos por toda a eternidade: “Deus o fez!”. O melhor que temos a fazer é reconhecer a realidade que nos cerca aqui e agora. Assim, oraremos e esperaremos que Deus opere o milagre do novo nascimento. Por outro lado, Deus optou por trabalhar em seus servos evangelistas e por meio deles. Aqui, o conhecimento e a obediência são de suprema importância. É preciso conhecer a Ele e aos seus propósitos e estar desejoso de obedecer às suas ordens. Poderemos então fazer ecoar a afirmação de Paulo: “porque de Deus somos cooperadores” (1Co 3.9). Portanto a participação do Deus vivo, Santo e Todo-Poderoso é central na obra da evangelização. BIBLIOGRAFIA  ROBINSON, Darrel W. Vida Total da Igreja. 1 ed. Rio de Janeiro: JUERP, 2001.  SHEDD, Russel P. Fundamentos Bíblicos da Evangelização. 1 ed. São Paulo: Vida Nova, 1996.  CASEMIRO, Arrival Dias. Os Ministérios da Igreja. 3 ed. Santa Bárbara D’Oeste: SOCEP, 2000. 48 p (Ministério de Evangelização I, 14) Pr Wéllington Nunes de Trindade wellington.ministerio@outlook.com Joinvlle-SC

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