A pipa e a flor

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A pipa e a flor

  1. 1. RUBEM ALVES MíALJRjcízlo DE SOUSA
  2. 2. 7 à Um dia. passeando pelo parque. fiquei triste ao ver uma pipa enroscada no galho da árvore. Rasgada. ela girava que girava, ao vento, como se quisesse escapulín
  3. 3. ;as ÍIãÇ) 21(iial'“IÍêi"a. ,Parecia aqmleles bichínhcys: de asas. quaríao Caen) eln teia d (3 a ra n h
  4. 4. . A ' “ 1_. a¡ -V 'z í_ f¡ 'x . .Q - ive dó. Pipa não foi feita para acabar assinm Pipa foi feita para voar. E é tão born quando a gente as vê. . lá no alto. ..
  5. 5. Iro'› n . - Aim sernpre tive vontade de ser urna pipa- Beth leve. , sern levar nas Costas nada que ¡)ese (o que é pesado puxa a gente para baíxo. ..)- Papel de seda. , taquara fina qnxe enverga. , ruas não quebra- linha forte- urn pouquinho de cola e pronto! I_á está a pipa- pronta para voar.
  6. 6. A; Cores e as formas. , que são tantas. , a gente pode Consult-a r' o çr(; ›rz1g'ã<: › e Ver o que ele prefere. Pipa. , para ser boa. , ten¡ de ser igualzinha a que está na itnagírlação. Fico até pensando que as pessoas. , para ser boas. . precísanl ter' urna. pipa rnuito colorida Solta dentro de si. ..
  7. 7. P[›u Inn) não ¡õrecisa de vento f(›r*te. LJrnu Í)r'isu rn-. xrxsirnha deve chegar para levá-Ias até lá en¡ ('Íl1121., perto das nuvens. por isso que elas tôní CIC ser I)C1n Icvcs. () ventc) ç-hcàgzn. , as folhas das 'árvores ¡rc-nnern. . e lá vão elas SUÍJÍHCIU. ¡)ara den( r(› ck) vazio dc) Céu. ..
  8. 8. . : N: - - “ Í; ó que tern urna colsa rnuuo gozada. Pipa. . para subir. tern de estar amarrada na ponta de urna linha. E a outra ponta e' urna rnão que segura. É assíçn que a pipa conversa. . através da linha. A rnão puxa a linha e Sente 16
  9. 9. g : V ^ a linha firrne. . puxando para cirna. . querendo ir. É a pipa dizendo: “IVIe deixa ir 1.1111 pouco rnais. .." lVlas. . se a linha responde frouxa. , é a pipa dizendo que está sern companheiro. , o vento foi ernbora. , e ela quer voltar para Casa. 17
  10. 10. u* V1 í Í _ _ _ __a pessoas que nunca brincaraxn Corn pipa e acharn que é só cortar a linha para ela subir rnais alto. , nas costas do vento. . sern nada que a segure. Mas não é assirn. (Quando a linha arrebenta, ela começa a cair. E. vai caindo sernpre. cada vez rnais longe- triste. . abanando a cabeça. ..
  11. 11. ]¡L| -.1ncI(› eu e *a rncnino. eu the lenibro. havia u n¡ hornen). .. . Justo quando as pipas (fstuvarn lá en¡ CÍIIIH. , halizaclgns. carlwclilhn sen¡ : nais linha para Liar. . e| e vinha e <'(›r1'1¡'›| 'uvu ns pipas dos l'l'l('l| Íl1()H. Pagava o [)l"t'(_, _'() justo. Só que o gosto dele era Cortar u linha. H aí você' _yi saIJe. nó?
  12. 12. . ois é! Era urna vez urna pipa. C) rnenino que a fez estava alegre e ilnaginou que a pipa tarnbénn estaria. Por isso fez nela urna Cara risonha. . Êolando tiras de papel de seda verrnelho: dois olhos. urn nariz. urna boca. 2°
  13. 13. ' É "V" 39:, _í V_ o _ , .- r 4, _. É 7 ' n* o¡ V p_ _ 7* 777 *í 4 n 4 3,- 7 s , n r 5 ' xve. í q , , 7 , , _ __ o, , _'- ,4 y-_g _ . ..t-sd o 43' _ 7 7 _ ; _ › v' _v 'É_ o " -v . ___ . __ c_ e» , " (r, ' . v . .V J' ). v , -. - x_
  14. 14. Yi; e _ - enquanto ria. sacudia o rabo en1 desafio. Chegou até a rasgar o papel. , nun) galho que foi : nais rápido. , rnas o ndeníno consertou- colando LITTI rernendo da n1esn1a cor.
  15. 15. rn igos. , a pipa tinha aos rnontões. E seus olhos iaIn agradando a todos eles. , sernpre con1 aquela risada gostosa. . contando casos.
  16. 16. Mas aconteceu que- urn dia. . ela estava Corneçando a subir. correndo de urn lado para o outro no vento. , quando olhou para baixo e viu. lá nurn uíntal. , urna lor_ A í a 'á havia q P P
  17. 17. víst(, › nnuitus flçuwàs_ SC) que (los-sa vez seus olhos c ()H (_›| h<j, ›s da ['| (,›r se ('l1('()l'1l'l“8 11111_ e ela sentiu urna coisa estranha. Não- nñr) era a beleza da flor. Já ví 'a ou( 71s. :nais lÍ)(f'| :)S. liraln (35 (›l hos a
  18. 18. _fg/ á u: " ' _4f _ef-e r. ;- --'í_; ~-'*-zf uern não entende pensa que todos os olhos são parecidos. só diferentes na cor. Nlas não é assírn. I-Iá 01h65 que agradam), acarícíarn a gente corno se fossem rnãos. 26
  19. 19. ' 3 , new *y f, ._ 7- , , . 7 - x* ' 'L ~ */ ~7 > 3= 'fx-Lix_ A, ,: ~J*'f/ _fyrxj roé-/ Kw utros dão rnedo. . arneaaçarn. acusarn. E. . quando a gente se percebe encarado por eles. dá urn arrepio ruim pelo corpo. Tern tarnbérn olhos que COlalTl. , hípnotízanñ- enfeítíçarn-. . 17
  20. 20. Foi isso que aconteceu corn a pipa- Ela ficou enfeitiçada. Não queria Inais ser pipa. Só queria unia coisa: fazer o que a florzinha
  21. 21. quisesse. Ah! Hla era tão lT1:]l': ]Vlll'I()HH. (2,110 felicidade se 'pudesse fíval' (lc lllãLM-à dadas c-(nn ela f)(*l() rush) (lc sívus (Iíus.
  22. 22. assirn resolveu Inudar de dono. Aproveitanrlo-se de urn vento forte. . deu urn puxão repentino na linha. , ela arrebentou e a pipa foi cair. devagarinho, ao lado da flor. E deu sua linha para a florzinha segurar. - Ela segurou forte.
  23. 23. _, - 'Êñggxoran corn sua linha nas niños da flor. , a pipa pensou que voar seria Inuiro : nais gostoso. Lá de cilna ç-onversaría corn ela e ao voltar lhe comu-iria estórias para q-ue ela dorrnísse. E pediu: 31
  24. 24. ""' Iorzinha, me faz voar. E a florzinha fez a pipa voar. A pipa subiu bem alto e seu coração bateu feliz. Quando se está lá no alto. é bom saber que tem alguém esperando lá embaixo.
  25. 25. _Ma_ ) e . "C42. Mas a flor. . aq-ui de l)aix(›. , percebeu que estava ficando triste. Não. , não é que estivesse triste. Estava fi : ando Con1 raiva. Que injustiça q-ue a pipa ç)udesse voar tão alto. , e ela tivesse de ficar plantada no chão. li teve inveja da pipa.
  26. 26. Tinha raiva ao ver a felicidade da pipa, longe dela. -- 'Finha raiva quando via as Íñpas lá ern cirna. . tagarelando entre si. E ela. , flor_ sozinha. . deixada de fora.
  27. 27. “S e a pipa rne aniasse de verdade. . não poderia estar feliz lá OIT¡ cirna. , longe de rnixn. - o Ficaria o ternpo todo aqui coinigo. .-" E à inveja juntou-se o ciúrne. Inveja é ficar infeliz vendo as coisas bonitas e boas que os outros têni. . e nós não.
  28. 28. 1 . iúnie é a dor que dá quando a gente írnagina a felicidade do outro. sern que a gente esteja corn ele. E a flor corneçou a ficar rnalvada. Ficava ernburrada quando a pipa chegav. . Éxígía explicações de tudo.
  29. 29. _z X 77;»- >*))-. ./I4»-<(Y _ W _ a pipa c<_)1nc›çou a ter medo de fic-ar feliz. , pois sabia que isso faria a¡ flor' sofrer'. l: a flor foi. aos poucos. , encurtarmdo a linha. A pipa não podia mais voar. 37
  30. 30. D. ia. ali do baixinho- de sobre 0 quintal (essa era toda a ciístâncría que a flor lhe perrnilia voar)- as outras pipas- lá en¡ viuva. .. É sua l'›<›('zi f(›i ficando triste. li percebeu que não gostava tanto da flor. Corno no início. ..
  31. 31. '-37 . estória não terrninou. Está acontecendo bern agora. , en) algum lugar. .. E há três jeitos de escrever o fim. Você é quern vai escolher. p o. n -n k l_ , , _ . , . ~ " n - _ a 'n x P1; ! a " 'k . * J ~v s _-- r . -K 0 7 . ' . , _ _. - í . -4. u n - _Í_ . c, 1¡ *- . . " z , , _ x 1 'x ~ . u ~ p g * '
  32. 32. :rirneiro: A pipa ficou tão triste que resolveu nunca mais voar. - Não vou te incornodar corn rneus risos- flor. , inas tarnbérn não vou te dar a alegria do rneu sorriso. E assírn ficou, arnarrada junto à flor. , rnas mais longe dela do que nunca. , porque seu X . coração estava ern sonhos de voos e nos risos d e out ros ternpos.
  33. 33. Segundo: A flor. , na verdade. e 'a un1a l')<. ›rl)o| clz1 q-uc urna bruxa Iná havia cnfcilig-zuio e ccnldenz-ido u '[_)el"l'l'li'lfleç'el' fin 'anda IIC) chãca. C) fkeitigc) sc) se (1uel; )r".1r'i'. i no ciia en¡ (iue ela fosse 'apaz de dizer não à inveja e ao ciúine. , e se sentisse feliz corn a felicidade dos outros. E aconteceu que urn dia, vendo a pipa voar. , ela se esqueceu de si rnesrna por urn instante e ficou feliz ao ver a felicidade da pipa. (Qu-ancio isso aconteceu. , o feitiço se quebrou e ela voou. , agora corno borboleta. , para o alto. , e as duas. , pipa e borboleta, pud juntas.
  34. 34. .Izrceiroz A pipa percebeu c¡ue havia rnais alegria na liberdade de antiqarnente que nos abraços da flor. Porque aqueles eran": abraços que arnarravarn. E atssirn. nurn dia de grande ventania. . e se valendo de unha distração da flor. , arrebentou a linha e foi en¡ busca de urna outra mão que ficasse feliz vendo-a voar nas alturas. .. 43 . .. kika-ã

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