Tratamento do Tabagismo

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Estratégias para superação do tabagismo

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Tratamento do Tabagismo

  1. 1. Walter Cury Anna Jr Mestre em Ciências da Saúde FM UFU Psiquiatra Psicogeriatra Medicina Interna Tabagismo: vamos jogar fora este vício Sem Tabaco, Mais Saúde
  2. 2. O que é droga? “Droga é qualquer substância química, natural ou sintetizada, capaz de produzir efeitos sobre o funcionamento do corpo, resultando em mudanças fisiológicas ou de comportamento” O que é dependência à nicotina? “Padrão de má adaptação ao uso de alguma substância, que leva a intenso prejuízo ou sofrimento relacionados à tolerância, à síndrome de abstinência e/ou ao desejo persistente, durante o mesmo período de 12 meses” Droga e dependência Conceitos Ministério da Saúde. Secretaria Nacional de Assistência à Saúde, Departamento de Programas de saúde. Normas e procedimentos na abordagem do abuso de drogas. Brasília, 1991.
  3. 3. Tolerância: necessidade crescente para mesmo efeito; efeito diminuído com mesma quantidade. Síndrome de abstinência: consumo para aliviar ou evitar sintomas desagradáveis. Desejo persistente: abandono de atividades em detrimento do consumo; consumo mesmo sabendo dos riscos. Droga e dependência Características da dependência Ministério da Saúde. Secretaria Nacional de Assistência à Saúde, Departamento de Programas de saúde, Coordenação de Saúde Mental. Normas e procedimentos na abordagem do
  4. 4. Irritabilidade, frustração ou raiva (<4 sem)2 Inquietude ou impaciência (<4 sem)2 Ansiedade (pode aumentar ou diminuir com a cessação)¹,² Distúrbio de sono/insôni a (<4 sem)2 Aumento do apetite ou ganho de peso (>10 sem)2 Humor disfórico ou deprimido (<4 sem)2 Dificuldade de concentração (<4 sem)2 1. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, IV-TR. Washington, DC: APA; 2006: Disponível em http://psychiatryonline.com. 2. West RW, et al. Fast Facts: Smoking Cessation. 1ª ed. Oxford, Reino Droga e dependência Síndrome de abstinência nicotínica
  5. 5. Droga e dependência: Síndrome de abstinência nicotínica Adaptado de Jarvis MJ. Why people smoke. Clinical Review – ABC of smoking cessation. BMJ 2004;328:277-279
  6. 6. 1. Quanto tempo após acordar você fuma o seu primeiro cigarro? ( 3 ) até 5 min ( 2 ) 6-30 min ( 1 ) 31-60 min ( 0 ) após 60 min 2. Você acha difícil não fumar em lugares proibidos, como igrejas, bibliotecas, cinemas, ônibus, etc? ( 1 ) sim ( 0 ) não 3.Qual cigarro do dia traz mais satisfação? ( 1 ) o primeiro da manhã ( 0 ) outros 4. Quantos cigarros você fuma por dia? ( 0 ) menos de 10 ( 2 ) de 21 a 30 ( 1 ) de 11 a 20 ( 3 ) mais que 31 5. Você fuma mais freqüentemente pela manhã? ( 1 ) sim ( 0 ) não 6. Você fuma mesmo doente, quando fica de cama a maior parte do tempo? ( 1 ) sim ( 0 ) não Interpretação: 0-2 muito baixa, 3-4 baixa, 5 moderada, 6-7 alta, 8-10 muito alta. Carmo JT, Pueyo AA. A adaptaçäo ao português do Fagerström test for nicotine dependence (FTND) para avaliar a dependência e tolerância à nicotina em fumantes brasileiros. Rev Bras Med. 2002;59(1/2):73-80. Rotina da avaliação Passo 1: avaliar a dependência nicotínica (Fagerström)
  7. 7. Paciente motivado para tratamento imediato: • Preparação: perspectiva de mudança em futuro imediato. • Ação: atitude focada na estratégia para abstinência. Paciente desmotivado para tratamento imediato: • Pré-contemplação: não há intenção de mudar. • Contemplação: há conscientização, porém, existe ambivalência. Prochaska JO and DiClemente CC. Stages and processes of self-change of smoking: toward an integrative model of change. J Consult Clin Psychol 1983;51:390–5. Rotina da avaliação Passo 1: avaliar a motivação (Prochaska e DiClemente) Paciente já deixou de fumar: • Manutenção: risco de lapsos/recaída ou finalização.
  8. 8. 5 princípios “cruciais” para motivar alguém: 1. Expressar empatia: - Escutar com paciência - Aceitar o discurso sem julgamento ou crítica - Refletir com o paciente os aspectos trazidos 2. Conduzir à mudança: valores atuais x objetivos 3. Evitar argumentação oposta (polarização, confronto) 4. Analisar cada resistência: apontar novas perspectivas, sem imposição 5. Promover a auto-eficácia: crer na possibilidade Miller e Rollnick. Entrevista motivacional: preparando as pessoas para a mudança de comportamentos aditivos. Ed. Artmed, 2001. Rotina da avaliação Passo 2: criar vínculo e adequar discurso à motivação
  9. 9. O que é ambivalência? Existência simultânea, e com a mesma intensidade, de dois sentimentos ou duas idéias com relação a uma mesma coisa, e que se opõem mutuamente. Motivação para deixar de fumar Miller e Rollnick. Entrevista motivacional: preparando as pessoas para a mudança de comportamentos aditivos. Ed. Artmed, 2001.
  10. 10. Paciente motivado: Reforce a percepção de auto-eficácia; ofereça acompanhamento e tratamento; acompanhe e previna recaídas Paciente desmotivado: Dê informações sobre os riscos de continuar fumando e benefícios de deixar de fumar; remova barreiras (enfraqueça a ambivalência) Postura conforme diagnóstico da motivação Diferentes técnicas (estratégias) para cada fase motivacional do fumante, da resistência à cessação: Rotina da avaliação Passo 3: oferecer tratamento adequado à motivação
  11. 11. Passo 3: oferecer tratamento adequado à motivação “Customizar abordagem e tratar com orientações práticas: identificar gatilhos, evitar riscos, anular condicionamentos, relaxar, distrair e desejar uma vida mais saudável.” Passo 2: criar vínculo e adequar discurso à motivação “Motivar sempre, conduzindo ao desejo pela mudança. Comprometer-se e reforçar crença na mudança.” Passo 1: avaliar a motivação para deixar de fumar. “A motivação atual é desfavorável e exige informação e reforço da auto- eficácia ou podemos iniciar tratamento?” Adaptado de Reichert J, Araújo AJ, Gonçalves CMC, Godoy I, Chatkin JM, Sales MPU, Santos SR. Diretrizes para cessação do tabagismo – 2008. J Bras Pneumol. 2008;34(10):845-80. Rotina da avaliação Resumindo
  12. 12. Equipe treinada e motivada Equipe de saúde Fumantes
  13. 13. Tratamento do tabagismo
  14. 14. Tratamento não farmacológico Abordagem Aconselhamento Intervenção comportamental Tratamento farmacológico Tratamentos associados Mais frequentemente usado Maior efetividade Opções
  15. 15. Informação verbal ( não impositiva) Duração < 3 minutos Alto custo-efetividade Chances de sucesso Terapia comportamental 30% 15% Recomendações breves 20% 10% Sem aconselhamento 10% 5% Com medicação Sem medicação (ou com placebo) Hughes JR. Cancer J Clin. 2000;50:143-151.
  16. 16. PAAP (Pergunte, Avalie, Aconselhe e Prepare) abordagem breve baixo custo 3 minutos PAAPA (+ Acompanhe): retornos abordagem específica/intensiva Tratamento não farmacológico Abordagem estruturada Reichert J, Araújo AJ, Gonçalves CMC, Godoy I, Chatkin JM, Sales MPU, Santos SR. Diretrizes para cessação do tabagismo – 2008. J Bras Pneumol. 2008;34(10):845-80.
  17. 17. • Balada • Chopp com amigos Prazer • Computador • Café Hábito • Fumar a noite • Fumar doente Dependência Por que você fuma?
  18. 18. Estresse do trabalho Café Conversar ao telefone Bebidas alcoólicas Lazer (leitura) Lazer (convívio social) Mudança de hábitos: gatilhos
  19. 19. Qual foi o seu presente por ter deixado de fumar? Comemore a cada mês, no aniversário de cessação! Motivação e recompensa
  20. 20. Ao invés de fumar, faça outra coisa! Após as refeições, escove imediatamente os dentes, para reduzir a vontade de fumar. Mudança de hábito
  21. 21. v Fumar só a metade Mudar para outra marca Mudança de hábito Erros comuns nas tentativas de deixar de fumar Paciente
  22. 22. “Embora você não queira, é importantíssimo que você pare de fumar imediatamente. Estou marcando um retorno para o mês que vem. Não volte aqui se você ainda estiver fumando!” Médico Conduta médica Erro comum!
  23. 23. Todo paciente que desejar parar de fumar e não tiver contra indicações aos medicamentos. Fiore M. Treating tobacco use and dependence: 2008 update. Clinical practice guideline. Rockville Md: U.S. Dept. of Health and Human Services, Public Health Service, Exceções Populações específicas em que não há suficiente evidência sobre efetividade (gestantes, adolescentes, usuários de tabaco não-fumado) É necessário identificar o paciente motivado a parar de fumar para se iniciar o tratamento do tabagismo Tratamento farmacológico Linhas gerais
  24. 24. O que pode ser prescrito?
  25. 25. Reichert J. J Bras Pneumol. 2008; 34: 845-80. Fiore M. Treating tobacco use and dependence: 2008 update. Clinical practice guideline. Apresentações Nomes comerciais Apresentação e dose Redução de dose Duração do tratamento Adesivo Niquitin Nicorette 7, 14 e 21mg 5, 10 e 15 mg Cada 4 semanas 8-12 semanas Goma Nicorette 2 e 4mg 10-15 unids/dia 8-12 unids/dia cada 4-6 sem 8-12 semanas Pastilhas Niquitin 2 e 4mg 10-15 unids/dia 9-15 unids/dia cada 4-6 sem 8-12 semanas Medicamentos 1ª linha Terapia de reposição de nicotina (TRN) Parar de fumar no primeiro dia de tratamento
  26. 26. Nível I – Expressar interesse em parar Nível II – Estar disposto a tentar Nível III – Avaliar riscos e benefícios Nívell V – Escolher a melhor estratégia Nível VII – Iniciar o tratamento como prioridade Nível IV – Procurar ajuda Nível VI – Definir o “dia D” Nível VIII – Parar, com grande empenho inicial Nível IX – Parar e não fumar por 1 semana Nível X – Parar e não fumar por 1 mês Nível XI – Parar e não fumar por 1 ano Nível XII – Parar e não fumar por 5 anos Adaptado e modificado de Glynn TJ, Manley MW. Health Education Research 1989;4(4):479-87. Redefinindo o sucesso: do não interesse em parar à vida livre do tabaco
  27. 27. Marcus Vinícius Bolívar Malachias mbolivar@cardiol.br

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