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História A - Módulo 7
Crises, embates ideológicos e mutações culturais
na primeira metade do século XX
Unidade 2
O agudizar das tensões políticas e sociais a
partir dos anos 30
http://divulgacaohistoria.wordpress.com/
2017_2018
Módulo 7, História A 2
Hegemonia económica dos EUA
Módulo 7, História A 3
2.1 A Grande Depressão e o seu impacto social (não é de aprofundamento)
2.1.1 Nas origens da crise
Depois de ultrapassadas as dificuldades provocadas pela guerra, nos
meados dos anos vinte viveu-se uma época de prosperidade,
sobretudo nos EUA;
Módulo 7, História A 4
No entanto essa prosperidade iria revelar-se muito frágil;
A população americana vivia do crédito e estava profundamente
endividada, inclusive recorriam a empréstimos bancários para
comprarem ações na Bolsa;
Existiam indústrias, sobretudo as mais tradicionais, como a do
carvão, construção ferroviária, têxteis e construção naval que não
tinham recuperado totalmente da crise de 1920/21;
Havia um desemprego crónico elevado (dois milhões nos EUA)
derivado da mecanização da indústria (desemprego tecnológico);
Módulo 7, História A 5
Módulo 7, História A 6
A agricultura, em 1929, começava a dar sinais de superprodução e a
baixa de preços dos produtos agrícolas começava a causar
dificuldades a muitos agricultores;
A deflação dos preços dos produtos agrícolas começava, em 1929, a
refletir-se na baixa de consumo de produtos industriais;
A especulação bolsista atingia níveis perigosos;
Módulo 7, História A 7
Módulo 7, História A 8
Uma grande parte das poupanças e do crédito americano era
aplicado na Bolsa em negócio especulativos;
Devido à intensa procura de ações muito títulos eram
transacionados por valores extremamente elevados, muito
superiores ao seu valor real;
Os Bancos fomentavam essa especulação emprestando dinheiro a
particulares quer investindo uma parte muito significativa dos
seus lucros no negócio bolsista;
Em 1929, o índice geral das ações cotadas em Nova Iorque
ultrapassavam largamente a produção industrial;
Módulo 7, História A 9
2.1.2 A dimensão financeira, económica e social da crise
Em meados de outubro de 1929 muitos acionistas começaram a
procurar vender as suas ações;
São anunciados baixas de lucros em muitas empresas fruto da
superprodução;
O pânico instalou-se no dia 24 de outubro, quinta-feira negra,
quando 13 milhões de ações, colocados no mercado a preços muito
baixos, não encontraram comprador;
A 29 de outubro 16 milhões de títulos não conseguiram ser
transacionados;
Era o “crash de Wall Street”;
Módulo 7, História A 10
Nos meses seguintes centenas de milhares de acionistas ficaram
arruinados pois a ações que possuíam não valiam nada ou valiam
apenas uma ínfima fração do valor porque tinham sido compradas;
Quinta-feira
negra em
Wall Street
Módulo 7, História A 11
Como muitos acionistas tinham
recorrido ao crédito para comprarem
ações e agora não podiam pagar os
empréstimos pedidos muitos bancos
abriram falência;
Entre 1929 e 1933, faliram 10 mil
bancos;
A falência dos bancos levou à
paralisação da economia (estava
baseada no crédito);
Muitas empresas abriram falência;
O desemprego disparou, nos EUA,
atinge os 12 milhões em 1932;
Módulo 7, História A 12
A procura diminuiu o que causou a baixa dos preços, levando à
diminuição da produção industrial;
Módulo 7, História A 13
Os preços dos produtos agrícolas baixaram, muitos agricultores
foram à falência, muitas quintas são postas á venda e não
encontram compradores;
Módulo 7, História A 14
Famílias inteiras são lançadas na miséria;
Muitos vagueiam pelos EUA à procura de empregos que não
existem;
Mesmo entre os que ainda estão empregados a baixa dos
salários é generalizada;
Os desempregados ofereciam-se para trabalhar por salários
irrisórios;
Módulo 7, História A 15
Não há segurança social, e milhões sobrevivem devido às refeições
oferecidas por instituições de caridade;
Surgem “bairros de lata” em todas as grandes cidades americanas;
Nesta situação a criminalidade aumenta;
Módulo 7, História A 16
2.1.3 A mundialização da crise; a persistência da conjuntura
deflacionista
Módulo 7, História A 17
A Grande Depressão começou nos EUA mas propagou-se
rapidamente:
Aos países fornecedores de matérias-primas (América do Sul,
Austrália , Índia, etc.;
Aos países dependentes do crédito americano: Alemanha, Áustria;
Módulo 7, História A 18
A todos os países do mundo capitalista;
Os EUA retiraram grande parte dos capitais investidos na Europa
o que provocou a falência de muitos bancos europeus;
Nos ano 30 apenas a URSS, sem ligações económicas ao mundo
capitalista, escapou à crise;
Módulo 7, História A 19
A crise tinha caído num círculo vicioso:
Diminui o consumo baixa de preços baixa de produção
falências desemprego;
Como resposta à crise a maior parte dos países tentaram tornar-se
autossuficientes;
Surgem medidas protecionistas tomadas pelos governos;
O nível do comércio internacional desce a níveis iguais aos de
meados do século XIX;
A descrença no capitalismo liberal é generalizada;
Módulo 7, História A 20
Módulo 7, História A 21
Módulo 7, História A 22
Módulo 7, História A 23
2.2 As opções totalitárias
No início do século XX muitos países tinham um regime
demoliberal;
Era um regime político onde a liberdade dos cidadãos, a igualdade
perante a lei e a divisão dos poderes do estado estava assegurada;
O fim da Primeira Guerra Mundial provocou o fim dos Impérios
Russo, Austro-Húngaro e Alemão;
Parecia que se instaurava uma ordem internacional mais
democrática;
Módulo 7, História A 24
Mas com o decorrer dos Anos Vinte os regimes totalitários vão
prevalecer;
Regimes totalitários – são os regimes em que o Estado é um valor
absoluto e sobrepõe-se aos direitos individuais dos indivíduos. Ao
Estado compete dirigir todas as atividades económicas, sociais,
políticas e culturais;
São regimes de partido único;
Toda a Nação é subordinada à ideologia do partido;
Módulo 7, História A 25
Módulo 7, História A 26
Na Rússia instalou-se um regime autoritário e totalitário com a
aplicação da ideologia marxista-leninista;
Na Itália e na Alemanha pontificaram regimes da cariz fascista e
nazi;
Em muitos outros países europeus, entre os quais Portugal,
surgem governos de extrema-direita que impõe regimes de
partido único e de perseguição a todos os opositores do regime;
Módulo 7, História A 27
2.2.1 Os fascismos, teorias e práticas
O estado totalitário fascista opõe-se:
Aos direitos individuais dos cidadãos, nomeadamente ao princípio
da liberdade, o indivíduo tem de se submeter aos interesses do
Estado;
Ao princípio da igualdade de nascimento. Segundo os princípios
fascistas e nazis, umas raças nascem para mandar outras para
obedecer;
À democracia e o ao parlamento que são considerados regimes
fracos e incapazes de defender os superiores interesses do Estado;
Módulo 7, História A 28
O estado totalitário fascista opõe-se:
Ao liberalismo económico pois este privilegia os interesses
individuais;
Há existência de vários partidos;
Ao socialismo e o comunismo porque se apoiam na luta de classes
negada pelos fascistas;
Módulo 7, História A 29
Os regimes totalitários defendem:
Partido único;
O culto do chefe, é o guia e o salvador da Pátria;
Negação da separação dos poderes do Estado; o chefe tem o poder
absoluto;
Ultranacionalismo e imperialismo. A Nação é um bem e um valor e
supremos e as outras nações devem-se submeter;
Militarismo e culto da violência e da força. Exaltação da guerra e
dos conflitos;
Módulo 7, História A 30
O autoritarismo do Estado;
Regimes de ditadura e de
opressão;
Estado policial;
A criação de um regime
corporativo. Não existe luta de
classes e por isso patrões e
operários cooperam;
Módulo 7, História A 31
Autarcia. A Nação deve ser autossuficiente;
Criação de um homem novo. Deve ser corajoso e desprovido de
qualquer espírito crítico. Deve acreditar no regime, obedecer e
combater;
A mulher tem apenas a função de obedecer ao marido e realizar as
tarefas domésticas;
Módulo 7, História A 32
Corporativismo – forma de organização da sociedade e da
economia que aceita a propriedade privada mas sobre a égide do
estado.
São constituídas organizações profissionais (corporações)
constituídas por patrões e operários onde se conciliam todos os
interesses com os interesses do Estado;
Módulo 7, História A 33
Fascismo – Sistema político instaurado em Itália, por Benito
Mussolini, em 1922.
Ditadura, totalitária e opressiva. Todas as liberdades individuais
foram suprimidas. Defende a supremacia do estado, o nacionalismo,
o imperialismo, o corporativismo, o culto do chefe.
O termo fascista designa também todos os regimes totalitários de
direita.
Módulo 7, História A 34
O nome fascismo provem do símbolo
o fascio littorio (fasces lictoris);
O termo latino fasces, refere-se a
um símbolo de origem etrusca, usado
no Império Romano, associado ao
poder e à autoridade.
Era denominado fasces lictoriae, por
ser carregado por um lictor, o qual, em
cerimónias oficiais precedia a
passagem de figuras da suprema
magistratura, abrindo caminho pelo
meio ao povo;
Módulo 7, História A 35
Nazismo – Sistema político instaurado por Hitler na Alemanha, em
1933. Para além dos princípios ideológicos do fascismo, o nazismo
acrescentou um racismo violento, e a crença na existência de uma
raça superior, a ariana, à qual competia dominar o Mundo;
Módulo 7, História A 36
Elites e enquadramento de massas
Mussolini sintetizou a ideologia fascista nesta afirmação: “Tudo no
Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado”;
O fascismo parte da ideia que os homens não são iguais, e a
governação deve pertencer aos melhores, a elite;
As escolhas não devem ser baseadas na escolha democrática;
O fascismo e o nazismo promovem a figura do chefe (Duce – Itália,
Füher – Alemanha);
Módulo 7, História A 37
O chefe é o representante da Nação, deve ser seguido sem
hesitação, é o herói;
Surge o culto do chefe baseado numa hábil propaganda política;
Ao chefe compete guiar os destinos da nação;
Módulo 7, História A 38
A seguir ao chefe vinham os filiados no partido, os soldados, a raça
ariana;
As mulheres eram consideradas uma espécie inferior e estava-lhes
reservada os três K (Kinder, Küche, Kirche) (crianças, cozinha, igreja);
Todos deviam ser submissos aos interesses da nação que eram
interpretados pelo chefe;
A obediência cega das massas era um elemento fundamental da
ideologia fascista, para isso as crianças eram educadas nos ideais
desde muito cedo, elas pertenciam ao Estado mais do que às
famílias;
Módulo 7, História A 39
Na Itália aos 4 anos as crianças
faziam parte dos “Filhos da Loba”,
dos 8 aos 14 anos pertenciam aos
“Balillas” e aos 18 entravam na
Juventude Fascista;
Módulo 7, História A 40
Todas eram organizações paramilitares e os jovens eram vítimas
de uma intensa doutrinação com a intenção de conseguir o seu
apoio incondicional ao regime;
Para além do culto ao chefe, incutia-se nos jovens o gosto pelo
desporto, pela guerra, o desprezo pelos valores intelectuais;
Na Alemanha existia a Juventude Hitleriana;
Módulo 7, História A 41
Na escola completava-se esta educação através de programas e
manuais escolares controlados pelo regime;
Módulo 7, História A 42
Aos adultos exigia-se obediência absoluta e fidelidade aos ideais
fascistas. Existiam várias organizações para enquadrar e doutrinar
as massas:
O Partido (único). Nacional-Fascista (Itália), Nacional-Socialista
(Alemanha). Para ocuparem cargos na Estado e na função pública
era necessário pertencer ao partido;
Módulo 7, História A 43
Corporações (Itália), Frente do Trabalho Nacional-Socialista
(Alemanha). Organizações que enquadravam os patrões e os
trabalhadores. Substituíram os sindicatos (proibidos) e
organizações patronais;
Dopolavoro (Itália), Kraft durch Freude (Alemanha). Associações
destinadas a ocupar os tempos livres dos trabalhadores com
atividades desportivas e doutrinárias;
Módulo 7, História A 44
Na Alemanha o Ministério da Cultura e
da Propaganda, liderado Josef Goebbels,
desempenhou um papel fundamental na
catequização do povo alemão;
O rádio e o cinema foram utilizados
massivamente (pela primeira vez) para
propagandear o regime;
Os discursos e a propaganda do regime
chegavam a todo o lado da Alemanha;
Módulo 7, História A 45
Por outro lado são proibidos livros, mesmo livros científicos. São
organizadas cerimónias de queima de livros;
Toda a leitura que não seja uma afirmação do Nacional Socialismo é
proibida e destruída;
Módulo 7, História A 46
A propaganda nazi visa os seguintes objetivos:
O Tratado Versalhes é denunciado como um diktat dos vencedores
e a causa de todo os males e humilhação da Alemanha;
Propõe um programa de resolução da crise e de pleno emprego;
Restauração da grandeza da Alemanha e expansão para novos
territórios;
Prometem ordem, disciplina, estabilidade e o fim da agitação
socialista;
Divulgam os valores da pureza da raça;
Módulo 7, História A 47
O Ministério da Cultura e da Propaganda controla toda a cultura
no país:
Todas as publicações, programas de rádio ou cinema são objeto de
censura prévia;
Todas as publicações contrárias aos ideais nazis são proibidas e
destruídas;
Todos os intelectuais são obrigados a submeter aos interesses
nazis;
Todos os que recusam são violentamente perseguidos;
Módulo 7, História A 48
O culto da força e da violência e a negação dos direitos humanos
Para além da propaganda estes regimes exerceram uma forte
repressão policial sobre a sociedade;
Esta violência era exercida pelas milícias armadas (SA e SS) e pela
polícia política (Gestapo);
Os regimes fascista e nazi cultivam a violência, segundo os seus
ideais é na guerra que os povos podem mostrar a sua coragem e
qualidades. O tempo de paz é prejudicial e afeta a capacidade
guerreira dos povos;
Módulo 7, História A 49
Em Itália as “Camisas Negras” (organização paramilitar fascista)
semeavam o pânico entre os opositores do Partido Fascista, mesmo
antes da tomada do poder;
Em 1923 são reconhecidos como a milícia armada do Partido e em
1925 passam a ser designadas por Organização de Vigilância e
Repressão do Antifascismo (OVRA);
Na Alemanha surgem as Secções de Assalto (SA) em 1921 e Secções
de Segurança (SS), 1923. Estas organizações encarregavam-se de
semear o terror entre todos os opositores e perseguem os judeus;
Módulo 7, História A 50
Após atingir o poder em 1933, os nazis criam a Gestapo, uma polícia
política;
Cria-se na sociedade alemã um clima de suspeição e de medo;
Em 1933 surgem os primeiros campos de concentração;
Módulo 7, História A 51
A violência racista
Hitler fazia uma interpretação
Darwinista da História, ou seja,
esta era uma luta pela
sobrevivência dos mais fortes;
Os mais fortes eram os arianos
que eram superiores a todos os
outros povos;
Em 1923, Hitler, antigo cabo na
Primeira Guerra Mundial,
escreveu o livro “Mein Kampf” (A
Minha Luta) onde defendia as
suas ideias;
Módulo 7, História A 52
Os nazis promoveram o eugenismo para melhorarem a raça ariana;
Eugenia - A eugenia surgiu como um movimento social nos fins do
século XIX e princípios do século XX e teve na sua origem na obra
de Francis Galton, Hereditary Genius, O Génio Hereditário. Francis
Galton defendia que tanto os indivíduos como os grupos ou as
etnias herdavam de forma diferente a habilidade mental.
Tomando como ponto de partida a teoria da evolução de Darwin
em que uma raça é um conjunto de seres humanos com uma
ascendência comum, a eugenia sustenta que uma raça que
consegue transmitir por descendência um maior número de
características comuns de certa qualidade é a que será mais bem
sucedida em fazer perpetuar a sua herança.
http://www.infopedia.pt/$eugenia
Módulo 7, História A 53
Estas ideias levaram o regime a fomentar os casamentos entre os
“melhores espécimes” da raça ariana;
Por outro lado procedia á eliminação física dos alemães
“degenerados” (homossexuais, deficientes mentais, doentes
incuráveis, etc.);
À raça ariana competia o domínio do Mundo e para isso era
necessário eliminar todos os povos inferiores nomeadamente os
judeus, os ciganos e os eslavos;
Módulo 7, História A 54
Logo após chegarem ao poder, em 1933, os nazis começaram a
perseguir os judeus alemães. Foram proibidos de exercer funções
públicas e profissões liberais;
O antissemitismo continuou em 1935, com a publicação das “Leis
de Nuremberga”. Os judeus alemães foram privados da sua
nacionalidade e o casamento e as relações sexuais entre arianos e
judeus foram proibidas;
Em 1938 foram liquidadas as empresas judaicas e o seus bens
foram confiscados. Na noite de 9 para 10 de novembro aconteceu
a “kristallnacht” (Noite de Cristal), muitos bens dos judeus foram
destruídos e muitos foram presos e desapareceram;
Módulo 7, História A 55
Os judeus deixam de poder exercer qualquer profissão e de
frequentar lugares públicos, são obrigados a usar uma estrela
amarela que os identificava como judeus;
Módulo 7, História A 56
Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, os líderes nazis
organizaram a Conferência de Wannsee, onde foi decidido levar a
cabo o extermínio sistemático dos judeus, nascia a “solução final
para o problema judaico”;
Módulo 7, História A 57
Módulo 7, História A 58
Módulo 7, História A 59
Os judeus foram encurralados em guetos e depois enviados para
campos de concentração;
Foram campos de morte, onde os prisioneiros (judeus, eslavos,
inimigos políticos, homossexuais, etc.) foram sujeitos a trabalhos
forçados e a condições sanitárias e de alimentação péssimas;
Muitos morreram de inanição, milhões foram mortos nas câmara de
gás;
Módulo 7, História A 60
Módulo 7, História A 61
A autarcia como modelo económico
A Alemanha e a Itália adotaram políticas económicas
intervencionistas que procuravam garantir a autossuficiência do
país – a autarcia;
A Itália e, em especial a Alemanha, tinham sido atingidas pela crise
económica do pós Primeira Guerra Mundial e depois pela Grande
Depressão e por isso, a recuperação económica era uma das
principais preocupações do regime fascista e nazi;
Módulo 7, História A 62
Itália:
Em 1932 existiam 1,3 milhões de
desempregados, o Estado reforçou a
sua intervenção na economia;
Foram lançadas várias “batalhas de
produção”, apoiadas por espetaculares
campanhas de publicidade que
apelavam à produtividade dos
trabalhadores. O objetivo dessas
campanhas era aumentar a produção;
Módulo 7, História A 63
Em 1925 foi lançada a “batalha do trigo” para aumentar a produção
de cereais;
Em 1927 foi lançada a “batalha da lira”, no sentido de estabilizar a
moeda italiana;
A “batalha da bonificação”, entre 1932 1934, consistiu na drenagem
de pântanos a sul de Roma;
O Estado fascista controlou as importações e exportações;
Procurou reduzir o volume das importações lançando programas de
industrialização do país;
Módulo 7, História A 64
O dirigismo estatal aumentou quando em 1934, a Itália enviou
tropas para África para conquistarem a Etiópia;
Os resultados dos programas económicos italianos podem ser
considerados positivos;
Mas foram conseguidos à custa de muitos sacrifícios da população
(aumento do horário de trabalho, subida de impostos,
racionamento de muitos produtos);
O “homem novo” obedecia sem se questionar;
Módulo 7, História A 65
Alemanha:
Quando Hitler subiu ao poder, em 1933, existiam 6 milhões de
desempregados na Alemanha;
Iniciou uma política de grandes obras públicas (construção de
autoestradas, pontes, linhas férreas, arroteamentos) e
desenvolvimento dos setores automóvel, aeronáutico, siderúrgico
e químico, que lhe permitiu diminuir drasticamente o desemprego;
Relançou a indústria militar e um vasto plano de rearmamento do
exército alemão que contrariava as disposições do Tratado de
Versalhes;
Módulo 7, História A 66
A reconstituição do exército vai lhe permitir reabsorver os
desempregados;
O Estado reforçou a autarcia e o controlo sobre a economia;
As realizações económicas do nazismo trouxeram-lhe a adesão de
uma grande parte do povo alemão;
No entanto a reivindicação do Lebensraum (espaço vital) iria
brevemente mergulhar o Mundo numa devastadora guerra;
Módulo 7, História A 67
2.2.2 O estalinismo
Em janeiro de 1924 morre Lenine.
A sua morte levou a uma luta pelo
poder no Partido Comunista da
qual saiu vencedor Josef Estaline
(1879-1953);
Os seus principais opositores
tinham sido Trotsky (ala esquerda)
e Zinoviev, Kamenev e Boukharine
(ala direita);
Até à sua morte em 1953, Estaline
será o chefe incontestado do
Partido e da URSS;
Módulo 7, História A 68
A sua tese defendia que a revolução devia ser consolidada na URSS,
contrária à de Trotsky que defendia a imediata internacionalização
da revolução proletária;
Após tomar o poder passou a controlá-lo de forma absoluta;
A sua política foi orientada para a transformação da URSS numa
potência mundial;
Em 1928 interrompeu a NEP e nacionalizou todos os setores da
economia soviética;
A coletivização e planificação da economia e a instauração de um
Estado totalitário foram as estratégias de Estaline;
Módulo 7, História A 69
A partir de 1929 a coletivização dos campos foi acelerada,
pois era considerada fundamental para libertar mão de obra
para a indústria;
Os kulaks (proprietários rurais) foram violentamente
afastados das suas terras. Cerca de 3 milhões foram
executados ou enviados para o “gulag” na Sibéria;
Módulo 7, História A 70
Gulag - um sistema de campos de trabalhos forçados para
criminosos, presos políticos e qualquer cidadão em geral que se
opusesse ao regime da União Soviética. Muitos prisioneiros
foram utilizados nas grandes obras públicas;
Módulo 7, História A 71
Eliminada a propriedade privada o Estado passa a ser o
detentor de todas as terras;
A exploração da terra foi organizada segundo dois modelos:
Kolkhoses – grandes propriedades agrícolas coletivas onde os
camponeses trabalhavam em regime cooperativo. A
administração da propriedade era controlada pelo partido;
Sovkhoses – grandes propriedades agrícolas dirigidas pelo
Estado, os trabalhadores recebiam um salário.
Módulo 7, História A 72
Apesar da resistência à coletivização por uma parte significativa dos
camponeses, os resultados foram satisfatórios e houve um
significativo aumento da produção agrícola;
A produção de trigo, açúcar, algodão e beterraba subiram;
O comércio foi organizado em torno de cooperativas de consumo
local e grandes armazéns estatais;
Módulo 7, História A 73
A produção industrial desenvolveu-se segundo uma rigorosa
planificação;
Foram estabelecidos planos quinquenais (metas para 5 anos);
O Estado decidia todo o desenvolvimento económico da URSS;
Módulo 7, História A 74
Primeiro Plano Quinquenal (1928-1932):
Procurou o desenvolvimento da indústria pesada para criar os
alicerces do desenvolvimento soviético. Fomentou a construção de
grandes complexos hidroelétricos, siderúrgicos, redes de
comunicação, exploração de matérias-primas e produção de
alimentos;
Recorreram a técnicos estrangeiros;
Utilizaram uma série de medidas para aumentarem a produtividade
como a caderneta de trabalho e despedimento por falta
injustificada;
Módulo 7, História A 75
Segundo Plano Quinquenal (1933-1937):
Ênfase na indústria ligeira e dos bens de consumo para
proporcionar uma melhor qualidade de vida às populações;
Terceiro plano quinquenal (1938 – interrompido em 1941 com a
entrada da URSS na II Guerra Mundial):
A prioridade foi dada às indústrias pesadas, setor energético e
indústrias químicas;
Módulo 7, História A 76
Os planos quinquenais elevaram a URSS ao estatuto de terceira
potência mundial, atrás dos EUA e da Alemanha;
Os planos quinquenais foram retomados depois de terminada a II
Guerra Mundial;
Módulo 7, História A 77
O sucesso dos planos quinquenais demonstraram a autoridade do
poder central, e só foi possível por:
Ter sido instaurada uma disciplina severa, com a imposição de
trabalhos forçados;
Deportação em massa de trabalhadores para onde eram
necessários;
Instituição de prémios para os melhores trabalhadores, por vezes
erigidos à categoria de heróis nacionais;
Fortes campanhas de propaganda onde foi estabelecido o culto a
Estaline;
Módulo 7, História A 78
Módulo 7, História A 79
O totalitarismo repressivo do Estado
O império russo era constituído por inúmeras nacionalidades e
povos diferentes;
A constituição da URSS pretendia reconhecer alguma autonomia a
esses povos e por isso foi constituída uma federação de repúblicas;
Com a morte de Lenine e a subida ao poder de Estaline, o
centralismo democrático evoluiu para uma ditadura, não do
proletariado como previa a teoria marxista, mas a ditadura do
Partido Comunista, e sobretudo a ditadura pessoal de Estaline;
Módulo 7, História A 80
Desde que assumiu o poder, em 1924, Estaline perseguiu todos os
que podiam fazer-lhe frente, inclusive dentro do próprio Partido
Comunista, eliminou todos os potenciais concorrentes;
Trotsky fugiu e muitos outros dirigentes foram presos e condenados
à morte em julgamentos encenados;
Módulo 7, História A 81
As regiões foram submetidas à russificação;
As liberdades individuais foram completamente suspensas;
A juventude era obrigada a aderir aos Pioneiros e depois à Juventude
Comunista;
Os sindicatos eram controlados pelo Partido Comunista;
Módulo 7, História A 82
Para as eleições para os sovietes só se podiam apresentar
candidatos sancionados pelo Partido;
Toda a economia era centralizada através da coletivização e da
planificação;
A produção cultural foi submetida à censura, e tinha o papel de
engrandecer o chefe, a Nação e o Partido;
Módulo 7, História A 83
Os partido foi sendo expurgado dos dirigentes do tempo de
Lenine;
O Partido Comunista foi-se transformando num partido de
quadros, jovens funcionários, que obedeciam cegamente a
Estaline;
É criada a NKVD, em 1934, a polícia política que substituiu a Tcheca,
em 1954 passará a ter o nome de KGB;
Módulo 7, História A 84
A crítica não é tolerada, mais de 2 milhões de cidadãos são enviados
para o “gulag” e 700 mil são executados;
Nem os membros do Partido e do Exército Vermelho escapam a esta
vaga repressiva, grande parte dos comandantes dos exército foram
mortos;
Módulo 7, História A 85
Em 1936 é publicada uma nova Constituição que confirma o Estado
totalitário que pouco diverge dos regimes totalitários de direita que
nos anos 20 e 30 grassavam na Europa;
Como outros regimes totalitários procurou a autarcia;
A URSS tornou-se um país de partido único;
Módulo 7, História A 86
Na URSS constituiu-se uma “nova aristocracia”, a dos funcionários
do partido (apparatchic), também designada de “nomemklatura”;
O poder do estado sustentava-se na violenta repressão e na
centralização política, cultural e económica;
Esta elite partidária punha em causa a ideia de Karl Marx de
igualdade social e de eliminação das classes sociais;
Módulo 7, História A 87
Foi criada uma máquina de propaganda com vista a “endeusar”
Estaline, criando um verdadeiro culto da personalidade, e à direção
do Partido Comunista;
Todas as manifestações de crítica são violentamente reprimidas;
São negados os direitos humanos e há o culto da violência;
Não há liberdade, a própria liberdade de circulação na URSS é
limitada pela existência de passaportes internos;
Módulo 7, História A 88
A Constituição de 1936 reforçou o poder do Partido Comunista,
Estaline, secretário-geral, passa a deter uma autoridade absoluta;
Estaline torna-se o “pai dos povos”, cultivando uma imagem
paternalista;
No entanto o regime era fortemente repressivo, a NKVD era “um
estado dentro do estado”, perseguindo toda a oposição;
Módulo 7, História A 89
2.3. A resistência das democracias liberais
2.3.1 O intervencionismo do Estado
A Grande Depressão provocou grandes convulsões políticas e
demonstrou as fragilidades do estado liberal;
Em muitos países as democracias foram derrubadas pelas forças
totalitárias;
Em alguns países como os EUA, a Grã-Bretanha e a França o regime
democrático resistiu mas adotou medidas mais intervencionistas
no âmbito económico e social;
Módulo 7, História A 90
A crise dos Anos 30 colocou em causa a teoria da livre circulação,
livre produção, livre iniciativa e livre concorrência, onde as crises
cíclicas eram entendidas como fenómenos de autorregulação do
mercado;
O economista britânico, John Maynard Keynes (1883-1946) colocou
em causa a capacidade de autorregulação dos mercados e da
economia capitalista;
Keynes recomendava um maior intervencionismo do Estado e uma
inflação controlada;
Intervencionismo do estado – papel ativo do Estado na economia,
publicando legislação económica, laboral e social;
Módulo 7, História A 91
Keynes defendia uma política de investimento do Estado (o Estado
deveria ser um ativo empregador) e de ajuda às empresas de forma
a promover o desenvolvimento e a diminuir o desemprego;
O keynesianismo consiste em ver o Estado a desempenhar um
papel ativo de organizador da economia, de investimentos em
vários setores (nomeadamente em grandes obras públicas) e de
regulador dos mercados;
Módulo 7, História A 92
O New Deal
Em 1932 foi eleito um novo
presidente nos EUA, Franklin
Delano Roosevelt (1882-1945);
Influenciado pelas teorias de
Keynes, Roosevelt propôs-se
acabar com a crise nos Estados
Unidos;
Desenvolveu um plano, em duas
fases, de intervencionismo do
Estado que ficou conhecido por
“New Deal”;
Módulo 7, História A 93
Primeira fase (1933-34):
São estabelecidas como metas o relançamento da economia e a
luta contra o desemprego e a miséria, isto é, ultrapassar os efeitos
da crise;
São adotadas rigorosas medidas financeiras que implicaram a
intervenção do Estado nas entidades financeiras e bancárias para
reorganizá-las e impedir a especulação;
O dólar foi desvinculado do padrão-ouro e desvalorizado em 41%,
o que diminuiu a dívida externa e fez subir os preços no mercado
interno;
Os lucros das empresas aumentaram;
Módulo 7, História A 94
Desenvolveu uma política de construção de grandes obras públicas
para combater o desemprego e promover o desenvolvimentos de
setores estruturantes da economia(construção de estradas,
barragens, aeroportos, habitações, escolas, etc.);
Módulo 7, História A 95
Criou campos de trabalho para os mais jovens promovendo a
rearborização de vastas áreas;
A publicação da “Agricultural Adjustment Act” promove a
proteção da agricultura concedendo empréstimos bonificados
aos agricultores bem como outras indeminizações;
Foram fixados preços mínimos e máximos de venda e quotas
de produção para evitar a concorrência desleal;
Módulo 7, História A 96
Segunda fase (1935-38):
Teve um cunho social, foi a construção do Welfare State (Estado
Social ou Estado Providência);
A Lei Wagner (1935) restabelece a liberdade sindical e o direito à
greve;
O Social Security Act (1935) estabeleceu a reforma por velhice e
invalidez, institui o fundo de desemprego e o auxílio aos pobres;
Módulo 7, História A 97
O Fair Labor Standard Act (1938) estabeleceu o salário mínimo e
reduziu o horário de trabalho para 44 horas semanais;
Estas medidas levaram ao aumento do poder de compra e ao
desenvolvimento da economia americana;
O Estado americano assumiu os ideais do Estado Providência na
qual o governo tem o papel de promover a segurança social de
modo a promover a felicidade e bem-estar dos seus cidadãos
Módulo 7, História A 98
Sociais, financeiras e económicas:
Horário semanal (35/40 horas);
Salário mínimo;
Liberdade sindical;
Desvinculação do dólar do padrão-ouro e desvalorização da
moeda;
Fixar preços mínimos para os produtos agrícolas e industriais;
Empréstimos aos agricultores a juros baixos;
Programa de grandes obras públicas (estradas, barragens,
hospitais, etc.;
Contratação de jovens desempregados para trabalhos florestais
e agrícolas;
Medidas do New Deal (resumo):
Módulo 7, História A 99
Medidas do New Deal (resumo):
Agrícolas e industriais:
Preços mínimos para os produtos industriais;
Estabelecimento de quotas de produção;
Aprovação da lei National Industrial Recovery Act (NIRA) que
estabelecia regras para a concorrência;
Indeminizações e empréstimos para agricultores;
Aprovação da lei Agriculture Adjustement Act (AAA) que
procurava manter o nível dos preços dos produtos agrícolas.
Módulo 7, História A 100
A Grã-Bretanha
A Inglaterra foi um dos países onde a crise de 1929 mais se sentiu;
No entanto os radicalismo totalitários de direita e de esquerda
nunca tiveram grande aceitação entre a população britânica;
A crise levou ao crescimento do Partido Trabalhista que criou um
Governo Nacional de coligação;
Módulo 7, História A 101
Inspirados pelo New Deal americano desenvolveram uma política
intervencionista do Estado;
Desenvolveram uma política protecionista de promoção dos
produtos nacionais e de reforçar as relações com os países da
Commonwealth;
Criaram também o Estado Providência;
Módulo 7, História A 102
2.3.2 Os governos da Frente Popular e a mobilização dos cidadãos
Nalguns países o avanço da extrema-direita levou à criação de
governos de coligação das forças democráticas desde o centro até à
esquerda mais radical, eram os governos de Frente Popular;
França:
A França, nos inícios dos anos 30, continuava a revelar grandes
dificuldades para ultrapassar a crise devido à insistência dos
governos de praticarem políticas deflacionistas;
A oposição de esquerda reivindicava a aplicação de medidas
keynesianas e a extrema-direita clamava por um governo mais
autoritário;
Módulo 7, História A 103
Uma manifestação de Ligas Nacionalistas (extrema-direita) em
fevereiro de 1934 levou à demissão do governo do Partido Radical;
Perante a ameaça da extrema-direita formou-se uma coligação que
integrou os partidos comunista, socialista e radical;
Apresentaram-se às eleições de 1936 que venceram, com o lema
“pelo pão, pela paz e pela liberdade”;
Os governos da Frente Popular, dirigidos pelo socialista, Léon Blum,
ocuparam o poder entre 1936 e 1938, os comunistas não
participaram nesses governos;
Desenvolveram uma política de forte intervencionismo do Estado;
Módulo 7, História A 104
Módulo 7, História A 105
Desvalorizaram a moeda francesa (franco) e tabelaram os preços de
alguns produtos essenciais;
Nacionalizaram o Banco de França e algumas dos setores industriais
fundamentais, como os transportes e o fabrico de armamento;
Desenvolveram a legislação social: criação de contratos coletivos de
trabalho, legalização dos sindicatos, aumentos salariais, redução do
horário de trabalho para 40 horas semanais e o direito dos
trabalhadores gozarem anualmente 15 dias de férias pagas;
Módulo 7, História A 106
Espanha:
Em fevereiro de 1936, triunfou nas eleições uma Frente Popular
(socialistas, comunistas, anarquistas e sindicatos operários);
Promulgaram legislação de caráter social e reformista:
separação entre a Igreja e o estado,
direito à greve, direito ao divórcio,
laicização do ensino,
direito à ocupação de terras não cultivadas,
aumento dos salários
e reconhecimento da autonomia do País Basco e da Catalunha;
Módulo 7, História A 107
Estas medidas provocaram a reação dos mais conservadores;
É constituída uma Frente Nacional que agrupava conservadores,
monárquicos e falangistas (fascistas);
Um levantamento militar chefiado pelo general Francisco Franco vai
mergulhar a Espanha numa violenta guerra civil entre 1936 e 1939;
Os franquistas (apoiantes do general Franco) tiveram o apoio militar
da Alemanha nazi e da Itália fascista e vão vencer a guerra;
Em 1939 inicia-se a ditadura franquista que irá perdurar até 1976;
Módulo 7, História A 108
Imagens da cidade basca de
Guernica, destruída pela
aviação alemã durante a guerra
civil espanhola;
Quadro pintado por Pablo
Picasso denominado
“Guernica” onde se denuncia a
destruição da cidade.
Módulo 7, História A 109
2.4 A dimensão social e política da cultura (não é de aprofundamento)
2.4.1 A cultura de massas
Nos inícios do século XX, nas grandes cidades, nasce a cultura de
massas;
É uma cultura destinada às grandes massas populacionais
predominantemente urbanas;
Distingue-se da cultura das elites por serem menos elaboradas e
menos sofisticadas;
Módulo 7, História A 110
A generalização do ensino e o desenvolvimento dos meios de
comunicação de massas (rádio, imprensa, cinema) contribuiu
para a homogeneização da cultura;
Esta cultura massificada, apoiada pelos governos democráticos
e divulgada pelos mass media, é uma cultura de evasão, o
objetivo é proporcionar a fuga ao quotidiano e divertimento;
Módulo 7, História A 111
Características essenciais da cultura de massas:
Democrática (os preços baixos garantem que pode ser consumida
pelas classes trabalhadoras);
Estandardizada e produzida em série (é um bem de consumo);
Efémera (destina-se a ser consumida de imediato);
Sem grandes preocupações literárias e estéticas;
Destina-se a divertir e ajudar a descontrair (depois de um dia de
trabalho);
Visa criar um estereótipo de cidadão da classe média (induz
valores, comportamentos e modas);
Módulo 7, História A 112
O cinema
Foi um dos principais veículos de que respondia à necessidade de
evasão da realidades das massas;
Em 1927, surgiu o cinema sonoro, em 1932, os filmes a cores;
O cinema nos seus múltiplos géneros (romance, ação, comédia, etc.)
leva o espetador a identificar-se com os seus “heróis da tela”;
Os media, veículos de evasão e de modelos socioculturais
Módulo 7, História A 113
Surge a vontade de imitar os atores na vida real;
Cria-se o “star system”, fomentado pela indústria
cinematográfica visa uniformizar os gostos da população, é
a estandardização de comportamentos;
Módulo 7, História A 114
A rádio
Afirmou-se a partir dos anos 20, e rapidamente se transformou no
mais importante e poderoso meio de informação;
A rádio é acessível em quase todos os lugares e a quase todas as
pessoas e, por isso, tornou-se imensamente popular;
A rádio transmite notícias, música, publicidade, eventos culturais e
desportivos, música, colóquios, debates, novelas, etc.;
Módulo 7, História A 115
A rádio vai contribuir para o esbater de diferenças, (por exemplo de
pronuncia entre as diversas regiões de um país), é um importante
veículo de homogeneização de cultura e comportamentos;
Os políticos rapidamente utilizam o rádio como uma forma de
divulgarem as suas ideias;
Na Alemanha, os nazis, utilizaram o rádio como uma forma de
fanatizar as multidões;
Módulo 7, História A 116
A imprensa
A imprensa de massas utiliza um vocabulário simples e atrativo,
frases curtas;
O livro torna-se um bem de consumo. Surgem novos géneros como
os romances cor-de-rosa, a banda desenhada, o romance policial;
Os jornais, fruto da cada vez maior alfabetização, aumentam as
suas tiragens;
Módulo 7, História A 117
Cria-se uma linguagem jornalística;
Muitas vezes recorrem a notícias sensacionalistas;
Nos jornais aparecem várias secções: desportiva, local, feminina,
entretenimento, etc.;
Também se divulgam as revistas com temáticas diversas;
Módulo 7, História A 118
Os grandes entretenimentos coletivos
A construção de grandes espaços e a crescente divulgação da rádio
e da imprensa levou a um espetacular crescimento do cinema, da
música ligeira e do desporto;
Desporto:
Alguns desportos tornaram-se gigantescos espetáculos e criaram
poderosas indústrias como o futebol (europeu e americano),
basebol (EUA), ciclismo, boxe e automobilismo;
Módulo 7, História A 119
Música ligeira:
Surgiram novos estilos e ritmos musicais beneficiando da
divulgação na rádio rapidamente alcançam uma divulgação
mundial;
Módulo 7, História A 120
Espetáculos noturnos:
As casas de espetáculos e diversão noturnas proliferam nas
grandes cidades, é uma forma de evasão do quotidiano;
O ritmo de vida acelerou, há uma liberalização dos costumes e
uma grande vontade de fuga da realidade do trabalho quotidiano
o que contribuiu para o crescimento deste tipo de espetáculos,
nomeadamente durante o fim de semana;
Módulo 7, História A 121
2.4.2 As preocupações sociais na literatura e na arte
A dimensão social na literatura e na arte
Surgiu a ideia, nos anos 20, que a arte e a literatura, para além de
um valor estético devem cumprir uma função social;
A crise económica de 1929 veio desenvolver essa ideia;
Módulo 7, História A 122
Entre as duas guerras surgiu uma literatura empenhada
socialmente, criticando os aspetos negativos da sociedade, tanto na
prosa como na poesia;
Bertolt Brecht (1899-1956) foi dramaturgo e poetas;
Aldous Huxley (1894-1963) publicou em 1932, “O Admirável Mundo
Novo”, uma obra profundamente crítica da desumanização da
sociedade industrial;
André Malraux (1901-1976) publicou a “Condição Humana” em
1933;
Módulo 7, História A 123
Nos EUA surgiram nomes como Ernest Hemingway (1899-1961),
que combateu na guerra civil espanhola ao lado dos republicanos
nas brigadas internacionais, John dos Passos (1896-1970) e John
Steinbeck (1902-1968);
Módulo 7, História A 124
Estes autores fazem parte da corrente neorrealista da literatura;
Esta corrente literária empenhou-se em denunciar os abusos da
sociedade capitalista e os graves problemas sociais provocados
pela crise económica;
O neorrealismo é um movimento empenhado politicamente;
Módulo 7, História A 125
Este movimento também se estendeu à pintura e surgem artistas e
obras de arte politicamente empenhadas;
Na URSS desenvolve-se uma arte figurativa e concreta, o Realismo
Socialista;
Após 1925, e passada a euforia criativa dos primeiros anos da
Revolução, o Estado Soviético, deixou de apoiar as vanguardas;
Módulo 7, História A 126
Institucionalizou uma arte académica e realista, de grande rigor
técnico;
Na temática exaltou o trabalhador anónimo, as grandes vitórias
do regime, tinha um carácter propagandístico;
Principais autores: Vera Múkhina, na escultura e Serguei
Gueressinov nas artes gráficas;
A linguagem realista foi a preferida pelos regimes ditatoriais que
se implantaram em vários países europeus (Alemanha, Itália,
Portugal, etc.);
Era a produção de uma arte para as massas e com um forte pendor
propagandístico;
A arte era controlada e censurada
Existia uma arte e uma estética oficial do regime;
Módulo 7, História A 127
Nos restantes países europeus e americanos, a tendência realista
desenvolveu-se de uma forma mais livre e pessoal, o Realismo
Social ou Neorrealismo;
Módulo 7, História A 128
A temática estava direcionada para a
intervenção político -social:
Desmascarar a sociedade burguesa,
as injustiças e os sofrimentos ocultos;
Exaltar o povo trabalhador,
valorizando as suas tarefas e a sua
cultura;
Combater os regimes burgueses e
ditatoriais;
Lutar em prol do pacifismo e do
anticolonialismo; Dix, Retrato de JornalistaMódulo 7, História A 129
As formas de concretização plástica revestiram uma maior
diversidade pessoal e um cunho modernista, utilizando linguagens
pictóricas próximas das vanguardas estéticas deste período: o
Cubismo, o Expressionismo, o Pós-Dadaísmo, o Surrealismo, etc.;
Esta corrente deixou marcas no percurso artístico de alguns dos
maiores vultos pintura europeia como em Picasso e outros;
Módulo 7, História A 130
Otto Dix, Retrato dos
pais do artista
Módulo 7, História A 131
Guttuso, Ocupação de terras
Módulo 7, História A 132
Sahn, As Mulhers dos
Mineiros (pormenor)
Módulo 7, História A 133
Siqueiros, A marcha da Humanidade, mural
Módulo 7, História A 134
Módulo 7, História A 135
O funcionalismo na arquitetura
Numa Europa destruída pela guerra era necessário construir de
forma rápida, barata mas digna;
Surgiu o funcionalismo na arquitetura, uma corrente que pensa
que a ideia central na conceção de um edifício deve ser a sua
função;
Existiram duas correntes fundamentais: a europeia, mais
interessada na racionalidade das formas, e a americana, mais
humanizada de cariz organicista;
Em 1919, na Alemanha, surgiu a Bauhaus (Casa das Artes), uma
escola de artes;
Propunha a integração entre as artes aplicadas e as belas-artes;
Desenvolveu o conceito de design industrial;
Módulo 7, História A 136
Módulo 7, História A 137
Módulo 7, História A 138
Tinha um projeto pedagógico inovador:
Trabalho de equipa;
Interação entre a teoria e a prática;
Aplicam o conceito de unidade das artes;
Grande liberdade de criação e conceção;
Reunia no mesmo projeto de ensino a Arquitectura, o Design, as
Artes Plásticas, as Artes Decorativas, as Artes Decorativas, o
Cinema, a Fotografia, o Ballet, etc.;
Jucker, candeeiro, 1924
Breuer, cadeira, 1923
Módulo 7, História A 139
Gropius, Escola da Bauhaus, 1925
Módulo 7, História A 140
Gropius, bairro residencial, 1927
Módulo 7, História A 141
Gropius, casa
Módulo 7, História A 142
Mies van der Rohe procurou soluções técnicas avançadas com base
no esqueleto estrutural em aço;
Utilizou materiais sumptuosos (mármore e vidro);
Simplicidade estrutural dos exteriores e interiores;
Afirmava: “em arquitectura menos é mais”;
Módulo 7, História A 143
Módulo 7, História A 144
Van der Rohe, Casa Hermann, 1928
Van der Rohe, Pavilhão alemão, Exposição Universal de Barcelona,
projecto de 1929, reconstrução 1986
Módulo 7, História A 145
Com o encerramento da Bauhaus, em
1933, pelos nazis, van der Rohe, como
muitos outros artistas, intelectuais e
cientistas alemães, emigrou para os EUA,
onde vai contribuir para o
desenvolvimento do Estilo Internacional
com estruturas como o edifício Seagram
em Nova Iorque;
Módulo 7, História A 146
Em 1918 começa a destacar-se um nome na arquitetura
europeia, o suíço, Charles-Édouard Jeanneret (1887-1965), mais
conhecido por “Le Corbusier”;
Principais obras:
Aprés le Cubisme, 1918;
Para uma nova Arquitectura, 1923;
O Modulor, 1924;
Revista L’Esprit Nouveau, 1920;
Módulo 7, História A 147
Dentro do espírito do racionalismo funcionalista propôs a
aliança entre a arquitetura e indústria;
Na procura de uma construção que respondesse, de forma
técnica, racional e materialista, aos problemas das sociedades do
seu tempo;
Defendeu uma arquitetura prática, liberta de individualismos e
sentimentalismos fantasistas, preocupada com a economia de
meios e de gastos e socialmente comprometida;
Apostada em encontrar soluções viáveis para, com qualidade e
economia, resolver os problemas de habitação coletiva nas
grandes
Módulo 7, História A 148
Le Corbusier, cidade
refúgio
Módulo 7, História A 149
Le Corbusier,
Quartiers
Modernes de
Frugès
Desenvolveu estudos sobre os comportamentos coletivos, e de
ergonomia e proporcionalidade (tomaram por medida o corpo
humano), para matematização dos espaços e produção de bens de
equipamento;
Módulo 7, História A 150
Le Corbusier, Dom-Ino
As ideias de Le Corbusier foram materializadas, pela primeira
vez, na construção da Casa Dom-Ino (1914)
Módulo 7, História A 151
Enunciou os princípios fundamentais da arquitetura funcionalista:
Construção apoiada em pilotis (pilares), colocados livremente em
relação à planta, servindo para sustentar e isolar o edifício de
humidades;
Tetos planos com terraços e jardins na cobertura;
Plantas de andar totalmente livres;
Fachadas de composição livre;
Janelas colocadas em longas faixas horizontais;
Módulo 7, História A 152
Le Corbusier, Niemeyer e Lúcio Costa, Ministério da Educação do
Brasil
Módulo 7, História A 153
Projetou espaços urbanísticos funcionalistas;
As suas teorias urbanísticas estão no livro A Cidade Radiosa
(1930);
As ruas cruzavam-se ortogonalmente e existiam 3 zonas
diferenciadas: trabalho, lazer e residência;
Le Corbusier, projeto urbanístico
Módulo 7, História A 154
Óscar Niemeyer (1907-2012) e Lúcio Costa (1902-1998)
inspiraram-se nestes estudos para a construção da cidade de
Brasília;
Módulo 7, História A 155
Módulo 7, História A 156
As conceções racionalistas e funcionalistas de Le Corbusier, de
Gropius e Mies van der Rohe, foram amplamente divulgadas e
expandidas pelos CIAM (Congressos Internacionais de Arquitetura
Moderna) que, a partir de 1928, se realizaram em várias cidades
europeias;
A ética dos CIAM, patenteada na Carta de Atenas, de 1933, norteou
a reconstrução das cidades europeias no pós-Segunda Guerra
Mundial;
Tónica na construção habitacional em torre e nos princípios
urbanísticos de Le Corbusier;
Contribuíram para organizar o chamado Estilo Internacional;
Módulo 7, História A 157
A partir dos anos 30, surge uma primeira reação ao funcionalismo
racionalista da arquitetura europeia;
Módulo 7, História A 158
Wright, Casa Robbie
Resposta a uma evolução demasiado tecnológica, a arquitetura
procurava vias mais humanas e sensitivas, que evidenciassem
preocupações com o ambiente circundante e respeitassem as
tradições locais, a nível do uso de materiais e das técnicas
construtivas;
Módulo 7, História A 159
Destaca-se o trabalho do arquiteto americano Frank Lloyd Wright
(1869-1959), que iniciou a sua atividade cerca de 1890, junto da
Escola de Chicago;
Wright desenvolveu uma arquitetura organicista onde:
As divisões da planta não resultavam da “divisão distributiva do
volume”, mas integravam-se umas nas outras, como num
sistema vivo (orgânico) coerente;
Módulo 7, História A 160
Módulo 7, História A 161
Wright, Casa Charles
Ennis
O espaço arquitetónico é concebido como expressão da
própria vida do homem que o habita, obedece à escala
humana;
Os aspetos estruturais, espaciais e mesmo decorativos da
sua arquitetura têm uma função orgânica, de modo a
adaptarem-se à vida como organismos vivos da natureza;
Módulo 7, História A 162
Wright, Casa da Cascata
Módulo 7, História A 163
Wright, Casa da Cascata (Modelo)
Módulo 7, História A 164
Wright, Museu Guggenheim
Módulo 7, História A 165
Ligada a esta conceção organicista e mais sensitiva da arquitetura
está o arquiteto finlandês Alvar Aalto (1898-1976);
Procurou uma arquitetura integrada que respeitasse o ambiente e as
“necessidades psicológicas” do Homem;
As ideias de Aalto dominaram toda a escola nórdica de arquitetura,
nos anos 50, exerceu importante influência noutros países da
Europa;
Módulo 7, História A 166
Módulo 7, História A 167
Aalto, Villa Mairea
Sanatório Paimio
Centro Municipal, Finlândia
Módulo 7, História A 168
2.4.3 A cultura e o desporto ao serviço dos Estados
As ditaduras utilizaram a cultura e o desporto como forma de
fazerem propaganda do regime;
O desporto, cada vez mais divulgado entre as massas, tornou-se
um veículo fundamental de propaganda para os regimes, mesmo
nos países democráticos;
O desporto era uma forma de demonstrar a superioridade da
Nação;
Módulo 7, História A 169
Em 1936, os nazis organizaram os Jogos Olímpicos como uma forma
de demonstrar a superioridade da raça ariana;
Estes jogos foram dominados por um atleta negro norte-americano,
Jesse Owens, que ganhou 4 medalhas de ouro;
Uma humilhação para Hitler que se recusou a comparecer nas
cerimónias de entrega de medalhas a Owen;
Módulo 7, História A 170
Módulo 7, História A 171
2.5 Portugal: O Estado Novo
2.5.1 O triunfo das forças conservadoras; A progressiva adoção do
modelo fascista italiano nas instituições e no imaginário político
No dia 28 de maio de 1926 um golpe de estado militar pôs fim à
Primeira República e instituiu uma ditadura militar que se vai
manter no poder até 1932-33;
Os sucessivos governos não conseguiram “regenerar a pátria” e a
situação económica continuava a degradar-se;
Módulo 7, História A 172
Os militares revelavam uma
grande impreparação para
governarem o país;
Em 1928, um professor de
Finanças e Economia Política da
Universidade de Coimbra é
convidado para ministro das
Finanças;
Módulo 7, História A 173
Salazar aceitou o convite mas impôs que seria ele superintender as
despesas de todos os ministérios;
Levou a cabo uma política austeridade e de forte contenção das
despesas públicas e aumentou gradualmente os impostos;
Conseguiu apresentar um saldo positivo no Orçamento, o que foi
logo apelidado de “milagre”;
Em 1932, é nomeado para a chefia do governo e chama para os
diversos ministérios personalidades conservadoras da sua total
confiança;
Módulo 7, História A 174
Entre 1930 e 1933 foram construídas as bases do Estado Novo:
1930: Foi publicado o Ato Colonial e criado o partido único (União
Nacional (UN));
1933 – Promulgado o Estatuto do Trabalho Nacional e, aprovada
em plebiscito, a Constituição de 1933.
Módulo 7, História A 175
O objetivo central de Salazar era instituir uma nova ordem política;
Em 1930 é criada a União Nacional (único partido legal);
Ainda nesse ano foi publicado o Ato Colonial que determinava
que conjunto dos territórios possuídos pelos portugueses
passaram a denominar-se Império Colonial Português, em 1933 é
incorporado na Constituição;
O Ato Colonial limitou a autonomia financeira e administrativa das
colónias;
Em 1933 foi publicado Estatuto do Trabalho Nacional, inspirado na
“Carta del Lavoro” italiana. Nesta lei os sindicatos e as greves são
proibidas e são criadas as corporações;
Módulo 7, História A 176
Em 1933 é aprovada, em
plebiscito, uma nova
Constituição. A sua aprovação
marca o nascimento do
Estado Novo e põe fim à
época da ditadura militar;
A Constituição de 1933
consagrou a criação de um
Estado Corporativo;
Módulo 7, História A 177
Os principais pontos da Constituição eram:
Unificar todas as Colónias numa só Nação;
Estabelecer um Governo de ideologia nacionalista, e centralizar o
poder nas Forças Armadas;
Criar uma Assembleia Nacional de partido único em moldes
nacionalistas;
Juntar a Presidência com o Conselho de Ministros dando ao Poder
Executivo uma "força gigantesca";
A Constituição previa o voto universal e direto, mas na prática nunca
existiram eleições livres durante o Estado Novo;
Módulo 7, História A 178
Dar à Presidência da República o poder de legislar por força de
Decretos-lei;
Militarizar os órgãos públicos, fixando as Forças Armadas no poder
do controlo nacional;
Criar uma Câmara Corporativa para fixar as ideologias nacionais;
O Estado era uma República Corporativa concebido de forma
unitária regional, incorporando as "províncias ultramarinas", ou seja,
as colónias portuguesas, consagrando o ideal de Salazar de preservar
o império português "do Minho a Timor“;
Na revisão de 1951, o Ato Colonial foi retirado da Constituição .
Adaptado de http://pt.wikipedia.org/wiki/Constitui%C3%A7%C3%A3o_de_1933
Módulo 7, História A 179
O Estado Novo é um regime fortemente conservador e autoritário,
que se aproximou das conceções fascistas do Estado italiano;
O Estado Novo rejeitou o sistema democrático e parlamentar;
O poder executivo era detido pelo Presidente da República mas o
verdadeiro poder era exercido pelo governo, na pessoa do seu
chefe, o Presidente do Conselho de Ministros (cargo ocupado por
Salazar);
Módulo 7, História A 180
Este tinha o poder de nomear e exonerar ministros, podia legislar
e ainda vetar as decisões do Presidente da República;
Tinha de submeter as propostas de lei a uma Assembleia Nacional
que era constituída unicamente por deputados da União Nacional;
O regime era um presidencialismo bicéfalo na qual o Presidente
do Conselho de Ministros sobrepunha-se ao Presidente da
República;
Módulo 7, História A 181
O chefe era o interprete do
superior interesse da nação;
Salazar era apresentado como o
“Salvador da Pátria”;
Módulo 7, História A 182
Era a figura central do regime e existia um culto da personalidade;
Cultivava uma imagem de sobriedade e austeridade, muito
diferente da imagem de Hitler ou Mussolini;
No entanto a suas ideias são decalcadas dos regimes fascistas,
sobretudo do italiano;
Módulo 7, História A 183
O Estado Novo português distinguiu-se dos outros fascismos pelo
seu carácter conservador e tradicionalista;
O seus valores fundamentais eram Deus, Pátria, Família, Autoridade,
Paz Social, Hierarquia, Moralidade e Austeridade;
Módulo 7, História A 184
Módulo 7, História A 185
A sociedade industrial e urbana era considerada a fonte de todos
os vícios e por isso exaltava-se o mundo rural como exemplo de
virtude e de moralidade;
A religião católica é definida como a religião da Nação portuguesa;
A mulher tinha um papel passivo na sociedade. A mulher ideal era
uma esposa carinhosa e submissa e uma mãe sacrificada e
virtuosa;
Módulo 7, História A 186
Módulo 7, História A 187
Módulo 7, História A 188
A família ideal portuguesa era
católica, de moralidade austera,
repudiava os vícios da vida urbana;
A mulher não deveria trabalhar fora
de casa, o seu papel era de dona de
casa;
O trabalho fora de casa da mulher era
entendido como uma ameaça à
estabilidade do lar;
Módulo 7, História A 189
O Estado Novo exaltou o nacionalismo;
Um dos slogans mais repetidos era “Tudo pela Nação, nada contra
a Nação”;
Portugal era uma Nação de heróis, do “Minho a Timor”. A História
demonstrava a grandeza da Nação portuguesa;
Os Descobrimentos determinaram que Portugal tivesse
desempenhado um papel evangelizador e civilizacional notáveis,
na ótica salazarista;
Módulo 7, História A 190
Outro aspeto sublinhado pelo regime era a “perfeita integração
racial” dos povos no Império português;
Módulo 7, História A 191
O Estado Novo pretendia ter uma imagem diferente dos outros
regimes totalitários, as suas manifestações racistas, o “espalhafato”
dos chefes. Salazar via nestes factos como uma manifestação de
paganismo;
Módulo 7, História A 192
O Estado Novo pretendia ser o
defensor da moral cristã e das
tradições portuguesas;
Há uma exaltação dos valores
culturais tradicionais e a recusa
do modernismo estrangeiro;
Os heróis portugueses são
exaltados;
A Escola desempenhou um papel
fundamental na transmissão dos
valores do Estado Novo;
Módulo 7, História A 193
O Estado Novo afirma-se antiliberal, antidemocrático e
antiparlamentar;
Para Salazar a Nação era vista como um todo e não um grupo de
indivíduos isolados;
Dessa ideia derivava que a Nação se sobrepunha ao direitos de
liberdade individual e que os partidos representavam ideias de
grupos de indivíduos e por isso era contrário aos interesses da
nação;
O Estado Novo era contra a separação dos poderes do Estado
(executivo, judicial e legislativo) e via num poder executivo forte a
garantia da existência de um Estado forte e autoritário;
Módulo 7, História A 194
A Constituição de 1933 atribuiu vastos poderes ao Presidente da
República e, sobretudo, ao Presidente do Conselho de Ministros;
O Presidente do Conselho de Ministro podia nomear e exonerar
ministros, promulgar leis através de decretos-leis, e inclusive vetar
as decisões do Presidente da República;
A Assembleia Nacional limitava-se a aprovar as propostas de lei
enviadas pelo governo;
Salazar foi transformado na figura do chefe providencial que tinha
salvo Portugal da bancarrota, era o “Salvador da Pátria”;
Módulo 7, História A 195
O Estado Novo propôs o corporativismo como modelo de
organização económica, social e política do país;
No corporativismo o país era representado pelas famílias e pelas
pessoas agrupadas pelas funções que desempenhavam;
Todos os indivíduos e organizações contribuíam para o bem comum;
Módulo 7, História A 196
O Estado Novo, com a publicação do Estatuto do Trabalho Nacional
adotou o corporativismo;
Foi criada a Câmara Corporativa que tinha funções consultivas;
Módulo 7, História A 197
Estrutura do Estado Corporativo:
Corporações: integravam os setores económicos, assistência e
caridade e culturais;
Federações, Uniões e Grémios: associações nacionais ou regionais
que agrupavam trabalhadores e patrões;
Sindicatos Nacionais: agrupavam os trabalhadores por por
profissões;
Casas do povo: agrupavam os agricultores por freguesias;
Casas dos Pescadores: agrupavam os pescadores por freguesias;
Módulo 7, História A 198
O corporativismo aboliu os sindicatos livres;
Através da regulação corporativa definiam-se salários e quotas de
produção;
Era uma forma de organização económico-social;
A Câmara Corporativa tinha funções consultivas;
A estrutura corporativa era composta por vários organismos:
Corporações (setores económicos e culturais);
Casas do Povo (agricultores);
Casa dos Pescadores;
Sindicatos Nacionais;
Módulo 7, História A 199
As corporações incluíam as universidades, as Casas do Povo,
hospitais, Sindicatos Nacionais, etc.;
Toda a estrutura económica, social, cultural e política do país
estava organizada em corporações;
Módulo 7, História A 200
Os Sindicatos Nacionais organizavam os trabalhadores e os Grémios
os patrões;
Existiam as Casas do povo para organizar patrões e trabalhadores
rurais, Casas dos Pescadores, etc.;
Havia corporações assistenciais, culturais, etc.;
Todos estes organismos elegiam uma Câmara Corporativa que era
um órgão consultivo e emitia pareceres sobre os projetos de lei a
apresentar à Assembleia Nacional;
Módulo 7, História A 201
Uma das explicações para a longevidade do regime tem que ver
com as instituições e processos criados para enquadrar as massas
na ideologia do regime;
Em 1930 nasceu a União Nacional, o partido que sustentava o
regime, o único legal;
Em 1933 é criado o Secretariado da Propaganda Nacional (SPN),
dirigido por António Ferro;
O SPN teve um papel importante não só na publicitação do regime
mas também na criação de uma arte estereotipada que estivesse
de acordo com a ideologia do regime;
Módulo 7, História A 202
Módulo 7, História A 203
Todos os funcionários eram obrigados a fazer prova da sua
fidelidade ao regime através de um juramento, onde se jurava
estar de acordo com o ideário da Constituição de 1933 e se
repudiava o comunismo e outras ideias subversivas;
Em 1936 foi criada a Legião Portuguesa, era uma milícia do
regime, os seus membros tinham treino militar;
No mesmo ano é criada a Mocidade Portuguesa, todos os alunos
do ensino primário e secundário tinham de se inscrever, o
objetivo era catequizar a juventude no ideário do regime;
Estas organizações foram copiadas das suas congéneres italianas,
os seus membros tinham uniforma próprio;
Módulo 7, História A 204
Módulo 7, História A 205
O ensino foi controlado. Os professores que não eram adeptos do
regime foram expulsos;
Os manuais escolares eram únicos e controlados pelo regime;
Na revisão da Constituição de 1935 o ensino passou a estar ligado
aos “princípios da doutrina e da moral cristãs”;
Em 1935, foi fundada a Fundação Para a Alegria no Trabalho
(FNAT), inspirada na Dopolavoro italiana e na Kraft durch Freud
alemã, pretendia controlar os tempos livres dos trabalhadores;
A organização “Obras das Mães para a Educação Nacional”, foi
criada em 1936;
Módulo 7, História A 206
O aparelho repressivo do Estado
Como todos os regimes ditatoriais o Estado Novo criou um aparelho
repressivo com o objetivo de se manter no poder;
Módulo 7, História A 207
Foi criada uma Censura Prévia para os media, livros, cinema,
rádio, televisão, ou seja para todas as publicações portuguesas,
o objetivo era controlar o que os portugueses poderiam
conhecer e saber;
Em 1933 foi criada uma polícia política, Polícia de Vigilância e
de Defesa do Estado (PVDE), rebatizada em 1945 de Polícia
Internacional de Defesa do Estado (PIDE) e 1969 passou a
chamar-se Direção Geral de Segurança (DGS);
Módulo 7, História A 208
A polícia política perseguiu, prendeu,
torturou e assinou os opositores do
regime com especial ênfase nos
militantes e simpatizantes do Partido
Comunista Português;
As pessoas detidas pela polícia
política não tinham direito a um
julgamento justo, por vezes eram
mantidas prisioneiras em condições
degradantes;
Módulo 7, História A 209
Ficaram célebres as prisões de Peniche e Caxias e na Ilha de
Santiago, em Cabo Verde, o campo de concentração do Tarrafal;
Módulo 7, História A 210
2.5.2 Uma economia submetida aos imperativos políticos
Submeter toda a riqueza e produção portuguesa aos interesses do
Estado estava definido na Constituição de 1933;
A política económica do estado Novo caracterizou-se pelo
protecionismo e intervencionismo com o objetivo de alcançar a
autossuficiência do país;
A estabilidade financeira foi a prioridade de Salazar;
Quando assumiu o cargo de ministro das Finanças, em 1928, limitou
os gastos e aumentou os impostos, o que lhe permitiu equilibrar a
balança comercial portuguesa;
Módulo 7, História A 211
Aumentou as taxas alfandegárias sobre as importações;
A neutralidade de Portugal durante a II Guerra Mundial ajudou a
manter o equilíbrio das contas;
Aumentaram as exportações, como por exemplo o volfrâmio (metal
fundamental para o fabrico de munições);
Aumentaram as reservas de ouro permitindo que Portugal
alcançasse a estabilidade monetária;
Módulo 7, História A 212
Este êxito foi aproveitado pelo regime para o apelidar de “milagre
económico”;
No entanto a sua política de austeridade e contenção das
despesas manteve uma parte importante do país sem acesso às
condições mínimas de vida (água canalizada, eletricidade,
estradas, ensino, saúde, etc.);
Módulo 7, História A 213
O “milagre financeiro” de Salazar consistiu na prática em aumento
de impostos:
Vários impostos denominados de “salvação nacional” sobre os
funcionários públicos, sobre vários produtos (gasolina, açúcar,
etc.);
Imposto complementar sobre os rendimentos;
Imposto sobre os rendimentos das profissões liberais;
Revisão da contribuição predial e industrial;
Aumento das taxas alfandegárias;
Módulo 7, História A 214
A importância da ruralidade
Nos anos 30 e 40 Salazar levou a acabo uma política económica
assente no mundo rural;
Era um elemento central da ideologia e uma parte importante dos
apoiantes do regime eram grandes proprietários rurais;
Construíram-se barragens para promover a irrigação dos solos;
Em 1936 foi criada a Junta de Colonização Interna que tinha o
objetivo de povoar os baldios e terrenos públicos;
Realizou-se uma política de arborização de alguns terrenos;
Módulo 7, História A 215
O Estado Novo fomentou a
cultura da vinha e deram-se
progressos nas culturas do arroz,
azeite, cortiça, frutas e batata;
Módulo 7, História A 216
A maior campanha foi a Campanha do
Trigo, inspirada na “Batalha do trigo”
italiana que se iniciou em 1929 e
decorreu nos anos 30;
Procurou alargar-se a área cultivada,
nomeadamente no Alentejo;
O governo comprava a produção aos
agricultores (o mercado do trigo era
estatal) e estabeleceu o protecionismo
alfandegário ;
Módulo 7, História A 217
Esta campanha conseguiu que o país fosse autossuficiente em
termos de produção cerealífera;
Esta campanha promoveu o fabrico de adubos, de maquinaria e deu
emprego a milhares de portugueses;
Apesar de o início da II Guerra Mundial ter trazido o reinício das
importações de cereais, esta campanha foi uma das “bandeiras” do
regime;
De facto esta campanha foi um fracasso parcial pois muitos dos
novos solos utilizados no cultivo cerealífero revelaram-se
inadequados e esgotaram-se rapidamente;
Módulo 7, História A 218
O regime apresentou a Campanha do Trigo como a “sublime
dignificação da lavoura nacional” e considerava-a “a indústria mais
nobre e a mais importante de todas as indústrias e o primeiro fator
de prosperidade económica da Nação”;
Módulo 7, História A 219
A política de obras públicas desenvolvida pelo Estado Novo, tal
como o que aconteceu na Itália ou na Alemanha, tinha como
objetivo central dar uma imagem nacional e internacional de
modernização do país e resolver o problema do desemprego;
Em 1930 é promulgada a Lei de Reconstituição Económica que vai
impulsionar a execução de obras públicas;
Iniciaram um programa de construção de estradas, de ponte;
Módulo 7, História A 220
Desenvolveram as redes telefónica e telegráfica;
Expandiram a eletrificação do país, construíram hospitais, escolas,
etc.;
O programa de obras públicas, durante os anos 30 e 40, foi dirigido
pelo Eng. Duarte Pacheco, ministro das Obras Públicas.
Módulo 7, História A 221
O condicionamento industrial
O ministro das Obras Públicas, Eng. Duarte Pacheco, empreendeu
um vasto programa de obras públicas, sobretudo de infraestruturas;
Perante o “ruralismo do regime” a indústria não constituiu uma
prioridade para o Estado Novo;
Existiam vários constrangimento ao desenvolvimento industrial
como a deficiente rede de comunicações, tecnologia antiga, níveis
de produtividade baixos, salários baixos, falta de iniciativa dos
investidores, nível de importações bastante alto;
A percentagem de trabalhadores industrial era muito baixo ainda em
1940 representavam apenas 22% da população ativa;
Módulo 7, História A 222
O fraco crescimento industrial teve que ver com a política de
condicionamento industrial levada a cabo pelo Estado Novo, em
especial, na década de 30;
As iniciativas empresariais deviam enquadrar-se num modelo
económico definido pelo governo;
As indústrias de muito setores (adubos, cimentos, tabaco, fósforos,
etc.) precisavam de autorização do Estado para abrirem, efetuar
ampliações, mudar de local, ser vendida a estrangeiros ou para
comprar novas tecnologias;
A liberdade económica era submetida aos interesses de um Estado
fortemente dirigista e intervencionista;
Módulo 7, História A 223
Os objetivos principais do regime ao praticarem esta política
dirigista era controlarem a indústria nacional;
Por outro lado procurava equilibrar os variados interesses dos
capitalistas e evitar o crescimento de proletariado urbano que era
considerado perigoso pelo Estado Novo;
Era ainda uma consequência da ideologia salazarista que era
ruralista, anti urbana, anti-industrial;
Módulo 7, História A 224
Esta política levou a um forte condicionamento de crescimento e
modernização da indústria portuguesa que manteve níveis
tecnológicos e de produtividade muito baixos;
Cresceram grandes companhias monopolistas favorecidos por esta
política estatal tornando-se num dos grandes suportes do regime;
Módulo 7, História A 225
Em 1933, inspirado na Carta do trabalho Italiano, o Estado Novo
publicou o Estatuto do Trabalho Nacional;
Esta lei determinava que nas várias profissões das diversas
atividades económicas os trabalhadores deveriam ser organizados
em Sindicatos Nacionais e os patrões em Grémios, só era excluída a
Função Pública;
Módulo 7, História A 226
Grémios e os Sindicatos Nacionais eram agrupados em
federações, uniões e finalmente em corporações;
As negociações salariais eram feitas nestas corporações que
estabeleciam contratos coletivos de trabalho, normas e quotas de
produção, o Estado funcionava com árbitro nessas negociações;
A greve e o lock-out estavam proibidos;
Módulo 7, História A 227
Houve alguma resistência na adesão dos trabalhadores aos
Sindicatos Nacionais;
Logo em janeiro de 1934, quando foram proibidos os
sindicatos e as reivindicações laborais surgiram várias greves
dirigidas fundamentalmente pelo Partido Comunista;
Módulo 7, História A 228
As confrontações atingiram o auge
quando no dia 18 de janeiro, na
Marinha Grande, os operários
vidreiros ocuparam o posto da
GNR local e proclamaram um
“soviete local”;
Esta greve foi reprimida
violentamente pelo Estado Novo
que continuou com a
corporativização dos sindicatos
sem nunca ter tido uma grande
adesão por parte dos
trabalhadores;
Módulo 7, História A 229
A política colonial
Módulo 7, História A 230
Para o Estado Novo as colónias eram um elemento fundamental para
a política de nacionalismo económico e ao mesmo tempo eram um
meio de fomentar o orgulho nacionalista;
Serviam para escoar os produtos portugueses e forneciam matérias-
primas a baixo custo;
Eram um dos temas da propaganda do regime, enaltecendo a
coragem dos Descobrimentos portugueses e louvando a missão
civilizadora de Portugal no Ultramar;
Em 1930 foi publicado o Ato Colonial onde eram definidas as
relações de dependência das colónias em relação ao governo
central;
Módulo 7, História A 231
Esta decreto colocou fim às experiências de descentralização
administrativa e abertura a investimentos estrangeiros iniciada
durante a Primeira República;
Módulo 7, História A 232
As populações nativas, tidas como inferiores, foram largamente
segregadas;
O Estado Novo proclamou a sua vocação colonial e procurava incutir
na povo português uma mística imperial;
Foram organizados vários congressos e exposições para
propagandear essa ideia;
Módulo 7, História A 233
Destacam-se as I Exposição Colonial Portuguesa (Porto, 1934) e a
Exposição do Mundo Português (Lisboa, 1940);
Módulo 7, História A 234
Princípios do colonialismo português das décadas de 40 e 50:
É um sistema imperial;
As colónias estão subordinadas à metrópole e são parte integrante
do território português;
Portugal apresenta uma vocação evangelizadora e civilizadora;
O colonialismo protege os povos indígenas que que gozam de
estatuto diferente conforme o grau de evolução;
Existe uma complementaridade económica entre a metrópole e as
colónias;
Centralização administrativa;
Módulo 7, História A 235
2.5.3 O projeto cultural do regime
O projeto cultural do Estado Novo foi submetido aos interesses do
Estado;
A produção artística e literária foi controlada pelo regime,
nomeadamente com a criação da comissão de censura;
Os interesses do Estado Novo, em termos culturais eram evitar que
os intelectuais pudessem colocar em causa o regime e dinamizar
a produção cultural de propaganda do Estado e da grandeza de
Portugal;
Módulo 7, História A 236
O Estado Novo concebeu um plano que fez de intelectuais e artistas
um instrumento na divulgação e propaganda do regime;
Este projeto cultural chamou-se “Política do Espírito”, pois
pretendia elevar a mente dos portugueses e alimentar a sua alma;
Este projeto levado a cabo pelo Secretariado da Propaganda
Nacional (SPN), dirigido por António Ferro (1895-1956);
Módulo 7, História A 237
Ferro foi jornalista e amigo de alguns modernistas portugueses,
participou na revista Orpheu e, ao mesmo tempo, admirador de
Mussolini e Salazar, e por isso mesmo uma das figuras mais
controversas do regime;
Ferro convenceu o ditador português da importância das
manifestações culturais para o regime se mostrar à população;
Módulo 7, História A 238
Ferro pretendeu conciliar duas posições opostas sobre o que deve
ser um projeto cultural: conservadorismo e vanguarda;
Ferro pretendia afirmar Portugal internacionalmente através de um
programa de desenvolvimento das artes, da literatura e das ciências
submetidos a uma ideologia retrógrada;
O SPN desenvolveu um programa de regeneração do espírito
português completamente vigiado e monitorizado pela censura;
As artes deviam ter o papel de inculcar no povo o amor pela Pátria,
o culto dos heróis, as virtudes da família e a importância da religião
cristã;
Módulo 7, História A 239
Esta cultura nacionalista deveria evidenciar uma estética moderna;
O SPN organizou várias exposições, comemorações, salões de
pintura, prémios literários, congressos científicos, todos
organizados com grande publicidade no sentido de engrandecer o
regime;
Também organizaram manifestações de carácter popular: festas,
marchas, concursos e, em termos cinematográficos, foram
realizadas várias comédias;
Todos os autores e artistas que não se enquadravam dentro destes
ideais eram censurados e perseguidos;
Módulo 7, História A 240
Realização de grandes eventos oficiais para promoção do regime:
Exposição Colonial do Porto (1934) ou Exposição do Mundo
Português (1940);
Participação na Exposição Internacional de Paris (1937) e na
Exposição Universal de Nova Iorque (1939);
Uma das grandes exposições foi a Exposição do Mundo Português
em 1940, comemorando os 800 anos da autoproclamação de rei,
por D. Afonso Henriques (1140), e dos 300 anos da restauração da
independência (1640);
Módulo 7, História A 241
Em conclusão, é possível determinar três objetivos
fundamentais da política do espírito, que se pretendia simples
e servir para distrair o povo:
1 - Utilizar a cultura como meio de propaganda. A
cultura devia glorificar o regime e o chefe;
2 - Conciliar as velhas tradições com a modernidade. Conciliar
a ideologia nacionalista com as ideias modernistas e futuristas;
3 - Desenvolver uma cultura nacional e popular com base nas
suas raízes e nos ideais do regime.
Módulo 7, História A 242
Exposição do Mundo Português
https://www.youtube.c
om/watch?v=2QdO6sX
EoTI
Módulo 7, História A 243
No domínio literário a ação do SPN foi um fracasso, poucos
escritores aderiram;
Nas artes plásticas, na arquitetura, no bailado, no teatro e no cinema
o êxito foi maior;
Francisco Franco (1885-1955), expressionista, foi o escultor do
regime salazarista;
Módulo 7, História A 244
A ideia de António Ferro era a conceção de um projeto cultural
totalizante, com o envolvimento e a instrumentalização de artistas e
de escritores na promoção dos ideais do regime;
Afirmação da “política do espírito” que recusa a “política da
matéria” e a produção artística individualista e crítica, considerada
decadente;
Visa a padronização de uma cultura “construtiva” e “saudável”,
orientada para a promoção das virtudes da família, para a
valorização da confiança em Salazar, para promoção do amor à
pátria e da grandeza do império;
Procura a construção de um sistema de propaganda cultural
eficiente como ação doutrinária do regime com vista à adesão das
massas;
Módulo 7, História A 245
Franco, Estátua equestre de
D. João IV,
Gonçalo Zarco,
Maya, Família, 1929
Módulo 7, História A 246
Canto da Maya (1890-1981), marca
expressiva, também foi um escultor
oficial do regime;
Almeida, Padrão dos Descobrimentos, 1940
Módulo 7, História A 247
Leopoldo de Almeida (1898-1975), a sua obra mais marcante,
histórica e nacionalista foi o “Padrão dos Descobrimentos”;
A arquitetura portuguesa, entre 1905-60, viveu várias tendências;
Uma delas foi a da formulação da casa portuguesa, recuperando
valores tradicionais e rurais;
Esta ideia foi defendida por Raul Lino (1879-1974);
Lino não criou propriamente uma estética mas uma filosofia da
casa portuguesa;
Módulo 7, História A 248
Lino, Casa Cipestre
Módulo 7, História A 249
Ilha do Porto, na rua de S. Vítor
Módulo 7, História A 250
Esta arquitetura também edificou
bairros sociais e operários;
São de referir as “ilhas” do Porto
e os “pátios” de Lisboa;
A arquitetura “nacional”, patrocinada pelo regime do Estado Novo e
defendida por António Ferro que organizou várias campanhas e
concursos para a “Aldeia mais portuguesa”;
Esta arquitetura utilizou as técnicas e materiais modernos e
submeteu-se à doutrina do regime salazarista;
Módulo 7, História A 251
Módulo 7, História A 252
Principais arquitetos:
Cristino da Silva (1896-1976);
Pardal Monteiro (1897-1957);
Carlos Ramos (1897-1969);
Jorge Segurado (1898-1990)
Rogério de Azevedo (1898-1983);
Cottinelli Telmo (1897-1948).
Cristino da Silva, Praça do Areeiro
Módulo 7, História A 253
Pardal Monteiro, Edifício do Diário de Notícias, Escadaria
da Universidade de Coimbra
Módulo 7, História A 254
Pardal Monteiro, Igreja de Nossa Senhora de Fátima, Instituto
Superior Técnico, Prédio em Lisboa
Módulo 7, História A 255
Módulo 7, História A 256
A derrota dos fascismo em 1945 deram um rude golpe no
entusiasmo de António Ferro, por outro lado revelava-se
extraordinariamente difícil conciliar o modernismo (aberto à
inovação e à liberdade criativa) com a ideologia totalitária do
regime;
Em 1949, António Ferro demitiu-se do SPN;
Ficava esquecido o projeto de criar um português novo, o português
“estado-novista”;
257
Esquema in Linhas da História 12, Areal Editora
Módulo 7, História A 258
Esquema in Linhas da História 12, Areal Editora
Módulo 7, História A 259
Esquema in
Linhas da
História 12,
Areal
Editora
Módulo 7, História A 260
Esta apresentação foi construída tendo por base a seguinte
bibliografia:
FORTES, Alexandra; Freitas Gomes, Fátima e Fortes, José, Linhas da
História 12, Areal Editores, 2015
COUTO, Célia Pinto, ROSAS, Maria Antónia Monterroso, O tempo da
História 12, Porto Editora, 2013
Antão, António, Preparação para o Exame Nacional 2014, História A,
Porto Editora 2015
Catarino, António Luís, Preparar o Exame Nacional de História A,
Areal Editores, 2015
2017/2018

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Crise e totalitarismo na primeira metade do século XX

  • 1. História A - Módulo 7 Crises, embates ideológicos e mutações culturais na primeira metade do século XX Unidade 2 O agudizar das tensões políticas e sociais a partir dos anos 30 http://divulgacaohistoria.wordpress.com/ 2017_2018
  • 2. Módulo 7, História A 2 Hegemonia económica dos EUA
  • 3. Módulo 7, História A 3 2.1 A Grande Depressão e o seu impacto social (não é de aprofundamento) 2.1.1 Nas origens da crise Depois de ultrapassadas as dificuldades provocadas pela guerra, nos meados dos anos vinte viveu-se uma época de prosperidade, sobretudo nos EUA;
  • 4. Módulo 7, História A 4 No entanto essa prosperidade iria revelar-se muito frágil; A população americana vivia do crédito e estava profundamente endividada, inclusive recorriam a empréstimos bancários para comprarem ações na Bolsa; Existiam indústrias, sobretudo as mais tradicionais, como a do carvão, construção ferroviária, têxteis e construção naval que não tinham recuperado totalmente da crise de 1920/21; Havia um desemprego crónico elevado (dois milhões nos EUA) derivado da mecanização da indústria (desemprego tecnológico);
  • 6. Módulo 7, História A 6 A agricultura, em 1929, começava a dar sinais de superprodução e a baixa de preços dos produtos agrícolas começava a causar dificuldades a muitos agricultores; A deflação dos preços dos produtos agrícolas começava, em 1929, a refletir-se na baixa de consumo de produtos industriais; A especulação bolsista atingia níveis perigosos;
  • 8. Módulo 7, História A 8 Uma grande parte das poupanças e do crédito americano era aplicado na Bolsa em negócio especulativos; Devido à intensa procura de ações muito títulos eram transacionados por valores extremamente elevados, muito superiores ao seu valor real; Os Bancos fomentavam essa especulação emprestando dinheiro a particulares quer investindo uma parte muito significativa dos seus lucros no negócio bolsista; Em 1929, o índice geral das ações cotadas em Nova Iorque ultrapassavam largamente a produção industrial;
  • 9. Módulo 7, História A 9 2.1.2 A dimensão financeira, económica e social da crise Em meados de outubro de 1929 muitos acionistas começaram a procurar vender as suas ações; São anunciados baixas de lucros em muitas empresas fruto da superprodução; O pânico instalou-se no dia 24 de outubro, quinta-feira negra, quando 13 milhões de ações, colocados no mercado a preços muito baixos, não encontraram comprador; A 29 de outubro 16 milhões de títulos não conseguiram ser transacionados; Era o “crash de Wall Street”;
  • 10. Módulo 7, História A 10 Nos meses seguintes centenas de milhares de acionistas ficaram arruinados pois a ações que possuíam não valiam nada ou valiam apenas uma ínfima fração do valor porque tinham sido compradas; Quinta-feira negra em Wall Street
  • 11. Módulo 7, História A 11 Como muitos acionistas tinham recorrido ao crédito para comprarem ações e agora não podiam pagar os empréstimos pedidos muitos bancos abriram falência; Entre 1929 e 1933, faliram 10 mil bancos; A falência dos bancos levou à paralisação da economia (estava baseada no crédito); Muitas empresas abriram falência; O desemprego disparou, nos EUA, atinge os 12 milhões em 1932;
  • 12. Módulo 7, História A 12 A procura diminuiu o que causou a baixa dos preços, levando à diminuição da produção industrial;
  • 13. Módulo 7, História A 13 Os preços dos produtos agrícolas baixaram, muitos agricultores foram à falência, muitas quintas são postas á venda e não encontram compradores;
  • 14. Módulo 7, História A 14 Famílias inteiras são lançadas na miséria; Muitos vagueiam pelos EUA à procura de empregos que não existem; Mesmo entre os que ainda estão empregados a baixa dos salários é generalizada; Os desempregados ofereciam-se para trabalhar por salários irrisórios;
  • 15. Módulo 7, História A 15 Não há segurança social, e milhões sobrevivem devido às refeições oferecidas por instituições de caridade; Surgem “bairros de lata” em todas as grandes cidades americanas; Nesta situação a criminalidade aumenta;
  • 16. Módulo 7, História A 16 2.1.3 A mundialização da crise; a persistência da conjuntura deflacionista
  • 17. Módulo 7, História A 17 A Grande Depressão começou nos EUA mas propagou-se rapidamente: Aos países fornecedores de matérias-primas (América do Sul, Austrália , Índia, etc.; Aos países dependentes do crédito americano: Alemanha, Áustria;
  • 18. Módulo 7, História A 18 A todos os países do mundo capitalista; Os EUA retiraram grande parte dos capitais investidos na Europa o que provocou a falência de muitos bancos europeus; Nos ano 30 apenas a URSS, sem ligações económicas ao mundo capitalista, escapou à crise;
  • 19. Módulo 7, História A 19 A crise tinha caído num círculo vicioso: Diminui o consumo baixa de preços baixa de produção falências desemprego; Como resposta à crise a maior parte dos países tentaram tornar-se autossuficientes; Surgem medidas protecionistas tomadas pelos governos; O nível do comércio internacional desce a níveis iguais aos de meados do século XIX; A descrença no capitalismo liberal é generalizada;
  • 23. Módulo 7, História A 23 2.2 As opções totalitárias No início do século XX muitos países tinham um regime demoliberal; Era um regime político onde a liberdade dos cidadãos, a igualdade perante a lei e a divisão dos poderes do estado estava assegurada; O fim da Primeira Guerra Mundial provocou o fim dos Impérios Russo, Austro-Húngaro e Alemão; Parecia que se instaurava uma ordem internacional mais democrática;
  • 24. Módulo 7, História A 24 Mas com o decorrer dos Anos Vinte os regimes totalitários vão prevalecer; Regimes totalitários – são os regimes em que o Estado é um valor absoluto e sobrepõe-se aos direitos individuais dos indivíduos. Ao Estado compete dirigir todas as atividades económicas, sociais, políticas e culturais; São regimes de partido único; Toda a Nação é subordinada à ideologia do partido;
  • 26. Módulo 7, História A 26 Na Rússia instalou-se um regime autoritário e totalitário com a aplicação da ideologia marxista-leninista; Na Itália e na Alemanha pontificaram regimes da cariz fascista e nazi; Em muitos outros países europeus, entre os quais Portugal, surgem governos de extrema-direita que impõe regimes de partido único e de perseguição a todos os opositores do regime;
  • 27. Módulo 7, História A 27 2.2.1 Os fascismos, teorias e práticas O estado totalitário fascista opõe-se: Aos direitos individuais dos cidadãos, nomeadamente ao princípio da liberdade, o indivíduo tem de se submeter aos interesses do Estado; Ao princípio da igualdade de nascimento. Segundo os princípios fascistas e nazis, umas raças nascem para mandar outras para obedecer; À democracia e o ao parlamento que são considerados regimes fracos e incapazes de defender os superiores interesses do Estado;
  • 28. Módulo 7, História A 28 O estado totalitário fascista opõe-se: Ao liberalismo económico pois este privilegia os interesses individuais; Há existência de vários partidos; Ao socialismo e o comunismo porque se apoiam na luta de classes negada pelos fascistas;
  • 29. Módulo 7, História A 29 Os regimes totalitários defendem: Partido único; O culto do chefe, é o guia e o salvador da Pátria; Negação da separação dos poderes do Estado; o chefe tem o poder absoluto; Ultranacionalismo e imperialismo. A Nação é um bem e um valor e supremos e as outras nações devem-se submeter; Militarismo e culto da violência e da força. Exaltação da guerra e dos conflitos;
  • 30. Módulo 7, História A 30 O autoritarismo do Estado; Regimes de ditadura e de opressão; Estado policial; A criação de um regime corporativo. Não existe luta de classes e por isso patrões e operários cooperam;
  • 31. Módulo 7, História A 31 Autarcia. A Nação deve ser autossuficiente; Criação de um homem novo. Deve ser corajoso e desprovido de qualquer espírito crítico. Deve acreditar no regime, obedecer e combater; A mulher tem apenas a função de obedecer ao marido e realizar as tarefas domésticas;
  • 32. Módulo 7, História A 32 Corporativismo – forma de organização da sociedade e da economia que aceita a propriedade privada mas sobre a égide do estado. São constituídas organizações profissionais (corporações) constituídas por patrões e operários onde se conciliam todos os interesses com os interesses do Estado;
  • 33. Módulo 7, História A 33 Fascismo – Sistema político instaurado em Itália, por Benito Mussolini, em 1922. Ditadura, totalitária e opressiva. Todas as liberdades individuais foram suprimidas. Defende a supremacia do estado, o nacionalismo, o imperialismo, o corporativismo, o culto do chefe. O termo fascista designa também todos os regimes totalitários de direita.
  • 34. Módulo 7, História A 34 O nome fascismo provem do símbolo o fascio littorio (fasces lictoris); O termo latino fasces, refere-se a um símbolo de origem etrusca, usado no Império Romano, associado ao poder e à autoridade. Era denominado fasces lictoriae, por ser carregado por um lictor, o qual, em cerimónias oficiais precedia a passagem de figuras da suprema magistratura, abrindo caminho pelo meio ao povo;
  • 35. Módulo 7, História A 35 Nazismo – Sistema político instaurado por Hitler na Alemanha, em 1933. Para além dos princípios ideológicos do fascismo, o nazismo acrescentou um racismo violento, e a crença na existência de uma raça superior, a ariana, à qual competia dominar o Mundo;
  • 36. Módulo 7, História A 36 Elites e enquadramento de massas Mussolini sintetizou a ideologia fascista nesta afirmação: “Tudo no Estado, nada contra o Estado, nada fora do Estado”; O fascismo parte da ideia que os homens não são iguais, e a governação deve pertencer aos melhores, a elite; As escolhas não devem ser baseadas na escolha democrática; O fascismo e o nazismo promovem a figura do chefe (Duce – Itália, Füher – Alemanha);
  • 37. Módulo 7, História A 37 O chefe é o representante da Nação, deve ser seguido sem hesitação, é o herói; Surge o culto do chefe baseado numa hábil propaganda política; Ao chefe compete guiar os destinos da nação;
  • 38. Módulo 7, História A 38 A seguir ao chefe vinham os filiados no partido, os soldados, a raça ariana; As mulheres eram consideradas uma espécie inferior e estava-lhes reservada os três K (Kinder, Küche, Kirche) (crianças, cozinha, igreja); Todos deviam ser submissos aos interesses da nação que eram interpretados pelo chefe; A obediência cega das massas era um elemento fundamental da ideologia fascista, para isso as crianças eram educadas nos ideais desde muito cedo, elas pertenciam ao Estado mais do que às famílias;
  • 39. Módulo 7, História A 39 Na Itália aos 4 anos as crianças faziam parte dos “Filhos da Loba”, dos 8 aos 14 anos pertenciam aos “Balillas” e aos 18 entravam na Juventude Fascista;
  • 40. Módulo 7, História A 40 Todas eram organizações paramilitares e os jovens eram vítimas de uma intensa doutrinação com a intenção de conseguir o seu apoio incondicional ao regime; Para além do culto ao chefe, incutia-se nos jovens o gosto pelo desporto, pela guerra, o desprezo pelos valores intelectuais; Na Alemanha existia a Juventude Hitleriana;
  • 41. Módulo 7, História A 41 Na escola completava-se esta educação através de programas e manuais escolares controlados pelo regime;
  • 42. Módulo 7, História A 42 Aos adultos exigia-se obediência absoluta e fidelidade aos ideais fascistas. Existiam várias organizações para enquadrar e doutrinar as massas: O Partido (único). Nacional-Fascista (Itália), Nacional-Socialista (Alemanha). Para ocuparem cargos na Estado e na função pública era necessário pertencer ao partido;
  • 43. Módulo 7, História A 43 Corporações (Itália), Frente do Trabalho Nacional-Socialista (Alemanha). Organizações que enquadravam os patrões e os trabalhadores. Substituíram os sindicatos (proibidos) e organizações patronais; Dopolavoro (Itália), Kraft durch Freude (Alemanha). Associações destinadas a ocupar os tempos livres dos trabalhadores com atividades desportivas e doutrinárias;
  • 44. Módulo 7, História A 44 Na Alemanha o Ministério da Cultura e da Propaganda, liderado Josef Goebbels, desempenhou um papel fundamental na catequização do povo alemão; O rádio e o cinema foram utilizados massivamente (pela primeira vez) para propagandear o regime; Os discursos e a propaganda do regime chegavam a todo o lado da Alemanha;
  • 45. Módulo 7, História A 45 Por outro lado são proibidos livros, mesmo livros científicos. São organizadas cerimónias de queima de livros; Toda a leitura que não seja uma afirmação do Nacional Socialismo é proibida e destruída;
  • 46. Módulo 7, História A 46 A propaganda nazi visa os seguintes objetivos: O Tratado Versalhes é denunciado como um diktat dos vencedores e a causa de todo os males e humilhação da Alemanha; Propõe um programa de resolução da crise e de pleno emprego; Restauração da grandeza da Alemanha e expansão para novos territórios; Prometem ordem, disciplina, estabilidade e o fim da agitação socialista; Divulgam os valores da pureza da raça;
  • 47. Módulo 7, História A 47 O Ministério da Cultura e da Propaganda controla toda a cultura no país: Todas as publicações, programas de rádio ou cinema são objeto de censura prévia; Todas as publicações contrárias aos ideais nazis são proibidas e destruídas; Todos os intelectuais são obrigados a submeter aos interesses nazis; Todos os que recusam são violentamente perseguidos;
  • 48. Módulo 7, História A 48 O culto da força e da violência e a negação dos direitos humanos Para além da propaganda estes regimes exerceram uma forte repressão policial sobre a sociedade; Esta violência era exercida pelas milícias armadas (SA e SS) e pela polícia política (Gestapo); Os regimes fascista e nazi cultivam a violência, segundo os seus ideais é na guerra que os povos podem mostrar a sua coragem e qualidades. O tempo de paz é prejudicial e afeta a capacidade guerreira dos povos;
  • 49. Módulo 7, História A 49 Em Itália as “Camisas Negras” (organização paramilitar fascista) semeavam o pânico entre os opositores do Partido Fascista, mesmo antes da tomada do poder; Em 1923 são reconhecidos como a milícia armada do Partido e em 1925 passam a ser designadas por Organização de Vigilância e Repressão do Antifascismo (OVRA); Na Alemanha surgem as Secções de Assalto (SA) em 1921 e Secções de Segurança (SS), 1923. Estas organizações encarregavam-se de semear o terror entre todos os opositores e perseguem os judeus;
  • 50. Módulo 7, História A 50 Após atingir o poder em 1933, os nazis criam a Gestapo, uma polícia política; Cria-se na sociedade alemã um clima de suspeição e de medo; Em 1933 surgem os primeiros campos de concentração;
  • 51. Módulo 7, História A 51 A violência racista Hitler fazia uma interpretação Darwinista da História, ou seja, esta era uma luta pela sobrevivência dos mais fortes; Os mais fortes eram os arianos que eram superiores a todos os outros povos; Em 1923, Hitler, antigo cabo na Primeira Guerra Mundial, escreveu o livro “Mein Kampf” (A Minha Luta) onde defendia as suas ideias;
  • 52. Módulo 7, História A 52 Os nazis promoveram o eugenismo para melhorarem a raça ariana; Eugenia - A eugenia surgiu como um movimento social nos fins do século XIX e princípios do século XX e teve na sua origem na obra de Francis Galton, Hereditary Genius, O Génio Hereditário. Francis Galton defendia que tanto os indivíduos como os grupos ou as etnias herdavam de forma diferente a habilidade mental. Tomando como ponto de partida a teoria da evolução de Darwin em que uma raça é um conjunto de seres humanos com uma ascendência comum, a eugenia sustenta que uma raça que consegue transmitir por descendência um maior número de características comuns de certa qualidade é a que será mais bem sucedida em fazer perpetuar a sua herança. http://www.infopedia.pt/$eugenia
  • 53. Módulo 7, História A 53 Estas ideias levaram o regime a fomentar os casamentos entre os “melhores espécimes” da raça ariana; Por outro lado procedia á eliminação física dos alemães “degenerados” (homossexuais, deficientes mentais, doentes incuráveis, etc.); À raça ariana competia o domínio do Mundo e para isso era necessário eliminar todos os povos inferiores nomeadamente os judeus, os ciganos e os eslavos;
  • 54. Módulo 7, História A 54 Logo após chegarem ao poder, em 1933, os nazis começaram a perseguir os judeus alemães. Foram proibidos de exercer funções públicas e profissões liberais; O antissemitismo continuou em 1935, com a publicação das “Leis de Nuremberga”. Os judeus alemães foram privados da sua nacionalidade e o casamento e as relações sexuais entre arianos e judeus foram proibidas; Em 1938 foram liquidadas as empresas judaicas e o seus bens foram confiscados. Na noite de 9 para 10 de novembro aconteceu a “kristallnacht” (Noite de Cristal), muitos bens dos judeus foram destruídos e muitos foram presos e desapareceram;
  • 55. Módulo 7, História A 55 Os judeus deixam de poder exercer qualquer profissão e de frequentar lugares públicos, são obrigados a usar uma estrela amarela que os identificava como judeus;
  • 56. Módulo 7, História A 56 Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, os líderes nazis organizaram a Conferência de Wannsee, onde foi decidido levar a cabo o extermínio sistemático dos judeus, nascia a “solução final para o problema judaico”;
  • 59. Módulo 7, História A 59 Os judeus foram encurralados em guetos e depois enviados para campos de concentração; Foram campos de morte, onde os prisioneiros (judeus, eslavos, inimigos políticos, homossexuais, etc.) foram sujeitos a trabalhos forçados e a condições sanitárias e de alimentação péssimas; Muitos morreram de inanição, milhões foram mortos nas câmara de gás;
  • 61. Módulo 7, História A 61 A autarcia como modelo económico A Alemanha e a Itália adotaram políticas económicas intervencionistas que procuravam garantir a autossuficiência do país – a autarcia; A Itália e, em especial a Alemanha, tinham sido atingidas pela crise económica do pós Primeira Guerra Mundial e depois pela Grande Depressão e por isso, a recuperação económica era uma das principais preocupações do regime fascista e nazi;
  • 62. Módulo 7, História A 62 Itália: Em 1932 existiam 1,3 milhões de desempregados, o Estado reforçou a sua intervenção na economia; Foram lançadas várias “batalhas de produção”, apoiadas por espetaculares campanhas de publicidade que apelavam à produtividade dos trabalhadores. O objetivo dessas campanhas era aumentar a produção;
  • 63. Módulo 7, História A 63 Em 1925 foi lançada a “batalha do trigo” para aumentar a produção de cereais; Em 1927 foi lançada a “batalha da lira”, no sentido de estabilizar a moeda italiana; A “batalha da bonificação”, entre 1932 1934, consistiu na drenagem de pântanos a sul de Roma; O Estado fascista controlou as importações e exportações; Procurou reduzir o volume das importações lançando programas de industrialização do país;
  • 64. Módulo 7, História A 64 O dirigismo estatal aumentou quando em 1934, a Itália enviou tropas para África para conquistarem a Etiópia; Os resultados dos programas económicos italianos podem ser considerados positivos; Mas foram conseguidos à custa de muitos sacrifícios da população (aumento do horário de trabalho, subida de impostos, racionamento de muitos produtos); O “homem novo” obedecia sem se questionar;
  • 65. Módulo 7, História A 65 Alemanha: Quando Hitler subiu ao poder, em 1933, existiam 6 milhões de desempregados na Alemanha; Iniciou uma política de grandes obras públicas (construção de autoestradas, pontes, linhas férreas, arroteamentos) e desenvolvimento dos setores automóvel, aeronáutico, siderúrgico e químico, que lhe permitiu diminuir drasticamente o desemprego; Relançou a indústria militar e um vasto plano de rearmamento do exército alemão que contrariava as disposições do Tratado de Versalhes;
  • 66. Módulo 7, História A 66 A reconstituição do exército vai lhe permitir reabsorver os desempregados; O Estado reforçou a autarcia e o controlo sobre a economia; As realizações económicas do nazismo trouxeram-lhe a adesão de uma grande parte do povo alemão; No entanto a reivindicação do Lebensraum (espaço vital) iria brevemente mergulhar o Mundo numa devastadora guerra;
  • 67. Módulo 7, História A 67 2.2.2 O estalinismo Em janeiro de 1924 morre Lenine. A sua morte levou a uma luta pelo poder no Partido Comunista da qual saiu vencedor Josef Estaline (1879-1953); Os seus principais opositores tinham sido Trotsky (ala esquerda) e Zinoviev, Kamenev e Boukharine (ala direita); Até à sua morte em 1953, Estaline será o chefe incontestado do Partido e da URSS;
  • 68. Módulo 7, História A 68 A sua tese defendia que a revolução devia ser consolidada na URSS, contrária à de Trotsky que defendia a imediata internacionalização da revolução proletária; Após tomar o poder passou a controlá-lo de forma absoluta; A sua política foi orientada para a transformação da URSS numa potência mundial; Em 1928 interrompeu a NEP e nacionalizou todos os setores da economia soviética; A coletivização e planificação da economia e a instauração de um Estado totalitário foram as estratégias de Estaline;
  • 69. Módulo 7, História A 69 A partir de 1929 a coletivização dos campos foi acelerada, pois era considerada fundamental para libertar mão de obra para a indústria; Os kulaks (proprietários rurais) foram violentamente afastados das suas terras. Cerca de 3 milhões foram executados ou enviados para o “gulag” na Sibéria;
  • 70. Módulo 7, História A 70 Gulag - um sistema de campos de trabalhos forçados para criminosos, presos políticos e qualquer cidadão em geral que se opusesse ao regime da União Soviética. Muitos prisioneiros foram utilizados nas grandes obras públicas;
  • 71. Módulo 7, História A 71 Eliminada a propriedade privada o Estado passa a ser o detentor de todas as terras; A exploração da terra foi organizada segundo dois modelos: Kolkhoses – grandes propriedades agrícolas coletivas onde os camponeses trabalhavam em regime cooperativo. A administração da propriedade era controlada pelo partido; Sovkhoses – grandes propriedades agrícolas dirigidas pelo Estado, os trabalhadores recebiam um salário.
  • 72. Módulo 7, História A 72 Apesar da resistência à coletivização por uma parte significativa dos camponeses, os resultados foram satisfatórios e houve um significativo aumento da produção agrícola; A produção de trigo, açúcar, algodão e beterraba subiram; O comércio foi organizado em torno de cooperativas de consumo local e grandes armazéns estatais;
  • 73. Módulo 7, História A 73 A produção industrial desenvolveu-se segundo uma rigorosa planificação; Foram estabelecidos planos quinquenais (metas para 5 anos); O Estado decidia todo o desenvolvimento económico da URSS;
  • 74. Módulo 7, História A 74 Primeiro Plano Quinquenal (1928-1932): Procurou o desenvolvimento da indústria pesada para criar os alicerces do desenvolvimento soviético. Fomentou a construção de grandes complexos hidroelétricos, siderúrgicos, redes de comunicação, exploração de matérias-primas e produção de alimentos; Recorreram a técnicos estrangeiros; Utilizaram uma série de medidas para aumentarem a produtividade como a caderneta de trabalho e despedimento por falta injustificada;
  • 75. Módulo 7, História A 75 Segundo Plano Quinquenal (1933-1937): Ênfase na indústria ligeira e dos bens de consumo para proporcionar uma melhor qualidade de vida às populações; Terceiro plano quinquenal (1938 – interrompido em 1941 com a entrada da URSS na II Guerra Mundial): A prioridade foi dada às indústrias pesadas, setor energético e indústrias químicas;
  • 76. Módulo 7, História A 76 Os planos quinquenais elevaram a URSS ao estatuto de terceira potência mundial, atrás dos EUA e da Alemanha; Os planos quinquenais foram retomados depois de terminada a II Guerra Mundial;
  • 77. Módulo 7, História A 77 O sucesso dos planos quinquenais demonstraram a autoridade do poder central, e só foi possível por: Ter sido instaurada uma disciplina severa, com a imposição de trabalhos forçados; Deportação em massa de trabalhadores para onde eram necessários; Instituição de prémios para os melhores trabalhadores, por vezes erigidos à categoria de heróis nacionais; Fortes campanhas de propaganda onde foi estabelecido o culto a Estaline;
  • 79. Módulo 7, História A 79 O totalitarismo repressivo do Estado O império russo era constituído por inúmeras nacionalidades e povos diferentes; A constituição da URSS pretendia reconhecer alguma autonomia a esses povos e por isso foi constituída uma federação de repúblicas; Com a morte de Lenine e a subida ao poder de Estaline, o centralismo democrático evoluiu para uma ditadura, não do proletariado como previa a teoria marxista, mas a ditadura do Partido Comunista, e sobretudo a ditadura pessoal de Estaline;
  • 80. Módulo 7, História A 80 Desde que assumiu o poder, em 1924, Estaline perseguiu todos os que podiam fazer-lhe frente, inclusive dentro do próprio Partido Comunista, eliminou todos os potenciais concorrentes; Trotsky fugiu e muitos outros dirigentes foram presos e condenados à morte em julgamentos encenados;
  • 81. Módulo 7, História A 81 As regiões foram submetidas à russificação; As liberdades individuais foram completamente suspensas; A juventude era obrigada a aderir aos Pioneiros e depois à Juventude Comunista; Os sindicatos eram controlados pelo Partido Comunista;
  • 82. Módulo 7, História A 82 Para as eleições para os sovietes só se podiam apresentar candidatos sancionados pelo Partido; Toda a economia era centralizada através da coletivização e da planificação; A produção cultural foi submetida à censura, e tinha o papel de engrandecer o chefe, a Nação e o Partido;
  • 83. Módulo 7, História A 83 Os partido foi sendo expurgado dos dirigentes do tempo de Lenine; O Partido Comunista foi-se transformando num partido de quadros, jovens funcionários, que obedeciam cegamente a Estaline; É criada a NKVD, em 1934, a polícia política que substituiu a Tcheca, em 1954 passará a ter o nome de KGB;
  • 84. Módulo 7, História A 84 A crítica não é tolerada, mais de 2 milhões de cidadãos são enviados para o “gulag” e 700 mil são executados; Nem os membros do Partido e do Exército Vermelho escapam a esta vaga repressiva, grande parte dos comandantes dos exército foram mortos;
  • 85. Módulo 7, História A 85 Em 1936 é publicada uma nova Constituição que confirma o Estado totalitário que pouco diverge dos regimes totalitários de direita que nos anos 20 e 30 grassavam na Europa; Como outros regimes totalitários procurou a autarcia; A URSS tornou-se um país de partido único;
  • 86. Módulo 7, História A 86 Na URSS constituiu-se uma “nova aristocracia”, a dos funcionários do partido (apparatchic), também designada de “nomemklatura”; O poder do estado sustentava-se na violenta repressão e na centralização política, cultural e económica; Esta elite partidária punha em causa a ideia de Karl Marx de igualdade social e de eliminação das classes sociais;
  • 87. Módulo 7, História A 87 Foi criada uma máquina de propaganda com vista a “endeusar” Estaline, criando um verdadeiro culto da personalidade, e à direção do Partido Comunista; Todas as manifestações de crítica são violentamente reprimidas; São negados os direitos humanos e há o culto da violência; Não há liberdade, a própria liberdade de circulação na URSS é limitada pela existência de passaportes internos;
  • 88. Módulo 7, História A 88 A Constituição de 1936 reforçou o poder do Partido Comunista, Estaline, secretário-geral, passa a deter uma autoridade absoluta; Estaline torna-se o “pai dos povos”, cultivando uma imagem paternalista; No entanto o regime era fortemente repressivo, a NKVD era “um estado dentro do estado”, perseguindo toda a oposição;
  • 89. Módulo 7, História A 89 2.3. A resistência das democracias liberais 2.3.1 O intervencionismo do Estado A Grande Depressão provocou grandes convulsões políticas e demonstrou as fragilidades do estado liberal; Em muitos países as democracias foram derrubadas pelas forças totalitárias; Em alguns países como os EUA, a Grã-Bretanha e a França o regime democrático resistiu mas adotou medidas mais intervencionistas no âmbito económico e social;
  • 90. Módulo 7, História A 90 A crise dos Anos 30 colocou em causa a teoria da livre circulação, livre produção, livre iniciativa e livre concorrência, onde as crises cíclicas eram entendidas como fenómenos de autorregulação do mercado; O economista britânico, John Maynard Keynes (1883-1946) colocou em causa a capacidade de autorregulação dos mercados e da economia capitalista; Keynes recomendava um maior intervencionismo do Estado e uma inflação controlada; Intervencionismo do estado – papel ativo do Estado na economia, publicando legislação económica, laboral e social;
  • 91. Módulo 7, História A 91 Keynes defendia uma política de investimento do Estado (o Estado deveria ser um ativo empregador) e de ajuda às empresas de forma a promover o desenvolvimento e a diminuir o desemprego; O keynesianismo consiste em ver o Estado a desempenhar um papel ativo de organizador da economia, de investimentos em vários setores (nomeadamente em grandes obras públicas) e de regulador dos mercados;
  • 92. Módulo 7, História A 92 O New Deal Em 1932 foi eleito um novo presidente nos EUA, Franklin Delano Roosevelt (1882-1945); Influenciado pelas teorias de Keynes, Roosevelt propôs-se acabar com a crise nos Estados Unidos; Desenvolveu um plano, em duas fases, de intervencionismo do Estado que ficou conhecido por “New Deal”;
  • 93. Módulo 7, História A 93 Primeira fase (1933-34): São estabelecidas como metas o relançamento da economia e a luta contra o desemprego e a miséria, isto é, ultrapassar os efeitos da crise; São adotadas rigorosas medidas financeiras que implicaram a intervenção do Estado nas entidades financeiras e bancárias para reorganizá-las e impedir a especulação; O dólar foi desvinculado do padrão-ouro e desvalorizado em 41%, o que diminuiu a dívida externa e fez subir os preços no mercado interno; Os lucros das empresas aumentaram;
  • 94. Módulo 7, História A 94 Desenvolveu uma política de construção de grandes obras públicas para combater o desemprego e promover o desenvolvimentos de setores estruturantes da economia(construção de estradas, barragens, aeroportos, habitações, escolas, etc.);
  • 95. Módulo 7, História A 95 Criou campos de trabalho para os mais jovens promovendo a rearborização de vastas áreas; A publicação da “Agricultural Adjustment Act” promove a proteção da agricultura concedendo empréstimos bonificados aos agricultores bem como outras indeminizações; Foram fixados preços mínimos e máximos de venda e quotas de produção para evitar a concorrência desleal;
  • 96. Módulo 7, História A 96 Segunda fase (1935-38): Teve um cunho social, foi a construção do Welfare State (Estado Social ou Estado Providência); A Lei Wagner (1935) restabelece a liberdade sindical e o direito à greve; O Social Security Act (1935) estabeleceu a reforma por velhice e invalidez, institui o fundo de desemprego e o auxílio aos pobres;
  • 97. Módulo 7, História A 97 O Fair Labor Standard Act (1938) estabeleceu o salário mínimo e reduziu o horário de trabalho para 44 horas semanais; Estas medidas levaram ao aumento do poder de compra e ao desenvolvimento da economia americana; O Estado americano assumiu os ideais do Estado Providência na qual o governo tem o papel de promover a segurança social de modo a promover a felicidade e bem-estar dos seus cidadãos
  • 98. Módulo 7, História A 98 Sociais, financeiras e económicas: Horário semanal (35/40 horas); Salário mínimo; Liberdade sindical; Desvinculação do dólar do padrão-ouro e desvalorização da moeda; Fixar preços mínimos para os produtos agrícolas e industriais; Empréstimos aos agricultores a juros baixos; Programa de grandes obras públicas (estradas, barragens, hospitais, etc.; Contratação de jovens desempregados para trabalhos florestais e agrícolas; Medidas do New Deal (resumo):
  • 99. Módulo 7, História A 99 Medidas do New Deal (resumo): Agrícolas e industriais: Preços mínimos para os produtos industriais; Estabelecimento de quotas de produção; Aprovação da lei National Industrial Recovery Act (NIRA) que estabelecia regras para a concorrência; Indeminizações e empréstimos para agricultores; Aprovação da lei Agriculture Adjustement Act (AAA) que procurava manter o nível dos preços dos produtos agrícolas.
  • 100. Módulo 7, História A 100 A Grã-Bretanha A Inglaterra foi um dos países onde a crise de 1929 mais se sentiu; No entanto os radicalismo totalitários de direita e de esquerda nunca tiveram grande aceitação entre a população britânica; A crise levou ao crescimento do Partido Trabalhista que criou um Governo Nacional de coligação;
  • 101. Módulo 7, História A 101 Inspirados pelo New Deal americano desenvolveram uma política intervencionista do Estado; Desenvolveram uma política protecionista de promoção dos produtos nacionais e de reforçar as relações com os países da Commonwealth; Criaram também o Estado Providência;
  • 102. Módulo 7, História A 102 2.3.2 Os governos da Frente Popular e a mobilização dos cidadãos Nalguns países o avanço da extrema-direita levou à criação de governos de coligação das forças democráticas desde o centro até à esquerda mais radical, eram os governos de Frente Popular; França: A França, nos inícios dos anos 30, continuava a revelar grandes dificuldades para ultrapassar a crise devido à insistência dos governos de praticarem políticas deflacionistas; A oposição de esquerda reivindicava a aplicação de medidas keynesianas e a extrema-direita clamava por um governo mais autoritário;
  • 103. Módulo 7, História A 103 Uma manifestação de Ligas Nacionalistas (extrema-direita) em fevereiro de 1934 levou à demissão do governo do Partido Radical; Perante a ameaça da extrema-direita formou-se uma coligação que integrou os partidos comunista, socialista e radical; Apresentaram-se às eleições de 1936 que venceram, com o lema “pelo pão, pela paz e pela liberdade”; Os governos da Frente Popular, dirigidos pelo socialista, Léon Blum, ocuparam o poder entre 1936 e 1938, os comunistas não participaram nesses governos; Desenvolveram uma política de forte intervencionismo do Estado;
  • 105. Módulo 7, História A 105 Desvalorizaram a moeda francesa (franco) e tabelaram os preços de alguns produtos essenciais; Nacionalizaram o Banco de França e algumas dos setores industriais fundamentais, como os transportes e o fabrico de armamento; Desenvolveram a legislação social: criação de contratos coletivos de trabalho, legalização dos sindicatos, aumentos salariais, redução do horário de trabalho para 40 horas semanais e o direito dos trabalhadores gozarem anualmente 15 dias de férias pagas;
  • 106. Módulo 7, História A 106 Espanha: Em fevereiro de 1936, triunfou nas eleições uma Frente Popular (socialistas, comunistas, anarquistas e sindicatos operários); Promulgaram legislação de caráter social e reformista: separação entre a Igreja e o estado, direito à greve, direito ao divórcio, laicização do ensino, direito à ocupação de terras não cultivadas, aumento dos salários e reconhecimento da autonomia do País Basco e da Catalunha;
  • 107. Módulo 7, História A 107 Estas medidas provocaram a reação dos mais conservadores; É constituída uma Frente Nacional que agrupava conservadores, monárquicos e falangistas (fascistas); Um levantamento militar chefiado pelo general Francisco Franco vai mergulhar a Espanha numa violenta guerra civil entre 1936 e 1939; Os franquistas (apoiantes do general Franco) tiveram o apoio militar da Alemanha nazi e da Itália fascista e vão vencer a guerra; Em 1939 inicia-se a ditadura franquista que irá perdurar até 1976;
  • 108. Módulo 7, História A 108 Imagens da cidade basca de Guernica, destruída pela aviação alemã durante a guerra civil espanhola; Quadro pintado por Pablo Picasso denominado “Guernica” onde se denuncia a destruição da cidade.
  • 109. Módulo 7, História A 109 2.4 A dimensão social e política da cultura (não é de aprofundamento) 2.4.1 A cultura de massas Nos inícios do século XX, nas grandes cidades, nasce a cultura de massas; É uma cultura destinada às grandes massas populacionais predominantemente urbanas; Distingue-se da cultura das elites por serem menos elaboradas e menos sofisticadas;
  • 110. Módulo 7, História A 110 A generalização do ensino e o desenvolvimento dos meios de comunicação de massas (rádio, imprensa, cinema) contribuiu para a homogeneização da cultura; Esta cultura massificada, apoiada pelos governos democráticos e divulgada pelos mass media, é uma cultura de evasão, o objetivo é proporcionar a fuga ao quotidiano e divertimento;
  • 111. Módulo 7, História A 111 Características essenciais da cultura de massas: Democrática (os preços baixos garantem que pode ser consumida pelas classes trabalhadoras); Estandardizada e produzida em série (é um bem de consumo); Efémera (destina-se a ser consumida de imediato); Sem grandes preocupações literárias e estéticas; Destina-se a divertir e ajudar a descontrair (depois de um dia de trabalho); Visa criar um estereótipo de cidadão da classe média (induz valores, comportamentos e modas);
  • 112. Módulo 7, História A 112 O cinema Foi um dos principais veículos de que respondia à necessidade de evasão da realidades das massas; Em 1927, surgiu o cinema sonoro, em 1932, os filmes a cores; O cinema nos seus múltiplos géneros (romance, ação, comédia, etc.) leva o espetador a identificar-se com os seus “heróis da tela”; Os media, veículos de evasão e de modelos socioculturais
  • 113. Módulo 7, História A 113 Surge a vontade de imitar os atores na vida real; Cria-se o “star system”, fomentado pela indústria cinematográfica visa uniformizar os gostos da população, é a estandardização de comportamentos;
  • 114. Módulo 7, História A 114 A rádio Afirmou-se a partir dos anos 20, e rapidamente se transformou no mais importante e poderoso meio de informação; A rádio é acessível em quase todos os lugares e a quase todas as pessoas e, por isso, tornou-se imensamente popular; A rádio transmite notícias, música, publicidade, eventos culturais e desportivos, música, colóquios, debates, novelas, etc.;
  • 115. Módulo 7, História A 115 A rádio vai contribuir para o esbater de diferenças, (por exemplo de pronuncia entre as diversas regiões de um país), é um importante veículo de homogeneização de cultura e comportamentos; Os políticos rapidamente utilizam o rádio como uma forma de divulgarem as suas ideias; Na Alemanha, os nazis, utilizaram o rádio como uma forma de fanatizar as multidões;
  • 116. Módulo 7, História A 116 A imprensa A imprensa de massas utiliza um vocabulário simples e atrativo, frases curtas; O livro torna-se um bem de consumo. Surgem novos géneros como os romances cor-de-rosa, a banda desenhada, o romance policial; Os jornais, fruto da cada vez maior alfabetização, aumentam as suas tiragens;
  • 117. Módulo 7, História A 117 Cria-se uma linguagem jornalística; Muitas vezes recorrem a notícias sensacionalistas; Nos jornais aparecem várias secções: desportiva, local, feminina, entretenimento, etc.; Também se divulgam as revistas com temáticas diversas;
  • 118. Módulo 7, História A 118 Os grandes entretenimentos coletivos A construção de grandes espaços e a crescente divulgação da rádio e da imprensa levou a um espetacular crescimento do cinema, da música ligeira e do desporto; Desporto: Alguns desportos tornaram-se gigantescos espetáculos e criaram poderosas indústrias como o futebol (europeu e americano), basebol (EUA), ciclismo, boxe e automobilismo;
  • 119. Módulo 7, História A 119 Música ligeira: Surgiram novos estilos e ritmos musicais beneficiando da divulgação na rádio rapidamente alcançam uma divulgação mundial;
  • 120. Módulo 7, História A 120 Espetáculos noturnos: As casas de espetáculos e diversão noturnas proliferam nas grandes cidades, é uma forma de evasão do quotidiano; O ritmo de vida acelerou, há uma liberalização dos costumes e uma grande vontade de fuga da realidade do trabalho quotidiano o que contribuiu para o crescimento deste tipo de espetáculos, nomeadamente durante o fim de semana;
  • 121. Módulo 7, História A 121 2.4.2 As preocupações sociais na literatura e na arte A dimensão social na literatura e na arte Surgiu a ideia, nos anos 20, que a arte e a literatura, para além de um valor estético devem cumprir uma função social; A crise económica de 1929 veio desenvolver essa ideia;
  • 122. Módulo 7, História A 122 Entre as duas guerras surgiu uma literatura empenhada socialmente, criticando os aspetos negativos da sociedade, tanto na prosa como na poesia; Bertolt Brecht (1899-1956) foi dramaturgo e poetas; Aldous Huxley (1894-1963) publicou em 1932, “O Admirável Mundo Novo”, uma obra profundamente crítica da desumanização da sociedade industrial; André Malraux (1901-1976) publicou a “Condição Humana” em 1933;
  • 123. Módulo 7, História A 123 Nos EUA surgiram nomes como Ernest Hemingway (1899-1961), que combateu na guerra civil espanhola ao lado dos republicanos nas brigadas internacionais, John dos Passos (1896-1970) e John Steinbeck (1902-1968);
  • 124. Módulo 7, História A 124 Estes autores fazem parte da corrente neorrealista da literatura; Esta corrente literária empenhou-se em denunciar os abusos da sociedade capitalista e os graves problemas sociais provocados pela crise económica; O neorrealismo é um movimento empenhado politicamente;
  • 125. Módulo 7, História A 125 Este movimento também se estendeu à pintura e surgem artistas e obras de arte politicamente empenhadas; Na URSS desenvolve-se uma arte figurativa e concreta, o Realismo Socialista; Após 1925, e passada a euforia criativa dos primeiros anos da Revolução, o Estado Soviético, deixou de apoiar as vanguardas;
  • 126. Módulo 7, História A 126 Institucionalizou uma arte académica e realista, de grande rigor técnico; Na temática exaltou o trabalhador anónimo, as grandes vitórias do regime, tinha um carácter propagandístico; Principais autores: Vera Múkhina, na escultura e Serguei Gueressinov nas artes gráficas;
  • 127. A linguagem realista foi a preferida pelos regimes ditatoriais que se implantaram em vários países europeus (Alemanha, Itália, Portugal, etc.); Era a produção de uma arte para as massas e com um forte pendor propagandístico; A arte era controlada e censurada Existia uma arte e uma estética oficial do regime; Módulo 7, História A 127
  • 128. Nos restantes países europeus e americanos, a tendência realista desenvolveu-se de uma forma mais livre e pessoal, o Realismo Social ou Neorrealismo; Módulo 7, História A 128
  • 129. A temática estava direcionada para a intervenção político -social: Desmascarar a sociedade burguesa, as injustiças e os sofrimentos ocultos; Exaltar o povo trabalhador, valorizando as suas tarefas e a sua cultura; Combater os regimes burgueses e ditatoriais; Lutar em prol do pacifismo e do anticolonialismo; Dix, Retrato de JornalistaMódulo 7, História A 129
  • 130. As formas de concretização plástica revestiram uma maior diversidade pessoal e um cunho modernista, utilizando linguagens pictóricas próximas das vanguardas estéticas deste período: o Cubismo, o Expressionismo, o Pós-Dadaísmo, o Surrealismo, etc.; Esta corrente deixou marcas no percurso artístico de alguns dos maiores vultos pintura europeia como em Picasso e outros; Módulo 7, História A 130
  • 131. Otto Dix, Retrato dos pais do artista Módulo 7, História A 131
  • 132. Guttuso, Ocupação de terras Módulo 7, História A 132
  • 133. Sahn, As Mulhers dos Mineiros (pormenor) Módulo 7, História A 133
  • 134. Siqueiros, A marcha da Humanidade, mural Módulo 7, História A 134
  • 135. Módulo 7, História A 135 O funcionalismo na arquitetura Numa Europa destruída pela guerra era necessário construir de forma rápida, barata mas digna; Surgiu o funcionalismo na arquitetura, uma corrente que pensa que a ideia central na conceção de um edifício deve ser a sua função; Existiram duas correntes fundamentais: a europeia, mais interessada na racionalidade das formas, e a americana, mais humanizada de cariz organicista;
  • 136. Em 1919, na Alemanha, surgiu a Bauhaus (Casa das Artes), uma escola de artes; Propunha a integração entre as artes aplicadas e as belas-artes; Desenvolveu o conceito de design industrial; Módulo 7, História A 136
  • 138. Módulo 7, História A 138 Tinha um projeto pedagógico inovador: Trabalho de equipa; Interação entre a teoria e a prática; Aplicam o conceito de unidade das artes; Grande liberdade de criação e conceção; Reunia no mesmo projeto de ensino a Arquitectura, o Design, as Artes Plásticas, as Artes Decorativas, as Artes Decorativas, o Cinema, a Fotografia, o Ballet, etc.;
  • 139. Jucker, candeeiro, 1924 Breuer, cadeira, 1923 Módulo 7, História A 139
  • 140. Gropius, Escola da Bauhaus, 1925 Módulo 7, História A 140
  • 141. Gropius, bairro residencial, 1927 Módulo 7, História A 141
  • 142. Gropius, casa Módulo 7, História A 142
  • 143. Mies van der Rohe procurou soluções técnicas avançadas com base no esqueleto estrutural em aço; Utilizou materiais sumptuosos (mármore e vidro); Simplicidade estrutural dos exteriores e interiores; Afirmava: “em arquitectura menos é mais”; Módulo 7, História A 143
  • 144. Módulo 7, História A 144 Van der Rohe, Casa Hermann, 1928
  • 145. Van der Rohe, Pavilhão alemão, Exposição Universal de Barcelona, projecto de 1929, reconstrução 1986 Módulo 7, História A 145
  • 146. Com o encerramento da Bauhaus, em 1933, pelos nazis, van der Rohe, como muitos outros artistas, intelectuais e cientistas alemães, emigrou para os EUA, onde vai contribuir para o desenvolvimento do Estilo Internacional com estruturas como o edifício Seagram em Nova Iorque; Módulo 7, História A 146
  • 147. Em 1918 começa a destacar-se um nome na arquitetura europeia, o suíço, Charles-Édouard Jeanneret (1887-1965), mais conhecido por “Le Corbusier”; Principais obras: Aprés le Cubisme, 1918; Para uma nova Arquitectura, 1923; O Modulor, 1924; Revista L’Esprit Nouveau, 1920; Módulo 7, História A 147
  • 148. Dentro do espírito do racionalismo funcionalista propôs a aliança entre a arquitetura e indústria; Na procura de uma construção que respondesse, de forma técnica, racional e materialista, aos problemas das sociedades do seu tempo; Defendeu uma arquitetura prática, liberta de individualismos e sentimentalismos fantasistas, preocupada com a economia de meios e de gastos e socialmente comprometida; Apostada em encontrar soluções viáveis para, com qualidade e economia, resolver os problemas de habitação coletiva nas grandes Módulo 7, História A 148
  • 150. Le Corbusier, Quartiers Modernes de Frugès Desenvolveu estudos sobre os comportamentos coletivos, e de ergonomia e proporcionalidade (tomaram por medida o corpo humano), para matematização dos espaços e produção de bens de equipamento; Módulo 7, História A 150
  • 151. Le Corbusier, Dom-Ino As ideias de Le Corbusier foram materializadas, pela primeira vez, na construção da Casa Dom-Ino (1914) Módulo 7, História A 151
  • 152. Enunciou os princípios fundamentais da arquitetura funcionalista: Construção apoiada em pilotis (pilares), colocados livremente em relação à planta, servindo para sustentar e isolar o edifício de humidades; Tetos planos com terraços e jardins na cobertura; Plantas de andar totalmente livres; Fachadas de composição livre; Janelas colocadas em longas faixas horizontais; Módulo 7, História A 152
  • 153. Le Corbusier, Niemeyer e Lúcio Costa, Ministério da Educação do Brasil Módulo 7, História A 153
  • 154. Projetou espaços urbanísticos funcionalistas; As suas teorias urbanísticas estão no livro A Cidade Radiosa (1930); As ruas cruzavam-se ortogonalmente e existiam 3 zonas diferenciadas: trabalho, lazer e residência; Le Corbusier, projeto urbanístico Módulo 7, História A 154
  • 155. Óscar Niemeyer (1907-2012) e Lúcio Costa (1902-1998) inspiraram-se nestes estudos para a construção da cidade de Brasília; Módulo 7, História A 155
  • 157. As conceções racionalistas e funcionalistas de Le Corbusier, de Gropius e Mies van der Rohe, foram amplamente divulgadas e expandidas pelos CIAM (Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna) que, a partir de 1928, se realizaram em várias cidades europeias; A ética dos CIAM, patenteada na Carta de Atenas, de 1933, norteou a reconstrução das cidades europeias no pós-Segunda Guerra Mundial; Tónica na construção habitacional em torre e nos princípios urbanísticos de Le Corbusier; Contribuíram para organizar o chamado Estilo Internacional; Módulo 7, História A 157
  • 158. A partir dos anos 30, surge uma primeira reação ao funcionalismo racionalista da arquitetura europeia; Módulo 7, História A 158
  • 159. Wright, Casa Robbie Resposta a uma evolução demasiado tecnológica, a arquitetura procurava vias mais humanas e sensitivas, que evidenciassem preocupações com o ambiente circundante e respeitassem as tradições locais, a nível do uso de materiais e das técnicas construtivas; Módulo 7, História A 159
  • 160. Destaca-se o trabalho do arquiteto americano Frank Lloyd Wright (1869-1959), que iniciou a sua atividade cerca de 1890, junto da Escola de Chicago; Wright desenvolveu uma arquitetura organicista onde: As divisões da planta não resultavam da “divisão distributiva do volume”, mas integravam-se umas nas outras, como num sistema vivo (orgânico) coerente; Módulo 7, História A 160
  • 161. Módulo 7, História A 161 Wright, Casa Charles Ennis
  • 162. O espaço arquitetónico é concebido como expressão da própria vida do homem que o habita, obedece à escala humana; Os aspetos estruturais, espaciais e mesmo decorativos da sua arquitetura têm uma função orgânica, de modo a adaptarem-se à vida como organismos vivos da natureza; Módulo 7, História A 162
  • 163. Wright, Casa da Cascata Módulo 7, História A 163
  • 164. Wright, Casa da Cascata (Modelo) Módulo 7, História A 164
  • 165. Wright, Museu Guggenheim Módulo 7, História A 165
  • 166. Ligada a esta conceção organicista e mais sensitiva da arquitetura está o arquiteto finlandês Alvar Aalto (1898-1976); Procurou uma arquitetura integrada que respeitasse o ambiente e as “necessidades psicológicas” do Homem; As ideias de Aalto dominaram toda a escola nórdica de arquitetura, nos anos 50, exerceu importante influência noutros países da Europa; Módulo 7, História A 166
  • 167. Módulo 7, História A 167 Aalto, Villa Mairea Sanatório Paimio Centro Municipal, Finlândia
  • 168. Módulo 7, História A 168 2.4.3 A cultura e o desporto ao serviço dos Estados As ditaduras utilizaram a cultura e o desporto como forma de fazerem propaganda do regime; O desporto, cada vez mais divulgado entre as massas, tornou-se um veículo fundamental de propaganda para os regimes, mesmo nos países democráticos; O desporto era uma forma de demonstrar a superioridade da Nação;
  • 169. Módulo 7, História A 169 Em 1936, os nazis organizaram os Jogos Olímpicos como uma forma de demonstrar a superioridade da raça ariana; Estes jogos foram dominados por um atleta negro norte-americano, Jesse Owens, que ganhou 4 medalhas de ouro; Uma humilhação para Hitler que se recusou a comparecer nas cerimónias de entrega de medalhas a Owen;
  • 171. Módulo 7, História A 171 2.5 Portugal: O Estado Novo 2.5.1 O triunfo das forças conservadoras; A progressiva adoção do modelo fascista italiano nas instituições e no imaginário político No dia 28 de maio de 1926 um golpe de estado militar pôs fim à Primeira República e instituiu uma ditadura militar que se vai manter no poder até 1932-33; Os sucessivos governos não conseguiram “regenerar a pátria” e a situação económica continuava a degradar-se;
  • 172. Módulo 7, História A 172 Os militares revelavam uma grande impreparação para governarem o país; Em 1928, um professor de Finanças e Economia Política da Universidade de Coimbra é convidado para ministro das Finanças;
  • 173. Módulo 7, História A 173 Salazar aceitou o convite mas impôs que seria ele superintender as despesas de todos os ministérios; Levou a cabo uma política austeridade e de forte contenção das despesas públicas e aumentou gradualmente os impostos; Conseguiu apresentar um saldo positivo no Orçamento, o que foi logo apelidado de “milagre”; Em 1932, é nomeado para a chefia do governo e chama para os diversos ministérios personalidades conservadoras da sua total confiança;
  • 174. Módulo 7, História A 174 Entre 1930 e 1933 foram construídas as bases do Estado Novo: 1930: Foi publicado o Ato Colonial e criado o partido único (União Nacional (UN)); 1933 – Promulgado o Estatuto do Trabalho Nacional e, aprovada em plebiscito, a Constituição de 1933.
  • 175. Módulo 7, História A 175 O objetivo central de Salazar era instituir uma nova ordem política; Em 1930 é criada a União Nacional (único partido legal); Ainda nesse ano foi publicado o Ato Colonial que determinava que conjunto dos territórios possuídos pelos portugueses passaram a denominar-se Império Colonial Português, em 1933 é incorporado na Constituição; O Ato Colonial limitou a autonomia financeira e administrativa das colónias; Em 1933 foi publicado Estatuto do Trabalho Nacional, inspirado na “Carta del Lavoro” italiana. Nesta lei os sindicatos e as greves são proibidas e são criadas as corporações;
  • 176. Módulo 7, História A 176 Em 1933 é aprovada, em plebiscito, uma nova Constituição. A sua aprovação marca o nascimento do Estado Novo e põe fim à época da ditadura militar; A Constituição de 1933 consagrou a criação de um Estado Corporativo;
  • 177. Módulo 7, História A 177 Os principais pontos da Constituição eram: Unificar todas as Colónias numa só Nação; Estabelecer um Governo de ideologia nacionalista, e centralizar o poder nas Forças Armadas; Criar uma Assembleia Nacional de partido único em moldes nacionalistas; Juntar a Presidência com o Conselho de Ministros dando ao Poder Executivo uma "força gigantesca"; A Constituição previa o voto universal e direto, mas na prática nunca existiram eleições livres durante o Estado Novo;
  • 178. Módulo 7, História A 178 Dar à Presidência da República o poder de legislar por força de Decretos-lei; Militarizar os órgãos públicos, fixando as Forças Armadas no poder do controlo nacional; Criar uma Câmara Corporativa para fixar as ideologias nacionais; O Estado era uma República Corporativa concebido de forma unitária regional, incorporando as "províncias ultramarinas", ou seja, as colónias portuguesas, consagrando o ideal de Salazar de preservar o império português "do Minho a Timor“; Na revisão de 1951, o Ato Colonial foi retirado da Constituição . Adaptado de http://pt.wikipedia.org/wiki/Constitui%C3%A7%C3%A3o_de_1933
  • 179. Módulo 7, História A 179 O Estado Novo é um regime fortemente conservador e autoritário, que se aproximou das conceções fascistas do Estado italiano; O Estado Novo rejeitou o sistema democrático e parlamentar; O poder executivo era detido pelo Presidente da República mas o verdadeiro poder era exercido pelo governo, na pessoa do seu chefe, o Presidente do Conselho de Ministros (cargo ocupado por Salazar);
  • 180. Módulo 7, História A 180 Este tinha o poder de nomear e exonerar ministros, podia legislar e ainda vetar as decisões do Presidente da República; Tinha de submeter as propostas de lei a uma Assembleia Nacional que era constituída unicamente por deputados da União Nacional; O regime era um presidencialismo bicéfalo na qual o Presidente do Conselho de Ministros sobrepunha-se ao Presidente da República;
  • 181. Módulo 7, História A 181 O chefe era o interprete do superior interesse da nação; Salazar era apresentado como o “Salvador da Pátria”;
  • 182. Módulo 7, História A 182 Era a figura central do regime e existia um culto da personalidade; Cultivava uma imagem de sobriedade e austeridade, muito diferente da imagem de Hitler ou Mussolini; No entanto a suas ideias são decalcadas dos regimes fascistas, sobretudo do italiano;
  • 183. Módulo 7, História A 183 O Estado Novo português distinguiu-se dos outros fascismos pelo seu carácter conservador e tradicionalista; O seus valores fundamentais eram Deus, Pátria, Família, Autoridade, Paz Social, Hierarquia, Moralidade e Austeridade;
  • 185. Módulo 7, História A 185 A sociedade industrial e urbana era considerada a fonte de todos os vícios e por isso exaltava-se o mundo rural como exemplo de virtude e de moralidade; A religião católica é definida como a religião da Nação portuguesa; A mulher tinha um papel passivo na sociedade. A mulher ideal era uma esposa carinhosa e submissa e uma mãe sacrificada e virtuosa;
  • 188. Módulo 7, História A 188 A família ideal portuguesa era católica, de moralidade austera, repudiava os vícios da vida urbana; A mulher não deveria trabalhar fora de casa, o seu papel era de dona de casa; O trabalho fora de casa da mulher era entendido como uma ameaça à estabilidade do lar;
  • 189. Módulo 7, História A 189 O Estado Novo exaltou o nacionalismo; Um dos slogans mais repetidos era “Tudo pela Nação, nada contra a Nação”; Portugal era uma Nação de heróis, do “Minho a Timor”. A História demonstrava a grandeza da Nação portuguesa; Os Descobrimentos determinaram que Portugal tivesse desempenhado um papel evangelizador e civilizacional notáveis, na ótica salazarista;
  • 190. Módulo 7, História A 190 Outro aspeto sublinhado pelo regime era a “perfeita integração racial” dos povos no Império português;
  • 191. Módulo 7, História A 191 O Estado Novo pretendia ter uma imagem diferente dos outros regimes totalitários, as suas manifestações racistas, o “espalhafato” dos chefes. Salazar via nestes factos como uma manifestação de paganismo;
  • 192. Módulo 7, História A 192 O Estado Novo pretendia ser o defensor da moral cristã e das tradições portuguesas; Há uma exaltação dos valores culturais tradicionais e a recusa do modernismo estrangeiro; Os heróis portugueses são exaltados; A Escola desempenhou um papel fundamental na transmissão dos valores do Estado Novo;
  • 193. Módulo 7, História A 193 O Estado Novo afirma-se antiliberal, antidemocrático e antiparlamentar; Para Salazar a Nação era vista como um todo e não um grupo de indivíduos isolados; Dessa ideia derivava que a Nação se sobrepunha ao direitos de liberdade individual e que os partidos representavam ideias de grupos de indivíduos e por isso era contrário aos interesses da nação; O Estado Novo era contra a separação dos poderes do Estado (executivo, judicial e legislativo) e via num poder executivo forte a garantia da existência de um Estado forte e autoritário;
  • 194. Módulo 7, História A 194 A Constituição de 1933 atribuiu vastos poderes ao Presidente da República e, sobretudo, ao Presidente do Conselho de Ministros; O Presidente do Conselho de Ministro podia nomear e exonerar ministros, promulgar leis através de decretos-leis, e inclusive vetar as decisões do Presidente da República; A Assembleia Nacional limitava-se a aprovar as propostas de lei enviadas pelo governo; Salazar foi transformado na figura do chefe providencial que tinha salvo Portugal da bancarrota, era o “Salvador da Pátria”;
  • 195. Módulo 7, História A 195 O Estado Novo propôs o corporativismo como modelo de organização económica, social e política do país; No corporativismo o país era representado pelas famílias e pelas pessoas agrupadas pelas funções que desempenhavam; Todos os indivíduos e organizações contribuíam para o bem comum;
  • 196. Módulo 7, História A 196 O Estado Novo, com a publicação do Estatuto do Trabalho Nacional adotou o corporativismo; Foi criada a Câmara Corporativa que tinha funções consultivas;
  • 197. Módulo 7, História A 197 Estrutura do Estado Corporativo: Corporações: integravam os setores económicos, assistência e caridade e culturais; Federações, Uniões e Grémios: associações nacionais ou regionais que agrupavam trabalhadores e patrões; Sindicatos Nacionais: agrupavam os trabalhadores por por profissões; Casas do povo: agrupavam os agricultores por freguesias; Casas dos Pescadores: agrupavam os pescadores por freguesias;
  • 198. Módulo 7, História A 198 O corporativismo aboliu os sindicatos livres; Através da regulação corporativa definiam-se salários e quotas de produção; Era uma forma de organização económico-social; A Câmara Corporativa tinha funções consultivas; A estrutura corporativa era composta por vários organismos: Corporações (setores económicos e culturais); Casas do Povo (agricultores); Casa dos Pescadores; Sindicatos Nacionais;
  • 199. Módulo 7, História A 199 As corporações incluíam as universidades, as Casas do Povo, hospitais, Sindicatos Nacionais, etc.; Toda a estrutura económica, social, cultural e política do país estava organizada em corporações;
  • 200. Módulo 7, História A 200 Os Sindicatos Nacionais organizavam os trabalhadores e os Grémios os patrões; Existiam as Casas do povo para organizar patrões e trabalhadores rurais, Casas dos Pescadores, etc.; Havia corporações assistenciais, culturais, etc.; Todos estes organismos elegiam uma Câmara Corporativa que era um órgão consultivo e emitia pareceres sobre os projetos de lei a apresentar à Assembleia Nacional;
  • 201. Módulo 7, História A 201 Uma das explicações para a longevidade do regime tem que ver com as instituições e processos criados para enquadrar as massas na ideologia do regime; Em 1930 nasceu a União Nacional, o partido que sustentava o regime, o único legal; Em 1933 é criado o Secretariado da Propaganda Nacional (SPN), dirigido por António Ferro; O SPN teve um papel importante não só na publicitação do regime mas também na criação de uma arte estereotipada que estivesse de acordo com a ideologia do regime;
  • 203. Módulo 7, História A 203 Todos os funcionários eram obrigados a fazer prova da sua fidelidade ao regime através de um juramento, onde se jurava estar de acordo com o ideário da Constituição de 1933 e se repudiava o comunismo e outras ideias subversivas; Em 1936 foi criada a Legião Portuguesa, era uma milícia do regime, os seus membros tinham treino militar; No mesmo ano é criada a Mocidade Portuguesa, todos os alunos do ensino primário e secundário tinham de se inscrever, o objetivo era catequizar a juventude no ideário do regime; Estas organizações foram copiadas das suas congéneres italianas, os seus membros tinham uniforma próprio;
  • 205. Módulo 7, História A 205 O ensino foi controlado. Os professores que não eram adeptos do regime foram expulsos; Os manuais escolares eram únicos e controlados pelo regime; Na revisão da Constituição de 1935 o ensino passou a estar ligado aos “princípios da doutrina e da moral cristãs”; Em 1935, foi fundada a Fundação Para a Alegria no Trabalho (FNAT), inspirada na Dopolavoro italiana e na Kraft durch Freud alemã, pretendia controlar os tempos livres dos trabalhadores; A organização “Obras das Mães para a Educação Nacional”, foi criada em 1936;
  • 206. Módulo 7, História A 206 O aparelho repressivo do Estado Como todos os regimes ditatoriais o Estado Novo criou um aparelho repressivo com o objetivo de se manter no poder;
  • 207. Módulo 7, História A 207 Foi criada uma Censura Prévia para os media, livros, cinema, rádio, televisão, ou seja para todas as publicações portuguesas, o objetivo era controlar o que os portugueses poderiam conhecer e saber; Em 1933 foi criada uma polícia política, Polícia de Vigilância e de Defesa do Estado (PVDE), rebatizada em 1945 de Polícia Internacional de Defesa do Estado (PIDE) e 1969 passou a chamar-se Direção Geral de Segurança (DGS);
  • 208. Módulo 7, História A 208 A polícia política perseguiu, prendeu, torturou e assinou os opositores do regime com especial ênfase nos militantes e simpatizantes do Partido Comunista Português; As pessoas detidas pela polícia política não tinham direito a um julgamento justo, por vezes eram mantidas prisioneiras em condições degradantes;
  • 209. Módulo 7, História A 209 Ficaram célebres as prisões de Peniche e Caxias e na Ilha de Santiago, em Cabo Verde, o campo de concentração do Tarrafal;
  • 210. Módulo 7, História A 210 2.5.2 Uma economia submetida aos imperativos políticos Submeter toda a riqueza e produção portuguesa aos interesses do Estado estava definido na Constituição de 1933; A política económica do estado Novo caracterizou-se pelo protecionismo e intervencionismo com o objetivo de alcançar a autossuficiência do país; A estabilidade financeira foi a prioridade de Salazar; Quando assumiu o cargo de ministro das Finanças, em 1928, limitou os gastos e aumentou os impostos, o que lhe permitiu equilibrar a balança comercial portuguesa;
  • 211. Módulo 7, História A 211 Aumentou as taxas alfandegárias sobre as importações; A neutralidade de Portugal durante a II Guerra Mundial ajudou a manter o equilíbrio das contas; Aumentaram as exportações, como por exemplo o volfrâmio (metal fundamental para o fabrico de munições); Aumentaram as reservas de ouro permitindo que Portugal alcançasse a estabilidade monetária;
  • 212. Módulo 7, História A 212 Este êxito foi aproveitado pelo regime para o apelidar de “milagre económico”; No entanto a sua política de austeridade e contenção das despesas manteve uma parte importante do país sem acesso às condições mínimas de vida (água canalizada, eletricidade, estradas, ensino, saúde, etc.);
  • 213. Módulo 7, História A 213 O “milagre financeiro” de Salazar consistiu na prática em aumento de impostos: Vários impostos denominados de “salvação nacional” sobre os funcionários públicos, sobre vários produtos (gasolina, açúcar, etc.); Imposto complementar sobre os rendimentos; Imposto sobre os rendimentos das profissões liberais; Revisão da contribuição predial e industrial; Aumento das taxas alfandegárias;
  • 214. Módulo 7, História A 214 A importância da ruralidade Nos anos 30 e 40 Salazar levou a acabo uma política económica assente no mundo rural; Era um elemento central da ideologia e uma parte importante dos apoiantes do regime eram grandes proprietários rurais; Construíram-se barragens para promover a irrigação dos solos; Em 1936 foi criada a Junta de Colonização Interna que tinha o objetivo de povoar os baldios e terrenos públicos; Realizou-se uma política de arborização de alguns terrenos;
  • 215. Módulo 7, História A 215 O Estado Novo fomentou a cultura da vinha e deram-se progressos nas culturas do arroz, azeite, cortiça, frutas e batata;
  • 216. Módulo 7, História A 216 A maior campanha foi a Campanha do Trigo, inspirada na “Batalha do trigo” italiana que se iniciou em 1929 e decorreu nos anos 30; Procurou alargar-se a área cultivada, nomeadamente no Alentejo; O governo comprava a produção aos agricultores (o mercado do trigo era estatal) e estabeleceu o protecionismo alfandegário ;
  • 217. Módulo 7, História A 217 Esta campanha conseguiu que o país fosse autossuficiente em termos de produção cerealífera; Esta campanha promoveu o fabrico de adubos, de maquinaria e deu emprego a milhares de portugueses; Apesar de o início da II Guerra Mundial ter trazido o reinício das importações de cereais, esta campanha foi uma das “bandeiras” do regime; De facto esta campanha foi um fracasso parcial pois muitos dos novos solos utilizados no cultivo cerealífero revelaram-se inadequados e esgotaram-se rapidamente;
  • 218. Módulo 7, História A 218 O regime apresentou a Campanha do Trigo como a “sublime dignificação da lavoura nacional” e considerava-a “a indústria mais nobre e a mais importante de todas as indústrias e o primeiro fator de prosperidade económica da Nação”;
  • 219. Módulo 7, História A 219 A política de obras públicas desenvolvida pelo Estado Novo, tal como o que aconteceu na Itália ou na Alemanha, tinha como objetivo central dar uma imagem nacional e internacional de modernização do país e resolver o problema do desemprego; Em 1930 é promulgada a Lei de Reconstituição Económica que vai impulsionar a execução de obras públicas; Iniciaram um programa de construção de estradas, de ponte;
  • 220. Módulo 7, História A 220 Desenvolveram as redes telefónica e telegráfica; Expandiram a eletrificação do país, construíram hospitais, escolas, etc.; O programa de obras públicas, durante os anos 30 e 40, foi dirigido pelo Eng. Duarte Pacheco, ministro das Obras Públicas.
  • 221. Módulo 7, História A 221 O condicionamento industrial O ministro das Obras Públicas, Eng. Duarte Pacheco, empreendeu um vasto programa de obras públicas, sobretudo de infraestruturas; Perante o “ruralismo do regime” a indústria não constituiu uma prioridade para o Estado Novo; Existiam vários constrangimento ao desenvolvimento industrial como a deficiente rede de comunicações, tecnologia antiga, níveis de produtividade baixos, salários baixos, falta de iniciativa dos investidores, nível de importações bastante alto; A percentagem de trabalhadores industrial era muito baixo ainda em 1940 representavam apenas 22% da população ativa;
  • 222. Módulo 7, História A 222 O fraco crescimento industrial teve que ver com a política de condicionamento industrial levada a cabo pelo Estado Novo, em especial, na década de 30; As iniciativas empresariais deviam enquadrar-se num modelo económico definido pelo governo; As indústrias de muito setores (adubos, cimentos, tabaco, fósforos, etc.) precisavam de autorização do Estado para abrirem, efetuar ampliações, mudar de local, ser vendida a estrangeiros ou para comprar novas tecnologias; A liberdade económica era submetida aos interesses de um Estado fortemente dirigista e intervencionista;
  • 223. Módulo 7, História A 223 Os objetivos principais do regime ao praticarem esta política dirigista era controlarem a indústria nacional; Por outro lado procurava equilibrar os variados interesses dos capitalistas e evitar o crescimento de proletariado urbano que era considerado perigoso pelo Estado Novo; Era ainda uma consequência da ideologia salazarista que era ruralista, anti urbana, anti-industrial;
  • 224. Módulo 7, História A 224 Esta política levou a um forte condicionamento de crescimento e modernização da indústria portuguesa que manteve níveis tecnológicos e de produtividade muito baixos; Cresceram grandes companhias monopolistas favorecidos por esta política estatal tornando-se num dos grandes suportes do regime;
  • 225. Módulo 7, História A 225 Em 1933, inspirado na Carta do trabalho Italiano, o Estado Novo publicou o Estatuto do Trabalho Nacional; Esta lei determinava que nas várias profissões das diversas atividades económicas os trabalhadores deveriam ser organizados em Sindicatos Nacionais e os patrões em Grémios, só era excluída a Função Pública;
  • 226. Módulo 7, História A 226 Grémios e os Sindicatos Nacionais eram agrupados em federações, uniões e finalmente em corporações; As negociações salariais eram feitas nestas corporações que estabeleciam contratos coletivos de trabalho, normas e quotas de produção, o Estado funcionava com árbitro nessas negociações; A greve e o lock-out estavam proibidos;
  • 227. Módulo 7, História A 227 Houve alguma resistência na adesão dos trabalhadores aos Sindicatos Nacionais; Logo em janeiro de 1934, quando foram proibidos os sindicatos e as reivindicações laborais surgiram várias greves dirigidas fundamentalmente pelo Partido Comunista;
  • 228. Módulo 7, História A 228 As confrontações atingiram o auge quando no dia 18 de janeiro, na Marinha Grande, os operários vidreiros ocuparam o posto da GNR local e proclamaram um “soviete local”; Esta greve foi reprimida violentamente pelo Estado Novo que continuou com a corporativização dos sindicatos sem nunca ter tido uma grande adesão por parte dos trabalhadores;
  • 229. Módulo 7, História A 229 A política colonial
  • 230. Módulo 7, História A 230 Para o Estado Novo as colónias eram um elemento fundamental para a política de nacionalismo económico e ao mesmo tempo eram um meio de fomentar o orgulho nacionalista; Serviam para escoar os produtos portugueses e forneciam matérias- primas a baixo custo; Eram um dos temas da propaganda do regime, enaltecendo a coragem dos Descobrimentos portugueses e louvando a missão civilizadora de Portugal no Ultramar; Em 1930 foi publicado o Ato Colonial onde eram definidas as relações de dependência das colónias em relação ao governo central;
  • 231. Módulo 7, História A 231 Esta decreto colocou fim às experiências de descentralização administrativa e abertura a investimentos estrangeiros iniciada durante a Primeira República;
  • 232. Módulo 7, História A 232 As populações nativas, tidas como inferiores, foram largamente segregadas; O Estado Novo proclamou a sua vocação colonial e procurava incutir na povo português uma mística imperial; Foram organizados vários congressos e exposições para propagandear essa ideia;
  • 233. Módulo 7, História A 233 Destacam-se as I Exposição Colonial Portuguesa (Porto, 1934) e a Exposição do Mundo Português (Lisboa, 1940);
  • 234. Módulo 7, História A 234 Princípios do colonialismo português das décadas de 40 e 50: É um sistema imperial; As colónias estão subordinadas à metrópole e são parte integrante do território português; Portugal apresenta uma vocação evangelizadora e civilizadora; O colonialismo protege os povos indígenas que que gozam de estatuto diferente conforme o grau de evolução; Existe uma complementaridade económica entre a metrópole e as colónias; Centralização administrativa;
  • 235. Módulo 7, História A 235 2.5.3 O projeto cultural do regime O projeto cultural do Estado Novo foi submetido aos interesses do Estado; A produção artística e literária foi controlada pelo regime, nomeadamente com a criação da comissão de censura; Os interesses do Estado Novo, em termos culturais eram evitar que os intelectuais pudessem colocar em causa o regime e dinamizar a produção cultural de propaganda do Estado e da grandeza de Portugal;
  • 236. Módulo 7, História A 236 O Estado Novo concebeu um plano que fez de intelectuais e artistas um instrumento na divulgação e propaganda do regime; Este projeto cultural chamou-se “Política do Espírito”, pois pretendia elevar a mente dos portugueses e alimentar a sua alma; Este projeto levado a cabo pelo Secretariado da Propaganda Nacional (SPN), dirigido por António Ferro (1895-1956);
  • 237. Módulo 7, História A 237 Ferro foi jornalista e amigo de alguns modernistas portugueses, participou na revista Orpheu e, ao mesmo tempo, admirador de Mussolini e Salazar, e por isso mesmo uma das figuras mais controversas do regime; Ferro convenceu o ditador português da importância das manifestações culturais para o regime se mostrar à população;
  • 238. Módulo 7, História A 238 Ferro pretendeu conciliar duas posições opostas sobre o que deve ser um projeto cultural: conservadorismo e vanguarda; Ferro pretendia afirmar Portugal internacionalmente através de um programa de desenvolvimento das artes, da literatura e das ciências submetidos a uma ideologia retrógrada; O SPN desenvolveu um programa de regeneração do espírito português completamente vigiado e monitorizado pela censura; As artes deviam ter o papel de inculcar no povo o amor pela Pátria, o culto dos heróis, as virtudes da família e a importância da religião cristã;
  • 239. Módulo 7, História A 239 Esta cultura nacionalista deveria evidenciar uma estética moderna; O SPN organizou várias exposições, comemorações, salões de pintura, prémios literários, congressos científicos, todos organizados com grande publicidade no sentido de engrandecer o regime; Também organizaram manifestações de carácter popular: festas, marchas, concursos e, em termos cinematográficos, foram realizadas várias comédias; Todos os autores e artistas que não se enquadravam dentro destes ideais eram censurados e perseguidos;
  • 240. Módulo 7, História A 240 Realização de grandes eventos oficiais para promoção do regime: Exposição Colonial do Porto (1934) ou Exposição do Mundo Português (1940); Participação na Exposição Internacional de Paris (1937) e na Exposição Universal de Nova Iorque (1939); Uma das grandes exposições foi a Exposição do Mundo Português em 1940, comemorando os 800 anos da autoproclamação de rei, por D. Afonso Henriques (1140), e dos 300 anos da restauração da independência (1640);
  • 241. Módulo 7, História A 241 Em conclusão, é possível determinar três objetivos fundamentais da política do espírito, que se pretendia simples e servir para distrair o povo: 1 - Utilizar a cultura como meio de propaganda. A cultura devia glorificar o regime e o chefe; 2 - Conciliar as velhas tradições com a modernidade. Conciliar a ideologia nacionalista com as ideias modernistas e futuristas; 3 - Desenvolver uma cultura nacional e popular com base nas suas raízes e nos ideais do regime.
  • 242. Módulo 7, História A 242 Exposição do Mundo Português https://www.youtube.c om/watch?v=2QdO6sX EoTI
  • 243. Módulo 7, História A 243 No domínio literário a ação do SPN foi um fracasso, poucos escritores aderiram; Nas artes plásticas, na arquitetura, no bailado, no teatro e no cinema o êxito foi maior; Francisco Franco (1885-1955), expressionista, foi o escultor do regime salazarista;
  • 244. Módulo 7, História A 244 A ideia de António Ferro era a conceção de um projeto cultural totalizante, com o envolvimento e a instrumentalização de artistas e de escritores na promoção dos ideais do regime; Afirmação da “política do espírito” que recusa a “política da matéria” e a produção artística individualista e crítica, considerada decadente; Visa a padronização de uma cultura “construtiva” e “saudável”, orientada para a promoção das virtudes da família, para a valorização da confiança em Salazar, para promoção do amor à pátria e da grandeza do império; Procura a construção de um sistema de propaganda cultural eficiente como ação doutrinária do regime com vista à adesão das massas;
  • 245. Módulo 7, História A 245 Franco, Estátua equestre de D. João IV, Gonçalo Zarco,
  • 246. Maya, Família, 1929 Módulo 7, História A 246 Canto da Maya (1890-1981), marca expressiva, também foi um escultor oficial do regime;
  • 247. Almeida, Padrão dos Descobrimentos, 1940 Módulo 7, História A 247 Leopoldo de Almeida (1898-1975), a sua obra mais marcante, histórica e nacionalista foi o “Padrão dos Descobrimentos”;
  • 248. A arquitetura portuguesa, entre 1905-60, viveu várias tendências; Uma delas foi a da formulação da casa portuguesa, recuperando valores tradicionais e rurais; Esta ideia foi defendida por Raul Lino (1879-1974); Lino não criou propriamente uma estética mas uma filosofia da casa portuguesa; Módulo 7, História A 248
  • 249. Lino, Casa Cipestre Módulo 7, História A 249
  • 250. Ilha do Porto, na rua de S. Vítor Módulo 7, História A 250 Esta arquitetura também edificou bairros sociais e operários; São de referir as “ilhas” do Porto e os “pátios” de Lisboa;
  • 251. A arquitetura “nacional”, patrocinada pelo regime do Estado Novo e defendida por António Ferro que organizou várias campanhas e concursos para a “Aldeia mais portuguesa”; Esta arquitetura utilizou as técnicas e materiais modernos e submeteu-se à doutrina do regime salazarista; Módulo 7, História A 251
  • 252. Módulo 7, História A 252 Principais arquitetos: Cristino da Silva (1896-1976); Pardal Monteiro (1897-1957); Carlos Ramos (1897-1969); Jorge Segurado (1898-1990) Rogério de Azevedo (1898-1983); Cottinelli Telmo (1897-1948).
  • 253. Cristino da Silva, Praça do Areeiro Módulo 7, História A 253
  • 254. Pardal Monteiro, Edifício do Diário de Notícias, Escadaria da Universidade de Coimbra Módulo 7, História A 254
  • 255. Pardal Monteiro, Igreja de Nossa Senhora de Fátima, Instituto Superior Técnico, Prédio em Lisboa Módulo 7, História A 255
  • 256. Módulo 7, História A 256 A derrota dos fascismo em 1945 deram um rude golpe no entusiasmo de António Ferro, por outro lado revelava-se extraordinariamente difícil conciliar o modernismo (aberto à inovação e à liberdade criativa) com a ideologia totalitária do regime; Em 1949, António Ferro demitiu-se do SPN; Ficava esquecido o projeto de criar um português novo, o português “estado-novista”;
  • 257. 257 Esquema in Linhas da História 12, Areal Editora
  • 258. Módulo 7, História A 258 Esquema in Linhas da História 12, Areal Editora
  • 259. Módulo 7, História A 259 Esquema in Linhas da História 12, Areal Editora
  • 260. Módulo 7, História A 260 Esta apresentação foi construída tendo por base a seguinte bibliografia: FORTES, Alexandra; Freitas Gomes, Fátima e Fortes, José, Linhas da História 12, Areal Editores, 2015 COUTO, Célia Pinto, ROSAS, Maria Antónia Monterroso, O tempo da História 12, Porto Editora, 2013 Antão, António, Preparação para o Exame Nacional 2014, História A, Porto Editora 2015 Catarino, António Luís, Preparar o Exame Nacional de História A, Areal Editores, 2015 2017/2018