03 historia a_revisões_módulo_3

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  1. 1. História A, 10º ano, Módulo 3 1 História A Revisões para o Exame Nacional de 12º ano Módulo 3 (10º ano) http://divulgacaohistoria.wordpress.com/
  2. 2. A Abertura Europeia ao Mundo http://divulgacaohistoria.wordpress.com/ História A, 10º ano, Módulo 3 2
  3. 3. Unidade 1 A geografia cultural europeia de Quatrocentos e Quinhentos História A, 10º ano, Módulo 3 3
  4. 4. 1.1. Principais centros culturais de produção e difusão de sínteses e inovações 1.1.1 As condições da expansão cultural Época Moderna inicia-se em meados do século XV. Há um dinamismo económico, cultural e de mentalidades na Europa. As cidades reanimam-se, há uma abertura de novas rotas transcontinentais, descobrem-se novas técnicas náuticas, a descoberta da imprensa e a utilização de armas de fogo revolucionam a vida. História A, 10º ano, Módulo 3 4
  5. 5. 1.1.2 O Renascimento – eclosão e difusão História A, 10º ano, Módulo 3 5
  6. 6. O Renascimento marcou a história europeia dos séculos XV e XVI; O Homem é visto como algo de bom, livre e responsável; O Homem é a medida de todas as coisas; Surge o movimento Humanista (Humanismo). Humanismo foi um movimento intelectual desenvolvido na Europa durante o Renascimento, entre os séculos XIV e XVI. Inspirado pela Antiguidade Clássica. Nasceu em Itália e abrangeu a maior parte da Europa. O humanismo renascentista propõe o antropocentrismo. O antropocentrismo era a ideia de "o homem ser o centro do pensamento filosófico", ao contrário do teocentrismo, a ideia de "Deus no centro do pensamento filosófico". História A, 10º ano, Módulo 3 6
  7. 7. A Antiguidade Clássica (grega e romana) inspirou os artistas do Renascimento; Outro campo que se desenvolveu nesta época foi o da investigação científica, fruto do espírito racional e crítico do Homem renascentista. História A, 10º ano, Módulo 3 7
  8. 8. O Renascimento nasceu em Itália, fruto da riqueza das suas cidades; No século XV (Quatrocentos) destacou-se a cidade de Florença (Pico della Mirandola, Brunelleschi, Doanatello, Botticelli, Leonardo da Vinci); No século XVI (Cinquecentos), emergiu a cidade de Roma (Rafael, Miguel Ângelo). Veneza (Ticiano, Veronese) também teve um papel importante. História A, 10º ano, Módulo 3 8
  9. 9. O Renascimento espalhou-se pela Europa, criando novas sínteses e reinterpretações, juntando as novas ideias com as tradições locais: Países Baixos: Desenvolvem a pintura a óleo (Jan e Hubert van Eyck, Hugo van der Goes, etc.); Erasmo de Roterdão, filósofo, é considerado um dos principais humanistas; França: Mecenato do rei Francisco I. História A, 10º ano, Módulo 3 9
  10. 10. Alemanha: Surgem cidades universitárias e centros de imprensa, destacam-se os pintores Albretch Dürer e Hans Holbein; Inglaterra: Destacou-se Thomas Moore e as universidades de Oxford e Cambridge; Na Península Ibérica destacaram-se as universidades de Alcalá de Henares e o Colégio das Artes e Humanidades (Coimbra); Ainda se destacaram as cortes da Hungria e Polónia. História A, 10º ano, Módulo 3 10
  11. 11. O alargamento do conhecimento do Mundo
  12. 12. 2.1. O contributo português 2.1.1 Inovação técnica Os principais avanços das técnicas náuticas: leme de cadaste (central); bússola; cartas-portulano; astrolábio, quadrante, balestilha; utilização de velas triangulares ou latinas; Surge um novo tipo de barco, a caravela, que permite bolinar. Mais tarde surgem as naus e galeões História A, 10º ano, Mòdulo 3 12
  13. 13. Desenvolve-se a cartografia História A, 10º ano, Mòdulo 3 13
  14. 14. Grandes avanços na determinação das coordenadas geográficas (latitude e longitude); Os portugueses resolveram o problema de determinar a latitude; O problema de determinar a longitude só foi completamente resolvido no século XVIII; Mercator (1569) desenvolve um novo sistema de projeção cilíndrica mais rigoroso; Cantino publica um novo planisfério em 1502; História A, 10º ano, Mòdulo 3 14
  15. 15. 2.1.2 Observação e descrição da Natureza As descobertas iniciadas pelos portugueses substituíram a visão limitada do mundo mediterrânico por uma visão global do planeta; Os portugueses, baseados na observação, contrariaram muitas ideias preconcebidas sobre os mares, terras, faunas e flora de regiões pouco conhecidas ou mesmo desconhecidas; É uma atitude pré-científica, resulta do conhecimento empírico, de vivências experimentadas, da realidade observada (experiencialismo); História A, 10º ano, Mòdulo 3 15
  16. 16. Contributo de alguns homens: Duarte Pacheco Pereira (1460-1533) – é o primeiro a valorizar a experiência no contexto da observação empírica; Garcia de Orta (1501-1568) – registo das plantas medicinais do Oriente; D. João de Castro (1500-1548) – vice-rei da Índia, é autor de três Roteiros; Os portugueses negam e corrigem os clássicos, ajudam a construir um saber novo saber; Os novos conhecimentos, derivados do experiencialismo, resumiram-se, na maior parte dos casos, a observações e descrições da Natureza; O saber português, (XV e XVI) contribuiu para o desenvolvimento do espírito crítico. História A, 10º ano, Mòdulo 3 16
  17. 17. 2.2. O conhecimento científico da Natureza 2.2.1 A matematização do real A conjugação da valorização da experiência e da matemática está na origem do método experimental (método científico); Leonardo da Vinci (1452-1519) teve um papel percursor na afirmação de uma nova mentalidade científica; No processo de matematização do real surge a noção de que só a demonstração matemática das hipóteses suscitadas pela observação permitiria a formulação de leis científicas; História A, 10º ano, Mòdulo 3 17
  18. 18. Pouco a pouco vulgariza-se o uso dos números e das medidas; Dá uma lenta transformação das estruturas mentais, e revela-se uma mentalidade quantitativa; A numeração romana é substituída pela árabe; O Homem renascentista recorre aos números no decorrer das suas atividades: Navegador - calcula distâncias, latitudes, etc.;) Mercador, banqueiro - avalia lucros e perdas, etc.; Funcionários do Estado - calcula impostos, coleta rendas, etc. História A, 10º ano, Mòdulo 3 18
  19. 19. 2.2.2 A revolução das conceções cosmológicas No início do Renascimento, a teoria geocêntrica, era a conceção cosmológica dominante. Derivava dos trabalhos de Aristóteles (384- 322 a.c.) e Ptolomeu (100-165); Já na Antiguidade houve autores que contrariaram esta teoria, como Aristarco de Samos (320-250 a.c.), que defendeu uma perspetiva heliocêntrica; Nicolau Copérnico (1453-1543) retomou a perspetiva heliocêntrica. História A, 10º ano, Mòdulo 3 19
  20. 20. Na obra “De Revolutionibus Orbium Coelestium”, Copérnico defende que o Sol está no centro do universo. A Terra e os outros planetas giram em seu redor (movimento de translação) e giram em torno do seu próprio centro (movimento de rotação), em esferas celestes. História A, 10º ano, Mòdulo 3 20
  21. 21. As repercussões das conclusões de Copérnico, publicadas nas vésperas da sua morte, não foram sentidas de imediato; A conceção de Copérnico não era correta; No entanto outros vão continuar o caminho iniciado por ele; As conceções do universo geocêntrico de Ptolomeu e a doutrina da Igreja vão ser abaladas; Inicia-se uma verdadeira revolução das conceções cosmológicas. História A, 10º ano, Mòdulo 3 21
  22. 22. Giordano Bruno (1548-1600) – frade italiano, defendeu a teoria de um universo infinito, com inúmeras estrelas que eram o centro de outros sistemas planetários. A Inquisição condenou-o a morte na fogueira. Ticho Brahe (1546-1601) – astrónomo dinamarquês, pensou um novo sistema planetários que conciliava a teoria heliocêntrica (os planetas giram à volta do sol) e a geocêntrica (o Sol e a Lua deslocam-se à volta da Terra); Johannes Kepler (1571-1630) – astrónomo alemão, formulou as leis do movimento dos planetas História A, 10º ano, Mòdulo 3 22
  23. 23. Galileu Galilei (1564-1642) – astrónomo italiano, aperfeiçoou o telescópio. Estas novas descobertas foram perseguidas pela Inquisição e muitas das obras publicadas que defendiam as teorias heliocêntricas foram colocadas no Índex. Inquisição – tribunal religioso criado no século XIII e restabelecido no século XVI. Investigava, julgava e condenava todos os que fossem suspeitos de terem ideias contrárias às definidas pela Igreja Católica Índex – Lista de livros publicada pela Igreja Católica, cuja leitura era proibida aos católicos. História A, 10º ano, Mòdulo 3 23
  24. 24. História A, 10º ano, Mòdulo 3 24 No entanto as novas conceções cosmológicas iam ganhando cada vez mais adeptos; Estava definitivamente definido que os progressos da ciência estavam assentes na formulação de leis a partir da observação, registo e interpretação de factos e experimentação de hipóteses.
  25. 25. A produção cultural
  26. 26. 3.1 Distinção social e mecenato As elites cortesãs e burguesas, as próprias Cortes, apostaram no embelezamento dos palácios e no apoio aos artistas e intelectuais como símbolo de afirmação social. História A, 10º ano, Módulo 3 26
  27. 27. 3.1.1 A ostentação das elites cortesãs e burguesa Os séculos XV e XVI, foram séculos de grande crescimento económico; Sectores (nobreza e burguesia) ligados ao comércio e à finança enriqueceram; Vão desenvolver formas de exteriorizar a sua riqueza e ascensão social: luxo, conforto, festas, o apoio à cultura (mecenato); História A, 10º ano, Módulo 3 27
  28. 28. As elites rodeavam-se de luxo e ostentação: belos palácios, roupas sumptuosas, banquetes faustosos, etc.; Praticavam o mecenato; Mecenato: proteção da arte e da cultura. Lourenço de Médicis História A, 10º ano, Módulo 3 28
  29. 29. As cortes são um circulo privilegiado da cultura e da sociabilidade renascentista; Uma das cortes mais famosa foi a dos Médicis em Florença; A festa privada torna-se o espaço privilegiado de divertimento dos ricos (banquetes, bailes, teatro, jogo, etc.); Surge um conjunto de regras de civilidade; Civilidade – conjunto de regras de comportamento que o indivíduo Deveria respeitar na sua vida pública. Surgem no século XV, com a publicação de vários livros de cortesia e boas maneiras. História A, 10º ano, Módulo 3 29
  30. 30. 3.1.2 O estatuto de prestígio dos intelectuais e artistas Nobres, burgueses, monarcas e membros do clero fizeram encomendas aos artistas e intelectuais (projetos de arte, obras literárias, estudos, etc.); A prática do mecenato era uma forma de imortalizar o nome das elites; O estatuto social do artista e do intelectual torna-se mais importante; São prestigiados e considerados; Os artistas passam a assinar as suas obras, distinguindo-se do anonimato dos artistas medievais. História A, 10º ano, Módulo 3 30
  31. 31. 3.2. Os caminhos abertos pelos humanistas Os artistas e intelectuais (Humanistas) do Renascimento abriram novos caminhos para a arte e a cultura; Desenvolveram e aprofundaram os ideais do antropocentrismo e individualismo; Pico della Mirandola (1463-1494) foi um dos primeiros humanistas. História A, 10º ano, Módulo 3 31
  32. 32. Humanista – É um intelectual (letrado) dos séculos XV e XVI. Baseia o seu saber no estudo da Antiguidade Clássica (Roma e Grécia). Procura conciliar os valores da civilização grega e romana com os valores do cristianismo. Defendem uma cultura antropocentrista e os valores do individualismo. Dante Alighieri História A, 10º ano, Módulo 3 32
  33. 33. 3.2.1 Valorização da Antiguidade Clássica Uma das características fundamentais dos humanistas é a inspiração nos modelos clássicos (Grécia e Roma). A ideia não é imitar os antigos mas inspirar-se na cultura clássica para inovar, recriar e transformar; O estudo dos clássicos não é um fim mas um instrumento para ajudar os humanistas a desenvolverem a sua modernidade; História A, 10º ano, Módulo 3 33
  34. 34. Alguns humanistas: Petrarca (1303-1374); Bocaccio (1313-1375); Lourenço Valla (1407-1457); Marsílio Ficino (1433-1499); Maquiavel (1469-1527); Cervantes (1547-1616); Rabelais (1494-1553); Montaigne (1533-1592); Shakespeare (1564-1616); Luís Vaz de Camões (1524-1580). História A, 10º ano, Módulo 3 34
  35. 35. Os humanistas estudaram o grego e o latim para poderem estudar os autores clássicos; Recuperaram as Sagradas Escrituras leram o Novo Testamento e o Antigo Testamento (hebraico), e corrigiram os erros das traduções medievais; O ensino fomentou o conhecimento da Antiguidade (estudo do grego, latim, literatura, história, filosofia). Receberam o nome de studia humanitatis, porque se consideravam áreas de ensino fundamentais para a formação moral do ser humano. A imprensa contribui para a divulgação dos autores clássicos. História A, 10º ano, Módulo 3 35
  36. 36. 3.2.2 A afirmação das línguas nacionais e a consciência da modernidade Os Humanistas desenvolvem um movimento de afirmação das línguas nacionais; Dante Alighieri (1265-1321), foi um dos percursores, escreveu grande parte da sua obra em italiano e não em latim; Os humanistas escreveram grande parte da sua obra nas respetivas línguas nacionais; Isto permitiu que mais pessoas lessem as suas obras; Existia a ideia de divulgar pelo maior número de pessoas as novas ideias; Há uma maior difusão da cultura na época do Renascimento. História A, 10º ano, Módulo 3 36
  37. 37. 3.2.3 Individualismo, espírito crítico, racionalidade e utopia O individuo distinguia-se e afirmava-se pelo uso da razão; Os homens do Renascimento adotaram um mentalidade racionalista; O individualismo valoriza o espírito de criatividade das pessoas; Os humanistas cultivam a ideia de um mundo perfeito; O espírito crítico tinha-os levado a compreender os problemas da época (corrupção, ignorância, abusos dos poderosos, etc.; Surge a crítica social; História A, 10º ano, Módulo 3 37
  38. 38. Erasmo de Roterdão (1469-1536) criticando a sociedade da época propõe o regresso ao cristianismo primitivo e recuperar os valores da humildade, caridade, fraternidade e tolerância. No livro, “Elogio da Loucura”, Erasmo critica o Papa e a corrupção do clero; História A, 10º ano, Módulo 3 38
  39. 39. Nascem as utopias; Alguns humanistas imaginam mundos perfeitos onde os homens viviam em paz e felizes; Uma das utopias mais conhecidas é o livro chamado “Utopia” da autoria de Thomas More (1478-1535), onde imaginou um mundo racional, onde existia igualdade, fraternidade e tolerância; More critica a intolerância, o abuso de poder dos monarcas, o luxo do clero, a corrupção da sociedade. História A, 10º ano, Módulo 3 39
  40. 40. Os homens do Renascimento aliavam (…) a admiração pelo mundo greco-romano a uma falta de respeito evidente. Inspirar-se nos Antigos para fazer coisas novas, eis o propósito. Nos grandes artistas do Renascimento a imitação da Antiguidade nunca foi servil (…). Jean Delumeau, A Civilização do renascimento 3.3 A reinvenção das formas artísticas. A imitação e superação dos modelos da Antiguidade História A, 10º ano, Módulo 3 40
  41. 41. Os artistas do Renascimento possuíam uma técnica superior à dos Antigos (…). Os pintores da Grécia e Roma não conheciam a pintura a óleo (…) Os estudos dos Flamengos e, mais ainda, dos Italianos tiveram um carácter inédito. Jean Delumeau, A Civilização do renascimento História A, 10º ano, Módulo 3 41
  42. 42. Pintura do Gótico, Giotto e do Renascimento História A, 10º ano, Módulo 3 42
  43. 43. A pintura renascentista foi um exercício intelectual; O artista já não é o artesão medieval anónimo, mas um intelectual reconhecido; Procura a fama, o seu trabalho é uma obra de arte, uma obra- prima; A pintura do Renascimento foi o culminar de um processo iniciado no século XIII por Giotto; Inspirado na cultura e arte da Antiguidade Clássica (Roma e Grécia) o artista procura uma formação humanista e científica; O artista ainda devia estudar geometria, perspetiva, aritmética, gramática, filosofia, história, astronomia, medicina, anatomia de modo a poderem expressar bem a sua arte. História A, 10º ano, Módulo 3 43
  44. 44. A arte deve ser imitação (mimesis) da Natureza; A pintura renascentista é uma arte racional, científica e uma imitação intelectualizada e tecnicista da Natureza; Todos estes aspetos foram estudados e teorizados; No século XVI a arte ganhou mais emoção; A pintura do Renascimento ultrapassou a Arte da Antiguidade Clássica, e foi a base da pintura ocidental. História A, 10º ano, Módulo 3 44
  45. 45. Paolo Uccello, A caçada na Floresta História A, 10º ano, Módulo 3 45
  46. 46. Perspetiva científica História A, 10º ano, Módulo 3 46
  47. 47. Uma das principais descobertas técnicas do Renascimento foi a perspetiva, rigorosa e científica; Permite construir o espaço pictórico segundo as leis da ótica, das proporções geométricas, da exatidão matemática e do tratamento da luz de uma forma coerente. História A, 10º ano, Módulo 3 47
  48. 48. Todas as linhas convergem para um ponto para o qual o olhar é atraído; Tudo é ritmado segundo valores matemáticos; A perspetiva é o reflexo da harmonia que rege a Criação. História A, 10º ano, Módulo 3 48
  49. 49. A luz é o elemento que confere materialidade (volume) à pintura; Elaboração cuidada do claro-escuro. História A, 10º ano, Módulo 3 49
  50. 50. Paolo Uccello, A batalha de San Romano, 1452, têmpera sobre madeira História A, 10º ano, Módulo 3 50
  51. 51. Na Flandres, século XV, inventaram a técnica do óleo: Seca lentamente, podia ser retocada; Tornava possível as velaturas (transparências); Empastes (grande espessura de tinta); Gradações cromáticas; Elaboração de modelados – técnica para obter, por meio de gradações cromáticas, a ilusão de volume. História A, 10º ano, Módulo 3 51
  52. 52. Mestre Flémalle, A Virgem e o Menino História A, 10º ano, Módulo 3 52
  53. 53. Mestre Flémalle, A Virgem e o Menino História A, 10º ano, Módulo 3 53
  54. 54. A renovação da espiritualidade e da religiosidade
  55. 55. 4.1 A Reforma Protestante 4.1.1 Individualismo religioso e críticas à Igreja Católica Nesta época a radicalização de posições levou à rutura teológica de Lutero e Calvino. As grandes calamidades do século XIV (fomes, guerras e pestes) desenvolveram nas pessoas um clima de pessimismo; Divulga-se a ideia de um Deus castigador dos pecados dos homens; História A, 10º ano, Módulo 3 55
  56. 56. Para agravar a situação a Igreja está dividida. Entre 1378 e 1417, existem dois Papas. Um em Roma e outro em Avinhão (cidade francesa). É o Cisma do Ocidente. O fim do Cisma não significou o fim da crise da Igreja; Os Papas renascentistas levavam uma vida pouco condizente com os ideias cristãos; Os maus exemplos abundavam em toda a hierarquia católica; Na Igreja abundava o abandono espiritual dos fiéis, o absentismo do clero e a dissolução dos costumes; Desde o século XIV começam a surgir críticas à Igreja Católica; História A, 10º ano, Módulo 3 56
  57. 57. Por um lado Desenvolvem-se práticas de supersticiosas e fanáticas (feitiçaria, procissões de flagelantes, etc.; Por outro Práticas de novas formas de piedade mais intimistas e individualistas, como a Devotio Moderna, na Holanda que defendia uma vida humilde, de devoção a Deus e a prática da solidariedade; Na obra “Imitação de Cristo”, escrita em língua vulgar, o monge alemão, Thomas Kempis (1379-1471)defende os princípios da Devotio Moderna; Este livro exerceu uma forte influência no individualismo religioso do século XV. História A, 10º ano, Módulo 3 57
  58. 58. Surgem as heresias; John Wiclif, (1328-1384), professor em Oxford, põe em dúvida a utilidade do clero e a validade dos sacramentos; Apela ao estudo direto da Bíblia que considera a única fonte de Fé; Associada a esta heresia esteve o movimento dos lolardos, padres pobres que se associaram aos camponeses na sua luta contras os senhores; Heresia: Negação ou dúvida sobre algum ponto da Fé Católica. História A, 10º ano, Módulo 3 58
  59. 59. Jan Huss (1369-1415), reitor da Universidade de Praga (Polónia), apoiou as ideias de Wiclif; Defendeu a criação de uma Igreja nacional, desligada da obediência ao Papa; Savonarola (1452-1498), monge italiano denunciou as práticas da alta hierarquia da Igreja; Muitas destes homens foram condenados pelo tribunal da Inquisição e morreram na fogueira; História A, 10º ano, Módulo 3 59
  60. 60. Muitos humanistas, como Erasmo de Roterdão, criticaram as práticas da Igreja; Todas estas polémicas e contestações abriram caminho à Reforma. História A, 10º ano, Módulo 3 60
  61. 61. 4.1.2 A rutura ideológica Reforma – Cisma (divisão) na Igreja Católica desencadeada na primeira metade do século XVI; Foi protagonizada por Lutero, Calvino e Henrique VIII; Surge uma nova conceção de Igreja; Embora com diferenças o luteranismo, o calvinismo e o anglicanismo têm como pontos comuns: a justificação pela Fé; a exclusividade da Bíblia como fonte de Fé, o sacerdócio universal e a não aceitação da supremacia do Papa; Estas igrejas são conhecidas pelo nome de protestantismo. História A, 10º ano, Módulo 3 61
  62. 62. Martinho Lutero (1483-1546) desencadeou a Reforma; Alemão, monge agostinho, Mestre em Filosofia; Lutero colocava a seguinte questão: “Como pode alguém levar uma vida perfeita perante Deus”; Em 1510 fez uma viagem a Roma que o desgostou perante o espetáculo degradante dos membros do clero; Em 1517 afixou, na porta da Catedral de Wittenberg, as 95 teses contra as indulgências; Indulgências – eram uma forma de redimir os pecados, em vigor desde o século XI, concedida pelo Papa, perante a prática de boas obras (peregrinações, prática de esmolas, mas também podia ser comprada por uma determinada soma de dinheiro. História A, 10º ano, Módulo 3 62
  63. 63. Em 1515, o Papa Leão X, porque precisava de dinheiro para obras na Basílica de São Pedro (Vaticanos), autorizou a pregação de venda de indulgências; Contra isto se revoltou Lutero; Nas “95 teses” refutou o Papa e alguns dogmas da Igreja, afirmava que a salvação depende da Fé e não das obras; Martinho Lutero protagonizou uma rutura teológica com a Igreja; A igreja considerou estas novas ideias uma heresia; Em 1521, Lutero, foi excomungado e expulso da Alemanha; Seguiram-se tempos conturbados, do ponto de vista religioso, mas o protestantismo foi ganhando adeptos; História A, 10º ano, Módulo 3 63
  64. 64. A justificação pela Fé é a base doutrinária da reforma luterana, é uma nova doutrina da salvação; Para Lutero, o Homem não tem livre-arbítrio. É Deus que decide sobre a salvação dos homens; É Deus que predestina uns homens para a salvação outros para a condenação; O luteranismo abre caminho às teses da predestinação que serão desenvolvidas por Calvino; História A, 10º ano, Módulo 3 64
  65. 65. 4.1.3 As igrejas reformadas O Luteranismo Lutero considerava a Bíblia como única fonte de Fé e autoridade doutrinal; Rejeitou as obras dos Padres da Igreja e as decisões dos concílios que considerava meras palavras humanas e por isso sujeitas à crítica e à revisão; Negou o monopólio papal na interpretação da Bíblia, afirmou que qualquer crente podia ler as Escrituras sem intervenção do clero; História A, 10º ano, Módulo 3 65
  66. 66. A missa foi substituída por uma cerimónia na língua vulgar; Os cultos da Virgem e dos Santos foi abandonado; Proclamou o sacerdócio universal; O celibato e as ordens religiosas foram abandonadas; O chefe da Igreja reformada passa a ser o chefe de estado. Surgem as Igrejas Nacionais Evangélicas. O bens da Igreja ficam na mão dos príncipes alemães; Só reconheceu dois Sacramentos: Batismo e Eucaristia; Para Lutero a prática cristã define-se pela relação pessoal do crente com Deus e não pelas regras, leis e ritos estabelecidos pelos homens; A vida religiosa é uma ação de amor a Deus. História A, 10º ano, Módulo 3 66
  67. 67. O luteranismo expandiu-se rapidamente na Alemanha; Foi apoiado pelos burgueses; Os príncipes ficaram com os bens da Igreja Católica e por isso aderiram à nova Igreja; A imprensa contribuiu para a divulgação da nova Fé; Muitos humanistas e artistas converteram-se ao luteranismo; O Imperador Carlos V, católico, hesitou entre a liberdade religiosa e a obrigatoriedade de obedecerem ao Papa; Em 1555, Carlos V, aceitou a Paz de Augsburgo, e aceitou a liberdade de culto na Alemanha. História A, 10º ano, Módulo 3 67
  68. 68. O calvinismo João Calvino (1509-1564), nasceu em França, em 1534 fugiu para Genebra por causa das perseguições religiosas; Publicou o livro em língua francesa “Da instituição da religião cristã”, onde defende a sua doutrina, o calvinismo; Calvino baseou a sua doutrina na justificação pela Fé, no sacerdócio universal e na autoridade exclusiva da Bíblia; Para Calvino a predestinação é absoluta, para ele um ser humano jamais perderia a “graça da Fé”, se tivesse nascida com ela; Lutero considerava que se a pessoa perdesse a Fé, não teria a Salvação garantida; História A, 10º ano, Módulo 3 68
  69. 69. Da predestinação absoluta nasceu uma grande intolerância para com as outras doutrinas; Os calvinistas faziam parte de um grupo de eleitos (os predestinados); Se um homem tinha, por exemplo, êxito nos negócios, era um predestinado; Não aceitou a ideia de Lutero da chefia da Igreja ser entregue aos chefes de Estado, pelo contrário, defendeu a supremacia da Igreja sobre o Estado; Genebra transformou-se numa sociedade teocrática e perseguiu católicos e outros protestantes; O Calvinismo difundiu-se na França, Alemanha, Países Baixos, Hungria, Polónia, Inglaterra e Escócia. História A, 10º ano, Módulo 3 69
  70. 70. O anglicanismo. A Reforma na Inglaterra O rei inglês, Henrique VIII pediu ao Papa para lhe conceder o divórcio que recusou; O monarca proclamou o Ato de Supremacia (1534) que o tornou o chefe supremo da Igreja inglesa; Autorizou a tradução da Bíblia e secularizou os bens das ordens religiosas mas manteve-se fiel à doutrina católica; No reinado do seu filho, Eduardo VI (1537-1553), a igreja inglesa identificou-se com o calvinismo; História A, 10º ano, Módulo 3 70
  71. 71. No reinado de Maria Tudor (1516-1558), a Inglaterra voltou ao catolicismo e perseguiu os protestantes; No reinado de Isabel I (1533-1603) consolidou-se a igreja anglicana, num compromisso entre o catolicismo e o calvinismo; Em 1571 publicou os “Trinta e nove artigos” que ainda hoje é a base doutrinal da Igreja Anglicana; Defendia a justificação pela Fé, mas não aceitavam a predestinação absoluta; Reconheciam a autoridade absoluta da Bíblia; Só reconheciam como sacramentos o Batismo e a Eucaristia; Aboliram o celibato dos padres mas mantiveram uma hierarquia semelhante aos católicos; História A, 10º ano, Módulo 3 71
  72. 72. História A, 10º ano, Módulo 3 72
  73. 73. A Inglaterra passou, em termos religiosos por tempos conturbados; Os católicos levaram o Papa a excomungar Isabel I; Os calvinistas queixava-se da Igreja anglicana que aos seus olhos era igual a uma igreja católica. O seu rigor doutrinal valeu-lhes o nome de puritanos; Isabel I perseguiu católicos e puritanos. Fez da reforma religiosa uma arma de reforço da autoridade real; Muitos puritanos emigraram para os Países Baixos e para a América. História A, 10º ano, Módulo 3 73
  74. 74. Os protestantes deram um forte impulso ao capitalismo; A justificação do êxito nos negócios era o sinal da concordância de Deus; Os protestantes exaltam o valor do trabalho e renegam os valores de pobreza dos Franciscanos; História A, 10º ano, Módulo 3 74
  75. 75. As lutas religiosas A rutura protestante desencadeou violência. Na Alemanha, Grã- Bretanha, Suíça, Países Baixos e França sucederam-se perseguições, lutas, execuções e massacres; As disputas de teólogos e leigos demonstram um desejo de renovação espiritual; História A, 10º ano, Módulo 3 75
  76. 76. 4.2 Contrarreforma e reforma católica A reposta da Igreja Católica à rutura protestante chamou-se contrarreforma e reforma católica; Concílio de Trento, criação da Companhia de Jesus, reativação da Inquisição e do Índex foram alguns dos instrumentos utilizados pela Igreja Católica; História A, 10º ano, Módulo 3 76
  77. 77. 4.2.1 A reafirmação do dogma e do culto tradicional. A reforma disciplinar Em 1545 reuniu-se o Concílio de Trento, convocado pelo Papa Paulo III. Terminou os seus trabalhos em 1563; Condena o protestantismo; História A, 10º ano, Módulo 3 77
  78. 78. Principais decisões tomadas: Condenação dos princípios da predestinação e da justificação pela Fé. Reafirma-se o papel das obras humanas na Salvação; Confirma-se a existência do Purgatório; A par da Bíblia, proclamou-se o valor sagrado da tradição como fonte de Fé; Mantiveram-se os Sete Sacramentos; Reforçou-se o poder do Papa; Manteve-se o culto dos Santos e da Virgem; Manteve-se o latim como língua litúrgica. A língua vulgar era reservada para sermões e pregações; História A, 10º ano, Módulo 3 78
  79. 79. Sobre a reforma disciplinar o Concílio de Trento proclamou o seguinte: Proibição de acumulação de benefícios eclesiásticos; A residência obrigatória dos padres e bispos nas paróquias e dioceses; Manutenção do celibato eclesiástico; Proibição da ordenação de sacerdotes e bispos com idades inferiores a 25 e 30 anos, respetivamente; Criação de seminários para a formação dos futuros clérigos. História A, 10º ano, Módulo 3 79
  80. 80. Publicou-se um Catecismo (1566) com a compilação dos princípios doutrinais decididos em Trento; Foram publicados um breviário (1568) e um missal para regular a oração e o culto; A Igreja procurava disciplinar os fiéis e é imposta uma doutrina unânime e indiscutível. História A, 10º ano, Módulo 3 80
  81. 81. 4.2.2 O combate ideológico Os fiéis católicos deveriam ser afastados das heresias e por isso deveriam ser proibidos de ler os livros que colocavam a Fé católica em causa; Em 1543, foi criada a Congregação do Índex para elaborar a lista das obras consideradas perigosas, a lista ficou conhecida pelo nome de Índex; Esta lista teve consequências culturais perniciosas para o desenvolvimento cultural dos países do espaço católico, e fomentaram o atraso em relação ao mundo protestante ; Muitos dos livros que foram colocados no Índex diziam respeito a publicações filosóficas e científicas, de autores como Galileu, Descartes, Newton e Leibniz; História A, 10º ano, Módulo 3 81
  82. 82. A Inquisição (Santo Ofício) tinha sido criada em 1231. Era um tribunal religioso criado para combater as heresias; A sua reativação foi considerada uma forma de combater o protestantismo; Em 1542, o Papa Paulo III, ordenou a reorganização do tribunal da Inquisição; Nos países católicos onde o tribunal da Inquisição se instalou moveu uma perseguição a protestantes, cristãos-novos, filósofos, cientistas, etc.; Instruía processos com bases em denuncias anónimas e usava a tortura para obter confissões; Condenava a penas de prisão e à morte na fogueira; Confiscava os bens dos culpados. História A, 10º ano, Módulo 3 82
  83. 83. O proselitismo das novas congregações: a Companhia de Jesus Proselitismo – atividade religiosa exercida com zelo e fervor, no sentido de angariar adeptos. A Companhia de Jesus destacou-se nas atividades de missionação, ensino e pregação. A contrarreforma levou ao nascimento de novas ordens religiosas: Agostinhos Descalços, Capuchinhos, Carmelitas Descalços, Jesuítas; A Companhia de Jesus (jesuítas) foi a que desempenhou um papel mais relevante; História A, 10º ano, Módulo 3 83
  84. 84. Inácio de Loyola (1491-1556) foi o fundador da Companhia de Jesus em 1534; O seu proselitismo contribuiu para a expansão do catolicismo; Funcionava como uma organização militar; Era dirigida por um general ou geral; Os jesuítas estavam submetidos a uma rigorosa disciplina e consideram-se os “soldados de Cristo”; Proclamaram uma obediência incondicional ao Papa; Preocupavam-se com a formação intelectual dos seus membros; Viviam no meio da população; História A, 10º ano, Módulo 3 84
  85. 85. Distinguiram-se como missionários na Ásia, América e África; Fundaram uma vasta rede de colégios de qualidade que lhes permitiu uma ascendência sobre a juventude; Desenvolveram a arte da oratória nos seus sermões; História A, 10º ano, Módulo 3 85
  86. 86. 4.2.3 O impacto da reforma católica na sociedade portuguesa Portugal integrou-se completamente no movimento da Contrarreforma e da Reforma católica; Membros da hierarquia clerical portuguesa participaram no Concílio de Trento e cumpriram as decisões tomadas no concílio; As ideias protestantes tiveram um fraco eco nas populações portuguesas; No reinado de D. João III, chamou a Companhia de Jesus para Portugal; Estes desempenharam um importante papel na missionação do Brasil e do Oriente; História A, 10º ano, Módulo 3 86
  87. 87. Entre os jesuítas destacam-se os nomes de Francisco Xavier, Manuel da Nóbrega e António Vieira; Criaram uma rede de colégios quer em Portugal quer nas suas colónias; Em 1555 ficaram com a direção do Colégio das Artes e em 1559 com a direção da Universidade de Évora; História A, 10º ano, Módulo 3 87
  88. 88. O clima de intolerância religiosa desenvolve-se em Portugal originando o recuo das ideias humanistas e do espírito de livre crítica; O tribunal da Inquisição foi introduzido em Portugal em 1536 e instituiu a censura prévia em 1540; Em 1547 foi publicado o primeiro Índex, estabelecendo a lista dos livros proibidos; Foi particularmente violento: atingia obras e autores, bem como os impressores, livreiros e possuidores das obras; Humanistas como Damião de Góis e os professores do Colégio das Artes foram acusados de simpatia por Erasmo (este, apesar das críticas à Igreja, tinha permanecido católico); História A, 10º ano, Módulo 3 88
  89. 89. Todos os motivos eram válidos para provocar a atenção da Inquisição: heresia, bruxaria, bigamia, sodomia, blasfémia, etc.; O Tribunal da Inquisição estará em vigor, em Portugal, entre 1536 e 1821; Os cristãos-novos (judeus que se tinham convertido ao cristianismo) foram o alvo preferido da Inquisição; Eram vítimas da inveja do seu sucesso nos negócios; A Inquisição portuguesa utilizou todos os métodos à sua disposição: tortura para obter confissões, condenações à morta na fogueira, em auto de fé, etc.; Muitos cristãos novos abandonaram o país, levando consigo os capitais que faziam falta ao país; História A, 10º ano, Módulo 3 89
  90. 90. Portugal via-se mergulhado na inveja, denúncia e intriga; A Inquisição deixou marcas terríveis na sociedade portuguesa, contribuindo para o atraso do país; Impôs severos padrões morais e doutrinais; Modelaram as consciências e os comportamentos; Implementaram a angústia do pecado e da culpa; Instalaram o medo da punição (terrestre e divina). História A, 10º ano, Módulo 3 90
  91. 91. História A, 10º ano, Módulo 3 91
  92. 92. As novas representações da Humanidade
  93. 93. 5.1 O encontro de culturas e a dificuldade de aceitação do princípio de unidade do género humano Os descobrimentos revolucionaram as conceções geográficas; Colocaram em contacto civilizações, culturas e povos até então desconhecidos; Segundo o providencialismo, vigente na Idade Média, Deus superintendia tudo. Criou Adão como um homem perfeito, e dele descendia toda a Humanidade; O pecado original tinha ocasionado que nem todos os homens falavam a mesma língua e tinham a mesma religião; Apresentação História A 10º ano, Módulo 3 93
  94. 94. Todos eram seres humanos e merecedores de conhecerem a palavra de Deus, tais eram as afirmações de Santo Agostinho; O contacto com os novos povos descobertos criou um clima de estupefação e curiosidade; Surgem relatos antropológicos sobre os Negros, Ameríndios e Asiáticos; Os europeus procuravam compreender os outros povos. Apresentação História A 10º ano, Módulo 3 94
  95. 95. Este encontro de culturas rapidamente levou ao confronto de culturas; Rapidamente surge um olhar desconfiado e hostil; Os europeus cedo se revelaram preconceituosos e racistas; Desenvolve-se o princípio da superioridade da raça branca e da religião cristã; Em nome dessa superioridade facilmente se recorria às armas e se aniquilava as raças inferiores; Na Ásia os islâmicos eram o inimigo principal. Os budistas e hindus, eram considerados passíveis de se converterem ao cristianismo, e por isso mereceram alguma consideração; Os europeus começam a duvidar da humanidade dos Negros e Ameríndios, o que será um motivo para justificar a escravatura; Apresentação História A 10º ano, Módulo 3 95
  96. 96. 5.1.1 A escravatura. Os antecedentes da defesa dos direitos humanos A escravatura conheceu um amplo desenvolvimento com as descobertas marítimas; Vão se desenvolver enormes impérios coloniais; A escravatura é o melhor método para a criação de grandes massas de mão de obra necessárias para as grandes plantações e minas que se desenvolviam no continente americano; Apresentação História A 10º ano, Módulo 3 96
  97. 97. O escravo africano torna-se o suporte fundamental da colonização europeia da s Américas; São indispensáveis nas minas, nas grandes plantações de açúcar, algodão, tabaco, etc.; Na Europa também se desenvolve a prática da escravatura. São utilizados nos trabalhos domésticos, agrícolas, ofícios, etc.; Em Lisboa e Sevilha, em meados do século XVI, representavam cerca de 10% da população; Apresentação História A 10º ano, Módulo 3 97
  98. 98. Os portugueses e os espanhóis tiveram um papel pioneiro no tráfico de escravos; Apresentação História A 10º ano, Módulo 3 98
  99. 99. Em 1445, a fundação da feitoria de Arguim, na costa da Mauritânia, iniciou o tráfico negreiro organizado; Este tráfico é uma história de violência e de desrespeito dos mais elementares direitos humanos; Cerca de 20 milhões de africanos foram levados de África, a maior parte com destino à América; Os escravos eram transportados em condições deploráveis; Eram considerados e tratados como uma mera mercadoria; Vendidos, marcados com ferros em brasa, separados da família, de tudo isto forma vítimas. Apresentação História A 10º ano, Módulo 3 99
  100. 100. As primeiras manifestações de defesa dos direitos humanos surgiram a propósito da escravização dos índios na América espanhola; Senhores de extensas terras, os encomenderos, depressa esqueceram os seus deveres de protegerem os índios, e passaram a escravizá-los; Este brutal tratamento somado às doenças trazidas pelos europeus para o continente americanos (varíola), dizimaram a população índia; Apresentação História A 10º ano, Módulo 3 100
  101. 101. Os frades Francisco de Vitória e António de Montesinos denunciaram esses abusos; As discussões sobre o estatuto humanos dos índios chegou a Roma. O Papa Paulo III, na bula Sublimis Deus (1537), defendeu a humanidade dos índios e foram considerados aptos a receber as doutrinas de Fé católica; Bartolomeu de Las Casas (1474-1566), frade dominicano, dedicou a sua vida à defesa dos índios; Pelo contrário, o Dr. Juan Ginés de Sepúlveda (1480-1573) argumentava que os índios eram inferiores aos espanhóis e por isso era legítimo escravizá-los; Apresentação História A 10º ano, Módulo 3 101
  102. 102. 5.1.2 O esforço de enraizamento da presença branca: missionação e miscigenação O encontro de povos foi sempre ambivalente: tanto se conquistava com brutalidade e se escravizava como se missionava e procurava converter os povos, ainda que por vezes à força; A espada esteve sempre ao lado da Cruz; A religião constituiu uma força impulsionadora da expansão portuguesa e espanhola; Em todo o impérios, português e espanhol, levou-se a cabo uma gigantesca tarefa de missionação dos povos; Apresentação História A 10º ano, Módulo 3 102
  103. 103. A missionação foi uma estratégia de aculturação dos povos. Foi uma missionação agressiva e militante; O contacto entre as culturas orientais e europeias caracterizou-se pelas dificuldades de entendimento mútuo; Existiam muitas diferenças culturais, económicas, sociais e filosóficas; Existiam duas grandes áreas religiosas e filosóficas: o hinduísmo e o budismo; Na Índia a intolerância levou a que todos os indianos que não se tivessem convertido fossem excluídos dos cargos públicos, e os templos eram destruídos; Na China os jesuítas foram expulsos; No início do século XVII, também foram perseguidos no Japão; Apresentação História A 10º ano, Módulo 3 103
  104. 104. Na América, portuguesa e espanhola, os jesuítas, criaram as reduções; Reduções - as missões jesuíticas na América, (reduções), foram os aldeamentos indígenas administrados pelos jesuítas. O objetivo principal das missões jesuíticas foi o de criar uma sociedade com os benefícios e qualidades da sociedade cristã europeia, mas isenta dos seus vícios e maldades. Ensinavam aos índios a ler, escrever, trabalhavam nos ofícios e nos campos. Tinham uma educação religiosa. Apresentação História A 10º ano, Módulo 3 104
  105. 105. Quer os portugueses quer os espanhóis demoraram a desenvolver um clero indígena; O acesso de indígenas ao sacerdócio foi sempre dificultado, e era mantido numa posição subalterna em relação ao clero europeu; Inicialmente, na Ásia Portugal favoreceu a miscigenação entre europeus e orientais; A mesma política foi levada a cabo na América; No entanto, os mestiços e mulatos, derivados dessas uniões, foram sempre discriminados, nomeadamente no acesso a cargos públicos; Apresentação História A 10º ano, Módulo 3 105
  106. 106. Esta a apresentação foi construída tendo por base o manual, O tempo da História, COUTO, Célia Pinto e outros, Porto Editora,2011, Porto; O essencial da História A, Mário Sanches, Edições ASA, 2005 A América foi o continente onde a aculturação foi mais intensa; Miscigenação – mistura de grupos étnicos diferentes. Apresentação História A 10º ano, Módulo 3 106

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