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Agradecimentos   Gostaríamos de agradecer aos professores do Instituto de Humanidades da   Universidade Cândido Mendes pel...
Nota Explicativa   Este trabalho sofre de naturais limitações de todo primeiro esforço intelectual. Algumas dessas   limit...
Índice   AGRADECIMENTOS......................................................................................................
Introdução   Propósito da dissertação   O objetivo deste trabalho é principalmente o de por em relevo que a cultura laica ...
Relevância, Pesquisa Prévia e HipóteseQuando tivemos que escolher o tema de nossa dissertação de conclusão do curso de Pós...
Essa redução do homem a níveis materiais é questionada fortemente pela Igreja Católicaporque dela derivam conseqüências qu...
Capítulo I – O Paradigma Cristão e João Paulo II   O AMOR CRISTÃO CONSTITUI UMA DISPOSIÇÃO MORAL QUE SE PROJETA EM      UM...
Compreendendo a posição filosófica de João Paulo IIO fundamento da imagem e da semelhança do homem com Deus, argumento inq...
que acolhe a razão de René Descartes e o empirismo de Francis Bacon. Tendo influenciado amodernidade, Kant é o oposto do c...
Regiões Visitada pelo Papa até 2003           América Setentrional                     3                                  ...
Totalitarismos para João Paulo II                           A opção pelo afastamento de parâmetros transcendentais no sécu...
Capítulo II - A Nova Ética Global        “UN AUMENTO SIN PRECEDENTES DE LA POBLACIÓN HUMANA SOBRECARGÓ LOS SISTEMAS     EC...
Os valores que sustentam o novo paradigma são subordinados ao valor supremo da ecologiapelo qual pretendem implantar o con...
A Nova Era é uma ideologia antivida. A idéia de reencarnação unida ao relativismo moral daNova Era promove a base ideológi...
A Nova Era pode se transformar em fenômeno de massa porque num mecanismo decorrentede sua ambigüidade relativista serve ao...
materialista e anti-cristã esses membros irão se preocupar com os excluídos da terra na medidade seus interesses comerciai...
Capítulo III - Os Extremos do Novo Paradigma   Relativismo e Subjetivismo   RELATIVISMO   O relativismo é uma postura que ...
SUBJETIVISMOO relativismo é perigoso porque pretende uma hierarquia subjetiva de todos os motivos, anegação de qualquer su...
fácil compreender o interesse em descartar o humanismo, enquanto reivindicação da primaziado homem, expresso na religião c...
em que a participação comunitária é substituída pelo estímulo aos interesses individuaispromovidos pelo mercado e para o b...
histórico da influência cristã na Europa fato que foi subtraído do prefácio da ConstituiçãoEuropéia. Nele a formação europ...
Mas também porque em sua natureza laica submete-se facilmente às lógicas puramenteracionalistas promovidas muitas vezes na...
“ In a time when science penetrates further and further into social practice, science can fullfillits social function only...
Conclusão   Pelo exposto podemos auferir que a globalização, sob a cultura laicista implicará a perda de   valores humanos...
cobrança de responsabilidade dos que tem mais para com os destituídos. Evidentemente isso émuito caro para uma sociedade r...
indivíduos quanto às justificativas das leis e seus comportamentos. Não ter responsabilidadesobre os pobres e excluídos do...
Apêndice   Notas     1. “ Neste sentido, podemos dizer que Cristo tem sido sempre a “pedra angular” da construção e       ...
6. “ (...) o verdadeiro desenvolvimento não pode consistir na simples acumulação de riqueza e na    maior disponibilidade ...
7. “Una ayuda importante e incluso decisiva la ha dado la iglesia con su compromiso en   favor de la defensa y promoción d...
12. “Em primeiro lugar, um "SIM À VIDA"! Respeitar a vida e as vidas: com ela tudo   começa, visto que o mais elementar do...
13. “3. Uma das preocupações da Igreja acerca da globalização consiste no fato de que esta   se tornou rapidamente um fenô...
15. “A una cierta pérdida de la memoria cristiana se suma una especie de miedo al afrontar    el futuro; a una generalizad...
João Paulo II                                 A popularidade de um papa, num século em que Deus é                         ...
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João Paulo II - Monografia de final de curso sobre pensamento de João Paulo II e o Relativismo

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  1. 1. F L O R M A RT H A S C H WA B F E R R E I R A J OÃ O PA UL O I IUMA VISITA AO HUMANISMO DE JOÃO PAULO II PARA COMPREENDER OS RISCOS DOS EXTREMOS DA POSMODERNIDADE NO PROCESSO DE GLOBALIZAÇÃO UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES CENTRO DE HUMANIDADES RIO DE JANEIRO, 2005
  2. 2. Uma visita ao humanismo de João Paulo II para compreender os riscos dos extremos da posmodernidade no Processo de Globalização por Flor Martha Schwab FerreiraMonografia requerida para certificação de pós-graduação Latu Sensu em História do Século XX. Pós-Graduação Latu Sensu para Especialização em História Coordenador Acadêmico: Prof. Dr. Daniel Aarão Reis Instituto de Humanidades Universidade Candido Mendes – UCAM 2006 Aprovação: __________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ ___________________________________________________ Data: Rio de Janeiro, 28 de fevereiro de 2006. 2
  3. 3. La Barca morena de un pescador, Cansada de bogar, Sobre la playa se puso a rezar: ¡Hazme, Señor,un puerto en las orillas de este mar! (Oración – José Gorostiza) 3
  4. 4. Agradecimentos Gostaríamos de agradecer aos professores do Instituto de Humanidades da Universidade Cândido Mendes pela solicitude amável com que sempre nos atenderam e, em especial, à professora Denise Rollemberg e ao Coordenador Dr. Daniel Aarão cujas palavras de encorajamento e as correções, sempre tão pertinentes como amáveis nos tornaram devedora de coração. Devo agradecer também à Biblioteca da Faculdade Teológica do Mosteiro de São Bento, às Irmãs do Colégio Sion, às amigas Andréa Nunes, Stella e Regina Daudt, à minha irmã Aida Schwab Ferreira, e aos meus pais pelos meios colocados tão generosamente à minha disposição. Muito obrigado. 4
  5. 5. Nota Explicativa Este trabalho sofre de naturais limitações de todo primeiro esforço intelectual. Algumas dessas limitações são até por entusiasmo, por excesso. É o caso do Cronológico Ilustrativo e o apêndice sobre a figura de João Paulo II, ao final da dissertação. Pretendemos com eles deixar uma idéia do que foi esse século e esse personagem para quem já não for contemporâneo desses fatos. Algumas das atrocidades ocorridas nesse período e, aí apresentadas, são decorrentes dos totalitarismos e da barbárie da expansão do capitalismo sem freios éticos. Nesse sentido esses apêndices são uma “ilustração” que reforça o tema desta dissertação. 5
  6. 6. Índice AGRADECIMENTOS..............................................................................................................4 NOTA EXPLICATIVA ............................................................................................................5 ÍNDICE.......................................................................................................................................6 INTRODUÇÃO.........................................................................................................................7 PROPÓSITO DA DISSERTAÇÃO..........................................................................................................7 IMPORTÂNCIA TEÓRICA.................................................................................................................7 RELEVÂNCIA, PESQUISA PRÉVIA E HIPÓTESE....................................................................................8 MÉTODO.....................................................................................................................................9 CAPÍTULO I – O PARADIGMA CRISTÃO E JOÃO PAULO II....................................10 COMPREENDENDO A POSIÇÃO FILOSÓFICA DE JOÃO PAULO II............................................................11 TOTALITARISMOS PARA JOÃO PAULO II.........................................................................................14 CAPÍTULO II - A NOVA ÉTICA GLOBAL ......................................................................15 CONSTITUIÇÃO DE UMA NOVA ÉTICA.............................................................................................15 A INFLUÊNCIA NEW AGE............................................................................................................16 A ONU E A GLOBALIZAÇÃO SOB INFLUÊNCIA NEW AGE................................................................18 CAPÍTULO III - OS EXTREMOS DO NOVO PARADIGMA........................................20 RELATIVISMO E SUBJETIVISMO.....................................................................................................20 Relativismo........................................................................................................................20 Subjetivismo .....................................................................................................................21 INDIVIDUALISMO, UTILITARISMO, CONSUMISMO, MATERIALISMO.......................................................21 Individualismo e Utilitarismo...........................................................................................21 Consumismo .....................................................................................................................22 Materialismo.....................................................................................................................23 LAICISMO, CIENTIFICISMO E EDUCAÇÃO ......................................................................................23 Laicismo ...........................................................................................................................23 Estado................................................................................................................................25 Ciência..............................................................................................................................25 Educação...........................................................................................................................26 CONCLUSÃO..........................................................................................................................27 APÊNDICE..............................................................................................................................30 NOTAS ....................................................................................................................................30 JOÃO PAULO II..........................................................................................................................36 CRONOLÓGICO ILUSTRATIVO........................................................................................................37 BIBLIOGRAFIA.....................................................................................................................41 6
  7. 7. Introdução Propósito da dissertação O objetivo deste trabalho é principalmente o de por em relevo que a cultura laica não é imparcial como se apresenta, como seus paradigmas não são isentos e que também atingem extremos fundamentalistas promovidos por interesses ideológicos não confessados. E, ainda, de como a globalização sob uma cultura laicista, o extremo fundamentalista do laico, tem introduzido elementos desumanizadores ao valorar a produção e o consumo em detrimento da pessoa e que isso pode levar a um totalitarismo muito opressor. Para isso, estipulamos, a partir da análise de alguns documentos do Papa João Paulo II, algumas características do seu humanismo. Em seguida o comparamos com os paradigmas da contra cultura da década de 1970, predominantemente a influência New Age. A partir daí apresentamos alguns possíveis extremos da cultura laica, o laicismo. A seguir esperamos demonstrar como a cultura laicista serve aos interesses do capitalismo globalizado ao corroborar a eliminação de referências humanistas e éticas do cristianismo que limitam a expansão do capitalismo. Importância Teórica Este trabalho, de caráter introdutório não pode pretender achar-se inserido num debate teórico maior porque suas observações restringem-se a um resumo de umas especulações a partir dos documentos de João Paulo II e de alguns artigos listados na bibliografia. Assim, que, em termos teóricos nos aferramos à idéia de Paul Veyne de que uma das metas do conhecimento histórico é identificar como uma determinada situação leva a um resultado específico. De ver os acontecimentos como fenômenos por detrás dos quais se revela um aspecto pouco percebido. Como diz Paul Veyne o “fato não é nada sem uma intriga”. 1 “O historiador faz compreender intrigas”.2 A nossa “intriga” se refere à suspeita de que a superação do paradigma cristão, principalmente nas sociedades ocidentais desenvolvidas, pela pós-modernidade de caráter relativista e laicista não é espontânea. Ou, como freqüentemente se apresenta, como decorrente de um “progresso natural” de um tempo de dogmas religiosos para os de uma verdade “pura porque científica”. Mas sim um recrudescimento do abandono de importantes premissas humanitárias cristãs que vêm se desenvolvendo com a expansão globalizada do capitalismo e para atender aos objetivos materialistas dos interesses multinacionais. 1 Veyne, Paul, “ Como se escreve a História”, Edições 70, p. 45. 2 Veyne, Paul, “ Como se escreve a História”, Edições 70, p. 108. 7
  8. 8. Relevância, Pesquisa Prévia e HipóteseQuando tivemos que escolher o tema de nossa dissertação de conclusão do curso de Pós-Graduação em História do Século XX, havia pouco que o Papa João Paulo II havia falecido.Pela curiosidade de explicar como justamente um “padre” causou tanta repercussão numséculo que decretou a morte de Deus, questão típica para historiador, logo anunciei a intençãode versar sobre esse tema.Rapidamente vi muitas “caras de mofo”. Recebi etiquetas de “extrema direita” antes mesmode escrita a primeira linha. Chamou-nos assim atenção esse “exagero” de repúdio quandotantos outros temas apresentados, talvez porque muito circunscritos ou “batidos” pudessemestar primeiro na fila da gaveta eterna primeiro que o meu.oPorque o nosso tema causava um“consenso” tão automático, apaixonado? Era só um tema como outro qualquer. Na verdade,tão simplesmente, foi uma manchete de jornal noticiando o falecimento do Papa como “amaior notícia da história” foi o que nos chamou a atenção para o tema.Essa resistência só aumentou a nossa curiosidade e pensamos que a pesquisa que começou poruma personagem encontrou um campo ainda maior de investigação.Encontramos assim um vasto debate entre o laicismo e a religião. Mas não encontramos quempropusesse a vinculação entre a expansão do capitalismo e a opção pela cultura laicista nestaetapa da expansão à nível planetário. Ou seja, o avanço do capitalismo está engendrando umanova vinculação entre as pessoas, os grupos sociais e as relações de poder que passam pelomercado. A cultura aí produzida que justifica o poder, estimula comportamentos estámudando os seus valores no nosso modo de entender para atender melhor a esta etapa deexpansão do capitalismo e sua nova face ainda não foi completamente revelada no que tangeaos seus extremos. A substituição do paradigma cristão e dos seus princípios éticos, nacivilização ocidental está ocorrendo nesse contexto.Acreditamos ainda que está havendo um novo arranjo: o capital controla as idéias a partir domercado e só ideologia e idéias não conseguem controlar para onde vai a economia e osinvestimentos e nesse sentido a perda o ideário de defesa dos pobres como um valor éespecialmente relevante. Nesse sentido, visões à esquerda, que constituiriam historicamenteuma resistência tem sua eficácia “driblada” pelo grande capital em que membros daresistência são cooptados para o sistema. Aqui é como se estivéssemos revendo os brilhantestrabalhos de Paul Willis. Ele comprovava como a cultura que resiste ao sistema, muitas vezesassume posições que mais na frente lhe são contrárias. É nesse sentido que podemos ver acultura laicista fazendo uma “contratação” de movimentos de esquerda, em espaços como osintelectuais ou de culturas promovidas em ONGs de sua visão anti-religiosa para aumentar oconsenso anti-cristão. Se compreendermos a cultura cristã como algo que precisa ser superadopelo novo paradigma podemos ver uma promoção numa direção que vai de ações objetivascomo o financiamento de ações no Terceiro Mundo com verba e deliberadas, até adesõesinternas aos novos ideários.A direita corrobora a adesão e a substituição do ideário cristão ao assumir numa culturaconsumista os princípios materialistas como únicos, colaborando para eliminar exigênciaséticas e aspectos humanistas da cultura cristã que até aqui forjavam a cultura ocidental. 8
  9. 9. Essa redução do homem a níveis materiais é questionada fortemente pela Igreja Católicaporque dela derivam conseqüências que reduzem o homem de sua plenitude ao que émanipulável pelos interesses do mercado e é anti-vida. O Papa João Paulo II “estragou” umpouco a formação desse consenso laicista e por isso utilizamos seus documentos parafazermos esta primeira especulação sobre essas possibilidades. No seu ensinamento pontifício, atividade intelectual e pastoral, o Papa João Paulo II, empenhou-se na salvaguarda da pessoa e na defesa da dignidade humana. Questionou a concepção materialista do homem predominante no século XX e a falta de respeito à pessoa decorrente de visões excessivamente materialistas. Para ele a perda do “espaço” do “espírito” nas concepções do homem, que prevaleceram no último século do segundo milênio, estava na raiz dos totalitarismos que tanta barbárie promoveram no século XX e dos quais ele viveu conseqüências na própriavida. Essa perda do sentido transcendental do homem, para João Paulo II, gerou ostotalitarismos quer fossem os de partido (Nazismo), de estado (Comunismo) e de mercado(Capitalismo neoliberal pós-moderno). Segundo João Paulo II, enquanto as necessidades dohomem estiverem submetidas às leis do mercado, por exemplo, corremos o risco de cair nototalitarismo de mercado. Nos documentos de João Paulo II, da Igreja, do site Arvo.netencontramos alguns artigos sobre esta crítica ao laicismo, versão fundamentalista do estadolaico. (Nota 1)Em resumo, nossa hipótese é a de que o paradigma cristão está sendo substituído pelo laicistapara dar melhor amparo a expansão do capitalismo globalizado. Além do laicismo se unem, aeste, outros “extremos” como o cientificismo como veremos a seguir. ( Nota 2)MétodoUtilizamos o pensamento humanista de João Paulo II para criar uma comparação. A partir dosdocumentos desse papa montamos uma idéia do seu humanismo e da sua crítica aomaterialismo. Em seguida resumimos as principais características do movimento New Age noque ele possa ter contribuído para a nova cultura laicista. A partir das interferências da Onu,da política de Zapatero, atual primeiro ministro na Espanha e outros documentos mostramos aabsorção de ideais materalistas à esquerda e à direita formando a nova oposição que há deprevalecer no processo de globalização: a oposição entre o homem e o material.Se não estamos enganados Bourdieu utilizou as teses de Marx sobre o capital para criar suateoria do “capital social”, que seria outro elemento importante para a emancipação das classesoperárias, não bastando para elas terem dinheiro porque – em curtíssimo modo, seriamdiscriminadas mesmo “chegando lá”. Se nos é possível ter a pretensão de plagiar Bourdieu,esta dissertação trata não de um “capital” mas sim de um “débito” que estaria sendodistribuído, pela cultura pós-moderna a todos: a perda de “humanidades” em favor de umalógica da produtividade para o bom desempenho da economia prioritariamente àsnecessidades do homem. 9
  10. 10. Capítulo I – O Paradigma Cristão e João Paulo II O AMOR CRISTÃO CONSTITUI UMA DISPOSIÇÃO MORAL QUE SE PROJETA EM UMA ENORME VARIEDADE DE AÇÕES. CARIDADE SIGNIFICA SERVIR, COMPREENDER, CONSOLAR, ESCUTAR, SORRIR, ACOMPANHAR, CORRIGIR, ANIMAR, PEDIR PERDÃO E PERDOAR, DAR E RECEBER. (Javier Echevarría) João Paulo II nos explica que o centro da fé cristã é a de que a imagem cristã de Deus leva conseqüentemente a imagem do homem e do seu caminho. Sem o contacto com Deus posso ver no outro apenas o outro e não consigo reconhecer nele a imagem divina, o que nos uniria em irmandade. Assim, o amor a Deus e, ao próximo são inseparáveis, e isso está inscrito na própria natureza do homem. Por isso, essa lei natural do amor é a base da ética, dado o seu caráter universal de estar presente em todos os homens como próprio de sua natureza humana. Isto asseguraria ao paradigma do amor a força de propiciar justiça para além das circunstâncias históricas. Porque feito à imagem e semelhança de Deus o homem contém em si mesmo a dignidade e, portanto, não pode ser submetido ao estado, ao partido ou ao mercado. Com sua “teoria personalista” sobre o valor humano, João Paulo II estará, por todas as suas viagens e nas mais diferentes circunstâncias apelando pela dignidade humana decorrente da natural primazia da pessoa vista sob o prisma cristão. (Notas 3, 4 e 5) A ação de João Paulo II permitirá uma critica ao domínio materialista, por sua clara resistência humanista, especialmente dirigida aos totalitarismos do século XX. Aliás, se tentássemos explicar a unanimidade histórica alcançada por João Paulo II pensamos que a resposta está vinculada, exatamente, a essa sua “resistência” humanista contra as visões materialistas que predominaram no século XX. Será a sua defesa do “espírito”, da pessoa, em oposição às soluções ideológicas e materialistas um elemento principal da compreensão do porque da sua grande repercussão na história do período. (Nota 6) É com a sua visão humanista que o povo se identificará quando ele passar em suas viagens apostólicas pelo mundo reivindicando o direito dos pobres e dos excluídos. No século que decretou a morte de Deus, a superação do dogma religioso e produziu atrocidades em escala nunca vista, o papa João Paulo II lembrou ao homem o valor do próprio homem. 10
  11. 11. Compreendendo a posição filosófica de João Paulo IIO fundamento da imagem e da semelhança do homem com Deus, argumento inquestionávelda dignidade humana no paradigma cristão acima referendado, era, para João Paulo II,baseado não só na razão e na vontade livre do homem com a qual ele se distinguia dos animaise se aproximava de conhecer Deus, mas também se via na constitutiva ordenação mútua dohomem e da mulher. Para João Paulo II a pessoa é um sujeito dialógico, ou seja, a pessoa ésujeito relacional chamado a entregar-se aos demais. Essa idéia está na base do seupensamento personalista, tanto para explicar o amor humano, o valor da vida como também oprincípio da solidariedade que deveria regular as relações sociais. ( Nota 7)A conseqüência metodológica de sua postura personalista é a de que a ação humana tem umadimensão intransmissível sem a qual não se pode apreciar o agir humano em sentido exato.Assim, na prática, existe uma parte da ação que pertence a esse núcleo humano intransferívelque por sua vez condiciona a própria prática humana. Em resumo, o filósofo João Paulo II vaiver no agir humano a explicação fenomenológica de uma natureza humana que não se esgotanos seus aspectos físicos e biológicos e, dada a sua integralidade não se lhe aplica uma éticameramente racionalista como tendem a fazer as sociedades materialistas e cientificistas.O mercado, o Estado e a política com suas variantes conjunturas só estarão a altura dadignidade humana quando operarem em favor da subjetividade da pessoa. Devido a essecaráter único, intransferível e integral do homem ele reflete um valor por si mesmo. Nãodepende de condicionamentos para ser valorado. (Nota 5)Essa idéia de João Paulo II aparecerá na Encíclica Laborem excercens afirmando a prioridadedo trabalho sobre o capital pela natural prioridade da dimensão subjetiva do trabalho, dessadimensão humana que é transmitida ao trabalho e a toda prática humana. Próprio do agirhumano integral do homem, feito à imagem e semelhança de Deus, a pessoa se constrói a simesma na prática e, em certo sentido, parte da sua subjetividade constrói o mundo. E assimsua subjetividade participa do ser e do fazer junto com outros. Essas idéias filosóficas estarãona base de seus conceitos de solidariedade humana defendidos como fórmula-mãe parasuperação de problemas sociais em muitos de seus documentos. (Nota 6)João Paulo II legitima filosoficamente a primazia da pessoa a partir da profissão cristã, masem termos filosóficos concretos, expressos em suas encíclicas. A encíclica, “Esplendor daVerdade”, aborda mais profundamente suas considerações sobre a natureza humana e daverdade que o homem comporta a partir do ideal cristão. Para ele, a experiência do magistérioda Igreja não é, portanto de natureza meramente teórica.Para João Paulo II o conhecimento da Igreja do homem não é sobre princípios e fundamentosnormativos de um sistema de moral, como se fosse um tratado de deveres ideais. Mas umconhecimento de natureza sapiencial que considera o homem na sua integralidade de pessoa.Podemos dizer que a norma personalista de ação de João Paulo II faz uma releitura de Kant.Principal filósofo alemão do movimento idealista (predomínio da atitude teórica) do séculoXVIII, época da Revolução Francesa, rejeitava a tradição religiosa social por um racionalismo 11
  12. 12. que acolhe a razão de René Descartes e o empirismo de Francis Bacon. Tendo influenciado amodernidade, Kant é o oposto do cristianismo devido a sua defesa da auto-suficiência darazão. Como Kant prescinde de elementos empíricos e se funda de maneira exclusiva narazão, propõe uma ética estritamente racional.A visão fenomenológica do agir humano de João Paulo II acima descrita com suasimplicações sobre o valor absoluto do homem decorrente da implicação metafísica de suapostura religiosa questiona a ética de base exclusivamente racional. O homem é umaintegralidade e uma comunhão com o ser e com os outros pela qual se constitui e à realidade àsua volta. Não podendo, portanto, ser regulado por uma ética simplesmente racional. Ou seja,não basta para solucionar os problemas dos excluídos ter a solução em seus aspectosmateriais. A natureza humana impõe respeito ao pleno desenvolvimento da pessoa. Nãopretendemos exaurir as considerações filosóficas de João Paulo II, mas apenas esboçar suasprincipais considerações para que se compreenda porque o colocamos como resistênciahumanista ao materialismo racionalista pós-moderno. 12
  13. 13. Regiões Visitada pelo Papa até 2003 América Setentrional 3 6 América Meridional 10 16 Ásia 17 39 África 42 0 10 20 30 40 50 Quantidade de países visitados Discursos de João Paulo II de 1978 à 2003 Europa Ocidental África Europa Oriental América do SulRegiões Sudoeste Asiático América do Norte América Central Oriente Médio Europa Mediterrânea Extremo Oriente 0 100 200 300 400 500 600 Quantidade de Discursos 13
  14. 14. Totalitarismos para João Paulo II A opção pelo afastamento de parâmetros transcendentais no século XX é, para João Paulo II, uma das razões de ocorrerem os totalitarismos, posto que o racionalismo humano pode se submeter às conjunturas históricas. Essa falta de parâmetros transcendentais, pode levar à manipulação do homem pelas relações de poder: totalitarismo de partido: nazismo, de estado: comunismo; de raça, apartheid, de mercado etc. No caso do capitalismo neoliberal levando ao totalitarismo de mercado.Forno crematório deAuschwitz Para João Paulo II, um dos perigos da negação da essênciatranscendente da natureza humana é uma redução da pessoa aos seus aspectos mais naturais esensitivos o que levaria não só aos totalitarismos como também ao tratamento superficial efútil da vida humana. "Como demuestra la historia, una democracia sin valores fácilmente se toma en un totalitarismo abierto o tenuemente disfrazado" (Juan Pablo II, Encíclica Centessimus annus, 13-V -1991). "El totalitarismo nace de la negación de la verdad (...) La raíz del totalitarismo moderno hay que verla, por tanto, en la negación de la dignidad trascendente de la persona humana, imagen visible de Dios invisible y, precisamente por esto, sujeto natural de derechos que nadie puede violar: ni el individuo, el grupo, la clase social, ni la nación o el Estado. No puede hacerlo tampoco la mayoría de un cuerpo social, poniéndose en contra de la minoría, marginándola, oprimiéndola, explotándola o incluso intentando destruirla". JOÃO PAULO II, Enc. Centesimus annus, nº 44. 14
  15. 15. Capítulo II - A Nova Ética Global “UN AUMENTO SIN PRECEDENTES DE LA POBLACIÓN HUMANA SOBRECARGÓ LOS SISTEMAS ECONÓMICOS Y SOCIALES...” “EN CONSECUENCIA, NUESTRA OPCIÓN ES FORMAR UNA SOCIEDAD GLOBAL PARA CUIDAR DE LA TIERRA Y CUIDARNOS LOS UNOS A LOS OTROS O EXPONERNOS AL RIESGO DE DESTRUIRNOS A NOSOTROS MISMOS Y DESTRUIR LA DIVERSIDAD DE VIDA...” “PRECISAMOS CON URGENCIA DE UNA VISIÓN COMPARTIDA RESPECTO DE LOS VALORES BÁSICOS QUE OFREZCAN UN FUNDAMENTO ÉTICO A LA COMUNIDAD MUNDIAL EMERGENTE...” ( CARTA DA TERRA) Constituição de uma Nova ética No final do século XX, constitui-se a nível internacional, um projeto de construir uma ética universal que quer suplantar os valores cristãos. Os novos valores são matizados pelo ecleticismo que é uma aceitação de qualquer afirmação sobre a conduta humana independente do seu sistema, contexto e juízo. Por um historicismo segundo o qual a verdade muda de acordo com sua adequação às conjunturas da história, (o que é frontalmente oposto às verdades eternas e universais do ideal cristão.). Por um cientificismo para quem a única verdade aceitável é a experimentável cientificamente. De um pragmatismo que considera as decisões éticas tendo em conta, predominantemente, o critério da utilidade. E ainda por um nihilismo que é uma renúncia tácita da capacidade de alcançar verdades objetivas, nada podendo, portanto ser pétrio. O mais importante na nova ética é a autodeterminação individual. Para os defensores da nova ética a natureza, a terra, (Gaia) é a divindade inviolável. O ser humano um predador que se regenera quando em harmonia com a terra. Não sendo como no paradigma cristão a criatura mais excelsa porque pode conhecer a Deus e a sua racionalidade centelha da inteligência divina, por depredar o meio ambiente, o homem é até um animal “ruim”. Essa retirada da primazia do homem será fundamental para a liberalização de cuidados éticos nas relações reguladas pelo lucro. Um claro exemplo das implicações da nova ética podem ser vistos no seu entendimento da bioética que respeitaria três princípios: o da autonomia pela qual uma ação é boa se se respeita a liberdade do agente moral e dos outros. O princípio de que há que fazer sempre o bem e evitar o mal. E por último o princípio da justiça que é dar a cada um o que é devido. Pelas lentes do cristianismo esses princípios acabam fundindo-se no relativismo porque aqueles que não tem liberdade não são considerados para a ação moral e é o caso dos embriões e dos fetos. Sem se explicar o que é o bem e a justiça para os outros posso estabelecer o que seja o bem e o justo para mim sem defini-lo para os outros. Essa nova ética se apresenta como uma nova espiritualidade que suplantaria as religiões para salvar o eco-sistema. Mas esconde interesses e implicações ainda não claramente expostos. Podemos, assim, ver o capitalismo criando uma nova religião secular com um novo Deus que seria a Terra Gaia. 15
  16. 16. Os valores que sustentam o novo paradigma são subordinados ao valor supremo da ecologiapelo qual pretendem implantar o conceito de desenvolvimento sustentável que algunsacreditam lhe dará o direito de submeter reservas de água e outros valores naturais a umcontrole internacional para que se veja o alcance das novas idéias que aparecem não obstantetravestida de romantismo “panda” ou de uma ‘valoração”moral que torna inquestionável sua“verdade”.Para o cristianismo uma ética pétria é fundada na objetividade do próprio homem.A Influência New AgeA partir das contestações da década de 1970 cresce a influência do movimento Nova Era naética e na cultura da virada do segundo para o terceiro milênio. Numa volta ao ecletismofilosófico-religioso surgido com o ocultismo do século XIX nos EUA, o movimento chamadode “Nova Era”, pretendia substituir todas as religiões e constituir uma nova ética global. Seriauma nova maneira de ver as coisas, um novo paradigma.A Nova Era não é uma seita, nem uma Igreja nem uma religião, mas uma forma de ser, pensare atuar assumida por muitas pessoas e organizações que decidiram mudar o mundo com certascrenças que tem em comum. A ONU e outros organismos internacionais tem forte conotaçãoNova Era. Mas também o cinema e agentes culturais em geral. Os jovens consomem vários“produtos” impregnados de Nova Era sem que o seu caráter apareça na integra, como asbruxarias “boas” como a Wika e o gosto pelos bruxos como Harry Potter e ideaisecologicamente corretos, mas que ainda não mostram totalmente as implicações implícitas emsuas teses.A partir da nova consciência dos homens, na era de aquário, o homem se dará conta de seuspoderes sobrenaturais e saberá que não existe nenhum deus fora de si mesmo (panteísmo). Elemesmo promove a sua salvação; eu salvo a mim mesmo, não preciso de um intercessor e,portanto, o meu eu é absoluto para formar o meu julgamento. O homem criará sua própriaverdade, não existindo nem o bem nem o mal (relativismo filosófico e moral). Se eu partilhoda divindade invento a minha própria moral e ninguém tem o direito de dizer o que fazer como meu corpo, etc. O resultado é um egoísmo individualista que justifica fazer o que se queracima de qualquer norma moral.Adotando técnicas como a música, a dança, a arte em geral, astrologia, “channelling”(comunicação com entidade do mundo invisível), controle do corpo por meio das artesmarciais, controle da natureza com a arte floral, cristais, ecologia, vegetarianismo, yoga,budismo zen, o amor livre, o experimento de comunidades utópicas, o misticismo, a busca desabedoria nas civilizações antigas, técnicas de ampliação da consciência, a magia, a droga, apsicologia de Jung (consciência coletiva) e a psicologia humanista de Maslow que se baseiana experiência da unidade do cosmos com a natureza, a “Nova Era” propaga éticasromanticamente defendidas e por isto facilmente assimiladas em mídias que por sua próprianatureza não promovem debate mais criterioso. 16
  17. 17. A Nova Era é uma ideologia antivida. A idéia de reencarnação unida ao relativismo moral daNova Era promove a base ideológica para justificar o aborto uma vez que acreditam que nãoimporta eliminar uma vida humana já que ela vai reencarnar depois. Se o corpo é só umaprisão temporal da alma, que reencarna várias vezes, então o corpo é só um instrumento do“eu”. Dessa postura decorrem as justificativas para qualquer comportamento sexual,manipulação do corpo, hedonismo, anticoncepção etc.O movimento ambientalista promove a idéia falsa de que a superpopulação está degradando omeio ambiente, quando é a indústria desenvolvida que mais depreda o planeta. Não são ospovos pobres, visados pelas políticas abortivas e de planejamento familiar promovidos emgrande parte pela influência da ideologia Nova Era dos países ricos os que mais poluem.A degradação de áreas como a Amazônia se tem dado pela sistemática de consumo demadeiras nobres e de riquezas dessa região pelo Primeiro Mundo. A pobreza associada àpoluição em países do Terceiro Mundo requer a solução do problema da pobreza e não doextermínio de pobres como está implícito em toda estratégia de solução abortiva.As soluções abortivas propostas por Ongs financiadas pelos governos de países desenvolvidostem um caráter ineludível de extermínio. Nos países pobres, o direito que deveria estar emquestão é o direito de nascer e de dar as condições de criar um filho e não o de abortar comosolução para a questão da pobreza. Mas o entendimento do paradigma cristão éessencialmente pró-vida pela sua concepção acima resumida e por isso vem sendosistematicamente desqualificado para abrir espaço para a nova ideologia. (Nota 16)A ideologia Nova Era faz parecer que a sua intervenção, através de Ongs que fazem lobby epromovem abortos com recursos de governos de países desenvolvidos com cifras de váriosmilhões de dólares, é a conquista de um “direito”. A mesma ideologia poderá, também, emnome da ecologia, intervir em áreas como a Amazônia ou pela posse de água e outros recursosnaturais escassos em países desenvolvidos degradados pelo excesso de industrialização sob opretexto de proteger o meio ambiente já que o país é pobre e incapaz de faze-lo. ( Nota 11)O objetivo planetário da Nova Era é a criação de um verdadeiro e próprio sistema da novahumanidade, daí a necessidade da educação mundial em novos valores e o descartesistemático dos antigos. Nesse sentido vemos claramente como a Igreja Católica que é contrao aborto é vista como elemento que precisa ser sistematicamente desqualificado e suainterferência banida dos países pobres. Não como um paradigma que está superado, mas comoum estorvo ao novo processo ideológico. O que coloca claramente que esse descarte do idealcristão que modelou até aqui a cultura ocidental não está sendo feito pela superação “natural”de seus valores por mais modernos, mas num claro esforço de implementação de uma novaordem mais de acordo com os novos interesses emergentes. ( Nota 12)Nesse sentido podemos dizer que a Nova Era não é outra coisa que a justificaçãopseudoreligiosa e ideológica do novo processo de colonização a nível planetário doimperialismo capitalista desta virada do segundo para o terceiro milênio. A nova mentalidadese converteu em parte da estrutura ideológica por trás do neoliberalismo dando impulso aocontrole de natalidade, à educação sexual hedonista, ao feminismo antivida e antifamília, aorelativismo filosófico e ético, e ao patrocínio das concepções licenciosas promotoras doconsumismo. ( Nota 10) 17
  18. 18. A Nova Era pode se transformar em fenômeno de massa porque num mecanismo decorrentede sua ambigüidade relativista serve ao romantismo e ao sentimentalismo religioso alojando,nas teses que defende, muita frivolidade de julgamento. Para uma cultura moldada em grandeparte pelos meios de comunicação de massa, essa superficialidade facilita a promoção dasnovas “lógicas” e novas “verdades”. Suplantando a ideologia cristã e não encontrando outraresistência, os novos ideais vão se impondo a serviço de seus interesses hegemônicos.A ONU e a Globalização sob influência New AgeEm termos de globalização essa influência New Age apresenta-se como um projetomundialista em que o Norte desenvolvido e o sul subdesenvolvido do planeta precisariam umdo outro porque seus interesses seriam recíprocos. Mas o norte teria o comando do processo éclaro. E ideologicamente começa fabricar esse consenso com visões anti-religiosas em nomedo progresso de base científica entre outros elementos de sua nova ética. Para isso sãoconvidadas multinacionais para participar do projeto de consolidar o consenso, a ser feito pelaONU que asseguraria a eficácia do processo de mundialização necessário claramente umprocesso hegemônico. (Ver informe Brandt da ONU). Nesse projeto os estados estariamlimitados por um poder mundial que asseguraria a sobrevivência da humanidade, a proteçãodo meio ambiente e a manutenção das fontes da vida que são escassas. Nesse processohegemônico o homem perde o seu lugar e a visão do mundo é materialista.A ONU está elaborando um documento sistematizando a visão holística da globalização, achamada “ Carta da Terra” que deve substituir a Declaração dos Direitos Humanos de 1948 eo decálogo.Das primeiras versões dessa Carta podemos ler fragmentos como este em que facilmente senota o interesse de exercer um controle mundial com base em seus interesses hegemônicos”El medio ambiente global, con sus recursos finitos, es una preocupación común a todos lospueblos. La protección de la vitalidad, de la diversidad y de la belleza de la Tierra es un debersagrado...” Sob o comando de quem? Ou, ainda, “Un aumento sin precedentes de la poblaciónhumana sobrecargó los sistemas económicos y sociales...” O que decorrerá na visão anti-vidaquestionada pela Igreja Católica e por isto freqüentemente demonizada principalmente namídia em prol da cultura laicista.Para consolidar o poder hegemônico do capitalismo, nesta etapa planetária, a visão holística éadotada para assegurar que sejam resolvidos problemas e obstáculos à sua consecuçãoimpostos pela doutrina católica.Se houver uma religião só ou se todas forem niveladas como expressões culturais válidas ficaproibido o proselitismo e logo a influência, em especial da Igreja Católica no ocidente, e emespecial na vida pública ficam restringidas.A ONU está convocando o setor privado para ajudar nesse processo de laicização new age,procurando a adesão de vários setores nesse “Pacto Global” que regularia os mercadosmundiais conforme os interesses do capitalismo e em detrimento da pessoa humana.Aceitaram fazer parte desse pacto, a CNN, Bill Gates, Shell, Ted Turner. Com uma visão 18
  19. 19. materialista e anti-cristã esses membros irão se preocupar com os excluídos da terra na medidade seus interesses comerciais no mundo. O que pode privilegiar campanhas abortivasmilionárias em todo terceiro mundo com o intuito de diminuir com os pobres em vez de com apobreza o que é contrário à visão cristã de que toda vida é preciosa porque é dom de Deus eque até bem pouco era o paradigma ocidental de “humanidade”.Nesse contexto os direitos humanos estarão fundados na base de procedimentos consensuais enão de uma verdade petria válida para todos os seres humanos. Num pacto de pura vontadevamos estabelecer a verdade que será válida para todos. Mas não nos decidiremos baseadosem valores que se impõe pela verdade que contém, mas pela força criando na Onu um sistemasupranacional positivista.Que força terá um sindicato numa esfera internacional para definir direitos trabalhistas, ou umEstado assegurar garantias estabelecidas por consensos em organismos internacionais como aOMC? A Onu seria assim o grande poder central, a serviço dos interesses multinacionais eseus órgãos como a FAO, seus ministérios internacionais.Retirar o poder de legislar sobre a verdade, o bem o que é certo à Igreja Católica no ocidenteou a base religiosa desses paradigmas é uma necessidade de controlar o direito, a motivação ea regulação dos homens na globalização. A partir de filósofos como Junger Habermans queestabelecem o que seja a verdade a partir da formação de um consenso, organismos como aONU passam a legislar independentemente de uma ética básica, fundamental. Ao controlar odireito como a única fonte de norma a Onu se entroniza como fonte de pensamento, deverdade. Os crimes contra os novos direitos poderão ser julgados e no caso de um país nãoaprovar o aborto em seu território poderá sofrer sanções do sistema internacional. Através doconsenso esse projeto único de globalização mundial poderá realizar a utopia de legitimar emontar um governo mundial único a serviço a serviço dos interesses das multinacionais.A Igreja Católica afirma a necessidade e a urgência de se fundar a sociedade internacionalcom base no reconhecimento da igual dignidade de todas as pessoas. O sistema da ONU querque o sistema jurídico e os direitos do homem surjam de determinações voluntárias.Não se pode endossar uma globalização em que a unidade e a universalidade estejam acimadas vontades subjetivas dos indivíduos e imposta para o benefício do mercado mesmo sobroupagem romântica de tolerância e amor à natureza e promessa de um progresso de basecientífica que substituiria os “tempos de trevas medievais de domínio de dogmas religiosos”argumentos com os quais facilmente se cooptam adesões superficiais. 19
  20. 20. Capítulo III - Os Extremos do Novo Paradigma Relativismo e Subjetivismo RELATIVISMO O relativismo é uma postura que se originou no pensamento sofista grego e advoga que não se poderia alcançar o conhecimento objetivo das coisas porque qualquer afirmação não representaria uma verdade absoluta válida para todos, em todo o tempo. A consciência humana estaria, portanto, condicionada não existindo um bem ou uma justiça absoluta que pudessem ser norma de comportamento ético universal. A posição relativista pode-se resumir nos seguintes pontos: proibido proibir, tudo é opinável, os dogmas são inadmissíveis menos os relativistas que são de aplicação obrigatória. Uma liberdade de pensamento que não considera limitações de qualquer espécie. O importante é a tolerância e não as idéias que se toleram. Se a minha idéia pode influir no outro é um atentado contra a liberdade de expressão. Sob a fachada de que todas as idéias são válidas, projeto no consenso que a esta minha vale mais, já que não existem critérios objetivos para critica-los. Só aceitar o que seja demonstrável e só existe o que se vê, o que não se vê não existe. E por último a política de não ingerência em nada: não se pode dizer que uma coisa está bem ou está mal. É por isso que promover a confusão ética é interessante: onde não há erro também não há verdade a ser defendida. Se não há juízos falsos também não há os verdadeiros. Num ambiente em que tudo é possível ser verdadeiro, ou falso, pode ser verdadeiro aquilo que interessa. E assim se pode passar por cima dos valores éticos cristãos milenares. Este é o nosso ponto: não é uma “progressão” natural de tempos de dogmatismo religioso para tempos de esclarecimento científico, mas uma progressão da expansão capitalista a nível planetário que requer outros paradigmas de comportamento, e os promove a gosto. Sob a veste de debate democrático, que aceita várias visões éticas, passa despercebido para a maioria, o estabelecimento de uma nova retórica que visa retirar a possibilidade de existirem valores tão pétrios que não se submetam ao interesse dos grupos dominantes. Aceitar incondicionalmente o relativismo significa que a maioria pode definir as regras morais e amanhã impor novas contrárias às de ontem. As experiências do totalitarismo mostram que o poder fixa as normas autoritariamente de modo independente de considerações humanistas. Com o relativismo como ideologia dominante, aqueles grupos que colocam a primazia de seus valores no lucro irão, com facilidade, priorizar a eficiência econômica em detrimento das necessidades dos povos. Encontram, assim, meios de impor uma globalização econômica como uma fonte de oportunidades para seus lucros sem o ônus das exigências morais do paradigma cristão. Vê-se claramente nesse contexto a necessidade de desqualificar o que é preconizado pela Igreja. (Nota 13) 20
  21. 21. SUBJETIVISMOO relativismo é perigoso porque pretende uma hierarquia subjetiva de todos os motivos, anegação de qualquer supremacia do real. Para o relativista tudo vale: mesmo que faça mal asaúde se a pessoa quiser se drogar sempre poderá argumentar alguma tese a favor de suavontade. A concepção subjetivista do que seja o bem torna impossível a ética. A ética pode serrelativa no acidental, mas não no essencial.A subjetividade do relativismo favorece o excessivo ensaísmo no qual a verdade, mesmo quedesempenhe um certo papel é tratada com muita subjetividade e pouco rigor de pensamento demodo que todos se sintam “livres” para opinar mesmo sem maior conhecimento sobre oassunto.Nesse contexto seguir a polêmica televisiva financiada muitas vezes por interesseseconômicos a serviço da expansão do mercado a nível planetário, consolida uma mentalidadee promove comportamentos muitas vezes não condizentes com a natureza humana. Além doque o subjetivismo acarreta um sem compromisso nas interpretações, uma superficialidadeque legitima o geral como norma desvirtuando valores relativos à dignidade humana, nos dizJoão Paulo II.O que consolida a verdade, na nova sociedade relativista, é o ser atrativo. E isto porque a“verdade” importa na medida em que movimenta a civilização de consumo.Individualismo, Utilitarismo, Consumismo, MaterialismoINDIVIDUALISMO E UTILITARISMOA cultura pós-moderna favorece o individualismo libertário de matriz nihilista e agnósticacom um conceito de liberdade baseado na atividade de satisfação e até promoção de consumode comodidades e prazeres quase como meta única do indivíduo reduzindo a pessoa àpraticamente seu nível biológico. O mercado promove, para aumentar o consumo, o culto àvaidade, ao consumo caprichoso e desnecessário, a distinção pela posse de luxos incentivandoa cultura do ter em detrimento da do ser. Visto assim é fácil perceber porque o ideal cristão depobreza e temperança não mais se identifica com a sociedade de consumo e daí o interesse emdescartar a interferência religiosa na vida social. (Nota 15)A cultura pós-moderna torna iguais todas as coisas pela medida da utilidade materialista. Naverdade uma coisa útil é meio ou instrumento a serviço de outra coisa que seria o maisimportante. Por isso o utilitarismo não pode ser a regra predominante na definição de valoresque regularão o homem. Vemos já a possibilidade da subordinação do homem ao lucro, apromoção do consumo para o desenvolvimento do mercado e não do homem. Nesse sentido é 21
  22. 22. fácil compreender o interesse em descartar o humanismo, enquanto reivindicação da primaziado homem, expresso na religião cristã.No sentido burguês, materialista e moderno de utilidade, conceitos como Deus, homem,liberdade, vida, espiritualidade, etc podem ficar condicionados aos usos utilitários dasconjecturas modernas e é por aí, talvez, que deva ser visto o “boom” de religiões, e não istocomo um retorno a paradigmas mais humanistas enquanto mais espiritualizados, mas ao“comércio” de consolos mais a gosto e sem exigências “conservadoras”.Para educar o homem como ser válido por si mesmo é preciso que lhe aportemos não“utilidades” mas elementos de sua mesma natureza que lhe expanda a visão para além dosclichês de uma cultura utilitarista e reducionista que o transforma em “produto” mais oumenos “politicamente correto”.O individualismo liberal é falso porque diz que o homem é livre, mas na verdade para praticaressa liberdade abre mão do que é mais humano. Saem o ser e entram o ter e o usar comoparadigmas do individualismo liberal. Reduzir o homem a uma função da equação e não osenhor da equação leva ao autoritarismo dessa cultura sobre o próprio homem.CONSUMISMOEssa tendência para consumir exageradamente promovida pelas relações de mercado dassociedades capitalistas excessivamente materialistas corrompe a pessoa: a maior capacidadede adquirir bens é também maior capacidade de evadir-se de responsabilidades e valores, derestringir a vida aos entretenimentos abandonando esforços de solidariedade, de perder devista o fundamental porque absorve demais o acessório.O consumismo é uma das conseqüências de um sistema progressivamente mais materialista. Eo hedonismo o motor propulsor da lógica de consumo. Possuir pode chegar a ser uma paixãodominadora que se reforça como meio de “relação social” de distinção seja pelo desejo desegurança, de poder, ou porque a pessoa já se constituiu e tem como único horizonte, a lutapela posse de bens. A tendência desordenada do consumismo pode levar a um sensíveldesprezo pelos outros, ao isolamento social e a mercantilização de interesses humanos.O individualismo facilita o consumismo e o domínio hegemônico da mentalidade relativista, oque alimenta o individualismo e o consumismo novamente. Neste contexto é fácil ver aprevalência da mentalidade anti-religiosa que em seus paradigmas é naturalmente contra oegoísmo.Acreditamos que o processo hegemônico que acolherá a expansão globalizada se dará atravésexatamente da fragmentação social em indivíduos isolados. Dividir para governar. Estamentalidade é uma ameaça ao bem comum e ao bem da pessoa como ser integral na medida 22
  23. 23. em que a participação comunitária é substituída pelo estímulo aos interesses individuaispromovidos pelo mercado e para o bem dos que detém o poder e cada vez mais em detrimentodos excluídos. E individualmente restringe a visão do homem aos seus aspectos maisbiológicos ou instintivos. Nos vem agora à mente a imagem da bola de formigas, com umaideologia que as deixava agindo uniformemente, para realizarem um trabalho cada vez maiseficiente, mas cujo objetivo era a destruição do próprio formigueiro em nome da constituiçãode uma “raça superior”, do desenho animado “Aunt”. É muito ilustrativo de nossaspossibilidades na cultura pós-moderna.MATERIALISMONo materialismo, o “espírito” é um produto da matéria e, assim, o homem ficaria reduzido aosseus aspectos mais “materiais”. Tudo que sirva ao atendimento dessa base mais material,biológica, no materialismo relativista pós-moderno é suficiente para ser moral, para ser ético.O ser humano é convertido em instrumento de consumo, sem alma, para que efetivamente nãoescolha e, nesse sentido, ocorre o totalitarismo de mercado, reduzindo a dignidade da pessoahumana a uma concepção mais “maleável” à operacionalização humana pelo mercado. Nossa“teoria” é a de que é exatamente por isto que a religião, que reivindica a valorização da pessoahumana, precisa ser sistematicamente desqualificada como fonte de verdade e comportamentoético sendo substituída por outros paradigmas relativistas, mas próprios ao jogo de poder dadisputa estabelecida pelas “leis do mercado”.Laicismo, Cientificismo e EducaçãoLAICISMOLaicismo é diferente de laico. O laicismo é o fundamentalismo do laico que impede, a atuaçãodas religiões para impor sua visão laica. É o caso das proibições de expressão religiosa queocorrem em vários países hoje no mundo. A liberdade religiosa é um direito humanopreconizado pela Declaração dos Direitos Humanos da Onu de 19483. A história recente, nãoobstante, vem paulatinamente querendo circunscrever a religião a um nível exclusivamenteprivado, querendo retirar da vida pública as inferências da visão religiosa. Não porque estasestejam superadas, mas para impor dogmaticamente outros paradigmas mais convenientes nãoao ser humano, mas aos novos interesses de expansão do capitalismo.É o caso dos bispos presos em Hanói só porque são padres, da Igreja Estado na China que nãopermite a existência da Igreja Católica ligada ao Vaticano. É o caso da negativa do fato3 “Artículo 18Toda persona tiene derecho a la libertad de pensamiento, de conciencia y de religión; este derecho incluyela libertad de cambiar de religión o de creencia, así como la libertad de manifestar su religión o su creencia,individual y colectivamente, tanto en público como en privado, por la enseñanza, la práctica, el culto y laobservancia.” DECLARACIÓN UNIVERSAL DE DERECHOS HUMANOS Resolución de laAsamblea General, aprobada el 10 de diciembre de 1948. (www.Arvo.net) 23
  24. 24. histórico da influência cristã na Europa fato que foi subtraído do prefácio da ConstituiçãoEuropéia. Nele a formação européia se dá como tendo sofrido influências gregas e logo as doIluminismo pulando-se dois mil anos de cristianismo. A dos estudantes de escolas públicas naFrança levadas à Coordenação por portarem a kippa judia, ou o véu muçulmano ou crucifixo.Ou a lei de educação em ética e cidadania que está para ser aprovada na Espanha emsubstituição à religião com ideais relativistas. É também o caso das manifestações feitas pelaOnu contra a violação dos direitos humanos em países árabes bem mais brandas ouinexistentes se a perseguição for contra cristãos.Os extremados do laico são auto-suficientes e se consideram pertencentes a um círculo deprivilegiados. Essa auto-suficiência leva a ausência de autocrítica, ao desprezo e aagressividade em relação às visões religiosas e conseqüentemente à intolerância. O consensoanônimo e tópico que resulta dessa posição arrogante leva a uma sociedade intolerante edividida.O espírito laico significava um respeito às idéias e à liberdade de expressão de todos em suaorigem histórica de modo que desmistificavam a pretensão de quem quisesse tornar-sehegemônico. Aliás, não era sua função desmistificar ou subtrair valor de quem quer que fossee mesmo enxergavam os limites de sua própria visão cônscios das múltiplas explicaçõesexistentes.Se num outro tempo o espírito laico desmistificava os rigorismos das religiões talvez ocorraagora que precise de quem relativize as construções humanas que se assumem com umaconotação tirânica pela qual é religioso é imediatamente um fanático.Mas se “podemos tomar-lhes o petróleo” porque não passa de um fanático, aí vemos que aevolução do laico para o seu extremo não é uma evolução gratuita, mas promovida. Talvezdevamos nos perguntar a que interesses esta vinculado essa campanha de desvalorização dasreligiões senão a um interesse que quer romper com formas de organização internas por ondedeseja se expandir. As grandes religiões fundamentadas em idéias que não mudam são oproblema, não a religião superficial a gosto. Mas aquela que impõe um paradigma de açãocontrário desejo do poder hegemônico e para o qual não há negociação. É o caso da visão pró-vida da Igreja Católica contrária aos lobbys abortistas ligados aos interesses imperialistas emultinacionais atuando um verdadeiro democídio em regiões pobres do mundo e pelo qual éfreqüentemente “demonizada” na mídia comprada pelos anúncios e concessões de canaisligados ao poder do mercado. Uma sociedade laica que se diz imparcial seria pluralista e aberta. Intolerância laicista querimpor até comportamentos, moral, ética e valores condizentes com o consumismo e seusinteresses. A educação para a tolerância não se dá pela eliminação dos credos religiososatravés da supressão de seus símbolos, mas pelo cultivo de uma mente aberta o que impõe quese cultive o homem mais do que como uma peça do sistema produtivo e se reconheçam suasconvicções e a liberdade de tê-las porque a idéia de que ter convicções religiosas o transformanum fanático ou num extremista de direita é parte da “beatice” laicista. (Nota 8)O laicismo também promove um individualismo contrário ao aprofundamento humanista danatureza humana sob a ótica cristã e à vida comunitária participativa. De imediato porquedesabona entre outros, os valores humanistas cristãos aos quais se referia o Papa João Paulo II. 24
  25. 25. Mas também porque em sua natureza laica submete-se facilmente às lógicas puramenteracionalistas promovidas muitas vezes na mídia por interesses hegemônicos.Para João Paulo II, na cultura laicista, mais facilmente pode ocorrer uma adesão a verdadespouco condizentes com a dignidade do homem devido exatamente à falta de um critérioconsistente sobre o que seja o homem. As verdades que interessam ao imperialismoglobalizado são promovidas em polêmicas na mídia de lógicas falsas e superficiais, sendoabsorvidas facilmente pelo laicista exatamente por uma falta de critérios mais profundos deanálise deste. (Nota 14)Nesse sentido a cultura laicista postula um racionalismo originado da Ilustração associado ànegação da transcendência levando, entre outras coisas, à mudança das obrigações éticas semassumir a que interesses sua “imparcialidade” está servindo.Numa sociedade intolerante poderemos assegurar o respeito aos direitos humanosindependentemente dos interesses da expansão do capital?ESTADOUma das tendências mais claras que acompanham a história do Estado moderno é a dadestruição dos poderes sociais intermediários representados, por exemplo, pela família, pelasassociações voluntárias, pelas lideranças locais, pelas autoridades religiosas e por qualquertipo de jurisdição independente em nome de um processo contínuo de centralização do poder.Tudo parece concorrer para aumentar indefinidamente as prerrogativas do poder central e atornar a existência individual cada dia mais frágil. A educação, tanto quanto a caridade,tornou-se, uma tarefa nacional e a religião vê-se ameaçada de cair também nas mãos doEstado.O Estado moderno ergueu um monumental aparato burocrático que inclui também instituiçõesainda mais centralizadoras como o Banco Mundial, o FMI, a ONU, a OMC e similares quepromovem de forma entusiástica o laicismo em escala global e é nesse sentido que a adoçãode uma visão laicista é elemento de hegemonia.CIÊNCIAA ciência tem desenvolvido uma cultura de veia largamente utilitarista movida pelo desejo delucro e de domínio. Por ser fonte de saber e de poder de produção e, associada à expansão docapitalismo tem uma desenfreada cobiça de absolutismo o que contribui para que não queiraaceitar freios éticos de origem moral e filosófica. Este debate é histórico. Já dizia HansGadamer: 25
  26. 26. “ In a time when science penetrates further and further into social practice, science can fullfillits social function only when it acknowledges its own limits and the conditions placed on itsfreedom to maneuver. Philosophy must make this clear to an age credulous about science tothe point of superstition. On just this depends the fact that tension between truth and methodhas an inescapable currency.” ( Thruth and Method, Gadamer, Hans.)A atitude positivista da cultura liberal valoriza o aspecto científico como fonte ideológica edoutrinal de suas concepções e acaba por preconizar uma “assepsia” da ciência e da cultura de“humanismos”. Os princípios cientificistas são característicos das concepções materialistas epositivistas do liberalismo. Num cenário de globalização liberal a ciência precisa de quem lhedê limites e parâmetros éticos para além dos multinacionais que financiam suas pesquisas.A afirmação de prioridade ética de base cristã para as pesquisas científicas é legítima ecorresponde a uma exigência essencial da pessoa e das comunidades humanas devido apossível subordinação do cientificismo às necessidades de investimento para pesquisa.Há uma prioridade, na cultura pós-moderna relativista laicista, pelas disciplinas experimentaisfrente à formação humanista dado que a necessidade econômica valora mais o aumento doconhecimento sensível que é por si reduzível ao empírico e possivelmente à comercialização eà regulação pelo mercado. E isto em detrimento das potencialidades do espírito humano.EDUCAÇÃOSem paradigmas para o alto o conhecimento tem, muitas vezes se atido aos seus aspectosmeramente mercadológicos: formação de uma massa de obra controlável pela adesão a certosprincípios laicistas pelos quais o mercado lhe confere um posto. O homem é apenas mais umaengrenagem no sistema de produção nas concepções materialistas.Na educação superior onde as atividades humanistas foram grandemente destituídas de seusaspectos filosóficos e teleológicos que davam amplidão às possibilidades especulativas dashumanidades se pode ver a limitação destas a um funcionalismo operativo de formação para amáquina de produção onde o homem é apenas mais um elemento da cadeira produtiva ou decooptação ideológica.Surgem assim cursos, disciplinas e objetivos puramente instrumentais para o processo deassimilação pelo mercado. Um pacto não escrito, mas real assegura o funcionalismo do estudopara o mercado de trabalho em detrimento de uma investigação da “verdade”. Uma mão deobra cada vez mais “instruída” em técnicas que as distinguirão no mercado de trabalho, masmenos capazes de um julgamento “humanista”. O conhecimento e a cultura cada vez maisservem não a plenificação do homem a que ser referiu João Paulo II, mas ao adestramentopara que o homem se torne peça mais eficiente para o sistema produtivo.A sobrevivência pela radicalidade da exclusão do processo capitalista neoliberal estáreduzindo todo aprimoramento pelo conhecimento ao mero determinismo do mercado. Numasociedade predominantemente materialista o utilitarismo dará o tom do conhecimento. 26
  27. 27. Conclusão Pelo exposto podemos auferir que a globalização, sob a cultura laicista implicará a perda de valores humanos da tradição cristã ocidental e, pelas características do laicismo, acima esboçados, corroborará para o processo de exclusão. A independência do sistema produtivo de constrangimentos éticos tradicionais mostra uma concepção de vida em que o homem será subordinado à produção material. (Nota 9) Seria necessária, ainda, uma pesquisa – que corroboraria com fatos – como o paradigma cristão foi sendo substituído em termos de novos “dogmas absolutos”. De como foi “cruxificado” a partir de simplificações e preconceitos para, desqualificá-lo e dessa maneira legitimar uma nova valoração mais apropriada à expansão capitalista atual. A simples aplicação das idéias aqui esboçadas se comprovam no dia a dia seja pelos noticiários seja pelas conversas cada vez mais laicistas. Por exemplo, um governo de um determinado estado brasileiro irá promover a entrega gratuita de Pílulas do Dia Seguinte gratuitamente no carnaval de 2006. (de onde vem o dinheiro para isso? Doações de ONGs benemerentes preocupadas em levar educação sexual às escolas de países de Terceiro Mundo?) O carnaval no Brasil agora é entendido como dança, transa e aborto? Não faltou quem na mídia dissesse que feto não é ser humano nas primeiras 72 horas da concepção. Mas quem disse que o processo da gravidez é interrompido, tem uma pré-fase e que se os pais quiserem aí é que o feto se desenvolve? “ - Alô, bichinho? O carinha deu o fora e portanto você não precisa se desenvolver, valeu?” Desde a fecundação o processo é ininterrupto até o nascimento. Não existe pré-fase no processo de concepção. Não houve, senão da Igreja Católica e mesmo assim não transmitido na mídia no mesmo instante em que o técnico aparecia para milhões dizendo que nas primeiras 72 horas não seria aborto, quem questionasse a nova mentalidade. Certamente essa “distração” geral que corroborou o carnaval como um “porre” anti-natalício, atesta a cooptação para a nova mentalidade, não por assentimento mas por distanciamento de valores até bem pouco tempo conhecidos e estimados como basilares na cultura ocidental, os valores cristãos. E isto por pura superficialidade e futilidade do modo de vida laicista que tem no consumo de bens o motor das prioridades e toda a atenção da “cultura” mídica, principalmente. Em regiões destituídas dos bens materiais mais básicos se somará agora esse “débito” de humanidades, um débito que começa pela perda de “status” do direito à vida desde o nascimento até a morte natural típico do pensamento cristão. O carnaval com aborto, certamente um carnaval com exploração infanto-juvenil e de turismo sexual, atesta uma das principais conseqüências do laicismo que não admite os paradigmas de origem religiosa na regulação da vida pública e se esforça obstinadamente em substituí-los já que o cristianismo exigiria a manutenção da vida, a solução do problema da pobreza e a 27
  28. 28. cobrança de responsabilidade dos que tem mais para com os destituídos. Evidentemente isso émuito caro para uma sociedade regulada por um mercado voltado para o lucro. A voz da Igrejaé francamente contra o aborto e por isso é verdadeiramente perseguida principalmente empaíses desenvolvidos onde estão as sedes dos interesses multinacionais.O controle hegemônico ideológico do capitalismo é uma articulação com intenção decontrolar o poder. Não está necessariamente em associação com a religião como se esta fossea “natural” superestrutura do sistema neoliberal. O paradigma cristão pode ser absorvido peladireita para efeitos de consolação pessoal e para uso político quando convém. Porque é umuso, não é do ideário cristão essa vinculação de classe ou opção política. É assim queacontecem aberrações como um cristão racista, por exemplo. Quando o sistema capitalista nãoencontra mais os elementos necessários na referida ideologia iniciou a troca pela laicista,amplamente promovida e construída pela mídia e pela desqualificação de seus opositores.Acreditamos que a história da propaganda com a sua evolução do simples anúncio até acriação de necessidades para promover a renovação do consumo por produtos de novatecnologia e como isso alimenta a “fabricação de valores” e, como nesse contexto, limitaçõeséticas foram um obstáculo à sua expansão, ajudaria a compreender o processo de substituiçãodo paradigma cristão no século XX. A isto seria interessante acrescentar o monopólio culturalnas mãos de multinacionais de cinema e editorial e a construção de novos valores através damídia, com a cooptação de diferentes diretrizes, à esquerda ou a direita, mas sumetidos sempreà aprovação pelo mercado.Essa retórica relativista não toma caminho de democracia, mas de poder. Não se trata de fazerconviver várias realidades, mas, de através da relatividade indiferentista, tornar legítimo ointeresse dos poderosos descartando, de sua responsabilidade ética, as exigências da moralcristã que antes então forjavam a cultura e a “verdade” ocidental. Quem não se submeter aoslugares comuns que estabelecem as novas regras do jogo fica fora do “mercado” e, portanto,da sobrevivência.É preciso lembrar que o espaço não ocupado pela “sociedade de mercado” facilita a ação dasorganizações criminosas internacionais muito ricas. Eles controlam os países emdesenvolvimento corrompendo políticos, sistemas judiciais e policiais, matando e não seimportando com direitos humanos, “empregando” pobres e excluídos como a sociedade civilnão o faz.Sem um paradigma ético que obrigue o enfrentamento claro dos ataques à pessoa humana, oque sobra para os excluídos é o que vem das organizações criminosas: comércio de produtosilicitamente obtidos, armas e as drogas. Pelo desinteresse da sociedade civil pelos pobres –dado o indiferentismo egoísta da nova cultura em que o ser humano fica reduzido a serabsorvido pelo mercado e para consumir - se vai entregando a sociedade às organizaçõescriminosas hoje com um volume de operações entre drogas e armas superior ao do comérciointernacional. O que não leva ao crescimento humano e da sociedade e objetivamente não levaa consecução das melhorias seja ao meio ambiente seja de “cuidado porque mútuorelacionado” entre o norte desenvolvido e o sul.A questão da argumentação ética em tempos de globalização não é subjetiva ou teórica, masse impõe porque os argumentos esgrimidos no espaço público buscam alterar as crenças dos 28
  29. 29. indivíduos quanto às justificativas das leis e seus comportamentos. Não ter responsabilidadesobre os pobres e excluídos do processo de globalização nos parece possível pela liberalizaçãode compromissos éticos permitido pela filosofia relativista. Este é a importância do tema destadissertação.De modo a atender a solicitação do nosso coordenador, Professor Daniel Aarão, buscamosquem questionasse a visão que aqui apresentamos. Para isso lemos o livro do professorWallerestein, “Capitalismo histórico e Civilização Capitalista” porque nos pareceu o que poderiaconstituir das mais inteligentes críticas. Mas, certamente, por nossas naturais limitações de aluno deprimeira viagem, insistimos: As verdades universalizantes são princípios de controle ideológico docapitalismo para Wallerestein. Tal concepção não obstante sofre de um racionalismo maniqueísta devisão materialista que não considera o homem como o concebe, por exemplo, o humanismo cristão deJoão Paulo II. Nesse sentido se podem identificar quase quaisquer ocorrências como elementos dedomínio porque racionalmente quase qualquer fator pode ir para um dos lados da equação linear davisão utilitarista.Mas no teste do real a lógica racionalista mostra seus limites. A religião, o mesmo aparelho dedominação ideológica, o “ópio do povo”, foi estímulo de muitas melhorias humanitárias ao longo dahistória não podendo seus princípios ser colocados simplesmente com uma única função – aqui emWallerestein de instrumento de dominação ideológica. Nem o homem é elemento de uma atuação semespírito e vontade, meramente racionalista agindo determinado por uma única função. É uma antigacaracterística da cultura ocidental, a de substituir o mundo pela idéia.Talvez em decorrência da filosofia hegeliana que traz uma visão de mundo em termos deconflito dialético. Todo avanço se realiza por meio da contraposição de contrários e da suasíntese superadora. Profundo é entender o fundamento da realidade como algo emdesenvolvimento, em “progresso”. Mas o racionalismo desta suposição extirpou asconsiderações “espirituais”, suplantando-as pela dança e contra-dança do novo ideal lógico.Na globalização neoliberal laicista as relações entre o homem e o econômico ficam assimamarrados aos aspectos da eficiência do mecanismo da superação em síntese que, depreferência ainda gerem um resultado prático, lucrativo. A decorrência desta “fé” no processológico de síntese está em não se perceber que as partes são sempre ligadas a um aspectoutilitarista na relação de oposição e o homem na sua totalidade não se encaixa nessemecanicismo.Quem defenderá um homem sem “utilidade”, como os aleijados, os excluídos, os velhos que aglobalização rejeitar principalmente se o paradigma do amor aos pobres do cristianismo foruma “lenda medieval conservadora” que precisa ser extirpada para a “síntese” do progresso“final”? Um exemplo de excluídos? Os abortados nestas últimas 72 horas no carnaval daBahia. Talvez filhos de meninas pobres envolvidas com o turismo sexual. Quem se importarácom elas se o que conta é salvar o planeta da “depredação” dos pobres? Ora mais não são osEstados Unidos os responsáveis, sozinhos, por um terço da poluição do planeta?Insistentemente a Globo faz campanha contra a pirataria. Mas quem se importa com osvendedores de cds falsos a serviço do grande contrabandista? Bill Gates que já é membro donovo “ Pacto Global”? 29
  30. 30. Apêndice Notas 1. “ Neste sentido, podemos dizer que Cristo tem sido sempre a “pedra angular” da construção e reconstrução das sociedades no Ocidente cristão.” Ao mesmo tempo, porém, não se pode ignorar como desponta insistentemente a recusa de Cristo: sempre mais se manifestam de novo os sinais de uma civilização diferente daquela que tem Cristo como “pedra angular” – uma civilização que, se não é atéia de modo programático, é certamente positivista e agnóstica, pois inspira-se no princípio de pensar e agir como se Deus não existisse. Uma tal tendência detecta-se facilmente na chamada mentalidade científica ou melhor, cientísta contemporânea, bem como na literatura, e especialmente nos meios de comunicação social. Viver como se Deus não existisse quer dizer viver fora das coordenadas do bem e do mal, isto é, fora daquele contexto de valores que tem Ele mesmo por fonte; pretende-se que, ao invés disso, o homem decida acerca do que é bom ou mau, sendo tal programa sugerido e divulgado em vários modos e de diversas partes.” ( Memória e Identidade, João Paulo II p. 58-59) 2. “(...) O que é um mercado? É um campo de batalha onde se opõem as forças (...) dos mais fracos e dos mais poderosos. E quem sobrevive, quem tem direito de sobreviver nesse mercado, são justamente aqueles que têm a capacidade de consumir e produzir. E é justamente onde a situação do cristão é crucial, porque a dinâmica do Evangelho é uma dinâmica de defesa do mais fraco, (...)o que importa é a dignidade de todos os seres humanos qualquer que seja a sua condição física, o seu tamanho, a cor de pele, a idade, e assim por diante. (...). É justamente o drama do nosso tempo, que a sociedade rejeita esta mensagem de Cristo. Porque de acordo com a “vulgata” ideológica dominante, o pobre, o marginal, o aleijado, não valem nada já que são inúteis na sociedade. A nossa ética cristã, nesse particular, é uma ética que contraria terminantemente a ética hedonista, a ética utilitarista, que a gente encontra (...) na tradição liberal.” “Os Riscos Éticos da Globalização”, Michel Schooynas (p. 74-76) 3. "En Cristo y por Cristo, Dios se ha revelado plenamente a la humanidad y se ha acercado definitivamente a ella; y, al mismo tiempo, en Cristo y por Cristo, el hombre ha conseguido plena conciencia de su dignidad, de su elevación, del valor trascendental de la propia humanidad, del sentido de su existencia". JOÃO PAULO II, Enc. Redentor hominis, nº 11. 4. "Mientras la "secularización" atribuye la justa y debida autonomía a las cosas terrenas, el secularismo, en cambio, proclama: ¡Hay que quitarle el mundo a Dios! ¿Y después? ¡Después hay que dárselo todo al hombre! Pero ¿es que al hombre se le puede entregar el mundo con mayor plenitud que la que se le dio al principio de la creación? ¿Puede dársele de otra manera? ¿Puede dársele fuera del orden objetivo del ser, del bien y del mal? Y si se le entrega de forma diversa, es decir, al margen del orden objetivo, ¿no se revolverá acaso contra el hombre, sometiéndolo a esclavitud? ¿No le instrumentalizará?". K. WOJTYLA, Signo de contradicción, BAC (Madrid, 1978) p. 45 5. "Todo eso, esa tremenda y valiosa experiencia me enseñó que la justicia social sólo es verdadera si está basada en los derechos de la persona. Y esos derechos sólo serán realmente reconocidos si se reconoce la dimensión trascendente del hombre, creado a imagen y semejanza de Dios, llamado a ser su hijo y hermano de los otros hombres, destinado a una vida eterna. Negar esa trascendencia es reducir el hombre a instrumento de dominio, cuya suerte está sujeta al egoísmo y a la ambición de otros hombres, o a la omnipotencia del Estado totalitario, erigido en valor supremo". Juan Pablo II, Homilía a los jóvenes en Belo Horizonte (Brasil, 1-VII-1980). 30
  31. 31. 6. “ (...) o verdadeiro desenvolvimento não pode consistir na simples acumulação de riqueza e na maior disponibilidade dos bens e dos serviços, se isso fosse obtido à custa do subdesenvolvimento das multidões, e sem a consideração devida pelas dimensões sociais, culturais e espirituais do ser humano.(…) é forçoso perguntar se a realidade tão triste de hoje não será, pelo menos em parte, o resultado de uma concepção demasiado limitada, ou seja, predominantemente econômica, do desenvolvimento.(...) Todavia, é necessário, denunciar a existência de mecanismos econômicos, financeiros e sociais que embora conduzidos pela vontade dos homens, funcionam muitas vezes de maneira quase automática, tornando mais rígidas as situações de riqueza de uns e de pobreza dos outros. Estes mecanismos, manobrados – de maneira direita ou indireta – pelos países mais desenvolvidos, com o seu próprio funcionamento favorecem os interesses de quem os manobra, mas acabam por sufocar ou condicionar as economias dos países menos desenvolvidos. Apresenta-se como necessário submeter mais adiante estes mecanismos a uma análise atenta, sob o aspecto ético- moral.”Solicitude Social, Carta encíclica de João Paulo II, “Sollicitudo Rei Socialis”, Ed. Paulinas, 4ed., São Paulo, 1990. 31
  32. 32. 7. “Una ayuda importante e incluso decisiva la ha dado la iglesia con su compromiso en favor de la defensa y promoción de los derechos del hombre. En ambientes intensamente ideologizados, donde posturas partidistas ofuscaban la conciencia de la común dignidad humana, la Iglesia ha afirmado con sencillez y energía que todo hombre -sean cuales sean sus convicciones personales- lleva dentro de sí la imagen de Dios y, por tanto, merece respeto. En esta afirmación se ha identificado con frecuencia la gran mayoría del pueblo, lo cual ha llevado a buscar formas de lucha y soluciones políticas más respetuosas con la dignidad de la persona humana". João Paulo II, Enc. Centesimus annus, nº 22.8. Não é necessário repetir, porque todos os conheceis bem, os danos que trouxe ao homem a auto-suficiência de uma cultura e de uma técnica fechadas ao transcendente, a redução do homem a mero instrumento de produção, vítima de ideologias preconcebidas ou da fria lógica das leis econômicas, manobrando para fins utilitaristas e interesses de grupos, que ignoraram e ignoram o verdadeiro bem do homem. (“ Aos Construtores da Sociedade Pluralista de Hoje”, Salvador, Bahia, Brasil, 7 de julho de 1980).9. “Enquanto “ordenamento da razão”, a lei está baseada na verdade do ser: a verdade de Deus, a verdade do homem, a verdade da própria realidade criada no seu todo. Esta verdade é a base da lei natural(...).” Tocamos aqui uma questão de essencial importância para a história da Europa no século XX, porque foi um parlamento, regularmente eleito, que consentiu a ascensão de Hitler ao poder na Alemanha dos anos 1930 e foi, depois, o mesmo Reichtag que, com a delegação de plenos poderes ( Ermächtigungsgesetz) a Hitler, lhe abriu a estrada para a política de invasão da Europa, a organização dos campos de concentração e para a execução da chamada “solução final” da questão hebraica, isto é, a eliminação de milhões de filhos e filhas de Israel. Basta trazer à memória apenas estes fatos – bem perto de nós no tempo – para ver claramene que a lei estabelecida pelo homem tem limites concretos, que não pode ultrapassar: os limites, fixados pela lei natural, com que o próprio Deus tutela os bens fundamentais do homem.” Memória e Identidade, João Paulo II, p. 150-15110. “Cada vez más, en muchos países americanos impera un sistema conocido como «neoliberalismo; sistema que haciendo referencia a una concepción economicista del hombre, considera las ganancias y las leyes del mercado como parámetros absolutos en detrimento de la dignidad y del respeto de las personas y los pueblos. Dicho sistema se ha convertido, a veces, en una justificación ideológica de algunas actitudes y modos de obrar.”(Exhortación Apostólica Postsinodal Ecclesia In America Del Santo Padre Juan Pablo Ii A Los Obispos A Los Presbíteros Y Diáconos A Los Consagrados Y Consagradas Y A Todos Los Fieles Laicos Sobre El Encuentro Con Jesucristo Vivo, Camino Para La Conversión, La Comunión Y La Solidaridad En Américahttp://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/apost_exhortations/documents/ hf_jp-ii_exh_22011999_ecclesia-in-america_sp.html )11. “Se, por um lado, o Ocidente continua a dar testemunho da ação do fermento evangélico, por outro aparecem, não menos fortes, as correntes da antievangelização; esta atinge as próprias bases da moral humana evolvendo a família e espalhando o permissivismo moral: os divórcios, o amor livre, o aborto, a contracepção, a luta contra a vida tanto na sua fase inicial como no ocaso, a sua manipulação. Este programa funciona com enormes meios financeiros, não apenas em nível nacional mas também na escala mundial; consegue realmente dispor de grandes centros de poder econômico, através dos quais tenta impor as suas próprias condições aos países em desenvolvimento. Face a tudo isto, é legítimo questionar se não estamos perante uma nova forma de totalitarismo, dolosamente velado sob as aparências da democracia.” Livro de João Paulo II “Memória e Identidade”, p.59. 32
  33. 33. 12. “Em primeiro lugar, um "SIM À VIDA"! Respeitar a vida e as vidas: com ela tudo começa, visto que o mais elementar dos direitos humanos é o direito à vida. O aborto, a eutanásia ou a clonagem humana, por exemplo, correm o risco de reduzir a pessoa humana a um simples objecto: de certa forma, a vida e a morte comandada! Quando são privadas de qualquer critério moral, as investigações científicas que manipulam as fontes da vida são uma negação do ser e da dignidade da pessoa. A própria guerra é um atentado à vida humana porque traz consigo o sofrimento e a morte. A defesa da paz é sempre uma defesa da vida!“Depois, o respeito do direito. A vida em sociedade sobretudo a vida internacional exige princípios comuns intocáveis, cuja finalidade é garantir a segurança e a liberdade dos cidadãos das nações. Estas regras de conduta estão na base da estabilidade nacional e internacional. Hoje, os responsáveis políticos têm à sua disposição textos apropriados e instituições de grande pertinência. É suficiente pô- los em prática. O mundo seria totalmente diferente se se começasse por aplicar sinceramente os acordos assinados!” (Discurso Do Papa João Paulo II Ao Corpo Diplomático Acreditado Junto Da Santa Sé Durante A Apresentaçãodos Bons Votos Para O Novo Ano, 13 de Janeiro de 2003 33
  34. 34. 13. “3. Uma das preocupações da Igreja acerca da globalização consiste no fato de que esta se tornou rapidamente um fenômeno cultural. O mercado como mecanismo de intercâmbio tornou-se instrumento de uma nova cultura. Muitos observadores notaram o caráter indiscreto, e até mesmo invasor, da lógica do mercado, que limita cada vez mais a área disponível à comunidade humana para a ação pública e voluntária a todos os níveis. O mercado impõe o seu modo de pensar e de agir e, com a sua escala de valores, influi no comportamento. Os povos que estão sujeitos a isto não raro consideram a globalização como uma invasão destruidora que ameaça as normas sociais que antes os tutelavam e os pontos de referência culturais que lhes ofereciam um rumo na vida. O que está a acontecer é que as mudanças na tecnologia e nas relações de trabalho se transformam com demasiada rapidez para que a cultura seja capaz de lhes corresponder. As garantias culturais, legais e sociais que são o resultado dos esforços voltados para a defesa do bem comum têm uma importância vital para fazer com que os indivíduos e os grupos intermediários mantenham a sua própria centralidade. Todavia, com freqüência a globalização corre o perigo de destruir estas estruturas edificadas com tanto esmero, reivindicando a adoção de novos estilos de trabalho, de vida e de organização das comunidades. Da mesma forma, a outro nível, a utilização das descobertas no campo biomédico tende a encontrar os legisladores impreparados. A própria investigação é freqüentemente financiada por grupos particulares, e os seus resultados são comercializados mesmo antes que o processo de controle social tenha tido a possibilidade de reagir. Encontramo-nos diante de um aumento prometeico de poder sobre a natureza humana, a tal ponto que o próprio código genético humano é medido em termos de custo e benefício. Todas as sociedades reconhecem a necessidade de controlar estes progressos e de garantir que as novas práticas respeitem os valores humanos fundamentais e o bem comum. 4. A afirmação da prioridade da ética corresponde a uma exigência essencial da pessoa e da comunidade humanas. Todavia, nem todas as formas de ética são dignas deste nome. Assistimos ao nascimento de modelos de pensamento ético que são subprodutos da própria globalização e têm em mesmos si a marca do utilitarismo. Contudo, os valores éticos não podem ser determinados pelas inovações tecnológicas, pela técnica ou pela eficácia. Eles estão radicados na própria natureza da pessoa humana. A ética não pode ser a justificação ou a legitimação de um sistema, mas deve constituir sobretudo a tutela de tudo aquilo que há de humano em qualquer sistema.A ética exige que os sistemas se adaptem às exigências do homem, e não que o homem seja sacrificado em nome do sistema. Uma conseqüência evidente disto é o fato de que as comissões éticas, hoje habituais em quase todos os sectores, deveriam ser completamente independentes dos interesses financeiros, das ideologias e das concepções políticas partidárias.”((Discurso Do Santo Padre Aos Membros Da Pontifícia Academia Das Ciências Sociais Sexta-Feira, 27 de Abril de 2001.).http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/2001/documents/hf_jp- ii_spe_20010427_pc-social-sciences_po.html)14. “Durante la Jornada mundial de la juventud en Denver, tuve la oportunidad de reflexionar con los jóvenes presentes sobre la falsa moralidad que se aplica corrientemente al tema de la vida. Según este modo de pensar, el aborto y la eutanasia asesinato real de un ser humano verdadero son reivindicados como derechos y soluciones a problemas: problemas individuales o problemas de la sociedad l...]. La vida primer don de Dios y derecho fundamental de todo individuo, base de todos los demás derechos es tratada a menudo nada más como una mercancia que se puede organizar, comercializar y manipular a gusto personal” (João Paulo II, Vigilia, 14 de agosto de 1993,11 parte, n. 3; cf. L"osservatore Romano) 34
  35. 35. 15. “A una cierta pérdida de la memoria cristiana se suma una especie de miedo al afrontar el futuro; a una generalizada fragmentación de la existencia se unen a menudo la difusión del individualismo y un creciente debilitamiento de la solidaridad interpersonal. Se asiste a una pérdida de la esperanza, en cuya raíz está el intento de hacer que prevalezca una antropología sin Dios y sin Cristo. Paradójicamente, la cuna de los derechos humanos corre así el riesgo de perder su fundamento, minado por el relativismo y el utilitarismo.” (JUAN PABLO II ÁNGELUS, Castelgandolfo, Domingo 13 de julio de 2003. http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/angelus/2003 documents/hf_jp- ii_ang_20030713_sp.html)16. “Concepciones opuestas se enfrentan sobre temas como el aborto, la procreación asistida, el uso de células madres embrionarias humanas con finalidades científicas, la clonación. Apoyada en la razón y la ciencia, es clara la posición de la Iglesia: el embrión humano es un sujeto idéntico al niño que va a nacer y al que ha nacido a partir de ese embrión. Por tanto, nada que viole su integridad y dignidad es éticamente admisible. Además, una investigación científica que reduzca el embrión a objeto de laboratorio no es digna del hombre. Se ha de alentar y promover la investigación científica en el campo genético, pero, como cualquier otra actividad humana, nunca puede considerarse exenta de los imperativos morales; por otra parte, puede desarrollarse en el campo de las células madres adultas con prometedoras perspectivas de éxito.”( Discurso De Su Santidad Juan Pablo Ii Al Cuerpo Diplomático Acreditado Ante La Santa Sede 10 de enero de 2005.) http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/speeches/2005/january/documents/hf_jp -ii_spe_20050110_diplomatic-corps_sp.html 35
  36. 36. João Paulo II A popularidade de um papa, num século em que Deus é dado por morto e de um tempo de disputa entre ideologias materialistas é um fato que por si só cobra a explicações a um historiador. João Paulo II foi testemunha de eventos importantes do século XX interferindo decididamente sobre eles. Além disto esteve longos anos à frente de seu cargo com intensa atividade como líder mundial. O Papa João Paulo II, na história do século XX pode também ser visto como um líder de uma verdadeira “resistência” humanista aorelativismo laicista ligado ao capitalismo pós-moderno bem como de todas as formas detotalitarismo e opressão do homem. ( Nota 12)Além de ter participado do Concílio Vaticano II (1962-1965) que tinha como objetivoatualizar a Igreja Católica para os desafios da modernidade, e de ter vivenciado a resistênciaaos domínios nazista e comunista da Polônia o que já o colocam como testemunha dos maisimportantes momentos do século XX, (Segunda Guerra e Guerra Fria), como Papa (foi eleitoem 16 de outubro de 1978) permaneceu quase 27 anos no cargo de chefe de um bilhão e cemmilhões de católicos.Fez 104 viagens pastorais por todo o mundo visitando 145 países. Como autor de pensamentocristão que estaria na base da resistência humanista aos extremos do materialismo, escreveu14 encíclicas4, 15 exortações apostólicas, 11 constituições apostólicas, 45 cartas apostólicas,28 “Motu Proprio”, cinco livros e proferiu cerca de 20 mil discursos.Falou às multidões ao vivo e pela televisão como poucos e por muito tempo. Só nasaudiências gerais de quartas-feiras falou a cerca de 18 milhões de peregrinos em cerca de 1160audiências. No Jubileu do ano 2000 recebeu oito milhões de peregrinos. A maior concentraçãode pessoas em torno do Papa deu-se em Manila, Filipinas onde quatro milhões de pessoasassistiram à missa celebrada por ele.De 16 de outubro de 1978 a 14 de outubro de 2004, encontrou-se com 738 chefes de Estado,recebeu 246 Primeiros Ministros e as credenciais de 642 embaixadores. A título decomparação, o presidente americano que mais tempo permaneceu na África foi Clinton emviagem de 12 dias por seis países da África o continente mais necessitado do Terceiro Mundo.João Paulo II viajou 13 vezes à África visitando 40 de seus 52 países. 5 Em suas viagensapostólicas dirigiu-se aos fiéis em 60 línguas inclusive em ibo, efik, tiv, hauçá, edo e ioruba.64 A encíclica é o documento mais solene do Magistério da Igreja e trata de temas doutrinais ou fazem um chamado aos fiéispor um motivo concreto. Dirigem-se normalmente a todos os Bispos, fiéis da Igreja Católica, e a "todas as pessoas de boavontade".5 Páginas na Internet da ACI Digital, Vaticano, Arvo.net.6 João Paulo II, Biografia, Lecomte, Bernard, p.446. 36

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