EL FLAUTISTA DE HAMELINCertamente nunca ouviram falar deHamelin. Não admira. Este nome, defacto, só é conhecido por aquele...
EL FLAUTISTA DE HAMELINA sul da cidade passa um rio com umacorrente serena e majestosa: o Veser,nas margens do qual os cid...
EL FLAUTISTA DE HAMELINem suma, todos os ratos possíveis eimaginários – se fartassem de estarescondidos e viessem, esfomea...
EL FLAUTISTA DE HAMELINAo fim de uma semana as pessoas jánão    podiam    mais.   Os    valenteshabitantes de Hamelin, imp...
EL FLAUTISTA DE HAMELINsobre os quais as pálpebras caíamcomo os estores de uma loja à hora defechar nem os membros da asse...
EL FLAUTISTA DE HAMELINestragados,     de    hortaliças.    Umverdadeiro dilúvio!Basta, velhos gordalhaços! – ouvia-segrit...
EL FLAUTISTA DE HAMELINagora? Tenho uma enorme dor decabeça… E depois… E depois é quasemeio-dia, já estou a sentir        ...
EL FLAUTISTA DE HAMELINPor Deus! – exclamou um conselheiro. –Mas quem é este? Um bobo queescapou da feira de Hanôver?A mim...
EL FLAUTISTA DE HAMELINvirando     o   seu    olhar     para    osconselheiros. Sentindo mal-estar sobaquele olhar penetra...
EL FLAUTISTA DE HAMELINBagdade, vendo o seu reino devastadopor uma praga de gafanhotos, mandou-me chamar. Agora, se quiser...
EL FLAUTISTA DE HAMELINinstrumento tivesse entoado três notas,ao longe começou a ouvir-se ummurmúrio, como se um          ...
EL FLAUTISTA DE HAMELINmúsica. E os ratos, atrás, correndo,dançando,     arrastando-se   uns   aosoutros. Quando, enfim, o...
EL FLAUTISTA DE HAMELINmaçãs maduras, postas sobre a prensapara se fazer sidra; depois, um chiocomo o das tinas de picles ...
EL FLAUTISTA DE HAMELINoutros abriram pipas da melhor cervejae brindaram com canecas que, de tãograndes, pareciam baldes. ...
EL FLAUTISTA DE HAMELINflorins àquele vagabundo do mantoencarnado e amarelo, quando o vinhodo Reno custava esse dinheiro? ...
EL FLAUTISTA DE HAMELINingratos como são, não se iludam queeu lhes faça um desconto. E lembrem--se: quem se comporta comig...
EL FLAUTISTA DE HAMELINTodos os meninos e meninas da cidade,de faces rosadas, os olhos cintilantes eos dentes brancos como...
EL FLAUTISTA DE HAMELINVai parar, vão ver! – diziam. – Não podeescalar o Koppelberg…Mas eis que, chegado ao sopé domonte, ...
EL FLAUTISTA DE HAMELINOuvindo aquelas palavras, muitos selembraram das palavras de Jesus: «Émais fácil um camelo passar p...
EL FLAUTISTA DE HAMELINnos seus vitrais a história do flautistamágico.Mas, afinal, que é que aconteceu àscrianças encantad...
EL FLAUTISTA DE HAMELINalguém tocar flauta para nos libertardos ratos, depois de lhe termosprometido alguma coisa, é conve...
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El flautista de hamelin

  1. 1. EL FLAUTISTA DE HAMELINCertamente nunca ouviram falar deHamelin. Não admira. Este nome, defacto, só é conhecido por aqueles quejá sabem a lenda do flautista mágico. Ecomo ainda agora deste início à leituradesta história suponho que o nome«Hamelin» não te diga nada. Por isso,escuta com atenção.Hamelin é uma cidade. Não tão grandecomo a vizinha Hanôver. No entanto, éum pouco maior do que uma aldeia.Possui uma bela muralha sobre a qualtrepa a hera viçosa, uma catedral comaltos pináculos de pedra trabalhadacom grande detalhe, e um magníficopalácio municipal, também chamado «opalácio do relógio», porque, bem nocentro da sua fachada, se pode admirarum enorme relógio redondo, cujosponteiros e números são de ouro puro. 1
  2. 2. EL FLAUTISTA DE HAMELINA sul da cidade passa um rio com umacorrente serena e majestosa: o Veser,nas margens do qual os cidadãoscostumam passear nos dias de festa,entre altíssimos choupos.Querem um sítio mais agradável do queeste para viver?No entanto, quando esta históriacomeça – há mais de seis séculos – oshabitantes de Hamelin estavamdesesperados. E porquê? A resposta éesta: porque a cidade tinha sidoinvadida pelos ratos.Os ratos desde sempre lá tinhamestado e sempre lá haviam de estar.Enchiam as caves, os esgotos e ossubterrâneos. Mas, como tinham o bomgosto de se manterem escondidos, nãose dava pela sua presença. E que diriamvocês se, de repente, os ratos – ratosgrandes, ratos de esgoto e ratos docampo, ratos cinzentos e ratos de água, 2
  3. 3. EL FLAUTISTA DE HAMELINem suma, todos os ratos possíveis eimaginários – se fartassem de estarescondidos e viessem, esfomeados, aoataque? Foi o que aconteceu emHamelin. Os ratos encheram–se deousadia, saíram dos seus escurosesconderijos e invadiram tudo.Assaltavam os cães e matavam osgatos, entravam nos berços e mordiamas crianças, comiam o queijo doscaldeirões onde estava o coalho,lambiam a sopa nas conchas dascozinhas, abriam os barris dos arenquessalgados e faziam ninhos nos chapéus.A cidade fora invadida por um estranhoruído que cobria qualquer outro som. Asparedes das casas vibravam desde osalicerces e em toda a sua áreatremiam. Era uma mistura de apitosagudos, de guinchos, de chamamentos.Um roçar, um espernear, um rangercontínuo que fazia dores de cabeça. 3
  4. 4. EL FLAUTISTA DE HAMELINAo fim de uma semana as pessoas jánão podiam mais. Os valenteshabitantes de Hamelin, impacientes,começaram a dizer:Mas afinal por que é que a CâmaraMunicipal não intervém? Eh! Bonitoserviço! Temos um presidente daCâmara preguiçoso, uma assembleiaque dá vontade de rir. E pensar queviajam com fatos forrados de arminho,que comem e bebem à nossa conta.Agora basta!E dirigiram-se em conjunto ao paláciodo município. Sim, aquele mesmo, o dorelógio.Era dia de sessão. Na sala do Conselhonão faltava ninguém: nem o presidenteda Câmara – um tipo pequeno masgordíssimo, com a pele de tal formaesticada que parecia poder rebentar deum momento para o outro, e com unsgrandes olhos de carneiro mal morto, 4
  5. 5. EL FLAUTISTA DE HAMELINsobre os quais as pálpebras caíamcomo os estores de uma loja à hora defechar nem os membros da assembleia.Estes últimos tinham o mesmo aspectobem alimentado do presidente, omesmo ar meio adormecido de quemengana, de quem vê as moscas a voar,de quem coça as barrigas das pernas,de quem faz desenhos na acta daassembleia. Em suma, um tristeespectáculo.Parece que estou a ouvir qualquercoisa… um ruído… barulho na praça… –disse o presidente.Levantou-se pesadamente do seucadeirão e abriu um das janelas da sala.Melhor seria que o não tivesse feito.Mal assomou à janela, vieram damultidão, não apenas assobios, vaias,ofensas e pragas, como também umaintensa chuvada de frutos, de ovos 5
  6. 6. EL FLAUTISTA DE HAMELINestragados, de hortaliças. Umverdadeiro dilúvio!Basta, velhos gordalhaços! – ouvia-segritar. Têm de encontrar uma solução.Pensam que os elegemos paramandriarem de manhã à noite?Arranjem uma solução ou, então,expulsá-los-emos daí!Aterrado com aquela espécie derevolução, o presidente fechou a portao mais rápido que lhe foi possível, masnão o suficiente para evitar que umchorrilho de maçãs podres se fosseesborrachar nos bancos dosconselheiros.Ai de mim, senhores! – exclamou, então,o gordo homenzinho. – Era capaz devender este uniforme por dez tostões,acreditem! Ah! Se eu pudesse estar amilhas daqui! «Digam, façam…» É fácilordenar a uma pessoa que puxe pelacabeça. Mas que havemos de inventar 6
  7. 7. EL FLAUTISTA DE HAMELINagora? Tenho uma enorme dor decabeça… E depois… E depois é quasemeio-dia, já estou a sentir umbocadinho de fome. E agora, senhores?Naquele preciso instante ouviu-se umestranho rumor, proveniente da portada entrada. Parecia um esfregarcontínuo e abafado.Quem é? Serão os ratos? Quem querque seja, entre!A porta entreabriu-se e, na sala doConselho, entrou a personagem maisextraordinária que já se viu em Hamelindesde o ano da sua fundação. Vestiaum manto longuíssimo, dividido emdois, metade amarelo e metadeencarnado. A sua estatura era alta,magra e seca. Tinha os olhos azuis epenetrantes como alfinetes, a cabeleiralonga e fina, encarnado-escura. No seurosto, sem barba nem bigode, exibia umestranho sorriso. 7
  8. 8. EL FLAUTISTA DE HAMELINPor Deus! – exclamou um conselheiro. –Mas quem é este? Um bobo queescapou da feira de Hanôver?A mim – acrescentou um outro – lembra-me a figura que fará o meu bisavô JoãoJoaquim quando, no dia do juízo,ressuscitar do seu túmulo frio.O homem dirigiu-se lentamente para ascadeiras do Conselho e disse:Que vossas Excelências se dignemescutar-me. O acaso quis que eu fossedotado de um poder mágico. Por essemeio posso atrair todas as criaturasque existem na terra. E quando digo«todas», são mesmo todas: todos osseres que rastejam, que voam, quenadam e que correm, das toupeiras aossapos, dos leitões às víboras. Aspessoas chamam-me «o FlautistaMágico»…Chegado a este ponto, o estranhoindivíduo deteve-se por um instante, 8
  9. 9. EL FLAUTISTA DE HAMELINvirando o seu olhar para osconselheiros. Sentindo mal-estar sobaquele olhar penetrante, que pareciaatravessar-lhes os corpos maciços, osconselheiros baixaram as cabeças paraverem o que o flautista traziapendurado numa faixa amarela eencarnada, tal como o manto: umaflauta, longa e fina. As mãos do dono,também elas longas e finas,acariciavam-na com gestos ágeis enervosos. Enquanto percorriam os furosdo instrumento, os dedos pareciamimpacientes, por lhe arrebatarem, quemsabe, uma melodia extraordinária…O flautista continuou:Neste mês de Junho, na Tartária,libertei o Grande Khan do enormeenxame de moscas que incomodava apopulação. Libertei a região de Nizam,na Índia, de um terrível bando devampiros. E no ano passado, o califa de 9
  10. 10. EL FLAUTISTA DE HAMELINBagdade, vendo o seu reino devastadopor uma praga de gafanhotos, mandou-me chamar. Agora, se quiserem, vão atélá e vejam se encontram um gafanhoto,num raio de cem milhas! Naturalmenterecomeçou depois de uma breve pausacada coisa tem o seu preço. Se eulibertar a vossa cidade dos ratos dão-me, digamos, mil florins de ouro?Só mil? Mas cinquenta mil é quanto tedaremos, sim, cinquenta mil! exclamouo presidente com entusiasmo.Cinquenta mil, cinquenta mil! disseramtambém os conselheiros.Sem acrescentar palavra, o flautistadeu meia volta e saiu para a praça.Erguendo a flauta, franziu os lábios,como fazem os músicos virtuosos. Noseu olhar penetrante brilhava umachama, ora esverdeada, ora azulada, dacor do fogo quando se lhe deita umpunhado de sal. E, antes que o 10
  11. 11. EL FLAUTISTA DE HAMELINinstrumento tivesse entoado três notas,ao longe começou a ouvir-se ummurmúrio, como se um exércitomarchasse a grande distância. Depois,o ribombar transformou-se numestrondo poderoso, que sacudia ascasas e as estradas.Os ratos! Os ratos saíam! Ratosgrandes, ratinhos minúsculos, ratosmagros como anchovas, ratos robustoscomo porcos, ratos castanhos, ratospretos, ratos cinzentos, ratos ruivos,ratos pomposos marchandocompassadamente… ratos jovens evivos, pais, mães, tios, primos…abanavam os rabos, endireitavam osbigodes e marchavam. Vinham emfamílias, em grupos, em pelotões, emmultidões, em exércitos.E todos seguiam o flautista.O homem avançava de rua em rua semse voltar para trás, absorto na sua 11
  12. 12. EL FLAUTISTA DE HAMELINmúsica. E os ratos, atrás, correndo,dançando, arrastando-se uns aosoutros. Quando, enfim, o flautista saiupela porta sul, estava a poucos passosdo rio Veser, e aí ficou parado, mas aenorme multidão que o seguia não. Eraum espectáculo extraordinário veraquela quantidade enorme de ratos aprecipitar-se, de mergulho, no rio. Acorrente do Veser fervilhava de patas,de rabos, de bigodes, de dorsos. Empoucos minutos, em Hamelin, não havianem um daqueles invasores!Que é que tinha acontecidoexactamente? Parecia que o único aescapar daquela matança, um gordorato de água, contou, mais tarde, aalguns amigos seus de Hanôver, ondese tinha refugiado:As primeiras notas da flauta pareciam orumor de um saboroso osso de porco aser raspado. Logo de seguida, o de 12
  13. 13. EL FLAUTISTA DE HAMELINmaçãs maduras, postas sobre a prensapara se fazer sidra; depois, um chiocomo o das tinas de picles a abrirem-se, como um armário cheio demarmelada a entreabrir-se ou como ode rolhas de garrafões de óleo quandosão destampados. Parecia que uma vozcelestial me dizia: «Regozijem-se,bravos ratos! Ruminem, trinquem, roam,devorem! Eis tudo junto e de uma vez:pequeno-almoço, almoço, lanche ejantar!» E quando me estava a verdiante de um barril de açúcar branco,cujo conteúdo brilhava como a luacheia, dei comigo, de repente, nasprofundas águas do Veser a fazer tudopara não me afogar.Mas voltemos a Hamelin. Os habitantesda cidade pareciam loucos: riam,dançavam, saltavam. Algunsprecipitaram-se para o campanário ecomeçaram a tocar o sino para a festa, 13
  14. 14. EL FLAUTISTA DE HAMELINoutros abriram pipas da melhor cervejae brindaram com canecas que, de tãograndes, pareciam baldes. Enfim, umaalegria nunca antes vista! E opresidente? Ora, o gordalhãopreguiçoso comandava e fazia alarido:Vamos! gritava. Ponham tábuas atapar os ninhos! Fechem até o buracomais pequeno. Que dos ratos não fiquenem o rasto!De repente, eis que aparece na praçado mercado o flautista. Aproximou-sedo presidente e dos seus conselheiros edisse:Sim, sim, está tudo bem, mas primeiro,por favor, eu queria os meus milflorins… Mil florins?O presidente perdeu as boas cores quetinha, empalideceu, e os conselheiros,de repente silenciosos, olhavamfixamente para ele, como se o flautistanão existisse. Haviam de pagar mil 14
  15. 15. EL FLAUTISTA DE HAMELINflorins àquele vagabundo do mantoencarnado e amarelo, quando o vinhodo Reno custava esse dinheiro? Querestaria para os senhores daassembleia poderem festejarcondignamente o acontecimento?Bom homem – disse, por fim, opresidente – a praga dos ratos é agorasó uma recordação. Os ratos nuncamais hão-de voltar. Claro que queremosrecompensar-te. Mas, mil florins!Repara que era uma brincadeira.Portanto, toma estes cinquenta florins,bebe à nossa saúde e vai com Deus!A cara do flautista ficou negra como ocarvão. E disse:Não foi brincadeira nenhuma, carossenhores! À hora das refeições souhóspede do califa de Bagdade, ele sim,é uma pessoa reconhecida, e não tenhoum minuto a perder. Avarentos e 15
  16. 16. EL FLAUTISTA DE HAMELINingratos como são, não se iludam queeu lhes faça um desconto. E lembrem--se: quem se comporta comigo destemodo, arrisca-se a que eu comece atocar a flauta com intenções bemdiferentes.Como!? gritou o presidente. Como teatreves, seu vadio horroroso? Quem éstu? Pensas que impressionas alguém,com essa flauta inútil e esse fato debobo? Vá, vá, toca a tua bela flauta atéela se partir.Sem acrescentar uma palavra, oflautista voltou-se, colocando, de novo,a sua flauta nos lábios. Começou acaminhar e, antes que tivesse entoadotrês notas, três notas apenas, umalegre murmúrio percorreu a cidade deHamelin. Eram pezinhos que avançavamvelozes, tamancos que ressoavam noempedrado, mãos que aplaudiam, vozesde crianças que falavam alegremente. 16
  17. 17. EL FLAUTISTA DE HAMELINTodos os meninos e meninas da cidade,de faces rosadas, os olhos cintilantes eos dentes brancos como pérolas,seguiam em bando, rindo alegremente,a música do flautista.Ao ver isto, o presidente emudeceu e osmembros da assembleia ficaramquietos, imóveis como pedras, deespanto. Entretanto, o flautistapercorreu a rua principal e encaminhou-se para o Weser, levando atrás de sitodas as crianças de Hamelin. E já aspessoas choravam e arrancavam oscabelos, acreditando que os filhosteriam o mesmo fim que os ratosencantados, quando o homem vestidode amarelo e encarnado mudou derumo, para oeste, em direcção à colinade Koppelberg, que domina a cidade.Então, todos soltaram um suspiro dealívio: 17
  18. 18. EL FLAUTISTA DE HAMELINVai parar, vão ver! – diziam. – Não podeescalar o Koppelberg…Mas eis que, chegado ao sopé domonte, o alegre cortejo parou uminstante. Um enorme portal se abriu depar em par, na base da colina,engolindo o flautista e o seu séquito efechando-se quando a ultima criança oatravessou.Dissemos «a última»? Não, desculpem,enganámo-nos. Uma daquelas criançasficou para trás. Regressou à cidade achorar e disse à mãe que a abraçava:Ah! O que eu perdi! Olha, o flautistaestava a levar-nos para o País daFelicidade. Lá as águas jorram límpidas,as flores têm cores maravilhosas, ospardais são mais sarapintados que ospavões, as abelhas não têm ferrão, oscavalos têm asas. Ai de mim! Como souinfeliz! 18
  19. 19. EL FLAUTISTA DE HAMELINOuvindo aquelas palavras, muitos selembraram das palavras de Jesus: «Émais fácil um camelo passar peloburaco de uma agulha, do que um ricoentrar no reino dos Céus». Todos searrependeram da avareza que tinhammostrado. O presidente envioumensageiros para Norte e para Sul,para Oriente e para Ocidente, mas emvão. Nunca mais se encontrou o rasto,nem do flautista, nem das crianças deHamelin. E, em memória do terrívelacontecimento, a partir daquele dia,nos documentos oficiais de Hamelin,depois da data, podia ler-se: «Masrecordamos tudo o que aconteceu nodia vinte e dois de Julho de 1376». Enão só. Em frente ao local onde seabrira o portal mágico, o municípiomandou erigir uma coluna e quem hojevisita a catedral de Hamelin pode ver 19
  20. 20. EL FLAUTISTA DE HAMELINnos seus vitrais a história do flautistamágico.Mas, afinal, que é que aconteceu àscrianças encantadas? Não se sabe.Porém, não podemos deixar de dizerque, nos montes da Transilvânia, existeuma aldeia de estrangeiros. São altos,louros e corados. Os seus vizinhoscontam que os seus antepassados eramprovenientes de uma cidade longínquachamada Hamelin, perto de Hanôver.Mas não sabem explicar como e porqueé que chegaram ali, à remotaTransilvânia…Talvez nesta história haja qualquercoisa para aprender. A minha opinião éque devemos pagar as nossas dívidas atodos, especialmente ao flautista. E, se 20
  21. 21. EL FLAUTISTA DE HAMELINalguém tocar flauta para nos libertardos ratos, depois de lhe termosprometido alguma coisa, é convenientemantermos a palavra dada. 21

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