Dr. PC

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Avaliação e reflexão após a implementação do projeto de formação e ação pedagógica "Dr. PC", no âmbito da profissionalização em serviço

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Dr. PC

  1. 1. Formanda Vânia Ramos Janela Supervisor Prof. José Duarte Delegado Prof. Luís Varela PPPrrrooojjjeeeccctttooo dddeee FFFooorrrmmmaaaçççãããooo eee AAAcccçççãããooo PPPeeedddaaagggóóógggiiicccaaa Avaliação e Reflexão Após a Implementação _
  2. 2. ESCOLA SUPERIOR DE EDUCAÇÃO DE SETÚBAL Escola Secundária de Sampaio Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação Formanda Vânia Ramos Janela S a m p a i o , 1 9 d e M a i o d e 2 0 0 8
  3. 3. “Um excelente educador não é um ser humano perfeito, mas alguém que tem serenidade para se esvaziar e sensibilidade para aprender.” Augusto Cury (2004)
  4. 4. Agradecimentos António Cabeça António Ferraria Ana Luísa Câmara Municipal de Sesimbra Departamento de Artes e Tecnologia Elisa Graça Encarregados de Educação Fausto Mourato Florbela Edral Herculano Rodrigues Isabel Gouveia Joaquim Filipe José Caeiro Luís Varela Márcio Noel Cabeça Nuno Ribeiro Rita Caleira Roque Oliveira Rui do Bem 8.º Cef 10.º Pi 10.º PM 11.º Pi 12.º G
  5. 5. Abreviaturas CEF Curso Educação e Formação CET Curso de Especialização Tecnológica E.E. Encarregados de Educação ESE Escola Superior de Educação do Instituto Politécnico de Setúbal EST-IPS Escola Superior de Tecnologia do Instituto Politécnico de Setúbal PC Personal Computer (computador pessoal) PFAP Projecto de Formação e Acção Pedagógica PRSI Programação e Sistemas Informáticos TIC Tecnologias da Informação e Comunicação URL Uniform Resource Locator (endereço de um recurso)
  6. 6. Índice Introdução..................................................................................................................................... 7 O Projecto...................................................................................................................................... 8 Implementação do Projecto.......................................................................................................... 9 1. Direcção de Turma.......................................................................................................................10 1.1. Funções Administrativas.............................................................................................................................. 10 Organização do dossier da turma.................................................................................................................. 10 Controlo da assiduidade e avaliação .............................................................................................................11 Reuniões de Conselho de Turma e de Encarregados de Educação.................................................................12 Gestão de conflitos e apoio aos alunos..........................................................................................................13 O espaço online da direcção de turma...........................................................................................................14 Formação para pais/E.E................................................................................................................................. 14 1.2. Funções Pedagógicas...................................................................................................................................15 Visitas de estudo............................................................................................................................................16 Palestra e mostra de projectos ...................................................................................................................... 19 Voluntariado.................................................................................................................................................. 20 Acções junto do Conselho de Turma..............................................................................................................22 1.3. Funções Disciplinares ..................................................................................................................................26 2. Ensino e Aprendizagem................................................................................................................28 2.1. Plano científico ............................................................................................................................................28 2.2. Materiais didácticos ....................................................................................................................................30 2.3. Unidade supervisionada .............................................................................................................................. 30 Primeira e segunda aula assistidas................................................................................................................30 Terceira e quarta aula assistidas ................................................................................................................... 32 Quinta e sexta aula assistidas ....................................................................................................................... 33 2.4. Uma experiência bem e mal sucedida.........................................................................................................33 2.5. Relação pedagógica com os alunos .............................................................................................................34 2.6. Avaliação ..................................................................................................................................................... 34 3. Projecto Educativo de Escola .......................................................................................................36 3.1. Concurso para o logótipo da oficina............................................................................................................37 3.2. Decoração do laboratório............................................................................................................................ 38 3.5. Folheto e cartaz publicitário........................................................................................................................ 39 3.3. Parceria com a Equipa TIC ........................................................................................................................... 40 Workshop e oficina de curta duração............................................................................................................40 Operação Open Source..................................................................................................................................40 Reflexão Crítica sobre a Implementação .................................................................................... 42 Conclusão.................................................................................................................................... 46 Bibliografia .................................................................................................................................. 47 Anexos......................................................................................................................................... 48
  7. 7. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 7Vânia Ramos Janela Introdução O “Projecto de Formação e Acção Pedagógica” visa promover no docente em formação um papel mais activo na escola, capacitando-o para responder às necessidades decorrentes das mudanças ocorridas na sociedade actual. Cada vez mais se exigem novas competências pedagógicas ao nível da organização das aprendizagens e dos apoios aos alunos, o que significa uma atenção especial para aceitar a diversidade, adoptando estratégias de inclusão escolar. Mais, o PFAP deve coordenar três dimensões deveras importantes na actividade de qualquer professor: a Direcção de Turma, a Actividade Lectiva e o Projecto Educativo de Escola. É neste contexto que a profissionalização em serviço pode ser entendida como o primeiro passo de um processo de desenvolvimento profissional contínuo que possa ajudar a criar espaços, momentos, projectos e programas de trabalho inovadores que contribuam para a melhoria da qualidade de ensino, para a construção de uma escola mais democrática e para a promoção de uma educação para a cidadania1 . Para tal, há que diagnosticar um problema concreto e real, sendo certo que, o modo de colmatar o problema encontrado será, quiçá, a criação de um projecto que permita formar exaustivamente os alunos para o mercado de trabalho em que são inseridos, envolvendo-os activamente no processo ensino-aprendizagem e estabelecendo relações interpessoais com a comunidade escolar. Após a delineação de estratégias e do plano de acção, chegou a altura da implementação real, no terreno, do projecto idealizado. Assim, o presente relatório tem como finalidade efectuar uma análise comparativa entre o PFAP inicialmente proposto e a sua implementação real, visando igualmente a reflexão sobre o que foi feito, encontrando o porquê de ter corrido bem e equacionando hipóteses alternativas para as iniciativas não realizadas ou que ficaram aquém do previsto (op. cit.). 1 in “Documento Orientador”, p. 3.
  8. 8. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 8Vânia Ramos Janela O Projecto Através de um diagnóstico de necessidades, identificou-se duas problemáticas:  os alunos do 11.º ano do Curso Profissional de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos e os Encarregados de Educação consideraram que existiam lacunas ao nível da formação prática do curso profissional; e,  verificava-se uma enorme solicitação dos docentes do grupo de informática para a resolução de problemas com os computadores pessoais dos professores e funcionários, bem como equipamento da Escola. A hipótese de intervenção que, no entender da formanda, melhor se adequava ao diagnóstico e aos recursos existentes, resultou na proposta de “Projecto de Formação e Acção Pedagógica” proposto e que se intitulou de “Dr. PC”, consistindo na criação, dentro do espaço escolar, de uma oficina de diagnóstico e reparação de material informático. No presente ano lectivo, o projecto foi realizado com a turma PI, do 11.º ano, do Curso Profissional de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos, da qual a docente foi Directora de Turma, sendo certo que irá ter continuidade no próximo ano lectivo com os alunos do 10.º ano do mesmo curso que conseguirem aproveitamento para progredirem para o segundo ano. Mais do que um projecto da turma, a formanda considera-o como um projecto da Escola de, e para a comunidade. Foi, e continuará a ser, uma aposta na divulgação do curso profissional e da Escola, na interdisciplinaridade, nas parcerias internas entre as turmas e externas com as empresas e instituições da região, na procura de envolver os pais e Encarregados de Educação na vida escolar. A essência do projecto foi encontrada! Agora há que, a cada ano lectivo, delinear actividades diferenciadas, inovadoras e pertinentes de modo a dinamizar e motivar os alunos, assim como a dotá-los dos conhecimentos adequados e necessários para o desempenho das suas futuras funções profissionais e sociais.
  9. 9. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 9Vânia Ramos Janela Implementação do Projecto Com a implementação do projecto “Dr. PC” procurou-se, essencialmente, desenvolver e aperfeiçoar capacidades e competências a nível técnico, de modo a preparar os alunos para a vida activa, assim como assegurar as competências necessárias ao prosseguimento de estudos; promover a formação integral do aluno, enquanto pessoa e cidadão; promover uma aprendizagem que fomente a autonomia, a iniciativa e a responsabilização dos alunos; incentivar os alunos a implementar projectos de trabalho valorizadores das suas próprias capacidades e interesses; dinamizar a participação da comunidade no processo educativo; promover a interdisciplinaridade; e, promover contactos e iniciativas de colaboração com outras escolas/instituições sociais. De seguida, serão descritas as actividades realizadas, assim como a justificação para as que não lograram a efectivar-se (vide anexo 1), procurando-se relacioná-las com as três dimensões relevantes na actividade de qualquer professor: a Direcção de Turma, a Actividade Lectiva e o Projecto Educativo de Escola.  Equipa TIC (pequenas oficinas de formação)  Turma de Artes e Tecnologias (decoração do espaço da oficina)  Curso Profissional de Marketing/Publicidade (folheto publicitário e poster)  Alunos da Escola (concurso para o logótipo)  Escolas do concelho de Sesimbra (reparação dos pc’s dos alunos)  Comissão Municipal do Idoso (Dia da Informática para o Idoso)  Fórum de Discussão a dinamizar com empresas de informática e outras Escolas do distrito  Assistência técnica  Diagnóstico do material recepcionado  Orçamentos  Reparação do equipamento  Base de dados  Website  Palestras  Microsoft Portugal  5.ª Edição da Semana da Ciência e Tecnologia  Pavilhão do Conhecimento e Casa do Futuro  2.º Dia das Tecnologias (workshop de montagem de um computador)  Escrita de um artigo para publicar no jornal escolar e na página da Escola  Distribuição do folheto publicitário  Afixação nas vitrinas do poster Dr. PC Parcerias Internas Parcerias Externas Actividades na Oficina Formação dos Recursos Humanos da oficina Campanha de Divulgação Fig. 1. As actividades inicialmente propostas no âmbito do projecto "Dr. PC"
  10. 10. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 10Vânia Ramos Janela 1. Direcção de Turma “Se um professor «não deve ser alguém que se acomoda, mas o que constantemente procura, observa, investiga», isto aplica-se particularmente ao Director de Turma. Este é, com efeito, uma «peça-chave» no desenvolvimento escolar, pessoal e social dos alunos.” Maria Natália Marto (2001) A função da docente enquanto Directora de Turma pode agrupar-se em três áreas distintas: a administrativa, a pedagógica e a disciplinar. Segue-se a descrição das actividades realizadas no âmbito de cada uma. 1.1.Funções Administrativas A docente executou as seguintes actividades administrativas:  controlo de assiduidade e dos módulos com/sem aproveitamento;  elaboração do processo individual dos alunos e relatórios;  organização e manutenção do dossier da turma;  eleição do delegado e subdelegado (vide anexo 2);  organização de actas e da legislação em vigor;  preparação e coordenação das reuniões com o Conselho de Turma, alunos e E.E.;  contactos periódicos com a generalidade dos E.E.;  manutenção do livro de ponto e construção de um calendário de trabalhos de casa para o interior do mesmo;  diligências inerentes a participações disciplinares e outras ocorrências;  gestão de conflitos e apoio aos alunos nos seus problemas pessoais; e  informação das alterações legislativas aos pais, E.E., alunos e Conselho de Turma. Organização do dossier da turma O dossier da turma foi organizado da seguinte forma:  lista de alunos, fotografias e horários (da turma e da Directora de Turma);  contactos pessoais do Conselho de Turma, dos alunos e dos Encarregados de Educação;  registos individuais dos alunos;  contactos com Encarregados de Educação; Fig. 2. A capa do dossier de turma
  11. 11. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 11Vânia Ramos Janela  participações disciplinares;  justificações de faltas;  guiões das reuniões de Conselho de Turma e com Encarregados de Educação;  convocatórias e comunicações;  visitas de estudo;  actas de eleições, Conselhos de Turma e reuniões com Encarregados de Educação;  registo da assiduidade dos alunos no curso;  matriz curricular para o ano lectivo 2007/2008;  avaliação (critérios, propostas e grelha de controlo);  cópias das pautas por disciplina e módulos;  legislação e outros documentos. Controlo da assiduidade e avaliação Sendo certo que, a direcção de turma é um cargo de extrema responsabilidade, o facto de se tratar de um curso profissional acresce-a. O programa informático de alunos adoptado na Escola não funciona em pleno para as necessidades deste tipo de ensino, e não existem perspectivas de alteração do mesmo por parte da empresa que o implementa. Quando a formanda iniciou funções de Directora de Turma viu-se, pois, com falta de informação sobre os módulos em atraso relativos ao ano anterior, os módulos a serem leccionados no presente ano e os que ficariam por leccionar. Existiam avaliações mal introduzidas no sistema e que induziam em erro. E como o programa considera cada ano como sendo independente, não existia forma de controlar a assiduidade já que as faltas acumulam e são contabilizadas para os três anos de duração do curso. Assim, e face a tais adversidades, no início do ano lectivo a Directora de Turma sentiu necessidade de construir grelhas de registo para controlar a assiduidade e a avaliação dos alunos. No que concerne à assiduidade – sendo necessário ter sempre presente o limite de faltas por disciplina para os três anos do curso, assim como o total de faltas justificadas e injustificadas que os alunos já tinham dado, bem como as faltas justificadas e relevadas pela realização de trabalhos – elaborou um mapa que reflecte toda esta informação e que identifica os alunos que se encontram em situação de risco (vide anexo 3). A grelha construída visa, além de um controlo mais eficiente e eficaz, facilitar a passagem de informação da assiduidade dos alunos nos contactos com os Encarregados de Educação e com os professores das disciplinas. No futuro, o Director de Turma terá toda a informação disponível quando começar a trabalhar, poupando tempo e esforço. Fig. 3. O índice do dossier de turma
  12. 12. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 12Vânia Ramos Janela Para facilitar o controlo e o registo referente à avaliação dos módulos, construiu, igualmente, uma grelha (vide anexo 4) com:  informação do número de módulos para cada ano curricular;  as notas obtidas;  a data do momento de avaliação (o que permite constatar se o módulo foi realizado por exame ou por frequência);  a média das classificações por disciplina, por módulo e por aluno;  as notas máxima e mínima por módulo; e  a percentagem de alunos com o módulo concluído. A grelha inicial sofreu algumas alterações por sugestão do presidente do Conselho Executivo, após o que foi disponibilizada para utilização por parte dos Directores de Turma dos demais cursos profissionais. No final de cada período de avaliação foi disponibilizada na página da Escola para informação aos alunos, pais e Encarregados de Educação. Posteriormente, a formanda considera pertinente implementar uma solução mais funcional que permita solucionar este tipo de questões para as várias direcções de turma dos cursos profissionais existentes na Escola. A solução poderá passar, quiçá, pela construção de uma base de dados própria para estas direcções de turma. Mais, sendo certo que os alunos do 11.º ano terão formação em contexto de trabalho, seria interessante pensar-se numa prática simulada em que a Escola “contrataria” os alunos para desenvolverem a base de dados. Reuniões de Conselho de Turma e de Encarregados de Educação As reuniões de Conselho de Turma e de Encarregados de Educação pautaram-se pela existência de guiões (vide anexo 5), os quais funcionaram como documentos de suporte. Tal teve por objectivo facilitar o acompanhamento dos participantes durante as reuniões, assim como permitir uma leitura mais atenta, posteriormente, de modo a cimentar alguma questão. Nos três Conselhos de Turma realizados estiveram presentes todos os docentes que o compõem e, em dois, a representante dos Encarregados de Educação, num, o Delegado e Subdelegada de Turma. Nas várias reuniões, de entre outros assuntos, abordaram-se:  os critérios de avaliação (uniformizados para todas as disciplinas do curso);  as actividades a desenvolver no âmbito do “Plano Anual de Actividades”;  o balanço das actividades realizadas/não realizadas;  o “Regulamento Interno” no que concerne aos cursos profissionais;  o comportamento e aproveitamento da turma;  estratégias de compensação;  os contactos com os Encarregados de Educação;  alterações à legislação existente.
  13. 13. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 13Vânia Ramos Janela As reuniões com os Encarregados de Educação foram marcadas, à semelhança do que acontecia no ano passado, pela presença da maioria. Foi notória, por parte de alguns Encarregados de Educação, a vontade de participar de forma activa na vida escolar dos educandos e em actividades dinamizadas na Escola. Logo na primeira reunião, sugeriram algumas acções a desenvolver com os alunos de onde se destacam a visita a uma feira relacionada com as novas tecnologias e palestras de informação sobre as saídas profissionais do curso. Houve mesmo uma Encarregada de Educação que manifestou vontade de ajudar a organizar uma visita de estudo ao Instituto Superior Técnico, em Lisboa, no sentido de sensibilizar os alunos para o prosseguimento de estudos. Este contacto foi estabelecido e a visita só não ocorreu por motivos de agenda. Porém, e atendendo à importância do evento, a mesma irá realizar-se logo que possível. Gestão de conflitos e apoio aos alunos A Directora de Turma, no decurso das aulas da disciplina que lecciona, notou que uma aluna estava distante, desmotivada, triste e a isolar-se em relação à turma. Conversou com ela tentando aferir do porquê de tal comportamento. Face à resistência que encontrou, entrou em contacto com a Encarregada de Educação, que referiu que a sua educanda estava a passar por uma situação bastante complicada a nível pessoal e familiar. A E.E. pediu a ajuda da Directora de Turma no sentido de, juntas, conseguirem apoiar e solucionar o problema. Após várias tentativas, a aluna acabou por confiar na Directora de Turma e foi possível, em conjunto com a psicóloga da Escola, dar-lhe o apoio necessário. Todo o Conselho de Turma ajudou visto que estavam sensibilizados, ainda que desconhecendo os pormenores sobre o desconforto da aluna. Contudo, e face a uma quezília entre a aluna e dois colegas, a turma começou a rejeitá-la propiciando conflitos diários. Foram tidas várias conversas com a turma, alguns alunos e Encarregados de Educação, no sentido de suster tais atitudes, o que só foi conseguido recentemente. Sempre se dirá que, a formanda, enquanto Directora de Turma, tentou contribuir para o desenvolvimento de boas relações no seu grupo de trabalho e participou na resolução de alguns desacordos/problemas. Interveio, por vezes, em situações de dificuldade de inter-relacionamento dos alunos, com vista ao desenvolvimento do respeito, da compreensão, da amizade e da solidariedade. Ainda relativamente a este ponto, é mister referir outra situação. Um aluno foi alvo de furto, tendo comunicado o sucedido à Directora de Turma. Nesse sentido, foram desencadeadas as diligências necessárias para impedir que situações semelhantes voltassem a acontecer (vide anexo 6). Por razões óbvias, não foi possível encontrar o autor do furto.
  14. 14. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 14Vânia Ramos Janela O espaço online da direcção de turma No Moodle2 (disponível em moodle15.escolasdesesimbra.net, com chave de inscrição “DT11PI0708”) foi criado e mantido um espaço para a Direcção de Turma. Deste modo, pretendeu-se manter um contacto estreito entre o Conselho de Turma, os alunos, os pais e Encarregados de Educação. O espaço criado visou disponibilizar informação em tempo real, assim como esclarecer determinados assuntos referentes aos alunos/educandos, ao curso e à Escola. A formanda achou pertinente disponibilizar informação referente à assiduidade, à avaliação, as actas das reuniões, a legislação e outra documentação associada ao curso e à Escola. Igualmente, criou um fórum de discussão e divulgou algumas notícias. Pelas estatísticas de utilização pode-se concluir que das vinte e cinco pessoas inscritas, apenas cinco nunca visitaram o espaço criado. Os utilizadores recorreram essencialmente às informações sobre a assiduidade e a avaliação. E se é verdade que a utilização do espaço tem tido uma assiduidade regular, não menos verdade é que, ficou aquém das expectativas. No entanto, a formanda considera que a existência do espaço no Moodle para a direcção de turma é importante. Nesse sentido, pondera efectuar uma maior sensibilização dos professores, alunos e Encarregados de Educação no sentido de o utilizarem. Formação para pais/E.E. Sendo certo que o espaço criado no Moodle é fácil de utilizar, a realidade é que a generalidade dos pais e Encarregados de Educação não apresentava conhecimentos informáticos suficientes para o fazer. Assim, criou-se uma pequena oficina de formação com a duração de 90 minutos intitulada “A Direcção de Turma no Moodle”. O objectivo, tinha como farol orientador, os alunos ensinarem aos próprios pais/E.E. a execução de acções básicas, proceder ao registo na plataforma de e-learning e praticar o uso da mesma. A par com o que se referiu, em alguns casos, seria necessário a criação de um endereço electrónico visto que os pais/E.E. podiam não o possuir. Neste sentido, a formanda, enquanto Directora de Turma, criou dois horários, um de manhã e outro pós-laboral, e enviou os 2 O Moodle é um software para gestão da aprendizagem e de trabalho colaborativo, permitindo a criação de cursos online, páginas de disciplinas, grupos de trabalho e comunidades de aprendizagem. Fig. 4. A Direcção de Turma no Moodle Fig. 5. Alguns participantes
  15. 15. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 15Vânia Ramos Janela Fig. 6. A representante dos E.E. em formação convites (vide anexo 7) para participação na actividade. Dos catorze alunos da turma, apenas três Encarregados de Educação mostraram disponibilidade para frequentar a acção. No final, demonstraram receptividade à iniciativa, referindo que o espaço era útil, e sugeriram um aumento da informação disponibilizada. Pese embora esta iniciativa não tenha contado com o número de presenças esperadas (já que a maioria dos Encarregados de Educação assiste às reuniões), foi importante a presença da representante dos Encarregados de Educação na medida em que poderá desempenhar um papel importante na conquista futura da participação dos restantes. Assim, após reflectir sobre a formação e sobre o espaço da direcção de turma no Moodle (como aliás se referiu anteriormente), a Directora de Turma mantém a opinião que ambas as actividades foram importantes e como tal pondera a hipótese de pedir o testemunho dos Encarregados de Educação presentes na formação na próxima reunião de modo a apoiarem na conquista de novos participantes. Mais, demonstrar durante a reunião o espaço criado e procurar marcar um horário compatível com todos os interessados. A alternativa seria forçar que durante a reunião com Encarregados de Educação, os mesmos se registassem mas o efeito pretendido não teria o mesmo impacto. Não convém esquecer que alguns E.E. não possuem conhecimentos de informática na óptica do utilizador, alguns nunca sequer utilizaram um rato, pelo que poderiam sentir-se constrangidos e não aceitar de bom agrado a iniciativa. 1.2.Funções Pedagógicas É certo que, o Director de Turma deve favorecer as interacções sociais na turma, dando informações sobre saídas profissionais, métodos de estudo e atitudes que facilitam a aprendizagem, conhecer as características sociais e culturais da turma e contribuir para um clima de confiança e participação dos alunos na Escola, estabelecer relações personalizadas e ajudá-los na escolha das actividades de tempos livres e no despertar de vocações, promover a educação cívica, o desenvolvimento pessoal/social e a ligação ao meio através das associações culturais e cívicas. Foi o que a formanda, na qualidade de Directora de Turma, procurou fazer com algumas actividades, as quais se passam a descrever.
  16. 16. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 16Vânia Ramos Janela Visitas de estudo Pavilhão do Conhecimento e Casa do Futuro A visita de estudo ao Pavilhão do Conhecimento e à Casa do Futuro visava promover o gosto pela ciência e pela tecnologia, estimulando o conhecimento científico e a difusão da cultura científica e tecnológica. A existência de exposições de actividades permitem que, de forma interactiva, activa, descontraída e lúdica, os alunos explorem muitos e variados temas, potenciando também novas vivências e o contacto com tecnologias de ponta. Assim, no início do mês de Janeiro procedeu-se ao contacto telefónico com a Casa do Futuro para a marcação da visita. No entanto, só existia vaga para o dia 18 de Junho, data que coincide com os exames nacionais, pelo que não foi possível realizar esta actividade. Assim, a visita foi marcada e irá realiza-se logo no início do próximo ano lectivo. Semana da Ciência e da Tecnologia No dia 19 de Novembro de 2007 os alunos dos 10.º e 11.º anos do Curso Profissional de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos deslocaram-se a Setúbal, no autocarro gentilmente cedido pela Câmara Municipal de Sesimbra, com o intuito de participarem na iniciativa promovida pela Escola Superior de Tecnologia do Instituto Politécnico de Setúbal intitulada “Semana da Ciência e Tecnologia”3 . Esta iniciativa, na sua 5.ª edição, decorreu na semana de 19 a 23 de Novembro, e visou um conjunto de actividades práticas nas áreas da Ciência e Tecnologia. O objectivo da visita foi promover o gosto pelas áreas mencionadas, desmistificando a Matemática e a Física (disciplinas integrantes da componente científica do curso profissional frequentado pelos alunos) através da realização de actividades práticas e experimentais de engenharia, promover os cursos de engenharia da Escola e sensibilizar os alunos para o prosseguimento de estudos. As actividades decorreram em vários espaços da EST-IPS e, se inicialmente (vide anexo 8) foram 3 Mais informação disponível em http://www.semanadaciencia.blogspot.com Fig. 7. O 11.º Pi, a DT e o guia da EST Fig. 8. Alguns alunos do 10.º Pi com o Prof. Herculano
  17. 17. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 17Vânia Ramos Janela 0 5 10 15 20 11 20 3 0 0 Como classifica a visita? propostas seis para os alunos frequentarem, estes acabaram por interagir e participar, por iniciativa própria, na generalidade dos jogos e experiências nos laboratórios, nos espaços interactivos e nos vários stands interactivos dos cursos. É de acrescentar que o espaço da robótica e do simulador de voo foram os que despertaram maior interesse nos alunos, que consideraram curto o tempo de duração de cada actividade. Os alunos conheceram as infra-estruturas e as competências técnicas e científicas, preciosas auxiliares para a formação académica, assim como as opções em termos de acesso ao ensino superior. Mesmo para quem não é das áreas da ciência, o contacto directo com experiências científicas e tecnológicas não deixa ninguém indiferente. As potencialidades oferecidas nas áreas da Ciência e Tecnologia permitem aprender seja através do toque, da diversão ou simplesmente despertar o interesse pelo fascínio de um olhar. Das actividades frequentadas, conseguiu-se um paralelismo entre a Física e a Matemática. As experiências apresentadas foram dinâmicas e interactivas o que despertou o interesse dos alunos e os motivou a participar activamente em tudo o que conseguiram. Os alunos aperceberam-se da aplicabilidade prática de algumas coisas que até então eram teoria nas aulas destas disciplinas. Foi interessante ouvir afirmações como “a stôra de Físico-Química já falou nisso numa aula…” e “xii! Dei isso no módulo que tenho por fazer a Matemática do ano passado!”. A avaliação da actividade foi positiva, sendo que 59% dos alunos a classificaram com “bom”, 32% com “muito bom” e 9% com “suficiente”. Os alunos e os professores das disciplinas envolvidas consideraram que a preparação foi bem conseguida, que as actividades foram interessantes e que o comportamento do grupo foi bom. Na generalidade, os alunos participaram activamente em todas as actividades propostas. Isto pode ser reforçado pela análise dos dados provenientes do questionário da visita. Fig. 9. O Prof. Noel e alguns alunos da sua direcção de turma, o 10.º Pi 0 50 Sim Não 33 1 Gostou de realizar a visita? 0 50 Sim Não 33 1 Os temas abordados foram interessantes?
  18. 18. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 18Vânia Ramos Janela No debate feito à posteriori em sala de aula, o único aluno a referir que não tinha gostado da visita e que não achava os temas interessantes, acabou por referir que não tinha sido totalmente honesto nas respostas e que fê-lo por achar que o questionário não tinha importância. É um aluno do 10.º ano e que inicialmente teve alguma dificuldade de integração na turma pelo facto de ser de uma zona diferente dos colegas. Alguns alunos manifestaram a intenção de, se possível, visitarem outras instituições de ensino superior e de obterem mais informação sobre os cursos de engenharia e do que é necessário fazer para os alunos que estando num curso profissional desejem ingressar num curso superior. Outros referiram mesmo a vontade de prosseguir estudos (algo que não faziam até então). Para o próximo ano lectivo, e sendo certo que a actividade foi proveitosa e bem aceite pelos alunos, a Directora de Turma perspectiva que se a EST-IPS dinamizar novamente a iniciativa, os alunos voltem a participar. Empresa de informática O objectivo da iniciativa visava proporcionar vivências diferentes e enriquecedoras, assim como promover relações de colaboração com o mundo empresarial. Nesse sentido, foram estabelecidos contactos com várias empresas, a saber: Microsoft Portugal, Siemens, Sun Microsystems, Autoeuropa, YDreams, OCP Portugal e a BeAdvance. Destas, as duas últimas responderam afirmativamente. O contacto com a OCP Portugal foi estabelecido e estava agendado para a semana de 05 a 09 de Maio mas, por motivos do acidente ocorrido no Alto das Vinhas ter envolvido um familiar da pessoa que estava a organizar a visita à empresa, não se concretizou. A BeAdvance respondeu afirmativamente (vide anexo 9), mas em conversa telefónica a responsável pelo Marketing e Parcerias, disse que telefonaria de volta assim que conseguisse falar com alguém da administração da empresa (segundo a senhora, os administradores estavam ausentes do país) o que não aconteceu até ao momento. O que correu mal? Uma série de imprevistos, aliás normais quando se trata do mundo empresarial. Em primeiro lugar a falta de receptividade na aceitação de visitas. Por outro lado, a conciliação entre a disponibilidade de agenda entre a Escola e as empresas a visitar (vide anexo 10). A formanda considera pertinente que se realize uma iniciativa deste género. Nesse sentido, se a BeAdvance entretanto confirmar o dia em que existe disponibilidade para a visita e o mesmo se insira no calendário escolar, a mesma realizar-se-á. Também, espera-se que brevemente sejam restabelecidos os contactos a OCP Portugal com vista à marcação da visita. No próximo ano lectivo, considera que seria importante os alunos finalistas do curso visitarem a Autoeuropa dado que é uma empresa do distrito e poderá ser uma alternativa quando terminarem o 12.º ano. Nesse sentido, ao realizar-se a parceria com a mesma, quiçá
  19. 19. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 19Vânia Ramos Janela poderão estreitar-se laços no sentido de vir a ser uma das empresas a aceitar estagiários da Escola. Palestra e mostra de projectos Com a realização de uma palestra dinamizada por universidades do distrito de Setúbal, procurava-se sensibilizar os alunos do curso profissional para o prosseguimento de estudos e informar sobre as saídas profissionais do curso. Nesse sentido foi contactada a Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa. Contudo, não foi possível acordar a realização do evento, já que para o dia pretendido (16 de Maio – “2.º Dia das Tecnologias4 ”) não havia disponibilidade por parte da faculdade. Contactou-se, igualmente, o professor coordenador do Departamento de Sistemas e Informática, o professor Joaquim Filipe, da Escola Superior de Tecnologia do Instituto Politécnico de Setúbal que se mostrou agradado com o convite e reencaminhou para o Director do Curso de Engenharia Informática a fim de se organizar a participação da EST-IPS no “2.º Dia das Tecnologias”. Assim, dinamizou-se a palestra com a ajuda do professor Fausto Mourato, que se fez acompanhar de um aluno do Curso de Especialização Tecnológica de Programação de Sistemas de Informação. Juntos, falaram um pouco sobre o instituto, os cursos de engenharia (dando enfoque ao de informática) e os cursos de especialização tecnológica. Posteriormente, mostraram alguns projectos desenvolvidos: “Pacman Reloaded 3D”, “Webpoly”, “Pro Coaching – diagramas tácticos para futebol” e “Cd interactivo da residência de estudantes da EST-IPS”. Foram ainda distribuídos folhetos. Durante a apresentação, os alunos estiveram atentos mostrando interesse pelo que estavam a ver. No final, colocaram várias questões tendo alguns deles permanecido a dialogar com os convidados durante algum tempo. No entender da formanda, este contacto foi bastante positivo. Serviu para reforçar o que já tinha sido conseguido com a deslocação a participar na semana da ciência e tecnologia: o incentivo ao prosseguimento de estudos. A abordagem foi feita num contexto bastante mais interessante já que abordou os CET’s, dando a conhecer aos alunos uma alternativa no caso de não conseguirem obter a nota mínima de acesso ao ensino superior: aproveitar para adquirir mais conhecimento na sua área de formação, uma qualificação profissional de nível 4, 4 O “Dia das Tecnologias”, na sua 2.ª edição, visa essencialmente divulgar as actividades realizadas pelos alunos no âmbito das TIC, assim como promover os trabalhos/projectos implementados nas disciplinas dos cursos da área de informática existentes na Escola. Fig. 10. Apresentação da EST-IPS sobre os cursos superiores e CET’s
  20. 20. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 20Vânia Ramos Janela Fig. 11. A interacção com a equipa do “Dr. PC” (o computador do professor avariou durante a apresentação) rentabilizar o ano lectivo realizando algumas disciplinas para as quais terão equivalência quando entrarem no ensino superior. Posto isto, e no entender da formanda, resulta de forma clara e inequívoca que seria de todo interessante e bastante proveitosos, o estabelecimento de uma parceria entre a Escola e a EST-IPS no que concerne a este tipo de formação. É verdade que a Escola disponibiliza os CET’s do Instituto Politécnico de Tomar, mas não terá mais sentido estabelecer a parceria com uma instituição de ensino do distrito? Afinal provavelmente serão poucos os alunos que perspectivam ir estudar para Tomar (pois seria aí que conseguiriam o maior número de equivalências), o que certamente poderia ser inverso no caso de se tratar de estudar dentro do distrito. É que corre-se o risco de os alunos que actualmente pensam ou frequentam os CET’s existentes na Escola, os terminarem e não prosseguirem estudos. Voluntariado Dia da informática para o idoso A iniciativa visava em parceria com a Comissão Municipal do Idoso5 , organizar um dia destinado à 3.ª idade, propiciando o convívio entre gerações, a troca de experiências e saberes. Era uma forma de os alunos colaborarem em iniciativas de solidariedade social o que lhes permitiria desenvolver valores cívicos. Contudo, atendendo a que a proposta era ambiciosa no sentido de que dependia de várias entidades, e por impossibilidade de conciliação de agenda das mesmas, não foi possível realizar o referido evento. Esta ideia na sua implementação tem um grau de dificuldade bastante superior a todas as actividades programadas realizar com os alunos atendendo a que depende de várias entidades, as quais é necessário fazer convergir o que ultrapassa largamente as capacidades da formanda. Uma alternativa poderá passar por envolver apenas uma instituição de solidariedade social da 3.ª idade, e levar até ela os alunos, promovendo o convívio recorrendo aos computadores portáteis da Escola. 5 A comissão é constituída pela Câmara Municipal de Sesimbra, Juntas de Freguesia de Santiago, Castelo e Quinta do Conde, Centro de Saúde de Sesimbra, Santa Casa da Misericórdia de Sesimbra, Centro de Convívio da Fonte Nova, ABAS, Casa do Povo, CASCUZ e Centro Comunitário da Quinta do Conde.
  21. 21. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 21Vânia Ramos Janela Escolas do Concelho Na impossibilidade de visitar todas as escolas do concelho de Sesimbra, seleccionou-se aquela que por questões logísticas era mais adequada: a Escola Básica 2, 3 de Santana6 . A ideia original era a de dois alunos da turma PI deslocarem-se com a Directora de Turma à escola básica onde falariam um pouco sobre o projecto da oficina “Dr. PC”. Ora, quando o primeiro contacto foi estabelecido não se verificou grande abertura da escola básica à iniciativa. Assim, a formanda reformulou a actividade. Em vez de se deslocar, convidou uma turma da escola de Santana, mais concretamente o CEF de Informática, do 8.º ano, a visitar a Escola Secundária de Sampaio. Assim, os convidados puderam visitar o espaço onde funciona a oficina e conhecer a Escola. Os alunos do curso profissional destacados para promover o projecto, informaram os colegas da sua disponibilidade para arranjar equipamento informático de forma gratuita, distribuíram os folhetos de divulgação da oficina e do curso profissional e referiram a existência de um espaço de apoio à oficina no Moodle, disponível em moodle15.escolasdesesimbra.net). Também convidaram os colegas a participar no “2.º Dia das Tecnologias”. Durante a visita à oficina, os jovens convidados mostraram bastante interesse, inclusivamente questionaram a professora que os acompanhava no sentido de poderem construir um espaço semelhante na sua escola. Alguns referiram que, inclusivamente, tinham equipamento para reparar e questionaram qual a melhor forma de os fazer chegar à oficina. Esta iniciativa visou incentivar um clima de boas relações entre alunos de escolas diferentes, assim como incrementar a divulgação dos projectos e dos cursos da Escola, o que foi conseguido. Para o próximo ano lectivo seria interessante fazê-lo com uma escola diferente. 6 A página da Escola encontra-se disponível através do endereço http://www.eps-santana.rcts.pt Fig. 12. A visita do CEF de informática da Escola Básica 2, 3 de Santana Fig. 13. Dois alunos da Escola Básica na oficina
  22. 22. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 22Vânia Ramos Janela Acções junto do Conselho de Turma Ficha de assistência técnica Sendo necessária a redacção de um documento que referisse as condições sobre as quais os equipamentos são recepcionados para diagnóstico, os alunos em conjunto com o professor da disciplina de Português, elaboraram uma ficha de assistência técnica. Os alunos aproveitaram, igualmente, conhecimentos adquiridos na disciplina de Tecnologias da Informação e Comunicação e construíram a ficha em formato digital, adicionando informação para identificar o equipamento e o cliente de forma a permitir controlar o material recepcionado (vide anexo 11). Esta iniciativa foi positiva pois os alunos aplicaram numa situação real conhecimentos que tiveram que aprender em disciplinas da componente sociocultural do curso profissional que frequentam. Artigo para o jornal escolar e para o site da Escola Ainda com o auxílio do mesmo professor, e como forma de consolidar conhecimentos, já que um dos módulos leccionados no presente ano lectivo na disciplina foi o de “Textos dos Média II”, os alunos redigiram um pequeno artigo que se encontra online na página da Escola7 e que irá ser publicado na edição de Maio do jornal escolar, o jornal “Opinião”. O objectivo principal é promover uma eficiente circulação de informação, bem como incentivar os alunos à participação em outros projectos desenvolvidos na Escola. Diagnóstico e reparação de avarias A reparação de equipamento informático pressupõe que um qualquer elemento da comunidade escolar entregue o material avariado na oficina e que, após o diagnóstico e orçamento (se for caso disso), os alunos o reparem. É a actividade principal do projecto. Para a desempenhar, os alunos contam com a colaboração do professor da disciplina de Arquitectura de Computadores, o qual acompanha e supervisiona todo o processo de reparação, ajudando sempre que necessário. Os alunos têm, desde o início do ano lectivo, reparado equipamentos de todo o tipo de elementos da comunidade educativa. Contudo, na sua maioria eram da Escola ou de professores e alunos. 7 O site oficial da Escola está acessível através do seguinte url: http://www.esec-sampaio.net Fig. 14. O trabalho na oficina
  23. 23. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 23Vânia Ramos Janela 5 5 1 11 Dr. PC Reparação de Equipamentos Alunos Professores Funcionários Escola Sempre que um novo equipamento surge é necessário recorrer a conhecimentos já adquiridos e, por vezes, obter novos. Como? Através de pesquisas na Internet ou, nos casos mais complicados, com a ajuda do professor. O objectivo é desenvolver nos alunos capacidades e competências de aprendizagem autónoma, diversificando métodos e técnicas de ensino, preparando-os para a vida activa. A docente assistiu a vários momentos de trabalho na oficina e pôde verificar o empenho e o profissionalismo com os quais os alunos desempenhavam as suas tarefas. O que foi deveras surpreendente já que, inicialmente, a turma estava desmotivada. O trabalho prático é, sem dúvida alguma, uma estratégia importante para a melhoria do processo ensino-aprendizagem. Contudo, os alunos viram-se confrontados com algumas adversidades, tendo tecido algumas queixas, a saber, do pouco tempo que tinham para dedicar às reparações (os alunos trabalhavam na oficina em contexto de aula), a idade dos equipamentos e a falta de hardware para utilizar nas reparações dos equipamentos da Escola. Aconteceu também por vezes, desconhecerem se uma máquina era para arranjar, de onde vinha e qual a avaria. E isto porque, quem recebia o equipamento não preenchia a ficha de assistência técnica (as máquinas eram deixadas na oficina por outras pessoas). Assim, e até porque surgiram equipamentos danificados, a oficina que não é mais do que o laboratório da sala de aula, foi fechada à chave e só os professores de informática é que possuem a chave. Para evitar situações desagradáveis no futuro, tornou-se obrigatória a entrega dos equipamentos a arranjar à formanda, ao professor da disciplina, ao coordenador TIC ou à turma. A generalidade das avarias diagnosticadas e reparadas reportaram-se a instalação de software, hardware e foram, inclusive, reparadas máquinas em que foi necessário recorrer a alguns conhecimentos de electrotecnia. O professor da disciplina foi, nesse sentido, uma mais-valia no processo ensino-aprendizagem pois contribuiu com conteúdos muito além dos que constam no currículo e na planificação da disciplina. Note-se que o principal objectivo do projecto “Dr. PC” é o de colmatar lacunas ao nível da formação prática, o qual no entender da formanda foi alcançado e que se demonstra pelo número estimado de máquinas recebidas e reparadas, 22. Nesta actividade, pretendia-se também a interdisciplinaridade com a disciplina de Sistemas Operativos. Os alunos instalaram sistemas operativos Fig. 15. Montagem de um computador para o "2.º Dia das Tecnologias"
  24. 24. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 24Vânia Ramos Janela nas máquinas novas que a Escola recebeu (um total de cinco). Mais, instalaram pela rede a imagem do sistema operativo. Nesta disciplina, os alunos prepararam máquinas com distribuições Linux que apresentaram no “2.º Dia das Tecnologias”. Desta forma, foi feita uma colaboração com a Equipa TIC no sentido de divulgar o open source8 . Foi, ainda, conseguida interdisciplinaridade com a disciplina de Redes de Comunicação: os alunos realizaram a implementação da rede estrutura de uma das salas de aula de informática, a D4. Como já ficou plasmado nas actividades anteriormente descritas, todas se pautaram por uma interdisciplinaridade e cooperação entre várias partes o que muito congratula a docente enquanto formanda já que não só considera os objectivos atingidos ao longo do PFAP como também viu o seu trabalho como um canal de ligação entre a comunidade escolar. Ora esta actividade não foi excepção tanto mais que se verificou a interactividade entre disciplinas. Ora, como é de fácil compreensão, a boa relação entre as entidades intervenientes não só facilitou a actividade da docente como também potencia futuras acções a desenvolver devido à ligação estreita que se tem vindo a manter, e que, a final, resulta como um prémio para a ora formanda atendendo ao esforço que vem sido desenvolvido. Folha de orçamentos Um dos módulos leccionados no presente ano lectivo na disciplina de Tecnologias da Informação e Comunicação abordou as folhas de cálculo e coincidiu com o arranque do projecto da oficina “Dr. PC”. Assim, a docente aproveitou tal facto para os alunos implementarem uma folha de orçamento para ser usada na oficina, sempre que seja necessário comprar peças para o equipamento de um cliente (vide anexo 12). O orçamento resultou numa aplicação prática dos conceitos estudados, permitindo a consolidação de conteúdos. A informação a colocar na folha criada foi definida pelos alunos e teve como objectivo responsabilizá-los e prepará-los para a inserção na vida activa, sendo certo que nesse contexto terão que ser auto-suficientes. 8 O open source, ou software livre, refere-se à liberdade dos utilizadores executarem, copiarem, distribuírem, estudarem, modificarem e aperfeiçoarem o software. Fig. 16. A máquina montada com a distribuição Unbutu do Linux
  25. 25. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 25Vânia Ramos Janela Base de dados para gestão da oficina Na disciplina de Tecnologias da Informação e Comunicação, os alunos elaboraram várias propostas de bases de dados para gestão da oficina. Fizeram-no no último módulo leccionado, “Gestão de Base de Dados” (trata-se de uma disciplina terminal). Posteriormente, escolheram a que melhor se adequava às necessidades reais e iniciaram o seu preenchimento com as informações dos equipamentos que repararam. A importância da criação de uma base de dados para a gestão da oficina é justificada pela necessidade da disponibilização de informação sobre a actividade desenvolvida no âmbito do projecto. Para a elaboração da base de dados os alunos recorreram, igualmente, às aulas da disciplina de Programação e Sistemas Informáticos. Ora, foi deveras importante o facto de, em termos temporais, ambos os docentes das disciplinas estarem a leccionar a mesma matéria. Tal permitiu um estreito trabalho de equipa. Atendendo que, a carga horária e o nível de aprofundamento da matéria é superior na disciplina de programação, a qual integra a componente técnica do curso, o docente leccionou a teoria do módulo permitindo tornar as aulas de TIC em aulas essencialmente práticas. No entanto, sempre que pertinente, foram relembrados conceitos. A formanda julga que foi uma actividade positiva. E isto porque possibilitou que as aulas de ambas as disciplinas envolvidas se completassem, evitando a repetição de conteúdos, o que por vezes propicia o desinteresse dos alunos. A formanda verificou, no âmbito desta actividade, que foi relevante para o bom desenvolvimento da base de dados, o facto de a matéria estar a ser leccionada em duas disciplinas diferentes. Tendo concluído que, um dos elementos fundamentais no desenvolvimento de acções que pressupõe a acção de docentes da mesma área é o facto da matéria estar em conjugação temporal quando é leccionada. Tratamento estatístico de necessidades de formação A interdisciplinaridade que se pretendia com a disciplina de Matemática não aconteceu. Existiu um desfasamento no tempo já que o professor abordou o módulo da estatística no final do 2.º período, altura em que os alunos se propuseram a fazer exame (tratava-se de um módulo leccionado no ano lectivo anterior), e o tratamento estatístico ocorreu antes. Dados o cumprimento do programa da disciplina, a velocidade de aprendizagem dos alunos e o tempo de aula, o professor não podia despender de aulas para realizar esta actividade. Assim, e como se tratava de trabalho inerente à elaboração do “Plano TIC” da Escola, elementos da equipa TIC realizaram os inquéritos no Moodle, obtendo a estatística necessária. A formanda não olvida o facto de que, poderia ter-se diligenciado no sentido de obter um horário compatível entre o professor e os alunos com maior dificuldade em estatística para, fora do contexto de aula, realizar a actividade. Contudo, na altura não se equacionou essa hipótese. Será que seria viável? Não convém esquecer a elevada carga horária semanal do curso, o que por si só condiciona qualquer actividade fora do seu contexto.
  26. 26. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 26Vânia Ramos Janela Fig. 17. A máquina mooding – O aquário Website e Fórum A actividade de criação de um website de divulgação da oficina, do curso profissional com a possibilidade dos clientes saberem qual o estado do serviço prestado, está a ser realizada nas aulas da disciplina de Redes de Comunicação. À data da elaboração deste documento, só é possível divulgar o endereço onde futuramente será alojado o site, a saber, http://drpc.esec-sampaio.net/, já que a implementação do mesmo foi suspensa temporariamente: os alunos necessitaram das aulas para concluir a construção das máquinas mooding montadas para o “2.º Dia das Tecnologias”. Outra actividade a dinamizar consistia na criação de um fórum com o objectivo de promover uma iniciativa de colaboração com escolas/empresas e permitir aos alunos o aprofundamento dos conhecimentos técnicos na área de informática. Ora, o fórum só tem lógica se inserido no website da oficina. Assim, e como forma de iniciar já pelo menos o contacto com as escolas criou-se no Moodle, como aliás já foi referido anteriormente, um espaço para o “Dr. PC”. Aí é possível consultar informações pertinentes sobre informática, as últimas notícias da oficina e ao mesmo tempo deixar dúvidas no fórum disponibilizado. É um espaço aberto e qualquer pessoa o pode visitar. Para o visitar e participar no fórum, os visitantes têm que se registar na plataforma de e-learning. Tendo em conta que, a campanha de divulgação da oficina só teve lugar recentemente, não é possível aferir sobre a receptividade em relação à alternativa encontrada. 1.3.Funções Disciplinares Pautando-se a turma por uma postura e comportamento satisfatórios em sala de aula, muito surpreendeu a docente o facto de um aluno ser alvo de uma participação disciplinar. Assim, e dado que a mesma referia que era frequente tal atitude por parte do aluno, a Directora de Turma deu conhecimento de tal ocorrência à Encarregada de Educação e ao Conselho Executivo. Após ouvidas as partes envolvidas, foi decidido que o aluno devia um pedido de desculpa à professora, pela falta de respeito, atitude e linguagem impróprias, assinando uma declaração onde aceita ser suspenso automaticamente caso volte a ter uma conduta semelhante. Na passada quarta-feira, três dias antes em que a formanda escreve esta reflexão, chegou ao seu conhecimento outra participação disciplinar com três alunos da turma, referindo igualmente atitudes incorrectas em sala de aula. Esta participação é do conhecimento do Conselho Executivo.
  27. 27. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 27Vânia Ramos Janela Ora, nos tempos que correm torna-se imprescindível, atendendo à situação social que nos rodeia (cada vez mais o pouco tempo disponível por parte dos pais transfere para os docentes um encargo acrescido), julga a formanda, a inserção de aulas de educação para a cidadania no ensino secundário. E isto porque, alguns alunos teimam em navegar nas águas da indisciplina e desrespeito, e em que as atitudes dos pais/Encarregados de Educação pecam por, muitas das vezes, potenciar tais comportamentos, em que nada abonam a favor da comunidade escolar em que estão inseridos.
  28. 28. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 28Vânia Ramos Janela 2. Ensino e Aprendizagem “«- É para nota?» «- Não, é para aprender.»” Sebastião Gama ……….. Um dos objectivos da educação é a construção da identidade pessoal, social e cultural dos jovens alunos, bem como a formação científica consistente no domínio do respectivo curso. O processo ensino-aprendizagem deve ser conduzido de modo a que os alunos se tornem indivíduos autónomos, de espírito crítico e de grande capacidade criativa. Assim, o trabalho em projecto apresenta vantagens tais como partilhar finalidades, admitir posições contrárias, negociar e agir eticamente. Contudo, e para que resulte com sucesso, há que atrair a atenção dos alunos e despertar a sua curiosidade, motivando-os e mobilizando-os para a realização do mesmo, fazê-los sentir parte activa. 2.1. Plano científico No plano científico, foi necessário delinear e programar os objectivos a atingir, o que iria ser feito em aula e a forma como iria ser feito, nomeadamente na disciplina de Tecnologias da Informação e Comunicação. A docente recorreu aos dois módulos que estavam previstos leccionar – “Folha de Cálculo” e “Gestão de Base de Dados” – tornando o projecto de longa duração. No primeiro módulo indicado, após a passagem dos conteúdos básicos e da realização de trabalhos práticos, os alunos deveriam conseguir por si só criar um orçamento a ser utilizado pela oficina de informática, o que foi conseguido. Em aula, os alunos após feita a pesquisa na Internet sobre modelos de orçamentos, construíram, em grupos pré-definidos por eles, várias propostas. De forma autónoma, foram eles que seleccionaram aquele que será utilizado na oficina. O segundo módulo visava a obtenção dos conceitos necessários para desenhar, implementar e gerir a base de dados da oficina, sendo certo que, para atingir esta meta os alunos teriam que assimilar uma série de conceitos base e praticar, com recurso a exercícios práticos.
  29. 29. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 29Vânia Ramos Janela Eram objectivos que, no final do ano lectivo, os alunos teriam que saber:  rendibilizar as Tecnologias da Informação e Comunicação nas tarefas de construção do conhecimento em diversos contextos do mundo actual;  mobilizar conhecimentos relativos à estrutura e funcionamento básico dos computadores, de modo a poder tomar decisões fundamentadas na aquisição e/ou remodelação de material informático;  utilizar as funções básicas do sistema operativo de ambiente gráfico, fazendo uso das aplicações informáticas usuais;  evidenciar proficiência na utilização e configuração de sistemas operativos de ambiente gráfico;  utilizar as potencialidades de pesquisa, comunicação e investigação cooperativa da Internet, do correio electrónico e das ferramentas de comunicação em tempo real;  utilizar os procedimentos de pesquisa racional e metódica de informação na Internet, com vista a uma selecção criteriosa da informação;  utilizar a folha de cálculo nos mais variados contextos;  utilizar as potencialidades e características das bases de dados relacionais nas suas múltiplas funções;  executar operações em bases de dados relacionais;  instalar e configurar as aplicações informáticas mais comuns;  cooperar em grupo na realização de tarefas e na pesquisa de soluções para situações-problema;  aplicar as suas competências em TIC em contextos diversificados. Antes de iniciar o módulo e com o conhecimento de que o professor da disciplina de Programação e Sistemas Informáticos iria começar a leccionar a mesma matéria mas de forma mais aprofundada, combinaram dividir tarefas. Assim, o professor de programação leccionaria a exposição dos conceitos teóricos e as aulas de TIC assumiam um cariz essencialmente prático, no fundo como se pretende que a disciplina funcione. Tal facto assumiu um papel importante já que a carga horária da disciplina de TIC é de apenas 90 minutos semanais. Ora, atendendo que, é complicado os alunos assimilarem todos os conceitos que lhes são transmitidos, a professora teve que fazer, igualmente, algumas breves exposições teóricas, suficientes para expor algo que os alunos não soubessem ou para completar conteúdos que não tivessem sido interiorizados nas aulas de programação. As exposições teóricas tiveram por base apresentações multimédia criativas e adequadas, procurando desta forma cativar a atenção dos alunos, as quais foram atempadamente disponibilizadas no espaço da disciplina no Moodle. Assim, sempre que oportuno, realizou uma exposição participativa. Introduziu o método interrogativo, com perguntas dirigidas ao raciocínio como forma de desenvolver o raciocínio lógico dos alunos.
  30. 30. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 30Vânia Ramos Janela Tal foi utilizado na concepção do Diagrama Entidade-Relação, a primeira fase que tinham que desempenhar e que se encontrava orientada por um guião. Se na proposta inicial do PFAP se perspectivou utilizar o método demonstrativo, recorrendo ao auxílio do projector de vídeo, para os alunos acompanharem os passos efectuados no computador pela professora, com o intuito de se familiarizarem com o programa informático em estudo, tal não foi necessário. Com o início da implementação da base de dados propriamente dita, relevante foi o facto de os alunos possuírem uma maior carga horária na disciplina de programação. E quando iniciaram o uso do programa Microsoft Access já o conseguiam manusear bem. Ainda assim, as aulas foram sempre orientadas por guiões, correspondendo cada um deles a uma fase que os alunos tinham que ultrapassar. Verificou-se, também, que alguns alunos começaram a levar os seus computadores pessoais para a sala de aula pois estes possuíam a última versão do programa de gestão de base de dados e queriam familiarizar-se com a mesma, aprender as novas funcionalidades e adquirir destreza na utilização do novo sistema de menus. Desta forma mostraram ser autónomos. 2.2. Materiais didácticos Não tendo sido adoptado nenhum manual para a disciplina de Tecnologias da Informação e Comunicação do curso profissional, a docente construiu os materiais didácticos que achou pertinentes para a consecução dos objectivos: apresentações multimédia e guiões de actividade. Procurou que os materiais construídos fossem apelativos e motivadores, de fácil leitura e compreensão. 2.3. Unidade supervisionada As aulas assistidas nem sempre correram como planificado. Primeira e segunda aula assistidas Nos 90 minutos de duração das aulas assistidas foi abordado o modelo relacional de base de dados (vide anexo 13). Dando continuidade ao trabalho desenvolvido na aula anterior, a professora sintetizou os conteúdos leccionados, não através de uma apresentação interactiva como inicialmente estava planeado, mas num ambiente de cooperação e diálogo com a turma, o qual terminou com a esquematização de um exemplo prático no quadro.
  31. 31. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 31Vânia Ramos Janela Seguiu-se a realização da actividade prática proposta através de um guião (vide anexo 14), o qual se encontrava no espaço da disciplina no Moodle. Todos os alunos lhe acederam ao mesmo e iniciaram o trabalho proposto. Nesta altura, a docente constatou que na disciplina de programação e sistemas informáticos os alunos já tinham principiado a utilizar um programa destinado à esquematização do problema proposto. Assim, dispensaram a esquematização no papel. Alguns houve que, por não terem ou não gostarem do programa usado, optaram por esquematizar a sua solução do problema no “caderno digital”9 da disciplina. Mais, verificou a formanda que, os alunos que evidenciavam maior facilidade na elaboração da actividade passaram automaticamente do Diagrama Entidade-Relação para as tabelas, iniciando deste modo uma actividade de aprofundamento. A professora aproveitou para se dedicar aos alunos que evidenciavam maior dificuldade. Estes, por seu lado, sempre que a docente se afastava, iniciavam outras actividades não relacionadas com o trabalho proposto. Esta situação foi constatada pelo professor orientador, que gentilmente alertou a formanda para tais condutas menos próprias, reforçando as suspeitas que a docente já tinha. Ora, atendendo a que os alunos têm acesso a aplicações e a websites que nada têm a ver com os conteúdos da aula, aliado ao facto de ser praticamente incontrolável a actividade dos alunos individualmente, propicia tais situações. Após o alerta do professor Delegado à profissionalização, a formanda passou a prestar maior atenção de modo a prevenir tais comportamentos, advertindo os alunos sempre que tal acontecia. Mais, após a aula terminar, a professora teve uma conversa franca com os alunos em questão em que procurou consciencializá-los, apelando a um maior empenho, respeito por si próprios e pelos outros. Notou que os alunos nas aulas seguintes deixaram de ter tal comportamento. Durante a resolução da actividade prática, iniciou-se um debate saudável em que os alunos começaram a comparar a forma como o professor da disciplina de programação e sistemas informáticos lhes falara de determinadas relacionamentos e a forma como a docente o fazia. Os alunos referiam que na sua opinião os dois professores o estavam a fazer de maneiras diferentes e que cada um ensinava de sua maneira o que poderia potenciar uma maior dificuldade na aprendizagem. A docente explicou que ambos os professores diziam exactamente a mesma coisa, mas que uma disciplina aprofundava mais os conteúdos e era essa a diferença que eles sentiam. Assim ficou estabelecido que iriam ter liberdade para fazer mesmo na disciplina de TIC soluções com maior complexidade, indo além do que lhes era exigido na disciplina. A aula terminou como previsto, com o grupo que solucionou mais rapidamente a actividade a desenhar a sua proposta de solução do problema inicialmente proposto no quadro. Pese embora todos os grupos tenham conseguido atingir os objectivos mínimos previstos para a aula, a formanda achou que era merecido valorizar o grupo pela sua prestação em aula, como forma de os evidenciar. Os restantes elementos da turma completaram a solução apresentada. 9 O “caderno digital” é um documento de texto que os alunos utilizam como um caderno diário normal.
  32. 32. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 32Vânia Ramos Janela Terceira e quarta aula assistidas Para este bloco de 90 minutos estava planeada a continuação do trabalho de projecto iniciado na aula anterior e que consistia na criação da base de dados para a gestão da oficina do “Dr. PC”. Consoante a etapa do projecto em que os alunos se encontravam ou concluíam o Diagrama Entidade-Relação para o problema proposto ou iniciam a construção das tabelas da base de dados (vide anexo 15). Contudo, e atendendo a um pedido de um dos elementos do Conselho Executivo da Escola, a professora iniciou a aula distribuindo um questionário no âmbito da colaboração com um estudo para a universidade, no campo da Psicologia da Educação, relativamente à temática “Valores Profissionais” (um trabalho de investigação de antigas alunas da Escola), ajudando os alunos no seu preenchimento sempre que lhe foi solicitado. Esta actividade de direcção de turma acabou por atrasar as actividades que estavam contempladas no plano das aulas. Terminado o preenchimento do questionário, a professora iniciou a aula propriamente dita, sintetizando os conteúdos abordados na aula anterior. Questionou os alunos sobre o ponto de situação do trabalho iniciado na outra semana e posicionou-os em termos do que tinham para fazer, sendo que se encontravam em diferentes etapas do desenvolvimento do projecto. Mas eis que surgiu outro contratempo, contribuindo para atrasar o que estava previsto: não havia Internet e como tal, os alunos não tinham acesso ao guião de actividade disponível na plataforma de e-learning. No entanto, e atendendo que a docente se faz acompanhar sempre da pen com toda a informação referente ao ano lectivo, não teve dificuldade em disponibilizar a informação pertinente para a realização da actividade proposta. Outra solução, que até poderá poupar algum tempo no futuro, é a colocação dessa mesma informação no servidor da Escola apenas com acesso de leitura para os alunos. Se inicialmente se perspectivava que os alunos realizassem o trabalho em grupos de dois, tal não aconteceu. Dado que alguns elementos da turma demonstram poucos hábitos de trabalho, a docente achou por bem que o projecto fosse individual como forma de os obrigar a empenhar. Durante o restante tempo de aula, a professora circulou pela sala orientando e ajudando os alunos na execução das tarefas propostas, e colocando algumas questões pertinentes para os levar a ponderar as opções tomadas. A aula terminou com uma breve referência sobre o que iria ser feito na próxima semana.
  33. 33. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 33Vânia Ramos Janela Quinta e sexta aula assistidas Estas aulas coincidiam com o terminar do projecto de construção da base de dados de gestão da oficina. O plano estabelecido visava uma apresentação oral dos projectos realizados (vide anexo 16). No início da aula, a professora resumiu os conceitos abordados ao longo do módulo, questionando os alunos e incentivando-os a participar e, citando o professor Delegado à profissionalização, “A professora provoca algumas questões relacionando a Base de Dados do Projecto Dr. PC com os conteúdos leccionados”. Nesta altura, e apesar de os alunos terem conhecimento que deveriam ter as bases de dados terminadas para apresentação neste dia, alguns estiveram a completar as mesmas. Na generalidade, algumas bases de dados apresentadas estavam incompletas. Numa tentativa de consciencializar os alunos para a responsabilidade e para o cumprimento dos prazos estabelecidos, referiu que as bases de dados ali apresentadas eram as que seriam tidas em consideração para a avaliação final do módulo, pese embora aquela que fosse a escolhida viesse a ser terminada ao longo das restantes aulas do ano. A docente, ainda que tenha ocupado parte do intervalo, o que propiciou alguma desatenção por parte de alguns alunos, cumpriu o essencial do que estava planeado e os alunos mostraram e criticaram as várias soluções propostas. Foram colocadas questões pela docente e feitas sugestões no sentido de melhorar algumas funcionalidades das bases de dados. Não foi possível realizar a avaliação do módulo. Contudo, o questionário foi distribuído e os alunos foram alertados para que o deverão entregar na próxima aula. Doravante, sempre que se verificar uma actividade desta natureza, a formanda procurará requisitar uma sala de aula normal, de modo a evitar a desatenção por parte dos alunos que, não tendo concluído atempadamente o trabalho proposto, o tentem fazer enquanto os restantes colegas apresentam. 2.4. Uma experiência bem e mal sucedida Durante a construção da base de dados para gestão da oficina “Dr. PC”, um aluno aproveitou uma situação real por si vivenciada (há algum tempo tinha colocado o computador a arranjar numa oficina semelhante), e aplicou a experiência para implementar a sua proposta de solução. Foi positivo, no sentido que articulou o saber com a experiência e demonstrou identificar-se com o projecto. Poderá dizer-se que, o maior adversário da formanda enquanto docente, foi o livre acesso à Internet bem como a existência de jogos que não necessitam de instalação, e que nada tinham a ver com os conteúdos abordados nas aulas. Tanto mais que, alguns alunos não cumpriam atempadamente as tarefas propostas, já que se distraiam na utilização dos mesmos.
  34. 34. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 34Vânia Ramos Janela Domínios a Avaliar Saber- Fazer Saber- Estar Saber- Ser Em contexto de aula, é praticamente impossível controlar as acções de todos os alunos. A solução tem que passar pela sensibilização dos mesmos, pelo envolvimento dos pais/E.E. e pela utilização de práticas restritivas na utilização dos computadores e da Internet. 2.5. Relação pedagógica com os alunos A professora aproximou-se dos alunos e estabeleceu relações francas e abertas, donde advieram benefícios para o processo ensino-aprendizagem: os alunos sentiram à vontade para questionar, duvidar, intervir de forma activa dando ideias próprias, criticar e debater. Adoptou como estratégia o ensino individualizado, rodando pela sala de aula, questionando e apoiando os alunos, tendo mostrado a sua presença para os ajudar e incentivar ao trabalho. Desenvolveu estratégias diversificadas que permitiram que os alunos com maior dificuldade ultrapassassem com relativa facilidade as suas limitações e conseguissem atingir os objectivos mínimos pretendidos para cada actividade. Assim, de forma continuada, esteve atenta às dificuldades, favorecendo a auto-estima recorrendo ao “reforço-positivo”, elogiando e valorizando sempre que conveniente, respostas, acções e atitudes, principalmente nos alunos mais inseguros, como forma de os motivar e encorajar. Durante o projecto de criação da base de dados de gestão da oficina, notou que os alunos trocavam ideias. Estavam motivados para o que estavam a fazer, contudo demonstraram falta de hábitos de trabalho e dificuldade no cumprimento dos prazos estabelecidos. Foram criativos e exploraram novas funcionalidades muito além do que lhes foi pedido, adquiriram novos conhecimentos e construíram novas aprendizagens. O trabalho desenvolvido e as relações estabelecidas foram positivos. 2.6. Avaliação Segundo Perrenoud, a avaliação formativa é uma avaliação que ajuda o aluno a aprender e o professor a ensinar. Avaliar competências passa também pela auto-avaliação das nossas próprias competências pois, só assim, podemos ajudar o aluno no desenvolvimento de todo o seu potencial. Sendo certo que, os conteúdos não se situaram só no domínio dos conhecimentos, mas respeitaram a domínios do “saber-fazer” (desenvolvimento de capacidades/competências) e do “saber-ser” e “saber-estar” (promoção de valores e atitudes), a avaliação contemplou estes três domínios. Assim, a avaliação baseou-se na observação directa na aula e no preenchimento de uma
  35. 35. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 35Vânia Ramos Janela grelha de observação e registo do desempenho dos alunos (vide anexo 17). Mais, no decurso das aulas, a professora durante o acompanhamento individual que fez aos alunos inteirou-se semanalmente do trabalho desenvolvido no projecto, e apercebendo-se das dificuldades e dos sucessos obtidos. Deste modo, a avaliação foi contínua permitindo o registo da evolução do aluno aula a aula e, em tempo útil, actuou na recuperação de qualquer dificuldade. Se à data de redacção deste documento, a docente ainda não possui as avaliações finais no módulo (isto porque os alunos ainda irão construir um manual de utilizador da base de dados escolhida para a gestão da oficina), certo é que pode adiantar que o sucesso do módulo é de 100%. Não convém escamotear que os alunos irão vivenciar no final do ano lectivo, uma formação em contexto de trabalho em que, e segundo os planos de estágio estabelecidos nos anos anteriores, o factor relevante que pesa na solicitação por parte das entidades que potenciam o estágio é a criação/manutenção de bases de dados.
  36. 36. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 36Vânia Ramos Janela 3. Projecto Educativo de Escola “O mínimo que se exige de um educador é que seja capaz de sentir os desafios do tempo presente, de pensar a sua acção nas continuidades e mudanças do seu trabalho pedagógico, de participar criticamente na construção de uma escola mais atenta às realidades dos diversos grupos sociais.” António Nóvoa O “Projecto Educativo” da Escola Secundária de Sampaio intitula-se “Por uma Escola inclusiva de qualidade”. Segundo este, a concepção actual da Escola caracteriza-se pelos princípios de “aprender a ser”, “aprender a aprender” e de “educação permanente”, e visa, através de estratégias diversificadas, promover o sucesso escolar e educativo de todos os alunos. Para tal, é peremptório que pais e alunos alarguem o anterior estatuto de meros utilizadores e beneficiários dos serviços da escola ao de membros e clientes. E isto com o intuito de poderem definir, em parceria com professores e funcionários, a natureza e o conteúdo das actividades escolares. Ora, esta possibilidade exige um novo paradigma de escola: uma organização educativa com autonomia para estabelecer os seus próprios objectivos e estratégias. Assim sendo, a autonomia assume um papel de relevo não só porque a escola é dirigida pelos seus membros e pela comunidade, mas também porque constitui o instrumento para a adaptação estrutural e tecnológica aos alunos, aos seus contextos e às suas contingências. O projecto da oficina “Dr. PC” procurou intervir em quatro dos cinco princípios orientadores do Projecto Educativo de Escola:  flexibilizar o processo ensino-aprendizagem, promovendo o desenvolvimento e realização das capacidades globais dos alunos;  diversificar as ofertas formativas no ensino secundário, visando o acesso ao ensino superior e a formação de técnicos de nível intermédio;  valorizar o papel da escola com actividades diversificadas de carácter cultural, desportivo e lúdico; e  criar condições que permitam a existência, entre a comunidade educativa, de um elevado clima de participação, convivência e bem-estar, procurando transformar “uma escola na comunidade” em “uma escola da comunidade”. Neste sentido, desenvolveram-se as actividades que a seguir se descrevem.
  37. 37. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 37Vânia Ramos Janela Fig. 18. Os vários logótipos a concurso Fig. 19. Os alunos vencedores a exibirem os respectivos prémios 3.1. Concurso para o logótipo da oficina O concurso para o logótipo da oficina “Dr. PC” destinava-se a todos os alunos da Escola. O objectivo desta actividade era obter um símbolo ou marca que identifique, represente e permita assinalar facilmente todo o equipamento que exista ao cuidado das pessoas envolvidas no projecto. O concurso, passou também por envolver os alunos em actividades internas da Escola e promover a criatividade. Nesse sentido, foi feito o cartaz de divulgação por um professor do departamento de artes e tecnologias (vide anexo 17), o qual foi afixado na Escola. As propostas dos alunos foram apresentadas em suporte papel, entregues no Centro de Recursos, dentro de um envelope fechado. A generalidade dos alunos que participaram nesta iniciativa, solicitaram o apoio dos professores, da área de artes, em sala de aula. O júri foi composto pelos professores do Departamento de Artes e Tecnologias, tendo sido feita uma pré-selecção. Contudo, a convite da docente, um elemento do Conselho Executivo e o delegado da turma do 11.º PI, juntaram-se aos elementos do júri. Dos vários logótipos a concurso, pré-seleccionaram-se seis, tendo-se privilegiado:  a criatividade e a imaginação;  a capacidade comunicativa da proposta e a sua legibilidade em diferentes formatos e suportes;  a qualidade e a originalidade do grafismo utilizado. A formanda em conjunto com a turma CEF, do 8.º ano, no âmbito da disciplina das TIC, elaboraram um boletim de voto (vide anexo 18), tendo sido entregue um exemplar a cada elemento do júri. Após a votação, a formanda contabilizou os votos e os resultados foram afixados. Numa cerimónia simples, que decorreu no Conselho Executivo, e em que estiveram presentes os participantes, os professores dinamizadores da iniciativa e os elementos do órgão de gestão, foram entregues os prémios aos três primeiros lugares. Esta iniciativa visou reconhecer publicamente a participação dos alunos concorrentes, assim como servir de exemplo e de motivação para outros participarem nas actividades internas da Escola. A cerimónia foi registada e será, posteriormente, noticiada no jornal escolar ainda que já tenha sido afixada uma fotografia dos alunos
  38. 38. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 38Vânia Ramos Janela Fig. 22. A tela da turma do 11.º PI vencedores com os respectivos prémios. Pretende-se que, futuramente, o logótipo vencedor esteja presente na porta do laboratório, em batas de trabalho e num selo a criar (estas actividades já estão a ser pensadas para a continuidade do projecto no próximo ano lectivo). 3.2. Decoração do laboratório A decoração do laboratório envolvia duas actividades concretas, a saber:  pintura de telas decorativas a partir de fotografias dos alunos do curso profissional de informática; e,  decoração de uma cortina para a janela. Esta actividade foi levada a cabo com a colaboração da turma do 12.º ano de Oficina de Artes, com o objectivo de os alunos adquirirem/consolidarem conhecimentos da formação específica do seu curso bem como tornar pessoal e amigável o ambiente do laboratório. Para a pintura das telas, os alunos recorreram à técnica mista. As telas criadas pelos alunos foram inauguradas no “2.º Dia das Tecnologias” e tiveram um enorme sucesso. Grande foi a adesão por parte dos professores e alunos para visualizarem o que foi feito. E foi muito gratificante ver que os alunos se conseguiam identificar nas telas assim como aos colegas e os professores. Todos os visitantes elogiaram o trabalho desenvolvido. A formanda dialogou com alguns dos autores do trabalho e estes referiram que tinham adorado fazer o trabalho, mas que tinha sido bastante complicado pois tinha-lhes sido exigido trabalho extra (muitas vezes tiveram que, nos intervalos, observar os alunos que estavam a retratar, de forma a perceberem traços que não estavam bem definidos nas fotografias); e também tinham ocorrido alguns imprevistos, como o caso de um aluno do 7.º ano que se lembrou de desenhar uns óculos num dos rostos dos trabalhos que se encontravam guardados sob o armário da sala, levando a que todo o trabalho desenvolvido tivesse que ser recomeçado. Fig. 20. O logótipo vencedor Fig. 21. O trabalho em aula
  39. 39. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 39Vânia Ramos Janela Contudo, e dado que estiveram envolvidos noutros projectos, não conseguiram realizar a decoração das cortinas. Sendo certo que, se podia equacionar realizar esta última actividade com outra turma, não era correcto para com os alunos, já que foi a eles que foi proposto o desafio. Assim, e não tendo sido possível realizar este ano, a formanda já falou com a professora que orientou o trabalho e convidou-a a concluí-lo no próximo ano com os alunos do mesmo curso, que entretanto transitarem para o 12.º ano. O convite foi prontamente aceite. Até porque, este tipo de projecto é importante para solidificar os laços entre a comunidade escolar. 3.5. Folheto e cartaz publicitário A criação de um folheto e de um cartaz consistiam em actividades que estavam programadas realizar com os alunos do Curso Profissional de Marketing/Publicidade, já que para a sua elaboração existem técnicas específicas e era uma forma de relacionar conteúdos. Contudo, tendo sido dispendido tempo com a elaboração dos logótipos para o concurso, já não foi possível contar com a participação dos referidos alunos nesta actividade. Colocou-se então a questão: quem irá realizar a tarefa? Sendo certo que, a oficina é para ser utilizada na formação dos jovens do ensino profissional de informática, então, porque não responsabilizá-los pela divulgação do seu próprio projecto? Assim, pediu-se aos alunos do 10.º e 11.º anos que elaborassem propostas de cartaz para divulgação da oficina. No final, após ponderação com os alunos da turma do 11.º ano (afinal são eles que no presente ano estão à frente da oficina) foram seleccionados dois cartazes com as características do pretendido (vide anexo 19). Para a escolha do cartaz, fez-se a projecção das propostas e os alunos votaram. Mas o que se acabou de descrever apenas foi a concepção e escolha do cartaz publicitário. Faltava o folheto. Uma turma que a docente lecciona, o 8.º CEF, do Curso de Educação e Formação de Práticas Administrativas, tem alguns alunos pouco motivados e empenhados em sala de aula. Uma estratégia para lhes incutir o gosto pela disciplina, passou por envolvê-los num projecto real, atribuindo-lhes responsabilidade e fazê-los perceber que têm um papel Fig. 23. As telas desenhadas para a turma 10.º PI
  40. 40. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 40Vânia Ramos Janela importante no seio da comunidade em que estão inseridos, e que o seu trabalho pode ajudar a construir algo de relevo. Assim, além da elaboração do boletim de voto para a escolha do logótipo e que já foi referido anteriormente, propôs aos alunos a elaboração do folheto (vide anexo 20), tendo a formanda verificado que todos, mesmo os que não trabalhavam, gostaram da actividade proposta, já que comentavam entre si que o seu trabalho ia andar de mão em mão, ser conhecido. Os alunos motivaram-se e questionaram a docente sobre a oficina, o trabalho que lá se realizava, e, algumas aulas depois pediam se podiam trazer uma máquina para os colegas arranjarem. Além do que se acabou de referir, a iniciativa permitiu consolidar conhecimentos adquiridos na unidade de processamento de texto. 3.3. Parceria com a Equipa TIC A parceria da turma com a Equipa TIC foi conseguida através das actividades que a seguir se descrevem e que foram dinamizadas no “2.º Dia das Tecnologias”. Workshop e oficina de curta duração Os alunos aproveitaram um vídeo de como montar um computador e que tinha sido realizado para a disciplina de Arquitectura de Computadores e dinamizaram uma pequena workshop sobre o tema, demonstrando que tinham consolidado os conhecimentos teóricos adquiridos, assim como mostraram destreza na execução prática. De seguida, os participantes puderam experimentar a montagem de dois computadores. Esta actividade foi bastante positiva no sentido que o número de participantes foi significativo. A generalidade dos alunos aceita de bom grado tudo o que sejam iniciativas deste tipo e nem se aperceberam que, simultaneamente à diversão, estavam a aprender. Operação Open Source No âmbito do projecto “Dr. PC”, os alunos em conjunto com o professor da disciplina de Sistemas Operativos, prepararam máquinas com distribuições Linux no sentido de divulgar o Open Source. Das máquinas onde foi instalado o sistema operativo, as que tiveram uma maior Fig. 24. Oficina de hardware
  41. 41. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 41Vânia Ramos Janela aceitação e notoriedade por parte dos visitantes do “2.º Dia das Tecnologias”, foram as máquinas mooding. Tal, evidencia que o trabalho na oficina foi gratificante, não só mas também, porque esta iniciativa teve bastante aceitação por parte dos visitantes, que experimentaram o sistema operativo motivados pelo equipamento montado. Foi notório o reconhecimento por parte de todos do excelente trabalho desempenhado.Fig. 25. Uma máquina mooding montada pela turma 11.º PI
  42. 42. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 42Vânia Ramos Janela Reflexão Crítica sobre a Implementação “O professor pode pensar no que aconteceu, no que observou, no significado que lhe deu e na eventual adopção de outros sentidos. Reflectir sobre a reflexão-na-acção é uma acção, uma observação e uma descrição, que exige o uso de palavras.” Donald A. Schön O “Projecto de Formação e Acção Pedagógica” visa promover no docente em formação um papel mais activo na escola, capacitando-o para responder às necessidades decorrentes das mudanças ocorridas na sociedade actual. Cada vez mais, se exigem novas competências pedagógicas ao nível da organização das aprendizagens e dos apoios aos alunos, o que significa uma atenção especial para aceitar a diversidade adoptando estratégias de inclusão escolar. A ser assim, como é, o balanço do projecto implementado é bastante positivo. A formanda considera que foi deveras importante parar e reflectir o que se fez, porque se fez, se correu bem ou mal e porquê, pensar alternativas para o que ficou aquém das expectativas ou que não se fez. E isto porque “Neste processo estou a descobrir-me e a conhecer-me a mim próprio como professor e a conhecer as condições em que exerço a minha profissão para poder assumir-me como profissional do ensino. Mas também neste processo estou a tomar consciência das semelhanças e das diferenças entre o meu processo reflexivo de formação e aquele que proponho aos meus alunos.”10 . Sendo certo que, o PFAP deve coordenar três dimensões deveras importantes na actividade de qualquer professor - o Projecto Educativo de Escola, a Direcção de Turma e a Actividade Lectiva – tal aconteceu, apesar de haver uma discrepância entre o plano inicial e a acção. Isto deveu-se a que, em termos temporais existiu dificuldade por parte da formanda em gerir de forma correcta o tempo. Esta é, pois, uma das lacunas que terá que aprender a colmatar. Outra diz respeito a algumas das actividades que não foram possíveis de implementar. A título de exemplo, os contactos que envolviam entidades exteriores não se mostraram proveitosos na medida em que as mesmas não estavam receptivas às iniciativas propostas. Doravante, a formanda deverá ter o cuidado de seleccionar e estruturar antes da fase de planeamento dos projectos, as acções a implementar, aferindo a disponibilidade das partes. 10 In “Ser Professor Reflexivo”, p. 182.
  43. 43. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 43Vânia Ramos Janela Enquanto Directora de Turma, a formanda acompanhou, apoiou e coordenou os processos de aprendizagem, de maturação, de orientação e de comunicação entre professores, alunos e pais. Coube-lhe a árdua tarefa de estabelecer a ligação entre os diferentes intervenientes implicados na relação educativa. Assim, a docente em formação procurou ser amiga mas mostrou firmeza sempre que necessário, revelou maturidade e paciência, tomou as decisões atempadamente agindo com ponderação, foi boa comunicadora e eficaz na direcção das reuniões, contribuiu com o seu trabalho, ideias e opiniões para o benefício comum. Mostrou disponibilidade para receber pais/E.E. e alunos, os quais recorreram frequentemente à sua ajuda. Soube ouvir e agir em conformidade, muitas das vezes extravasando a posição de Directora de Turma e entrando no cariz pessoal dos indivíduos que solicitaram a ajuda, procurando sempre uma palavra amiga. Na actividade lectiva, adequou as planificações às realidades da sua prática. Tal é evidenciado pela relação estreita que se estabeleceu entre a disciplina de Programação e Sistemas Informáticos e a de Tecnologias da Informação e Comunicação, em que se relacionaram conteúdos e se procurou evitar a repetição dos mesmos, tornando as aulas mais interessantes e proveitosas. Foi realizado no final do módulo supervisionado um projecto de modo a que as competências adquiridas nas duas disciplinas (TIC e PRSI) fossem utilizadas e relacionadas – a criação de uma base de dados. E se inicialmente se planeou que o mesmo fosse realizado em grupo com o intuito de criar um ambiente de cooperação e entreajuda na procura do problema apresentado, tal não logrou a efectivar-se. A docente exigiu que o trabalho fosse individual porque pela experiência adquirida pela leccionação do módulo anterior sabia que alguns elementos não se iriam esforçar minimamente. Assim, fomentou o trabalho individual. O projecto realizado, estava relacionado com o “Dr. PC”, tratando uma situação real vivenciada pelos alunos, o que foi bastante pertinente. Sempre que oportuno promoveu o debate, a aceitação, o crescimento cívico, a criatividade e a responsabilidade, colocando o aluno no centro do processo ensino-aprendizagem. Os conteúdos foram trabalhados à medida que foram necessários para cada fase do projecto, passando a ser um meio. A formanda pensa ter sido uma professora reflexiva já que deu aos alunos “como pessoa que pensa, (…) o direito de construir o seu saber”11 . O projecto “Dr. PC” conseguiu intervir nos quatro princípios orientadores do Projecto Educativo de Escola a que se propôs. Recorda-se o primeiro princípio – flexibilizar o processo ensino-aprendizagem, promovendo o desenvolvimento e realização das capacidades globais dos alunos. Assim, o projecto adequou-se na medida em que a flexibilização está bem patente em algumas actividades desenvolvidas (o diagnóstico e a reparação dos equipamentos), na sua formação como pessoas e cidadãos (o facto de disponibilizarem ajuda aos colegas de outra escola), na consolidação de conteúdos (patentes em actividades como o concurso e a decoração do laboratório). 11 In “Ser Professor Reflexivo”, p. 175.
  44. 44. Projecto de Formação e Acção Pedagógica Avaliação e Reflexão Após a Implementação 44Vânia Ramos Janela A realização da palestra no “2.º Dia das Tecnologias” e a visita de estudo à “Semana da Ciência e Tecnologia” permitiram actuar sobre o segundo princípio orientador – diversificar as ofertas formativas no ensino secundário, visando o acesso ao ensino superior e a formação de técnicos de nível intermédio. Os alunos foram sensibilizados para o prosseguimento de estudos na sua área de formação, tendo sido realçada a interacção escola/vida activa/comunidade. O projecto interveio no terceiro princípio orientador – valorizar o papel da escola com actividades diversificadas de carácter cultural, desportivo e lúdico – na medida em que incentivou a realização de actividades valorizadoras das capacidades e interesses dos alunos, potenciando a sua autonomia. Tal é perceptível através de actividades como o concurso do logótipo e a criação das telas decorativas. A formação para pais/E.E. aliada ao facto de os potenciais clientes da oficina serem toda a comunidade escolar, permitem actuar sobre o quarto princípio orientador – criar condições que permitam a existência, entre a comunidade educativa, de um elevado clima de participação, convivência e bem-estar, procurando transformar “uma escola na comunidade” em “uma escola da comunidade”. E isto porque se estabeleceram relações interpessoais de cordialidade, respeito mútuo, tolerância e solidariedade, propiciando um ambiente de bem- estar e de amizade, desenvolvendo a colaboração escola-família, incrementando o envolvimento e a responsabilidade dos pais/E.E. no processo educativo. Os pontos fortes do projecto implementado foram o relacionamento entre a comunidade escolar e o meio envolvente, o empenho e interesse de todos. E principalmente dos alunos que adoptaram uma postura de grande cariz profissional comportando-se com uma base e estrutura sólidas de funcionamento, o que per si evidencia que o projecto funcionou também como um estágio, preparando os alunos para a sua futura actividade profissional em que a concorrência é feroz e lhes é exigido um grau de conhecimentos elevados. Em jeito de síntese do que se referiu dir-se-á que a formanda considera que:  contextualizou a sua actividade profissional, mostrando capacidade de particularizar o seu modo de trabalho, dos seus alunos e das potencialidades da Escola e do meio envolvente;  fundamentou as suas críticas e identificou situações problemáticas no processo ensino-aprendizagem;  planificou uma actuação coerente no que concerne à interdisciplinaridade;  explorou o papel formativo da disciplina TIC no conjunto do curriculum;  dinamizou as actividades principais do PFAP inicialmente proposto com dinamismo; e  integrou os dados recolhidos na avaliação do projecto.

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