Auto-narrativas

5.674 visualizações

Publicada em

Apresentação dos textos sobre auto-narrativas do Psicólogo Jerome Bruner

Publicada em: Educação
0 comentários
0 gostaram
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

  • Seja a primeira pessoa a gostar disto

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
5.674
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
15
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
40
Comentários
0
Gostaram
0
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Auto-narrativas

  1. 1. Auto-narrativas Jerome Bruner Vanessa de Oliveira Dagostim 2007/1
  2. 2. Pensamento Narrativo • Oposto ao pensamento lógico-científico (paradigmático) que usa argumentos para convencer da verdade; causalidade; conceituação; consistência • Através da narrativa aborda a maneira pela qual as ações humanas se comportam nas mais diversas situações • As histórias criadas relatam situações humanas Página 2 11/11/2008
  3. 3. Características do Pensamento Narrativo • Busca a verossimilhança (o possível, o que poderia ter acontecido) • Condições prováveis • Pode ser contraditório • Busca a abstração, transcende o particular • Gatilho para a mudança de um plano para o outro Página 3 11/11/2008
  4. 4. Life as Narrative (2004) • Objetivo - estender as idéias sobre narrativas para analisar as histórias que nós contamos sobre nossas vidas: nossas autobiografias. (p.691) • Contar é construir e reconstruir nossa vida e o mundo • Será que construímos nossas histórias a partir de nossas experiências? Página 4 11/11/2008
  5. 5. Culture and autobiography 1) Parecemos não ter outra forma de descrever nosso tempo vivido a não ser pela narrativa 2) Narrativa imita a vida, vida imita a narrativa: a vida como um tipo de construção da mente humana, assim como a narrativa Página 5 11/11/2008
  6. 6. Culture and autobiography Narrador = figura central da narrativa DILEMAS Página 6 11/11/2008
  7. 7. Dilemas (reflexivity) • Como verificar o que é contado? • Como desfigurar-se de si mesmo? • Indeterminação • Racionalização Página 7 11/11/2008
  8. 8. • Ao falar sobre nossas vidas nós transformamos nossa autobiografia • Formas canônicas de nossa cultura • Talking cures • o poder dos processos cognitivos e lingüísticos do “dizer sobre si” das narrativas de vida conseguem estruturar a experiência perceptual para organizar a memória, segmentá-la e ria construir a finalidade de muitos eventos de uma vida. (p.694) Página 8 11/11/2008
  9. 9. • Autobiografias como formas literárias • Pessoas de todos os lugares podem contar algo sobre suas vidas; o que varia é a perspectiva cultural e lingüística ou forma narrativa na qual isso é formulado e expresso Página 9 11/11/2008
  10. 10. Formas de auto-narrativas • Narratologia : “...a narratologia procura descrever o sistema específico narrativo, buscando as regras que presidem à produção e processamento dos textos narrativos. A narratologia incorpora a tendência do estruturalismo por considerar os textos narrativos como meios, regidos por regras, pelos quais os seres humanos re(criam) o seu universo. Competirá à narratologia distinguir os textos narrativos dos restantes textos e descrever as suas características. Dentro de estas, os formalistas russos distinguem a fábula, a história, o agente narrativo, os actores, o acontecimento, o tempo e o lugar.” Página 10 11/11/2008
  11. 11. • A linguagem usada vai auxiliar o que é narrado semanticamente, pragmaticamente e estilisticamente; • O que são os gêneros? (p.697) • meras convenções ou algo próprio do humano...? • Cada gênero se caracteriza pela utilização da língua de uma maneira própria: lírico, épico... Página 11 11/11/2008
  12. 12. Ação X Consciência Agentes: dupla projeção –ação e consciência (mundo interno); Essa dualidade é essencial na narrativa. Página 12 11/11/2008
  13. 13. Quatro auto-narrativas • Pesquisa em 4 membros de uma família e suas auto-narrativas (p.700) • A mãe, o pai e um casal de filhos adultos • Há regras narrativas que selecionam e estruturam a experiência de uma maneira particular • Como esta família seleciona essas regras? Página 13 11/11/2008
  14. 14. Família Goodhertz • Pai • Mãe • Debby, 20 anos • Carl, 30 anos Página 14 11/11/2008
  15. 15. Algumas considerações • Nas narrativas, observa-se a distinção espacial entre o mundo e a casa; • A casa é o ponto de referência deles; • Carl: alta freqüência de voz passiva em sua narração, como se sentisse um objeto; • Sua vida é progressiva; • Debby narra sua vida como cíclica; • O pai é orientado para a ação; • Nas narrativas de pai e filho há pouco espaço para a intimidade; Página 15 11/11/2008
  16. 16. Conclusão (?) • A mente nunca é livre de “precomprometimentos”; não há um olhar inocente e nem um que possa penetrar a realidade primitiva. O que há são hipóteses, versões, o que se espera; concebemos a vida como uma história. • Entendemos melhor a história que alguém pode contar sobre qualquer coisa se consideramos que ela é uma das possibilidades que poderia ser contada. Página 16 11/11/2008
  17. 17. SELF-MAKING NARRATIVES (2002) • Quem é o eu – self? • O que é o eu e o que se espera que sejam auto-narrativas? • Por que temos necessidade de contar histórias? Qual a função disso? Página 17 11/11/2008
  18. 18. EU • No séc XX a resposta padrão é que isto estava em nosso insconsciente; nós precisaríamos de mecanismos para encontrar formas para superar a nossa própria resistência e nos descobrir; • Drama do EGO (Freud): onde havia ID deve haver EGO. Página 18 11/11/2008
  19. 19. EGO ID Inconsciente (impulsos, necessidades...) Controla as experiências EGO conscientes e regula as ações entre pessoa e meio SUPEREGO = EGO Natureza IDEAL superior; fala ao ego quem ele deve ser Página 19 11/11/2008
  20. 20. Por que precisamos de histórias para elucidar o EU? • Primeiramente, não há um eu que está lá, esperando para ser encontrado; mas ele é construído e reconstruído constantemente para ir de encontro às necessidades das situações que nós nos deparamos. Essa reconstrução é feita guiada pelas nossas memórias do passado e nossas esperanças e medo do futuro. • Contando sobre si próprio a si próprio, fazemos uma história sobre quem nós somos, o que aconteceu e porque nós estamos fazendo o que estamos fazendo. Página 20 11/11/2008
  21. 21. Auto-narrativa • É regulada pela memória e pela ficção; • Fontes internas memória, sentimentos, idéias, crenças, subjetividade; • Fontes externas o que esperamos dos outros, o que esperam de nós, expectativas culturais (inconscientes); Página 21 11/11/2008
  22. 22. Selfhood • Há muitos modelos de individualidade em qualquer cultura; • Além dos modelos há homilias (lições, discursos morais) que guiam nossa individualidade; • Distinção entre o nosso eu e o eu dos outros; • Desenvolvemos algo decorado para contar sobre nós a nós mesmos e aos outros; • PACTO DA AUTOBIOGRAFIA o que é apropriado contar sobre nós aos outros? • Nossa individualidade se torna, nesse processo, res publica. Página 22 11/11/2008
  23. 23. Eu X Outro • John Done: “nenhum homem é uma ilha...” • Neisser reuniu artigos de pesquisadores sobre essa área: (individualidade e eu) p. 213 que tentam explicar por que nos retratamos através de histórias, tão naturalmente, que a nossa individualidade parece ser produto da nossa própria construção da história? Página 23 11/11/2008
  24. 24. PENSAMENTO X LÍNGUA • Segundo crenças lingüísticas antigas, pensamos para falar; nosso pensamento seria moldado pela língua; a língua favorece perspectivas particulares; o mundo não apresenta eventos a serem codificadas pela língua, mas é ela q filtra nossa percepção por esses eventos; a individualidade seria um meta-evento. p. 215 Página 24 11/11/2008
  25. 25. ... • a pessoa (EU) sobre qual nós escrevemos é apenas uma versão; • balanço entre o que alguém realmente era e o que poderia ter sido; • estamos sempre buscando o equilíbrio entre a nossa memória e a realidade, mas fazemos isso inconscientemente; Página 25 11/11/2008
  26. 26. 4 exemplos famosos p. 216 • Santo Agostinho • Vico (século XVII) • Jean Jacques Rosseau (1764) • Samuel Beckett (1906-1989) • Para Agostinho, o eu era produto da regulação guiada da narrativa revelando o que Deus tinha escrito. Um milênio depois, em Beckett, a auto- narrativa era apenas um mero jeito de escrever, produto da imaginação; • As questões deles são muito diferentes, porém todos tem a preocupação com a individualidade. Página 26 11/11/2008
  27. 27. Narrativa: ato de equilíbrio Autonomia X Comprometimento • Autonomia: liberdade de escolha, possibilidades; • Comprometimento: relação com os outros, o que limita a autonomia. • Nossas vidas buscam esse equilíbrio, assim como as auto-narrativas. Página 27 11/11/2008
  28. 28. Exemplos • 1) Christopher McCandless, 23 anos – excesso de autonomia, sem comprometimento com os outros • 2) MÉDICO – comprometimento • Tanto o médico quanto o garoto tiveram impasses: ambos descontentes, chateados, foram moldados por comprometimentos precoces, escolheram e previram a continuação; Página 28 11/11/2008
  29. 29. Turning points • dificilmente se encontra auto-narrativas sem turing points, coisas que provocaram uma mudança de vida; • Eles são parte integral do crescimento? • normalmente eles ocorrem em um momento da vida posterior à juventude; • algumas culturas marcam os turning points através de ritos de passagem marcantes (até dolorosos); os ritos convencionam os turning points; • o rito de passagem não apenas encoraja mas legitima a mudança. • apesar de nossas crenças de que as pessoas nunca mudam, nós mudamos!!!! Página 29 11/11/2008
  30. 30. Narrativa como construção • O dom da narrativa é distintamente humano, como nossa postura ereta, etc; parece ser nossa maneira natural de contar as coisas; • é através da narrativa que criamos e recriamos a individualidade. O eu é um produto da nossa “auto-contação”; • sem a capacidade de fazer história sobre nós mesmos não há como ter a individualidade. Página 30 11/11/2008
  31. 31. A morte da identidade • Dysnarrativia: desordem neurológica, além de uma lesão na memória, quebra o senso do eu; a individualidade é virtualmente apagada; completa perda da habilidade de se colocar no lugar dos outros; perde o senso do eu e também do outro; • os indivíduos que perderam a habilidade de construir narrativas perderam a si próprio; a construção da individualidade não pode ser processada sem a capacidade de narrar; uma vez que nós nos equipamos dessa capacidade, podemos construir essa individualidade que nos une com os outros, nos permite voltar ao passado; • a dysnarrativia é mortal para a identidade. Página 31 11/11/2008
  32. 32. O homem que confundiu sua mulher com um chapéu (SACKS, 1997) Prefácio: • “O ser essencial do paciente é muito relevante nas esferas superiores da neurologia e na psicologia, pois, nestas áreas, a individualidade do paciente está essencialmente envolvida, e o estudo da doença e da identidade não pode ser desarticulado. De fato, esses distúrbios, juntamente com sua descrição e estudo, exigem uma nova disciplina, que podemos denominar “neurologia da identidade ”, pois lida com as bases neurais do eu, com o antiqüíssimo problema de mente e cérebro.” (Sacks, 1997, p.10). Página 32 11/11/2008
  33. 33. ... • A cultura é dialética, repleta de narrativas alternativas sobre o q o eu é ou pode ser e as histórias q nós contamos para criar a nós mesmos refletem essa dialética. Página 33 11/11/2008
  34. 34. Agradecimento À colega Lílian Página 34 11/11/2008
  35. 35. bibliografia complementar • E-dicionário de termos literários: http://www.fcsh.unl.pt/edtl/verbetes/N/narratologia.htm • http://www.bonde.com.br/colunistas/colunistasd.php?id _artigo=1569 • http://www.tvebrasil.com.br/salto/boletins2005/mpi/tetx t1.htm • Representações Mentais: O Pensamento Narrativo e o Pensamento Paradigmático Integrados. Ana Teresa Contier e Marcio Lobo Netto. Disponível em: www.revistafenix.pro.br Página 35 11/11/2008

×