Leitura de textos imagéticos

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Leitura de textos imagéticos

  1. 1. Vanessa Ap R Anastacio Letras – PortuguêsDissertação Apresentada a Secretaria de Educação do Estado de São Paulo; Curso de Formação de Professores 2012. TRABALHANDO A LEITURA DE TEXTO IMAGÉTICO COM OS ALUNOS DO ENSINO BÁSICO Como tem sido estudado ao decorrer do Curso de Formação e focado no presentemódulo, bem como nós professores retomamos frequentemente aos alunos, a leitura nãoé meramente uma decodificação de significados, a é muito antes, nosso veículocomunicativo, através das várias articulações da linguagem transmitimos e recebemosnossas mensagens, constituindo-nos seres sociais, interagindo com o meio e o mundo emque vivemos. Observada a proposta acima, considerando a realidade de nossos alunosadolescentes, podemos inferir a compreensão do texto pela via seguinte: de maneirageral, os adolescentes são efetivamente preocupados com a sua imagem em sentido
  2. 2. estético, perante a sociedade, isso porque na adolescência visa-se prioritariamente aconstrução de si e da própria identidade; como o outro me vê?! O que pensam a meurespeito?! Há uma preocupação desesperada em apresentar-se e estar sempre bela(o)para o mundo. Temos como referida proposta um texto imagético, formado pela fusão do verbal enão verbal que nos permite abordar através desse nosso contexto social, no aspectocultural o paradoxo da imagem proposto e a linguagem argumentativa e persuasivapropostas. Trabalharia o texto com os alunos através de uma conversa, nãonecessariamente um debate, mas uma exposição livre de ideias e através do manifestodessas, apontaria aos alunos aspectos disciplinares como argumentação, o poder depersuasão, o paradoxo das imagens, etc... Primeiro Passo: LEITURA Inicialmente, abre-se o espaço para a leitura dos alunos, diante do texto imagético,o que vêm? Qual a mensagem o texto busca passar? A imagem possui relação com afrase citada? No processo de apropriação do conhecimento, absorção da informação pela leitura,o professor entenderá como resposta a seu objetivo da aula, o comportamento e aexpressão do aluno, isto é, conforme o aluno manifesta seus comentários através da sualeitura, será possível saber se ele está conseguindo compreender e dar sentido aquilo quelhe está sendo proposto, o aluno jamais se sentirá parte de qualquer que seja o processode aprendizagem enquanto o professor não o enxergar e o conduzir ao caminho. Essacondução pode ser feita sem que precisemos pegar o ‘aluno pelas mãos’, isto é, seremosdireção e não um único caminho, por exemplo: - Quando manifestas respostas quanto a sua leitura no texto, podemos questioná-los a respeito de onde foram encontradas as informações? Elas estão postas,pressupostas ou subentendidas no texto? Há informações implícitas? O texto estabelecerelações de causa e conseqüência? O texto dialoga com o leitor?! Como? Nas discussões que se desenvolvem em torno da leitura de um texto, busca-seconstantemente, identificar quem é o responsável pela construção de sentidos e, essa
  3. 3. busca se desloca ora para o texto, ora para o autor, ora para o próprio leitor, ora para ainteração dos fatores. Há várias interpretações possíveis para um único texto, que sepluralizam em uma ou várias dimensões, embora nem todas sejam válidas, o professortrabalhará exatamente nesse eixo, das interpretações possíveis, mostrando ao alunoquando esta não for possível, o porquê. Isto é embora a decodificação seja válida, nãoestabelece sentido no contexto. No caso do texto proposto; leitura como interpretação da prática social, tanto oleitor como os autores do texto são concebidos como sujeitos historicamente construídosdentro de um contexto cultural, pertencendo a um conjunto social, isto é, quando oMinistério da Saúde ‘escreve’ o texto, deixa suas marcas, o seu pressuposto objetivo e, oaluno, no ato de ler também interpreta o que leu de acordo com a sua história, com o seucontexto de vida. O layout da imagem é uma comparação às imagens do Ministério da Saúdecolocada atrás dos maços de cigarro, que em dualidade mostra uma figura feminina,jovem aparentemente bonita, pele saudável, sorridente, dentes brancos (que indica aFelicidade), no entanto ao lado oposto, mostra a mesma figura sem a mesma vivacidadeda pele, lábios secos e rachados, com os dentes bem amarelados e putrefactos ( que éjustamente um dos efeitos que o fumo pode causar no indivíduo) que nos remeteimediatamente a ideia de Infelicidade. Ora vejamos, se para o jovem é importante estarbonito, saudável, fica claro através da imagem exposta que fazendo o uso do cigarro podecolocar em risco essa necessidade. A imagem tenta mostrar que o uso do cigarro pode tornar o indivíduo, no casoapresentado a mulher jovem, bonita e feliz, desinteressante aos interesses da sociedade,por ter a aparência derrubada, no caso com o sorriso amarelado, e também pelo mauhálito causado pelo cigarro. Acredito que essa abordagem contextualizada com os alunos permitirão osresultados inicialmente propostos, isto é, quando perguntado aos alunos as seguintesquestões como: I) No texto imagético apresentado aonde encontramos o paradoxo? ; II)Qual o argumento utilizado para a persuasão? III) Sentiram-se persuadidos a não fumar?!Se Sim, porquê?! Obteremos respostas congruentes ao ensino literal da disciplina, dadasatravés do próprio conceito cultural e social desses alunos. Isto é, podemos pressupor(ora talvez dizer concluir) que ocorreriam respostas como: Embora o cigarro sejacomumente comercializado e consumido nos diversos meios sociais e, frequentementeprocurado pelos jovens inicialmente por curiosidade, pode se tornar um vicio prejudicialnão somente à sua saúde, como a sua beleza, vaidade e que pode se tornar um menos
  4. 4. atraente, esteticamente desinteressante com o passar tempo . “O que eles vendem não éo que você leva” Aponta-nos que a Felicidade, a possível socialização que o cigarro traztem também um outro lado; os danos à saúde, a doença e a destruição da imagem. O queevidentemente, atacaria o lado bom que a imagem traz, posto que danos a saúde,doenças respiratórias, deturpação dos dentes e da pele trariam problemas também deautoestima, sendo assim a felicidade e a socialização propostas por um lado da imagemseriam apenas passageiras. Claro, que não se espera que os alunos cheguem de fato a todas essas conclusõesde maneira efetiva, mas é certo que permearam por elas, nesse caso é importante opapel do professor na condução desse discurso para que os objetivos sejam alcançados. Contextualizar os textos a realidade do aluno é fazer com que ele participe, comque seja sujeito ativo e não meramente passivo de seu conhecimento, que sintanecessidade de compreendê-lo para assim fazer as escolhas e renuncias necessáriaspara seu crescimento cognitivo, cultural e social, isto é, na sua própria formação como serhumano.

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