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Dezembro, 2013
Volume 6, Número 2

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A figura 1 representa os difere...
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6. Bibliografia Consultada
Garganta, J.; Cunha e Silva, P. (2000). O jogo de futebol: entre o caos e a regra.
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O modelo de jogo

  1. 1. REDAF- Dezembro, 2013 Volume 6, Número 2 REVISTA DE DESPORTO E ATIVIDADE FÍSICA O Modelo de Jogo Eixo Nuclear do processo de treino em Futebol Valter Pinheiro*, Bruno Baptista* *Instituto Superior de Ciências Educativas/Metodologia TOCOF Introdução Nos primórdios da periodização do treino de futebol, a dimensão física assumia grande relevo, relativamente às restantes vertentes do jogo. Os inícios de época baseavam-se no desenvolvimento das capacidades condicionais, porque se acreditar que estas eram a base para o restante desenvolvimento dos atletas. Por isso, era usuais os treinos na praia e em pinhais, locais descontextualizados da realidade do Jogo. Vivia-se à base do conhecimento científico produzido pelos autores dos desportos individuais, pelo facto de não existir investigação que servisse de suporte aos jogos desportivos coletivos. É por isso que acreditamos não ser lícito criticar negativamente o que se fazia outrora, porque a informação disponível era parca. Todavia, uma nova forma de pensar o treino foi surgindo, dando cada vez maior destaque à dimensão tática do jogo, sem esquecer as demais dimensões, porque todas elas são vitais para o jogo. Rapidamente se compreendeu que a dimensão física é apenas mais um contributo na melhoria do rendimento dos atletas, mas que todavia, deveria levar em conta a lógica organizacional do jogo. O Modelo de jogo, ou seja, os princípios que organizam a equipa durante a partida, passou a assumir-se como o eixo central e nuclear na organização de todo o processo de treino. Com este artigo, procuraremos abordar o que é, em nosso entender, o Modelo de Jogo, quais os seus constituintes e como se constrói. 1.Qual é a nossa concepção de Modelo de Jogo? A este respeito, Carlos Carvalhal, conceituado treinador português, refere que Modelo de jogo é um conceito muitas vezes utilizado no futebol, mas a esmagadora maioria das pessoas que o utiliza não sabe verdadeiramente do que está a falar. Há ainda quem confunda Modelo de Jogo, com Sistema Tático ou até mesmo Esquemas táticos, revelando uma grande confusão conceptual. [http://redaf.revistaelectronica.googlepages.com] | redaf.revistaelectronica@gmail.com |
  2. 2. 2 Quando falamos em Modelo de jogo referimo-nos a um conjunto de princípios (comportamentos) que resultam na organização de uma equipa dentro do contexto do jogo, ou seja, um conjunto de pautas que ajudem os atletas a saberem o que devem fazer em cada um dos quatro momentos do jogo de futebol (organização Ofensiva, Transição Defensiva, Organização Defensiva e Transição Ofensiva). Significa que com este conjunto de princípios, cada atleta estará preparado para saber com exatidão o que deve fazer e como fazer a cada momento, expressando uma Unidade Coletiva de pensamentos. A expressão máxima do Modelo de Jogo atinge-se quando num dado momento do jogo, todos os atletas “pensem” da mesma forma, agindo em conformidade com aquilo que pensaram. Atentemos no seguinte exemplo de uma equipa que joga em contra ataque: - após a recuperação de bola pelo jogador da posição 6, os atletas mais adiantados, procurarão dar linhas de passe em profundidade, permitindo ao jogador 6 realizar um passe em rutura; Pensemos noutro exemplo de uma equipa que utilize a zona pressionante para defender: -ao entrar em transição defensiva, o atleta mais próximo do portador da bola deve realizar contenção ao seu portador, e os seus companheiros mais próximos deverão pressionar o espaço circundante, para que o comportamento de pressão seja uma expressão coletiva e não um ato individual. Estes dois exemplos ilustram bem que quando existe um Modelo de Jogo definido, quando existe uma forma de jogar que é pensada coletivamente, as equipas revelam um potencial que é capaz de as estimular para melhores resultados desportivos. Tomando como exemplo o funcionamento do corpo humano, podemos entender o Modelo de Jogo como sendo o cérebro e os atletas como os músculos, ou seja, para que os movimentos sejam fluidos e coordenados é necessário que haja uma boa indicação do Sistema Nervoso Central e uma correta entreajuda entre os diferentes grupos musculares, em que para se efetuar um movimento é necessário que alguns se contraiam e outros se alonguem. Pensemos na seguinte analogia: - Para que haja uma flexão do antebraço é necessário que num dado momento o sistema nervoso central dê indicação ao bíceps para se contrair e ao tríceps para se alongar. Se este trabalho for coordenado, o movimento resultará fluido. - No caso de uma equipa que jogue em ataque posicional, para que este movimento surta efeito é necessário que num dado momento, o atleta que tem a posse da bola, tenha um colega a dar cobertura ofensiva (linha de passe segura) e outros colegas [http://redaf.revistaelectronica.googlepages.com] | redaf.revistaelectronica@gmail.com
  3. 3. 3 em mobilidade. Quando mais coordenados estiveram os atletas, mais fluida sairá esta movimentação. Deste modo, o Modelo de Jogo deve expressar a forma como as equipas querem atacar e defender, o que pretendem fazer em cada um destes momentos. Quando atacamos: -procuramos chegar à baliza adversária com paciência através de muita posse de bola? -ou após a recuperação de bola, procuramos chegar rapidamente à baliza adversária, através de um passe em ruptura? E quando defendemos? -procuramos recuperar rapidamente a bola, pressionando o portador da bola e os espaços circundantes? -ou após perder a posse da bola, pressionamos o portador, apenas para que a equipa se possa organizar num bloco baixo? É esta organização coletiva que potencia a qualidade da equipa, bem como, de todos os atletas, de modo individual. 1.1.O Modelo de Jogo e a Criatividade individual Tudo o que se escreveu anteriormente pode levar o leitor a pensar que o Modelo de Jogo é uma “Lei castradora” da criatividade de cada atleta. No entanto, acreditamos que o Modelo de jogo, ou seja, o jogar organizado de uma equipa, “abre” mais espaço para o desenvolvimento da criatividade dos atletas. É sabido que o ato criativo comporta uma série de riscos. Por exemplo, uma tentativa de drible por parte de um atleta, pode acarretar uma perda de bola. No entanto, se a equipa jogar de modo organizado, e se existir uma cobertura ofensiva ao atleta que tentou o drible, a possibilidade de se recuperar rapidamente a bola é maior. Logo, quanto melhor for o modelo de jogo (entenda-se, organização da equipa), maior a possibilidade dos atletas criativos poderem expressar a sua individualidade, sem que a mesma prejudique o coletivo. A criação do Modelo de Jogo deve respeitar a criatividade individual de cada atleta. [http://redaf.revistaelectronica.googlepages.com] | redaf.revistaelectronica@gmail.com
  4. 4. 4 2.Constituintes do Modelo de Jogo Figura 1 - (Elaborado por Pinheiro e Baptista, 2013) A figura 1 representa os diferentes constituintes do Modelo de Jogo. Já referimos anteriormente que o mesmo se deverá assumir como um conjunto de princípios que deverão orientar os atletas nos diferentes momentos do jogo de futebol, expressando esta forma uma lógica de pensamento unitário. Deste modo, o Sistema Tático assume também um papel importante na definição do Modelo de Jogo. É importante não confundir estes dois conceitos que aparecem muitas vezes como sinónimos. O Sistema Tático é a estrutura organizacional da equipa no campo, construção estática, normalmente identificável no início do jogo. O Sistema Tático faz parte do Modelo de Jogo, no entanto não deve ser castrador do mesmo. Figura 2 – Sistema Tático 1:4:3:3 Outro dos aspectos que faz parte integrante do Modelo de Jogo é a definição dos esquemas tácticos. Estes, são situações de bola parada, como por exemplo, os livres, os pontapés de canto, os lançamentos de linha lateral ou as grandes penalidades. Cada vez mais este tipo de situação assume particular relevância ao nível do Alto Rendimento, não devendo, por isso, ser descurado. [http://redaf.revistaelectronica.googlepages.com] | redaf.revistaelectronica@gmail.com
  5. 5. 5 Quando falamos em Esquemas Táticos, não nos referimos apenas aos ofensivos, ou seja, à maneira como vamos marcar os pontapés de canto ou os livres a nosso favor. É também importante o treino dos Esquemas Táticos defensivos, ou seja, como abordar uma situação de pontapé de canto contra a nossa equipa. 3.1.Como construir um Modelo de Jogo? A construção de um Modelo de Jogo é uma tarefa complexa que exige conhecimentos teóricos e práticos. Por isso, na hora de abordar a sua elaboração, os treinadores deverão ter em atenção os seguintes aspectos: a sua Ideia de Jogo, os jogadores disponíveis, a cultura do clube e a opinião da equipa técnica. Figura 3 – Construção de um Modelo de Jogo (por Pinheiro e Baptista, 2013) 3.1.A Ideia de Jogo do Treinador Cada treinador representa uma Ideia de Jogo, um pensamento concreto sobre a forma de organizar a equipa em campo. Esta Ideia de Jogo do treinador resulta das múltiplas experiências que vai acumulando, ora como ex jogador, ora como treinador. A experiência como jogador não se assume como condição sine qua nom para se poder “abraçar” a carreira de treinador. Contudo, é bem verdade que as experiências acumuladas enquanto praticante, influenciam o treinador, quer seja de modo positivo ou negativo. É por isso que ao construir uma Ideia de Jogo, o treinador arrastará consigo todos os conhecimentos provenientes da sua prática desportiva, quer seja para incorporá-los, ou até mesmo para rejeitá-los. A experiência acumulada enquanto treinador assume também grande importância, pois a forma como se encara o jogo no início da carreira, não será certamente a [http://redaf.revistaelectronica.googlepages.com] | redaf.revistaelectronica@gmail.com
  6. 6. 6 mesma, depois do avolumar de anos de prática. Por isso, toda a experiência prática, torna o treinador mais capacitado para a elaboração de um Modelo de Jogo. No entanto, nem só de experiência vive o treinador, mas também de todo o conhecimento científico publicado em livros e revistas da especialidade. Por isso, o treinador deverá procurar estar constantemente actualizado, fazendo sucessivos up grade. A participação em colóquios e debates deverá assumir-se como uma prática corrente na vida do treinador. Figura 4 – Ideia de Jogo do treinador (por Pinheiro e Baptista, 2013) 3.2.Jogadores Disponíveis O treinador de futebol é como um chefe de cozinha, devendo procurar construir a melhor receita (equipa), com os ingredientes que lhe são disponibilizados (jogadores). Em alguns casos o treinador pode escolher alguns dos jogadores que pretende para dar corpo ao seu Modelo de Jogo, no entanto a maioria deles são lhe impostos, por já se encontrarem na estrutura do clube. Assim, se lhe for dada a possibilidade de contratar jogadores, o treinador poderá escolher aqueles que reúnem as características tácticas, técnicas, físicas e psicológicas que melhor se enquadrem com as suas ideias de jogo. Caso contrário, cabe ao treinador analisar as qualidades e defeitos de todos os seus atletas e relacionando esse potencial com a sua ideia de jogo, criar um Modelo. No fundo, compatibilizar as suas ideias com os atletas que tem à sua disposição. Não compreendemos que se possa construir um Modelo de Jogo à priori sem levar em linha de conta o “material humano” que se tem. As ideias do treinador devem “casar-se” com os atletas que tem à sua disposição, sob pena de o Modelo de Jogo se assumir como uma “arquitectura teórica” incapaz de ser reproduzida em campo. [http://redaf.revistaelectronica.googlepages.com] | redaf.revistaelectronica@gmail.com
  7. 7. 7 Figura 5 – Plantel Possível Logo, o treinador deverá partir do campo das possibilidades na hora de elaborar o seu Modelo de Jogo, partindo dos atletas que de facto tem à sua disposição. 3.3.Cultura do Clube Concordemos ou não, a grande verdade é que ao integrarmos a estrutura de um clube de futebol, transportamos a nossa ideia e filosofia de jogo, mas, no entanto, o clube tem um historial que importa ter em consideração. Em alguns clubes, existe mesmo um historial de sucesso associado a uma determinada forma de jogar, que desta forma assumiu uma relevância inimaginável na massa associativa. Por isso, é certamente uma tarefa hercúlea entrar dentro de uma estrutura e procurar impor um estilo de jogar diferente daquele que em anos anteriores conduziu ao sucesso. No entanto, não nos pareceu um erro metodológico procurar impor uma forma de jogar completamente diferente da preconizada anteriormente, desde que tenhamos em consideração tudo o que poderá comportar essa decisão. Se procurarmos implementar uma Filosofia de Jogo diferente e se não tivermos sucesso no imediato, o risco de sofrer a pressão da massa associativa é muito maior. No entanto, acreditamos que o treinador deverá ter a capacidade de correr riscos, até porque a vida é um contrato de riscos. Normalmente, os treinadores de sucesso são aqueles que têm a capacidade de assumir riscos, impondo um processo de liderança com um impacto tão forte que levam os liderados a aceitarem facilmente o que lhes é proposto. Apesar disso, continuamos a acreditar que ao chegar a um clube, o treinador deverá ser capaz de entender o historial do clube, as potencialidades da sua massa adepta e analisar os pressupostos que levaram o clube a ter sucesso em determinadas épocas desportivas. [http://redaf.revistaelectronica.googlepages.com] | redaf.revistaelectronica@gmail.com
  8. 8. 8 4.4 Quem deve participar na elaboração do Modelo de Jogo Partindo do princípio que as equipas técnicas são constituídas de forma pluridisciplinar, onde intervêm técnicos com diferentes valências e competências, acreditamos que o Modelo de Jogo deverá ter a participação de todos. É bem verdade que o processo de construção do Modelo de Jogo deverá sustentar-se na figura do Treinador Principal, pois é este o rosto da equipa técnica. Todavia, parece-nos despropositado que na hora de decidir a forma de jogar, não sejam ouvidos todos os elementos da equipa técnica. Repare-se na situação do treinador de guarda-redes: se uma equipa desejar jogar em contra ataque, a função do Guarda Redes é de suma importância, quando é este que faz a transição ofensiva. Por isso, acreditamos que faz todo o sentido o treinador de guarda-redes ter uma voz activa na definição da Ideia de Jogo. Contudo, voltamos a referir que deverá ser o treinador principal a tomar a decisão final, sem no entanto deixar de dar voz aos seus adjuntos. 5.Conclusões: Não gostaríamos de terminar este artigo sem tecer alguns comentários em jeito de conclusões: -O Modelo de jogo deverá potenciar os aspectos positivos de cada um dos elementos que compõem a equipa. Assim, se temos um lateral direito que é rápido a subir com a bola, deveremos potenciar esse tipo de situações. Se temos um atleta fantástico na cobrança de livres à entrada da área, devemos exponenciar o aparecimento de situações dessas. - Todavia, o nosso modelo de jogo também deverá ser capaz de “esconder” as debilidades de alguns dos elementos da equipa. Deste modo, se temos um guarda redes com dificuldades em jogar fora da baliza, não devemos permitir cruzamentos para a nossa área. Se temos um defesa central com dificuldades na progressão com bola, deveremos evitar iniciar o ataque na sua zona. O modelo de jogo não deverá ser uma construção teórica imposta à partida, mas antes, um conjunto de comportamentos que são aprendidos e apreendidos de forma ativa e consciente por parte dos atletas. [http://redaf.revistaelectronica.googlepages.com] | redaf.revistaelectronica@gmail.com
  9. 9. 9 6. Bibliografia Consultada Garganta, J.; Cunha e Silva, P. (2000). O jogo de futebol: entre o caos e a regra. Revista Horizonte: Revista de Educação Física e Desporto,16, (91),5-8. Greco, P.J. (2007). Tomada de decisão nos jogos esportivos coletivos: o conhecimento táticotécnico como eixo de um modelo pendular. Revista Portuguesa Ciências do Desporto, 7,16-16. Greco, P.J. & Souza, C.R.P. (1999). Iniciação esportiva universal e o treinamento da percepção. Em: Silami, G.E.; Lemos, M.L.K. e Greco Gréhaine, J.F.; Godbout, P. e Bouthier, D. (2001). The Teaching and Learning of Decision Making in Team Sports. Quest, 53 (1), 59-76. Tavares, F.( 2002). Análise da estrutura e dinâmica nos jogos desportivos. In: Barbanti, V. J.; Bento, J. O.; Amândio, A. C. (Org.) Esporte e atividade física: interacção entre o rendimento e saúde. São Paulo: Manole, [http://redaf.revistaelectronica.googlepages.com] | redaf.revistaelectronica@gmail.com

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