Folhetim do Estudante - Ano IV - Núm. 43

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Folhetim do Estudante - Ano IV - Núm. 43

  1. 1. 1 do estudanteNúm. 43 - ANO IV 1ª quinzena - Outubro/2015 Folhetim do estudante é uma publicação de cunho cultural e educacional com artigos e textos de Professores, alunos, membros de comunidades das Escolas Públicas do Estado de SP e pensadores humanistas. Acesse o BLOG do folhetim http://folhetimdoestudante.blogspot.com.br Sugestões e textos para: vogvirtual@gmail.com EDITORIAL LUTO 'Nosso amado Coveiro-Escritor! Que a Luz do Eterno te cubra de Bênçãos!' Ontem, depois de quase um ano e meio, o post sobre o livro do Tico ressurgiu na página inicial. Como, e por que, eu não tenho ideia. Acho que foi por causa de alguma curtida perdida no espaço cibernético. -'Mas quem pode ter reencontrado este post depois de tanto tempo de esquecimento?' Com isto, entre os comentários, vieram alguns pedidos de encomenda e outros elogios para o mestre. Fiquei muito feliz e pensei: -"Amanhã vou mandar um e-mail para ele. Certamente ficará feliz em saber!" Sim, estou falando de nosso inesquecível e inigualável amigo e irmão Tico, o exímio Escritor Coveiro, ex- mendigo e paciente de diversos hospícios. Nada de 'pessoa em situação de rua', 'comunidade', ou 'clínica de reabilitação' - dizia ele - Temos de ser realistas e tratar as coisas como elas são e mendigo é mendigo e favela é favela, assim como hospício é hospício! -Maquiar a realidade é uma forma de não tratá-la! - insistia o amigo anarquista. Como eu o conheci? Foi mais ou menos assim: No final de uma reunião com alguns amigos, professores, da rede pública, dois deles, meus irmãos Rubão, Marcelo Abruzzini Benedito e Cláudio Oliveira me deram um livro. Era fino e sua capa era pouco convidativa. O contexto que o envolvia, porém, era deveras curioso: -O livro é de autoria de um amigo nosso, chamado Tico - disseram eles. -Um homem simplesmente genial, que devido a alguns problemas pessoais acabou parando na rua. Para tirar ele desta situação, nós e outros amigos nos juntamos para publicar algumas de suas crônicas, que formam o conjunto do livro. Com a renda, alugamos um apartamento para ele morar e com o apartamento veio o comprovante de residência, que o ajudou a conseguir um emprego de coveiro. Impressionante, pensei enquanto guardava o livro. Dias depois, após o término da leitura, ainda sob o efeito da mesma, com o corpo tremendo, os olhos brilhando e a mente a mil, decidi que deveria conhecer o autor! Que profundidade psicológica! Que vocabulário! Que honestidade emocional! E que... Coragem de terminar todas as histórias em tragédias! (Retratavam o destino dos usuários do crack) Dias depois, no Sarau do Binho, veio a surpresa: Minha esposa e eu fomos apresentados pelo mestre Abruzzini ao Tico, um homem calmo, muito simpático, cultíssimo e... e então, pela primeira, e única vez, na minha vida, uma sensação estranha tomou conta de mim. Tive vontade de beijar seus pés! Folhetim
  2. 2. 2 do estudante ano IV outubro/2015 Quanta experiência de vida! Quanta gentileza! Quanta cultura! Quanta humildade e quanta naturalidade, em meio a tanta grandeza! (Ele já havia lido mais de 4000 romances) Uma das coisas que mais me marcaram naquele dia foi a total dissonância entre meu sentimento de honra em conhece- lo e sua reação de surpresa perante a minha reação. Depois daquele dia vieram vários encontros, alguns deles em nossa casa, em jantares de Shabat e Pessach, outros no cemitério da Consolação, onde o Querido Tico trabalhou por alguns meses. Também estivemos em sua 'extremamente simples' casa, localizada numa quebrada na região do Taboão da Serra, onde batemos um papo fenomenal. No meio disso tudo a Jacque teve uma ideia: -Por que não fazemos uma peça de teatro sobre a vida do Tico? Depois disso dei meu livro, que ainda vou lançar, para o tico dar uma olhadinha e... surpresa: Ele me devolveu o livro todo corrigido e cheio de elogios. Fiquei muito lisonjeado, afinal de contas quem teceu os elogios foi meu autor predileto! Hoje, depois da súbita reaparição do post falando das 'Núpcias do escorpião', eu acordei com a missão de enviar os pedidos dos livros para o Tico, mas infelizmente recebi a mensagem de sua trágica partida. Um caminhão o atropelou. Fiquei muito chocado e chorando liguei para minha esposa, que faria o papel de Tico nos palcos. Juntos passamos o restante do dia muito perplexos, lembrando de nosso irmãozão. A Peça estreará dentro de alguns dias, o preâmbulo que o Tico faria para o meu livro partiu junto com suas brilhantes mente e alma e seu terceiro livro, creio eu, será lançado em breve, mostrando que por mais que a vida nos limite, nós podemos sempre superar! Muito obrigado nosso amado irmão Tico! Você é uma das pessoas mais impressionantes que nós já pensamos em conhecer! Seu exemplo nos inspira e com certeza estamos acompanhados de uma legião de fãs e amigos. Que na outra dimensão sua alma encontre conforto, amor e muita sabedoria, pois é exatamente isto o que você plantou aqui. Ao filho e amigo Gabriel, meus mais profundos sentimentos. Aos amigos Rubens Santos e Marcelo Abruzzini Benedito, minha gratidão por terem me apresentado este ser iluminado! E a pessoa que 'upou' o post, ontem a noite, e aos que comentaram: Neste dia de dor vocês são o pequeno, porem sempre presente facho de luz, lembrando que há algo mais além de toda está incompreensão. Aos amigos, peço orações por nosso irmão querido! Termino com uma de suas frases geniais: "Se for possível tirar alguma conclusão sobre a morte, é que o fato de termos consciência do nosso fim é uma razão das mais fortes para apreciar a Vida." (Tico) Gilberto Venturas e Jacqueline Passy Venturas COVA RASA Tico foi promissor em sua carreira, estudando na USP, e publicando seus livros de sucesso. Mesmo com grandes oportunidades de se tornar mais um burguês, Tico foi sempre humilde, trabalhando como porteiro, coveiro entre outros empregos , e foi trabalhando em empregos humildes que ele tirava inspiração para escrever seus livros. A partir da vida de Tico podemos tirar uma lição de vida : o dinheiro não é nada, perto da inteligência e criatividade. Ele é um exemplo de pessoa humilde que não abandona suas raízes, é uma pessoa em que os outros botam o dinheiro em primeiro lugar, deveriam se inspirar e seguir o mesmo caminho, porque com pessoas como Tico o mundo seria menos violento, ganancioso, mesquinho e egoísta. Algumas pessoas se julgam muito inteligentes devido a suas riquezas e posses ou grandes cargos em empresas multinacionais, quando um coveiro consegue ser ainda mais sábio do que eles. Para essas pessoas, desejo que elas acordem e vejam o mundo como um todo, que saibam que os pobres existem e se importam com eles porque nesse mundo, somos a maioria, e aos poucos estamos acordando para lutar por justiça, e quando acordarmos nenhum país ou grande potência do mundo poderá nos impedir. Gabriel Ramos – 8ª D E. E. Com. Miguel Maluhy Publicado em Setembro de 2013 folhetim
  3. 3. 3 do estudante ano IV outubro/2015 DEBATE A Beleza Africana Os povos Africanos defendem muito suas tradições, eles não buscam outros estilos ou até mesmo outras maneiras de vida, pois eles vivem conforme sua cultura e isso é o grande diferencial deles. Pode-se perceber esses argumentos nos detalhes de suas vestimentas, e isso é mais visível nas mulheres, pois elas tem uma beleza tradicional que representa a sua origem, a sua cultura, elas sim dão valor a esses elementos que demonstram o respeito às tradições e se tornam o diferencial em relação a muitos povos que deixam de lado seus costumes e tradições para copiar outros modelos de cultura, desvalorizando a sua própria e perdendo suas raízes. Talita Novais – 3ºC E. E. Com. Miguel Maluhy Tico, autor e coveiro Postado por Cianid Kolesnikov | Marcadores: Literatura, Pessoas Matéria extraída do site Homo Literatus. Fiquei curioso ao tomar conhecimento de um escritor que tem também a profissão de coveiro. Mais interessante ainda foi ele declarar que o ambiente do seu trabalho o inspira. Seu nome é Francisco Pinto de Campos Neto, o Tico, também conhecido como “Bukowski do Campo Limpo”. Bukowski dizia que não há nada a lamentar sobre a morte e sim sobre a vida que não se viveu ou sobre o tipo de vida que se viveu. Parece que ele estava certo, perdemos tempo demais buscando uma maneira de não desaparecer. Quando a mãe de Francisco morreu em 2010 ele foi parar na rua e nas drogas; então viu um anúncio para ser Sepultador no Cemitério da Consolação. Conseguiu 10 reais para a inscrição, se preparou e passou. Lançou seu primeiro livro em 2006, uma coletânea de contos chamada Elas, etc., bancada por um amigo, que ninguém leu. Enquanto aguardava o resultado do concurso, através de um outro amigo conseguiu que uma agência de fomento à cultura publicasse 500 cópias do seu segundo livro, As Núpcias do Escorpião. Agora está indo para o terceiro livro. Francisco diz que não escreve no seu local de trabalho, mas enquanto caminha pelo lugar, tem ideias. Lembrei que, em um cemitério, o que me chama a atenção não são os epitáfios, mas os nomes e as datas de nascimento e morte gravados nas placas. Nossa vida se encontra nesse breve lapso de tempo, nesse intervalo onde se forja a história desconhecida de cada um, daquilo que nos torna únicos. E me causa pesar aqueles interlúdios tão curtos entre o início e o fim, onde a vida abruptamente se interrompeu. Francisco diz que tem muita coisa guardada desde os 14 anos; em 1980 chegou a passar em Letras na USP, mas não chegou a terminar o curso. Gosta de dizer que escreve, para citar Dostoievski, sobre os humilhados e os ofendidos, os miseráveis de modo geral, mas não fala só de grana: os miseráveis de criatividade, de afetividade, de tudo. Eis a miséria que não discrimina. Ele fala muito também sobre loucura, pois esteve 20 vezes internado por causa de drogas e diz ter ficado tanto em clínicas de classe média quanto em lugares horríveis onde tratam o interno como um animal, e quer mostrar o que viveu. Há mesmo “normalidades” assustadoras. Francisco considera a profissão de coveiro como qualquer outra, e tem razão. Mas na cultura ocidental tudo que diz respeito à morte é cercado de um certo tabu. Nossa cultura aceita menos a morte do que a cultura oriental, onde a morte é encarada com mais naturalidade, como parte do mesmo ciclo da Vida. Lá até as crianças participam das cerimônias fúnebres, aqui aprendemos desde criança que a morte traz imenso sofrimento e até evitam contá-la para nós. Não falar sobre o que nos causa temor ou que não sabemos como lidar é uma maneira de fazer de conta que não acontece. Em nossa sociedade contemporânea, onde a beleza, a juventude e a felicidade permanentes nunca foram tão cultuados, tudo que diz respeito ao fim como velhice, decrepitude e morte devem ser evitados. O fim deve ser cada vez mais asséptico, distante, impessoal. Por isso não me causou surpresa quando descobri a existência de velório virtual. Já podemos nos despedir de amigos e parentes sem a nossa presença, independente da distância. Como acontece com toda encenação social, os eventos que cercam a morte não deixam de ter seu caráter tragicômico. Hoje, Francisco diz viver em um quartinho numa pensão, um lugar pequeno mas dele, e é lá que escreve. Se for possível tirar alguma conclusão sobre a morte, é que o fato de termos consciência do nosso fim é uma razão das mais fortes para apreciar a Vida. “A cólica recrudesceu. Sentiu saudades da mãe. Pensou que não resistiria. Um casal passou por ele sobraçando sacolas de presente. Recordou-se da bola de capotão que havia ganhado num longíncuo Natal – presente do padrasto, pai de cinco dos seus irmãozinhos. Quantos gols, quantos dribles, no campinho da vila!” Trecho extraído do conto “Jardim das Rosas – Estação da Luz (ou Largo Coração de Jesus)” do livro As Núpcias do Escorpião folhetim
  4. 4. 4 do estudante ano IV outubro/2015 EDUCAÇÃO SARAU DO BINHO na E. E. Instituto Maria Imaculada “Eu achei o Sarau do Binho muito legal, foi uma oportunidade e tanto participar de um Sarau. È legal porque aprendemos a não ter preconceito com o próximo e com nós mesmos, também mostraram para nós um pouco da realidade e aquilo que realmente somos. Aprendi mais sobre a cultura negra e indígena também, coisas muitos bonitas, diferente e que correm em nossas veias. Essa atividade poderia se repetir mais vezes porque eles poderiam nos ensinar mais coisas de uma maneira muito divertida.” Eduarda de Oliveira – 7ºA E. E. Instituto Maria Imaculada “Eu achei tudo ótimo, muito interessante. Uma atividade que deve se repetir muitas e muitas vezes para incentivar os alunos a lerem e a criarem seus textos e poesias. O trabalho do grupo do Sarau do Binho é muito legal e inspirador para todos, alunos e professores. Fora isso os atores são muito legais, nos ensinaram muito com as músicas que apresentaram, alguns alunos leram poemas de autores conhecidos e outros recitaram seus próprios poemas, eles nos ensinaram um pouco sobre a história dos negros, da cultura negra e que onde moramos e estudamos era terra indígena onde existiam diversos povoados. Uma música que eles ensinaram me marcou e um trecho diz assim: “...a professora ensinou, mas o burro não sabe ler...” O trecho da música destacado acima não está falando de burro (o animal) está falando do povo pobre, da periferia, da comunidade, o ovo negro, os que são do interior, que quando chegam no centro de grandes cidades são menosprezados, são tratados como burros só porque são desses lugares e tem essa origem, mas não deve ser assim, somos todos de carne e osso e não importa a cor da pele, religião u onde vivemos, o que importa é o que somos por dentro.” João Alves de Andrade – 7ºA E. E. Instituto Maria Imaculada folhetim

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