Filosofia da tecnologia, limites, e evolução tecnológica

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Resumo das aulas do doutorado. Abordando temas diversos relacionados a Tecnologia, em especial as da comunicação (TIC)

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Filosofia da tecnologia, limites, e evolução tecnológica

  1. 1. UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO FACULDADE DE COMUNICAÇÃO Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social ULYSSES DO NASCIMENTO VARELA Reflexões sobre as aulas “ciência e filosofia da tecnologia II” “Tecnologia determinismo tecnológico”, “Revoluções científicas”, “limites da ciência” e “Telégrafo, telefonia e mobilidade” da disciplina Evolução Tecnológica na Comunicação Contemporânea do Professor Dr. Walter Teixeira Lima Jr. São Bernardo do Campo, 2013 1
  2. 2. Reflexões sobre as aulas “Ciência e filosofia da tecnologia II” “Tecnologia determinismo tecnológico”, “Revoluções científicas”, “limites da ciência” e “Telégrafo, telefonia e mobilidade” da disciplina Evolução Tecnológica na Comunicação Contemporânea do Professor Dr. Walter Teixeira Lima Jr. Por Ulysses do Nascimento Varela Não há dúvidas de que a tecnologia está impregnada em nossas vidas 24 horas por dia, desde o momento em que somos gerados até o ultimo dia de nossas vidas. Mas o que de fato sabemos sobre este bem tão fascinante que nos acompanha desde os primórdios? Será que falar ou entender a tecnologia é algo tão simples assim de modo que um só conceito seria o suficiente para nos deixar a par deste universo? É disso que Keekok Lee trata no texto "Homo faber: a Unidade da História e Filosofia da Tecnologia". Lee (2005) defende que, a primeira vista, parece não haver nenhuma unidade entre história e filosofia da tecnologia, “apenas pausas divisíveis e lacunas intransponíveis”. Ele afirma que é possível dar uma explicação significativa para um ou para outro, mas não dentro de um mesmo quadro amplo. Isso porque os termos separados sem interligação ou relação, fazem parte de quadros separados. Para esclarecer esta dicotomia Lee baseia-se em alguns filósofos que negam a existência da própria filosofia da tecnologia, por um lado, do primitivo tech-logia, que vem de passado longínquo, como arcos e flechas, e do outro o “up-to-the-minute tecnologia state-of-the-art” baseado na ciência contemporânea como a nanotecnologia ou a biotecnologia. Como estudar duas áreas afins, mas ao mesmo tempo tão distintas, se ambas abordam conceitos, conteúdos épocas tão particulares? É exatamente por isso que Lee afirma que é preciso ter em mente que a própria história da filosofia ocidental passou por muitas mudanças revolucionárias desde a filosofia grega antiga, e que exatamente por isso pode ser um exagero argumentar que a tecnologia em si, primitiva e contemporânea, poderiam ser estudadas dentro de um mesmo quadro filosófico. Isso deixa claro que, quem estuda a tecnologia dever ter bem definido a qual campo se refere ao abordar o tema e a partir daí buscar conceitos e formas de abordagens, pois a tecnologia pode ser vista sob aspectos distintos, a antiga e a contemporânea, podendo ser estudada em um quadro filosófico comum ou não. Apesar dessas afirmações não definitivas, Lee tenta dar conta de uma forma coerente da história e filosofia da tecnologia a ser gerada a partir de invocações de certas ideias filosóficas conhecidas e indiscutíveis na História de 2.500 anos da própria filosofia ocidental. Estas ideias baseiam-se na noção de “Homo faber” para fornecer uma estrutura básica unificadora de forma que um relato coerente da tecnologia e sua filosofia pode ser construído. A existência do Homo faber busca manipular e controlar a natureza para fins de garantir a própria existência humana na qual a questão é saber se a tecnologia é um dos artefatos dessa própria existência humana. No conceito de “Homo faber” a consciência e mediada por meio da linguagem e a tecnologia tem outros objetivos além daqueles que nós conhecemos. Sobre isso Aristóteles cita quatro causas que envolvem a intencionalidade humana na construção de artefatos. Utilizando o exemplo de um escultor de mármore. O mármore é causa material. A imagem da pessoa face é a causa formal. O ver o objeto na escultura é a causa eficiente e o prazer em fazer, criar é a causa final. Este exemplo nos mostra que nós precisamos entender a teologia das coisas como causa 2
  3. 3. final. O homo sapiens cria o artefato a partir da sua sobrevivência. Mas na pesquisa é preciso olhar a questão de tecnológica de uma forma mais profunda e menos superficial para entender de fato o que se passa. Para Olsen (2009) o homem "tornar-se através da tecnologia", o autor centra-se no desafio de unir a história da filosofia com o presente e futuros desafios para a teoria da ciência. Ele examina aspectos de um conjunto representativo de pensadores dentro da física e filosofia relacionadas que não se responsabilizam por perspectivas científicas adicionais sobre a realidade física e tempo. O inquérito, assim, procede de uma crítica do determinismo para uma análise de temporalidade e entropia, ele conclui considerando que, sob pontos de vista locais, pode ser entendido globalmente, através de artefatos simples como os termômetros e as máquinas biológicas e como os processos que regulam a taxa de pulso e os batimentos cardíacos. Com base nessas considerações, Olsen (2009) subscreve o fenômeno local com a alegação de que certos limites consagrados da percepção e da cognição constrangem os debates humanos sobre a natureza do tempo. De tudo isso entendemos que o impacto da tecnologia na estrutura homo sapiens é o de estudar sempre o individual, pois há uma cultura sociológica de um para muitos. Isso demonstra que o homo sapiens tem medo de arriscar, ele só se arrisca por necessidade e ação da natureza. No mundo moderno compara-se este ato a inércia nas redações de jornais, por exemplo, – sem inovações, na mesmice dos meios ou na lentidão da migração do broadcasting para o digital. Para se compreender a tecnologia é preciso ter o entendimento dos marcos, ou seja, entender porque e como os marcos históricos relacionados a ela existiram. Evolução e mudanças com correlações e potencialidades tecnológicas. Na área de comunicação é comum distinguir as eras do jornalismo 1.0, 2.0, 3.0 – a partir de marcos, mas individualmente existem dados particulares (antropomorfismo) que mostram o todo como um único conjunto. Como acontece com a internet que possui uma estrutura tecnológica de 50 anos, mas que para estudá-la é preciso enxergar a história sem se integrar a ela. “A internet é livre”, mas na verdade não o é. Para entender isso basta acompanhar a evolução da internet desde o seu surgimento até os dias atuais, se isso for feito, chega-se a conclusão de que tudo é controlado uma vez que ela foi criada com fins militares. “Homo faber e homo sapiens são dois lados da mesma moeda. O córtex do último informa o disco do primeiro, quais os produtos finais são artefatos. O principal objetivo do homo faber é a sobrevivência e reprodução, utilizando e encontrando a tecnologia.” Keekok Lee (2005). A ciência não é construída por um repositório parecendo um manual é preciso entender o estado da evolução dos processos para se compreender a história. É preciso entender o objeto além dos fatos históricos que os compões. Ex. internet é uma evolução tecnológica enquanto o telegrafo é uma revolução científica. “O conteúdo da ciência é exemplificado de maneira ímpar pelas observações, leis e teorias descritas em suas páginas. Com quase igual regularidade, os mesmos livros têm sido interpretados como se afirmassem que os métodos científicos são simplesmente aqueles ilustrados pelas técnicas de manipulação empregadas na coleta de dados de manuais, juntamente com as operações lógicas utilizadas ao relacionar esses dados às generalizações teóricas desses manuais”. Thomas Kuhn (p.20, 2001) 3
  4. 4. Para Kunh as revoluções científicas são os episódios extraordinários nos quais ocorre essa alteração de compromissos profissionais. O desenvolvimento torna-se processo gradativo por meio do qual os itens foram adicionados isoladamente ou por combinação reunidos nos textos atuais. Por isso o conhecimento científico sempre cresce e se expande. A ciência formal – suprime novidades fundamentais porque estas subvertem necessariamente seus compromissos de modo que o novo é negado como válido por ameaçar o conforto do conhecimento atual (exemplo do jornalismo digital), mas um dia isso se rompe. O estudo da filosofia da ciência e importante, pois registra progressos sucessivos no qual o pesquisador precede de duas funções principais de um lado deve determinar quando e por que cada foto, teoria ou lei científica contemporânea foi descoberta e inventada. De outro lado, deve descrever explicar os amontoados de erros, mitos e supertição que inibiram a acumulação mais rápida dos elementos constituintes do moderno texto científico. A pesquisa eficaz raramente começa antes que uma comunidade científica pense ter adquirido respostas seguras para perguntas como: quais são as entidades fundamentais que compõem o universo? Como interagem essas entidades umas com as outras e com os sentidos? Que questões podem ser legitimamente feitas a respeito de tais entidades e que técnicas podem ser empregadas na busca de soluções? As descrições da epistemologia evolucionista darwiniana parecem captar melhor a mudança de teoria em biologia do que a descrição de Kuhn para revoluções científicas. Áreas ativas da biologia vivem a proposição constante de novas conjecturas (variação darwiniana), e algumas têm mais sucesso que outras. Pode-se dizer que essas são "selecionadas”, até sua substituição por outras ainda melhores. Logo há, com efeito, revoluções maiores e menores na história da biologia. Apesar disso, mesmo as revoluções principais não representam necessariamente mudanças de paradigma súbitas e drásticas. Um paradigma anterior e outro subsequente podem coexistir por longos períodos. Eles não são necessariamente incomensuráveis. Ramos ativos da biologia não parecem experimentar períodos de "ciência normal". Sempre há uma série de revoluções menores entre as revoluções principais. Períodos sem tais revoluções são encontradas somente em ramos inativos da biologia, mas pareceria inapropriado chamar esses períodos inativos de "ciência normal". É provável que um paradigma predominante seja mais fortemente afetado por um novo conceito do que por uma nova descoberta. Para compreendermos a tecnologia temos que conhecer suas fases descritas como: Fase 1, da Prototecnologia, que utiliza um objeto da natureza para algum fim particular (tentar a tecnologia para algo, inato do ser humano e ocorre por meio de leis A+B= AB). Fase 2, a questão da ciência dominando/dirigindo a tecnologia de modo que a meta da ciência fica à luz da tecnologia e exige a predição, explanação e o controle do fenômenos. Por isso hoje todo processo científico é um processo controlado. E precisa ser assim para, num experimento futuro, se chegar a um mesmo resultado. Por isso existe uma Lei de uniformidade na ciência de modo que Lei é entendida como regras estabelecidas baseadas em teorias onde ocorre a comprovação das regras e as hipóteses, dúvidas e um primeiro passo para o conhecimento científico. Com base nisso percebemos que é no controle que a tecnologia se encontra com a ciência. “Um sistema que não pode ser levado à verificação/testagem não pode ser considerado ciência”. Na prática a tecnologia é uma ponte, pois ela bate a volta. Cabe ao pesquisador sair do senso comum e do círculo vicioso em busca de novas e verdadeiras descobertas. O certo é que nos dias de hoje as tecnologias são utilizadas para dominação e apesar de elas bem desenvolvidas elas ainda não resolvem todos os problemas da sociedade o que forças a 4
  5. 5. constantes pesquisas e desenvolvimento de novas tecnologias. Muitas vezes o que ocorre são desdobramentos tecnológicos de forma que de um resultado surgem novas perspectivas de pesquisas como resultados anteriormente não pensados. Mas quando nos propomos a abordar o tema num estudo é preciso entender a tecnologia, de onde ela vem e como se dá o seu processo de desenvolvimento. Mesmo diante de um tema já bastante discutido, como é o caso da ciência é preciso entender que para algumas áreas a ciência não tem limite, mas para outros ela tem. Existem os limites da ciência motivo pelo qual os tecnólogos buscam sempre a superação de limites. Um bom exemplo disso são as incessantes buscas da construção da inteligência artificial que pode aproximar ainda mais as máquinas dos humanos. Enquanto pesquisadores das humanidades o nosso dever não é apenas encontrar os limites do nosso trabalho/objeto, mas sim superar o seu limite. A tecnologia tem mudado o nosso material de sobrevivência e a ideia da ciência, seus quantitativos métodos, sua percepção lógica e analítica do mundo, agora permeia a sociedade e suas intensificações com a intensidade. A invenção pode exceder a utilidade imaginada pelo cientista que passa a aplicar funcionalidade que lhe convier a invenção. Existe uma relação entre ciência e fervor religioso que até hoje permeia a atividade dos cientistas que recorrem a Deus quando se volta ao estudo da natureza em temas como o direito ao aborto, a eutanásia a eugenia etc. São os cientistas e filósofos que definem tudo o que esta por atrás do método científico como significado e tais expressões se apresentam o processo de desvalorização de conceitos (valores) em uma sociedade ocidental secular e materialista. Há menos de cem anos durante o Circulo de Viena foi instalado o pressuposto científico no qual se determinou os preceitos modernos da ciência com os conhecemos hoje – com modo estruturado. A partir do pressuposto foi criado o significado de uma afirmação científica e o procedimento para verificar a sua verdade. E a possíbilidade e se rebater um argumento científico com outro argumento científico. Até hoje a ciência é claramente limitada no seu escopo por seus próprios métodos. Uma óbvia limitação é a sua necessidade de perturbar a ordem para medir (quando envolve, por exemplo, pessoas, o simples ato de medir altera o comportamento de quem está sendo analisado - Um questionário de pesquisas – termômetro medindo a temperatura do corpo). Este é o limite da ciência. A deia é manter o distúrbio e a interferência. Este é o limite da ciência. Os Cientistas não devem trabalhar com a verdade absoluta, mas com a verdade possível. Há ideias sobre coisas que estão fora de qualquer possível experiência como a moderna cosmologia, intangível, mas mensurável. A ciência é mais do que uma atividade de publicar papéis de acordo com alguma convenção ou paradigma cuja afirmação descreve que o mundo real e sem sentido. É preciso conhecer as características da ciência que a distingue da pseudociência. São elas: a repetição: O mesmo fenômeno é visto novamente, preferencialmente por uma investigação independente e a mesma interpretação é feita. A economia: Cientistas tentam resumir a informação para uma forma mais simples e agradável. A mensuração: Se alguma coisa pode ser devidamente mensurada, usando-se escalas inversamente aceitas, as generalizações sobre ela são produzidas sem ambiguidade. A Heurística: A melhor ciência estimula novas descobertas frequentemente em novas edições. A consilience (coincidência): A explanação de um diferente fenômeno que, muito provavelmente, podem ser conectados e provados consistentemente uns com os outros. As limitações da ciência são impostas por dois aspectos da prática científica: as análises (reducionismo) e a inevitável necessidade de usar um pedaço do mundo (físico) para medir ou 5
  6. 6. investigar outro pedaço do mundo. Por isso é possível afirmar que nada na ciência é 100%. Tudo é questionável (temos um limite) O homem transforma a natureza e a natureza transforma o homem. Um bom exemplo de tecnologia que transformou o homem é o telegrafo. O homem criou um sistema para ter sempre as últimas notícias e assim garantir a sua sobrevivência, o telégrafo e comunicações. O maior desafio da humanidade no campo da comunicação é encurtar distâncias e o tempo da transmissão da informação entre os homens no planeta. O que começa de forma rústica e mecânica evoluiu graças a tecnologia e tornou-se avançada e eletrônica. Os fatos, os feitos e os acontecimentos que circundam o surgimento do telégrafo se assemelham ao surgimento da internet em tempos distintos, mas com os mesmos impactos sociais. Mas vale ressaltar que ambos guardam entre si uma forte diferença no que concerne a sua criação e existência o telegrafo pode ser considerado uma revolução tecnologia enquanto a internet, apesar do seu impacto e de toda a sua importância nos dias atuais pode ser considerada uma inovação ou evolução tecnológica, pois assim como vários outros inventos ela se apropria dos feitos de uma ou várias tecnologias anteriores. 6
  7. 7. Referências Bibliográficas COSTELA, Antonio F, Comunicação – Do grito ao Satélite. “O telégrafo” (págs. 103 a 105). Editora Mantiqueira, 1993. DAGNINO, Renato. Neutralidade da ciência e determinismo tecnológico, (págs. 1 - 21). Campinas, SP: Editora Unicamp, 2008. KUHN, S. Thomas. A estrutura das revoluções científicas - Capítulo: Introdução: Um papel para a história, (págs. 19 a 28). São Paulo: Perspectiva, 2001. _______________. O Caminho desde a Estrutura. (págs. 9 a 45). São Paulo: Editora Unesp, 2000. LEE, Keekok. "Tecnologia: História e Filosofia," Ensaios de Filosofia : vol. 6: Iss. 1 º do artigo 17. 2005. Disponível em < http://commons.pacificu.edu/eip/vol6/iss1/17/>, acessado em 10/09/2013. MAYR, Ernst. As revoluções científicas de Thomas Kuhn acontecem mesmo? In: Biologia, Ciência Única. (págs. 174 a 184). São Paulo: Companhia das Letras, 2005. MORAIS, Regis de. Filosofia da Ciência da Tecnologia, Capítulo I – “A Ciência”. (págs. 21 a 52). SP: Papirus, 1998. NOSENGO, Nicola. A rede antes das redes. In A extinção dos Tecnossauros, (págs. 69 a 89). São Paulo: Editora Unicamp, 2008. PINTO, Álvaro Vieira. O conceito de tecnologia. Capítulo IV. (págs.119 a 270). São Paulo: Editora Contraponto, 2005. RIDLEY, B. K. On Science. London and New York Capítulo: The Limits of science. (págs. 16 a 39): Rutledge, 2001. OLSEN; Jan Kyrre Berg. Becoming through Technology: In: New waves in philosophy of Technology. England: Palgrave Macmillan, 2009.STANDAGE, Tom. The Mother of All Networks. IN: The Victorian Internet (págs. 1 a 21). EUA: Walker, 1998. STRAUBHAAR, Joseph; LaROSE, Robert. Indústria de telefonia. In:Comunicação, mídia e tecnologia. (págs. 152 a 156). São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2004. 7

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