Moleka =

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Uma história de Pai e Filha

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Moleka =

  1. 1. Moleka Moleka –“Moleka...Moleka!” Meu nome era grito em tons claros pela a voz de meu pai. Muitas vezes ele me chamava de Moleka, uma palavra que não se consta nodicionário mais sim no coração do meu pai. Que o seu significado era por apenas sermenina fisicamente. Porem bagunço de mais e acabo me encrencando. Vou dar umabreve explicação deste meu apelido que para mim é meu nome. Moleka: meninabrincalhona, alegre, bagunceira... Tem tantas coisas que sou que eu mesmo me percoem minhas definições. Sempre gostei de ouvir estas palavras de meu pai, este meu nome suposto porele. Mas hoje não era o dia que eu queria ouvir estas palavras, não por causa deminha bagunça e agora a devida bronca, mas por motivos que iriam mudar meumundinho onde eu vivia.Minha mãe já não estava mais em casa e eu ainda não sabia o motivo, até agora. –“Moleka! Eu e sua mãe não somos mais casados! E por isto eu estou teexpulsando daqui. Não quero uma menina interesseira pelo o meu dinheiro, nãoquero ter que cuidar de você, e para mim nunca a chamarei de minha filha. Levecom você somente as lembranças, por que é somente isto que irá restar. Pela primeira vez, vi o que meu herói realmente era. No meu olhar tudo mudou. Osignificado de quando eu chamava-o de Pai havia sumido. Senti um nó em minhagarganta, e não conseguia entender por que uma pessoa que brincava comigo dejogar jabuticabas um no outro, brincava de mil coisas comigo, era meu melhoramigo. Por que ele simplesmente resolveu morrer no meu futuro? Será que nãoaguenta mais minhas birras atrás de seu carinho? Será que seria de eu tanto insistirpara ouvir: filha eu tenho orgulho de você, eu te amo. Por que se fossesimplesmente por isto, podia desistir de tudo somente para viver com ele. E depois disto ele pegou em suas mãos um fósforo e colocou fogo em todasminhas coisas: em nossas fotos, em minhas roupas, meus brinquedos... E depoissimplesmente me puxou pelo o braço e me lançou na rua. Quando ali na rua, olhava para dentro do portão da casa do homem que eu jánão conhecia mais. O vi abraçando meu irmão e dizendo todas as palavras que euá muito tempo gostaria de ouvir e ambos estão tão amigos que me davam inveja demeu próprio irmão. Será que foi pelo o fato de eu ser mulher? Ou simplesmente deeu não ter valor nenhum pra ele? Não sei até onde vai á diferença de homem emulher. A desigualdade é tanta a ponto de um pai jogar a sua própria filha na rua.Fisicamente eu estava chorando e minha alma se quebrando, porem não poderiamais ficar ali depois de descobrir que o meu herói havia acabo de morrer parasempre, e que agora eu lutaria para apagar todas as lembranças que se tornaramsem valor para mim. O tempo passou e eu cresci, morava agora com minha mãe e vivia até uma vidaestável. Tudo havia mudado a partir daquele dia, uma nova menina nascia em mim,a ponto de nem eu mesma me reconhecer. Depois de minha escola, na quinta feira, resolvi passar por um supermercado.Tudo estava normal como um dia comum. Até eu olhar para um simples senhor eele retribuiu o meu olhar e bem ao seu lado uns de meus irmãos. Eles estavam como carrinho lotado de compras, de coisas que eu nunca comi quando viva lá com ele,de coisas que eu sempre quis. Uma lágrima queria cair pelo os meus olhos, se eufosse aquela Moleka que antes vivia em mim, eu até libertava este sentimento, masUma Pequena Escritora Página 1
  2. 2. Molekanão era mais. Observei a cena de meu pai e seu suposto melhor filho, e fiquei alicom apenas uma bolacha na mão. –“Oh pai! A interesseira esta ali, a filha da vagabunda esta ali.” Para os meusouvidos foi uma bomba, não espera ouvir isto de meu irmão que eu tambémconsiderava amigo. –“Ah! Não vejo ninguém meu filho querido, esqueceu que para mim nem areconheço mais! Não tenho nenhuma filha com este nome que você antes mefalava!” Já não me assustava com a palavra daquele homem. Enquanto ali em minha frente estava meu pai com o seu querido filho edesprezando-me e logo ao meu lado tinha um retrato perfeito de pai e filha. Umhomem de boa estatura apreciava e amava sua filha. Não a invejei, pois desejosorte para ela ter sempre o seu herói ali do seu lado e que nunca precisasse apagaro que era para se transformar em uma pessoa cheia de mascaras, não digo falsa,mas completamente diferente. Depois de um tempo foram pagar a conta e entrei namesma fila que eles, só que em sua frente. –“Boa tarde! Cartão?” –“Pois não... boa tarde!” Falei o numero do cartão e logo foi passando minhabolacha ao caixa. –“Dois reais, moça!” E quando reparei a bolacha havia subido e eu apenasestava com R$1,50. Sei que a diferença era mínima, mas no mundo em quevivemos, eles não aceitam desculpas. –“Bom moça eu não tenho R$2,00 reais. Desculpe! Pode cancelar, eu fico semmeu lanche de hoje... obrigada!” E a moça do caixa fechou e cancelou a compra. Quando falei que não tinha dinheiro suficiente, percebi o olhar do homem que eunão conheço mais, e de outro supostamente melhor filho. O moço estava rindo deminha cara, e se deliciando em me ver ali sem se querer poder comprar umabolacha para o lanche. A vida para mim e minha mãe não estava nada fácil. Elauma grande guerreira trabalhava de catar reciclagem para poder me dar uma vidaestável e não decairmos a pontos de mendigar. Deixei que eles rissem e não me importei em ficar ali no caixa para ver a enormecompra passar, e ver o resultado da conta. Olhei fixamente para os dois homensque passavam com gosto a enorme compra. Quando acabou tudo o preço foi alto esobraram 0,50 centavos de sua conta, o exato para minha bolacha. Eles caminhavam para o seu chique carro e observando cada passo deles. –“Bom pai, você não quer dar esmola para aquela menina?” Meu “pai” olhou paramim e jogou em minha direção o 0,50 centavos. –“Oh meu caro homem! Deixou cair isto! Não preciso de seu dinheiro. Por favor,guarda-o com você. Vejo que tem uma enorme boca para alimentar. Não digo bocade comer, mas sim de uma alma faminta de mundo.” O meu “pai” olhou para mim eUma Pequena Escritora Página 2
  3. 3. Molekanão acreditou em minha coragem de ir ali a sua frente e de direcionar estaspalavras para ele. –“Moleka! Por favor, o aceite e compre sua bolacha!” –“Não posso aceitar um dinheiro de uma pessoa que não conheço. E estaMoleka que o senhor fala eu fui ao enterro dela a uns bons anos atrás.” –“Pai deixe esta garota ai!” Meu suposto irmão me olhava com cara de nojo enem sequer tinha a coragem de dizer com mais dignidade. –“Você pensa que pode tudo moço? Você pensa que pela sua aparência deHomem pode te dar o direito a muitas coisas? Pensa que eu sou uma qualquer,para um homem jogar fora como este senhor fez? Pensastes que eu não tenho acoragem de ir atrás de meus sonhos e futuramente te chamar de meu empregado?Uma informação para você! Pode ter tomado o meu lugar ao lado deste senhor.Vejopelo olhar dele que você não pode tomar as minhas lembranças, e não pode tirar opeso deste senhor de não poder chamar a esta garota, que esta a sua frente agorade sua filha.” Tinha tantas coisas para falar para aquele moço que eu não mesegurei e fiz aparentemente uma discussão com ele. –“Uma pergunta. O que é ser Homem para você?” –“Ah sua pirralha! Que não sabe o que fala. Ser Homem é muito mais do quevocê pode imaginar. Serei sempre maior que você, e nunca virarei seu empregado.” –“Sabe de uma coisa, que sua burrice não deixa ver. Que o mundo não é medidopelo que você é aparentemente, e sim pelo o que você tem. Aqui te vejo como apenasum homem que não tem sonhos. Posso ser mulher e tenho a certeza de meus sonhosirei realizá-los com minha força de vontade e fé, que você nunca teve. Por que vejo quetransformou seu próprio pai em um banco de dinheiro para tudo que você quer.” Osuposto irmão me encarou nos olhos e me deu um tapa forte em meu rosto. Não setratava de uma briga de irmão, mas sim de uma luta de gêneros. O meu suposto pai, observou que apesar do forte tapa, não me rebaixei pararevidar. Fiquei ali quieta deixando que ele fala-se e pensa-se o que quisesse. Nãoiria me rebaixar a um homem, que é apenas diferente pelo o fato de termos físicosdiferentes. Não vale a pena deixar minha dignidade e ir mais longe da pessoa queeu era nos tempos de Moleka. Meu suposto pai não fez nada em relação a isto.Nem ao menos, me socorreu do outro tapa. Ás pessoa que passavam ao meu redora grande maioria eram homens, e alguns estavam dispostos a me proteger. Emuitos outros apenas passaram por nós e deu o seu voto ao Homem que mesultava. Acredito que de muitos outros homens não ligar para a cena de ser umamulher a frente de um covarde, apenas me criticaram pelas minhas vestias e pelo ofato de minha aparência física. Não sou modelo, e nem aquela suposta gostosa afrente de homem. Sou apenas uma mulher simples com o passado sucumbido coma troca de gêneros. Tornando-me com uma pessoa morta pela as lembranças e vivapelo o fato de ter que respirar até o dia de minha vida e então morrer. Toda a cenaali não me surpreendeu muito, como o olhar de uma senhora que catava reciclagemali perto, e ao seu lado estava o seu marido com vestias caras e a fazendo-a deapenas um banco de dinheiro, ou melhor, sua escrava.Uma Pequena Escritora Página 3
  4. 4. Moleka È fácil apagar o passado e se transformar em uma nova pessoa, o querealmente não é fácil e olhar para o mundo de homem e mulheres. Onde osvencedores de vitorias são escolhidos pelos os gêneros e não pelas ás guerras queenfrentaram para conquistá-lo. –“Moleka! Eu... peço desculpas!” Meu suposto pai depois de toda a cena teve acoragem de me olhar e me pedir desculpas. –“Se eu falasse que eu o perdoo, estaria mentindo. Pois o passado não éresolvido tão simples assim. Não se pode apagar o que se foi feito e não possoreescrever em cima de algo. Pois as marcas continuaram! Não se preocupe! Nãotenho magoas e nem rancor de ti. Apenas tenho apresso pelo o que você já foi eviveu comigo. È o que o senhor mesmo disse: apenas levei as lembranças e nadamais.” –“O que aconteceu com a minha Moleka? Com o menino que eu queria ganharda gravidez de sua mãe, e que apessar de ter físicos femininos era para mim umgrande garoto em meu olhar. Cadê a minha Moleka?” –“O senhor com suas duvidas e eu com a minhas. Cadê o meu herói queexistia?”Uma Pequena Escritora Página 4

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