Habilidades de comunicação de más notícias

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Apresentação dialogada para o 7º semestre do Curso de Medicina da UFC, Campus Sobral (Disciplina de Cuidados em Final de Vida).

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Habilidades de comunicação de más notícias

  1. 1. Habilidades de Comunicação de Notícias Difíceis Luís Fernando de Tófoli
  2. 2. Objetivos de Aprendizado• Nomear os passos necessários para a comunicação de uma notícia difícil a um paciente e/ou seu familiar.• Utilizar técnicas de comunicação para a comunicação de notícias difíceis em Medicina.
  3. 3. Textos-eixo• Back et al. Approaching Difficult Communication Tasks in Oncology. CA Cancer J Clin 2005;55:164–177. http://caonline.amcancersoc.org/cgi/content/abstract/55/3/164• PEREIRA, M. A. G. Má notícia em saúde: um olhar sobre as representações dos profissionais de saúde e cidadãos. Texto Contexto Enfermagem, v.14, n.1, p. 33-37, 2005.• FAULKNER, A. ABC of palliative care. Communication with patients, families, and other professionals. BMJ, v.316, n.7125, Jan 10, p. 130-2, 1998.
  4. 4. Habilidades de Comunicação• Reconhecimento recente da necessidade de serem trabalhadas no ensino médico• Não são sinônimo de anamnese• Dificuldades de comunicação causam maior sofrimento nos médicos e nos pacientes• O médico médio tem dificuldade em identificar sinais emocionais de seus pacientes.
  5. 5. Comportamentos a serem evitados• Bloqueio Inibição consciente ou não de uma pergunta difícil de um paciente: P.: Quanto tempo de vida eu tenho? M.: Não se preocupe com isso... ou M.: Como está sua respiração?
  6. 6. Comportamentos a serem evitados• Palestra Grandes quantidades de informação médica oferecidas ao paciente sem que ele possa ter tempo para responder ou perguntar.
  7. 7. Comportamentos a serem evitados• Colusão Médico e paciente entram em uma situação de “eu não pergunto, você não me conta”. Ambos assumem, erroneamente, que se o assunto for importante, o outro vai levantá-lo.
  8. 8. Comportamentos a serem evitados• Asseguramento Precoce Médico tenta dar segurança ao paciente sem tatear e entender corretamente a sua verdadeira preocupação. Comum nas situações em que o médico acredita que “não tem tempo” para investigar ou não se sente seguro para isso.
  9. 9. Comportamentos a serem desenvolvidos• Pergunte – Conte – Pergunte – Pergunte como o paciente se sente, o que é importante para ele, o que ele entende do problema, o que lhe informaram. – Conte o que você tem que comunicar de forma direta, em quantidades moderadas de informação – Pergunte o que foi entendido do que você disse, e o que ele vai fazer com esta informação
  10. 10. Comportamentos a serem desenvolvidos• “Diga-me mais” Situações em que a conversa sai do tema, podem indicar que o paciente precisa falar sobre diferentes níveis comunicação: – Pode-me dizer que outras informações você precisa? – Pode-me dizer como está se sentindo sobre isso? – Pode-me dizer o que isso significa para você?
  11. 11. Comportamentos a serem desenvolvidos• Resposta à Emoção Tatear Entender Respeitar Nomear Apoiar (em inglês, “NURSE”)
  12. 12. Comportamentos a serem desenvolvidos• Resposta à Emoção Tatear (Exploring): Exploração de pistas emocionais, verbais e não verbais, oferecidas pelo paciente durante a comunicação
  13. 13. Comportamentos a serem desenvolvidos• Resposta à Emoção Entender (Understanding): Evidenciar esforço para compreender como o paciente está se sentindo, mesmo que declare, inclusive, como é difícil esta compreensão.
  14. 14. Comportamentos a serem desenvolvidos• Resposta à Emoção Respeitar (Respecting): Reconhecimento e respeito pelas emoções do paciente, que podem ser sinalizados inclusive não verbalmente.
  15. 15. Comportamentos a serem desenvolvidos• Resposta à Emoção Nomear (Nomear): Nomear, parafrasear e resumir as respostas emocionais de pacientes é um recurso útil. Evitar declarações diretas do tipo “você está com raiva”, usando frases do tipo “imagino que possa estar triste”.
  16. 16. Comportamentos a serem desenvolvidos• Resposta à Emoção Apoiar (Supporting): É importante que os pacientes sintam que seus médico estão prontos a lhe prestar ajuda, dentro do possível. Evitar a postura exagerada de “pegar no colo”.
  17. 17. Más Notícias• Comuns na prática médica• Associadas a estresse em especialidades médicas (em especial oncologistas clínicos)• Mais difíceis de serem dadas para pacientes de longo relacionamento, jovens, ou para quem se manifestou inicialmente um forte otimismo.
  18. 18. Dando más notíciasArranjo InicialApreensão do pacienteInvestigação sobre informaçãoInformaçãoSegurançaSúmula e eStratégia(em inglês, “SPIKES”, espinhos)
  19. 19. Dando más notíciasArranjo InicialPreparar-se para o processo, organizarmentalmente, planejar como será dada ainformação, revisão de fatos técnicos,preparos menores (lenços de papel, porexemplo). Escolher previamente umhorário/local mais tranqüilo para dar anotícia.
  20. 20. Dando más notíciasApreensão do pacienteInvestigar como o paciente apreende asituação, e inclusive o quanto estáapreensivo. O que ele sabe, comocostuma responder, quais são suasexpectativas e seus objetivos?
  21. 21. Dando más notíciasInvestigação sobre informaçãoLevantar quanta informação paciente quersaber. Isso varia de pessoa para pessoa,desde a postura de “não me escondanada” passando por “não quero sabermuito, quero resolver” até “não querosaber nada, resolva com meu familiar”.
  22. 22. Dando más notíciasInformaçãoMomento em que, de fato, se informa ofato ruim, de preferência com um avisoantes. Revisar, se necessário, dados queo paciente demonstrou não conhecer nopasso anterior. Dar a informação aospoucos, checando a compreensão etempo para absorver o impacto. Faça umapausa.
  23. 23. Dando más notíciasSegurançaDemonstre empatia pelos sentimentos dodoente. Lembre-se a regra TERNA pararespostas emocionais. Resista a tentarafastar a situação emocional difícilrapidamente com frases paliativas(“dourar a pílula”). Demonstre que elepode contar com você mesmo nestasituação.
  24. 24. Dando más notíciasSumário e eStratégiaFaça um resumo das informaçõesclínicas. Após isso deixe claro que seiniciou a fase de estratégia dos próximospassos de tratamento, sempre checandoqual é a compreensão dele. Não “tiresoluções da cartola”
  25. 25. Perguntas difíceis• Quanto tempo eu vou viver?• Resposta possível: Não tenho como responder isso, pois pode variar muito de pessoa para pessoa. Por que você está fazendo esta pergunta? Talvez eu tenha como ajudar de outras formas...
  26. 26. Perguntas difíceis• Dizer que eu não tenho cura significa que você vai desistir de mim?• Resposta possível: Não, de maneira alguma. Por que pensa que eu possa fazer isso? De que tipo de ajuda você está precisando agora?
  27. 27. Perguntas difíceis• Você está me dizendo que eu vou morrer?• Resposta possível: Infelizmente, isso pode acontecer logo, embora seja difícil prever exatamente. Você já pensou sobre como vai usar o seu tempo agora, sabendo que ele é limitado?

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