Novamarcha2707*

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livro/álbum mix de imagens e depoimentos facebookianos que lutam contra a cultura do estupro e alguns desdobramentos políticos e pessoais.

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Novamarcha2707*

  1. 1. AMARCHA DAS FLORES CONTINUA Ana  Beatriz  Barroso,  Brasília,julho  de  2016 Marcha  das  flores,  Esplanada,  Brasília,  29   de  maio  de  2016.  Fotos:  Natália  Pires
  2. 2. CAPÍTULO 1 A MARCHA DAS FLORES CONTINUA livro/ álbum mix de imagens, depoimentos e textos facebookianos que lutam contra a cultura do estupro no Brasil e alguns desdobramentos ligados à homofobia e à política ,tudo está entrelaçado.Também mostro aqui o segundo tempo da reviravolta que foi o acidente vascular cerebral que sofri em julho de 2013 em fotomontagens fruto de arteterapia ,dando continuidade ao meu livro anterior, o Virada, livro de arte onde apresento minhas pinturas e outras coisas.
  3. 3. ASSUNTANDO ∏ 2 São feitos cerca de um milhão de abortos clandestinos por ano no Brasil. Cerca de um terço deles possivelmente resulta em óbito ou sequelas graves. As maiores vítimas são mulheres pobres e negras. A criminalização do aborto é um capítulo trágico da violência contra a mulher no Brasil. A cada 5 minutos uma mulher sofre agressão física no Brasil. Mundialmente, e principalmente no Brasil, mulheres têm salários cerca de 25 a 30% inferiores aos dos homens, tendo qualificação igual ou superior. Por que isso? Queremos saber. Vídeo legal: https://youtu.be/IBidtPYStdk. Campanha visa chamar a a atenção para a desigualdade de remuneração entre homens e mulheres no cumprimento das mesmas funções. A fim de demonstrar a injustiça, a conta do restaurante é 30% mais cara para eles do que para elas, que têm salários menores para exercer as mesmas funções que eles.
  4. 4. • Eu  não  sei  o  que  falar  dessa   cultura  do  estupro,  dessa   úlFma  noGcia  do  que   aconteceu  no  Rio.  Acho  que  é   porque  eu  não  quero  dizer   nada,  eu  quero  ficar  quieta. • A  gente  pensa  que  a  gente   sobreviveu  ao  abuso,  então  já   acabou. • A  gente  pensa  que  a  gente   denunciou,  então  fizemos  o   que  pudemos. • Mas  está  sempre  lá.  O  pós-­‐ trauma,  os  flashbacks,  as   dissociações.  É  um  dano   permanente,  eu  queria  que   não  fosse. • Não  tenho  uma  história  de   superação  pra  contar  e   acalmar  os  corações  aflitos. • São  3  queixas  de  abuso  sexual   infanFl  por  hora. • 1  mulher  estuprada  a   cada  11  minutos. 3 • E  eu  sou  só  uma  estaGsFca.    Quem  é  a  próxima? víFma  que  talvez  queira  ficar  anônima.  Resolvi  não  perturbá-­‐la  com  essa  história  e  deixar  assim,  ela  postou   esse  texto,  apareceu  na  minha  "meline.
  5. 5. • De onde vem a força? Me perguntaram 4 A  força  vem  da  dor.   Respondi. Mana  Gi  Lemos o mundo está ao contrário e ninguém reparou?
  6. 6. Foi emocionante. Éramos mais de mil e quinhentas pelo fim da cultura do estupro e de toda violência contra as mulheres, na Marcha das Flores, em Brasília. Batucada, refrões, cartazes, ciranda, mãos tingidas de vermelho, palavras de ordem. Nem mesmo as grades de proteção em frente ao STF, instalada há uns dois anos para afastar manifestantes, nem o gás de pimenta disparado pelos seguranças conseguiu nos barrar. No colo e nos pés da estátua da Justiça depositamos nossas flores e nossa indignação.Madalena Rodrigues. Esta declaração da Madalena é um protesto objetivo contra a violência contra a mulher e pelo livre direito de uso do próprio corpo, inteiramente desvinculado da questão do afastamento de Dilma Roussef." 5 sejamos rigorosas na observação do machismo, está infestado. Músicas, piadinhas, histórias e dá-lhe mulher sendo estuprada. já deu, tem que acabar, cortar geral. ô Rede Globo, tem que entender, que a cultura do estupro também passa por você.
  7. 7. 6
  8. 8. • #eusousobrevivente.  19  anos   atrás  fui  violentamente   estuprada,  quando  morei  em   Pernambuco  .  Eu  Fnha  16  anos,  a   mesma  idade  de  Beatriz.  Foi  um   pouco  depois  desta  foto  no  RJ.   Tive  sorte!  Muita  sorte!  De  não   morrer.   • Tive  sorte!  Muita  sorte!  Que   naquela  época  não  exisFa  redes   sociais  para  me  julgar.  Mas  teve   jornal  publicando  q  eu  havia   morrido,  só  com  minhas  iniciais... • Tive  sorte!  Muita  "sorte"!  De  ter   nascido  branca  (pq  isso  me   garante  um  Fpo  de  atendimento   menos  ruim  q  o  q  meninas   negras  recebem),  classe  média,   privilegiada,  que  pude  ter  acesso   a  todos  os  medicamentos   disponíveis  para  evitar  gravidez  e   curar  as  doenças  venéreas  que   contraí.   • Tive  sorte!  Muita  sorte!  De  ter   aprendido  a  desenhar  bem  e  ter   sido  capaz  de  fazer  um  retrato   com  perfeição  daquele  monstro,   de  memorizar  a  placa  da  moto,   facilitando  sua  busca  e   apreensão  em  menos  de  24h. 7 Mas  também  Fve  azar!  De  passar  por   5  delegacias,  fazer  um  exame  horrível   no  IML  e  ter  que  contar  o  crime  a   homens  policiais,  delegados,  que   desconfiaram  de  mim.  Por  que?   Porque  o  desgraçado  era  informante   da  polícia.  Sim,  dedurava  outros   traficantes...  e  eu  estava   "atrapalhando"  uma  operação   importante,  denunciando  o   crime.Também  Fve  o  azar,  de  ser   estuprada  mentalmente  por  mais  de   30  homens,  rapazes,  líderes   religiosos  da  religião  opressora  e   extremamente  machista  que  meus   pais  fazem  parte:  mórmon.  Que  em   vez  de  me  defenderem,  me   afundaram  numa  depressão  juvenil   com  seus  julgamentos. Tive  o  azar  de  ter  sido  atendida  por   psiquiatras  homens  que  estavam   mais  interessados  em  relatos  com   detalhes  dos  abusos  sexuais  que  sofri   na  adolescência  e  no  estupro,  do  que   me  ajudar  a  superar  o  trauma...   Homens  brancos,  profissionais  de   "bem". Eu  não  ía  a  bailes  funk,  eu  não  usava  mini-­‐ saia,  não  andava  com  traficantes,  trabalhava  e   estudava.  Cantava  no  coral  da  igreja  todos  os   domingos.  Não  foi  à  noite,  foi  à  luz  do  dia.  Eu   poderia  estar  vesFndo  uma  burka  e  sofreria  o   estupro  do  mesmo  jeito.   falar,  não  é  mesmo? Sabrina Campos, depoimento e fotos pegos no Facebook, apareceu na minha timeline.
  9. 9. 8 Quando começamos a falar de cultura do estupro, uma porta enorme se abre pra hábitos ligados à práticas de dominação de gênero. E é muito importante sairmos de uma fala de criminalização, prisão, morte, castração - uma fala de revolta, justa, mas restrita - pra olharmos pros nossos próprios hábitos, que revelam uma cultura inteira de opressão sistêmica. Os dados trazem duas palavras-chave: culpabilização da mulher e silêncio. E elas não são novas. Se olharmos com cuidado, essas duas palavras permeiam nossas ações e nosso entendimento do que é uma "mulher de respeito". E você se identifica com isso de alguma forma, tenho certeza. Quer ver só? 1. Mas precisava sair na rua com essa saia à noite? Mas ela tem um filho e era usuária de drogas. Essa frase infiltrou quase todos os artigos da grande mídia ao relatarem o estupro coletivo que aconteceu essa semana no Rio de Janeiro e chocou o mundo. E é um reflexo de uma cultura cruel, que culpa as mulheres por tudo. Assim como a frase da saia, aqui no título. GaFlhos  emocionais  aFvados,  revirados,  remoídos  e  vomitados.   Só  quem  passou  por  isso  sabe  o  que  é. Bora  sair  da  inércia?  O  que  você  vai  fazer  a  respeito? Desejo  à  Beatriz  que  possa  renascer  das  cinzas  como  eu  renasci   e  que  quem  puder  estar  próximo  da  família  neste  momento,   oferecendo  qq  Fpo  de  ajuda,  que  o  faça. Às  mulheres  que  sofrem  abusos:  DENUNCIE! Sabrina  Campos foto  reFrada  da  matéria  da  Comum,  aqui  reproduzida,   sem  autorização.Estava  na  rede,  já  divulgada.  
  10. 10. 9 Vivemos uma cultura que culpa, controla e silencia as mulheres. 2. Mulher tem que ser elegante, educada, falar quando deve Essa frase é bonita, mas é só um requinte de uma outra, mais verdadeira e escancarada: mulher tem que ocupar pouco espaço e ser silenciosa. Pensando na função histórica da mulher no patriarcado - de suporte do homem, apoio, respaldo - mulher boa é, definitivamente, mulher que se resguarda, que fala pouco. Fomos, por muito tempo, negadas à dignidade da expressão legítima, autêntica e natural. É verdade que dependendo da época e da cultura, o silenciamento aparece com diferentes caras e justificativas. Proteção, necessidade de relegar a mulher ao âmbito privado, caracterizar o feminino como algo sagrado a ser preservado ou então nos deixar na posição de grandes conselheiras, ouvidas só em momentos importantes. Não importa. O que importa é que os espaços de fala públicos sempre foram masculinos. Enquanto nossos lugares de expressão eram os domésticos, em meio a outras mulheres. Fechadas e delimitadas a alguns assuntos. Esse  trecho  épico  de  uma  entrevista  com  o  Edir   Macedo  e  sua  esposa  mostra  isso  de  forma  bruta.  A   entrevista  é  conduzida  pela  sua  própria  filha  e  fala   sobre  os  41  anos  de  casamento  do  bispo.  Após  dominar   a  fala  quase  os  40  minutos  do  encontro,  ele  diz  sobre   sua  mulher: -­‐  Pai,  diz  uma  coisa  que  você  aprecia  na  mamãe.   -­‐  Você  sabe  que  o  guerreiro  está  acostumado  a  matar,  a   lutar  lá  fora,  mas  quando  ele  chega  em  casa  ele  precisa   de  braços  meigos,  palavras  doces,  um  afago,  e  a  Ester  é   isso  aí.  E  também,  uma  das  virtudes  da  Ester  que  eu   mais  aprecio,  que  eu  acho  que  as  mulheres  deveriam   ter  é,  ela  fala  pouco. 3.  Será  que  é  verdade?  Ela  fala  demais. Nossa  fala  tem  menos  valor  social. Ela  é  sempre  passível  de  ser  trucada,  Fda  como   desnecessária,  duvidosa,  sem  credibilidade.  Não  à  toa   os  homens  frequentemente  interrompem  e   descreditam  discursos  femininos  com  termos  ligados  à   ideia  de  emoFvidade  exacerbada,  como  maluca,  louca   e  exagerada  (daí  as  expressões  manterrupFng  e   gaslighFng).  Um  trecho  do  arFgo  Por  que  homens   interrompem  mulheres,  do  Daily  Dot,  fala  sobre  o  
  11. 11. 10 veja o que diz o cartaz: Estupradores não são doentes,São filhos saudáveis do patriarcado 4.  Calma,  vou  te  explicar  o  que  ela  quis  dizer Explicar  o  que  a  amiga,  a  irmã,  a  mãe  ou  a  colega  de  trabalho  quis  dizer  entra  no  pacote  (o   termo  mansplaining).  É  bem  comum  vermos  falas  masculinas  de  alguma  forma   esclarecendo  ou  corrigindo  falas  femininas  anteriores.  E  é  normal  também  darmos  mais   valor  pro  que  sai  da  boca  de  uma  mulher  se  um  homem  raFfica  depois.  Isso  tem  um  nome:   desvalor,  descrédito.  É  forma  de  subjulgar  uma  mulher,  como  qualquer  outra. Termos  que  nos  provar  o  tempo  todo  e  lutar  pela  fala  não  é  só  sobre  diálogo  e  abertura,  é   sobre  dominação  e  políFca  de  gênero. Precisamos  ter  consciência  do  desvalor   social  naturalizado  da  fala  das   mulheres.  Depois,  precisamos  olhar   pro  que  fazemos  de  fato  pra  mudar  o   cenário  ao  nosso  redor. Se  não,  as  mulheres  vão  seguir  se   senFndo  culpadas  pelas  agressões   comeFdas  pelos  homens,  em  silêncio.   Mesmo  sendo  abusadas  pelo  próprio   avô,  forçadas  a  transar  anos  e  anos   com  o  próprio  marido  ou  dizendo  não   pra  aquele  paquera  na  festa  da   faculdade. Estamos  focando  nossos  úlFmos   conteúdos  em  cultura  do  estupro,   desde  o  estupro  coleFvo  da  úlFma   segunda-­‐feira,  que  aconteceu  no  Rio   de  Janeiro  e  chocou  o  Brasil.  Seguimos   falando  sobre  o  assunto  e  abrindo  as   portas  pra  relatos  de  mulheres  lá  no   fórum  fechado  pra  assinantes.  Se  você   se  senFr  chamada  e  quiser  parFcipar,   saiba  como  aqui  ou  escreve  pra  gente   no  oi@comum.vc. Anna  Haddad  é  co-­‐fundadora  da  
  12. 12. 11
  13. 13. Em 2011, foram notificados no Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação ) do Ministério da Saúde 12.087 casos de estupro no Brasil, o que equivale a cerca de 23% do total registrado na polícia 12 Todas  as  fotos  da  Marcha  das  flores  uFlizadas  aqui  são  de  Natália   Pires.  Entrei  em  contato  com  ela,  expliquei    a  proposta  do  livro,   ela  entendeu  no  ato  e  genFlmente    autorizou-­‐me  a  uFlizá-­‐las.   Apenas  me  pediu  que  colocasse  os  créditos.  Nada  mais  justo. é muita mulher sendo estuprada!Doze mil é muita gente. Reflitam.
  14. 14. 13 não ensine a mulher a não ser estuprada ensine o homem a não estuprar.Precisamos ter educação de gênero nas escolas para tratar desses assuntos, é preciso. Não se pode mais deixar por conta só das famílias porque o assunto se tornou muito complexo, é preciso método para abordá-lo. E todas as crianças da escola devem participar da aula de educação de gênero. Somos um Estado laico. LAICO, não religioso.
  15. 15. 14 Limitar o estupro a práticas falocêntricas é machismo. Acreditem, isto também é uma forma de violência. Luisa Günther, amiga, num post 26% das pessoas concordam que mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas. Saiba mais: Pesquisa Tolerância social à violência contra as mulheres (Ipea, março-abril/ 2014)
  16. 16. 15 Mulheres cercam o STF aos gritos de Fora Gilmar, protetor de estuprador a ilha de Brás ou mesmo o Brasil geral é dura, duro chão, para as mulheres
  17. 17. 16 Aqui  na  Ilha  de  Brás  é  assim:  se  você  for  mulher  e   for  estuprada  a  galera  fica  ali  tentando  descobrir   se  o  que  aconteceu  com  você  é  mesmo  verdade  e   pedem  provas  em  8  vias,  vídeo  e  foto  pra  provar   que  realmente  foi  violentada...  mas  se  você,  víFma   ou  alguém  que  tem  empaFa  pelas  víFmas,   manchar  de  guache  uma  parede  branca  para   mostrar  indignação,  pra  mostrar  que  os  limites  já   foram  há  muito  ultrapassados,  pra  mostrar  o   tamanho  da  dor  e  quantas  são  as  que  se  apoiam,   aí  sim,  a  sociedade  inteira  se  choca  e  se  revolta  nas   redes  sociais. A  vida  das  mulheres  não  tem  assim  tanto  valor,   pelo  que  parece...  mas  o  patrimônio,  aaaah,  o   patrimônio....  tão  venerado,  tão  sagrado  o  tal   DEUS  patrimônio...
  18. 18. 17 Dizem  aí  que  nada  jusFfica  a   depredação  do  patrimônio...   é  fácil  analisar  as  coisas  sem   contexto  algum  né?  Fácil  analisar  as   coisas  sem  perceber  a  subjeFvidade   delas...  superficial  olhar  a  parede  e   não  ler  o  que  está  por  trás  daquelas   mãos  vermelhas...  supeficial  olhar   somente  pela  defesa  do  patrimônio   material... E só o tempo que levei para construir esse texto foi suficiente para pelo menos 3 mulheres mais terem sido violentadas só aqui no DFão... Empatia... empatia... empatia... realmente é recurso escasso por aqui... ainda do Haru
  19. 19. 18 Estou  muito  triste...  obviamente  eu  queria  não  me  lembrar  do  dia  em  que  fui  EU  a  víFma  de   violência  sexual  múlFpla  -­‐  foram  3  caras  gigantes  contra  mim,  ainda  antes  de  começar  minha   transição...  eu  Fnha  18  anos  ainda.  Hoje  tenho  32,  beirando  os  33,  já  tenho  meu  nome   verdadeiro  e  verdadeiro  gênero  sendo  vivido...  E  não  tem  aguarrás,  não  tem  escova  de  aço   nem  Fnta  branca  que  apague  da  minha  memória  os  detalhes  daquela  noite.  Jamais  me   esquecerei.  Minha  vida  e  memória  estão  manchadas  para  sempre... Já  a  tal  parede  e  suas  manchinhas  de  nada  de  guache...  se  água  não  limpar,  Fnta  branca   resolve.  Simples  como  a  realidade  da  vida.Mas...  cada  ser  defende  aquilo  que  acha  coerente   defender.   texto  de  Miguel  Haru
  20. 20. 19 a normalidade é um mito
  21. 21. 20 De 1980 a 2010, foram assassinadas no país perto de 91 mil mulheres, 43,5 mil só na última década. O número de mortes nesses 30 anos passou de 1.353 para 4.297, o que representa um aumento de 217,6% – mais que triplicando – nos quantitativos de mulheres vítimas de assassinato. De 1996 a 2010 as taxas de assassinatos de mulheres permanecem estabilizadas em torno de 4,5 homicídios para cada 100 mil mulheres. Espírito Santo, com sua taxa de 9,4 homicídios em cada 100 mil mulheres, mais que duplica a média nacional e quase quadruplica a taxa do Piauí, estado que apresenta o Em 2011, foram notificados no Sinan (Sistema de Informação de Agravos de Notificação ) do Ministério da Saúde 12.087 casos de estupro no Brasil, o que equivale a cerca de 23% do total registrado na polícia m 2012, conforme dados do Anuário 2013 do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Veja também: Estupro no Brasil: uma radiografia segundo os dados da Saúde,
  22. 22. 21 O seu amor Ame-o e deixe-o livre para amar Livre para amar Livre para amar O seu amor Ame-o e deixe-o ir aonde quiser Ir aonde quiser Ir aonde quiser O seu amor Ame-o e deixe-o brincar Ame-o e deixe-o correr Ame-o e deixe-o cansar Ame-o e deixe-o dormir em paz O seu amor Ame-o e deixe-o ser o que ele é Ser o que ele é música do Gilberto Gil que me atravessou aqui a cabeça agora.
  23. 23. Para  mim,acontece  que  o   machismo  que  está  por  trás  da   cultura  do  estupro  é  um   senFmento  de  superioridade  do   homem  em  relação  à  mulher,  tem   muito  pouco  a  ver  com  ações,  ele   não  troca  a  fralda  do  bebê  ou  ele   lava  a  louça,  isso  é  muito  raso.O   machismo  é  um  senFmento  que  se   estravasa  em  ações,  mas  é   essencialmente  um  senFmento  e  é   lá  que  deve  ser  encontrado  e     trabalhado,lá  no  âmbito   senFmental.   Este  senFmento  pode  acontecer   em  um  homem  ou  em  uma   mulher.Há  homens  que  cozinham   para  a  família  ou  ajudam  a  dar   banho  nas  crianças  e  são   machistas,  seria  muito  raso  limitar   o  machismo  à  observação  das   ações  externas,  se  ele  está   arraigado  no  âmbito  senFmental.       amiga  K:  Ana,  também  sou  de   família  mineira,  bem  do  interior,   onde  os  homens  também  fazem   comida,lavam  a  louça,"ajudam"   com  as  crianças  mas  o  machismo   impera.  A  gente  percebe  que  não  é   de  maldade,  é  uma  cultura   extremamente  enraizada. 22 pensando:  miga,  sua  lôka,   não  seja  machista.  A   violência  sexual  não  é   comeFda,  exclusivamente,   pelo  masculino.  Mulheres   também  são  agressoras.   Mulheres  contra  outras   mulheres  e,  principalmente,   contra  crianças  (meninos  e   meninas).  Não  conheces   nenhum  caso?!  Eu  conheço.   Não  é  estaFsFcamente   significaFvo?!  Hummm. Não  relaFvize.  Violência  é   violência.Luisa  Günther,   noutro  post. Glória  Pimenta  da  Veiga:  Ana,   sofri,  toda  a  minha  vida  este   constrangimento,  uma   opressão  pelo  carinho...  Hoje   tento  me  recompensar...  Ainda   encontro  os  fantasmas... Vamos  encontrá-­‐los  sempre... ************************* ************************
  24. 24. 23 Vambora,marchando. Não percamos um só pensamento com o que não pode mudar. vou falar é nada falarei do silêncio secreto da pessoa. Tenho nojo deles.
  25. 25. 24 NÃO  DESPERDICEM  UM  SÓ  PENSAMENTO  de  Bertolt  Brecht 1 Não  desperdicem  um  só  pensamento Com  o  que  não  pode  mudar! Não  levantem  um  dedo Para  o  que  não  pode  ser  melhorado! Com  o  que  não  pode  ser  salvo Não  vertam  uma  lágrima!  Mas O  que  existe  distribuam  aos  famintos Façam  realizar-­‐se  o  possível  e  esmaguem Esmaguem  o  paFfe  egoísta  que  lhes  atrapalha  os  movimentos Quando  reFram  do  poço  seu  irmão,  com  as  cordas  que  existem  em   abundância. Não  desperdicem  um  só  pensamento  com  o  que  não  muda! Mas  reFrem  toda  a  humanidade  sofredora  do  poço Com  as  cordas  que  existem  em  abundância! 2 Que  triunfo  significa  ser  úFl! Mesmo  o  alpinista  sem  amarras,  que  nada  prometeu  a  ninguém,  somente  a  si   mesmo Alegra-­‐se  ao  alcançar  o  topo  e  triunfar Porque  sua  força  lhe  foi  úFl  ali,  e  portanto  também  o  seria Em  outro  lugar.  E  depois  dele  vêm  os  homens Arrastando  seus  instrumentos  e  suas  medidas  ao  pico  agora  escalável Instrumentos  que  avaliam  o  tempo  para  os  camponeses  e  para  os  aviões. 3
  26. 26. 25 Também  nós  desejamos  dirigir  ao  máximo  e  levar  ao  fim A  obra  de  aperfeiçoamento  desde  planeta Para  toda  a  humanidade  vivente.   3 Aquele  senFmento  de  parFcipação  e  triunfo De  que  somos  tomados  ante  as  imagens  da  revolta  no  encouraçado  Potemkin No  instante  em  que  os  marinheiros  jogam  seus  algozes  na  água É  o  mesmo  senFmento  de  parFcipação  e  triunfo Ante  as  imagens  que  nos  mostram  o  primeiro  vôo  sobre  o  Pólo  Sul. Eu  presenciei  como Mesmo  os  exploradores  foram  tomados  por  aquele  senFmento Diante  da  ação  dos  marinheiros  revolucionários:  assim Até  mesmo  a  escória  parFcipou Da  irresisGvel  sedução  do  Possível,  e  das  severas  alegrias  da  Lógica. Assim  como  os  técnicos  desejam  por  fim  dirigir  na  velocidade  máxima O  carro  sempre  aperfeiçoado  e  construído  com  tamanho  esforço Para  dele  extrair  tudo  o  que  possui,  e  o  camponês  deseja Retalhar  a  terra  com  o  arado  novo,  assim  como  os  construtores  de  ponte Querem  largar  a  draga  gigante  sobre  o  cascalho  do  rio Também  nós  desejamos  dirigir  ao  máximo  e  levar  ao  fim A  obra  de  aperfeiçoamento  desde  planeta Para  toda  a  humanidade  vivente.   eta, eta eta eta, o Eduardo Cunha quer controlar minha buceta
  27. 27. ‘A Índia é Aqui’: impunidade fez estupro coletivo virar motivo de ostentação, diz promotora a respeito da exposição das imagens da moça de Santa Cruz nas redes socias no dia seguinte ao estupro coletivo que sofreu. 26 22/09/2015  |  NoGcias  e  eventos Senado  recebe  debate  acirrado  sobre   regulamentação  do  aborto 06/08/2015  |  Senado  realiza  audiência   sobre  a  Descriminalização  do  Aborto 26/05/2015  |  Congresso  realiza   audiência  sobre  regulamentação  do   aborto  pelo  SUS 04/08/2015  |  Óbitos  em  clínicas   clandesFnas  de  aborto  esFmulam  debate   sobre  o  tema 13/10/2014  |  NoGcias  e  Eventos Manifestação  contra  criminalização  do   aborto  ocupa  parte  da  Avenida  Paulista desconheço a autoria dessa imagem, que circulou direto na rede mundial de computadores nos dias subsequentes à tragédia de Santa Cruz, tornando-se um símbolo naqueles tristes dias.
  28. 28. 27 Um estupro coletivo de uma jovem de 16 anos chocou o Rio de Janeiro e causou comoção nas redes sociais após imagens do crime terem sido divulgadas pelos próprios suspeitos dele no Twitter. O vídeo que foi amplamente compartilhado nas redes sociais tem cerca de 40 segundos de duração e mostra a garota deitada e desacordada enquanto os rapazes conversam ao fundo. “Engravidou de 30”, diz um deles. Em uma das fotos divulgadas também pelo Twitter é possível até ver o rosto de um deles, que posa para a câmera em frente à menina. O fato é ainda mais chocante porque revela a certeza da impunidade de estupradores, segundo a promotora de Justiça e coordenadora do Grupo Especial de Enfrentamento à Violência contra a Mulher (GEVID), do Ministério Público do Estado de São Paulo, Silvia Chakian, que é especialista no tema. “Mostra a certeza total da impunidade desses criminosos, que agem em grupo e que gravam e publicam a própria prova do crime que praticaram. Mostra o descaso pra eventuais responsabilizações, descaso com a Justiça”, afirma à BBC Brasil. “Um deles revela até a autoria, o rosto. Qual é a mensagem que ele está passando? É de ‘eu não acredito na lei, na polícia, na Justiça, eu não tô nem aí’. Essa mensagem não pode ficar para sociedade”. Chakian opina que a maneira como o vídeo foi compartilhado pelos suspeitos do estupro, que mostravam “orgulho” pelo crime praticado, é um sinal de como a “violência contra a mulher é naturalizada no Brasil”. “O (episódio) mostra que praticar crime dessa natureza é motivo de vaidade, de ser ostentado”, diz. “Não tem 30 monstros juntos. Não tem patologia nisso. É uma questão cultural. São 30 pessoas que participaram do crime e nenhuma delas agiu para evitar que aquele crime acontecesse. Isso revela uma sociedade criminosa e violenta contra a mulher. Que enxerga que o corpo da mulher é feito para o homem usufruir.” O crime foi bastante agravado, segundo a promotora, pela exposição das imagens da garota na web. “A impunidade anda de mãos dadas com a violência. Precisa haver uma punição exemplar e essa punição tem que ser divulgada para que a sociedade saiba. Temos que conscientizar essa sociedade de que quem compartilha, quem faz piada, (está agindo de modo) tão grave quanto ao do estuprador.”
  29. 29. 28 No caminho do Rio de janeiro para Itanhandu-MG. Na varandinha, em cima, e na varanda, embaixo, da 25. Também nós desejamos dirigir ao máximo e levar ao fim A obra de aperfeiçoamento deste planeta Para toda a humanidade vivente. 
  30. 30. Solidariedade  não  tem  sexo. Aquela  história  que  cuidar  da  mãe  é  dever  da   filha  mulher  não  tem  nada  a  ver.  É  machismo   puro,  total.  Inúmeras  vezes,  precisei,era  só  cha-­‐ mar:  Igor,meu  filho,    vem  aqui  me  ajudar  a  pôr   essa  camiseta.  Isso  no  começo,  antes  do  meu   intensivo  no  Sarah,  onde  adquiri  bastante   autonomia.Ele  vinha  tranquilamente.  Qual  o   problema  de  me  ver?  Por  que    entre  homem  e   mulher  só  haveria  amor  erótico?    Se  existe  tam-­‐ bém  amor  amigo,  amor  natural,  como  era  o   caso  ali  e  em  tantos  outros  lugares.    Que  pobre-­‐ za  pensar  que  filho  homem  não  pode  cuidar  da   mãe  porque  ele  é  homem  e  ela  é  mulher.Nossa,   que  pobreza,  que  imbecilidade!  Machismo  co-­‐ varde.   Solidariedade  não  tem  sexo,  é  puro  amor,  ou   não  é  nada.  Quando  a  gente  está  na  pior  a  gen-­‐ te  só  quer  um  carinho,  um  ombro,uma  mão.  Se   não  dá  pra  ser,  não  dá,  paciência.Mas  não  espe-­‐ ro  mais  nada  deles,  nada.  Fechei,  pulei  fora,  sal-­‐ tei  do  vagão,  sigo  só  com  os  meus  minha  via-­‐ gem.    Como  um  Chicabom  num  clássico  Flaflu  e   sei. 29
  31. 31. 30 I’m wandering round and round nowhere to go
  32. 32. 31 Meu deus onde vou quarar, quarar minha roupa,meu deus onde vou quarar, quarar minha roupa, o guarda Silva não quer a roupa no quarador, meu deus onde vou quarar, quarar minha roupa,meu deus onde vou quarar, quarar minha roupa, (trecho de um samba de roda que cantei ontem com Miguel Haru e me ficou na cabeça)
  33. 33. 32 Com  quantos  golpistas  você  convive?!  Quem  são  as  pessoas  próximas  que  arFculam  estratégias  de  engano?!  Ou:  só  apunhala   pelas  costas  quem  está  perto  o  suficiente  para  dar  um  abraço.  A  micropolíFca  do  ínFmo  revela  as  suFlezas  da  sociedade   como  um  todo.   pensando:  menFras  podem  até  esconder  certas  coisas;  mas,  acima  de  qualquer  suspeita,  menFras  revelam  o  caráter   dissimulado  e  a  existência  de  algo  a  ser  desmascarado.   pensando:  sempre  bom  saber  com  que  Fpo  de  pessoas  estamos  lidando,  mesmo  que  não  nos  faça  bem  temporariamente. Sim,  tudo  a  ver,  Luisa.  
  34. 34. 33 falou amizade e por toda a cidade ecoa, a letra dos livros voa, falando amizade (música de Caetano que me passou pela cabeça) Acho que é porque eu não quero dizer nada, eu quero ficar quieta, como a Isabela. Tenho uma irmandade outra, própria, original, antiquíssima.
  35. 35. O  Analfabeto  Político O  pior  analfabeto
 é  o  analfabeto  político.
 Ele  não  ouve,  não  fala,
 nem  participa  dos  acontecimentos  políti-­‐ cos.
 Ele  não  sabe  que  o  custo  da  vida,
 o  preço  do  feijão,  do  peixe,  da  farinha,
 do  aluguel,  do  sapato  e  do  remédio
 dependem  das  decisões  políticas.
 O  analfabeto  político
 é  tão  burro  que  se  orgulha
 e  estufa  o  peito  dizendo
 que  odeia  a  política.
 Não  sabe  o  imbecil  que,
 da  sua  ignorância  política
 nasce  a  prostituta,  o  menor  abandonado
 e  o  pior  de  todos  os  bandidos:
 O  político  vigarista,
 pilantra,  corrupto  e  lacaio
 das  empresas  nacionais  e  multinacionais. O  político  vigarista,
 pilantra,  corrupto  e  lacaio
 das  empresas  nacionais  e  multinacionais. Bertold  Brecht 34
  36. 36. 35 Ainda  da  Luisa  Günther.Pensando:  insisto.  Este  assunto  é  caro.  Então,  talvez  seja  necessário   ser  mais  explícita:  enquanto  conFnuarem  acreditando  que  castração  é  uma  forma   derradeira  de  vingança  -­‐ou-­‐  que  a  violência  sexual  é,  primordialmente,  a  penetração   vaginal  por  um  pênis,  conFnuarão  excluindo  uma  miríade  de  práFcas  cujas  víFmas,  por   não  encontrarem  respaldo  simbólico,  sentem  ser  algo  menor;  não  tão  grave;  não  tão  sério;   não  passível  de  denúncia.  Limitar  o  estupro  a  práFcas  falocêntricas  é  machismo.   Acreditem,  isto  também  é  uma  forma  de  violência. Já  tentou  fazer  alguma  denúncia?  É  di~cil.  Se  for  para  senFr  vergonha  e  para  imaginar  o   que  os  outros  vão  pensar,  nem  vais  conseguir.  Tem  de  ser  em  meio  ao  ímpeto  da  raiva  -­‐ou-­‐   na  ingenuidade  de  que  jusFça  será  feita.  Claro  que  existem  pessoas  que  acolhem:  agentes   da  lei  que  prezam  por  uma  parFcipação  diferenciada  diante  o  nefasto.  Entretanto,  depois   de  tudo  e  da  certeza  de  sua  vida  ter  virado  um  inferno;  depois  de  ser  atormentada  pela   angúsFa  se  está  fazendo  a  coisa  certa  (dúvida  que  precisa  ser  podada  a  cada  esquina  do   pensamento  com  a  certeza  de  que  ao  menos,  ao  denunciar,  não  foi  cúmplice)  é  preciso   lidar  com  a  pena  alheia.  Pena  com  relação  ao  acusado.  Claro!  Coitado!  Confesso  que  a   descrença  nas  consequências  e  o  hábito  da  impunidade  até  poderiam  engendrar  uma   empaFa  temporária.  Até  mesmo  porquê,  talvez  não  seja  nada  disso.  Será  que  de  fato   aconteceu?!  Parece  que  sim.  A  dor  não  se  esvai.  A  quarta  camada  de  cor  da  realidade   conFnua  um  véu  cinza  embaçando  as  circunstâncias.  Agora,  durante  quanto  tempo  é   tolerável  esperar  algum  desfecho?!  A  parFr  de  quando  você  tem  o  direito  de  acreditar  que   a  vida  transcorre  em  meio  à  normalidade?!  Nunca.  Nada  nunca  mais  é  o  mesmo,  mas  até   que  dá  para  fingir.  Mesmo  assim,  o  trâmite  insiste  em  te  lembrar  que  fazes  parte  de  uma   roFna  de  trabalho  de  outros.  Por  isto,  o  sistema  fica  te  rondando.  Não  há  trégua.  Durante   quanto  tempo,  ainda  podem  insisFr  em  solicitar  um  exame  de  corpo  de  delito?!  Durante   quanto  tempo,  um  agente  da  lei  pode  exigir  que  compareça  à  Delegacia  para,  mais  uma   vez,  apresentar  um  relato  do  acontecido  -­‐  ou  seria  talvez  desvendar  algum  ato  falho,   alguma  incongruência  que  embargue  e  invalide  o  que  ocorreu?!  Durante  quanto  tempo,  é   preciso  jusFficar  que  o  acompanhamento  psicológico  foi  eficiente?!  Não  deveria  ter  sido?!   Talvez  não.  Para  alguns,  somente  a  existência  de  sequelas  é  que  jusFficam  que  algo,  de   fato,  aconteceu.  Me  poupem.  Deixem  de  ser  ridículos.  Deixem  de  ser  urubus  da  miséria   alheia.  Também  não  se  preocupem.  Para  além  deste  depoimento,  a  verdade  é  muito  mais   cruel.  Enquanto  isto,  espero  que  as  mães  e,  principalmente,  os  pais  de  meninos   responsabilizem  certos  cuidados,  porque  a  violência  sexual  não  é  exclusividade  feminina.  A   víFma  é  o  vício  do  algoz  que,  por  sua  vez,  também  é  víFma  de  si  mesmo.  Espero  que  a   gente  consiga  superar  este  abismo  que  separa  a  dignidade.  De  um  lado,  aqueles  que   supostamente  merecem;  do  outro,  aqueles  que  tudo  podem.   Sinceramente,  espero  que,  eventualmente,  a  clivagem   da  impunidade  seja  tão  vergonhosa  quanto  o   senFmento  em  frangalhos  daquela  que  é  ridicularizada   por  dizer  "esturpo".   Entendo,  entendo,  sua  mãe  se  acidenta,  depois  vem   aquela  doença  ,mas  me  conta  uma  coisa,  Tize,  onde  é   que  estavam  os  homens  da  sua  família? Doze  anos  não  são  doze  dias....
  37. 37. O PODER LIBERTÁRIO DO RISO E A FORÇA DAS EMOÇÕES Hoje  de  manhã,  quando  voltava  da  natação  de  metrô  me  lembrei  daquela    querelinha  familiar  via  whatsup,  do  meu  ponto  final    com  o  brado  VIVA  o  JUCÁ   e  do  meu  estouro  de  riso  disso  antes  da  seção  de  hipnose.  Isso  foi  na  segunda-­‐feira,  entrei  e  fiz  uma  óFma  seção  ,  assim  aliviada,  rindo  por  dentro  e  por   fora.Nessa  seção,  que  começou  assim  abençoada  pelo  vazamento  do  ano  e  pelo  nosso  riso  gostoso  de  tudo  que  isso  representa.Resume-­‐se  muito  bem   no  que  postou  minha  amiga  Ceumar:  se  vazou,  agora  vaaaaza!!!  .  Consegui  mexer  meu  braço  esquerdo,  que  é  o  plégico  ou  paralíFco,  e  isso  num  estado   de  semi  consciência,  detalhe  importante. Inicialmente,  como  em  toda   seção,  Pedro  De  Luna   Nogueira  (o  terapeuta)  me   deixa  bem  relaxada  e   começa  a  me  hipnoFzar,  só   que  lá  pelas  tantas,  de  tão   relaxada,  eu  bocejei  e  ao   bocejar,  meu  braço  esquerdo   se  ergueu.  Isso  já  aconteceu   outras  vezes,  porém,  nesse   momento,  Pedro  me  disse   para  observar  o  Fpo  de   esGmulo  cerebral  que  eu   estava  tendo    e  tentar   associá-­‐lo  com  aquele   movimento.  Prestei  atenção   e  experimentamos  repeFr  a   coisa  por  três  vezes,  nas  três   deu  certo,  não  sem  esforço,   mas  deu  certo.Mexi  o  braço   voluntariamente. 36
  38. 38. 37 Hoje  de  manhã,  vindo  no  metrô,  lembrei  disso  e  chorei,  chorei   muito,  deitei  minha  cabeça  no  braço,  por  sorte  estava  na  janela,   e  pude  ficar  assim  durante  toda  a  viagem,  deixei  que  as   lágrimas  viessem  abundantes  e  me  molhassem  todo  o  rosto,   deixei  o  choro  vir  solto,  sem  vergonha  nenhuma,  já  Fnha   abaixado  mesmo  meu  rosto.  Uma  mulher  sentou-­‐se  ao  meu   lado  e  perguntou  se  eu  estava  bem,  fiz  que  sim  com  a  cabeça,   depois  perguntou  se  eu  estava  senFndo  alguma  coisa  e  eu  fiz   que  não.  Mas  fiquei  com  aquela  pergunta  na  cabeça,  fiquei   refleFndo  e,  depois  de  algum  tempo,  me  respondi  que  sim,   estava  senFndo  sim,  esperança,uma  esperança  muito  forte,   muito  níFda  e  real.  No  entanto  nunca  na  vida  experimentei   chorar  de  esperança,  já  chorei  de  dor,  de  alegria,  de  tristeza,  de   saudade,  mas  de  esperança,  nunca  Fnha  chorado  de  esperança,   foi  a  primeira  vez.  Chegamos  à  rodoviária,  hora  de  sair,  a  mulher   quis  me  acompanhar,  mostrando-­‐se  preocupada  comigo. Eu  deixei  e,  como  se  mostrava  simpáFca,  até  contei  pra  ela  que   estava  chorando  de  esperança,  que  coisa  estranha,  esperança   de  ficar  boa,  boa,  boinha. Pronto,  pra  que  que  eu  fui  falar?Ela  foi  despejando  em  mim   todas  suas  crenças  e  ladainhas,  as  quais  ouvi   com  paciência.
 Depois,  já  na  plataforma  rodoviária  fui   andando  em  direção  ao  meu  ônibus  e  era   como  se  eu  esFvesse  flutuando.  Flutuando   mesmo,  mal  senFa  o  chão  sob  meus  pés.  E  lá   estava  o  197.3  me  esperando,  foi  tudo  tão   rápido,  entrei  e  num  pulo  já  estava  em  casa.   Faminta.
  39. 39. 38 O que sou é no tempo Um ponto? Um risco? Uma forma indefinida
  40. 40. Os pilantras se aproveitam de uma dada cultura para impor valores ainda mais espúrios, que só irão reforçar essa mesma cultura , formando assim um ciclo de retroalimentação. Mas precisamos viver a mudança. Vamos seguir na marcha das flores e na luta por mudanças reais, contra o machismo, contra a cultura do estupro e por leis boas. 39 precisamos de leis que nos amparem
  41. 41. Achei  curioso  quando  assisF  ao  filme  Que  horas  ela   volta,  de  Ana  Muyalert,  ver  repeFda  a  mesma  imagem   do  pobre  pardo  rato,  que  triste!  dita  pela  madame.   Muita  coincidência? Ou seriam as antenas da artista em ação? Isso 40
  42. 42. ETA ETA ETA ETA O EDUARDO CUNHA QUER CONTROLAR MINHA BUCETA. Voltei  a  ouvir  muito  Caetano,  de  quem  sou  fã  desde  a  adolescência.  Por  causa  dele,  gosto  de  futebol. Quando  eu  era  adolescente  Fnha  essa  história  de  que  Caetano  não  gostava  de   futebol,  aí  ele  contava  lá  as  razões  dele,  eu  via,  ouvia  ou  lia  aquilo  e  pensava  com   meus  botões    daquela  época  (anos  80):se  ele  é  homem  e  pode  não  gostar  de  futebol,   eu  sou  mulher  e  posso  gostar  de  futebol.  Aí    comecei  a  gostar  de  futebol  e   acompanhar  as  parFdas  do  Fluminense,  o  Fme  que  decidi  que  seria  o  meu,  pela   televisão. Talvez  ridículo,  mas  quem  não  é? Optei  pelo  Fluminense  por  uma  questão  estéFca  e  não  futebolísFca,    ainda  não   entendia  nada,  estava  só  começando  a  acompanhar  um  pouco  pela  TV.   EstéFca  pela  combinação  cromáFca:  gosto  de  verde,  grená  e  branco  juntos,  é  lindo!   Também  por  ser  o  Fme  de  coração  de  muitos  arFstas:  Chico  Buarque,  Nelson   Rodrigues,  Cartola,  Tom  Jobim  e  Noel  Rosa. Além  do  mais,  combina  comigo  dizer  que  sou  Flu,  se  isso  for  entendido  como  floo,   algo  meio  desfocado.Nesse  dia  ali  da  foto  mesmo,  por  exemplo,  já  ia  ficando  na   parada,  literalmente  dormi  no  ponto,  sequelita  mental,sorte  motorista  e  cobrador  já   serem  amigos  ,me  viram  e  me  chamaram:  vamos.  Eu  acordei    e  fui.   Mas,  voltando  a  Caetano,  esses  dois  discos,  Jóia  e  Bicho,  são  hiper  poéFcos,  lindos,   têm  uma  sonoridade  toda  especial.Voltando  às  influências,  além  dessa  de  Caetano  e   de  toda  sua  carga    estéFca  tropicalista.  Assumo,  no  que  tange  à  questão  do  machismo   -­‐  feminismo,  minha  influência  direta  de  Frida  Kahlo.  Li  seu  diário  quando  Fnha  meus   vinte  anos  e  ele  foi  decisivo  quando  chegou  a  hora  de  eu  dar  um  passo  voador    ou   uma  reviravolta  na  minha  vida.   Temos mesmo nossas filiações artísticas e filosóficas, tão fortes como as carnais. 41
  43. 43. estranho estúpido 42 Sou  mãe  de  três  meninas.  Por  moFvos  adversos,   fazemos  parte  das  estaGsFcas.  Não  por  nada.  As   circunstâncias  são  outras.  É  que  uma  em  cada  quatro   mulheres…  Sendo  que  para  se  ser  mulher  não  existe   nem  idade,  nem  anatomia.  Até  mesmo  alguns  homens,   são  mulheres.  Acontece.  No  escuro  da  noite  e  no   silêncio  dos  descrentes,  ser  mulher  é,  tão  somente,   uma  condição  de  fragilidade  perante  a  perversão  do   outro.  Em  todo  caso,  é  preciso  evidenciar  que   nenhuma  violência  é  apenas  ~sica.  Tampouco,   permanece  polarizada  na  dicotomia  do  simbólico.  Fato   é  que  a  violência  nunca  encerra-­‐se  no  ato  perpetrado.   A  violência  tem  conFnuidade  e  é  respaldada  pelas   instâncias  do  trâmite.
  44. 44. 43 Marina Lindoso 28 de maio às 00:23 · Estupro e democracia: quem se lembra do caso Ana Lídia? Precisamos falar de estupro sim e eu quero falar também. Já fiz vários posts com fotos no Parque da Cidade. É um lugar que me traz recordações da infância e hoje virou um cantinho meu e da minha afilhada Giovanna.
  45. 45. Hoje me lembrei desse parque, mas a lembrança foi amarga. Pensei na menina Ana Lídia cujo nome foi dado justamente à parte desse Parque que me é tão querida. É uma homenagem a uma menininha de 7 anos que foi vítima de estupro e assassinato em Brasília na década de 70, em plena ditadura militar. Filhos de políticos estavam envolvidos e o caso foi abafado. Ou pelo menos tentaram, porque um crime horrendo como esse não podia ser apagado facilmente da lembrança dos moradores de Brasília. Eu, que ainda nem havia nascido na época desse crime, jamais esqueci do dia que meu pai me contou essa história. Meu avô era político na época e meu pai conhecia alguns dos suspeitos. Eu vi o horror nos olhos do meu pai. Ana Lídia foi torturada, estuprada e morta por asfixia. O corpo foi encontrado na UnB. Estava semienterrado em uma vala, próxima da qual haviam marcas de pneus de moto e duas camisinhas. A garotinha estava nua, com marcas de cigarro e com os cabelos mal cortados. Fala sério, né?! Mesmo naquela época, acho que haviam provas suficientes para levar os investigadores aos culpados da atrocidade. A falta de interesse da polícia tinha nome e sobrenome. Mais de um, inclusive. Dentre os suspeitos do crime estavam o próprio irmão de Ana Lídia, Álvaro Henrique Braga e Fernando Collor de Melo. Foi um crime horrendo, mas por envolver filhos de políticos e 44 Foi um crime horrendo, mas por envolver filhos de políticos e importantes membros da sociedade brasiliense foi escancaradamente abafada e o caso Ana Lídia se tornou mais um símbolo de impunidade. Segundo testemunhas, o irmão da Ana Lídia e sua namorada largaram a criança com Alfredo Buzaid Júnior, Eduardo Ribeiro Resende e Raimundo Lacerda Duque. Alfredo era filho do Ministro da Justiça Alfredo Buzaid; Eduardo, filho do dono do sítio que era ninguém menos que o senador Eurico Rezende, o então Vice-Líder da Arena no Senado; e Raimundo, um conhecido traficante de drogas de Brasília. Quando Álvaro e a namorada voltaram ao sítio, encontraram Ana Lídia morta. Por que eu me lembrei dessa história ? Porque hoje o Brasil todo acompanha e se escandaliza com o horror da história desse estupro coletivo. Ana Lídia, com seus 7 aninhos também foi vítima de um estupro coletivo, mas esse crime aconteceu num momento da história nacional na qual a ditadura militar controlava as investigações que lhe diziam respeito. Ora, como era de se esperar naquele caso, não houve interesse algum em apontar os culpados. procuradas as digitais no corpo, que ignoraram as
  46. 46. Relatos posteriores divulgaram que não foram procuradas as digitais no corpo, que ignoraram as marcas de pneus e que não fizeram quaisquer análises comparativas dos espermas encontrados nas camisinhas. eus estupradores e assassinos saíram totalmente impunes. O povo associa o Collor ao impeachment, mas quantos brasileiros sabem que ele foi suspeito de ter participado desse crime? Contei esse caso hoje para o meu noivo. Ele não sabia. Então, minha gente, saibamos enxergar os avanços de nosso país e o fortalecimento de nossas instituições. Com todos os escândalos de corrupção, processo de impeachment em andamento... nós vivemos sim numa Democracia. Não podemos apagar o passado e impedir a dor da Ana Lídia ou dessa moça recentemente violentada. Mas hoje, pelo menos, podemos discutir o assunto, participar de movimentos contra o estupro (mesmo que muitos timidamente e apenas pelas mídias sociais) e o mais importante, crer numa investigação policial séria e num judiciário capaz de punir os culpados. Ps: Cumpre destacar que escrevi apenas sobre relatos do que li e ouvi sobre o caso. Em 11 de setembro de 1993, o crime de Ana Lídia prescreveu sem apontar nenhum culpado. Marina Lindoso 45
  47. 47. 46 Ele estuprou uma menina de seis anos a mãe reagiu ao saber e capou ele, ela fez isso porque quando procurou ajuda mandaram ela procurar pacientemente o Conselho tutelar e esperar na fila das mães de crianças abusadas. Ela Castrou o estuprador, saiu de casa com a mãe e a filha e avisou a polícia que deu atendimento médico imediato ao homem e prisão à mulher. A criança de seis anos deve passar pelo exame de corpo de delito. .. A criança reclamou de dor mas tem que estar arranhada roxa cortada ou ter sêmen no seu corpo para comprovar a violência. E caso isto se confirme o homem também irá preso. A criança provavelmente ficará com seu pai biológico, que talvez não cuide da filha do estuprador nem da mãe cega da mulher. A justiça para um estuprador pode ser rápida e eficiente. A justiça para uma criança estuprada é lenta, muito difícil quase impossível: a burocracia foi feita para deixar desvanecer as provas do crime e crescer às dúvidas sobre essa acusação ainda que a lei preveja 10 anos para prescrição do crime (em caso de menor de idade contar a partir dos 18 anos). Essa mulher não deverá sair da prisão, o sistema policial e judicial está cheio de homens, a empatia é algo raro na Cultura masculina menos no que se refere a genitália: homens são solidários com agenitália de outros homens, sentem até ador daquele chute no saco no vilão do filme de cinema. e aquela mulher cometeu um crime imperdoável: cortou o pênis do estuprador de sua filha de seis anos... Se tiver sorte precisará de um advogado quite se empenhe em comprovar o estupro de sua filha e alegar defesa pessoal e insanidade temporária ou coisa do tipo. Eu confesso que admiro a coragem dessa mulher. Ela faz parte daquelas raras exceções quite não se calam nem ficam paradas frente a violência sexual intra-familiar. Lamentavelmente fez justiça com as próprias mãos, talvez a justiça possível seja intangível demais pra ela ou simplesmente não exista. A criança deverá crescer com isso... Será apenas mais uma vítima... visto no Facebook dia 22 de julho de 2016.
  48. 48. Aqui exercícios de estímulo à neuroplasticidade cerebral , por meio da arte ou fazer artístico. Agora mergulho naquela frase- oração A ARTE SALVA como em um bálsamo, porém a transcrevo como a sinto, a arte transforma. CAPÍTULO 2 ∏ A VIDA SECRETA DA PESSOA pensamentos livres, imagens, sonhos
  49. 49. 48 quero viver esse tempo lento em que estou, tempo feminino? Tempo vegetal? Tempo lesma, meu? Tempo nosso? a lagarta ainda
  50. 50. o  CRAZY  DIAMOND  da  música  era    Syd,  um   dos  membros  do  Pink  Floyd  inicial.  Este  Syd     pirou  de  vez  numa  viagem  de  ácido.  Foi,  Da-­‐ vid  Gilmour  e    Roger  Waters  contam  esse   episódio  num  filme  documentário  que  vi,   um  belo  dia,  Syd  chegou  com  o  olhar  estra-­‐ nho,  de  quem  já  não  estava  mais  ali.  Ao   que  contam,    já  não  estava  mesmo.  Depois   desse  dia  ele  sumiu,  desapareceu  total,  fi-­‐ cou  anos  e  anos  desaparecido,  ainda  procu-­‐ raram  um  pouco  no  começo,  mas  depois   deixaram  para  lá.    A  banda  seguiu  seu   rumo,  fazendo  shows,  músicas  e  gravando   discos.  Até  que  um  outro  dia,  anos  mais  tar-­‐ de,  eles  estavam  juntos  gravando  no  estú-­‐ dio  de  Abbey  Road,  em  Londres,    entra  um   cara  esquisitaço,  sem  falar  com  ninguém   fica  por  ali  mexendo  nas  coisas,  um  cara   gordão,  careca  e  de  sombrancelhas   raspadas.No  filme  mostram  as  fotos  do  Syd   antes  e  desse  Syd,  depois,  estranhíssimo.   David  Gilmour  o  reconhece,  era  o  Syd.  Gil-­‐ mour  diz  que  Syd  já  não  tinha  nada  mais   daquele  cara  de  anos  atrás,  magro,  super   elegante,  com  sua  cabeleira  desgrenhada  e   o  olhar  vivaz,  de  crazy  diamond.  O  que  me   deixa  triste  é  que  ele  podia  ter  ido  muito,   muito  longe.  Nesse  momento  Gilmour  não   fala  mais  nada,  sua  voz  fica  embargada. O  filme  acaba  com  as  imagens  do  último   show  do  Pink  Floyd  tocando  Shine  on  you   crazy  diamond.  Roger  Waters  dedica  a  músi-­‐ ca  a  Syd,  diante  de  uma  platéia  de  milha-­‐ 49 primeiramente FORA TEMER
  51. 51. 50 desenhos  digitais  feitos  no  Art   Rage,programa  de  criação  de   imagens,  no  Sarah  Lago  Norte,   como  parte  do  programa   intensivo    de  reabilitação   neurológica  que  segui  em  2014,   com  equipe  mulFdisciplinar  e   com  a  arteterapeuta  Viviane.  
  52. 52. Mamãe gostava de mandar fazer um vestidinho igual para mim. Olha que delícia, que idéia magní- fica! 51 Mulheres  são  seres  magníficos.  Deixem-­‐nas  serem  assim.   Todas  elas,  todas.Não  só  as  as  brancas,as  que  têm  curso   superior,  essa  ou  aquela.  Toda  mulher,  TODA,qualquer   uma,  merece  viver  plenamente  seus  sonhos  e  realizações,   trabalhar  por  eles,    com  tranquilidade,  prazer.   Nem  toda  mulher  quer  ser  mãe,  tem  umas  que   preferem  outras  coisas.  O  ser  humano  é  muito   complexo  e  variado,  deixa  ele,  é  tão  lindo  às  vezes!
  53. 53. 52 nas gincanas na casa da dona Nirvana e seu Frias com a equipe do CETEFE, Zina e Fernanda, com Poliana, embaixo. Em competições diversas. Lá atrás, Jaime e Hildon, nadadores. Agradeço à mamãe essa herança de ter um esporte para praticar na vida. Ela tinha o tênis, eu tenho a natação, Raïssa, o karatê. Cada pessoa de acordo com seu gosto.
  54. 54. ouvindo LuisaGünther. Aqui com quem? Flora? pensando: mentiras podem até es- conder certas coisas; mas, acima de qualquer suspeita, mentiras reve- lam o caráter dissimulado e a exis- tência de algo a ser desmascarado. Querem me roubar, bons meninos, bom ladrão? Já roubaram. Simples assim. Morri. 53 é sempre bom saber com que tipo de pessoas estamos lidando, mesmo que não nos faça bem temporariamente. Sim, tudo a ver. Quero ignorado, e calmo por ignorado, e próprio, encher meus dias de não querer mais deles. Aos que a riqueza toca o ouro irrita a pele. Aos que a fama bafeja embacia-se a vida. Aos que a felicidade é sol, virá a noite. Mas ao que nada ‘spera Tudo que vem é grato. Cada dia sem gozo não foi teu / Foi só durares nele. Quanto vivas / Sem que o gozes, não vives. Ricardo Reis
  55. 55. 54
  56. 56. 55 Da Violência Do rio que tudo arrasta se diz que é violento. Mas ninguém diz violentas As margens que o comprimem. Bertold Bretch
  57. 57. 56 Nunca é alto o preço a se pagar pelo privilégio de se pertencer a si mesmo. Nieszchte. nadar é meditar. Ainda assim não saí ilesa o que é o stress? AVC vai junto com stress meu AVC foi causado pelo uso prolongado e ininterrupto da pílula anticoncepcional, já está provado.No Facebook encontrei um grupo grande de mulheres vítimas de anticoncepcional.Atenção! Há outros métodos.
  58. 58. 57 Para os africanos, ubuntu é a capacidade humana de compreender, aceitar e tratar bem o outro, uma ideia semelhante à de amor ao próximo. Ubuntu significa generosidade, solidariedade, compaixão com os necessitados, e o desejo sincero de felicidade e harmonia entre as pessoas.
  59. 59. 58 o inseto, aranha ou borboleta, o pássaro, o gato, o saruê, cada ser tem sua nobreza. Encontre a sua.
  60. 60. 59 2. Manter o psicopata longe. Você é mau, fulano, você é mau, já dizia ela lá atrás, quando éramos pequenos. Como é a cara do estuprador?
  61. 61. 60 Nem todo deficiente físico é doente. Deficiência física é uma coisa, demanda adaptação das pessoas e do ambiente rural ou urbano a uma limitação motora ou sensorial de alguém,de uma concidadã ou concidadão. Doença é outra coisa, demanda cura para aplacar a dor. Nem todo deficiente físico é cadeirante. Deficiente físico é alguém que tem uma sequela motora ou sensorial, de algum acidente de nascença ou não. as rampas e acessos, inclusive.
  62. 62. 61 O  nome  dela  é  proibido.  O  cheiro  é  um  tabu.   Existem  mulheres  que  nunca  Fveram  coragem  de   encará-­‐la  nem  com  um  espelhinho.  Ela  foi   cienFficamente  ignorada  por  anos,  teve  suas   CARACTERÍSTICAS  ÚNICAS  minimizadas  e  foi  tratada   como  um  pênis  que  não  deu  certo  —  ou  que  estava   de  cabeça  para  baixo.  conFnua  na  revista  Galileu,  h†p:// revistagalileu.globo.com/Revista/noFcia/2015/12/ vagina-­‐como-­‐ela-­‐e.html Crédito da imagem: Isabel S v o b o d a que mal há em dar nomes, apelidos para ela?
  63. 63. 62 Transformei  minha  bicicleta  num  triciclo  para  que  eu  pudesse  andar   nela  de  agora  em  diante,  enquanto  esFver  assim,  deficiente,  em   recuperação. Não  sabemos  quanto  tempo  essa  reabilitação  pode   levar,  se  cinco,  dez,quinze  anos,  a  vida  toda?  Quando  se   trata  de  cérebro  tudo  é  incerto,  sabemos  muito  pouco. Sigo  fazendo  adaptações,  coloquei  um  banco  de   mobilete,  por  exemplo,  ficou  bem  mais  confortável.
  64. 64. 63 Diz Chico Buarque de Holanda: A verdade é que antes do PT chegar ao poder teve uma turma que ficou 500 anos mandando aqui no Brasil e esse país se tornou um paíseco de 5o mundo. Entramos na década de 80 ainda sendo uma república das bananas, governados por ridículos generais sem voto, ditadores golpistas assassinos e ignorantes, que “preferiam cheiro de cavalo a cheiro de povo“. Aí finalmente vem um partido que faz o Brasil avançar, tira nossa coleira dos USA, da um pé no traseiro do FMI, alça o país a 6ª economia do mundo fazendo o PIB saltar de 1 para mais de 2,4 trilhões em uma década, tira 50 milhões de brasileiros da pobreza, cria uma nova classe média de mais de 100 milhões com emprego, renda, carteira assinada e conta no banco… Enfim, avanços EXTRAORDINÁRIOS em uma década ! Mas a mídia, conservadora e recalcada, sabota e cria um clima de que estamos “a beira do abismo”. E tem gente que vai na onda e não lembra do nosso passado medíocre… Ô gente burra !!!
  65. 65. 64 "Quando  um  negro  é  assassinado  no  Brasil  a  sua  morte  é   atribuída  a  algum  confronto  com  traficantes  ou  com  policiais,   só  os  ditos  "auto  de  resistência"  e"  resistência  seguida  de   morte",  são  responsáveis  por  mais  de  18%  da  mortes  de   jovens,  negros,  pobres  e  favelados.  Mas  de  75%  da  população   carcerária  é  negra  e  menos  7%  deles  são   universitários.Pesquisa  aponta  que  72%  dos  moradores  se   declaram  negros,  e  um  em  cada  três  já  se  senFu   descriminado.  O  apartheid  aqui  no  Brasil  ganhou  o  status  de   'cota'  e  um  ministério  de  integração  racial.  Mas  na  úlFma   década  a  violência  matou  quase  600  mil  pessoas,  sendo  80%   delas  negras,  pobres  e  faveladas,  e  desses  assassinatos  menos   de  8%  foram  solucionados.  ParFcularmente,  eu  uso  o  termo   favela  porque  não  aceito  o  eufemismo  hipócrita  de   comunidade.  Fonte  de  Pesquisa:  PragmaFsmo   PolíFco  ,Wikipédia,  Um  País  Chamado  Favela,  novo  livro  de   Renato  Meirelles  e  Celso  Athayde,  Uol  Educação,  Estadão   Brasil,  Veja,  Brasil  247,  Dados  dos  Direitos  Humanos  da  AnisFa   Internacional.
 Pesquisador:  Jahadi  Leal  Porto Enquanto os homens exercem seus podres poderes índios e padres e bichas, negros e mulheres e adolescentes fazem o carnaval. (trecho de outra música de Caetano que me veio à cabeça diante dessa notícia. Ichi, dele vem aos montes, direto).
  66. 66. 65 na van, com as crianças do IMA, Instituto Mãos de Arte, OCIPE presidida por Elisa Lemos que oferece gratuitamente, com transporte e tudo, arteterapia e tecnologia para pessoas deficientes,crianças, jovens e adultos, a qual frequento assiduamente.
  67. 67. 66 o que é arteterapia? sei lá. É arte com fins terapêuticos e curativos. Bastante coisa. É
  68. 68. 67 simples assim sobre política: ainda que possa se complicar no fundo é simples assim flor do mandacaru, acho
  69. 69. 68 façamos, pois, o carnaval,vamos viver em festa,quem tem fama deita na cama, dizem.
  70. 70. 69 qual o problema de ser? Nenhum. de ser o quê? nada nada? Nenhum. Certeza? Por enquanto tem nada não.
  71. 71. 70 Aquele adesivo ali grotesco. Na real nunca vi circulando nas ruas, só na rede. Agressão, violência contra todas mulheres que votaram na Dilma e que estão nela aí representadas. Nojento. Fim da picada. é golpe jurídico midiático, sim,como não? Pequena mostra.
  72. 72. 71 Atrás,  Renan  Felipe,  o  cobrador  cavalheiro,  que  sempre  desce  para  me   auxiliar  a  subir  no  ônibus,  num  gesto  sincero  e    belo  de  genFleza  e   educação.A  questão  do  cavalheirismo  é  relaFva,  deve  ser  senFda  caso  a   caso,  nesse  caso,  não  sinto  machismo  no  ar  ,  é  solidariedade  real.   Jack, meu gato cósmico
  73. 73. 72 com os guardiões do Ateliê Ymaga no Campo do Coelho, em Nova Friburgo-RJ.
  74. 74. 73 Ia até contar aqui uma história pessoal de violência contra mulher, euzinha, não falocêntrica, mas violência, sim,roubo de herança é violência, mas opto pelo silêncio,em respeito às outras mulheres. No silêncio tem também um esnobismo que me agrada, observe o gato cósmico, e dói menos. Escolho a força secreta do silêncio. Quero valorizar a vida que pulsa encantada, isso é mais significativo que falar daqueles caras sórdidos.
  75. 75. 74 quase 50% da massa encefálica foi lesionada, todo o lobo direito praticamente. Na intervenção digital retrato o cérebro em plena atividade de reconstituição plástica: neuroplasticidade cerebral em ação todos os dias. Recebendo influências de fora , do ambiente circundante e internamente fazendo seus exercícios, novos nexos.
  76. 76. 75 meu  pé,  padrão  de  virada  inverFdo  depois  do   acidente,  sequela,  preciso  usar  uma  órtese  ou   tala  de  plásFco  tornozelo-­‐pé  para  não  torcer   quando  ando.  É  bom  contar  com  o  apoio  de   pessoa  ou  bengala  simples  em    deslocamentos   longos  para  descarregar  o  peso.   Até fazer a cranioplastia fiquei com a cabeça assim.O osso que forma o redondo da cabeça foi retirado e estava guardado na minha barriga, esperando em ambiente vivo o momento de voltar ao seu lugar. Enquanto isso meu cérebro ficou bem exposto, qual moleirinha de bebê, não dá para ver na foto, mas naquela parte afundada havia uma bolinha que mexia quando eu ria, por exemplo, era o cérebro, dá para ver sim, perto do olho, para cima, uma coisa redonda se formando. Correu tudo bem.Lentamente.
  77. 77. 76 Feitos com o programa Art Rage e a professora Vivi, no Sarah Lago norte, em 2014. pneu furou, acenda o farol, acenda o farol, se alguém ligou, acenda o farol, acenda o farol (na voz de Tim Maia, pela minha cabeça).... se alguém te amou e foi embora, acenda o farol, se alguém ligou minha senhora
  78. 78. 77 as feministas da minha vida, mamãe e Madrinha.Salve, a bênção.
  79. 79. 78 borbulha a mente qual fosse vapor. Ausenta-se retorna mudada experimenta a pausa
  80. 80. 79 O que quer ser feito Se faz mal o dia amanhece Se faz,sem hora Voraz,sem fome, Sem nada que não seja vontade De estar ali se consumindo  No próprio fazer.
  81. 81. 80 quando aprendi a velejar no Sarah do Lago Norte, com o professor Fred Ribeiro, na foto comigo. . Aqui embaixo eu indo sozinha num Olsen, acho, não lembro bem o nome, que corre à beça, é ótimo.
  82. 82. 81 Com pesquisadora do Sarah centro, onde colaborei com uma pesquisa neurológica que elas vinham fazendo lá. Aqui embaixo, novamente, o cérebro em exercícios neuroplásticos com o programa livre Gimp.
  83. 83. 82 Índia parindo, escultura em barro e musgo Jardim do Nego, Campo do Coelho, Nova Friburgo-RJ
  84. 84. CAPÍTULO 3 ∏ outras violências E  porque  o  dinheiro  viria  justamente  de  esquemas  políFcos  se  o  filho  que   pagou  ganhou  dinheiro  com  trabalho,  sabe-­‐se  que  muito  trabalho,  no   sindicato,  na  políFca,  na  advocacia,  pois  que  se  admiFsse  que  a  casa  veio  do   dinheiro  justo  ganho  com  o  esforço  e  a  competência.  Não  é  afinal  um  grande   apartamento  em  Higienópolis  ou  Paris  ou  Nova  York.  Dona  Olga  merece  a   casa  que  tem.   Texto  de  Ana  Maria  Roland Achei  com  pesar  um  ato  de   matricídio,  se  não  de  violência   contra  uma  anciã,  subtrair  -­‐  talvez   por  um  gesto  de  vingança  fria,  de   um  plano  de  ocupação  do  poder   que  ainda  não  se  jusFficou  -­‐  tomar   a  casa  em  que  vive  a  velha   senhora,  onde  tem  seus  lugares,   sua  cadeira  voltada  pra  varanda,   suas  roseiras  e  seu  fogão,  as  fotos   dos  seus  mortos  na  parede,  dos   netos  e  bisnetos,  a  casa  que  como   sabemos  é  o  mundo  dos  velhos.   Não  isto  não  se  faz  em  nome  do   que  quer  que  seja,  acorda-­‐se,   trata-­‐se,  e  a  casa  foi  paga.
  85. 85. Jornal GGN - O juiz federal Sergio Moro mandou confiscar a casa onde mora a mãe de José Dirceu, Olga Guedes da Silva, na condenação do ex-ministro e de outras 10 pessoas na Operação Lava Jato. A sentença ainda ocorreu um dia após Olga fazer aniversário de 96 anos. O confisco da casa ocorreu, segundo os argumentos do juiz da Lava Jato, porque estava registrada no nome da empresa TGS Consultoria. De acordo com Moro, o imóvel teria sido comprado com uma parte dos R$ 15 milhões que ele recebeu de propina no esquema de corrupção da Petrobras. A TGS Consultoria pertence a Júlio César dos Santos, um dos sócios da empresa investigada no esquema JD Consultoria, ao lado do ex-ministro e de seu irmão, Luis Eduardo de Oliveira e Silva. Júlio afirmou aos investigadores que vendeu a casa ao ex-ministro que, por sua vez, também reconheceu ter comprado o imóvel em nome da TGS. Dirceu negou que a origem dos recursos era ilegal. De acordo com seus advogados, o montante foi obtido por meio de trabalhos de consultoria da JD junto a empresas. Mas Moro considerou que a TGS foi usada por Dirceu para esconder parte dos valores ilegais recebidos. Além da casa onde morava a mãe de José Dirceu, também foram confiscados a sede da JD Consultoria e a casa onde morou a filha do ex-ministro. Agora, a Justiça Federal deverá leiloar os imóveis. Dirceu recebeu a maior pena decretada pelo juiz Sérgio Moro, até agora, na Lava Jato, somando 23 anos e três meses de prisão. 84 Sergio Moro confisca casa de mãe de Dirceu no aniversário de 96 anos SEÇÃO 1 ∏
  86. 86. 85 Só  quero  lembrar  que  José  Dirceu  está  preso  sem  provas.  Usaram  contra  ele  a  teoria  do  domínio  do  fato,  uma  teoria  duvidosa,   quesFonada  por  seu  próprio  autor.    É  tudo  muito  estranho.Não  há  prova  contra  ele  e  ele  foi  condenado  à  prisão  perpétua.  Sim,   23  anos  na  idade  dele  equivale  a.Não  sei  o  que  fazer,  a  não  ser  engolir  a  seco,  com  dificuldade  e  conFnuar  em  marcha,   caminhando  e  cantando,  como  em  64.  Voltamos  no  tempo.Agora  é  assim,  qualquer  um,  você  ou  eu  pode  ser  preso  a  qualquer   hora  por  nada,  por  disse  me  disse,  falatório,  conjecturas.Mas,mudando  de  assunto...
  87. 87. 86 por que simplesmente não se respeita a outra pessoa por inteiro, do jeito que é?
  88. 88. 87
  89. 89. 88
  90. 90. 89
  91. 91. 90 Repare como a questão é complexa, não dá para se fiar em verdadesinhas prontas, frases curtas de efeito.
  92. 92. 91
  93. 93. 92 intimação recebida por uma professora universitária italiana ativista e sindicalista, visitante na UFMG, Brasil, maio de 2016.
  94. 94. Levou tempo para processar. Levou tempo para saber como reagir de modo produtivo. Mas entre um e outro, deixei amargar a língua, embrulhar o estômago e assumi a intransigência como único tom de meu discurso. Não é porque ela bebeu, não é porque estava num baile funk, não é porque seu short era curto, não é porque estivesse desempregada ou curtisse um baseado ou fosse simpática com um rapaz ou outro. Não é também porque ela deu mole, não é porque fosse gostosinha, tivesse carinha de anjo ou que, como dizem, a safada estivesse pedindo. Hoje mais cedo li um post que questionava a lógica dos brasileiros que duvidavam de um estupro gravado com cenas da vagina ensanguentada, mas acreditavam piamente, cegamente, num impeachment cujas provas nunca se materializaram, cujas suspeitas nunca se transformaram em evidências. Eu, que não fui estuprado por 33 homens, demorei para poder escrever sobre isto. Eu, que me identifico como parte do gênero masculino, falo disso com asco dos homens que fizeram e ainda gozam de liberdade e até, não duvidaria, de entumescido status entre seus semelhantes. Eu, que também possuo um pênis, tenho de acreditar que a veracidade do estupro não está sendo questionada por escolha e não por ignorância. Eu preciso ler essa licenciosidade com que tratam o estilhaçamento desta menina, que vai muito além de qualquer reparo que nossas vãs ciências texto de Mateus Ciucci, ator e dramaturgo xciii
  95. 95. possam oferecer, eu preciso ler a escolha das autoridades – militares do gênero masculino – como uma escolha da manutenção da cultura do estupro para consequente manutenção de suas virilidades. Em suas cabeças machistas e violadoras, seria o fim se a bucetinha da ninfetinha não mais pudesse ser degustada quando bem entendessem. Seria o fim se os peitos e as bundas que flutuam sem identidade tentando seus viris desejos, de repente, começassem a falar, a lutar, a ir pra guerra proclamando independência com seus lábios abusados, aliciados, assustados e diuturnamente oprimidos. Eu tenho de acreditar manter a cultura de estupro é uma tática de repressão, modulando-a em estratégia de compra, tática de mercado ou piadas bobas de domingo à tarde. Afinal, temos de poder rir das desgraças da vida. Ai, como as mulheres são sensíveis! Fico imaginando no que as outras pessoas ao meu redor se fazem acreditar para ainda ter fé na capacidade do outro de ser humano. Fico imaginando no que esta menina vai ter de acreditar para conseguir se constituir pessoa depois dos 33, depois do delegado que duvidou dela e depois de todos que fizeram campanha para por em dúvida a existência do fato de que a dilaceraram, carne e espírito. Do outro lado da realidade está o brilhantismo de um deputado que quer criminalizar o aborto, punindo quem encorajar a mulher a fazê-lo, quem a ajudar. Punindo especialmente o aborto da coisa intra-uterina se produto de estupro. Não basta legislar sobre o corpo da estuprada e sobre sua integridade física, emocional e afetiva. Tem de também mandar a mensagem que num estupro, a pena recai sobre ela e não o criminoso. Fico imaginando qual seria a origem de tudo isso. Se foi com a intenção de silenciar que os três reis magos trouxeram presentes à Maria. Se foi por isso que deram ao nascimento de Jesus o nome de milagre. Para que Maria pudesse justificar o porquê disso ter acontecido com ela. Ela, humilde, sofredora e obediente. Eles, homens poderosos acobertando um estupro. E José, o devoto subalterno que silencia a si e a outra. Vai passar. Basta não falarmos disso. E desafiar o Todo-Poderoso? Pois o poder precisa mudar de mãos. O poder precisa vir de outro lugar. Sobre elas, só elas opinam. xciv
  96. 96. E eu, eu tenho de acreditar que posso ser mais homem reconhecendo-as como mais mulheres.   xcv
  97. 97. xcvi
  98. 98. xcvii Lembrando do que me contou uma amiga. Ela foi constrangida num concurso público, num exame para doutorado. Um membro da banca lhe perguntou se ela pretendia engravidar em breve.Ora, isso não se faz, é preconceito sexista. Ela não merecia passar por esse constrangimento.Tipo da coisa desnecessária.Tipo de pergunta que a gente não responde, faz cara de paisagem e mentalmente manda à merda. Ana Beatriz, você precisava ver, quando a mãe dela ficou doente na Itália, eles não pagaram passagem para ela ir ficar com a mãe. Um absurdo! Só no finalzinho, quando não tinha mais jeito é que ela conseguiu ir! E olha que era gente muito endinheirada aqui de Brasília, família conhecida. O que é isso se não é machismo?A mãe da mulher? A dor da mulher? Ora, não é nada, ela pode esperar,já já passa, quem cuidaria da casa e das crianças? machismos outros
  99. 99. CAPÍTULO 4 ∏ ALGUNS DADOS a violência doméstica e familiar é a principal forma de violência letal praticada contra as mulheres no Brasil. Dos 4.762 homicídios de mulheres registrados em 2013, 50,3% foram cometidos por familiares, sendo a maioria desses crimes (33,2%) cometidos por parceiros ou ex- parceiros. Isso significa que a cada sete feminicídios, quatro foram praticados por pessoas que tiveram ou tinham relações íntimas de afeto com a mulher. contra as mulheres no Brasil.
  100. 100. 99 Já a Pesquisa Avaliando a Efetividade da Lei Maria da Penha (Ipea, março/ 2015) apontou que a Lei nº 11.340/2004 fez diminuir em cerca de 10% a taxa de homicídios contra mulheres praticados dentro das residências das vítimas, o que “implica dizer que a LMP foi responsável por evitar milhares de casos de violência doméstica no país”.
  101. 101. 100 O Mapa da Violência 2015 também mostra que o número de mortes violentas de mulheres negras aumentou 54% em dez anos, passando de 1.864, em 2003, para 2.875, em 2013. No mesmo período, a quantidade anual de homicídios de mulheres brancas diminuiu 9,8%, caindo de 1.747, em 2003, para 1.576, em 2013. Já a Pesquisa Avaliando a Efetividade da Lei Maria da Penha (Ipea, março/2015) apontou que a Lei nº 11.340/2004 fez diminuir em cerca de 10% a taxa de homicídios contra mulheres praticados dentro das residências das vítimas, o que “implica dizer que a LMP foi responsável por evitar milhares de casos de violência doméstica no país”
  102. 102. 101 A casa como o lugar mais inseguro para a mulher 48% das mulheres agredidas declaram que a violência aconteceu em sua própria residência; no caso dos homens, apenas 14% foram agredidos no interior de suas casas (PNAD/IBGE, 2009). 3 em cada 5 mulheres jovens já sofreram violência em relacionamentos,aponta pesquisa realizada pelo Instituto Avon em parceria com o Data Popular (nov/2014).
  103. 103. 102 56% dos homens admitem que já cometeram alguma dessas formas de agressão: xingou, empurrou, agrediu com palavras, deu tapa, deu soco, impediu de sair de casa, obrigou a fazer sexo. Saiba mais sobre as “Percepções do Homem sobre a Violência Contra a Mulher” (Data Popular/Instituto Avon 2013). Pesquisa apoiada pela Campanha Compromisso e Atitude, em parceria com a Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República, revela 98% da população brasileira já ouviu falar na Lei Maria da Penha e 70% consideram que a mulher sofre mais violência dentro de casa do que em espaços públicos no Brasil. Saiba mais: Pesquisa Percepção da Sociedade sobre Violência e Assassinatos de Mulheres (Data Popular/Instituto Patrícia Galvão, 2013).
  104. 104. 103 O artigo 7º da Lei nº 11.340 tipifica como VIOLÊNCIA PSICOLÓGICA qualquer conduta que cause dano emocional ou prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação da mulher; diminuição, prejuízo ou perturbação ao seu pleno desenvolvimento; que tenha o objetivo de degradá-la ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição, insulto, chantagem, ridicularização, exploração, limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio. Traz ainda a definição da violência moral, entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria.
  105. 105. 104 Dos atendimentos registrados em 2014, 77,83% das vítimas tinham filhos, sendo que 80,42% presenciaram ou sofreram a violência juntamente com as mães. 
  106. 106. 105 Violência homofóbica: Brasil tem 5 denúncias por dia, mas números reais são muito maiores, diz relatório
  107. 107. 106 "As violências ocorridas cotidianamente contra os LGBT [são] infelizmente muito mais numerosas do que aquelas que chegam ao conhecimento do poder público. Salienta-se que a falta de um marco legal que regulamente a punição de atos discriminatórios contra a população LGBT aprofunda a dificuldade de realização de diagnósticos estatísticos desta natureza."
  108. 108. 107 ou se amo Madalena?
  109. 109. 108 Ana Beatriz
  110. 110. 109
  111. 111. 110 ainda contra Cunha
  112. 112. 111
  113. 113. 112 cabe às mulheres tomar atitude, assumir esse ser magnífico que somos. Estar atenta e forte em cada minuto. Não temos tempo de temer a morte.
  114. 114. 113 esse tema se divide ou polariza? Ou esquerda, direita, volver, ambas! Já, vamos.
  115. 115. 114 porque o aborto mata milhões de mulheres pobres todos os dias no Brasil, as ricas fazem aborto em médicos clandestinos numa boa, mas as pobres se lascam e morrem.Por isso e porque penso que o corpo é da mulher e só dela é preciso descriminalizar o aborto.É melhor abortar que ter um filho sem querer tê-lo, para não amá-lo ou para não ter condição de criá-lo.As pessoas só ficam chocadas quando vêem a notícia da mulher que abandonou o bebê na lixeira ou na beira da lagoa, agora ninguém quer saber das condições trágicas e angustiantes que essa mulher devia estar vivendo.
  116. 116. 115 deformação  craniana  devida  à  craniotomia  a  que  fui  submeFda  para   desobstrução  de  uma  artéria  cerebral  e  uma  hemorragia  local.  Um  coágulo   de  sangue  se  formou  e  ficou  passeando  pelo  meu  corpo  até  que  resolveu   parar  numa  artéria  cerebral  e  assim  o  fez,  ocasionando  um  acidente   vascular  cerebral  de  grandes  proporções  O  sangue  deixou  de  irrigar  o   cérebro  por  tempo  suficiente  para  lesioná-­‐lo  gravemente,  destruiu  metade   dele.  Uma  esquemia  foi  interrompida  com  intervenção  cirúrgica,  a   craniotomia,  onde  o  paciente  tem  80%  de  chance  de  óbito. Mas cá estou, forte e sã, graças à proteção do meu orixá,dos cuidados da minha família e de gente amiga. Na  craniotomia  eles  Fram  uma  parte   do  crânio  e  guardam  na  barriga  da   pessoa  para  que  o  osso  fique  num   ambiente  vivo.   Depois,  numa  cirurgia  chamada   cranioplasFa,  eles  colocam  esse  osso   de  volta  ao  seu  lugar  e  dão  uma   ajeitada  na  cabeça  da  pessoa.  O   cabelo  cresce  outra  vez  e  tudo  vai   voltando.A  vida  é  meio  mágica.
  117. 117. 116 a  natureza  tem  um  poder  de  regeneração  incrível,  é  só  esperar,  que  ela  é  generosa.  Não  fazer  nada    que   atrapalhe  e  algumas  coisas  que  ajudem..  
  118. 118. 117 um ano e meio depois indo no triciclo a algum lugar. te chamam de ladrão, de bicha, maconheiro, transformam o país inteiro num puteiro pois assim se ganha mais dinheiro mais DINHEIRO ôôôô a tua piscina está cheia de ratos Viva Cazuza,salve, axé, me lembrei dele, lembro direto, tem tudo a ver.
  119. 119. 118 nosso cérebro é muito mais, suas potencialidades, maiores. Fina membrana que nos separa sutilmente do resto. Corpo e mente,meios de criar limites e prazeres, núcleo central de comunicação com o todo circundante.
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  121. 121. 120 com nadadores de distintas classes paralímpicas em uma competição na SEL, secretaria de esporte e lazer,em Brasília- DF.Ao lado, com Cássia, quando comecei a andar, depois do acidente. Meu pé ficou com padrão de pisada invertido, já vai virando ou torcendo! Por isso uso normalmente órtese (ou tala) tornozelo-pé, para não deixá-lo virar e ando preferencialmente com uma bengala simples.Acho até que é razoável como sequela de um acidente tão grave quanto o meu. Já acostumei.
  122. 122. 121 na  natação  paralímpica  os    atletas  são  agrupados  em  classes,   definidas  de  acordo  com  sua  deficiência  segundo  critérios   estabelecidos  e  avaliados  por  uma  comissão  técnica,  para   evitar  injusFça,  amputado  compete  com  amputado,  lesado   medular  com  iguais,  deficiente  visual  com  outros  assim,   down  com  down,  não  comigo,  que  sou  classe  S7,  deficiência   motora  elevada.Na  foto,  com  Gustavo,  nadador  deficiente   visual,  classe  diferente  da  minha,  portanto.  Engraçado,  na   vela  adaptada,  não  tem  essa  de  classe,  é  todo  mundo  junto.  
  123. 123. 122 27%dos homossexuais ou bissexuais reclamam sofrer ou ter sofrido preconceito no ambiente escolar . Eu tinha 12 anos. Minha mãe e meu padrasto bateram com o chinelo na minha cara, falando que eu só podia ser lésbica se não estivesse debaixo do teto deles. Sobre um cara dar queixa de ter sofrido uma agressão por estar beijando outro publicamente “Na maioria dos casos, os delegados falam: ‘Que isso, cara? Você me vem com esse problema? Você tá louco? Se você é maricas, se cuida, para de ficar se mostrando desse jeito pros outros’. É difícil acreditar na polícia como um órgão que nos defenda. Eu não vejo horizontalidade nesse lugar da defesa pública de segurança. Eu não confio nos caras.”
  124. 124. vamos ficar um tempo vendo esse quadro.Até assimilar tudo. 123
  125. 125. 124 foto de Sheila Campelo, de outra manifestação, das várias que tiveram, contra esse golpe absurdo
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  127. 127. 126 Mari Rabelo: Deveria ser por lei que o homem ou a mulher que tiver a iniciativa de se separar do cônjuge pela razão de haver encontrado outro par (e que já teve todo um tempo para encaminhar a nova etapa de sua vida), fique com a filharada, enquanto o abandonado se recompõe e, então, depois disso se vê o que se faz!!
  128. 128. 127 Naquela  minha  segunda  cirurgia,  a  cranioplasFa.  Eu   acabada,  tonGssima,no  maior  enjôo.Ângela  me  fez  um  Do   in  caprichado,  disse-­‐me  que  era  coisa  de  bêbado,  cura   ressaca.  Pegou  no  meu  pé,apertou  bem,  entre  o  dedão  e  o   segundo  dedo  e  manteve.  A  gente  conversando  e  ela    ali,   firme,  apertando.A  tontura  foi  passando,  passando,  até   que  passou  total.Não  esqueço! Grata,  por  essa  e  por  outras… há uma teia fluida de carinho tecida pelas mulheres entre elas.Na real, entre todos os seres viventes. Cabe a cada ser, sentir e tecer, para não ficar de fora, sentindo-se isolado.
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  130. 130. 129 foto-­‐protesto  postada  por  Alexandra  MarFns    quando  a  Veja   publicou  a  matéria  sobre  Marcela,  esposa  de  Michel  Temer,   com  o  Gtulo  Bela,  recatada  e  do  lar.  Esta  foto  é  de  uma   performance  feita  por  elas  e  que  consisFu  no  seguinte:  as   duas  moças  faziam  um  mega  hair  nos  pelos  pubianos  numa   lojinha  do  setor  comercial  sul,  em  Brasília,    à  vista  de  quem   quisesse  ver  e  dali  saiam  a  pé,  vesFndo  apenas  uma   camiseta,  até  o  PáFo  Brasil,  onde  terminavam  dando  um   gostoso  beijo  na  boca.   Pa†y   Smith, mulher   punk  dos   anos  80 Adriana Lodi, atriz e professora universitária. Algumas mulheres colocaram este selinho no Face nos dias subsequentes ao estupro de Santa Cruz, para marcar posição. Ficou lindo, esse.Eu achei.
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  132. 132. 131 fotos de Sheila Campelo, de outra manifestação na Esplanada, das várias que tiveram, contra esse golpe absurdo.Mulheres e trabalhadores juntos, manifestando-se.Terá sido em vão?Não, não, a democracia em risco,o povo em risco, valores importantes em risco.Era preciso manifestar-se.
  133. 133. LGBTS ∏ CONTINUANDO, desdobramentos e as mulheres
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  140. 140. 139 Riso e choro. Só penso em quanto sofrimento poderia ser evitado se as pessoas,sobre tudo,as mais próximas, mães,pais, irmãs, irmãos e familiares, a própria pessoa, respeitassem sua opção sexual, é assunto íntimo. Ninguém tem nada a ver com isso. Só o ser secreto.
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  143. 143. 142 não tem 30 monstros juntos. Não tem patologia nisso. É uma questão cultural. São 30 pessoas que participaram do crime e nenhuma delas agiu para evitar que aquele crime acontecesse. Isso revela uma sociedade criminosa e violenta contra a mulher. Que enxerga que o corpo da mulher é feito para o homem usufruir.”
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  146. 146. 145 CANADIAN PRIME MINISTER AND OPPOSITION LEADER SHARE KISS TO DENOUNCE ORLANDO MASSACRE 
 Descobri que a vida é bailarina E que nenhum ponto inerte anula o viravoltear das coisas. Carlos Drummond de Andrade
  147. 147. 146 A Organização dos Estados Americanos (OEA), que reúne Brasil, Argentina, Canadá, Chile, Colômbia, Estados Unidos, México e Uruguai, anunciou na semana passada que irá atuar junto aos seus membros para combater a homofobia. Há alguns anos a instituição reporta as violações aos direitos LGBT no continente e decidiu assumir a linha de frente perante a homofobia como resposta ao atentado de Orlando. O anúncio deste reforço foi oficializado na 46ª Sessão Ordinária da Assembleia Geral da OEA, em São Domingos, na República Dominicana. O objetivo da aliança internacional é assegurar que pessoas que vivem ou se sentem LGBT tenham o direito a uma vida sem violência e discriminação baseadas em orientação sexual, identidade ou expressão de gênero. A OEA resolveu publicamente condenar todas as formas de discriminação e violência contra LGBTs mais uma vez mas agora irá exigir que seus países membros acabem com as barreiras jurídicas que promovem a discriminação, adotando medidas contra o preconceito social. A OEA quer mais estudos sobre o tema e reforço contra a homofobia, com a adoção de leis e apoio a iniciativas práticas, este são alguns dos caminhos indicados pelo grupo que passa a se reunir para debater o tema em um grupo de trabalho especial. Leia Mais: Após Orlando, OEA se une contra a homofobia e promete ser mais direta na defesa dos LGBT | Revista Lado
  148. 148. parece que acalmou, agora. Xiu, vamos continuar quietos, olha o dia nascendo, como é lindo!É isso ali? É. A vista da nossa varanda na 205 norte e cá embaixo um cantinho dela.Tempo bom aquele! 147
  149. 149. para terminar, por que o assunto é muito, mas precisa acabar pássaro-dragão tatuado

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