Desenho<br />“Ilustração do livro Mecânica do Coração”  <br />Escola Secundária de Rocha Peixoto | Curso Profissional Técn...
Capa<br /><ul><li>Para a capa optei por um coração com algumas rodas de relógio para mostrar que era mecanizado e pelo o t...
1º Ilustração : O Nascimento<br />Edimburgo e as suas ruas escarpadas metamorfoseiam-se. Umas a uma, as fontes transformam...
2ª Ilustração : A casa da doutora Madeleine<br /><ul><li> “A coisa passa-se numa velha casa empoleirada no topo da mais al...
4ª Ilustração : Ida para a escola<br /><ul><li> “Entramos para a sala de aula. Madeleine tinha razão, aborreço-me como nun...
5ª Ilustração : Joe e o Menino andam à luta<br /><ul><li> “As humilhações de Joe prosseguem dia após dia. Transformei-me n...
6ª Ilustração : Comboio fantasma <br /><ul><li>  “O comboio resfolga com um barulho lancinante. Gostaria de recuar no temp...
8ª Ilustração : Conselho do Mágico<br /><ul><li> “Mélièsavisou-me. <<Atenção, ela é cantora e é bonita. Não deves ser o pr...
9ª Ilustraçao : Escreve uma carta<br /><ul><li> “Dirijo-me ao seu camarim e meto-lhe uma mensagem por debaixo da porta:</l...
10ª Ilustração : O beijo <br /><ul><li> “Tento mantê-la um pouco afastada do lado esquerdo  do meu peito, como se o coraçã...
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  1. 1. Desenho<br />“Ilustração do livro Mecânica do Coração” <br />Escola Secundária de Rocha Peixoto | Curso Profissional Técnico de Design Gráfico <br />Tiago Neves nº14 11ºQ<br />
  2. 2. Capa<br /><ul><li>Para a capa optei por um coração com algumas rodas de relógio para mostrar que era mecanizado e pelo o título do livro “Mecânica do Coração”.</li></ul>Capa Original <br />A Minha Proposta de Capa<br />
  3. 3. 1º Ilustração : O Nascimento<br />Edimburgo e as suas ruas escarpadas metamorfoseiam-se. Umas a uma, as fontes transformam-se em girândolas de gelo. O velho rio, habitualmente tão sério no seu papel de rio, estende-se até ao mar disfarçado de lago de açúcar glacê. O fragor da tempestade faz um ruído de vidros a quebrar. O orvalho congelado faz maravilhas, cobrindo de lantejoulas os corpos dos gatos. As árvores parecem grandes fadas em camisa de noite, dançando de braços abertos à luz do luar, vendo as caleches a derrapar nas calçadas geladas. O frio é tal que os pássaros gelam em pleno voo antes de se esmagarem no solo. O barulho que fazem ao cair é incrivelmente suave, nem parecem um som de morte.<br />E é neste dia mais frio do mundo que me preparo para nascer.<br /><ul><li> “Edimburgo e as suas ruas escarpadas metamorfoseiam-se. Umas a uma, as fontes transformam-se em girândolas de gelo. O velho rio, habitualmente tão sério no seu papel de rio, estende-se até ao mar disfarçado de lago de açúcar glacê. O fragor da tempestade faz um ruído de vidros a quebrar. O orvalho congelado faz maravilhas, cobrindo de lantejoulas os corpos dos gatos. As árvores parecem grandes fadas em camisa de noite, dançando de braços abertos à luz do luar, vendo as caleches a derrapar nas calçadas geladas. O frio é tal que os pássaros gelam em pleno voo antes de se esmagarem no solo. O barulho que fazem ao cair é incrivelmente suave, nem parecem um som de morte.</li></ul>E é neste dia mais frio do mundo que me preparo para nascer.”<br />
  4. 4. 2ª Ilustração : A casa da doutora Madeleine<br /><ul><li> “A coisa passa-se numa velha casa empoleirada no topo da mais alta colina de Edimburgo – Arthur´sSeat –, um vulcão de quartzo azulado no cimo do qual repousam, segundo se diz, os restos mortais do velho rei Artur. O telhado da casa, pontiagudo, é incrivelmente alto. A chaminé, em forma de faca, aponta para as estrelas. A lua amola nela as suas fases. (…) É aqui que vive a doutora Madeleine, a parteira dita louca pelos habitantes da cidade, bastante bela apesar da idade. O brilho dos seus olhos mantém-se intacto, mas o seu sorriso parece falso.”</li></li></ul><li>3ª Ilustração : Ida à cidade <br /><ul><li> “No dia do meu décimo aniversário, a doutora Madeleine, decidiu finalmente levar-me à cidade. Há tanto tempo que lhe peço… No entanto não consegue deixar de, até ao último momento, tentar adiar o inevitável, mexendo em objectos, passando de uma sala para outra.</li></ul>Quando decido segui-la até à cave, impaciente, descubro uma prateleira cheia de boiões. Alguns têm etiquetas a dizer «lágrimas 1850-1857» e outros estão cheios de «maçãs do jardim».<br />- De quem são estas lágrimas? – pergunto-lhe.<br />- Minhas. Sempre que choro, meto as lágrimas num frasco e guardo-o nesta cave para fazer cocktails.”<br />
  5. 5. 4ª Ilustração : Ida para a escola<br /><ul><li> “Entramos para a sala de aula. Madeleine tinha razão, aborreço-me como nunca na minha vida. Porcaria de escola, sem a pequena cantora… e eu inscrito para todos o ano escolar. Como é que vou dizer a Madeleine que já não quero «estudar»?</li></ul> Durante o recreio dou início à minha investigação, perguntando se alguém conhece a pequena cantora «Andaluzia» que passa a vida a tropeçar em tudo. Ninguém me responde.<br /> - Ela não anda aqui na escola?<br /> Nenhuma resposta.<br /> Ter-lhe-ia acontecido alguma coisa?<br /> Um tipo estranho, mais velho do que os outros. Aproxima-se. Ao vê-lo, os outros baixam imediatamente os olhos. O seu olhar cor de azevinho deixa-me gelado. O tipo é tão magro como uma árvore morta, tão elegante como um espantalho vestido por um grande costureiro e a sua cabeleira parece confeccionada a partir de assas de corvo.”<br />
  6. 6. 5ª Ilustração : Joe e o Menino andam à luta<br /><ul><li> “As humilhações de Joe prosseguem dia após dia. Transformei-me no brinquedo em que ele descarrega toda a sua raiva e tristeza. Por mais que as regue, as flores da recordação da pequena cantora começam a secar.</li></ul>Madeleine bem tenta consolar-me, mas nem sempre quer ouvir histórias sentimentais. Artur já não tem quase nenhumas recordações no saco e canta cada vez menos.<br /> Na noite de meu aniversário, Anna e Luna aparecem sempre para me fazer uma surpresa. Como habitualmente, divertem-se a perfumar cunnilingus, mas desta vez Luna carrega um pouco na dose. O hamster retesa-se, tem um espasmo e cai morto, redondo. A visão do meu fiel companheiro na jaula, imóvel, enche-me de tristeza. Um longo «cucu» escapa-me do peito.<br /> Como consolação, Luna dá-me uma aula de geografia sobre a Andaluzia. Ah, a Andaluzia… se ao menos tivesse a certeza de que MissAcácia estava lá, partia imediatamente!”<br />
  7. 7. 6ª Ilustração : Comboio fantasma <br /><ul><li> “O comboio resfolga com um barulho lancinante. Gostaria de recuar no tempo para depositar o velho relógio que me serve de coração no teu colo. O ritmo sincopado da carruagem causa-me uma certa perturbação que aprenderei a evitar mais tarde, mas neste momento tenho o coração a estalar. Oh, Madeleine, ainda não deixei as brumas de Londres e já bebi a totalidade das tuas lágrimas! Oh, Madeleine, prometo-te que na próxima paragem vou à procura de um relojoeiro. Verás, voltarei para junto de ti em bom estado ou só um pouco desregulado para que possas, de novo, exercer os teus talentos em mim.”</li></li></ul><li>7ª Ilustração : Miss Acácia a cantar <br /><ul><li>“MissAcácia, flamenco picante ás 22horas no teatro pequeno, em frente do comboio fantasma.</li></ul> Reconheci-lhe imediatamente os traços do rosto. Ao fim de quatro anos, eis que a realidade substitui o sonho! Sinto-me como um passarinho no dia do primeiro voo, com vertigens. O ninho fofo da imaginação afasta-se, vou ter de me lançar no vazio.<br /> As rosas de papel cosidas no vestido da pequena cantora desenham o mapa do tesouro do seu corpo. Tenho electricidade na ponta da língua. Sou uma bomba prestes a explodir, uma bomba aterrorizada, mas uma bomba, mesmo assim.<br /> Corremos o teatro e instalamos-nos nas cadeiras destinadas ao público. O palco é um simples estrado à sombra do toldo de uma caravana. Quem diria que eu vou vê-la dentro de alguns instantes… Quantos segundos passaram desde o dia dos meus dez anos? Quantos milhões de vezes sonhei com este momento? A euforia que se apodera de mim é tão intensa que mal consigo ficar sentado. Entretanto, no meu peito o orgulhoso moinho de vento, pronto a devorar tudo à sua passagem, transformou-se de novo num minúsculo cuco suíço.”<br />
  8. 8. 8ª Ilustração : Conselho do Mágico<br /><ul><li> “Mélièsavisou-me. <<Atenção, ela é cantora e é bonita. Não deves ser o primeiro a quem passou pela cabeça… O cúmulo da sedução é dar-lhe a ilusão de que não estás a tentar seduzi-la.>></li></ul> -Apoiei-me na porta, que estava mal fechada, e aterrei no seu canapé.<br /> -Acontece-lhe muitas vezes aterrar assim no camarim de uma rapariga que se prepara para mudar de roupa?<br /> -Muitas vezes não!<br /> Tenho a impressão de que cada palavra é de uma importância capital. Sílaba a sílaba, cada uma delas sai com dificuldade. O peso do sonho que trago comigo faz-se sentir.<br /> -E habitualmente vai para onde? À cama ou ao duche? <br />-Habitualmente não vou para lado nenhum.<br /> Tento recordar o curso de feitiçaria cor-de-rosa de Miélès.” <br />
  9. 9. 9ª Ilustraçao : Escreve uma carta<br /><ul><li> “Dirijo-me ao seu camarim e meto-lhe uma mensagem por debaixo da porta:</li></ul>Meia-noite em ponto por trás do comboio-fantasma. Ponha os óculos para não ir contra a lua e espere por mim. Prometo que lhe dou tempo de os tirar antes de olhar para si.<br /> -Anda hombre! Anda! Chegou a hora de lhe mostrares o teu coração! - repete Méliès.<br /> -Tenho medo de a assustar com os meus ponteiros. Aterroriza-me a ideia de ela me rejeitar… já viste que há séculos que sonho com este momento?<br /> -Mostra-lhe o teu coração verdadeiro, lembra-te do que te disse, é o único truque de magia possível. Se ela vir o teu coração verdadeiro, o relógio não a assustará, podes crer!<br /> Enquanto espero pela meia-noite como um Pai Natal apaixonado, o pombo desconjuntado de Luna pousa-me no ombro. Desta vez a carta não se perdeu; desdobro-a num estado de excitação comovida.”<br />
  10. 10. 10ª Ilustração : O beijo <br /><ul><li> “Tento mantê-la um pouco afastada do lado esquerdo do meu peito, como se o coração fosse de vidro, o que complica a nossa dança, dado que ela parece ser a campeã do mundo de tango. O volume do meu tiquetaque aumenta cada vez mais. As recomendações de Madeleine vêm-me à memória. E se eu morresse antes sequer de a beijar? Assalta-me uma sensação de salto no vazio, a alegria de voar, o medo de me estatelar no chão.</li></ul>Os dedos de MissAcácia acariciam-me o pescoço e os meus perdem-se algures por baixo das suas omoplatas. Tento ligar o sonho à realidade, mas estou a trabalhar sem máscara. As nossas bocas aproximam-se. O tempo abranda, quase pára. Os nossos lábios completam-se, misturam-se delicada e intensamente. A sua língua parece um pardal a eclodir-me na boca e, curiosamente, sabe a morango. <br />Vejo-a a esconder os olhos enormes por baixo das pálpebras-sombrinhas e sinto-me um halterofilista das montanhas, os Himalaias no braço esquerdo e as Montanhas Rochosas no direito. Atlas é um pobre anão comparado comigo. Uma alegria gigante inunda-me! O comboio faz ressoar os seus fantasmas a cada um dos nossos gestos. O som de passos no soalho envolve-nos.”<br />

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