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            3. METODOLOGIA DE PESQUISA


            Este trabalho caracteriza-se como um estudo analítico-descritivo, de
tipo qualitativo, pois dirige-se a um nível de realidade composto por significados,
motivos, aspirações, crenças e atitudes, o qual não pode ser quantificado
(MINAYO,1994).
            Define-se, igualmente, como um estudo de caso, pois obedece a
algumas das características fundamentais de estudos desse tipo, apontadas por
LÜDKE e ANDRÉ (1986, pp.18-19), na medida em que enfatiza a “interpretação
em contexto”, visando apreender completamente o objeto de estudo; busca
retratar a realidade de forma “completa e profunda”, revelando a multiplicidade
de dimensões presentes no problema de pesquisa e focalizando-o de forma
integral;   indica   experiências   que   possibilitam   subsídios   que   podem,
eventualmente, serem aplicados à experiência dos leitores.
            Foram investigadas e analisadas as concepções que profissionais de
Saúde, Educação e usuários de um determinado setor (serviço de Psicologia)
especializado no atendimento a escolares, inserido em uma instituição
pertencente ao sistema público estadual de saúde (Ambulatório Regional de
Especialidades - ARE), possuem acerca de temas como “distúrbios de
aprendizagem”, “fracasso escolar” e “integração saúde-educação”.
            É oportuno esclarecer que o termo “concepção”, neste estudo, é
utilizado como sinônimo de conceito, opinião ou ponto de vista (POLITO, 1994),
embora existam várias correntes teóricas que discorram sobre a definição,
construção e uso das concepções.
            Dentre essas correntes teóricas destaca-se a Teoria das Representações
Sociais, proposta por Serge Moscovici. Para esse autor, Representação Social é
uma entidade quase tangível que circula, cruza-se e cristaliza-se intensamente
através da fala, do gesto e do encontro no universo cotidiano; está presente na
maioria das relações sociais estabelecidas, nos objetos produzidos, consumidos e
nas comunicações realizadas entre as pessoas. (MOSCOVICI, 1978)
30




          RANGEL (1993) afirma que a representação social manifesta a
história cultural da sociedade e constitui-se em um determinante de valores,
conceitos, crenças e padrões de conduta que são, ao mesmo tempo, assimilados e
construídos de acordo com a forma que se representam, já que nossa maneira de
ver a realidade constrói em parte essa realidade; refere-se ao termo
“representação social” como o conjunto de conceitos, explicações e afirmações
que se originam na vida diária e no curso de comunicações interindividuais; que
as representações sociais formam as “teorias espontâneas” sobre os fatos e sobre
o mundo; expressam, divulgam e mantêm conceitos e imagens dos fatos, através
da construção e da preservação do conhecimento social sobre os mesmos.
          Ainda de acordo com RANGEL (op. cit.), a teoria das representações
sociais presta-se muito bem ao estudo das representações sobre enfermidades
físicas e mentais, além daqueles relativos à educação e justiça. O uso das
representações sociais também é bastante conveniente aos estudos que envolvem
várias categorias de sujeitos, devido ao fato de se constituírem em modalidades
do pensamento prático e servirem de guia para a atuação concreta das pessoas.


          3.1. Sujeitos:
          O estudo contou, no geral, com a participação de trinta e um (31)
sujeitos: quatro (04) profissionais de Saúde, nove (09) professores e dezoito (18)
sujeitos divididos em nove (09) alunos de escolas da rede pública estadual de
ensino e suas respectivas mães.
          Desse total, dois sujeitos, um aluno e uma mãe, abandonaram a
pesquisa na fase de coleta de dados.



          a) Caracterização dos profissionais de saúde:
          A seleção da amostra de profissionais de Saúde deu-se em função dos
mesmos atenderem à população de escolares encaminhada usualmente ao serviço
de saúde. Observando-se esse critério, constituiu-se a amostra no total de quatro
31




(04) profissionais de saúde, sendo uma (01) psicóloga, uma (01) terapeuta
ocupacional, uma (01) fonoaudióloga e uma (01) neuropediatra.
            Os anos de formado e de experiência anterior dos profissionais em
saúde pública e ARE, até o período da coleta de dados, é apresentado no quadro
abaixo:

                                       QUADRO 2:
                        Tempo de Atuação dos Profissionais no ARE
                                   e em Saúde Pública

     Profissional         Formado à   Experiência anterior   Experiência no    Total
                                       em saúde pública         ARE
       Psicólogo           07 anos            0                02 anos        02 anos
Terapeuta Ocupacional      06 anos         03 anos             03 anos        06 anos
   Fonoaudióloga           27 anos            0                06 anos        06 anos
    Neuropediatra          18 anos            0                05 anos        05 anos


            Com exceção da neuropediatra, todos os outros profissionais
permanecem, até a presente data, na instituição de saúde.
            Os profissionais de saúde selecionados como sujeitos desse estudo
possuem, no Ambulatório Regional de Especialidades, uma rotina de trabalho
bastante semelhante: primeiramente, recepcionam os usuários encaminhados para
seus respectivos setores efetuando, em seguida, uma triagem dos casos para a
avaliação e, caso seja necessário, iniciam o tratamento específico, em sessões
individuais ou grupais, uma vez por semana. Eventualmente, participam de
projetos e programas elaborados por órgãos oficiais do estado e município.
            c) Caracterização dos alunos e de seus pais:
            Alunos e mães foram selecionados a partir da população infantil
cotidianamente encaminhada ao setor de Psicologia do ARE
            Para a seleção desses sujeitos considerou-se a variável “responsável
pelo encaminhamento”, ou seja, foram escolhidos, pela seqüência de inscrição na
lista de espera para atendimento existente no setor, os alunos e as respectivas
32




mães encaminhados ao serviço de Psicologia a pedido dos professores ou de
outros profissionais de Educação (diretoras, coordenadoras pedagógicas, etc). O
grupo de alunos amostrados foi inscrito na lista de espera nos meses de fevereiro,
março e abril de 1994 e convocados para o início do processo de coleta de dados
e avaliação diagnóstica em meados de setembro do mesmo ano.
              As outras variáveis, como sexo, idade, escola, série, motivo de
encaminhamento e local de moradia não foram consideradas na constituição
dessa amostra.
              Não foi cogitada a convocação dos pais dos alunos, já que a
experiência diária com a população de escolares indica que, por uma série de
fatores1, a mãe é a pessoa da família geralmente designada a comparecer ao
serviço de Psicologia.
              Os nomes (fictícios), idades e séries cursadas são mostrados na tabela
abaixo:




                                         TABELA 2:
                     Idade (em anos), sexo e série escolar dos alunos

                              Alunos            Idades          Séries
                           Vilma                8 anos          CBI
                          Joana                10 anos          CBC
                          Telma                 9 anos          CBC
                                Dalva           8 anos          CBC
                          Antônio               8 anos          CBC
                                 José          10 anos          CBC
                                                                a
                             Roberto           10 anos         3 série
                             Eduardo            8 anos          CBC
                          Marcos                8 anos          CBC
1
 * Um desses fatores é o fato da mulher ainda ser considerada, em nossa sociedade, como a maior
responsável pela criação dos filhos, isentando-se o pai de participação nos assuntos que dizem respeito à
criança.
33




          A profissão dos pais de cada sujeito é apresentada na tabela abaixo.
Os campos deixados em branco, referem-se aos casos em que o casal é separado
e o pai pouco ou não contribui financeiramente para a manutenção da criança:


                               TABELA 3:
                   Profissão dos Pais e Mães dos Alunos

                  Aluno    Pai                  Mãe
                   Vilma             vigia            faxineira
                   Joana    pedreiro          zeladora de escola
                   Telma    vigia              dona de casa
                   Dalva    --                   comerciária
                 Antônio      funcionário        dona de casa
                    José   pedreiro
                             público            faxineira
                 Roberto   comerciário         dona de casa
                 Eduardo    --               atendente de hospital
                  Marcos    --                  faxineira


          c) Caracterização dos professores:
          A seleção dos professores deu-se em função da amostra de alunos, ou
seja, partiu-se do pressuposto de que, mesmo se o encaminhamento fosse feito
pela direção ou coordenação pedagógica da escola, o professor seria considerado
como o sujeito mais adequado para o estudo por, supostamente, passar mais
tempo com o aluno e, portanto, ter mais condições de responder sobre o mesmo e
sobre questões relativas ao problema da pesquisa.
          A totalidade dos participantes é do sexo feminino.
          O nível de formação acadêmica dos sujeitos (básica, superior e outros
cursos), o tempo de experiência no magistério (em anos) e na série que os alunos
investigados freqüentam, são mostrados na tabela 4:

                                     TABELA 4:
      Formação acadêmica das professoras, tempo de experiência(em anos)
                    no magistério e nas séries específicas
34




   Professora        Formação      Formação Especializações Experiência         Experiência na
                       Básica      Superior                     no Magistério    série específica
        a
 prof de Vilma        Magistério   Pedagogia                       08 anos       CBI - 03 anos
 profa de Joana       Magistério                Alfabetização      27 anos       CBC - 15 anos
 profa de Telma      Magistério     Pedagogia                      06 anos       CBC - 03 anos
 profa de Dalva      Magistério     Pedagogia    Educação          24 anos       CBC - 08 anos
                                                  Especial
    a
 prof de Antônio     Magistério                                    14 anos       CBC - 04 anos
  profa de José      Magistério     Estudos                        20 anos       CBC - 08 anos
                                   Sociais
    a
 prof de Roberto      Magistério    Pedagogia                     16 anos       3a série - 05 anos
 profa de Eduardo     Magistério    Pedagogia                     22 anos        CBC - 12 anos
 profa de Marcos      Magistério                 Educação         07 anos        CBI - 03 anos
                                                  Especial


            Conforme descrito na tabela acima, sete (07) docentes iniciaram o
curso de Magistério entre 1960 e 1975 e duas (02) iniciaram entre 1980 e 1995.
Em relação à formação de nível superior, cinco (05) professoras cursaram
Pedagogia, sendo que uma (01) iniciou o curso em 1968, duas (02) ingressaram
entre 1975 e 1980, uma (01) docente em 1986; uma (01) docente ingressou em
Pedagogia no ano de 1993.
            Quanto aos outros cursos freqüentados, sobretudo as especializações,
referem que ocorreram recentemente e foram administrados por departamentos da
Universidade Federal de São Carlos.
            Todas as professoras possuem mais de cinco anos de experiência
como docentes, sendo que quatro já lecionam há mais de vinte anos. De modo
mais específico, indicaram o tempo em que atuam como docentes nas séries cujos
alunos investigados freqüentam: quatro (04) professoras possuem menos de cinco
(05) anos de experiência, duas (02) possuem entre cinco (05) e dez (10) anos de
experiência e duas (02) docentes têm mais de dez (10) anos de atuação nas séries
em questão.
            A maioria das docentes sempre lecionou de 1 a a 4a séries do 1o grau,
enquanto que quatro (04) professoras lecionaram de 5a a 8a série, quatro (04) no
35




curso colegial e dentre essas, duas (02) ministraram disciplinas no curso de
Magistério. Uma (01) das professoras afirma ter experiência em pré escola e em
instituição de educação especial (APAE).


                3.2. Fontes de coleta de dados
                Foram utilizados como fontes primárias de coleta de dados o
questionário e a entrevista semi-estruturada. As fontes secundárias para a coleta
de dados, além das informações contidas nos prontuários médicos de cada
escolar, foram as anamneses realizadas com as mães, os registros de observação
e de comentários dos alunos no decorrer do processo de avaliação e atendimento
psicológico conduzidas pela pesquisadora no ARE.
                O questionário foi utilizado para coletar dados junto aos professores,
optando-se por esse instrumento por ser de rápida e fácil aplicação.
                O contato com o grupo de professores foi facilitado pelo fato da
pesquisadora, enquanto profissional de um serviço de saúde de referência nas
escolas da cidade, ser conhecida pela maioria dos docentes. Antes de responder
ao questionário, cada professora recebia explicações sobre o estudo e sobre cada
uma das questões a serem respondidas∗.
                O contato entre o pesquisador e cada docente para a entrega do
questionário contou, na totalidade dos casos, com uma breve discussão sobre
algum dos temas referentes aos alunos encaminhados. Acredita-se que esses
momentos de discussão foram motivados, em parte, pelo extremo grau de
ansiedade observado nas professoras em falar sobre os problemas de cada um dos
alunos.
                Procurou-se investigar, através das questões formuladas (Anexo 1) e
das respostas fornecidas pelos sujeitos, as concepções que possuem sobre
conceitos relacionados ao problema e os objetivos gerais da pesquisa.



    Para orientar as professoras, incluiu-se na página de rosto do questionário, um breve texto contendo
instruções para preenchimento.
36




             Assim, através das questões nos 1, 4, 5, 6 e 6.1., buscou-se identificar
as concepções dos professores sobre os motivos do envio de escolares ao
psicólogo, definição e atribuição de causas em relação aos conceitos de
“distúrbios de aprendizagem” e “fracasso escolar”. As questões nos 7, 9 e 10
tiveram como propósito identificar as concepções e expectativas dos docentes a
respeito da atuação da instituição de saúde e dos profissionais de Saúde em
relação ao atendimento do escolar. As questões n os 2 e 8 voltaram-se ao
levantamento das concepções e expectativas acerca do trabalho específico do
psicólogo em relação aos alunos encaminhados. Finalmente, as questões n os 11,
12 e 13 procuraram buscar as concepções acerca das possibilidades e formas
viáveis de integração entre as áreas de Saúde e Educação.
             O questionário também possuiu um espaço onde os sujeitos puderam
fazer sugestões, tecer comentários ou expressar críticas sobre o serviço de
Psicologia por eles utilizado.
             A entrevista semi-estruturada foi aplicada como instrumento de coleta
de dados com relação à amostra de profissionais de Saúde, alunos e suas
respectivas mães. Foram elaborados roteiros de entrevista específico para cada
grupo de sujeitos (vide anexos 2, 3 e 4), o que não impediu que a pesquisadora
formulasse questões para complementar ou elucidar algum assunto durante os
encontros.
             O roteiro de entrevista dirigido aos profissionais de Saúde voltou-se,
especificamente, à investigação de vários temas, através das seguintes questões:
             - questões nos 1, 2, 3 e 4: descrição do cotidiano de trabalho, do
modelo de atuação de cada profissional e apresentação de dados sobre a clientela
atendida em cada setor;
             - questões nos 5 e 6: concepções e atribuição de causalidade acerca dos
conceitos “distúrbios de aprendizagem” e “fracasso escolar”;
             - questão no 7: avaliação dos serviços especializados em relação ao
atendimento de escolares;
37




                - questões nos 8, 9, 10 e 11: concepções sobre as possibilidades e
maneiras viáveis de integração entre as áreas de Saúde e Educação.
                Os roteiros elaborados para as entrevistas com a amostra de alunos e
suas respectivas mães (anexos 3 e 4) não incluíram questões sobre o tema
“integração Saúde - Educação”, por acreditar-se que essa é uma temática mais
dirigida aos profissionais de saúde e educação, além de se considerar mais
apropriado centrar a investigação nas percepções que esses sujeitos possuem a
respeito dos motivos de encaminhamento à instituição de saúde e as expectativas
e concepções acerca do trabalho do psicólogo, em particular.
                Com relação à amostra de alunos, utilizaram-se ainda as informações
colhidas a partir das anamneses feitas com as mães, dos relatórios enviados pelas
professoras no início do processo de avaliação e dos registros existentes nos
prontuários médicos dos alunos, com o objetivo de complementar e validar os
dados coletados via entrevista.
                No entanto, considera-se que uma fonte de dados mais importantes
para a realização do trabalho foi o contato freqüente e particular do pesquisador
com a quase totalidade dos alunos∗, durante um período não inferior a seis meses.
Este contato possibilitou que as crianças fossem observadas e conhecidas, que
fossem aplicadas atividades psico - pedagógicas, verificando-se continuamente o
progresso da crianças nessas atividades. Tais situações permitiram também um
contato com as mães e discussões sobre a atuação escolar de seus filhos.
                Isso somente foi possível devido ao fato da pesquisadora ter optado e
ter sido dada a oportunidade de combinar a realização da pesquisa acadêmica
com seu trabalho na instituição de saúde.


                3.3. Análise dos dados:
                Os dados coletados mediante a aplicação de questionários (no caso
das professoras) e a realização de entrevistas (profissionais de saúde, alunos e

    Dois alunos (Joana e Eduardo) não participaram da totalidade da avaliação, tendo abandonado o serviço
de Psicologia logo após o início do processo de avaliação.
38




mães), foram analisados conforme as recomendações feitas por LÜDKE e
ANDRÉ (1993):
                 “A tarefa de análise, implica, num primeiro momento, a
                 organização de todo o material, dividindo-o em partes,
                 relacionando essas partes e procurando identificar nele
                 tendências e padrões relevantes, buscando-se relações e
                 inferências num nível de abstração mais elevado”. (p.45)
          As respostas dos sujeitos, fornecidas através dos instrumentos de
 coleta de dados, foram classificadas de acordo com focos gerais de análise,
 definidos no início do trabalho e complementadas por focos mais específicos,
 determinados no decorrer do processo de pesquisa.
          Os focos utilizados para a análise das informações coletadas estão
 relacionadas aos objetivos e problemas de pesquisa, tendo sido embasadas no
 arcabouço teórico que sustenta o estudo. Após a definição das categorias
 utilizadas para a classificação dos dados procurou-se, ainda, realizar a análise
 das respostas de um mesmo tipo de sujeitos (por exemplo, o grupo de
 professoras) e de diferentes sujeitos entre si (um determinado aluno, sua mãe e
 sua professora).
          De acordo com LÜDKE e ANDRÉ (1986, p.48) é necessário que a
análise de dados: “... não se restrinja ao que está implícito no material, mas
procure ir mais fundo, desvelando mensagens implícitas, dimensões
contraditórias e temas sistematicamente ‘silenciados”.
          Assim, em relação aos professores, considerou-se não somente as
questões respondidas como também as não respondidas pelos sujeitos. Na análise
das entrevistas dos profissionais de saúde, alunos e mães considerou-se os termos
e expressões mais freqüentemente utilizados, as pausas e os assuntos que
provocaram risos ou evidentes sinais de constrangimento nos sujeitos.
          Pode-se afirmar que, nesta pesquisa, utilizou-se a análise das
manifestações dos sujeitos como técnica básica de análise de dados.
39




           O conjunto de dados obtidos através das informações expressas pelos
profissionais de saúde, professores e mães foram relacionadas e confrontadas
com relação aos registros existentes nos prontuários médicos dos alunos
amostrados.
           Aos resultados dessa análise somaram-se os resultados das avaliações
psicológicas realizadas com os alunos que consistiram, basicamente, no
desenvolvimento de atividades pedagógicas como escrita de palavras com sílabas
simples e complexas, produção e leitura de textos, realização de atividades lógico
- matemáticas, aplicação de atividades lúdicas (jogos) e expressivas (desenhos,
contar e interpretar estórias, etc), além de outras atividades consideradas
apropriadas para incentivar a expressividade e a descoberta de soluções para os
problemas de aprendizagem que os alunos apresentam.
           A totalidade dos dados (repostas dos sujeitos, dados documentais e
subsídios oriundos das sessões de avaliação psicológica) foi submetida a um
processo de organização e categorização, cujos produtos foram analisados de
acordo com a literatura que dá suporte teórico à pesquisa.
39




           O conjunto de dados obtidos através das informações expressas pelos
profissionais de saúde, professores e mães foram relacionadas e confrontadas
com relação aos registros existentes nos prontuários médicos dos alunos
amostrados.
           Aos resultados dessa análise somaram-se os resultados das avaliações
psicológicas realizadas com os alunos que consistiram, basicamente, no
desenvolvimento de atividades pedagógicas como escrita de palavras com sílabas
simples e complexas, produção e leitura de textos, realização de atividades lógico
- matemáticas, aplicação de atividades lúdicas (jogos) e expressivas (desenhos,
contar e interpretar estórias, etc), além de outras atividades consideradas
apropriadas para incentivar a expressividade e a descoberta de soluções para os
problemas de aprendizagem que os alunos apresentam.
           A totalidade dos dados (repostas dos sujeitos, dados documentais e
subsídios oriundos das sessões de avaliação psicológica) foi submetida a um
processo de organização e categorização, cujos produtos foram analisados de
acordo com a literatura que dá suporte teórico à pesquisa.
39




           O conjunto de dados obtidos através das informações expressas pelos
profissionais de saúde, professores e mães foram relacionadas e confrontadas
com relação aos registros existentes nos prontuários médicos dos alunos
amostrados.
           Aos resultados dessa análise somaram-se os resultados das avaliações
psicológicas realizadas com os alunos que consistiram, basicamente, no
desenvolvimento de atividades pedagógicas como escrita de palavras com sílabas
simples e complexas, produção e leitura de textos, realização de atividades lógico
- matemáticas, aplicação de atividades lúdicas (jogos) e expressivas (desenhos,
contar e interpretar estórias, etc), além de outras atividades consideradas
apropriadas para incentivar a expressividade e a descoberta de soluções para os
problemas de aprendizagem que os alunos apresentam.
           A totalidade dos dados (repostas dos sujeitos, dados documentais e
subsídios oriundos das sessões de avaliação psicológica) foi submetida a um
processo de organização e categorização, cujos produtos foram analisados de
acordo com a literatura que dá suporte teórico à pesquisa.

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Cap3

  • 1. 29 3. METODOLOGIA DE PESQUISA Este trabalho caracteriza-se como um estudo analítico-descritivo, de tipo qualitativo, pois dirige-se a um nível de realidade composto por significados, motivos, aspirações, crenças e atitudes, o qual não pode ser quantificado (MINAYO,1994). Define-se, igualmente, como um estudo de caso, pois obedece a algumas das características fundamentais de estudos desse tipo, apontadas por LÜDKE e ANDRÉ (1986, pp.18-19), na medida em que enfatiza a “interpretação em contexto”, visando apreender completamente o objeto de estudo; busca retratar a realidade de forma “completa e profunda”, revelando a multiplicidade de dimensões presentes no problema de pesquisa e focalizando-o de forma integral; indica experiências que possibilitam subsídios que podem, eventualmente, serem aplicados à experiência dos leitores. Foram investigadas e analisadas as concepções que profissionais de Saúde, Educação e usuários de um determinado setor (serviço de Psicologia) especializado no atendimento a escolares, inserido em uma instituição pertencente ao sistema público estadual de saúde (Ambulatório Regional de Especialidades - ARE), possuem acerca de temas como “distúrbios de aprendizagem”, “fracasso escolar” e “integração saúde-educação”. É oportuno esclarecer que o termo “concepção”, neste estudo, é utilizado como sinônimo de conceito, opinião ou ponto de vista (POLITO, 1994), embora existam várias correntes teóricas que discorram sobre a definição, construção e uso das concepções. Dentre essas correntes teóricas destaca-se a Teoria das Representações Sociais, proposta por Serge Moscovici. Para esse autor, Representação Social é uma entidade quase tangível que circula, cruza-se e cristaliza-se intensamente através da fala, do gesto e do encontro no universo cotidiano; está presente na maioria das relações sociais estabelecidas, nos objetos produzidos, consumidos e nas comunicações realizadas entre as pessoas. (MOSCOVICI, 1978)
  • 2. 30 RANGEL (1993) afirma que a representação social manifesta a história cultural da sociedade e constitui-se em um determinante de valores, conceitos, crenças e padrões de conduta que são, ao mesmo tempo, assimilados e construídos de acordo com a forma que se representam, já que nossa maneira de ver a realidade constrói em parte essa realidade; refere-se ao termo “representação social” como o conjunto de conceitos, explicações e afirmações que se originam na vida diária e no curso de comunicações interindividuais; que as representações sociais formam as “teorias espontâneas” sobre os fatos e sobre o mundo; expressam, divulgam e mantêm conceitos e imagens dos fatos, através da construção e da preservação do conhecimento social sobre os mesmos. Ainda de acordo com RANGEL (op. cit.), a teoria das representações sociais presta-se muito bem ao estudo das representações sobre enfermidades físicas e mentais, além daqueles relativos à educação e justiça. O uso das representações sociais também é bastante conveniente aos estudos que envolvem várias categorias de sujeitos, devido ao fato de se constituírem em modalidades do pensamento prático e servirem de guia para a atuação concreta das pessoas. 3.1. Sujeitos: O estudo contou, no geral, com a participação de trinta e um (31) sujeitos: quatro (04) profissionais de Saúde, nove (09) professores e dezoito (18) sujeitos divididos em nove (09) alunos de escolas da rede pública estadual de ensino e suas respectivas mães. Desse total, dois sujeitos, um aluno e uma mãe, abandonaram a pesquisa na fase de coleta de dados. a) Caracterização dos profissionais de saúde: A seleção da amostra de profissionais de Saúde deu-se em função dos mesmos atenderem à população de escolares encaminhada usualmente ao serviço de saúde. Observando-se esse critério, constituiu-se a amostra no total de quatro
  • 3. 31 (04) profissionais de saúde, sendo uma (01) psicóloga, uma (01) terapeuta ocupacional, uma (01) fonoaudióloga e uma (01) neuropediatra. Os anos de formado e de experiência anterior dos profissionais em saúde pública e ARE, até o período da coleta de dados, é apresentado no quadro abaixo: QUADRO 2: Tempo de Atuação dos Profissionais no ARE e em Saúde Pública Profissional Formado à Experiência anterior Experiência no Total em saúde pública ARE Psicólogo 07 anos 0 02 anos 02 anos Terapeuta Ocupacional 06 anos 03 anos 03 anos 06 anos Fonoaudióloga 27 anos 0 06 anos 06 anos Neuropediatra 18 anos 0 05 anos 05 anos Com exceção da neuropediatra, todos os outros profissionais permanecem, até a presente data, na instituição de saúde. Os profissionais de saúde selecionados como sujeitos desse estudo possuem, no Ambulatório Regional de Especialidades, uma rotina de trabalho bastante semelhante: primeiramente, recepcionam os usuários encaminhados para seus respectivos setores efetuando, em seguida, uma triagem dos casos para a avaliação e, caso seja necessário, iniciam o tratamento específico, em sessões individuais ou grupais, uma vez por semana. Eventualmente, participam de projetos e programas elaborados por órgãos oficiais do estado e município. c) Caracterização dos alunos e de seus pais: Alunos e mães foram selecionados a partir da população infantil cotidianamente encaminhada ao setor de Psicologia do ARE Para a seleção desses sujeitos considerou-se a variável “responsável pelo encaminhamento”, ou seja, foram escolhidos, pela seqüência de inscrição na lista de espera para atendimento existente no setor, os alunos e as respectivas
  • 4. 32 mães encaminhados ao serviço de Psicologia a pedido dos professores ou de outros profissionais de Educação (diretoras, coordenadoras pedagógicas, etc). O grupo de alunos amostrados foi inscrito na lista de espera nos meses de fevereiro, março e abril de 1994 e convocados para o início do processo de coleta de dados e avaliação diagnóstica em meados de setembro do mesmo ano. As outras variáveis, como sexo, idade, escola, série, motivo de encaminhamento e local de moradia não foram consideradas na constituição dessa amostra. Não foi cogitada a convocação dos pais dos alunos, já que a experiência diária com a população de escolares indica que, por uma série de fatores1, a mãe é a pessoa da família geralmente designada a comparecer ao serviço de Psicologia. Os nomes (fictícios), idades e séries cursadas são mostrados na tabela abaixo: TABELA 2: Idade (em anos), sexo e série escolar dos alunos Alunos Idades Séries Vilma 8 anos CBI Joana 10 anos CBC Telma 9 anos CBC Dalva 8 anos CBC Antônio 8 anos CBC José 10 anos CBC a Roberto 10 anos 3 série Eduardo 8 anos CBC Marcos 8 anos CBC 1 * Um desses fatores é o fato da mulher ainda ser considerada, em nossa sociedade, como a maior responsável pela criação dos filhos, isentando-se o pai de participação nos assuntos que dizem respeito à criança.
  • 5. 33 A profissão dos pais de cada sujeito é apresentada na tabela abaixo. Os campos deixados em branco, referem-se aos casos em que o casal é separado e o pai pouco ou não contribui financeiramente para a manutenção da criança: TABELA 3: Profissão dos Pais e Mães dos Alunos Aluno Pai Mãe Vilma vigia faxineira Joana pedreiro zeladora de escola Telma vigia dona de casa Dalva -- comerciária Antônio funcionário dona de casa José pedreiro público faxineira Roberto comerciário dona de casa Eduardo -- atendente de hospital Marcos -- faxineira c) Caracterização dos professores: A seleção dos professores deu-se em função da amostra de alunos, ou seja, partiu-se do pressuposto de que, mesmo se o encaminhamento fosse feito pela direção ou coordenação pedagógica da escola, o professor seria considerado como o sujeito mais adequado para o estudo por, supostamente, passar mais tempo com o aluno e, portanto, ter mais condições de responder sobre o mesmo e sobre questões relativas ao problema da pesquisa. A totalidade dos participantes é do sexo feminino. O nível de formação acadêmica dos sujeitos (básica, superior e outros cursos), o tempo de experiência no magistério (em anos) e na série que os alunos investigados freqüentam, são mostrados na tabela 4: TABELA 4: Formação acadêmica das professoras, tempo de experiência(em anos) no magistério e nas séries específicas
  • 6. 34 Professora Formação Formação Especializações Experiência Experiência na Básica Superior no Magistério série específica a prof de Vilma Magistério Pedagogia 08 anos CBI - 03 anos profa de Joana Magistério Alfabetização 27 anos CBC - 15 anos profa de Telma Magistério Pedagogia 06 anos CBC - 03 anos profa de Dalva Magistério Pedagogia Educação 24 anos CBC - 08 anos Especial a prof de Antônio Magistério 14 anos CBC - 04 anos profa de José Magistério Estudos 20 anos CBC - 08 anos Sociais a prof de Roberto Magistério Pedagogia 16 anos 3a série - 05 anos profa de Eduardo Magistério Pedagogia 22 anos CBC - 12 anos profa de Marcos Magistério Educação 07 anos CBI - 03 anos Especial Conforme descrito na tabela acima, sete (07) docentes iniciaram o curso de Magistério entre 1960 e 1975 e duas (02) iniciaram entre 1980 e 1995. Em relação à formação de nível superior, cinco (05) professoras cursaram Pedagogia, sendo que uma (01) iniciou o curso em 1968, duas (02) ingressaram entre 1975 e 1980, uma (01) docente em 1986; uma (01) docente ingressou em Pedagogia no ano de 1993. Quanto aos outros cursos freqüentados, sobretudo as especializações, referem que ocorreram recentemente e foram administrados por departamentos da Universidade Federal de São Carlos. Todas as professoras possuem mais de cinco anos de experiência como docentes, sendo que quatro já lecionam há mais de vinte anos. De modo mais específico, indicaram o tempo em que atuam como docentes nas séries cujos alunos investigados freqüentam: quatro (04) professoras possuem menos de cinco (05) anos de experiência, duas (02) possuem entre cinco (05) e dez (10) anos de experiência e duas (02) docentes têm mais de dez (10) anos de atuação nas séries em questão. A maioria das docentes sempre lecionou de 1 a a 4a séries do 1o grau, enquanto que quatro (04) professoras lecionaram de 5a a 8a série, quatro (04) no
  • 7. 35 curso colegial e dentre essas, duas (02) ministraram disciplinas no curso de Magistério. Uma (01) das professoras afirma ter experiência em pré escola e em instituição de educação especial (APAE). 3.2. Fontes de coleta de dados Foram utilizados como fontes primárias de coleta de dados o questionário e a entrevista semi-estruturada. As fontes secundárias para a coleta de dados, além das informações contidas nos prontuários médicos de cada escolar, foram as anamneses realizadas com as mães, os registros de observação e de comentários dos alunos no decorrer do processo de avaliação e atendimento psicológico conduzidas pela pesquisadora no ARE. O questionário foi utilizado para coletar dados junto aos professores, optando-se por esse instrumento por ser de rápida e fácil aplicação. O contato com o grupo de professores foi facilitado pelo fato da pesquisadora, enquanto profissional de um serviço de saúde de referência nas escolas da cidade, ser conhecida pela maioria dos docentes. Antes de responder ao questionário, cada professora recebia explicações sobre o estudo e sobre cada uma das questões a serem respondidas∗. O contato entre o pesquisador e cada docente para a entrega do questionário contou, na totalidade dos casos, com uma breve discussão sobre algum dos temas referentes aos alunos encaminhados. Acredita-se que esses momentos de discussão foram motivados, em parte, pelo extremo grau de ansiedade observado nas professoras em falar sobre os problemas de cada um dos alunos. Procurou-se investigar, através das questões formuladas (Anexo 1) e das respostas fornecidas pelos sujeitos, as concepções que possuem sobre conceitos relacionados ao problema e os objetivos gerais da pesquisa.  Para orientar as professoras, incluiu-se na página de rosto do questionário, um breve texto contendo instruções para preenchimento.
  • 8. 36 Assim, através das questões nos 1, 4, 5, 6 e 6.1., buscou-se identificar as concepções dos professores sobre os motivos do envio de escolares ao psicólogo, definição e atribuição de causas em relação aos conceitos de “distúrbios de aprendizagem” e “fracasso escolar”. As questões nos 7, 9 e 10 tiveram como propósito identificar as concepções e expectativas dos docentes a respeito da atuação da instituição de saúde e dos profissionais de Saúde em relação ao atendimento do escolar. As questões n os 2 e 8 voltaram-se ao levantamento das concepções e expectativas acerca do trabalho específico do psicólogo em relação aos alunos encaminhados. Finalmente, as questões n os 11, 12 e 13 procuraram buscar as concepções acerca das possibilidades e formas viáveis de integração entre as áreas de Saúde e Educação. O questionário também possuiu um espaço onde os sujeitos puderam fazer sugestões, tecer comentários ou expressar críticas sobre o serviço de Psicologia por eles utilizado. A entrevista semi-estruturada foi aplicada como instrumento de coleta de dados com relação à amostra de profissionais de Saúde, alunos e suas respectivas mães. Foram elaborados roteiros de entrevista específico para cada grupo de sujeitos (vide anexos 2, 3 e 4), o que não impediu que a pesquisadora formulasse questões para complementar ou elucidar algum assunto durante os encontros. O roteiro de entrevista dirigido aos profissionais de Saúde voltou-se, especificamente, à investigação de vários temas, através das seguintes questões: - questões nos 1, 2, 3 e 4: descrição do cotidiano de trabalho, do modelo de atuação de cada profissional e apresentação de dados sobre a clientela atendida em cada setor; - questões nos 5 e 6: concepções e atribuição de causalidade acerca dos conceitos “distúrbios de aprendizagem” e “fracasso escolar”; - questão no 7: avaliação dos serviços especializados em relação ao atendimento de escolares;
  • 9. 37 - questões nos 8, 9, 10 e 11: concepções sobre as possibilidades e maneiras viáveis de integração entre as áreas de Saúde e Educação. Os roteiros elaborados para as entrevistas com a amostra de alunos e suas respectivas mães (anexos 3 e 4) não incluíram questões sobre o tema “integração Saúde - Educação”, por acreditar-se que essa é uma temática mais dirigida aos profissionais de saúde e educação, além de se considerar mais apropriado centrar a investigação nas percepções que esses sujeitos possuem a respeito dos motivos de encaminhamento à instituição de saúde e as expectativas e concepções acerca do trabalho do psicólogo, em particular. Com relação à amostra de alunos, utilizaram-se ainda as informações colhidas a partir das anamneses feitas com as mães, dos relatórios enviados pelas professoras no início do processo de avaliação e dos registros existentes nos prontuários médicos dos alunos, com o objetivo de complementar e validar os dados coletados via entrevista. No entanto, considera-se que uma fonte de dados mais importantes para a realização do trabalho foi o contato freqüente e particular do pesquisador com a quase totalidade dos alunos∗, durante um período não inferior a seis meses. Este contato possibilitou que as crianças fossem observadas e conhecidas, que fossem aplicadas atividades psico - pedagógicas, verificando-se continuamente o progresso da crianças nessas atividades. Tais situações permitiram também um contato com as mães e discussões sobre a atuação escolar de seus filhos. Isso somente foi possível devido ao fato da pesquisadora ter optado e ter sido dada a oportunidade de combinar a realização da pesquisa acadêmica com seu trabalho na instituição de saúde. 3.3. Análise dos dados: Os dados coletados mediante a aplicação de questionários (no caso das professoras) e a realização de entrevistas (profissionais de saúde, alunos e  Dois alunos (Joana e Eduardo) não participaram da totalidade da avaliação, tendo abandonado o serviço de Psicologia logo após o início do processo de avaliação.
  • 10. 38 mães), foram analisados conforme as recomendações feitas por LÜDKE e ANDRÉ (1993): “A tarefa de análise, implica, num primeiro momento, a organização de todo o material, dividindo-o em partes, relacionando essas partes e procurando identificar nele tendências e padrões relevantes, buscando-se relações e inferências num nível de abstração mais elevado”. (p.45) As respostas dos sujeitos, fornecidas através dos instrumentos de coleta de dados, foram classificadas de acordo com focos gerais de análise, definidos no início do trabalho e complementadas por focos mais específicos, determinados no decorrer do processo de pesquisa. Os focos utilizados para a análise das informações coletadas estão relacionadas aos objetivos e problemas de pesquisa, tendo sido embasadas no arcabouço teórico que sustenta o estudo. Após a definição das categorias utilizadas para a classificação dos dados procurou-se, ainda, realizar a análise das respostas de um mesmo tipo de sujeitos (por exemplo, o grupo de professoras) e de diferentes sujeitos entre si (um determinado aluno, sua mãe e sua professora). De acordo com LÜDKE e ANDRÉ (1986, p.48) é necessário que a análise de dados: “... não se restrinja ao que está implícito no material, mas procure ir mais fundo, desvelando mensagens implícitas, dimensões contraditórias e temas sistematicamente ‘silenciados”. Assim, em relação aos professores, considerou-se não somente as questões respondidas como também as não respondidas pelos sujeitos. Na análise das entrevistas dos profissionais de saúde, alunos e mães considerou-se os termos e expressões mais freqüentemente utilizados, as pausas e os assuntos que provocaram risos ou evidentes sinais de constrangimento nos sujeitos. Pode-se afirmar que, nesta pesquisa, utilizou-se a análise das manifestações dos sujeitos como técnica básica de análise de dados.
  • 11. 39 O conjunto de dados obtidos através das informações expressas pelos profissionais de saúde, professores e mães foram relacionadas e confrontadas com relação aos registros existentes nos prontuários médicos dos alunos amostrados. Aos resultados dessa análise somaram-se os resultados das avaliações psicológicas realizadas com os alunos que consistiram, basicamente, no desenvolvimento de atividades pedagógicas como escrita de palavras com sílabas simples e complexas, produção e leitura de textos, realização de atividades lógico - matemáticas, aplicação de atividades lúdicas (jogos) e expressivas (desenhos, contar e interpretar estórias, etc), além de outras atividades consideradas apropriadas para incentivar a expressividade e a descoberta de soluções para os problemas de aprendizagem que os alunos apresentam. A totalidade dos dados (repostas dos sujeitos, dados documentais e subsídios oriundos das sessões de avaliação psicológica) foi submetida a um processo de organização e categorização, cujos produtos foram analisados de acordo com a literatura que dá suporte teórico à pesquisa.
  • 12. 39 O conjunto de dados obtidos através das informações expressas pelos profissionais de saúde, professores e mães foram relacionadas e confrontadas com relação aos registros existentes nos prontuários médicos dos alunos amostrados. Aos resultados dessa análise somaram-se os resultados das avaliações psicológicas realizadas com os alunos que consistiram, basicamente, no desenvolvimento de atividades pedagógicas como escrita de palavras com sílabas simples e complexas, produção e leitura de textos, realização de atividades lógico - matemáticas, aplicação de atividades lúdicas (jogos) e expressivas (desenhos, contar e interpretar estórias, etc), além de outras atividades consideradas apropriadas para incentivar a expressividade e a descoberta de soluções para os problemas de aprendizagem que os alunos apresentam. A totalidade dos dados (repostas dos sujeitos, dados documentais e subsídios oriundos das sessões de avaliação psicológica) foi submetida a um processo de organização e categorização, cujos produtos foram analisados de acordo com a literatura que dá suporte teórico à pesquisa.
  • 13. 39 O conjunto de dados obtidos através das informações expressas pelos profissionais de saúde, professores e mães foram relacionadas e confrontadas com relação aos registros existentes nos prontuários médicos dos alunos amostrados. Aos resultados dessa análise somaram-se os resultados das avaliações psicológicas realizadas com os alunos que consistiram, basicamente, no desenvolvimento de atividades pedagógicas como escrita de palavras com sílabas simples e complexas, produção e leitura de textos, realização de atividades lógico - matemáticas, aplicação de atividades lúdicas (jogos) e expressivas (desenhos, contar e interpretar estórias, etc), além de outras atividades consideradas apropriadas para incentivar a expressividade e a descoberta de soluções para os problemas de aprendizagem que os alunos apresentam. A totalidade dos dados (repostas dos sujeitos, dados documentais e subsídios oriundos das sessões de avaliação psicológica) foi submetida a um processo de organização e categorização, cujos produtos foram analisados de acordo com a literatura que dá suporte teórico à pesquisa.