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Rituais Funerários e Luto
ao longo da História nas
diferentes culturas
Professora Doutora Teresa Andrade
O Luto noutras espécies
Processo de Luto
 O Luto corresponde a um processo de adaptação à
perda real ou simbólica de alguém ou algo muito
significativo e é geralmente acompanhado de
alterações significativas no estado emocional, outras
no estatuto ou papel desempenhado, nas rotinas… e
muda de modo definitivo a percepção anterior da
realidade que tínhamos como certa.
 Deriva do processo de vinculação adaptativa que
fazemos uns aos outros e à realidade que nos rodeia,
sobretudo no que respeita os laços familiares
O Luto como reacção à mudança
 Como seres humanos,
criamos expectativas
acerca do que vai ser o
curso das nossas vidas e
atribuímos significado a
transições como
casamento, nascimento,
crescimento, sucesso
 As mudanças mais
dramáticas alteram essa
percepção de sentido de
vida, de certezas…
Rituais como forma de dar sentido
e segurança
 Em todas as culturas
as transições e
mudanças mais
expectáveis são
acompanhadas de
rituais que dão
estatuto diferente e
ajudam a ganhar
consciência
 Aniversários,
Batizados, primeira
comunhão, Bar
Mitzvah, Festa dos
15 ou 18 anos, Baile
de Debutantes,
Festa de Graduação,
Despedidas de
solteiro, casamento
A Morte como transição
 Sendo de todas as
transições a que maiores
alterações produz na vida
de quem sobrevive, a morte
sempre apresentou uma
enorme ritualização
 Os rituais, em todas as
culturas ajudam os que
sobrevivem a retomar a sua
vida dando-lhes esperança
e conforto, apaziguando o
medo, lembrando-os do seu
papel num ciclo maior
Diferenças no posicionamento do Homem
face à morte antigamente e na actualidade
 1) A expectativa de vida era bastante limitada na maior parte
da história e a chegada à velhice tornava o indivíduo
venerável pela raridade.
 2) O Homem nunca esteve protegido da visão da morte e do
cadáver e era directamente envolvido nos rituais de
preparação e despojamento do corpo.
 3) As condições de vida eram difíceis e o domínio da
tecnologia reduzido, as doenças surgiam sem causalidade
conhecida ou tinham estatuto de punição divina e o seu
contágio era rápido.
 4) A pessoa era essencialmente parte de um colectivo
Pré-História e Rituais Funerários
Primeiros Rituais (100.000 a.c) H.
Neandertal
 Sepultamento em cavidades de rochas
 Corpos colocados em posição fetal ou de
cócoras e recobertos de pedras
 Disposição de objectos de uso quotidiano à
volta do corpo e oferendas de alimentos
 Esperança de vida 20-30 anos (desnutrição,
infeções, acidentes e ferimentos fatais)
Rituais Paleolítico Superior e Mesolítico (desde
30.000 a.C. a 8000 a.C.) H. Cromagnon
 Posição de barriga para cima ou posição fetal virada
para o lado esquerdo
 Decoração dos corpos e ossos com ocre vermelho
 Oferendas mais diversificadas (colares, peças mais
elaboradas, utensílios e alimentos)
 Sepultamento colectivo em dólmenes ou antas ou
cavidades especialmente escavadas (sinal do início
da comunidade sedentária)
Práticas Funerárias no Antigo Egipto
4.400 a.C
Rituais Egípcios
 De entre as civilizações
que povoam a nossa
antiguidade, a que mais
ricamente documentada
chegou até aos nossos
dias, no que respeita
aos rituais funerários e
sistema de crenças
instituídas em torno da
morte, foi a egípcia.
A Mumificação
 Era imperioso conservar em bom estado o
corpo (Ka) para se poder, no final das provas
após a morte, reunir com o espírito (Ba)
 Os rituais de mumificação duravam mais de
30 dias e devolviam o corpo à família em
perfeito estado de conservação
O Local de Sepultamento
 Seria o local onde o espírito teria de viver e
tanto quanto possível devia ter a configuração
e decoração o mais semelhante possível à sua
habitação durante a vida
 Acompanhavam o corpo, grandes reservas de
alimentos, animais embalsamados, estátuas
representando servos, peças de mobiliário e
decoração e grande número de amuletos
O Livro dos Mortos
 A vida depois da morte é composta por várias
provas para poder atingir o estado de união
com a divindade representada por Osíris.
Falhar nestas provas significa o pior dos
desfechos para a alma: o eterno esquecimento
 Para vencer estas provas o falecido devia
fazer-se acompanhar de um livro onde
encontrava todas as fórmulas e encantamentos
necessários ao seu sucesso.
O Livro dos Mortos (cont.)
 A magia das fórmulas escritas podia produzir vários
efeitos (ex: ficar mais forte, ou invisível), ou ser
defensiva (activar servos para lutar, ou conseguir
escapar aos animais necrófagos)
 Tinha o formato de rolo de papiro e existia em várias
versões consoante o poder económico da pessoa, era
depositado na câmara funerária e organizado em
capítulos consoante as várias fases pelas quais a
alma deveria passar até ao momento que culminava
com o julgamento final feito pela deusa Maat
A Morte na Mesopotâmia
Escritos de Ugarit e Crenças acerca da
Morte
 Para esta cultura, o Homem não pode confiar
nos Deuses e nunca atinge a imortalidade
 Os Homens são servos dos Deuses e a sua
condição é trabalhar para eles e morrer
 A morte e o pós morte são iguais
independentemente do que se fez bem ou mal.
Rituais Pós Morte na Mesopotâmia
 Os corpos eram enterrados ou colocados em
túmulos mas nunca cremados ou abandonados
 Os túmulos situavam-se nas caves das casas
de habitação e eram considerados portais de
ligação com o sub mundo dos fantasmas dos
mortos
 O Luto incluía rapar o cabelo, cobrir-se de
cinzas e colocar regularmente alimentos e
água para o falecido. O luto durava sete anos
Crenças Persas (sec. VI a.C)
A Passagem
 A Morte é encarada como o
evento que permite a elevação
do espírito a uma dimensão
superior
 Quatro dias após a morte, existe
um julgamento da alma para
averiguar esse merecimento,
simbolizado pela travessia de
uma ponte, encontro com um
duplo e consequente passagem
ao inferno, ao paraíso ou a um
limbo
 O corpo é depositado sobre
pedras à mercê de animais
necrófagos e só os ossos são
depois reunidos e depositados
em ossários até que venha o dia
do julgamento final
Antiga Grécia e Roma
Coexistência de muitas práticas
funerárias distintas (cremação,
inumação , ossários, columbários
e mausoléus)
Rituais para preservação da
memória (refeições nos
cemitérios, ofertas aos mortos,
libações de vinho e incenso)
Cemitérios fora das cidades por
razões de saúde pública
O espírito transita para um
mundo subterrâneo onde pode ser
esquecido ou perdurar para
sempre.
A Idade Média
 Neste período e após a queda do império romano do
ocidente ressurgem as crenças de um céu, um
inferno e um purgatório, bem como a noção de um
julgamento final.
 Os sepultamentos passam a ser dentro dos muros das
povoações, próximo ou dentro das Igrejas, para
assegurar a proximidade física com Deus e a
salvação da alma.
 Apenas um lençol embrulha o corpo, sem oferendas
nem outros bens materiais, como prova de
despojamento e humildade.
O Impacto das Grandes Pestes nos
Rituais Funerários
 Até ao séc. XIV a Europa vai
acumular pestes e epidemias que
vão dizimar um quarto de toda a
população mundial
 As inumações voltam a ser fora
das povoações, muitas vezes em
valas comuns.
 Sempre que possível é preferida
a cremação.
 Surge pela primeira vez o uso
disseminado da urna ou caixão
como forma de ocultar o corpo,.
Também se introduz
adicionalmente a mortalha, o
pallium, os representantes, o
velório e a missa de corpo
presente
Os rituais até ao Séc. XVIII
Rezar missas de forma regular e continuada ao longo
dos anos, será uma prática muito presente , como
forma de garantir a salvação da alma.
As missas serão pagas em doações testamentárias, em
bens materiais (casas e propriedades), ou pagas em
prestações pela família sobrevivente.
A inumação passa a ser feita nas igrejas e terreno
adjacente
Rituais Funerários no Séc XIX
 No final do séc. XVIII
volta a estar em voga a
inumação em cemitérios,
devido ao aumento da
população
 Começam a usar-se
estátuas em tamanho
natural e outros elementos
de estatuária junto das
sepulturas e os primeiros
epitáfios emotivos.
 Assiste-se a uma menor
cristianização dos rituais
A visão da morte no Séc. XIX
 A morte é vista como podendo
ser romântica, pois permite a
reunião dos que se amam. O
suicídio é romantizado nesta
época como o traduzem histórias
como as de Romeu e Julieta ou a
Dama das Camélias
 A ideia do espírito que perdura é
muito presente nesta época
 Diminuem os testamentos em
prol da Igreja e as doações para
salvação da alma.
 Surgem objectos feitos com
cabelo e outras lembranças da
pessoa falecida (anéis de cabelo
entrançado, medalhões com
fotos, etc.)
Luto nas diferentes
culturas
As diferentes religiões no processo de luto
O Luto nas diferentes crenças: pontos em
comum
 Todas as sociedades
encaram a morte como uma
transição para a pessoa que
morre
 Choro, medo e raiva são
omnipresentes e a sua
expressão está circunscrita
no tempo para a maior
parte das culturas
 Diferentes tipos de morte
originam diferentes formas
de luto
 Cada cultura tem formas
muito específicas e
ritualizadas de lidar com a
perda mais ou menos
prolongadas no tempo
 Para a maior parte das
crenças existe uma
continuidade de alguma
forma de vida depois da
morte
 Os rituais continuam muito
tempo após a morte
Lutos Difíceis
 As mortes “antes do
tempo” e as “ injustas”
 Em quase todas as culturas
há mortes que suscitam
mais dificuldades na
adaptação e transição do
luto entre eles: a morte
súbita, o suicídio, a morte
de crianças e jovens, a
morte de pais na infância,
as mortes violentas e
homicídios.
Patologias do Luto Ocidental
 As respostas de cada pessoa a um luto podem variar
muito e devem sempre ser consideradas à luz das
crenças e enquadramento cultural de cada pessoa, no
entanto há alguns tipo de de alteração que são vistas
como não normais e passíveis de perigar a saúde ou
vida da pessoa enlutada ou a dos que a rodeiam.
 As mais reconhecidas do ponto de vista psiquiátrico
são: ausência de luto, luto crónico ,a depressão
clínica, distúrbios de ansiedade , dependência de
álcool ou drogas, distúrbio de stress pós traumático,
descompensação psicótica
Ausência de Luto
 Por vezes as pessoas, sobretudo as crianças jovens,
podem não apresentar qualquer sinal de luto, quer
por pressão dos adultos quer por defesa. Este aspecto
funciona como mecanismo de protecção face à
angústia no caso de ter sido uma perda muito
traumática. Mentalmente criam-se imagens de que a
pessoa não morreu. O luto é normalmente adiado e
bloqueia outros aspectos da vida e pode gerar medos
irracionais…
 ( Casos Inês, Bruno, Arminda…)
Luto Crónico
 A pessoa mantém-se presa numa fase de luto
inicial, mantendo constante a memória da
pessoa falecida e preservando tudo o mais
semelhante possível. Prolonga-se por vezes
durante toda a vida sendo mais comum em
viúvos de casamentos muito próximos e na
perda de um filho.
 (ex: Adélia, Ana, Lurdes)
Stress Pós-Traumático
 Ocorre em mortes trágicas e inesperadas ou com
grau de violência maior e deixa o enlutado em estado
de choque durante muito tempo. Imagens intrusivas
ocupam constantemente a mente da pessoa,
causando grande desequilíbrio, insónia, sintomas
físicos graves, perda de apetite, agressividade. O
trauma impede a pessoa de concretizar o luto
 ( ex: Pessoas raptadas, homicídios, suicídios,
acidentes mortais graves)
Estados Depressivos Graves
 O estado depressivo chega a afectar mais de
50% dos enlutados nos 3 primeiros meses de
luto. Alterações major como estupor
depressivo, perda completa de apetite, choro
constante, ideação suicida constante
incapacidade para cuidar de si próprio são
pouco comuns e protagonizam quadros
clínicos graves. Acontece mais em pessoas
que já sofriam de depressão.
Estados ansiosos graves
 A ansiedade de separação, com ondas de angústia e
busca persistente da pessoa falecida, manifestações
mais extremadas como ir todos os dias ao cemitério,
pode por vezes ser acompanhada de manifestações
mais extremadas como ataques de pânico,
taquicardias, perda de sentidos.
 Por vezes perdura muito no tempo a sensação de que
vão morrer mais pessoas e acontecer coisas terríveis.
Pode ser acompanhado de comportamentos fóbicos e
rituais.
Consumo excessivo de substâncias
aditivas
 Por vezes o álcool surge como automedicação
na patologia depressiva e ango-depressiva e
na insónia. Também o sobre consumo de
medicação com efeito ansiolítico pode surgir
quando os sintomas estão descontrolados ou
em pessoas pouco apoiadas. Os Homens
tendem a aumentar o consumo álcool e as
mulheres de benzodiazepinas
Descompensação Psicótica
 O luto é um desencadeador comum de
perturbações do foro psicótico sobretudo se
for muito traumático como a morte de um
filho. Podem ocorrer estados de
desorganização mental acompanhados de
mania e com alucinações visuais e auditivas
com a pessoa que morreu e com outros
aspectos. ( ex. Paula)
Intervenção terapêutica
 Nas sociedades
actuais ocidentais
conversar com
alguém e tomar
medicação
adequada parece ser
a combinação
terapêutica mais
utilizada
Aconselhamento
 O primeiro passo em aconselhamento consiste em
descobrir o que pretendem as pessoas e em que
medida as podemos ajudar
 Observar, Esperar, Ouvir e não julgar são as bases
para uma intervenção centrada nas necessidades do
outro
 Permitir a expressão da dor e reformular sintomas de
forma positiva
 Descobrir a pessoa, as suas forças e motivações,
valorizar e estimular.
A interiorização como prelúdio do
final do luto
 “O luto começa por procurar lá fora o que descobriremos cá
dentro” ( Fromma Walsh, 1997)
 “ Quando alguém morre, não se ultrapassa esquecendo, mas
lembrando. Porque ao lembrar compreendemos que não está
realmente perdido ou desaparecido. Tocou a tua vida e o seu
amor ficará para sempre em ti e continuará a tocar outros
através de ti”( Leslie Silko, 2001)
A Transformação do Luto
“ Posso escolher ficar
sentado e triste,
eternamente imobilizado
pela dor da minha perda
ou posso escolher elevar-
me para além dessa dor e
apreciar o tesouro mais
precioso que tenho : a
própria vida”
Walter Anderson
Desejo-te Suficiente
Desejo-te sol suficiente para manteres a tua luz,
Desejo-te chuva suficiente para apreciares mais o sol,
Desejo-te felicidade suficiente para te manteres alegre,
Desejo-te dordor suficiente para apreciar as pequenas alegrias,
Desejo-te dinheiro suficiente
para teres o que te satisfaz,
Desejo-te que percas o suficiente para apreciares o que tens e
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“ I wish you enough” Bob Perks in “Chiken Soup for the Grieving Soul
“(2003)

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Rituais funerários e luto ao longo da história

  • 1. Rituais Funerários e Luto ao longo da História nas diferentes culturas Professora Doutora Teresa Andrade
  • 2. O Luto noutras espécies
  • 3. Processo de Luto  O Luto corresponde a um processo de adaptação à perda real ou simbólica de alguém ou algo muito significativo e é geralmente acompanhado de alterações significativas no estado emocional, outras no estatuto ou papel desempenhado, nas rotinas… e muda de modo definitivo a percepção anterior da realidade que tínhamos como certa.  Deriva do processo de vinculação adaptativa que fazemos uns aos outros e à realidade que nos rodeia, sobretudo no que respeita os laços familiares
  • 4. O Luto como reacção à mudança  Como seres humanos, criamos expectativas acerca do que vai ser o curso das nossas vidas e atribuímos significado a transições como casamento, nascimento, crescimento, sucesso  As mudanças mais dramáticas alteram essa percepção de sentido de vida, de certezas…
  • 5. Rituais como forma de dar sentido e segurança  Em todas as culturas as transições e mudanças mais expectáveis são acompanhadas de rituais que dão estatuto diferente e ajudam a ganhar consciência  Aniversários, Batizados, primeira comunhão, Bar Mitzvah, Festa dos 15 ou 18 anos, Baile de Debutantes, Festa de Graduação, Despedidas de solteiro, casamento
  • 6.
  • 7. A Morte como transição  Sendo de todas as transições a que maiores alterações produz na vida de quem sobrevive, a morte sempre apresentou uma enorme ritualização  Os rituais, em todas as culturas ajudam os que sobrevivem a retomar a sua vida dando-lhes esperança e conforto, apaziguando o medo, lembrando-os do seu papel num ciclo maior
  • 8. Diferenças no posicionamento do Homem face à morte antigamente e na actualidade  1) A expectativa de vida era bastante limitada na maior parte da história e a chegada à velhice tornava o indivíduo venerável pela raridade.  2) O Homem nunca esteve protegido da visão da morte e do cadáver e era directamente envolvido nos rituais de preparação e despojamento do corpo.  3) As condições de vida eram difíceis e o domínio da tecnologia reduzido, as doenças surgiam sem causalidade conhecida ou tinham estatuto de punição divina e o seu contágio era rápido.  4) A pessoa era essencialmente parte de um colectivo
  • 10. Primeiros Rituais (100.000 a.c) H. Neandertal  Sepultamento em cavidades de rochas  Corpos colocados em posição fetal ou de cócoras e recobertos de pedras  Disposição de objectos de uso quotidiano à volta do corpo e oferendas de alimentos  Esperança de vida 20-30 anos (desnutrição, infeções, acidentes e ferimentos fatais)
  • 11. Rituais Paleolítico Superior e Mesolítico (desde 30.000 a.C. a 8000 a.C.) H. Cromagnon  Posição de barriga para cima ou posição fetal virada para o lado esquerdo  Decoração dos corpos e ossos com ocre vermelho  Oferendas mais diversificadas (colares, peças mais elaboradas, utensílios e alimentos)  Sepultamento colectivo em dólmenes ou antas ou cavidades especialmente escavadas (sinal do início da comunidade sedentária)
  • 12. Práticas Funerárias no Antigo Egipto 4.400 a.C
  • 13. Rituais Egípcios  De entre as civilizações que povoam a nossa antiguidade, a que mais ricamente documentada chegou até aos nossos dias, no que respeita aos rituais funerários e sistema de crenças instituídas em torno da morte, foi a egípcia.
  • 14. A Mumificação  Era imperioso conservar em bom estado o corpo (Ka) para se poder, no final das provas após a morte, reunir com o espírito (Ba)  Os rituais de mumificação duravam mais de 30 dias e devolviam o corpo à família em perfeito estado de conservação
  • 15. O Local de Sepultamento  Seria o local onde o espírito teria de viver e tanto quanto possível devia ter a configuração e decoração o mais semelhante possível à sua habitação durante a vida  Acompanhavam o corpo, grandes reservas de alimentos, animais embalsamados, estátuas representando servos, peças de mobiliário e decoração e grande número de amuletos
  • 16. O Livro dos Mortos  A vida depois da morte é composta por várias provas para poder atingir o estado de união com a divindade representada por Osíris. Falhar nestas provas significa o pior dos desfechos para a alma: o eterno esquecimento  Para vencer estas provas o falecido devia fazer-se acompanhar de um livro onde encontrava todas as fórmulas e encantamentos necessários ao seu sucesso.
  • 17. O Livro dos Mortos (cont.)  A magia das fórmulas escritas podia produzir vários efeitos (ex: ficar mais forte, ou invisível), ou ser defensiva (activar servos para lutar, ou conseguir escapar aos animais necrófagos)  Tinha o formato de rolo de papiro e existia em várias versões consoante o poder económico da pessoa, era depositado na câmara funerária e organizado em capítulos consoante as várias fases pelas quais a alma deveria passar até ao momento que culminava com o julgamento final feito pela deusa Maat
  • 18.
  • 19. A Morte na Mesopotâmia
  • 20. Escritos de Ugarit e Crenças acerca da Morte  Para esta cultura, o Homem não pode confiar nos Deuses e nunca atinge a imortalidade  Os Homens são servos dos Deuses e a sua condição é trabalhar para eles e morrer  A morte e o pós morte são iguais independentemente do que se fez bem ou mal.
  • 21. Rituais Pós Morte na Mesopotâmia  Os corpos eram enterrados ou colocados em túmulos mas nunca cremados ou abandonados  Os túmulos situavam-se nas caves das casas de habitação e eram considerados portais de ligação com o sub mundo dos fantasmas dos mortos  O Luto incluía rapar o cabelo, cobrir-se de cinzas e colocar regularmente alimentos e água para o falecido. O luto durava sete anos
  • 23. A Passagem  A Morte é encarada como o evento que permite a elevação do espírito a uma dimensão superior  Quatro dias após a morte, existe um julgamento da alma para averiguar esse merecimento, simbolizado pela travessia de uma ponte, encontro com um duplo e consequente passagem ao inferno, ao paraíso ou a um limbo  O corpo é depositado sobre pedras à mercê de animais necrófagos e só os ossos são depois reunidos e depositados em ossários até que venha o dia do julgamento final
  • 24. Antiga Grécia e Roma Coexistência de muitas práticas funerárias distintas (cremação, inumação , ossários, columbários e mausoléus) Rituais para preservação da memória (refeições nos cemitérios, ofertas aos mortos, libações de vinho e incenso) Cemitérios fora das cidades por razões de saúde pública O espírito transita para um mundo subterrâneo onde pode ser esquecido ou perdurar para sempre.
  • 25. A Idade Média  Neste período e após a queda do império romano do ocidente ressurgem as crenças de um céu, um inferno e um purgatório, bem como a noção de um julgamento final.  Os sepultamentos passam a ser dentro dos muros das povoações, próximo ou dentro das Igrejas, para assegurar a proximidade física com Deus e a salvação da alma.  Apenas um lençol embrulha o corpo, sem oferendas nem outros bens materiais, como prova de despojamento e humildade.
  • 26. O Impacto das Grandes Pestes nos Rituais Funerários  Até ao séc. XIV a Europa vai acumular pestes e epidemias que vão dizimar um quarto de toda a população mundial  As inumações voltam a ser fora das povoações, muitas vezes em valas comuns.  Sempre que possível é preferida a cremação.  Surge pela primeira vez o uso disseminado da urna ou caixão como forma de ocultar o corpo,. Também se introduz adicionalmente a mortalha, o pallium, os representantes, o velório e a missa de corpo presente
  • 27. Os rituais até ao Séc. XVIII Rezar missas de forma regular e continuada ao longo dos anos, será uma prática muito presente , como forma de garantir a salvação da alma. As missas serão pagas em doações testamentárias, em bens materiais (casas e propriedades), ou pagas em prestações pela família sobrevivente. A inumação passa a ser feita nas igrejas e terreno adjacente
  • 28. Rituais Funerários no Séc XIX  No final do séc. XVIII volta a estar em voga a inumação em cemitérios, devido ao aumento da população  Começam a usar-se estátuas em tamanho natural e outros elementos de estatuária junto das sepulturas e os primeiros epitáfios emotivos.  Assiste-se a uma menor cristianização dos rituais
  • 29. A visão da morte no Séc. XIX  A morte é vista como podendo ser romântica, pois permite a reunião dos que se amam. O suicídio é romantizado nesta época como o traduzem histórias como as de Romeu e Julieta ou a Dama das Camélias  A ideia do espírito que perdura é muito presente nesta época  Diminuem os testamentos em prol da Igreja e as doações para salvação da alma.  Surgem objectos feitos com cabelo e outras lembranças da pessoa falecida (anéis de cabelo entrançado, medalhões com fotos, etc.)
  • 30. Luto nas diferentes culturas As diferentes religiões no processo de luto
  • 31.
  • 32. O Luto nas diferentes crenças: pontos em comum  Todas as sociedades encaram a morte como uma transição para a pessoa que morre  Choro, medo e raiva são omnipresentes e a sua expressão está circunscrita no tempo para a maior parte das culturas  Diferentes tipos de morte originam diferentes formas de luto  Cada cultura tem formas muito específicas e ritualizadas de lidar com a perda mais ou menos prolongadas no tempo  Para a maior parte das crenças existe uma continuidade de alguma forma de vida depois da morte  Os rituais continuam muito tempo após a morte
  • 33. Lutos Difíceis  As mortes “antes do tempo” e as “ injustas”  Em quase todas as culturas há mortes que suscitam mais dificuldades na adaptação e transição do luto entre eles: a morte súbita, o suicídio, a morte de crianças e jovens, a morte de pais na infância, as mortes violentas e homicídios.
  • 34. Patologias do Luto Ocidental  As respostas de cada pessoa a um luto podem variar muito e devem sempre ser consideradas à luz das crenças e enquadramento cultural de cada pessoa, no entanto há alguns tipo de de alteração que são vistas como não normais e passíveis de perigar a saúde ou vida da pessoa enlutada ou a dos que a rodeiam.  As mais reconhecidas do ponto de vista psiquiátrico são: ausência de luto, luto crónico ,a depressão clínica, distúrbios de ansiedade , dependência de álcool ou drogas, distúrbio de stress pós traumático, descompensação psicótica
  • 35. Ausência de Luto  Por vezes as pessoas, sobretudo as crianças jovens, podem não apresentar qualquer sinal de luto, quer por pressão dos adultos quer por defesa. Este aspecto funciona como mecanismo de protecção face à angústia no caso de ter sido uma perda muito traumática. Mentalmente criam-se imagens de que a pessoa não morreu. O luto é normalmente adiado e bloqueia outros aspectos da vida e pode gerar medos irracionais…  ( Casos Inês, Bruno, Arminda…)
  • 36. Luto Crónico  A pessoa mantém-se presa numa fase de luto inicial, mantendo constante a memória da pessoa falecida e preservando tudo o mais semelhante possível. Prolonga-se por vezes durante toda a vida sendo mais comum em viúvos de casamentos muito próximos e na perda de um filho.  (ex: Adélia, Ana, Lurdes)
  • 37. Stress Pós-Traumático  Ocorre em mortes trágicas e inesperadas ou com grau de violência maior e deixa o enlutado em estado de choque durante muito tempo. Imagens intrusivas ocupam constantemente a mente da pessoa, causando grande desequilíbrio, insónia, sintomas físicos graves, perda de apetite, agressividade. O trauma impede a pessoa de concretizar o luto  ( ex: Pessoas raptadas, homicídios, suicídios, acidentes mortais graves)
  • 38. Estados Depressivos Graves  O estado depressivo chega a afectar mais de 50% dos enlutados nos 3 primeiros meses de luto. Alterações major como estupor depressivo, perda completa de apetite, choro constante, ideação suicida constante incapacidade para cuidar de si próprio são pouco comuns e protagonizam quadros clínicos graves. Acontece mais em pessoas que já sofriam de depressão.
  • 39. Estados ansiosos graves  A ansiedade de separação, com ondas de angústia e busca persistente da pessoa falecida, manifestações mais extremadas como ir todos os dias ao cemitério, pode por vezes ser acompanhada de manifestações mais extremadas como ataques de pânico, taquicardias, perda de sentidos.  Por vezes perdura muito no tempo a sensação de que vão morrer mais pessoas e acontecer coisas terríveis. Pode ser acompanhado de comportamentos fóbicos e rituais.
  • 40. Consumo excessivo de substâncias aditivas  Por vezes o álcool surge como automedicação na patologia depressiva e ango-depressiva e na insónia. Também o sobre consumo de medicação com efeito ansiolítico pode surgir quando os sintomas estão descontrolados ou em pessoas pouco apoiadas. Os Homens tendem a aumentar o consumo álcool e as mulheres de benzodiazepinas
  • 41. Descompensação Psicótica  O luto é um desencadeador comum de perturbações do foro psicótico sobretudo se for muito traumático como a morte de um filho. Podem ocorrer estados de desorganização mental acompanhados de mania e com alucinações visuais e auditivas com a pessoa que morreu e com outros aspectos. ( ex. Paula)
  • 42. Intervenção terapêutica  Nas sociedades actuais ocidentais conversar com alguém e tomar medicação adequada parece ser a combinação terapêutica mais utilizada
  • 43. Aconselhamento  O primeiro passo em aconselhamento consiste em descobrir o que pretendem as pessoas e em que medida as podemos ajudar  Observar, Esperar, Ouvir e não julgar são as bases para uma intervenção centrada nas necessidades do outro  Permitir a expressão da dor e reformular sintomas de forma positiva  Descobrir a pessoa, as suas forças e motivações, valorizar e estimular.
  • 44. A interiorização como prelúdio do final do luto  “O luto começa por procurar lá fora o que descobriremos cá dentro” ( Fromma Walsh, 1997)  “ Quando alguém morre, não se ultrapassa esquecendo, mas lembrando. Porque ao lembrar compreendemos que não está realmente perdido ou desaparecido. Tocou a tua vida e o seu amor ficará para sempre em ti e continuará a tocar outros através de ti”( Leslie Silko, 2001)
  • 45. A Transformação do Luto “ Posso escolher ficar sentado e triste, eternamente imobilizado pela dor da minha perda ou posso escolher elevar- me para além dessa dor e apreciar o tesouro mais precioso que tenho : a própria vida” Walter Anderson
  • 46. Desejo-te Suficiente Desejo-te sol suficiente para manteres a tua luz, Desejo-te chuva suficiente para apreciares mais o sol, Desejo-te felicidade suficiente para te manteres alegre, Desejo-te dordor suficiente para apreciar as pequenas alegrias, Desejo-te dinheiro suficiente para teres o que te satisfaz, Desejo-te que percas o suficiente para apreciares o que tens e Desejo-te “Olás” suficientes para conseguires aceitar o “Adeus” final “ I wish you enough” Bob Perks in “Chiken Soup for the Grieving Soul “(2003)