UNIVERSIDADE DO SAGRADO CORAÇÃO                Centro de Ciências Humanas             Bacharelado em Instrumento – Piano A...
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8composição da Valsa Brasileira nº 3. Somente em 1979 o trabalho prossegui com acomposição das valsas brasileiras de nº 4 ...
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112 OBJETIVOS2.1 Objetivo geral       Ressaltar a relevância de Francisco Mignone no cenário musical brasileiro, em       ...
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156 ORÇAMENTO                                  Quadro 1 - Material de ConsumoQUANT.      DESCRIÇÃO                        ...
16REFERÊNCIASBALDERRAMAS, Helerson de Almeida. Métodos e técnicas da pesquisa em música I.Bauru: USC, 2005. 41p.BIONDO, So...
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  1. 1. UNIVERSIDADE DO SAGRADO CORAÇÃO Centro de Ciências Humanas Bacharelado em Instrumento – Piano AS 12 VALSAS DE ESQUINA PARA PIANO DE FRANCISCOMIGNONE: uma abordagem interpretativa por meio de seus sons e timbres RAFAEL CALESSO URBANOVICZ BAURU 2008
  2. 2. 1 RAFAEL CALESSO URBANOVICZ AS 12 VALSAS DE ESQUINA PARA PIANO DE FRANCISCOMIGNONE: uma abordagem interpretativa por meio de seus sons e timbresProjeto apresentado à disciplina de Métodos e Técnicas da Pesquisa II no curso de Instrumento Piano como parte do requisito para avaliação Professor responsável: Prof. Ms. Helerson de Almeida Balderramas BAURU 2008
  3. 3. 2 SUMÁRIO1 INTRODUÇÃO .................................................................................................................. 31.1 Situação problema ........................................................................................................... 31.2 Fundamentação teórica .................................................................................................... 31.2.1 Francisco Mignone: vida e obra ................................................................................... 31.2.2 Valsas para piano ......................................................................................................... 71.2.3 Aspectos interpretativos ............................................................................................... 82 OBJETIVOS ..................................................................................................................... 112.1 Objetivo geral ................................................................................................................ 112.2 Objetivos específicos ..................................................................................................... 113 JUSTIFICATIVA ............................................................................................................. 124 METODOLOGIA............................................................................................................. 135 CRONOGRAMA ............................................................................................................. 145.1 Plano de Pesquisa .......................................................................................................... 146 ORÇAMENTO ................................................................................................................. 15REFERÊNCIAS .................................................................................................................. 16
  4. 4. 31 INTRODUÇÃO1.1 Situação problema A Música Brasileira para piano é representada por um grande número decompositores com diferentes estilos, influências e características históricas e culturais poreles consideradas em suas inspirações. Francisco Mignone, um dos compositores brasileiros de maior expressão, compôsum vasto repertório pianístico do qual se destacam as Valsas de Esquina, que apresentamum rico universo sonoro de brasilidade. Neste contexto os pianistas, ao executarem tais obras, devem valer-se de técnicasinterpretativas capazes de expressar esta brasilidade, tais como timbrar um somcaracterístico segundo a intenção do compositor, aliado a subjetividade do intérprete,conhecimento prévio da brasilidade musical, antecedentes histórico-sociais e biográficosda vida e obra do compositor, etc. Que técnicas um intérprete necessita para uma reprodução sonora adequada àintenção do compositor Francisco Mignone nas 12 Valsas de Esquina?1.2 Fundamentação teórica1.2.1 Francisco Mignone: vida e obra A imaginação fértil e a facilidade de composição de Francisco Mignone se refletemprofusamente em sua obra para piano. Sem dúvidas a sua genialidade composicional sedeve à influência dos grandes mestres que lhe ensinaram desde cedo sobre o universomusical e ao meio social em que vivia em São Paulo. Francisco Mignone nasceu em São Paulo, no dia 3 de setembro de 1897, filho do jovem músico italiano Alferio Mignone, flautista que havia emigrado para o Brasil no ano anterior. Desde muito cedo Francisco Mignone recebeu uma esmerada formação musical estudando flauta e piano; aos 15 anos, ingressou no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo onde passou a ser orientado pelos melhores professores que havia na cidade: seu próprio pai (flauta) e o célebre mestre italiano Agostino Cantú (piano, harmonia, contraponto e composição). quando terminou o conservatório, o jovem Mignone já era conhecido no ambiente musical paulista. Desde os 13 anos de idade, tocava piano em pequenas orquestras para ajudar nas despesas com seus próprios estudos e eventualmente atuava também como flautista, não só em orquestras mas também em conjuntos de “chorinhos” pelas ruas de são Paulo.
  5. 5. 4 Começava também a revelar seu talento para a composição criando peças de cunho popular, com o pseudônimo de “Chico Bororó” (RODRIGUES, 1996, p. 98). A primeira experiência profissional do compositor Francisco Mignone foram seustrabalhos feitos no período em que ele usava o pseudônimo de “Chico Bororó”, experiênciaessa que o acompanhou a vida toda. Influenciado que foi pela música produzida peloschorões e seresteiros, essa fase marca sua adolescência e traça seu perfil musicalestabelecendo sua personalidade e o estilo de suas composições. A lição de trabalho que recebia do exemplo do passado do pai, levava-o no limiar da adolescência à conquista de seus próprios recursos pecuniários. E havia de acompanhá-lo toda a vida, tornando-o um dos músicos mais trabalhadores, num sentido vulgar, proletário ou artesanal, do nosso panorama artístico contemporâneo (AZEVEDO, 1997, p. 11). Os contatos com músicas e músicos populares lhe serviram de experiência para aelaboração de peças de cunho nacionalista. Tendo sido influenciado pelo mentor domovimento nacionalista, o escritor Mário de Andrade, as músicas de Mignone atenderamao espírito nacionalista que São Paulo viveu no século passado (IKEDA, 1986). Naquela época o governo de São Paulo tinha um sistema que concedia bolsas deestudos no exterior para jovens artistas, desde que seus nomes fossem aprovados por umacomissão presidida pelo então deputado Freitas Valle, um admirador do talento deMignone. Após um brilhante concerto em dezembro de 1918, onde Mignone interpretou aopiano o 1º movimento do Concerto de Grieg e também apresentou duas de suascomposições sinfônicas (Caramuru e a Suíte Campestre), o Governo do Estado prometeu-lhe uma bolsa de estudos. Finalmente em 1920 é concedida a bolsa de estudos cujo destinofoi a Itália tendo aulas no Conservatório Giuseppe Verdi (RODRIGUES, 1996, p. 98). Segundo Kiefer (1989, p. 35): (...) na Itália Mignone estudou harmonia, contraponto, fuga e composição com o célebre mestre Vincenzo Ferroni (1858-1934), que tivera formação francesa como discípulo de Massenet. Seu nome estava ligado à história da música brasileira, pois havia sido colega de Francisco Braga e Alexandre Levy. Mignone solidificou e ampliou seus conhecimentos, inclusive em orquestração, arte pela qual já demonstrava especial aptidão. Aos 24 anos de idade, ainda sob a orientação de Vincenzo Ferrone, Mignoneescreveu sua primeira ópera: O contratador de diamantes, com libreto em três atos deGiralomo Bottoni. Essa ópera teve estréia mundial em 20 de setembro de 1924 no Teatro
  6. 6. 5Municipal do Rio de Janeiro, sob a direção de Emil Cooper. Na Itália Mignone escreveutambém os poemas sinfônicos Momus, Festa Dionisíaca e No Sertão (AZEVEDO, 1997). A Congada faz parte do segundo ato da ópera O contratador de Diamantes. Foiinterpretada em janeiro de 1923, na cidade do Rio de Janeiro pela Filarmônica de Vienasob a regência de Richard Strauss. Esse movimento da ópera mostra os negros dançandono adro da igreja de Santo Antônio, no Tejuco. A Congada influenciou o caminho no qualMignone seguiu um pouco mais tarde. Sob a inspiração dessa composição FranciscoMignone compôs uma série de músicas com a temática da música afro-brasileira(DUARTE, 1997). Em 1928, sob a direção musical de Túlio Serafin, estreou-se a segunda ópera deFrancisco Mignone, L’innocent. Essa ópera e todo o repertório escrito por Mignonedurante sua estadia na Itália mostram grande influência italiana, razão pela qual Mignonefoi duramente criticado pelo escritor Mário de Andrade, que tinha a intenção de estimular einfluenciar os compositores brasileiros para uma produção musical usando características“genuinamente” nacionais (AZEVEDO, 1997). Francisco Mignone ficou nove anos na Europa. Em 1929 retornou definitivamentepara o Brasil, passando a residir em São Paulo. Em 1931 as críticas de Mário de Andradesurtiram efeito, pois nesse ano estreava a Primeira Fantasia Brasileira, obra para piano eorquestra que traz de volta os traços característicos da música produzida em suaadolescência. Francisco Mignone compôs quatro Fantasias, todas elas lembram ChicoBororó (AZEVEDO, 1997). Em 1932 mudou-se para o Rio de Janeiro, onde foi professor de Regência noInstituto Nacional de Música (atual E.M.UFRJ, Escola de Música da Universidade Federaldo Rio de Janeiro), aposentando-se em 1967 (KIEFER, 1983). Graças à amizade de Francisco Mignone e de Mário de Andrade, ainda em SãoPaulo, Mignone iniciava a composição de Maracatu de Chico Rei, obra para coro eorquestra, onde o compositor utiliza em sua instrumentação grandes efeitos rítmicos esonoros. Maracatu de Chico Rei é a primeira obra cujo tema literário é fornecido porMário de Andrade. Trata-se de um bailado afro-brasileiro, baseado na construção da igrejade Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, em Vila Rica. Nessa linha de composição seguemBatucajé e Babaloxá (1935), Leilão, Cânticos de Obaluayê (1934), Dona Janaína (1938).Esse período da vida de Francisco Mignone ficou marcado pela influência da música afro-brasileira em suas composições (AZEVEDO, 1997).
  7. 7. 6 Francisco Mignone foi um dos compositores brasileiros mais significativos. Ele éautor de grandes trabalhos orquestrais além de diversas obras de câmara. Para Azevedo(1997) as grandes obras sinfônicas como a Sinfonia do Trabalho, O Espantalho, Festa dasIgrejas, Quadros Amazônicos, escritas de 1939 à 1942 revelam as interpelações deMignone sobre si mesmo nesse período de sua vida. A influência do amigo Mário deAndrade foi importante e ajudou o compositor a superar a crise em que vivia. Aos 50 anos de idade Francisco Mignone escreveu o livro A parte do Anjo com acolaboração do musicólogo Luis Correa de Azevedo, do escritor e crítico musical Mário deAndrade e de sua primeira esposa Liddy Chiafarelli. Este livro trata de um momento deautocrítica e reflexão sobre a vida e a personalidade do compositor (MEDEIROS, 1995). Na década de 60, à partir de um profundo estuda da Missa em Si b de Palestrina,Francisco Mignone compôs várias missas para vozes mistas. Mignone escreveu essascomposições com textos em latim. A primeira delas foi a 1ª Missa em Si b maior compostaem 1962. em 1963 compos a 2ª Missa, em Ré Menor. A composição de missas não paroupor aí: em 1965, 66, 67 e 68 compôs respectivamente a 3ª Missa, a 4ª Missa em Sol Maior,a 5ª, a 6ª e a 7ª Missa, a última da série (AZEVEDO, 1997). Em seus últimos anos de vida Mignone buscou Chico Bororó através de suascomposições. Segundo Medeiros (1998, p. 43) na década de 80, nos últimos anos de vida,Mignone confessa a sua busca pelos elementos musicais que o motivaram no passado dasua juventude em São Paulo, quando se deleitava em tocar flauta nas serestas vividas nasesquinas da grande paulicéia, sob a luz dos lampiões de gás. Foi com essa atmosferamusical que o compositor impregnou as 16 valsas para fagote solo e as valsas para piano. Com 83 anos, casou-se com Maria Josephina, com quem já formava um duopianístico bem sucedido. Durante todo esse período, Mignone esteve atento e acompanhou a música brasileira, emitindo opiniões, elogios e participando do cenário contemporâneo da música brasileira, como ele mesmo disse: “Todo compositor deve acompanhar a produção contemporânea. Não podemos ignorar os anseios dos jovens, e sim, partir do princípio de que é necessário mudar tudo e fazer o que ninguém ouviu até hoje” (BIONDO, 1977, p. 31). Francisco Mignone faleceu no Rio de Janeiro no dia 19 de fevereiro de 1986(MEDEIROS, 1995).
  8. 8. 71.2.2 Valsas para piano Muito diversificadas foram as composições para piano de Mignone, porém a formamusical que consagrou seu reconhecimento foi a valsa. Possivelmente foi o músico brasileiro mais completo – compositor, professor, regente, virtuose do piano, acompanhador, orquestrador, intérprete de música de câmara, poeta e intelectual. Sua valorosa contribuição para o piano são as 12 Valsas de esquina (1938-42), as quais retratam muito bem o clima dos chorões das primeiras décadas do século, além de outros tipos de valsas notadamente brasileiras. Mignone compôs Prelúdios, Lendas sertanejas, Estudos transcendentais, outra série de 12 Valsas-choro (1946-1955), 12 Valsas brasileiras e, todas em tons menores e para piano e orquestra, três Fantasias brasileiras e o Concerto (1958). (FUCCI AMATO, 2006, p. 86). Segundo Medeiros (1995, p. 2) “em 1938 Mignone iniciou a composição das 12Valsas de Esquina, gravadas por Arthur Moreira Lima, entre janeiro de 1980 e julho de1982, na sala Cecília Meireles (Rio de Janeiro)”. Ainda para Medeiros, essa iniciativalevou-o a ser o compositor merecedor do cognome “O Rei da Valsa”, título conferido porManuel Bandeira. As Valsas de Esquina foi a primeira coleção de valsas escritas por Mignone. Todas elas são distintas e compostas em tonalidades menores. Essas valsas foram compostas a partir de profundo estudo sobre os 24 prelúdios de Chopin, escritos nas 24 tonalidades maiores e menores (MEDEIROS, 1995, p. 2). Essas valsas para piano têm traços musicais importantes no que se refere ao estilocomposicional de Mignone. De acordo com Medeiros (1995) deve ser notada a texturaharmônica ¾ e o movimento melódico da mão esquerda, lembrando os movimentosimprovisados do baixo do violão, quando executando choros e melodias seresteiras, asseções em tons menores e maiores, a execução articulada das apogiaturas, (que devem servalorizadas de acordo com o andamento da peça) e os movimentos agógicos. Existirãodetalhes outros, que serão percebidos por ouvidos afinizados com esse universo musicalMignoniano. Em 1946 Mignone iniciou a composição das 12 Valsas-choro para piano,terminando essas composições em 1957. Essas valsas foram escritas também emtonalidades menores (MEDEIROS, 1995). Francisco Mignone iniciou na década de sessenta a composição das 24 ValsasBrasileiras compondo duas delas. A continuação desse trabalho se deu em 1975 com a
  9. 9. 8composição da Valsa Brasileira nº 3. Somente em 1979 o trabalho prossegui com acomposição das valsas brasileiras de nº 4 a 12. Em 1984 Mignone compôs mais 12 Valsas,completando a coleção das 24 Valsas Brasileiras para piano. Oito valsas dessa coleçãoforam dedicadas à sua esposa Josephina Mignone que, segundo ela, ressaltam o aspectoseresteiro do compositor (MIGNONE, J apud MEDEIROS, 1994). Mignone casou-se em 1964 com Maria Josephina, dessa união surgiu umharmonioso duo pianístico que divulgou a música brasileira em seus recitais por todo oBrasil. Maria Josephina foi a segunda esposa do compositor. Ela estudou com LourençoFernandez, Arnaldo Estrela, Madalena Tagliaferro e com o próprio Mignone (MEDEIROS,1995). Ainda na década de 60 Francisco Mignone compôs várias obras sob a inspiração deIgor Stravinsky, entre elas estão as sonatas nº 2 e nº 3 para piano. (MEDEIROS, 1995).Francisco Mignone era um grande admirador de Stravinsky, inclusive estudou várias desuas obras com o intuito de aprender mais sobre a arte da composição.1.2.3 Aspectos interpretativos Segundo Salomea Gandelman (1995), algumas das qualidades essenciais quecaracterizam uma interpretação, como o timbre, a cor e o caráter, são quase inexistentes naescrita musical. Diante desse quadro, o intérprete possui poucas opções no que se refere àexecução da música anterior a 1600, que só pode ser compensada apoiando-se empesquisas na tradição oral e nas convenções de época. Para os progressistas, a interpretação se identifica com a atividade do espírito epossui uma missão criativa, na qual o texto constitui, ao mesmo tempo, o ponto de partidae o limite que se opõe à atividade do espírito, que se desenvolve ao superar e resolver oobstáculo em questão (FUBINI, 1971, p. 381). O filósofo alemão Georg Wilhelm Friedrich Hegel, em suas famosas lições de Estética proferidas em Heidelberg e Berlim entre 1820 e 1829 (HEGEL, 1993), parece ter sido um dos primeiros a detectar que os modos de execução musical se orientavam em duas direções, qual seja, na primeira, o intérprete se identificava apenas com a expressão já contida na obra e, na segunda, ele se encarregava não apenas dessa expressão, mas também de si próprio (APRO, 2004, p. 16). Sem dúvidas a questão interpretativa de uma obra é muito relativa, pois cadaindivíduo tem a sua concepção de mundo construindo, assim, a sua personalidade.
  10. 10. 9 O próprio de cada interpretação é enunciar um ponto de vista particular, que atualiza momentaneamente uma virtualidade da obra, sem, no entanto, excluir outras atualizações possíveis [...]. A interpretação revela, pois, a personalidade do intérprete, ao mesmo tempo que visa desvelar a verdade da obra. Nesse sentido, toda verdadeira interpretação se define tanto pela parte de criação pessoal e de recursos expressivos que nela insere o intérprete, quanto pela fidelidade literal ao texto interpretado – observação de parâmetros precisos da notação, de traços estilísticos e de suas convenções. É, contudo, de um equilíbrio mais ou menos bem sucedido entre essas duas direções que depende o valor e a força de impacto de uma interpretação (GANDELMAN, 1995, itálico nosso). Um dos autores que se debruçam sobre a questão histórica da interpretação musicalfoi Frederick Dorian. Sua proposta de focalizar a história da música do ponto de vista dosintérpretes foi, metodologicamente falando, original para a época (década de 30). O autorinicia sua pesquisa delimitando a questão interpretativa em duas categorias: Subjetividade– aquele que reflete a individualidade do intérprete, e Objetividade – atitude de lealdadeinconstitucional ao roteiro musical (DORIAN, 1942, p. 26). Afirma que nunca houvesolução definitiva a essa dicotomia, uma vez que as diferentes argumentações de umafacção são contínuas na História da Música, somando-se ao fato de que cada ser humanodemonstra um impulso natural diferenciado em relação à mesma partitura, pois cadaintérprete possui uma diferente formação, educação, cultura e experiências humanas eartísticas (DORIAN, 1942, p. 27). O autor recomenda alguns caminhos para guiar ointérprete em sua tarefa: Entender a linguagem; Conhecer as épocas; Apreender a essência por trás dos símbolos escritos (DORIAN, 1942, p. 31). As preocupações referentes à interpretação musical viriam ainda a conhecer outrasperspectivas teóricas na década de 60, como a análise aplicada à execução. Esta tendênciaangariou certa respeitabilidade devido à dificuldade dos grandes artistas em expressar,tanto verbalmente quanto na escrita, as diversas nuances de suas performances. EdwardCone (1968) foi um dos mais influentes teóricos dessa linha, que privilegiou asistematização de uma prática interpretativa baseada na análise, com o propósito de guiar ointérprete na tarefa de salientar os aspectos estruturais em sua execução como, porexemplo, a dosagem dos pesos nas cadências harmônicas (APRO, 2004, p. 29). Alfred Cortot, pianista francês, transmite aos pianistas em suas aulas públicas que aquestão mais importante para o intérprete é a busca do sentimento inerente a cada obra.
  11. 11. 10 A música não pode, evidentemente, nada descrever com precisão. Seu domínio é o despertar das sensações. Ela deve permitir a cada um viver seu sonho, sob a influência de uma excitação momentânea, que pode diferir segundo a disposição dos ouvintes e segundo sua mentalidade profunda (CORTOT, 1986, p. 16). Interpretar é recriar em si a obra que se toca”, disse mais uma vez Cortot, insistindo na necessidade de não se lançar à tarefa senão colocando-se nas condições em que a criação foi produzida. Em outras palavras, na necessidade de saber muito, a fim de compreender bem e de evitar erros (CORTOT, 1986, p. 18). Vale ressaltar a recomendação de Cortot em relação à técnica que sempre deveestar a serviço da interpretação: “O único meio [...] de aperfeiçoar a técnica instrumental é submete-la estreitamenteà preocupação da interpretação poética. Assim, a técnica se diversifica, tornando-seflexível e confere à execução esses matizes variados” (CORTOT, 1986, p. 17).
  12. 12. 112 OBJETIVOS2.1 Objetivo geral Ressaltar a relevância de Francisco Mignone no cenário musical brasileiro, em especial nas composições para piano, realizando uma abordagem interpretativa das Valsas de Esquina.2.2 Objetivos específicos Identificar nas Valsas de Esquina de Francisco Mignone a construção por camadas sonoras, tais como, melodia, acompanhamento e preenchimento harmônico; analisar o contexto histórico e social do compositor; correlacionar o contexto histórico e social do compositor com o caráter da obra; indicar as possibilidades de timbragens adequadas ao caráter das obras; comprovar por meio de gravações e execução ao piano formas de timbrar o som nos trechos das obras; produzir um vídeo no formato AVI para ser exibido na internet demonstrando as formas de timbrar o som nos trechos das Valsas de Esquina de Francisco Mignone.
  13. 13. 123 JUSTIFICATIVA A importância desta pesquisa consiste em apresentar-se como um instrumento deauxílio à pianistas, que queiram interpretar as 12 Valsas de Esquina de Francisco Mignone,demonstrando o timbre característico das influências do compositor. Francisco Mignone (1897-1986) foi um importante compositor brasileiro. Em todasas vertentes musicais que explorou, revelou produzir a arte de uma das maneiras mais ricae refinada. Sem dúvidas a genialidade composicional de Mignone é fruto de um talentoexcepcional, e tal genialidade também se deve à influência dos grandes mestres que lheensinaram desde cedo sobre o universo musical, e ao meio social em que viveu na cidadede São Paulo. Sua juventude foi marcada pela convivência com músicos seresteiros, época emque percorriam determinadas ruas e bairros de São Paulo tocando e cantando.Posteriormente tal convivência torna-se inspiração para a elaboração de inúmeras obras-primas, sobretudo as Valsas de Esquina para piano. O aprimoramento da interpretação damúsica para piano, para os ouvintes da boa música erudita, nesta produção científica aindaservirá como forma de resgate da música folclórica brasileira.
  14. 14. 134 METODOLOGIA Esta pesquisa será desenvolvida utilizando o método hipotético-dedutivo, que “éum método lógico, as conseqüências são deduzidas por meio de experimentação”(GIL,1999). Neste caso a experimentação será por meio de um estudo da técnica pianisticae suas variantes timbrísticas, afim de caracterizar a intenção do compositor FranciscoMignone nas 12 Valsas de Esquina. Para tanto será necessário a realização de uma pesquisa bibliográfica, documental eexperimental. A pesquisa bibliográfica servirá para melhor embasamento teórico ecientífico da vida e obra de Francisco Mignone e da técnica pianística. Já a pesquisadocumental será necessária para referência de sua produção musical e intelectual. E apesquisa experimental que comprovará a timbragem característica segundo a intenção docompositor nas 12 Valsas de Esquina. Quanto a coleta de dados serão utilizadas fontes primárias (partituras, gravações,entrevista televisiva) e secundárias (livros, sites, artigos, dissertações). O tratamento dessesdados será qualitativo, pois considerará a qualidade da eficiência da técnica associada ainterpretação. Esta pesquisa será limita, pois serão demonstrados em pequenos trechos de cadauma das 12 valsas de esquina as possíveis formas de timbragem segundo as influências docompositor.
  15. 15. 145 CRONOGRAMA Mês de execução - 2009ETAPAS 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12Levantamento Bibliográfico: X XFichamento de Livros, Periódicos,Vídeos, CD Rom, PesquisasInternet, etc.Elaboração dos Instrumentos de X XPesquisaDesenvolvimento da Pesquisa – X X X XColeta de Dados/ EnsaiosLaboratoriais.Análise dos dados coletados X X Xbaseando-se nos estudospreviamente realizadosRedação preliminar do trabalho X XConsiderações finais do trabalho, Xrevisão e entrega.5.1 Plano de Pesquisa Levantamento Bibliográfico: A pesquisa bibliográfica se dará nos dois primeiros meses Elaboração dos Instrumentos de Pesquisa: Num segundo momento ocorrerá a elaboração dos instrumentos de coleta de dados (Formulários). Coleta de Dados: A coleta de dados se dará no período do quarto ao sétimo mês, concomitantemente aos ensaios Laboratoriais. Análise dos dados: A análise dos dados ocorrerá no período do sétimo ao nono mês. Redação: Por fim a redação final do relatório de pesquisa, revisão e entrega nos últimos três meses.
  16. 16. 156 ORÇAMENTO Quadro 1 - Material de ConsumoQUANT. DESCRIÇÃO DISPONÍVEL (R$) NÃO-DISPONÍVEL (R$)500 Fls de papel sulfite A4 17,001 Tinta para impressora 80,00cartucho15 CD-R 15,00TOTAL 112,00 Quadro 2 - Material PermanenteQUANT. DESCRIÇÃO DISPONÍVEL (R$) NÃO-DISPONÍVEL (R$)1 Piano 2.000,001 Aparelho de CD 200,001 Computador 2.000,001 Gravador MP3 120,00TOTAL 4.000,00 320,00 Quadro 3 - Recursos para BibliografiaQUANT. DESCRIÇÃO DISPONÍVEL (R$) NÃO-DISPONÍVEL (R$) Livros 500,000TOTAL 500,00 Quadro 4 - Serviços de TerceirosQUANT. DESCRIÇÃO DISPONÍVEL (R$) NÃO-DISPONÍVEL (R$)200 Fotocópias 25,001 Encadernação 3,50200 h Internet XTOTAL 28,50 Quadro 5 - Orçamento do ProjetoDESCRIÇÃO DISPONÍVEL (R$) NÃO-DISPONÍVEL (R$)Material de Consumo 112,00Materiais Permanentes 4.000,00 320,00Recursos para a Bibliografia 500,00Serviços de Terceiros 28,50TOTAL 4.000,00 960,50
  17. 17. 16REFERÊNCIASBALDERRAMAS, Helerson de Almeida. Métodos e técnicas da pesquisa em música I.Bauru: USC, 2005. 41p.BIONDO, Sonia Maestro Francisco Mignone, 80 anos de vida, 70 de música. In: O Globo.Rio de Janeiro, 03/09/1977. p. 31CORTOT,Alfred. Curso de interpretação. Brasília, DF: Editora Musimed, 1986Dicionário GROVE de música. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1994.FUCCI AMATO, Rita de C. Educação pianística: o rigor pedagógico dos conservatórios.Música Hodie, Goiânia, v. 6, p. 75-96, 2006.GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5. ed. São Paulo: Atlas, 1999. 206p.KIEFER, Bruno. Mignone Vida e Obra. Porto Alegre: Editora Movimento, 1983.MARIZ, Vasco. Francisco Mignone: o homem e a obra. Rio de Janeiro: UERJ. 1997.MEDEIROS, Elione Alves de. Uma abordagem técnica e interpretativa das 16 valsaspara fagote solo de Francisco Mignone. 1995. (Dissertação de Mestrado) – UniversidadeFederal do Rio de Janeiro, RJ.MEDEIROS, Elione Alves. Traços Interpretativos e o cantaile nas valsas para fagote deFrancisco Mignone. Disponível em: http://www.haryschweizer.com/Textos/Mignone_valsas.htm. Acessado em: 21/10/2007MIGNONE, Francisco. Biblioteca educação e cultura: musica. Rio de Janeiro: Bloch,1980, 64 p.RICHERME,Claudio. A Técnica Pianística - uma abordagem científica. São João da BoaVista, SP: AIR Musical Editora, 1996RODRIGUES, Lutero. Francisco Mignone e Lorenzo Fernandez. In: BERNARDES,Ricardo (org.) Revista Textos do Brasil, número 12: Música erudita brasileira. Brasília:Ministério das Relações Exteriores, 2006. Disponível em: http://www.dc.mre.gov.br/brasil/textos/ 96a103er.pdf. Acesso em: 05/09/2007.Website Francisco Mignone. Fundação Biblioteca Nacional. Disponível em:http://www.bn.br/fbn/musica/ migno_ li.htm. Acessado em: 1 set. 2007.Website O piano de Mignone. Opinião e Notícia – Clóvis Marques. Disponível em:http://opiniaoenoticia.com.br/interna.php?id=10312. Acessado em: 23/10/2007

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