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Trabalho apresentado no V Sipecom, em 2013.

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  1. 1. Epistemologia: compreendendo as bases teóricas do fazer epistemológico Tauana Jeffman Darciele Marques
  2. 2. O intuito deste trabalho é, de uma forma simples, compreender a epistemologia e as ideias de alguns teóricos consagrados em seus estudos.
  3. 3. Epistemologia Segundo Japiassu (1979, p. 24-38, grifo do autor), epistemologia “significa, etimologicamente, discurso (logos) sobre a ciência (episteme)”. Para este autor, a epistemologia se trata dos estudos e reflexões dos métodos científicos, realizando um “estudo crítico dos princípios, das hipóteses e dos resultados das diversas ciências”.
  4. 4. Epistemologia é um conceito flexível, que objetiva a uma “teoria geral do conhecimento [...] interrogando-se sobre a gênese e a estrutura das ciências”, visando a uma “análise lógica da linguagem científica”, aliada ao “exame das condições reais de produção dos conhecimentos científicos”.
  5. 5. Além de se configurar como um discurso sobre a ciência, a epistemologia também é a história desta, pois “uma teoria das ciências só é epistemologia porque a epistemologia é histórica.
  6. 6. Autores
  7. 7. Jean Piaget Desenvolveu uma epistemologia genética, onde averiguou o “desenvolvimento das funções mentais”, para compreender que este fornece uma “explicação, ou, pelo menos, um complemento de informação quanto aos mecanismos dessas funções mentais em seu estado acabado”. Piaget modifica a problematização do conhecimento. A questão deixa de ser “como o conhecimento é possível?” (Kant) e passa a ser “como crescem os conhecimentos?”
  8. 8. Apesar de focar em uma epistemologia puramente científica, Piaget percebeu uma “interconexão cíclica entre as ciências”, fato que o levou a propor um “sistema cíclico das ciências”. Assim, a psicologia necessita recorrer às concepções da lógica e da matemática para o seu fazer epistemológico. É convicto de que os conhecimentos são o resultado de uma construção.
  9. 9. Gaston Bachelard Afirmava que a ciência necessita tanto da força e dos poderes da razão, quanto da criatividade e da poesia. O teórico dedica-se ao desenvolvimento e a valorização do campo do imaginário, pois para ele, “o homem é ao mesmo tempo Razão e Imaginação”. Contudo, estes dois âmbitos, apesar de complementares, não podem ser confundidos: a razão é o homem diurno e a poesia, o homem noturno.
  10. 10. Na epistemologia bachelardiana, não há verdades absolutas. Não há uma verdade correta e outras verdades erradas: há várias verdades. Também não há um saber universal, mas a necessidade de “compreender a relação do homem com o seu saber”. Objetivou acordar as filosofias de seus sonos dogmáticos, destacando que o homem comum também possui seus saberes e suas verdades.
  11. 11. Michel Foucault Apresenta o conceito de “triedro dos saberes”, noção que “lhe permite definir uma espécie de espaço epistemológico da constituição das ciências humanas de caráter racional e científico”. O triedro é formado pelo seguintes eixos: “1º) o eixo das Matemáticas e Psicomatemáticas, ciências exatas e protótipos da cientificidade; 2º) o eixo das Ciências da Vida, da Produção e da Linguagem”, e “3º) o eixo da Reflexão Filosófica”.
  12. 12. É em uma epistemologia arqueológica que o teórico se esmera, que “não visa a descoberta da origem do homem, mas o fundamento das ciências humanas”.
  13. 13. Ludwig Wittgenstein Acreditava que a filosofia não seria uma doutrina ou um conjunto de saberes, mas uma atividade que auxiliaria a corrigir a linguagem, ou seja, o pensamento. Sobre a lógica, Wittgenstein se opõe à Kant, ao negar “que a característica da proposição lógica deva ser sua generalidade ou validade geral”.
  14. 14. Sobre as proposições empíricas, Wittgenstein acredita que estas só ocorrem “quando se sabe e/ou quando se pode afirmar o que a faz verdadeira, ou a faria verdadeira”. Por exemplo, quando acreditamos que uma determinada superfície é branca, devemos, primeiramente, saber o que é o branco. Deste modo, “o problema do significado das frases” – aquela mesa é branca – “torna-se o tema central de uma teoria do conhecimento empírico e deve ser diferenciado do problema de confirmar que uma frase é verdadeira ou falsa”.
  15. 15. Em suma, Wittgenstein afirma que a filosofia não é uma teoria, mas “uma análise e descoberta da estrutura superficial e profunda da linguagem”, ou seja, crê que a verdadeira função da filosofia “não é criar uma nova linguagem ideal, mas clarificar o uso de nossa linguagem, aquela existente”.
  16. 16. Karl Popper Preocupava-se, epistemologicamente, com a “elucidação do ‘valor’ das teorias científicas, ou seja, ao grau de confiança que podemos depositar nelas, em função dos dados empíricos que podemos dispor”.
  17. 17. O autor acredita que não há teorias explicativas universais detentoras de verdades absolutas, o que há, são hipóteses e conjecturais. Para o teórico, as teorias científicas tornam-se válidas se forem “falsificáveis” e o papel do cientista/pesquisador não é demonstrar ou verificar suas teorias, mas sim, “testá-las, tentando infirmá-las ou falsificá-las”.
  18. 18. Na concepção de Popper (1975, p. 110-113, grifo do autor), uma teoria confirmada é uma teoria que ainda não foi infirmada, ou seja, as verdades existem, mas possuem prazo de validade.
  19. 19. Thomas Kuhn Antes de Kuhn, acreditava-se que a ciência evoluía continuamente, de forma horizontal; mas o pesquisador mostrou que não era bem assim. Para este, a ciência modificava-se através de revoluções. Para Kuhn (2001), o desenvolvimento de uma disciplina científica se dá nas seguintes fases: fase pré-paradigmática > ciência normal > crise > revolução científica > nova ciência normal > nova crise > nova revolução, e assim por diante.
  20. 20. As crises podem despertar revoluções, que também atuam como uma forma para a ciência evoluir. Após a revolução científica, tem-se uma nova teoria, surgindo “somente após um fracasso caracterizado na atividade normal de resolução de problemas” (KUHN, 2001, p. 103).
  21. 21. Jürgen Habermas Dedica-se à compreensão de uma “racionalidade comunicativa”, ou uma “filosofia discursiva”, que, segundo este, é “uma outra saída da filosofia do sujeito”. Com isto, Habermas (1998, p. 276) sugere que “o paradigma do conhecimento de objetos tem de ser substituído pelo paradigma da compreensão mútua entre sujeitos capazes de falar e de agir”, pois, em sua concepção, “o paradigma da filosofia da consciência” está esgotado.
  22. 22. Habermas (1998, pp. 285-286) fala sobre uma “razão bipartida”, que nada mais é do que uma razão relacionada “à praxis social solidária como o lugar de uma razão historicamente situada, no qual se juntam os fios da natureza externa, da natureza interna e da sociedade”. A razão se relaciona com a subjetividade que, entendida como “autorreferência do sujeito que conhece e que age, está representada no caráter binário da relação autorreflexiva”.
  23. 23. Habermas (1998, pp. 285-286) fala sobre uma “razão bipartida”, que nada mais é do que uma razão relacionada “à praxis social solidária como o lugar de uma razão historicamente situada, no qual se juntam os fios da natureza externa, da natureza interna e da sociedade”.
  24. 24. Critica a razão centrada no sujeito, pois acredita que a construção de uma racionalidade se faz mediante a argumentação, ou seja, é necessário que os sujeitos exponham suas argumentações, para assim se estabelecerem o discurso, e por conseguinte, alcançarem uma “racionalidade comunicativa”, onde o que predomina é uma “vontade geral” e esta é posta em prática. Sendo assim, os sujeitos não chegam à razão isolados, mas unidos por meio de uma conversação que objetiva a “compreensão coletiva do mundo”.
  25. 25. Edgar Morin Propõe-se a pensar o simbólico/mitológico/mágico com o empírico/técnico/racional, acreditando que estes dois âmbitos se articulam e “estão imbricados em uma trama complexa”, onde “há uma necessidade permanente um do outro”.
  26. 26. Para o autor, foi necessário pensar criticamente o mito, para não compreendêlo como sinônimo de ilusão, de fábula, de magia, de superstição ou mentira, como este era compreendido pela racionalidade. Após esse pensamento crítico, percebeu-se, então, “um sentido mais profundo do pensamento mitológico”. O símbolo, por sua vez, é evocativo concreto, imprimindo um “modo de participação subjetiva na concretude e no mistério deste mundo”, o que é diferente do signo, que, de acordo com o autor, é “indicativo instrumental”. A magia, por sua vez, é a praxis do pensamento, onde, apesar de mágica, também obedece a uma certa racionalidade, abrangendo práticas técnicas e obedecendo a determinadas regras.
  27. 27. Morin (1986, p. 164) defende um “pensamento duplo”, ou seja, a articulação entre um pensamento simbólico/mitológico/mágico e um pensamento empírico/técnico/racional, pois para este, o primeiro pensamento “é carenciado se não for capaz de aceder à objetividade”, enquanto o último, “é carenciado se for cego para o concreto e a subjetividade”.
  28. 28. Considerações O presente estudo é um esboço inicial para a compreensão da epistemologia, pois abarcar amplamente a percepção dos teóricos aqui apresentados, demandaria uma pesquisa grandiosa, que apenas um artigo não contemplaria. Obviamente, não se encontram nesta reflexão todos os autores e preceitos que o estudo da epistemologia abarca, mas sim, o início de uma investigação epistemológica, alicerçada pelas teorias e autores que compõem o eixo central de tal investigação.
  29. 29. Referências DURAND, Gilbert. As Estruturas Antropológicas do Imaginário. 3ª ed. São Paulo: Martins Fontes, 2002. FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Novo dicionário Aurélio da Língua Portuguesa. 2ª ed. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986. HABERMAS, Jügen. O discurso filosófico da modernidade. 2ª ed. Lisboa: Edições Dom Quixote, 1998. HALLER, Rudolf. Wittgenstein e a Filosofia Austríaca: questões. São Paulo: Edusp, 1990. JAPIASSU, Hilton Ferreira. Introdução ao pensamento epistemológico. 3ª ed. Rio de Janeiro: Francisco Alves Editora, 1979. KUHN, Thomas S. A estrutura das revoluções científicas. São Paulo: Perspectiva, 2001. LOPES, Maria Immacolata Vassalo de. Uma aventura epistemológica: entrevista com Jesús Martín-Barbero. Marizes, nº 2, agosto de 2009, p. 143-162. MARTÍN-BARBERO, Jesús. Retos de la investigagión en América Latina. In: MARTÍN-BARBERO, Jesús. Procesos de comunicación y matrices de cultura: itinerarios para salir de la razón dualista.Barcelona: Gustavo Gil, 1988, p. 82-97. ______. Comunicación y culturas em América Latina. Revista Anthropos, nº 219, 2008. MORIN, Edgar. O método 3: o conhecimento do conhecimento. 3ª ed. Porto Alegre: Sulina, 1986. ______. Estrelas: mito e sedução no cinema. Rio de Janeiro: José Olympio, 1989. NORRIS, Christopher. Epistemologia: conceitos-chave em filosofia. São Paulo: Artmed, 2007. POPPER, Karl R. Conhecimento objetivo: uma abordagem evolucionária. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1975. SANTOS, Boaventura de Sousa. A gramática do tempo: para uma nova cultura política. Porto: Edições Afrontamento, 2006. VEJA. 2013. Descoberto arquivo inédito de Wittgenstein, o filósofo mais genial e perturbado do século XX, morto há 60 anos.Disponível em: <http://migre.me/fA5Ha>. Acesso em: 10 jul. 2013. WALLERSTEIN, Immanuel. Para abrir as ciências sociais. São Paulo: Cortez Editora, 1996. ______. Imprensar a Ciência Social: os limites dos paradigmas do século XIX. São Paulo: Ideias & Letras, 2006.

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