O Tempo Retorna:Formas elementares da pós-modernidade                           Michel Maffesoli            Tammie Sandri ...
Michel MaffesoliÉ vice-presidente do Instituto Internacional deSociologia; professor da Sorbone (Paris Descartes) e do Ins...
Mediações Simbólicas:a imagem como vínculo social
O relevante para o teórico não é ser pós-moderno, ter esta ou aquelaidentidade, mas utilizar este termo como fermento meto...
Deuses (épocas anteriores)Indivíduo, História e Razão (modernidade)                Desgaste = Emergência da pós-modernidad...
Pós-modernidade: “a importância da imagem na constituição do sujeito e dasociedade” (1998, p. 13).A modernidade foi essenc...
O Envolvimentismo Pós-moderno
“...essa passagem de um tempo para outro não é uma coisa nova [...] existemressacas, retornos violentos de coisas que se a...
“se contentando com essas pequenas utopias intersticiais, “zonas de autonomiatemporárias”, onde se vai aninhar a intensida...
A Altura do Cotidiano
Experiência é outra forma de designar a tradição. A ênfase é posta na vida, nocotidiano, no seio da tribo.Proxemia: fundo ...
“[...] a morte do poder é sempre o indício de revivescência da potência” (2012 p. 20).Não mais o contrato racional na base...
Climatologia
Atmosfera = atmos – vapor que pode submergir, impossível de controlar e deabstrair-seClima = elemento do caráter das naçõe...
“Retroceder do derivado ao essencial permite [...] captar o que se expressa deuma forma oculta [...] “verdadeira revolução...
O Desapossamento Tribal
“Pessoa plural e tribos emocionais, eis o que é, hoje em dia, difícil denegar, ou de denegar” (2012, p. 43).Cultura do ins...
Propõe três grandes características do fenômeno tribal: supremacia sobre oterritório onde se situa; compartilhamento de um...
Invaginação do Sentido
Maffesoli (2012, p. 57) entende por “invaginação”, a lógica do regresso, o retornoao ventre, a volta às nossas origens, pa...
Neste novo compasso da vida, destaca-se o culto aocorpo. Desta forma, Maffesoli (2012, p. 61-62) acreditaque estamos nos “...
Nas palavras de Maffesoli (2012, p. 62), na pós-modernidade vivemos um “materialismo mítico e umcorporeísmo espiritual”. O...
O Instinto Nômade
Maffesoli (2012, p. 73) compreende que estamos nos transformando em pessoasandrógenas, “tendo um patchwork de opiniões e v...
Vida privada > Modernidade.Segundo Maffesoli (2012, p. 77), “a pluralização da pessoaé o coração vibrante do fenômeno trib...
> TurismoValor das férias > Férias de valores.Maffesoli (2012, p. 78-80) conta-nos que o “tour” eradestinado primeiramente...
Arcaísmos e Tecnologias
Nas palavras de Maffesoli (2012, p. 84), o arcadismo é aflorado na pós-modernidade, sendo que este se trata do primeiro, a...
Maffesoli (2012, p. 90-95) argumenta que no ciberespaço “a rebelião doimaginário se manifesta, com esplendor”, por meio de...
A socialidade que daí emerge, é formada por “esse imaginário lúdico ouonírico”, visto que, além de interagir e comungar, a...
FlashmobMobilização instantânea
No dia 04 de fevereiro de 2008, um mar de pessoas inundou Bogotá, numprotesto contra as FARC. Tudo começou no Facebook, no...
Smart mobMobilizações “constituídas por pessoas quesão capazes de agir juntas mesmo sem seconhecerem”. As pessoas que part...
O autor acredita que o desenvolvimento tecnológico não está contribuindopara as solidões, mas sim, está contribuindo para ...
AvatarEncarnações múltiplas, transformações e acidentes.
Maffesoli (2012, p. 100-101) sublinha que na socialidade, “é notável amultiplicação de sites comunitários” onde percebemos...
A pós-modernidade é a “sinergia do arcaico e do desenvolvimento tecnológico.Essa tecnologia que tinha desencantado o mundo...
Imaginário. Imaginal
Maffesoli (2012, p. 105) acredita que o       cotidiano e o imaginárioconcernem a pós-modernidade em curso. O cotidiano po...
Nesta relação de tecnologia e imaginário, Maffesoli (2012, p. 108) acredita que após-modernidade é a época do tecnomágico,...
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  1. 1. O Tempo Retorna:Formas elementares da pós-modernidade Michel Maffesoli Tammie Sandri e Tauana Jeffman
  2. 2. Michel MaffesoliÉ vice-presidente do Instituto Internacional deSociologia; professor da Sorbone (Paris Descartes) e do Instituto Universitário daFrança; diretor do Centro de estudos sobre questões do cotidiano (CEAQ) e doCentro de pesquisa sobre o imaginário (CRI-MSH).Um dos mais importantes teóricos da pós-modernidade, desenvolve trabalhosacerca dos laços sociais comunitários, da prevalência do imaginário e da vidaquotidiana nas sociedades contemporâneas.
  3. 3. Mediações Simbólicas:a imagem como vínculo social
  4. 4. O relevante para o teórico não é ser pós-moderno, ter esta ou aquelaidentidade, mas utilizar este termo como fermento metodológico eassim, compreender “relações e fenômenos sociais ainda em estado nascente”.Por isto, “vale mais ser um sociólogo da pós-modernidade do que umsociólogo pós-moderno” (1998, p. 08).Nada é eterno. Tudo se transforma, quebra, termina, cansa.“[...] os sistemas de explicação do mundo, elaborados na segunda metade doséculo XIX, como o marxismo, o freudismo, ou o funcionalismo, baseiam-setodos numa visão positivista, teleológica e material da evolução humana. [...]Portanto, homogeneização nacional, institucional e ideológica” (1998, p. 09).
  5. 5. Deuses (épocas anteriores)Indivíduo, História e Razão (modernidade) Desgaste = Emergência da pós-modernidade“Pode-se constatar , quanto à pós-modernidade, o retorno ao local, aimportância da tribo e a colagem mitológica” (1998, p. 11).“Se tomamos por hipótese a existência de um local tribal gerador de pequenasmitologias, qual seria o seu substrato epistemológico? Empiricamente parece queo Indivíduo, a História e a Razão cedem, mais ou menos, lugar à fusão afetualencarnada no presente em torno de imagens de comunhão” (1998, p. 12).Indivíduo > Persona, aquele que exerce diversos papeis nas tribos às quaisadere. A identidade fragiliza-se, dando lugar às identificações.
  6. 6. Pós-modernidade: “a importância da imagem na constituição do sujeito e dasociedade” (1998, p. 13).A modernidade foi essencialmente iconoclasta, renegando a imagem e oimaginário, considerando-os “a louca da casa”.Atualmente, observamos o retorno da imagem, tão negada e repelida.Imagem publicitária, imagem televisual, imagem virtual, imagem de marca.“Tudo deve ser visto e apresentar-se em espetáculo” (1998, p. 13).“As civilizações são mortais, enquanto a vida perdura” (1998, p. 14).“Nada pode parar uma ideia cujo o tempo já chegou” (Victor Hugo APUDMaffesoli, 1998, p. 14).
  7. 7. O Envolvimentismo Pós-moderno
  8. 8. “...essa passagem de um tempo para outro não é uma coisa nova [...] existemressacas, retornos violentos de coisas que se acreditava estaremdefinitivamente superadas”(2012, p. 3).Metáfora “onde o prazer dos olhos tem seu lugar” (2012, p. 8).Estetização: ruptura entre modernidade e pós-modernidade.“Esse “mais antigo” está presente no coração de nossa humanidade [...] é estefundo [...] verdadeiro capital que se constituiu ao longo dos séculos.Memória sedimentada. Tradição enraizada” (2011, p.11).Fala de “duração como “envolvimento” pelo passado: garantia do futuro.” Chaveuniversal para entender fenômenos pós-modernos.“A volta à matriz”. Ingresso (ingrès) para designar vitalidade,de múltiplas manifestações. Não regressão.
  9. 9. “se contentando com essas pequenas utopias intersticiais, “zonas de autonomiatemporárias”, onde se vai aninhar a intensidade do presente”.“o vivido concreto [...] coloca-se como vetor de religação ao mesmo tempo comos outros e com o espaço que é a nossa matriz comum” (2012, p.12).Concreto = crescer com – os outros e o mundo“Cada um, pessoa plural em sua tribo de escolha, vai ser o que é a partir dasligações que o constituem. Ligações deafetos, odores, gostos, sentimentos, sensações, tudo fazendo que cresçamos com.”“O Ritmo da vida (2004) corre a partir de um ponto fixo. [...] O fluxo vital nãoescapa a essa lei necessária [...] que lembra a importância do complexo, anecessidade das raízes, a profundidade da superfície. Em suma, oenvolvimentismo útil a todo crescimento”.
  10. 10. A Altura do Cotidiano
  11. 11. Experiência é outra forma de designar a tradição. A ênfase é posta na vida, nocotidiano, no seio da tribo.Proxemia: fundo individual da vida cotidiana, próximo, vida do dia a dia,proximidade, vivido, experiência.“Quando nada é importante, tudo tem importância” (2012, p. 17).Revolução da vida cotidiana “nos força a reconsiderar uma cultura feita deelementos simples e servindo de cimento ao estar junto, ao viver junto. Arelação com o outro sendo tributária do lugar onde se vive” (2012, p. 18 ).Fala da horizontalidade da lei dos irmãos – irmanação.Para autor, a ordem simbólica, a da correspondência no grupo, coma natureza, em referência ao sagrado, estabelece o homem emrelação. Copertencimento enquanto comunicação.
  12. 12. “[...] a morte do poder é sempre o indício de revivescência da potência” (2012 p. 20).Não mais o contrato racional na base do viver junto, mas o pacto emocional.Sociologia compreensiva (de Webber) – compreender = tomar junto, viver com..O sentido pode ser vivido no aqui e agora, “tudo faz sentido” = correspondênciaholística. “A partir desse presenteísmo que o “lugar cria laço” (2012, p. 24).Presente como presença para o outro. Vínculo – religiosidade presenteísta “sendo aespecificidade do espírito do tempo”. Solidariedade mecânica dá lugar à orgânica,vinda de baixo, “repousando sobre o sentimento de pertencimento e asemoções vividas em comum” (2012, p. 26).Divino se torna difuso: “Ambiência advinda de um processo de vinculação onde afauna, a flora, vivendo sob todas as suas formas, se harmonizam, tanto bemquanto mal, para constituir um ser coletivo, cuja partilha no quotidiano é oelemento central” (2012, p. 27).
  13. 13. Climatologia
  14. 14. Atmosfera = atmos – vapor que pode submergir, impossível de controlar e deabstrair-seClima = elemento do caráter das nações. Clima espiritual tem consequênciassobre os modos de vida. Informa as maneiras de ser.Com geossociologia (importância do enraizamento) a climatologia elucida oespírito do tempo do qual somos tributários.“A climatologia nos lembra que existe o “mais que um” no ar, mais que oIndivíduo” (2011, p. 30).“na atmofera do momento: a pregnância dos “vapores” coletivos que se exprimemna volta de um sentimento difuso do sagrado” (o sacral de Régis Debray).“(...) nesse espírito do tempo que nos ocupa no mais alto grau, oaspecto difuso do sagrado, da “transcendência imanente” em questão,desempenha um papel matricial” (2012, p. 32).
  15. 15. “Retroceder do derivado ao essencial permite [...] captar o que se expressa deuma forma oculta [...] “verdadeira revolução dos espíritos, que se vê a volta doshumores, paixões, emoções” (2012, p. 33).“As atmosferas, os vapores vindos do céu, crenças e terra compartilhados pelatribo, é isso mesmo que, para além do contrato racional, vai privilegiar o pactoemocional” (2011, p. 35). “É o que permite que se fale de éticas da estética.”Fala de saturação da moral-política e revivescência da ética-estética.Magia simbolista - ordem simbólica encontra vetor eficaz no emocionalOlhar do outro: parâmetro. “Andamos em marcha cadenciada segundouma melodia elaborada pelo outro” (2012, p. 41). “As vibrações estão no ar dos tempos. Como já disse, vivemos em uma verdadeira mudança climática e, com certeza, temos uma cara de atmosfera!” (2012, p. 41).
  16. 16. O Desapossamento Tribal
  17. 17. “Pessoa plural e tribos emocionais, eis o que é, hoje em dia, difícil denegar, ou de denegar” (2012, p. 43).Cultura do instinto, em que se quer afrontar o destino, jogar comeventualidade, risco, aventura.Versatilidade de opiniões e refluxo do engajamento político são manifestaçõesdessa dessubjetivação - perda no outro. “[...] pessoa que se despedaça paraaceder a um si mais vasto: o si da tribo, o si da natureza ou o si da religiosidade. ”“Nessa fragmentação do si ao Si, tudo é relativo, isto é, tudo é relação. E ovívico das encenações, dos chats e dos diversos sites de redes sociais é amanifestação por excelência de um despedaçamento desse tipo” (2012, p. 45).Pessoa plural se observa na indecibilidade.
  18. 18. Propõe três grandes características do fenômeno tribal: supremacia sobre oterritório onde se situa; compartilhamento de um gosto; volta da figura dacriança eterna.“Tudo que parece paradigmático do sentimento de pertencimento que ésua causa e efeito” (2011, p. 48).Lugar, território, localismo: social está ligado ao tempo. Socialidade, ao espaço.“Às vezes, ao deixar seu território, a tribo faz algumas derivas em outro bairroda cidade, no “bairro nobre” que atrai sem lhe ser familiar. No entanto, o pontode ligação, a fonte de seu ritmo comunitário, permanece o lugar onde tem seuhabitus, seus usos e costumes” (2012, p. 49).Lugar e gosto conduzem à característica da criança eterna. Figura da criançacomo essencial para imaginários sociais.
  19. 19. Invaginação do Sentido
  20. 20. Maffesoli (2012, p. 57) entende por “invaginação”, a lógica do regresso, o retornoao ventre, a volta às nossas origens, para a busca do sentido da vida, com a buscado sensível.Neste aspecto, Maffesoli (2012, p. 59) sublinha que ao invés de buscarmos essesentido em um lugar longínquo, de projetarmos nossa felicidade para ofuturo, nós agora vivemos a filosofia Carpe Dien, aproveitando o hoje, o agora.Sendo assim, o autor compreende que não estamos mais presos a umprogressismo, mas sim, estamos entrando em harmonia com “os ritmos, quasefisiológicos, da nossa existência”.
  21. 21. Neste novo compasso da vida, destaca-se o culto aocorpo. Desta forma, Maffesoli (2012, p. 61-62) acreditaque estamos nos “cosmetizando”, onde a cosmética é a“valorização do corpo que adornamos (moda), de quecuidamos (dieta), que construímos (body building) e queconservamos (antienvelhecimento)”.Para o autor, há uma “revivência mística” nesta celebraçãodo corpo, onde nós criamos o nosso quotidiano e nosvestimos, moramos e comemos por meio dacriatividade, para dar “existência a mais bela forma”.
  22. 22. Nas palavras de Maffesoli (2012, p. 62), na pós-modernidade vivemos um “materialismo mítico e umcorporeísmo espiritual”. Ou seja, nós voltamos a nossa“pulsão primitiva” de nos adornarmos, nos enfeitarmos.Nós cuidamos deste corpo, construímos e adornamos. Etal aspecto não significa a individualização dosujeito, mas o contrário, tais esforços são empenhadospara o reconhecimento alheio, um reconhecimento nopresente, pois sabemos que nosso corpo está condenado àdecadência.
  23. 23. O Instinto Nômade
  24. 24. Maffesoli (2012, p. 73) compreende que estamos nos transformando em pessoasandrógenas, “tendo um patchwork de opiniões e vivendo um turn overprofissional”. Na realidade, vivemos “várias vidas em uma só”. E tal contexto nãosignifica momentos de anarquia, mas sim, de renovação.Ilustrando esta concepção, o autor apresenta-nos exemplosmitológicos, etnológicos e históricos. Assim, a mitologia nos apresenta Dionísio, odeus andrógeno, das festas, das atividades prazerosas, do erotismo e também daambiguidade sexual.
  25. 25. Vida privada > Modernidade.Segundo Maffesoli (2012, p. 77), “a pluralização da pessoaé o coração vibrante do fenômeno tribal. Seguindo astribos das quais participamos, vestiremos a máscaraadequada e desempenharemos, por consequência, o papelesperado”.Desta forma, também há o “nômade sexual”, aquele quebusca um “novo mundo amoroso”, e sua procura éfacilitada pela internet. Para Maffesoli (2012, p. 78), “o sexono âmbito do aprisionamento conjugal já teve sua época”.
  26. 26. > TurismoValor das férias > Férias de valores.Maffesoli (2012, p. 78-80) conta-nos que o “tour” eradestinado primeiramente a uma elite operária, onde apósa realização do trabalho, era permitido um “tour deFrance”. Mas a partir do século XIX, houve uma iniciaçãoentre “artistas, jovens nobres, ou romancistas”. Tal grupoaproveitava o “tour de d’Italie”, onde apreciavam grandesobras da cultura da humanidade. Por meio dacuriosidade, esses jovens “adquiram uma cultura que fazparte integrante de um capital que elessaberiam, depois, explorar”.
  27. 27. Arcaísmos e Tecnologias
  28. 28. Nas palavras de Maffesoli (2012, p. 84), o arcadismo é aflorado na pós-modernidade, sendo que este se trata do primeiro, antigo, fundamental.Uma volta às questões essenciais da vida.Se os iconoclastas afirmam que a sociedade vive umdesencantamento, Maffesoli (2012, p. 86), por sua vez, argumenta quepresenciamos um reencantamento do mundo.
  29. 29. Maffesoli (2012, p. 90-95) argumenta que no ciberespaço “a rebelião doimaginário se manifesta, com esplendor”, por meio de fantasias, de brincadeirase de fantasmagorias. Sendo assim, “o festivo, o imaginário e o onírico coletivosse tornam as normas do ‘cyber’”.A imagem, por sua vez, torna-se o que Durand denominou demesocosmo, atuando como ligação, vínculo entre indivíduos, ou “um mundodo meio”, onde se “comunga a partilha das imagens eletrônicas”. Nestecontexto, o virtual do ciberespaço manifesta o desejo dos indivíduos de “estarjunto”, sendo que, “a partir do virtual, o vínculo social é ao mesmo temposólido e pontilhado”.
  30. 30. A socialidade que daí emerge, é formada por “esse imaginário lúdico ouonírico”, visto que, além de interagir e comungar, a socialidade nas redessociais nos permite “viver vidas múltiplas”.Para Maffesoli (2012, p. 96), “através dos pseudônimos, dos papeisdesempenhados, de homepages verdadeiras ou falsas, cada um se investe defiguras arquetípicas e por aí se inscreve na linhagem, com a concatenaçãoassegurando a permanência da comunidade humana”.
  31. 31. FlashmobMobilização instantânea
  32. 32. No dia 04 de fevereiro de 2008, um mar de pessoas inundou Bogotá, numprotesto contra as FARC. Tudo começou no Facebook, no quarto de OscarMorales.
  33. 33. Smart mobMobilizações “constituídas por pessoas quesão capazes de agir juntas mesmo sem seconhecerem”. As pessoas que participam dossmarts mobs “cooperam de maneira inéditaporque dispõem de aparatos comcapacidade tanto de comunicação quanto decomputação” (RHEINGOLD apud LEMOS2010, p. 72).
  34. 34. O autor acredita que o desenvolvimento tecnológico não está contribuindopara as solidões, mas sim, está contribuindo para “uma nova ligação:estar, sempre, em contato, em união, em comunhão, ser antenado”. Sendoassim, para Maffesoli (2012, p. 98), “o ‘ciberespaço’ é um laço, de contornosindefinidos, infinitos, onde, de uma forma matricial, se elabora o encontrocom o outro, onde se fortalece o corpo social”.
  35. 35. AvatarEncarnações múltiplas, transformações e acidentes.
  36. 36. Maffesoli (2012, p. 100-101) sublinha que na socialidade, “é notável amultiplicação de sites comunitários” onde percebemos o “desejo decomunhão”. Para o autor, “os sitescomunitários, blogs, Orkut, Twitter e outros lembram que oreencantamento do mundo está bem ancorado na socialidade pós-moderna.Como as tribos primitivas em torno de seus totens, os internautascontemporâneos se reúnem em torno de seus ídolos específicos”.
  37. 37. A pós-modernidade é a “sinergia do arcaico e do desenvolvimento tecnológico.Essa tecnologia que tinha desencantado o mundo, está, curiosamente,reencantando-o”.
  38. 38. Imaginário. Imaginal
  39. 39. Maffesoli (2012, p. 105) acredita que o cotidiano e o imaginárioconcernem a pós-modernidade em curso. O cotidiano pode ser compreendidocomo a maneira da sociedade estar junto, é o solo da comunhão. Já o imaginárioé esse “céu de ideias”, é o que garante a “coesão do conjunto social”.Gilbert Durand é citado por Maffesoli (2012, p. 106), pois este afirma que asestruturas antropológicas de Durand mostram como a vida social e a cultura sópodem ser entendidas pelo imaginário. Desta forma, compreende oMaffesoli (2012, p. 106), “se quisermos captar a lógica íntima de umacontecimento, ou de uma série de acontecimentos, talvez seja bom percebertoda a sua carga imaginária, esse luxo noturno da fantasia”.
  40. 40. Nesta relação de tecnologia e imaginário, Maffesoli (2012, p. 108) acredita que após-modernidade é a época do tecnomágico, enquanto o pré-moderno foi aépoca do mágico e a modernidade a época do teológico-positivo.Maffesoli (2012, p. 113) conclui lembrando-nos da metáfora baciasemântica de Durand, onde esta é nutrida por “vários riachos nos flancosdas montanhas, que vão constituir uma nova corrente cultural, a que vamos darum nome e de que vamos concertar os guias antes que eles se percam de novono delta e um novo ciclo recomece”. Assim, o autor compreende que o riacho damodernidade conclui-se e que presenciamos o surgimento de um novo riacho: após-modernidade.
  41. 41. tauanaecoisasafins.blogspot.com.br
  42. 42. OBRIGADA!

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