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Tecido Adiposo1. Tecido adiposo marrom e produção de calorO Tecido Adiposo Marrom (TAM) é encontrado sobretudo em animais ...
2. Papel do fígado e tecido adiposo para o metabolismo2.1 Função do fígadoNo fígado, o transporte de glicose ocorre por tr...
Toda vez que o consumo de alimentos excederem a demanda energética terá o acúmulo de reservas(glicogênio e triglicerídeos)...
O tecido adiposo é o segundo tecido, apenas depois do fígado em capacidade para distribuir moléculascombustíveis. Em um ho...
1. Aumento da degradação de triacilgliceróis. A ativação da lípase sensível a hormônio e a subseqüentehidrólise dos estoqu...
induzir a expressão de citocinas pró-inflamatórias e o decréscimo de adiponectina no tecido adiposo decamundongos magros.T...
Segundo Hermsdorff & Monteiro (200412), as adipocinas atuam em diferentes tecidos e nos própriosadipócitos modulando o com...
Canadense. Os autores sugerem que o locus do gene TNF-α contribui para o desenvolvimento daobesidade e da hipertensão asso...
SRA - esta envolvido na obesidade, no processo inflamatório e aterogênico. Um dos mecanismospatogênicos propostos parte da...
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Tecido adiposo

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Fisiologia da Nutrição

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Tecido adiposo

  1. 1. UNIVERSIDADE FUNDAÇÃO OSWALDO ARANHANUTRIÇÃO – 3º PeríodoFISIOLOGIATECIDO ADIPOSOTalita DezidérioMatr. 201210862Volta Redonda/RJ26/04/2012
  2. 2. Tecido Adiposo1. Tecido adiposo marrom e produção de calorO Tecido Adiposo Marrom (TAM) é encontrado sobretudo em animais que hibernam e emcrianças, recém-nascidos e, em menor quantidade, na fase adulta dos seres humanos. A célula adipocitamarrom apresenta varias gotas lipídicas em seu citoplasma, diferentemente da célula adiposa branca, comuma única e enorme gota lipídica. Apresenta também grande quantidade de mitocôndrias que utilizam deum complexo proteico de baixa eficiência na constituição de ATP, desviando a energia da oxidação demetabólitos, em especial a de ácidos graxos, para execução de sua função primária: geração de calor paraa manutenção da temperatura corporal – a termogênese. Essa função específica deste tipo celular emquestão está relacionada com a proteína desacopladora-1 (UCP-1, do inglês), também denominadatermogenina, presente na membrana interna da mitocôndria da célula adiposa marrom. Ela permite aoxidação dos ácidos graxos desacoplada da produção de ATP, descarregando a energia gerada pelomovimento de prótons pelo gradiente eletroquímico intermembranáceo da mitocôndria sob a forma daprodução de calor, assim desviando-os do complexo da ATP sintase, reduzindo a eficiência metabólica damaquinaria celular.Quando é necessária a produção de calor, o sistema nervoso simpático sinaliza, por meioda noraepinefrina, a estimulação de receptores adrenérgicos beta, tipo 3, para dar inicio à quebra detriglicerídeos (lipólise). Estes ativam a proteína Gs, da família das G-proteínas, as quais comunicam umsinal químico advindo exteriormente de modo a promover mudança interna à célula: a transdução de sinais.Estas utilizam da hidrolise do GTP para ativar a enzima adenilato ciclase, a qual catalisa a conversão deATP a AMP cíclico (cAMP) resultando no aumento de sua concentração intracelular. O resultado aumento,por sua vez, ativa a proteína quinase dependente de cAMP (a proteína quinase A ou PKA), a qual ativa aslípases estimuladas por hormônios (Hormone-sensitive Lipase; HSL) pela fosforilaçao das mesmas.Estas últimas, por fim, promovem a liberação de ácidos graxos a partir de triglicerídeos. Os ácidos graxosentão adentram na mitocôndria para sofrerem oxidação, mas, devido à interação com a UCP-1, têma energia proveniente de sua degradação destinada a gerar calor.A noraepinefrina além de estimular a produção de calor, é envolvida naproliferação e diferenciação de pré-adipocitos em adipocitos marrons, emassociação à demanda por calor, e na regulação da expressão do gene para aproteína UCP-1. O tecido adiposo marrom é assim denominado porque aaltadensidade de organelas mitocondriaisricas em citocromo C oxidase (ouComplexo IV) e uma rede vascular mais abrangente, designada a distribuiroxigênio e nutrientes e captar o produto calorífico gerado, conferem coloraçãomais escura ao tecido.A importância do Tecido Adiposo Marrom para os humanos recém-nascidos relaciona-se adificuldade de produção de calor via tremor da musculatura esquelética, que é suplantada por este órgão,depositado em regiões cervicais e supraclaviculares, evitando hipotermia e a possível morte. Foi odesenvolvimento deste tecido, bem como sua proteína especifica a UCP-1, que possibilitou o sucessoevolucionário dos mamíferos ao garantir proteção a ambientes frios.
  3. 3. 2. Papel do fígado e tecido adiposo para o metabolismo2.1 Função do fígadoNo fígado, o transporte de glicose ocorre por transportadores GLUT2, os quais de modo eficientemantêm a concentração de glicose no hepatócito na mesma proporção com que este nutriente existe nacirculação sangüínea. No entanto, a glicose só poderá ser utilizada pelo tecido hepático após serfosforilada. A enzima responsável por essa reação, a glicoquinase, possui baixa afinidade pela glicose,assim, o fígado só irá fosforilar e garantir a permanência da glicose dentro das células hepáticas, uma vezque haja concentração suficientemente alta de glicose na circulação. Isso ocorre, porque o fígado pode usaroutros substratos energéticos como ácidos graxos ou aminoácidos como fonte energética. Apesar dainsulina não influenciar a captação de glicose nas células hepáticas, influencia profundamente a utilizaçãoda glicose por estas células. A glicose só será utilizada pelo fígado como nutriente preferencial quando arazão insulina/glucagon for suficientemente alta para ativar a via glicolítica. O alto aporte de glicosejuntamente com a presença de insulina também estimulará a síntese de glicogênio, e, neste momento, ofígado passa a ser um armazenador de glicose. Caso contrário, o fígado fará exatamente o oposto, será umexportador de glicose.No momento de jejum, quando houver predomínio do glucagon sobre a insulina, a glicogenóliseserá ativada e o fígado passa a exportar a glicose que havia armazenado sob a forma de glicogênio. Comoo glicogênio é uma reserva limitada e somente pode suprir a demanda de glicose no organismo por algumashoras, o fígado lança mão de outro recurso, a gliconeogênese.A gliconeogênese ocorre predominantemente no tecido hepático pelo estímulo do glucagon e ésimultânea a glicogenólise hepática. Enquanto houver glicogênio, a velocidade da gliconeogênese épequena, no entanto, esta via ocorrerá em velocidade máxima após a exaustão do glicogênio hepático.Portanto, no jejum prolongado, a glicemia é mantida somente pela gliconeogênese, o que significa um custometabólico importante, pois esta via está relacionada à perda significativa de massa muscular e de tecidoadiposo que acompanham o jejum. É preciso lembrar que a síntese de glicose que ocorre no fígado duranteperíodos de jejum prolongados tem como principais precursores aminoácidos, advindos do músculoesquelético, glicerol, advindo da mobilização de triglicerídeos do tecido adiposo e lactato, advindo dashemáceas, e tendo como fonte de energia a intensa beta- oxidação dos ácidos graxos liberados pelamobilização dos triglicerídeos. Mesmo com a chegada de alimentos a produção de glicogênio a partir deaminoácidos provenientes da dieta pode continuar ocorrendo no fígado por algum tempo. Isto é chamado degliconeogêse pós-prandial e ocorre para garantir um adequado armazenamento de glicogênio no fígado.2.1.1 O metabolismo lipídico no fígadoNo período pós prandial, estimulado pela insulina, os ácidos graxos podem ser sintetizados em altavelocidade pelo fígado a partir de moléculas de acetil-coA. Os ácidos graxos sintetizados pelo fígado serãoexportados através das lipoproteínas transportadoras VLDL até o tecido adiposo, local onde serãoarmazenados.
  4. 4. Toda vez que o consumo de alimentos excederem a demanda energética terá o acúmulo de reservas(glicogênio e triglicerídeos). No entanto, a capacidade de armazenamento de glicogênio é bastante limitadaquando comparada a de triglicerídeos. Veja que a capacidade total do fígado armazenar glicogênio é emtorno de 70 g e do músculo esquelético 120 g, mas o tecido adiposo pode conter dezenas de quilogramasde triglicerídeos. A capacidade de transformar excessos alimentares em lipídeos é praticamente ilimitada etoda vez que houver desequilíbrio neste processo teremos a obesidade.2.1.2 O metabolismo protéico no fígadoNo período pós-prandial, quando a concentração de aminoácidos na corrente circulatória é alta, aoxidação completa de aminoácidos fornece uma quantidade de energia significativa para o tecido hepático.Os aminoácidos podem ser totalmente oxidados pelo fígado, ou ainda, ser convertidos em glicose ou corposcetônicos. A produção de glicogênio a partir de aminoácidos provenientes da dieta (gliconeogênese pós-prandial) é particularmente estimulada por dietas ricas em proteínas e pode persistir por algum tempomesmo após o término de uma refeição. Nos momentos de jejum, o fígado passa a receber aminoácidos dotecido muscular priorizando a gliconeogênese. O fígado participa ativamente do catabolismo protéico, já queo ciclo da uréia é exclusivo do tecido hepático, e é a forma preferencial de excreção de nitrogênio advindoda proteólise. Por outro lado, o fígado é responsável pela síntese de todas as proteínas plasmáticas, comexceção das imunoglobulinas as quais são sintetizadas pelos linfócitos. A manutenção da concentração deproteínas circulantes nos valores adequados 6-8 g/dL exige um intenso trabalho de síntese protéicahepática.2.2 Função do tecido adiposoA função do tecido adiposo é a de estocar ácidos graxos e liberá-los quando necessário. O tecidoadiposo é amplamente distribuído por todo o corpo, mas ocorre de modo predominante sob a pele, nacavidade abdominal e no músculo esquelético.O tecido adiposo recebe a maior parte de seus ácidos graxos das lipoproteínas circulantes,conforme descrito. Os ácidos graxos são ativados pela formação dos correspondentes acetiil-CoA eesterificados com glicerol – 3 – fosfato, formando os triacilglicerois de reserva. O glicerol- 3 - fosfatos éformado pela redução do fosfato de diidroxiacetona, que é gerado a partir da glicose, na via glicolitica.Em caso de necessidade metabólica, os triacilgliceróis são hidrolisados e ácidos graxos e a glicerolnos adipocitos, pela ação de uma lípase sensível a hormônios. Se existir glicerol-3-fosfato em abundanciamuitos dos ácidos graxos formados serão reesteritificados a triacilgliceróis. Se o glicerol-3-fosfato estiver embaixa concentração metabólica, ácidos graxos serão liberados na corrente sangüínea. Assim a mobilizaçãodos ácidos graxos depende, em parte, da velocidade, de captação da glicose, uma vez a glicose é opercussor do glicerol-3-fosfato. A necessidade metabólica é sinalizada diretamente por uma redução naconcentração da glicose bem como por estimulação hormonal.2.2.1 O ciclo alimentado/jejumTecido Adiposo: Depósito dos Estoques Energéticos
  5. 5. O tecido adiposo é o segundo tecido, apenas depois do fígado em capacidade para distribuir moléculascombustíveis. Em um homem de 70 kg, o tecido adiposo pesa aproximadamente 14Kg ou cerca de metadeda massa muscular total. Em indivíduos obesos, ele pode constituir até 70% do peso corporal. Um adipócitopode ter seu volume quase inteiramente ocupado por uma única gotícula de triacilglicerol.No metabolismo de carboidratos temos:1. Aumento do transporte de glicose para dentro dos adipocitos é muito sensível à concentração de insulina nosangue. Os níveis circulantes de insulina são elevados no estado absortivo, resultando em um influxo deglicose para os adipócitos.2. Aumento da glicólise, da disponibilidade intracelular de glicose resulta em um aumento na atividadeglicolitica. No tecido adiposo, a glicólise serve a função sintética, fornecendo glicerol-fosfato para a síntesede triacilgliceróis.3. Aumento da atividade da via das hexoses-monofostato ou via das pentoses-fosfato. O tecido adiposo podetambém metabolizar a glicose utilizando a via das pentoses-fosfato, desse modo produzindo NADPH, que éessencial para síntese de ácidos graxos. Nos humanos, no entanto, a síntese de novo não é uma fonteimportante de ácidos graxos para o tecido adiposo.No metabolismo dos lipídios temos:1. Aumento da síntese de ácidos graxos. A síntese de novos ácidos graxos a partir de Acetil-CoA é quaseindetectável em humanos, exceto quando um indivíduo é realimentando após um período de jejum. Emoutras situações, a síntese de ácidos graxos no tecido adiposo não é uma rota importante. Em vez disso, amaioria dos ácidos graxos adicionados aos estoques de lipídeos nos adipócitos é fornecida pela gordura dadieta ou pelo fígado (na forma VLDL)2. Aumento da síntese de triacilgliceróis. Depois de uma refeição contendo lipídeos, a hidrólise dostriacilgliceróis de quilomicra (do intestino) e VLDL (do fígado) fornece os ácidos graxos ao tecido adiposo.Esses ácidos graxos exógenos são liberados pela ação da lípase lipoprotéica, uma enzima extracelularancorada à parede dos capilares de muitos tecidos, particularmente os tecidos adiposos e musculares. Umavez que os adipócitos não apresentam glicerol-cinase, o glicerol-3-fosfato usado na síntese de triacilgliceróisvem do metabolismo da glicose. Portanto, no estado alimentado, os elevados níveis de glicose e insulinafavorecem o armazenamento de triacilgliceróis.3. Decréscimo da degradação de triacilgliceróis. Níveis elevados de insulina favorecem a forma desfosforilada(inativa) da lípase sensível a hormônio. Portanto, no estado alimentado, a degradação de triacilgliceróis estáinibida.2.2.2 O tecido adiposo no jejum.No metabolismo dos carboidratos temos:
  6. 6. 1. Aumento da degradação de triacilgliceróis. A ativação da lípase sensível a hormônio e a subseqüentehidrólise dos estoques de triacilglicerol são aumentados pelos elevados níveis das catecolaminas adrenalinae, particularmente, noradrenalina. Esses compostos, que são liberados pelos terminais nervosos simpáticosno tecido adiposo, são fisiologicamente importantes na ativação da lípase sensível a hormônio.2. Aumento da liberação de ácidos graxos. Os ácidos graxos obtidos da hidrolise de triacilgliceróis estocadossão liberados no sangue. Ligados à albumina, eles são transportados para uma variedade de tecidos, parautilização como combustível. O glicerol produzido durante a degradação dos triacilgliceróis é usado comoum percussor para a gliconeogênese no fígado.3. Decréscimo na captação de ácidos graxos. No jejum, a atividade da lípase lipoprotéica no tecido adiposo ébaixa. Conseqüentemente, triacilgliceróis de lipoproteínas circulantes não estão disponíveis para a sintse detriacilgliceróis no tecido adiposo.3Tecido adiposo como órgão regulador do Sistema Endócrino – Inflamação e ObesidadeO tecido adiposo é composto adipócitos, pré-adipócitos, fibroblastos, células endoteliais, leucócitos,monócitos e macrófagos residentes. Este tecido pode ser considerado patogênico quando o excesso daadiposidade corporal, de forma isolada ou associada aos efeitos deletérios de atividades endócrinas eimunológicas, está relacionado a desordens metabólicas.A a obesidade é caracterizada como estado de inflamação crônica de baixa intensidade. A inflamaçãoresponde de forma diretamente proporcional ao aumento da adiposidade corporal. Ou seja, a maiorinfiltração de macrófagos em proporção ao aumento do tamanho dos adipócitos, pode aumentar a produçãode citocinas pró-inflamatórias e proteínas de fase aguda, dentre elas a MCP-1 (proteína quimiotática demonócitos-1), já que tanto os adipócitos hipertrofiados quanto os macrófagos são capazes de secretar taiscitocinas e, assim, contribuir com as conseqüências fisiopatosiológicas da obesidade.O acúmulo de gordura, principalmente visceral e a inflamação sistêmica estão associados a desordensmetabólicas como obesidade, diabetes mellitus, hipertensão arterial, dislipidemias, aterosclerose e outrasdoenças cardiovasculares.Entretanto, fica ainda uma pergunta: O que induz a liberação das adipocinas pelo tecido adiposo,iniciando assim a inflamação? Segundo alguns autores uma possível explicação seria a hipóxia sofrida pelotecido adiposo devido à expansão desse tecido no desenvolvimento da obesidade (Figura 1).Ye et al. (200711) realizaram estudo in vitro e com modelos animais a fim de fornecer evidênciasexperimentais de que na obesidade existe a hipóxia e que esta pode contribuir com a inflamação crônica debaixa intensidade e hipoadiponectinemia. Para testar essa possibilidade, os autores usaram um grupo degenes relacionados à inflamação para avaliar a resposta inflamatória. No tecido adiposo decamundongos ob/ob, todos esses genes estiveram aumentados. Sendo o aumento desses genes e aredução da expressão de adiponectina observados junto à hipóxia. Assim, a hipóxia foi associada àinflamação crônica e à inibição da adiponectina in vivo e, in vitro, foi demonstrado que a hipóxia é capaz de
  7. 7. induzir a expressão de citocinas pró-inflamatórias e o decréscimo de adiponectina no tecido adiposo decamundongos magros.Trayhurn & Wood (20043) sugerem que os adipócitos hipertrofiados comprimiriam a vasculatura dotecido reduzindo a chegada de oxigênio. Em conseqüência à hipóxia, haveria um estímulo à produção decitocinas pró-inflamatórias a fim de aumentar a angiogênese e o fluxo sangüíneo.Figura 1. Mecanismo proposto para indução da inflamação a partir da hipóxia sofridapela expansão do tecido adiposo na obesidadeFontana et al. (200715) determinaram a concentração de adipocinas inflamatórias por meio de amostrasde sangue da veia porta e da artéria radial de 25 indivíduos, de ambos os sexos, com obesidade mórbida.Os autores encontraram diferenças significantes para IL-6 e leptina (p=0,007 e p=0,002; respectivamente),sendo a concentração de IL-6 50% maior na veia porta e a de leptina 20% menor em relação à artériaradial. Mostraram também a correlação positiva (r=0,544) e significante (p=0,005) entre IL-6 e PCR,comprovando que o tecido visceral é o principal responsável por promover a inflamação sistêmica porliberar maior quantidade de citocinas pró-inflamatórias diretamente na circulação portal.Sbarbati et al. (200616), avaliaram crianças obesas no estágio pré-puberal, que ainda não apresentavamas conseqüências metabólicas do sobrepeso, visto que dados de crianças obesas não estavam disponíveis.Os autores objetivaram avaliar o envolvimento inflamatório de tecido adiposo em crianças e identificar opotencial inflamatório da lesão elementar. Foi realizado um estudo do tipo caso-controle, sendo 19 criançasobesas e como controle, 5 crianças não obesas, de ambos os sexos. Por análise ultramicroscópicaverificaram que os adipócitos das crianças obesas eram duas vezes maior que os adipócitos das nãoobesas. Além disso, essa análise indicou inflamação no tecido adiposo de todas as crianças obesas, nãosendo encontrada nas não obesas.Diante disso, percebe-se que a hipóxia causada pela hipertrofia tecidual é o mecanismo inicial deestímulo à produção de citocinas pró-inflamatórias e que a inflamação progride com a expansão do tecidoadiposo, especialmente, o visceral.Relação entre inflamação e obesidade
  8. 8. Segundo Hermsdorff & Monteiro (200412), as adipocinas atuam em diferentes tecidos e nos própriosadipócitos modulando o comportamento destes e daqueles por mecanismos de feedback.Está claro pela presente revisão que a obesidade leva à inflamação por estimular a expressão esecreção de adipocinas pró-inflamatórias pelo tecido adiposo, mas a relação inversa, ou seja, inflamaçãolevando o aumento do peso e obesidade tem sido sugerida por alguns autores (Figura 2).Das (200122) levanta os seguintes questionamentos “Qual é o gatilho da inflamação?” e “A inflamação écausa ou efeito da obesidade?”. Da mesma forma, Engström et al. (200337) afirmaram ser razoávelperguntar quem vem primeiro: a inflamação, a obesidade ou a resistência à insulina. Segundo essesautores, algumas citocinas inflamatórias como IL-6, IL-1β e TNF-α, estão envolvidas na regulação dometabolismo e da ingestão alimentar. Os mesmos realizaram uma pequena revisão e verificaram que TNF-αregula a ação da insulina no tecido adiposo, que TNF-α e IL-1β modulam a liberação de leptina por estetecido e que um polimorfismo no gene receptor-2 do TNF-α está associado com a resistência a leptina eobesidade. Além disso, encontraram um possível mecanismo de ativação do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal que levaria a uma hipercotisolemia e ativação simpática, sendo estes associados à obesidadecentral, resistência à leptina e aumento na ingestão de alimentos.Figura 2. Ciclo vicioso entre inflamação e obesidade. Citocinas estão envolvidas no desenvolvimento da obesidadeao passo que, a hipertrofia dos adipócitos estimula a liberação de citocinas indutoras do processo inflamatórioAssim, Engström et al. (200337) objetivaram verificar se as proteínas plasmáticas sensíveis à inflamação(PPSI) poderiam predizer o ganho de peso futuro. Para tanto acompanharam 2821 homens não diabéticos,com idade entre 38 e 50 anos por um período de 6 anos. Verificaram que a proporção de indivíduos commaior ganho de peso aumentou de 21% entre os que não expressaram PPSI para 28,3% entre os queexpressaram 3 ou mais PPSI, sendo essa diferença estatisticamente significante (p<0,0005). Os autoresconcluíram que elevados níveis de PPSI predizem o ganho de peso em homens de meia idade.Um dos achados de Vendrell et al. (200438) ao avaliar a interação entre resistina, adiponectina, grelina,leptina e citocinas pró-inflamatórias em indivíduos com obesidade mórbida e não mórbida, foi que osreceptores de TNF-α estiveram envolvidos no sistema endócrino regulador da adiposidade corporalassociado com leptina e resistina em obesos não mórbidos.Pausova et al. (200039) se propuseram a investigar se o locus do gene TNF-α está envolvido nadeterminação da obesidade e da hipertensão associada à obesidade em indivíduos de origem Franco-
  9. 9. Canadense. Os autores sugerem que o locus do gene TNF-α contribui para o desenvolvimento daobesidade e da hipertensão associada à obesidade em indivíduos hipertensos com obesidade não mórbida.Sabe-se que os adipócitos expressam e secretam componentes do SRA e, segundo Galletti &Strazzullo (200740) uma variabilidade genética no SRA estão envolvidos na susceptibilidade ao sobrepeso eobesidade. Diante desta revisão, percebe-se maior participação do tecido adiposo visceral na indução dainflamação e da obesidade por liberar citocinas envolvidas no processo de regulação do metabolismo eingestão alimentar, contribuindo para a expansão do tecido adiposo que, por sua vez, gera a hipóxia,responsável pelo estímulo de citocinas pró-inflamatórias. Assim, acredita-se haver, um ciclo vicioso entreobesidade e inflamação induzidas por alteração no tecido adiposo.4. AdipocinasTabela 1. Efeito das adipocinas no processo inflamatórioTNF-α - É uma adipocina pró-inflamatória cuja secreção é diretamente proporcional ao tamanho dosadipócitos. Secretada pelo tecido adiposo, atua nos adipócitos favorecendo a lipólise e inibindo alipogênese, estando envolvida na regulação dos estoques de energia. Está associada ao aumento daprodução de PAI-1, IL-6 e PCR. Além disso, ativa a transcrição do fator nuclear-κβ (NFκβ), envolvido naresistência à insulina, metabolismo lipídico e apoptose.IL-6 - A secreção da IL-6 encontra-se aumentada em indivíduos obesos. Essa adipocina pró-inflamatóriaestimula a liberação de ácidos graxos livres (AGL) bem como a produção hepática da PCR. Supõe-se queseu aumento provoque uma supressão da leptina e redução da expressão IRS-1 (receptor de insulina) eGLUT-4 no fígado e músculo.Resistina - Adipocina envolvida no processo inflamatório promove a resistência insulínica, aumenta aprodução de endotelina-1 (ET-1) - potente vasoconstritor e MCP-1, além de estimular a transcrição do NFκβlevando à disfunção endotelial.PCR - Proteína de fase aguda que indica inflamação sistêmica e tem o fígado como local mais importantede sua produção, sendo sua expressão regulada por muitas citocinas inflamatórias, principalmente pela IL-6. Está diretamente relacionada ao processo aterogênico por induzir a disfunção endotelial, constituindo umimportante preditor das doenças cardiovasculares (DCVs).PAI-1 - Inibidor da ativação do plasminogênio é uma proteína de fase aguda que favorece a formação detrombos por inibir a formação de plasmina e, conseqüentemente, inibição da fibrinólise e a ruptura de placasde ateroma instáveis.Leptina - Hormônio de 16 kDa produzido exclusivamente pelas células adiposas, a leptina é produto dogene da obesidade ob, sendo encontrada tanto na circulação quanto no fluido cerebroespinhal. Suaexpressão e secreção são diretamente proporcionais ao tamanho dos adipócitos. A leptina, vista comoum link endócrino entre o tecido adiposo e o hipotálamo, funciona como um lipostato - controla o volume dotecido adiposo e o peso corporal por inibir a ingestão alimentar e aumentar o gasto energético.
  10. 10. SRA - esta envolvido na obesidade, no processo inflamatório e aterogênico. Um dos mecanismospatogênicos propostos parte da capacidade do tecido adiposo expressar e secretar angiotensinogênio,precursor de um dos maiores vasoconstritores pró-aterogênicos, a Angiotensina II (ANG II). A ANG II ativa oNFκβ que estimula a produção de moléculas de adesão endotelial dentre elas ICAM-1, VCAM-1, MCP-1 eM-CSF. Além disso, é capaz de aumentar a produção de radicais livres de NO, diminuir sua disponibilidadee facilitar a vasoconstrição, podendo ser um elo entre obesidade e hipertensão. Gonzalez et al. (200730)estudaram a possível participação do SRA na inflamação microvascular induzida pela hipóxia vascular. Osmesmos sugerem que a hipóxia estimularia células localizadas em regiões distantes e estas liberariam umasubstância intermediária que é transportada pela circulação. Os resultados deste estudo sugerem que oagente intermediário ativa mastócitos, e que estes, por sua vez, estimulam o SRA com conseqüenteformação de ANG II levando à inflamação.Adiponectina - Das adipocinas citadas é a única que tem ação é anti-inflamatória e anti-anterogênica,assumindo papel protetor das doenças cardiovasculares. A adiponectina, também conhecida como Acrp 30ou Adip Q, diferentemente das citocinas pró-inflamatórias, tem sua concentração sérica reduzida com oaumento do tecido adiposo. Sua expressão e secreção é inversamente proporcional ao acúmulo de tecidoadiposo visceral, é negativamente regulada por glicocorticóides e TNF-α e positivamente pela insulina. Aadiponectina atua nos músculos, fígado e parede vascular. Aumenta a taxa de oxidação dos AGL, aumentaa sensibilidade à insulina e a captação de glicose, além de diminuir a liberação hepática de glicose.

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