Confissoes de um protestante

270 visualizações

Publicada em

Longe da abordagem usual encontrada nos livros de auto-ajuda, o objetivo desse livro é alertar os cristãos sobre a necessidade de atentar aos modismos e invencionices que enganam e encantam o meio evangélico por não terem um alicerce bíblico ou filtro teológico. Há crentes hoje sendo "levados em roda por todo vento de doutrina" porque não aprenderam a guardar a Palavra de Deus acima de tudo. (Ef 4:14).

Publicada em: Espiritual
0 comentários
1 gostou
Estatísticas
Notas
  • Seja o primeiro a comentar

Sem downloads
Visualizações
Visualizações totais
270
No SlideShare
0
A partir de incorporações
0
Número de incorporações
3
Ações
Compartilhamentos
0
Downloads
1
Comentários
0
Gostaram
1
Incorporações 0
Nenhuma incorporação

Nenhuma nota no slide

Confissoes de um protestante

  1. 1. Confissões de Um Protestante Primeira Edição – 2014 Todos os direitos reservados e protegidos. É expressamente proibida a repro- dução parcial ou total deste livro, por quaisquer meios (eletrônicos, mecânicos, fonográficos, gravação e outros), sem prévia autorização por escrito do autor. Autor: Pr. Sylas S. Neves Capa e Diagramação: Equipe Promove Impressão e Acabamento: Promove Artes Gráficas e Editora (31) 3486-2696 www.promoarte.com.br Pedidos no Blog do Pr. Sylas: sylasneves.blogspot.com.br
  2. 2. Dedico este livro a todos aqueles que amam verdadeiramente as Escrituras Sagradas, bem como aqueles que são fiéis protestantes de Cristo, que não se conformam com o apodrecimento do modelo evangélico – gospel atual.
  3. 3. Sumário Agradecimentos..............................................................7 Prefácio.............................................................................9 Introdução – Confissões – Por que e para quê?........13 Confissão 1 – Quem sou eu? Tributo aos meus trinta anos!.............25 Confissão 2 – Caça ou caçador? Eis a inversão!.......29 Confissão 3 – Novo templo de Salomão ou do Edir Macedo?.............................35 Confissão 4 – Heróis da fé e “heróis” do povo brasileiro................................39 Confissão 5 – Eu não preciso ser reconhecido por ninguém!..................45 Confissão 6 – Quem tem ouvidos ouça! O que Macedo diz às igrejas!..............51 Confissão 7 – Crédito ou débito? Afinal o que tenho diante de Deus?.....57
  4. 4. Confissão 8 – Agora é só vitória! Será?......................63 Confissão 9 – Livrai-nos da segunda divisão ou livrai-nos da superstição?..............71 Confissão 10 – Precisa-se de pastores!.......................79 Confissão 11 – Gospel ou protestante? Eis a questão!.......................................85 Confissão 12 – Junto e misturado ou santo e separado?................................99 Confissão 13 – Radicalismo ou defesa da Verdade?.......................................105 Confissão 14 – Pentecostal sim, barulhento não!...115 Confissão 15 – Discipulado ou proselitismo?.........121 Confissão 16 – O “espetáculo” agora é outro.........125 Confissão 17 – Livres, porém, prisioneiros de Cristo!......................131 Confissão 18 – Torturado na sala de casa................137 Confissão 19 – Eu não quero ser um “homem de Deus” assim!................153 Confissão 20 – Nova Reforma: Possibilidade ou utopia?..................159 Notas e Bibliografia.....................................................165 Adquira Também........................................................175
  5. 5. 7 Agradecimentos Quero registrar meu apreço, com profunda grati- dão, primeiramente a Deus, Senhor absoluto da minha vida. O Único que é digno de glória, louvor e adoração. Obrigado por confiar a mim o ministério da Palavra. Obrigado pela graça superabundante na vida deste miserável pecador. Também gostaria de registrar a minha gratidão à minha esposa Diana, pois, sem o seu apoio, incentivo e sua compreensão, essa obra não teria saído da gave- ta, ou melhor, do HD. Agradeço também de maneira sincera a meu filho, meus pais, irmãos, tios e demais familiares. Quero também manifestar os meus agradecimen- tos ao pastor Marcos Elias, pela amizade e acima de tudo pela coragem em prefaciar esta obra. (rsrs) Por fim, quero reconhecer o apoio de todos os meus amigos, que não serão nomeados aqui, en- tretanto, afirmo que são úteis e indispensáveis na
  6. 6. 8 minha caminhada cristã. E em especial, a todos os meus leitores, pois, a interrogação: “Quando sairá o seu próximo livro?”, é uma injeção eficaz de ânimo para mim.
  7. 7. 9 PREFÁCIO Aigreja evangélica brasileira experimenta o seu mais expressivo crescimento e, ao mesmo tem- po, a sua mais profunda crise. Cresce em números, mas decresce em credibilidade. Atrai multidões a seus templos, mas sonega a elas o genuíno Evangelho. O liberalismo, o sincretismo e a ortodoxia morta amea- çam a saúde espiritual da igreja. Pregadores e líderes de movimentos baseiam-se em experiências transcen- dentais, pregando doutrinas extrabíblicas e antibíbli- cas, além de criarem culto contrário ao culto racional, com ordem e decência (1 Coríntios 14.26-40). Longe da abordagem usual encontrada nos li- vros de auto-ajuda, o objetivo deste livro é alertar os cristãos sobre a necessidade de atentar aos mo- dismos e invencionices que enganam e encantam o meio evangélico por não terem um alicerce bíblico ou filtro teológico. Há crentes hoje sendo “levados
  8. 8. 10 em roda por todo vento de doutrina” porque não aprenderam a guardar a Palavra de Deus acima de tudo (Efésios 4.14). Se todo mundo se confessa decepcionado com tudo e com todos, é preciso dar atenção aos desa- bafos pelas quais o autor também está decepciona- do. Muitas de suas decepções são nossas decepções, muitas de suas frustrações são nossas frustrações, muitas de suas lágrimas são nossas lágrimas, e estas causadas pelos ensinos distorcidos, deturpados do movimento “gospel”. Em Confissões de um Protestante, Sylas Neves se dispõe a falar o que muitos evangélicos não fa- lam. Há abordagem de vários assuntos que contém desvios doutrinários e questões heréticas que invadi- ram as igrejas, causando assim um enorme problema para os membros que desprezam a verdadeira her- menêutica e que fazem descaso de um estudo sério e sistemático da Bíblia. O sincero desejo do autor é levar o leitor a uma reflexão sobre a nossa realidade à luz da Palavra de Deus, como também oferecer uma contribuição à igreja do Senhor, para edificar os que permane- cem firmes nos ensinos da fé cristã e para desper- tar outros que foram atraídos por um “evangelho diferente”.
  9. 9. 11 É hora de pararmos para fazer um check-up da igreja. É hora de pararmos e rogar ao Pai que nos aju- de a fazer um autoexame. Precisamos urgentemente de um reavivamento espiritual. Precisamos voltar para Deus e para a Sua Palavra, afinal ela é e sempre será a fonte máxima de autoridade. - Marcos Elias Cotta Pastor da Igreja Casa da Bênção (Lavras/MG)
  10. 10. 12
  11. 11. 13 I n t r o d u ç ã o Confissões – Por que e para quê? Nas Páginas Sagradas o verbo confessar tanto no hebraico como no grego, segundo alguns estudio- sos da linguística, possui duas conotações, sendo elas: confissão de fé e confissão de pecado. Em suma, por um lado, confessar é declarar publicamente a própria relação com Deus e a lealdade a Ele, ou seja, é um com- promisso de fé. Já por outro lado, significa reconhecer o próprio pecado à luz da Palavra de Deus, portanto, é um sinal externo do arrependimento e da fé. Agora, quando saímos do contexto bíblico e partimos para o gramatical, constamos que nos me- lhores dicionários da língua portuguesa o verbo confessar recebe inúmeros significados e sinônimos verbais, dentre os quais, quero enfatizar, além é claro do verbo já mencionado declarar, os também verbos revelar, reconhecer e professar. Entretanto, particu- larmente, de todos os significados que já encontrei para este termo, admito que o meu preferido seja o
  12. 12. 14 verbo DESABAFAR e acredito que é ele que expressa com mais exatidão a verdadeira intenção desta obra. Na porção da Bíblia conhecida por nós como An- tigo Testamento, na minha modesta opinião, as mais belas confissões e os mais sinceros desabafos estão re- gistrados nos livros chamados de sapienciais ou po- éticos. Neles, grandes figuras veterotestamentárias como Jó, Davi, Asafe e Salomão, desabafaram, con- fessaram e revelaram sem reservas seus sentimentos, seus medos, suas decepções, angústias e amarguras. Quando lemos, por exemplo, a intrigante e co- movente história de Jó, um homem reputado pelo próprio Deus de sincero, reto, íntegro, temente e um indivíduo que se desviava do mal, um homem que em primeira instância, não abriu a sua boca1 , mesmo diante de perdas quase que irreparáveis, verificamos já no capítulo 3 a sua fragilidade e principalmente a sua humanidade, quando abriu a sua boca e desabafou:ii “Pereça o dia do meu nascimento e a noite em que se disse: ‘Nasceu um menino!’ Transforme-se aquele dia em trevas, e Deus, lá do alto, não se importe com ele; não resplandeça a luz sobre ele. Chamem-no de volta as trevas e a mais densa escu- ridão; coloque-se uma nuvem sobre ele e o negrume aterrorize a sua luz.
  13. 13. 15 Apoderem-se daquela noite densas trevas! Não seja ela incluída entre os dias do ano, nem faça parte de nenhum dos meses. Seja aquela noite estéril, e nela não se ouçam brados de alegria. Amaldiçoem aquele dia os que amaldiçoam os dias e são capazes de atiçar o Leviatã. Fiquem escuras as suas estrelas matutinas, espere ele em vão pela luz do sol e não veja os primeiros raios da alvorada, pois não fechou as portas do ventre materno para evitar que eu contemplasse males. Por que não morri ao nascer, e não pereci quando saí do ventre? Por que houve joelhos para me receberem e seios para me amamentarem? “Agora eu bem poderia estar deitado em paz e achar repouso junto aos reis e conselheiros da terra, que construíram para si lugares que agora jazem em ruínas...” Confesso que ao ler nesta passagem sobre o de- sejo que Jó tinha em jamais ter nascido, ou então, sua vontade de ter morrido por ocasião do seu nascimen- to, me sinto muito mais próximo de Jó e passo a en- tender perfeitamente a razão de Deus o ter reputado como sincero, pois, ele ao contrário de muitos, não
  14. 14. 16 se escondeu por detrás de uma fantasia ou de uma máscara de “supercrente”. Na verdade, Jó não pode ser considerado culpado, como alguns dizem, sim- plesmente por amaldiçoar o dia do seu nascimento, pois, ele se encontrava numa luta física, emocional e espiritual e ao confessar os seus desejos mortais, es- tava apenas se extravasando e tirando de suas costas um grande e indesejável fardo. E o que dizer das confissões de Davi? Quando lemos principalmente os seus salmos penitenciais, certamente nos identificamos muito mais com aque- le que era “o homem segundo o coração de Deus”. Todavia, antes de exemplificar uma das confissões de Davi, preciso ponderar e registrar que os teólogos ge- ralmente subdividem as confissões em três classes, a saber: voluntárias, compulsórias (arrancadas à força) e auriculares, onde o faltoso confessa ao padre que se esconde num vestíbulo para não ser visto. Falando agora sobre as confissões de Davi, por exemplo, no primeiro Salmo considerado penitencial, o de número 6, o grande rei de Israel confessa algumas de suas fragilidades, reconhece humildemente sua di- fícil situação e revela abertamente sua dor, acompanhe: “SENHOR não me repreenda na tua ira, nem me casti- gues no teu furor. Tem misericórdia de mim, SENHOR, porque sou fra- co; sara-me, SENHOR, porque os meus ossos estão perturbados.
  15. 15. 17 Até a minha alma está perturbada; mas tu, SENHOR, até quando? Volta-te, SENHOR, livra a minha alma; salva-me por tua benignidade. Porque na morte não há lembrança de ti; no sepulcro quem te louvará? Já estou cansado do meu gemido; toda noite faço na- dar a minha cama; molho o meu leito com as minhas lágrimas. Já os meus olhos estão consumidos pela mágoa e têm envelhecido por causa de todos os meus inimigos.” Não é foco deste livro e seria uma tarefa quase im- possível descrever todas as confissões de Davi, entre- tanto, não há como deixar de mencionar o Salmo 32, onde há a seguinte declaração: “Enquanto eu me calei, envelheceram os meus ossos pelo meu bramido em todo o dia.”iii E o seu mais pungente Salmo, o de número 51, onde Davi revela-se “esmagado” e faz súplicas pro- fundas e inquietantes, como esta: “Torna a dar-me a alegria da tua salvação e sustém-me com um espírito vo- luntário.” iv Ainda fazendo menção sobre confissões no livro dos Salmos, o que dizer do desabafo de Asafe no Sal- mo 73? Seria errado afirmar que este salmo retrata um
  16. 16. 18 dos mais angustiantes dilemas do Antigo Testamen- to? Creio que não. Leia vagarosamente algumas coisas que Asafe pronunciou neste salmo:v “Verdadeiramente, bom é Deus para com Israel, para com os limpos de coração. Quanto a mim, os meus pés quase que se desviaram; pouco faltou para que escorregassem os meus passos. Pois eu tinha inveja dos soberbos, ao ver a prosperida- de dos ímpios. Porque não há apertos na sua morte, mas firme está a sua força. Não se acham em trabalhos como outra gente, nem são afligidos como outros homens. Pelo que a soberba os cerca como um colar; vestem-se de violência como de um adorno. Os olhos deles estão inchados de gordura; superabun- dam as imaginações do seu coração. São corrompidos e tratam maliciosamente de opres- são; falam arrogantemente. Erguem a sua boca contra os céus, e a sua língua per- corre a terra.” Perceba que mesmo reconhecendo que Deus era bom para com Israel, e mesmo sendo um dos dirigen- tes dos coros levíticos de Davi, ao desabafar, Asafe
  17. 17. 19 além de declarar que quase fraquejou, confessou que sentia inveja dos ímpios. Ao pronunciar que “os seus pés quase que se desviaram” o salmista estava reve- lando que quase escorregou para dentro de um ceti- cismo ou para dentro de alguma coisa similar. Deixando agora o livro dos Salmos e suas inúme- ras confissões e partindo imediatamente para o livro de Eclesiastes, observamos já no segundo capítulo uma das mais tristes confissões de um homem. Um ser humano que resumiu toda a sua existência, até aquele momento, numa expressão tremendamente melancólica: “Correr atrás do vento.”vi Contrastando as palavras do pregador com as pa- lavras de Cristo, podemos perfeitamente conjecturar que ele tinha ganhado o mundo, mas, em contrapar- tida, havia perdido a sua alma.vii No versículo 10, na NTLH, lemos da seguinte maneira: “Consegui tudo o que desejei. Não neguei a mim mes- mo nenhum tipo de prazer. Eu me sentia feliz com o meu trabalho, e essa era a minha recompensa.” Na King James, lemos assim: “De tudo quanto meus olhos e meu corpo desejaram não lhes neguei nada; jamais privei o meu coração de alegria alguma; sabia desfrutar de todo o meu traba- lho; essa, pois, foi à recompensa que obtive de todo o trabalho que realizei dedicadamente.”
  18. 18. 20 Note que neste segundo capítulo o pregador con- fessa publicamente e abertamente que não havia nega- do nada aos seus olhos, entrementes, ele não resistiu a todas as concupiscências da carne e dos olhos. Entre- tanto, depois de tantas “conquistas” e realizações, sua avaliação foi deprimente: “percebi que tudo foi inútil, foi correr atrás do vento.”viii Na década de 90, ao fazer uma análise bíblica desta passagem, o pastor até então presbiteriano Caio Fábio, brilhantemente registrou:ix O primeiro deles, foi a euforia descomprometida, alegria, os festejos, o carnaval, o “reveillon”, as discotecas, ou seja, ten- tou tudo que podia produzir num certo sentido, aquela euforia descomprometida na sua vida, a alegria. (Eclesiastes 2.1-2) E a conclusão que ele chegou é trágica. Do riso, ele disse: “É loucura. Ficar achando graça é besteira”. E mais ainda. Da alegria ele perguntou: “De que serve?” Em segundo lugar, ele diz que tentou a boemia, o vinho. Enchia a cara, mas sem perder a lucidez. (v.3) Ele queria ver se aquele estado de embriaguez podia condu- zi-lo a alguma percepção da sabedoria. Fez parte de rodas de cerveja, sentou com os amigos e bebeu muito vinho. Ho- diernamente, Salomão teria sido um indivíduo que fez uma incursão profunda no mundo das drogas, do LSD, tentando ver se sua mente se sensibilizava para descobrir alguma coi- sa pela sabedoria em meio à embriaguez, que lhe atribuísse significado à sua existência.
  19. 19. 21 Em terceiro lugar, ele diz que tentou as grandes realiza- ções. (vs.4,5,6) Empreendeu grandes coisas. Construiu casas, plantou vi- nhas, plantou pomares, regou jardins, construiu açudes, caiu na megalomania desenvolvimentista e ficou com aquela ansiedade de se transformar no maior de todos os empresá- rios do mundo. Em quarto lugar, ele tentou se satisfazer na existência como um grande empregador. (v.7) Teve servos, servas, muitos sob o seu comando. Tinha po- der, e os homens estavam sob o seu domínio. Mas isso tam- bém não lhe satisfez o coração. Em quinto lugar, tentou como especulador do mercado financeiro. (v.8) Amontoou ouro, prata. Se fosse em nossos dias, ele estaria com uma caderneta de poupança rechonchuda, aplicando no overnight, vivendo de juros. Mas isso também não lhe satisfez o coração. Em sexto lugar, Salomão diz que tentou na música e nas artes. Que ele se proveu de cantores e cantoras, que os artis- tas frequentavam a sua casa, que ele assistiu shows e tinha todos os discos da moda, sabia todos os estilos e conhecia o melhor de toda música e de toda arte. Mas isso não lhe satis- fez o coração. Em sétimo lugar, ele diz que tentou no sexo livre, no amor livre, nas inúmeras mulheres. “Mulheres e mulheres.” (v. 8)
  20. 20. 22 Casou, descasou, teve casos e amizades coloridas. Ao todo, setecentas mulheres princesas e trezentas concubinas, mas isso não lhe satisfez o coração. E após cada experiência, Salomão, foi ficando numa terrível nostalgia em relação à vida. E a sua conclusão sobre a existência humana e a sua trajetória debaixo do sol é que a vida humana não passa de uma bobagem. Para Salomão, ao olhar a vida de todas es- sas óticas, de todas essas maneiras, de todos esses prismas, de todas essas situações as quais ele se colocou, tendo tido acesso a todos esses observatórios existenciais, depois de ter visto de todos os lados, de todos os ângulos, ele diz: “A vida é uma bobagem.” E o que foi que ele viu na vida debaixo do sol sem o referencial de Deus que o fez concluir que a trajetória humana, enquanto homem, no curso da própria história, não passa de vaidade de vaidades. Pois bem, a exemplo de Jó, Davi, Asafe e Salomão, registrarei nesta obra algumas das minhas confissões. Não confissões de pecados! Pois essas são feitas dia- riamente e diretamente a Deus! Mas, confissões de um protestante apaixonado por Deus e por Sua Palavra. Preciso registrar que durante a minha infância, devi- do à paralisia cerebral que sofri pós-parto, necessitei passar por dezessete anos de tratamento. Neste ínte- rim fui submetido a tratamentos com fonoaudiólogos, psicólogos, terapeutas ocupacionais, dentre outros. Em virtude das sequelas e dos inúmeros preconcei- tos que enfrentei, pelo menos uma vez por semana, sentava-me diante de uma psicóloga com o objetivo
  21. 21. 23 de desabafar. Ainda lembro-me das inúmeras vezes que tentei me calar durante uma sessão, pois, a dor e a vergonha das minhas fragilidades e limitações gera- vam em mim um grande complexo de inferioridade, bem como, um grande desejo de não me abrir com ninguém. Contudo, também me lembro de que, carinhosa- mente, algumas psicólogas, incentivavam-me a “jogar para fora” tudo o que estava sentindo, pois, sendo as- sim, um peso sairia de minhas costas e um alívio bro- taria em minha alma. Declaro que por algum tempo me hesitei! Tinha a opinião de que ao revelar meus dramas, complexos e frustrações me tornaria ainda mais frágil! Tristemente, durante muito tempo escon- di em meu silêncio, inúmeros absurdos que entala- vam a minha garganta e me faziam chorar. Mas, gra- ças a Deus, ainda há tempo de descobrir a gratificante arte de desabafar! Estou ciente que ao desabafar e fazer as confissões de um protestante estarei me expondo e acima de tudo, dando a minha “cara a tapas”, afinal de contas, estarei me revelando demais e escancarando a minha alma para todo o tipo de pessoas. E ao fazer tal coisa, sei que nem todos irão concordar e me entender, outros irão julgar e usar como “bode expiatório”, porém, ao desabafar estou me descobrindo e principalmente me desafogando. Preciso urgentemente confessar, pois, quando vejo tantos absurdos a minha garganta coça! Portanto, preciso constantemente limpar a garganta!
  22. 22. 24 E a melhor maneira que encontrei para isso é: Desaba- fando... Desabafando... Desabafando e Confessando! Neste livro quero desabafar confessando aberta- mente o que sinto ou penso sobre alguns “temas” gos- pel da pós-modernidade. Farei isto, logicamente, à luz das Sagradas Escrituras, não com o intuito de denegrir ou desmerecer pessoas e coisas, mas, tendo como foco primário a defesa do Evangelho e como foco secundá- rio o alívio de desentalar a minha garganta e aliviar o fardo pesado que estou carregando por muitos anos. Falando ainda de confissões, no século IV, o bispo e teólogo Agostinho de Hipona, rotulado por muitos como um dos “pais da igreja”, escreveu um livro auto- biográfico intitulado “CONFISSÕES”. Ao comentar a sua própria obra, ele afirmou que a palavra confissões vai além de confessar pecados, significando também adorar a Deus, portanto, quero adorar a Deus com CONFISSÕES DE UM PROTESTANTE e deixar re- gistrado o meu compromisso com os cinco pilares da Reforma: Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Sola Fide e Soli Deo Gloria!
  23. 23. 25 C o n f i s s ã o 1 Quem sou eu? Tributo aos meus trinta anos! O dia 11/12/2011 foi uma data importantíssima na minha vida! Afinal de contas, neste dia, comemorei o meu 30º aniversário! Trinta anos experimentando o sobrenatural de Deus! Inevitavelmente, ao olhar mi- nha face no espelho, vejo marcas surgirem e cabelos brancos emergirem como “joios em meio aos trigos”. Sei que estas marcas me acompanharão pelo resto dos meus dias e, que os cabelos brancos de agora para fren- te não hesitarão em ofuscarem os meus cabelos pretos! Hoje tenho que novamente dar a “mão a palma- tória” e conformar-me com o veredicto de Cristo: “... não podes tornar um cabelo branco ou preto.” (Ma- teus 5.36). Realmente o envelhecimento é inevitável! Trinta anos de vida! Para quem foi desenganado pelos médicos, no momento do parto, é um número bem ex- pressivo! Portanto, tenho muito a falar, entretanto, em alusão às minhas primeiras três décadas de existência, quero apenas tentar responder: Quem sou eu?
  24. 24. 26 Quem sou eu?... Eis uma das perguntas mais sim- ples e mais inquietante para nós, meros seres mortais! Particularmente, lembro-me do receio que sem- pre tive no que tange a esta indagação, durante as inúmeras dinâmicas que participei à procura de um emprego. Para falar a verdade, minhas mãos ficavam trêmulas, o suor escorria pela minha face, o coração palpitava mais forte e a minha voz ganhava um tei- moso ar de rouquidão quando se aproximava a minha vez de responder: Quem sou eu? Ainda hoje, depois de ultrapassar três décadas de vida, não encontrei uma resposta definitiva para tal pergunta, e creio, sem variações de dúvidas, que ao fechar os meus olhos para esta vida, ainda não terei al- cançado a resposta absoluta e peremptoriamente ver- dadeira. Por hora, cito a sábia colocação de um prega- dor que ao falar de sua existência, esbravejou: Nasci condenado a viver uma só vez assim, portanto, darei a cada instante o valor de uma eternidade. Enfim, tentando não me esquivar desta sindicân- cia, e sabendo da superficialidade da minha resposta, hoje respondo: Sou um brasileiro que não se orgulha mais em cantar o hino nacional, um protestante que ojeriza o rótulo de gospel, por achar que essa qua- lificação é simplista e remonta a um “cristianismo” light e diet. Sou um cristão indignado com a postura e o ca- ráter de grande parte dos “evangélicos”. Sou um
  25. 25. 27 ministro que não abre mão de protestar contra as manobras existentes nos gabinetes pastorais. Sou um eleitor que não acredita mais em promes- sas políticas, e desdenho aqueles que possuindo o tí- tulo de pastor, de maneira gananciosa, se embarcam na carreira política. Sou um cidadão, que infelizmente desacreditou na credibilidade dos três poderes. Sou um civil que fica temeroso ao avistar uma via- tura policial, não por estar em dívida com alguém ou com as leis vigentes, mas por saber que aqueles que deveriam nos proteger podem nos prejudicar, fazen- do uso de um autoritarismo incontrolável. Sou um escritor, que tento eternizar minhas ideias, pensamentos e inquietações, encontrando no ato de escrever, uma graciosa maneira de desabafar, soltar o grito e protestar. E como escritor, sou alguém que não mais acredita na idoneidade das grandes editoras, pois, sei que elas não estão em busca de novos talen- tos, e muito menos à procura de obras que venham contribuir para o crescimento intelectual e teológico. Tristemente, as editoras só visam o mercado e o lucro, entrementes, além de julgarem o livro pela capa, en- fatizam principalmente a popularidade e a fama do escritor. Como mortal, sou alguém que nasci sem direito a escolhas, não pude escolher os meus pais, o dia do meu nascimento, a minha terra natal, o médico res-
  26. 26. 28 ponsável pelo parto, o meu nome e sobrenome, etc. Mas, louvo a Deus, pois Ele me presenteou com tudo isto, e mesmo sem merecer, hoje tenho um orgulho “santo” em proclamar: Sou Sylas de Souza Neves, al- guém que ao contrário de muitos se orgulha muito de seu nome, principalmente por saber que este nome significa: “o escolhido de Deus”. Graças a Deus, sou filho de Josias e Maria, um ca- sal que além de me orgulhar, incessantemente me faz agradecer ao Todo Poderoso por ter sido gerado por eles. Sou casado com Diana, uma jovem bela, compa- nheira, leal e dedicada, alguém que me dá orgulho em ser rotulado de seu marido. Sou pai de Yuri Abner, verdadeira herança do Se- nhor, inteligente, meigo, carinhoso e cheio de energia. Sou alguém que mesmo tendo limitações não me deixo ficar aprisionado a elas e, sei que posso ir além do que já fui e fazer mais do que já fiz. Sou um jovem pregador, alguém que procura agradar primeiramente a Deus, tendo sempre temor e sabendo que de nada adianta ganhar o mundo e per- der a sua alma. Sou o que sou, mas, não descarto a hipótese de algum dia mudar o que penso ser!
  27. 27. 29 C o n f i s s ã o 2 Caça ou caçador? Eis a inversão! Oque vem primeiro, o ovo ou a galinha? Essa é uma questão importantíssima quando tratamos dos ensinamentos bíblicos, em que a ordem dos fato- res altera o produto, ou seja, a propriedade comutati- va da multiplicação matemática não vale para os en- sinamentos bíblicos, pois, quando se inverte a ordem de tais, modifica-se por completo o produto final. A inversão de valores é algo que vem causando muita confusão no meio evangélico, entretanto, o assunto além de antigo é bastante polêmico. Vejamos: Na carta de Paulo aos Romanos, já no capítulo primeiro, o apóstolo enfatiza algumas inversões cau- sadas pelos “gentios”. Em primeira instância, Paulo afirma que eles (os gentios), “inverteram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível... Mudaram a verdade de Deus em mentira e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador...”
  28. 28. 30 O apóstolo também afirmou que: “...Deus os aban- donou às paixões infames; porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, seme- lhantemente, também os varões, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, varão com varão, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro.” Encontram-se também nos dias de hoje, muitas “inversões” dentro da “igreja de Cristo”. O valor da criatura está “superando” o valor do Criador; a gló- ria de Deus está sendo “substituída” pelo glamour da fama humana; os símbolos judaicos sendo mais “va- lorizados” do que a explanação da Palavra; a verdade de Deus está sendo “trocada” pelas mentiras do diabo; o conteúdo do RI (regimento interno) sendo pregado como “Palavra de Deus”; os usos e costumes sendo impostos como “regra de fé e conduta” (doutrinas); e assim por diante... Dentre todas as “inversões” encontradas atual- mente, quero enfatizar uma, que muito me chamou a atenção e, creio que tem passado despercebida aos olhos da comunidade cristã. Quero falar sobre a “as- serção”: Caça ou caçador? Caça X Caçador Em todas as livrarias evangélicas do Brasil encon- tramos um livro de Tommy Tenney, intitulado “Os ca- çadores de Deus”. Não tenho nada contra este escritor,
  29. 29. 31 não o conheço, não sei nada de sua vida e não tenho pretensão de enegrecer ou colocar em xeque seu minis- tério. Quero apenas tecer uma “crítica” sobre o título do livro e, analisar biblicamente algumas passagens bí- blicas referentes ao assunto. Isto se faz necessário, pois, nós, escritores cristãos exercemos grandes influências sobre os nossos leitores! Aliás, será que existe alguém que nunca fora influenciado por um livro? Ou por uma palavra lançada? Não é diferente com este escritor e com suas obras. Seu livro “Os caçadores de Deus” tem influenciado muitos, já existe bandas, ministérios, mú- sicas, peças e grupos teatrais com este nome. Lembro- -me até de uma música que ouvi: “...Eu quero ser um caçador de Deus!...” Infelizmente, assim como nos dias do profeta Oséias, o povo de Deus está “perecendo por falta de conhecimento”. Tommy Tenney, em dado mo- mento diz que: “...Estas trilhas apaixonadas dos Caça- dores de Deus podem ser traçadas desde Moisés, Davi, Jó, Paulo e também por você...” Todavia, não vejo base bíblica para tal afirmação. Desde o início, vejo Deus à “caça” do homem. No jardim do Éden, após a queda de Adão, o Senhor lhes pergunta: Onde estás? Após o primeiro homicídio terrestre, Deus sai à “caça” e faz a seguinte pergunta a Caim: Onde está Abel, teu irmão? Nos dias em que Deus se arrependeu de ter criado o homem, não foi diferente, Deus “caçou” um homem e achou Noé. Será que o Onipotente viu graça em Noé, porque ele era um “caçador de Deus?” Claro que não, Noé foi
  30. 30. 32 “caçado” porque era justo, reto e andava com Deus. Com Enoque aconteceu o mesmo, foi “caçado e apanhado” por Deus, exclusivamente por que andava com Ele. O rei Davi também foi citado como um “caçador de Deus”, entretanto, não vejo assim, pelo contrário, em 1Samuel 16.1 subtende-se que Deus “caçou” e achou Davi. O texto de Atos 13.22 comprova tal afirmação: “...Achei a Davi, filho de Jessé, varão conforme o meu cora- ção, que executará toda a minha vontade.” No ano de 2003, ao ser indagado sobre o título de seu livro, Tommy respondeu: “Caçador de Deus é o indivíduo cuja fome excede sua capacidade de saciá-la...” Porém, ao analisar a Bíblia, conclui-se que, Cristo “é o Pão da Vida, o Pão Vivo que desceu do céu”, e, quem comer deste Pão será eternamente saciado. Cristo é a Água da Vida e aquele que beber nunca mais terá sede. Medite: “Mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca terá sede, porque a água que Eu lhe der se fará nele uma fonte de água a jorrar para a vida eterna.” O profeta Isaías disse: “Buscai ao SENHOR en- quanto se pode achar, invocai-O enquanto está perto.” Como se nota, o profeta usou o verbo “BUSCAR” e não “CAÇAR”. Traduzindo estes dois verbos “ao pé da letra” veri- fica-se que há uma discrepância entre eles, pois, quem busca sabe onde está e quem “caça” não tem noção de onde está o objeto procurado. Diante disso, se deduz que: Quem sai “caçando” Deus não tem intimidade
  31. 31. 33 com Ele e, acima de tudo desconhece dois de Seus atributos: a Onipresença (está em todos os lugares) e a Imanência (presença contínua e atuante). Muitos cientistas, filósofos, arqueólogos, estudiosos, ateus, céticos, etc., são verdadeiros “caçadores de Deus”. Mas, por mais que procurem (cacem), suas buscas são inúteis e infrutíferas, eles estão cegos e desconhecem que: “...Perto está o SENHOR dos que têm o coração que- brantado.” Voltando a questão do diálogo entre Cristo e a mulher samaritana, vê-se a seguinte revelação: “...por- que o Pai procura (caça) a tais que assim O adorem. Deus é Espírito, e importa que os que O adoram O adorem em es- pírito e em verdade.” Como diz o escritor e amigo José Barbosa Junior: “Um pouquinho só de conhecimento bí- blico já nos faz ver” que o verdadeiro “caçador” é Deus, e está à “caça”, ou melhor, à procura de verdadeiros adoradores. Por isso, quero passar do “ser para o ter” ou para o “não ser”. Não quero ser caçador, quero ser a “caça” e ser caçado pela Graça... Aliás, afirmo que: Quem re- jeita a Graça, termina caçando Deus!
  32. 32. 34
  33. 33. 35 C o n f i s s ã o 3 Novo templo de Salomão ou do Edir Macedo? Sinceramente, confesso que desde o mês de setem- bro de 2010, gostaria de ter escrito o que estou es- crevendo agora, entretanto, para tudo há um tempo determinado, e graças a Deus, o tempo de escrever chegou, e recorrendo ao velho jargão, digo: “Antes tar- de do que nunca.” Num belo e ensolarado domingo de 2010, fui “pre- senteado” com a revista A Visão da Fé, uma publica- ção da IURD (Igreja Universal do Reino de Deus). Ao pegar a revista que fora jogada por baixo do portão da minha residência, fui atraído imediatamente pela bela imagem contida na capa e pelos dizeres: DESTAQUE MUNDIAL: Megaprojeto do templo de Salomão! “É o mais ousado da IURD e notícia nos principais jornais do mundo.”
  34. 34. 36 Ao foliar a revista e ler cautelosamente a matéria em destaque, fiquei boquiaberto com a grandiosidade do mais novo e ousado projeto do Sr. Edir Macedo. Segundo a revista, a grandiosidade da obra ganhou repercussões internacionais, sendo que o Jornal “The Guardian” da Inglaterra ao fazer uma comparação de altura, afirmou que a estátua do Cristo Redentor no Rio ficará “na sombra” do novo templo da IURD. Sendo formado em Engenharia, revelo que mui- to me admirei das especificações da obra que segun- do a revista “deve empregar, direta e indiretamente, cerca de duas mil pessoas. O espaço disporá de uma grande nave – cuja parte mais alta terá 19m de altu- ra – totalmente climatizada e comportará mais de 10 mil fiéis confortavelmente sentados”. O megatemplo terá 126 metros de comprimento, 104 metros de lar- gura e uma área construída de 73.634,78 m². Um es- tacionamento para 1.133 veículos, um investimento entre 300 a 350 milhões de reais, além de uma Arca da Aliança, colocada sobre o altar de maneira a criar um efeito tridimensional. Diante da grandiosidade e ousadia do projeto, o Sr. Macedo ressaltou que o Templo de Salomão (en- tenda-se o seu templo), em São Paulo, será o Monte Sinai do povo brasileiro e de maneira pretensiosa e equivocada afirmou que “a obra trará um grande avi- vamento à igreja em todo o Brasil e no mundo”. No final da matéria há uma nota dizendo que a iniciativa da IURD deixou um rabino lisonjeado.
  35. 35. 37 Mediante a tudo isto, se tivesse a “ingrata” oportu- nidade de me encontrar com o Sr. Edir, olharia bem fir- me em seus olhos e lhe perguntaria: De onde o senhor tirou a ideia de que um projeto egocêntrico traz avi- vamento? Gostaria também de lhe perguntar: Alguma vez na sua vida o senhor leu e meditou no capítulo 17 do livro de Atos? Será que não entendi direito a decla- ração de Paulo quando afirmou que “O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não HABITA em templos feitos por mãos de homens?” Sinceramente, Sr. Edir, apesar de boquiaberto com a grandiosidade do seu projeto, tenho que pro- testar e confessar que o meu Deus - o Deus da Bíblia e o Deus de Paulo - não habitará em seu templo! Além do mais, creio que Ele sendo conhecedor de todos os “megaprojetos” patrocinados pela vossa senhoria, não anda nada satisfeito com os seus megatemplos e suas FAZENDAS. Por isso, faço minha as palavras de Paulo no areó- pago de Atenas na Grécia e digo: Senhor Edir Macedo em tudo vos vejo um tanto supersticioso!
  36. 36. 38
  37. 37. 39 C o n f i s s ã o 4 Heróis da fé e “heróis” do povo brasileiro Para quem é amante das Sagradas Escrituras, é quase impossível apontar apenas um texto como preferido, entretanto, apesar de amarmos loucamente todo o texto canônico, sempre existirá uma passagem bíblica que falará mais aos nossos corações. Particu- larmente, mesmo já tendo lido por inúmeras vezes o capítulo onze do livro de Hebreus, ainda choro, fico arrepiado e impressionado com a descritiva bíblica da “galeria dos heróis da fé”. Confesso que ainda vibro, sou encorajado e faço coro com o escritor dizendo: homens dos quais o mundo não era digno. Sou apai- xonado por este texto! Sem dúvidas é um de meus favoritos! E a paixão por histórias de vencedores me levou a ter outra “paixão”: ler biografias de homens que marcaram a história. Como não estremecer com a biografia de Jesus Cristo? O carpinteiro de Nazaré que revolucionou a história. E o que dizer de Saulo de Tarso? Depois de
  38. 38. 40 Cristo, o maior pregador, apóstolo, missionário, teólo- go e escritor de todos os tempos! Ao ler a história dos primeiros séculos do cristia- nismo, como não ficar boquiaberto com a inteligên- cia de Agostinho e tantos outros “pais da igreja?” Passando pelo período conhecido como REFORMA, como não admirar e até mesmo “invejar” a sabedoria de Calvino e a enorme importância de seus escritos? Ao chegar nos avivalistas, como não amar e emocio- nar com a história de John Wesley, um homem que segundo historiadores seculares respeitados, além de ter sido “a mente de maior influência” do seu século, livrou a Inglaterra do banho de sangue gerado pela Revolução Francesa iniciada dois anos antes de sua morte. O que falar de Martyn Lloyd Jones, o médico que abandonou a profissão para se tornar o maior pre- gador protestante do século XX, um homem que na visão de muitos foi uma das maiores mentes cristãs de todos os tempos. Estou ciente de que nesta rápida seleção, deixei de fora homens e mulheres que foram notáveis e excep- cionais, contudo, creio que os nomes que citei são in- discutíveis e fariam parte de qualquer lista de “maio- res” daqueles que conhecem um pouco de história. No ano de 2012, o Sistema Brasileiro de Televisão (SBT), baseado no formato criado pela BBC “The Gre- ats”, exibiu um programa cujo intuito era “mobilizar” o país para responder a uma única pergunta: “Quem é
  39. 39. 41 o maior brasileiro de todos os tempos?” Durante me- ses a pergunta esteve em aberto no site da emissora, com o objetivo de ultrapassar a marca de um milhão de votos, muita propaganda foi feita e uma grande ex- pectativa foi criada. Finalmente, em julho do referido ano, o SBT começou a exibir os resultados e a revelar os nomes escolhidos para a galeria dos “100 maiores brasileiros de todos os tempos”. Hoje, no momento em que escrevo estas linhas, sinto-me indignado ao ver “a galeria dos 100 maiores brasileiros de todos os tempos”. Acredito que todo bra- sileiro honesto e conhecedor da nossa curta história (afinal o Brasil foi descoberto apenas no ano de 1500) há de concordar que esta pesquisa revela o seguinte: Primeiro, o resultado parcial já revela que a voz do povo, além de não ser a voz de Deus, é uma voz “mentirosa”, influenciada e “emburrecida”. Segundo, a pesquisa comprova que o “brasileiro” realmente não sabe votar, além de ser um “analfabeto histórico, teológico, sociológico, etc.” Pois, o objetivo era eleger aqueles que fizeram mais pela nação, os que se destacaram pelo seu legado à sociedade. Terceiro, diante de um resultado como este, defi- nitivamente, não tem como me orgulhar por ser brasi- leiro! É brincadeira e até mesmo ridículo olhar a maio- ria dos nomes contidos na lista divulgada. Não quero denegrir a imagem de ninguém, toda- via, o fato de gostar de um cantor, jogador, lutador ou
  40. 40. 42 humorista, não faz deste um dos “maiores brasileiros de todos os tempos”. Numa enquete feita, foi perguntado: “O que leva alguém a ser considerado GRANDE?” Alguns artistas e apresentadores responderam: Caráter, coragem, es- pírito de luta, exemplo de vida e cidadania, atos que influenciam toda uma nação, ideias que influenciam multidões, etc. Diante destas respostas, pergunto: Como pode um “povo” eleger: Ana Paula Valadão, Romário, Joelma, Ronaldinho Gaúcho, Michel Teló, Claudia Leite, Ivete Sangalo, Lua Branco, Marcos do Palmeiras, Dedé do Vasco, Rogério Ceni, Tiririca, Luan Santana, entre outros, para a galeria dos “100 maiores brasileiros de todos os tempos?” Em quarto lugar, o resultado da pesquisa me ajuda a entender o porquê de ainda elegermos polí- ticos como: Maluf, Demóstenes, Arruda, Lupi, den- tre outros. Confesso que não me espantaria se no lugar do Chico Xavier, ganhador do concurso o “sábio povo brasileiro” elegesse como MAIOR brasileiro, um dos participantes do BBB, ou algum artista de significân- cia irrelevante; ou até mesmo cantores que “explodi- ram” em virtude de uma única “música”, etc. É lamentável, mas, o que dizer de um país que elege políticos como os nossos? Que transforma em “celebridade” uma tal de “Luiza” que não estava no comercial de TV? Que têm o “ai seu te pego” como
  41. 41. 43 líder das paradas de sucesso por várias semanas? E que devolve Demóstenes Torres ao cargo de promo- tor de justiça? E que diante de um Cachoeira conti- nua cantando “Para nossa alegria?” Absolutamente, no Brasil não se pode levar quase nada a sério!
  42. 42. 44
  43. 43. 45 C o n f i s s ã o 5 Eu não preciso ser reconhecido por ninguém! Eu não preciso ser reconhecido por ninguém, A minha glória é fazer com que conheçam a Ti. E que diminua eu pra que Tu cresças Senhor, mais e mais. Para aqueles que já ouviram alguns de meus ser- mões, o presente texto não será novidade, pois, nos últimos anos, de tanto me ‘incomodar’ com algu- mas, ou melhor, com inúmeras músicas ‘evangélicas’, fui comparado com o saudoso pastor presidente de honra de minha igreja; entrementes, quem conheceu o pastor Anselmo Silvestre sabe que ele era ‘chato’ em relação a muitas músicas que vem sendo cantadas atualmente. É inegável que a letra da música “A TUA GRAÇA ME BASTA” é linda, e ao contrário de muitas outras composições modernas, também possui consistência
  44. 44. 46 bíblica, todavia, quando medito nas Palavras de Jesus ditas à mulher samaritana: “Deus é Espírito, e importa que os que O adoram O adorem em espírito e em verdade” 10 , e reflito sobre alguns acontecimentos na atualidade, uma grande interrogação paira sobre a minha mente: - Será que há VERDADE quando digo que não preciso ser reconhecido por ninguém? Deve-se adorar a Deus em verdade, portanto, can- tar que não precisa ser reconhecido e ostentar reco- nhecimento é hipocrisia e farisaísmo. Fazendo uso do velho jargão, digo: Contra fatos não há argumentos! O autoreconhecimento é uma das coisas mais almejadas na atualidade. Infelizmente, parece que o desejo pela fama, a autovalorização, a fome pelo sucesso e a busca inces- sante pelo ‘estrelato’ está impregnado no DNA desta nova geração. Tristemente, na atualidade os ‘anônimos’ estão cada vez mais escassos, pois, os títulos, as credenciais e os troféus estão sendo disputados com todas as for- ças no cenário gospel. Por onde tenho andado não me canso de ouvir pastores afirmarem que em seus rebanhos existem muitos à procura de títulos e quase ninguém à pro- cura de serviço. Muitos querendo atuar nos ‘palcos’ e pouquíssimos para atuar nas vilas, favelas, nos becos e nos corredores dos hospitais.
  45. 45. 47 A busca pelo reconhecimento é tão grande que muitos ‘evangélicos’ estão enviando vídeos pessoais para os organizadores de reality shows como o Big Brother Brasil. O reconhecimento é tão almejado que muitos estão fazendo da internet, principalmente do face- book e do youtube, veículos de publicidade pesso- al, pois, afinal de contas, a propaganda é a alma do negócio! Certo pastor sabiamente afirmou: “O facebook é uma ferramenta poderosa para aqueles que querem aparecer, todavia, não possuem dinheiro para fazerem outdoors ou saírem nas revistas das celebridades.” É lamentável ver moças e rapazes postarem fotos sensuais nas redes sociais e dentro das igrejas de mãos erguidas e olhos fechados cantarem que: “A minha glória é fazer com que conheçam a Ti.” É censurável ver cantores e pregadores estufando o peito, dizendo que não precisam ser reconhecidos por ninguém e, por outro lado, tomar ciência que es- tão recebendo R$ 30.000,00 e R$ 40.000,00 para canta- rem ou pregarem no “maior congresso missionário do mundo”. E mais triste ainda é pensar que um congresso de missões está virando o Big Brother Gospel, ou seja, uma excelente oportunidade de você aparecer, sair do anonimato e arrumar ‘agendas’ para o resto do ano.
  46. 46. 48 Como podem cantar “a minha glória é fazer com que conheçam a Ti”, se lutam a cada dia para serem famo- sos, para cantarem nos maiores eventos ou pregarem nos maiores congressos? Se “a minha glória é fazer com que conheçam a Ti”, por que os “pop-stars gospel” estão cobrando R$ 60.000,00, R$ 80.000,00 e até mais para cantarem nos “eventos evangélicos”? É muito fácil cantar que: “Vou passando pela pro- va dando glória a Deus!”, quando recebem um cachê altíssimo após o show; aliás, melhor ainda deve ser cantar “que diminua eu pra que Tu cresças”, desde que o lindo patrimônio deles também cresça a cada dia. Não, não, mil vezes não! Chega de hipocrisia, pois, o Pai me sonda e me conhece, de longe Ele entende o meu pensamento, portanto, Ele sabe que além de di- fundir o nome Dele, quero difundir também o meu, quero ser famoso, quero ser honrado pelos homens, quero ouvir o meu nome na hora dos agradecimen- tos finais, quero pregar nos grandes congressos, se possível no GMUH, quero assinar contrato com uma grande gravadora e, por que não, gravar um Cd que venha me render um disco de prata, ouro, diaman- te, etc. Quero também escrever um livro que vire um best-seller e que apareça na lista dos mais vendidos da semana, quiçá do mês, ou melhor, do ano. Almejo tanto isto, por isso, tenho e-mail, blog, face, twitter, vídeos no youtube, etc. E para falar a
  47. 47. 49 verdade, quando morrer, almejo que meu nome seja constantemente citado, a exemplo de: Paulo, Lutero, Calvino, John Wesley, etc. É por isso e por outras, que mesmo achando esta música linda, reluto-me a cantá-la, pois, Deus é Espí- rito, e importa que os que O adoram, O adorem em espírito e em verdade.
  48. 48. 50
  49. 49. 51 C o n f i s s ã o 6 Quem tem ouvidos ouça! O que Macedo diz às igrejas! No segundo domingo de novembro de 2011, os evangélicos e principalmente os “pentecos- tais”, foram ou sentiram-se “bombardeados” com uma “grande reportagem” exibida pelo canal de tele- visão do Sr. Edir Macedo. Como já era de se esperar, os contra-ataques começaram e os ditos “grandes” e rotulados “porta-vozes” do movimento pentecostal brasileiro arregaçaram as mangas contra-atacando o “bispo” e líder da IURD, portanto, mais uma vez uma das leis de Newton foi comprovada: Para cada ação, existe uma reação! Creio que os ataques e con- tra-ataques apenas estão no começo, e que muito ain- da estar por vir, a “caixa de maribondos” foi feroz- mente atacada, o calcanhar “pentecostal” foi ferido, uma nova “guerra santa” começou e mais um dos sinais apocalípticos se evidenciou!
  50. 50. 52 Como amante da Palavra, estudante incansável da teologia e apaixonado pela história da igreja, principal- mente do período patrístico, tenho um sonho que, in- felizmente, sinto ser cada vez mais utópico! Sonho em presenciar um “Concílio Evangélico Brasileiro”, onde os “grandes” líderes cristãos, de maneira pacífica e, à luz das Sagradas Escrituras, possam debater temas ex- tremamente relevantes à fé cristã. Entretanto, como jul- go ser utópico! Tentarei, nas próximas linhas, descrever e relatar aos meus leitores o que penso sobre o assunto, ressaltando, porém, que a minha finalidade é demons- trar o que podemos extrair de positivo de tudo isso. Primeiramente, gostaria de observar que os meus escritos continuam e, permitindo Deus, continuarão tendo um caráter apologético. Portanto, como apolo- gista, estou sujeito a críticas e objeções, no entanto, não tenho o menor interesse e nem a presunção de querer agradar a todos e coadunar com a maioria. Lembro-me que recentemente um pastor, ironica- mente, inquiriu-me se já havia colocado a “cabeça” no lugar? Para ele, a melhor opção para um prega- dor itinerante como eu, era não tomar partido e me camuflar em todas as ocasiões! A exemplo de Paulo e Martinho Lutero, digo para este e para quem quer que seja: Continuarei defendendo o Evangelho e ex- pondo as minhas ideias, procurando sempre nexo com as Santas Escrituras. Quanto à reportagem exibida pelo canal de Edir Macedo, deixando de lado os reais interesses e os
  51. 51. 53 agentes motivacionais que o levaram a fazer tal coisa, creio que nós, “pentecostais”, podemos extrair algo de muito útil em tudo isto. Não quero entrar no mérito se a reportagem (entenda-se denúncia) foi exibida de maneira correta ou não, todavia, creio que a mesma veio em boa hora, pois, a cada dia que passa as histe- rias e os modismos “evangélicos” estão se alastrando pelo mundo afora. Por mais de uma década tenho pregado a Palavra de Deus e testemunhado as Suas maravilhas por inú- meras denominações brasileiras. Neste período, tive por lema não recusar nenhum convite, independente da placa, do tamanho ou do rótulo (tradicional, pente- costal, etc.). Entretanto, por inúmeras vezes, ao findar de uma reunião, senti-me comovido em mim mesmo, como Paulo em Atenas, ao ver as denominações en- tregues a modismos e superstições de todos os tipos. Já ministrei em “cultos” onde a “unção do riso”, chamada por eles de “batismo da alegria” foi mais destacada do que a exposição da Palavra. Preguei em cultos onde a “unção do cachorrinho” se fez pre- sente, sinceramente, foi deplorável ver as diaconisas engatinharem como cães e uivarem como lobos. Par- ticipei de uma campanha onde a “unção da escova de dente” foi implantada e sob a ordem da lideran- ça, os “supersticiosos” deveriam levar a escova para aqueles que falam palavrões e proferem maldições. Não posso me esquecer sobre a “unção do palito de picolé” onde fomos orientados a quebrar o palito,
  52. 52. 54 depois de determinarmos por meio de “orações” que Deus transferisse para o mesmo todas as nossas do- enças e maldições hereditárias. Em uma cidade do interior de Minas e também em duas denominações na capital, presenciei a “unção da bacia”, que após a oração “transformou-se” no tanque de Betesda, onde os “fiéis” enfileirados, alguns portando a “unção do celular” e outros a “unção do helicóptero”, prepara- ram-se para tocar na água e receberem a bênção. Infelizmente o “cair no Espírito”, os modismos e as invencionices “pentecostais e neopentecostais” são inúmeras e impossíveis de se relatar todas, mas, o pior de tudo é ouvir que todas essas coisas são oriundas do Espírito Santo. Francamente, creio que os líderes deno- minacionais deveriam ler e meditar mais na primeira carta de Paulo aos Coríntios, principalmente, quando ele fala da ordem no culto. Estaria Paulo equivocado? Será que Paulo queria inibir a ação do Espírito no seio da igreja? Será que essa ordem no culto restringiu-se apenas para a igreja em Coríntios? Não acredito que todo “cair” seja errado, contudo, há muita meninice em nosso meio! Há muitos charlatões usando técnicas de hipnose para ludibriar e derrubar o povo! Há mui- tas “campanhas” onde o intuito é apenas impressio- nar e arrancar dinheiro! Há muita coisa errada sendo atribuída ao Espírito Santo de Deus! É necessário voltarmos às Escrituras! Precisamos ponderar e pensar na hipótese de Deus está usando o Macedo neste quesito, para trazer um alerta à igreja
  53. 53. 55 evangélica brasileira. Sem dúvidas, precisamos de cul- tos mais racionais e não de encontros sensacionalistas. Particularmente, gosto muito e não pretendo sair do pentecostalismo, mas, reprovo veementemente o sen- sacionalismo e os modismos no “seio da igreja”. Estou ciente que muitos “líderes” ao lerem este texto poderão me fechar as suas “portas denomi- nacionais”, no entanto, a exemplo de Paulo, reitero que o que importa mais é agradar a Deus do que aos homens!
  54. 54. 56
  55. 55. 57 C o n f i s s ã o 7 Crédito ou débito? Afinal o que tenho diante de Deus? Sei que este texto poderá me trazer certos incômo- dos, principalmente porque de uns anos para cá, o conturbado mundo “gospel” ganhou uma nova ala: os fã-clubes dos artistas gospel. Hoje, infelizmente, quem se atreve a dar a mão à palmatória, analisan- do tudo sob a ótica da Sagrada Escritura é taxado por essa ala de intransigente, importuno e acima de tudo invejoso. Tristemente, os que amam a área da apologé- tica e se prontificam na elaboração de apologias sobre músicas, livros, preleções e etc., não são compreendi- dos, são censurados e até ridicularizados, sobretudo nas redes sociais. Confesso que já fui escarnecido, zombado e ri- dicularizado em virtude de conjecturas e convicções que elaborei no decorrer do meu ministério. Entretan- to, de uns anos para cá, corroborando com um dos
  56. 56. 58 poucos pastores “famosos” que ainda gosto de ouvir, afirmo que sinto a necessidade de “bater estacas”, “descer do muro” e assumir posições concernentes a certos assuntos e “ensinamentos” do meio cristão. Hoje, um pouco mais maduro e preparado para lidar com as críticas e o apedrejamento de fanáticos, quero analisar dentro da perspectiva bíblica, se o homem, líder ou não, tem crédito ou débito diante de Deus. No final da década de 90 “estourou” no Brasil um jovem pregador, carismático, de gentil aspecto e um exímio contador de estórias, como ele próprio já se rotulou várias vezes. Rapidamente, este jovem ganhou espaço, admiradores, fãs e imitadores, e, creio que passou a ter uma das agendas mais dis- putadas do meio “pentecostal”. Nesta época estava saindo da adolescência e apenas engatinhando no ministério, mas pude perceber o alvoroço que este pregador causou no meio da mocidade. Muitos co- meçaram a copiar suas mensagens, seus jargões e até mesmo seu modo de vestir, e espantosamente, uma “nova febre nacional”, agora no mundo gospel, se instaurou no Brasil. No início, tenho que admitir, também fui “tentado” a ceder diante das ministra- ções deste jovem. E a exemplo de muitos, comecei a assistir todas as suas mensagens disponíveis. Entre- tanto, sorrateiramente, o encantamento foi dando lugar à desconfiança, e como “cresci”, deixando de lado as coisas de menino, perdi completamente o vislumbre pelo mesmo.
  57. 57. 59 É inegável que suas ministrações chamavam aten- ção! Seus jargões “enlouqueciam” inúmeros ouvintes e suas “orações” pedindo a presença de “anjos” nas reu- niões, despertavam frisson no coração de muitos, po- rém, quando ele dizia: “Senhor, se ainda tenho crédito contigo!”... Declaro que por muitas vezes procurei en- xergar com bons olhos tal declaração, aliás, certa vez, ao comentar com um amigo o incômodo que sentia diante dessa colocação, ouvi do mesmo a seguinte ponderação: “Ele ora assim porque paga o preço, tem uma vida irre- preensível e, sendo assim, possui crédito com Deus!” Não, mil vezes não! Ao olharmos para as Páginas Sagradas veremos que os homens não possuem crédi- tos para com Deus! Possuímos débitos, que a exemplo das financeiras se multiplicam a cada manhã. Revelo que toda vez que ouvia “se ainda tenho crédito con- tigo”, era remetido à oração do fariseu que arrogan- temente dizia: “Ó Deus, graças te dou, porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana e dou os dízimos de tudo quanto possuo.”xi Todos aqueles que acreditam ter crédito com Deus, assemelham-se aos fariseus que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos e desprezavam os outros.xii Todos aqueles que acreditam ter crédito com Deus se esqueceram de que para sermos justificados diante
  58. 58. 60 Dele, precisamos reconhecer o nosso estado lastimoso e a exemplo do publicano proferir: “Ó Deus, tem mi- sericórdia de mim, pecador!”xiii Todos aqueles que acreditam ter crédito com Deus, fazem “vista grossa” diante da oração de con- fissão ensinada por Cristo, dizendo: “Perdoa-nos as nossas iniquidades...”xiv Todos aqueles que acreditam ter crédito com Deus se julgam maior do que Paulo, pois, este mesmo pos- suindo tantas credenciais, cidadanias e habilidades, jamais ousou dizer “se ainda tenho crédito contigo”, pelo contrário, ao escrever sua magistral carta aos Ro- manos, ele declarou: “Miserável homem que eu sou!”xv E por falar em Paulo, todos aqueles que acreditam ter crédito com Deus devem desconhecer a sua carta a Timóteo, pois nela o maior de todos os apóstolos re- gistrou: “Cristo Jesus veio ao mundo, para salvar os peca- dores, dos quais eu sou o principal.”xvi Todos aqueles que acreditam ter crédito com Deus me faz lembrar do início do ministério de Isaías, que saiu dizendo: Ai desses! Ai daquele! Mas, de repen- te, quando teve uma visão do Senhor, reconheceu que também era pecador, entrementes, admitiu que não possuía créditos e diagnosticou: “Ai de mim, que vou perecendo! Porque eu sou um homem de lábios impuros e habito no meio de um povo de impuros lábios.”xvii Todos aqueles que acreditam ter crédito com Deus ignoram uma das maiores verdades teológicas: Somos
  59. 59. 61 justificados pela graça, pela redenção que há em Cris- to Jesus, e não por créditos.xviii Todos aqueles que acreditam ter crédito com Deus interpretam de maneira equivocada a ordem dada por Paulo a Timóteo de guardar o bom depósito, pois, o mesmo nada tem a ver com crédito para com Deus.xix Continuando, todos aqueles que acreditam ter crédito com Deus são incapazes de admitir que um dos princípios básicos e indiscutíveis do cristianismo ainda está valendo: “Onde o pecado abundou, supe- rabundou a graça.”xx Finalmente, afirmo que todos aqueles que acredi- tam ter crédito com Deus podem a qualquer momen- to, a exemplo de Belsazar, descobrirem que “foram pesados na balança e achados em falta, em débito.”xxi Sinceramente, quando olho para minha vida, mi- nha família e para o ministério outorgado a mim por Deus, reconheço que não sou merecedor, não tenho crédito! Na verdade, possuía uma dívida que pare- cia impagável, porém, o sacrifício vicário de Cristo rasgou a cédula que era contra mim, cravando-a na cruz. Aleluia a dívida foi paga e hoje não tenho mais débitos!xxii Para encerrar, atesto com toda convicção que o verdadeiro chamado jamais se gabará em ter crédito diante de Deus, pelo contrário, a exemplo de Gideão, Jeremias, Moisés e Paulo, o mesmo reconhecerá: im- potência, incapacidade e inexperiência. Não tenho
  60. 60. 62 créditos! E não tenho débitos! Por isso, alegro-me em saber que as misericórdias do Senhor, se renovam a cada manhã sobre mim, e são elas as causas de eu não ser consumido.xxiii
  61. 61. 63 C o n f i s s ã o 8 Agora é só vitória! Será? Agora é só vitória, Agora é só vitória, Agora é só vitória, só vitória A prova acabou, A luta foi embora, Agora é só vitória, só vitória! Ojeriza - creio ser esta a melhor palavra empre- gada para expressar o que sinto ao ouvir grande parte dos sucessos gospel da atualidade. Infelizmente os “grandes e mega artistas” dessa ala “evangélica e global” estão lançando músicas empolgantes, ricas em arranjos e pobres em consistências bíblicas. Há alguns meses atrás, ao ouvir pela primeira vez a música “UM NOVO VENCEDOR”, cantada por uma das cantoras preferidas da “ala pentecostal” do momento, fiquei bo- quiaberto com a capacidade infeliz com que grande par- te dos “evangélicos” tem em substituir verdades bíblicas por composições mentirosas e sem respaldos bíblicos. Vaticínio que já estou preparado para lidar com as censuras dos fãs gospel espalhado pelo Brasil afora!
  62. 62. 64 Aliás, digo que estou pronto para duelar e questionar alguns pressupostos que estão ganhando rótulos de “verdades doutrinárias”. Não dá mais para aguentar canções que só enfatizam bênçãos deixando de lado verdades contundentes que ensinam os cristãos a per- manecerem firmes na fé, a encararem as tribulações, pois, através delas, nos importa entrar no reino de Deus.xxiv Como um sedento em meio a um deserto tenho andado ávido à procura de músicas com coerências bíblicas! Mas, infelizmente, quando penso que en- contrei um oásis, deparo-me com uma terrível mira- gem utópica. Não quero pegar leve, não ousarei fazer “política de boa vizinhança” e nem pretendo ficar em cima do muro, antes, vou direto ao ponto afirmando que a letra de uma música que não passa pelo crivo das Sagradas Escrituras constitui um falso “evange- lho” cantado, por isso deve ser descartado, pois não são coerentes com as “boas novas”. Cristo ao libertar a mulher adúltera não disse: Minha filha A PROVA ACABOU, A LUTA FOI EM- BORA, AGORA É SÓ VITÓRIA, SÓ VITÓRIA! Pelo contrário, após salvá-la, Ele a advertiu dizendo: “Vá e não peques mais!”xxv O mesmo Jesus ao instruir aos Seus discípulos não disse: Vocês foram PROVADOS E APROVADOS, AGORA É SÓ VITÓRIA! Pelo contrário, Ele os adver- tiu afirmando: “Eis que vos envio como ovelhas ao
  63. 63. 65 meio de lobos; portanto, sedes prudentes como as ser- pentes e inofensivos como as pombas.”xxvi E não parou por aí, Ele ainda os censurou “leve- mente” dizendo: “Acautelai-vos, porém, dos homens; porque eles vos entregarão aos sinédrios, e vos açoita- rão nas suas sinagogas.”xxvii Sinceramente, não consigo visualizar uma ovelha rodeada por lobos cantando: AGORA É SÓ VITÓ- RIA, SÓ VITÓRIA! Será que Jesus estava brincando? Será que estava sendo irônico? Ou será que Ele havia perdido a noção da realidade? Afinal de contas, UM NOVO VENCEDOR QUE SURGE deve ser conduzi- do ao pódio e não levado como ovelha para o meio de lobos! O NOVO VENCEDOR deve estar no palco, cantando SABOR DE MEL, enquanto os lobos, ou me- lhor, os adversários devem estar na platéia, vislum- brados e cantando: QUEM TE VIU! QUEM TE VÊ! Se “AGORA É SÓ VITÓRIA! SÓ VITÓRIA!” for verdade, preciso excluir inúmeras passagens da Bíblia, principalmente os ensinos de Cristo e do apóstolo Pau- lo. Creio que o refrão “A PROVA ACABOU, A LUTA FOI EMBORA, AGORA É SÓ VITÓRIA! SÓ VITÓ- RIA!” deveria ser cantando apenas num culto fúnebre, mesmo assim, somente daqueles que morreram em Cristo! Para estes sim: A PROVA ACABOU, A LUTA FOI EMBORA, AGORA É SÓ VITÓRIA! SÓ VITÓRIA! Se esta música é de Deus, como afirmam muitos “pentecostais”, preciso com muita urgência rever
  64. 64. 66 meus conceitos e buscar outros modelos para a minha caminhada cristã! Pois, ainda sou fascinado e procu- ro me espelhar naqueles que foram “torturados, não aceitando o seu livramento, para alcançarem uma me- lhor ressurreição; nos que experimentaram escárnios, açoites, cadeias e prisões.”xxviii Vibro veementemente com os que foram apedreja- dos, serrados, tentados, mortos a fio de espada. Iden- tifico-me com os que “andaram vestidos de peles de ovelhas e de cabras, desamparados, aflitos e maltrata- dos e foram considerados como (homens dos quais o mundo não era digno).”xxix “Infelizmente”, estes gigantes da história não pu- deram cantar que AS PROVAS haviam se acabado! Pelo contrário, a exemplo de Paulo, os Heróis da Fé foram atribulados, angustiados, perplexos, persegui- dos e abatidos. Para estes a vitória somente teve SA- BOR DE MEL no dia em que tombaram nesta vida! Falando em Paulo, se UM NOVO VENCEDOR é aquele cuja “PROVA ACABOU E A LUTA FOI EM- BORA E AGORA É SÓ VITÓRIA!”, então o maior líder do cristianismo foi um grande fracasso, pois, ao descrever para a igreja em Corinto os sofrimentos que havia padecido por amor ao Evangelho, ele enu- merou lutas sobre lutas: “Recebi dos judeus cinco quarentenas de açoites me- nos um; três vezes fui açoitado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio, uma noite e um
  65. 65. 67 dia passei no abismo; em viagens, muitas vezes; em perigos de rios, em perigos de salteadores, em perigos dos da minha nação, em perigos dos gentios, em peri- gos na cidade, em perigos no deserto, em perigos no mar, em perigos entre os falsos irmãos; em trabalhos e fadiga, em vigílias, muitas vezes, em fome e sede, em jejum, muitas vezes, em frio e nudez.”xxx Pobre apóstolo Paulo, mesmo após passar por tudo isto, inúmeras lutas e infindáveis provas, ele não pôde cantar que AS PROVAS haviam se acaba- do! Na verdade, PROVAS maiores ainda estavam por vir. Rotulando-se o menor entre todos os apóstolosxxxi e sentindo-se PEQUENO, velho e solitário, Paulo foi jogado EM UM VALE ESCURO E FRIO, chamado de masmorra. E dentro desta fria e fétida prisão ele sentiu-se traído, desamparado por Demas, precisando reconciliar-se com João Marcos, ferido por Alexandre o latoeiro e desamparado por todos os irmãos. Pelos olhos da fé, ao ler suas últimas palavras endereçadas ao amigo Timóteo, vejo que SEU GEMIDO DOÍA NA ALMA... TRAZENDO À PELE UM ARREPIO. Saben- do que estava sendo oferecido em libação e que a mor- te velozmente se aproximava, no lugar de cantar “A PROVA ACABOU”, ele declamou: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.”xxxii Após tantas lutas e provas o vencedor não foi conduzido para um pódio, mas foi levado para uma
  66. 66. 68 guilhotina onde teve sua vida ceifada e sua cabeça de- capitada. Francamente tenho dificuldades em imagi- nar que algum dia em alguma cidade ou em alguma prisão, o nobre Paulo, enquanto ser vivente pensava cantar somente que “A PROVA ACABOU E A LUTA FOI EMBORAE AGORAÉ SÓ VITÓRIA!” Mas, consi- go vislumbrar o brilho de seus olhos quando afirmou:  “Porque a nossa leve e momentânea tribulação pro- duz para nós um peso eterno de glória mui excelen- te.” Paulo como amante das Sagradas Escrituras sabia que “muitas são as aflições do justo” e que no mundo teria aflições!xxxiii Não poderia encerrar esta reflexão sem mencionar Davi, alguém citado e inferido na letra dessa música. Se tentarmos fazer uma conexão entre a letra dessa música com a narrativa bíblica da vida do maior rei de Israel, certamente concluiremos que o “AGORA É SÓ VITÓRIA! SÓ VITÓRIA!” tornou-se real para ele somente no dia de sua morte, pois, durante toda a sua existência o “homem segundo o coração de Deus” en- frentou lutas atrás de lutas, provas atrás de provas, gigantes após gigantes, ursos após ursos, chorou, ge- meu, errou, decepcionou-se, teve parte de sua famí- lia destruída, enfrentou incestos, castigos, punições e restrições. Acredito piamente que Davi como compositor, salmodiador e principalmente amante da Palavra, se tivesse a oportunidade de escolher entre o “AGORA É SÓ VITÓRIA!” e o hino 126 da harpa cristã, ele optaria
  67. 67. 69 sem titubear pela segunda opção para energicamente cantar: Quem quiser de Deus ter a coroa, Passará por mais TRIBULAÇÃO; Às alturas santas ninguém voa, Sem as asas da humilhação.
  68. 68. 70
  69. 69. 71 C o n f i s s ã o 9 Livrai-nos da segunda divisão ou livrai-nos da superstição? Quem nunca ouviu em nosso país a exclamação de que Deus é brasileiro! Pois é, este brado pode ser ouvido em quase todos os ‘quatro’ cantos da ‘pá- tria amada Brasil’, desde as mesas de bares até as me- sas parlamentares. Embora ‘repleta’ de humor, este clamor revela entre outras coisas, a religiosidade do povo brasileiro. Sem sombra de dúvidas, ‘somos’ reli- giosos e, segundo fontes fidedignas “98% dos brasilei- ros acreditam em Deus ou pelo menos admitem Sua existência”.xxxiv Muitas vezes nossos ‘conterrâneos’ desenvolvem a sua religiosidade de maneira mística e porque não di- zer ‘curiosa’, e infelizmente tais coisas são facilmente notadas até mesmo dentro de muitas igrejas ‘evangé- licas’. É lamentável ver um “cristão” depositar a fé em galhos de arruda, trevo de quatro folhas, ferraduras
  70. 70. 72 na porta de casa, copos com água em cima do rádio e/ ou televisão, amuletos, Bíblia aberta no salmo 91, en- tre outros. As superstições levam o indivíduo a uma idolatria generalizada, pois, os supersticiosos tendem a acreditar em tudo, menos na Palavra de Deus. Que o brasileiro é religioso não resta dúvida, po- rém, além de possuir uma vasta ‘espiritualidade’, uma grande parte é apaixonada pelo futebol. Orgulhamos de ter o ‘melhor’ futebol do mundo, a única seleção pentacampeã, os melhores craques da história (Gar- rincha, Pelé, Reinaldo, Zico, Tostão) dentre outras coi- sas. O futebol é algo ‘apaixonante’ e nivelador, pois, nele estão inseridos ricos, pobres, pretos, brancos, ho- mens, mulheres, etc. Como brasileiro, desde pequeno, aprendi a gostar do futebol e ainda criança me ‘encan- tei’ com a torcida do Atlético Mineiro: sofredora, mas sonhadora, idealista e fiel. Quando adolescente fugi de um evangelismo de domingo à tarde, fui parar no ‘caldeirão’ alvinegro e estava totalmente ‘idolatrado’ pelo Galo das Minas Gerais! Comprei camisas, ban- deiras, bonés, pôsteres, shorts, CDs e sempre gravava em fitas k7 os gols do Galo narrados pela excepcional voz do locutor Willy Fritz Gonser da rádio Itatiaia. Devido à imensa ‘paixão’ que tinha pelo Atlético passei cerca de sete anos no curso de pré-batismo e não me batizei, pois, me sentia indigno de participar da ceia do Senhor. Procurei primeiro me despojar do velho homem, corrompido pela concupiscência do engano e somente depois de ‘colocar’ Jesus em pri-
  71. 71. 73 meiro lugar que desci às águas batismais, dando fim ao monte de amuletos que carregava como torcedor. Hoje, muitos anos depois, ainda gosto de ver o Atlé- tico jogar, todavia, não deixo as coisas de Deus por causa de um jogo, não fico triste e nem nervoso por causa de uma derrota. Graças a Deus as coisas velhas se passaram e tudo se fez novo. Mas, voltando a falar de futebol, no ano de 2004, o Clube Atlético Mineiro escapou de cair para a 2ª di- visão do brasileiro na última rodada do campeonato e este fato, além de ter gerado na ‘massa’ um grande alívio, deu origem ao livro intitulado: Livrai-nos da 2ª divisão, do Pr. Toninho Campos, livreto que traz na capa os seguintes dizeres: “Como a ação de Deus im- pediu a maior tragédia dos 96 anos de história do Clube Atlético Mineiro.”xxxv Como amante da Palavra, apologista da fé cristã e apreciador de obras literárias, logo me interessei por esse livro e quando passei a fazer a leitura do mesmo, fiquei estarrecido com algumas colocações do autor, verificando a superficialidade bíblica da ‘obra’ e a pai- xão exagerada por um simples time de futebol. Me- diante a isto, expressarei nas próximas linhas a minha opinião sobre tais colocações que, à luz das Escrituras são erradas e sem fundamento bíblico. Todavia, farei isto não com o intuito de denegrir a imagem do autor, pois, além de não conhecê-lo pessoalmente, não sou juiz e inquiridor de ninguém, acreditando que ele es- creveu tal obra fazendo uso apenas do lado da paixão.
  72. 72. 74 O livro começa apresentando o Pr. Toninho, a data de sua conversão, como largou um bom emprego em prol da obra de Deus, os lugares onde pastoreou, sua família e onde ele pastoreia atualmente. Já na pági- na 7, no primeiro parágrafo da seção de dedicatória e agradecimentos, o autor foi feliz ao dedicar e agrade- cer a Jesus por seu primeiro livro e para isto afirmou: “É Digno de toda glória e que nos salvou do “rebaixamento eterno” com Seu sangue derramado lá na cruz.” Tal afirmação expressa coerência bíblica, o sábio Salomão disse: “Para o entendido, o caminho da vida leva para cima, para que se desvie do inferno em baixo.”xxxvi A verdade é que se não fora o Senhor, nós seríamos rebaixados eternamente e este rebaixamento ao con- trário do futebol brasileiro, seria irreversível, ou seja, não haveria volta à primeira divisão. Na CBF (Confe- deração Brasileira de Futebol) pode até existir ‘virada de mesa’, entretanto na CC (Confederação Celestial) quem for ‘rebaixado’ não volta mais. Veja as palavras de Abraão na parábola do rico e Lázaro: “E, além disso, está posto um grande abismo entre nós e vós, de sorte que os que quisessem passar daqui para vós não poderiam, nem tampouco os de lá, passar para cá.”xxxvii Em segundo lugar, a afirmativa diz que fomos salvos do rebaixamento, mediante ao sangue de Je- sus derramado na cruz, portanto, nós fomos salvos, não por um pênalti mal marcado pelo juiz e nem tampouco por compra de resultados, malas pretas, etc., fomos salvos pelo sacrifício vicário de Cristo.
  73. 73. 75 Podemos dizer: Aleluia! “A nossa alma escapou, como um pássaro do laço dos passarinheiros; o laço quebrou-se, e nós escapamos.”xxxviii Entretanto, particularmente, além do testemunho de sua conversão e desta afirmação analisada ante- riormente, não consegui extrair mais nada de bom no livro, pois o restante somente me serviu para a elabo- ração deste artigo. Vejamos: No capítulo primeiro, na página 16, ao tentar res- ponder a pergunta “Deus se mistura com o futebol?” o autor não titubeou em dizer que sim e para se defender ele usou o texto de Atos 27.34 que diz: “Porque nem um cabelo cairá da cabeça de qualquer de vós.” Ora, além de ti- rar este texto fora do seu contexto, o autor desconhece a vontade permissiva de Deus, que mesmo sendo o Con- trolador do universo, respeita o livre-arbítrio humano; responder a pergunta com este texto é classificar Deus como fatalista futebolístico. Será que Deus também predestinou o São Paulo para ser campeão em 2008? Depois, para piorar ele citou o texto do capítulo 17 de João, onde Jesus pediu a Deus para que não tirasse Seus discípulos do mundo, mas que os livrasse do ma- ligno. Outra vez o autor tirou o texto do contexto para associá-lo ao futebol, esquecendo-se de que o que leva um time de futebol a se dar bem no campeonato não é a intervenção divina, mas, a qualidade do plantel, a estrutura do clube, a capacidade do treinador, a “aju- dinha” do juiz, etc.
  74. 74. 76 No nono capítulo, na página 46, quarto parágrafo, o pastor Antônio Brandão Campos fez uma analogia entre o possível rebaixamento do Atlético e o naufrá- gio do Titanic: “Se o dono do Titanic impediu o Se- nhor de salvar a grande embarcação por ter dito que nem Deus o afundaria, com o Atlético foi diferente. Esse grande time de uma imensa torcida teve por seu capitão alguém que, colocado por Deus, abriu a porta para que o Evangelho fosse levado a bordo da nau e juntos invocaram ao Senhor, que operou um grande milagre.” Mais uma vez ele errou em associar o Evan- gelho à salvação futebolística. Acredito que a explana- ção da Palavra de Deus pode ter produzido motivação no grupo de jogadores, agora dizer que Deus operou um grande milagre simplesmente pelo fato deles te- rem ouvido o Evangelho... “santo exagero!” Finalmente, no último capítulo do livro, na pági- na 52, ao tentar responder a existência de cristãos nos demais times do campeonato e com certeza em times que foram rebaixados, ele disse: “A resposta desta per- gunta eu não vou expor aqui de jeito nenhum, pois aguardo como um tesouro para ver o meu time ainda muitas vezes vencer e ser campeão...” Como se pode notar é uma res- posta vaga e descabida, onde como pastor falou como torcedor. Averdade é que Deus jamais ajudaria o Atlé- tico a fugir da segunda divisão e lançaria “Criciúma, Guarani, Vitória e Grêmio” na mesma. Para encerrar a minha análise, transcreverei a seguir mais duas aberrações que ele escreveu. Na
  75. 75. 77 página 53 (falando do último jogo: Atlético 3 X São Caetano 0), por ser tão descabidas, não faço questão de comentar: “O resultado do jogo foi três a zero! Um gol para o Pai, um gol para o Filho e um gol para o Espírito Santo de Deus!” “Para nós, o dia do jogo foi, com certeza, o dia em que o Senhor vestiu a camisa do nosso time!” Mal sabia o dileto pastor que Deus ia “trocar de time” e lançar já no próximo ano (2005) o Clube Atlé- tico Mineiro na segunda divisão. (rsrsrs) Em tempo, ao contrário do pr. Toninho, a cada apito inicial do juiz, no lugar de orar “Livrai-nos da segunda divisão!” oro “Livrai-nos Senhor da su- perstição!”
  76. 76. 78
  77. 77. 79 C o n f i s s ã o 1 0 Precisa-se de pastores! Ao percorrer inúmeros corredores do centro das grandes capitais, pode-se perceber a presença de incontáveis cartazes com os dizeres: PRECISA-SE de vendedores, balconistas, embaladores, cartazistas, etc. Realmente nota-se a escassez de bons profissionais à disposição para o mercado de trabalho. Falta mão de obra qualificada! No ano de 2011 a CNI (Confederação Nacional das Indústrias) divulgou uma pesquisa, informan- do que a falta de mão de obra qualificada afeta 69% das empresas brasileiras e que este problema dificulta o aumento da produtividade e o melho- ramento da qualidade do produto.xxxix No setor da construção civil, por exemplo, uma pesquisa da FGV (Fundação Getúlio Vargas) também de 2011, mostrou que somente 17,8% dos trabalhadores ocu- pados na construção civil frequentaram o curso de educação profissional.
  78. 78. 80 Infelizmente, o mesmo quadro pode ser observa- do no campo ministerial com uma observação: A falta aqui não é de mão de obra qualificada, mas, vocacio- nada. A argumentação de Cristo registrada no Evan- gelho escrito por Lucas continua atualíssima: “Grande é, em verdade, a seara, mas os obreiros são poucos.” Lamentavelmente, ao desenvolver um ministério itinerante, tenho presenciado a escassez de pastores verdadeiramente e espiritualmente vocacionados. Por inúmeras vezes fiquei boquiaberto diante de homens que se intitulam pastores. Confesso que estou cansa- do de esbarrar em homens que deveriam “dar a mão a palmatória” e procurarem outra coisa para fazerem. Não tenho medo de verberar, e por conhecimento de causa, afirmo que alguns abraçaram o ministério so- mente depois de se frustrarem profissionalmente. São pretensiosos “profissionais” fracassados, que veem no ministério pastoral, uma excelente oportunidade de ganharem dinheiro e refazerem sua vida. Em 2010 ministrei a Palavra em uma denominação que me deixou de “queixo caído”, pois, após presen- ciar várias aberrações, ainda tive o desprazer de ouvir do “pastor” presidente a história fatídica do início da mesma. Segundo ele, após uma tentativa frustrada de conduzir um açougue, resolveu apostar numa loja de roupas que novamente resultou num insucesso. Ven- deu os balcões e prateleiras e montou uma igreja no mesmo local. Diante de tanta carência, preciso excla- mar: Precisa-se de Pastores!
  79. 79. 81 Precisa-se de pastores! Homens que possuem a imagem de Cristo refletida em suas vidas e não ape- nas de líderes com imagens de executivos bem suce- didos, administradores de sucesso ou empresários destacados. Precisa-se de pastores! Homens com “tempo e compaixão para ouvir o clamor de almas cansadas, aflitas, confusas em busca de orientação, maturidade, transformação”, como assegurou o reverendo Ricardo Barbosa de Souza.xl Precisa-se de pastores! Homens que possam en- contrar soluções para nossas crises, principalmente na Palavra de Deus, nos escritos da história da igreja e não de líderes que fiquem apoiados em citações de psicoterapeutas modernos e livros de autoajuda. Precisa-se de pastores! Homens que se prontifi- quem a ajudar as ovelhas com oração, orientação es- piritual e ministração da Palavra e não de homens que apenas fazem uso de conselhos de psicólogos místicos e esotéricos. Precisa-se de pastores! Homens que lutem por uma integridade vocacional, que resistem aos mode- los e tentações do “mercado gospel” atual, que pos- suam características essenciais da verdadeira vocação pastoral. Precisa-se de pastores! Homens cuja vocação é orientada pela Palavra de Deus. Sacerdotes que usam a Bíblia como lâmpada para os pés e luz para o caminho.xli
  80. 80. 82 Precisa-se de pastores! Homens que não transfor- mem a vocação em carreira profissional, que pelejem por uma fé sincera, relevante e verdadeira. Precisa-se de pastores! Homens que não façam uso da “máscara” da hipocrisia, mas, que expressem uma humanidade verdadeira e uma espiritualidade sincera. Precisa-se de pastores! Homens cujo intuito maior é o Reino de Deus, o processo histórico da redenção e a glória do nome de Cristo, e não os seus projetos de vida particulares. Precisa-se de pastores! Homens que verdadeira- mente sejam rendidos a Deus e não subjugados por sistemas inescrupulosos. Precisa-se de pastores! Homens como Abel, que possam oferecer o melhor para Deus, um sacrifício aceitável e não homens amantes de si mesmos que buscam o melhor para si. Precisa-se de pastores! Homens como Enoque, que estejam dispostos a andarem literalmente com Deus. E que andar fala de conhecer, ter intimidade e relacio- namento e não apenas ostentar um anel de bacharel ou um título em divindade. Precisa-se de pastores! Homens como José, que possuem uma visão administrativa de um todo, que saibam poupar com temor na época das vacas gordas, para administrarem com segurança e a favor do Rei- no, no período das vacas magras.
  81. 81. 83 Precisa-se de pastores! Homens como Moisés, que saibam supervalorizar o essencial e não negociar aquilo que é inegociável, pois, ao contrário do que diz o dito popular, nem tudo tem o seu preço! Precisa-se de pastores! Homens como Samuel, que após envelhecerem e dedicarem toda uma vida ao ministério possam chegar tranquilamente diante de todos e com paz de consciência perguntar: “A quem defraudei? A quem tenho oprimido e cuja mão tenho tomado presente e com ele encobri os meus olhos?”xlii Precisa-se de pastores! Homens como o profeta Micaías, que são conhecidos por pregarem a Verdade e ao contrário dos “animadores de auditório” trans- mitem não o que o povo e a liderança querem ouvir, mas, aquilo que Deus quer transmitir.xliii Precisa-se de pastores! Homens como Daniel, que sejam firmes e constantes e que proponham sempre em seus corações não se contaminarem com as coisas deste mundo. Precisa-se de pastores! Homens como João Batista, que saibam que além de profetas, são críticos sociais, portanto, mesmo que seja necessário perder a cabeça, nunca se pode abrir mão dos absolutos de Deus. Precisa-se de pastores! Homens como Paulo, com consciência cristã, que sabem que não podem ser pe- sados para os irmãos. Homens que aprendam a estar contentes com o que têm.
  82. 82. 84 Precisa-se de pastores! Homens com vidas irrepre- ensíveis, maridos fiéis que abominam a prostituição e fogem apressadamente do adultério. Precisa-se de pastores! Homens vigilantes, só- brios, honestos, hospitaleiros, aptos para ensinar, não espancadores, não cobiçosos de torpe ganância. Precisa-se de pastores! Homens moderados, não contenciosos, não avarentos, que governem bem a sua própria casa e possuem os filhos em sujeição, com toda a modéstia. Precisa-se de pastores! Homens que tenham bom testemunho, para que não caiam em afronta e no laço do diabo. Precisa-se de pastores! Homens como Tito, cuja missão é colocar em ordem o que está em desordem e tapar a boca daqueles que transtornam casas inteiras, ensinando o que não convém por torpe ganância.xliv Precisa-se de pastores! Homens que estejam mais dispostos a visitarem as ovelhas, do que fazerem ex- cursões “religiosas”. Homens que se preocupem mais com as viúvas, do que em trocarem de carro todo ano. Precisa-se de pastores! Homens como Jesus, que estejam dispostos a darem a vida pelo rebanho em vez de explorarem o mesmo. Precisa-se de pastores!
  83. 83. 85 C o n f i s s ã o 1 1 Gospel ou protestante? Eis a questão! Rótulos, rótulos e mais rótulos! Sem dúvidas, mesmo sabendo que rótulos podem não ex- pressar com exatidão a veracidade de algo ou de alguém, não há como negar que eles fazem parte da nossa história e do nosso cotidiano. Como homem casado e tendo um filho, sou rotulado de marido, companheiro, cônjuge e pai. Já no âmbito religioso, pelas múltiplas funções que exerço, recebo também os rótulos de ministro do Evangelho, pregador, pa- lestrante, conferencista, pastor e escritor, portanto, rótulos não me faltam. Na atualidade, principalmente na esfera religio- sa, não há como negar a importância exacerbada que muitas pessoas têm dado aos rótulos. Principalmen- te após a década de 70, com o surgimento do ne- opentecostalismo, passamos a ouvir rótulos inima- gináveis até então do tipo apóstolo e paipóstolo! E hoje, desgraçadamente no momento em que escrevo
  84. 84. 86 estas linhas, estou testemunhando o aparecimento de uma nova onda: a dos patriarcas...! Recentemen- te recebi um telefonema e após dizer pronto, fiquei entalado ao ouvir: - Aqui é o patriarca fulano de tal! Sobre estes novos rótulos, utilizados principal- mente pelos neopentecostais, o pastor Ricardo Gon- dim, registrou: Ultimamente, fazem-se piadas dos títulos que os líde- res estão conferindo a si próprios. É que está havendo volúpia em pastores se promoverem a bispos e após- tolos. Numa reunião (diz a anedota) um perguntou ao outro: “Você já é apóstolo?” O outro teria respondido: “Não e nem quero. Meu desejo agora é ser semideus. Apóstolo está virando arroz de festa e meu ministério é tão especial que somente o título de semideus cabe a mim.” Um outro chiste que corre entre os pastores é que se no livro do Apocalipse o anjo da igreja é um pastor, logo, aquele que desenvolve um ministério apostólico seria um “arcanjo”. Em algumas ministrações que tenho feito Brasil afora, tenho enfatizado o cuidado que temos que to- mar com certos rótulos, pois, alguns nada têm a ver com o “produto”. E para exemplificar esta minha afir- mação, explico que se tirarmos o rótulo de uma Coca Cola e o colocarmos em outro refrigerante qualquer; este, não se transformará em Coca Cola só porque passou a ter o rótulo da Coca Cola.
  85. 85. 87 Assevero, sem medo de errar, que o mesmo vale para as questões de cunho religioso, explico: Nem todo marido é companheiro, no sentido exato da palavra e nem toda mulher é adjutora! Nem todo aquele que se diz cristão é cristão! É interessante, portanto, refle- tirmos no que Jesus ensinou sobre os pseudo-rótulos: “Portanto, pelos seus frutos os conhecereis. Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.”xlv Sobre a relevância ou não dos rótulos, o escritor e teólogo alemão Hans Kung, ao comentar sobre a di- ferença do cristianismo de “fachada” e o verdadeiro cristianismo, brilhantemente indagou e ponderou:xlvi “Sem dúvida, há tanta coisa que é hoje chamada cris- tã: grupos, escolas, associações, partidos, igrejas...! Mas será que tudo isso pode ser considerado cristão pelo fato de ter “cristão” no nome? Não posso nem devo deixar de lado os questionamentos críticos, sobretudo às igrejas cristãs. Mesmo aquele que se professa mem- bro de uma igreja cristã – e eu o professo com plena convicção – não haveria de afirmar que tudo quanto os detentores institucionais do cristianismo defendem seja cristão, ou mesmo especificamente cristão.” Falando em cristianismo, todo fiel e cauteloso leitor da Bíblia, sabe que o nosso Senhor e Mestre nunca rotu- lou ninguém de crente, católico, evangélico, protestan- te ou gospel. Aliás, Cristo não rotulou ninguém nem
  86. 86. 88 mesmo de cristão. Na verdade, Cristo ao se referir aos Seus seguidores, utilizou apenas um rótulo: DISCÍPU- LO. “Jesus dizia, pois, aos judeus que criam Nele: Se vós per- manecerdes na minha Palavra, verdadeiramente sereis meus discípulos.” É interessante observar que Cristo não disse se vocês permanecerem na minha Palavra serão cris- tãos, crentes, católicos, evangélicos, protestantes ou gospel. Entretanto, Ele afirmou: Serão meus discí- pulos! E mais tarde após a Sua ressurreição, Ele or- denouxlvii : “Portanto ide, fazei discípulos de todas as nações...” Ser um autêntico discípulo de Cristo é ser muito mais do que crente, católico, evangélico, protestante ou gospel. Ser um autêntico discípulo de Cristo é seguir prontamente e fielmente o único Caminho. É fazer com que os pensamentos de Cristo sejam os seus pensamen- tos. É fazer com que os princípios do Mestre sejam os seus princípios. É morrer para o mundo e assim como Paulo vociferarxlviii : “Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a Si mesmo por mim.” Para ser um autêntico dis- cípulo de Cristo é necessário olhar para Ele e dizerxlix : “Eu quero que os Teus ensinos me penetrem, tome con- ta das minhas emoções, dos meus pensamentos, das minhas reações, e, sobretudo das minhas decisões de escolher o que Tu chamas vida...”
  87. 87. 89 Cristo não rotulou os Seus seguidores de outra coisa, a não ser discípulo. Acredito piamente que não podemos desconsiderar o valor bíblico, teológico e histórico de alguns termos, que ao longo da história da igreja foram utilizados para designar os seguidores de Cristo. Vejamos: O primeiro termo aplicado pelos não cristãos, como uma espécie de apelido aos primeiros seguidores de Jesus foi “Cristãos”. Sendo que a palavra foi empregada pela pri- meira vez na cidade de Antioquia. Conforme registrou o evangelista Lucas: “Em Antioquia, foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos”. É interessante obser- var que os discípulos foram “designados”, ou seja, não foram eles que cunharam este termo. Eles não conferiram a si pró- prios este rótulo, antes, foram rotulados pelos não cristãos. No Novo Testamento este rótulo aplicado aos se- guidores aparece por mais duas vezes, sendo mais uma no livro de Atos e a última na primeira epísto- la de Pedro. Veja respectivamente: “E disse Agripa a Paulo: Por pouco me queres persuadir a que me faça cristão!”, “Mas, se padece como cristão, não se enver- gonhe; antes, glorifique a Deus nesta parte.”L Pela história, entendemos que o rótulo “cristão” passou a ser muito mais aplicado na época do impe- rador Constantino, apesar da fé cristã ter iniciado com a pessoa e com os ensinamentos de Jesus, o Cristo. É preciso deixar claro e para isso vou usar as palavras do reverendo Caio Fábio:
  88. 88. 90 “Não foi Jesus que fundou o cristianismo! Foi um impe- rador romano. Jesus nunca fundou religião. Ele ensinou o caminho, a verdade e a vida! Ele ensinou e ensina o Evangelho. Ele nos ensina a absorver... a nos fundirmos Nele, numa relação pessoal... As pessoas se converteram na época do imperador Constantino, porque era um bom negócio! O imperador resolveu ungir todos os bis- pos cristãos, até então pobretões perseguidos, com uma capilaridade enorme no império e com finalidade de usá-los como força política para Roma. Enriquecendo- -os da noite para o dia e em menos de 40 anos, aquela fé original em Jesus estava toda corrompida. De lá para cá, o que assistimos foi à história dos dissabores praticados em nome de Jesus. As pessoas se “convertiam” para pa- gar menos impostos, “convertiam” para não serem per- seguidas pela religião oficial do império: o cristianismo ou se “convertiam” porque era mais vantajoso, do pon- to de vista da inclusão social. Vinham para dentro da religião cristã com todos os seus mitos, crenças, deuses e com todo o panteão que anteriormente ela já possuía. Ungiam esses ídolos no nome de Jesus e ficavam debai- xo de um tacame cada vez mais opressivo, de hierar- quias religiosas, de cardeais que foram inventados, de bispos que viraram seres super-poderosos, de sacerdo- tes dominadores, de teólogos com surtos...” Portanto, podemos afirmar que o Cristianismo perdeu a sua beleza e seu verdadeiro significado quando se tornou a religião do império.
  89. 89. 91 O segundo rótulo aplicado aos seguidores de Cristo: “Católico”, foi usado pela primeira vez por Inácio de Antioquia, conhecido na história como um dos discípulos do apóstolo João. Em uma de suas fa- mosas frases ele verberou: “Onde estiver Jesus Cristo, ali está a Igreja Católica” e foi a partir desta frase e mais precisamente no final do século II d.C. que o ró- tulo “católico” que significa “universal” ganhou for- ça, tornando-se sinônimo de ortodoxo, permanecendo por longos e duradouros séculos. Todavia, no século XVI com o movimento chamado Reforma Protestante, o rótulo católico passou a designar apenas os fiéis que aderiram ao papado.Li Já o terceiro rótulo usado para aludir alguns segui- dores de Cristo que fizeram oposição à Igreja Católica Romana no século XVI e provocaram o seu grande e sério cisma, foi o termo “Protestante”. No meu livro “Memórias Póstumas dos Protestantes”, lançado no ano de 2010, registrei que este rótulo quando usado na sua forma prosaica, denota o sentido de perturbador, agitador, fomentador, provocador, etc. Entretanto, não há como desconsiderar o embasamento histórico e te- ológico que há por “trás” deste adjetivo.Lii Em suma, “o termo protestante vem do documen- to formal de protesto - Protestatio - que os luteranos apresentaram em assembléia no ano de 1529, mani- festando a sua oposição à política religiosa adotada pela Igreja Católica.”Liii Com o passar dos séculos, principalmente no Brasil, os “seguidores” de Jesus
  90. 90. 92 passaram a ser designados por novos e interessantes rótulos, dentre eles destaco: “crente” (aquele que crê), “evangélico” (seguidor ou anunciador do Evangelho) e gospel. Quem me conhece ou já ouviu alguns de meus ser- mões, sabe que tenho certa indisposição e porque não dizer uma aversão ao rótulo gospel. Em inúmeras mi- nistrações e principalmente na internet, sempre dei- xei claro que NÃO sou gospel! Contudo, antes de ser “bombardeado” e taxado novamente de radical, propo- nho-me a explicar o porquê de tanta repugnância com esta designação e o porquê que dentre todos os rótu- los, o meu preferido é protestante e dele não abro mão. Não sou gospel, sou protestante! Porque gospel é uma palavra americanizada e para falar a verdade, a igreja brasileira já sofreu demais com a teologia enlatada e fraca de alguns americanos. Teologia principalmente da autoajuda que não fede e nem cheira, que não dimi- nui e nem acrescenta. Teologia de macarrão instantâneo. Não sou gospel, sou protestante! Porque gospel soa aos meus ouvidos como um cristianismo “light” e “diet”, entrementes, raso, minguado, fraco e sem con- sistência. Não sou gospel, sou protestante! Porque gospel é um “cristão” superficial, neófito, doente teologica- mente e acima de tudo “alicerçado” sobre a areia. Por- tanto, não consegue resistir às tempestades, às chuvas, às inundações e nem está preparado para o dia mal.
  91. 91. 93 Não sou gospel, sou protestante! Porque gos- pel é um “cristão” absorvido pelo caldeirão cultural supersticioso e neopentecostal, ou seja, ser gospel é substituir O SOLA FIDE (Somente a fé) por galhos de arruda, sal grosso, sabonete ungido, água do rio Jor- dão, banho de descarrego e inúmeras crendices popu- lares sem nenhuma eficácia. Não sou gospel, sou protestante! Porque gospel é um “cristão” que desconhece e desvaloriza O SOLA GRATIA (Somente a Graça) e desgraçadamente acaba remendando o véu e optando por viver debaixo do jugo da lei e observando preceitos e doutrinas de homens.Liv Não sou gospel, sou protestante! Porque gospel é um “cristão” pós-moderno secularizado. É um religio- so cego pelo “deus” deste século. É uma vítima hip- notizada e abraçada pela jibóia do secularismo. É um religioso que acha que está tudo liberado, que nada tem problema e nada mais é pecado! É um desgraça- do, pois, abusa da Graça para viver no pecado, des- conhecendo tanto o questionamento quanto o posi- cionamento de Paulo em sua carta aos romanos: “Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça seja mais abundante? De modo nenhum! Nós que estamos mortos para o pecado, como viveremos ainda nele?”Lv Não sou gospel, sou protestante! Porque gospel é um “cristão” que dá o seu dízimo não por fé ou agra- decimento, mas, porque acha que os 10% é uma moe- da de barganha e o método mais eficaz de estar imune

×