Modulo 4 pibid

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Modulo 4 pibid

  1. 1. UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBAPRO-REITORIA DE ENSINO DE GRADUAÇÃOPROGRAMA INSTITUCIONAL DE BOLSAS DE INICIAÇÃO À DOCÊNCIAPIBID LETRASPROJETO:ClicCULTURA, LITERATURA E CRIATIVIDADE: DO ERUDITO AOPOPULARPROFESSORES:FLÁVIA KELLYANE MEDEIROS DA SILVAFLÁVIA OLIVEIRA LOPESGABRIELA SANTANA DE OLIVEIRAPRISCILA DA SILVA SANTANA RODRIGUESMÓDULO 04: A “CrôniCa”ALUNO:___________________________________________________wwwprojetoclicraul.blogspot.com
  2. 2. ♪♪Salão de Beleza ♪♪Zeca BaleiroSe ela se penteiaEu não sei!Se ela usa maquilagemEu não sei!Se aquela mulher vaidosaEu não sei!Eu não sei!Eu não sei!...Vem você me dizerQue vai num salão de belezaFazer permanenteMassagem, rinsagem, reflexoE outras "cositas más"...(2x)Oh! Baby você não precisaDe um salão de belezaHá menos belezaNum salão de belezaA sua beleza é bem maiorDo que qualquer belezaDe qualquer salão...Baby você não precisaDe um salão de belezaHá menos belezaNum salão de belezaA sua beleza é bem maiorDo que qualquer belezaDe qualquer salão...Mundo velhoE decadente mundoAinda não aprendeuA admirar a belezaA verdadeira belezaA beleza que põe mesaE que deita na camaA beleza de quem comeA beleza de quem amaA beleza do erroPuro do enganoDa imperfeição...Vem você me dizerQue vai num salão de belezaFazer permanenteMassagem, rinsagem, reflexoE outras "cositas más"...Baby você não precisaDe um salão de belezaHá menos belezaNum salão de belezaA sua beleza é bem maiorDo que qualquer belezaDe qualquer salão...(2x)Mundo velhoE decadente mundoAinda não aprendeuA admirar a belezaA verdadeira belezaA beleza que põe mesaE que deita na camaA beleza de quem comeA beleza de quem amaA beleza do erroPuro do enganoDa imperfeição...Belle! Belle!Como Linda EvangelistaLinda! Linda!Como Isabelle Adjani...(3x)Veja como vem!Veja bem!Veja como vemVai! Vai!Vem! Veja bem!Como vai! Vem!Veja como vai!Veja bem!Veja bem como vem!Vai! Vem!Se ela vai também!Aí! Bela MorenaAí! Morena BelaQuem foi que te fez tão formosa?És mais linda que a rosaDebruçada na janela...(2x)
  3. 3. Beleza e felicidade: eterno paradoxoQuem nunca ouviu os velhos ditados populares: ―Dinheiro não traz felicidade‖,―Quem ama o feio, bonito lhe parece‖. Mas um se sobrepõe, cunhado e imortalizado porVinicius de Moraes: ―As feias que me perdoem, mas beleza é fundamental‖. Nãopodemos negar que quem possui beleza é mais confiante e seguro de si mesmo, eautoconfiança e segurança são coisas essenciais para o sucesso em todas as esferas dasociedade. Tanto para feios, quanto para bonitos.Felicidade é, a grosso modo, uma gama de emoções e sentimentos que vai docontentamento ou satisfação até a alegria intensa ou ao júbilo. Significa, ainda, bem-estarou paz interna. Em linguagem comum, quando se diz ―estou feliz‖, está-se a utilizar oprimeiro significado – o de emoção. Enquanto que se se diz ―sou feliz‖, está-se a utilizar osignificado de bem-estar. Aliar dinheiro afelicidade até que faz sentido, guardadas as devidasressalvas. Mas beleza é sinônimo de felicidade?Seriam as pessoas belas, as mais felizesSegundo os psicólogos Ed Diener e DavidMyer, citados por Nancy Etcoff, autora do livro ALei do Mais Belo, a felicidade tem mais a ver comqualidades pessoais, tais como otimismo, senso decontrole pessoal, autoestima, capacidade detolerar a frustração e sentimentos de conforto eafeição pelas pessoas, do que com aparência oudinheiro. É da natureza humana ajustar asexpectativas conforme as circunstâncias – quantomais temos, mais queremos, na medida em queestamos sempre nos comparando com pessoasque têm mais. ―O desejo é insaciável‖.Todos experimentamos o belo. E isso se faz tão peculiar. Mas é fácil explicar oporquê de encontrarmos beleza em um ser e, em outro, não? Nancy Etcoff diz no livroque ―é difícil pôr em palavras porque certos pares de olhos ou uma determinada bocanos comovem e outros não. Até mesmo para os poetas, muitas vezes, isso ultrapassa alinguagem. Olhando para o objeto de beleza, enfrentamos séculos de luta para capturar aessência da beleza‖.Desde antes do filósofo Sócrates, o binômio beleza/felicidade é pensado.Principalmente pela inexatidão de uma concepção única de belo. Pode-se dizer que beloé o simétrico. Mas o conceito de ser simétrico dos gregos pré e pós-socráticos é o mesmodo século 21?O ser belo é feliz em plenitude? Existe uma ideia de belo que só nósconhecemos. E que nos une. Vivemos e sonhamos a partir dessas representações deperfeição. O belo representativo, que alimenta a indústria do desejo. O belo que é feliz e,ao mesmo tempo, tão triste. O belo que é perfeito e, ao mesmo tempo, tão imperfeito.Tão divino e tão pecador. Tão seu, tão nosso. Que pertence a todos e, talvez, a ninguém.ODILON CONCEIÇÃO CUTI
  4. 4. BelíssimasJá li muitos comentários positivos a respeito de Belíssima. O que ainda não li foicomentários a respeito da abertura da novela. Ou talvez tenha me escapado.O tema da abertura: a beleza feminina. A música: Você é linda, de CaetanoVeloso. Tinha tudo para ser um festival de bom gosto, no entanto, há controvérsias. Senão há eu estou inaugurando uma.A modelo que aparece de maiô, sabe-se que tem um rosto perfeito: pena quepouco apareça. Em evidência apenas aquele amontoado de ossos. Coxas quase da mesmaespessura dos tornozelos e braços que mais parecem gravetos. Entre a pele e as costelas,onde foi parar o recheio?Pode ter sido apenas um problema de iluminação ou de recorte, mas o resultadoque nos é mostrado há meses, todas as noites, é oraquitismo como sinônimo de perfeição estética.Hoje é o Dia Internacional da Mulher, que naprática não ajuda a mudar muita coisa, mas ao menosserve para reflexões, debates e crônicas temáticas. Oque valeria a pena discutir hoje? Proponho um assuntosem relevância política, mas igualmente importante: orecheio. Tudo o que temos retirado de nós, tudo o quetem sido lipoaspirado de nossas vidas.Já fomos mais silenciosas. Mas, ao ganhar odireito à voz, nos tornamos mulheres aflitas, que não sepermitem um momento de quietude. Falamos, falamos,falamos compulsivamente, como se fosse contra-indicado guarda-se um pouco, como seo silêncio pudesse nos incharJá sofremos com mais pudor. Hoje nossas deprês são extravasadas, distribuídas,ofertadas, viram capa de revista, como se a dor fosse uma inimiga a ser despejada, como eo sofrimento fosse algo venenoso e necessitasse de expulsão, como se não valesse a penaalimentar-se dele e através dele crescer.Já fomos mães mais atentas, que geravam por mais tempo, por bem mais do quenove meses. Levávamos os filhos por bem mais do que nove meses. Levávamos os filhosdentro de nossas vidas por longos anos. Hoje temos mais pressa em entregá-los para omundo, a responsabilidade pesa, e como peso é tudo que não queremos acabamos pornos aliviar dos compromissos severos de toda educação.Já fomos mais românticas. Hoje o sexo é mais importante, queima calorias,melhora a pele e não duvido que um coração vazio também ajude na hora de subir nabalança.Por um lado, conquistamos tanto, e, por outro, estamos nos esvaziando,queremos tudo rápido demais e abrindo mão do que a vida tem de melhor: o sabor, ogosto. Calma, meninas. Amor não engorda. Discrição não engorda. Reflexão nãoengorda. Não é preciso se agitar tanto, correr tanto, fala tanto, brigar tanto, nada disso éexercício aeróbico, é apenas tensão. Nesse ritmo, perderemos a beleza da feminilidade eacabaremos secas não só por fora, mas por dentro também.8 de Março de 2006.Martha Medeiros
  5. 5. VIDA E OBRA: Martha MedeirosMartha Medeiros (1961) é gaúcha de Porto Alegre, onde residedesde que nasceu. Fez sua carreira profissional na área dePropaganda e Publicidade, tenho trabalhado como redatora ediretora de criação em várias agências daquela cidade. Em1993, a literatura fez com que a autora, que nessa ocasião játinha publicado três livros, deixasse de lado essa carreira e semudasse para Santiago do Chile, onde ficou por oito mesesapenas escrevendo poesia. De volta ao Brasil, começou acolaborar com crônicas para o jornal Zero Hora, de PortoAlegre, onde até hoje mantém coluna no caderno ZH Donna,que circula aos domingos, e outra — às quartas-feiras — noSegundo Caderno. Escreve, também, uma coluna semanal parao sítio: Almas Gêmeas e colabora com a revista Época. Seu primeiro livro, Strip-Tease(1985), Editora Brasiliense - São Paulo foi o primeiro de seus trabalhos publicados.Seguiram-se Meia noite e um quarto (1987), Persona non grata (1991), De cara lavada(1995), Poesia Reunida (1998), Geração Bivolt (1995), Topless (1997) e Santiago doChile (1996). Seu livro de crônicas Trem-Bala (1999), já na 9a. edição, foi adaptado comsucesso para o teatro, sob direção de Irene Brietzke. A autora é casada e tem duas filhas.O Surgimento da Boneca BarbieBarbie é um brinquedo infantil, uma boneca muito popular, inventada em 9 demarço de 1959, é produzida pela Mattel, uma companhia de brinquedos fundada porElliot Handler com sede em El Segundo na Califórnia nos EUA, sendo o maiorfabricante de brinquedos do mundo. Dentre seus principais produtos estão: carrinhosHot Wheels & Matchbox, bonecas Barbie & Polly, bonecos Max Steel e jogos detabuleiro.A idéia de criação da boneca foi da esposa do fundador Ruth Handler, mãe detrês filhos: Ken, Bárbara e Skipper. Vendo sua filha Bárbara brincar com bonecas depapel que trocavam de roupa, teve a idéia de criar uma boneca que permitisse o mesmo.A história da boneca começa em meados de 1950. Deférias na Suíça, Ruth comprou uma boneca alemãchamada Lilli, bem torneada, bonita e moldada deplástico duro com sapatos e brincos . Seu cabelo eralongo e puxado para trás em um rabo de cavalo. Lilli éa boneca que inspiraria Ruth Handler para projetar aboneca Barbie.A boneca foi encomendada ao designer JackRyan, em 1958, e lançada oficialmente na Feira Anualde Brinquedos de Nova York. Associada à moda, tinhauma feição adulta, diferente das bonecas da época. Sua imagem sempre foi a de uma topmodel, símbolo de beleza refinada e juventude. Apresentada como uma modelo teenagervestida na última moda.
  6. 6. Loura, com um maiô listrado em preto e branco, Barbie nasceu com o corpo demanequim, longas pernas e cintura fina, as medidas perfeitas para os seus 29 cm dealtura. Ruth e Elliot deram o nome à nova boneca de Barbie, inspirados no nome de suaprópria filha Bárbara no diminutivo, e depois homenagearam os outros filhos fazendocom que a família da boneca crescesse, surgindo o namorado da Barbie o Ken, em 1960,e a irmã da boneca Skipper em 1963.Primeira Barbie, 1959:Percebemos claramente que a primeira Barbie possuía formas físicas diferentesdas bonecas existentes na época, com um estilo jovem caracterizado através de trajesousados, que incluíam um rabo-de-cavalo, maiô, óculos e salto alto, tudo em um corpoperfeito. A boneca representava o sonho de várias adolescentes no final da década de 50.Lorrayne Macedo Lima
  7. 7. Para ler e refletir:MÃESINHAComo é que você nunca me avisou que era tão difícil ser mãe? São quatro equinze da tarde, dia do aniversário de Luana, e neste instante ela está na sacada,esperando as amiguinhas chegarem para a festa. Eu queria ficar ali com ela , mas ela meimpediu ,quer ficar sozinha, criança também tem orgulho. Convidamos as meninas paraas quatro horas. Expliquei pra Luana que atrasos são normais, ela disse ―eu sei, mão, masno fundo está ansiosa para que chegue um logo. Sei como ela se sente sempre tive essemesmo medo, de que ninguém viesse ao meu aniversário, lembra/Acho que foi quando eu fiz 8. Não apareceu ninguém e eu confirmei que não eramesmo gostada. Mentira apareceu uma menina, não lembro mais o nome dela. Lisisane,Josiane? Ela nem era das colegas com quem eu me dava mais. A mãe dela deve te-laobrigado a ir. Eu sempre achei que tudo de bom que me acontecia era porque havia aordem de algum adulto por trás, nada era espontâneo e por afeto. Depois daquelafestinha e até hoje sempre acho que ninguém vai aparecer espontaneamente em minhavida. Eu adoraria que ao menos uma menininha viesse hoje. Nem está chovendo, mãe, aLuana não merece essa desilusão. Que criança mereceria? Dei uma parada na carta, fui láfalar com Luana, mas ela me mandou entrar, quer ficar sozinha na sacada, e que cadacarro que cruza na rua e não para na frente do prédio o coraçãozinho dela fica menor, eo meu também. Normalmente eu não atenderia o pedido desta pirralhinha e ficaria aolado dela ,mas entendo que quando a gente está sofrendo a melhor coisa é ficar só. Sãoquatro e vinte cinco e ainda não chegou ninguém. e não tenho a desculpa da chuva,quando chove a gente perdoa .está um dia lindo. Não chovia também, não é mãe, nosmeus 8 anos ,quando só veio uma amiga das vinte que foram convidadas? Não sei seeram vinte, mas era por aí.Mãe, to escrevendo em cima da mesa preparada com o bolo e os docinhos. ALuana apareceu agora e disse para eu sair daqui para as convidadas não me vejamescrevendo junto as balas. Sua neta ainda tem esperança e isso me mata eu também achoque virão duas ou três, mas todas, sem chance.Que infância insegura eu tive. Eu me olhava no espelho e me achava tão feia, evocê concordava, que perversa você era. Eu não sabia o que vestir, eu não sabia comoconversar com os outros, acho que só o que eu sabia era estudar. Só notas boas, vocêlembra? Só notas boas. Vivia para satisfazer você, e como sofria, pois eu não satisfazianada, não é´,mãe? O pai nem olhava, nem reparava minha existência, e você bem que seesforçava, mas eu não era a menininha dos seus sonhos. Eu queria ser aquelas meninasdos livros que você lia para mim. Você lia. Isso era bom.Quinze para as cinco, o que eu faço,mãe? Como consolarei a Luana/ umagarotinha especial ... Por que será que suas colegas não vieram? Deve estar havendo outrafesta de aniversario neste mesmo sábado, e Luana não foi chamada, só pode ser isso.Como é que você me consolava quando eu estava triste? Só recordo de você dizendo: ‗―Viu, quem mandou ser bicho –do –mato?Quem mandou ser caladona? Quem mandou vestir estes trapos?‖mãe, você medava a impressão de que só as obedientes tinham o direito de ser felizes . quem tivesseopinião própria estaria condenada a marginalidade. Por muito tempo eu acreditei quenão haveria jeito para mim. Foi com suas colaboração que eu custei tanto a me gostar.Você não fazia por mal mas fez.
  8. 8. Acabo de falar com Luana. só descrevendo a carinha dela para entender minhador. Ela acha que pode ser que tenha o aniversario de outra garota sim, uma com quemela não se dá muito, e que nasceu no mesmo mês que ela- mas é duro igual pra minhaquerida saber que as outras meninas preferiam ir na outra festa. O lado bonito de Luanaé que ela não me culpou em nenhum momento, não disse que comprei poucos doces oupoucos balões, ou que fui pão dura ao não alugar um salão de festas. Ela não me acusa.Eu também nunca me acuso de nada. Sempre foi assim entre nós.Mãe ainda agora chegou uma colega, uma miudinha bem educada, Rafaela,sempre simpatizei com esta menina. Ela ficou insegura ao entras no apartamento porquepercebeu que não havia nenhuma outra convidada, mas a mãe dela, gentil, disse para amenina ficar, que logo estariam reunidas. Rafaela entrou em nossa casa sem muitafelicidade no rosto, e Luana a recebeu com um carinho agradecido. Virou sua melhoramiga a partir desse momento. Viva a Rafaela, viva a Lisiane ou Josiane que também nãome deixou sozinha na minha festa de 8 anos, mas não adianta nada, não é mãe? Lá nofundo a gente sempre sabe que quando falta quorum, alguma coisa está errada, mesmoque não esteja.O que há de errado em não fazer tudo igual a outras pessoas? Eu escutei cocedizendo pra Luana, uma vez, que ela deveria se vestir como todo mundo. Exatamente ocontrario do que penso, acho uma gracinha ver Luana inventando moda, misturandoestampas, colocando enfeites engraçados no cabelo, ela é criativa, é alegre, gosta de sediferenciar, o que pode haver de nocivo nisso? As outras meninas vestidas como adultasvocê acha normal, não acha? Mãe às vezes você me irrita.Eu não vou deixar você tentar enquadrar minha filha como fez comigo. Eu nãovou deixar ela se transformar numa mulher insegura, que ficará eternamente grataquando alguém lhe fizer um elogio, só porque não os recebeu quando deveria. Você sabepor que casei com o Sergio? Por que ele me achava perfeita, apesar de todos os meusdefeitos. E por que ele foi o primeiro mãe, a não tentar me consertar, me corrigir, e entãome dei conta de que eu não tinha ideia do que era ser aceita. E amada.Nunca me senti amada por vocês. ―oh, que insanidade‖, você deve estarpensando. Tanto você fez por mim, tantos presentinhos, tanto carinho, tanta atenção...Pois eu não lembro disso. Não lembro de vocês me abraçando, não lembro de você ficarorgulhosa de mim por nada. Não havia um único dia em que você não me criticasse poralguma razão, por mais idiota que essa razão fosse. Você é a mulher mais egoísta que eujá conheci.Soa cinco e meia, Luana e Rafaela estão brincando no quarto, e eu estouchorando agora,de pena da minha filha,mas principalmente de raiva por agente ter quemendigar carinho para se sentir uma boa pessoa .Se ninguém nos telefona, se ninguémvem a nossa casa,se ninguém aceita nosso jeito , parece que agente não existe,parece queas coisas deram errado,e não deram.sou uma pessoa bacana ,forte e generosa,não deveriaprecisar que ninguém me aplaudisse , mas agente precisa dos outros , precisa que elesdemonstrem que nos admiram, mesmo que estejam fingindo. Luana é uma meninagordinha e daí? Não pode ter amigos? É pecado ser gorda? Você me culpa por eu nãoobrigá-la a fazer dieta, você deve estar feliz por não ter aparecido ninguém ―viu? Eu nãodisse? Essa menina vai ter dificuldade em se socializar‖. tái , a vida está lhe dando razão ,asabe –tudo está comprovando sua sabedoria ,é preciso seguir as regras ou estaremosbanidas ,mas eu não segui todas as suas regras e estar ótima.Não tenho coragem de chamar duas crianças para virem cantar parabéns. Eu nãovou conseguir olhar para a Luana, somos só nós três e mais a Aurora, que espera aordem para esquentar as salsichas. Luana quis convidar apenas colegas, nenhum dosprimos (ela os considera muito adultos e são mesmo), o que eu faço mãe? Acendo avelinha mesmo assim? Eu não vou conseguir cantar sozinha. Se ao menos o pai dela
  9. 9. estivesse aqui, se ao menos você estivesse aqui, eu não vou agüentar ver a cara dedecepção dela. A mesa posta, os pratinhos, os doces, que desperdício, que desilusão.Martha MedeirosPara ler e refletir:A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um caféjunto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever.A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito maisum ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendiaapenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto daconvivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico.Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de umacriança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção doessencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto overso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu últimopoema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olharfora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimasmesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, nacontenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinhade seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instaloutambém à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes decuriosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituiçãotradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo maisque matar a fomePasso a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retiroudo bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão umpedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamenteansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedidodo homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, areassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha aordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho -- um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatiaA negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinhoque o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai,mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa deplástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos,e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais oobserva além de mim.São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatiado bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Comoa um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força,apagando as chamas.Fernando Sabino
  10. 10. A Origem da crônicaNo Brasil a crônica surgiu há uns 150 anos, a partir do Romantismo e com odesenvolvimento da imprensa. No princípio era conhecida como folhetim e dizia respeitoa um artigo de rodapé que descrevia assuntos políticos, sociais, artísticos, literários, etc.Depois, foi se tornando um texto curto deixando de ter uma finalidade apenas deinformar e comentar e passa a apresentar os fatos do cotidiano de forma artística epessoal com uma linguagem mais poética. Entre os muitos escritores brasileiros que sedestacam como cronistas Machado de Assis, Olavo Bilac, França Júnior, ManuelBandeira, Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga, Fernando Sabino, PauloMendes Campos, Lourenço Diaféria, Luiz Fernando Veríssimo, Marcos Rey, e muitosoutros.A crônica é tida como um gênero híbrido, pois oscila entre a literatura e ojornalismo, mas possuem diferenças importantes entre si. A crônica jornalística épublicada em jornais e revistas e é delimitada pelo atual, já a crônica literária é publicadaem livros enfocando experiências do cotidiano de quem escreve e pode ser um textoficcional.Tipos de crônicaExistem vários tipos de crônicas como a: Crônica DescritivaOcorre quando uma crônica explora a caracterização de seres animados e inanimadosem um espaço. Crônica NarrativaBaseia-se numa história, fazendo-se parecer com o conto. Texto lírico (escrito de formapoética ou em prosa). Comprometido com fatos cotidianos ("banais", comuns). Crônica DissertativaOpinião explícita, com argumentos mais "sentimentalistas" do que "racionais" (em vez de"segundo o IBGE a mortalidade infantil aumenta no Brasil", seria "vejo mais uma vezesses pequenos seres não alimentarem sequer o corpo"). Crônica Narrativo-DescritivaÉ quando uma crônica além de descrever seres mostra fatos cotidianos ("banais",comuns).
  11. 11.  Crônica HumorísticaApresenta uma visão irônica ou cômica dos fatos apresentados. Crônica LíricaPossui uma linguagem poética e metafórica. Expressa o estado do espírito, as emoções docronista diante de um fato, de uma pessoa ou fenômeno. Crônica PoéticaApresenta versos poéticos em forma de crônica. Crônica JornalísticaApresentação de aspectos particulares de noticias ou fatos. Pode ser policial, esportiva,etc. Crônica HistóricaBaseada em fatos reais, ou fatos históricos.Características da crônicaA crônica é o resultado da visão pessoal e subjetiva do cronista ante um fatoqualquer, colhido no noticiário do jornal ou no cotidiano. Quase sempre explora ohumor; as vezes, diz as coisas mais sérias por meio de uma aparente conversa fiada;outras vezes, despretensiosamente, faz poesia da coisa mais banal e insignificante.Registrando o circunstancial do nosso cotidiano mais simples, com certo tom de humor,sensibilidade, ironia e crítica, o cronista com leveza, proporciona ao leitor uma visão maisabrangente sobre algum fato. Portanto: A crônica constitui-se de um texto curto e/ou apressado, redigido numalinguagem descompromissada, coloquial, simples, bem próxima do leitor; Ela apresenta poucas personagens e se inicia quando os fatos principais danarrativa estão por acontecer. Por essa razão, o espaço e o tempo da crônica nãoduram muito tempo; Relata de maneira artística e pessoal fatos que fazem parte do noticiário ou docotidiano; Tem por objetivo a diversão e a reflexão sobre a vida e os comportamentoshumanos; Pode conter os elementos da narrativa: fatos, personagens, tempo e lugar, sendoque estes últimos são limitados;
  12. 12.  Admite narrador em 1ª e 3ª pessoas; é comum também haver crônicas cujonarrador se ausenta, ou seja, o texto é estruturado no discurso direto de duas oumais personagens.Para ler e refletir:A mulher bananaNão sei se você já conhecia a Mulher Melancia e a Mulher Jaca. Eu só soube daexistência dessas criaturas na semana passada. São duas dançarinas de funk queganharam notoriedade por possuir quadris avantajados (respectivamente, 121cm uma,101cm a outra). Essa é toda a história, com começo, meio e fim.Tem também a Mulher Rodízio, forma bem-humorada que a onipresente PretaGil se autobatizou, justificando que ela tem carne pra todo mundo.Pois agora vou apresentar pra vocês a grande novidade desse mercado tão nutritivo: aMulher Banana.A Mulher Banana, se tivesse um quadril de 120cm, correria três horas por dianuma esteira. Se isso não adiantasse, correria para uma mesa de cirurgia a fim de tiraruns cinco bifes de cada lado, porque ela considera bundão uma coisa muito vulgar. Fariaisso por vaidade, pois acredita que, na prática, não faz a menor diferença para oshomens se a mulher tem 90cm ou 120cm. Eu avisei queela é banana.Essa questão da vulgaridade quase a deixa doente.Ela não se conforma de que a rafuagem ganhe tanto espaçona imprensa, incentivando um monte de menininhas atambém rebolarem no pátio da escola. Ela morre devergonha ao ver a mãe da Mulher Melancia dizer para umrepórter que sente muito orgulho de ter uma filha vitoriosa.Ela se pergunta: pelamordedeus, não existe ninguém praavisar essa gente que eles perderam o senso do ridículo? AMulher Banana é totalmente sem noção, coitada.A Mulher Banana não se dá conta de que há poucoassunto para muito espaço na mídia. Não há novidade quechegue para preencher tanto conteúdo de internet, tanta matéria de revista, tantoprograma de tevê, e é por isso que qualquer bizarrice vira notícia. Sem falar que, hojeem dia, tudo é cultura de massa, tudo é passível de análise para criarmos uma identidadenacional. Não, não, não pode ser!! Pode, Mulher Banana.A Mulher Banana, como o próprio nome diz, é ingênua, inocente, tolinha. Elaacredita que o discernimento nasceu para todos e que ser elegante vale mais do que serordinária. É boba, mesmo. Não no mercado das mulheres hortifrutigranjeiras, minhacara. Aliás, mercado ao qual você também pertence. Banana.A Mulher Banana ainda se choca com certas imagens, com certas fotos. Nãoque ela não acredite no que está bem diante do seu nariz (já sondei e não tem parentescoalgum com a Velhinha de Taubaté). Ela vê, ela sabe, ela está bem informada. Só quenão consegue tirar isso pra piada, não leva na boa, não passa batido: ela é tão bananaque se importa!!
  13. 13. Aviso desde já que a Mulher Banana não tem empresário, não posa para siteseróticos, não dá entrevistas e muito menos aceita sair de dentro de um bolo giganteusando só um tapa-sexo. Ela é banana. Vai morrer sem dinheiro, só é rica em potássio.E não pense que é movida à inveja. Se fosse, invejaria a bundinha da Gisele Bündchen,que também andou à mostra esta semana e tem um tamanho bem razoável. A MulherBanana, tadinha, ainda sonha com um padrão estético razoável e um comportamentosocial menos nanico. Não pode ser brasileira! Mas é, conheço-a como a mim mesma.MEDEIROS, Martha. A mulher banana. Disponível em: http://saltoalto-loira.blogspot.com.br/2010/03/mulher-banana-martha-medeiros.htmlde Maio de 2012.ATIVIDADEApós o sorteio realizado em sala, escreva seu texto de acordo com a numeraçãosorteada. Vale ressaltar que seu texto deve conter título e não fugir do que as propostasestão pedindo.»Proposta 1: (Coluna jornalística):Escreva sobre a ditadura da beleza e suasconseqüências para ser publicado em uma coluna de beleza de um famoso jornal. Tomecomo base o que foi visto e discutido em sala. Vale ressaltar que seu texto deverá serescrito na norma padrão da Língua Portuguesa.»Proposta 1:( Comprando a beleza no salão de beleza): Narre sobre sua ida ao salão debeleza para a abertura do Maior São João do Mundo. Para que sua produção fiquecriativa lembre-se de incluir personagens na sua história e detalhar o que aconteceu deforma coerente.Aluno(a):______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________
  14. 14. ______________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________________

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