O romantismo no brasil

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O romantismo no brasil

  1. 1. A poesia romântica desenvolveu-se aproximadamente entre as décadas de 1830 e 1870. Embora haja muitos pontos em comum entre os poetas, podemos separá-los em três grupos ou gerações, levando em conta os temas que predominaram em suas obras. Essa classificação não deve ser entendida de forma rígida, pois a inclusão de um poeta num grupo não significa que ele nunca tenha tratado de temas presentes em outros grupos. Trata-se, antes de tudo, de uma divisão didática que ajuda a explicar os temas predominantes das obras desses escritores.
  2. 2. O nacionalismo, a exaltação da natureza brasileira, a inspiração patriótica, a valorização do índio como legítimo representante dos primitivos senhores e habitantes da nossa terra, ao lado dos temas consagrados pelo Romantismo europeu, como a desilusão amorosa, a morte, a saudade constituem os temas principais da primeira geração de poetas, aquela que introduziu as ideias românticas no Brasil. E, dentre esses poetas, Gonçalves Dias é o mais importante.
  3. 3. Gonçalves Dias Gonçalves Dias é considerado o principal poeta indianista brasileiro, pois foi o único que conseguiu dar realmente uma dimensão poética ao tema do indígena. Focando o ponto de vista do índio, seus poemas cantaram suas dores, seus valores, humanizando-os. Como afirma Manuel Bandeira: Como poeta lírico-amoroso, cantou os temas consagrados pelo Romantismo: as dores do amor, a saudade, a natureza. Nessa linha temática, deixou alguns poemas que se tornaram famosos, como “Ainda uma vez – adeus!” ,”Como? és tu?” ,”Seus olhos”, “Como eu te amo”, entre outros.
  4. 4.  Não foi Gonçalves Dias o introdutor do índio na poesia brasileira; soube, todavia, como ninguém antes ou depois dele, insuflar vida no tema tão caro ao sentimento nacional da época. Idealizou-o, é verdade, não por desconhecimento da psicologia própria do índio, mas em parte por simpatia, em parte obedecendo aos cânones estéticos do tempo, sem prejuízo da emoção, que palpita, bela e convincente, em poemas como “I- Juca-Pirama”, “Marabá”. “Leito de folhas verde”, “O canto do Piaga”, “O canto do Tamoio”[..].
  5. 5. A tendência individualista e egocêntrica do Romantismo atingiu seu auge com os poetas da segunda geração, que escreveram nas décadas de 1840 e 1850. Esses poetas deixaram em segundo plano os temas nacionalistas e indianistas e mergulharam fundo em seu mundo interior, numa atitude bastante egocêntrica. Seus poemas expressam uma visão trágica da existência, um profundo desencanto pela vida, e “falam” constantemente de morte, solidão, tédio e melancolia, revelando clara influência dos poetas românticos europeus, principalmente dos ingleses Shelley e Byron e dos franceses Lamartine e Musset. Os melhores representantes dessa geração de poetas no Brasil são Álvares de Azevedo, Junqueira Freire, Casimiro de Abreu, Bernardo Guimarães e Laurindo Rabelo.
  6. 6. Álvares de Azevedo Manuel Antônio Álvares de Azevedo (1831 – 1852) é o nome mais importante da poesia ultrarromântica brasileira. Seus poemas falam constantemente do tédio da vida, do sentimento da morte e da frustração amorosa. Em seus versos, a mulher ora aparece como um anjo, pura e virginal, ora como uma figura fatal, sensual e envolvente. Nos dois casos, porém, é sempre inacessível ao eu lírico, que vive mergulhado numa triste solidão, sofrendo com as desilusões amorosas.
  7. 7. Além dos poemas, que foram reunidos no livro Lira dos vinte anos, Álvares de Azevedo deixou uma obra dramática, Macário, e uma obra em prosa, o livro de contos Noite na Taverna. Este último é uma obra única na literatura brasileira. Alguns jovens contam histórias macabras de paixão, morte, crime, perversão sexual e violência, num clima de sonho e delírio. Representa a realização em prosa das características que definem o Ultrarromantismo.
  8. 8. Casimiro de Abreu Casimiro de Abreu (1839 – 1860), com seu lirismo ingênuo e adolescente, sempre a falar das saudades da terra natal, da família, da infância, das ilusões do amor e das belezas na natureza brasileira, tornou-se um dos poetas mais populares do Brasil. Aliás, esse tom confessional e emotivo de sua poesia é claramente reconhecido pelo poeta, que escreve no prólogo de seu único livro publicado, As primaveras, alguns de seus poemas, como “Meus oito anos”, ficaram muito famosos e foram decorados por muitas gerações.
  9. 9. Junqueira Freire Junqueira Freire nasceu em Salvador, Bahia, em 1832. Aos 18 anos, levado por um forte desejo de se dedicar à vida religiosa, saiu de casa e ingressou no Mosteiro de São Bento, onde fez seus votos em 1852. Profundamente indeciso quanto à sua vocação religiosa, acabou ficando doente e passou algum tempo fora do mosteiro, mas não conseguiu restabelecer-se, falecendo em 1855. Deixou os livros Inspiração do claustro e Contradições poéticas.
  10. 10. Fagundes Varela Fagundes Varela (1841 – 1875) levou uma vida tumultuada e infeliz, marcada pelo vício da bebida, e encarnou na própria existência, assim como Byron, o modelo do poeta romântico. Explorou todos os temas característicos do Romantismo. Em sua obra bastante rica, o negro escravo tem maior destaque que o índio. Poemas sombrios, alimentados pela solidão, pelo desejo de morrer e pelo arrependimento por desperdiçar por desperdiçar a vida, além de outros temas consagrados pelo Ultrarromantismo, aproximam a sua produção literária da de Álvares de Azevedo. Descrições da natureza brasileira marcam também a sua poesia.
  11. 11. Seus poemas de cunho social e político inauguram uma tendência que seria desenvolvida por Castro Alves, de quem foi amigo. Deixou as seguintes obras poéticas: Noturnas, O estandarte auriverde, Vozes da América, Cantos e fantasias, Cantos meridionais, Cantos do ermo e da cidade, Anchieta ou O Evangelho nas Selvas, Cantos religiosos, Diário de Lázaro.
  12. 12. A poesia em forma de cruz é um curioso exemplo de experimentação de Fagundes Varela. Estrelas Singelas, Luzeiros Fagueiros, Esplêndidos orbes, que o mundo aclarais! Desertos e mares, --- florestas vivazes! Montanhas audazes que o céu topetais! Abismos Profundos! Cavernas Eternas! Extensos, Imensos Espaços A z u i s! Altares e tronos, Humildes e sábios, soberbos e grandes! Dobrai-vos ao vulto sublime da cruz! Só ela nos mostra da glória e caminho, Só ela nos fala das leis de – Jesus!
  13. 13. Sousândrade: um caso à parte Embora pertença cronologicamente á segunda geração de poetas românticos, a obra do maranhense Sousândrade (Joaquim de Sousa Andrade, 1833 – 1902) constitui um caso à parte no contexto do Romantismo no Brasil, visto que permaneceu praticamente desconhecida até pouco tempo, quando foi “redescoberta” por alguns críticos contemporâneos, principalmente pelos irmãos Augusto e Haroldo de Campos.
  14. 14. As experiências de vida de Sousândrade o diferenciavam muito dos outros poetas brasileiros, adolescentes fechados em seus pequenos mundos provincianos. Sousândrade não se limitou ao egocentrismo sentimental típico do mal do século. Republicano convicto e abolicionista, antecipou em seus versos a temática social que teria em Castro Alves seu representante mais famoso no Brasil. A obra mais importante de Sousândrade é o longo poema narrativo O guesa errante.
  15. 15. Castro Alves Antônio de Castro Alves (1847 – 1871) nasceu na Bahia. Foi um poeta do amor e das causas sociais. Expressou sua indignação contra as tiranias e denunciou a opressão do povo, concentrando-se principalmente no combate à escravidão. Muitos de seus poemas soavam como um vibrante clamor pela liberdade. Sua poética, por vezes, visava à persuasão.
  16. 16. Foi também o grande poeta do amor. Sua poesia é sensual, descrevendo a beleza e a sedução do corpo da mulher, num clima de erotismo e paixão que o diferencia dos outros poetas do Romantismo. Em seus versos predominavam antíteses, hipérboles e apóstrofes. Castro Alves servia-se de elementos da natureza, como montanhas, oceanos, tempestades e cachoeiras, para produzir imagens grandiosas.
  17. 17. O estilo declamatório desse poeta recebeu o nome de condoreirismo, palavra derivada de condor, um tipo de águia que sobrevoa os mais altos picos da cordilheira dos Andes. O poema “O navio negreiro” é o mais conhecido de sua produção abolicionista. Escreveu ainda os seguintes livros de poesia: Espumas flutuantes, A cachoeira de Paulo Afonso, Os escravos. Para o teatro, compôs o drama Gonzaga ou A revolução de Minas.

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