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Avaliação da aprendizagem na EJA em ambiente não presencial

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Artigo realizado por intermédio de pesquisa de campo realizada em um Núcleo de Educação de Jovens e Adultos não presencial localizado em Porto Alegre.

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Avaliação da aprendizagem na EJA em ambiente não presencial

  1. 1. 1 IDENTIDADES E SABERES NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS Daniela da Graça Stieh 1RESUMO:O presente artigo referente ao estágio supervisionado III com ênfase na gestão pedagógica na EJAarticula vivências e teoriza sobre a autonomia do sujeito, e a avaliação da aprendizagemdesenvolvida no Núcleo de Educação na EJA não presencial. Discute-se a existência de umaavaliação, onde o candidato/a é avaliado apenas por notas, a partir do estudo autônomo econhecimentos prévios já existentes. Problematizar uma avaliação por meio de notas questiona osprincípios do processo de aprendizagem daquele aluno/a. Será que este candidato/a está realmentecontribuindo para construção de seu conhecimento, ou somente está realizando provas para suaqualificação profissional. Estes questionamentos são reflexões construídas na prática de observaçãoparticipante, mediadas ao longo de conversas e registro de relatos das vivências e práticas dos/daseducadores/as no Núcleo, que provocaram inquietações. Pois, nesta proposta é o sujeito que transitaentre os módulos, ela não é processual, ela é eliminatória e excludente visando somente à aprovaçãoe a reprovação, ao final das etapas, caracterizadas pela aplicação de exames classificatórios,contradizendo o que diz o regimento do Núcleo que a avaliação da aprendizagem é emancipatória.No ambiente educativo não presencial, não há possibilidade de se fazer valer uma avaliaçãoemancipatória, pois o candidato/a não tem uma interação sistemática com o/a docente, sendo assima avaliação não é processo continuo, ela é classificatória. Buscar compreender os diferentesmomentos do processo de aprendizagem remete à qualificação da intervenção pedagógica de formaconstrutiva, evidenciando conflitos cognitivos, necessários à construção do pensamento autônomo. Palavras chave: Avaliação; aprendizagem; autonomia; qualificação profissional.1 Acadêmica da Disciplina de Prática de Pesquisa em Educação, do Curso de Pedagogia, do CentroUniversitário Metodista - IPA, turma PDS61. Orientadora: Professora Simone Dorneles, docente dadisciplina
  2. 2. 2INTRODUÇÃO O Núcleo Estadual de Educação de Jovens e Adultos – NEEJA é umestabelecimento de ensino destinado à oferta de exames supletivos fracionados, nostermos da Lei Nº 9394, de 20 de dezembro de 1996 e da resolução CEED nº 250, de10 de novembro de 1999. Para conferir os conhecimentos e habilidades adquiridos pelos candidatos/aspor meios formais ou informais, o NEEJA aplica exames supletivos globalizados e/ou fracionados, em nível de Ensino Fundamental e Médio, abrangendo todas asumas das disciplinas e áreas de conhecimento, oferecendo orientação para apreparação dos exames. Os Núcleos contemplam especificidades e rompem com a estruturatradicional curricular, por esse motivo o Parecer nº 11/2000, do CNE, afirma que aEJA é momento significativo de reconstruir experiências da vida ativa ressignificandoconhecimentos e etapas anteriores da escolarização articulando-os com os saberesescolares. Frente à demanda de jovens e adultos (que tem uma rotatividade de três milcandidatos/as por mês) que buscam a escolarização via exames supletivos, oNEEJA flexibiliza a apropria a proposta pedagógica às características, àsnecessidades e aos conhecimentos dos alunos/as candidatos/as, adquiridos a partirde vivências e do mundo do trabalho. O Núcleo é um espaço educativo para jovens e adultos, onde as atividades deapoio e os programas existentes podem e devem ter nova significação, pois jovens eadultos apresentam, experiências e saberes sociais que podem ser sistematizados. O currículo a ser cumprido para a conclusão dos níveis fundamental e médiodeva estar atento as diferentes realidades, integrando as áreas do conhecimento edesenvolvidos nas atividades de apoio (orientação) com visão de oferecer e facilitaros estudos para os candidatos/as. Desta forma, a aprendizagem e a avaliaçãodestes candidato/as favorece a autonomia do mesmo no processo de construção dosaber.
  3. 3. 31 AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM NA EJA EM AMBIENTE NÃO PRESENCIAL Uma das maiores defensoras e questionadoras sobre a avaliação é a autoraJussara Hoffmamm, que conceitua a avaliação como a tomada de consciência daprática avaliativa que sofremos em nossa trajetória de alunos/as e professores/as. Aautora se refere à tomada de consciência no sentido que não se reproduza,inconscientemente, a arbitrariedade e o autoritarismo do qual sempre contestamos. A importância da avaliação para o/a aluno/a é conhecer os resultados deseu desempenho e esforço, não só pela satisfação da aprendizagem, mas,especialmente, pelo significado que tem o conhecimento de suas capacidades parafuturas aprendizagens. As atividades avaliativas contribuem para o desenvolvimento intelectual,social e moral dos/as alunos/as. Através da análise dos resultados, o aluno tem maisuma oportunidade de aprendizagem. Estes momentos muitas vezes, são os maissignificativos para o aluno/a, pois ao enfrentar o desafio de ter que resolverdeterminados problemas sozinho, e verificar que não consegue, ele sente anecessidade de saber buscar soluções. É o caso do NEEJA Vicente Scherer, ondenão há aulas presenciais e o aluno/a que é chamado de candiodato/a faz, muitasvezes, a prova estudando autonomamente, verificando a não aprovação, tomaconsciência de que precisa de orientação por parte de um/a docente que estádisponível para tirar dúvidas. Do mesmo modo que o estudo autônomo proporcionacrescimento ao candidato/a em nível intelectual, também, as dimensões social emoral do seu desenvolvimento são influenciadas pelos seus sucessos e fracassos. Paulo Freire em seu livro Pedagogia da Autonomia afirma que: Com novas práticas pedagógicas que possibilitem a autonomia, o indivíduo integra-se, desenvolvendo a curiosidade e por sua vez chegando ao conhecimento. (FREIRE, 1996) A discussão sobre os resultados propicia um bom relacionamento entreprofessor/a candidato/a, visto que esta proximidade no Núcleo somente se efetivaatravés de encontros de orientação, favorecendo o desenvolvimento dasociabilidade, da autoconfiança, do respeito mútuo entre todos os participantes doprocesso. Estas atitudes favorecem o desenvolvimento da cognição, poispredispõem à aprendizagem.
  4. 4. 4 O/a aprendiz tem necessidade de conhecer suas possibilidade para podersituar-se em relação ao que está sendo proposto e buscar novos caminhos paraconstruir novas estruturas. Em relação a isso, Saul (1988, p.61) diz que: O compromisso principal da avaliação é o de fazer com que as pessoas direta ou indiretamente envolvidas em uma ação educacional escrevam a sua própria história e gerem as suas próprias alternativas de ação. Assim, a avaliação serve para os/as alunos/as como um instrumento dediagnóstico de sua situação, tendo em vista a definição de encaminhamentosadequados para sua aprendizagem. A importância da avaliação para o professor/a também é importante, pois osresultados dos seus alunos/as (candidatos/as no caso do NEEJA) poderão contribuirpara análise reflexiva, no sentido de avaliar a eficácia de seu desempenho. A partirdesses resultados, o professor tem a possibilidade de melhor sua compreensão dasformas de aprendizagem dos/as alunos/as e do processo de ensino e aprendizagem. A seguir segue um relato registrado e sistematizado a partir de um diálogocom uma professora do Núcleo de Educação de Jovens e Adultos e de CulturaPopular Cardeal Alfredo Vicente Scherer. Professora e bibliotecária do NEEJA J. L.de 50 anos diz que: “a avaliação para faz parte do processo, eu avalio meus alunos/as a todo instante. Com meus alunos da 4º série, por exemplo, não fazia provas osavaliava pela escrita, participação, comprometimento, vontade, motivação edesempenho. Tudo o que o aluno/a faz é avaliado não somente a partir de provas.Muitas vezes era mau vista na escola por ter essa concepção de avaliaçãoemancipatória, mas briguei bastante para que esta tal avaliação classificatóriamudasse. Gostaria que a avaliação aqui no NEEJA fosse de outra forma, mesmosendo um Núcleo não presencial, pois sou contra a reprovação se o aluno tem suaspotencialidades e se esforça, a escola ou Núcleos tem de fazer algo para aquelealuno/a ou candidato/a não reprove. Sei que é complicado, mas o sistema deveriamudar aqui no NEEJA, se tratando de adultos que trabalham as vezes quase dozehoras por dia e voltam a estudar para seu aprendizagem e se estimularem. Areprovação ao meu ver, vem a desestimular alguns sujeitos”. Tendo em vista este relato, registre-se que, as informações que o/aprofessor/a vai obtendo no decorrer do processo subsidiam-no a modificargradativamente seu parecer sobre o/a aluno/a candidato/a, em relação as suas
  5. 5. 5potencialidades e suas limitações, sem esquecer que cada estágio dedesenvolvimento e de conhecimentos dos indivíduos é provisório. Com base naanálise dessas informações e da conduta do aluno, é possível ao professor/aformular hipóteses sobre o próprio processo de ensino e aprendizagem e sobre asetapas de desenvolvimento de cada um dos/as alunos/as. A questão essencial não consiste em saber se o/a aluno/a deve receber estaou aquela nota, mas sim em desafiá-lo a encontrar a resposta correta ao problemaem questão. Conforme o relato da professora e a teorização, é importante avaliar,por exemplo, o texto do aluno/a, para conhecer a etapa de conhecimento linguísticoem que ele se encontra e planejar atividades que o induzam a avanços na produçãode seu conhecimento. Por outro lado, as atividades avaliativas auxiliarão o/aprofessor/a a identificar não só o que o/a aluno/a não sabe mas, principalmente oporquê de ele não saber quais são suas dificuldades. No NEEJA o/a aluno/a temacesso a orientações de escrita, mas tudo depende de sua autonomia para chegaraté essas orientações. O erro deve ser dimensionado e todas as situaçõesconvertidas em instrumento de melhoria e crescimento. A avaliação tem considerável importância na medida em que contribui para oaprofundamento dos aspectos mais relevantes, que serão enfocados com maiorênfase nas ações pedagógicas desenvolvidas, e, especialmente, nas discussõesdos resultados apresentados pelo aluno/a. Além disso, favorece a integração dosconteúdos trabalhados, possibilitando a análise das diferentes partes e a interligaçãoentre elas de forma a permitir a percepção conjunta do todo. Isso, por sua vez,favorece a aplicação do anteriormente aprendido a novas situações e permite atémesmo, as generalizações. Desta forma, a avaliação atingirá sua função didático-pedagógica de auxiliaro/a educando e o professor/a a verificar eficácia do processo ensino e aprendizagemquando for conduzida de acordo com seu verdadeiro significado.
  6. 6. 61.2 QUE TIPO DE AVALIAÇÃO É NECESSÁRIA Quando se percebe um número grande de professores/as utilizando açõescomo testar, observar, medir ou atribuir nota como se isso fosse avaliar, se podeentender o porquê dos questionamentos feitos por alguns professores/as sobre anecessidade e importância da avaliação. Avaliação só com essa concepção não énecessária e nem deveria ser feita. Segundo a avaliação necessária Castro (1992,p.13) diz: “a avaliação não deve ser vista como uma caça aos incompetentes mascomo uma busca de excelência pela organização escolar como um todo”. Aplicar um teste ou fazer uma observação são técnicas que podem serusadas pelo/a professor/a para colher informações sobre o atual estágio dedesenvolvimento dos/as alunos/as. Atribuir uma nota é apenas, expressar osresultados e não avaliar. A avaliação necessária é muito mais do que aplicar uma prova, fazer umaobservação ou atribuir uma nota. A avaliação necessária é aquela que consegueverificar como o/a aluno/a é capaz de se movimentar num campo de estudos eestimulá-lo, através de uma reflexão conjunta sobre o que ele/ela realizou, aencontrar os caminhos do seu próprio desenvolvimento. Segundo Luckesi (1988,p.52), “ a avaliação deve ser um instrumento auxiliarda aprendizagem e não um instrumento de aprovação ou reprovação de alunos”. Aavaliação deve ajudar tanto professor como o aluno a se auto-avaliarem e, emconjunto, encontrarem uma forma de prosseguir no processo, redirecionando,quando necessário, a caminhada. A avaliação parece, não ter cumprido suaverdadeira função de mecanismos a serviço da construção do melhor resultadopossível. A prática de avaliação exige uma mudança não somente nos instrumentos etécnicas aplicados para tal fim, mas também na postura de todos os elementosenvolvidos no processo ensino e aprendizagem. Conforme BOAVIDA et alii (1992,p.3): “a avaliação só tem sentido se for acompanhada por uma mudança de atitudes, por uma concepção diferente do que seja, por parte do professor e dos alunos, a avaliação. Isto é, qual a sua função, o que é que se lhe deve pedir, como devemos atuar, em suma, quais são os seus reais objetivos”.
  7. 7. 7 Para que ocorram mudanças significativas na educação é necessário ummelhor preparo do/a professor/a, não só quanto aos aspectos técnicos, mastambém, principalmente, quanto a uma conscientização maior em relação aocomprometimento com a proposta pedagógica institucional à qual está vinculado. Avaliar, no processo de ensino aprendizagem, só tem sentido na medida emque serve para o diagnóstico da execução do processo, em função dos resultadosque estão sendo buscados na ação educativa. A avaliação só é possível se forrealizada como elemento integrante do processo de construção do conhecimento,comprometida com o projeto pedagógico e com características que conduzam a umaavaliação eficaz. A avaliação, embora seja fundamental no processo de ensino eaprendizagem, constitui apenas um dos elementos desse processo. Por isso, não sepode falar na ação avaliativa sem uma referência ao processo de ensino eaprendizagem. A avaliação é um dos elementos do sistema constituído por esteprocesso. Portanto, é uma parte do todo, que recebe influência e é influenciadapelos demais elementos de forma dinâmica e interativa. Ao refletir e organizar aação pedagógica como um todo, deve-se refletir e organizar as ações de cada umadas partes deste todo, de forma que uma dependa da outra. A avaliação é um elemento que perpassa todo o processo, fazendo umainterligação entre os diferentes momentos da ação pedagógica. Para que o/aprofessor/a possa estabelecer seus objetivos e metas, ele tem de conhecer ascondições concretas de vida de seus alunos/as, saberes e valores necessitando,portanto, de informações anteriores ao processo, que servirão de subsídios parafazer um diagnóstico da real situação do grupo. Segundo LUCKESI (1982,P.2), “o exercício avaliativo não pode estardesvinculado do planejamento...” O planejamento também não pode estardesvinculado da avaliação, pois ele sempre deve iniciar fundamentado numdiagnóstico da situação e ser reformulado sempre que os resultados não foremsatisfatórios. Nesse exercício reflexivo e teórico identifica-se que um dos grandesproblemas da avaliação é sua desvinculação dos demais elementos do processo. Oprofessor/a desenvolve sua atividade pedagógica sem se preocupar com aavaliação. No entanto, a escola exige um resultado e ele passa a se preocupar coma avaliação apenas com a função de controle. Assim, a finalidade da avaliação fica
  8. 8. 8descaracterizada. Então se avalia para atribuir um resultado e o aluno estuda paraobter uma nota, que seria o caso do Núcleo de Educação de Jovens e Adultos. A conseqüência deste modo de avaliar é o temor que os/as estudantescandidatos/as ao NEEJA e alunos/as de instituições de ensino regular têm deavaliações. Pois, entende-se que quando a avaliação é feita apenas com função decontrole, são considerados somente os momentos avaliativos, representados por umteste, trabalhos em grupo ou individuais. Ou o/a professor/a lhe atribui um valorqualquer, sem uma fundamentação, sem que o aluno tenha a mínima idéia de comofoi avaliado. É evidente que no NEEJA, a avaliação é através de notas, por se tratarde um Núcleo onde o inscrito estuda usando sua autonomia e presta somente asprovas, mas entendo que poderia ser diferente. A valorização do entendimento dos/as aluno/as frente a algumas questões,por outros recursos pedagógicos que não somente uma prova para atribuir nota paracompletar os estudos. Tendo em vista que esses inscritos/as têm a suadisponibilidade uma orientação de um professor/a específico da área, mas vejo quepoderia ser mais dinâmico e todas estas orientações poderiam fazer parte doprocesso. Visto que, o perfil deste alunado são jovens e adultos trabalhadores quenão tem um tempo disponível para assistir aulas, e somente querem seu certificadoao final da totalidade. Nessa modalidade de ensino identifica-se que há alunos/as candidatos/asesforçados que dispõem da autonomia para estudar em casa para realização daprova. Muitas vezes, esse inscrito/a chega ao núcleo cansado depois de umajornada de trabalho pesada, e em alguns casos, não se concentra para a realizaçãodas provas. Ou seja, o processo de ensino poderia ser ampliado somando recursosdo universo do alunado, a fim de não reduzir a aprovação a um instrumento, mastambém valorizando outras situações didáticas que poderiam sem dúvida fazer partedo processo avaliativo. Assim, o/a professor/a não tem como conhecer o perfil de aluno/a que temem sala de aula, nas orientações pré prova. Sendo que fica difícil o mesmo fazerregistros dos desempenhos e/ou dificuldades de seus alunos/as, durante oprocesso, e desta forma não terá condições ao emitir um resultado para cada aluno/as. Nesta perspectiva a avaliação no NEEJA deveria mudar. Mas como? Onde?Como deve ser feito? Para estas perguntas neste momento não existem respostas,
  9. 9. 9mas registre-se a compreensão de que este processo deve passar por mudançasque contemplem um projeto diferenciado de ensino para o NEEJA. A avaliação realizada de forma desvinculada do processo, além de nãocumprir suas funções didático-pedagógicas e de diagnóstico, ainda pode cometerinjustiças, atribuindo resultados que não correspondem aos desempenhos dos/asalunos/as candidatos/as. Na elaboração dos objetivos, se faz necessário pensar nas formasavaliativas correspondentes às expectativas que o/a professor/a tem em relação aoalcance do aluno. Esse elo entre objetivo e avaliação é que determina o tipo deprocedimento que deve ter o/a professor/a na proposta de atividades que fará aoaluno/a. Sendo no Núcleo como o/a professor/a fará elaboração de objetivos para asformas avaliativas se somente o que está em questão é a reprovação e aprovação?Não há um processo continuo para que o mesmo acompanhe o desempenho doaluno/a candidato/a. Desta forma fica difícil até mesmo para o professor/a repensaruma avaliação processual. Um dos exemplos é que se o objetivo do/a professor/a é que o/a aluno/aaprenda o Hino Nacional e, especificamente, se o professor/a quer que o alunomemorize a letra do hino, ele vai trabalhar de uma forma. Mas se pretende que oaluno/a candidato/a interprete a letra do hino, ele terá que se valer de outroprocedimento e, conseqüentemente, avaliar de uma outra forma. Esta outra forma éo que falta no NEEJA. A maior preocupação do professor/a, ao desenvolver sua ação pedagógica,não deve ser com um ou outro elemento do processo de ensino aprendizagem, mascom questões mais amplas sobre a proposta pedagógica a que está vinculado. Essaproposta deve ser fruto das discussões da comunidade escolar como um todo,respondendo em conjunto a questões como: que escola temos? Que tipo deinstituição de ensino queremos? São necessárias mudanças? Que mudanças? Emque direção? Segundo GUARESCHI (1990, p.77): “tentar uma prática alternativa de avaliação virá, consequentemente, questionar todo o nosso modo de pensar e de agir, nossa consciência,
  10. 10. 10 nossa prática pedagógica e social, virá questionar a sociedade como um todo”. Através da avaliação, deve acontecer uma interação: primeiro, entreavaliando e avaliador, para repensar o papel de cada um e os passos seguintes dacaminhada; depois; entre a comunidade escolar como um todo, numa discussão quevai despertar a consciência crítica, dentro de um compromisso com a práxisdialética, em um projeto histórico de transformação. Propiciar a discussão com todaa comunidade não é uma decisão simples, mas é indispensável que sejaconcretizada, pois não se concebe uma ação pedagógica individualizada edescontextualizada. O papel das instituições regulares ou não, não deve ser entendida como umsomatório de interesses individuais ou corporativos, mas, como a dimensão políticaconcreta, da atuação integrada de todos os componentes da comunidade escolarque têm os mesmos interesses, em relação ao desenvolvimento de cada um deseus elementos e do grupo como um todo. Isso pressupõe capacidade profissionalem nível técnico-científico, não como saber acabado, mas sob controle daconsciência profissional e da vontade política dos sujeitos envolvidos que vãoproduzir o desenvolvimento através da prática e da reflexão. Sendo a avaliação um dos elementos do processo de ensino eaprendizagem, as mudanças na forma de desenvolvimento desse processoimplicam, necessariamente, mudanças nas formas da ação avaliativa. Do mesmomodo, as alterações no processo de avaliação poderão conduzir a umatransformação no processo de ensino. Conforme Ott et alii, (apud KRAHE, 1990, p.20), “o processo de avaliação é uma etapa de um processo mais amplo que inicia na sociedade, define o sistema educacional, se institucionaliza na escola e acontece em sala de aula. Neste sentido a avaliação da aprendizagem deve ser a avaliação do processo de ensino e aprendizagem, que, por sua vez, têm que ser contextualizados na escola entendidos na sociedade, que é o contexto mais global que se inclui”. No NEEJA não basta então mudar apenas os métodos e as técnicas ouinstrumentos de avaliação. As mudanças requerem alterações mais profundas, no
  11. 11. 11sentido de um retorno às raízes dos problemas e da busca das questões de fundo,tanto na avaliação como no processo de ensino e aprendizagem como um todo. Se o/a professor/a realizar a avaliação, sob a forma de acompanhamento daconstrução do conhecimento do/a aluno/a candidato/a ele/ela terá de desenvolver aação pedagógica de modo diferente, pois, deverá propor atividades alternativasdiversificadas sempre que constatar que alguma etapa não foi vencida por um ououtro aluno/a. Assim, as alterações no processo de avaliação poderão conduzir auma transformação no processo de ensino e o processo terá de mudar.
  12. 12. 12CONSIDERAÇÕES FINAIS A prática em gestão escolar oportunizou um olhar diferenciado para a questãoda avaliação que é o tema transversal neste artigo. A partir de vivências, relatos ediálogos registrados e sistematizados com professores/as do Núcleo, analisa-se quea avaliação neste espaço educativo precisa passar por uma reformulação,desafiando à mudança em um sentido mais amplo, onde o candidato/a possa fazerparte do processo. A avaliação é um elemento indispensável para a reorientação dos desviosocorridos durante o processo e para gerar novos desafios ao aprendiz. A avaliaçãonecessária é aquela feita de forma eficaz. Ela deve ser realizada individualmente,cada um fazendo sua própria reflexão e, em conjunto, por professor/a, aluno/a edemais envolvidos no processo, com a finalidade de avaliar as hipóteses levantadase de decidir sobre as providências necessárias. No NEEJA o tipo de avaliação queocorre é a classificatória, onde o aluno estuda com toda a sua autonomia, e prestauma prova onde é reprovado ou aprovado. Acredito que uma prova não poderámensurar o desempenho de tal aluno. Pois avaliar não é “medir”, “testar”... A avaliação, na perspectiva de construção do conhecimento, parte de duaspremissas básicas: confiança na possibilidade dos candidatos/as construírem suaspróprias verdades e valorização de suas manifestações e interesses, masinfelizmente não é isso que vejo no Núcleo A avaliação deve ser resultado de uma discussão de forma honesta e clara,entre todos os elementos envolvidos no processo. Nessa questão, a postura doprofessor/a é fundamental. O aluno deve se considerar, bem como perceber no/aprofessor/a, um dos elementos co-responsáveis pelos resultados obtidos noprocesso de ensino aprendizagem se for realizada com base num projetopedagógico amplo e de acordo com as normas técnicas exigidas pela cientificidadeda ação. Percebe-se, na finalização deste processo de aprendizagem construído noNEEJA que a compreensão de muitos/as professores/as é que “tudo pode sermedido”, sem se dar conta que muitas notas são atribuídas ao alunos/as candidatos/as arbitrariamente, ou seja, por critérios individuais, vagos e confusos, ou precisos
  13. 13. 13demais para situações didáticas tão complexas em ambiente educativo nãopresencial.REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICASBOAVIDA, João et alii. Avaliação formativa: uma função diferente. O professor. Nº25 (3 série Mar/Abr. Lisboa: Editorial Caminho S.A., 1992.CASTRO, C. M. E quem avalia os professores? Dois Pontos. Belo Horizonte, Vol II.Nº 13. agosto, 1992.FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: Saberes necessários a prática educativa.São Paulo, Paz e Terra, 1997.GUARESCHI, P. A. Avaliação esse mal necessário. Revista Psico. Porto Alegre:PUCRS, Nº 1, jan/junho, 1990.HOFFMANN, Jussara. Avaliação, desafio e mito: Uma perspectiva construtivista.Porto Alegre: Educação e Realidade, UFRGS, 1991.HOFFMANN, Jussara. Avaliação Mediadora. Educação e Realidade. Porto Alegre,1993.SAUL, A. M. Avaliação emancipatória. São Paulo: Cortez, 1988HOFFMANN, Jussara. Avaliação Mediadora. Educação e Realidade. Porto Alegre,1993.KRAHE, Elizabeth D. Avaliação escolar: pesquisa conscientizante. Dissertação deMestrado, Porto Alegre: UFRGS, 1990.LUCKESI, C. C. Avaliação Escola aberta. Curitiba: Jornal da Secretaria Municipal,Ano V, julho, 19822.LUCKESI, C. C. Equívocos teóricos na prática educacional. Estudos e Pesquisas.Rio de Janeiro: ABT, 1982.

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