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• Reflexo da ditadura

                                                                           • Quebrar as regras do
                                                                             bom comportamento da
                                                                             linguagem cinematográfico

Estilo de cinema que surgiu no Brasil     nova linguagem, de uma nova      • Vivência dos movimentos
logo depois do golpe militar e serviu     maneira, até subentendida, de      estudantil
como uma espécie de catarse quanto        se contar uma história.
à ditadura.                                                                • Desencanto com as
                                          É o artesanato do desespero,       revoluções
A figura do anti-herói, os tipos de-      sem grandes verbas ou pre-
sajustados, sempre a margem da so-        tensões, mas sim para dar        • Filhos da censura
ciedade, bandidos, loucos, cafetões,      continuidade à produção na-
prostitutas, idéias libertárias sob uma   cional. É o cinema de autor,     • Mas atenta ao cinema que
ótica nua e crua.                         que não se importa em utili-       estava fazendo
                                          zar clichês, metáforas, frases
O termo cinema marginal traduz um         feitas, e até o deboche maso-    • Subversão pela
pouco das várias vertentes de cine-       quista.                            transgressão
ma de autor. O underground, pessoal
e anti intelectualizado.                                                   • Personagens desajustado

Com o Cinema Udigrudi, parte-se                                            • Busca da antiestética
para a “esculhambação”, não a es-
culhambação no sentido pejorativo,                                         • Se espelhar no pior
mas como experimentação de uma
                                                                           • Postura nitidamente
                                                                             política e ideológica de
                                                                             uma geração
O Cinematropicalista,absorve
a influência
             Marginal
                      da
                                 Música popular, de Mário Reis
                                 à Tropicália, passando por Jimi
colagem, da “pop art” e do       Hendrix e o teatro de José
Kitsch, ou seja, toda a indús-   Celso Martinez Correa.
tria cultural que estava em      Câmera na mão e descon-
efervescência no momento.        tinuidade se alia a uma textura
E toda a crítica irônica do      mais áspera do preto-e-branco
bombardeamento da socie-         que expulsa a higiene industrial
dade pelos objetos de con-       da imagem e gera desconforto.
sumo e os signos estéticos
massificados da publicidade.     Os marginais assumem um
                                 papel profanador no espaço da
Estes autores subverteram a      cultura e recusam o discurso
prática cinematográfica re-      da esquerda, optando pela
alizada no Brasil, ao utilizar   agressão visual: sexo, luxúria,
em seus filmes, narrativas       violência e pobreza.
fragmentadas e uma estética
pouco refinada, influenciados
por filmes do diretor Jean-Luc
Godard, os neoexpressionis-
tas americanos do cinema B
e o deboche da Chanchada.
Os cineastas “malditos” produziam          A função é chocar, acordar as mas-
seus filmes em resposta ao ano de          sas, a burguesia, um compromisso
64, marcado por conturbado período         sócio-político e cultural.
de repressão político militar. Portanto,
muitos filmes eram censurados an-          As atitudes dos personagens são ex-
tes mesmo de irem para as salas de         tremamente exageradas, deformadas
exibição.                                  e caricatas.

É o universo das baixarias que consti-     A representação em seu limite da
tui a narrativa Marginal. As cenas de      origem a estilos marcantes e carac-
sofrimento corporal nos remetam ao         terísticos como a bicha, a madame,o
clima político, de torturas, época dos     machão, a prostituta, o burguês, que
anos e chumbo.                             são personagens típicos, de atitudes
                                           excessivas, movimentos rebuscados,
A representação do horror está rela-       figurino cafona, ditos populares emui-
cionada às torturas praticadas por         tas vezes em rima.
militares neste momento de ditadura
no Brasil.
A fragmentação narrativa seria o con-       A intenção do Cinema Marginal não
trário do que seria evolução da narrativa   era de contar uma ação elaborada em
clássica. A fragmentação das diferen-       história, não há preocupação espacial
tes histórias que compõem o enredo do       ou temporal, há a verticalização da ima-
filme.                                      gem.

Um questionamento a representação           :: Conclusão
clássica. Onde se reconhece a influên-      O Cinema Marginal aponta para o es-
cia do Cinema Novo no Cinema Mar-           tado de espírito de uma geração que
ginal.                                      decidiu fazer cinema. Propôs o choque,
                                            a ruptura perante a presença aterrori-
No Cinema Novo existia a necessi-           zante do inimigo prepotente e autoritário
dade de representar o universo social       que ameaçava a integridade física e
brasileiro. No Cinema Margnal, a narra-     intelectual.
tiva mergulha no universo ficcional fan-
tasista.
Super-8 (ou Super 8 mm) é    O formato Super-8 ainda
um formato cinematográfico   reserva uma área, no lado
desenvolvido nos anos 1960   oposto ao das perfurações,
e lançado no mercado em      onde uma pista magnética     Após o surgimento do
1965 pela Kodak, como um     permite a gravação           videocassete e de outras
aperfeiçoamento do antigo    sincronizada do som.         tecnologias de filmagem,
formato 8 mm, mantendo a                                  o super-oito passou a ser
mesma bitola.                O cinema marginal e          uma técnica ultrapassada.
                             as câmeras super-oito        Nos anos 70, porém,
O filme tem 8 milímetros     surgem nesse momento de      seu uso democrático e
de largura, exatamente       impasses.                    inventivo foi fundamental
o mesmo que o antigo                                      para a ampliação da
padrão 8 mm, e também        A nova câmera simbolizou o   prática cinematográfica
tem perfurações de apenas    grito de independência dos   e para a manutenção do
um lado, mas as suas         diretores sem recursos.      experimentalismo no cinema
perfurações são menores,                                  brasileiro.
permitindo um aumento
na área de exposição da
película, e portanto mais
qualidade de imagem.
Os filmes do cinema marginal não alcançaram o sucesso
conquistado pela chanchada. A maioria deles nem chegou
a ser exibida comercialmente, alguns só foram vistos em
sessões clandestinas.

O Brasil vivia sob o regime militar e tanto a imprensa
como as artes eram censuradas.

Como os censores não entendiam absolutamente nada
do que os filmes do “cinema marginal” estavam falando,
e para evitar que eles influenciassem o público, preferiam
proibi-los.

A carreira dos filmes estava pré-destinada ao circuito alter-
nativo ou aos festivais internacionais. Os filmes do cinema
marginal tornaram-se cult, estudados pelos pesquisadores
brasileiros e admirados pelos jovens universitários.

Para seus autores, as conseqüências dependiam do tipo
de filme produzido. Alguns buscaram a via do exílio volun-
tário, como Rogério Sganzerla, outros foram presos, como
Olney São Paulo, autor de Manhã cinzenta, que sofreu
torturas na prisão e um inquérito absurdo, justamente por
ter realizado uma obra política.
O cruel e sádico agente        Sem poupar esforços, Zé        padrões atuais, “À Meia-Noite...” foi
funerário Zé do Caixão é       do Caixão então espalha a      polêmico não apenas em desafiar os
temido e odiado pelos ha-      morte, a covardia e a desg-    dogmas cristãos. A violência explícita e
bitantes da cidadezinha        raça por onde passa, sem-      a falta de caráter do anti-herói protago-
onde mora. Numa ação de        pre em busca da perpetu-       nista eram características inéditas no
afronta aos religiosos, faz    ação de sua linhagem.          cinema nacional, até então.
questão de comer carne
numa Sexta-feira Santa e       Quanto à concepção vi-         Graças às seqüências em que Zé do
passear pelo cemitério du-     sual do Zé do Caixão,          Caixão devora um enorme pedaço de
rante a noite dos Mortos.      fica evidente a inspiração     carneiro numa Sexta-Feira Santa, o di-
                               do personagem clássico         retor atraiu a fúria dos grupos católicos
Zé é ainda obcecado em         Drácula. Entretanto, Mojica    brasileiros, que tentaram de toda forma
conseguir gerar o filho per-   acrescentou características    impedir que o filme fosse lançado.
feito que possa dar continu-   brasileiras. Inpirado também
idade ao seu sangue.           nos quadrinhos clássicos de    Além do prêmio pela originalidade rece-
Mas sua mulher não pode        horror, como nos “Contos       bido pela revista francesa L’Ecran Fan-
engravidar e o coveiro vê      da Cripta”.                    tastique, o longa foi vencedor da Pre-
na noiva de seu único ami-                                    miação Especial no Festival de Cinema
go a mulher ideal que tanto    Embora possa ser con-          Fantástico e de Terror de Sitges.
procura.                       siderado até sutil para os
Poucos filmes brasileiros são    desconstruindo os tiroteios,
alvo de um culto tão apaixo-     perseguições de carro e a
nado entre os cinéfilos como     figura do bem versus mal.
Bang bang. Uma obra conce-
bida sob o signo da irreverên-   Série de seqüências fecha-
cia e da liberdade               das em si próprias, sem liga-
                                 ção aparente com o que vem
Andrea Tonacci implode a         a seguir e freqüentemente
narrativa clássica em Bang       repetidas com leves alter-
bang, construindo seu filme      ações.
através de longos planos-
seqüência, que encantam pelo     Bang bang é um tiro mortal
insólito das situações, pelo     no coração dos acomodados
humor e pelo rigor da con-       e sem imaginação. Sua in-
strução. A trama, ou fiapo de    venção não tem limites, pro-
trama, acompanha um homem        vocando momentos da mais
perseguido por três bandidos     alta diversão.
pelas ruas de Belo Horizonte.
                                 A abordagem do filme é muito
A presença da câmera várias      mais urbana - mostra-se a
vezes é revelada ao espe-        classe média com ironias,
ctador, seja através do re-      sátiras, sem abandonar as
flexo em um espelho ou de        questões sociais e culturais,
um personagem chocando-se        mas ignorando a ética do
contra a lente.                  cinema novo para retratar a
                                 realidade de forma tosca e
Brinca e satiriza os elementos   debochada…
do filme americano, espe-
cialmente os filmes policiais,
Jorge, um assaltante de       Tecnicamente falando, o filme é
casas de luxo em São          apresentado por meio de diferen-
Paulo, apelidado pela im-     tes enquadramentos e angulações
prensa sensacionalista de     de câmera, planos rápidos e tril-
“Bandido da Luz Vermelha”,    has sonoras constantes.
desconcerta a polícia com
seu comportamento fora do     O protagonista não é mais um
comum.                        personagem sertanejo e sim um
                              homem urbano, aliás um homem
Além de usar uma lanterna     que vivia no submundo de São
vermelha, ele possui as       Paulo, um marginal.
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e faz fugas ousadas para      Os filmes marginais saem da
depois gastar o dinheiro      temática rural e vão começar a
roubado de maneira extrav-    falar da vida na cidade e toda a
agante.                       cultura de massa influenciada pela
                              tv que era febre neste
Com sua linguagem visual      momento no
revolucionária, O Bandido     Brasil.
da Luz Vermelha pode ser
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sição entre a estética do
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Não hesita em se apropriar       O filme oferece um retrato da
das referências da indústria     juventude brasileira que pro-
cultural para satirizá-las e     cura descobrir como agir (ou
construir uma obra critica e     não agir) em plena linha dura
inovadora.                       do regime militar.

Lula, protagonista de Me-        A ausência de sentido é o
teorango Kid, é um jovem de      próprio tema do filme. André
família de classe média alta     Luis Oliveira realiza um filme
que vaga sem causa alguma        de libertação total e contesta-
pelas ruas de Salvador.          ção a tudo, até mesmo à
                                 possibilidade de contestação.
Nessa trajetória ele cruzará
com várias figuras contes-       Também em diálogo com o
tatórias que desafiam as         tropicalismo e com a arte pop,
normas do sistema. Fantasia      o filme não hesita em antrop-
e realidade se misturam sem      ofagizar o “cinemão” america-
hierarquia e sem que o pú-       no e é recheado de citações
blico possa definir claramente   a heróis como Batman, Robin
onde começa uma e termina        e Tarzan.
a outra.
A idéia que se tinha de
atores marginais é de que        Helena Ignez
bastava pegar qualquer um        Falar do Cinema Marginal sem falar de
para atuar. Falsa impressão,     Helena Ignez seria o mesmo que ignorar
contestada à simples visão       a importância de Rogério Sganzerla ou
dos maiores atores dos           Júlio Bressane no movimento. Helena
filmes udigrudi.                 Ignez é um ícone do Cinema Marginal tão
                                 importante quanto os demais pioneiros
A se ver Helena Ignez, a se      do movimento.
ver Paulo Villaça, Paulo César
Pereio, Hugo Carvana ou          Helena Ignez criou um novo estilo de
Maria Gladys: é um domínio       atuar: debochado, extravagante, a violên-
completo de movimentos,          cia feminina. Antes de A mulher de todos,
seja pensados seja reflexos,     possivelmente, não havia um outro filme
que impressiona pela expres-     que apresentasse com uma força tão
sividade. E pela pregnância.     grande a presença da mulher.
• No Zoom, o cineasta Carlos
  Reichen bach fala sobre o Cinema
  Marginal

• Video promocional de lançamento
  da coleção de DVD sobre o Cinema
  Marginal Brasileiro.
O Cinema Marginal não se define por
uma coesão interna e tampouco seus
membros se reconheciam como grupo.

As origens dos diretores do ciclo mar-
ginal são bem diferentes. Estes autores
subverteram a prática cinematográfica
realizada no Brasil, ao utilizar em seus
filmes, narrativas fragmentadas e uma
estética pouco refinada.




                                           Alguns dos Principais
                                           Diretores:

                                           •   Andrea Tonacci           •   José Mojica Marins
                                           •   André Luiz Oliveira      •   Júlio Bressane
                                           •   Carlos Reichenbach       •   Ozualdo Candeias
                                           •   Elyseu Visconti          •   Rogério Sganzerla
                                           •   Jairo Ferreira           •   João Batista de Andrade
                                           •   João Silvério Trevisan   •   Luiz Rosemberg
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Cinema Marginal Brasileiro

  • 1.
  • 2. • Reflexo da ditadura • Quebrar as regras do bom comportamento da linguagem cinematográfico Estilo de cinema que surgiu no Brasil nova linguagem, de uma nova • Vivência dos movimentos logo depois do golpe militar e serviu maneira, até subentendida, de estudantil como uma espécie de catarse quanto se contar uma história. à ditadura. • Desencanto com as É o artesanato do desespero, revoluções A figura do anti-herói, os tipos de- sem grandes verbas ou pre- sajustados, sempre a margem da so- tensões, mas sim para dar • Filhos da censura ciedade, bandidos, loucos, cafetões, continuidade à produção na- prostitutas, idéias libertárias sob uma cional. É o cinema de autor, • Mas atenta ao cinema que ótica nua e crua. que não se importa em utili- estava fazendo zar clichês, metáforas, frases O termo cinema marginal traduz um feitas, e até o deboche maso- • Subversão pela pouco das várias vertentes de cine- quista. transgressão ma de autor. O underground, pessoal e anti intelectualizado. • Personagens desajustado Com o Cinema Udigrudi, parte-se • Busca da antiestética para a “esculhambação”, não a es- culhambação no sentido pejorativo, • Se espelhar no pior mas como experimentação de uma • Postura nitidamente política e ideológica de uma geração
  • 3. O Cinematropicalista,absorve a influência Marginal da Música popular, de Mário Reis à Tropicália, passando por Jimi colagem, da “pop art” e do Hendrix e o teatro de José Kitsch, ou seja, toda a indús- Celso Martinez Correa. tria cultural que estava em Câmera na mão e descon- efervescência no momento. tinuidade se alia a uma textura E toda a crítica irônica do mais áspera do preto-e-branco bombardeamento da socie- que expulsa a higiene industrial dade pelos objetos de con- da imagem e gera desconforto. sumo e os signos estéticos massificados da publicidade. Os marginais assumem um papel profanador no espaço da Estes autores subverteram a cultura e recusam o discurso prática cinematográfica re- da esquerda, optando pela alizada no Brasil, ao utilizar agressão visual: sexo, luxúria, em seus filmes, narrativas violência e pobreza. fragmentadas e uma estética pouco refinada, influenciados por filmes do diretor Jean-Luc Godard, os neoexpressionis- tas americanos do cinema B e o deboche da Chanchada.
  • 4. Os cineastas “malditos” produziam A função é chocar, acordar as mas- seus filmes em resposta ao ano de sas, a burguesia, um compromisso 64, marcado por conturbado período sócio-político e cultural. de repressão político militar. Portanto, muitos filmes eram censurados an- As atitudes dos personagens são ex- tes mesmo de irem para as salas de tremamente exageradas, deformadas exibição. e caricatas. É o universo das baixarias que consti- A representação em seu limite da tui a narrativa Marginal. As cenas de origem a estilos marcantes e carac- sofrimento corporal nos remetam ao terísticos como a bicha, a madame,o clima político, de torturas, época dos machão, a prostituta, o burguês, que anos e chumbo. são personagens típicos, de atitudes excessivas, movimentos rebuscados, A representação do horror está rela- figurino cafona, ditos populares emui- cionada às torturas praticadas por tas vezes em rima. militares neste momento de ditadura no Brasil.
  • 5. A fragmentação narrativa seria o con- A intenção do Cinema Marginal não trário do que seria evolução da narrativa era de contar uma ação elaborada em clássica. A fragmentação das diferen- história, não há preocupação espacial tes histórias que compõem o enredo do ou temporal, há a verticalização da ima- filme. gem. Um questionamento a representação :: Conclusão clássica. Onde se reconhece a influên- O Cinema Marginal aponta para o es- cia do Cinema Novo no Cinema Mar- tado de espírito de uma geração que ginal. decidiu fazer cinema. Propôs o choque, a ruptura perante a presença aterrori- No Cinema Novo existia a necessi- zante do inimigo prepotente e autoritário dade de representar o universo social que ameaçava a integridade física e brasileiro. No Cinema Margnal, a narra- intelectual. tiva mergulha no universo ficcional fan- tasista.
  • 6. Super-8 (ou Super 8 mm) é O formato Super-8 ainda um formato cinematográfico reserva uma área, no lado desenvolvido nos anos 1960 oposto ao das perfurações, e lançado no mercado em onde uma pista magnética Após o surgimento do 1965 pela Kodak, como um permite a gravação videocassete e de outras aperfeiçoamento do antigo sincronizada do som. tecnologias de filmagem, formato 8 mm, mantendo a o super-oito passou a ser mesma bitola. O cinema marginal e uma técnica ultrapassada. as câmeras super-oito Nos anos 70, porém, O filme tem 8 milímetros surgem nesse momento de seu uso democrático e de largura, exatamente impasses. inventivo foi fundamental o mesmo que o antigo para a ampliação da padrão 8 mm, e também A nova câmera simbolizou o prática cinematográfica tem perfurações de apenas grito de independência dos e para a manutenção do um lado, mas as suas diretores sem recursos. experimentalismo no cinema perfurações são menores, brasileiro. permitindo um aumento na área de exposição da película, e portanto mais qualidade de imagem.
  • 7. Os filmes do cinema marginal não alcançaram o sucesso conquistado pela chanchada. A maioria deles nem chegou a ser exibida comercialmente, alguns só foram vistos em sessões clandestinas. O Brasil vivia sob o regime militar e tanto a imprensa como as artes eram censuradas. Como os censores não entendiam absolutamente nada do que os filmes do “cinema marginal” estavam falando, e para evitar que eles influenciassem o público, preferiam proibi-los. A carreira dos filmes estava pré-destinada ao circuito alter- nativo ou aos festivais internacionais. Os filmes do cinema marginal tornaram-se cult, estudados pelos pesquisadores brasileiros e admirados pelos jovens universitários. Para seus autores, as conseqüências dependiam do tipo de filme produzido. Alguns buscaram a via do exílio volun- tário, como Rogério Sganzerla, outros foram presos, como Olney São Paulo, autor de Manhã cinzenta, que sofreu torturas na prisão e um inquérito absurdo, justamente por ter realizado uma obra política.
  • 8. O cruel e sádico agente Sem poupar esforços, Zé padrões atuais, “À Meia-Noite...” foi funerário Zé do Caixão é do Caixão então espalha a polêmico não apenas em desafiar os temido e odiado pelos ha- morte, a covardia e a desg- dogmas cristãos. A violência explícita e bitantes da cidadezinha raça por onde passa, sem- a falta de caráter do anti-herói protago- onde mora. Numa ação de pre em busca da perpetu- nista eram características inéditas no afronta aos religiosos, faz ação de sua linhagem. cinema nacional, até então. questão de comer carne numa Sexta-feira Santa e Quanto à concepção vi- Graças às seqüências em que Zé do passear pelo cemitério du- sual do Zé do Caixão, Caixão devora um enorme pedaço de rante a noite dos Mortos. fica evidente a inspiração carneiro numa Sexta-Feira Santa, o di- do personagem clássico retor atraiu a fúria dos grupos católicos Zé é ainda obcecado em Drácula. Entretanto, Mojica brasileiros, que tentaram de toda forma conseguir gerar o filho per- acrescentou características impedir que o filme fosse lançado. feito que possa dar continu- brasileiras. Inpirado também idade ao seu sangue. nos quadrinhos clássicos de Além do prêmio pela originalidade rece- Mas sua mulher não pode horror, como nos “Contos bido pela revista francesa L’Ecran Fan- engravidar e o coveiro vê da Cripta”. tastique, o longa foi vencedor da Pre- na noiva de seu único ami- miação Especial no Festival de Cinema go a mulher ideal que tanto Embora possa ser con- Fantástico e de Terror de Sitges. procura. siderado até sutil para os
  • 9. Poucos filmes brasileiros são desconstruindo os tiroteios, alvo de um culto tão apaixo- perseguições de carro e a nado entre os cinéfilos como figura do bem versus mal. Bang bang. Uma obra conce- bida sob o signo da irreverên- Série de seqüências fecha- cia e da liberdade das em si próprias, sem liga- ção aparente com o que vem Andrea Tonacci implode a a seguir e freqüentemente narrativa clássica em Bang repetidas com leves alter- bang, construindo seu filme ações. através de longos planos- seqüência, que encantam pelo Bang bang é um tiro mortal insólito das situações, pelo no coração dos acomodados humor e pelo rigor da con- e sem imaginação. Sua in- strução. A trama, ou fiapo de venção não tem limites, pro- trama, acompanha um homem vocando momentos da mais perseguido por três bandidos alta diversão. pelas ruas de Belo Horizonte. A abordagem do filme é muito A presença da câmera várias mais urbana - mostra-se a vezes é revelada ao espe- classe média com ironias, ctador, seja através do re- sátiras, sem abandonar as flexo em um espelho ou de questões sociais e culturais, um personagem chocando-se mas ignorando a ética do contra a lente. cinema novo para retratar a realidade de forma tosca e Brinca e satiriza os elementos debochada… do filme americano, espe- cialmente os filmes policiais,
  • 10. Jorge, um assaltante de Tecnicamente falando, o filme é casas de luxo em São apresentado por meio de diferen- Paulo, apelidado pela im- tes enquadramentos e angulações prensa sensacionalista de de câmera, planos rápidos e tril- “Bandido da Luz Vermelha”, has sonoras constantes. desconcerta a polícia com seu comportamento fora do O protagonista não é mais um comum. personagem sertanejo e sim um homem urbano, aliás um homem Além de usar uma lanterna que vivia no submundo de São vermelha, ele possui as Paulo, um marginal. vítimas, conversa com elas e faz fugas ousadas para Os filmes marginais saem da depois gastar o dinheiro temática rural e vão começar a roubado de maneira extrav- falar da vida na cidade e toda a agante. cultura de massa influenciada pela tv que era febre neste Com sua linguagem visual momento no revolucionária, O Bandido Brasil. da Luz Vermelha pode ser visto como o ponto de tran- sição entre a estética do Cinema Novo e a ruptura do Cinema Marginal.
  • 11. Não hesita em se apropriar O filme oferece um retrato da das referências da indústria juventude brasileira que pro- cultural para satirizá-las e cura descobrir como agir (ou construir uma obra critica e não agir) em plena linha dura inovadora. do regime militar. Lula, protagonista de Me- A ausência de sentido é o teorango Kid, é um jovem de próprio tema do filme. André família de classe média alta Luis Oliveira realiza um filme que vaga sem causa alguma de libertação total e contesta- pelas ruas de Salvador. ção a tudo, até mesmo à possibilidade de contestação. Nessa trajetória ele cruzará com várias figuras contes- Também em diálogo com o tatórias que desafiam as tropicalismo e com a arte pop, normas do sistema. Fantasia o filme não hesita em antrop- e realidade se misturam sem ofagizar o “cinemão” america- hierarquia e sem que o pú- no e é recheado de citações blico possa definir claramente a heróis como Batman, Robin onde começa uma e termina e Tarzan. a outra.
  • 12. A idéia que se tinha de atores marginais é de que Helena Ignez bastava pegar qualquer um Falar do Cinema Marginal sem falar de para atuar. Falsa impressão, Helena Ignez seria o mesmo que ignorar contestada à simples visão a importância de Rogério Sganzerla ou dos maiores atores dos Júlio Bressane no movimento. Helena filmes udigrudi. Ignez é um ícone do Cinema Marginal tão importante quanto os demais pioneiros A se ver Helena Ignez, a se do movimento. ver Paulo Villaça, Paulo César Pereio, Hugo Carvana ou Helena Ignez criou um novo estilo de Maria Gladys: é um domínio atuar: debochado, extravagante, a violên- completo de movimentos, cia feminina. Antes de A mulher de todos, seja pensados seja reflexos, possivelmente, não havia um outro filme que impressiona pela expres- que apresentasse com uma força tão sividade. E pela pregnância. grande a presença da mulher.
  • 13. • No Zoom, o cineasta Carlos Reichen bach fala sobre o Cinema Marginal • Video promocional de lançamento da coleção de DVD sobre o Cinema Marginal Brasileiro.
  • 14. O Cinema Marginal não se define por uma coesão interna e tampouco seus membros se reconheciam como grupo. As origens dos diretores do ciclo mar- ginal são bem diferentes. Estes autores subverteram a prática cinematográfica realizada no Brasil, ao utilizar em seus filmes, narrativas fragmentadas e uma estética pouco refinada. Alguns dos Principais Diretores: • Andrea Tonacci • José Mojica Marins • André Luiz Oliveira • Júlio Bressane • Carlos Reichenbach • Ozualdo Candeias • Elyseu Visconti • Rogério Sganzerla • Jairo Ferreira • João Batista de Andrade • João Silvério Trevisan • Luiz Rosemberg