Cinema Marginal Brasileiro

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Cinema Marginal Brasileiro

  1. 1. • Reflexo da ditadura • Quebrar as regras do bom comportamento da linguagem cinematográficoEstilo de cinema que surgiu no Brasil nova linguagem, de uma nova • Vivência dos movimentoslogo depois do golpe militar e serviu maneira, até subentendida, de estudantilcomo uma espécie de catarse quanto se contar uma história.à ditadura. • Desencanto com as É o artesanato do desespero, revoluçõesA figura do anti-herói, os tipos de- sem grandes verbas ou pre-sajustados, sempre a margem da so- tensões, mas sim para dar • Filhos da censuraciedade, bandidos, loucos, cafetões, continuidade à produção na-prostitutas, idéias libertárias sob uma cional. É o cinema de autor, • Mas atenta ao cinema queótica nua e crua. que não se importa em utili- estava fazendo zar clichês, metáforas, frasesO termo cinema marginal traduz um feitas, e até o deboche maso- • Subversão pelapouco das várias vertentes de cine- quista. transgressãoma de autor. O underground, pessoale anti intelectualizado. • Personagens desajustadoCom o Cinema Udigrudi, parte-se • Busca da antiestéticapara a “esculhambação”, não a es-culhambação no sentido pejorativo, • Se espelhar no piormas como experimentação de uma • Postura nitidamente política e ideológica de uma geração
  2. 2. O Cinematropicalista,absorvea influência Marginal da Música popular, de Mário Reis à Tropicália, passando por Jimicolagem, da “pop art” e do Hendrix e o teatro de JoséKitsch, ou seja, toda a indús- Celso Martinez Correa.tria cultural que estava em Câmera na mão e descon-efervescência no momento. tinuidade se alia a uma texturaE toda a crítica irônica do mais áspera do preto-e-brancobombardeamento da socie- que expulsa a higiene industrialdade pelos objetos de con- da imagem e gera desconforto.sumo e os signos estéticosmassificados da publicidade. Os marginais assumem um papel profanador no espaço daEstes autores subverteram a cultura e recusam o discursoprática cinematográfica re- da esquerda, optando pelaalizada no Brasil, ao utilizar agressão visual: sexo, luxúria,em seus filmes, narrativas violência e pobreza.fragmentadas e uma estéticapouco refinada, influenciadospor filmes do diretor Jean-LucGodard, os neoexpressionis-tas americanos do cinema Be o deboche da Chanchada.
  3. 3. Os cineastas “malditos” produziam A função é chocar, acordar as mas-seus filmes em resposta ao ano de sas, a burguesia, um compromisso64, marcado por conturbado período sócio-político e cultural.de repressão político militar. Portanto,muitos filmes eram censurados an- As atitudes dos personagens são ex-tes mesmo de irem para as salas de tremamente exageradas, deformadasexibição. e caricatas.É o universo das baixarias que consti- A representação em seu limite datui a narrativa Marginal. As cenas de origem a estilos marcantes e carac-sofrimento corporal nos remetam ao terísticos como a bicha, a madame,oclima político, de torturas, época dos machão, a prostituta, o burguês, queanos e chumbo. são personagens típicos, de atitudes excessivas, movimentos rebuscados,A representação do horror está rela- figurino cafona, ditos populares emui-cionada às torturas praticadas por tas vezes em rima.militares neste momento de ditadurano Brasil.
  4. 4. A fragmentação narrativa seria o con- A intenção do Cinema Marginal nãotrário do que seria evolução da narrativa era de contar uma ação elaborada emclássica. A fragmentação das diferen- história, não há preocupação espacialtes histórias que compõem o enredo do ou temporal, há a verticalização da ima-filme. gem.Um questionamento a representação :: Conclusãoclássica. Onde se reconhece a influên- O Cinema Marginal aponta para o es-cia do Cinema Novo no Cinema Mar- tado de espírito de uma geração queginal. decidiu fazer cinema. Propôs o choque, a ruptura perante a presença aterrori-No Cinema Novo existia a necessi- zante do inimigo prepotente e autoritáriodade de representar o universo social que ameaçava a integridade física ebrasileiro. No Cinema Margnal, a narra- intelectual.tiva mergulha no universo ficcional fan-tasista.
  5. 5. Super-8 (ou Super 8 mm) é O formato Super-8 aindaum formato cinematográfico reserva uma área, no ladodesenvolvido nos anos 1960 oposto ao das perfurações,e lançado no mercado em onde uma pista magnética Após o surgimento do1965 pela Kodak, como um permite a gravação videocassete e de outrasaperfeiçoamento do antigo sincronizada do som. tecnologias de filmagem,formato 8 mm, mantendo a o super-oito passou a sermesma bitola. O cinema marginal e uma técnica ultrapassada. as câmeras super-oito Nos anos 70, porém,O filme tem 8 milímetros surgem nesse momento de seu uso democrático ede largura, exatamente impasses. inventivo foi fundamentalo mesmo que o antigo para a ampliação dapadrão 8 mm, e também A nova câmera simbolizou o prática cinematográficatem perfurações de apenas grito de independência dos e para a manutenção doum lado, mas as suas diretores sem recursos. experimentalismo no cinemaperfurações são menores, brasileiro.permitindo um aumentona área de exposição dapelícula, e portanto maisqualidade de imagem.
  6. 6. Os filmes do cinema marginal não alcançaram o sucessoconquistado pela chanchada. A maioria deles nem chegoua ser exibida comercialmente, alguns só foram vistos emsessões clandestinas.O Brasil vivia sob o regime militar e tanto a imprensacomo as artes eram censuradas.Como os censores não entendiam absolutamente nadado que os filmes do “cinema marginal” estavam falando,e para evitar que eles influenciassem o público, preferiamproibi-los.A carreira dos filmes estava pré-destinada ao circuito alter-nativo ou aos festivais internacionais. Os filmes do cinemamarginal tornaram-se cult, estudados pelos pesquisadoresbrasileiros e admirados pelos jovens universitários.Para seus autores, as conseqüências dependiam do tipode filme produzido. Alguns buscaram a via do exílio volun-tário, como Rogério Sganzerla, outros foram presos, comoOlney São Paulo, autor de Manhã cinzenta, que sofreutorturas na prisão e um inquérito absurdo, justamente porter realizado uma obra política.
  7. 7. O cruel e sádico agente Sem poupar esforços, Zé padrões atuais, “À Meia-Noite...” foifunerário Zé do Caixão é do Caixão então espalha a polêmico não apenas em desafiar ostemido e odiado pelos ha- morte, a covardia e a desg- dogmas cristãos. A violência explícita ebitantes da cidadezinha raça por onde passa, sem- a falta de caráter do anti-herói protago-onde mora. Numa ação de pre em busca da perpetu- nista eram características inéditas noafronta aos religiosos, faz ação de sua linhagem. cinema nacional, até então.questão de comer carnenuma Sexta-feira Santa e Quanto à concepção vi- Graças às seqüências em que Zé dopassear pelo cemitério du- sual do Zé do Caixão, Caixão devora um enorme pedaço derante a noite dos Mortos. fica evidente a inspiração carneiro numa Sexta-Feira Santa, o di- do personagem clássico retor atraiu a fúria dos grupos católicosZé é ainda obcecado em Drácula. Entretanto, Mojica brasileiros, que tentaram de toda formaconseguir gerar o filho per- acrescentou características impedir que o filme fosse lançado.feito que possa dar continu- brasileiras. Inpirado tambémidade ao seu sangue. nos quadrinhos clássicos de Além do prêmio pela originalidade rece-Mas sua mulher não pode horror, como nos “Contos bido pela revista francesa L’Ecran Fan-engravidar e o coveiro vê da Cripta”. tastique, o longa foi vencedor da Pre-na noiva de seu único ami- miação Especial no Festival de Cinemago a mulher ideal que tanto Embora possa ser con- Fantástico e de Terror de Sitges.procura. siderado até sutil para os
  8. 8. Poucos filmes brasileiros são desconstruindo os tiroteios,alvo de um culto tão apaixo- perseguições de carro e anado entre os cinéfilos como figura do bem versus mal.Bang bang. Uma obra conce-bida sob o signo da irreverên- Série de seqüências fecha-cia e da liberdade das em si próprias, sem liga- ção aparente com o que vemAndrea Tonacci implode a a seguir e freqüentementenarrativa clássica em Bang repetidas com leves alter-bang, construindo seu filme ações.através de longos planos-seqüência, que encantam pelo Bang bang é um tiro mortalinsólito das situações, pelo no coração dos acomodadoshumor e pelo rigor da con- e sem imaginação. Sua in-strução. A trama, ou fiapo de venção não tem limites, pro-trama, acompanha um homem vocando momentos da maisperseguido por três bandidos alta diversão.pelas ruas de Belo Horizonte. A abordagem do filme é muitoA presença da câmera várias mais urbana - mostra-se avezes é revelada ao espe- classe média com ironias,ctador, seja através do re- sátiras, sem abandonar asflexo em um espelho ou de questões sociais e culturais,um personagem chocando-se mas ignorando a ética docontra a lente. cinema novo para retratar a realidade de forma tosca eBrinca e satiriza os elementos debochada…do filme americano, espe-cialmente os filmes policiais,
  9. 9. Jorge, um assaltante de Tecnicamente falando, o filme écasas de luxo em São apresentado por meio de diferen-Paulo, apelidado pela im- tes enquadramentos e angulaçõesprensa sensacionalista de de câmera, planos rápidos e tril-“Bandido da Luz Vermelha”, has sonoras constantes.desconcerta a polícia comseu comportamento fora do O protagonista não é mais umcomum. personagem sertanejo e sim um homem urbano, aliás um homemAlém de usar uma lanterna que vivia no submundo de Sãovermelha, ele possui as Paulo, um marginal.vítimas, conversa com elase faz fugas ousadas para Os filmes marginais saem dadepois gastar o dinheiro temática rural e vão começar aroubado de maneira extrav- falar da vida na cidade e toda aagante. cultura de massa influenciada pela tv que era febre nesteCom sua linguagem visual momento norevolucionária, O Bandido Brasil.da Luz Vermelha pode servisto como o ponto de tran-sição entre a estética doCinema Novo e a rupturado Cinema Marginal.
  10. 10. Não hesita em se apropriar O filme oferece um retrato dadas referências da indústria juventude brasileira que pro-cultural para satirizá-las e cura descobrir como agir (ouconstruir uma obra critica e não agir) em plena linha durainovadora. do regime militar.Lula, protagonista de Me- A ausência de sentido é oteorango Kid, é um jovem de próprio tema do filme. Andréfamília de classe média alta Luis Oliveira realiza um filmeque vaga sem causa alguma de libertação total e contesta-pelas ruas de Salvador. ção a tudo, até mesmo à possibilidade de contestação.Nessa trajetória ele cruzarácom várias figuras contes- Também em diálogo com otatórias que desafiam as tropicalismo e com a arte pop,normas do sistema. Fantasia o filme não hesita em antrop-e realidade se misturam sem ofagizar o “cinemão” america-hierarquia e sem que o pú- no e é recheado de citaçõesblico possa definir claramente a heróis como Batman, Robinonde começa uma e termina e Tarzan.a outra.
  11. 11. A idéia que se tinha deatores marginais é de que Helena Ignezbastava pegar qualquer um Falar do Cinema Marginal sem falar depara atuar. Falsa impressão, Helena Ignez seria o mesmo que ignorarcontestada à simples visão a importância de Rogério Sganzerla oudos maiores atores dos Júlio Bressane no movimento. Helenafilmes udigrudi. Ignez é um ícone do Cinema Marginal tão importante quanto os demais pioneirosA se ver Helena Ignez, a se do movimento.ver Paulo Villaça, Paulo CésarPereio, Hugo Carvana ou Helena Ignez criou um novo estilo deMaria Gladys: é um domínio atuar: debochado, extravagante, a violên-completo de movimentos, cia feminina. Antes de A mulher de todos,seja pensados seja reflexos, possivelmente, não havia um outro filmeque impressiona pela expres- que apresentasse com uma força tãosividade. E pela pregnância. grande a presença da mulher.
  12. 12. • No Zoom, o cineasta Carlos Reichen bach fala sobre o Cinema Marginal• Video promocional de lançamento da coleção de DVD sobre o Cinema Marginal Brasileiro.
  13. 13. O Cinema Marginal não se define poruma coesão interna e tampouco seusmembros se reconheciam como grupo.As origens dos diretores do ciclo mar-ginal são bem diferentes. Estes autoressubverteram a prática cinematográficarealizada no Brasil, ao utilizar em seusfilmes, narrativas fragmentadas e umaestética pouco refinada. Alguns dos Principais Diretores: • Andrea Tonacci • José Mojica Marins • André Luiz Oliveira • Júlio Bressane • Carlos Reichenbach • Ozualdo Candeias • Elyseu Visconti • Rogério Sganzerla • Jairo Ferreira • João Batista de Andrade • João Silvério Trevisan • Luiz Rosemberg

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