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EBOOK
ÍNDICE
Aula 01 - Cuidado e Aconselhamento
Aula 02 - A igreja: Um lugar de cura
Aula 03 - Pessoas Envolvidas no Aconselhamento
Aula 04 - Comunicação e limites
Aula 05 - Aconselhamento em questões pessoais
Aula 06 - Aconselhamento em questões familiares
Aula 07 - Sexualidade humana e o aconselhamento
Aula 08 - Perdas e Luto
Aula 09 - Aconselhamento e Libertação
Aula 10 - O Cuidado com quem cuida
Aula extra - Estudo de Caso Igreja da Cidade
03
22
43
61
81
99
114
135
145
162
179
CUIDADO E
ACONSELHAMENTO
AULA1
PROPÓSITO DO
ACONSELHAMENTO
CRISTÃO
BLOCO1
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 5
Há muitos desafios para o nosso tempo e um dos principais tem a
ver com a posição como pessoas que nos encontramos e todos os desdo-
bramentos que isso proporciona ou sucede na vida de cada um de nós em
meio às percepções sociais construídas.
A OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgou que a proliferação
de hábitos não saudáveis como consumo de álcool, drogas, estresse e so-
lidão, são apontados como a principal causas do aumento de doenças psi-
cológicas e mentais no mundo. Outros fatores que estão contribuindo para
o aumento do número de desordens mentais são as mudanças profundas
nos hábitos de trabalho e os estilos de vida típicos da sociedade moder-
na como sedentarismo, alimentação rica em gordura e pobre em proteínas
(OMS, 2022).
Diante desta realidade, cresce à procura dos profissionais relacio-
nados à saúde mental, como psicólogos e psiquiatras. Há um aumento na
atuação dos não profissionais, também chamados de conselheiros leigos,
que ajudam as pessoas nessas situações. Apesar do pouco treinamento
que receberam, os conselheiros, estão impactando de forma relevante a
sociedade, e estão na linha de frente do movimento da saúde mental. Por-
tanto, o leigo, especialmente o cristão, pode assumir maiores responsa-
bilidades em vir ao encontro das necessidades daqueles que precisam de
consolo, de acolhimento, e de direção.
Uma definição bem interessante sobre o propósito de um aconse-
lhamento é expressa por Collins. O autor define como o principal objetivo do
aconselhamento, de uma forma geral, trazer estímulo e orientação às pes-
soas que estão enfrentando perdas, decisões difíceis ou desapontamentos.
Para ele, o processo de aconselhamento pode estimular o desenvolvimen-
to sadio da personalidade; ajudar as pessoas a enfrentar melhor as dificul-
dades da vida, os conflitos interiores e os bloqueios emocionais. (COLLINS,
2004).
O processo de aconselhamento pode ainda auxiliar os indivíduos,
PROPÓSITO DO ACONSELHAMENTO CRISTÃO
AULA 1 BLOCO 1
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 6
famílias e casais a resolver conflitos gerados por tensões interpessoais,
melhorando a qualidade de seus relacionamentos e, finalmente, ajudar as
pessoas que apresentam padrões de comportamento autodestrutivos ou
depressivos a mudar de vida.
O psicólogo Fred McKinney, autor da obra Psicologia em Ação, afir-
ma que o “aconselhamento é um relacionamento interpessoal em que o con-
selheiro assiste ao indivíduo em sua totalidade no processo de ajustar-se
melhor consigo mesmo e com seu ambiente” (apud FRIESEN, 2000, p.19).
Refletindo sobre essas definições, muitos se questionam, no que
isso se difere das psicoterapias? Alguns autores consideram que o primeiro
nível de uma psicoterapia pode ser o aconselhamento. Isso porque as rela-
ções de cuidado envolvem a suposição da percepção do outro e do acom-
panhamento de pessoas em diversos níveis.
O Aconselhamento se situa formalmente entre as especializações
da Psicologia e constitui-se uma área do saber que atende muito o âmbito
social. Representa uma série de conceitos aplicados que se originam desde
a orientação educacional até as psicoterapias.
Assim, o aconselhamento é uma relação de ajuda, na qual, duas
ou mais pessoas interagem a partir de situações apresentadas pelo acon-
selhando a um conselheiro. Ambos os papeis estão presentes ativamente
nesse processo com o objetivo de que a pessoa que precisa de aconselha-
mento perceba os seus recursos próprios, entenda seus dilemas e passe a
se relacionar melhor com os desafios da vida. (FRIESEN, 2000)
Pode ser chamado de aconselhamento, um relacionamento interpessoal em
que o conselheiro assiste ou simplesmente dá escuta ao indivíduo em sua inte-
gralidade no processo de ajustar-se melhor consigo mesmo e com seu ambien-
te; podem ser em circunstâncias que necessitem o uso de técnicas para ajudar-
-se a resolver melhor seus conflitos e ajustar sua vida (FRIESEN, 2000, p. 19)
Sobre o aconselhamento leigo o autor afirma que esse não pode ser
um processo mecânico e cheio de fórmulas, mas um relacionamento inter-
pessoal em que duas pessoas se engajam no processo de esclarecer os sen-
timentos e problemas de alguém visando o encaminhamento ao atendimen-
to psicoterapêutico, psicanalítico ou mesmo ao psiquiátrico se necessário:
“A responsabilidade do conselheiro é assistir ao aconselhando enquanto este
busca os seus recursos para ajustar-se, para resolver os seus conflitos. Assistir
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 7
no sentido de estar presente, de auxiliar, de ajudar, de favorecer” (FRIESEN,
2000,p. 19).
Assim, podemos compreender que para o aconselhamento é ne-
cessário haver disposição entre as pessoas envolvidas e uma atitude de
ajuda em um ambiente relacional.
O ACONSELHAMENTO CRISTÃO
“Independentemente de qual tenha sido sua formação, o pastor não tem o pri-
vilégio de escolher se vai ou não aconselhar os membros de seu rebanho, pois
é inevitável que eles levem seus problemas até ele, em busca de orientação e de
uma palavra de sabedoria. Não há como contornar isso, se ele permanecer no
ministério pastoral. A opção que ele tem que fazer não é entre aconselhar ou não,
mas sim entre aconselhar de maneira organizada e competente, ou fazê-lo de
forma caótica e incompetente”. - Wayne Oates (pastor e psicólogo)
Ao ler os relatos bíblicos fica nítido que Jesus passou muitas horas
falando a pessoas necessitadas, tanto em grupo quanto em contatos um
a um. Essa mesma atitude é notada no ministério do apóstolo Paulo. En-
quanto exercia um ministério extremamente sensível às necessidades das
pessoas marcadas pela vida, Paulo escreveu:
“Nós,que somos fortes,devemos suportar as fraquezas dos fracos,e não agradar
a nós mesmos. Cada um de nós deve agradar ao seu próximo para o bem dele, a
fim de edificá-lo.” (Romanos 15.1-2)
“Levem os fardos pesados uns dos outros e, assim, cumpram a lei de Cristo”.
(Gálatas 6.2)
Provavelmente, o apóstolo Paulo estava falando de pessoas que
tinham dúvidas, sentiam temores ou viviam em pecado, mas sua preocu-
pação compassiva integrava quase todos os problemas que os conselhei-
ros de hoje podem encontrar. Em todos os casos, nota-se que nos relatos
bíblicos, a assistência ao próximo não era uma questão de opção, mas uma
responsabilidade de todo cristão, inclusive do líder da igreja.
Muitas vezes, o pastor ou o líder cristão acredita não ter dom nessa
área ou ministério. Chegam a essa conclusão ao avaliar seu temperamento,
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 8
interesses, habilidades, preparo ou chamado específico e acabam evitan-
do o aconselhamento, preferindo investir seu tempo e talentos a outras
atividades. Essa é uma decisão legítima, mas ao olhar o aconselhamento
através das lentes do amor, percebe-se que ele se torna uma experiência
enriquecedora, potencialmente poderosa e biblicamente fundamentada de
ministrar aos outros. Não é fácil aconselhar, mas há evidências cada vez
maiores de que pessoas das mais variadas origens e formações podem
aprender técnicas de aconselhamento eficientes (COLLINS, 2004).
É essa a ideia que o apóstolo Paulo traz em sua carta aos Efésios:
“Seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a
cabeça, Cristo.” (Efésios 4.15). Valores e sentidos sadios promovem re-
lações sadias e pessoas estimuladas ao crescimento. O crescimento em
direção a inteireza que Deus deseja de nós é centrada na ação e direciona-
mento do Espírito Santo e precisa incluir crescimento nos valores e com-
promissos éticos que orientam nossa vida. (DAMASCENO, 2004)
Segundo Fábio Damasceno, dessa forma o Aconselhamento Cris-
tão pode alcançar em sua realização:
• Ajudar as pessoas a identificar padrões de pensamentos que geram ati-
tudes negativas;
• Aperfeiçoar os métodos de relacionamento interpessoal;
• Ensinar novos comportamentos;
• Orientar em situações difíceis;
• Ajudar as pessoas a mudar seu modo de viver;
• Ensiná-las a mobilizar recursos internos nos momentos de crise;
• Libertar o indivíduo de complexos enraizados (guiado pelo Espírito Santo);
• Identificar e ressignificar memórias do passado ou atitudes que estão im-
pedindo o amadurecimento pessoal.
As metas do aconselhamento, quando específicas, dependem dire-
tamente do problema fundamental, trazido pelo aconselhando, mas existem
elementos que aparecem como objetivos universais em processos de acon-
selhamento, assim como autoconhecimento, comunicação, aprendizado e
mudança de comportamento, autorrealização, apoio e integridade espiritual.
Essa é a essência do cuidado pastoral e do aconselhamento, e consis-
te em ajudar as pessoas a lidar com suas necessidades espirituais e caminhar
para atingir a integridade humana, conforme a imagem de Jesus Cristo.
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 9
OS OBJETIVOS DO
ACONSELHAMENTO
BLOCO2
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 10
• Por que as pessoas procuram um conselheiro?
• O que elas desejam?
• Quais são as razões que levam um conselheiro a tentar ajudar
essas pessoas?
Estas são perguntas difíceis de responder, pois cada uma delas
podem ter várias respostas, dependendo do aconselhando e do próprio
conselheiro. Clinebell (2011) aponta que alguns dos problemas que um
conselheiro cristão pode esperar encontrar envolvem oração, falta de fé,
questões doutrinárias, crescimento espiritual, sentimentos de culpa por
causa de algum pecado. Mas esses não são os assuntos mais recorrentes.
Em sua obra, o autor afirma que apenas 10% dos assuntos tratados em
aconselhamento pastoral giram em torno de questões religiosas. A grande
maioria dos atendimentos de aconselhamentos na igreja se trata de pro-
blemas matrimoniais, crises, depressão, conflitos interpessoais, confusão e
outras aflições do dia a dia das pessoas.
Jesus se preocupava com esse tipo de problema:
“Eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente.” (João 10.10, grifo
nosso)
“Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que
todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3.16, grifo
nosso)
Veja os textos bíblicos acima. Eles mostram duas metas importan-
tes para Jesus: vida abundante na terra e vida eterna no céu. Entretanto, é
fato que existem muitos cristãos sinceros que já possuem a vida eterna no
céu, mas não sabem do que se trata a vida abundante ou plena a que Jesus
se referiu. Por isso esses devem ser os principais alvos de todo conselheiro
cristão: levar as pessoas a encontrarem o caminho da vida eterna e mostrar
a elas como ter vida abundante na terra.
OS OBJETIVOS DO ACONSELHAMENTO
AULA 1 BLOCO 2
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 11
O conselheiro pode, por exemplo, ajudá-las a identificar padrões de
pensamento que geram atitudes negativas, aperfeiçoar seus métodos de
relacionamento interpessoal, ensinar novos comportamentos, orientá-las
em decisões difíceis, ajudá-las a mudar seu modo de viver, ou ensiná-las
a mobilizar recursos internos nos momentos de crise. Até mesmo, em al-
guns casos, o aconselhamento cristão, guiado pelo Espírito Santo consegue
libertar o indivíduo de complexos arraigados, memórias do passado ou ati-
tudes que estão impedindo o seu amadurecimento (BORGES, 2014).
O processo de aconselhamento cristão deve atender a proposta de:
• Ajudar o ser humano a construir um relacionamento ver-
dadeiro consigo mesmo, com o seu semelhante e com Deus;
• Possibilitar ao ser humano a tomada de consciência de si
mesmo, de suas ações e se posicionar de forma criativa e confiante
diante das dificuldades naturais da vida;
• Ajudar o ser humano a lidar sensatamente com seus ins-
tintos (paixões primitivas, tais como: apego egoísta a coisas e pes-
soas, ódio, inveja, agressividade, destrutividade etc) e, através da
ação do Espírito Santo, transformá-los em força de vida, de sabe-
doria e de esperança.
Collins (2004) acredita que, para o não-cristão, esse aconselha-
mento pode funcionar como uma preparação para a conversão, pois atra-
vés desse processo obstáculos e pensamentos que impedem a conversão
poderão ser removidos. Para o autor evangelismo e discipulado são os al-
vos principais de um aconselhamento cristão, embora não sejam os únicos.
É importante ressaltar que, alguns aconselhados, aceitarão o auxí-
lio psicológico, mas rejeitarão o evangelho cristão. Os evangelhos nos mos-
tram isso:
“A caminho de Jerusalém, Jesus passou pela divisa entre Samaria e Galileia. Ao
entrar num povoado, dez leprosos dirigiram-se a ele. Ficaram a certa distância
e gritaram em alta voz: “Jesus, Mestre, tem piedade de nós! “ Ao vê-los, ele disse:
“Vão mostrar-se aos sacerdotes”. Enquanto eles iam, foram purificados. Um deles,
quando viu que estava curado, voltou, louvando a Deus em alta voz. Prostrou-se
aospésdeJesuselheagradeceu.Esteerasamaritano.Jesusperguntou:“Nãoforam
purificados todos os dez? Onde estão os outros nove? Não se achou nenhum que
voltasse e desse louvor a Deus,a não ser este estrangeiro? “ Então ele lhe disse: “Le-
vante-se e vá; a sua fé o salvou” (Lucas 17.11-19, grifo nosso).
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 12
No texto acima, os dez foram curados, mas somente um veio a ter
fé em Jesus. Isso aconteceu no ministério de Jesus e pode acontecer no
ministério de qualquer conselheiro cristão.
METAS ESPECÍFICAS
Quando alguém procura um aconselhamento, muitas vezes, têm
apenas uma vaga noção de onde pretende chegar, exceto o fato de que
querem resolver um problema, se conhecer melhor ou se sentir bem.
Se o conselheiro também não tiver noção de qual objetivo pretende
alcançar, todo o processo terá grande chance de ser ineficaz e sem propó-
sito. Para ter um processo de sucesso, o conselheiro precisa ser intencional
em definir os objetivos e metas específicas da situação em questão.
As metas específicas dependem muito do problema do aconse-
lhando, mas existem alguns elementos que, provavelmente, aparecem em
todas as listas:
1. AUTOCONHECIMENTO.
Entender a si mesmo é, geralmente, o primeiro passo para a cura.
Muitos problemas são gerados pelo próprio indivíduo, mas o aconselhando
pode não ter condições de reconhecer sozinho a existência de ideias pre-
concebidas, modos de pensar prejudiciais ou comportamentos autodestru-
tivos. Uma das metas do aconselhamento é levar o aconselhando a perce-
ber com clareza o que acontece no seu interior e no mundo à sua volta.
2. COMUNICAÇÃO.
Muitos problemas conjugais estão relacionados com falhas na co-
municação do casal. Em outros tipos de relacionamento interpessoal ocor-
re a mesma coisa. Muitas pessoas são incapazes de se comunicar, ou não
querem fazê-lo. O aconselhando deve ser estimulado a expor seus senti-
mentos, pensamentos e emoções de maneira clara e precisa. Esse tipo de
comunicação exige que a pessoa aprenda a se expressar com clareza e a
interpretar corretamente as mensagens transmitidas pelos outros.
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 13
3. APRENDIZADO E MUDANÇA DE COMPORTAMENTO.
A maior parte de nossos comportamentos, senão todos, são apren-
didos. O aconselhamento, portanto, inclui ajudar o aconselhando a desa-
prender comportamentos nocivos, substituindo-os por outras formas de
ação mais produtivas. Esse tipo de aprendizado ocorre através do ensino,
da imitação de um modelo, que pode ser o próprio conselheiro ou outra
pessoa, e da experiência prática baseada na tentativa e erro. Em alguns ca-
sos, é necessário analisar também qual foi o motivo do fracasso, para que
o aconselhando possa corrigir o erro e tentar de novo.
4. AUTORREALIZAÇÃO.
Alguns autores têm enfatizado a importância de ajudar as pessoas
a atingirem e manterem o máximo de seu potencial. Este conceito ê deno-
minado “autorrealização” e alguns conselheiros afirmam que essa é uma
meta intrínseca de todo ser humano, quer esteja ele passando por acon-
selhamento ou não. No caso de um cristão, o alvo da autorrealização é ser
perfeito em Cristo, desenvolvendo ao máximo nossas potencialidades atra-
vés do poder do Espírito Santo.
5. APOIO.
Muitas vezes, as pessoas precisam de aconselhamento em perí-
odos temporários de estresse ou em momentos de crise. Esses indivídu-
os precisam receber apoio, encorajamento e ajuda para “levar sua carga”
durante um período, até que possam mobilizar novamente seus recursos
emocionais e espirituais para enfrentar os problemas da vida.
6. INTEGRIDADE ESPIRITUAL.
Em seu livro sobre aconselhamento, Howard Clinebell escreve que o
cerne do cuidado pastoral e do aconselhamento consiste em ajudar as pesso-
as a lidar com suas necessidades espirituais e atingir a integridade espiritual.
Embora falar de religião possa, às vezes, ser um artifício que o
aconselhando utiliza para esconder seus problemas psicológicos e emo-
cionais, o contrário também acontece. Os aconselhandos muitas vezes têm
dificuldade de ver, ou admitir, que os problemas humanos têm uma dimen-
são espiritual.
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 14
“O conselheiro cristão,muitas vezes,tem um papel de líder espiritual que orienta
o crescimento do aconselhando, ajuda-o a enfrentar conflitos de natureza espi-
ritual e o torna capaz de descobrir crenças e valores significativos. O conselheiro
cristão sempre tem como meta envolver a presença de Deus no centro de todo o
processo.” (COLLINS, 2004, p.46)
Em todos os aspectos citados até aqui, é importante lembrar que
quando o conselheiro tenta impor seus próprios alvos ao paciente, o acon-
selhamento quase nunca surte efeito. A melhor coisa a fazer é trabalhar em
conjunto com o aconselhando no estabelecimento das metas terapêuticas.
Estas devem ser objetivas (e não vagas), realistas e, se houver mais de uma,
organizadas numa sequência lógica que estabeleça prioridades e, talvez, o
tempo dedicado a alcançar cada uma delas.
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 15
O OUVIR E O FALAR
BLOCO3
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 16
Ao ajudar pessoas em um processo de aconselhamento, não exis-
tem fórmulas prontas, pois o ser humano é de fato complexo. Mas ainda
assim, o autor Gary Collins (2004) propõe algumas técnicas utilizadas com
sucesso na maioria das situações de aconselhamento. Tais técnicas serão
estudadas a seguir.
O OUVIR
Ouvir alguém não é, simplesmente, escutar o que ele diz de forma
passiva ou indiferente, mas exige uma participação ativa do ouvinte. Neste
processo, o conselheiro dá atenção e ouve o aconselhando.
O conselheiro deve procurar mostrar ao aconselhando que está
prestando atenção a tudo o que ele diz. Isso envolve:
(a) contato visual, como forma de transmitir compreensão e de-
sejo de ajudar;
(b) postura, que deve ser relaxada e não tensa, inclinando-se, pe-
riodicamente, na direção do aconselhando;
(c) gestos naturais, mas não excessivos
O conselheiro deve ser cortês, gentil e fortemente motivado a com-
preender os outros. Ao conduzir uma sessão de aconselhamento, é impor-
tante reconhecer opositores como cansaço, impaciência, preocupação com
outros assuntos, distração ou inquietação por parte do conselheiro.
Ajudar as pessoas é uma tarefa trabalhosa e que envolve tempo,
sensibilidade, preocupação sincera com o aconselhando e atenção a cada
detalhe que ele possa estar tentando comunicar.
O pastor Khris Vallonton (2019) cita algumas atitudes que demons-
tram que o momento de aconselhamento não é valorizado pelo conselheiro.
Algumas posturas podem expressar “não dou valor nenhum a essa conversa”:
O OUVIR E O FALAR
AULA 1 BLOCO 3
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 17
• Mandar mensagens de texto durante a conversa;
• Chegar atrasado para a reunião;
• Ficar olhando para o relógio enquanto o aconselhando
fala ou deixar a mente vaguear (principalmente quando a história é
maçante ou repetitiva);
• Atender telefonemas enquanto conversam;
• Mudar de assunto, interrompendo-os;
• Olhar ao redor da sala ao invés de manter contato visual;
• Estabelecer um monólogo, pregando para a pessoa. Con-
selheiros que falam muito podem dar boas orientações, mas ra-
ramente são ouvidos e muito menos atendidos, já que os aconse-
lhandos pensam que o terapeuta não entendeu realmente o que se
passa com eles.
• Não mostrar compaixão quando a pessoa está sofrendo;
• Não fazer perguntas para ajudar a esclarecer ou entender
o ponto da pessoa;
• Pensar na resposta enquanto eles falam ao invés de ouvir
através do coração;
• Não se envolver com a alma, falando mente a mente e
não demonstrando emoção;
• Contentar-se com as palavras ao invés de ouvir do cora-
ção;
• Concluir as frases para eles.
Ouvir não é um exercício passivo, é um convite para ser influencia-
do, é um convite para entender o que o outro diz e demonstrar que
está presente.
Para que o processo seja eficiente, o ouvinte deve:
• Ser capaz de deixar de lado seus próprios conflitos, ten-
dências e preocupações para poder se concentrar no que o aconse-
lhando está transmitindo.
• Evitar sutis expressões verbais ou não-verbais, de desa-
provação ou julgamento em relação ao que está sendo dito, mes-
mo quando o conteúdo for repugnante.
• Manter os olhos e ouvidos bem abertos para detectar
mensagens transmitidas pelo tom de voz, postura, gestos, expres-
sões faciais e outras pistas não verbais.
• Ouvir não apenas o que está sendo dito, mas perceber o
que está sendo omitido.
• Aguardar pacientemente durante os períodos de silêncio
ou acessos de choro em que o aconselhando está reunindo cora-
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 18
gem para falar de algum fato doloroso, ou apenas organizando o
pensamento e se recompondo para continuar a sessão.
• Ter consciência de que é possível aceitar e amar o acon-
selhando, sem que isso signifique ter que compactuar com suas
ações, valores ou crenças. Jesus aceitou a mulher apanhada em
adultério, muito embora não aprovasse seu comportamento.
O FALAR
Não se deve supor que a única coisa que o conselheiro faz é ouvir.
Jesus era bom ouvinte (lembre-se do tempo que ele dedicou àqueles dois dis-
cípulos perplexos na estrada de Emaús), mas os métodos que ele utilizava
para ajudar as pessoas também envolviam ações e respostas verbais objeti-
vas. Abaixo são apresentadas algumas técnicas de como responder e ensinar
de modo a conseguir chegar no núcleo da questão do aconselhando.
RESPONDER
A condução é a técnica pela qual o conselheiro vai direcionando
suavemente a conversação. Perguntas curtas como “O que aconteceu de-
pois?” e “O que você quer dizer com ...?” mantêm a conversa numa direção
que possa fornecer informações relevantes.
Resumir, periodicamente, o que foi dito pode ser uma boa maneira
de comentar e estimular o aconselhando a aprofundar seu relato. O con-
selheiro pode resumir sentimentos (“isso deve ter doído”) e/ou os temas
gerais abordados na sessão (“Depois de tudo isso que você disse, me pa-
rece que houve uma porção de fracassos seguidos”). Sempre que fizer um
comentário, o conselheiro deve dar ao aconselhando um tempo para res-
ponder ao que você acabou de dizer.
Perguntar, desde que feito com jeito, pode trazer uma série de in-
formações. As melhores perguntas são aquelas que requerem pelo menos
uma frase ou duas como resposta (por exemplo, “Como é que vão as coisas
no casamento?”, “O que é que está te aborrecendo?”). Mas cuidado pois o
excesso de perguntas pode travar a comunicação.
Confrontar não significa atacar nem condenar impiedosamente uma
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 19
outra pessoa. O confronto pode trazer ao aconselhando uma ideia que ele
pode nunca ter tido, ou jamais teria sozinho. A confrontação pode levar os
aconselhandos a perceber que estão em pecado e a reconhecer suas falhas,
inconsistências, desculpas, pensamentos negativos, ou comportamentos
derrotistas. A melhor maneira de confrontar é fazer cada colocações de forma
gentil, amorosa e sem parecer um julgamento a outra pessoa.
É importante esclarecer que confrontação e aconselhamento não
são sinônimos. Confrontar é uma parte importante, e às vezes difícil, do
aconselhamento, mas não é a única técnica que se pode usar para ajudar
as pessoas.
Interpretar é explicar ao aconselhando o significado de seu com-
portamento ou de outros eventos. Esta é uma habilidade extremamente
técnica que ajuda bastante o aconselhando a ter uma visão mais clara de si
mesmo e das situações em que está envolvido. No entanto, a interpretação
também pode ser danosa, principalmente quando introduzida antes que o
aconselhando possa elaborar a questão emocionalmente, ou quando a inter-
pretação está errada. Uma dica válida é se perguntar se ele está intelectual
e emocionalmente pronto para lidar com isso, e usar termos simples, apre-
sentando as interpretações sem ser taxativo (por exemplo, “Acho que uma
possível explicação seria ...”). Outra dica importante, é dar tempo para que o
aconselhando responda.
Apoiar e encorajar são partes importantes de qualquer situação de
aconselhamento, principalmente no início. Quando as pessoas estão sobre-
carregadas de carências e problemas, precisam muito da sensação de estabi-
lidade e do carinho de uma pessoa que demonstra aceitação e as reconforta.
Apoiar inclui ajudar o aconselhando a lançar mão de seus próprios recursos
espirituais e psicológicos, encorajando-o a agir e ajudando-o a enfrentar
quaisquer problemas ou fracassos que essa ação possa vir a provocar.
ENSINAR
Todas essas técnicas são formas especializadas de ensino psicoló-
gico. O conselheiro é um educador, que ensina através de instrução, exem-
plo e orientando o aconselhando à medida que este aprende a lidar com
os problemas da vida, através da experimentação. Assim como ocorre com
outras formas de instrução menos intimistas, o aconselhamento é mais
eficaz quando as discussões são objetivas e tratam de situações concretas
(“O que é que eu faço para não explodir quando minha mulher me critica?”),
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 20
e não de assuntos vagos (“Quero que minha vida seja mais feliz”).
FILTRAR
Os bons conselheiros não são pessoas cépticas que duvidam de
tudo que o aconselhando diz, mas sempre é bom lembrar que o paciente
nem sempre conta a história toda, e nem sempre revela o que realmen-
te quer ou precisa. Algumas vezes, o aconselhando apresenta um relato
distorcido deliberadamente, ocultando os detalhes comprometedores ou
embaraçosos. Mais frequentemente ainda, os aconselhandos não conse-
guem ver seus problemas sob uma perspectiva mais ampla. Às vezes, eles
chegam pedindo ajuda para resolver um problema, mas não conseguem, ou
não querem, tocar em outros mais profundos.
É interessante durante o aconselhamento tentar categorizar men-
talmente as palavras do aconselhando. O que ele está, realmente, pergun-
tando? O que essa pessoa espera do aconselhamento, na verdade? Será
que existem outros problemas além dos que foram mencionados?
A medida que o conselheiro vai adquirindo mais experiência, ele co-
meça a farejar esses motivos ocultos e se dá conta de que, muitas vezes,
o aconselhando nem sabe que eles existem. Entretanto, nenhum conse-
lheiro deve tentar inventar novas questões, nem forçar os aconselhandos
a falar de tópicos que eles não querem discutir. Mas não há dúvidas de que
o trabalho será mais frutífero se o conselheiro aprender a ouvir com sen-
sibilidade, sabendo que muito do que é dito têm outro significado além do
aparente.
Os tópicos estudados até aqui demonstram a necessidade de que o
conselheiro tenha sabedoria e discernimento. A prática ensina muito, mas
não se pode esquecer que para conseguir esse tipo de sensibilidade é ne-
cessário estar continuamente na Presença e na dependência total do Es-
pírito Santo para obter sabedoria, orientação e perspicácia, através de seu
Santo Espírito.
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 21
BIBLIOGRAFIA
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IGREJA:
UM LUGAR DE CURA
AULA2
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 23
BLOCO1
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 24
A Bíblia mostra que a ideia do homem viver em comunidade nas-
ceu no coração de Deus: “Não é bom que o homem esteja só; farei para ele
alguém que o auxilie e lhe corresponda" (Gênesis 2.18). Com a criação da
mulher, logo a espécie humana começou a crescer em número. Mas após
a queda, não demorou muito para que os conflitos entre as pessoas co-
meçassem a ocorrer. A rivalidade entre os irmãos Caim e Abel resultou em
morte e a terra se encheu de violência. Depois do grande dilúvio, os confli-
tos recomeçaram, e permanecem até hoje.
Ao longo dos séculos, houve alguns eremitas que acreditaram que
viver longe da sociedade traria maior santidade e purificação espiritual, mas
como afirma o poeta John Donne: “Nenhum homem é uma ilha, completo
em si mesmo”. Embora o homem continue com um estilo de vida de com-
petição, ele precisa (e tem necessidade) conviver com outros semelhantes.
Não é bom, nem saudável, viver isolado.
Apesar dessa conclusão, a cultura ocidental ainda tende a valorizar
a independência e o individualismo exacerbado. Muito se fala em coope-
ração e apoio mútuo, mas a sociedade admira uma pessoa que venceu na
vida sozinha ensinando assim que é melhor resolver os problemas pessoais
sem a ajuda de ninguém. Neste contexto, Stanley Grenz (2008), aponta al-
gumas características marcantes da sociedade pós-moderna atual:
1. Solidão
• Dificuldades em compartilhar a vida, temores e angústias.
• Superficialidade.
• Isolamento através da tecnologia.
• Sozinho fica vulnerável e não encontra satisfação.
2. Competição
• Conceito utilitarista das pessoas (o valor no que tem e no que
produz).
IGREJA: UM LUGAR DE CURA
AULA 2 BLOCO 1
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 25
• Pessoas competitivas, desconfiadas, vendo os outros como
adversários.
• Estilo de vida egoísta.
3. Descartabilidade
• Pessoas consideradas descartáveis quando inaptas para a
produção.
• Construção do sentimento de desvalor e inutilidade existencial,
gerando angústia, depressão e enfermidades da alma.
4. Padrões de comportamento distorcidos racionalizados como normais
• Sexualidade distorcida.
• Hábito de mentir.
• Dificuldades em desenvolver relacionamentos profundos e
saudáveis.
• Dificuldades em a amar e ser amado.
• Vícios e compulsões cada vez mais frequentes.
5. Crescentes medos, temores e ansiedade
• Autoconsumo de tranquilizantes.
• Abuso sexual e verbal.
• Aumento da violência.
6. Desintegração familiar
• A falta de quem ensine limites, forme caráter, gere senso de per-
tencer, dê identidade e equilíbrio emocional.
• Pessoas que vivem sob o mesmo teto, mas sem compartilhar
suas vidas e seus sentimentos profundos.
Há outras características, mas é importante perceber que essas ca-
racterísticas são expressões do pecado na vida humana como um todo, que
levam a uma desintegração do ser perfeito criado por Deus.
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 26
O CHAMADO DE CUIDADO DA IGREJA
Após traçar o perfil para entender a sociedade e conhecer as carac-
terísticas daqueles que chegam para a comunidade da igreja, é necessário
refletir em como a igreja precisa recebê-los, ou então, no tipo de ambiente
que eles devem encontrar.
Durante seu ministério, Jesus manteve conversas individuais com
várias pessoas para discutir suas necessidades pessoais e, frequentemen-
te, reunia-se com pequenos grupos. Neste contexto, o grupo que Jesus
mais dedicou-se foi o de discípulos (“os doze”) que Ele preparou para assu-
mir a obra depois de sua ascensão.
Foi em uma dessas conversas com os discípulos, que Jesus men-
cionou a palavra igreja pela primeira vez: “E eu lhe digo que você é Pedro, e
sobre esta pedra edificarei a minha igreja (ekklêsia), e as portas do Hades
não poderão vencê-la.” (Mateus 16.18). Neste contexto, os discípulos reco-
nheceram Jesus publicamente como seu Senhor e aceitaram os princípios
do reino de Deus (CHAMPLIN, 2006).
Nos anos que se seguiram à ascensão de Jesus Cristo, foi justa-
mente a igreja que deu continuidade ao seu ministério de ensino, evange-
lização, ministração e aconselhamento. O livro de Atos e as epístolas do
Novo Testamento mostram que a igreja não era apenas uma comunida-
de dedicada à evangelização, ao ensino e ao discipulado, mas era também
uma comunidade terapêutica.
Richard Almond define comunidades terapêuticas como “grupos
de pessoas que se caracterizam por um profundo compromisso entre seus
membros e por um interesse comum na cura de males psicológicos, com-
portamentais ou espirituais.” (apud COLLINS, 2004, p. 21) Nos últimos anos,
os profissionais ligados à saúde mental se deram conta do valor dos grupos
terapêuticos, nos quais um membro ajuda o outro, apoiando, questionando,
orientando e encorajando, de uma forma que só ocorre nesse tipo de con-
texto. Alguns cuidados sempre devem ser levados em consideração para
que esses grupos não se tornem nocivos, com encontros caóticos em que o
objetivo principal é criticar e constranger os participantes, em vez de edifi-
car e estimular cada membro a ter uma atitude mais aberta e positiva. Mas,
de todas as instituições da sociedade, a igreja é a que tem maior potencial
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 27
como comunidade terapêutica. Por quê? (CLINEBELL, 2011).
A resposta pode ser encontrada nas passagens bíblicas que foram
utilizadas na formação da igreja. De maneira singular pode-se ver isso em
duas passagens neotestamentárias que apontam para os propósitos de
Deus para o homem e para a igreja: O Grande Mandamento e a Grande Co-
missão. Essas duas passagens revelam os cinco propósitos de Deus para o
homem e para a igreja, que deve ser desenvolvido tanto numa perspectiva
devocional-pessoal como também na coletividade (WARREN, 2008).
Grande Mandamento. "Mestre, qual é o maior mandamento da Lei?
"Respondeu Jesus: "‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de
toda a sua alma e de todo o seu entendimento’. Este é o primeiro e maior
mandamento. E o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a
si mesmo’. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas"
(Mateus 22.36-40).
Grande Comissão. “Portanto, vão e façam discípulos de todas as
nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensi-
nando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com
vocês, até o fim dos tempos" (Mateus 28.19-20).
Jesus mostrou aos seus discípulos como evangelizar e ensinar, e
orientou a Igreja Primitiva através de seu exemplo de vida e de sua instru-
ção quanto aos aspectos teóricos e práticos do cristianismo, afirmando que
todo o seu ensino podia ser resumido em duas leis: amar a Deus e amar ao
próximo. Veja que interessante o aspecto que o apóstolo Paulo traz sobre
como o crente pode cumprir a lei reforçada por Jesus: “Levem os fardos
pesados uns dos outros e, assim, cumpram a lei de Cristo.” (Gálatas 6.2).
Os primeiros crentes se reuniam numa comunhão, ou koinonia, que
envolvia o relacionamento comunitário entre os membros, a participação
ativa de todos na expansão do evangelho e na edificação dos crentes, e o
compartilhamento de ideias, experiências, adoração, necessidades e bens
materiais (WARREN, 2008).
Todos esses aspectos só podem existir no âmbito do Corpo de Cris-
to, onde cada membro recebeu os dons e habilidades necessários para a
edificação da igreja. A igreja local pode diminuir ou eliminar a sensação de
isolamento dos indivíduos ao atender à necessidade que todos nós temos
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 28
de fazer parte de um todo. Mas a igreja vai além, ela pode dar apoio aos
abatidos, curar os doentes e proporcionar orientação às pessoas que pre-
cisam tomar decisões difíceis ou que estão a caminho da maturidade como
nenhuma outra instituição da sociedade pode fazer (BISHOP, 1985).
Um dos fatores para a igreja se tornar um local terapêutico cada
vez mais eficiente e poderoso, é o investimento no preparo e experiências
do conselheiro. O conselheiro cristão pode buscar diversas ferramentas que
o ajudem no processo de crescimento no aconselhamento, como estágios
supervisionados, treinamento de sensibilidade em grupo, terapia pessoal
ou outras experiências educacionais semelhantes.
Cada uma dessas práticas tem como objetivo aumentar o autoco-
nhecimento, facilitar a auto aceitação, e remover os bloqueios emocionais
e psicológicos que prejudicam a eficácia do aconselhamento. Embora esses
exercícios sejam muito úteis e altamente recomendados, algumas vezes
podem ignorar a maior fonte de força e sabedoria que um conselheiro cris-
tão tem à sua disposição em todo o tempo: a sabedoria de Deus comparti-
lhada através de Jesus e do Espírito Santo
A Bíblia descreve Jesus como o Maravilhoso Conselheiro: “Porque
um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os
seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Podero-
so, Pai Eterno, Príncipe da Paz.” (Isaías 9.6). Ele é o conselheiro dos conse-
lheiros, sempre disposto a animar, guiar e dar sabedoria aos que se dedi-
cam à tarefa de ajudar seus semelhantes.
O Espírito Santo não atuou somente na igreja primitiva, mas dá até
hoje prosseguimento à Sua obra de aconselhamento: “Vocês não sabem
que são santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?” (1
Coríntios 3.16).
É o Espírito Santo que regenera e concede fé a quem crê (Tito 3.5) e
que capacita o crente a compreender a vida em todos os seus aspectos sob
a ótica da revelação divina (CHAFER, 2003).
Logo, um conselheiro cristão não pode ficar tão envolvido com te-
orias e técnicas de aconselhamento, a ponto de se esquecer de qual é a
verdadeira fonte de toda ajuda duradoura: o próprio Deus. Sobre isso, Gray
Collins (2004) afirma:
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 29
“A principal ajuda que um conselheiro cheio do Espírito Santo recebe não está
baseada nas teorias mais recentes dos especialistas em aconselhamento e psico-
logia, mas na frase Assim diz o Senhor. O conselheiro cristão realmente eficiente
é apenas uma pessoa preparada que se dispõe a servir de instrumento através do
qual o Espírito Santo irá transformar vidas.” (COLLINS, 2004).
A igreja foi estabelecida a fim de cumprir a grande comissão e o
grande mandamento e Jesus mostrou como fazer por meio de seu exem-
plo. Cada membro que é parte desse corpo, tem recebido dons e habilida-
des para edificar a igreja. É necessário liberar a cura sobre todos que neces-
sitam para que possam cumprir seu chamado, e sem medo, sejam plenos
no que foram criados e chamados para ser.
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 30
A HONRA NO
ACONSELHAMENTO
BLOCO2
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 31
A honra é um dos valores essenciais mais vitais para criar um lugar
seguro onde às pessoas possam ser livres. A honra protege o valor que
as pessoas dão àqueles que são diferentes delas. As pessoas livres não
podem viver juntas sem a honra: em contrapartida, a honra só pode ser
usada com êxito entre pessoas que tenham um senso de responsabilidade
pessoal em preservar a liberdade ao redor delas (SILK, 2015).
Sem o valor essencial da honra, descobrimos que o nosso descon-
forto perto daqueles que optam por viver de uma forma que não faríamos
nos leva a impedir a liberdade deles. Isso é válido também para os ambien-
tes de aconselhamento cristão. Quando os envolvido no aconselhamento
praticam a honra, o amor e a confiança são promovidos e o medo não tem
permissão para governar as decisões. Dessa forma, a liberdade pode ser
respeitada e preservada.
Paulo escreveu aos Gálatas sobre o fato de que os cristãos são um
povo que foi chamado para andar em liberdade e amor por intermédio do
governo interno do Espírito de Deus.
“Digo,porém,que,enquanto o herdeiro é menor de idade,em nada difere de um
escravo, embora seja dono de tudo. No entanto, ele está sujeito a guardiães e ad-
ministradores até o tempo determinado por seu pai. Assim também nós,quando
éramos menores, estávamos escravizados aos princípios elementares do mundo.
Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de
mulher, nascido debaixo da lei, a fim de redimir os que estavam sob a lei, para
que recebêssemos a adoção de filhos. E, porque vocês são filhos, Deus enviou o
Espírito de seu Filho aos seus corações, o qual clama: "Aba, Pai". Assim, você já
não é mais escravo, mas filho; e, por ser filho, Deus também o tornou herdeiro.”
(Gálatas 4.1-7).
O cristão não é mais escravo, mas filho. Essa visão faz toda a dife-
rença no aconselhamento. Note que, o escravo segue o caminho da menor
resistência, onde não é exigido que ele assuma a plena responsabilidade
por seus pensamentos e comportamentos. O escravo nunca desenvolve os
A HONRA NO ACONSELHAMENTO
AULA 2 BLOCO 2
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 32
músculos morais para lidar com opções limitadas. Mas na cultura do Reino,
espera-se que os filhos e filhas de Deus não apenas sejam livres, mas tam-
bém entendam porque são livres, de modo a exercer essa liberdade visando
o propósito dela: o amor.
“Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade
para dar ocasião à vontade da carne; pelo contrário, sirvam uns aos outros me-
diante o amor. Por isso digo: vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão
os desejos da carne.” (Gálatas 5.13,16).
O sucesso do aconselhamento segundo os padrões do Reino está
em usar a liberdade para amar através do andar no Espírito. Por esse moti-
vo, se o conselheiro quiser ajudar alguém a andar em liberdade, precisa tra-
tar com o espírito do homem e não simplesmente com seu comportamento
(SILK, 2015).
No capítulo anterior da carta aos gálatas, Paulo escreve que aque-
les que são guiados pelo Espírito, expressam o Seu caráter como fruto em
suas vidas. Uma das expressões utilizadas pelo apóstolo para descrever
esse fruto é mansidão: “vocês, que são espirituais deverão restaurá-lo com
mansidão” (Gálatas 6.1).
Uma das mentiras impregnadas em culturas cristãs é de que igreja
seja um lugar onde não vai haver nenhum pecado ou nenhum problema. Isso
simplesmente não é verdade. Se o conselheiro não estiver preparado para li-
dar com essas situações, então há uma tendência de se criar uma cultura da
Lei, a fim de impedir as pessoas de pecar. A mensagem dessa cultura é: “Con-
tenha o seu pecado e seus problemas dentro de você. Não mostre a mim, eu
não sei lidar com ele.” Essa era exatamente a fala dos fariseus.
Para estabelecer um ambiente de aconselhamento pautado na
honra e na graça, o conselheiro precisa ter maneiras eficazes de lidar com
os problemas das outras pessoas, de forma a criar ambientes que retirem
os dejetos pardas pessoas em vez de fazer parte de quem elas são.
AS FERRAMENTAS
// O uso do CONFRONTO
Tradicionalmente, confronto e conflito são sinônimos. Essas pa-
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 33
lavras ativam pensamentos de luta e ofensa. O pastor Danny Silk (2015)
acredita que para evitar isso é necessário que esteja claro para o conselhei-
ro quais são os objetivos de um confronto segundo a cultura da honra:
• Apresentar as consequências de uma situação a fim de
ensinar e fortalecer.
• Trazer à tona o que as pessoas esquecem acerca de si
mesmas quando falham.
• Fazer um convite a fortalecer um vínculo de relaciona-
mento com alguém.
• Aplicar pressão estrategicamente a fim de expor áreas
que precisam de força e graça.
Dessa forma, o processo de confronto passa a ser um processo de
capacitação e não de dominação. Ele oferece ao aconselhado força e sabe-
doria ao invés de controle e punição.
Deus não precisa controlar ninguém, e Ele não tem medo dos pro-
blemas, dos conflitos ou pecados. Ele sabe que a única maneira de efetivar
uma real mudança é quando as pessoas forem livres para mudar.
Jesus, como o Grande Conselheiro, é também o exemplo de con-
frontação. Ele não tinha medo na presença dos erros das pessoas e não
tinha medo de confrontá-las, se necessário, com uma invasão amorosa da
verdade. Quer fossem os discípulos, o jovem rico ou a mulher junto ao poço,
Ele era capaz de ajudar as pessoas a identificarem o que estava se passan-
do abaixo da superfície.
O confronto bem-sucedido constrói relacionamentos e fortalece
vínculos de aliança. Ele é uma arte construída sobre certas habilidades, mas
o que é mais importante, é um estilo de vida que flui das convicções e va-
lores essenciais. Quanto mais o conselheiro estabelece os objetivos do céu
para o confronto e o aconselhamento, mais estará posicionado para liberar
o céu na vida dos aconselhados.
// o ACONSELHAMENTO EM GRUPO
Até pouco tempo atrás, o aconselhamento mais comumente rea-
lizado na igreja era uma relação um para um: um conselheiro, um aconse-
lhando, uma sessão por semana, com uma hora de duração. Esse tipo de
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 34
aconselhamento individual tende a ser muito benéfico, mas tem-se nota-
do que práticas comunitárias de aconselhamento podem alcançar mais e
maiores benefícios.
Collins (2004) afirma que tais benefícios podem ser maximizados
quando o aconselhando faz parte de um ou mais grupos de apoio. Muitas ve-
zes é a família que dá esse suporte. Outras vezes, o encorajamento vem de
amigos ou de colegas de trabalho. Mas o ideal é que a igreja local, através da
comunhão do Corpo, esteja provendo grande parte do companheirismo, ins-
trução, reforço, orientação, aceitação e apoio de que o indivíduo necessita.
A moderna terapia de grupo começou no início do século XX, quan-
do o clínico Joseph Pratt, organizou seus pacientes tuberculosos em grupos
de 15 a 25 pessoas. Logo ficou claro que aquelas reuniões eram uma opor-
tunidade para os pacientes falarem de seus problemas, animarem uns aos
outros e desenvolverem laços de amizade e solidariedade.
Gary Collins (2004) acredita que o aconselhamento em grupo é
uma abordagem muito eficaz de solução de problemas, e que os grupos
apresentam uma série de fatores curativos que podem ser maximizados no
ambiente favorável da igreja local. Eles podem, por exemplo:
• Gerar esperança e otimismo.
• Diminuir a sensação que cada pessoa tem de ser o único
que tem aquele problema.
• Permitir a troca de informações sobre saúde emocional e
problemas específicos dos aconselhados.
• Criar um clima de altruísmo, onde os participantes podem
dar ajuda, apoio, encorajamento e amor.
• Ensinar coisas novas, de modo que as pessoas possam
mudar de comportamento e aprender a agir de modo mais positivo.
• Ajudar as pessoas a adquirir e aplicar técnicas de manejo
social, para que possam se relacionar com os outros de uma forma
mais madura e eficaz.
• Apresentar modelos de comportamento que as pessoas
possam seguir para melhorar seu desempenho, através dos exem-
plos do líder ou de outros membros do grupo.
• Dar oportunidade para que todos expressem seus senti-
mentos.
• Dar aos membros um senso de aceitação, coesão e rela-
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 35
cionamento íntimo.
• Ajudar as pessoas a lidar com questões importantes
como, por exemplo, responsabilidade pessoal, valores fundamen-
tais, o significado da vida, ou senso de valor.
• Dar oportunidade para que busquem juntos a orientação
e cura de Deus.
De fato, o processo de aconselhamento em grupos terapêuticos é
de fundamental importância também na igreja, pois viabiliza a elaboração
psicossocial de seus participantes, fortalece sua autoestima, cria vínculos
afetivos, diminui a resistência das relações interpessoais, possibilitando a
expressividade de cada um.
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 36
CRISES NO
ACONSELHAMENTO
BLOCO3
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 37
Ninguém atravessa a vida sem nenhuma instabilidade, fracasso ou
medo. Muitas pessoas passam ou já passaram por ansiedades e crises que
as desestabilizaram, temporariamente, mas conseguiram encontrar na si-
tuação desfavorável, a motivação e a coragem necessárias para superar as
dificuldades.
Uma crise é um momento de decisão que não pode ser evitado. As
situações de crise podem ser esperadas ou inesperadas, reais ou imaginá-
rias, reais (como a morte de um ente querido) ou potenciais (como a proba-
bilidade de que um ente querido venha a falecer em breve).
Do ponto de vista psicológico e espiritual, a crise pode ser vista sob duas
óticas diferentes: perigo ou oportunidade.
• PERIGO
Uma crise representa perigo porque interrompe o curso normal
da vida e traz situações difíceis e inesperadas para a pessoa. Damasceno
(2004) afirma que à medida que se aproxima a idade adulta, cada pessoa
desenvolve várias técnicas de resolução de problemas, baseadas em suas
próprias experiências, educação e traços de personalidade. Um adulto sau-
dável aprende a resolver esses problemas inesperados e se torna capaz de
enfrentar, com sucesso, as inseguranças e desafios da vida.
Alguns desses problemas inesperados se tornam uma crise quan-
do se trata de situações anormalmente difíceis e complicadas. Pode ser a
perda de alguém ou de alguma coisa muito importante, ou uma mudança
repentina de status ou função social, ou, ainda, o surgimento de pessoas ou
acontecimentos novos e ameaçadores.
Muitas vezes, a seriedade dessa nova situação torna ineficazes os
meios já aprendidos para lidar com o estresse e resolver problemas. Isso
pode desencadear em confusão e desorientação, despertando sentimen-
tos como incapacidade, ansiedade, raiva, desânimo, tristeza ou culpa. Esse
CRISES NO ACONSELHAMENTO
AULA 2 BLOCO 3
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 38
tumulto intelectual, comportamental e emocional geralmente é temporá-
rio, mas pode durar várias semanas, ou até mais (DAMASCENO, 2004).
• OPORTUNIDADE
Outra ótica pode ser observada em um momento de crise: a ótica
da oportunidade. As crises podem se tornar uma oportunidade de efetuar
mudanças na vida, amadurecer a personalidade e aprender a reagir melhor
diante das dificuldades. Outro ponto interessante é que como as pessoas
em crise geralmente se sentem confusas, elas ficam mais abertas a rece-
ber ajuda externa, inclusive da parte de Deus e de um conselheiro.
A reação em meio a um momento de crise varia de pessoa para
pessoa. Há indivíduos que tentam ignorar a crise, apelando para mecanis-
mos de fuga. Outros, se fecham em fantasias irracionais, ou entram em
desespero, ou reagem de uma forma socialmente inaceitável.
Na área da medicina, a palavra crise refere-se a um momento cru-
cial em que ocorre uma mudança qualquer, quer implique em melhora e re-
cuperação do paciente, quer leve ao declínio e morte. Collins (2004) acredita
que as crises emocionais e espirituais ocorrem desta mesma forma.
Ascrisesemocionaiseespirituaissãomomentosdedecisãoque,inevitavelmente,
ocorrem na vida de qualquer indivíduo. Viver é passar por crises. Atravessar
crises é chegar a esses momentos decisivos que podem nos fazer crescer e ama-
durecer, ou então deteriorar e permanecer na imaturidade (COLLINS, 2004).
Nessas situações, o conselheiro cristão ocupa uma posição estra-
tégica, já que pode influenciar o modo como a crise será resolvida. O conse-
lheiro cristão pode auxiliar o indivíduo a avaliar a situação de crise de forma
equilibrada procurando levá-lo a desenvolver uma técnica para resolver o
problema que seja criativa e realista, de forma que se torne um aprendizado
que seja útil em situações futuras.
Podemos identificar três tipos de crise atualmente:
1. Crises Acidentais ou Circunstanciais.
Ocorrem quando surge uma ameaça repentina, uma oscilação vio-
lenta, uma perda inesperada.
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 39
• A morte de um ente querido,
• A descoberta de uma doença grave,
• Um abuso físico,
• Uma gravidez fora do casamento,
• Perturbações sociais como guerra ou depressão econômica,
• A perda do emprego ou das economias.
Uma observação interessante feita por especilaistas é que aconte-
cimentos estressantes que se originam fora da família (perseguições, de-
sastres naturais, incêndio de grandes proporções ou preconceito racial, por
exemplo), geralmente fortalecem os laços e os membros se unem para su-
perar a crise. Já nos casos em que o estresse é interno (como uma tentativa
de suicídio, um adultério, alcoolismo) a crise é mais grave e pode provocar o
rompimento familiar.
2. Crises do Crescimento.
Esse tipo de crise acontece no curso do desenvolvimento normal do
ser humano. O primeiro dia na escola, a saída de casa para estudar em outra
cidade, os ajustes no início do casamento, a chegada dos filhos, a reação às
críticas, a aposentadoria ou perda da saúde. Essas situações podem requerer
a aplicação de novas estratégias para se adaptar às condições novas.
3. Crises Existenciais.
Há momentos em que todos temos que enfrentar verdades e
questionamentos perturbadores sobre nós mesmos. São conclusões sobre
a própria vida que requerem tempo e esforço para serem assimiladas. Elas
representam mudanças na autopercepção, que podem ser negadas tem-
porariamente, mas em um determinado momento, a pessoa saudável, terá
que enfrentá-las para que a vida possa seguir seu curso normal.
O profeta Elias passou por um momento assim. Depois de uma
grande vitória espiritual, ele foi perseguido por Jezabel e fugiu para o deser-
to, onde concluiu que sua vida era um fracasso. Jonas teve pensamentos
semelhantes quando argumentou com Deus. Em meio às lutas, Jó deve ter
questionado: “O que será da minha vida agora?” E, provavelmente, os discí-
pulos tiveram esses tipos de pensamentos logo após a crucificação.
E muito difícil dar uma resposta definitiva quando as pessoas per-
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 40
guntam a razão de estarem passando por determinadas crises. O que se
pode afirmar é que as crises podem ser experiências de aprendizado que
moldam o caráter, ensinam a respeito de Deus e de sua provisão, e estimu-
lam o crescimento.
• AUXÍLIO NAS CRISES
Ao se deparar com uma situação de crise o conselheiro cristão pode
ajudar os aconselhandos a enfrentá-las de forma a levá-lo ao crescimento.
No decorrer do curso serão expostos mais detalhadamente diferentes tipos
de crises, mas existem técnicas de aconselhamento que se aplicam a todos
os casos. São chamadas de intervenção.
Intervir nas crises é um meio de prestar primeiros socorros emocio-
nais, de caráter imediato e temporário, a vítimas de traumas psicológicos e
físico. O interventor precisa agir hábil e rapidamente diante de comporta-
mentos muitas vezes desorganizado, confuso e potencialmente perigosos.
Como as crises geralmente surgem de repente e são de duração limitada, é
melhor tratá-las tão logo aparecem (COLLINS, 2004).
O conselheiro precisa perceber que cada há individualidades a se-
rem tratadas em cada situação. Existem diferenças de flexibilidade, manei-
ras de reagir, capacidade de aprender novas técnicas de ajuste, força física,
resistência psicológica e níveis de maturidade emocional e espiritual.
Mas de uma forma geral, o aconselhamento nas crises visa:
• Ajudar a pessoa a superar o momento agudo da crise e
voltar ao seu estado normal.
• Diminuir o nível de ansiedade, preocupação e outras in-
seguranças que podem surgir durante a crise e permanecer depois
que ela passar.
• Ensinar técnicas de controle de emergências para que a
pessoa possa antever e lidar eficazmente com crises futuras.
• Ministrar os ensinamentos bíblicos sobre situações de
crise, para que a pessoa possa tirar lições dos acontecimentos e
amadurecer.
A Bíblia sempre apresenta uma mensagem de esperança. Em todo
tipo de aconselhamento, há maior probabilidade de haver melhora se os
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 41
aconselhandos tiverem uma esperança realística no futuro. A esperança
traz alívio do sofrimento, porque se baseia na crença de que as coisas vão
melhorar. A esperança nos ajuda a evitar o desespero e libera energia para
enfrentar a situação de crise.
O conselheiro cristão pode transmitir esperança, por exemplo, tra-
zendo passagens das Escrituras, que reanimam e dão uma esperança ba-
seada na natureza imutável de Deus e na sua Palavra.
Os conselheiros que atuam em situações de crise não podem tratar
todas as pessoas (ou grupos, inclusive famílias) da mesma maneira, pois
os indivíduos não são iguais. Existem diferenças de flexibilidade, maneiras
de reagir, capacidade de aprender novas técnicas de ajuste, força física, re-
sistência psicológica e níveis de maturidade emocional e espiritual. Tendo
estas diferenças em mente, o conselheiro pode intervir de maneira sábia
em um momento de crise.
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 42
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PESSOAS ENVOLVIDAS
NO ACONSELHAMENTO
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ACONSELHAMENTO CRISTÃO 44
RELACIONAMENTO
CONSELHEIRO E
ACONSELHADO
BLOCO1
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“Cadaumcuide,nãosomentedosseusinteresses,mastambém dos interessesdos
outros. Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus.” (Filipenses 2.4-5)
A Bíblia mostra que faz parte da vida do cristão o cuidar uns dos
outros. Uma das muitas maneiras que isso pode acontecer é através do
aconselhamento.
Quem são os personagens envolvidos diretamente nesse cuidado?
• O CONSELHEIRO, O ACONSELHADO E O ESPÍRITO SANTO.
Todo cristão é um conselheiro pois todos temos a responsabilidade
de cuidar uns dos outros. É muito gratificante aconselhar, mas também é
um trabalho de persistência e, algumas vezes, pode trazer certo desgaste
emocional dependendo de como a situação é tratada.
O aconselhamento exige muita concentração e às vezes faz sofrer
quando o conselheiro vê a pessoa infeliz ou pessoas que não apresentam
melhora. Algumas vezes o conselheiro se lembra das suas próprias inse-
guranças ou conflitos e isso pode colocar em risco a própria estabilidade
emocional e a autoestima. Entretanto, esses não podem ser os parâmetros
que regem o conselheiro cristão.
O padrão do conselheiro cristão deve estar pautado na confiança e na
alegria.
A tarefa de um conselheiro cristão é olhar para frente, para além do
problema ou da circunstância, em direção aos bons presentes que Deus de-
seja entregar a todos, especialmente a seus filhos. Os planos de Deus são
sempre bons, Deus está de bom humor e deseja abençoar Seu povo sobre
a terra (JOHNSON, 2017).
“Tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé. Ele, pela alegria
que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à
RELACIONAMENTO CONSELHEIRO E ACONSELHADO
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ACONSELHAMENTO CRISTÃO 46
direita do trono de Deus.” (Hebreus 12.2)
Jesus suportou muito enquanto esteve na terra, e Ele o fez pela pro-
messa de alegria que estava colocada diante dele. Tudo o que Ele suportou foi
por causa da alegria que viria. Assim precisa ser o olhar do conselheiro.
A plenitude de Jesus na cruz resulta no fato de que agora, o cristão
pode lutar a partir da vitória, e não mais pela vitória.
O conselheiro não precisa carregar o peso de outra pessoa porque
Jesus já o fez na cruz. Se o conselheiro assimila esse pensamento e o co-
loca em seu coração, a maneira de aconselhar será transformada. Quando
o conselheiro se torna confiante naquilo que Jesus fez, ele se tornará um
liberador do Seu Reino aqui na terra.
A Bíblia aponta que os salvos cuidem uns dos outros e isto, certamen-
te, inclui o aconselhamento, mas precisamos desenvolver um aconselhamen-
to eficiente, para atingir esta eficiência vamos trabalhar alguns pontos:
• O FOCO NÃO É O CONSELHEIRO
Um desejo sincero de auxiliar as pessoas a se desenvolverem é uma
razão válida para tornar-se um conselheiro, mas existem outras razões que
motivam o conselheiro e interferem na eficácia do aconselhamento. Gary
Collins (2004) observa alguns fatores que ajudarão o conselheiro a fazer
esta avaliação:
1. Curiosidade – Necessidade de Informação. Ao descrever seus proble-
mas, os aconselhados, no geral, oferecem certas informações que não con-
tariam a mais ninguém de outra forma. O conselheiro precisa ter cuidado,
pois, algumas vezes, pode pressionar para obter mais informações somen-
te para obter mais detalhes. Nestes casos, com frequência, ele não conse-
gue manter o sigilo. Os aconselhandos vão descrever problemas profundos,
detalhes que não poderiam ser ditos em outras circunstâncias. Estas confi-
dencias jamais devem ser expostas.
2. A Necessidade de Manter Relações –Todo ser humano precisa de in-
timidade e é natural que se desenvolva intimidade entre o conselheiro e
o aconselhando, mas o ideal é que o conselheiro tenha relacionamentos
íntimos com outras pessoas que não sejam os aconselhados. É normal o
aconselhado considerar o conselheiro seu melhor amigo, pelo menos tem-
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porariamente, mas o conselheiro precisa ter outros relacionamentos para
satisfazer a necessidade que todos têm de relacionamento. O desejo de
se envolver socialmente com o aconselhado pode ser um sinal que está
atendendo uma necessidade de companheirismo do conselheiro, isso não
é necessariamente ruim, mas os amigos nem sempre são os melhores con-
selheiros.
3. A Necessidade de Poder – o conselheiro precisa ter cuidado com o con-
trole. O conselheiro autoritário gosta de endireitar os outros, dar conselhos
(mesmo quando não solicitado), e desempenhar o papel de solucionador de
problemas. O conselheiro não tem o papel de tomar decisões por alguém, o
conselheiro está ali para orientar e mostrar caminhos.
4. A Necessidade de Socorrer – o conselheiro precisa ter cuidado para não
querer resolver os problemas dos aconselhados quando estes não conse-
guem. Isso vai satisfazer o aconselhado, mas não vai resolver o problema.
É sempre preciso lembrar que o conselheiro cristão aconselha pessoas li-
vres e visa levar essas pessoas a serem poderosas em suas vidas e não
codependentes. O aconselhado tem de aprender a tomar suas decisões e
assumir responsabilidades por elas.
5. A Necessidade de Cura – o conselheiro precisa ter convicção que está
curado e pronto para aconselhar. Se isso não estiver bem resolvido o con-
selheiro pode manipular, expiar sua culpa, agradar alguma figura de autori-
dade, expressar hostilidade, resolver conflitos sexuais e provar que é inte-
lectualmente capaz, espiritualmente maduro e psicologicamente estável.
Um outro fator muito importante é a do conselheiro distinguir com clareza
o seu papel e as suas responsabilidades.
Algumas áreas que podem ocorrer confusão de papeis:
1. Visitar versus aconselhar. Visitar é uma atividade que ocorre numa rela-
ção de amizade e que envolve uma conversa onde há troca mútua de infor-
mações. Já no aconselhamento, a conversa tem um determinado objetivo
e gira em torno de um problema específico, visando primordialmente as
necessidades de uma pessoa: o aconselhando. Todo aconselhamento pode
envolver visitas periódicas, mas quando estas se prolongam e passam a ser
um fim em si mesmas, a eficiência do processo é prejudicada.
2. Precipitação versus cautela. Pessoas ocupadas e objetivas geralmente
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querem acelerar o processo de aconselhamento para chegar logo a um re-
sultado satisfatório. O processo de cura não pode ser acelerado. Quando o
ritmo é lento e relaxado, o conselheiro fica menos sujeito a emitir julgamen-
tos precipitados e o aconselhando, normalmente, sente que há mais apoio
e interesse da parte do conselheiro.
3. Desrespeito versus compreensão. Alguns conselheiros rotulam as pes-
soas com muita rapidez e depois despacham os indivíduos com avaliações
precipitadas, uma rápida confrontação ou um conselho inflexível. São pou-
cas as pessoas que apresentam alguma melhora quando o conselheiro não
sabe ser compreensivo e sensível as questões apresentadas.
4. Preconceito versus imparcialidade. Há momentos em que o aconse-
lhando precisa ser confrontado por causa de um pecado ou comportamen-
to inadequado, mas isso não é o mesmo que condenar ou pregar para a
pessoa durante a sessão de aconselhamento. Quando os aconselhandos
se sentem atacados, podem adotar três tipos de atitude: ou se defendem
(geralmente com agressividade), ou se mostram resignados e dizem: “De
que adianta isso tudo?”, ou continuam com o conselheiro temporariamente,
de má vontade.
5. Dar ordens em vez de explicar. Este é um erro comum e, pode ser um
reflexo do desejo inconsciente do conselheiro de dominar e exercer contro-
le. Quando os aconselhandos recebem instruções sobre o que devem fazer,
eles acabam confundindo a opinião do conselheiro cristão com a vontade
de Deus, sentem-se culpados e incompetentes se não seguirem o conselho
recebido e raramente aprendem como amadurecer espiritual e emocional-
mente. Desta forma não conseguem chegar ao ponto de poderem tomar
suas próprias decisões sem ajuda.
6. Envolvimento emocional em vez de objetividade. Existe uma frontei-
ra muito tênue entre ser carinhoso e se tornar tão envolvido a ponto de
não poder prestar ajuda alguma. Isto acontece, principalmente, quando o
aconselhando está muito perturbado, confuso ou enfrenta um problema
semelhante aquele que o próprio conselheiro está passando.
7. Impaciência em vez de postura realista. Muitos conselheiros ficam
desanimados e até ansiosos quando não veem progresso imediato em
seus aconselhandos. Os problemas, geralmente, levam muito tempo para
se desenvolverem e presumir que eles desaparecerão rapidamente por
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causa das intervenções do conselheiro não é uma postura muito realista.
Mudanças instantâneas acontecem, mas são raras. O mais comum é levar
um tempo até que o aconselhando abandone sua maneira de pensar e seu
comportamento anteriores, substituindo-os por algo novo e melhor.
8. Artificial em vez de autêntico. Os conselheiros às vezes impõem a si
mesmos o fardo de acreditar que devem ser perfeitos, saber sempre o que
dizer e o que fazer, nunca cometer erros e ter sempre o conhecimento e a
habilidade necessários para resolver qualquer problema de aconselhamen-
to. Conselheiros deste tipo, geralmente, têm dificuldade de admitir suas
próprias fraquezas e falta de conhecimento. Eles ficam tão ansiosos de se-
rem bem-sucedidos que se tornam artificiais, distantes e até pretensiosos.
9. Defensivo em vez de empático. A maioria dos conselheiros se sente
ameaçada durante o aconselhamento, uma vez ou outra. A capacidade de
ouvir com empatia fica bloqueada quando estamos sendo criticados, ou
quando temos consciência de que não estamos ajudando, ou quando nos
sentimos culpados, ou ainda quando o aconselhando parece que vai nos
agredir.
O conselheiro cristão precisa manter uma atitude vigilante para
evitar esses riscos. Como ajudadores cristãos, o conselheiro honra a Deus
executando sua tarefa da melhor forma possível, assumindo humildemente
seus erros, desculpando-se por eles e usando-os como situação de apren-
dizagem e degraus de acesso para seu desenvolvimento.
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 50
O PAPEL DO ESPÍRITO
SANTO
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ACONSELHAMENTO CRISTÃO 51
A maior fonte de força e sabedoria que um conselheiro cristão tem
a sua disposição é o Espírito Santo, que guia e habita em todo discípulo de
Cristo. Jesus Cristo quando subiu aos céus deixou um outro ajudador, con-
selheiro que é o Espírito Santo, o Espírito da verdade:
“E eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Conselheiro para estar com vocês para
sempre, o Espírito da verdade. O mundo não pode recebê-lo, porque não o vê
nem o conhece. Mas vocês o conhecem,pois ele vive com vocês e estará em vocês.”
(João 14.16-17).
Um cristão pode ficar tão envolvido com teorias e técnicas de acon-
selhamento, que acaba se esquecendo de qual é a verdadeira fonte de toda
ajuda duradoura. Nunca é demais repetir que o conselheiro cristão real-
mente eficiente é apenas uma pessoa preparada que se dispõe a servir de
instrumento através do qual o Espírito Santo irá transformar vidas.
Quando o conselheiro está enfrentando ansiedades e confusões
em seu trabalho, deve levar seus problemas a Deus, pois ele prometeu cui-
dar de nós e nos ajudar. Orar diariamente e estudar a Bíblia são atividades
que mantem aberto nosso canal de comunicação com aquele que é o me-
lhor Conselheiro e Ajudador.
O Espírito Santo é a fonte de toda a santidade como é visto em Ro-
manos 1.4: “mediante o Espírito de santidade foi declarado Filho de Deus com poder,
pela sua ressurreição dentre os mortos: Jesus Cristo, nosso Senhor.”
A santidade do povo de Deus é atribuída e resultante da obra santi-
ficadora do Espírito Santo que vai operando por intermédio da Sua palavra.
O Fruto do Espírito é exatamente isso, o resultado da Sua atuação em nós:
“MasofrutodoEspíritoéamor,alegria,paz,paciência,amabilidade,bondade,fidelidade,
mansidão e domínio próprio.” (Gálatas 5.22-23).
No livro de Romanos, o apóstolo Paulo, lança o fundamento sobre
o qual toda a vida cristã está baseada: a morte de Cristo representa um jul-
O PAPEL DO ESPÍRITO SANTO
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ACONSELHAMENTO CRISTÃO 52
gamento da natureza pecaminosa, e é isso que dá ao cristão a possibilidade
do acesso a liberdade assegurada pelo Espírito Santo:
“Porque,aquilo que a lei fora incapaz de fazer por estar enfraquecida pela carne,
Deus o fez, enviando seu próprio Filho, à semelhança do homem pecador, como
oferta pelo pecado. E assim condenou o pecado na carne, a fim de que as justas
exigências da lei fossem plenamente satisfeitas em nós,que não vivemos segundo
a carne, mas segundo o Espírito.” (Romanos 8.3-4)
Uma vez que Deus em Cristo "condenou o pecado na carne", a tota-
lidade da vontade de Deus pode ser "realizada em nós", mas nunca por nós.
O Espírito está designado para realizar toda vontade de Deus na
vida do salvo, cuja experiência nunca poderia ser realizada se dependesse
da capacidade humana (Romanos 7.15-25).
Se o aconselhamento em sua essência é um dos aspectos da obra
santificadora, então o Espírito Santo que tem o papel de santificar o ho-
mem, deveria ser considerado como a pessoa mais importante dentro do
contexto do aconselhamento. Ele é o Conselheiro.
Neste contexto cabe a reflexão de que ignorar o Espírito Santo ou
evitar o uso das Escrituras no aconselhamento equivale a um ato de re-
beldia. É impossível aconselhar sem o Espírito Santo e sua Palavra. Isso na
verdade pode piorar e ferir ainda mais o aconselhando. Jesus disse que os
que viriam após Ele, fariam obras maiores que as Dele. Isso só é possível
com a ação do Espírito Santo (ADAMS, 1986).
Ao olhar para o Novo Testamento percebe-se que o Espírito acon-
selhou os apóstolos de um modo sem paralelo, capacitando-os a se relem-
brarem das palavras e das ações de Jesus e os ajudando a reproduzirem as
mesmas. É Ele quem regenera e concede salvação: “Por isso, eu lhes afirmo que
ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: "Jesus seja amaldiçoado"; e ninguém pode
dizer: "Jesus é Senhor", a não ser pelo Espírito Santo.” (1 Coríntios 12.3)
É Ele quem capacita o crente a compreender, ter discernimento e
sabedoria e a viver de conformidade com a vontade divina revelada nas Es-
crituras:
“Quem não tem o Espírito não aceita as coisas que vêm do Espírito de Deus,
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 53
pois lhe são loucura; e não é capaz de entendê-las, porque elas são discernidas
espiritualmente. Mas quem é espiritual discerne todas as coisas,e ele mesmo por
ninguém é discernido; pois "quem conheceu a mente do Senhor para que possa
instruí-lo?" Nós, porém, temos a mente de Cristo” (1 Coríntios 2.14-16).
O Espírito Santo leva a regeneração, santificação e capacita os
crentes a fazerem proezas em nome de Jesus.
• a PERSPECTIVA DO ESPÍRITO
Alguns conselheiros captam com muito mais ênfase as questões
negativas durante o processo de aconselhamento. O ponto de vista cristão
considera negativa todas as visões e pensamento que não revelam os pla-
nos de Deus para abençoar a terra. Nessas situações é necessário buscar
o Espírito Santo para ter direcionamento e entendimento a partir da pers-
pectiva do céu e do Reino. E é responsabilidade do conselheiro enxergar as
situações a partir dessa perspectiva celestial (JOHNSON, 2017).
Para isso, é possível orar e perguntar a Deus o que ele está fazendo.
Quando o conselheiro começa a enxergar com demasiada ênfase as ques-
tões negativas, precisa ir a Deus e dizer: “O que o senhor quer dizer através
dessa situação? Como devo aconselhar e direcionar essa pessoa ou situa-
ção?” É sempre fácil encontrar a sujeira, mas Deus deseja que seus filhos
procurem pelo tesouro escondido sobre a poeira: “A glória de Deus é ocul-
tar certas coisas; tentar descobri-las é a glória dos reis” (Provérbios 25.2).
O que significa buscar o tesouro?
Significa enxergar a visão de Deus sobre o aconselhando ou sobre a
situação e permitir que Deus capture o coração do conselheiro, permitindo
que Ele o carregue para a perspectiva do céu sobre o assunto. Desta forma
é possível enxergar a pessoa ou situação como Deus a enxerga. Isso é que
se chama de encontrar o ouro em alguém.
Para achar o ouro em alguém é necessário cavar fundo. Não é difícil
encontrar a sujeira, pois ela está sempre na superfície. É necessário esfor-
ço e trabalho árduo para encontrar o ouro, isso é enxergar alguém com os
olhos de Deus.
Quando o conselheiro consegue somente ver tudo que há de mal ao
redor da pessoa, tudo o que ele precisa fazer é ir mais fundo em Deus e en-
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 54
contrar o ouro, encontrar as coisas que Deus está dizendo. Aí sim é possível
entrar em concordância com esse ouro. Isso é a visão do aconselhamento
segundo o céu (JOHNSON, 2017).
O conselheiro precisa entender que ele precisa ser uma bênção na
vida do aconselhando e não um fardo. Como isso é possível? Quando ele
leva em oração a Deus todas as questões que ele enxerga de ruim na vida
do aconselhando.
O conselheiro precisa proclamar o oposto do que ele vê aos olhos
naturais e parar de viver debaixo da influência do natural.
“Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liber-
dade para dar ocasião à vontade da carne; pelo contrário, sirvam uns aos
outros mediante o amor.” (Gálatas 5.13)
“E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em
nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu.”
(Romanos 5.5)
O amor de Deus já foi derramado sobre os cristãos, ele precisa ser
cultivado e transbordado no processo de aconselhamento. Quando o con-
selheiro acessa esse amor, começa a enxergar o aconselhando com um
olhar amoroso de Deus. Ao invés de enxergar situações de morte, ele passa
a orar e declarar palavras de vida e amor.
O amor de Deus, derramado através da ação do Espírito Santo, é
capaz de trazer toda a visão necessária no processo de aconselhamento
e traz liberdade e leveza ao processo enquanto destrói todo medo. Esse
amor capacita e liberta o conselheiro para amar todas as pessoas.
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 55
ORIENTAÇÕES PARA
O ENCAMINHAMENTO
BLOCO3
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 56
• COMO A PSICOLOGIA PODE AJUDAR
Muitos líderes e conselheiros têm buscado subsídios na psicologia
e em outras áreas relacionadas à saúde mental para exercer a atividade de
aconselhamento de modo mais eficaz. A psicologia é um campo de estudos
bastante complexo.
Geralmente são observados quatro tipos de relacionamento entre
a psicologia/psiquiatria e o aconselhamento cristão:
• Espiritualista religioso: Só a religião tem todas as respos-
tas e a ciência não têm valor;
• Perspectivas não cristãs: A ciência tem mais valor e a re-
ligião traz culpa e complica a vida;
• Os dois são paralelos separados e iguais: São dois mun-
dos diferentes. Duas áreas distintas e importantes.
• Complementabilidade na soberania divina: A psicologia
tem feito um bom trabalho de observação. Um meio muito bom de
descobrir a verdade é através da observação. Toda verdade vem de
Deus.
Muitas vezes, devido à falta de entendimento, alguns líderes têm
rejeitado a psicologia, inclusive a área de aconselhamento, concluindo que
um cristão não precisa de mais nada além da Bíblia para poder ajudar ou-
tras pessoas. É claro que a Palavra de Deus é um bálsamo de cura para os
distúrbios mentais e emocionais. Ela continua falando às pessoas nos dias
de hoje, e sua relevância para o trabalho do conselheiro e para as vidas da-
queles a quem ele auxilia é profunda e duradoura.
A Bíblia trata de questões como solidão, desânimo, problemas con-
jugais, tristeza, relacionamento entre pais e filhos, ira, medo e várias outras
situações que surgem no aconselhamento.
Na medicina, no ensino e em outras áreas de assistência cujo foco
ORIENTAÇÕES PARA O ENCAMINHAMENTO
AULA 3 BLOCO 3
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 57
são as pessoas, Deus tem permitido ao homem aprender muito a respeito
de sua criação através da ciência e do estudo acadêmico. Por que, então,
segregar a psicologia, considerando-a a única área que não tem nada a
acrescentar ao trabalho do conselheiro?
Como campo do conhecimento humano, a psicologia científica tem
pouco mais de cem anos de existência. Ao longo do século passado, Deus
permitiu que os psicólogos desenvolvessem instrumentos de pesquisa cri-
teriosos para estudar o comportamento humano e permitiu, também, que
fossem editados periódicos especializados para divulgação dos resultados
dessas pesquisas.
Após terem atendido talvez centenas de milhares de pessoas que
foram procurar ajuda em seus consultórios, os psicólogos e psiquiatras têm
acumulado conhecimentos sobre as profundezas da natureza humana e
sobre o que faz as pessoas mudarem.
Há concordância de que estes conhecimentos ainda são bastante
incompletos e tem muitas falhas, mas as pesquisas cuidadosas em psi-
cologia e a análise criteriosa dos dados geraram um vasto acervo de in-
formações que tem se mostrado útil, tanto aos aconselhandos quanto às
pessoas que desejam ajudá-los de forma eficaz.
O foco abordado no desenvolvimento deste curso é o de adotar te-
orias e conhecimentos já desenvolvidos nessas áreas, mas sempre com a
premissa de que toda verdade emana de Deus, inclusive a verdade sobre as
pessoas que Ele criou. Ele revelou sua verdade através da Bíblia, a Palavra
de Deus escrita para a humanidade, mas também permitiu ao homem que
a descobrisse através da experiência e da aplicação dos métodos da investi-
gação científica. A verdade descoberta precisa estar sempre de acordo com
a norma da verdade revelada na Bíblia, e com ela deve ser sempre conferida.
No entanto, a capacidade de aconselhamento fica muito restrita se o conse-
lheiro adotar o ponto de vista de que as descobertas da psicologia não podem
contribuir em nada para a compreensão e solução dos problemas.
• ENCAMINHAMENTO
Muitas vezes, a maior ajuda que o conselheiro pode prestar a uma
pessoa é encaminhá-la a um especialista que possa auxiliá-lo melhor com
sua experiência e conhecimento. Encaminhamento, não significa, necessa-
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 58
riamente, que o conselheiro não tenha habilidade ou esteja tentando se li-
vrar do aconselhando. Ninguém tem capacidade de aconselhar todo mundo
e o encaminhamento é um modo de demonstrar o desejo de que o aconse-
lhando tenha a melhor ajuda possível.
As pessoas devem ser encaminhadas quando:
• Não mostram sinais de melhora depois de diversas sessões
• Têm graves problemas financeiros
• Necessitam de assistência jurídica
• Estão excessivamente depressivas ou têm tendências suicidas
• Apresentam comportamento extremamente agressivo
• Parecem estar gravemente perturbados emocionalmente
• Provocam fortes sentimentos de desagrado no conselheiro
• Têm problemas que estão além da competência do conselheiro.
Pessoas com distúrbios alimentares, temor de uma gravidez inde-
sejada ou preocupação com a possibilidade de uma doença como grave,
estão entre as que necessitam de atenção médica além (e, às vezes, em
lugar) de aconselhamento.
Os conselheiros devem conhecer os recursos e pessoas de que a
comunidade dispõe para um possível encaminhamento de seus aconse-
lhandos. Entre estes encontram-se profissionais liberais como médicos,
advogados, psiquiatras, psicólogos e outros conselheiros; os conselheiros
pastorais e outros líderes eclesiásticos; clínicas públicas e hospitais; insti-
tuições como a Sociedade dos Portadores da Síndrome de Dawn ou a Asso-
ciação dos Cegos; agências governamentais e não governamentais; centros
de prevenção de suicídios e drogas; organizações de voluntários como a
Cruz Vermelha ou as que entregam refeições em casa; e grupos de autoa-
juda, tais como os Alcoólicos Anônimos.
Ao pensar em um encaminhamento não se esqueça dos grupos
existentes no âmbito das igrejas e que podem dar apoio e auxílio prático em
momentos de necessidade.
Antes de sugerir um encaminhamento ao aconselhando, é melhor
saber quais são os recursos disponíveis. O ideal é entrar em contato com o
grupo, ou o profissional que continuará o processo, para saber se eles po-
dem, realmente, prestar o auxílio necessário, pois pode ser devastador para
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 59
o aconselhando se ele for procurar a ajuda indicada e for recusado.
Quando sugerir um encaminhamento ao aconselhando, o ideal é
apresentar as razões que o levaram a fazer a indicação, mostrando que
é uma forma de conseguir a melhor ajuda possível para a pessoa. Alguns
resistem à ideia de serem encaminhados a outro profissional e os aconse-
lhandos podem concluir que o conselheiro ache que eles estão perturbados
demais ou que o problema deles é grande demais. É recomendável gastar
um tempo para discutir esses temores, se eles surgirem, e tentar envolver
o aconselhando na decisão de procurar outra fonte de auxílio.
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 60
BIBLIOGRAFIA
ADAMS, J. E. O Manual do Conselheiro Cristão. São Paulo: Fiel. 1986.
BÍBLIA. Bíblia Sagrada Nova Versão Internacional. São Paulo: Vida, 2007.
CHAFER, L. S. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos, 2003.
COLLINS, G. R. Aconselhamento Cristão. Edição Século XXI. São Paulo: Vida
Nova, 2004.
JOHNSON, B. O Intercessor Feliz. Brasília: Chara, 2017.
OATES, W. E. The Presence of God in Pastoral Counseling. Texas: Word,
1986.
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 61
COMUNICAÇÃO
E LIMITES
AULA4
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 62
COMPARTILHANDO
A VERDADE INTERIOR
BLOCO1
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 63
“Somente aqueles que valorizam e entendem a si mesmos podem valorizar e
entender os demais. Somente aqueles que podem se comunicar honestamente
consigomesmopodemsecomunicarhonestamentecomosoutros.”Danny Silk
A comunicação expõe o que se passa dentro do coração humano.
Jesus disse: “[...] a boca fala do que está cheio o coração” (Mateus 12.34).
Para Silk (2015), se a realidade interna da pessoa – seu coração - é go-
vernada pelo medo, então esta pessoa sinalizará isso em sua linguagem
corporal, em suas expressões faciais, suas palavras e seu tom de voz. Do
mesmo modo, se o coração for governado pela fé, pela esperança e pelo
amor, ela liberará essa realidade por intermédio do que fala e de como fala.
Se o coração de uma pessoa for governado pelo medo, então muito
do que ele comunica se destinará a esconder o que realmente está se pas-
sando interiormente. Ele retém sentimentos, finge que alguma coisa não o
fere, ou finge estar feliz quando seu coração, na verdade, está partido, na
tentativa de evitar a dor que poderá sentir ao ser “verdadeiro”. Conforme
comenta Danny Silk:
O medo da verdade é o grande sequestrador da comunicação. Quando a pessoa
não tem a coragem nem a capacidade de enfrentar a verdade do que sente,pensa
e necessita,ela acaba transmitindo informações confusas e imprecisas – às vezes
até mesmo informações completamente falsas (SILK, 2015).
No processo de aconselhamento é muito importante que tanto o
conselheiro como o aconselhando se tornem pessoas poderosas que valo-
rizam o que se passa em seus corações. Caso contrário, a experiência com
a comunicação será sempre, inevitavelmente, uma sequência interminável
de não entender o outro e de ser mal compreendido.
Vamos abordar três estilos de comunicação, cada um desses estilos
segue falsas convicções sobre o valor do que está em uma pessoa. E o que é
pior, cultivam o medo e destroem a conexão, uma vez que trabalham com a
mentira.
COMPARTILHANDO A VERDADE INTERIOR
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ACONSELHAMENTO CRISTÃO 64
ESTILOS DE COMUNICAÇÃO
1. Cominação passiva
Pessoas com esse estilo de comunicação têm a convicção de que
os demais são mais importantes do que elas. Sua crença essencial é: “você
importa e eu, não”. Quando se depara com uma decisão que deve ser to-
mada em conjunto em um relacionamento, a pessoa passiva insiste que as
ideias, os sentimentos e as necessidades da outra pessoa importam mais.
Se ela acredita que os próprios sentimentos, pensamentos e necessidades
estão sendo desrespeitados, simplesmente, tenta absorver isso e segue
em frente. Os passivos dizem coisas assim:
“Ah, você é quem sabe”.
“Não, tudo bem”.
“Não, não fiquei magoada”.
“Não, não preciso mais falar sobre isso”.
“Não, não me importo para onde vamos, pode ser para onde você quiser!”
As pessoas passivas justificam o fato de se desvalorizarem passan-
do uma imagem de servos pacientes e com domínio próprio, que mantêm
a paz e nunca criam problemas. Elas pensam que é certo não ter necessi-
dades nem exigências. Para Silk (2015), essas pessoas não têm coragem e
vivem uma mentira. O autor comenta:
A abordagem passiva, por ser uma mentira, não pode ser mantida
em longo prazo. Ao absorver o egoísmo do outro, a pessoa passiva
finalmente desenvolverá ressentimento e se tornará mais infeliz
que assustada, e assim ela tomará uma atitude. Ela deixará de ser
passiva e provavelmente romperá com o relacionamento para que
suas necessidades sejam finalmente atendidas (SILK, 2015).
O problema é que a pessoa passiva foi tão egoísta quanto aquela
contra quem guarda rancor e amargura. Ela desvalorizou as próprias ne-
cessidades, não por um desejo de beneficiar o outro, mas para proteger a si
mesma.
2. Comunicação agressiva
O comunicador agressivo é como um “tiranossauro rex”. Sua con-
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 65
vicção essencial é: “Eu sou importante; você, não!” Os comunicadores
agressivos sabem como conseguir o que querem. Eles estão no comando
porque são os maiores, falam mais alto e assustam mais. Por exemplo: a
dinâmica de comunicação com o comunicador agressivo e o passivo faz a
ansiedade disparar, porque o valor desigual e o desequilíbrio de poder eli-
minam inteiramente a intimidade. Esse só pode ser um relacionamento de
sobrevivência. O agressivo terá o que necessita porque irá tomá-lo e o pas-
sivo terá o que necessita dando partes de si. Ambos são motivados pelo
medo e pelo egoísmo, e ambos são impotentes.
3. A comunicação passivo-agressiva
O estilo passivo-agressivo é o mais sofisticado e, portanto, o mais
desonesto dos estilos de comunicação fundamentados no medo. A con-
vicção essencial do comunicador passivo-agressivo é: “Você é importante;
Não, na verdade, não!” Eles manipulam e controlam os outros por meio do
engano e de formas sutis, porém mortais, de punição. Diante das pessoas
dizem: “Ah, o que você quiser, claro”. O comunicador passivo agressivo é
famoso por suas insinuações sarcásticas, suas ameaças veladas, pelo uso
manipulador de passagens bíblicas, por julgamentos dados em forma de
conselhos e por reter o amor.
Pelo fato de os comunicadores passivos-agressivos manterem um
verniz de civilidade, em geral, é difícil as pessoas que estão de fora enten-
derem o motivo de alguém ter tanta dificuldade em manter um relaciona-
mento com eles. Conforme Silk comenta:
Alguém que está tentando aconselhar sobre como lidar com uma
pessoa passivo-agressiva, muitas vezes, não é bem compreendida,
porqueelaéaúnicaquepercebetodaahostilidadeemanipulaçãoque
lhes são dirigidas. Para todos os outros, a pessoa passivo-agressiva é
gentil e esfuziante, e está sorrindo o tempo todo. Eles não sabem que
no instante em que ela fica por trás de portas fechadas, é insinuadora,
crítica, acusadora, se mantém na defensiva e envia mensagens des-
conexas que deixam qualquer um confuso (SILK, 2015).
A COMUNICAÇÃO ASSERTIVA
Os estilos abordados anteriormente resultam do medo da verdade.
Porém, a comunicação assertiva, resulta de sermos poderosos e amarmos
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 66
a verdade. A convicção essencial dos comunicadores assertivos é: “Você é
importante; e eu, também.”; “Meus pensamentos e necessidades importam;
e os seus também.” Os assertivos se recusam a ter relacionamentos ou con-
versas em que ambas as pessoas não têm valor igual e elevado. Eles não
têm medo de mostrar à outra pessoa o que está acontecendo dentro deles.
Por valorizarem o que está dentro deles, dedicam tempo e esforço para en-
tender seus pensamentos, sentimentos e necessidades a fim de encontrar
palavras para expressá-los de modo claro e honesto. Esse é o valor essen-
cial da honra e do respeito mútuo. Esse é o valor que os comunicadores
assertivos protegem enquanto interagem.
“Os comunicadores assertivos não têm medo de ser poderosos e de
deixar que as outras pessoas sejam poderosas num relacionamento ou uma
conversa” Danny Silk.
Um comunicador assertivo responde uma pessoa dizendo:
“O que você vai fazer a respeito disso?”
Eles respondem a uma pessoa agressiva dizendo:
“Só posso falar com você quando você decidir ser respeitoso”.
E respondem a uma pessoa passivo-agressiva dizendo:
“Podemos nos falar mais tarde, quando você optar por ser respon-
sável e me dizer o que realmente está acontecendo”.
Em outras palavras, eles são capazes de estabelecer limites consis-
tentes em torno de uma situação para que ela permaneça respeitosa, e exi-
gem que ambos participem igualmente na busca do objetivo da conversa.
Objetivos da comunicação
• O objetivo da conversa deve ser o entendimento, não a
concordância. Eu não preciso persuadir você a concordar comigo ou
vice-versa.
• Sua necessidade de estar certo não pode superar a ne-
cessidade de proteger a relação, senão um campo de batalha irá se
formar rapidamente.
• Desvalorizar pensamentos, sentimento ou necessidades
ataca a conexão.
• Querer entender a perspectiva, a verdade do outro e de si
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 67
são objetivos da comunicação.
Prática da comunicação assertiva
• Preste atenção em seus pensamentos, seus sentimen-
tos, suas necessidades, respeitando o valor de tudo isso.
• Depois preste atenção nos pensamentos, sentimentos,
necessidades do outro, respeitando-os.
• Seja verdadeiro consigo mesmo.
• Não tenha medo de ser vulnerável.
Se comprometa em se tornar o melhor comunicador possível. Esta-
beleça um compromisso de se conectar com as pessoas de forma saudável
e com honra. Seu relacionamento interior não apenas mudará para melhor,
como seu relacionamento com os outros também será transformado.
“As palavras que proferimos têm o potencial de levar nossos relacionamentos a um novo
nível de impacto e intimidade” Tom Holladay.
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 68
COMUNICAÇÃO EFICAZ
BLOCO2
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 69
O CICLO DA CONFIANÇA
“Mas se alguém fizer tropeçar um destes pequeninos que creem em mim, melhor
lheseriaamarrarumapedrademoinhonopescoçoeseafogarnasprofundezasdo
mar” (Mateus 18.6).
Conforme o texto de Mateus, proteger a confiança dos “pequeninos”
(vulneráveis) é algo muito importante para Jesus – e por uma boa razão. Os
especialistas em desenvolvimento humano afirmam que quando as pesso-
as brincam com a confiança de uma criança, é provável que ela desenvolva
problemas na vida adulta. Pesquisas revelam que: a maioria dos membros de
gangues, dos que são expulsos de escolas e dos dependentes químicos, teve
uma infância ruim. A maioria dos que cometem abuso, sofreu abuso. A maioria
dos divorciados, teve pais divorciados. Todas essas coisas são consequências
da confiança quebrada durante a infância.
“A confiança é a primeira tarefa de desenvolvimento que toda pessoa precisa alcan-
çar na infância para desenvolver um senso saudável de quem ela é e para desenvol-
ver relacionamentos saudáveis.” Erik Erikson.
Desde o nascimento, nossa necessidade mais profunda é amar e ser
amado por outros seres humanos. Nossa capacidade de atender a essa ne-
cessidade se desenvolve à medida que completamos consistentemente ciclos
de confiança nas nossas interações com outras pessoas. Um ciclo de confian-
ça é concluído quando a pessoa:
Tem uma necessidade.
A necessidade é expressa.
Há uma resposta à necessidade.
A necessidade é satisfeita.
A confiança é prejudicada se as pessoas falham em identificar e ex-
pressar suas necessidades, se o outro não responde à necessidade ou res-
ponde de forma negativa, ou se a necessidade não é atendida de modo al-
COMUNICAÇÃO EFICAZ
AULA 4 BLOCO 2
ACONSELHAMENTO CRISTÃO 70
gum. Se a verdade e a confiança não forem restauradas, elas irão danificar
a capacidade das pessoas de criar intimidade nos relacionamentos.
As experiências dolorosas dão lugar a feridas que criam obstáculos
quando as pessoas concordam com mentiras do tipo:
Deus não me ama.
Ninguém me ama.
Há algo de errado comigo, e é por isso que não sou digno de amor.
Essa pessoa nunca me amaria se realmente me conhecesse.
Não mereço ter minhas necessidades supridas.
Concordar com essas mentiras cria uma expectativa de necessidades
não atendidas. Essa expectativa pode levar a experiências mais dolorosas e
decepcionantesqueimpedemasferidasdeseremcuradas.Conforme comen-
ta Silk:
A desconfiança cria uma realidade alienante e dolorosa, na qual as
pessoas se sentem sem esperança de ter suas necessidades atendi-
das porque são incapazes de confiar nos outros e de formar conexões
relacionais fortes. Essas pessoas passam a viver sem amor, e se tor-
nam sobreviventes (SILK, 2015).
Pessoas assim, aprendem a manipular o ambiente a fim de ter al-
gumas de suas necessidades atendidas. Não se acham dignas de amor, não
acham seguro confiar e ser vulnerável, não têm os recursos emocionais para
suprir as necessidades de ninguém. Elas criam uma realidade na qual não
são amadas, seus relacionamentos não duram e a dor das necessidades não
atendidas continuam a destruir suas vidas.
Como podemos observar, essa é a marca da orfandade, exatamente o
espírito do qual Deus enviou seu Filho para nos libertar.
O comentário de Jesus sobre a gravidade de se fazer uma criança tro-
peçar revela o amor zeloso e protetor do Pai por Seus filhos perdidos e órfãos.
Jesus restaurou a inocência roubada e a confiança quebrada que toda a huma-
nidade herdou após a Queda. Jesus nos coloca nos braços do Pai onde pode-
mos experimentar o amor incondicional, a aceitação incondicional e o cuidado
incondicional. Todas as necessidades são supridas em Cristo – principalmen-
te, a necessidade de ser amado.
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  • 2. ÍNDICE Aula 01 - Cuidado e Aconselhamento Aula 02 - A igreja: Um lugar de cura Aula 03 - Pessoas Envolvidas no Aconselhamento Aula 04 - Comunicação e limites Aula 05 - Aconselhamento em questões pessoais Aula 06 - Aconselhamento em questões familiares Aula 07 - Sexualidade humana e o aconselhamento Aula 08 - Perdas e Luto Aula 09 - Aconselhamento e Libertação Aula 10 - O Cuidado com quem cuida Aula extra - Estudo de Caso Igreja da Cidade 03 22 43 61 81 99 114 135 145 162 179
  • 5. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 5 Há muitos desafios para o nosso tempo e um dos principais tem a ver com a posição como pessoas que nos encontramos e todos os desdo- bramentos que isso proporciona ou sucede na vida de cada um de nós em meio às percepções sociais construídas. A OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgou que a proliferação de hábitos não saudáveis como consumo de álcool, drogas, estresse e so- lidão, são apontados como a principal causas do aumento de doenças psi- cológicas e mentais no mundo. Outros fatores que estão contribuindo para o aumento do número de desordens mentais são as mudanças profundas nos hábitos de trabalho e os estilos de vida típicos da sociedade moder- na como sedentarismo, alimentação rica em gordura e pobre em proteínas (OMS, 2022). Diante desta realidade, cresce à procura dos profissionais relacio- nados à saúde mental, como psicólogos e psiquiatras. Há um aumento na atuação dos não profissionais, também chamados de conselheiros leigos, que ajudam as pessoas nessas situações. Apesar do pouco treinamento que receberam, os conselheiros, estão impactando de forma relevante a sociedade, e estão na linha de frente do movimento da saúde mental. Por- tanto, o leigo, especialmente o cristão, pode assumir maiores responsa- bilidades em vir ao encontro das necessidades daqueles que precisam de consolo, de acolhimento, e de direção. Uma definição bem interessante sobre o propósito de um aconse- lhamento é expressa por Collins. O autor define como o principal objetivo do aconselhamento, de uma forma geral, trazer estímulo e orientação às pes- soas que estão enfrentando perdas, decisões difíceis ou desapontamentos. Para ele, o processo de aconselhamento pode estimular o desenvolvimen- to sadio da personalidade; ajudar as pessoas a enfrentar melhor as dificul- dades da vida, os conflitos interiores e os bloqueios emocionais. (COLLINS, 2004). O processo de aconselhamento pode ainda auxiliar os indivíduos, PROPÓSITO DO ACONSELHAMENTO CRISTÃO AULA 1 BLOCO 1
  • 6. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 6 famílias e casais a resolver conflitos gerados por tensões interpessoais, melhorando a qualidade de seus relacionamentos e, finalmente, ajudar as pessoas que apresentam padrões de comportamento autodestrutivos ou depressivos a mudar de vida. O psicólogo Fred McKinney, autor da obra Psicologia em Ação, afir- ma que o “aconselhamento é um relacionamento interpessoal em que o con- selheiro assiste ao indivíduo em sua totalidade no processo de ajustar-se melhor consigo mesmo e com seu ambiente” (apud FRIESEN, 2000, p.19). Refletindo sobre essas definições, muitos se questionam, no que isso se difere das psicoterapias? Alguns autores consideram que o primeiro nível de uma psicoterapia pode ser o aconselhamento. Isso porque as rela- ções de cuidado envolvem a suposição da percepção do outro e do acom- panhamento de pessoas em diversos níveis. O Aconselhamento se situa formalmente entre as especializações da Psicologia e constitui-se uma área do saber que atende muito o âmbito social. Representa uma série de conceitos aplicados que se originam desde a orientação educacional até as psicoterapias. Assim, o aconselhamento é uma relação de ajuda, na qual, duas ou mais pessoas interagem a partir de situações apresentadas pelo acon- selhando a um conselheiro. Ambos os papeis estão presentes ativamente nesse processo com o objetivo de que a pessoa que precisa de aconselha- mento perceba os seus recursos próprios, entenda seus dilemas e passe a se relacionar melhor com os desafios da vida. (FRIESEN, 2000) Pode ser chamado de aconselhamento, um relacionamento interpessoal em que o conselheiro assiste ou simplesmente dá escuta ao indivíduo em sua inte- gralidade no processo de ajustar-se melhor consigo mesmo e com seu ambien- te; podem ser em circunstâncias que necessitem o uso de técnicas para ajudar- -se a resolver melhor seus conflitos e ajustar sua vida (FRIESEN, 2000, p. 19) Sobre o aconselhamento leigo o autor afirma que esse não pode ser um processo mecânico e cheio de fórmulas, mas um relacionamento inter- pessoal em que duas pessoas se engajam no processo de esclarecer os sen- timentos e problemas de alguém visando o encaminhamento ao atendimen- to psicoterapêutico, psicanalítico ou mesmo ao psiquiátrico se necessário: “A responsabilidade do conselheiro é assistir ao aconselhando enquanto este busca os seus recursos para ajustar-se, para resolver os seus conflitos. Assistir
  • 7. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 7 no sentido de estar presente, de auxiliar, de ajudar, de favorecer” (FRIESEN, 2000,p. 19). Assim, podemos compreender que para o aconselhamento é ne- cessário haver disposição entre as pessoas envolvidas e uma atitude de ajuda em um ambiente relacional. O ACONSELHAMENTO CRISTÃO “Independentemente de qual tenha sido sua formação, o pastor não tem o pri- vilégio de escolher se vai ou não aconselhar os membros de seu rebanho, pois é inevitável que eles levem seus problemas até ele, em busca de orientação e de uma palavra de sabedoria. Não há como contornar isso, se ele permanecer no ministério pastoral. A opção que ele tem que fazer não é entre aconselhar ou não, mas sim entre aconselhar de maneira organizada e competente, ou fazê-lo de forma caótica e incompetente”. - Wayne Oates (pastor e psicólogo) Ao ler os relatos bíblicos fica nítido que Jesus passou muitas horas falando a pessoas necessitadas, tanto em grupo quanto em contatos um a um. Essa mesma atitude é notada no ministério do apóstolo Paulo. En- quanto exercia um ministério extremamente sensível às necessidades das pessoas marcadas pela vida, Paulo escreveu: “Nós,que somos fortes,devemos suportar as fraquezas dos fracos,e não agradar a nós mesmos. Cada um de nós deve agradar ao seu próximo para o bem dele, a fim de edificá-lo.” (Romanos 15.1-2) “Levem os fardos pesados uns dos outros e, assim, cumpram a lei de Cristo”. (Gálatas 6.2) Provavelmente, o apóstolo Paulo estava falando de pessoas que tinham dúvidas, sentiam temores ou viviam em pecado, mas sua preocu- pação compassiva integrava quase todos os problemas que os conselhei- ros de hoje podem encontrar. Em todos os casos, nota-se que nos relatos bíblicos, a assistência ao próximo não era uma questão de opção, mas uma responsabilidade de todo cristão, inclusive do líder da igreja. Muitas vezes, o pastor ou o líder cristão acredita não ter dom nessa área ou ministério. Chegam a essa conclusão ao avaliar seu temperamento,
  • 8. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 8 interesses, habilidades, preparo ou chamado específico e acabam evitan- do o aconselhamento, preferindo investir seu tempo e talentos a outras atividades. Essa é uma decisão legítima, mas ao olhar o aconselhamento através das lentes do amor, percebe-se que ele se torna uma experiência enriquecedora, potencialmente poderosa e biblicamente fundamentada de ministrar aos outros. Não é fácil aconselhar, mas há evidências cada vez maiores de que pessoas das mais variadas origens e formações podem aprender técnicas de aconselhamento eficientes (COLLINS, 2004). É essa a ideia que o apóstolo Paulo traz em sua carta aos Efésios: “Seguindo a verdade em amor, cresçamos em tudo naquele que é a cabeça, Cristo.” (Efésios 4.15). Valores e sentidos sadios promovem re- lações sadias e pessoas estimuladas ao crescimento. O crescimento em direção a inteireza que Deus deseja de nós é centrada na ação e direciona- mento do Espírito Santo e precisa incluir crescimento nos valores e com- promissos éticos que orientam nossa vida. (DAMASCENO, 2004) Segundo Fábio Damasceno, dessa forma o Aconselhamento Cris- tão pode alcançar em sua realização: • Ajudar as pessoas a identificar padrões de pensamentos que geram ati- tudes negativas; • Aperfeiçoar os métodos de relacionamento interpessoal; • Ensinar novos comportamentos; • Orientar em situações difíceis; • Ajudar as pessoas a mudar seu modo de viver; • Ensiná-las a mobilizar recursos internos nos momentos de crise; • Libertar o indivíduo de complexos enraizados (guiado pelo Espírito Santo); • Identificar e ressignificar memórias do passado ou atitudes que estão im- pedindo o amadurecimento pessoal. As metas do aconselhamento, quando específicas, dependem dire- tamente do problema fundamental, trazido pelo aconselhando, mas existem elementos que aparecem como objetivos universais em processos de acon- selhamento, assim como autoconhecimento, comunicação, aprendizado e mudança de comportamento, autorrealização, apoio e integridade espiritual. Essa é a essência do cuidado pastoral e do aconselhamento, e consis- te em ajudar as pessoas a lidar com suas necessidades espirituais e caminhar para atingir a integridade humana, conforme a imagem de Jesus Cristo.
  • 9. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 9 OS OBJETIVOS DO ACONSELHAMENTO BLOCO2
  • 10. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 10 • Por que as pessoas procuram um conselheiro? • O que elas desejam? • Quais são as razões que levam um conselheiro a tentar ajudar essas pessoas? Estas são perguntas difíceis de responder, pois cada uma delas podem ter várias respostas, dependendo do aconselhando e do próprio conselheiro. Clinebell (2011) aponta que alguns dos problemas que um conselheiro cristão pode esperar encontrar envolvem oração, falta de fé, questões doutrinárias, crescimento espiritual, sentimentos de culpa por causa de algum pecado. Mas esses não são os assuntos mais recorrentes. Em sua obra, o autor afirma que apenas 10% dos assuntos tratados em aconselhamento pastoral giram em torno de questões religiosas. A grande maioria dos atendimentos de aconselhamentos na igreja se trata de pro- blemas matrimoniais, crises, depressão, conflitos interpessoais, confusão e outras aflições do dia a dia das pessoas. Jesus se preocupava com esse tipo de problema: “Eu vim para que tenham vida, e a tenham plenamente.” (João 10.10, grifo nosso) “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna. (João 3.16, grifo nosso) Veja os textos bíblicos acima. Eles mostram duas metas importan- tes para Jesus: vida abundante na terra e vida eterna no céu. Entretanto, é fato que existem muitos cristãos sinceros que já possuem a vida eterna no céu, mas não sabem do que se trata a vida abundante ou plena a que Jesus se referiu. Por isso esses devem ser os principais alvos de todo conselheiro cristão: levar as pessoas a encontrarem o caminho da vida eterna e mostrar a elas como ter vida abundante na terra. OS OBJETIVOS DO ACONSELHAMENTO AULA 1 BLOCO 2
  • 11. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 11 O conselheiro pode, por exemplo, ajudá-las a identificar padrões de pensamento que geram atitudes negativas, aperfeiçoar seus métodos de relacionamento interpessoal, ensinar novos comportamentos, orientá-las em decisões difíceis, ajudá-las a mudar seu modo de viver, ou ensiná-las a mobilizar recursos internos nos momentos de crise. Até mesmo, em al- guns casos, o aconselhamento cristão, guiado pelo Espírito Santo consegue libertar o indivíduo de complexos arraigados, memórias do passado ou ati- tudes que estão impedindo o seu amadurecimento (BORGES, 2014). O processo de aconselhamento cristão deve atender a proposta de: • Ajudar o ser humano a construir um relacionamento ver- dadeiro consigo mesmo, com o seu semelhante e com Deus; • Possibilitar ao ser humano a tomada de consciência de si mesmo, de suas ações e se posicionar de forma criativa e confiante diante das dificuldades naturais da vida; • Ajudar o ser humano a lidar sensatamente com seus ins- tintos (paixões primitivas, tais como: apego egoísta a coisas e pes- soas, ódio, inveja, agressividade, destrutividade etc) e, através da ação do Espírito Santo, transformá-los em força de vida, de sabe- doria e de esperança. Collins (2004) acredita que, para o não-cristão, esse aconselha- mento pode funcionar como uma preparação para a conversão, pois atra- vés desse processo obstáculos e pensamentos que impedem a conversão poderão ser removidos. Para o autor evangelismo e discipulado são os al- vos principais de um aconselhamento cristão, embora não sejam os únicos. É importante ressaltar que, alguns aconselhados, aceitarão o auxí- lio psicológico, mas rejeitarão o evangelho cristão. Os evangelhos nos mos- tram isso: “A caminho de Jerusalém, Jesus passou pela divisa entre Samaria e Galileia. Ao entrar num povoado, dez leprosos dirigiram-se a ele. Ficaram a certa distância e gritaram em alta voz: “Jesus, Mestre, tem piedade de nós! “ Ao vê-los, ele disse: “Vão mostrar-se aos sacerdotes”. Enquanto eles iam, foram purificados. Um deles, quando viu que estava curado, voltou, louvando a Deus em alta voz. Prostrou-se aospésdeJesuselheagradeceu.Esteerasamaritano.Jesusperguntou:“Nãoforam purificados todos os dez? Onde estão os outros nove? Não se achou nenhum que voltasse e desse louvor a Deus,a não ser este estrangeiro? “ Então ele lhe disse: “Le- vante-se e vá; a sua fé o salvou” (Lucas 17.11-19, grifo nosso).
  • 12. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 12 No texto acima, os dez foram curados, mas somente um veio a ter fé em Jesus. Isso aconteceu no ministério de Jesus e pode acontecer no ministério de qualquer conselheiro cristão. METAS ESPECÍFICAS Quando alguém procura um aconselhamento, muitas vezes, têm apenas uma vaga noção de onde pretende chegar, exceto o fato de que querem resolver um problema, se conhecer melhor ou se sentir bem. Se o conselheiro também não tiver noção de qual objetivo pretende alcançar, todo o processo terá grande chance de ser ineficaz e sem propó- sito. Para ter um processo de sucesso, o conselheiro precisa ser intencional em definir os objetivos e metas específicas da situação em questão. As metas específicas dependem muito do problema do aconse- lhando, mas existem alguns elementos que, provavelmente, aparecem em todas as listas: 1. AUTOCONHECIMENTO. Entender a si mesmo é, geralmente, o primeiro passo para a cura. Muitos problemas são gerados pelo próprio indivíduo, mas o aconselhando pode não ter condições de reconhecer sozinho a existência de ideias pre- concebidas, modos de pensar prejudiciais ou comportamentos autodestru- tivos. Uma das metas do aconselhamento é levar o aconselhando a perce- ber com clareza o que acontece no seu interior e no mundo à sua volta. 2. COMUNICAÇÃO. Muitos problemas conjugais estão relacionados com falhas na co- municação do casal. Em outros tipos de relacionamento interpessoal ocor- re a mesma coisa. Muitas pessoas são incapazes de se comunicar, ou não querem fazê-lo. O aconselhando deve ser estimulado a expor seus senti- mentos, pensamentos e emoções de maneira clara e precisa. Esse tipo de comunicação exige que a pessoa aprenda a se expressar com clareza e a interpretar corretamente as mensagens transmitidas pelos outros.
  • 13. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 13 3. APRENDIZADO E MUDANÇA DE COMPORTAMENTO. A maior parte de nossos comportamentos, senão todos, são apren- didos. O aconselhamento, portanto, inclui ajudar o aconselhando a desa- prender comportamentos nocivos, substituindo-os por outras formas de ação mais produtivas. Esse tipo de aprendizado ocorre através do ensino, da imitação de um modelo, que pode ser o próprio conselheiro ou outra pessoa, e da experiência prática baseada na tentativa e erro. Em alguns ca- sos, é necessário analisar também qual foi o motivo do fracasso, para que o aconselhando possa corrigir o erro e tentar de novo. 4. AUTORREALIZAÇÃO. Alguns autores têm enfatizado a importância de ajudar as pessoas a atingirem e manterem o máximo de seu potencial. Este conceito ê deno- minado “autorrealização” e alguns conselheiros afirmam que essa é uma meta intrínseca de todo ser humano, quer esteja ele passando por acon- selhamento ou não. No caso de um cristão, o alvo da autorrealização é ser perfeito em Cristo, desenvolvendo ao máximo nossas potencialidades atra- vés do poder do Espírito Santo. 5. APOIO. Muitas vezes, as pessoas precisam de aconselhamento em perí- odos temporários de estresse ou em momentos de crise. Esses indivídu- os precisam receber apoio, encorajamento e ajuda para “levar sua carga” durante um período, até que possam mobilizar novamente seus recursos emocionais e espirituais para enfrentar os problemas da vida. 6. INTEGRIDADE ESPIRITUAL. Em seu livro sobre aconselhamento, Howard Clinebell escreve que o cerne do cuidado pastoral e do aconselhamento consiste em ajudar as pesso- as a lidar com suas necessidades espirituais e atingir a integridade espiritual. Embora falar de religião possa, às vezes, ser um artifício que o aconselhando utiliza para esconder seus problemas psicológicos e emo- cionais, o contrário também acontece. Os aconselhandos muitas vezes têm dificuldade de ver, ou admitir, que os problemas humanos têm uma dimen- são espiritual.
  • 14. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 14 “O conselheiro cristão,muitas vezes,tem um papel de líder espiritual que orienta o crescimento do aconselhando, ajuda-o a enfrentar conflitos de natureza espi- ritual e o torna capaz de descobrir crenças e valores significativos. O conselheiro cristão sempre tem como meta envolver a presença de Deus no centro de todo o processo.” (COLLINS, 2004, p.46) Em todos os aspectos citados até aqui, é importante lembrar que quando o conselheiro tenta impor seus próprios alvos ao paciente, o acon- selhamento quase nunca surte efeito. A melhor coisa a fazer é trabalhar em conjunto com o aconselhando no estabelecimento das metas terapêuticas. Estas devem ser objetivas (e não vagas), realistas e, se houver mais de uma, organizadas numa sequência lógica que estabeleça prioridades e, talvez, o tempo dedicado a alcançar cada uma delas.
  • 15. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 15 O OUVIR E O FALAR BLOCO3
  • 16. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 16 Ao ajudar pessoas em um processo de aconselhamento, não exis- tem fórmulas prontas, pois o ser humano é de fato complexo. Mas ainda assim, o autor Gary Collins (2004) propõe algumas técnicas utilizadas com sucesso na maioria das situações de aconselhamento. Tais técnicas serão estudadas a seguir. O OUVIR Ouvir alguém não é, simplesmente, escutar o que ele diz de forma passiva ou indiferente, mas exige uma participação ativa do ouvinte. Neste processo, o conselheiro dá atenção e ouve o aconselhando. O conselheiro deve procurar mostrar ao aconselhando que está prestando atenção a tudo o que ele diz. Isso envolve: (a) contato visual, como forma de transmitir compreensão e de- sejo de ajudar; (b) postura, que deve ser relaxada e não tensa, inclinando-se, pe- riodicamente, na direção do aconselhando; (c) gestos naturais, mas não excessivos O conselheiro deve ser cortês, gentil e fortemente motivado a com- preender os outros. Ao conduzir uma sessão de aconselhamento, é impor- tante reconhecer opositores como cansaço, impaciência, preocupação com outros assuntos, distração ou inquietação por parte do conselheiro. Ajudar as pessoas é uma tarefa trabalhosa e que envolve tempo, sensibilidade, preocupação sincera com o aconselhando e atenção a cada detalhe que ele possa estar tentando comunicar. O pastor Khris Vallonton (2019) cita algumas atitudes que demons- tram que o momento de aconselhamento não é valorizado pelo conselheiro. Algumas posturas podem expressar “não dou valor nenhum a essa conversa”: O OUVIR E O FALAR AULA 1 BLOCO 3
  • 17. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 17 • Mandar mensagens de texto durante a conversa; • Chegar atrasado para a reunião; • Ficar olhando para o relógio enquanto o aconselhando fala ou deixar a mente vaguear (principalmente quando a história é maçante ou repetitiva); • Atender telefonemas enquanto conversam; • Mudar de assunto, interrompendo-os; • Olhar ao redor da sala ao invés de manter contato visual; • Estabelecer um monólogo, pregando para a pessoa. Con- selheiros que falam muito podem dar boas orientações, mas ra- ramente são ouvidos e muito menos atendidos, já que os aconse- lhandos pensam que o terapeuta não entendeu realmente o que se passa com eles. • Não mostrar compaixão quando a pessoa está sofrendo; • Não fazer perguntas para ajudar a esclarecer ou entender o ponto da pessoa; • Pensar na resposta enquanto eles falam ao invés de ouvir através do coração; • Não se envolver com a alma, falando mente a mente e não demonstrando emoção; • Contentar-se com as palavras ao invés de ouvir do cora- ção; • Concluir as frases para eles. Ouvir não é um exercício passivo, é um convite para ser influencia- do, é um convite para entender o que o outro diz e demonstrar que está presente. Para que o processo seja eficiente, o ouvinte deve: • Ser capaz de deixar de lado seus próprios conflitos, ten- dências e preocupações para poder se concentrar no que o aconse- lhando está transmitindo. • Evitar sutis expressões verbais ou não-verbais, de desa- provação ou julgamento em relação ao que está sendo dito, mes- mo quando o conteúdo for repugnante. • Manter os olhos e ouvidos bem abertos para detectar mensagens transmitidas pelo tom de voz, postura, gestos, expres- sões faciais e outras pistas não verbais. • Ouvir não apenas o que está sendo dito, mas perceber o que está sendo omitido. • Aguardar pacientemente durante os períodos de silêncio ou acessos de choro em que o aconselhando está reunindo cora-
  • 18. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 18 gem para falar de algum fato doloroso, ou apenas organizando o pensamento e se recompondo para continuar a sessão. • Ter consciência de que é possível aceitar e amar o acon- selhando, sem que isso signifique ter que compactuar com suas ações, valores ou crenças. Jesus aceitou a mulher apanhada em adultério, muito embora não aprovasse seu comportamento. O FALAR Não se deve supor que a única coisa que o conselheiro faz é ouvir. Jesus era bom ouvinte (lembre-se do tempo que ele dedicou àqueles dois dis- cípulos perplexos na estrada de Emaús), mas os métodos que ele utilizava para ajudar as pessoas também envolviam ações e respostas verbais objeti- vas. Abaixo são apresentadas algumas técnicas de como responder e ensinar de modo a conseguir chegar no núcleo da questão do aconselhando. RESPONDER A condução é a técnica pela qual o conselheiro vai direcionando suavemente a conversação. Perguntas curtas como “O que aconteceu de- pois?” e “O que você quer dizer com ...?” mantêm a conversa numa direção que possa fornecer informações relevantes. Resumir, periodicamente, o que foi dito pode ser uma boa maneira de comentar e estimular o aconselhando a aprofundar seu relato. O con- selheiro pode resumir sentimentos (“isso deve ter doído”) e/ou os temas gerais abordados na sessão (“Depois de tudo isso que você disse, me pa- rece que houve uma porção de fracassos seguidos”). Sempre que fizer um comentário, o conselheiro deve dar ao aconselhando um tempo para res- ponder ao que você acabou de dizer. Perguntar, desde que feito com jeito, pode trazer uma série de in- formações. As melhores perguntas são aquelas que requerem pelo menos uma frase ou duas como resposta (por exemplo, “Como é que vão as coisas no casamento?”, “O que é que está te aborrecendo?”). Mas cuidado pois o excesso de perguntas pode travar a comunicação. Confrontar não significa atacar nem condenar impiedosamente uma
  • 19. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 19 outra pessoa. O confronto pode trazer ao aconselhando uma ideia que ele pode nunca ter tido, ou jamais teria sozinho. A confrontação pode levar os aconselhandos a perceber que estão em pecado e a reconhecer suas falhas, inconsistências, desculpas, pensamentos negativos, ou comportamentos derrotistas. A melhor maneira de confrontar é fazer cada colocações de forma gentil, amorosa e sem parecer um julgamento a outra pessoa. É importante esclarecer que confrontação e aconselhamento não são sinônimos. Confrontar é uma parte importante, e às vezes difícil, do aconselhamento, mas não é a única técnica que se pode usar para ajudar as pessoas. Interpretar é explicar ao aconselhando o significado de seu com- portamento ou de outros eventos. Esta é uma habilidade extremamente técnica que ajuda bastante o aconselhando a ter uma visão mais clara de si mesmo e das situações em que está envolvido. No entanto, a interpretação também pode ser danosa, principalmente quando introduzida antes que o aconselhando possa elaborar a questão emocionalmente, ou quando a inter- pretação está errada. Uma dica válida é se perguntar se ele está intelectual e emocionalmente pronto para lidar com isso, e usar termos simples, apre- sentando as interpretações sem ser taxativo (por exemplo, “Acho que uma possível explicação seria ...”). Outra dica importante, é dar tempo para que o aconselhando responda. Apoiar e encorajar são partes importantes de qualquer situação de aconselhamento, principalmente no início. Quando as pessoas estão sobre- carregadas de carências e problemas, precisam muito da sensação de estabi- lidade e do carinho de uma pessoa que demonstra aceitação e as reconforta. Apoiar inclui ajudar o aconselhando a lançar mão de seus próprios recursos espirituais e psicológicos, encorajando-o a agir e ajudando-o a enfrentar quaisquer problemas ou fracassos que essa ação possa vir a provocar. ENSINAR Todas essas técnicas são formas especializadas de ensino psicoló- gico. O conselheiro é um educador, que ensina através de instrução, exem- plo e orientando o aconselhando à medida que este aprende a lidar com os problemas da vida, através da experimentação. Assim como ocorre com outras formas de instrução menos intimistas, o aconselhamento é mais eficaz quando as discussões são objetivas e tratam de situações concretas (“O que é que eu faço para não explodir quando minha mulher me critica?”),
  • 20. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 20 e não de assuntos vagos (“Quero que minha vida seja mais feliz”). FILTRAR Os bons conselheiros não são pessoas cépticas que duvidam de tudo que o aconselhando diz, mas sempre é bom lembrar que o paciente nem sempre conta a história toda, e nem sempre revela o que realmen- te quer ou precisa. Algumas vezes, o aconselhando apresenta um relato distorcido deliberadamente, ocultando os detalhes comprometedores ou embaraçosos. Mais frequentemente ainda, os aconselhandos não conse- guem ver seus problemas sob uma perspectiva mais ampla. Às vezes, eles chegam pedindo ajuda para resolver um problema, mas não conseguem, ou não querem, tocar em outros mais profundos. É interessante durante o aconselhamento tentar categorizar men- talmente as palavras do aconselhando. O que ele está, realmente, pergun- tando? O que essa pessoa espera do aconselhamento, na verdade? Será que existem outros problemas além dos que foram mencionados? A medida que o conselheiro vai adquirindo mais experiência, ele co- meça a farejar esses motivos ocultos e se dá conta de que, muitas vezes, o aconselhando nem sabe que eles existem. Entretanto, nenhum conse- lheiro deve tentar inventar novas questões, nem forçar os aconselhandos a falar de tópicos que eles não querem discutir. Mas não há dúvidas de que o trabalho será mais frutífero se o conselheiro aprender a ouvir com sen- sibilidade, sabendo que muito do que é dito têm outro significado além do aparente. Os tópicos estudados até aqui demonstram a necessidade de que o conselheiro tenha sabedoria e discernimento. A prática ensina muito, mas não se pode esquecer que para conseguir esse tipo de sensibilidade é ne- cessário estar continuamente na Presença e na dependência total do Es- pírito Santo para obter sabedoria, orientação e perspicácia, através de seu Santo Espírito.
  • 21. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 21 BIBLIOGRAFIA ADAMS, J. E. O Manual do Conselheiro Cristão. São Paulo: Fiel. 1986. BÍBLIA. Bíblia Sagrada Nova Versão Internacional. São Paulo: Vida, 2007. BORGES, Marcos de Souza. O Padrão de Aconselhamento na Libertação: Editora Jocum Brasil. Terceira Edição – Setembro 2014. CAMARGO, C. Aconselhamento Cristão: Desafios e perspectivas. In Revista Teológica. Vol.58, 1997. CLINEBELL, H. Basic Types of Pastoral Care & Counseling: Resources for the Ministry of Healing & Growth. Nashville: Abingdon Press, 2011. COLLINS, G. R. Aconselhamento Cristão. Edição Século XXI. São Paulo: Vida Nova, 2004. DAMASCENO, F. Oficina de Cura Interior - Como Praticar e Receber. Rio de Janeiro: Editora Jocum, 2004. FRIESEN, A. Cuidando do ser – treinamento em aconselhamento pasto- ral. Curitiba: Esperança, 2000. VALLOTON, K. Developing a Noble Family. Bethel TV, 2019. Disponível em https://www.bethel.tv/en/podcasts/sermons/episodes/327. Acesso em Março 2019. World Health Organization. Depression and Other Common Mental Disor- ders Global Health Estimates. Geneva: WHO Document Production Servi- ces, 2017.
  • 24. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 24 A Bíblia mostra que a ideia do homem viver em comunidade nas- ceu no coração de Deus: “Não é bom que o homem esteja só; farei para ele alguém que o auxilie e lhe corresponda" (Gênesis 2.18). Com a criação da mulher, logo a espécie humana começou a crescer em número. Mas após a queda, não demorou muito para que os conflitos entre as pessoas co- meçassem a ocorrer. A rivalidade entre os irmãos Caim e Abel resultou em morte e a terra se encheu de violência. Depois do grande dilúvio, os confli- tos recomeçaram, e permanecem até hoje. Ao longo dos séculos, houve alguns eremitas que acreditaram que viver longe da sociedade traria maior santidade e purificação espiritual, mas como afirma o poeta John Donne: “Nenhum homem é uma ilha, completo em si mesmo”. Embora o homem continue com um estilo de vida de com- petição, ele precisa (e tem necessidade) conviver com outros semelhantes. Não é bom, nem saudável, viver isolado. Apesar dessa conclusão, a cultura ocidental ainda tende a valorizar a independência e o individualismo exacerbado. Muito se fala em coope- ração e apoio mútuo, mas a sociedade admira uma pessoa que venceu na vida sozinha ensinando assim que é melhor resolver os problemas pessoais sem a ajuda de ninguém. Neste contexto, Stanley Grenz (2008), aponta al- gumas características marcantes da sociedade pós-moderna atual: 1. Solidão • Dificuldades em compartilhar a vida, temores e angústias. • Superficialidade. • Isolamento através da tecnologia. • Sozinho fica vulnerável e não encontra satisfação. 2. Competição • Conceito utilitarista das pessoas (o valor no que tem e no que produz). IGREJA: UM LUGAR DE CURA AULA 2 BLOCO 1
  • 25. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 25 • Pessoas competitivas, desconfiadas, vendo os outros como adversários. • Estilo de vida egoísta. 3. Descartabilidade • Pessoas consideradas descartáveis quando inaptas para a produção. • Construção do sentimento de desvalor e inutilidade existencial, gerando angústia, depressão e enfermidades da alma. 4. Padrões de comportamento distorcidos racionalizados como normais • Sexualidade distorcida. • Hábito de mentir. • Dificuldades em desenvolver relacionamentos profundos e saudáveis. • Dificuldades em a amar e ser amado. • Vícios e compulsões cada vez mais frequentes. 5. Crescentes medos, temores e ansiedade • Autoconsumo de tranquilizantes. • Abuso sexual e verbal. • Aumento da violência. 6. Desintegração familiar • A falta de quem ensine limites, forme caráter, gere senso de per- tencer, dê identidade e equilíbrio emocional. • Pessoas que vivem sob o mesmo teto, mas sem compartilhar suas vidas e seus sentimentos profundos. Há outras características, mas é importante perceber que essas ca- racterísticas são expressões do pecado na vida humana como um todo, que levam a uma desintegração do ser perfeito criado por Deus.
  • 26. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 26 O CHAMADO DE CUIDADO DA IGREJA Após traçar o perfil para entender a sociedade e conhecer as carac- terísticas daqueles que chegam para a comunidade da igreja, é necessário refletir em como a igreja precisa recebê-los, ou então, no tipo de ambiente que eles devem encontrar. Durante seu ministério, Jesus manteve conversas individuais com várias pessoas para discutir suas necessidades pessoais e, frequentemen- te, reunia-se com pequenos grupos. Neste contexto, o grupo que Jesus mais dedicou-se foi o de discípulos (“os doze”) que Ele preparou para assu- mir a obra depois de sua ascensão. Foi em uma dessas conversas com os discípulos, que Jesus men- cionou a palavra igreja pela primeira vez: “E eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja (ekklêsia), e as portas do Hades não poderão vencê-la.” (Mateus 16.18). Neste contexto, os discípulos reco- nheceram Jesus publicamente como seu Senhor e aceitaram os princípios do reino de Deus (CHAMPLIN, 2006). Nos anos que se seguiram à ascensão de Jesus Cristo, foi justa- mente a igreja que deu continuidade ao seu ministério de ensino, evange- lização, ministração e aconselhamento. O livro de Atos e as epístolas do Novo Testamento mostram que a igreja não era apenas uma comunida- de dedicada à evangelização, ao ensino e ao discipulado, mas era também uma comunidade terapêutica. Richard Almond define comunidades terapêuticas como “grupos de pessoas que se caracterizam por um profundo compromisso entre seus membros e por um interesse comum na cura de males psicológicos, com- portamentais ou espirituais.” (apud COLLINS, 2004, p. 21) Nos últimos anos, os profissionais ligados à saúde mental se deram conta do valor dos grupos terapêuticos, nos quais um membro ajuda o outro, apoiando, questionando, orientando e encorajando, de uma forma que só ocorre nesse tipo de con- texto. Alguns cuidados sempre devem ser levados em consideração para que esses grupos não se tornem nocivos, com encontros caóticos em que o objetivo principal é criticar e constranger os participantes, em vez de edifi- car e estimular cada membro a ter uma atitude mais aberta e positiva. Mas, de todas as instituições da sociedade, a igreja é a que tem maior potencial
  • 27. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 27 como comunidade terapêutica. Por quê? (CLINEBELL, 2011). A resposta pode ser encontrada nas passagens bíblicas que foram utilizadas na formação da igreja. De maneira singular pode-se ver isso em duas passagens neotestamentárias que apontam para os propósitos de Deus para o homem e para a igreja: O Grande Mandamento e a Grande Co- missão. Essas duas passagens revelam os cinco propósitos de Deus para o homem e para a igreja, que deve ser desenvolvido tanto numa perspectiva devocional-pessoal como também na coletividade (WARREN, 2008). Grande Mandamento. "Mestre, qual é o maior mandamento da Lei? "Respondeu Jesus: "‘Ame o Senhor, o seu Deus de todo o seu coração, de toda a sua alma e de todo o seu entendimento’. Este é o primeiro e maior mandamento. E o segundo é semelhante a ele: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas" (Mateus 22.36-40). Grande Comissão. “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo, ensi- nando-os a obedecer a tudo o que eu lhes ordenei. E eu estarei sempre com vocês, até o fim dos tempos" (Mateus 28.19-20). Jesus mostrou aos seus discípulos como evangelizar e ensinar, e orientou a Igreja Primitiva através de seu exemplo de vida e de sua instru- ção quanto aos aspectos teóricos e práticos do cristianismo, afirmando que todo o seu ensino podia ser resumido em duas leis: amar a Deus e amar ao próximo. Veja que interessante o aspecto que o apóstolo Paulo traz sobre como o crente pode cumprir a lei reforçada por Jesus: “Levem os fardos pesados uns dos outros e, assim, cumpram a lei de Cristo.” (Gálatas 6.2). Os primeiros crentes se reuniam numa comunhão, ou koinonia, que envolvia o relacionamento comunitário entre os membros, a participação ativa de todos na expansão do evangelho e na edificação dos crentes, e o compartilhamento de ideias, experiências, adoração, necessidades e bens materiais (WARREN, 2008). Todos esses aspectos só podem existir no âmbito do Corpo de Cris- to, onde cada membro recebeu os dons e habilidades necessários para a edificação da igreja. A igreja local pode diminuir ou eliminar a sensação de isolamento dos indivíduos ao atender à necessidade que todos nós temos
  • 28. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 28 de fazer parte de um todo. Mas a igreja vai além, ela pode dar apoio aos abatidos, curar os doentes e proporcionar orientação às pessoas que pre- cisam tomar decisões difíceis ou que estão a caminho da maturidade como nenhuma outra instituição da sociedade pode fazer (BISHOP, 1985). Um dos fatores para a igreja se tornar um local terapêutico cada vez mais eficiente e poderoso, é o investimento no preparo e experiências do conselheiro. O conselheiro cristão pode buscar diversas ferramentas que o ajudem no processo de crescimento no aconselhamento, como estágios supervisionados, treinamento de sensibilidade em grupo, terapia pessoal ou outras experiências educacionais semelhantes. Cada uma dessas práticas tem como objetivo aumentar o autoco- nhecimento, facilitar a auto aceitação, e remover os bloqueios emocionais e psicológicos que prejudicam a eficácia do aconselhamento. Embora esses exercícios sejam muito úteis e altamente recomendados, algumas vezes podem ignorar a maior fonte de força e sabedoria que um conselheiro cris- tão tem à sua disposição em todo o tempo: a sabedoria de Deus comparti- lhada através de Jesus e do Espírito Santo A Bíblia descreve Jesus como o Maravilhoso Conselheiro: “Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Podero- so, Pai Eterno, Príncipe da Paz.” (Isaías 9.6). Ele é o conselheiro dos conse- lheiros, sempre disposto a animar, guiar e dar sabedoria aos que se dedi- cam à tarefa de ajudar seus semelhantes. O Espírito Santo não atuou somente na igreja primitiva, mas dá até hoje prosseguimento à Sua obra de aconselhamento: “Vocês não sabem que são santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?” (1 Coríntios 3.16). É o Espírito Santo que regenera e concede fé a quem crê (Tito 3.5) e que capacita o crente a compreender a vida em todos os seus aspectos sob a ótica da revelação divina (CHAFER, 2003). Logo, um conselheiro cristão não pode ficar tão envolvido com te- orias e técnicas de aconselhamento, a ponto de se esquecer de qual é a verdadeira fonte de toda ajuda duradoura: o próprio Deus. Sobre isso, Gray Collins (2004) afirma:
  • 29. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 29 “A principal ajuda que um conselheiro cheio do Espírito Santo recebe não está baseada nas teorias mais recentes dos especialistas em aconselhamento e psico- logia, mas na frase Assim diz o Senhor. O conselheiro cristão realmente eficiente é apenas uma pessoa preparada que se dispõe a servir de instrumento através do qual o Espírito Santo irá transformar vidas.” (COLLINS, 2004). A igreja foi estabelecida a fim de cumprir a grande comissão e o grande mandamento e Jesus mostrou como fazer por meio de seu exem- plo. Cada membro que é parte desse corpo, tem recebido dons e habilida- des para edificar a igreja. É necessário liberar a cura sobre todos que neces- sitam para que possam cumprir seu chamado, e sem medo, sejam plenos no que foram criados e chamados para ser.
  • 30. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 30 A HONRA NO ACONSELHAMENTO BLOCO2
  • 31. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 31 A honra é um dos valores essenciais mais vitais para criar um lugar seguro onde às pessoas possam ser livres. A honra protege o valor que as pessoas dão àqueles que são diferentes delas. As pessoas livres não podem viver juntas sem a honra: em contrapartida, a honra só pode ser usada com êxito entre pessoas que tenham um senso de responsabilidade pessoal em preservar a liberdade ao redor delas (SILK, 2015). Sem o valor essencial da honra, descobrimos que o nosso descon- forto perto daqueles que optam por viver de uma forma que não faríamos nos leva a impedir a liberdade deles. Isso é válido também para os ambien- tes de aconselhamento cristão. Quando os envolvido no aconselhamento praticam a honra, o amor e a confiança são promovidos e o medo não tem permissão para governar as decisões. Dessa forma, a liberdade pode ser respeitada e preservada. Paulo escreveu aos Gálatas sobre o fato de que os cristãos são um povo que foi chamado para andar em liberdade e amor por intermédio do governo interno do Espírito de Deus. “Digo,porém,que,enquanto o herdeiro é menor de idade,em nada difere de um escravo, embora seja dono de tudo. No entanto, ele está sujeito a guardiães e ad- ministradores até o tempo determinado por seu pai. Assim também nós,quando éramos menores, estávamos escravizados aos princípios elementares do mundo. Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido debaixo da lei, a fim de redimir os que estavam sob a lei, para que recebêssemos a adoção de filhos. E, porque vocês são filhos, Deus enviou o Espírito de seu Filho aos seus corações, o qual clama: "Aba, Pai". Assim, você já não é mais escravo, mas filho; e, por ser filho, Deus também o tornou herdeiro.” (Gálatas 4.1-7). O cristão não é mais escravo, mas filho. Essa visão faz toda a dife- rença no aconselhamento. Note que, o escravo segue o caminho da menor resistência, onde não é exigido que ele assuma a plena responsabilidade por seus pensamentos e comportamentos. O escravo nunca desenvolve os A HONRA NO ACONSELHAMENTO AULA 2 BLOCO 2
  • 32. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 32 músculos morais para lidar com opções limitadas. Mas na cultura do Reino, espera-se que os filhos e filhas de Deus não apenas sejam livres, mas tam- bém entendam porque são livres, de modo a exercer essa liberdade visando o propósito dela: o amor. “Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liberdade para dar ocasião à vontade da carne; pelo contrário, sirvam uns aos outros me- diante o amor. Por isso digo: vivam pelo Espírito, e de modo nenhum satisfarão os desejos da carne.” (Gálatas 5.13,16). O sucesso do aconselhamento segundo os padrões do Reino está em usar a liberdade para amar através do andar no Espírito. Por esse moti- vo, se o conselheiro quiser ajudar alguém a andar em liberdade, precisa tra- tar com o espírito do homem e não simplesmente com seu comportamento (SILK, 2015). No capítulo anterior da carta aos gálatas, Paulo escreve que aque- les que são guiados pelo Espírito, expressam o Seu caráter como fruto em suas vidas. Uma das expressões utilizadas pelo apóstolo para descrever esse fruto é mansidão: “vocês, que são espirituais deverão restaurá-lo com mansidão” (Gálatas 6.1). Uma das mentiras impregnadas em culturas cristãs é de que igreja seja um lugar onde não vai haver nenhum pecado ou nenhum problema. Isso simplesmente não é verdade. Se o conselheiro não estiver preparado para li- dar com essas situações, então há uma tendência de se criar uma cultura da Lei, a fim de impedir as pessoas de pecar. A mensagem dessa cultura é: “Con- tenha o seu pecado e seus problemas dentro de você. Não mostre a mim, eu não sei lidar com ele.” Essa era exatamente a fala dos fariseus. Para estabelecer um ambiente de aconselhamento pautado na honra e na graça, o conselheiro precisa ter maneiras eficazes de lidar com os problemas das outras pessoas, de forma a criar ambientes que retirem os dejetos pardas pessoas em vez de fazer parte de quem elas são. AS FERRAMENTAS // O uso do CONFRONTO Tradicionalmente, confronto e conflito são sinônimos. Essas pa-
  • 33. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 33 lavras ativam pensamentos de luta e ofensa. O pastor Danny Silk (2015) acredita que para evitar isso é necessário que esteja claro para o conselhei- ro quais são os objetivos de um confronto segundo a cultura da honra: • Apresentar as consequências de uma situação a fim de ensinar e fortalecer. • Trazer à tona o que as pessoas esquecem acerca de si mesmas quando falham. • Fazer um convite a fortalecer um vínculo de relaciona- mento com alguém. • Aplicar pressão estrategicamente a fim de expor áreas que precisam de força e graça. Dessa forma, o processo de confronto passa a ser um processo de capacitação e não de dominação. Ele oferece ao aconselhado força e sabe- doria ao invés de controle e punição. Deus não precisa controlar ninguém, e Ele não tem medo dos pro- blemas, dos conflitos ou pecados. Ele sabe que a única maneira de efetivar uma real mudança é quando as pessoas forem livres para mudar. Jesus, como o Grande Conselheiro, é também o exemplo de con- frontação. Ele não tinha medo na presença dos erros das pessoas e não tinha medo de confrontá-las, se necessário, com uma invasão amorosa da verdade. Quer fossem os discípulos, o jovem rico ou a mulher junto ao poço, Ele era capaz de ajudar as pessoas a identificarem o que estava se passan- do abaixo da superfície. O confronto bem-sucedido constrói relacionamentos e fortalece vínculos de aliança. Ele é uma arte construída sobre certas habilidades, mas o que é mais importante, é um estilo de vida que flui das convicções e va- lores essenciais. Quanto mais o conselheiro estabelece os objetivos do céu para o confronto e o aconselhamento, mais estará posicionado para liberar o céu na vida dos aconselhados. // o ACONSELHAMENTO EM GRUPO Até pouco tempo atrás, o aconselhamento mais comumente rea- lizado na igreja era uma relação um para um: um conselheiro, um aconse- lhando, uma sessão por semana, com uma hora de duração. Esse tipo de
  • 34. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 34 aconselhamento individual tende a ser muito benéfico, mas tem-se nota- do que práticas comunitárias de aconselhamento podem alcançar mais e maiores benefícios. Collins (2004) afirma que tais benefícios podem ser maximizados quando o aconselhando faz parte de um ou mais grupos de apoio. Muitas ve- zes é a família que dá esse suporte. Outras vezes, o encorajamento vem de amigos ou de colegas de trabalho. Mas o ideal é que a igreja local, através da comunhão do Corpo, esteja provendo grande parte do companheirismo, ins- trução, reforço, orientação, aceitação e apoio de que o indivíduo necessita. A moderna terapia de grupo começou no início do século XX, quan- do o clínico Joseph Pratt, organizou seus pacientes tuberculosos em grupos de 15 a 25 pessoas. Logo ficou claro que aquelas reuniões eram uma opor- tunidade para os pacientes falarem de seus problemas, animarem uns aos outros e desenvolverem laços de amizade e solidariedade. Gary Collins (2004) acredita que o aconselhamento em grupo é uma abordagem muito eficaz de solução de problemas, e que os grupos apresentam uma série de fatores curativos que podem ser maximizados no ambiente favorável da igreja local. Eles podem, por exemplo: • Gerar esperança e otimismo. • Diminuir a sensação que cada pessoa tem de ser o único que tem aquele problema. • Permitir a troca de informações sobre saúde emocional e problemas específicos dos aconselhados. • Criar um clima de altruísmo, onde os participantes podem dar ajuda, apoio, encorajamento e amor. • Ensinar coisas novas, de modo que as pessoas possam mudar de comportamento e aprender a agir de modo mais positivo. • Ajudar as pessoas a adquirir e aplicar técnicas de manejo social, para que possam se relacionar com os outros de uma forma mais madura e eficaz. • Apresentar modelos de comportamento que as pessoas possam seguir para melhorar seu desempenho, através dos exem- plos do líder ou de outros membros do grupo. • Dar oportunidade para que todos expressem seus senti- mentos. • Dar aos membros um senso de aceitação, coesão e rela-
  • 35. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 35 cionamento íntimo. • Ajudar as pessoas a lidar com questões importantes como, por exemplo, responsabilidade pessoal, valores fundamen- tais, o significado da vida, ou senso de valor. • Dar oportunidade para que busquem juntos a orientação e cura de Deus. De fato, o processo de aconselhamento em grupos terapêuticos é de fundamental importância também na igreja, pois viabiliza a elaboração psicossocial de seus participantes, fortalece sua autoestima, cria vínculos afetivos, diminui a resistência das relações interpessoais, possibilitando a expressividade de cada um.
  • 36. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 36 CRISES NO ACONSELHAMENTO BLOCO3
  • 37. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 37 Ninguém atravessa a vida sem nenhuma instabilidade, fracasso ou medo. Muitas pessoas passam ou já passaram por ansiedades e crises que as desestabilizaram, temporariamente, mas conseguiram encontrar na si- tuação desfavorável, a motivação e a coragem necessárias para superar as dificuldades. Uma crise é um momento de decisão que não pode ser evitado. As situações de crise podem ser esperadas ou inesperadas, reais ou imaginá- rias, reais (como a morte de um ente querido) ou potenciais (como a proba- bilidade de que um ente querido venha a falecer em breve). Do ponto de vista psicológico e espiritual, a crise pode ser vista sob duas óticas diferentes: perigo ou oportunidade. • PERIGO Uma crise representa perigo porque interrompe o curso normal da vida e traz situações difíceis e inesperadas para a pessoa. Damasceno (2004) afirma que à medida que se aproxima a idade adulta, cada pessoa desenvolve várias técnicas de resolução de problemas, baseadas em suas próprias experiências, educação e traços de personalidade. Um adulto sau- dável aprende a resolver esses problemas inesperados e se torna capaz de enfrentar, com sucesso, as inseguranças e desafios da vida. Alguns desses problemas inesperados se tornam uma crise quan- do se trata de situações anormalmente difíceis e complicadas. Pode ser a perda de alguém ou de alguma coisa muito importante, ou uma mudança repentina de status ou função social, ou, ainda, o surgimento de pessoas ou acontecimentos novos e ameaçadores. Muitas vezes, a seriedade dessa nova situação torna ineficazes os meios já aprendidos para lidar com o estresse e resolver problemas. Isso pode desencadear em confusão e desorientação, despertando sentimen- tos como incapacidade, ansiedade, raiva, desânimo, tristeza ou culpa. Esse CRISES NO ACONSELHAMENTO AULA 2 BLOCO 3
  • 38. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 38 tumulto intelectual, comportamental e emocional geralmente é temporá- rio, mas pode durar várias semanas, ou até mais (DAMASCENO, 2004). • OPORTUNIDADE Outra ótica pode ser observada em um momento de crise: a ótica da oportunidade. As crises podem se tornar uma oportunidade de efetuar mudanças na vida, amadurecer a personalidade e aprender a reagir melhor diante das dificuldades. Outro ponto interessante é que como as pessoas em crise geralmente se sentem confusas, elas ficam mais abertas a rece- ber ajuda externa, inclusive da parte de Deus e de um conselheiro. A reação em meio a um momento de crise varia de pessoa para pessoa. Há indivíduos que tentam ignorar a crise, apelando para mecanis- mos de fuga. Outros, se fecham em fantasias irracionais, ou entram em desespero, ou reagem de uma forma socialmente inaceitável. Na área da medicina, a palavra crise refere-se a um momento cru- cial em que ocorre uma mudança qualquer, quer implique em melhora e re- cuperação do paciente, quer leve ao declínio e morte. Collins (2004) acredita que as crises emocionais e espirituais ocorrem desta mesma forma. Ascrisesemocionaiseespirituaissãomomentosdedecisãoque,inevitavelmente, ocorrem na vida de qualquer indivíduo. Viver é passar por crises. Atravessar crises é chegar a esses momentos decisivos que podem nos fazer crescer e ama- durecer, ou então deteriorar e permanecer na imaturidade (COLLINS, 2004). Nessas situações, o conselheiro cristão ocupa uma posição estra- tégica, já que pode influenciar o modo como a crise será resolvida. O conse- lheiro cristão pode auxiliar o indivíduo a avaliar a situação de crise de forma equilibrada procurando levá-lo a desenvolver uma técnica para resolver o problema que seja criativa e realista, de forma que se torne um aprendizado que seja útil em situações futuras. Podemos identificar três tipos de crise atualmente: 1. Crises Acidentais ou Circunstanciais. Ocorrem quando surge uma ameaça repentina, uma oscilação vio- lenta, uma perda inesperada.
  • 39. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 39 • A morte de um ente querido, • A descoberta de uma doença grave, • Um abuso físico, • Uma gravidez fora do casamento, • Perturbações sociais como guerra ou depressão econômica, • A perda do emprego ou das economias. Uma observação interessante feita por especilaistas é que aconte- cimentos estressantes que se originam fora da família (perseguições, de- sastres naturais, incêndio de grandes proporções ou preconceito racial, por exemplo), geralmente fortalecem os laços e os membros se unem para su- perar a crise. Já nos casos em que o estresse é interno (como uma tentativa de suicídio, um adultério, alcoolismo) a crise é mais grave e pode provocar o rompimento familiar. 2. Crises do Crescimento. Esse tipo de crise acontece no curso do desenvolvimento normal do ser humano. O primeiro dia na escola, a saída de casa para estudar em outra cidade, os ajustes no início do casamento, a chegada dos filhos, a reação às críticas, a aposentadoria ou perda da saúde. Essas situações podem requerer a aplicação de novas estratégias para se adaptar às condições novas. 3. Crises Existenciais. Há momentos em que todos temos que enfrentar verdades e questionamentos perturbadores sobre nós mesmos. São conclusões sobre a própria vida que requerem tempo e esforço para serem assimiladas. Elas representam mudanças na autopercepção, que podem ser negadas tem- porariamente, mas em um determinado momento, a pessoa saudável, terá que enfrentá-las para que a vida possa seguir seu curso normal. O profeta Elias passou por um momento assim. Depois de uma grande vitória espiritual, ele foi perseguido por Jezabel e fugiu para o deser- to, onde concluiu que sua vida era um fracasso. Jonas teve pensamentos semelhantes quando argumentou com Deus. Em meio às lutas, Jó deve ter questionado: “O que será da minha vida agora?” E, provavelmente, os discí- pulos tiveram esses tipos de pensamentos logo após a crucificação. E muito difícil dar uma resposta definitiva quando as pessoas per-
  • 40. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 40 guntam a razão de estarem passando por determinadas crises. O que se pode afirmar é que as crises podem ser experiências de aprendizado que moldam o caráter, ensinam a respeito de Deus e de sua provisão, e estimu- lam o crescimento. • AUXÍLIO NAS CRISES Ao se deparar com uma situação de crise o conselheiro cristão pode ajudar os aconselhandos a enfrentá-las de forma a levá-lo ao crescimento. No decorrer do curso serão expostos mais detalhadamente diferentes tipos de crises, mas existem técnicas de aconselhamento que se aplicam a todos os casos. São chamadas de intervenção. Intervir nas crises é um meio de prestar primeiros socorros emocio- nais, de caráter imediato e temporário, a vítimas de traumas psicológicos e físico. O interventor precisa agir hábil e rapidamente diante de comporta- mentos muitas vezes desorganizado, confuso e potencialmente perigosos. Como as crises geralmente surgem de repente e são de duração limitada, é melhor tratá-las tão logo aparecem (COLLINS, 2004). O conselheiro precisa perceber que cada há individualidades a se- rem tratadas em cada situação. Existem diferenças de flexibilidade, manei- ras de reagir, capacidade de aprender novas técnicas de ajuste, força física, resistência psicológica e níveis de maturidade emocional e espiritual. Mas de uma forma geral, o aconselhamento nas crises visa: • Ajudar a pessoa a superar o momento agudo da crise e voltar ao seu estado normal. • Diminuir o nível de ansiedade, preocupação e outras in- seguranças que podem surgir durante a crise e permanecer depois que ela passar. • Ensinar técnicas de controle de emergências para que a pessoa possa antever e lidar eficazmente com crises futuras. • Ministrar os ensinamentos bíblicos sobre situações de crise, para que a pessoa possa tirar lições dos acontecimentos e amadurecer. A Bíblia sempre apresenta uma mensagem de esperança. Em todo tipo de aconselhamento, há maior probabilidade de haver melhora se os
  • 41. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 41 aconselhandos tiverem uma esperança realística no futuro. A esperança traz alívio do sofrimento, porque se baseia na crença de que as coisas vão melhorar. A esperança nos ajuda a evitar o desespero e libera energia para enfrentar a situação de crise. O conselheiro cristão pode transmitir esperança, por exemplo, tra- zendo passagens das Escrituras, que reanimam e dão uma esperança ba- seada na natureza imutável de Deus e na sua Palavra. Os conselheiros que atuam em situações de crise não podem tratar todas as pessoas (ou grupos, inclusive famílias) da mesma maneira, pois os indivíduos não são iguais. Existem diferenças de flexibilidade, maneiras de reagir, capacidade de aprender novas técnicas de ajuste, força física, re- sistência psicológica e níveis de maturidade emocional e espiritual. Tendo estas diferenças em mente, o conselheiro pode intervir de maneira sábia em um momento de crise.
  • 42. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 42 BIBLIOGRAFIA ADAMS, J. E. O Manual do Conselheiro Cristão. São Paulo: Fiel, 1986. BECHELLI, L. P. Psicoterapia de grupo: como surgiu e evoluiu. Rev. Latino- -Am. Enfermagem [online]. vol. 12, n. 2, pp. 242-249, 2004. Disponível em: <www.scielo.com.br>. Acesso em: 20 abril 2019. BÍBLIA. Bíblia Sagrada Nova Versão Internacional. São Paulo: Vida, 2007. BORGES, M. S. O Padrão de Aconselhamento na Libertação. Editora Jocum Brasil, Terceira Edição, Setembro, 2014. CHAFER, L. S. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos, 2003. CHAMPLIN, R. N. O Novo Testamento Interpretado: versículo a versículo. São Paulo: Hagnos, 2006. CLINEBELL, H. Basic Types of Pastoral Care & Counseling: Resources for the Ministry of Healing & Growth. Nashville: Abingdon Press, 2011. COLLINS, G. R. Aconselhamento Cristão. Edição Século XXI. São Paulo: Vida Nova, 2004. DAMASCENO, F. Oficina de Cura Interior - Como Praticar e Receber. Rio de Janeiro: Editora Jocum, 2004. GRENZ, S. J. Pós-Modernismo, um guia para entender nosso tempo. São Paulo: Vida Nova, 2008. SILK, D. Cultura da Honra: vivendo em uma atmosfera sobrenatural. Bra- sília: Chara, 2015. WARREN, R. Uma Igreja com Propósitos. São Paulo: Vida, 2008. W. E. O., The Presence of God in Pastoral Counseling. Texas: Word, 1986.
  • 43. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 43 PESSOAS ENVOLVIDAS NO ACONSELHAMENTO AULA3
  • 45. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 45 “Cadaumcuide,nãosomentedosseusinteresses,mastambém dos interessesdos outros. Seja a atitude de vocês a mesma de Cristo Jesus.” (Filipenses 2.4-5) A Bíblia mostra que faz parte da vida do cristão o cuidar uns dos outros. Uma das muitas maneiras que isso pode acontecer é através do aconselhamento. Quem são os personagens envolvidos diretamente nesse cuidado? • O CONSELHEIRO, O ACONSELHADO E O ESPÍRITO SANTO. Todo cristão é um conselheiro pois todos temos a responsabilidade de cuidar uns dos outros. É muito gratificante aconselhar, mas também é um trabalho de persistência e, algumas vezes, pode trazer certo desgaste emocional dependendo de como a situação é tratada. O aconselhamento exige muita concentração e às vezes faz sofrer quando o conselheiro vê a pessoa infeliz ou pessoas que não apresentam melhora. Algumas vezes o conselheiro se lembra das suas próprias inse- guranças ou conflitos e isso pode colocar em risco a própria estabilidade emocional e a autoestima. Entretanto, esses não podem ser os parâmetros que regem o conselheiro cristão. O padrão do conselheiro cristão deve estar pautado na confiança e na alegria. A tarefa de um conselheiro cristão é olhar para frente, para além do problema ou da circunstância, em direção aos bons presentes que Deus de- seja entregar a todos, especialmente a seus filhos. Os planos de Deus são sempre bons, Deus está de bom humor e deseja abençoar Seu povo sobre a terra (JOHNSON, 2017). “Tendo os olhos fitos em Jesus, autor e consumador da nossa fé. Ele, pela alegria que lhe fora proposta, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e assentou-se à RELACIONAMENTO CONSELHEIRO E ACONSELHADO AULA 3 BLOCO 1
  • 46. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 46 direita do trono de Deus.” (Hebreus 12.2) Jesus suportou muito enquanto esteve na terra, e Ele o fez pela pro- messa de alegria que estava colocada diante dele. Tudo o que Ele suportou foi por causa da alegria que viria. Assim precisa ser o olhar do conselheiro. A plenitude de Jesus na cruz resulta no fato de que agora, o cristão pode lutar a partir da vitória, e não mais pela vitória. O conselheiro não precisa carregar o peso de outra pessoa porque Jesus já o fez na cruz. Se o conselheiro assimila esse pensamento e o co- loca em seu coração, a maneira de aconselhar será transformada. Quando o conselheiro se torna confiante naquilo que Jesus fez, ele se tornará um liberador do Seu Reino aqui na terra. A Bíblia aponta que os salvos cuidem uns dos outros e isto, certamen- te, inclui o aconselhamento, mas precisamos desenvolver um aconselhamen- to eficiente, para atingir esta eficiência vamos trabalhar alguns pontos: • O FOCO NÃO É O CONSELHEIRO Um desejo sincero de auxiliar as pessoas a se desenvolverem é uma razão válida para tornar-se um conselheiro, mas existem outras razões que motivam o conselheiro e interferem na eficácia do aconselhamento. Gary Collins (2004) observa alguns fatores que ajudarão o conselheiro a fazer esta avaliação: 1. Curiosidade – Necessidade de Informação. Ao descrever seus proble- mas, os aconselhados, no geral, oferecem certas informações que não con- tariam a mais ninguém de outra forma. O conselheiro precisa ter cuidado, pois, algumas vezes, pode pressionar para obter mais informações somen- te para obter mais detalhes. Nestes casos, com frequência, ele não conse- gue manter o sigilo. Os aconselhandos vão descrever problemas profundos, detalhes que não poderiam ser ditos em outras circunstâncias. Estas confi- dencias jamais devem ser expostas. 2. A Necessidade de Manter Relações –Todo ser humano precisa de in- timidade e é natural que se desenvolva intimidade entre o conselheiro e o aconselhando, mas o ideal é que o conselheiro tenha relacionamentos íntimos com outras pessoas que não sejam os aconselhados. É normal o aconselhado considerar o conselheiro seu melhor amigo, pelo menos tem-
  • 47. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 47 porariamente, mas o conselheiro precisa ter outros relacionamentos para satisfazer a necessidade que todos têm de relacionamento. O desejo de se envolver socialmente com o aconselhado pode ser um sinal que está atendendo uma necessidade de companheirismo do conselheiro, isso não é necessariamente ruim, mas os amigos nem sempre são os melhores con- selheiros. 3. A Necessidade de Poder – o conselheiro precisa ter cuidado com o con- trole. O conselheiro autoritário gosta de endireitar os outros, dar conselhos (mesmo quando não solicitado), e desempenhar o papel de solucionador de problemas. O conselheiro não tem o papel de tomar decisões por alguém, o conselheiro está ali para orientar e mostrar caminhos. 4. A Necessidade de Socorrer – o conselheiro precisa ter cuidado para não querer resolver os problemas dos aconselhados quando estes não conse- guem. Isso vai satisfazer o aconselhado, mas não vai resolver o problema. É sempre preciso lembrar que o conselheiro cristão aconselha pessoas li- vres e visa levar essas pessoas a serem poderosas em suas vidas e não codependentes. O aconselhado tem de aprender a tomar suas decisões e assumir responsabilidades por elas. 5. A Necessidade de Cura – o conselheiro precisa ter convicção que está curado e pronto para aconselhar. Se isso não estiver bem resolvido o con- selheiro pode manipular, expiar sua culpa, agradar alguma figura de autori- dade, expressar hostilidade, resolver conflitos sexuais e provar que é inte- lectualmente capaz, espiritualmente maduro e psicologicamente estável. Um outro fator muito importante é a do conselheiro distinguir com clareza o seu papel e as suas responsabilidades. Algumas áreas que podem ocorrer confusão de papeis: 1. Visitar versus aconselhar. Visitar é uma atividade que ocorre numa rela- ção de amizade e que envolve uma conversa onde há troca mútua de infor- mações. Já no aconselhamento, a conversa tem um determinado objetivo e gira em torno de um problema específico, visando primordialmente as necessidades de uma pessoa: o aconselhando. Todo aconselhamento pode envolver visitas periódicas, mas quando estas se prolongam e passam a ser um fim em si mesmas, a eficiência do processo é prejudicada. 2. Precipitação versus cautela. Pessoas ocupadas e objetivas geralmente
  • 48. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 48 querem acelerar o processo de aconselhamento para chegar logo a um re- sultado satisfatório. O processo de cura não pode ser acelerado. Quando o ritmo é lento e relaxado, o conselheiro fica menos sujeito a emitir julgamen- tos precipitados e o aconselhando, normalmente, sente que há mais apoio e interesse da parte do conselheiro. 3. Desrespeito versus compreensão. Alguns conselheiros rotulam as pes- soas com muita rapidez e depois despacham os indivíduos com avaliações precipitadas, uma rápida confrontação ou um conselho inflexível. São pou- cas as pessoas que apresentam alguma melhora quando o conselheiro não sabe ser compreensivo e sensível as questões apresentadas. 4. Preconceito versus imparcialidade. Há momentos em que o aconse- lhando precisa ser confrontado por causa de um pecado ou comportamen- to inadequado, mas isso não é o mesmo que condenar ou pregar para a pessoa durante a sessão de aconselhamento. Quando os aconselhandos se sentem atacados, podem adotar três tipos de atitude: ou se defendem (geralmente com agressividade), ou se mostram resignados e dizem: “De que adianta isso tudo?”, ou continuam com o conselheiro temporariamente, de má vontade. 5. Dar ordens em vez de explicar. Este é um erro comum e, pode ser um reflexo do desejo inconsciente do conselheiro de dominar e exercer contro- le. Quando os aconselhandos recebem instruções sobre o que devem fazer, eles acabam confundindo a opinião do conselheiro cristão com a vontade de Deus, sentem-se culpados e incompetentes se não seguirem o conselho recebido e raramente aprendem como amadurecer espiritual e emocional- mente. Desta forma não conseguem chegar ao ponto de poderem tomar suas próprias decisões sem ajuda. 6. Envolvimento emocional em vez de objetividade. Existe uma frontei- ra muito tênue entre ser carinhoso e se tornar tão envolvido a ponto de não poder prestar ajuda alguma. Isto acontece, principalmente, quando o aconselhando está muito perturbado, confuso ou enfrenta um problema semelhante aquele que o próprio conselheiro está passando. 7. Impaciência em vez de postura realista. Muitos conselheiros ficam desanimados e até ansiosos quando não veem progresso imediato em seus aconselhandos. Os problemas, geralmente, levam muito tempo para se desenvolverem e presumir que eles desaparecerão rapidamente por
  • 49. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 49 causa das intervenções do conselheiro não é uma postura muito realista. Mudanças instantâneas acontecem, mas são raras. O mais comum é levar um tempo até que o aconselhando abandone sua maneira de pensar e seu comportamento anteriores, substituindo-os por algo novo e melhor. 8. Artificial em vez de autêntico. Os conselheiros às vezes impõem a si mesmos o fardo de acreditar que devem ser perfeitos, saber sempre o que dizer e o que fazer, nunca cometer erros e ter sempre o conhecimento e a habilidade necessários para resolver qualquer problema de aconselhamen- to. Conselheiros deste tipo, geralmente, têm dificuldade de admitir suas próprias fraquezas e falta de conhecimento. Eles ficam tão ansiosos de se- rem bem-sucedidos que se tornam artificiais, distantes e até pretensiosos. 9. Defensivo em vez de empático. A maioria dos conselheiros se sente ameaçada durante o aconselhamento, uma vez ou outra. A capacidade de ouvir com empatia fica bloqueada quando estamos sendo criticados, ou quando temos consciência de que não estamos ajudando, ou quando nos sentimos culpados, ou ainda quando o aconselhando parece que vai nos agredir. O conselheiro cristão precisa manter uma atitude vigilante para evitar esses riscos. Como ajudadores cristãos, o conselheiro honra a Deus executando sua tarefa da melhor forma possível, assumindo humildemente seus erros, desculpando-se por eles e usando-os como situação de apren- dizagem e degraus de acesso para seu desenvolvimento.
  • 50. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 50 O PAPEL DO ESPÍRITO SANTO BLOCO2
  • 51. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 51 A maior fonte de força e sabedoria que um conselheiro cristão tem a sua disposição é o Espírito Santo, que guia e habita em todo discípulo de Cristo. Jesus Cristo quando subiu aos céus deixou um outro ajudador, con- selheiro que é o Espírito Santo, o Espírito da verdade: “E eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Conselheiro para estar com vocês para sempre, o Espírito da verdade. O mundo não pode recebê-lo, porque não o vê nem o conhece. Mas vocês o conhecem,pois ele vive com vocês e estará em vocês.” (João 14.16-17). Um cristão pode ficar tão envolvido com teorias e técnicas de acon- selhamento, que acaba se esquecendo de qual é a verdadeira fonte de toda ajuda duradoura. Nunca é demais repetir que o conselheiro cristão real- mente eficiente é apenas uma pessoa preparada que se dispõe a servir de instrumento através do qual o Espírito Santo irá transformar vidas. Quando o conselheiro está enfrentando ansiedades e confusões em seu trabalho, deve levar seus problemas a Deus, pois ele prometeu cui- dar de nós e nos ajudar. Orar diariamente e estudar a Bíblia são atividades que mantem aberto nosso canal de comunicação com aquele que é o me- lhor Conselheiro e Ajudador. O Espírito Santo é a fonte de toda a santidade como é visto em Ro- manos 1.4: “mediante o Espírito de santidade foi declarado Filho de Deus com poder, pela sua ressurreição dentre os mortos: Jesus Cristo, nosso Senhor.” A santidade do povo de Deus é atribuída e resultante da obra santi- ficadora do Espírito Santo que vai operando por intermédio da Sua palavra. O Fruto do Espírito é exatamente isso, o resultado da Sua atuação em nós: “MasofrutodoEspíritoéamor,alegria,paz,paciência,amabilidade,bondade,fidelidade, mansidão e domínio próprio.” (Gálatas 5.22-23). No livro de Romanos, o apóstolo Paulo, lança o fundamento sobre o qual toda a vida cristã está baseada: a morte de Cristo representa um jul- O PAPEL DO ESPÍRITO SANTO AULA 3 BLOCO 2
  • 52. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 52 gamento da natureza pecaminosa, e é isso que dá ao cristão a possibilidade do acesso a liberdade assegurada pelo Espírito Santo: “Porque,aquilo que a lei fora incapaz de fazer por estar enfraquecida pela carne, Deus o fez, enviando seu próprio Filho, à semelhança do homem pecador, como oferta pelo pecado. E assim condenou o pecado na carne, a fim de que as justas exigências da lei fossem plenamente satisfeitas em nós,que não vivemos segundo a carne, mas segundo o Espírito.” (Romanos 8.3-4) Uma vez que Deus em Cristo "condenou o pecado na carne", a tota- lidade da vontade de Deus pode ser "realizada em nós", mas nunca por nós. O Espírito está designado para realizar toda vontade de Deus na vida do salvo, cuja experiência nunca poderia ser realizada se dependesse da capacidade humana (Romanos 7.15-25). Se o aconselhamento em sua essência é um dos aspectos da obra santificadora, então o Espírito Santo que tem o papel de santificar o ho- mem, deveria ser considerado como a pessoa mais importante dentro do contexto do aconselhamento. Ele é o Conselheiro. Neste contexto cabe a reflexão de que ignorar o Espírito Santo ou evitar o uso das Escrituras no aconselhamento equivale a um ato de re- beldia. É impossível aconselhar sem o Espírito Santo e sua Palavra. Isso na verdade pode piorar e ferir ainda mais o aconselhando. Jesus disse que os que viriam após Ele, fariam obras maiores que as Dele. Isso só é possível com a ação do Espírito Santo (ADAMS, 1986). Ao olhar para o Novo Testamento percebe-se que o Espírito acon- selhou os apóstolos de um modo sem paralelo, capacitando-os a se relem- brarem das palavras e das ações de Jesus e os ajudando a reproduzirem as mesmas. É Ele quem regenera e concede salvação: “Por isso, eu lhes afirmo que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: "Jesus seja amaldiçoado"; e ninguém pode dizer: "Jesus é Senhor", a não ser pelo Espírito Santo.” (1 Coríntios 12.3) É Ele quem capacita o crente a compreender, ter discernimento e sabedoria e a viver de conformidade com a vontade divina revelada nas Es- crituras: “Quem não tem o Espírito não aceita as coisas que vêm do Espírito de Deus,
  • 53. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 53 pois lhe são loucura; e não é capaz de entendê-las, porque elas são discernidas espiritualmente. Mas quem é espiritual discerne todas as coisas,e ele mesmo por ninguém é discernido; pois "quem conheceu a mente do Senhor para que possa instruí-lo?" Nós, porém, temos a mente de Cristo” (1 Coríntios 2.14-16). O Espírito Santo leva a regeneração, santificação e capacita os crentes a fazerem proezas em nome de Jesus. • a PERSPECTIVA DO ESPÍRITO Alguns conselheiros captam com muito mais ênfase as questões negativas durante o processo de aconselhamento. O ponto de vista cristão considera negativa todas as visões e pensamento que não revelam os pla- nos de Deus para abençoar a terra. Nessas situações é necessário buscar o Espírito Santo para ter direcionamento e entendimento a partir da pers- pectiva do céu e do Reino. E é responsabilidade do conselheiro enxergar as situações a partir dessa perspectiva celestial (JOHNSON, 2017). Para isso, é possível orar e perguntar a Deus o que ele está fazendo. Quando o conselheiro começa a enxergar com demasiada ênfase as ques- tões negativas, precisa ir a Deus e dizer: “O que o senhor quer dizer através dessa situação? Como devo aconselhar e direcionar essa pessoa ou situa- ção?” É sempre fácil encontrar a sujeira, mas Deus deseja que seus filhos procurem pelo tesouro escondido sobre a poeira: “A glória de Deus é ocul- tar certas coisas; tentar descobri-las é a glória dos reis” (Provérbios 25.2). O que significa buscar o tesouro? Significa enxergar a visão de Deus sobre o aconselhando ou sobre a situação e permitir que Deus capture o coração do conselheiro, permitindo que Ele o carregue para a perspectiva do céu sobre o assunto. Desta forma é possível enxergar a pessoa ou situação como Deus a enxerga. Isso é que se chama de encontrar o ouro em alguém. Para achar o ouro em alguém é necessário cavar fundo. Não é difícil encontrar a sujeira, pois ela está sempre na superfície. É necessário esfor- ço e trabalho árduo para encontrar o ouro, isso é enxergar alguém com os olhos de Deus. Quando o conselheiro consegue somente ver tudo que há de mal ao redor da pessoa, tudo o que ele precisa fazer é ir mais fundo em Deus e en-
  • 54. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 54 contrar o ouro, encontrar as coisas que Deus está dizendo. Aí sim é possível entrar em concordância com esse ouro. Isso é a visão do aconselhamento segundo o céu (JOHNSON, 2017). O conselheiro precisa entender que ele precisa ser uma bênção na vida do aconselhando e não um fardo. Como isso é possível? Quando ele leva em oração a Deus todas as questões que ele enxerga de ruim na vida do aconselhando. O conselheiro precisa proclamar o oposto do que ele vê aos olhos naturais e parar de viver debaixo da influência do natural. “Irmãos, vocês foram chamados para a liberdade. Mas não usem a liber- dade para dar ocasião à vontade da carne; pelo contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor.” (Gálatas 5.13) “E a esperança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que ele nos concedeu.” (Romanos 5.5) O amor de Deus já foi derramado sobre os cristãos, ele precisa ser cultivado e transbordado no processo de aconselhamento. Quando o con- selheiro acessa esse amor, começa a enxergar o aconselhando com um olhar amoroso de Deus. Ao invés de enxergar situações de morte, ele passa a orar e declarar palavras de vida e amor. O amor de Deus, derramado através da ação do Espírito Santo, é capaz de trazer toda a visão necessária no processo de aconselhamento e traz liberdade e leveza ao processo enquanto destrói todo medo. Esse amor capacita e liberta o conselheiro para amar todas as pessoas.
  • 55. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 55 ORIENTAÇÕES PARA O ENCAMINHAMENTO BLOCO3
  • 56. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 56 • COMO A PSICOLOGIA PODE AJUDAR Muitos líderes e conselheiros têm buscado subsídios na psicologia e em outras áreas relacionadas à saúde mental para exercer a atividade de aconselhamento de modo mais eficaz. A psicologia é um campo de estudos bastante complexo. Geralmente são observados quatro tipos de relacionamento entre a psicologia/psiquiatria e o aconselhamento cristão: • Espiritualista religioso: Só a religião tem todas as respos- tas e a ciência não têm valor; • Perspectivas não cristãs: A ciência tem mais valor e a re- ligião traz culpa e complica a vida; • Os dois são paralelos separados e iguais: São dois mun- dos diferentes. Duas áreas distintas e importantes. • Complementabilidade na soberania divina: A psicologia tem feito um bom trabalho de observação. Um meio muito bom de descobrir a verdade é através da observação. Toda verdade vem de Deus. Muitas vezes, devido à falta de entendimento, alguns líderes têm rejeitado a psicologia, inclusive a área de aconselhamento, concluindo que um cristão não precisa de mais nada além da Bíblia para poder ajudar ou- tras pessoas. É claro que a Palavra de Deus é um bálsamo de cura para os distúrbios mentais e emocionais. Ela continua falando às pessoas nos dias de hoje, e sua relevância para o trabalho do conselheiro e para as vidas da- queles a quem ele auxilia é profunda e duradoura. A Bíblia trata de questões como solidão, desânimo, problemas con- jugais, tristeza, relacionamento entre pais e filhos, ira, medo e várias outras situações que surgem no aconselhamento. Na medicina, no ensino e em outras áreas de assistência cujo foco ORIENTAÇÕES PARA O ENCAMINHAMENTO AULA 3 BLOCO 3
  • 57. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 57 são as pessoas, Deus tem permitido ao homem aprender muito a respeito de sua criação através da ciência e do estudo acadêmico. Por que, então, segregar a psicologia, considerando-a a única área que não tem nada a acrescentar ao trabalho do conselheiro? Como campo do conhecimento humano, a psicologia científica tem pouco mais de cem anos de existência. Ao longo do século passado, Deus permitiu que os psicólogos desenvolvessem instrumentos de pesquisa cri- teriosos para estudar o comportamento humano e permitiu, também, que fossem editados periódicos especializados para divulgação dos resultados dessas pesquisas. Após terem atendido talvez centenas de milhares de pessoas que foram procurar ajuda em seus consultórios, os psicólogos e psiquiatras têm acumulado conhecimentos sobre as profundezas da natureza humana e sobre o que faz as pessoas mudarem. Há concordância de que estes conhecimentos ainda são bastante incompletos e tem muitas falhas, mas as pesquisas cuidadosas em psi- cologia e a análise criteriosa dos dados geraram um vasto acervo de in- formações que tem se mostrado útil, tanto aos aconselhandos quanto às pessoas que desejam ajudá-los de forma eficaz. O foco abordado no desenvolvimento deste curso é o de adotar te- orias e conhecimentos já desenvolvidos nessas áreas, mas sempre com a premissa de que toda verdade emana de Deus, inclusive a verdade sobre as pessoas que Ele criou. Ele revelou sua verdade através da Bíblia, a Palavra de Deus escrita para a humanidade, mas também permitiu ao homem que a descobrisse através da experiência e da aplicação dos métodos da investi- gação científica. A verdade descoberta precisa estar sempre de acordo com a norma da verdade revelada na Bíblia, e com ela deve ser sempre conferida. No entanto, a capacidade de aconselhamento fica muito restrita se o conse- lheiro adotar o ponto de vista de que as descobertas da psicologia não podem contribuir em nada para a compreensão e solução dos problemas. • ENCAMINHAMENTO Muitas vezes, a maior ajuda que o conselheiro pode prestar a uma pessoa é encaminhá-la a um especialista que possa auxiliá-lo melhor com sua experiência e conhecimento. Encaminhamento, não significa, necessa-
  • 58. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 58 riamente, que o conselheiro não tenha habilidade ou esteja tentando se li- vrar do aconselhando. Ninguém tem capacidade de aconselhar todo mundo e o encaminhamento é um modo de demonstrar o desejo de que o aconse- lhando tenha a melhor ajuda possível. As pessoas devem ser encaminhadas quando: • Não mostram sinais de melhora depois de diversas sessões • Têm graves problemas financeiros • Necessitam de assistência jurídica • Estão excessivamente depressivas ou têm tendências suicidas • Apresentam comportamento extremamente agressivo • Parecem estar gravemente perturbados emocionalmente • Provocam fortes sentimentos de desagrado no conselheiro • Têm problemas que estão além da competência do conselheiro. Pessoas com distúrbios alimentares, temor de uma gravidez inde- sejada ou preocupação com a possibilidade de uma doença como grave, estão entre as que necessitam de atenção médica além (e, às vezes, em lugar) de aconselhamento. Os conselheiros devem conhecer os recursos e pessoas de que a comunidade dispõe para um possível encaminhamento de seus aconse- lhandos. Entre estes encontram-se profissionais liberais como médicos, advogados, psiquiatras, psicólogos e outros conselheiros; os conselheiros pastorais e outros líderes eclesiásticos; clínicas públicas e hospitais; insti- tuições como a Sociedade dos Portadores da Síndrome de Dawn ou a Asso- ciação dos Cegos; agências governamentais e não governamentais; centros de prevenção de suicídios e drogas; organizações de voluntários como a Cruz Vermelha ou as que entregam refeições em casa; e grupos de autoa- juda, tais como os Alcoólicos Anônimos. Ao pensar em um encaminhamento não se esqueça dos grupos existentes no âmbito das igrejas e que podem dar apoio e auxílio prático em momentos de necessidade. Antes de sugerir um encaminhamento ao aconselhando, é melhor saber quais são os recursos disponíveis. O ideal é entrar em contato com o grupo, ou o profissional que continuará o processo, para saber se eles po- dem, realmente, prestar o auxílio necessário, pois pode ser devastador para
  • 59. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 59 o aconselhando se ele for procurar a ajuda indicada e for recusado. Quando sugerir um encaminhamento ao aconselhando, o ideal é apresentar as razões que o levaram a fazer a indicação, mostrando que é uma forma de conseguir a melhor ajuda possível para a pessoa. Alguns resistem à ideia de serem encaminhados a outro profissional e os aconse- lhandos podem concluir que o conselheiro ache que eles estão perturbados demais ou que o problema deles é grande demais. É recomendável gastar um tempo para discutir esses temores, se eles surgirem, e tentar envolver o aconselhando na decisão de procurar outra fonte de auxílio.
  • 60. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 60 BIBLIOGRAFIA ADAMS, J. E. O Manual do Conselheiro Cristão. São Paulo: Fiel. 1986. BÍBLIA. Bíblia Sagrada Nova Versão Internacional. São Paulo: Vida, 2007. CHAFER, L. S. Teologia Sistemática. São Paulo: Hagnos, 2003. COLLINS, G. R. Aconselhamento Cristão. Edição Século XXI. São Paulo: Vida Nova, 2004. JOHNSON, B. O Intercessor Feliz. Brasília: Chara, 2017. OATES, W. E. The Presence of God in Pastoral Counseling. Texas: Word, 1986.
  • 63. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 63 “Somente aqueles que valorizam e entendem a si mesmos podem valorizar e entender os demais. Somente aqueles que podem se comunicar honestamente consigomesmopodemsecomunicarhonestamentecomosoutros.”Danny Silk A comunicação expõe o que se passa dentro do coração humano. Jesus disse: “[...] a boca fala do que está cheio o coração” (Mateus 12.34). Para Silk (2015), se a realidade interna da pessoa – seu coração - é go- vernada pelo medo, então esta pessoa sinalizará isso em sua linguagem corporal, em suas expressões faciais, suas palavras e seu tom de voz. Do mesmo modo, se o coração for governado pela fé, pela esperança e pelo amor, ela liberará essa realidade por intermédio do que fala e de como fala. Se o coração de uma pessoa for governado pelo medo, então muito do que ele comunica se destinará a esconder o que realmente está se pas- sando interiormente. Ele retém sentimentos, finge que alguma coisa não o fere, ou finge estar feliz quando seu coração, na verdade, está partido, na tentativa de evitar a dor que poderá sentir ao ser “verdadeiro”. Conforme comenta Danny Silk: O medo da verdade é o grande sequestrador da comunicação. Quando a pessoa não tem a coragem nem a capacidade de enfrentar a verdade do que sente,pensa e necessita,ela acaba transmitindo informações confusas e imprecisas – às vezes até mesmo informações completamente falsas (SILK, 2015). No processo de aconselhamento é muito importante que tanto o conselheiro como o aconselhando se tornem pessoas poderosas que valo- rizam o que se passa em seus corações. Caso contrário, a experiência com a comunicação será sempre, inevitavelmente, uma sequência interminável de não entender o outro e de ser mal compreendido. Vamos abordar três estilos de comunicação, cada um desses estilos segue falsas convicções sobre o valor do que está em uma pessoa. E o que é pior, cultivam o medo e destroem a conexão, uma vez que trabalham com a mentira. COMPARTILHANDO A VERDADE INTERIOR AULA 4 BLOCO 1
  • 64. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 64 ESTILOS DE COMUNICAÇÃO 1. Cominação passiva Pessoas com esse estilo de comunicação têm a convicção de que os demais são mais importantes do que elas. Sua crença essencial é: “você importa e eu, não”. Quando se depara com uma decisão que deve ser to- mada em conjunto em um relacionamento, a pessoa passiva insiste que as ideias, os sentimentos e as necessidades da outra pessoa importam mais. Se ela acredita que os próprios sentimentos, pensamentos e necessidades estão sendo desrespeitados, simplesmente, tenta absorver isso e segue em frente. Os passivos dizem coisas assim: “Ah, você é quem sabe”. “Não, tudo bem”. “Não, não fiquei magoada”. “Não, não preciso mais falar sobre isso”. “Não, não me importo para onde vamos, pode ser para onde você quiser!” As pessoas passivas justificam o fato de se desvalorizarem passan- do uma imagem de servos pacientes e com domínio próprio, que mantêm a paz e nunca criam problemas. Elas pensam que é certo não ter necessi- dades nem exigências. Para Silk (2015), essas pessoas não têm coragem e vivem uma mentira. O autor comenta: A abordagem passiva, por ser uma mentira, não pode ser mantida em longo prazo. Ao absorver o egoísmo do outro, a pessoa passiva finalmente desenvolverá ressentimento e se tornará mais infeliz que assustada, e assim ela tomará uma atitude. Ela deixará de ser passiva e provavelmente romperá com o relacionamento para que suas necessidades sejam finalmente atendidas (SILK, 2015). O problema é que a pessoa passiva foi tão egoísta quanto aquela contra quem guarda rancor e amargura. Ela desvalorizou as próprias ne- cessidades, não por um desejo de beneficiar o outro, mas para proteger a si mesma. 2. Comunicação agressiva O comunicador agressivo é como um “tiranossauro rex”. Sua con-
  • 65. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 65 vicção essencial é: “Eu sou importante; você, não!” Os comunicadores agressivos sabem como conseguir o que querem. Eles estão no comando porque são os maiores, falam mais alto e assustam mais. Por exemplo: a dinâmica de comunicação com o comunicador agressivo e o passivo faz a ansiedade disparar, porque o valor desigual e o desequilíbrio de poder eli- minam inteiramente a intimidade. Esse só pode ser um relacionamento de sobrevivência. O agressivo terá o que necessita porque irá tomá-lo e o pas- sivo terá o que necessita dando partes de si. Ambos são motivados pelo medo e pelo egoísmo, e ambos são impotentes. 3. A comunicação passivo-agressiva O estilo passivo-agressivo é o mais sofisticado e, portanto, o mais desonesto dos estilos de comunicação fundamentados no medo. A con- vicção essencial do comunicador passivo-agressivo é: “Você é importante; Não, na verdade, não!” Eles manipulam e controlam os outros por meio do engano e de formas sutis, porém mortais, de punição. Diante das pessoas dizem: “Ah, o que você quiser, claro”. O comunicador passivo agressivo é famoso por suas insinuações sarcásticas, suas ameaças veladas, pelo uso manipulador de passagens bíblicas, por julgamentos dados em forma de conselhos e por reter o amor. Pelo fato de os comunicadores passivos-agressivos manterem um verniz de civilidade, em geral, é difícil as pessoas que estão de fora enten- derem o motivo de alguém ter tanta dificuldade em manter um relaciona- mento com eles. Conforme Silk comenta: Alguém que está tentando aconselhar sobre como lidar com uma pessoa passivo-agressiva, muitas vezes, não é bem compreendida, porqueelaéaúnicaquepercebetodaahostilidadeemanipulaçãoque lhes são dirigidas. Para todos os outros, a pessoa passivo-agressiva é gentil e esfuziante, e está sorrindo o tempo todo. Eles não sabem que no instante em que ela fica por trás de portas fechadas, é insinuadora, crítica, acusadora, se mantém na defensiva e envia mensagens des- conexas que deixam qualquer um confuso (SILK, 2015). A COMUNICAÇÃO ASSERTIVA Os estilos abordados anteriormente resultam do medo da verdade. Porém, a comunicação assertiva, resulta de sermos poderosos e amarmos
  • 66. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 66 a verdade. A convicção essencial dos comunicadores assertivos é: “Você é importante; e eu, também.”; “Meus pensamentos e necessidades importam; e os seus também.” Os assertivos se recusam a ter relacionamentos ou con- versas em que ambas as pessoas não têm valor igual e elevado. Eles não têm medo de mostrar à outra pessoa o que está acontecendo dentro deles. Por valorizarem o que está dentro deles, dedicam tempo e esforço para en- tender seus pensamentos, sentimentos e necessidades a fim de encontrar palavras para expressá-los de modo claro e honesto. Esse é o valor essen- cial da honra e do respeito mútuo. Esse é o valor que os comunicadores assertivos protegem enquanto interagem. “Os comunicadores assertivos não têm medo de ser poderosos e de deixar que as outras pessoas sejam poderosas num relacionamento ou uma conversa” Danny Silk. Um comunicador assertivo responde uma pessoa dizendo: “O que você vai fazer a respeito disso?” Eles respondem a uma pessoa agressiva dizendo: “Só posso falar com você quando você decidir ser respeitoso”. E respondem a uma pessoa passivo-agressiva dizendo: “Podemos nos falar mais tarde, quando você optar por ser respon- sável e me dizer o que realmente está acontecendo”. Em outras palavras, eles são capazes de estabelecer limites consis- tentes em torno de uma situação para que ela permaneça respeitosa, e exi- gem que ambos participem igualmente na busca do objetivo da conversa. Objetivos da comunicação • O objetivo da conversa deve ser o entendimento, não a concordância. Eu não preciso persuadir você a concordar comigo ou vice-versa. • Sua necessidade de estar certo não pode superar a ne- cessidade de proteger a relação, senão um campo de batalha irá se formar rapidamente. • Desvalorizar pensamentos, sentimento ou necessidades ataca a conexão. • Querer entender a perspectiva, a verdade do outro e de si
  • 67. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 67 são objetivos da comunicação. Prática da comunicação assertiva • Preste atenção em seus pensamentos, seus sentimen- tos, suas necessidades, respeitando o valor de tudo isso. • Depois preste atenção nos pensamentos, sentimentos, necessidades do outro, respeitando-os. • Seja verdadeiro consigo mesmo. • Não tenha medo de ser vulnerável. Se comprometa em se tornar o melhor comunicador possível. Esta- beleça um compromisso de se conectar com as pessoas de forma saudável e com honra. Seu relacionamento interior não apenas mudará para melhor, como seu relacionamento com os outros também será transformado. “As palavras que proferimos têm o potencial de levar nossos relacionamentos a um novo nível de impacto e intimidade” Tom Holladay.
  • 69. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 69 O CICLO DA CONFIANÇA “Mas se alguém fizer tropeçar um destes pequeninos que creem em mim, melhor lheseriaamarrarumapedrademoinhonopescoçoeseafogarnasprofundezasdo mar” (Mateus 18.6). Conforme o texto de Mateus, proteger a confiança dos “pequeninos” (vulneráveis) é algo muito importante para Jesus – e por uma boa razão. Os especialistas em desenvolvimento humano afirmam que quando as pesso- as brincam com a confiança de uma criança, é provável que ela desenvolva problemas na vida adulta. Pesquisas revelam que: a maioria dos membros de gangues, dos que são expulsos de escolas e dos dependentes químicos, teve uma infância ruim. A maioria dos que cometem abuso, sofreu abuso. A maioria dos divorciados, teve pais divorciados. Todas essas coisas são consequências da confiança quebrada durante a infância. “A confiança é a primeira tarefa de desenvolvimento que toda pessoa precisa alcan- çar na infância para desenvolver um senso saudável de quem ela é e para desenvol- ver relacionamentos saudáveis.” Erik Erikson. Desde o nascimento, nossa necessidade mais profunda é amar e ser amado por outros seres humanos. Nossa capacidade de atender a essa ne- cessidade se desenvolve à medida que completamos consistentemente ciclos de confiança nas nossas interações com outras pessoas. Um ciclo de confian- ça é concluído quando a pessoa: Tem uma necessidade. A necessidade é expressa. Há uma resposta à necessidade. A necessidade é satisfeita. A confiança é prejudicada se as pessoas falham em identificar e ex- pressar suas necessidades, se o outro não responde à necessidade ou res- ponde de forma negativa, ou se a necessidade não é atendida de modo al- COMUNICAÇÃO EFICAZ AULA 4 BLOCO 2
  • 70. ACONSELHAMENTO CRISTÃO 70 gum. Se a verdade e a confiança não forem restauradas, elas irão danificar a capacidade das pessoas de criar intimidade nos relacionamentos. As experiências dolorosas dão lugar a feridas que criam obstáculos quando as pessoas concordam com mentiras do tipo: Deus não me ama. Ninguém me ama. Há algo de errado comigo, e é por isso que não sou digno de amor. Essa pessoa nunca me amaria se realmente me conhecesse. Não mereço ter minhas necessidades supridas. Concordar com essas mentiras cria uma expectativa de necessidades não atendidas. Essa expectativa pode levar a experiências mais dolorosas e decepcionantesqueimpedemasferidasdeseremcuradas.Conforme comen- ta Silk: A desconfiança cria uma realidade alienante e dolorosa, na qual as pessoas se sentem sem esperança de ter suas necessidades atendi- das porque são incapazes de confiar nos outros e de formar conexões relacionais fortes. Essas pessoas passam a viver sem amor, e se tor- nam sobreviventes (SILK, 2015). Pessoas assim, aprendem a manipular o ambiente a fim de ter al- gumas de suas necessidades atendidas. Não se acham dignas de amor, não acham seguro confiar e ser vulnerável, não têm os recursos emocionais para suprir as necessidades de ninguém. Elas criam uma realidade na qual não são amadas, seus relacionamentos não duram e a dor das necessidades não atendidas continuam a destruir suas vidas. Como podemos observar, essa é a marca da orfandade, exatamente o espírito do qual Deus enviou seu Filho para nos libertar. O comentário de Jesus sobre a gravidade de se fazer uma criança tro- peçar revela o amor zeloso e protetor do Pai por Seus filhos perdidos e órfãos. Jesus restaurou a inocência roubada e a confiança quebrada que toda a huma- nidade herdou após a Queda. Jesus nos coloca nos braços do Pai onde pode- mos experimentar o amor incondicional, a aceitação incondicional e o cuidado incondicional. Todas as necessidades são supridas em Cristo – principalmen- te, a necessidade de ser amado.